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terça-feira, 9 de junho de 2026

Os maiores bancos do mundo comprometeram 906 mil milhões de dólares com empresas de combustíveis fósseis. num aumento "incompreensível" em 2025, revela relatório


O JPMorgan Chase lidera a lista de 65 bancos que estão a tomar decisões incompatíveis com a contenção do aumento das temperaturas globais, afirmam investigadores.

Os maiores bancos do mundo comprometeram 906 mil milhões de dólares ($906bn) em financiamento para a indústria dos combustíveis fósseis no ano passado — um aumento "incompreensível" no investimento que garante mais anos de produção de carvão, petróleo e gás, numa altura em que o planeta continua a sobreaquecer, concluiu um novo relatório.

O surto de novos empréstimos para combustíveis fósseis, que aumentou 64 mil milhões de dólares (quase 8%) em relação a 2024, demonstra que os 65 maiores bancos mundiais estão a tomar decisões incompatíveis com os acordos internacionais para conter o aumento das temperaturas globais, de acordo com a coligação de grupos ambientalistas responsável pela nova análise.

O JPMorgan Chase voltou a ser o principal financiador mundial de combustíveis fósseis, segundo o relatório anual Banking on Climate Chaos, após ter injetado 58 mil milhões de dólares no setor no ano passado — um aumento de 13% face a 2024.

O Bank of America comprometeu a segunda maior quantia com combustíveis fósseis no ano passado, seguido pelos bancos japoneses MUFG e Mizuho Financial. O Citigroup, outro banco norte-americano, fecha o "top 5", com o Barclays, na oitava posição, a ser o banco britânico mais bem classificado.

"O ano passado foi o primeiro em que esperávamos ver uma redução contínua nos números históricos, mas na verdade assistimos a esse aumento, que se prolongou este ano", afirmou Caleb Schwartz, analista de políticas da Rainforest Action Network, um dos grupos responsáveis pelo relatório. "Trata-se, portanto, de uma tendência preocupante."

Questionado sobre os seus empréstimos ao setor dos combustíveis fósseis, um porta-voz do JPMorgan Chase declarou: "Como um dos maiores financiadores de energia do mundo, apoiamos toda a gama de soluções e tecnologias energéticas, com foco na fiabilidade, acessibilidade, segurança e resiliência a longo prazo. Acreditamos que os nossos dados refletem as nossas atividades de forma mais abrangente e precisa do que as estimativas de terceiros."

No acordo climático de Paris, em 2015, os países concordaram em envidar esforços para evitar que o aquecimento global ultrapassasse os 1,5°C acima dos níveis pré-industriais, limite a partir do qual o mundo sofrerá ondas de calor, cheias, secas e outros desastres alimentados pelas alterações climáticas ainda mais devastadores.

Evitar este limiar exigiria a quase eliminação das emissões que aquecem o planeta resultantes da produção de combustíveis fósseis. No entanto, desde o Acordo de Paris, os maiores bancos do mundo já canalizaram 8,7 biliões  de dólares para a indústria dos combustíveis fósseis para a extração e perfuração de mais carvão, petróleo e gás.

Os cientistas preveem agora que o limite de 1,5°C será ultrapassado de forma iminente, antecipando que a recente sucessão de anos com temperaturas recorde seja superada ainda nesta década.

No rescaldo do ataque dos EUA e de Israel ao Irão, que fez disparar o custo global do petróleo e do gás, várias das maiores empresas de combustíveis fósseis do mundo registaram lucros recorde este ano.

"As empresas históricas de combustíveis fósseis não vão desaparecer sem dar luta", afirmou Niko Lusiani, especialista em clima e energia que editou o relatório deste ano. "Estão a duplicar a aposta para expandir um sistema energético cada vez mais frágil, pouco fiável e arriscado."

O financiamento a combustíveis fósseis está a concentrar-se cada vez mais num grupo restrito de grandes instituições, concluiu o novo relatório, com aquilo a que os grupos ecologistas chamaram a "dúzia suja" a ser responsável por 40% de todo o financiamento do setor. Quase todo o financiamento para combustíveis fósseis provém de seis jurisdições: os EUA, o Canadá, o Japão, a China, o Reino Unido e a União Europeia.

Um total de 26 dos 65 maiores bancos reduziu o seu financiamento a combustíveis fósseis no ano passado, com os bancos europeus BNP Paribas, UBS e La Caixa a liderarem as reduções.

Contudo, os grandes operadores de petróleo e gás não ficaram sem liquidez disponível. Os maiores bancos prometeram 508 mil milhões de dólares para a expansão de explorações de combustíveis fósseis já existentes no ano passado, um aumento de 27% em relação a 2024. Três operadoras norte-americanas de petróleo e gás — Venture Global, Enbridge e Energy Transfer — foram as principais beneficiárias dos fundos emprestados em 2025.

Vários grandes bancos tinham anunciado anteriormente metas para reduzir as suas emissões e restringir os empréstimos a formas de energia particularmente poluentes, como o carvão. Mas, face ao regresso político de Donald Trump — que já classificou a crise climática como uma "treta" ("bullshit") e exigiu a extração desenfreada de combustíveis fósseis —, os bancos voltaram as costas aos compromissos ambientais assumidos anteriormente.

No ano passado, a Net-Zero Banking Alliance, uma iniciativa apoiada pela ONU que pretendia alinhar os empréstimos dos bancos com um cenário de emissões líquidas nulas até 2050, foi dissolvida após a saída de vários membros de relevo.

"Vimos muitos bancos darem as costas, seja de forma silenciosa ou mais ruidosa, num contexto de pressão política, particularmente nos EUA", afirmou Lusiani.

O especialista acrescentou: "A era dos compromissos voluntários não funcionou à escala que necessitamos, o que aponta para um papel muito mais ativo dos reguladores financeiros, legisladores e decisores políticos, especialmente nesses seis grandes centros financeiros."

Em resposta a um pedido de comentário, um porta-voz do Bank of America afirmou que o banco apoia "uma vasta gama de clientes, tanto no setor das energias renováveis como no das energias tradicionais, fornecendo-lhes o capital e o aconselhamento necessários para atingirem os seus objetivos — incluindo o avanço das tecnologias de energia limpa e a garantia de acessibilidade e segurança energética num ambiente cada vez mais complexo e dinâmico".

Por sua vez, um porta-voz do Citi afirmou que a empresa "apoia os clientes na transição para uma economia de baixo carbono, ao mesmo tempo que reconhece a necessidade real de energia segura, acessível e fiável hoje em dia. Estamos empenhados em alcançar emissões financiadas líquidas zero até 2050 e em avançar com a nossa meta de financiamento sustentável de 1 bilião de de dólares, focando-nos em equilibrar a transição com a resiliência energética global".

quarta-feira, 9 de novembro de 2022

Documentário: If a Tree Falls - A Story of the Earth Liberation Front


In December 2005, Daniel McGowan was arrested by Federal agents in a nationwide sweep of radical environmentalists involved with the Earth Liberation Front-- a group the FBI has called America's "number one domestic terrorism threat."

For years, the ELF- operating in separate anonymous cells without any central leadership-had launched spectacular arsons against dozens of businesses they accused of destroying the environment: timber companies, SUV dealerships, wild horse slaughterhouses, and a $12 million ski lodge at Vail, Colorado.

With the arrest of Daniel and thirteen others, the government had cracked what was probably the largest ELF cell in America and brought down the group responsible for the very first ELF arsons in this country.

"If a Tree Falls - A Story of the Earth Liberation Front", directed by Marshall Curry (Street Fight), tells the remarkable story of the rise and fall of this ELF cell, by focusing on the transformation and radicalization of one of its members.

Part coming-of-age tale, part cops-and-robbers thriller, the film interweaves a vérité chronicle of Daniel on house arrest as he faces life in prison, with a dramatic recounting of the events that led to his involvement with the group. And along the way it asks hard questions about environmentalism, activism, and the way we define terrorism.

Drawing from striking archival footage - much of it never before seen - and intimate interviews with ELF members, and with the prosecutor and detective who were chasing them,  "If a Tree Falls" explores the tumultuous period from 1995 until early 2001 when environmentalists were clashing with timber companies and law enforcement, and the word "terrorism" had not yet been altered by 9/11.

Site:
Earth Liberation Front