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sexta-feira, 28 de junho de 2024

Portugal é o único país a alcançar presidência da Comissão Europeia, Conselho e ONU


Com a eleição do ex-primeiro-ministro António Costa pelos chefes de Estado e de Governo da União Europeia, Portugal torna-se o único país a ter alcançado a liderança do Conselho Europeu, da Comissão Europeia e das Nações Unidas.

O ex-primeiro-ministro português, o socialista António Costa, foi ontem eleito pelos chefes de Estado e de Governo da União Europeia como presidente do Conselho Europeu para um mandato de dois anos e meio, foi anunciado em Bruxelas.

De acordo com fontes diplomáticas, a decisão foi adotada numa reunião do Conselho Europeu, em Bruxelas, na qual os líderes da União Europeia (UE) propuseram também o nome de Ursula von der Leyen para um segundo mandato à frente da Comissão Europeia, que depende porém do aval final do Parlamento Europeu, e nomearam a primeira-ministra da Estónia, Kaja Kallas, para Alta Representante da UE para os Negócios Estrangeiros e a Política de Segurança, sujeita à eleição pelos eurodeputados de todo o colégio de comissários.

Um feito que o primeiro-ministro, Luís Montenegro, atribuiu esta semana a uma “capacidade extraordinária de Portugal”, que alcançou “apoio e reconhecimento suficientes para o desempenho de altas funções em organizações internacionais variadas e de reputada importância”.

O antigo chefe do Governo socialista António Guterres desempenha atualmente o segundo mandato como secretário-geral das Nações Unidas, cargo que iniciou em janeiro de 2017.

José Manuel Durão Barroso, antigo primeiro-ministro social-democrata, liderou a Comissão Europeia durante dois mandatos, entre 2004 e 2014.

“E houve outras alturas em que tivemos lugares importantes”, salientou Montenegro, dando os exemplos do antigo comissário europeu António Vitorino (PS) à frente da Organização Internacional das Migrações (2018-2023), da presidência do Eurogrupo exercida pelo antigo ministro das Finanças do PS Mário Centeno (2018-2020), ou, atualmente, do antigo ministro social-democrata Jorge Moreira da Silva, que dirige a UNOPS (agência da ONU para as infraestruturas e gestão de projetos).

“É o reconhecimento da qualidade dos nossos cidadãos que se disponibilizam para o exercício de funções políticas, e obviamente de todos os serviços e acompanhamento de retaguarda, incluindo a nossa rede diplomática e todos os funcionários que temos em várias instituições”, referiu o primeiro-ministro esta quarta-feira, no parlamento, durante o debate preparatório do Conselho Europeu.

“O facto de termos um país com uma grande história, termos demonstrado ao longo dos séculos a nossa capacidade, termos uma das línguas mais faladas do mundo - tudo isso tem sido reconhecido”, comentou Luís Montenegro.

Para o chefe do Governo, estas nomeações de portugueses para cargos de topo são uma “oportunidade de não sermos aquilo que às vezes somos, demasiado pessimistas sobre nós próprios”.

domingo, 2 de junho de 2024

Descobertos fósseis que podem ter sido dos maiores animais do mundo


Entre 1976 e 1990 foram descobertos restos fósseis que pertencem a três novos ictiossauros na Formação Kössen, nos Alpes Suíços. Os paleontólogos encontraram um dente que acreditam ser o maior de que há registo, com uma largura duas vezes maior do que qualquer réptil aquático conhecido. Além disso, encontraram também a maior vértebra de tronco da Europa, que pertencia a um ictossauro, e que compete com o maior fóssil de réptil marinho descoberto até hoje – um da espécie Shastasaurus sikkanniensis, com 21 metros de comprimento. O grupo acredita, por isso, que estes fósseis desenterrados na Suíça podem pertencer aos maiores animais que já viveram no Planeta.

“Talvez existam mais restos das gigantes criaturas marinhas escondidas debaixo das geleiras”, sugere Martin Sander, principal autor do estudo. “Haviam apenas três grupos de animais que tinham massas superiores a 10-20 toneladas métricas: dinossauros de pescoço longo (saurópodes); baleias; e os ictiossauros gigantes do Triássico”, explica.

Os ictiossauros surgiram na Terra há cerca de 250 milhões de anos atrás, e atingiram a sua maior diversidade no Triássico Médio, tendo ainda algumas persistido durante o período Cretáceo. O seu corpo era idêntico ao das baleias, e o focinho muito parecido ao dos golfinhos.

Os espéciemes gigantes foram encontrados principalmente na América do Norte, mas também nos Himalaias e na Nova Caledónia. Contudo, esta descoberta confirma a expansão dos mesmos, que era ainda desconhecida.

“Em Nevada, vemos o início dos verdadeiros gigantes, e nos Alpes, o fim. Apenas os golfinhos de médio a grande porte – e com formas semelhantes às orcas sobreviveram no Jurássico”, afirma Martin Sander.

quarta-feira, 27 de março de 2024

A pandemia dos eucaliptos


Portugal, um país de curiosos recordes mundiais. A maior feijoada, o maior pão com chouriço ou os maiores chifres de um bode são alguns dos feitos registados no Guinness. O país é igualmente recordista mundial no uso de uma planta que vem do lado oposto do globo terrestre. Eucalyptus globulus. São perto de um milhão de hectares cobertos somente por esta espécie. Quase 30% daquilo a que chamamos floresta portuguesa.

“Se viajarmos de norte a sul do país, são assustadoras as áreas de monocultura de eucalipto pegadas umas às outras. A paisagem está completamente destruída. Daí se chamarem desertos verdes”, observa o biólogo e especialista em agrofloresta José Mateus.

“Ter um distrito inteiro em que a única floresta que existe são plantações, seja aqui, seja as palmeiras para óleo de palma, é desastroso”, anui Paulo Pereira, biólogo e co-autor da Lista Vermelha da Flora Vascular de Portugal Continental. Publicada no início do outono, este projeto avaliou perto de 400 espécies de árvores e plantas nativas que estão hoje ameaçadas de extinção em Portugal, devido sobretudo à intensificação agrícola, às barragens, aos incêndios e às espécies invasoras.

Em 2017, um estudo internacional em que participou a Universidade de Coimbra concluíra: "os eucaliptais geram autênticos 'desertos' à sua volta, provocando uma dramática redução da biodiversidade do território". Em 2019, outro estudo realizado por investigadores de seis instituições de ensino superior e coordenado por Ernesto de Deus mostrou várias evidências do potencial invasor do eucalipto.

No verão passado, investigadores da Universidade Técnica de Munique e da Universidade de Zurique detetaram através de imagens de satélite 15 territórios da rede Natura 2000 afetados por eucaliptos, nove dos quais “fortemente afetados”. “Estes ecossistemas são únicos e albergam várias espécies ameaçadas”, lembraram ao jornal Público. Consideraram os eucaliptos uma das maiores ameaças ambientais, pois “substituem a vegetação existente e atuam como combustível para potenciais incêndios florestais futuros”. Um ciclo que, face às alterações climáticas, preveem cada vez mais recorrente em Portugal.

Monchique é um exemplo revelador. Há 17 anos que é considerado Zona de Proteção Especial da rede Natura 2000, com 50 espécies naturais entre as mais valiosas e ameaçadas do continente europeu. Já então o ICNF, Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas, identificara as principais ameaças: a atividade de florestação intensiva com espécies exóticas, os incêndios florestais e a destruição da vegetação autóctone. Em 2018, Monchique ardeu brutalmente. Quem habita a serra tem visto com incredulidade e revolta o regressar dos eucaliptais industriais sobre as áreas ardidas, e o brotar descontrolado de eucaliptos no pós-fogo, espalhando-se para novos terrenos.

Após os trágicos incêndios de 2017, o governo alterou a famigerada “Lei do Eucalipto Livre”. Hoje, é apenas permitido plantar eucaliptos em áreas de eucaliptal já existentes, ou numa nova área se se arrancar uma área de eucalipto equivalente. Entretanto, nos meses entre o anúncio da nova lei e a sua entrada em vigor, a ganância que mora na sombra dos eucaliptais teve o seu apogeu. Os viveiros industriais, de onde nas últimas décadas saíram mais de um bilião destas árvores, esgotaram para responder à frenética corrida ao eucalipto. Números facultados pelo ICNF revelam a cumplicidade do instituto: as autorizações para alastrar eucalipto a novas áreas tiveram nesse ano de 2017 o seu pico, com mais de 2200 hectares aprovados.

De acordo com o Público, em 2009 o ICNF elaborara uma proposta para classificar o eucalipto como espécie invasora – proposta que terá desaparecido sem explicação.

Procurámos saber a posição do instituto hoje. Sediado na aparentemente impenetrável floresta de betão da Avenida da República, em Lisboa, o ICNF responde apenas por email. E a resposta é taxativa. “Facilmente se infere que o eucalipto não é uma espécie invasora”, lê-se, “porque não é suscetível de ocupar naturalmente o território de uma forma excessiva, provocando uma modificação significativa nos ecossistemas.” O instituto explica: o raio de dispersão das sementes é limitado, o vigor dos eucaliptos que brotam espontaneamente é inferior ao dos obtidos em viveiro, sendo eliminados precocemente e dominados pelos arbustos e árvores pré-existentes.

No mesmo email, defende que a análise dos incêndios não faz “qualquer referência a situações de ‘elevada inflamabilidade’ relacionados com qualquer espécie”. E aprova a reflorestação pós-fogo com novos eucaliptos. “A reflorestação com qualquer espécie florestal não provoca o seu aumento territorial e é fundamental como medida de contenção e minimização dos impactos no solo e biodiversidade após os incêndios florestais.”

O instituto cuja missão é a proteção da nossa floresta não avista qualquer relação entre eucaliptais e incêndios, nem o perigo de esta espécie se tornar dominante. Uma visão que, se não cola propriamente com a das populações ou da academia, cola perfeitamente com a da indústria do papel, de empresas como a Altri e a Navigator. De resto, recorda o ICNF, “a Estratégia Nacional para as Florestas em Portugal reconhece a necessidade de garantir resposta à procura de matérias-primas das principais fileiras silvo-industriais”.

Uma floresta ligada à máquina
Em apenas duas gerações, a floresta em Portugal passou de ser o sustento da vida nas aldeias, com base numa convivência quotidiana e ancestral, a um cobiçado recurso para a indústria. Primeiro com a intervenção autoritária do Estado Novo, e o Fundo de Fomento Florestal nos anos 50, depois com a intervenção autoritária do mercado, marcada pela entrada na CEE e pelo Projeto Florestal Português financiado pelo Banco Mundial, nos anos 80. E o interior do país, enquanto se encheu de monoculturas florestais de pinhal e o eucalipto, esvaziou-se de pessoas.

“Houve um grande crescimento de tudo o que é floresta artificial, por vezes completamente estranha à ecologia de cada lugar”, observa Paulo Pereira. Para o biólogo, o advento da engenharia agronómica trouxe consigo uma certa presunção do ser humano achar que controla todos os processos. “Em qualquer tipo de sistema agrícola intensivo, há aquela ideia de que a única coisa que nos interessa é o que temos a produzir. Tudo o resto é concorrência a eliminar. Isto é como ligar a nossa produção à máquina. Como se tivéssemos um doente de Covid ligado ao respirador. Só com a água a pingar, adubos, tratores, pulverização de inseticidas e herbicidas todo o ano se consegue manter a cultura. Estamos a criar um zombie, que não tem qualquer autonomia fora do cuidado humano.”

domingo, 10 de dezembro de 2023

Celebração dos 75 anos da Declaração Universal dos Direitos Humanos

O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, alertou este domingo para a crescente ameaça que a desigualdade, o autoritarismo e os conflitos armados representam para os direitos e liberdades da população do planeta.


"O mundo está a perder o rumo", afirmou Guterres.
"Os conflitos estão a espalhar-se com virulência. A pobreza e a fome estão a aumentar. As desigualdades estão a tornar-se mais profundas, as alterações climáticas tornaram-se uma crise humanitária, o autoritarismo está a aumentar, o espaço civil está a diminuir, os meios de comunicação estão sitiados, a igualdade de género é um sonho distante e os direitos reprodutivos das mulheres estão a retroceder", lamentou o secretário-geral da ONU.
Todas estas crises ameaçam a Declaração Universal dos Direitos Humanos, segundo o responsável da ONU.
"Todos os seres humanos nascem livres e iguais na sua dignidade e direitos", referiu Guterres, acrescentando que este princípio deveria ser "o roteiro para acabar com as guerras, curar divisões e promover uma vida de paz e dignidade para todos".
"A Declaração Universal dos Direitos Humanos mostra-nos o caminho para resolver tensões, exercer valores comuns e criar a segurança e a estabilidade que o nosso mundo tanto anseia", afirmou o secretário-geral da ONU.
Neste sentido, Guterres apelou para que os Estados-membros da ONU "reforcem o seu compromisso com os valores intemporais" refletidos na Declaração, especialmente tendo em vista a Cimeira do Futuro, que se vai realizar em setembro de 2024, na qual os líderes mundiais discutirão novos aspetos sociais, culturais e económicos a seguir durante a próxima década.

O Alto-Comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Volker Türk, também afirmou este domingo a importância da Declaração Universal dos Direitos Humanos.

"Agora, mais do que nunca, é a hora dos Direitos Humanos", observou, dizendo que a Declaração "não é apenas um documento histórico, mas um testemunho vivo" da humanidade que partilhamos, "um guia intemporal".

Na opinião do Alto-Comissário, o mundo sofre atualmente com níveis de conflitos violentos nunca vistos desde o final da II Guerra Mundial, com o agravamento das desigualdades, o aumento da discriminação e o discurso do ódio, da impunidade, do aumento das divisões e polarização, além da emergência climática.

"Isto realça ainda mais a necessidade de fazer um balanço, aprender lições e delinear em conjunto uma visão para o futuro baseada nos direitos humanos. A Declaração Universal oferece uma promessa de que todos nascemos em igualdade de direitos e dignidade e um plano de ação. Este ato constitui um momento de grande reflexão para buscarmos conjuntamente soluções comuns focadas nos direitos humanos", destacou Türk.

Saber mais:

segunda-feira, 27 de novembro de 2023

Hey Joe - algumas boas versões da canção de Jimi Hendrix

The Jimi Hendrix Experience - Hey Joe (1967)

Nick Cave, Mick Harvey, Toots Thielemans & Charlie Haden - Hey Joe [1990]

Nick Cave and the Bad Seeds - Hey Joe

Otis Taylor Band: Hey Joe
Saber mais:
  1. História da canção Hey Joe
  2. Steve Vai leads 7,968 guitarists in a world record-breaking performance of Jimi Hendrix classic Hey Joe
Poema

segunda-feira, 31 de julho de 2023

Já estamos em ebulição global


A partir desta quinta-feira, 27 de julho, o aquecimento global chegou oficialmente ao fim e começou uma nova era: “A ebulição global”. As palavras fortes são de António Guterres, secretário-geral da Organização das Nações Unidas, numa conferência de imprensa em que revelou o que julho de 2023 pode muito bem tornar-se no mês mais quente de sempre na história registada.

“As alterações climáticas estão aqui. É assustador e isto é apenas o início”, disse Guterres. “Ainda é possível limitar o aumento da temperatura global para 1,5 graus e evitar o pior. Mas isto apenas funcionará com ações drásticas e imediatas.”

A informação dada pelo secretário-geral surge após cientistas terem confirmado também nesta quinta-feira que as últimas três semanas foram as mais quentes algumas vez registadas. Karsten Haustein, da Universidade de Leipzig, garante que o mundo está 1,5 graus mais quente este mês do que em qualquer outro julho antes da industrialização.

Em causa estão fatores como a poluição humana. “A humanidade está em risco. Para uma vasta parte da América do Norte, Ásia, África e Europa, está a ser um verão cruel. Para o resto do planeta, é um desastre. E para os cientistas, não há dúvidas: a culpa é das pessoas.”

Vários avisos já tinham sido dados pela comunidade científica ao longo dos últimos nos, por isso esta situação não é propriamente um choque. O que surpreende os especialistas é mesmo a forma acelerada como as temperaturas estão a mudar.

Guterres pediu ainda que os políticos não ficassem estáticos e que tomassem medidas rapidamente. “Este ar não é respirável, o calor não se aguenta, e o nível de inação é inaceitável. Líderes devem liderar. Chega de hesitação e desculpa. já não há tempo para isso”.

Petteri Taalas, secretário-geral da Organização Meteorológica Mundial, também deixa um aviso: “A necessidade de reduzir o efeito estufa é mais urgente do que nunca. A ação climática não é um luxo, mas uma necessidade.”

Não esquecer que entre 65% e 80% do CO2 libertado no ar por acção do homem dissolve-se no oceano num período entre 20 a 200 anos. O restante é removido por processos mais lentos que levam centenas de milhares de anos, incluindo a meteorização química e formação de rochas. Isso significa que, uma vez na atmosfera, o dióxido de carbono pode continuar a afectar o clima por milhares de anos [artigo científico]

terça-feira, 6 de junho de 2023

Llanfairpwllgwyngyllgogerychwyrndrobwllllantysiliogogogoch


Falam do português ser difícil. Por causa dos _inhos e _inhas. Imaginem o gaélico. Já conhecem o nome mais longo no País de Gales? É uma pequena cidade na ilha de Anglsey e chama-se Llanfairpwllgwyngyllgogerychwyrndrobwllllantysiliogogogoch. Traduzido significa "Saint Mary's Church in the hollow of the white hazel near a rapid whirlpool and the Church of St. Tysilio of the red cave".

Um meteorologista do Canal 4 surpreendeu o público da TV um dia, quando descreveu o tempo em Llanfairpwllgwyngyllgogerychwyrndrobwllllantysiliogogogoch perfeitamente.

A atriz Naomi Watts fez um trabalho semelhante em março, quando contou a Jimmy Kimmel sobre a cidade, onde morou por três anos com os avós.

De acordo com o livro de 2005 de David Barnes, The Companion Guide to Wales, a vila foi originalmente chamada de Llanfair Pwllgwyngyll. Foi renomeado no século 19 para ganhar um recorde mundial do Guinness para o maior nome de estação ferroviária no Reino Unido - um título que ainda mantém hoje.

Se quiser aprender a pronunciar Llanfairpwllgwyngyllgogerychwyrndrobwllllantysiliogogogoch, um site dedicado ao idioma galês tem um guia para esse fim.

Para saber mais:

quinta-feira, 11 de maio de 2023

Centeios mais antigos da Península Ibérica descobertos no Norte de Portugal e Galiza


Uma equipa internacional liderada por investigadores portugueses divulgou hoje um estudo que permite conhecer o centeio mais antigo da Península Ibérica e discute a cronologia e o contexto histórico em que esta espécie foi introduzida e cultivada nesta região.

De acordo com os investigadores, os grãos e restos de espigas de centeio mais antigas da Península Ibérica datam da Idade do Ferro, nomeadamente de um período entre o século III a.C. e a primeira metade do século I a.C., foram recolhidos nos sítios arqueológicos do Freixo/Tongobriga (Marco de Canaveses), Crastoeiro (Mondim de Basto) e Castro de São Domingos (Lousada) no Norte de Portugal, bem como no Castelo Pequeno de Santigoso (A Mezquita) na Galiza.

A cronologia foi confirmada através de uma série de datações de radiocarbono e da aplicação de análises estatísticas, numa investigação que decorreu no BIOPOLIS/CIBIO-InBIO (Centro de Investigação em Biodiversidade e Recursos Genéticos, Universidade do Porto), no âmbito do doutoramento de Luís Seabra e no contexto de uma ampla colaboração entre investigadores de instituições como a School of Archaeology da University of Oxford, Universidad de Cantabria, Museu de História Natural e da Ciência da Universidade do Porto, Centro de Estudos Interdisciplinares da Universidade de Coimbra, Wessex Archaeology e o Centro de Arqueologia da Universidade de Lisboa.

A busca pelo centeio mais antigo do território peninsular, e um dos mais antigos da Europa ocidental, iniciou-se há oito anos quando Luís Seabra estudava, no âmbito do seu mestrado, um conjunto de frutos e sementes provenientes do sítio do Crastoeiro, localizado no sopé do mítico Monte Farinha, mais conhecido por Alto da Senhora da Graça.

Na altura, uma datação de radiocarbono permitiu compreender a antiguidade do centeio aí encontrado, mas, tratando-se de um caso isolado, era difícil entender a sua integração na agricultura da Idade do Ferro da região.

Ao avançar para doutoramento, Luís Seabra estudou “inúmeros” conjuntos arqueológicos e arqueobotânicos em busca de mais centeio e encontrou o que procurava.

“Compreendemos que o centeio surge com mais recorrência do que antes pensávamos, em sítios da Idade do Ferro, mais precisamente, com cronologias estimadas entre os séculos III e I a.C., no Norte de Portugal e sul da Galiza”, refere Luís Seabra.

Contudo, sublinha, “os dados obtidos não permitem esclarecer por completo se estes primeiros vestígios decorrem do efetivo cultivo desta espécie ou se o centeio que aqui se encontrava era uma mera infestante de outros cereais, como o trigo espelta, amplamente cultivado na região durante este período”.

Para tentar esclarecer esta questão, a equipa avaliou os contextos arqueológicos em que foram recolhidos os vestígios de centeio e realizou um estudo biométrico de modo a compreender se houve modificações nos grãos deste cereal ao longo do tempo, medindo e comparando estes conjuntos arqueobotânicos mais antigos com cereais de diferentes sítios arqueológicos de cronologia Romana e Medieval da mesma região, explica João Tereso, investigador do BIOPOLIS/CIBIO-InBIO e coordenador do estudo.

“Os resultados não foram conclusivos a este respeito, mas demonstraram que os grãos de centeio só aumentam significativamente de dimensão a partir da Idade Média”, afirma o coordenador do estudo hoje publicado na revista PLoS ONE

Ainda assim, a investigação sugere que “o centeio terá sido introduzido inadvertidamente como infestante durante a Idade do Ferro, tendo o seu cultivo efetivo iniciado num momento avançado da Época Romana, provavelmente entre o final do século II e o século IV da nossa Era. Esta hipótese sustenta-se, principalmente, no facto do centeio ser esporádico e secundário face a outros cereais na cronologia mais antiga e estar posteriormente ausente durante cerca de dois séculos, até ressurgir no final do século II ou início de III”.

“No futuro será necessário, porém, reforçar a amostragem sobre contextos da Idade do Ferro e de Época Romana, de modo a testar as hipóteses que colocamos agora. Como qualquer investigação em Arqueologia, é sempre possível que o próximo achado, nosso, ou de outra equipa, nos contradiga, mas essa é uma das partes mais fascinantes da ciência”, considera João Tereso.

quinta-feira, 6 de abril de 2023

O sherpa recordista de subidas do Evereste: “Não há futuro no Nepal”


Um alpinista malaio sobreviveu por pouco depois que um guia sherpa nepalês o puxou do cume do Monte Everest num resgate “muito raro” em alta altitude, disse uma autoridade do governo na quarta-feira. Gelje Sherpa, 30, estava guiando um cliente chinês até o cume do Everest, a 8.849 metros , em 18 de fevereiro, quando viu o alpinista malaio agarrado a uma corda e tremendo de frio extremo na área chamada de “zona da morte”, onde as temperaturas pode cair para menos 30ºC ou menos. Gelje puxou o alpinista 600 metros  para baixo da área de Balcony até o colo sul, durante um período de cerca de seis horas, onde Nima Tahi Sherpa, outro guia, se juntou ao resgate. “Nós envolvemos o alpinista  numa esteira de dormir, arrastamos na neve ou o carregamos nas costas até o acampamento III”, disse Gelje. 
Um helicóptero usando uma longa linha o ergueu do acampamento III de 7.162 metros de altura até ao acampamento base. “É quase impossível resgatar alpinistas nesta altitude”, disse Bigyan Koirala, funcionário do Departamento de Turismo, à Reuters. “É uma operação muito rara.” Gelje disse que convenceu seu cliente chinês a desistir de sua tentativa de cume e descer a montanha, dizendo que era importante para ele resgatar o alpinista. “Salvar uma vida é mais importante do que rezar no mosteiro”, disse Gelje, um budista devoto. Tashi Lakhpa Sherpa, da empresa Seven Summit Treks, que forneceu logística para o alpinista malaio, se recusou a identificá-lo, citando a privacidade de seu cliente. 
O alpinista foi colocado num voo para a Malásia na semana passada. O Nepal emitiu um recorde de 478 licenças para o Evereste durante a temporada de escalada de março a maio deste ano. Pelo menos 12 alpinistas morreram - o maior número em oito anos, e outros cinco ainda estão desaparecidos nas encostas do Evereste. examinava os altos e baixos da vida sentado em uma poltrona na pequena e organizada sala de estar de seu apartamento alugado, enquanto sua esposa servia chá. 
“Não há futuro no Nepal”, disse o pai de dois filhos de 53 anos à Reuters no fim de semana. “Por que ficar aqui?” ele perguntou, falando no seu nepalês nativo e um pouco de inglês quebrado. “Precisamos de um futuro para nós mesmos… para os nossos filhos.” 
Usando um boné de beisebol com a legenda “Everest Man” e seu rosto escurecido pelo vento e pelas queimaduras da neve, Kami Rita está claramente orgulhoso das suas conquistas. Mas ele também é grato porque o dinheiro que ganhou como guia em expedições nas montanhas o ajudou a se mudar para a capital do Nepal para que seus filhos pudessem ter a educação que ele nunca recebeu. 
O filho, de 24 anos, estuda turismo e a filha, de 22, faz curso de Tecnologia da Informação. “Isso não teria sido possível se eu tivesse continuado em Thame e não tivesse começado a escalar”, disse Kami Rita, que deixou a escola em seu vilarejo nas montanhas quando tinha cerca de 12 anos. 
Prémios e certificados do Guinness World Record enchem a vitrina atrás dele, e pósteres de Kami Rita no Monte Everest adornam as paredes, mas ele falou em emigrar para os Estados Unidos para encontrar novas oportunidades para sua família. Kami Rita nasceu na mesma aldeia do Himalaia que Tenzing Norgay, o sherpa que junto com o neozelandês Sir Edmund Hillary fez o primeiro cume do Monte Evereste há 70 anos. 
A vila de Thame fica em Solukhumbu, um distrito que se tornou a Meca dos montanhistas desde a primeira escalada bem-sucedida em 29 de maio de 1953. Localizada na fronteira com o Tibete da China, a maior glória de Solukhumbu é o Monte Evereste, o pico mais alto do mundo com 8.849 metros, mas também abriga Lhotse (8.516 metros), Malaku (8.481 metros), Cho Oyu (8.201 metros), Gyachung Kang (7.952 metros) e Nuptse (7.855 metros) - todos nomes que qualquer alpinista de ponta gostaria de ter seu currículo. 
Os sherpas, um grupo étnico que vive na região do Everest, sempre foram a espinha dorsal das expedições nas montanhas. Eles consertam cordas, escadas, carregam cargas e também cozinham, ganhando algo entre $ 2.500 e $ 16.500 ou mais, dependendo da experiência, durante uma única expedição. 
Mas os jovens sherpas, segundo Kami Rita, estão se afastando dessa vida. “A nova geração de sherpas não gosta de escalar. Eles querem ir para o exterior em busca de uma carreira melhor”, disse. “Em 10 a 15 anos haverá menos sherpas para guiar os alpinistas. O número deles já é baixo agora.” Muitos guias sherpas renomeados deixaram o Nepal em busca de melhores oportunidades no Ocidente, principalmente nos Estados Unidos. De fato, o famoso Tenzing Norgay também emigrou, mas apenas até a vizinha Índia, onde trabalhou para uma escola de escalada. O alpinismo e o trekking atraem milhares de estrangeiros ao Nepal todos os anos, contribuindo com mais de 4% para a economia de US$ 40 biliões. O país ganhou US$ 5,8 milhões em taxas de permissão - US$ 5 milhões apenas do Monte Everest - durante a temporada de escalada de março a maio deste ano. Funcionários de empresas de turismo estimam que mais de 500.000 pessoas estão empregadas no turismo, mas muitas permanecem economicamente vulneráveis ​​nesta nação empobrecida de 30 milhões de pessoas. “O governo faz pouco pelo bem-estar dos sherpas”, disse Kami Rita, instando as autoridades a lançar esquemas de bem-estar como um fundo de previdência, benefícios de aposentadoria e facilidades de educação para seus filhos. As expedições que contratam sherpas devem fazer um seguro de vida para eles, mas o pagamento é de apenas 1,5 milhão de rúpias nepalesas (cerca de US$ 11.300). Três sherpas morreram no mês passado ao cruzar a traiçoeira cascata de gelo Khumbu no Everest. “Isso deve ser aumentado para 5 milhões de rúpias (cerca de US$ 38.000)”, disse Kami Rita, esfregando suavemente um hematoma em sua bochecha. ($ 1 = 131,83 rúpias nepalesas). Quão relevante é este anúncio para você? 1.000 pessoas estão empregadas no turismo, mas muitas permanecem economicamente vulneráveis ​​nesta nação empobrecida de 30 milhões de pessoas. “O governo faz pouco pelo bem-estar dos sherpas”, disse Kami Rita, instando as autoridades a lançar esquemas de bem-estar como um fundo de previdência, benefícios de aposentadoria e facilidades de educação para seus filhos. As expedições que contratam sherpas devem fazer um seguro de vida para eles, mas o pagamento é de apenas 1,5 milhão de rúpias nepalesas (cerca de US$ 11.300). 

sexta-feira, 31 de março de 2023

O mais longo tronco petrificado de uma árvore


O mais longo tronco petrificado de uma árvore mede 72,2 m, sugerindo que a árvore original se elevou a mais de 100 m de altura, numa floresta tropical húmida, há cerca de 800 mil anos.

Mais informações:

terça-feira, 10 de janeiro de 2023

Porque duram tanto as construções romanas? Mistério está resolvido

Construções dos romanos perduram após dois milénios, enquanto construções de cimento modernas desmoronaram com algumas dezenas de anos.


Uma equipa de investigadores resolveu o mistério da durabilidade do cimento utilizado pelos romanos, da qual o Panteão de Roma é prova, e a descoberta pode contribuir para a redução do impacto ambiental da produção de betão.

A "natureza super durável" do cimento utilizado pelos romanos deve-se à utilização no seu fabrico de cal viva - que ferve a muito alta temperatura quando entra em contacto com água - que produz uma capacidade de autorreparação do material, concluiu a equipa.

Restos de estradas, aquedutos, portos e edifícios construídos pelos antigos romanos ainda perduram, passados dois milénios, e algumas das estruturas em cimento continuam intactas, como é o caso do famoso Panteão de Agripa, na capital de Itália, edificado em 126 d.C., enquanto construções de cimento modernas desmoronaram com algumas dezenas de anos.

A maior cúpula de cimento não reforçada do mundo

Para ter uma ideia, a cúpula do Panteão é maior que a cúpula da Basílica de São Pedro, no Vaticano. E apesar das suas dimensões, não há há vergalhões ou qualquer outro tipo de reforço nela. Isso a torna a maior cúpula de concreto não reforçada do mundo inteiro. Para isso, o topo da parede da rotunda apresenta uma série de arcos de tijolos para aliviar as forças de stress da estrutura.

Outra curiosidade é que a cúpula mede 43 metros de diâmetro e o Panteão possui 43 metros de altura, por isso, uma esfera de 43 metros poderia ser facilmente colocada dentro do prédio. Já a abertura no alto da cúpula tem 3 metros de diâmetro.

Enigma decifrado

Após décadas em que vários investigadores tentaram decifrar o enigma do "antigo material de construção ultra durável" foram feitos progressos por uma equipa do Massachusetts Institute of Technology, da Universidade de Harvard e de laboratórios em Itália e na Suíça, indicou o MIT num comunicado.

A descoberta dos antigos processos de fabrico de cimento utilizados pelos romanos que lhe dão uma significativa "capacidade de autorreparação" foi divulgada na revista Science Advances, num artigo do professor de Engenharia Civil e Ambiental do MIT, Admir Masic, da ex-aluna de doutoramento Linda Seymour e de outros quatro investigadores.

Durante muitos anos, os cientistas pensaram que a explicação para a durabilidade do cimento antigo era a utilização na mistura de "material pozolânico, como cinzas vulcânicas da área de Pozzuoli, na baía de Nápoles, (...) distribuído por todo o vasto império romano para ser usado na construção e descrito em relatos de arquitetos e historiadores da época como um componente chave do cimento".

Mas um exame mais detalhado das amostras antigas do material revela também elementos minerais de um branco brilhante, há muito conhecidos como uma componente sempre presente no cimento dos romanos e que têm como origem a cal.

"Esses elementos fascinam-me desde que comecei a trabalhar sobre o cimento romano antigo", diz Admir Masic, citado no comunicado, adiantando que se questionava sobre o facto de não serem encontrados na composição do cimento moderno.

A caracterização daqueles fragmentos através de imagens de alta resolução e da utilização de técnicas de mapeamento químico pioneiras permitiram aos investigadores saber mais sobre a sua potencial função.

A explicação por trás dos fragmentos brancos

Masic e a sua equipa determinaram que os fragmentos brancos eram "feitos de várias formas de carbonato de cálcio (material em que a cal se transforma quando misturada com água)", tendo o exame espetroscópico fornecido "pistas de que foram formados em temperaturas extremas, como seria de esperar da reação exotérmica (com libertação de calor) produzida pelo uso de cal viva".

A conclusão foi que "a mistura a quente era na verdade a chave" para a durabilidade.

"Os benefícios da mistura a quente são duplos", diz Masic, explicando que a alta temperatura permite reações químicas particulares e compostos específicos, além de reduzir "significativamente os tempos de cura e fixação (...), permitindo uma construção muito mais rápida".

Durante o processo de mistura a quente, os fragmentos de rocha de cal desenvolvem características que, segundo os investigadores, podem facilitar a autorreparação do material ao preencherem fissuras assim que elas se começaram a formar dentro do cimento. As "reações ocorrem espontaneamente e, portanto, reparam automaticamente as brechas antes que elas se espalhem".

O derradeiro teste

Para provar a sua hipótese, a equipa produziu amostras de cimento com uma composição antiga e com uma moderna, rachou-as e fez correr água pelas brechas. Duas semanas mais tarde, as fissuras na amostra de cimento romano "estavam completamente reparadas, impedindo a água de fluir" e as da amostra feita sem cal viva nunca fecharam, continuando a água a correr.

Face aos bons resultados dos testes, a equipa "está a trabalhar para comercializar esse material de cimento modificado".

"É emocionante pensar como essas formulações de cimento mais durável podem não só aumentar a vida útil destes materiais, mas também melhorar a durabilidade das composições de cimento produzido por impressão em 3D", diz Masic.

O impacto ambiental

O investigador do MIT espera que o alargamento da vida útil e o desenvolvimento de tipos de cimento mais leves possam "ajudar a reduzir o impacto ambiental da produção" deste material, responsável atualmente "por cerca de 8% das emissões globais de gases com efeito de estufa", segundo o comunicado.

O laboratório dirigido por Masic trabalha também em outras fórmulas para conseguir um cimento que possa "absorver dióxido de carbono do ar", melhoria que, juntamente com as anteriores, "pode ajudar a reduzir o impacto climático global do cimento".

segunda-feira, 2 de janeiro de 2023

A água mais antiga do mundo está no fundo de uma mina no Canadá e tem 2 biliões de anos


Em 2016, pesquisadores fizeram uma descoberta inovadora enquanto exploravam uma mina canadiana: a água mais antiga do mundo.

Localizada a aproximadamente a 3 quilómetros abaixo da superfície, estima-se que essa água tenha cerca de 2 biliões de anos. Esta descoberta adiou o recorde anterior da água mais antiga conhecida, encontrada na mesma mina,  Kidd Mine, em Ontário, pela mesma equipa em 2013 a uma profundidade de cerca de 2,5 quilómetros.

A mina canadiana onde esta água foi descoberta é a mina de metal basal mais profunda do mundo, pois os mineradores estão constantemente cavando mais fundo em busca de cobre, zinco e prata.

Quando os garimpeiros atingiram uma nova profundidade, os pesquisadores aproveitaram para explorar mais e analisar a água que encontraram. Eles estudaram os gases presos dentro da água, como hélio e xenónio, que podem ajudar a determinar a idade da água ao ficarem presos em rachaduras nas rochas.

Ao contrário do que se poderia esperar, a água descoberta nesta mina não era uma pequena quantidade presa na rocha, mas corria a uma taxa de 2 litros por minuto. Isso foi uma surpresa para os pesquisadores, que não previam um volume tão grande.

Além da sua idade impressionante, a água também contem vida. Em 2019 descobriram bactérias redutoras de enxofre [artigo científico aqui]

Esta descoberta tem implicações significativas para a nossa compreensão da vida na Terra biliões de anos atrás, bem como a busca de vida noutros planetas. Embora não existam mais rios na superfície de Marte, existem bolsões de água e gelo abaixo da superfície que podem fornecer as condições necessárias para o desenvolvimento de microorganismos.

Estes bolsões de água, embora não tão profundos quanto a água encontrada na mina canadiana, ainda podem conter informações valiosas sobre a possibilidade de vida extraterrestre.

quinta-feira, 1 de dezembro de 2022

Pode ser o animal mais longo do mundo. Avistamentos em Portugal são comuns

Criatura gelatinosa encontrada em 2020 a 600 metros de profundidade pode chegar aos 45 metros. Avistamentos de sifonóforos em Portugal são comuns.


Não se trata de uma espécie nova, mas a dimensão do avistamento na costa da Austrália pode mesmo ser irrepetível. Nos últimos dois anos, pelo menos, nenhum outro animal conseguiu aproximar-se dos cerca de 45 metros de comprimento do sifonóforo avistado em Abril de 2020 na costa da Austrália.

Através da coluna científica Discovered in the deep [Descoberto nas profundezas], o jornal britânico The Guardian relembrou o gigante sifonóforo do género Apolemia, um “parente” da caravela-portuguesa, que foi visto e fotografado durante uma expedição de uma equipa de cientistas do Schmidt Ocean Institute. A confirmarem-se as expectativas, será um dos maiores sifonóforos já avistados, com alguns cientistas a suspeitar mesmo que pode tratar-se do animal mais longo do mundo, ultrapassando em cerca de dez metros as maiores baleias.

Em Portugal, não é todo incomum encontrarem-se estes organismos, como explica ao PÚBLICO Antonina Santos, do Departamento do Mar e Recursos Marinhos do IPMA. A especialista revela que a grande maioria dos casos de avistamento reportados pelos portugueses dizem respeito a espécimes até um metro. Um caso desta dimensão é inédito, diz uma das responsáveis pelo programa GelAvista, que se dedica à monitorização de organismos gelatinosos em Portugal.

“Este sifonóforo é um conjunto de indivíduos em cadeia. Costumo dizer que este tipo de organismo é uma aldeia, mas, com esses metros todos, digo que é uma cidade”, explica, com um toque humorístico, Antonina Santos.

Apesar de ser um único animal, o sifonóforo avistado na Austrália integra milhares de pequenos outros organismos individuais que repartem entre si as funções básicas necessárias para a sobrevivência do todo. Ou seja, alguns zoóides são responsáveis por garantir tarefas como a alimentação, a movimentação e a reprodução.

“Uma caravela portuguesa é um sifonóforo, mas, neste caso, temos animais coloniais. Estes sifonóforos vivem parte da sua vida unidos em cadeia, mas também podem viver afastados uns dos outros. É parte do seu ciclo de vida, a fase zoóide”, detalha a especialista.

O encontro com este gigante sifonóforo na costa da Austrália foi um acontecimento fortuito e causou estupefacção junto dos investigadores. O facto de a descoberta ter ocorrido nos momentos finais da expedição num dia em que o limite de tempo para o mergulho já tinha sido ultrapassado, impediu um estudo mais aprofundado.

“Fizemos uns círculos, captámos imagens e recolhemos uma amostra de tecido. Depois tivemos de seguir o nosso caminho [de regresso à superfície] “, recorda a bióloga Nerida Wilson do Western Australian Museum, em declarações ao The Guardian.

Este sifonóforo, da classe dos invertebrados marinhos, foi avistado a 600 metros de profundidade, nos desfiladeiros submarinos de Ningallo, no Oceano Índico. As imagens mostram os longos conjuntos de zoóides que formam este animal gigante.

Os investigadores apenas tiveram tempo para recolher algumas imagens e amostras deste organismo gigante. Por esse mesmo mesmo motivo, prossegue o trabalho de medição através das imagens recolhidas pelas câmaras do submersível usado nesta expedição. A dimensão do animal e os ângulos das fotos dificultam uma medição rigorosa, mas os biólogos estão confiantes de que este é o animal mais comprido alguma vez observado.

No entanto, esta pode ser uma luta contra o tempo, visto que há a probabilidade de estas longas cadeias já se terem, ao longo dos últimos dois anos, fracturado. “Vivem no mar aberto e e tanto podem estar perto da superfície como a vários metros de profundidade. Quando dão à costa, devido ao efeito das correntes e das marés separam-se com facilidade. Costumam dar à costa separados, portanto pode existir a eventualidade de isso ter acontecido”, prossegue Antonina Santos.

Se se cruzar com um destes sifonóforos durante um mergulho, não precisa de se preocupar. Estes animais são inofensivos, não representando perigo para um ser humano, tranquiliza a especialista Antonina Santos.

Fonte (com mais fotos): Público


segunda-feira, 14 de novembro de 2022

Ecoparolice made in China



Preferia mil vezes árvores verdadeiras. Ecoparolice made in China.
Hainan Island - 7-star hotel Crown, Sanya bay

Hainão foi invadido pela China, em 1950.
 
O Beauty Crown Grand-Tree Hotel em Sanya, foi inaugurado em 2016, possui nove enormes estruturas semelhantes a árvores, que abrigam dezenas de quartos de hotel.

Este complexo hoteleiro venceu o Guinness Book of Records, 2017 como o maior hotel do mundo.


Registo aqui as incongruências dos comunistas em relação ao mundo.

"Como temos afirmado e a vida o confirma, a evolução da situação internacional, continua, no fundamental, marcada pela natureza exploradora, opressora, agressiva e predadora do capitalismo, pelo aprofundamento da sua crise estrutural."- Jerónimo de Sousa, Conferência Nacional PCP (12.11.2022)

"Uma realidade que está patente no aproveitamento, quer da pandemia, quer da instigação da confrontação e principalmente das sanções, incluindo no quadro da intensificação da guerra na Ucrânia, que tem vindo a traduzir-se num crescente agravamento da exploração, das desigualdades e injustiças e no acumular de capital nas mãos das multinacionais, cuja rapidez e intensificação dessa acumulação não pode ser desligada de uma brutal acção especulativa que atravessa os mais diversos sectores, do financeiro ao energético, do farmacêutico ao agro-alimentar, da grande distribuição ao do armamento e cujas consequências sociais se expressam num novo e desmedido salto do crescimento da pobreza extrema no mundo. Uma evolução que não está desligada da acção das forças do imperialismo e da sua ofensiva, visando impor o seu domínio hegemónico que têm vindo perigosamente a incrementar e desenvolver, nomeadamente com a escalada da política de confrontação, de que é expressão a estratégia militarista dos Estados Unidos da América e da NATO com o seu sucessivo alargamento e intervenção de carácter global." - Jerónimo de Sousa, Conferência Nacional PCP (12.11.2022)

"Tomar a iniciativa pela paz e a solidariedade com os povos. Combater a política de confrontação e guerra do imperialismo e a corrida armamentista. Lutar contra o alargamento da NATO e pela sua dissolução. É urgente a exigência do fim da instigação da guerra na Ucrânia por parte dos EUA, da NATO e da União Europeia e a abertura de vias de negociação com os demais intervenientes, nomeadamente a Federação Russa, visando uma solução política para o conflito. Manter viva a solidariedade com os povos que resistem ao imperialismo e lutam em defesa dos seus direitos e soberania." - Jerónimo de Sousa, Conferência Nacional do PCP (12.11.2022)

domingo, 18 de setembro de 2022

Guiness Record - Van Gogh em Drones


A animação mais longa realizada por veículos aéreos não tripulados (UAVs) é de 26 min 19 seg e foi alcançada pelo EFYI Group (China) e apoiada pela Universidade de Tianjin (China) em Tianjin, China, em 18 de dezembro de 2020.
Eles retrataram a vida do artista holandês Vincent Van Gogh - Noite Estrelada .

O uso de fogos de artifício pode trazer além dos riscos à integridade física e a audição daquele que os utiliza, riscos ao meio ambiente (incêndios, libertação de poluentes, perigo e morte de animais selvagens). Em humanos, reações de stresse e crises podem ocorrer em pessoas que têm autismo. Geralmente, estas pessoas se sentem perturbadas com barulhos muito altos. Quanto aos danos na atmosfera, os fogos de artifício causam uma contaminação a curto prazo, levando ao aumento de partículas em suspensão no ar até 7,16%, sendo nocivo a quem respira e aumentando consideravelmente a emissão de partículas de metais, produtos químicos nocivos e outros componentes que podem causar problemas de saúde, incluindo na tiróide. (estudo aqui).

A revista Nature publicou um estudo que aponta a queima de fogos de artifício durante as festividades de Delhi, na Índia, como uma significativa fonte de emissão de ozono (poluente atmosférico secundário) para a atmosfera.

domingo, 24 de abril de 2022

Eis a canção mais antiga que nos chegou integralmente: Seikilos Epitaph - Song of Seikilos - Σείκιλος



The Seikilos epitaph is the oldest surviving example of a complete musical composition in the world, and the oldest surviving example of Ancient Greek musical notation for that matter. 
The melody is inscribed on top of the lyrics on a tombstone stela, that was found near Aidinion, current day Turkey (in the vicinity of Ephesus), where a woman was using the block of marble as support for her pigeon water hole. It was subsequently lost for a few decades after the 1921-1922 Greek Asia Minor genocide by the Turks, and having survived that catastrophe virtually unscathed, it then resurfaced in Smurna where Turkish railway Director Edward Purser's wife had the bottom sawed off so that it would stand nicer for her garden's flowertops. This obliterated one line of text. The Dutch Consul saw it by chance and brought it via Constantinople to the Hague and then to Copenhagen for safe keeping during the war, where it has been "kept safe" ever since, like all other antiquities in museums around the world. 

It is dated 200 BC to AD 100, meaning this particular musical notation was well established since at least the 3rd century BCE, perhaps the 4th, but it is likely during the time of Homer, 8th BCE, there was another type of notation predating this one. 

Other examples of ancient Greek songs with extant musical notation include the Delphic Hymns, but these are not "complete", but fragmentary. 

The following is a transliteration of the words: 
Hoson zēis, phainou 
Mēden holōs su lupou; 
Pros oligon esti to zēn 
To telos ho chronos apaitei. 
=============== 
On the top, the epitaph reads: 
Εἰκὼν ἡ λίθος εἰμί. 
Τίθησί με Σείκιλος 
ἔνθα μνήμης ἀθανάτου 
σῆμα πολυχρόνιον. 

Which roughly translates to: 

I am this stone, an icon 
Seikilos placed inside me 
an everlasting simulacrum 
of deathless remembrance 
...and might we say, indeed he did. 
============ 
at the bottom, there is also a brief inscription 
Σείκιλος Ευτέρπῃ 

Which roughly translates to: 
Seikilos to Euterpre 

Some scholars argue it is his wife, others his daughter or lover. The most plausible is the Muse Euterpe, given the type of votive this is, that is, music for deathless remembrance, the words of the song about pleasure and no grievances and the idea of time. 

The picture of the stela is by "Nationalmuseets fotograf" and it is in the National Museum of Denmark in Copenhagen with inventory number 14897. 

This is an attempt at Reconstructed Ancient Greek, not Erasmian pronunciation.

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2021

As mais velhas arvores do mundo... por Rafael Carvalho



Algumas das árvores, estão entre os seres vivos mais velhos do mundo.
Em miúdo, ao folhear um livro na biblioteca escolar, os meus olhos brilharam ao saber da existência do "Matusalém”, um Pinus longaeva de aspeto moribundo, todo retorcido, norte-americano, com cerca de 5.000 anos. O dito, nascido nas Montanhas Brancas, Califórnia, teria sido testemunha da história humana dos últimos milénios. Assistiu à ascensão e à queda de diversos impérios. Testemunhou a construção das pirâmides egípcias e, quando Cristo por cá andou, já teria uma bonita idade de 3.000 anos.
O gelo e a resina que o recobrem têm sido uma mais-valia na sua conservação. Estava assim aberto um verdadeiro portal no tempo.
Depois disso, soube que outro Pinus longaeva ligeiramente mais velho foi descoberto e a história não mais parou...
Em várias espécies, têm sido encontradas colónias clonais, que brotam vegetativamente do mesmo sistema radicular, com idades bem superiores:
- Tjikko é um espruce (Picea abies), sueco, com cerca de 9.500 anos;
- Arbusto de creosoto (Larrea tridentata), norte-americano, com 12.000 anos;
- Carvalho de Palmer (Quercus palmeri), norte-americano com 13.000 anos;
- Azevinho da Tasmânia (Lomatia tasmanica), australiano, com pelo menos 43.000 anos, único exemplar vivo da sua espécie.
- Pando, uma colónia de choupos (Populus tremuloides) norte-americanos, com 80.000 anos. É aliás o maior ser vivo terrestre e o mais pesado (6615 toneladas), ocupando uma área de 43 hectares.
Um olhar à lista revela ser verdadeiramente sagrado o solo norte-americano...
E nós por cá em Portugal temos a Oliveira do Mouchão, Abrantes. Belo e invejável exemplar, com 3.350 anos de idade. Face aos esmagadores 80.000 anos do Pando, parece uma idade irrisória a da nossa oliveira, mas tal não é verdade. A Oliveira do Mouchão encontra-se entre as dez mais velhas árvores não clones do mundo. O seu azeite poderá ter sido servido à mesa de Fenícios, de Celtiberos ou de Romanos. À sua sombra, cristãos e muçulmanos poderão ter esgrimido argumentos. E quem sabe se não assistiu à passagem dos invasores franceses, às ordens de Junot, rumo a Lisboa!...
A Oliveira do Mouchão é mais velha que a General Sherman, a mais famosa sequóia gigante norte-americana, nascida há 3200 anos. Tudo ninharias, portanto.
Estou em pulgas para saber o que os próximos anos nos reservarão, isto é, se houver próximos...

quinta-feira, 3 de janeiro de 2019

Maior fóssil de crocodilo do mundo descoberto em Portugal

Foto e notícia aqui

Paleontólogos de duas universidades portuguesas anunciaram, esta quinta-feira, a descoberta de um fóssil com 95 milhões de anos que revela uma nova espécie de crocodilo, a mais antiga do mundo.

"Pensava-se que os verdadeiros crocodilos, que faziam parte de um grupo que se chama 'Crocodylia', existiam apenas há 75 milhões de anos e este novo fóssil foi descoberto em rochas com 95 milhões de anos, logo 20 milhões de anos mais antigo do que aquilo que se pensava", afirmou à agência Lusa o paleontólogo Octávio Mateus.

O crânio e a mandíbula deste réptil foram encontrados em 2003 pela geóloga Matilde Azenha, em Tentúgal, concelho de Montemor-o-Velho, distrito de Coimbra, e foram estudados pelos investigadores Octávio Mateus e Eduardo Puértolas-Pascual, da Universidade Nova de Lisboa, e Pedro Callapez, da Universidade de Coimbra.

Os três paleontólogos confirmaram agora a descoberta da nova espécie num artigo publicado na revista científica "Zoological Journal of the Linnean Society".

A nova espécie, batizada de "Portugalosuchus azenhae", em homenagem à responsável pelo achado, possui características únicas que a distingue de todas as outras espécies.

"A mandíbula tem uma abertura que ajuda a definir o que é um verdadeiro crocodilo em contraste com répteis parecidos com crocodilos, os crocodilomorfos, que ainda não faziam parte do grupo 'Crocodylia', e não tinham essa abertura nos ossos da mandíbula", explicou Eduardo Puértolas-Pascual, especialista em crocodilos.

Os crocodilomorfos existiam desde os primórdios da era dos dinossauros, mas os verdadeiros crocodilos, pertencentes ao grupo 'Crocodylia', surgiram apenas no final dessa era, mas 20 milhões de anos mais cedo do que até agora os cientistas pensavam.

O que resta deste crocodilo mais antigo do mundo vai estar em breve em exposição no Museu da Lourinhã, instituição a que os investigadores doaram os fósseis.