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segunda-feira, 6 de novembro de 2023

Como reconhecer os sintomas do AVC - podemos salvar vidas


Durante o churrasco, Inês caiu. Queriam chamar uma ambulância mas ela insistiu que estava bem e que só tropeçara por causa dos sapatos novos. Ela estava um pouca pálida e tremia. Inês passou o resto da noite bem disposta e alegre. Mais tarde, o marido dela telefonou a informar, que a mulher fora internada no hospital. Às 23 horas falecera. Ela tinha tido um AVC durante o churrasco. Se os outros soubessem reconhecer os sintomas do AVC, ela poderia ainda estar viva. Algumas pessoas não morrem logo mas ficam durante muito tempo sujeitas a apoios e numa situação de desespero.
Só demora 1 minuto a ler o seguinte. 
Um neurologista disse, se ele consegue chegar ao pé de um individuo que sofreu um AVC, ele pode eliminar as sequelas de um AVC. Ele disse, o truque é diagnosticar e tratar a pessoa durante as primeiras 3 horas. 
Como reconhecer um AVC?
 Há 4 passos que devem ser seguidos para reconhecer um AVC. 
- Peça à pessoa para rir (ela não vai conseguir). 
- Peça à pessoa para dizer uma frase simples (por exemplo: hoje está um dia bonito). 
- Peça à pessoa para levantar os dois braços (não vai conseguir bem). 
- Peça à pessoa para mostrar a língua (se a língua estiver torta ou virar dum lado para o outro, é um sintoma). 
Se a pessoa tem alguns destes sintomas chamar imediatamente o 112, explicando tudo o que se está a passar. O paciente será atendido como prioritário num Serviço de Urgência onde o tratamento será prontamente instituído e o diagnóstico realizado.
Um cardiologista disse, se for possível divulgar estas dicas a um número elevado de pessoas, podemos ter a certeza, que alguma vida - eventualmente a nossa própria possa ser salva.
Mandamos todos os dias tantas coisas inúteis, também podemos encher as linhas com coisas importantes, não acham?
Se também consideram importante, partilhe.

domingo, 29 de outubro de 2023

Dia Mundial do AVC 2023: Consciencialização e Prevenção para Salvar Vidas


No dia 29 de outubro de 2023, o mundo une-se para celebrar o Dia Mundial do AVC (Acidente Vascular Cerebral). Essa data tem como objetivo aumentar a consciencialização sobre esta doença, que afeta milhões de pessoas em todo o mundo.

O AVC é uma emergência médica, sendo atualmente a principal causa de morte e incapacidade permanente em Portugal. A cada hora que passa, há três portugueses que sofrem um Acidente Vascular Cerebral, um deles não sobreviverá, e metade dos sobreviventes poderão ficar com sequelas incapacitantes.

O tema do Dia Mundial do AVC, deste ano de 2023, proposto pela OMS, é: “Juntos, somos maiores que o AVC”, enfatizando a importância da colaboração entre profissionais de saúde, autoridades governamentais, organizações não governamentais e sociedade em geral, para prevenir, diagnosticar e tratar melhor esta doença.

O que é um AVC?
O Acidente Vascular Cerebral ocorre quando o suprimento de sangue para uma parte do cérebro é interrompido ou reduzido, resultando numa lesão cerebral. Existem dois tipos principais de AVC: o isquémico, quando um vaso sanguíneo é bloqueado por um coágulo ou placa de ateromatose, e o hemorrágico, que acontece quando um vaso sanguíneo se rompe e causa sangramento no cérebro.

Consciencialização e Prevenção
A consciencialização sobre o AVC é essencial para prevenir a ocorrência de casos e reduzir as suas consequências. É importante que as pessoas conheçam os principais fatores de risco, como hipertensão arterial, diabetes, tabagismo, sedentarismo e obesidade. Além disso, é fundamental incentivar hábitos de vida saudáveis, como a prática regular de exercício físico, alimentação equilibrada, com redução da ingestão de sal, controle da pressão arterial, evitando o consumo excessivo de álcool e o tabagismo. É importante refletir no facto de que cerca de 80% dos AVC podem ser prevenidos com hábitos de vida saudável e controlo dos fatores de risco.

É também importante promover a educação da população, para reconhecer os sinais de alarme de um AVC, como instalação súbita de falta de força num lado do corpo, dificuldade em falar, visão turva, tonturas e dor de cabeça intensa e súbita.

São importantes as campanhas com divulgação dos sinais de alarme mais frequentes, habitualmente designados por “3 Fs”: Falta de Força num braço, Face assimétrica, com boca ao lado e Dificuldade em Falar. Ao reconhecer esses sinais, é imprescindível buscar atendimento médico imediato, pois cada minuto conta para minimizar os danos causados pelo AVC. A população deve saber que, perante estes sintomas, deve ligar imediatamente para o número nacional de emergência: 112. Desse modo, o INEM aciona a Via Verde do AVC, sendo disponibilizados meios de auxílio para transportar o doente ao hospital com capacidade para proporcionar o tratamento adequado, no mais curto espaço de tempo.

Nas mulheres os sinais são diferentes. Consulte  aqui (em Inglês)

Atendimento de Emergência
Nos últimos 25 anos houve enormes progressos no tratamento da fase aguda do AVC. Existem novos tratamentos, muito eficazes, conseguindo por vezes reverter completamente os sintomas, mas que sua eficácia depende em grande parte da rapidez com que o doente chega ao hospital.

Os profissionais de saúde devem estar preparados para agir rapidamente e realizar exames como a tomografia computadorizada, para diagnosticar o tipo de AVC e determinar a melhor abordagem terapêutica. Nalguns casos podem ser administrados medicamentos trombolíticos, para dissolver o coágulo, noutros estes poderão ser retirados através de trombectomia, após cateterização dos vasos cerebrais por um neurorradiologista de intervenção, conseguindo assim restaurar o fluxo sanguíneo cerebral.

Reabilitação
Após o tratamento agudo, a reabilitação desempenha um papel fundamental na recuperação dos doentes. A fisioterapia, a terapia da fala e a terapia ocupacional são essenciais para ajudar os sobreviventes do AVC a recuperar as suas capacidades motoras, cognitivas e de comunicação. É importante que haja um suporte contínuo para que cada individuo possa retomar as suas atividades diárias e reintegrar-se na família e sociedade.

Conclusão
A comemoração do Dia Mundial do AVC é uma oportunidade para aumentar a consciencialização sobre esta doença devastadora. É responsabilidade de todos nós promover uma cultura de cuidado com a saúde, adotando hábitos saudáveis e estando atentos aos sinais de alerta. Juntos, podemos fazer a diferença na luta contra o AVC.

sábado, 5 de fevereiro de 2022

A outra 'pandemia' que ameaça a humanidade (a uma velocidade alarmante)

As superbactérias já matam mais do que sida, malária e cancro do pulmão.



O número de mortes por infeções causadas por bactérias resistentes irá aumentar em 10 vezes até 2050, adverte um estudo publicado na revista Lancet, sublinhando que as superbactérias já matam mais do que sida, malária e cancro do pulmão

De acordo com a investigação, todos os anos morrem 1,2 milhões de pessoas devido a superbactérias. E os cientistas estimam que, em menos de 30 anos, as venham a provocar a morte de 10 milhões de pessoas por ano, três vezes mais do que a estimativa de óbitos por Covid para 2020.

A investigação é baseada em dados de 204 países. Até à data, é a mais abrangente sobre o tema. Os investigadores analisaram 23 agentes patogénicos diferentes e quase 90 combinações de infeções e medicamentos utilizados para tratá-las, sem sucesso.

Segundo o estudo, as superbactérias foram a terceira causa de morte a nível mundial em 2019, ficando apenas atrás das doenças cardíacas e do AVC. As infeções respiratórias, tais como a pneumonia, causadas por estas bactérias são as maiores 'assassinas': 400 mil mortes por ano.

As crianças são as mais afetadas. Os dados mostram que 20% tinham menos de cinco anos. Ou seja, vão ao encontro dos números da Unicef, que estima que até 40% de todas as mortes neste grupo etário são provocadas por superbactérias.

De todos os micróbios testados, seis deles - E. coli, S. aureus, K. pneumoniae, S. pneumoniae, A. baumannii, e P. aeruginosa - são responsáveis pela maioria das mortes (920 mil).

A África Subsaariana e o Sudeste Asiático são as duas regiões mais abaladas, com mais de 20 mortes por cada 100 mil habitantes. Nos países desenvolvidos, esta infeções matam, em média, 13 pessoas por 100 mil habitantes. No entanto, a mortalidade causada por estes micróbios poderia ser muito inferior se houvesse um acesso mais facilitado à medicação. sublinham os investigadores.

Recorde-se que a biotecnológica portuguesa Immunethep tem em desenvolvimento uma vacina injetável e um tratamento contra as infeções bacterianas. "Estamos a trabalhar na primeira vacina para prevenir infeções por cinco bactérias diferentes, como a E Coli, que são conhecidas por superbactérias, porque são resistentes aos antibióticos. Temos também um outro produto para tratar essas próprias infeções e uma parceria com a americana Merck", revelou Bruno Santos, CEO da empresa portuguesa de biotecnologia, em entrevista ao Notícias ao Minuto.

A vacina em desenvolvimento contra infeções bacterianas resistentes a antibióticos baseou-se numa investigação desenvolvida na Universidade do Porto "realmente única" ligada à própria criação da Immunethep, em 2014.

"Não estamos a atacar cada uma das bactérias isoladamente. Foi descoberto um mecanismo que todas essas bactérias usam e estamos a falar de bactérias conhecidas pela sua resistência a antibióticos e responsáveis por grande parte das infeções hospitalares. Ao ter sido descoberto o porquê de elas estarem a ultrapassar o nosso sistema imunitário e serem capazes de nos infetar e terem um mecanismo comum, com esta abordagem conseguimos fazer uma vacina que tem capacidade de prevenir infeção de cinco bactérias diferentes", disse à agência Lusa Bruno Santos, cofundador e administrador executivo da biotecnológica.

segunda-feira, 23 de agosto de 2021

Qual é o valor de temperatura mais elevada que o corpo humano suporta?


As ondas de calor extremas são cada vez mais frequentes, e as temperaturas máximas que são atingidas são cada vez mais elevadas, ao ponto de na Meteored termos tido de aumentar a escala de visualização nos nossos mapas, a fim de podermos integrar estas situações extremas. Máximas que roçaram os 50 °C em latitudes tão impensáveis como o Canadá, ou ondas de calor com incêndios devastadores como os que estão atualmente a ser vividos na Turquia e Grécia estão a deixar a sua marca este ano num planeta cada vez mais quente.

O corpo humano é resistente, mas com temperaturas tão elevadas, a questão que colocamos é: até que ponto pode suportar? Qual é a temperatura mais elevada que as pessoas podem suportar? A verdade é que o calor representa, cada vez mais, uma ameaça para a saúde de uma maior quantidade de população mundial. E a resposta não só aponta para o valor da temperatura, mas também depende da quantidade de humidade no ambiente.

Os resultados de uma investigação publicada na Science Advances tentaram lançar luz sobre esta questão. A resposta concreta fixa a barreira num valor de temperatura de bolbo húmido de 35 °C. Para além desse valor não seria controlável para o corpo humano, tendo sempre presente que nem todas as pessoas têm a mesma resposta ao calor. Os 34 °C suportados este verão por pessoas no norte da Finlândia não foram experimentados da mesma forma que essa temperatura poderia ser vivida em Madrid, onde as pessoas estão habituadas a esse valor como algo normal no verão.

A temperatura de bolbo húmido

A temperatura de bolbo húmido não é a mesma que a temperatura do ar. Para ser obtida, é medida com um termómetro coberto com um pano embebido em água, pelo que tanto o calor como a humidade são tidos em conta. Esta última é importante porque com mais vapor de água no ar, é mais difícil para o suor evaporar do corpo e arrefecer a pessoa. A água no pano do termómetro será composta de acordo com a quantidade de humidade presente.

Portanto, o valor da temperatura de bolbo húmido será igual ou inferior à temperatura do ar. Quando isto ocorre, o ar está saturado e a humidade relativa é de 100%. A partir daí, qualquer quantidade de vapor de água adicionada à atmosfera será transformada em água líquida. Assim, a temperatura de bolbo húmido de 35 °C, que é o máximo que o corpo humano pode suportar, seria atingida com 100 % de humidade a essa temperatura. Mas, se a temperatura do ar fosse por exemplo 45 °C, este valor de bolbo húmido seria obtido com uma humidade relativa de 51%. Isto porque quanto maior for a temperatura, mais volume de vapor de água o ar aceita.

Se tomarmos o nosso exemplo até uma temperatura do ar de 50 °C, tal situação ocorreria a 38% de humidade relativa. Agora, em ambientes tropicais, tal cenário pode ocorrer mais facilmente. Se imaginarmos uma temperatura de 39 °C, e uma humidade relativa de 77%, o bolbo húmido será de 35 °C, o valor de risco mais elevado, segundo Colin Raymond, investigador pós-doutorando no Laboratório de Propulsão a Jato da NASA, que estuda o calor extremo e participou na investigação. Um dos sinais de alerta é que o planeta está a aquecer muito mais rápido do que a capacidade do corpo humano para se adaptar.

Uma ameaça ao ritmo do aquecimento global

A razão pela qual as pessoas não conseguem sobreviver com muito calor e humidade é que já não conseguem regular a sua temperatura interna. "Se a temperatura do bolbo húmido subir acima da temperatura do corpo humano, ainda pode continuar a suar, mas não vai conseguir arrefecer o corpo à temperatura necessária para funcionar fisiologicamente", disse Raymond à Live Science. Neste ponto, o corpo torna-se hipertérmico, ou seja, supera os 40 graus Celsius.

A temperatura de bolbo húmido é obtida ao envolver um termómetro com um pano que permanece húmido.

Uma temperatura de bolbo húmido de 35°C não causará morte imediata; provavelmente serão necessárias cerca de 3 horas para que esse calor se torne insuportável, disse Raymond. Não há forma de saber ao certo a quantidade exata de tempo, mas os estudos têm tentado calculá-la submergindo os participantes humanos em tanques de água quente e puxando-os para fora quando as temperaturas corporais começam a subir incontrolavelmente. Este valor tampouco é totalmente exato, e calcularam um intervalo entre 34 e 36,5°C.

Estes valores foram calculados sobre um estado de repouso sem grandes gastos de energia. O exercício e a exposição à luz solar direta facilitam o sobreaquecimento, pelo que o efeito pode ser alcançado muito mais cedo. Os idosos, as pessoas que sofrem de certas doenças, como a obesidade, e as pessoas que tomam antipsicóticos também não conseguem regular tão bem a sua temperatura, pelo que é mais fácil para elas morrerem devido ao calor. O ar condicionado pode salvar muitas pessoas da morte, porque tais temperaturas e condições podem ocorrer em casas mal isoladas. Daí a importância de cidades que forneçam ajuda com espaços de arrefecimento, algo que cidades como Nova Iorque já estão a fazer.

De acordo com o estudo da Science Advances, poucos locais atingiram uma temperatura de bolbo húmido de 35 °C na história registada. Desde o final da década de 1980 e na década de 1990, os pontos quentes têm sido o vale do rio Indo, no centro e norte do Paquistão, e a margem sul do Golfo Pérsico. "Há lugares que já começam a experimentar estas condições durante uma ou duas horas", disse Raymond. "E com o aquecimento global, isto só se vai tornar mais frequente". Entre os locais que correm o risco de sofrer estas temperaturas nos próximos 30 a 50 anos estão o noroeste do México, o norte da Índia, o sudeste asiático e a África Ocidental, acrescentou.

Leia também: Os extremos climáticos podem aumentar a morbilidade por AVC

domingo, 23 de maio de 2021

Os extremos climáticos podem aumentar a morbilidade por AVC

Maio é considerado o mês do coração e sendo este a máquina que faz o nosso corpo funcionar é imprescindível estar atento aos seus sinais de fraqueza, pois quase sem se aperceber, é continuamente afetado e influenciado no seu dia-a-dia pelas condições climáticas, tornando-se vulnerável
O clima reflete-se significativamente no bem-estar do ser humano. De entre os vários elementos climáticos, a temperatura é, provavelmente, aquele que maior influência exerce no conforto do ser humano, sendo de salientar o grupo dos idosos, sobretudo o que experienciam situações de desfavorecimento económico e exclusão social, com pronunciada limitação no acesso aos cuidados de saúde.

De um leque diversificado de possibilidades de patologias, cuja ocorrência ou agravamento se poderá relacionar com o contexto climático, as doenças do foro cardiovascular têm sido objeto de estudo por diversos cientistas, o que não é despropositado, pois segundo a Organização Mundial da Saúde, nos países desenvolvidos uma das principais causas de morte são as doenças não transmissíveis, entre elas, as doenças cardiovasculares.
Proporção de óbitos por doenças cerebrovasculares, doença isquémica do coração e enfarte agudo do miocárdio, no país, 2009-2019. Fonte: INE

Em Portugal, o INE em 2019 fez um estudo complexo sobre as causas de morte, onde evidencia que as doenças do aparelho circulatório estão em primeiro lugar como causa de morte e, complicações como os acidentes vasculares cerebrais (AVC), a doença isquémica do coração e o enfarte agudo do miocárdio – o vulgarmente designado “ataque cardíaco” – representaram 3,8% da mortalidade total e quase 60% das mortes por doenças isquémicas do coração.

Este estudo refere também que as mulheres morreram mais de doenças cerebrovasculares, como o AVC, enquanto os homens foram as maiores vítimas das doenças do coração. E, conclui que geralmente estas complicações vitimam os idosos, sendo a média de idades superior a 81 anos.
Taxas brutas de mortalidade por 100 mil habitantes antes dos 65 anos, por grupo etário: doenças cerebrovasculares e doenças isquémicas do coração. Fonte: INE, 2019

Conforto bioclimático

Segundo vários autores, o corpo humano é um sistema termodinâmico que produz calor e interage continuamente com o ambiente para conseguir o balanço térmico indispensável para a vida. Esta exposição resulta da ocorrência da termorreceção, onde os diferentes níveis de energia térmica são percebidos pelo organismo humano, seguindo-se a sensação térmica que corresponde à consciencialização da mesma (se está frio ou se está calor); a satisfação (ou desagrado) com a referida ambiência é expressa em termos de conforto bioclimático.

O conforto térmico, sendo uma sensação humana, torna-se subjetivo, pois é um estado mental que expressa a satisfação do homem com o ambiente térmico que circundam e das características individuais, nomeadamente do sexo, da idade, da raça, dos hábitos alimentares, da altura, do peso, entre outras, sendo a temperatura do ar a principal variável do conforto térmico.

Os eventos térmicos extremos que tem ocorrido nos últimos anos, cada vez com mais frequência e intensidade, são já reconhecidos pelas autoridades mundiais e nacionais de saúde como geradores de impactes negativos para a saúde humana, e como causa, um aumento da mortalidade nesses períodos. Os impactes na saúde ocorrem especialmente nos grupos mais vulneráveis como os idosos e doentes crónicos.

Segundo um estudo realizado pela geógrafa Sofia Pinto, as temperaturas extremas (calor ou frio) influenciam e agravam a ocorrência de enfarte agudo do miocárdio nos idosos, devido principalmente à sua condição física e natural (ser-se um idoso) com a soma de outros determinantes de risco que, presenciando, um evento extremo de temperatura agrava a patologia.

Contudo, comparando os dois períodos (frio e calor) conclui que existe uma maior clareza de que é no frio intenso onde ocorre os maiores casos de morbilidade por enfarte do miocárdio, inclusive um maior registo de mortalidade face ao calor extremo.

A maioria das reações no calor extremo é a quebra de tensão ou desfalecimento que, por si só, não gera um “conflito” no funcionamento cardíaco como acontece no frio, onde o resfriamento e hipotermia são as reações mais comuns, já que para regularizar a temperatura corporal o coração tem um esforço acrescido em que pode criar stress e isso leva a um enfarte do miocárdio. Além de que, clinicamente, um indivíduo geneticamente com problemas cardíacos não deve expôr-se ao frio, pelos efeitos negativos e graves que resulta.

quinta-feira, 20 de fevereiro de 2020

O que é a tecnologia 5G e quais os seus perigos

 

A tecnologia 5G usará emissão direccionada e, como consequência, teremos intensidades de radiação muito mais elevadas, efeitos de interferência enormes e uma resolução milimétrica de localização dos dispositivos móveis.

O estudo dos perigos para a saúde humana da radiação electromagnética usada nas telecomunicações móveis não é novo. Pelo contrário é uma área da ciência bem estabelecida, com mais de cinco décadas de atividade, mas que só agora tem recebido atenção pública, dado os graves perigos que representa a quinta geração de telecomunicações, usualmente referida por 5G.

Existe extensa literatura a denunciar os variadíssimos perigos das telecomunicações móveis e é de estranhar que isto não seja do conhecimento dos centros tecnológicos que a estão a implementar e que, além disso, tal não seja transmitido à opinião pública. Neste contexto, o pedido de campanha informativa por parte do PAN Matosinhos é absolutamente legítimo e pretende-se aqui mostrar um pouco das implicações que as telecomunicações móveis têm para a saúde humana. Na certeza, porém, que ao ser um tema tão complexo, muito mais há para relatar.

Como forma de enquadramento na comunidade científica, cito três exemplos, entre muitos outros, de reconhecidos investigadores neste tema: Prof. Martin Pall, da Washington State University, Estados Unidos da América; Prof. Olle Johansson, do Karolinska Institute, Suécia; Drª. Erica Mallery-Blythe, do Physicians’ Health Initiative for Radiation and Environment, Reino Unido. Os leitores interessados podem encontrar facilmente trabalhos destes e outros investigadores, por exemplo, a Drª. Erica Mallery-Blythe tem uma série de apresentações disponíveis online.

Historicamente, em 1971 é publicado pelo Dr. Zorach R. Glaser, do Naval Medical Research Institute, Estados Unidos da América, uma das primeiras revisões da literatura [1] sobre casos clínicos associados com a exposição à radiação electromagnética da mesma natureza daquela usada nas telecomunicações. Esta publicação tem quase 50 anos e já nessa altura analisava mais de dois mil estudos reportando os efeitos prejudiciais destas radiações no ser humano. Portanto, somando a estes toda a investigação feita até ao dia de hoje, dizer-se que não há provas científicas que mostrem as implicações na saúde pública é determinantemente errado.

De resto, a Agência Internacional de Investigação sobre o Cancro (IARC) da Organização Mundial de Saúde classificou, em 2011, a radiação electromagnética de radiofrequência como possivelmente cancerígena para os seres humanos (grupo 2B), com base num aumento do risco de glioma, um tipo maligno de cancro no cérebro, associado ao uso de telemóveis.

Para melhor compreensão, é importante esclarecer que as telecomunicações móveis são transmitidas através da propagação de ondas electromagnéticas descritas pelas famosas equações de Maxwell. Estas ondas são caracterizadas pela sua frequência e comprimento de onda (relacionadas entre elas pela velocidade da luz). Em particular, as ondas electromagnéticas utilizadas na telecomunicação têm uma gama de frequências que é designada habitualmente por não-ionizante, por se considerar que não tem capacidade para ionizar átomos ou moléculas, e por esse motivo, a avaliação de risco deste tipo de radiação é feita quase exclusivamente pelo efeito térmico que produzem, o que é também errado.

Tal erro deriva do facto de os efeitos térmicos não serem normalmente significativos (cerca de um ou dois graus centígrados de aumento de temperatura, no caso do 5G serão bem mais elevados), ao passo que os efeitos de iteração electromagnética são enormemente significativos e a causa dos danos anteriormente listados.

Está reportado na literatura um processo designado por “canais de cálcio dependentes de voltagem” em que é promovido, pelos campos electromagnéticos incidentes, o stresse oxidativo das células ao permitir a entrada de agentes oxidantes através da membrana celular. Este processo disrompe o funcionamento das células e é segundo o Prof. Martin Pall, o responsável por vários dos danos causados pelas ondas electromagnéticas no ser humano e mencionados antes.

Esta situação levou o Prof. Olle Johansson a vaticinar a esterilidade irreversível dos humanos em cinco gerações (com base nas suas experiências levadas a cabo em ratos em laboratório). Um vaticínio destes não se faz de ânimo leve e sem provas científicas, pelo que merece a reflexão de todos, especialmente no modo radical como se pretende avançar agora. Adicionalmente, a Profª. Magda Havas reporta a aglomeração de glóbulos vermelhos no sangue como consequência da exposição à radiação de telemóveis. Isto tem enormes implicações para a saúde humana porque pode aumentar a ocorrência de acidentes vasculares cerebrais (AVC) e enfartes.

Também o Prof. Dariusz Leszczynski releva a disrupção da “barreira sangue-cérebro” (vazamento vascular) por incidência de radiação electromagnética. Esta barreira permite a entrada selectiva de glucose, água e aminoácidos, bloqueando a entrada de agentes tóxicos. Portanto, a sua disrupção, através dos chamados vazamentos vasculares, implica uma perturbação no funcionamento do cérebro humano e pode ter implicações no surgimento de doenças como a Alzheimer.

Continuando a aprofundar na literatura, podem-se encontrar variadíssimos efeitos mais. Neste sentido, existe um corpo de investigação robusto que suporta a existência de efeitos para a saúde pública das radiações electromagnéticas e, portanto, estes não podem continuar a ser ignorados para o bem dos utilizadores como da credibilidade dos promotores destas tecnologias. Estas afectar-nos-ão a todos!

Focando-me na tecnologia 5G, esta é, em particular, preocupante para a saúde pública por três factores.

Em primeiro lugar, vai utilizar, quando totalmente implementada, ondas milimétricas (na gama de frequências de 30 até 300 GHz). Estas têm sido usadas com objectivos militares, p.e. no controlo e dispersão de distúrbios (multidões), tendo, por isso, sido exaustivamente estudados os seus efeitos. No fim da década de 90, Pakhomov e co-autores fizeram uma revisão detalhada dos estudos relacionados com estas ondas, que foi complementada recentemente na quarta edição de “Handbook of Biological Effects of Electromagnetic Fields” (2019).

Entre os efeitos listam-se: aquecimento da pele com influência em toda a rede de nervos presentes na pele, aquecimento anormal dos olhos com lesões na córnea, alterações na expressão genética, efeito de ressonância nas glândulas sudoríparas com aumento elevado de temperatura, reacção hipoalérgica às ondas electromagnéticas, redução das sinapses neuronais, etc.. Os efeitos sobre a pele têm sido negligenciados, mas a pele é hoje tomada como parte do sistema imunitário, a interface entre o exterior e o interior, como refere a Profª. Devra Davis, renomada epidemiologista.

Em segundo lugar, devido aos comprimentos de onda serem mais curtos, para esta tecnologia funcionar têm de ser instaladas variadíssimas mini-antenas para garantirem rede, uma vez que têm menor capacidade de penetração nos edifícios. Por este motivo, têm sido abatidas árvores saudáveis em muitas cidades do mundo desde 2018. Além disso, uma vez que as antenas são significativamente mais pequenas, são facilmente disfarçadas no mobiliário urbano, podendo passar absolutamente despercebidas. E os equipamentos que medem frequências para lá dos 8-10 GHz não são acessíveis ao público.

Em terceiro lugar, a tecnologia 5G usará emissão direccionada (com o argumento de reduzir interferências), e, como consequência, teremos intensidades de radiação muito mais elevadas, efeitos de interferência enormes e uma resolução milimétrica de localização dos dispositivos móveis. Isto é muito diferente da tecnologia atual (3G e 4G) cujo padrão de emissão é aproximadamente isotrópico e o que nos deve levar a reflectir sobre um possível uso subversivo desta tecnologia.

Há que diferenciar o sistema 5G, do 5G que se refere às ondas milimétricas. O sistema 5G começará por assentar em antenas 4G (700MHz) com a capacidade sem precedentes de MIMO e feixes de raios dirigíveis, capazes de focar mais energia à distância.

Se considerarmos que com a tecnologia atual (3G e 4G) estamos expostos a níveis de radiação electromagnética milhares de vezes acima dos recomentáveis pelo “Building Biology Evaluation Guidelines”, com a tecnologia 5G ficaríamos expostos a níveis milhões de vezes acima do tolerável.

Será que vale a pena corrermos tantos riscos para termos downloads mais rápidos?

Finalmente, listo a nível internacional duas iniciativas de relevo nesta matéria onde pode ser encontrada muita informação: EMFscientist.org e EM Radiation Research Trust e a nível nacional, Movimento Português de Prevenção do Electrosmog e a respectiva petição.

O autor escreve de acordo com a antiga ortografia.



[1] Z.R. Glaser, Bibliography of Reported Biological Phenomena (“Effects”) and Clinical Manifestations Attributed to Microwave and Radio-Frequency Radiation. Report No. 2 Revised. Naval Medical Research Institute Research Report (1971)