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terça-feira, 4 de abril de 2023

O Apocalipse dos Insetos no Antropoceno

Em sete décadas, o modelo de monocultura do capitalismo reduziu a multiplicidade de habitats a zonas de guerras contra os invertebrados. Sem eles, entrarão em colapso a biosfera e o que Marx chamou de “metabolismo universal da Natureza” Por Ian Angus (NOTA: texto dividido em 3 partes; 2 e-books gratuitos e bibliografia no fim)


O Apocalipse dos insetos no Antropoceno, Parte 1 -  A vitória durou pouco
“A questão é se alguma civilização pode travar uma guerra implacável contra a vida sem se auto-destruir e sem perder o direito de ser chamada de civilizada.”[1]

Já se passaram seis décadas desde que Rachel Carson escreveu o seu brilhante livro Primavera Silenciosa, frequentemente descrito como o trabalho fundador do movimento ambientalista moderno. O objetivo de Carson era impedir a matança de insetos e muitas pessoas pensaram que a sua causa tinha terminado com sucesso no momento em que se interrompeu o uso generalizado do DDT.

Quando Primavera Silenciosa foi publicado, a minha família tinha mudado há pouco para uma área rural no leste do estado de Ontário (Canadá). Como era um adolescente, não fiquei feliz por perder a vida social urbana, mas acabei encantando-me com experiências que nunca teria na cidade. Em particular, no verão, um campo perto de nossa casa ficava cheio de borboletas monarcas durante o dia e de vaga-lumes à noite. Passava muitas horas apenas a observar o espetáculo dos insetos.

Lis e eu ainda moramos na mesma casa, e aquele campo ainda está lá, a crescer de forma selvagem, mas não vemos uma borboleta monarca ou um vaga-lume há décadas. O extermínio contínuo de animais de seis patas é hoje maior e mais prejudicial do que qualquer cenário que Rachel Carson possa ter imaginado.

A 3 de fevereiro, um relatório abrangente mostrou que 80% das espécies de borboletas no Reino Unido diminuíram em abundância ou distribuição desde a década de 1970, e metade delas agora está listada como ameaçada ou quase ameaçada.[2] Como as borboletas são, de longe, os insetos selvagens monitorados de forma mais consistente, o seu declínio é como o proverbial canário cujo colapso alertava os mineiros de carvão de que o gás mortal se estava a acumular. Se há menos borboletas, é provável que haja menos insetos de todos os tipos.

No mesmo dia, cientistas da Academia de Ciências Agrícolas da China relataram que, desde 2005, houve um declínio constante nas 98 espécies de insetos voadores que migram todos os anos sobre a baía de Bohai, entre a China e a Coreia. O número de insetos herbívoros diminuiu 8%, e os insetos predadores que os comem caíram quase 20%. Os autores dizem que os dados mostram “um declínio crítico na diversidade funcional (de insetos) e uma perda constante na resiliência ecológica em todo o Leste da Ásia”.[3]

Estes estudos, conduzidos em lados opostos do globo, aumentam a evidência crescente de um rápido declínio mundial da vida dos insetos. Embora a maioria dos grupos de conservação ilustre as suas campanhas de arrecadação de fundos com fotos de pandas, tigres e pássaros raros, o declínio generalizado de insetos representa a maior ameaça a toda a vida no Antropoceno. Scott Black, Diretor Executivo da Xerces Society, uma organização sem fins lucrativos que enfatiza a proteção de insetos e outros invertebrados, resume o perigo nestes termos:
“Independente do quão rudemente tratemos o planeta, nós vamos desaparecer antes dos insetos. Mas o que será visível para nós é menos aves ou mesmo nenhuma ave no céu. Se queres pássaros, precisas de insetos. Se queres frutas e legumes, precisas de insetos. Se queres solos saudáveis, precisas de insetos. Se queres comunidades de plantas diversificadas, precisas de insetos.”[4]
Os insetos são fundamentais para o que Karl Marx chamou de metabolismo universal da natureza, a constante reciclagem de energia e matéria que torna a vida possível. Artrópodes – principalmente insetos, mas incluindo aranhas, ácaros, centopeias e milípedes – polinizam 80% de todas as plantas, reciclam os nutrientes essenciais da vida, criam solos saudáveis ​​e férteis, purificam a água e são o principal alimento de muitos pássaros e animais. Se eles desaparecessem completamente, a biosfera entraria em colapso e os humanos não durariam muito.
“A maioria dos peixes, anfíbios, pássaros e mamíferos entrariam em extinção quase simultaneamente. Em seguida iria a maior parte das plantas com flores e com elas a estrutura física da maioria das florestas e outros habitats terrestres do mundo. A terra apodreceria. À medida que a vegetação morta se acumulasse e secasse, estreitando e fechando os canais dos ciclos de nutrientes, outras formas complexas de vegetação morreriam e, com elas, os últimos remanescentes dos vertebrados. Os fungos remanescentes, depois de desfrutarem de uma explosão populacional de proporções estupendas, também pereceriam. Dentro de algumas décadas, o mundo voltaria ao estado de 1 bilhão de anos atrás, composto principalmente de bactérias, algas e algumas outras plantas multicelulares muito simples”.[5]
Para ser claro, o desaparecimento de todos insetos não é provável num futuro previsível: de facto, alguns insetos provavelmente sobreviverão à humanidade. O que as provas mostram é uma combinação de extinções definitivas e declínios populacionais radicais que alguns cientistas chamam de defaunação
. “Se não for controlada, a defaunação tornar-se-á não apenas uma característica da sexta extinção em massa do planeta, mas também um impulsionador de transformações globais fundamentais no funcionamento do ecossistema.”[6]
A maioria dos relatos sobre a vida na Terra concentra-se em mamíferos, pássaros, peixes e répteis, mas, na verdade, a grande maioria dos animais é de insetos. Ninguém sabe exatamente quantos são, mas uma boa estimativa é de dez quintilhões — 10 seguidos de dezoito zeros, bem mais de um bilhão de insetos para cada ser humano. Juntos, eles pesam substancialmente mais do que todos os outros tipos de animais (incluindo humanos) combinados. Eles são imensamente variados: só nos EUA, existem cerca de 23.700 espécies de besouros, 19.600 espécies de moscas, 17.500 espécies de formigas, abelhas e vespas e 11.500 espécies de mariposas e borboletas. Em todo o mundo, um milhão de espécies de insetos foram catalogadas e acredita-se que outras quatro milhões ainda não tenham sido identificadas ou nomeadas. Nas taxas atuais, muitos desaparecerão antes mesmo que os humanos saibam que eles existem.

Com populações tão grandes, é difícil imaginar que todas ou mesmo uma proporção significativa delas possam estar em risco. Além das borboletas, que são bonitas, e das abelhas, que são lucrativas, até recentemente as ameaças à vida dos insetos raramente eram mencionadas nos relatos de perda de biodiversidade.[7] O premiado livro premiado de Elizabeth Kolbert A Sexta Extinção (2014), por exemplo, refere-se apenas brevemente ao declínio de insetos, como uma consequência, difícil de mensurar, do desmatamento na Amazónia. O livro Esquivando-se da Extinção, de Anthony Barnosky (também de 2014), menciona os insetos de passagem apenas duas vezes. Da mesma forma, o best-seller de David Wallace-Wells A Terra Inabitável (2019) contém apenas três parágrafos sobre insetos.

Estes autores não estavam a ignorar arbitrariamente os nossos parentes de seis patas: as suas omissões refletiam uma longa lacuna na literatura científica. Embora os entomologistas tenham publicado muitos relatórios sobre a biologia e o comportamento de algumas espécies, poucos estudaram ou mediram as tendências das populações de insetos ao longo do tempo. Mesmo entre as abelhas, um dos grupos de insetos mais estudados, a Academia Nacional de Ciências dos EUA lamentou em 2007 que “faltam dados populacionais de longo prazo e o conhecimento de sua ecologia básica é incompleto”.[9]

Uma grande viragem ocorreu em outubro de 2017, quando 12 cientistas europeus publicaram um relatório inovador sobre o declínio de insetos voadores em áreas de proteção ambiental na Alemanha. Durante quase três décadas, membros da Sociedade Entomológica Krefeld, administrada por voluntários, capturaram e contaram insetos em 63 reservas naturais, usando armadilhas semelhantes a tendas. Uma análise dos seus registos, publicada na revista PLOS One, revelou uma tendência chocante que afeta abelhas, vespas, borboletas, moscas, besouros e muito mais.
“Os nossos resultados documentam um declínio dramático na biomassa média de insetos aéreos de 76% (até 82% no meio do verão) em apenas 27 anos para áreas naturais protegidas na Alemanha. […] O declínio generalizado da biomassa de insetos é alarmante, ainda mais porque todas as armadilhas foram colocadas em áreas protegidas destinadas a preservar as funções do ecossistema e a biodiversidade. Embora o declínio gradual de espécies raras de insetos seja conhecido há algum tempo (por exemplo, borboletas especializadas), os nossos resultados ilustram um declínio contínuo e rápido na quantidade total de insetos aéreos ativos no espaço e no tempo”.[10]
Em 2018, outro grupo de cientistas mostrou que entre 2008 e 2017 houve declínios substanciais na diversidade, biomassa e abundância de insetos nas pastagens e áreas florestais alemãs, e um estudo publicado nos Anais da Academia Nacional de Ciências apontou que as populações de insetos nas florestas tropicais porto-riquenhas caíram até 98% desde a década de 1970.[11] Embora houvesse debates sobre números precisos e metodologia, agora havia, como escreveu o ecologista britânico William Kunin na prestigiada revista Nature, “provas robustas do declínio dos insetos”.[12]

Estas descobertas levaram ecologistas e entomologistas de todo o mundo a examinar estudos e registos anteriores, em busca de dados que pudessem ser usados ​​para medir as mudanças nas populações de insetos. Em 2019, a revista Biological Conservation apresentou uma revisão detalhada de 73 estudos publicados sobre declínio de insetos.
“A partir da nossa compilação de relatórios científicos publicados, estimamos que a proporção atual de espécies de insetos em declínio (41%) seja duas vezes maior que a de vertebrados, e o ritmo de extinção de espécies locais (10%) oito vezes maior, confirmando anteriores descobertas. Atualmente, cerca de um terço de todas as espécies de insetos está ameaçada de extinção nos países estudados. Além disso, a cada ano cerca de 1% de todas as espécies de insetos é adicionada à lista. Esses declínios de biodiversidade resultam numa perda anual de 2,5% de biomassa em todo o mundo.”[13]
Desde então, como ilustram os estudos citados no início deste artigo, as investigações sobre populações de insetos explodiram. Em fevereiro de 2023, o Google encontrou mais de 30.600 entradas para “insetos ameaçados de extinção” e o Google Scholar encontrou mais de 1.000 trabalhos académicos. Para relatos acessíveis das investigações mais recentes, recomendo fortemente dois livros recentes, Silent Earth [Terra Silenciosa] de Dave Goulson e The Insect Crisis [A crise dos insetos] de Oliver Milman. Ambos foram escritos por autores sérios, que evitam o sensacionalismo; no entanto, um se refere a um “apocalipse de insetos” e o outro descreve o declínio das populações de insetos como “uma situação terrível [que] mal pode ser compreendida”.[14]

Em The Cosmic Oasis [O oásis cósmico], uma história da biosfera publicada em 2022, os principais cientistas do Antropoceno, Mark Williams e Jan Zalasiewicz, alertam que é impossível exagerar a ameaça representada pelo declínio da vida dos insetos que pesquisas recentes confirmaram.
“Cerca de dois quintos das espécies de insetos do mundo podem estar ameaçadas de extinção dentro de algumas décadas; elas estão a ser amplamente exterminadas em paisagens urbanas e agrícolas e são dizimadas pela poluição em ambientes aquáticos. […] Como os insetos estão profundamente enraizados no funcionamento dos ecossistemas da Terra, uma grande perda no seu número e diversidade teria efeitos incalculáveis; na verdade, provavelmente causaria um colapso total dos ecossistemas, incluindo aqueles que nos sustentam”.[15]
Apocalipse dos Insetos no Antropoceno, Parte 2
Nos anos que se seguiram à Segunda Guerra Mundial, o capitalismo global multiplicou o seu avanço, com efeitos devastadores para a biosfera. Alimentado pelos combustíveis fósseis e petroquímicos, a Grande Aceleração encerrou 12 mil anos de relativa estabilidade ambiental e climática durante o período do Holoceno e iniciou a era do Antropoceno. Como apresentou na sua conclusão, em 2004, um relatório de síntese do Programa Internacional Geosfera-Biosfera (IGBP, na sigla em inglês):

“A segunda metade do século XX é única em toda a história da existência humana na Terra. Muitas atividades humanas atingiram pontos de decolagem em algum momento do século XX e aceleraram radicalmente no final do século. Os últimos 50 anos testemunharam, sem dúvida, a mais rápida transformação da relação humana com o mundo natural na história da humanidade”.[16]

O relatório do IGBP incluía gráficos que ilustravam aumentos sem precedentes na atividade humana e na destruição ambiental global, começando por volta de 1950.[17] Um deles, intitulado “Biodiversidade global”, rastreava a taxa de extinção de animais, que os autores estimam ser 100 a 1.000 vezes maior do que as taxas de extinção natural anteriores.[18] Uma medida da debilidade dos estudos sobre insetos é que a discussão sobre o declínio da biodiversidade mencione mamíferos, peixes, aves, anfíbios e répteis, mas não insetos ou quaisquer outros invertebrados.[19]

Como vimos, investigações recentes mudaram decisivamente este quadro. Não apenas as populações de insetos estão em declínio, mas também estão a diminuir muito mais rapidamente do que outros animais. Os insetos compreendem metade de um milhão de espécies animais que os cientistas acreditam estar em extinção neste século.[20] Os insetos do mundo estão entre as principais vítimas da Grande Aceleração. Se continuar assim, o rápido declínio dos insetos estará entre as características mais mortais do Antropoceno.

Concentração e simplificação
O fator mais importante para o declínio dos insetos é a destruição do habitat – em particular, o papel da agricultura industrial na expulsão de inúmeras espécies das suas casas. Outros habitats de insetos foram desestabilizados e destruídos, mas as terras agrícolas são críticas pela sua inigualável escala – a agricultura ocupa 36% da terra total do mundo e 50% da terra habitável. Dentro desta enorme área, imensas parcelas estão envolvidas no que pode ser descrito razoavelmente como uma guerra aos insetos.

Toda a agricultura desestabiliza os ecossistemas locais e perturba a vida dos insetos, mas, como explica o ecologista Tony Weis, até recentemente uma agricultura bem-sucedida exigia trabalhar o máximo possível com ambientes naturais, não contra eles:

“Ao longo da história, a viabilidade de longo prazo das paisagens agrícolas dependeu da manutenção da diversidade funcional nos solos, variedades de cultivo (e germoplasma de sementes dentro das variedades), árvores, animais e insetos para manter o equilíbrio ecológico e os ciclos de nutrientes. Para esse fim, os agroecossistemas foram manejados com uma variedade de técnicas, como multiculturas, padrões de rotação, adubos verdes (transformando tecidos vegetais não decompostos em solos, geralmente a partir de leguminosas ricas em nitrogénio), pousio, cuidadosa seleção agroflorestal de sementes e a integração de pequenas populações de animais”.[21]

As décadas após a Segunda Guerra Mundial testemunharam o equivalente agrícola do que foi a revolução industrial do século XIX – uma mudança da pequena produção de commodities para a massiva produção em larga escala, dependente de combustíveis fósseis. Embora a maioria das quintas ainda pertencesse a famílias, as decisões sobre o que cultivar e como cultivar eram cada vez mais tomadas em salas de reuniões de grandes empresas. Os ecologistas agrícolas Ivette Perfecto, John Vandermeer e Angus Wright descrevem a revolução metabólica na produção de alimentos:
“A capitalização da agricultura pós-Segunda Guerra Mundial foi realizada principalmente através da substituição de insumos gerados na própria quinta por insumos fabricados fora da quinta e que precisavam ser adquiridos. Desde a mecanização precoce da agricultura que substituiu a força animal por tração motorizada, até à entrada de fertilizantes sintéticos no lugar do composto e esterco, e à substituição do controle cultural e biológico por pesticidas, a história do desenvolvimento tecnológico agrícola tem sido um processo de capitalização que resultou na redução do valor que é agregado dentro da própria quinta. Nas quintas de hoje, o trabalho vem da Caterpillar ou John Deere, a energia da Exxon/Mobil, o fertilizante da DuPont e o controle de pragas da Dow ou Monsanto. As sementes, literalmente o germe que torna possível a agricultura, foram patenteadas e precisam ser compradas.”[22]
O boom do pós-guerra na produção agrícola baseou-se numa ampla variedade de novas tecnologias, incluindo equipamentos mecanizados, ração animal produzida em massa, fertilizantes sintéticos e sementes proprietárias. Os novos insumos funcionaram muito bem, mas como aponta a historiadora agrícola Michelle Mart, “a revolução tecnológica na agricultura foi mais acessível para alguns do que para outros”.
“Muitos pequenos agricultores familiares não tinham condições de arcar com os altos investimentos necessários para as novas tecnologias, nem tinham as vastas extensões de terra que as viabilizariam economicamente. Em 1955, os custos operacionais totais para uma quinta média tinham triplicado em relação a apenas 15 anos antes, precipitando um declínio no número de quintas e no número de pessoas que trabalhavam na terra. De 1939 a 1950, o número de quintas nos Estados Unidos caiu 40%, e o número caiu quase outros 50% de 1960 a 1970, enquanto o tamanho médio de uma quinta aumentou 0,8 hectares a cada ano.”[23]
De acordo com o Departamento de Agricultura dos EUA, em 2012, “36% de todas as terras cultivadas estavam em quintas com pelo menos 800 hectares de terras agrícolas, acima dos 15% em 1987”.[24] Embora apenas cerca de 12% das quintas dos EUA possam ser descritas como unidades com operações comerciais muito grandes, elas obtêm 88% da receita agrícola líquida anual.[25]

Na América do Norte e na Europa, grandes quintas normalmente são criadas pela fusão de quintas menores. No Sul global, o desmatamento desempenha o papel principal: cerca de cinco milhões de hectares de floresta por ano são desmatados e substituídos por quintas e ranchos gigantes administrados por grandes empresas.[26] Entre 1980 e 2000, mais da metade das novas terras agrícolas nos trópicos foi criada pelo desmatamento de florestas. Entre 2000 e 2010, o número foi de 80%.[27]

A gestão rentável de grandes quintas com máquinas caras requer especialização. Cada cultura tem os seus próprios requisitos específicos, portanto, em vez de comprar várias máquinas, os agricultores concentraram-se numa única variedade de cultivo: apenas milho, ou apenas trigo, ou apenas soja e assim por diante. A matriz de campos cultivados com diferentes culturas que caracterizava a agricultura tradicional foi substituída por imensas áreas de plantas geneticamente idênticas. A maioria das cercas, cercas vivas, bosques e pântanos – lar para pequenos mamíferos, pássaros e insetos – foi removida para maximizar a produção e permitir que as máquinas cobrissem facilmente toda a área.

Ainda existem milhões de pequenas quintas que cultivam várias culturas, mas a produção e as vendas em todos os lugares são dominadas por um pequeno número de quintas muito grandes, cada uma cultivando apenas uma ou duas espécies de plantas ou animais. Em todo o mundo, cerca de 75% das variedades de culturas vegetais desapareceram efetivamente dos mercados agrícolas, deixando apenas nove espécies de plantas que agora compreendem quase dois terços de todas as culturas. Como Michael Pollen comenta, isto tem implicações importantes para as dietas humanas:
“o grande edifício de variedade e escolha que é um supermercado norte-americano acaba por se basear numa base biológica notavelmente estreita, composta por um pequeno grupo de plantas, dominado por uma única espécie: Zea mays, a erva tropical gigante que a maioria dos americanos conhece como milho.”[28]
O historiador ecológico Donald Worster descreve a transformação da agricultura no século XX como uma “simplificação radical da ordem ecológica natural”.
“O que antes era uma comunidade biológica de plantas e animais tão complexa que os cientistas mal conseguiam compreender, que foi transformada por agricultores tradicionais num sistema ainda altamente diversificado para o cultivo de alimentos locais e outros materiais, tornou-se agora cada vez mais um aparato rigidamente planeado que compete em mercados generalizados para o sucesso económico. Na linguagem de hoje, chamamos este novo tipo de agroecossistema de monocultura, que significa que uma parte da natureza foi reconstituída para produzir uma única espécie, que cresce na terra apenas porque em algum lugar há uma forte procura de mercado por ela.”[29]
Esta “desconexão dos processos naturais uns dos outros e a sua extrema simplificação” é, como escreve John Bellamy Foster, “uma tendência inerente ao desenvolvimento capitalista”.[30] Para um sistema económico que caminha constantemente para a simplificação e mercantilização de todas as coisas, os milhões de espécies de insetos são uma complicação desnecessária e indesejada.

Por si só, a mudança para a monocultura reduziu substancialmente a diversidade de insetos. Alguns insetos evoluíram para viver em qualquer lugar, mas muitos não podem sobreviver sem acesso a plantas específicas. As borboletas-monarca, por exemplo, só podem comer folhas de serralha e os seus ovos não eclodirão se colocados em qualquer outra planta. A simplificação de milhões de hectares reduziu radicalmente o número de monarcas, junto com muitos outros insetos de habitat especializado. Para eles, milhares de hectares dedicados ao milho, soja ou trigo podem muito bem ser descritos como desertos, pela nutrição e o suporte à vida que fornecem.

A agricultura industrial, no entanto, não apenas retira passivamente a sustentação aos insetos: ela os ataca agressivamente.

sexta-feira, 9 de setembro de 2022

Negative Health Impacts of Ultra-Processed Foods Go Beyond Their Nutritional Profiles, Researchers Say



The impact of ultra-processed food consumption on human health may be more significant than the food’s nutritional qualities.

According to new research in Italy, food ratings currently used for packaged food labels may miss the point by mainly focusing on the nutritional profile of processed foods.People should stop focusing only on the nutritional profile of food. They need to start exploring the degree of processing in the food they buy.- Marialaura Bonaccio, senior epidemiologist, Italian Mediterranean Neurologic Institute

The research paper published by the Journal of the British Medical Association (BMJ) found that significant ultra-processed food consumption leads to higher mortality risks by several causes. However, the nutritional profile of such food does not impact these risks.

The same edition of the BMJ also featured American research demonstrating a link between high consumption of ultra-processed food and colorectal cancer, with significant differences in the impact between men and women.

Investigating the results of their 15-year study on more than 20,000 individuals, the Italian researchers tested the effects of consuming ultra-processed food, classified as such by NOVA ratings, while also considering their nutritional classification from the Food Standards Agency Nutrient Profiling System (FSAm-NPS).

NOVA was developed by researchers at the University of São Paulo in Brazil. According to a 2019 United Nations Food and Agricultural Organization paper, NOVA definitions of ultra-processed foods are the most applied in scientific literature.

FSAm-NPS, on the other hand, is currently used to rate foods by relevant front-of-pack-labeling systems, such as the French-born Nutri-Score.

“We felt the need to see if Nutri-Score could really help improve public health, as the European Commission is currently considering its introduction as an E.U.-wide mandatory food rating system,” Marialaura Bonaccio, senior epidemiologist at the Italian Mediterranean Neurologic Institute and co-author of the study, told Olive Oil Times.

“In the last 10 years, research has gone beyond focusing on the sole nutritional composition of foods,” she added. “Thanks to the work of Carlos Monteiro and others, the research has begun focusing on how food is transformed and manipulated.”

According to the researchers, both FSAm-NPS and NOVA reach their food rating goals when individually applied to foods. Results change, though, when the two indexes are jointly considered.

“Both systems correctly predict health risks,” Bonaccio said. “If you constantly choose foods rated as inadequate by Nutri-Score, you expose yourself to greater risks of incurring relevant diseases. The same goes for NOVA, which is also associated with coronary heart disease risk.”

“When they are jointly considered, though, the risks associated with Nutri-Score are reduced by the NOVA system, and that tells us we are not seeing the impact of a nutrient-poor diet but the impact of ultra-processed foods,” she added. “More than 80 percent of foods Nutri-Score rates as poor quality foods are ultra-processed.”

In the study, the authors wrote that “a significant proportion of the higher mortality risk associated with an elevated intake of nutrient-poor foods was explained by a high degree of food processing. In contrast, the relation between a high ultra-processed food intake and mortality was not explained by the poor quality of these foods.”

The NOVA system typically defines ultra-processed food as food having five or more ingredients not usually found in a household. Those substances, such as additives and enhancers, are part of ultra-processing methods as they derive from the further processing of food components.

“The ultra-process definition is crucial because it is not univocal. It is mostly common sense,” Bonaccio said. “If I bake a pie at home, I might use many simple ingredients such as flour, eggs or milk. And the outcome might depend on the correct balance among those ingredients.”

“But when, on top of that, I use food additives, then the pie starts to become an ultra-processed food,” she added. “That is why the definition is not totally unambiguous. For example, if in a supermarket you see a fruit-based yogurt whose package displays five lines of ingredients, it might be enough to spot an ultra-processed food.”

The food industry commonly uses additives to give specific colors to food and sweeten or preserve it. Other additives cover many functions, such as enhancing flavors, suppressing fungi, inhibiting particular characteristics of the food or sanitizing the food itself.

“The processing of foods might play a role in health beyond their nutritional composition, through a variety of mechanisms triggered by non-nutritional components, such as cosmetic additives, food contact materials, neoformed compounds, and degradation of the food matrix,” wrote the researchers.

“The health risks that we have found in our study are related to significant consumption of ultra-processed food,” Bonaccio added. “Therefore, the suggestion here is not to abolish that kind of food but to limit its intake. People should stop focusing only on the nutritional profile of food. They need to start exploring the degree of processing in the food they buy.”

She recommends that a suitable method to limit ultra-processed food is to spend more time in the kitchen and follow the advice of food journalist and author Michael Pollan not to eat any food your grandmother would not recognize as food.

“Your grandmother would not know what substances like maltodextrin are. That means that cooking must stay close to the origin of food and away from food manipulation as much as possible,” Bonaccio said, citing a widely-used ultra-processed carbohydrate.

In a joint editorial about the two studies published by the BMJ, Carlos A. Monteiro, a professor of public health nutrition at the University of São Paulo and Geoffrey Cannon, a senior research fellow, warned that “to reformulate ultra-processed foods by methods such as replacing sugar with artificial sweeteners or fat with modified starches and adding extrinsic fiber, vitamins, and minerals, is not a solution.”

“Reformulated ultra-processed foods would be especially troublesome if promoted as ‘premier’ or ‘healthy’ products,” they added. “They would remain partly, mainly, or solely formulations of chemicals.”

Following their study, the Italian researchers warned against adopting any food labeling system mainly based on the nutritional aspects of food.

“Within Nutri-Score, for instance, you could find highly refined and processed foods which achieve a good and apparently healthy score,” Bonaccio said. “That happens because they might be low in salt, sugar or fats. But that does not mean they are to be considered a healthy food.”

An example of this is artificially-sweetened sugar-free sodas, which achieve healthy scores, “even when they are not food at all, but just a chemical formulation,” Bonaccio added.

She noted that ultra-processed food intake is growing globally. “In the United States and the United Kingdom, the most recent data show that 60 percent of the daily calories, on average, come from this kind of food. We are still at 20 percent in Italy, but that is the tendency here as well.”

While the latest American and Italian studies join the growing literature on the health effects of ultra-processed food consumption, it remains unclear what the reasons are for such negative health consequences.

“We must investigate the inner mechanism,” Bonaccio said. “Being now able to set aside the nutritional aspects of poor quality food, we still have to understand what triggers such harmful reactions.”

Researchers in many countries are working on several hypotheses, investigating the impact of alterations to the food matrix or the destruction of phytochemicals and other substances.

Other research is focused on the impact of food separation and re-aggregation on the microbiome and insulin response or the exposure to plastic due to the packaging of most products.

“Each of those conditions might be a trigger for physiopathological processes,” Bonaccio said. “We are currently working on the inflammatory pathway, as these aspects might exert a role in rising inflammation levels.”

“The Mediterranean diet lights the path,” she concluded. “The MedDiet is not only fruits, vegetables, a light intake of wine and olive oil; it is mostly an un-processed food diet. We should always remember that it comes from farmers’ tradition made with raw foods or slightly processed foods and the use of minimal techniques.”

See Also:

domingo, 10 de abril de 2022

Documentário: Árvores Inteligentes


Árvores Inteligentes (Trailer) from Dorcon Film on Vimeo.

Documentário que explora a forma como as árvores comunicam entre si, a partir das observações de um engenheiro florestal e do microscópio de uma cientista.

As árvores conversam, conhecem laços familiares e cuidam de seus filhos? Isso é estranho demais para ser verdade? A cientista Suzanne Simard (Universidade de British Columbia, Canadá) e o autor alemão Peter Wohlleben vêm observando e investigando a comunicação entre as árvores ao longo de décadas. E as suas descobertas são surpreendentes.

As árvores são muito mais do que fileiras de madeira à espera de serem transformadas em móveis, edifícios ou lenha. São mais do que organismos que produzem oxigénio ou limpam o ar para nós. São seres individuais que têm sentimentos, conhecem a amizade, têm uma linguagem própria e cuidam uns dos outros. Este documentário explora as várias maneiras pelas quais as árvores se comunicam entre si a partir das observações de um engenheiro florestal, bem como através do microscópio de uma cientista.

“Se os temas de harmonia, conexão e colaboração entre humanos e árvores no filme Avatar o inspiraram, fique por perto. Essa ficção foi inspirada, em parte, por árvores da vida real ... Mas há mais. Muito mais. E tem implicações globais para todos nós.” (Rachel Clark, Psychology Today).

“Juntos, Wohlleben e Simard são uma equipa dos sonhos das árvores." (Melissa Breyer, "Trees Can Form Bonds Like an Old Couple and Look After Each Other", Treehugger.com).

Página Oficial

Saber mais:
Biografias
Páginas Oficiais

sexta-feira, 8 de dezembro de 2017

Documentário- "Cowspiracy: O Segredo da Sustentabilidade" (dublado)


Um documentário dirigido por Kip Andersen e Keegan Kuhn, que trata de questões ambientais. Lançado em 26 de junho de 2014, o documentário debate sobre como a agropecuária intensiva tem contribuído para diminuição dos recursos naturais e aumento na emissão de gases.

Kip Andersen, protagoniza o papel de investigador onde vai a procura das organizações ambientais mais prestigiadas do mundo, como por exemplo, a Greenpeace, com a finalidade de questionar o porquê que tais organizações evitam ou temem falar sobre como a criação animal tem trazido impactos ao meio ambiente.

Contando com 1h30min de duração, o documentário trás diversos questionamentos, críticas e conclusões. Quem assiste pode sentir-se motivado a analisar as próprias práticas de consumo e pesquisar sobre os dados mostrados, seja para concordar ou discordar, o ponto é que, o documentário gera um senso crítico e de conscientização.

Saber mais:

Página Oficial 


Criticismo sobre o filme

quinta-feira, 1 de setembro de 2016

A Planta Inteligente -Toda a verdade numa excelente reportagem do New Yorker (em Inglês)



By Michael Pollan teaches journalism at the University of California, Berkeley. “Cooked: A Natural History of Transformation” is his most recent book.

Fonte: The Intelligent Plant .A Reporter at Large    
    
In 1973, a book claiming that plants were sentient beings that feel emotions, prefer classical music to rock and roll, and can respond to the unspoken thoughts of humans hundreds of miles away landed on the New York Times best-seller list for nonfiction. “The Secret Life of Plants,” by Peter Tompkins and Christopher Bird, presented a beguiling mashup of legitimate plant science, quack experiments, and mystical nature worship that captured the public imagination at a time when New Age thinking was seeping into the mainstream. The most memorable passages described the experiments of a former C.I.A. polygraph expert named Cleve Backster, who, in 1966, on a whim, hooked up a galvanometer to the leaf of a dracaena, a houseplant that he kept in his office. To his astonishment, Backster found that simply by imagining the dracaena being set on fire he could make it rouse the needle of the polygraph machine, registering a surge of electrical activity suggesting that the plant felt stress. “Could the plant have been reading his mind?” the authors ask. “Backster felt like running into the street and shouting to the world, ‘Plants can think!’ “

sexta-feira, 10 de abril de 2015

Plantas têm memória, sentem dor e são inteligentes

Confira este vídeo de Michael Pollan.



Pode ser uma planta inteligente? Alguns cientistas insistem que são - uma vez que elas podem sentir, aprender, lembrar e até mesmo reagir de formas que seriam familiares aos seres humanos.

A nova pesquisa está em um campo chamado neurobiologia de plantas - o que é meio que um equívoco, porque mesmo os cientistas desta área não argumentam que as plantas tenham neurónios ou cérebros.

"Elas têm estruturas análogas", explica Michael Pollan, autor de livros como The Omnivore's Dilemma (O Dilema do Onívoro) e The Botany of Desire (A Botânica do Desejo). "Elas têm maneiras de tomar todos os dados sensoriais que se reúnem em suas vidas quootidianas ... integrá-los e, em seguida, se comportar de forma adequada em resposta. E elas fazem isso sem cérebro, o que, de certa forma, é o que é incrível sobre isso, porque assumimos automaticamente que você precisa de um cérebro para processar a informação".

E nós supomos que precisamos de ouvidos para ouvir. Mas os pesquisadores, diz Pollan, tocaram uma gravação de uma lagarta comendo uma folha para plantas - e as plantas reagiram. Elas começam a secretar substâncias químicas defensivas - embora a planta não esteja realmente ameaçada, diz Pollan. "Ela está de alguma forma ouvindo o que é, para ela, um som aterrorizante de uma lagarta comendo suas folhas."

Plantas podem sentir

Pollan diz que as plantas têm todos os mesmos sentidos como os seres humanos, e alguns a mais. Além da audição e do paladar, por exemplo, elas podem detectar a gravidade, a presença de água, ou até sentir que um obstáculo está bloqueando suas raízes, antes de entrar em contato com ele. As raízes das plantas mudam de direção, diz ele, para evitar obstáculos.

E a dor? As plantas sentem? Pollan diz que elas respondem aos anestésicos. "Você pode apagar uma planta com um anestésico humano. ... E não só isso, as plantas produzem seus próprios compostos que são anestésicos para nós." 

De acordo com os pesquisadores do Instituto de Física Aplicada da Universidade de Bonn, na Alemanha, as plantas libertam gases que são o equivalente a gritos de dor. Usando um microfone movido a laser, os pesquisadores captaram ondas sonoras produzidas por plantas que libertam gases quando cortadas ou feridas. Apesar de não ser audível ao ouvido humano, as vozes secretas das plantas têm revelado que os pepinos gritam quando estão doentes, e as flores se lamentam quando suas folhas são cortadas [fonte: Deutsche Welle].

Sistema nervoso de plantas

Como as plantas sentem e reagem ainda é um pouco desconhecido. Elas não têm células nervosas como os seres humanos, mas elas têm um sistema de envio de sinais elétricos e até mesmo a produção de neurotransmissores, como dopamina, serotonina e outras substâncias químicas que o cérebro humano usa para enviar sinais.

As plantas realmente sentem dor

As evidências desses complexos sistemas de comunicação são sinais de que as plantas sentem dor. Ainda mais, os cientistas supõem que as plantas podem apresentar um comportamento inteligente sem possuir um cérebro ou consciência.

Elas podem se lembrar

Pollan descreve um experimento feito pela bióloga de animais Monica Gagliano. Ela apresentou uma pesquisa que sugere que a planta Mimosa pudica pode aprender com a experiência. E, Pollan diz, por apenas sugerir que uma planta poderia aprender, era tão controverso que seu artigo foi rejeitado por 10 revistas científicas antes de ser finalmente publicado.


segunda-feira, 14 de abril de 2014

Plantas podem aprender, mudar o comportamento e recordar

Mimosa pudica
Os cientistas desconfiam que as plantas são muito mais inteligentes do que se imagina. Há uns tempos, um estudo revelou que as plantas conseguiam fazer cálculos de divisão. Outro, revelava que estas podiam cantar e fazer música. Agora, os cientistas da Universidade da Austrália Ocidental analisaram o comportamento da dormideira (Mimosa pudica) – também conhecida por dorme-dorme -, uma planta nativa da América do Sul, e descobriram que esta pode aprender e recordar.

Segundo a investigação, coordenada por Monica Gagliano, Michael Renton, Stefano Mancuso e Martial Depczynski, a dormideira dobras as folhas quando é tocada, sendo que os cientistas acreditam que esse movimento é um mecanismo de defesa contra os herbívoros. Isto porque os animais que pastam são menos propensos a querem comer folhas murchas.
Para além deste mecanismo, explica o Planeta Sustentável, as plantas demonstraram que estão a aprender, de forma mais rápida, os truques da sobrevivência em ambientes desfavoráveis ou com pouca luz. Por outro lado, elas são capazes de recordar o comportamento adquirido algumas semanas após o teste.
Esta capacidade acontece porque, ao contrário dos animais, as plantas não se podem movimentar. Por isso, precisam de aprender de forma mais rápida a adaptarem-se ao ambiente, um processo que é possível devido a uma sofisticada rede à base de cálcio, que se assemelha ao processo de memória dos animais.

Os investigadores recorreram a teste que consistiam em deixar cair água, repetidamente, nas folhas da dormideira, tanto em ambientes de muita e pouca luz – a dormideira dobra as folhas como resposta às gotas de água. O teste demonstrou que a dormideira deixou de fechar as folhas quando percebeu que as gotas de água que, repetidamente, caiam sobre si, não tinham nenhuma consequência nefasta. Assim, a planta pôde aprender e adquirir um novo comportamento em segundos. A aprendizagem foi mais rápida em ambientes menos favoráveis – tal como nos animais. Paralelamente, as plantas puderam relembrar-se do que tinham aprendido durante várias semanas, até quando as condições do seu ambiente mudaram.

Daniel Chamovitz, director do Manna Center for Plant Biosciences da Universidade de Tel Aviv, vai mais longe no estudo das plantas, afirmando que estas podem sentir, ver, cheirar e recordar. Um mundo realmente surpreendente. 

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

O avanço imparável de ervas daninhas resistentes aos pesticidas (superweeds) nos campos agrícolas transgénicos nos EUA

May 6, 2010, 6:12 pm

Invasion of the Superweeds By NY Times

Graphic: Where Weedkiller Won’t Work (clica no link para veres a infografia)

American farmers’ broad use of the weedkiller glyphosphate — particularly Roundup, which was originally made by Monsanto — has led to the rapid growth in recent years of herbicide-resistant weeds. To fight them, farmers are being forced to spray fields with more toxic herbicides, pull weeds by hand and return to more labor-intensive methods like regular plowing.

What should farmers do about these superweeds? What does the problem mean for agriculture in the U.S.? Will it temper American agriculture’s enthusiasm for genetically modified crops that are engineered to survive spraying with Roundup?

Palmer amaranth, or pigweed, is a particularly tenacious Roundup-resistant pest that has been known to damage harvesting equipment.

Lê atentamente as intervenções de 6 pesquisadores acerca desta tragédia (previsível?) que se abateu sobre a agricultura nos EUA (e não só):

    domingo, 11 de abril de 2010

    O Dilema do Omnívoro - Michael Pollan


    O autor americano fez uma espécie de genealogia da comida ao percorrer, em marcha a ré, a trajetória do alimento da mesa até sua origem mais remota. Muito além do jornalismo, dá absolutamente todas as explicações a respeito de cada ingrediente consumido diariamente. Ao contrário dos que tentam esquecer os abusos da indústria alimentar, Michael Pollan leu o rótulo e viajou até o pedaço de terra onde cada substância foi plantada. Percebeu que identificar o desenvolvimento, a manipulação e a industrialização das comidas processadas exige talento de um detetive ecológico, munido de coragem e destreza. No início dessa investigação retrospectiva da cadeia alimentar, o autor descobriu a omnipresença do milho, que alimenta não só a galinha como o cordeiro e o salmão! Obra da superprodução dessas calorias baratas conquistada pela agricultura americana. Seja nos refrigerantes, no creme para o café, na fruta em lata ou nas misturas para bolos, o grão é superestimado pela indústria, apesar de seus conhecidos danos à saúde. Por isso Pollan visitou campos cultivados, pilotou tratores em milharais e fez perguntas capciosas aos produtores, obrigados a tornar cada processo transparente e acessível ao leigo. O jornalista devassou o processamento da comida em todos os seus aspectos, até o das propostas aparentemente mais saudáveis. Quando descobriu as fazendas "orgânicas industriais", surpreendeu-se com a contradição da proposta: numa grande cadeia de lojas de produtos orgânicos, o rótulo do frango "Rosie" afirmava ser "criado em liberdade". Ao seguir seus traços até o abrigo em que vivia, verificou que, a não ser pelo certificado orgânico de sua ração, também era mantido em cárceres como os das galinhas confinadas em quintas industriais. Michael Pollan visitou matadouros e delatou a brutalidade com que os animais são abatidos nos Estados Unidos, segundo ele, sem precedentes em todo o mundo. A certa altura, foi à caça de um porco para se consciencializar da agonia do bicho, estripando-o e o preparando para um jantar feito apenas com ingredientes que ele próprio colectou. Trata-se de um impressionante e detalhado tratado sobre alimentação que, pela competência e incansável pesquisa do autor, foi incluído nas listas dos melhores livros do ano das principais publicações americanas.

    E-livro aqui

    quinta-feira, 28 de agosto de 2008

    Documentário Food Inc * Alimentos SA

    Foodinc from Dutch Customs on Vimeo.


    O filme “Alimentos SA”, mostra-nos como é que as substâncias invisíveis se impuseram no mercado.

    A factura deste novo regime alimentar não é contabilizável: são as doenças da civilização, como a obesidade, a diabetes, as doenças cardiovasculares, a hipertensão, o stress e um conjunto específico de cancros relacionados com a dieta.

    Deu-se a industrialização de toda uma cadeia alimentar, com um inerente processo de simplificação química e biológica. E aqui estamos, perante uma espantosa variedade de produtos alimentares a par de uma redução de alimentos, já que milhares de variedades de origem vegetal e animal deixaram de ser comercializados no último século. É este o paradoxo mais gritante do nosso tempo: dizem que comemos melhor, no entanto é a medicina que está a manter vivas as pessoas, porque o regime alimentar ocidental, faz adoecer.

    sexta-feira, 17 de novembro de 2006

    How Margaret Mead's research into utopias helped usher in the psychedelic era


    Pioneering anthropologist Margaret Mead came of age in a time of enormous change and uncertainty. In the aftermath of World War I, as technologies like the radio and automobile began to take hold, Mead and her husband Gregory Bateson began to formulate a vision for utopia that relied upon plant-based psychedelics.

    "They saw science as something which was responsible for some of the bad things in the world," historian Benjamin Breen says, "but also [as] something which could be a tool for fixing the world or healing a sick society."

    Breen is an associate professor of history at the University of California Santa Cruz. He says Mead's research began as an effort to understand the science of expanded consciousness and hypnosis. Her specific interest in psychedelics took hold in 1930 when, while doing fieldwork on the Omaha Reservation in Nebraska, she noticed that people of the reservation were using peyote.

    "Rather than seeing peyote use among the Omaha as something which predates the modern era and goes back to this ancient tradition, she came to see it as something which was modern," Breen says. "And it allowed people — and not just the Omaha — but potentially people in the rest of the world, to cope with the rapid technological changes they were going through."


    During World War II, Mead and Bateson worked on a team that sought to use hypnosis and mind altering drugs in the fight against fascism. Later experiments went even further afield, with an effort to use LSD to teach dolphins how to talk.

    In his new book, Tripping on Utopia, Breen writes about Mead and Bateson's early scientific research into psychedelic substances — and how their research led to secret CIA experiments using psychedelics for interrogation.

    Fonte: NRP

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    'Reluctant Psychonaut' Michael Pollan Embraces The 'New Science' Of Psychedelics