Mostrar mensagens com a etiqueta William Behrens. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta William Behrens. Mostrar todas as mensagens

domingo, 15 de dezembro de 2019

Dia Mundial do Decrescimento



Em 1971, foi dado a público o resultado de um estudo, encomendado a uma equipa de investigadores do Instituto de Tecnologia de Massachusetts pelo chamado Clube de Roma. O estudo tinha por objectivo prever as consequências a médio e longo prazo para as sociedades humanas e o mundo natural, do prosseguimento de um caminho de desenvolvimento económico e social assente no contínuo crescimento da produção de bens materiais, acompanhado do crescimento acelerado da população mundial que se verificava e hoje continua a verificar-se. O estudo tirou partido de um programa de simulação em computador criado por um investigador daquele instituto. Em 1972 o relatório do estudo foi publicado em livro com o título “Limites ao Crescimento” [1] Desde então foram vendidos cerca de 30 milhões de exemplares em trinta línguas.

Na simulação das consequências da interacção entre os sistemas do planeta Terra e os sistemas humanos, cinco variáveis foram tomadas em consideração na descrição dos padrões de crescimento: população mundial, industrialização, poluição, produção de alimentos e esgotamento de recursos. A problemática das alterações climáticas não estava então ainda na ordem do dia.

Na altura, os autores do estudo resumiram assim, em poucas linhas, o seu pensamento: “Após exame dos resultados das simulações informáticas efectuadas, a equipa de investigadores chegou às seguintes conclusões: tendo em conta o status quo, isto é, a não alteração das tendências históricas de crescimento, os limites do crescimento na Terra tornar-se-ão evidentes daqui até 2072, o que provocará um declínio brusco e incontrolável da população e da capacidade industrial”.

No estudo “Limites ao crescimento” não podiam ser feitas com segurança previsões específicas mas apenas apontadas linhas gerais de uma possível evolução futura das sociedades humanas tendo em conta, por um lado, a finitude dos recursos naturais, ainda que imperfeitamente conhecida, e, por outro, um crescimento exponencial da população e o impacte que necessariamente tem sobre o ritmo de esgotamento desses recursos.

Trinta anos mais tarde, membros destacados do grupo de investigadores, responsável pelo trabalho que conduzira à publicação de “Limites ao Crescimento”, procederam à revisão e actualização da obra publicada em 1972. O novo livro foi dado a público em 2004 com o título “Limites ao Crescimento: Actualização 30 Anos depois” [2] Um dos autores, o Prof. Dennis Meadows, então no MIT, onde dirigiu o Projecto do Club de Roma sobre a “Situação Difícil da Espécie Humana”, deu a público nessa altura uma entrevista na qual, olhando retrospectivamente para as três décadas anteriores, explicou [3]: “Em 1972 era inconcebível para a maioria que os impactos físicos das actividades humanas pudessem avolumar-se a ponto de alterar processos naturais básicos do globo. Mas hoje, rotineiramente, observamos, reconhecemos e discutimos, o buraco do ozono, a destruição das pescarias marítimas, as alterações climáticas e outros problemas globais”. Importa notar que, se na sua versão dos anos 70, o discurso sobre “limites ao crescimento” se focava sobre a questão de como reduzir o ritmo do crescimento, em 2004 a mensagem era outra: “Temos agora que dizer às pessoas como gerir um decréscimo programado das suas actividades para valores abaixo dos limites impostos pelos recursos naturais”. Reparemos na diferença entre crescimento reduzido e decrescimento. É esta a diferença de crucial importância entre o paradigma de desenvolvimento actual e aquele que entendemos ser indispensável adoptar se se quiser assegurar um futuro sustentável no planeta para a nossa espécie.

Dez anos mais tarde, Graham Turner, investigador da Universidade de Melbourne, procura avaliar em que medida a situação existente em 2014 e a evolução verificada ao longo de quase 40 anos, se mostram conformes com as previsões de 1972 do grupo do MIT [4]. Apoia-se numa compilação exaustiva de dados publicados por diversos organismos do sistema das Nações Unidas, da Administração Oceânica e Atmosférica Nacional dos EUA, e ainda de outras fontes como o Relatório Estatístico da British Petroleum sobre a Energia Mundial. O estudo confirma que as previsões do livro “Limites ao Crescimento” se mostram correctas, no fundamental.

As previsões de 72 assentavam na hipótese de um cenário de evolução correspondente à manutenção daquilo que em inglês se designa por “Business As Usual” ― o cenário BAU. Ora, este, numa tradução livre, “o negócio como habitual” é o que de facto, no essencial, se vem mantendo, pelo que as conclusões de Turner não devem ser motivo de espanto.

De acordo com o estudo, o cenário corrente de “Business As Usual” levaria ao colapso global da economia e do meio ambiente em que, em consequência de uma disrupção das funções económicas normais, as condições de vida se degradariam a um ritmo superior ao do crescimento historicamente verificado, impondo, subsequentemente, o decréscimo da população mundial. Teríamos assim em perspectiva um colapso económico e social neste século.

A exploração intensa e desregrada dos recursos naturais associada ao crescimento sem limites dá uma nova dimensão ao impacte das actividades humanas sobre o mundo natural ― clima e ecossistemas da Terra. O impacte global dessas actividades começa a ser significativo a partir de fins do século XVIII com a entrada em cena da máquina a vapor, momento histórico tomado por muitos autores como o início do mais recente período geológico, o chamado Antropoceno. A marca da actividade humana aparece com clareza nos gráficos abaixo.

A observação destes gráficos suscita justificada preocupação por mostrarem uma evolução extraordinariamente rápida dos valores das grandezas representadas num muito curto período histórico.

Interessa saber também que desde o início da Revolução Industrial a população mundial é multiplicada por 7. Em 2001 a taxa de crescimento da população mundial era de 1,3% ao ano o que corresponde a uma duplicação em 55 anos.
Por seu lado, o consumo de energia primária aumentou 20 vezes.

O aquecimento global, questão central do nosso tempo
São ameaças de distinta natureza, a todas sobrelevando, em nosso entender, pelas consequências que lhes estão associadas, a ameaça de guerra nuclear e o aquecimento global. No actual contexto geopolítico em que se assiste a um crescendo de tensões entre potências nucleares e ao recrudescimento de uma corrida aos armamentos, há uma probabilidade não desprezável de que um conflito nuclear possa ser desencadeado por erro de cálculo ou falência técnica de sistemas de alerta. No passado, no chamado período da “guerra fria”, tal já esteve perto de acontecer. A situação é hoje mais séria porque então se mantinham canais de comunicação entre as duas maiores potências nucleares que hoje não existem. Importa também ter em atenção que um conflito nuclear pode ser desencadeado por potências nucleares menores que têm já ou podem vir a ter interesses incompatíveis nas suas zonas de influência. É o caso do Paquistão e da Índia. Mesmo um conflito nuclear regional, digamos assim, poria em risco a sobrevivência da vida sobre a Terra, em consequência da formação de “nuvens de cinzas” constituídas por aerossóis de partículas de carbono, que ascenderiam à estratosfera impedindo a radiação solar de atingir o solo. As cinzas seriam o resultado dos incêndios provocados pelas explosões nucleares e da formação de tempestades de fogo, nomeadamente em zonas urbanas. Em artigo publicado no Boletim dos Cientistas Atómicos, Alan Robock, professor no Departamento de Ciências Ambientais, na Universidade de Rutgers (EUA), diz-nos o seguinte [5]: “ hoje sabemos que os efeitos atmosféricos de um conflito nuclear se prolongariam por pelo menos uma década (…). De acordo com os nossos cálculos, uma guerra nuclear regional entre a Índia e o Paquistão, que usaria menos de 0,3 por cento do arsenal global existente, provocaria uma alteração climática sem precedentes nos registos históricos da humanidade e uma diminuição global do ozono de dimensão idêntica ao buraco actual na camada de ozono mas que se distribuiria por todo o planeta.” No caso de um conflito nuclear generalizado a temperatura média à superfície do globo poderia descer consideravelmente e manter-se assim durante vários anos com graves consequências para as actividades agrícolas e, é claro, a produção de alimentos.

Mau grado o cenário terrível de um conflito nuclear, há razões para pensar, que ele é evitável. Daí ser compreensível o entendimento de que a ameaça mais séria que hoje se perfila no horizonte é o aquecimento global, fenómeno que está em marcha e que importa contrariar.

Nem todos pensam assim, todavia, e negam a própria existência do problema.

quinta-feira, 26 de novembro de 2015

Documentário: Final Warning - Limits to Growth


Alguém tomou alguma medida? Isto demonstra que o capitalismo está na origem de problemas como a sobrepopulação e a poluição ambiental, mas poucos parecem estar conscientes desta ligação.

Após a sua publicação em 1972, o estudo do Clube de Roma, "Os Limites do Crescimento", tornou-se um marco histórico. O livro questiona o princípio fundamental da ideologia económica americana do capitalismo, com a sua busca insaciável pelo crescimento. No entanto, a obra não se limitou a criticar as práticas da época. Ela alertou ainda para as consequências extremamente diversas e massivas para toda a humanidade. Embora não haja praticamente nenhuma dúvida quanto à validade do estudo e da sua obra sucessora de 1992, "Para Além dos Limites", os governos de todo o mundo têm feito muito pouco para resolver os principais problemas. Temas como a sobrepopulação, a poluição ambiental, o esgotamento dos recursos e o consumo são hoje familiares a todos, mas poucas pessoas têm consciência do impacto que podem ter no contexto do crescimento exponencial da Terra e, consequentemente, de toda a humanidade. Este documentário esclarece o efeito que a obra teve na perceção pública nas últimas quatro décadas.