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quarta-feira, 2 de setembro de 2026

ULTRA SUNN - Can You Believe It

Melhor som aqui
O renascimento na pista de dança: a elegância existencial e a froça EBM de "Can You Believe It" dos ULTRA SUNN

A cena eletrónica e alternativa contemporânea vive numa busca permanente pelo equilíbrio entre a herança do passado e a urgência do presente. Na faixa "Can You Believe It", pertencente ao EP Kill Your Idols, o duo belga ULTRA SUNN - formado em Bruxelas em 2019 pelo vocalista Sam Hugé (Sam Gaalle) e pela produtora e teclista Gaelle Souflet - entrega uma resposta definitiva a essa procura, assinando uma das composições mais marcantes do EBM, do Modern Darkwave e do Futurepop contemporâneo. Oriundo de uma cidade com uma tradição histórica na música industrial e na New Beat, o projeto destaca-se não apenas pela robustez da sua produção, mas sobretudo pela forma como desafia os clichés e as fórmulas habituais da música obscura.

Liricamente, a canção afasta-se do niilismo e da melancolia tipicamente associados ao pós-punk dos anos 80. Em vez de se focar na decadência, a escrita propõe um manifesto pragmático de emancipação, autoafirmação e metamorfose pessoal. O conceito central gira em torno da libertação em relação ao julgamento e às expetativas alheias, onde a figura do "homem invisível" deixa de ser um símbolo de isolamento passivo para se transformar na conquista da verdadeira autonomia. Ao afirmar que está de regresso à vida ("I'm coming back to life"), a voz barítona e aveludada de Sam Hugé atua como uma âncora de serenidade e firmeza, estabelecendo um contraste hipnótico com a pulsão rítmica da instrumentalização.

A banda define a sua abordagem como positive darkwave - uma visão clara onde o espaço escuro do clube se transforma num refúgio seguro de catarse, igualdade e celebração, em vez de um lugar de desespero. Esta perspetiva ganha uma tradução visual direta no videoclipe, realizado e editado pelos próprios membros do projeto, onde o minimalismo de iluminação, os jogos de sombras e o foco no movimento corporal substituem narrativas complexas pela pura afirmação da presença física e da liberdade individual.

Esta proposta ganha ainda mais sofisticação através da androginia intencional de Sam Hugé. A sua imagem contrapõe-se à hipermasculinidade e ao militarismo clássicos do EBM dos anos 80. O contraste entre a profundidade grave da sua voz e a delicadeza fluida da sua presença de palco desmistifica a agressividade viril do género, transformando a estética do corpo num espaço neutro de liberdade e inclusão.

Musicalmente, a faixa brilha pela precisão do seu desenho de som e pela clara assimilação do ADN do Futurepop. A produção de Gaelle Souflet combina baixos encorpados e batidas four-on-the-floor inspiradas no Techno e no EBM moderno com uma clareza de frequências cristalina, desenhada para os sistemas de som atuais. A estrutura recupera a sensibilidade melódica e a atmosfera espacial e futurista que nomes como VNV Nation, Covenant ou Apoptygma Berzerk popularizaram na transição para o milénio. Contudo, em vez de recorrer à agressividade vocal do EBM industrial clássico, opta por um tom sóbrio, limpo e solene. É precisamente nesta fusão entre a atitude soturna dos clássicos, a elegância do Futurepop, a subversão estética e a energia limpa dos clubes contemporâneos que os ULTRA SUNN encontram a sua novidade, provando que a música alternativa pode renovar-se e oferecer uma mensagem de força, luz e libertação.

terça-feira, 14 de julho de 2026

Triggerfinger - Through The Beam

Melhor som aqui
Embora os Triggerfinger se apresentem ao mundo com a força bruta e visceral de um autêntico canhão de rock 'n' roll, a verdade é que o universo estético e lírico da banda belga esconde um subtexto intelectual refinado, onde as influências literárias, filosóficas e sociológicas se cruzam de forma surpreendente. O próprio videoclipe de "Through The Beam" é um exemplo perfeito desta fusão, servindo como uma representação visual clara da filosofia do absurdo, popularizada por Albert Camus. Ao caminharem pelas ruas movimentadas de Los Angeles vestidos com fatos de alta-costura impecáveis enquanto executam uma coreografia robótica e sem sentido prático, os músicos personificam o indivíduo existencialista que, consciente do caos e do absurdo do quotidiano, decide continuar a caminhar com ironia, elegância e leveza. Esta quebra intencional da lógica e da rotina urbana carrega também uma forte herança do Dadaísmo, utilizando o nonsense para ridicularizar as regras rígidas e utilitaristas da sociedade moderna.

Por trás do ritmo contagiante e da modernização do seu som, que agora pisca o olho ao synth bass e ao pop alternativo, reside uma crítica social muito contemporânea que dialoga diretamente com as teorias do sociólogo Zygmunt Bauman sobre a "modernidade líquida". A letra de "Through The Beam" reflete sobre a maré implacável de distrações tecnológicas e o consumismo fútil que assolam as novas gerações. Ao propor pontes e empatia entre jovens e adultos num mundo saturado de ruído digital, a banda defende a importância de manter o foco no que é humanamente essencial. Esta postura lírica é embalada por uma estética visual de "dândi moderno" fortemente influenciada pelo Decadentismo literário do final do século XIX. Ruben Block e os seus companheiros encarnam a figura do esteta aristocrático que, apesar da sua aparência imaculada, é atraído pela melancolia, pela decadência e pelo sombrio. No final, os Triggerfinger utilizam a sofisticação da filosofia e da literatura europeias como uma máscara elegante, provando que o rock mais pesado e o pensamento crítico podem perfeitamente caminhar de mãos dadas pela mesma passadeira.

Página Oficial
Triggerfinger 

terça-feira, 30 de junho de 2026

A libertação dos rios: porque é que há várias países a destruir centenas de barragens

O rio apareceu quase de imediato.

À medida que as barragens no rio Hiitolanjoki, na Finlândia, foram sendo desmanteladas, o rio começou a mudar - a corrente ficou mais rápida e a água mais fria, parecendo menos um reservatório e mais um rio novamente. Depois vieram os peixes.

Pela primeira vez em mais de um século, os salmões remontaram o rio para além do local onde outrora se erguiam três barragens hidroelétricas, recuperando um troço de rio que se encontrava isolado há mais de um século.

Transformações semelhantes estão a ocorrer por toda a Europa, onde os países estão a desmantelar barragens e açudes envelhecidos - barragens que outrora alimentavam moinhos e fábricas, mas que agora, muitas vezes, já não têm grande utilidade.

“Assim que se remove uma barragem, o rio retoma o controlo“, explica Angela Ortigara, consultora sénior e estratega para a água doce da WWF Países Baixos, à CNN. “É uma ação que tem um efeito imediato e um benefício a longo prazo. “

Em 2025, foram removidas 603 barragens em 21 países - um número recorde e o mais elevado de sempre -, de acordo com o último relatório anual da Dam Removal Europe, uma coligação de seis organizações que trabalham para restaurar a conectividade fluvial.

A remoção destas barragens ajudou a restabelecer a ligação entre mais de 3.740 quilómetros (2.324 milhas) de rios em todo o continente e está associada ao objetivo da UE de restaurar 25.000 quilómetros (15.534 milhas) de rios de curso livre até 2030.

De acordo com o relatório, divulgado na semana passada, o número de barragens removidas ultrapassou em 11% o recorde anterior, estabelecido em 2024.

As remoções em 2025 foram também seis vezes superiores às registadas no primeiro recenseamento realizado em 2020.

Os números indicam que a recuperação dos rios está a ser cada vez mais adotada, mas refletem também uma reavaliação mais ampla do funcionamento dos rios numa era de fenómenos climáticos extremos. O que outrora era visto como um progresso é cada vez mais considerado um problema ambiental crescente.

Rios fragmentados
Estima-se que 1,2 milhões de barragens - incluindo barragens, açudes, bueiros e eclusas - fragmentem os rios da Europa, de acordo com o projeto de investigação “Gestão Adaptativa das Barragens nos Rios Europeus “ (AMBER), uma das avaliações mais abrangentes da conectividade fluvial alguma vez realizadas no continente. Muitas dessas estruturas foram construídas há décadas para fins hidroelétricos, de navegação ou agrícolas, mas milhares delas estão agora obsoletas.

Cientistas e grupos ambientalistas afirmam que as consequências podem ser de grande alcance.
“Quando um rio é represado, o seu leito - outrora protegido pela vegetação ribeirinha - transforma-se num lago ou reservatório de água parada, exposto ao sol. Isto aumenta significativamente a temperatura da água “, explica Pao Fernández Garrido, gestora sénior de subvenções do Programa Europeu “Open Rivers“, uma iniciativa de financiamento à escala europeia que apoia a remoção de pequenas barragens e barragens fluviais, com vista à restauração dos ecossistemas fluviais naturais.

Grandes volumes de água nos reservatórios também podem perder-se por evaporação. O material orgânico retido nos reservatórios acumula-se e decompõe-se ao longo do tempo, libertando metano - um potente gás com efeito de estufa que contribui significativamente para o aquecimento global, afirma Fernández Garrido à CNN. 

Os ecossistemas fragmentados têm também muito menos capacidade para fazer face ao aumento das inundações, das secas e dos fenómenos climáticos extremos, de acordo com a Agência Europeia do Ambiente. Ao longo da última década, nove em cada dez catástrofes naturais no continente estiveram relacionadas com a água, afirmou a agência.

“Perdemos cerca de 80% das nossas zonas húmidas ao longo do último milénio devido à drenagem, à impermeabilização e à degradação “, refere a agência à CNN. “As zonas húmidas ajudam a reduzir estes riscos, atuando como esponjas naturais, absorvendo água durante as cheias e libertando-a lentamente durante as secas. “

A Dam Removal Europe diz que a fragmentação fluvial é um dos principais fatores que contribuem para o declínio da biodiversidade de água doce na Europa, citando uma avaliação recente da Comissão Europeia que revelou que mais de 42% das espécies de peixes de água doce do continente estão ameaçadas, enquanto quase dois terços são consideradas em risco de se tornarem ameaçadas ou já se encontram próximas desse estatuto.

Espécies como o salmão do Atlântico e a enguia europeia, juntamente com algumas populações de truta, podem ser impedidas ou atrasadas na sua chegada aos habitats a montante necessários para a reprodução, o que contribui para o declínio das populações ou, em alguns casos, para a extinção local.

Mesmo nos casos em que estão instaladas passagens para peixes, a sua eficácia varia e, muitas vezes, estas não conseguem dar resposta às necessidades das espécies com menor capacidade de natação, deixando trechos significativos dos ecossistemas fluviais parcialmente desligados.

O impacto vai além dos peixes. A conectividade fluvial sustenta ecossistemas aquáticos na sua totalidade, desde insetos até aves e mamíferos. Quando o fluxo de sedimentos é interrompido, os leitos dos rios podem tornar-se mais simples e menos adequados para a desova, enquanto as alterações na temperatura e no caudal reduzem a diversidade do habitat.

Existem também preocupações crescentes relativamente ao envelhecimento das infraestruturas hídricas da Europa. Muitas barragens obsoletas não são devidamente mantidas e podem tornar-se riscos para a segurança à medida que se deterioram, especialmente durante fenómenos meteorológicos extremos.

“A construção de barragens fluviais acarreta uma longa lista de problemas de segurança e ambientais “, lembra Fernández Garrido. “É sempre mais seguro e mais económico trabalhar com a natureza do que contra ela. “

O impulso crescente em torno da recuperação dos rios está agora a ser reforçado também através da política de recuperação da natureza da UE.

No entanto, a política também tem sido alvo de críticas por parte de alguns grupos de agricultores e decisores políticos, preocupados com os potenciais impactos no uso do solo e nos meios de subsistência rurais.

O Regulamento da UE relativo à Restauração da Natureza, que entrou em vigor em 2024, estabelece metas vinculativas para restaurar, pelo menos, 20% das áreas terrestres e marítimas da UE até 2030, incluindo a restauração de, pelo menos, 25.000 km de rios para um estado de fluxo livre. O objetivo é recuperar quase todos os ecossistemas que necessitam de recuperação até 2050. Esta legislação marca a primeira vez que a conectividade fluvial e a remoção de barragens foram integradas na legislação da UE.

“Este regulamento tem o potencial de ser um verdadeiro ponto de viragem. Não se trata apenas de proteger o que ainda resta. Trata-se de devolver a natureza, de devolver os nossos rios“, aponta a Agência Europeia do Ambiente.

Rios restaurados
No entanto, a remoção de uma barragem raramente é tão simples como demolir betão.

Os projetos podem demorar anos a realizar-se, envolvendo avaliações ambientais, estudos de engenharia e negociações com os proprietários das barragens e as autoridades locais. Após a demolição, é necessário gerir cuidadosamente os sedimentos, estabilizar as margens dos rios e monitorizar os ecossistemas.

Mas, assim que as barragens forem eliminadas, a transformação pode ocorrer com uma rapidez notável.

Na Finlândia, a remoção das três barragens hidroelétricas ao longo do rio Hiitolanjoki, entre 2021 e 2023, reabriu as rotas de migração do salmão de água doce, uma espécie em perigo crítico de extinção, restaurando o acesso às zonas de desova que se encontravam bloqueadas desde o início do século XX. O salmão regressou a algumas zonas do rio logo na primeira época de migração.

Mais a leste, a atenção centra-se agora na barragem hidroelétrica de Palokki, na bacia hidrográfica do rio Vuoksi, na Finlândia, onde estão em curso planos para restaurar a conectividade numa outra bacia hidrográfica fortemente fragmentada.

“Quando este projeto for implementado, será o maior projeto do Programa Open Rivers alguma vez apoiado “, diz Fernández Garrido. “A remoção desta barragem irá desobstruir 1 523 quilómetros (946 milhas) de rio.“

Noutros pontos da Europa, estão a intensificar-se esforços de restauração semelhantes.

Em França, a remoção das barragens de Vezins, em 2020, e de La Roche Qui Boit, em 2022, no rio Sélune, que estavam em funcionamento desde as décadas de 1920 e 1930, restaurou quase 90 quilómetros (56 milhas) de curso de rio livre num dos maiores projetos de remoção de barragens alguma vez realizados na Europa.

No Lake District, em Inglaterra, a desmontagem da barragem de Bowston, em 2022, no rio Kent, contribuiu para restaurar um caudal mais natural do rio, melhorando as condições para os peixes migratórios e os ecossistemas circundantes.

Na Bélgica, a remoção de passagens subterrâneas na floresta de Anlier está a restabelecer a ligação entre afluentes mais pequenos que desempenham um papel importante na biodiversidade local.

A Espanha, a Dinamarca, a Suécia, a Alemanha e a Estónia têm vindo a levar a cabo projetos de remoção de barragens nos últimos anos, embora a dimensão destes esforços varie consideravelmente de país para país.

Em 2025, a Suécia eliminou o maior número de barragens, 173, seguida pela Finlândia, com 143, e pela Espanha, com 109.

Os países do sul e do sudeste da Europa, incluindo a Eslováquia, a Croácia, a Bósnia-Herzegovina e até mesmo a Ucrânia, devastada pela guerra, também têm vindo a eliminar barragens nos últimos anos, enquanto outros, como a Grécia, têm envidado esforços nesse sentido, salienta Ortigara.

Nos Estados Unidos, a remoção de grandes barragens demonstrou a rapidez com que os rios se podem recuperar assim que as barragens são eliminadas.

No rio Klamath, na Califórnia, o maior projeto de remoção de barragens da história dos EUA foi concluído em 2024, reabrindo centenas de milhas de habitat para peixes migratórios. No rio Elwha, em Washington, a remoção anterior de barragens restaurou o fluxo de sedimentos e provocou o regresso dos peixes e da vegetação após mais de um século de perturbações. Na Europa, muitas remoções continuam a envolver estruturas muito mais pequenas - açudes baixos, bueiros e barragens hidroelétricas envelhecidas -, mas os especialistas afirmam que o seu impacto cumulativo está a aumentar.

“Temos mais de um milhão de barragens na Europa “, realça Ortigara. “A remoção de algumas centenas por ano é um começo - mas não é suficiente. “

Segundo os especialistas, o sucesso dependerá da recuperação de trechos inteiros de rios e bacias hidrográficas, trabalhando em estreita colaboração com as comunidades locais e garantindo que, uma vez restabelecida a conectividade, esta seja mantida ao longo do tempo. “O verdadeiro desafio agora é a implementação - fazê-lo em grande escala e de forma estratégica “, refere a Agência Europeia do Ambiente.

“Quando um rio está vivo, tem um som “, diz Ortigara. “Ouve-se o seu murmúrio a escorrer pelas rochas. Vê-se vegetação à sua volta. É este fluxo da vida".

Por toda a Europa, esse som está agora a começar a regressar. Fonte

domingo, 17 de maio de 2026

UNYOKE - Falling


Letra
Is there an ending?
My body is aching
I feel it coming and it′s taking all i've owned
It′s you i'm seeking
Sometimes i'm falling
And if you′d know that it is you
I want your love

I feel it coming
My time is ending
The love is gone and never coming back my way
I want to know
Someone could help me?
Cause this feelings are the reasons i′m alone

If I fall
What can I do?
What's happening
I′m on my own
Oh if I fall
Somebody help me
My body is aching and I'm on my own

You′ve taken all I've owened
All I′ve owened

Oh baby can't you see?
That I'm dripping of a high hill and my body
Is taking over
There′s nobody
Here to help me
It′s taking over me
Taking over me
Oh baby can't you see?

Lost my behaviour
Cause you′ve taken it all
I want to save her
But you've broke my world

Uh uh
If I fall
What can I do?
What′s happening
I'm on my own

A canção "Falling", da banda Unyoke, é uma fusão magnética de indie rock e post-punk revival, caracterizada por uma atmosfera densa, fria e melancólica. Embora o quarteto esteja radicado em Bruxelas, na Bélgica, o projeto carrega uma forte ligação a Portugal através da sua vocalista e guitarrista, Mia, que partilha raízes luso-moldavas. A restante formação da banda reflete o espírito multicultural da capital belga, contando com o baterista parisiense Fabrice, a baixista marfinense Aicha e o guitarrista belga Manu. Juntos, constroem uma sonoridade que evoca o dramatismo do darkwave e o balanço do rock alternativo dos anos 2000.

Liricamente, "Falling" funciona como um mergulho visceral na vulnerabilidade humana, na solidão e no desespero emocional. A letra retrata um estado de queda livre interior ("Sometimes I'm falling"), onde o eu lírico expressa uma dor física e psicológica profunda provocada por uma perda ou rutura amorosa que desmoronou o seu mundo ("But you broke my world"). Existe um apelo constante por salvação e afeto ("somebody help me", "I want your love"), que ilustra a linha ténue entre o isolamento sufocante e a necessidade urgente de conexão com o outro. Visual e conceptualmente, a música reflete o processo doloroso da criação e da autodestruição, transformando o sofrimento e a ausência numa performance artística intensa e catártica.

Curiosidade
Unyoke is a verb that means to free an animal from a harness or yoke. Metaphorically, it refers to disconnecting, liberating oneself from oppression, or taking a much-needed break from labor. [1, 2]
The term is often used in several specific contexts:

1. Linguistic Meaning
Literal: To remove the wooden crosspiece (yoke) connecting two draft animals (like oxen) so they can rest.
Figurative: To separate or break a connection. For example, "to unyoke political power from religious authority." [1, 2, 3]
Adjective: Old form(s): vnyoak'd. unbridled, unrestrained, rampant [4]

2. The Unyoke Foundation
It is the name of an international organization dedicated to running reflective retreats and peacebuilding processes for international change-makers and activists. It functions as a "creative pause" for those working in intense, conflict-heavy environments. [1]

4.

terça-feira, 28 de abril de 2026

GENER8ION - STORM starring Yung Lean


[Verse 1]
I got, got, got
I-I-I
You got a death wish
Got a death wish
Someone said:
"Hey, you got a death wish"
It’s on my hit list
I’m on the blacklist
On the Forbes list
Put it on my lip
I take another one

[Pre-Chorus]
And you won’t die for some if you don’t stand for none

[Chorus]
So just go ahead and run
Run, run, run, run, run
Just go ahead and run
Run, run, run, just go a-
If you won’t die for some (If you won’t die for some)
If you don’t stand for none (If you don’t stand for none)

[Verse 2]
Got a death wish
It’s on my hit list
I’m on the blacklist
On the Forbes list

[Chorus]
So just go ahead and run
Run, run, run, run, run
Just go ahead and run
Run, run, run, run, run
If you won’t die for some (If you won’t die for some)
If you don’t stand for none (If you don’t stand for none)

[Outro]
Hey, hey (Hey, hey) 5X
You got a death wish

O significado da canção "STORM" reside na exploração do caos interior, da alienação e da busca por libertação num mundo que parece estar permanentemente à beira de um colapso. O título funciona como uma metáfora dupla, referindo-se tanto à turbulência emocional da juventude como a uma mudança social inevitável e, por vezes, violenta. Através da entrega vocal melancólica de Yung Lean, a letra evoca um sentimento de niilismo e sobrevivência, sugerindo a necessidade de resiliência individual dentro de um sistema opressor, onde o indivíduo se torna tão frio e implacável quanto o ambiente hostil que o rodeia para conseguir navegar a incerteza.

Musicalmente, a produção de GENER8ION utiliza sonoridades industriais e batidas metálicas que simulam uma maquinaria rígida, criando uma tensão constante entre a ordem institucional e o caos emocional. A canção sugere que este caos não deve ser evitado, mas sim abraçado como um catalisador para a transformação. O significado culmina numa ideia de catarse e transmutação, especialmente visível na transição para a segunda parte da composição, onde a música se torna mais melódica e coral. Este momento simboliza que, após a libertação da energia agressiva, pode surgir uma nova forma de união transcendente.

Em última análise, "STORM" aborda o vazio existencial de uma geração que, apesar da hiperconectividade, luta contra o ruído constante da pressão social e da informação. A obra representa, portanto, um momento de rutura: o som do colapso de velhas estruturas e o nascimento de algo novo e desgovernado através da força da juventude. É um comentário sobre a necessidade de encontrar uma voz própria e de transformar a dor em movimento coletivo antes que o sistema consuma a individualidade.

A colaboração entre o projeto francês GENER8ION, liderado pelo produtor Surkin, e o artista sueco Yung Lean, resultou numa obra audiovisual de impacto imediato que utiliza a música para explorar as tensões da juventude contemporânea. O tema "STORM" apresenta-se como um híbrido entre o eletrónico industrial e o Cloud Rap melancólico, mas é na sua representação visual, dirigida por Romain Gavras, que reside a maior carga interpretativa. As filmagens tiveram lugar na Bélgica, no Collège Cardinal Mercier, em Braine-l'Alleud, cuja arquitetura neo-gótica e imponente confere ao vídeo uma atmosfera de autoridade e tradição, evocando o imaginário dos colégios internos britânicos para criar um cenário de isolamento e claustrofobia.

A escolha do Collège Cardinal Mercier, na Bélgica, como cenário para as filmagens foi uma decisão estratégica que fundamenta toda a narrativa visual da obra. A arquitetura neo-gótica e o ambiente académico do colégio transmitem uma sensação imediata de tradição, autoridade e claustrofobia, servindo como o palco perfeito para representar uma instituição que molda, e muitas vezes limita, o comportamento dos jovens. Este cenário oferece um contraste estético poderoso, onde a beleza clássica e organizada do espaço serve de contraponto à energia caótica, brutal e moderna da música de GENER8ION e à performance de Yung Lean. Este choque propositado entre o "velho mundo", representado pelas paredes de tijolo e corredores históricos, e o "novo mundo", marcado pelo rap e pela agressividade juvenil, é uma das marcas registadas da direção de Romain Gavras. Além disso, ao filmar na Bélgica enquanto evoca um estilo visual internacional, o vídeo adquire uma qualidade universal, deixando de ser apenas um retrato de um problema britânico ou francês para se tornar uma observação abrangente sobre a condição da juventude europeia contemporânea.

Relativamente ao debate sobre a masculinidade, o projeto não parece ter como objetivo glorificar comportamentos tóxicos, mas sim expô-los como uma performance social inevitável em ambientes de repressão institucional. Ao retratar rituais de iniciação agressivos no interior deste colégio histórico, o realizador utiliza uma estética cinematográfica de luxo para evidenciar o vazio e a brutalidade dessas interações. A presença de Yung Lean, que encarna o papel de líder, reforça este sentimento; a sua postura não é a de um herói triunfante, mas a de alguém preso a um papel que exige uma dureza constante perante os seus pares.

O ponto de viragem para a denúncia surge através da coreografia de Damien Jalet, onde a violência física bruta se transfigura em expressão artística coletiva nos pátios e corredores do Collège Cardinal Mercier. Esta transição sugere que a energia canalizada para a masculinidade tóxica é, na verdade, uma forma distorcida de necessidade de pertença e movimento. Ao transformar o confronto em dança, "STORM" retira a máscara da agressividade e revela a vulnerabilidade escondida sob os códigos de conduta masculinos. Assim, a obra funciona como um espelho crítico, utilizando a beleza monumental do cenário belga para prender o espetador a uma reflexão desconfortável sobre como as instituições e os grupos moldam a identidade dos jovens.

quinta-feira, 23 de abril de 2026

Vergonhoso. Itália visa Trump e recusa substituir Irão no Mundial


O Governo de Itália colocou, esta quinta-feira, totalmente de parte a possibilidade de a seleção nacional vir a substituir o Irão no Campeonato do Mundo, em resposta à proposta que Paolo Zampolli, enviado especial dos Estados Unidos da América e 'braço direito' de Donald Trump, fez chegar ao presidente da FIFA, Gianni Infantino.

"Em primeiro lugar, não é possível. Em segundo lugar, não é oportuno. Não sei o que é que vem primeiro, mas a qualificação decide-se em campo", atirou o ministro do Desporto, Andrea Abodi, em declarações reproduzidas pelo jornal transalpino Il Giornale. Uma posição que mereceu o apoio por parte do responsável pela pasta da Economia, Giancarlo Giorgetti.

"Considero isso uma coisa vergonhosa. Eu ficaria envergonhado", atirou o responsável político, à margem de um evento que teve lugar no Palácio do Quirinal, em Roma. Isto, depois de a squadra azzurra ter falhado (surpreendentemente) o apuramento para um Campeonato do Mundo pela terceira vez consecutiva.

A hipótese foi veiculada pelo próprio Paolo Zampolli, em conversa com o jornal Financial Times, horas antes: "Eu confirmo que sugeri a Trump e Infantino que a Itália substitua o Irão, no Mundial. Eu sou nativo de Itália, e seria um sonho ver os azzurri num torneio organizado pelos EUA. Com quatro títulos, eles têm o 'pedigree' para justificar a inclusão".

Seguiu-se, entretanto, uma notícia avançada pela estação televisiva britânica BBC Sport, dando conta de que o organismo que rege o futebol internacional não teria qualquer intenção de retirar o Irão do Mundial2026, apesar da guerra com os Estados Unidos da América, que se prolonga já há mais de dois meses.

Fatemeh Mohajerani, porta-voz do governo do Irão, garantiu, de resto, que o país está "totalmente preparado" para disputar o torneio, no qual se encontra integrado no Grupo G, juntamente com Nova Zelândia, Egito e Bélgica.

EUA queriam 'redimir-se' após troca de galhardetes com o Papa Leão XIV
A publicação original citava fontes próximas do processo, que garantem que esta proposta não passou de uma tentativa de Donald Trump de remendar as relações com a primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, na sequência do 'bate-boca' público entre ambos, por conta da posição do Papa Leão XIV sobre a guerra no Médio Oriente.

"Acho que ele não está a fazer um bom trabalho. Acho que ele gosta de criminalidade. Não gostamos de um Papa que diga que não há problema em ter armas nucleares", afirmou o líder máximo norte-americano, em abril, a propósito das intervenções públicas levadas a cabo pelo compatriota sobre este tema.

"Continuarei a manifestar-me abertamente contra a guerra, procurando promover a paz, o diálogo e as relações multilaterais entre os Estados, para encontrar soluções justas para os problemas. Há demasiadas pessoas a sofrer no mundo de hoje. Há demasiadas pessoas inocentes a ser mortas", respondeu este.

"Considero inaceitáveis as declarações do Presidente Trump a propósito do Santo Padre. O Papa é o chefe da Igreja Católica, e é correto e natural que peça a paz e condene todas as formas de guerra, interveio a transalpina, deixando Donald Trump "chocado": "Pensei que ela tinha coragem, enganei-me".

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sexta-feira, 13 de fevereiro de 2026

Placebo - Exit Wounds


[Verse 1]
In the arms of another who doesn't mean anything to you
There's nothing much to discover
Does he shake, does he shiver as he sidles up to you
Like I did in my time?

[Verse 2]
As you wake does he smother you in kisses long and true?
Does he even think to bother?
And at night under covers as he's sliding into you
Does it set your sweat on fire?

[Chorus]
Want you so bad I can taste it
But you're nowhere to be found
I'll take a drug to replace it
Or put me in the ground

[Verse 3]
In the arms of another who doesn't mean anything to you
Do you lose yourself in wonder?
If I could, I would hover while he's making love to you
Make it rain as I cry...

[Chorus]
Want you so bad I can taste it
But you're nowhere to be found
I'll take a drug to replace it
Or put me in the ground

[Instrumental Break]

[Chorus]

[Outro]
Put me in the ground

Dor e obsessão após o término em “Exit Wounds” do Placebo
A música “Exit Wounds”, do álbum Loud Like Love (2013) do Placebo aborda de forma direta o sofrimento causado pelo amor não correspondido, especialmente quando o ex-parceiro já está envolvido com outra pessoa. Um ponto central da letra é o desejo do eu lírico de presenciar, como um espectador invisível, a intimidade do novo casal. Isso fica claro nos versos: “If I could, I would hover / While he's making love to you / Make it rain as I cry” (Se eu pudesse, eu pairaria / Enquanto ele faz amor com você / Faria chover enquanto eu choro). Essa imagem reforça o sentimento de impotência e obsessão, mostrando que a dor não vem só da perda, mas também da incapacidade de se desligar emocionalmente.

Entrevistas e análises apontam que Brian Molko, vocalista e compositor, constrói a letra de forma ambígua, permitindo diferentes interpretações, mas sempre centradas num sofrimento intenso. O protagonista oscila entre o desejo (“Want you so bad I can taste it” – Quero tanto você que posso sentir o gosto) e a busca desesperada por alívio, seja por meio de drogas ou até mesmo da morte (“I'll take a drug to replace it / Or put me in the ground” – Vou tomar uma droga para substituir isso / Ou me coloque debaixo da terra). Essa dualidade entre fuga e autodestruição é uma marca do Placebo e, nesta faixa, é intensificada pela sonoridade electrónica, que contribui para o clima de alienação e desespero. “Exit Wounds” retrata não só a dor do fim de um relacionamento, mas também a dificuldade de seguir em frente quando a ausência do outro se torna insuportável.

segunda-feira, 12 de janeiro de 2026

Tabernis - Carmen Reginarum


“Carmen Reginarum” tem origem no latim e significa literalmente “Canção das Rainhas”. A palavra carmen era usada no latim clássico para designar um canto, poema ou recitação com valor ritual, poético ou até mágico, enquanto reginarum é o genitivo plural de regina, “rainha”, indicando “das rainhas”. O título não corresponde, ao que se conhece, a um texto medieval específico ou a uma composição histórica documentada, sendo antes uma construção latina de caráter evocativo. No contexto da música de Tabernis, a expressão funciona como um recurso estético e simbólico, remetendo para um imaginário medieval, feminino e ritual, em sintonia com o estilo dark folk e de inspiração histórica do projeto.

Segundo descrição da banda:
Na quietude da natureza selvagem, a Colmeia desperta. Entre pedra, vento e sombra, os nossos instrumentos falam a língua do mundo antigo. Deixe a floresta testemunhar. Deixe o enxame guiá-lo. Se este caminho ressoa consigo, junte-se à Colmeia e desperte connosco.

quarta-feira, 31 de dezembro de 2025

Selah Sue - Reason


Selah Sue fala abertamente sobre: 
  1. saúde mental, especialmente ansiedade e depressão 
  2. autenticidade e autoaceitação 
  3. direitos humanos e igualdade, incluindo justiça social 
Ela tem sido bastante transparente sobre a própria experiência com problemas de saúde mental, ajudando a reduzir o estigma em torno do tema.

Reason é o segundo álbum de estúdio da artista belga Selah Sue. Distribuído pela Warner Music Group, foi editado pela Because Music a 26 de março de 2015.


Reason look at her
(Reason look at her)
And tell her what to do
(What to do)
So she can come back to life
(So she can come back to life)
And won't feel sad no more
(And won't feel sad no more)

She feels lost in her.. darkness
She feels bad in her.. darkness
Give her the reason
Just give her the reason to hold on
Give her the reason
Just give her the reason to hold on

Reason come back to her
Please tell her where to go
So she can find find a place
So she can find a place
Where she won't feel bad no more
She feels lost in her darkness
She feels bad in her darkness

Give her the reason
Just give her the reason to hold on
Give her the reason
Just give her the reason to hold on
In the end she should know
That she is drowning in sorrow, oh
Alone
So let's change her faith
And make all

She feels lost
(In her darkness)
She feels bad
(In her darkness)

Give her the reason
just give her the reason to hold on
Give her the reason
Just give her the reason to hold on

quarta-feira, 10 de dezembro de 2025

Darkwood - Vieil Armand


[strophe 1]
im osten frankreichs, da steht ein kreuz aus stein
birgt einen schläfer, hier am wiesenrain
lausch meiner weise, komm, mein fremder, komm:
“les grands champs de bataille du vieil armand”

[refrain]
nach hundert jahren weiß keiner mehr
das leben ist das leben wert
dein schweigen raunt durch alle zeit
wir mahnen fort, sind wohl bereit

[strophe 2]
im süden belgiens steht eine frau aus stein
mit off’nen armen lädt sie zum verweilen ein
und in der ferne hör ich ein leises lied:
“aux citoyens de mons morts pour la patrie”

[refrain]
nach hundert jahren weiß keiner mehr
das leben ist das leben wert
ihr schweigen raunt durch alle zeit
wir mahnen fort, sind wohl bereit

[strophe 3]
ein goldner sommer erfüllt nun unser herz
jedoch auf jedem feld, da weht ein hauch von schmerz
mohnblumen stehen hier am wegesrand
in diesen weiten haben wir erkannt:

[refrain]
nach hundert jahren weiß keiner mehr
das leben ist das leben wert
ihr schweigen raunt durch alle zeit und jedes lied:
“nous prévenons, nous prévenons, nous sommes perdus!”

Esta música remete fortemente ao local real chamado Hartmannswillerkopf — também conhecido como “Vieil-Armand” —, um monte nas montanhas dos Vosges, na Alsácia, palco de uma violenta batalha durante a Primeira Guerra Mundial.
A dureza dos combates, o terreno montanhoso, o clima rigoroso e o alto número de baixas deram-lhe o apelido de “a montanha que devora homens” (ou “Man-Eater Mountain”)
Hoje, Hartmannswillerkopf / Vieil-Armand é um memorial: existem criptas, ossuário, túmulos e monumentos em homenagem aos soldados mortos, além de trilhos que percorrem as antigas trincheiras.

Significado da canção
  1. Memória e luto histórico: a música parece querer preservar a lembrança dos soldados caídos, resistindo ao esquecimento. A letra lamenta que “depois de cem anos ninguém mais sabe” — ou seja, a maioria das vítimas e sacrifícios foram esquecidos com o tempo.
  2. Crítica ao horror da guerra e à futilidade da morte em massa: ao associar “paz”, “vida” e “silêncio eterno”, a canção transmite o absurdo da guerra — vidas perdidas, dor repetida, paisagens marcadas por destruição.
  3. Reflexão sobre sacrifício e memória coletiva: usar o nome real de um campo de batalha famoso dá peso simbólico; transforma a música numa homenagem histórica, quase ritualística — um lembrete de que muitas mortes anônimas moldam a história e, sem memória, correm o risco de serem apagadas.
  4. Ligações com identidade, dor e natureza: Darkwood, conforme descrito por fãs e sites, costuma lidar com “temas históricos ou psicológicos”, traumas de guerra, a influência de eventos extremos na psique individual — hanseando entre passado, tradição, natureza e tragédia. 
Conclusão
“Vieil Armand” não é apenas uma canção, mas um memorial sonoro. Através da evocação de um local real marcado por uma das batalhas mais brutais da Primeira Guerra Mundial, a música tenta manter viva a memória dos que morreram — uma mistura de lamento, homenagem e aviso. É um acto de lembrança contra o esquecimento, com forte carga emocional, melancólica e histórica.

quarta-feira, 26 de novembro de 2025

André Ventura, mentiroso e racista

André Ventura, mentiroso e racista. Criou um vídeo da IA, dizendo que ocorreu maus-tratos de um cavalo em Portugal, por parte dos ciganos. É falso!

Verdade dos Factos
O vídeo é antigo e passa-se no Egipto
2º  Uma imagem desse vídeo (captura de ecrã) é mostrado num crowdfunding de uma cidadão belga, que registou o mesmo problema em Marrocos
O cavalo em questão é Montana, um magnífico garanhão árabe berbere puro-sangue! Nasceu em Marrocos há 12 anos e passou a maior parte da sua vida como cavalo de charrete.
Sabe como é a vida de um cavalo de charrete lá?
Bem, é simples: uma vida de sofrimento! Dia após dia, puxam cargas extremamente pesadas, transportando muitas vezes turistas inocentes que desconhecem o seu sofrimento! Do amanhecer ao anoitecer, puxam sob o calor intenso, sem comida nem água, porque os seus donos muitas vezes não têm condições para os alimentar! Um veterinário? Muito caro ou indisponível! Um ferrador? Qual a vantagem quando "sabe" como fazer você mesmo! Desparasitação, vacinas, osteopatia, etc. Longe de ser uma prioridade! Depois sofrem com os ferimentos causados ​​pelo atrito do arreio, pelas chicotadas e pelos golpes que recebem por já não se conseguirem mover para a frente…
Muitas vezes, desmaiam de exaustão, desidratação, fome e dor… Depois ou morrem, ou são vendidos nos souks. Montana teve a sorte de ser muitos outros... Caiu nas mãos de Manon e Brahim e foi parar ao estábulo Amazir Cheval, onde cuidaram dele como merecia.
Trataram-lhe das feridas, alimentaram-no, prestaram-lhe todos os cuidados necessários (veterinário, osteopata, dentista, nutricionista, ferrador, etc.) e, acima de tudo, muito amor!
E uma cidadã belga Céline Trullemans  recorreu ao crowdfunding para que Montana ficasse na Bélgica.

quinta-feira, 6 de novembro de 2025

Anne Teresa De Keersmaeker - Rosas danst Rosas


Leitura simbólica e filosófica de Rosas danst Rosas

1. O corpo como linguagem e pensamento
Anne Teresa De Keersmaeker parte da ideia de que o corpo pensa — que o gesto é uma forma de raciocínio.
Em “Rosas danst Rosas”, o corpo deixa de ser mero instrumento expressivo e torna-se um sujeito que reflete, insiste e questiona.
A repetição de movimentos banais (mexer o cabelo, cruzar as pernas, cair, reerguer-se) torna-se uma meditação física sobre a existência:

“Sou corpo, logo insisto.”
Assim, a peça aproxima-se de uma fenomenologia do corpo, no sentido de Merleau-Ponty — o corpo como modo de estar-no-mundo, como consciência encarnada.

2. Repetição e diferença
A repetição obsessiva dos gestos não é redundante; é criadora.
Inspirada no pensamento de Gilles Deleuze, podemos ver aqui uma “repetição que gera diferença”:
cada volta, cada gesto repetido, transforma-se subtilmente — porque o tempo, o corpo e a intenção mudam.
A dança torna-se um laboratório da diferença no seio do idêntico.

Esta repetição também evoca o ciclo da vida: o nascer, o cansar-se, o recomeçar — um ritmo existencial que espelha o modo como o ser humano insiste na construção do sentido.

3. O feminino como resistência
A presença de quatro mulheres que dançam até à exaustão é simultaneamente um gesto de poder e vulnerabilidade.
Os gestos femininos, por vezes sensuais ou domésticos, são reapropriados e amplificados, libertando-os da sua carga social ou sexualizada.
A mulher não é objeto, mas sujeito da sua própria repetição.
O corpo feminino, ao resistir à fadiga e à monotonia, afirma-se como força criadora, como uma espécie de revolta silenciosa.
Neste sentido, a obra pode ser lida como um manifesto feminista do corpo — não por representar “a mulher”, mas por fazer do corpo feminino um espaço de pensamento e autonomia.

4. O tempo e a duração
A peça é também uma reflexão sobre o tempo vivido — o tempo que não corre “para a frente”, mas que se dobra, se repete, se expande.
O tempo na dança é corporal: o público sente o peso da duração, o tédio que se transforma em transe.
Há aqui um eco de Henri Bergson, que via a duração (durée) como uma experiência interior, fluida e não mensurável.
“Rosas danst Rosas” faz o espectador sentir o tempo como matéria física, como respiração, como desgaste e renascimento.

5. A coletividade e o indivíduo
As quatro intérpretes formam uma unidade, mas cada uma tem um ritmo ligeiramente distinto — como vozes de um mesmo coro.
Simbolicamente, isso reflete o tenso equilíbrio entre o coletivo e o singular, entre o eu e o outro.
É uma metáfora da coexistência humana: seres que repetem o mesmo padrão, mas cada um à sua maneira, num mundo que partilham.

6. A estética do essencial
De Keersmaeker retira tudo o que é decorativo. O cenário é austero, o figurino simples, os movimentos mínimos.
Esse despojamento é ético — é uma busca pela verdade do movimento, pela essência da presença.
Nesse sentido, a coreografia aproxima-se de uma espiritualidade laica, onde o gesto repetido se torna ritual e meditação.

7. Síntese filosófica
Em “Rosas danst Rosas”, o corpo:
  1. Pensa (fenomenologia do gesto);
  2. Repete e transforma (Deleuze: diferença na repetição);
  3. Resiste e afirma-se (feminismo existencial);
  4. Habita o tempo (Bergson: duração vivida);
  5. Partilha e coexiste (ética do coletivo).
A obra, portanto, é uma metáfora do ser humano no mundo: persistente, cíclico, sensível, vulnerável e criador.
É uma dança da existência — onde o movimento é pensamento e o cansaço é revelação.

Saber mais:
Henri Bergson, vitalismo e teoria social

quinta-feira, 19 de junho de 2025

O Incrível Reino das Plantas


Um documentário essencial para nos fazer perceber a importância e a inteligência desses seres fantásticos que nos acompanham na nossa jornada de vida: as plantas.   Veja "O Incrível Reino das Plantas" na RTP Play

Uma imersão inédita no mundo das plantas para decifrar as suas capacidades surpreendentes.  

Descobertas científicas recentes abalaram as certezas sobre um mundo que pensávamos muito diferente do nosso. Investigadores em França, Bélgica e Alemanha decidiram explorar o mundo vegetal para tentar compreender o funcionamento e a natureza profunda das plantas. 

As plantas possuem sentidos, como a propriocepção (este sentido permite-nos sentir o próprio corpo), mas também o tacto e a gravidade.

Conseguem perceber o ambiente e reagir de acordo. Por exemplo, as árvores podem endireitar-se quando estão inclinadas e podem reduzir o seu crescimento em altura quando expostas a ventos fortes.

"Uma árvore exposta a um vento invulgar reduzirá o seu crescimento em altura e aumentará o seu crescimento em diâmetro, produzindo mais raízes." - Bruno Moulia, investigador da Universidade Blaise Pascal e do INRA em Clermont-Ferrand

Mecanismos de Comunicação
As plantas comunicam através de sinais químicos, mas também podem comunicar através de sinais físicos, como vibrações ou campos elétricos.

Os sinais químicos utilizados pelas plantas podem ser divididos em duas categorias: sinais voláteis, que são libertados para o ar e utilizados para alertar para perigos, atrair polinizadores ou partilhar recursos; e sinais não voláteis, que são libertados no solo ou nos tecidos vegetais e utilizados para a comunicação entre raízes ou para controlar o seu crescimento e desenvolvimento.

"A comunicação consiste principalmente na transmissão de informação entre as diferentes partes do corpo, a nível biológico. Nos animais vertebrados, o sistema nervoso desempenha esse papel primordial. No entanto, mesmo nas plantas, a transmissão de informação por meios químicos, hidráulicos ou mesmo elétricos existe entre as suas diferentes partes, como em qualquer organismo", sublinha o investigador Quentin Herniaux, professor da Universidade Livre de Bruxelas.

Plantas: Uma Sensibilidade a Redescobrir
O documentário questiona os investigadores sobre as formas de inteligência e sensibilidade nas plantas. Os exemplos são abundantes. As plantas conseguem sentir o tato, como quando as folhas da mimosa se dobram quando beliscadas. Mas também podem aprender a evitar pesticidas que as matam ou adaptar-se ao seu ambiente e às alterações climáticas, modificando o seu crescimento ou metabolismo. Podemos, no entanto, dizer que se trata de uma forma de inteligência?

Embora algumas interpretações sejam atualmente objeto de debate, especialistas de diferentes disciplinas concordam que temos de redefinir os nossos conceitos de sensibilidade, comunicação, inteligência e reconhecer que as plantas são dotadas destas capacidades, à sua maneira e de acordo com a sua própria biologia. O mundo das plantas poderá até fornecer-nos soluções saudáveis para o nosso futuro. Está na hora de rever os nossos conceitos sobre as plantas e perceber que temos de as ter mais em consideração.

Título Original: Le Incroyable Royaume des Plantes
Realização: Céline Malèvre
Ano: 2023 

segunda-feira, 12 de maio de 2025

Von der Leyen, Costa e Metsola viajaram num jato privado de Bruxelas para o Luxemburgo


A visita do ministro dos Negócios Estrangeiros alemão, Friedrich Merz, a Bruxelas provocou uma alteração de agenda que levou os três presidentes a voarem em voos privados para o Luxemburgo.
Ursula von der Leyen, António Costa e Roberta Metsola voaram juntos num avião privado vindo de Bruxelas para participar num evento no Luxemburgo, na semana passada, uma decisão extraordinária e de elevado custo, tomada devido a restrições de agenda entre os três presidentes, disse hoje um porta-voz da Comissão.

O trio deveria comparecer em conjunto na cidade para celebrar o Dia da Europa.
A viagem decorreu na sexta-feira e contou com a visita dos presidentes da Comissão Europeia, do Conselho Europeu e do Parlamento Europeu à casa de Robert Schuman, acompanhados pelo primeiro-ministro luxemburguês, Luc Frieden.

A justificação para voar em vez de conduzir até ao Luxemburgo – a cerca de 200 km de Bruxelas – foi sobretudo motivada pela presença de Friedrich Merz, o novo ministro dos Negócios Estrangeiros da Alemanha, na capital belga.

Merz escolheu o Dia da Europa para fazer a sua primeira visita a Bruxelas desde que assumiu o cargo. Encontrou-se separadamente com Costa, von der Leyen e Metsola, por esta ordem, e deu conferências de imprensa com Costa e von der Leyen, respondendo a perguntas dos jornalistas.

As reuniões bilaterais prolongaram-se por toda a manhã, deixando os três presidentes com um itinerário extremamente apertado para se deslocarem à Cidade do Luxemburgo e comparecerem no evento comemorativo, agendado para o início da tarde, à mesma hora.

As equipas em Bruxelas optaram então por abandonar a opção automóvel e recorrer ao fretamento aéreo, cujos custos foram repartidos pelas três instituições.

"Devido às restrições de agenda dos três presidentes e do primeiro-ministro, a única opção de viagem que permitiu a todos comparecerem juntos e pontualmente à comemoração da Declaração Schuman foi apanhar um voo fretado", disse Paula Pinho, porta-voz-chefe da Comissão, na segunda-feira.

"Esta é a razão pela qual, excecionalmente, esta foi a opção escolhida para lá chegar."

Os gabinetes de Costa e Metsola expressaram uma mensagem semelhante.

Os quatro líderes visitaram a Casa Schuman no Luxemburgo
O evento no Luxemburgo, realizado a convite do primeiro-ministro para assinalar o 75.º aniversário da Declaração Schuman, começou ao início da tarde e durou cerca de duas horas. Os quatro líderes visitaram a casa onde cresceu Robert Schuman, o político francês que proferiu a declaração a 9 de maio de 1950.

A proposta de Schuman de criar uma nova autoridade para gerir a produção de carvão e aço da França e da Alemanha Ocidental abriu caminho à Comunidade Europeia do Carvão e do Aço (CECA) e deu início ao projecto de integração europeia.

O Luxemburgo foi um dos seis membros fundadores da CECA e serviu de anfitrião da Alta Autoridade independente, a precursora da Comissão Europeia. Durante a viagem de sexta-feira, os quatro dirigentes visitaram também a antiga sede da Alta Autoridade.

Após o final do evento, von der Leyen e Costa regressaram a Bruxelas no avião alugado, enquanto Metsola e a sua equipa voaram num voo comercial para Chipre.

Embora os voos sejam frequentes para viagens de longa distância, a utilização da mesma opção para uma viagem tão curta irá provavelmente causar surpresa, dado o compromisso da UE com a sustentabilidade e a pressão dos Estados-membros para controlar as despesas.

segunda-feira, 18 de novembro de 2024

Global: Africans and people of African descent call on Europe to reckon with their colonial legacies


Experts from the African continent and its global diasporas called on European governments to address their colonial past and ongoing impacts at the Dekoloniale Berlin Africa Conference, a decolonial counter-version of the 1884/5 Berlin Africa Conference 140 years ago.

Representatives from Africa and people of African descent came together at the conference on November 15, 2024, to reflect on the history and lasting impacts 140 years after the opening of the 1884/5 Berlin Africa Conference, where European powers expanded their colonial reach across the African continent. Civil society organizations working on the legacies of colonialism in the world, including its ongoing impact on human rights, also joined the November 15 conference.

At the Dekoloniale Berlin Africa Conference, 19 experts discussed how the legacies of those historical injustices are linked to systemic racism and global inequality. The 19 experts included the award-winning UK broadcaster Gary Younge, the Angolan artist Kiluanji Kia Henda, the Cameroonian lawyer Alice Nkom, and Pumla Dineo Gqola, the South African academic, award-winning writer, and gender activist.

“It’s important the Dekoloniale Berlin conference took place at the site that changed the world in many ways, powered by an enormous sense of entitlement, which can never be fully returned,” said Pumla Dineo Gqola.

“The conversations around debt, human rights and reparations, even at the level of art and culture, the conversation of coloniality, is one that shows every aspect of how the EU is a power block. Going forward, I want to see a significant shift in the negotiation of states inside and out of the EU – and whatever that looks like needs to move beyond diplomacy, while conversations about reparations must be serious and move out of the realms of superficiality.”

The 19 experts, either from the African diaspora or invited from countries affected by the 19 European powers represented in the 1884/5 conference, set out a 10-point list of demands on human rights, reparations, migration, economy, trade and anti-racism.

Among their demands are calls for European governments to address their selective advocacy of human rights in their relations with the African continent based on political, economic and diplomatic interests; the need for European governments to adopt transformative actions that unconditionally recognize systemic racism, inequalities and inequities; fair and equitable trade and investment regimes between Africa and Europe while also consulting the African diaspora; an end to EU externalization of its border which has created EU borders on African soil; the return of what was stolen from communities – whether land, objects or the remains of ancestors; and inclusive dialogue where African communities lead the conversation on their terms.

“For far too long communities and individuals directly impacted by historical injustices have been demanding reparations, especially Indigenous Peoples and people of African descent, Rym Khadhraoui, researcher on racial justice at Amnesty International

As part of a wider Dekoloniale festival marking 140 years since the Berlin Africa Conference, African Futures Lab, Amnesty International and Human Rights Watch organized a joint workshop to explore strategies for communities impacted by colonial legacies – and who continue to be affected today – to achieve justice and fulfilment of their human rights in line with European governments’ obligations under international human rights law.

“For far too long communities and individuals directly impacted by historical injustices have been demanding reparations, especially Indigenous Peoples and people of African descent,” said Rym Khadhraoui, Amnesty International’s racial justice researcher. “Colonialism, enslavement, the slave trade and their ongoing legacies remain largely unaccounted for by European states and others who are responsible.”

Based on experts’ interventions, participants at the workshop shared and exchanged reparations struggles they have experienced and obstacles to upholding communities’ rights. Participants noted the failure of meaningful consultations of affected communities in the Namibia-Germany negotiations process to address Germany’s colonial crimes in Southwest Africa and by the UK government in the context of its negotiations with Mauritius around sovereignty over the Chagos Islands.

“Reckoning with these European colonial legacies is not optional for European governments, it’s an obligation under international human rights law. Almaz Teffera, researcher on racism in Europe at Human Rights Watch

African Futures Lab recently released a report on the Métis children— children of mixed African and European ancestry — abducted by Belgium’s colonial administration. In the Great Lakes region, organizations concerned with the rights of Métis children are demanding concrete reparations measures from the Belgian state. Five Métis women, who were forcibly taken during Belgium’s colonization of Congo, are pursuing legal action in Belgium against the Belgian state. They seek justice and reparations for crimes against humanity, with a ruling expected in early December.

“Reckoning with these European colonial legacies is not optional for European governments, it’s an obligation under international human rights law,” said Almaz Teffera, researcher on racism in Europe at Human Rights Watch. “European governments should embrace the need for victim-centred reparations processes that genuinely recognize and address the ongoing harms and losses as a result of their historic actions over the years.”

Going forward, those affected by colonialism are calling for accountability and acknowledgment of the historical injustices of European colonialism and its impacts on human rights in line with European governments’ obligation under international human rights law.

The far-reaching impacts are manifold, with Amnesty International highlighting the impacts of colonialism in a submission to the United Nations Special Rapporteur on contemporary forms of racism, racial discrimination, xenophobia and related intolerance.

It’s time to dismantle these structures and correct the historical wrongs that still shape our world today.Geneviève Kaninda, advocacy and policy officer at African Futures Lab

“Governments can no longer dismiss our call for reparations—they must be held accountable,” said Geneviève Kaninda, advocacy and policy officer for African Futures Lab. “True reparatory justice isn’t just a step forward; it’s a necessity for building a fair and equitable world rooted in racial justice. The colonial legacies of oppression have entrenched systemic racism, widened global wealth gaps, and fuelled inequality. It’s time to dismantle these structures and correct the historical wrongs that still shape our world today.”

quinta-feira, 13 de junho de 2024

Genocídio do Ruanda - 30 anos depois


O genocídio no Ruanda, ocorrido em 1994, foi uma das maiores tragédias humanitárias do século XX. em apenas 100 dias, estima-se que cerca de 800 mil a 1 milhão de pessoas foram brutalmente assassinadas. a esmagadora maioria das vítimas pertencia à minoria étnica tutsi, além de moderados da maioria hutu que se opunham à violência.

O contexto e as raízes do conflito
  1. A divisão entre hutus (historicamente agricultores, a maioria da população) e tutsis (historicamente pastores, a elite minoritária) foi aprofundada durante o período colonial.
  2. Colonização alemã e belga: o território começou por ser uma colónia alemã, mas passou para as mãos da Bélgica após a primeira guerra mundial. foram os belgas que transformaram a divisão social numa separação racial rígida, introduzindo bilhetes de identidade com indicação étnica na década de 1930 e favorecendo a minoria tutsi.
  3. A inversão de poder (1959-1962): uma revolta hutu derrubou a monarquia tutsi e levou o país à independência. Milhares de tutsis fugiram para países vizinhos (como o Uganda) e formaram a frente patriótica ruandesa (RPF), um grupo rebelde armado.
  4. O estopim (6 de abril de 1994): o avião do presidente ruandês, Juvénal Habyarimana (um hutu), foi abatido em Kigali. Extremistas hutus culparam imediatamente os rebeldes tutsis e iniciaram a matança organizada na manhã seguinte.
Como o genocídio aconteceu
Diferente de outros genocídios industrializados da história, o horror no Ruanda foi perpetrado de forma extremamente direta e descentralizada, mobilizando civis comuns.
  1. Armas: a maior parte dos assassinatos foi cometida com catanas (facões), paus e enxadas.
  2. Milícias interahamwe: o exército oficial foi apoiado por milícias civis extremistas chamadas interahamwe ("os que atacam juntos").
  3. O papel da comunicação social: a estação de rádio estatal RTLM desempenhou um papel crucial, transmitindo discursos de ódio, identificando os tutsis como "baratas" e revelando esconderijos, nomes e matrículas de carros das pessoas a abater.
A inação internacional
Um dos aspetos mais marcantes e dolorosos do conflito foi a passividade do resto do mundo. a força de paz da ONU no terreno tinha ordens estritas para não intervir militarmente, servindo apenas como observadora.

Após a morte de 10 soldados belgas da ONU que protegiam a primeira-ministra ruandesa, a Bélgica retirou as suas tropas e o conselho de segurança da ONU reduziu o contingente militar no país para uma presença simbólica de menos de 300 homens, mesmo ciente do massacre em curso. Países como os EUA e a França evitaram ativamente classificar a situação como "genocídio" para não assumirem a obrigação legal de intervir.

O fim do conflito e consequências
O genocídio terminou em meados de julho de 1994, quando a frente patriótica ruandesa (RPF), liderada por Paul Kagame (que se tornou presidente do país), conseguiu avançar militarmente a partir do Uganda e capturar a capital, Kigali.
  1. Êxodo em massa: temendo represálias do novo governo dominado por tutsis, cerca de 2 milhões de hutus fugiram para o vizinho Zaire (atual República Democrática do Congo), gerando uma crise humanitária monumental.
  2. Justiça e reconciliação: o tribunal penal internacional para o Ruanda julgou os principais mentores do massacre. contudo, para lidar com a quantidade massiva de suspeitos locais, o governo recorreu aos tribunais comunitários tradicionais chamados gacaca, focados na confissão, no perdão e na reintegração comunitária.

Hoje, o Ruanda é um país amplamente pacificado, com uma economia de crescimento rápido e leis rigorosas que proíbem qualquer discurso baseado em divisões étnicas. o termo "hutu", "twa" ou "tutsi" foi abolido dos documentos oficiais; todos são agora, simplesmente, ruandeses.

segunda-feira, 29 de abril de 2024

Dia Internacional da Dança


O Dia Internacional da Dança é celebrado todos os anos a 29 de abril desde 1982. O dia assinala o aniversário de Jean-Georges Noverre, o criador do ballet moderno.

O objetivo do Dia Internacional da Dança, segundo o seu organizador, o Instituto Internacional do Teatro, é aproximar as pessoas de todo o mundo através da linguagem comum da dança.

Todos os anos, um coreógrafo ou bailarino é destacado e uma mensagem escrita por ele é divulgada em todo o mundo.

A argentina Marianela Núñez é a bailarina em destaque este ano, e a sua mensagem é honrar a história e as tradições que serviram de base ao panorama atual da dança.

Inspire-se com estas contas europeias de dança no Instagram

1. Little Shao - Breakdancing na Cidade Luz
Little Shao, fotógrafo de dança baseado em Paris, tem vindo a documentar dançarinos de todo o mundo há anos. As suas fotografias espetaculares mostram alguns dos locais mais emblemáticos da Cidade Luz, que ganham vida através de poses ainda mais espetaculares de bailarinos de topo. Little Shao, que cresceu nos subúrbios de Paris, é um dos fotógrafos oficiais do breakdance nos Jogos Olímpicos de verão deste ano em Paris - e ele próprio é um b-boy.

“Comecei a tirar fotos para poder representar melhor este estilo de dança, para que as pessoas pudessem perceber o que é o breakdance”, disse aos meios de comunicação franceses. “Para mim, o breakdancing é uma forma de arte. Há algo muito libertador no breakdance e no hip-hop em geral.”

2.Cairde - a dança irlandesa passa a ser global
Este grupo de rapazes deu a conhecer ao mundo a dança irlandesa através dos seus vídeos virais nas redes sociais, onde batem os dedos dos pés ao som de canções populares, de Taylor Swift a The Game. Os seus vídeos a cappella também são um sucesso entre os fãs de ASMR. O grupo já viajou por todo o mundo, atuando em Paris para uma multidão de 80.000 pessoas e na Casa Branca para o Presidente Joe Biden. Veja-os para uma dose de boas vibrações.

3. Ghetto Funk Collective - Trazendo o boogie
Por falar em boas vibrações, o grupo de dança Ghetto Funk Collective, sediado em Roterdão, é uma fonte garantida de sorrisos. Trazem o funk e também podem ensiná-lo a fazer boogie através da sua nova master class de locking. Se tiver pouco ritmo, pode ainda assim sentir algumas vibrações através dos seus vídeos contagiantes e alegres.

4. Biscuit Ballerina - Rir na dor do perfecionismo do ballet
A bailarina Shelby Williams, solista do Ballett Zürich, goza com o perfecionismo frequentemente exigido aos bailarinos com a sua conta de dança cómica Biscuit Ballerina.

"É uma sátira de ballet que transforma todas as falhas do ballet numa caricatura gigante, da qual os bailarinos se podem rir e ultrapassar na sua própria busca da perfeição", afirmou.

Williams apresenta bloopers de outros bailarinos, bem como cenas leves que oferecem uma nova visão das dificuldades da dança. Nem tudo é graça e elegância, malta.

Sair de casa e assistir a espectáculos de dança ao vivo

1. Bélgica - Festival Danses en Fête
É o último dia do festival Danses en Fête na Bélgica e há eventos a decorrer em todo o país. O festival anual inclui exposições, conferências, espectáculos e aulas de mestrado sobre diferentes tipos de dança. Esta segunda-feira, pode ter aulas de dança, participar em workshops, assistir a danças ao ar livre e reimaginar a dança do varão com um artista de Bruxelas.

Consulte a programação completa aqui.

2. Budapeste - 24º Festival Internacional de Dança de Budapeste
A capital húngara acolhe o 24.º Festival Internacional de Dança de Budapeste até 11 de maio, com uma celebração da dança contemporânea - tanto local como global. Para assinalar o Dia Internacional da Dança, a Associação de Artistas de Dança Húngaros e o Teatro Nacional de Dança apresentam um espetáculo de gala conjunto com o trabalho do diretor-coreógrafo Balázs Vincze.

Para mais informações e toda a programação do festival, clique aqui

3. Paris - Jovens bailarinos no centro das atenções para "Puzzle"
Dirija-se ao Le Jeune Ballet Européen na capital francesa para fazer uma viagem através de 10 universos diferentes de dança com alguns dos mais talentosos jovens bailarinos em cena. O espetáculo "Puzzle" apresenta 10 peças curtas que vão do hip-hop ao ballet e à dança contemporânea, mostrando o talento de 29 jovens artistas.

A companhia de estudantes permite que os jovens bailarinos cresçam e aprendam através de espectáculos apresentados ao público ao vivo. São apoiados por coreógrafos, directores de cena e técnicos experientes. Assista a um espetáculo esta noite, ou até 24 de junho.

Veja as transmissões em direto do Dia Internacional da Dança na OperaVision
Se preferir ficar no sofá e assistir a alguns bailarinos profissionais a partir de casa, a OperaVision tem um dia inteiro de programação em direto no YouTube com danças de toda a Europa. Mergulhe na dança folclórica romena ou assista a actuações do Royal Swedish Ballet, do Lviv National Ballet e do Opera Ballet Vlaanderen.

Poema sobre Dança

quisera, tão só, ser movimento
no teu corpo faminto
de dança.

João Costa, dezembro.2015