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segunda-feira, 20 de julho de 2026

Matemático diz ter usado modelo de IA para refutar problema matemático com 87 anos


Um matemático da Universidade de Harvard afirma ter utilizado um sistema de inteligência artificial da Anthropic para encontrar um contraexemplo à Conjetura Jacobiana, um dos mais antigos problemas em aberto da geometria algébrica. Se o resultado for confirmado pela comunidade científica, poderá pôr fim a um desafio matemático que resistia desde 1939.

O matemático Levent Alpöge anunciou, na noite de domingo, na rede social X, que utilizou o Fable 5, um modelo de IA da Anthropic, para refutar a Conjetura Jacobiana.

Conjetura Jacobiana, o que é?
A Conjetura Jacobiana foi proposta por Ott-Heinrich Keller, em 1939, e afirma que, se uma função polinomial tem um determinante jacobiano que é uma constante diferente de zero (ou seja, o volume e a orientação em torno de cada ponto são perfeitamente preservados), então essa função possui uma função inversa que também é polinomial.

A Conjetura Jacobiana é um dos problemas em aberto mais conhecidos da geometria algébrica e desafia matemáticos há 87 anos. O problema foi incluído nos "Problemas de Smale", uma lista de problemas matemáticos por resolver apresentada pelo matemático Stephen Smale em 1998.

Fable 5 e a alegada refutação da conjetura
Apesar de este problema ter uma história de mais de oito décadas, para o sistema de inteligência artificial avançada Fable 5 não terá sido um obstáculo. Levent Alpöge afirmou, na rede social X, que a Conjetura Jacobiana é, na verdade, falsa, apresentando como prova um pequeno contraexemplo gerado pelo sistema de IA, com apenas 216 caracteres, segundo a New Scientist. O matemático não revelou como o modelo produziu esse contraexemplo.

O Fable 5 é o modelo mais recente de IA da Anthropic. A empresa disponibilizou anteriormente uma versão de demonstração, designada Claude Mythos Preview, mas afirma que as capacidades de cibersegurança do modelo são demasiado avançadas para permitir o seu lançamento para utilização pública.

Descoberta do Fable 5 é um avanço na IA ou na Matemática?
Em declarações ao Mashable, o professor e matemático Andrew Blumberg afirmou: “Isto não alterou as minhas expectativas sobre o que a IA pode ou não fazer.”

Acrescentou: “É exatamente o tipo de coisa que eu esperaria que a IA fosse capaz de fazer. Se existisse um contraexemplo conciso e fácil de formular que as pessoas ainda não tivessem encontrado porque é complicado explorar todas as possibilidades, a IA acabaria por encontrá-lo.”

O professor de Matemática e Ciência da Computação da Universidade de Columbia, em Nova Iorque, participa no projeto First Proof, uma iniciativa que procura testar as capacidades dos modelos de linguagem de grande escala na resolução de problemas matemáticos de investigação.

"Queremos aprender alguma coisa com a resposta", afirmou.

Apresentar um contraexemplo à Conjetura Jacobiana continua a ser uma conquista significativa para a inteligência artificial na matemática, observa Blumberg. No entanto, considera que existe uma grande diferença entre demonstrar um grande problema matemático e apresentar apenas um contraexemplo que o refute.

“Suponhamos que Moisés descia da montanha com as tábuas e nelas estava escrito: 'O cancro tem cura.' Ficaria satisfeito apenas com isso? Não basta ter a resposta. Queremos perceber porquê. E a razão pela qual Smale considerava este problema importante é que acreditava que, ao resolvê-lo, compreenderíamos melhor a forma como a natureza está estruturada.”

Por outras palavras, acrescenta Blumberg, “este contraexemplo não nos diz, essencialmente, nada. Mostra apenas que existem muitos polinómios e que é difícil para as pessoas verificá-los todos, mas não para as máquinas.”

A Conjetura Jacobiana não é o único problema matemático que a IA abordou nos últimos meses. A OpenAI anunciou, em maio, que um modelo interno tinha refutado a conjetura da distância unitária de Erdős, uma conjetura central da geometria discreta.

Nesse caso, porém, o resultado foi mais produtivo, considera Blumberg, porque a OpenAI não se limitou a apresentar um contraexemplo, mas uma refutação acompanhada de argumentos matemáticos que permitiram aos especialistas desenvolver novos trabalhos.

"A refutação já deu origem a coisas interessantes, porque os especialistas na área analisaram o que se passava na demonstração e depois utilizaram essas ideias para fazer outras coisas", afirmou.

O caso da Conjetura Jacobiana é diferente, embora Blumberg reconheça que não se considera especialista suficiente para avaliar "se existe algo de especial na estrutura deste contraexemplo com que possamos aprender". Ainda assim, conclui que, "por si só, não é particularmente interessante".

Levent Alpöge integra atualmente a Society of Fellows da Universidade de Harvard, um programa de pós-doutoramento destinado a investigadores promissores, que oferece três anos de liberdade académica sem avaliações formais. O seu perfil no LinkedIn indica também uma afiliação à Anthropic.

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2026

Mais umbigos que cabeças

This Incredible Map Tool Reveals Just How Much the Mercator Map Distorts the World [aqui]

Os provérbios são a nossa enciclopédia de bolso, e quando acordamos para o dia com as más notícias do dia anterior convém saber que "deus é grande e o mundo é pequeno". Tão pequeno que cabe num guardanapo. Era esse mesmo o significado que o latim atribuía à palavra mapa, sinónimo de toalha, lenço ou trapo. E era também mapa que chamavam ao pedaço de lona que, no silêncio expectante do circo, dava o sinal de largada para as corridas de bigas, também utilizadas como carros de guerra, como se aqueles cavalos fossem galopar pelos confins, a galgar fronteiras. Foi na superfície dessas telas que os romanos desenharam os limites do universo conhecido.

Os mapas retratam o melhor e o pior da nossa espécie: a curiosidade sôfrega e inquieta, a fome de descoberta, mas também vaidade agressiva e a sede de conquista e dominação. Os mapas fascinam porque contam histórias e revelam paixões. Mas são também os mapas que constroem nossa visão do mundo. As razões pelas quais o Norte nos aparece sempre virado para cima não são científicas, mas estratégicas e até ideológicas: o alto tem conotações positivas, enquanto o baixo é menosprezado. Associamos a pobreza aos países do Sul e a prosperidade aos países do Norte. A famosa imagem da Terra obtida pela Apollo 17, em 1972 -aquela bola azul, em forma de berlinde - foi rodada para efeitos de publicação, pois só sabemos ler o planeta posicionado dessa forma. No entanto, durante séculos o Leste costumava ocupar a posição superior, porque a luz vem do Oriente, lá onde nasce o dia.

Os mapas contam verdades, mas também algumas mentiras. São atlas das mentalidades, medos e ambições das sociedades que os inventaram. Todos sabemos que a terra é aquela bola redondinha, mas a projeção cartográfica mais utilizada ainda hoje, conhecida como Mercator, esconde distorções interessadas. Tão interesseiras como aquela que, em Tordesilhas, levou o nosso D. João II a reclamar como limites da expansão portuguesa as 360 léguas para lá de Cabo Verde. Foi esse desvio no meridiano do mapa do Tratado que permitiu a Portugal explorar as terras onde hoje se encontra o Brasil. Vistos daqui, os mapas-múndi que navegamos com a ponta dos dedos retratam um Ocidente enorme e central, sobredimensionado num hemisfério Norte que ocupa dois terços e relega o Sul a um minúsculo terço inferior. Não é essa, porém, a visão dos mapas que se estudam nas escolas orientais, onde a China e o Japão ocupam posição central, ou nas australianas onde os mapas retratam o nosso mundo de pernas para o ar.

Desde que se começámos a traçar geografias em guardanapos, tendemos a acreditar que somos e estamos no centro do mundo. Ao longo da história, muitos povos sofreram dessa miragem imprópria para habitantes de um planeta esférico. Segundo os gregos antigos, Zeus soltou duas águias nos confins do universo para saber onde ficava o centro da Terra. Inevitavelmente, as aves encontraram-se em Delfos, lugar marcado para a posteridade na pedra oval a que chamaram de "omphalus", ou seja, umbigo - da mesma forma que os chineses da época se julgavam o "império do meio". Ambos acreditavam ser o núcleo cartográfico do Universo e a única cultura civilizada, cada qual a julgar-se no epicentro de tudo. E talvez seja por isso que o mundo ainda tem mais umbigos do que cérebros. O delírio megalómano tem muitas vezes cinzelado geografias a golpes de invasão, guerra e dominação, em nome de purezas remotas e nações triunfantes. A história prova, porém, que pensamento e ciência resultam do cruzamento dos povos, em rotas de viagens, encontros e trocas. Na verdade, aprendemos sobre nós mesmos quando ousamos olhar outras paisagens e ouvir outras vozes. Só os outros nos dizem quem somos.

sábado, 1 de novembro de 2025

Ninguém devia ter mil milhões de euros

Vamos começar por aqui. E não, isto não é inveja, é matemática. É uma quantia absurda. A maior parte destas fortunas gigantescas é herdada. E a outra parte? Foi acumulada à custa do que não foi pago a quem realmente ajudou a construí-la. Por outro lado a tecnologia permite lucros globais com poucos custos; o valor das ações aumenta fortunas rapidamente; os impostos baixos e influência política protegem os ricos e finalmente a globalização, que concentra lucros nas grandes empresas.

Antigamente, alguns magnatas construíam bibliotecas, ou fundavam universidades, pelo menos sentiam a obrigação de devolver algo estrutural à sociedade.

Hoje? A ambição é ir ao espaço, ter o iate maior, o relógio mais caro e 50 carros na garagem. Não se importam de pagar valores absurdos por caprichos, só lhes custa pagar pelo trabalho. E o trabalho, a produção, o esforço humano, é a única coisa que realmente gera riqueza.

Mas para perceber o quão doentio isto é, temos de sair dos milhões e ir para o tempo de vida.
A nossa medida vai ser o Salário Mínimo em Portugal, €870 por mês. Com subsídios, são €12.180 por ano. Este é o valor de um ano inteiro da nossa vida de trabalho.

À escala de Portugal, a Família Amorim tem €5,4 mil milhões.
Para eles gastarem isto, ao ritmo de um ano inteiro do nosso trabalho, demorariam 443 000 ANOS.

A nossa espécie, o Homo Sapiens, existe há 300 000 anos. A totalidade da nossa história não chega.
À escala do Mundo, o homem mais rico, Elon Musk, tem €426 mil milhões. Demoraria 35 MILHÕES DE ANOS a gastar tudo.

Os dinossauros foram extintos há 65 milhões de anos. Isto não é tempo de vida. É tempo geológico.

Quem resumiu isto na perfeição foi a Billie Eilish esta semana. 
Billie Eilish pertence à Geração Z.

Num evento com bilionários na audiência, depois de anunciar que ia doar 11.5 milhões de dólares, confrontou-os diretamente: "És bilionário, porquê?"

Ela não está a falar de culpa pessoal. Está a falar desta distorção completa da escala humana.
O problema é um sistema que permite que um indivíduo acumule o equivalente a 35 milhões de anos de trabalho de outra pessoa, enquanto essa outra pessoa mal consegue sobreviver com o salário de um ano.

terça-feira, 11 de junho de 2024

Uma equação universal pode prever frequência de batimento de asas de aves, insetos, morcegos e até baleias



Uma única equação universal pode aproximar a frequência dos batimentos das asas e das barbatanas das aves, insetos, morcegos e baleias, apesar dos diferentes tamanhos do corpo e formas das asas, segundo um novo estudo de Jens Højgaard Jensen e colegas da Universidade de Roskilde, na Dinamarca, publicado na revista PLOS ONE.

A capacidade de voar evoluiu de forma independente em muitos grupos de animais diferentes. Para minimizar a energia necessária para voar, os biólogos esperam que a frequência com que os animais batem as asas seja determinada pela frequência de ressonância natural da asa.

No entanto, tem sido difícil encontrar uma descrição matemática universal para o voo. Os investigadores utilizaram a análise dimensional para calcular uma equação que descreve a frequência dos batimentos das asas de aves voadoras, insetos e morcegos, e os batimentos das barbatanas de animais mergulhadores, incluindo pinguins e baleias.

Descobriram que os animais voadores e mergulhadores batem as suas asas ou barbatanas com uma frequência que é proporcional à raiz quadrada da sua massa corporal, dividida pela área da asa. Testaram a exatidão da equação comparando as suas previsões com dados publicados sobre as frequências de batimento das asas de abelhas, traças, libélulas, escaravelhos, mosquitos, morcegos e aves de vários tamanhos, desde beija-flores a cisnes.

Os investigadores também compararam as previsões da equação com dados publicados sobre as frequências de batimentos das barbatanas dos pinguins e de várias espécies de baleias, incluindo as jubartes e os roazes do norte.

A relação entre a massa corporal, a área da asa e a frequência dos batimentos das asas mostra pouca variação entre os animais voadores e mergulhadores, apesar das enormes diferenças no tamanho do corpo, na forma da asa e na história evolutiva, concluíram. Finalmente, estimaram que um pterossauro extinto (Quetzalcoatlus northropi) – o maior animal voador conhecido – batia as suas asas de 10 metros quadrados a uma frequência de 0,7 hertz.

O estudo mostra que, apesar das enormes diferenças físicas, animais tão distintos como as borboletas e os morcegos desenvolveram uma relação relativamente constante entre a massa corporal, a área da asa e a frequência dos batimentos das asas.

Os investigadores referem que, no caso dos animais nadadores, não encontraram publicações com toda a informação necessária; os dados de diferentes publicações foram reunidos para fazer comparações e, nalguns casos, a densidade dos animais foi estimada com base noutras informações.

Além disso, os animais extremamente pequenos – mais pequenos do que qualquer outro ainda descoberto – provavelmente não se encaixariam na equação, porque a física da dinâmica dos fluidos muda a uma escala tão pequena. Este facto poderá ter implicações no futuro para os voadores. Os autores afirmam que a equação é a explicação matemática mais simples que descreve com exatidão o bater das asas e das barbatanas em todo o reino animal.

Os autores concluem: “Com uma diferença de quase um fator de 10.000 na frequência dos batimentos das asas e das barbatanas, os dados relativos a 414 animais, desde a baleia azul até aos mosquitos, situam-se na mesma linha. Como físicos, ficámos surpreendidos ao ver como a nossa simples previsão da fórmula do batimento das asas funciona para uma coleção tão diversa de animais”.

sexta-feira, 3 de maio de 2024

Grigori Yakovlevich Perelman - um génio da Matemática que escolheu uma vida simples e recatada


Parece um vagabundo? Mas na verdade é o maior matemático do mundo.
Na verdade, o russo Grigorij "Grisha" Jakovlevich Perelman foi o único homem que conseguiu resolver um dos sete "Problemas do Milénio", demonstrando a Conjectura de Poincaré e rejeitou o prémio milionário que lhe tinha dado pelo Clay Mathematics Institute por esta descoberta.
A Conjectura de Poincaré é um problema complexo de topologia e quando encontrou a solução disse: "Para mim é completamente irrelevante, porque se a solução for a certa, não há necessidade de outro reconhecimento".
Mora num mini apartamento dentro de um prédio popular de São Petersburgo, daqueles construídos durante o socialismo. Para ele, dinheiro não significa nada: "Não quero ser um cientista de exposição, mas sim um que estuda a ciência para o bem dos outros".
Ele anda com o cabelo e a barba despenteados e tênis desportivo sem forma, as imagens mais recentes retratam-no com um aspecto desleixado: um blogueiro o localizou no metro e o imortalizou com o celular para depois carregar as fotos dele na internet.
Dizem que na sua cidade, que foi a capital dos czares, está na moda usar uma camiseta com a sua cara e a inscrição: "Neste mundo... Nem tudo pode ser comprado.

Saber mais: 

segunda-feira, 26 de fevereiro de 2024

O fascínio pelas plantas


Assim. Simples. Geometria matemática biológica. Adaptação. Relações bióticas. Por vezes as flores têm que ser rápidas na decisão de polinização. Como as dos desertos. As plantas com flor são especializadas. Umas são competitivas: pela luz, pelos nutrientes do solo. Vivazes, invasoras, cultivadas, endémicas, transgénicas. Isso são razões humanas. Raras são as parasitas. Algumas venenosas. De muitas delas extraímos fármacos e o seu perfume ou propriedades cosméticas compradas a peso de ouro. Elas não sabem. Nascem e florescem e procriam e morrem. Nada mais. Mas são belas. Se são!

quarta-feira, 27 de dezembro de 2023

Vingança e veneno: artistas contra IA generativa



Quando o Dall·E foi introduzido, e logo depois, outros algoritmos generativos de processamento de imagens, como Midjourney ou Stable Diffusion, seus problemas rapidamente se tornaram aparentes : as empresas que os criaram acumularam enormes coleções de imagens marcadas com descrições e as usaram. para treiná-los.

Onde eles conseguiram essas enormes coleções de imagens? Fundamentalmente, raspar páginas da web que os continham, especialmente repositórios de imagens. A reclamação do repositório Getty Images contra o Stable Diffusion reflete claramente o problema: a coleta de suas imagens era tão evidente que em muitos casos as imagens geradas continham versões distorcidas de sua marca d'água, porque o algoritmo a interpretava como outra parte da imagem.

O problema jurídico era óbvio: passamos anos dizendo que se algo for público na web pode estar sujeito a raspagem . Existem precedentes legais de todos os tipos que afirmam o direito de alguém acessar um site aberto ao público e utilizar todo o seu conteúdo para os fins que achar conveniente. Pela sua complexidade, o caso em questão pode levar anos e acabar no Supremo Tribunal Federal e, enquanto isso, os artistas cujas imagens foram utilizadas para treinar algoritmos veem como suas criações podem ser facilmente imitadas, ou como alguém pode simular seu estilo para faça novas imagens.

Diante da dificuldade da ação judicial, alguns artistas iniciaram outro tipo de vingança : criar imagens tratadas com software que introduz nelas alterações invisíveis para confundir os algoritmos , da mesma forma que é utilizada, por exemplo, para "anonimizar" fotografias e evitar seu uso por algoritmos de reconhecimento facial . 

Batizado de Nightshade em homenagem à Atropa belladonna , planta que causa alucinações, o algoritmo permite a publicação de fotografias alteradas que geram no algoritmo descrições diferentes do seu conteúdo real, o que faz com que o algoritmo fique confuso em seus resultados e ofereça imagens que não o fazem. existem. Eles são o que o usuário solicitou.

O resultado equivale a envenenar os repositórios com imagens que continuam a cumprir a sua função – o utilizador normal pode vê-las e escolhê-las para ilustrar o que quiser, respeitando as condições estabelecidas pelos artistas – mas que, se ingeridas por um algoritmo, dão dar origem a "alucinações" que distorcem o seu funcionamento. Quanto mais “envenenadas” as imagens, mais imprevisível se torna o algoritmo, obrigando as empresas a estabelecer mecanismos de monitorização dos conteúdos que utilizam para formação, aumentando consideravelmente os seus custos.

Na prática, um alerta para quem cria este tipo de ferramentas, que está por trás de muitos dos problemas que notamos na sua utilização: se você alimentar o seu algoritmo com lixo, ele vai gerar lixo. Em muitos casos, estamos a falar de uma indústria que está a tentar ir demasiado rápido, que precisa de oferecer resultados muito rapidamente para se justificar perante os seus investidores, e isso significa que estes acabam por utilizar informações inadequadas que nunca deveriam servir de base a qualquer treinamento, o que torna seus algoritmos potencialmente menos confiáveis. Basicamente, “entra lixo, sai lixo ” . Nessas coisas, como no ensino de uma criança, a pressa não é o melhor conselheiro.

Na prática, nada pode impedir um artista de tratar suas criações como bem entender, da mesma forma que até agora se acreditava que nada poderia impedir uma empresa de raspar todo o conteúdo de um repositório e utilizá-lo para treinar um algoritmo. Mas sobre estas questões há poucas verdades absolutas, e quando surge um novo uso, é comum que aqueles conceitos que assim pareciam sejam revistos, como comprovam as intenções de alguns artistas – e sobretudo, daqueles que gerem os seus direitos de autor –. a serem compensados ​​​​quando suas imagens forem usadas para treino de algoritmos.

Veremos como isto termina.

sábado, 26 de agosto de 2023

22 Messages of Hope (and Science) for Creationists

Fonte e imagens aqui

No snark, no sarcasm, no judgement, just the genuine, honest answers to 22 creationist messages.

“In science it often happens that scientists say, ‘You know that’s a really good argument; my position is mistaken,’ and then they would actually change their minds and you never hear that old view from them again. They really do it. It doesn’t happen as often as it should, because scientists are human and change is sometimes painful. But it happens every day. I cannot recall the last time something like that happened in politics or religion.” -Carl Sagan

Yesterday, a two-and-a-half hour debate took place on the topic of evolution and creationism. Earlier today, I saw this Buzzfeed post being shared left-and-right everywhere I looked, which appeared to make fun of creationists by showcasing the “ridiculous-and-condescending” 22 messages and/or questions they had for people who believed in evolution.

The thing is, if all you do is mock the people who disagree with you, you miss your chance to honestly engage with them, learn about where they come from, and — just maybe — teach them a little piece of something that they might not have known before. Now, I’m not a professional biologist; I’m a professional astrophysicist, for full disclosure, but when I saw these 22 messages, it made me think of a large number of young people I’ve encountered throughout my life in various schools, classrooms and educational situations. If these were messages posed to me, what would I say? Without further ado, here we go!

1. Are you influencing the minds of children in a positive way?
t’s very tempting to demonize anyone who doesn’t share the same perspective or beliefs as you. I myself have been chastized by christians for not being christian, by atheists for not being atheist enough, by jews for not being jewish enough, by the cool kids for being too nerdy and by the outcasts for being too mainstream, and by people of all virtually all political leanings for not having identical political leanings to them. So when you ask me (and — confession — I’m not Bill Nye), I’ve always been of the mindset that no matter what anyone else claims, you can always ask the very powerful question: how do you know?

And if you can pose a question that can be answered by looking to the Universe and asking it questions about itself, you can not only learn what we know, but also how we know it. To empower someone like that — to teach them how to seek answers to whatever questions they may have — I can’t think of a single way in which that’s a negative influence. Can you?

2.) Are you scared of a Divine Creator?
I think there is this idea out there that every scientist who doesn’t believe in the divine word of scripture thinks that science will eventually tell a complete, whole story of the Universe, including every aspect of where it came from and why. I am going to come forward and just say it right now: we know that is false. The Universe is vast — some 46 billion light years in radius — with at least 200 billion galaxies and around 10^25 planets, total, in just the part of it that’s observable to us. There are some 10^91 particles existing in the Universe right now, all of which were created some 13.8 billion years ago. But as big as these numbers are, they are finite. And because of that, so is the total amount of information present in the Universe accessible to us. We maybe able to extrapolate back to the Big Bang and even a little bit before, but the scope of what is knowable to us, even in principle, is limited.

So I understand that I can never know for certain every aspect of where this Universe came from and why, and that whatever I cannot rule out, I must admit as a possibility, however much it defies my sensibilities. Although my conception of what a Divine Creator would have to be to create our entire Universe may differ from yours, I can conceive of one. Thinking about it awes me and maybe does scare me a little; there is a Greek word that springs to mind — δεινός — that very much encapsulates how I feel.

3.) Is it completely illogical that the Earth was created mature? (I.e., trees created with rings… Adam created as an adult…)

When I was a child, after reading a particularly good Choose Your Own Adventure book, I remember having the idea that perhaps the Universe wasn’t as it seemed, and that the entire thing was created just for me at the moment of my birth. That everyone I knew who was older than me — my parents, grandparents, friends and other relatives — were created along with the rest of the Universe on the day I was born, with memories, feelings and experiences of their past that never really happened. It also occurred to me that, if this were the case, there would be no way to disprove it. But if I accepted this view of the world, there would be a great number of things I could never learn.

I could never learn about history before 1978, because it would all be a great fiction to me. I could never learn about biology, geology or astronomy, because my worldview would conflict with the evidence I’d get by asking the Universe about itself. It isn’t necessarily illogical to believe that the Universe was created in medias res, but it’s very limiting, and unnecessarily so. If ever an assumption of a 13.8 billion year old Universe conflicted with something we were able to observe and verify, I hope I would be among the first to question our assumptions.

4.) Does not the second law of thermodynamics disprove evolution?
Very quickly, no. The second law of thermodynamics states that the entropy (a physically quantifiable and measurable entity) of an isolated system can never decrease. And I definitely understand that when you look at the total entropy on the surface of the Earth today — versus the surface of the Earth some 4.5 billion years ago — we clearly are in a lower entropy state today.Image credit: Christian Joore of http://kindaoomy.com/ (L), NASA (R).

The question is: is the Earth’s surface, oceans and atmosphere an isolated system? Given that we receive energy both externally from the Sun, internally from the Earth’s core, and also a little bit cosmically from sources beyond our Solar System, the answer is no. In addition, we also radiate energy away, back out into the Universe. By all accounts, the Earth is not an isolated system. If it were — if we prevented it from absorbing or emitting any radiation or information with the outside Universe — only then could we apply the second law of thermodynamics to it.

5.) How do you explain a sunset if [there] is no God?
I think this is an outstanding question. How can you explain the sunset, in all its beauty, without appealing to the divine? You and I may have differing opinions on what makes something beautiful, but you’d have to be someone I couldn’t understand at all if you said that the sunset didn’t fall into the beautiful category.I
But this is something that science can explain quite wonderfully, including the different colors, gradations, atmospheric effects and visual illusions. To me, at least, everything is more beautiful the more you know about it.

6.) If the Big Bang Theory is true and taught as science along with evolution, why do the laws of thermodynamics debunk said theories?
Now, we’ve already taken a look at whether the laws of thermodynamics disprove evolution in question number 4, above, and concluded that they don’t, because the Earth is not an isolated system. But it can be argued that our observable Universe is. So let us ask: has the entropy of our Universe, from the moment we could first describe it with the Big Bang Theory, ever had a moment where its total entropy decreased?
The answer is no. The entropy is always increasing. With every nuclear reaction in the heart of a star, with every gravitational collapse, with every chemical bond formed or broken, when you take all of the initial-and-final products and reactants involved and look at them together, the entropy is not only increasing overall, it increases-or-stays-the-same for every single reaction. The laws of thermodynamics don’t debunk these theories, but instead make predictions about them and provide tests for them; that they pass these tests is in fact evidence that they are not invalidated.

7.) What about noetics?
Now, I’ll confess, I had to look this one up. I had been under the impression that noetics was only something that Aristotle wrote about, but a little research shows that it’s actually about: “how beliefs, thoughts, and intentions affect the physical world.” Well, this sounds like an interesting question: do beliefs, thoughts and intentions affect the physical world? And if so, how?

If you want to show that beliefs, thoughts and intentions actually do affect the physical world, all you have to do is perform a repeatable, quantifiable and measurable experiment that shows that there is an effect. You don’t even need to explain how; you just need to show that there is an effect that you can measure and quantify, and that you can repeat the effect whenever you repeat the experiment. I don’t know of any experiments at present that do this, but if you can find (or perform) them, I’m open-minded.

8.) Where do you derive objective meaning in life?
This is a tough one, and the first one where I’ll have to confess that I don’t think I do. In fact, I might even go a little farther and say that I don’t think anyone does.

There may be an objective meaning to this life or there may not be, and I may believe there is an objective meaning or I may not. But whatever the case may be, I am unable to define it without being inside my own mind. How can I (or anyone, for that matter) truly be objective about my life’s meaning when I’m unable to conceive of my own life without experiencing it. As far as I know, my life had a beginning, it is going on right now, and at some point in the future, it will end. I don’t think my life had any objective meaning before I ever existed, and although I am sure that my existence has affected (and continues to affect) the Universe, I don’t know that that fact is objectively meaningful. I just know that the Universe is different than what it would have been without me.

9.) If God did not create everything, how did the first single-celled organism originate? By chance?
This is a question where I’m proud to say “I don’t know.” Because it’s true: I don’t, but perhaps someday we will! You are asking one of the biggest questions of all: how did life come to exist in this world? And the answer is that — right now — we don’t know.

But scientists are working on it. There’s a lot that we do know that’s related to that question, but the big one — how we went from non-life to life in the Universe — is still an open one. I hope I live long enough to be there when we figure this puzzle out; don’t you?

10.) I believe in the Big Bang Theory… God said it and BANG it happened!
One of the wonderful things about this existence is that no one can ever invade your own mind and force you to think or believe something against your will. As I wrote under question number 2, there are a great many things that we do know about this Universe, and there are still a great many more things that we know about the Big Bang.
If you’re interested in learning what some of them are, I wrote a piece a couple of years ago on The Big Bang for Beginners, and I think it’s a wonderful introduction to the subject. We think we know what came before the Big Bang, but we’re not sure what came before that. If you think that there’s a God there who made it happened, I have no evidence to disprove it, but I would ask you to ask yourself this question: is that the best explanation that we have, given the evidence? Or can we learn more by not making that assumption?

11.) Why do evolutionists / secularists / [humanists] / non-God believing people reject the idea of [there] being a creator God but embrace the concept of intelligent design from aliens or other extra-terrestrial sources?

This is a pretty good question. In other words, could life have originated elsewhere in the Universe and then came to Earth? The answer seems to be absolutely yes. Let me show you a multiwavelength picture of the center of our galaxy, filled with the atoms-and-gas expelled from many generations of stars that no longer shine in our Universe.
We find many “organic” molecules in here, created naturally and spontaneously. We find sugars, we find amino acids, we find polycyclic aromatic hydrocarbons. We find ethyl formate, the molecule that gives raspberries their scent. In short, we find a great number of the building blocks of life. If there are trillions of planets in our galaxy alone, wouldn’t it be unnecessarily restrictive to claim that aliens or other extraterrestrial sources couldn’t have existed in the Universe prior to life on Earth?I

12.) There is no in between… the only one found has been Lucy and there are only a few pieces of the hundreds necessary for an “official proof.”
Lucy, for those of you who don’t know, is a fossilized ape-like creature who lived roughly 3.2 million years ago. Lucy is classified as a hominid, and represents a significant fossil find — a 40% complete fossil — of something more human-like than any of our extant ape relatives, yet less hominid like than more recent evolutionary ancestors.
For decades, Lucy was the only Australopithicus afarensis ever discovered, and the fact that the fossilized remains of even one such creature existed was seen as a remarkable serendipitous discovery. But then in 2000, the skull of Selam was discovered! Another Australopithicus afarensis, Selam lived about 120,000 years before Lucy, but this is definitely the same creature. There are many things we don’t know: is this an evolutionary ancestor or a mere “cousin” of humans? But hopefully, as more fossil discoveries happen into the future, maybe we’ll find out!

13.) Does metamorphosis help support evolution?
There are two meanings to that word “metamorphosis” that I know of, and I don’t know which one you mean. On the one hand, rocks can be metamorphic. Geologically, sedimentary rocks form in layers, as deposits build up over time. When creatures are buried in that sediment, they can fossilize over time, and given enough time, those rocks can metamorphose, usually destroying any fossils inside. In that instance, I’d say, no, metamorphosis doesn’t help support evolution; it’s a tremendous annoyance for fossil hunters.

On the other hand, some species undergo multiple life stages, such as tadpoles that turn into frogs, caterpillars that turn into butterflies, or larvae that turn into flies. Metamorphosis is simply how an organism develops and it can be easily understood in the context of evolution, although that is certainly not a required path for evolution to have taken. But there isn’t a conflict there; all of that information is encoded in the organism’s DNA.

14.) If evolution is a Theory (like creationism or the Bible), why then is Evolution taught as fact?
You are asking about the burden of proof for a theory to become accepted as a scientific truth, and that’s a very important question to ask. In fact, it’s something I’ve written about very recently, and so I’d like to quote from that piece, if you don’t mind:

“You need the data to support the foundations of your reasoning. You need the laws and correlations to build your theoretical framework atop them. You need a hypothesis or an idea of how it all fits together and can be explained by (relatively) simple principles. And finally, only if you have multiple lines of evidence and multiple tests and confirmed predictions, can you begin to rightly call your idea a theory.

“… So although it’s true that absence of evidence is not evidence of absence, there is a burden of proof that must be met before we’re willing to promote an idea or hypothesis to the status of scientific theory. Once we’re there, however, we take the predictions of that theory very seriously, and are willing to consider not only the possibility but the probability that those new predictions — even the ones for which we do not yet have evidence — might be correct, no matter how assumption-challenging they may be.”

I recommend reading the whole thing if you want the full answer.

15.) Because science is by definition a “theory” — not testable, observable nor repeatable, why do you object to creationism or intelligent design being taught in school?
Let me personally be clear: I think that creationism or intelligent design has every place in a classroom on literature, politics or social studies, just not in a science classroom. Why? Because it isn’t a scientific theory. Again, I want to ask you to read this piece where it’s explained in full, but let me quote you a different part that I think explains the difference:

Scientific laws can tell you what’s going to happen under certain conditions, but they haven’t yet advanced to the point of a scientific theory. You see, a scientific theory is even more advanced than this, and posits an explanation and/or a mechanism from which scientific laws arise. And that’s where science can really show off its true power.

You see, as the generations pass, living organisms give rise to subsequent generations of living organisms; that’s data.

Those organisms are different in measurable ways from their predecessors; that’s the scientific law of evolution.

But the mechanism behind it — that organisms have the information for their traits encoded in their DNA, that DNA mutates and (in the case of sexually reproducing organisms) combines from two parents to form an offspring’s genetic makeup, and that the least fit organisms for survival are selected against, naturally — that’s a scientific theory.

Scientific theories are the deepest and most powerful explanations of how a scientific process takes place. The germ theory of disease is a theory; biological evolution is a theory; the atomic (and subatomic) theory of matter is a theory; and the theory of gravity is a theory.

I hope this helps.

16.) What mechanism has science discovered that evidences an increase of genetic information seen in any genetic mutation or evolutionary process?
Have you ever made a photocopy of a document, and noticed some imperfections in the copy when you compared it to the original? How about photocopying a photocopy? Does it get worse? It sure does, and this is something that any imperfect copying technology will get you, from the JPEG file format to DNA.

Most of the time, genetic mutations have negative-or-neutral consequences; on rare occasion, they’re beneficial. But whenever you have a mutation that gives rise to a genetic code that didn’t exist before, that’s an increase in genetic information! In fact, genetic mutation is one of two key ingredients (the other being selection) necessary for evolution to occur. If you have them both, evolution is inevitable!

17.) What purpose do you think you are here for if you do not believe in salvation?
I promised to be honest with you in answering these questions, and in this case, that means I’m very likely going to give you an answer that you aren’t going to be able to relate to. I believe that the purpose of my existence is to increase the knowledge, understanding, and awareness that we have of the world around us, as well as the amount of kindness in it. I don’t know if that is a worthy purpose of an existence, or if it is the one that a divine being intended — if one exists and if that being has an intention for me — but it is one I have chosen for myself. If, at the end of my life, I discover there is some form of salvation, perhaps I will have earned it by living the best life I was able to live. If not, I lived a life true to the purpose I chose for myself.

18.) Why have we found only 1 “Lucy,” when we have found more than 1 of everything else?
You and I haven’t met, but I am Ethan Siegel. There are many others with that name, but there is only one Ethan Siegel that is me. Whoever she (or he) was, there was only one Lucy as well. But as far as Australopithicus afarensis, there are at least nine known extant fossil fragments of that species. In fact, in 2011, new fossil evidence was discovered showing that the foot-bones of this species were more human-like than we had realized, and that it almost certainly walked upright. There is only one “Lucy,” but there are many Australopithicus afarenses, and I’m hopeful that there will be even more to come as excavations continue!

19.) Can you believe in “the big bang” without “faith”?
There is no doubt that I can and do “believe” things. Some things, I suppose, I do take on some level of faith, in that I have faith that other scientists who came before me were scrupulous in taking their data. That they reported their results accurately. That the people who repeated and verified their work subjected it to rigorous scientific scrutiny. And that the conclusions we draw from that body of evidence are going to continue to have their predictions borne out by experiments and observations.

But if not, I am willing to change my conclusions. If bona fide evidence came in contradicting the Big Bang, if the Big Bang no longer described the Universe accurately, I would no longer believe in the Big Bang. It is possible to believe based on evidence alone, and to have a level of underlying uncertainty to your beliefs, where I can tell you exactly what sort of evidence could change my mind. I like to think that I “believe” all of the conclusions of science without “faith” in that regard.

20.) How can you look at the world and not believe Someone Created/thought of it? It’s Amazing!!!
It sure is amazing; you’ll get no disagreement from me there. The thing is, there are so many things out there that are also amazing, I don’t want to detract from the wonder of those other worlds, those other solar systems, and surely those other life forms that are out there in the Universe. I don’t know for certain where it all came from, before the Big Bang, before cosmic inflation, but when I look out at the amazing Universe we live in, this is what I think of.

I think of the billions upon billions of galaxies out there, and the trillions of worlds that exist in each one. I think of the uniqueness and diversity of each one, and I wonder at how many of them have life, and whether any of them have intelligent life out there like us? I wonder if anyone over there is wondering about any of us over here? And I wonder if, someday, two lonely species of intelligent beings will ever journey across the distances between the stars and find each other. I don’t know whether it was designed to be this way or not, and I don’t know how we can know that. But I do know that in my time here, I want to figure out as much of what we can know as possible. I’d even bet that’s something we have in common.

21.) Relating to the big bang theory… Where did the exploding star come from?
When you hear the word “bang,” it’s only natural to think of an explosion, isn’t it? But the Big Bang is no such thing; it’s one of the most common misconceptions about it. There was no primeval star that exploded, but rather a rapid expansion of space itself, and a rapid cooling of all the matter-and-radiation present therein. This piece may help explain that a little bit; instead, may I suggest this as a more accurate picture.

It wasn’t until many millions of years after the Big Bang that the first stars were able to form, and that came about due to gravitational collapse of the leftover matter from the Big Bang. It was when the most massive among them exploded that — for the first time — the Universe became filled with heavy elements. After generations of stars living and dying like that, there were finally enough to give rise to rocky planets, complex molecules, and eventually, life as we know it.

Travel the Universe with astrophysicist Ethan Siegel. Subscribers will get the newsletter every Saturday. All aboard!

And finally…

22.) If we come from monkeys then why are there still monkeys?
This is one of the most common questions I’ve seen about evolution. You might think that evolution is a picture where single-celled organisms turned into jellyfish, then into arthropods, amphibians, reptiles, mammals, primates and finally us. Well, that’s kind of true, but it’s more accurate to say that single-celled organisms gave rise to a diversity of descendents, some of which are single-celled organisms and some of which were multicellular ones. Of the multicellular ones, some of those gave rise to jellyfish, while some of those gave rise to animals with spinal cords. Of the ones with spinal cords, some of those gave rise to amphibians. And so on. Evolution isn’t a linear progression, but a complex structure with many branches.Image credit: Leonard Eisenberg, 2008, via http://evogeneao.com/.

The monkeys that existed millions of years ago evolved into both modern monkeys and modern apes, and the apes that lived just a few million years ago evolved into the modern great apes as well as — very recently, evolutionarily speaking — modern humans.

And that is what I’d have to say to any creationists who had any of these questions for someone who believed in evolution. I hope you enjoyed it!

sexta-feira, 7 de julho de 2023

Matemática, Ciências Sociais e Biologia


Muito bem e em parte. Vemos nos advogados com mais de 50 anos que se recusam a usar o PC que não seja só os textos Word. O resto (plataformas, burocracias digitais) isso é para o/a estagiária. Falta a biologia no seu texto. A Biologia já é a ciência do séc. XXI. Milhares de seres vivos já estão editados genéticamente. O que fazer com esses dados? Tentador! Além disso a Comissão Europeia anunciou em 5 de julho (2023) a sua proposta legislativa para a nova geração de Organismos Geneticamente Modificados. Também chamados organismos de edição genética ou «novas técnicas genómicas», são organismos sintéticos patenteados que, com esta proposta, fogem ao Princípio de Precaução e ao escrutínio público. Não haverá avaliação de risco ou do impacto na saúde e no ambiente. Não haverá rotulagem, nem rastreabilidade, nem sequer monitorização. A proposta representa um desrespeito completo pelos consumidores, pelos agricultores, pela indústria não OGM e pela deliberação do Tribunal Europeu de Justiça que, em 2018, determinou que os «Novos OGM» devem ser abrangidos pelo regime legal atual dos OGM. No mesmo dia em que divulgou esta proposta de lei, a Comissão Europeia também apresentou o seu regulamento para a produção e comercialização de sementes, que vai restringir drasticamente o direito a usar, trocar ou vender sementes tradicionais, ignorando e desconsiderando deliberadamente as boas práticas oferecidas pela agricultura biológica e pela agroecologia. Finalmente, os jovens nascidos em 1997-99. Nativos digitais. Afectou-lhes algumas (muitas) competências que conseguiu retratar e estamos de acordo. Exemplos não faltam: Sebastião Bugalho, Rita Matias, Gaspar Macedo e Gonçalo Sousa.

Sobre a matematização das questões sociais um leitor deixou-me este comentário: "A palavra matemática tem origem na palavra grega “mathema”, que significa ciência, conhecimento, aprendizagem. Um matemático é, na sua essência, um pensador, um filósofo. Não somos engenheiros tecnocratas".
Deixe-me agradecer e responder algumas notas.
Em geral a ciência foi toda ela transformada numa técnica, espartilhada da vida social. É funcional ao mercado. Com a automação e a IA os desejos delirantes de que a sociedade se pode explicar por algoritmos levam a uma crise que deixa a nu as situações mais ridículas, como as que vimos na pandemia, em que se faziam as mesma contas para a Quinta da Marinha e a Amadora, nem percebendo que 25% dos internamentos no Amadora Sintra de pessoas com Covid eram pessoas sem problemas, não tinham casa onde isolar-se. Apenas isso. Isto resulta da perigosa desvalorização das ciências sociais, aliás recentemente sobre França apressaram-se a responder-me que a França tem um bom Estado social, pelo que os jovens nada têm do que se queixar. É só contas, recebem para comer? Está bem.
Não, tão importante quanto a sobrevivência é a perspetiva de futuro, e aqui entra a psicanálise e a filosofia do trabalho.
O inverso também é verdade. Há imensa gente que acredita que os cientistas sociais podem ter umas vagas noções de "matemática aplicada às ciências sociais" quando deixaram de ter matemática com 14 anos. Trabalho muito com estatística, e sei criticá-la, acho que com algum saber, mas não me passa pela cabeça achar que posso fazer contas ou dados. Os meus colegas de matemática ficam loucos com as parvoíces que ouvem, e estão cheios de razão. O que se tem que fazer é pensar junto - e isso a Universidade e o Mercado obstaculizam, porque a avaliação é individual e a concorrência é total.
As épocas de maior progresso científico e artísticos são as revoluções sociais, porque se pensa junto. Andamos há décadas com os mesmos tratamentos de cancro, os mesmo motores, o que temos é uma sucessão de aplicações novas, desde a II Guerra estamos muito mais parados porque estamos em concorrência e não em cooperação.
Nós não podemos deixar de ter matemática, filosofia, português e história aos 14 anos, é um absurdo. Até ao 12º pelo menos estas disciplinas têm que ser exigentes e obrigatórias para todos.
Dito isto há um problema de fundo. Uma batalha minha. Ler, ler os clássicos, ou seja, conhecer a teoria e não apenas a técnica. Por isso a mãe de todas as ciências é a filosofia e a história, porque elas nos ensinam como pensaram antes de nós. As pessoas se querem dar saltos de compreensão da realidade têm que voltar a estudar a sério não o que se aplica, faz, constrói mas como se pensa. É preciso não fazer só o caminho mas conhecer o caminho e não rejeitar os gigantes antes de nós.
Sou filha de dois Engenheiros, na minha casa debatia-se história, filosofia e literatura tanto ou mais do que engenharia florestal. Há uma geração ou duas que acha que não tem que ler, conhecer e compreender profundamente a sociedade para opinar. Se for física quântica calam-se mas de ciências sociais dizem qualquer coisa. E isso foi passado pelos governos que aligeiraram os saberes e convenceram a sociedade que economia é contas, que história são só factos, que filosofia é impenetrável, que a literatura é um hobby. O resultado é a disseminação da ignorância. 
Mais, ninguém tem, a começar pelos dirigentes políticos, vergonha de falar do que não sabe, não lê, não conhece, e quando se diz que são ignorantes ficam ofendidos, não ficam ofendidos com serem ignorantes e com as políticas educativas e com a sociedade que temos.

quarta-feira, 22 de março de 2023

Patrik Prosko - Esculturas anamórficas impressionantes


Artista tcheco faz retratos de grandes proporções usando materiais do quotidiano. O de Nikola Tesla, por exemplo, foi montado com peças de computador, lâmpadas e dispositivos eletrónicos.

Site:

domingo, 11 de dezembro de 2022

Omar Khayyam - poeta iraniano

Shirin Neshat (artista visual Iraniana)- Women of Allah, 1996

"Procede de molde a que a tua sabedoria
não cause sofrimento ao teu semelhante
Domina-te sempre
Nunca te abandones à cólera
Se queres encaminhar-te para a paz definitiva,
sorri ao Destino quando te ferir e não vás ferir ninguém"

Biografia de Shirin Neshat

Tradução do que está escrito na mão:
"Ninguém está pensando em peixes!
Ninguém se importa com flores...
Ninguém quer acreditar que o jardim está morrendo aos poucos...
E o coração do jardim ficou cheio de hematomas por causa do sol....
Você é minha vida, mas eu vou morrer de você..."

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2022

Ser mulher na Ciência. 10 rostos que lutaram para mudar o mundo

                               
Ser mulher na Ciência. 10 rostos que lutaram para mudar o mundo
MARIA MOREIRA RATO 11/02/2022

Apesar do enorme contributo das mulheres para o desenvolvimento da Ciência, foram sempre os homens que dominaram esta área do conhecimento. No Dia das Mulheres e Raparigas na Ciência, o i conta-lhe as histórias de dez cientistas que não se resignaram perante a desigualdade de género.

Marie Curie
Nascida na Polónia oitocentista, Maria Salomea Skłodowska era a mais nova de cinco irmãos, tendo crescido no seio de uma família que perdera propriedades e passara a esforçar-se por saldar as dívidas e viver com o mínimo conforto.

Depois de ter trocado a Polónia por França e ter casado com Pierre Curie, sendo mãe de duas raparigas, tornou-se a primeira mulher a lecionar na Universidade de Paris.

Naquela instituição, estudara Física, Química e Matemática, vindo o seu trabalho a ser aclamado por ter encetado uma investigação pioneira na radioatividade e descoberto os elementos rádio e polónio. Ganhou o Prémio Nobel de Química de 1911 por essa descoberta – oito anos antes, havia sido galardoada com o Prémio Nobel da Física.

Katherine Johnson
Nascida numa pequena cidade no estado norte-americano da Virgínia, em 1918, acabou o ensino secundário aos 14 anos e licenciou-se aos 18. “Contava tudo. Contava os passos na rua, os passos na igreja, a loiça que lavava... tudo o que podia ser contado, eu contava”, explicou. Trabalhou como professora e foi dona de casa até ser recrutada como matemática pelo antecessor da NASA, o Comité Nacional para Aconselhamento sobre Aeronáutica.

Calculou a trajetória das primeiras missões espaciais da NASA e mapeou a superfície da Lua antes da aterragem da Apollo 13, em 1969. A mulher negra que não cruzou os braços perante a segregação racial e o machismo perdeu a vida a 24 de fevereiro de 2020, com 101 anos.

Rosalind Franklin
A experiência realizada por Rosalind Franklin resultou na descoberta da estrutura do ADN e no Prémio Nobel da Química de 1962. A segunda de cinco filhos de uma família judia nasceu em julho de 1920 em Notting Hill, Londres, e sempre soube que queria ser cientista.

Em 1938, à revelia dos pais - que queriam que trabalhasse como assistente social -, inscreveu-se na Universidade de Cambridge. Lá, conheceu Bill Price, que se tornaria seu colega na King’s College de Londres e Adrienne Weill, refugiada francesa e ex-aluna de Marie Curie.

Sofrendo de cancro do ovário, morreu aos apenas 37 anos, tendo conseguido antes obter financiamento para manter a sua equipa por mais três anos através do estudo da poliomielite.

Elvira Fortunato
Em março de 2021, duas semanas depois de ter vencido o Prémio Pessoa 2020, a engenheira Elvira Fortunato foi distinguida com o WFEO GREE Award Women 2020, o maior prémio internacional de Engenharia que premeia o trabalho desenvolvido por mulheres engenheiras em todos os países.

A candidatura da cientista de 56 anos foi apresentada pela Ordem dos Engenheiros (OE), que é membro conselheiro desta associação profissional. A também professora catedrática foi a vencedora entre mais de duas dezenas de concorrentes.

A 8 de junho de 2010, a vice-reitora da Universidade Nova de Lisboa já havia sido agraciada com o grau de Grande-Oficial da Ordem do Infante D. Henrique.

Maria Mota
Investigadora especialista em malária do Instituto de Medicina Molecular – IMM (do qual é atualmente diretora), em Lisboa, licenciou-se em Biologia na Faculdade de Ciências da Universidade do Porto. Terminou a tese de doutoramento na University College de Londres, em 1998, e fez o pós-doutoramento na New York University Medical Center, em 2001, onde também exerceu funções enquanto docente.

Aos 50 anos, estuda a malária no Instituto Gulbenkian de Ciência, sendo que terá decidido estudar esta doença quando viu uma fotografia do parasita que causa Leishmaniose num livro. Em dezembro de 2013, aos 42 anos, tornou-se a pessoa mais nova de sempre a receber o Prémio Pessoa.

Vera Rubin
Pioneira no estudo das curvas de rotação de galáxias espirais, passou pelo Vassar College e pelas Universidade Cornell e Universidade de Georgetown, nos EUA, não tendo recebido qualquer resposta por parte de Princeton por esta instituição não receber estudantes do género feminino em determinados programas.

Em 1954, defendeu a tese de doutoramento e revelou que descobrira que as galáxias se aglomeravam e não se distribuíam aleatoriamente pelo universo. Morreu aos 88 anos, a 25 de dezembro de 2016, tendo sido galardoada com a Medalha Nacional de Ciências (1993) ou o Prémio Weizmann de Mulheres na Ciência (1996). Ficou também conhecida por ter percebido que as galáxias devem conter uma quantidade significativa de matéria escura.

Barbara McClintock
Nascida no estado norte-americano do Connecticut no ano de 1902, foi laureada com o Prémio Nobel da Medicina de 1983 por ter descoberto elementos genéticos móveis em plantas. Tal se deveu ao facto de, na década de 40, Barbara ter realizado experiências com variantes de milho e descoberto que “a informação genética não era imóvel” e que os genes podem “ligar” e “desligar” a manifestação física de certos fenótipos.

Licenciou-se em Botânica na Faculdade de Agricultura da Universidade Cornell e fez um curso de pós-graduação em genética na Universidade Cornell, em 1922. Exerceu funções enquanto líder e investigadora no Cold Spring Harbor Laboratory em Long Island, Nova Iorque, depois de ter ganho o Nobel. Morreu aos 90 anos de causas naturais.

Rita Levi-Montalcini
O pai não a encorajava a seguir para o ensino superior por temer que tal acabasse por perturbar a sua vida como mãe e esposa, no entanto, entendeu que Rita estava determinada a tirar Medicina. Terminou o curso em 1936, mas ficou na Universidade de Turim a desempenhar o cargo de assistente do professor Giuseppe Levi, que compreendera desde o início do percurso de Rita que esta gostava particularmente de saber mais sobre o desenvolvimento do sistema nervoso.

Ganhou o Prémio Nobel da Medicina, em 1986, por ter descoberto uma substância do corpo que estimula e influencia o crescimento de células nervosas. Assim, contribuiu para que se soubesse mais sobre as doenças de Alzheimer e Huntington.

Dorothy Hodgkin
A química inglesa é conhecida por ter descoberto a cristalografia de raios-x, mas descobriu a estrutura da insulina, a da penicilina - que Ernst Boris Chain e Edward Abraham haviam estudado antes - e a da vitamina B12. Deste modo, tornou-se a terceira mulher a ganhar o Prémio Nobel da Química, em 1964.

Sabe-se que Dorothy ingressou numa unidade da Universidade de Oxford que recebia exclusivamente estudantes do género feminino, em 1928, e em 1937 concluiu o doutoramento na Universidade de Cambridge. Foi nesta instituição que iniciou o estudo da estrutura das proteínas e determinou a estrutura da vitamina B12 anteriormente mencionada. Casou com o historiador Thomas Lionel Hodgkin e morreu aos 84 anos em 1994 vítima de um AVC.

Chien-Shiung Wu
Tendo recebido alcunhas como “Primeira Dama da Física”, “Madame Curie da China” ou “Rainha da Investigação Nuclear”, estudou numa escola feminina fundada pelo pai, na China. Em 1929, foi admitida na Universidade Central Nacional, em Nanjing, e estudou Matemática.

No entanto, sempre admitiu que se interessava mais pela área da Física. Trabalhou no Projeto Manhattan, ajudando a criar o processo de separação do urânio em urânio-235 e urânio-238 por difusão gasosa, mas também levou a cabo a chamada “Experiência de Wu” que contradizia o hipotético princípio de conservação de paridade, conseguindo definir operacionalmente as direções esquerda e direita sem referência ao corpo humano. Morreu em Nova Iorque, em 1997, aos 84 anos.

Saber mais:

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2022

The race to save the Internet from quantum hackers

The quantum computer revolution could break encryption — but more-secure algorithms can safeguard privacy.

In cybersecurity circles, they call it Q-day: the day when quantum computers will break the Internet.

Almost everything we do online is made possible by the quiet, relentless hum of cryptographic algorithms. These are the systems that scramble data to protect our privacy, establish our identity and secure our payments. And they work well: even with the best supercomputers available today, breaking the codes that the online world currently runs on would be an almost hopeless task.

But machines that will exploit the quirks of quantum physics threaten that entire deal. If they reach their full scale, quantum computers would crack current encryption algorithms exponentially faster than even the best non-quantum machines can. “A real quantum computer would be extremely dangerous,” says Eric Rescorla, chief technology officer of the Firefox browser team at Mozilla in San Francisco, California.

As in a cheesy time-travel trope, the machines that don’t yet exist endanger not only our future communications, but also our current and past ones. Data thieves who eavesdrop on Internet traffic could already be accumulating encrypted data, which they could unlock once quantum computers become available, potentially viewing everything from our medical histories to our old banking records. “Let’s say that a quantum computer is deployed in 2024,” says Rescorla. “Everything you’ve done on the Internet before 2024 will be open for discussion.”

Even the most bullish proponents of quantum computing say we’ll have to wait a while until the machines are powerful enough to crack encryption keys, and many doubt it will happen this decade — if at all.

But the risk is real enough that the Internet is being readied for a makeover, to limit the damage if Q-day happens. That means switching to stronger cryptographic systems, or cryptosystems. Fortunately, decades of research in theoretical computer science has turned up plenty of candidates. These post-quantum algorithms seem impervious to attack: even using mathematical approaches that take quantum computing into account, programmers have not yet found ways to defeat them in a reasonable time.

Which of these algorithms will become standard could depend in large part on a decision soon to be announced by the US National Institute of Standards and Technology (NIST) in Gaithersburg, Maryland.

In 2015, the US National Security Agency (NSA) announced that it considered current cryptosystems vulnerable, and advised US businesses and the government to replace them. The following year, NIST invited computer scientists globally to submit candidate post-quantum algorithms to a process in which the agency would test their quality, with the help of the entire crypto community. It has since winnowed down its list from 65 to 15. In the next couple of months, it will select a few winners, and then publish official versions of those algorithms. Similar organizations in other countries, from France to China, will make their own announcements.

But that will be only the beginning of a long process of updating the world’s cryptosystems — a change that will affect every aspect of our lives online, although the hope is that it will be invisible to the average Internet user. Experience shows that it could be a bumpy road: early tests by firms such as Google haven’t all run smoothly.

“I think it’s something we know how to do; it’s just not clear that we’ll do it in time,” Peter Shor, a mathematician at the Massachusetts Institute of Technology in Cambridge whose work showed the vulnerabilities of present-day encryption, told Nature in 2020.

Even if Q-day never happens, the possibility of code-breaking quantum machines has already changed computer science — and, in particular, the ancient art of cryptography. “Most people I know think in terms of quantum-resistant crypto,” says computer scientist Shafi Goldwasser, director of the Simons Institute for the Theory of Computing at the University of California, Berkeley.

segunda-feira, 31 de janeiro de 2022

Sobre sondagens - A dura verdade sobre o chocolate

Fazer uma tracking poll com estas características não é dar notícias, é criar notícias, fazendo uma festa com os comentadores de serviço.




Há uns anos, foi notícia um estudo fantástico: o chocolate preto ajudava a emagrecer. A notícia era verdadeira, o estudo era real e feito por um médico. E, no entanto, era tudo mentira. Confuso?

John Bohannon, jornalista, contratou um médico para fazer um estudo sobre os efeitos do chocolate preto. Recrutou 15 pessoas, que dividiu em três grupos. Um de controlo, outro que seguiu uma dieta baixa em hidratos de carbono e, finalmente, um outro que, além de seguir a dieta low carb, comia todos os dias 40 gramas de chocolate preto. Avaliaram a evolução de 18 parâmetros de saúde (peso, colesterol, gordura no corpo, etc.) à terceira semana e descobriram que o grupo do chocolate preto fora o que perdera mais gordura. Conclusão? O chocolate preto ajuda a perder peso.

O que há de errado no referido estudo? Com apenas cinco pessoas por grupo e medindo 18 parâmetros, era garantido que, por pura sorte, o grupo do chocolate preto teria melhor performance num deles. Há muitos fatores que influenciam o nosso corpo: stresse, exercício, sono, meteorologia, etc. Com 18 indicadores, só por muito azar não se encontraria um que tivesse melhorado no grupo do chocolate. Trata-se, pois, de um estudo sem poder estatístico: não é capaz de distinguir efeitos reais de pura sorte. Depois de publicadas as notícias, John Bohannon veio a público explicar o esquema e mostrar como era fácil enganar jornalistas ávidos por ter o que escrever.

As tracking polls da CNN são similares. Nestas sondagens, a Pitagórica inquire diariamente 152 pessoas e reporta os resultados ao fim de quatro dias, quando tem uma amostra de 608 respostas. Não é enorme, mas é aceitável. Depois, a cada dia que passa, exclui as 152 entrevistas mais antigas e acrescenta 152 novas e reporta os valores da sondagem assim obtida. O que há de errado nisto? A variação em cada dia é causada precisamente por 152 entrevistas, uma amostra minúscula. Tal como com o chocolate, vai haver, garantidamente, variações aparentemente dignas de notícia, mesmo que não haja nenhuma notícia para dar.

Para não maçar o leitor com explicações técnicas, vou fazer uma sondagem tecnicamente perfeita e totalmente controlada por mim. Pode replicá-la em casa, bastando-lhe para isso o Excel.

Imagine que há dois partidos que têm 35% das intenções de voto cada um. Pode chamar-lhes Partido Rosa (PR) e Partido Laranja (PL). Numa sondagem bem conduzida, cada pessoa entrevistada terá 35% de probabilidade de ser do PR, 35% de ser do PL e 30% de outro qualquer. Como represento esta realidade política no Excel? Com as suas ferramentas estatísticas, consigo gerar um número aleatório entre 0 e 100. Se este estiver entre 0 e 35, declaro que é eleitor do PR; se estiver entre 65 e 100, que é do PL; e se estiver entre 35 e 65, é de outro qualquer. Faço isto 152 vezes, tal como a Pitagórica faz para a CNN, e tenho um dia de sondagens feito. Repito o procedimento uma segunda, terceira e quarta vez e tenho uma sondagem feita a 608 pessoas. Depois acrescento mais um dia, retirando-lhe o mais antigo e vou por aí fora, criando uma tracking poll diária, sempre com 608 observações. Mas, lembre-se, os verdadeiros parâmetros são sempre os mesmos: 35% para o Partido Rosa e 35% para o Partido Laranja, quaisquer variações são pura sorte e não têm qualquer significado.

Pode ver a minha tracking poll de 17 dias no gráfico. Variações interessantes e a exigir comentário político: no dia 4, o PL tem uma vantagem de 11 pontos percentuais, que se vai desvanecendo, até que, no dia 8, o PR passa para a frente, mantendo-se um empate técnico por alguns dias até que, a partir do dia 13, o PL volta a descolar.

Imagine as notícias e os comentadores. No dia 4, o líder do PL era um génio e almejava uma maioria absoluta. Entre o dia 4 e 8, os debates correram-lhe mal e cometeu umas gafes de campanha, perdendo a vantagem. Com o aproximar da eleição, os indecisos deixam de estar indecisos e o voto útil favorecerá o PL e, por isso, a partir do dia 13, retoma alguma da vantagem que tinha no início.

Mas, claro, é tudo treta. Na verdade, nesta população, o PR e PL tiveram sempre as mesmas intenções de voto: 35%.

Moral da história? Fazer uma tracking poll com estas características não é dar notícias, é criar notícias, fazendo uma festa com os comentadores de serviço.

P.S. — Se quiser o ficheiro Excel com estes cálculos para fazer as suas experiências, é só pedir-me por e-mail. Poderá repetir as vezes que quiser. O gráfico que usei para ilustrar este artigo foi obtido à terceira tentativa.

Professor de Economia da Universidade do Minho
lfaguiar@eeg.uminho.pt