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sábado, 18 de maio de 2024

Thich Nhat Hanh - A Poem on Peace and Compassion


"Let us be at peace with our bodies and our minds.
Let us return to ourselves and become wholly ourselves.
Let us be aware of the source of being,
common to us all and to all living things.

Evoking the presence of the Great Compassion,
let us fill our hearts with our own compassion- towards ourselves and
towards all living beings.

Let us pray that we ourselves cease to be
the cause of suffering to each other.

With humility, with awareness of the existence of life, and of the suffering that are going on around us,
let us practice the establishment of peace in our hearts and on earth."

Thich Nhat Hanh

sábado, 22 de janeiro de 2022

Thich Nhat Hanh - vida e obra

O amado professor e ativista dos direitos civis foi um pioneiro do budismo engajado que popularizou a atenção plena em todo o mundo.
Thich Nhat Hanh com o Dr. Martin Luther King Jr. em uma coletiva de imprensa conjunta em 31 de maio de 1966 Chicago Sheraton Hotel | Cortesia da Comunidade Plum Village do Budismo Engajado

O mestre zen vietnamita Thich Nhat Hanh - um líder espiritual, autor, poeta e ativista da paz de renome mundial - morreu neste sábado (22) à meia-noite (horário local), em seu templo raiz, o Templo Tu Hien, em Hue, Vietnã. Ele tinha 95 anos.

“Nosso amado professor Thich Nhat Hanh faleceu em paz”, disse sua sangha, a Plum Village Community of Engaged Buddhism, em um comunicado. “Convidamos nossa família espiritual global a tirar alguns momentos para ficar quieta, para voltar à nossa respiração consciente, enquanto juntos mantemos Thay em nossos corações em paz e gratidão amorosa por tudo que ele ofereceu ao mundo.”

Estava Com A Saúde Debilitada

Thich Nhat Hanh estava com a saúde em declínio desde que sofreu uma grave hemorragia cerebral em novembro de 2014, e logo após seu aniversário de 93 anos em 10 de outubro de 2019, ele deixou o Templo Tu Hien para visitar um hospital em Bangkok e ficou por algumas semanas em Thai Plum Village em Pak Chong, perto do Parque Nacional Khao Yai, antes de retornar a Hue em 4 de janeiro de 2020. Ele havia retornado ao Vietnã no final de 2018, expressando o desejo de passar os dias restantes em seu templo raiz.

Conhecido Como Professor, Foi Autor De Cerca De 100 Livros

Conhecido por seus milhares de seguidores em todo o mundo como Thây - vietnamita para professor - Nhat Hanh era amplamente considerado entre os budistas, perdendo apenas para Sua Santidade o 14º Dalai Lama no escopo de sua influência global. Autor de cerca de 100 livros – 75 em inglês – fundou nove mosteiros e dezenas de centros de prática afiliados e inspirou a criação de milhares de comunidades locais de mindfulness. Nhat Hanh é creditado por popularizar a atenção plena e o “budismo engajado” (ele cunhou o termo), ensinamentos que não apenas são centrais para a prática budista contemporânea, mas também penetraram no mainstream. Por muitos anos, Thich Nhat Hanh tem sido uma visão familiar em todo o mundo, liderando longas filas de pessoas em silenciosa meditação andando “consciente”.

É difícil exagerar a importância do papel de Thich Nhat Hanh no desenvolvimento do budismo no Ocidente, particularmente nos Estados Unidos. Ele foi sem dúvida o catalisador mais significativo para o envolvimento da comunidade budista com as preocupações sociais, políticas e ambientais. Hoje, esse aspecto do budismo ocidental é amplamente aceito, mas quando Nhat Hanh começou a ensinar regularmente na América do Norte, o ativismo era altamente controverso nos círculos budistas, desaprovado pela maioria dos líderes budistas, que o consideravam uma distração do foco no despertar. Em uma época em que o budismo ocidental era notavelmente paroquial, a visão não sectária de Nhat Hanh motivou muitos professores a alcançar e construir laços com outras comunidades e tradições do dharma. Não seria exagero dizer que sua visão inclusiva lançou as bases para o florescimento de publicações budistas, incluindo Tricycle, nos últimos 35 anos.

Embora Thich Nhat Hanh fosse um professor e líder singular e inovador, ele também estava imerso na tradição budista de seu Vietnã natal. Mais do que qualquer outro mestre zen, ele trouxe o caráter essencial do budismo vietnamita – ecumênico, cosmopolita, politicamente engajado, artisticamente orientado – à mistura de influências culturais que alimentaram o desenvolvimento do budismo no Ocidente.

Nascido Nguyen Xuan Bao no centro do Vietnã em 1926, Nhat Hanh tinha 16 anos quando se juntou ao Templo Tu Hieu em Hue como monge noviço na escola Linchi (Rinzai em japonês) do Zen vietnamita. Ele estudou na Academia Budista Bao Quoc, mas ficou insatisfeito com o conservadorismo dos ensinamentos e procurou tornar a prática budista mais relevante para a vida cotidiana. (De forma reveladora, ele foi o primeiro monge no Vietnã a andar de bicicleta.) Buscando se expor às ideias modernas, estudou ciências na Universidade de Saigon, retornando mais tarde para a Academia Budista, que incorporou algumas das reformas que ele havia proposto. Nhat Hanh recebeu a ordenação completa em 1949 em Tu Hieu, onde seu professor primário foi o mestre Zen Thanh Quý Chân Thậ.

Nos anos 1950 e início dos anos 1960, Nhat Hanh assumiu papéis de liderança que eram precursores da escrita prolífica e do ativismo implacável que seu futuro reservava. No início dos anos 50, ele iniciou uma revista, The First Lotus Flowers of the Season, para visionários que promoviam reformas, e mais tarde editou o Budismo Vietnamita, um periódico da Igreja Budista Unificada do Vietnã (UBCV), grupo que reunia várias seitas budistas em resposta à perseguição do governo na época. Em 1961, o budismo vietnamita foi fechado por líderes budistas conservadores, mas Nhat Hanh continuou a escrever em oposição à repressão do governo e à guerra que estava aumentando no Vietnã.

Nhat Hanh viajou pela primeira vez para os Estados Unidos em 1961, para estudar religião comparada na Universidade de Princeton. No ano seguinte, foi convidado a ensinar budismo na Universidade de Columbia. Em 1963, quando o regime de Diem aumentou a pressão sobre os budistas vietnamitas, Nhat Hanh viajou pelos Estados Unidos para obter apoio para os esforços de paz em casa. Após a queda de Diem, ele retornou ao Vietnã e, em 1964, dedicou-se ao ativismo pela paz ao lado de outros monges. Nhat Hanh tornou-se um oponente amplamente visível da guerra e estabeleceu a Escola da Juventude para Serviço Social (SYSS), um programa de treinamento para trabalhadores da paz budistas que trouxe educação, assistência médica e infraestrutura básica para vilarejos em todo o Vietnã. Em fevereiro de 1966, com seis líderes da SYSS, ele estabeleceu a Ordem do Interser, uma sangha internacional dedicada à paz interior e à justiça social, guiada por seu profundo compromisso ético com a interdependência entre todos os seres.

Em 1º de maio de 1966, no Templo Tu Hieu, Nhat Hanh recebeu a transmissão do dharma do Mestre Chan That, tornando-se um professor da linha do dharma Lieu Quan na quadragésima segunda geração da escola Lam Te Dhyana. Pouco depois, ele viajou pela América do Norte, pedindo o fim das hostilidades em seu país. Ele pediu ao secretário de Defesa dos EUA, Robert S. McNamara, que pare de bombardear o Vietnã e, em uma entrevista coletiva, esboçou uma proposta de paz de cinco pontos. Nessa viagem, ele também se encontrou com o monge trapista, ativista social e autor Thomas Merton na abadia de Merton em Kentucky. Reconhecendo uma alma gêmea, Merton mais tarde publicou um ensaio, “Nhat Hanh é meu irmão”.

Enquanto nos EUA, Nhat Hanh exortou o reverendo Dr. Martin Luther King Jr. a condenar publicamente a guerra no Vietnã. Em abril de 1967, King se manifestou contra a guerra em um famoso discurso na Riverside Church de Nova York. Prêmio Nobel, King nomeou Nhat Hanh para o Prêmio Nobel da Paz em uma carta ao Comitê Nobel que chamou o monge vietnamita de “um apóstolo da paz e da não violência, cruelmente separado de seu próprio povo enquanto eles são oprimidos por uma guerra cruel”. Nhat Hanh não recebeu o Prêmio Nobel da Paz: ao anunciar publicamente a indicação, King violou uma proibição estrita do Comitê do Nobel.

Impedido De Retornar À Sua Terra Natal

O ativismo antiguerra e a recusa de Thich Nhat Hanh em tomar partido enfureceram tanto o Vietnã do Norte quanto o do Sul, e após sua turnê pelos EUA e Europa, ele foi impedido de retornar à sua terra natal. Ele recebeu asilo na França, onde foi nomeado para liderar a delegação de paz budista aos Acordos de Paz de Paris. Em 1975, Nhat Hanh fundou Les Patates Douce, ou a comunidade “Sweet Potato” perto de Paris. Em 1982, mudou-se para Dordogne no sudoeste da França e foi renomeado Plum Village. O que começou como uma pequena sangha rural desde então se transformou em um lar para mais de 200 monges e cerca de 8.000 visitantes anuais. Sempre um forte defensor das crianças, Nhat Hanh também fundou a Wake Up, uma rede internacional de sanghas para jovens.

Após 39 anos no exílio, Nhat Hanh retornou ao Vietnã pela primeira vez em 2005 e novamente em 2007. Durante essas visitas, ele deu ensinamentos a multidões de milhares e também se encontrou com o presidente vietnamita em exercício, Nguyen Minh Triet. Embora recebidas com alarde considerável, as viagens também provocaram críticas dos ex-colegas de Nhat Hanh na UBCV, que achavam que as visitas davam credibilidade a um regime opressor. Mas consistente com sua posição de muitos anos, Nhat Hanh fez propostas públicas e privadas instando o governo vietnamita a aliviar suas restrições à prática religiosa.

Viajou Pelo Mundo Ensinando E Liderando

Fluente em inglês, francês e chinês, além de vietnamita, Nhat Hanh continuou a viajar pelo mundo ensinando e liderando retiros até seu derrame em 2014, que o deixou incapaz de falar. Mas o legado de Nhat Hanh continua em seu vasto catálogo de trabalhos escritos, que inclui ensinamentos acessíveis, erudição rigorosa, comentários bíblicos, pensamento político e poesia. Amado por seus versos calorosos e evocativos, Nhat Hanh publicou uma coleção de poesia intitulada Call Me By My True Names em 1996. Seu trabalho instrutivo e explicativo inclui Vietnam: Lotus in a Sea of Fire, publicado em 1967, e best-sellers como Peace is Every Step (1992), The Miracle of Mindfulness (1975, reeditado em 1999) e Living Buddha, Living Christ (1995).

Além de seus seguidores em todo o mundo, Nhat Hanh deixa para trás muitos irmãos e irmãs próximos no dharma, principalmente a irmã Chan Khong. Amiga de longa data e ativista por direito próprio, ela assumiu um papel de liderança mais pronunciado na sangha nos últimos anos.

Saber mais:
Zen Master

sábado, 26 de maio de 2018

O cosmos radiante, por Thich Nhat Hanh

Réka Zsirmon
“O cosmos radiante e elegante que podemos observar é na verdade a nossa própria consciência e não algo exterior a ela” ~ Thich Nhat Hanh

sábado, 28 de abril de 2018

Caminha comigo - uma viagem pela atenção plena com Thich Nhat Hanh


Narrado por Benedict Cumberbatch, Caminha Comigo é um trajecto cinematográfico pelo mundo da mindfulness (atenção plena) – o exercício de focar a nossa atenção no momento presente – e do famoso Mestre Thich Nhat Hanh, conhecido como o "Pai da Mindfulness". Filmado ao longo de três anos e com um acesso sem precedentes, o filme proporciona a descoberta rara de uma comunidade de pessoas que deixou a sua família e prescindiu de todos os seus bens para se juntar a Thich Nhat Hanh no mosteiro Plum Village, em França, e com ele praticar a arte da mindfulness.


Nascido no Vietname a 11 de outubro de 1926, Thich Nhat Hanh é um monge budista que se tornou mundialmente conhecido devido às suas acções pacifistas na luta pelos direitos humanos. Em Saigão, no início dos anos 60, enquanto decorria a Guerra entre o Vietname e os EUA, fundou a Escola de Serviço Social da Juventude, uma organização de apoio popular que se dedicou à reconstrução de aldeias bombardeadas, ajuda às famílias deslocadas e à criação de escolas e centros médicos. Reunindo cerca de dez mil estudantes voluntários, a organização baseou o seu trabalho nos princípios budistas da compaixão e não-violência. Depois de, em 1966, visitar os EUA e a Europa, numa missão de paz, foi proibido de entrar no seu país-natal sendo obrigado a adquirir o estatuto de refugiado político em França. Passava a maior parte do seu tempo em Plum Village, uma comunidade budista localizada no sul de França, criada por si e por Chân Không, onde são regularmente organizados retiros espirituais.

Um filme de Marc J.Francis e Max Pugh
Com Thich Nhat Hanh
Narrado por Benedict Cumberbatch | M/14

segunda-feira, 23 de abril de 2018

Thich Nhat Hanh- We Need a Revolution: It Starts with Falling in Love with the Earth


We and the Earth are One

The Earth is our mother, nourishing and protecting us in every moment–giving us air to breathe, fresh water to drink, food to eat and healing herbs to cure us when we are sick. Every breath we inhale contains our planet’s nitrogen, oxygen, water vapor and trace elements. When we breathe with mindfulness, we can experience our interbeing with the Earth’s delicate atmosphere, with all the plants, and even with the sun, whose light makes possible the miracle of photosynthesis. With every breath, we can experience communion. With every breath, we can savor the wonders of life.

We need to change our way of thinking and seeing things. We need to realise that the Earth is not just our environment. The Earth is not something outside of us. Breathing with mindfulness and contemplating your body, you realise that you are the Earth. You realise that your consciousness is also the consciousness of the Earth. Look around you–what you see is not your environment, it is you.

Great Mother Earth

Whatever nationality or culture we belong to, whatever religion we follow, whether we’re Buddhists, Christians, Muslims, Jews, or atheists, we can all see that the Earth is not inert matter. She is a great being, who has herself given birth to many other great beings–including Buddhas and bodhisattvas, prophets and saints, sons and daughters of God and humankind. The Earth is a loving mother, nurturing and protecting all peoples and all species without discrimination.

When you realise the Earth is so much more than simply your environment, you’ll be moved to protect her in the same way as you would yourself. This is the kind of awareness, the kind of awakening that we need, and the future of the planet depends on whether we’re able to cultivate this insight or not. The Earth and all species on Earth are in real danger. Yet if we can develop a deep relationship with the Earth, we’ll have enough love, strength and awakening in order to change our way of life.

Falling in Love

We can all experience a feeling of deep admiration and love when we see the great harmony, elegance and beauty of the Earth. A simple branch of a cherry blossom, the shell of a snail or the wing of a bat–all bear witness to the Earth’s masterful creativity. Every advance in our scientific understanding deepens our admiration and love for this wondrous planet. When we can truly see and understand the Earth, love is born in our hearts. We feel connected. That is the meaning of love: To be at one.

Only when we’ve truly fallen back in love with the Earth will our actions spring from reverence, and the insight of our interconnectedness. Yet many of us have become alienated from the Earth. We are lost, isolated and lonely. We work too hard, our lives are too busy, and we are restless and distracted, losing ourselves in consumption. But the Earth is always there for us, offering us everything we need for our nourishment and healing: The miraculous grain of corn, the refreshing stream, the fragrant forest, the majestic snow-capped mountain peak, and the joyful birdsong at dawn.

True Happiness is Made of Love

Many of us think we need more money, more power or more status before we can be happy. We’re so busy spending our lives chasing after money, power and status that we ignore all the conditions for happiness already available. At the same time, we lose ourselves in buying and consuming things we don’t need, putting a heavy strain on both our bodies and the planet. Yet much of what we drink, eat, watch, read or listen to, is toxic and is polluting our bodies and minds with violence, anger, fear and despair.

As well as the carbon dioxide pollution of our physical environment, we can speak of the spiritual pollution of our human environment: The toxic and destructive atmosphere we’re creating with our way of consuming. We need to consume in such a way that truly sustains our peace and happiness. Only when we’re sustainable as humans will our civilization become sustainable. It is possible to be happy in the here and the now.

We don’t need to consume a lot to be happy; in fact, we can live very simply. With mindfulness, any moment can become a happy moment. Savoring one simple breath, taking a moment to stop and contemplate the bright blue sky, or to fully enjoy the presence of a loved one, can be more than enough to make us happy. Each one of us needs to come back to reconnect with ourselves, with our loved ones and with the Earth. It’s not money, power or consuming that can make us happy, but having love and understanding in our heart.

The Bread in Your Hand is the Body of the Cosmos

We need to consume in such a way that keeps our compassion alive. And yet many of us consume in a way that is very violent. Forests are cut down to raise cattle for beef, or to grow grain for liquor, while millions in the world are dying of starvation. Reducing the amount of meat we eat and alcohol we consume by 50% is a true act of love for ourselves, for the Earth and for one another. Eating with compassion can already help transform the situation our planet is facing, and restore balance to ourselves and the Earth.

Nothing is More Important than Brotherhood and Sisterhood

There’s a revolution that needs to happen and it starts from inside each one of us. We need to wake up and fall in love with Earth. We’ve been homo sapiens for a long time. Now it’s time to become homo conscious. Our love and admiration for the Earth has the power to unite us and remove all boundaries, separation and discrimination. Centuries of individualism and competition have brought about tremendous destruction and alienation. We need to re-establish true communication–true communion–with ourselves, with the Earth, and with one another, as children of the same mother. We need more than new technology to protect the planet. We need real community and co-operation.

All civilisations are impermanent and must come to an end one day. But if we continue on our current course, there’s no doubt that our civilisation will be destroyed sooner than we think. The Earth may need millions of years to heal, to retrieve her balance and restore her beauty. She will be able to recover, but we humans and many other species will disappear, until the Earth can generate conditions to bring us forth again in new forms. Once we can accept the impermanence of our civilization with peace, we will be liberated from our fear. Only then will we have the strength, awakening and love we need to bring us together. Cherishing our precious Earth–falling in love with the Earth–is not an obligation. It is a matter of personal and collective happiness and survival.

Fonte:Up Lift Connect

domingo, 20 de setembro de 2015

The Time to Act is Now - A Buddhist Declaration on Climate Change


Today we live in a time of great crisis, confronted by the gravest challenge that humanity has ever faced: the ecological consequences of our own collective karma. The scientific consensus is overwhelming: human activity is triggering environmental breakdown on a planetary scale. Global warming, in particular, is happening much faster than previously predicted, most obviously at the North Pole. For hundreds of thousands of years, the Arctic Ocean has been covered by an area of sea-ice as large as Australia—but now this is melting rapidly. In 2014 the Intergovernmental Panel on Climate Change (IPCC) forecast that the Arctic may be free of summer sea ice by mid-century. Other senior scientists consider this may happen within a decade.

Glaciers all over the world are also receding quickly. If current economic policies continue, the glaciers of the Tibetan Plateau, source of the great rivers that provide water for billions of people in Asia, are likely to disappear by mid-century. Severe droughts and crop failures are already affecting many countries. Major reports—from the IPCC, United Nations, European Union, and International Union for Conservation of Nature—agree that, without a collective change of direction, dwindling supplies of water, food and other resources could create widespread famine conditions, resource battles, and mass migration by mid-century—by 2030, according to the U.K.’s chief scientific advisor.

Global warming plays a major role in other ecological crises, including the loss of many plant and animal species that share this Earth with us. Oceanographers report that half the carbon released by burning fossil fuels has been absorbed by the oceans, increasing their acidity by about 30%. Acidification is disrupting calcification of shells and coral reefs, as well as threatening plankton growth, the source of the food chain for most life in the sea.

Eminent biologists and U.N. reports concur that “business-as-usual” will drive half of all species on Earth to extinction within this century. Collectively, we are violating the first precept—“do not harm living beings”—on the largest possible scale. And we cannot foresee the biological consequences for human life when so many species that invisibly contribute to our own well-being vanish from the planet.

Many scientists have concluded that the survival of human civilization is at stake. We have reached a critical juncture in our biological and social evolution. There has never been a more important time in history to bring the resources of Buddhism to bear on behalf of all living beings. The four noble truths provide a framework for diagnosing our current situation and formulating appropriate guidelines—because the threats and disasters we face ultimately stem from the human mind, and therefore require profound changes within our minds. If personal suffering stems from craving and ignorance—from the three poisons of greed, ill will, and delusion—the same applies to the suffering that afflicts us on a collective scale. Our ecological emergency is a larger version of the perennial human predicament. Both as individuals and as a species, we suffer from a sense of self that feels disconnected not only from other people but from the Earth itself. As Thích Nhất Hạnh has said, “We are here to awaken from the illusion of our separateness.” We need to wake up and realize that the Earth is our mother as well as our home—and in this case the umbilical cord binding us to her cannot be severed. When the Earth becomes sick, we become sick, because we are part of her.

Our present economic and technological relationships with the rest of the biosphere are unsustainable. To survive the rough transitions ahead, our lifestyles and expectations must change. This involves new habits as well as new values. The Buddhist teaching that the overall health of the individual and society depends upon inner well-being, and not merely upon economic indicators, helps us determine the personal and social changes we must make.

Individually, we must adopt behaviors that increase everyday ecological awareness and reduce our “carbon footprint”. Those of us in the advanced economies need to retrofit and insulate our homes and workplaces for energy efficiency; lower thermostats in winter and raise them in summer; use high efficiency light bulbs and appliances; turn off unused electrical appliances; drive the most fuel-efficient cars possible, and reduce meat consumption in favor of a healthy, environmentally-friendly plant-based diet.

These personal activities will not by themselves be sufficient to avert future calamity. We must also make institutional changes, both technological and economic. We must “de-carbonize” our energy systems as quickly as feasible by replacing fossil fuels with renewable energy sources that are limitless, benign and harmonious with nature. We especially need to halt the construction of new coal plants, since coal is by far the most polluting and most dangerous source of atmospheric carbon. Wisely utilized, wind power, solar power, tidal power, and geothermal power can provide all the electricity that we require without damaging the biosphere. Since up to a quarter of world carbon emissions result from deforestation, we must reverse the destruction of forests, especially the vital rainforest belt where most species of plants and animals live.

It has recently become quite obvious that significant changes are also needed in the way our economic system is structured. Global warming is intimately related to the gargantuan quantities of energy that our industries devour to provide the levels of consumption that many of us have learned to expect. From a Buddhist perspective, a sane and sustainable economy would be governed by the principle of sufficiency: the key to happiness is contentment rather than an ever-increasing abundance of goods. The compulsion to consume more and more is an expression of craving, the very thing the Buddha pinpointed as the root cause of suffering.

Instead of an economy that emphasizes profit and requires perpetual growth to avoid collapse, we need to move together towards an economy that provides a satisfactory standard of living for everyone while allowing us to develop our full (including spiritual) potential in harmony with the biosphere that sustains and nurtures all beings, including future generations. If political leaders are unable to recognize the urgency of our global crisis, or unwilling to put the long-term good of humankind above the short-term benefit of fossil-fuel corporations, we need to challenge them with sustained campaigns of citizen action.

Dr James Hansen of NASA and other climatologists have recently defined the precise targets needed to prevent global warming from reaching catastrophic “tipping points.” For human civilization to be sustainable, the safe level of carbon dioxide in the atmosphere is no more than 350 parts per million (ppm). This target has been endorsed by the Dalai Lama, along with other Nobel laureates and distinguished scientists. Our current situation is of profound concern since the level is already 400 ppm, and has been rising at 2 ppm per year. We are challenged not only to reduce carbon emissions, but also to remove large quantities of carbon gas already present in the atmosphere.

As signatories to this statement of Buddhist principles, we acknowledge the urgent challenge of climate change. We join with the Dalai Lama in endorsing the 350 ppm target. In accordance with Buddhist teachings, we accept our individual and collective responsibility to do whatever we can to meet this target, including (but not limited to) the personal and social responses outlined above.

We have a brief window of opportunity to take action, to preserve humanity from imminent disaster and to assist the survival of the many diverse and beautiful forms of life on Earth. Future generations, and the other species that share the biosphere with us, have no voice to ask for our compassion, wisdom, and leadership. We must listen to their silence. We must be their voice, too, and act on their behalf.

terça-feira, 19 de maio de 2015

Thich Nhat Hanh - No Mud, No Lotus, The Art of Transforming Suffering (2014)

Awakening the Heart ~ by Thich Nhat Hanh ~ The Practice of Inner Transformation


"A forma mais eficaz de mostrar compaixão para com outro é ouvir, mais do que falar. Tens a oportunidade de praticar uma escuta profunda e compassiva. Se conseguires escutar a outra pessoa com compaixão, a tua escuta será como um curativo para a sua ferida. Na prática de escuta compassiva, ouves com apenas um propósito, que é o de dar à outra pessoa uma possibilidade de ser ouvida e de sofrer menos.

Esta prática requer concentração estável e atenção à respiração, para te absteres de interromper ou tentar corrigir o que estás a ouvir. Enquanto a outra pessoa fala, podes ouvir muita amargura, percepções erradas, e acusações no seu discurso. Se deixares que estas coisas toquem na tua própria raiva, perderás a capacidade de ouvir profundamente.
Em vez disso, mantém-te fiel ao teu verdadeiro propósito e lembra-te: "Escutando assim, o meu único objectivo é ajudar a outra pessoa a sofrer menos. Ela poderá estar cheia de percepções erradas, mas eu não interromperei. Se eu entrar com a minha perspectiva das coisas ou corrigi-la, isto tornar-se-á um debate, não uma prática de escuta profunda. Noutra altura, poderá haver a possibilidade de lhe oferecer informação para que ela possa mudar a sua percepção errada. Mas não agora."[...]

Quando tiveres compreendido o seu sofrimento e estiveres pronto para falar, a tua voz conterá compaixão. Podes usar um discurso amoroso, sem julgamento ou culpa. Podes dizer algo como, "Não é minha intenção fazer-te sofrer. Eu não compreendia o teu sofrimento. Peço desculpa. Por favor ajuda-me ao contar-me as tuas lutas e dificuldades. Preciso de ajuda para te compreender." Ou poderás dizer,

"Sei que sofreste muito estes últimos anos. Não fui capaz de te ajudar a sofrer menos. Em vez disso, piorei a situação. Reagi com fúria e teimosia, e em vez de te ajudar, fiz-te sofrer mais. Peço-te muita desculpa." Muitos de nós já não conseguem utilizar este tipo de linguagem com a outra pessoa, porque sofremos tanto. Mas quando praticamos conscientemente a escuta profunda e o discurso amoroso, tanta cura e felicidade são possíveis."

sábado, 1 de fevereiro de 2014

Thich Nhat Hanh- Teachings on Love

Foto: Markus Keller

“Através do meu amor por ti, quero expressar o meu amor pelo inteiro cosmos, por toda a humanidade e por todos os seres. Vivendo contigo, quero aprender a amar todos e todas as espécies. Se conseguir amar-te, serei capaz de amar todos e todas as espécies na Terra”. Esta é a verdadeira mensagem do amor”

Thich Nhat Hanh, Teachings on Love, Berkely, Parallax Press, 1998, p.98.

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

Thich Nhat Hanh- O Mundo que Temos...


“[…] O nosso sofrimento não é apenas o nosso sofrimento. […] É o sofrimento de todas as anteriores gerações, humanas e não-humanas. É também o sofrimento da consciência colectiva da nossa própria época. Temos a nossa herança genética, mas também entre-somos com todas as espécies vivas connosco agora neste planeta. Podemos não viver numa zona de guerra, mas nos mais profundos níveis da nossa consciência recebemos os efeitos do sofrimento das pessoas que vivem onde há guerra. Na nossa mente consciente podemos nunca estar conscientes disso, mas a nossa mente inconsciente está ciente do sofrimento que está a acontecer por toda a parte” - Thich Nhat Hanh, The World We Have, 2008, pp.31-32.

Biografia
wiki

Sítios relevantes
Plum Village
Zen Master

sexta-feira, 17 de abril de 2009

Thich Nhat Hanh - Exercícios de atenção plena: Tu mesmo

Anthocharis cardamines - fêmea

“Exercícios de atenção plena: Tu mesmo
Senta-te num quarto escuro ou sozinho junto de um rio à noite ou noutro lugar qualquer onde haja solidão. Começa a prestar atenção à tua respiração. Faz surgir o pensamento: “Vou usar o meu dedo para me apontar a mim mesmo”. E então, em vez de apontar para o teu corpo, aponta na direcção oposta. Contempla ver-te a ti mesmo fora da tua forma corporal. Contempla ver a tua forma corporal presente diante de ti – nas árvores, na relva e nas folhas, no rio. Sê consciente de que estás no universo e o universo está em ti: se o universo é, tu és; se tu és, o universo é. Não há nascimento. Não há morte. Não há vir. Não há ir. Mantém o semi-sorriso. Presta atenção à tua respiração. Contempla durante 10 a 20 minutos”
- Thich Nhat Hanh, The Miracle of Mindfulness, Rider, 1988, pp.89-90.

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2006

Ainda Educação Ambiental e Religião: Tabu ou abertura, mesmo na Educação Ambiental?


Quando se fala em religião há sempre um certo tabú?? Não acham?? Levanta-se a poeira do acriticismo ou do laicismo e insurgem-se grupos (pseudo)religiosos extremistas, confiantes e a acharem-se os donos da verdade e da fé?
Outros à espera do Reino de Deus futuro, quando não fazem quase nada para servir com alguma dignidade e humildade os mandamentos e textos sagrados no seu dia-a-dia?
Muitos refugiando-se no consumismo, no materialismo e noutros ismos, prejudicando a si e ao planeta, numa busca incompreensiva de felicidade e apoiados numa visão muito egocêntrica do mundo?
A curto, a médio ou a longo prazo, nas nossas vidas, a religião/espiritualidade vem ter connosco, mesmo aos ateístas e agnósticos mais convictos....independentemente da cor, do sexo, da idade, profissão, de língua,  de opinião política.
A religião que podia ser uma planície de reflexão, de enriquecimento e de ajuda ética, é hoje em dia, fruto de muitas divisões e sectarismos, fracturada, vilipendiada e arma de arremesso entre políticas de guerra e de poder, de contra-informação...misturada em conflitos socioambientais (água, petróleo, recursos pesqueiros, etc).
Não defendo que cristãos, muçulmanos, budistas, etc criem movimentos católicos/muçulmanos/budistas/etc ambientalistas, p.ex...mas defendo que os teóricos/arautos de cada religião abram as suas perspectivas a todos....para todos...e promovam o diálogo entre religiões e que as promovam entre o seu "rebanho" orientando-os também para estas questões socioambientais.
Deixo-vos mais um testemunho, que me foi enviado por mail e que levanta mais questões importantes.
Quer queiramos quer não a Religião é um facto cultural humano de enorme importância...No fundo o que as une é o questionamento da vida e da morte...da dor e do amor....Vamos dar uma força de maior transparência religiosa na estratégia de Ecodesenvolvimento....No caminho da Paz e da Carta da Terra.


Por Alberto Vieira da Silva, Mestrando em Educação Ambiental; licenciado em Gestão de Empresas (ISCTE, Lisboa); actualmente responsável pelo Sistema de Informação de Alta Gestão na Reitoria da Unisul (Universidade do Sul de Catarina, Brasil)


Prezado João Soares
Concordo com a sua colocação abaixo e achei esse texto bem interessante, do ponto de vista das sinapses (ou falta delas) entre os diferentes aspectos de nossa cultura ocidental, e não só. Qualquer abordagem religiosa tradicional tem como objetivo a purificação do ser humano e, portanto, uma aproximação progressiva a algo transcendente, seja qual for o nome que lhe seja dado e em qualquer religião.
Porém, é surpreendente como, de um modo geral, as pessoas soi-disant envolvidas com a prática religiosa - vulgo praticantes, que devem ser a maioria da população - não conduzem seus co-religionários à reflexão, que bem poderia retornar comportamentos ambientais ou, pelo menos, pró-ambientais. Se, como se acredita, a maior parte das pessoas tem uma religião, e diz praticá-la, como pode haver tanto lixo, tanta sujeira, tanta concentração química e bio-química prejudicial no ar, na terra e na água?... tanta... destruição perpetrada pelo ser humano contra a Natureza e contra si mesmo? ...
Um sura do Corão diz assim: Deus é belo e ama a Beleza. Belíssimo. Mas quanto lixo nos países muçulmanos! E quanto lixo nos países que se dizem cristãos!... Quantas latas, garrafas plásticas e sacolas tenho visto serem arremessadas de automóveis, caminhões ou carretas com grandes dísticos como : Deus é Fiel, Veículo monitorado por Deus, Jesus é o Senhor, Este veículo pertence a Jesus, etc. etc?
Numa praia em Santa Catarina onde estive ancorado na época de férias, um grupo religioso fez uma celebração ritual na praia, à noite, com uma enorme fogueira e tochas ao redor; resultado visível - na hora, o vento encheu de fumaça a casa mais próxima, a ponto de os ocupantes terem que fechar todas as portas e janelas, numa noite bem caliente! De manhã, as cinzas da fé estavam tapadas com areia, mas o tronco ainda estava ardendo... Não sei se alguém pisou nessa areia e queimou o pé, mas poderia ter acontecido; entretanto, a maré subiu e distribuiu, por uma área extensa, milhares de bocados de carvão que estavam escondidos logo por baixo na areia, muitos dos quais continuam lá ainda hoje...sujando a areia branca e o pé de todo o mundo que passa por lá.
Bem sei que todo esse assunto é extremamente sensível e polêmico, por isso estou fazendo uma abordagem com o devido respeito a qualquer crença, e também à ausência dela, nos casos aplicáveis.
No fundo, se existem verdades universais acessíveis pelo entendimento humano, chamem-se de Leis Naturais, Leis Universais, A Verdade ou qualquer outra designação, as pessoas com bom senso, sensibilidade e inteligência devem começar a concordar em certos pontos fundamentais e agir de acordo, respeitando, ao mesmo tempo, as opções existenciais umas das outras, sem perda aparente de sua identidade; mas, com certeza, numa perspectiva de melhoramento, de aperfeiçoamento permanente (fará sentido de um outro jeito?).
Será que, aos olhos da Divina Providência, a prática ambiental, a preservação da beleza natural, da limpeza aceitável do ar, da terra e da água, não será tão importante como a fé mais profunda? Por que, então, há-de haver tanta fé para falar, e tão pouca fé para praticar? Por que a fé ilumina a alma mas não ilumina o entendimento de que tudo está ligado, e de que a destruição da Natureza é a destruição da própria Criação? Se considerada a tradicional e judaico-cristã salvação da alma, suponho que tal salvação não poderá ser um processo egoísta, voltado
para si mesmo, cego e esquecido de tudo e de todos que estão no entorno.
Com efeito, se formos buscar todas as teologias e cosmogonias históricas, nenhuma delas deixa de afirmar, com mais ou menos variações, que Deus encontra-se por todo o lado na Criação.
Ora, se o ser humano é considerado a criatura portadora de discernimento por excelência, tocada pela própria Divindade - Criada à imagem e semelhança de Deus, segundo as Escrituras -, não se entende, então, tanta fé, tanta religiosidade e, ao mesmo tempo, tanto desvario, tanto estrago realizado pelo predomínio humano na Criação.
Ou será que a prática da religião se resume apenas à rotina ritual? Haverá redenção possível para tal pecado contra-natura?... Haverá desculpa para tal destruição perante o Criador? O Homem, criatura dileta do Criador, fazer tanto mal à Criação e a si mesmo? Algo parece errado, num mundo com tantas religiões. O que está errado? Por definição, não será certamente o Eterno que está errado. Caso, talvez, para refletir e começar a ligar as coisas. Será que não é a hora de refletir um pouco e rever as formas como a religião é entendida e... praticada, justamente no que diz respeito ao ambiente, ao entorno? à obra da Criação?
Abraços

1.Livros (se conhecerem mais bibliografia, comuniquem-me por mail)
Dalai Lama- O Dalai Lama Fala de Jesus. Ed. Fissus
Tich Nhat Han- Jesus e Buda. Ed. Vozes
Jesus e Buda Versículos Paralelos- Ed. Instituto Piaget
Buddhism and Ecology: The Interconnection of Dharma and Deeds, edited by
Mary Evelyn Tucker and Duncan Ryuken Williams

2. Um site excelente