quarta-feira, 30 de junho de 2021

Vandana Shiva: Bill Gates’s Book Is Rubbish!

Leva-me para a madrugada




Leva-me para a madrugada
Intensamente leva-me!
Quero o ar limpo e fresco do bosque.
A Lua nasce e embeleza de cinzas e negros todos os recantos do mundo.
Viva a boémia, uns copos de vinho e conversas entre amigos
ao ar livre!
Leva-me para a madrugada.
Música dos pássaros antes do amanhecer
É vasta e vai durar.
E quero-a vivamente!
Talvez a madrugada seja para pensar e não para dormir.
Para escrever seres imaginários.
Para fotografar o céu nocturno, as milhares de galáxias por cima de nós.
Para fotografar outro boémio.
Momentos ou aquela lesma sobre o muro.
Ou um furão ternurento,
porque não o tímido lobo e seus lobitos.
Leva-me para a madrugada,
a minha casa.

João Soares, 5 de Junho de 2021

P.S. Dia Mundial do Ambiente

Como a desigualdade económica prejudica as sociedades, por Richard Wilkinson

Musica do BioTerra: Black Swan Lane - Shadow Of The Stars

Abandoned Solar Tree Farm Ruins Delta Utah



Musica do BioTerra: Cluster - Es War Einmal

terça-feira, 29 de junho de 2021

Vizinhos Inesperados - Sabia que Estes Animais Existem em Portugal?

Será que conhece bem a fauna portuguesa? Sabia que, pelos bosques e florestas, ou até no seu jardim ou horta pode deparar-se com um rato-de-faraó, um musaranho-pigmeu ou um camaleão? Descubra alguns dos animais que vivem em Portugal, e que muitos não conhecem!

O ESQUIVO RATO-DOS-POMARES

O Leirão, ou Rato-dos-Pomares, de nome científico Eliomys quercinus, é um roedor europeu com características bastante estranhas. É que o leirão, sentido-se ameaçado, consegue largar a pele e a cauda. Está classificado como Quase Ameaçado (NT) à escala global, no entanto, há uma grande falta de estudos sobre este roedor esquivo em Portugal. Foi identificado em várias áreas de Portugal Continental, mas, devido aos seus hábitos noturnos, é muito difícil de avistar. O Leirão gosta de uma variedade de habitats, de hortas a montados, ou mesmo zonas pedregosas de vegetação escassa, mas as florestas de sobreiros são os seus favoritos.

O Leirão, ou Rato-dos-Pomares, de nome científico Eliomys quercinus, é um roedor europeu com características bastante estranhas.
FOTOGRAFIA DE JOEL SARTORE, NATIONAL GEOGRAPHIC PHOTO ARK


A SOLITÁRIA LONTRA-EUROPEIA

A Lontra-Europeia, Lutra lutra, é uma espécie abundante em Portugal, classificada como Pouco Preocupante (LC), se bem que na vizinha Espanha é uma espécie Vulnerável. Este mamífero semiaquático encontra-se de Norte a Sul do país em vários ambientes aquáticos como lagos, rios, ribeiras, canais, pauis, sapais e pequenas albufeiras, bem como em estuários e rias do litoral atlântico. Apesar de não se tratar de uma situação de emergência, a lontra-europeia enfrenta algumas ameaças como a poluição da água, a sobre-exploração dos recursos hídricos, ou ainda morte por atropelamento ou afogamento em redes de pesca. Saiba mais sobre a lontra-europeia, e as ameaças à sua conservação.
A Lontra-Europeia, Lutra lutra, é uma espécie abundante em Portugal, classificada como Pouco Preocupante.
FOTOGRAFIA DE JOEL SARTORE, NATIONAL GEOGRAPHIC PHOTO ARK

O ADORÁVEL GAMO

O Gamo é um cervídeo parente dos veados e cervos, de nome científico Dama dama. Apesar de estar classificada como Pouco Preocupante, não há populações silvestres desta espécie em Portugal, encontrando-se praticamente todos os gamos em reservas de caça privadas e parques naturais. Este tímido ruminante distingue-se do veado comum pela sua pelagem clara com manchas brancas, cauda comprida e pelas hastes. No entanto, à semelhança do veado, o macho do Gamo perde as suas hastes no inverno, que voltam a crescer na primavera. As fêmeas não têm hastes. Costumam encontrar-se mais ou menos por todo o país, com preferência para as zonas de pinhal ou montado.
O Gamo é um cervídeo parente dos veados e cervos, de nome científico Dama dama.
FOTOGRAFIA DE JOEL SARTORE, NATIONAL GEOGRAPHIC PHOTO ARK

O BRAVIO MUFLÃO

Ora, o Muflão, Ovis ammon musimon, é o antecessor selvagem do carneiro doméstico. É também chamado carneiro-selvagem, e é originário da Ásia. A introdução em Portugal ocorreu na década de 1990, em zonas de caça turística do Centro e Alto Alentejo. A nível global, é uma espécie vulnerável, pois é uma das ovelhas selvagens mais ameaçadas de extinção. O Muflão tem uma cor acastanhada que escurece à medida que vai envelhecendo, e desenvolve uma mancha branca distintiva de cada lado do torso, bem como os característicos cornos enrolados. Sabia que este atento animal consegue detetar o mais pequeno rumor a mais de duzentos metros de distância? E ainda que tem um apetite especial por frutos mais doces?
Muflão, Ovis ammon musimon, é o antecessor selvagem do carneiro doméstico.
FOTOGRAFIA DE JOEL SARTORE, NATIONAL GEOGRAPHIC PHOTO ARK


O TERRITORIAL CAMALEÃO-COMUM

O Camaleão-comum, Chamaeleo chamaeleon, é uma das únicas espécies de camaleões que se estende à Europa. Este réptil bem territorial, que não gosta da companhia dos seus pares, alimenta-se principalmente de gafanhotos e é autóctone do Sul da Península Ibérica, Chipre e Creta. Em Portugal, habita o Sul, no Algarve, e o seu estado de conservação é Pouco Preocupante. Além das suas características mais fascinantes – muda de cor e língua extremamente comprida e ágil -, o Camaleão-comum tem visão estereoscópica, cauda preênsil, e possui uma movimentação independente dos olhos. A próxima vez que for ao Algarve, fique atento aos pinhais costeiros e aos pomares: pode estar a ser observado por um curioso camaleão-comum.

O Camaleão-comum, Chamaeleo chamaeleon, é uma das únicas espécies de camaleões que se estende à Europa.
FOTOGRAFIA DE RIAS | CENTRO DE RECUPERAÇÃO E INVESTIGAÇÃO DE ANIMAIS SELVAGENS DA RIA FORMOSA


O REGRESSO DO ESQUILO-VERMELHO

O Esquilo-vermelho, ou Sciurus vulgaris, voltou a Portugal! E, porquê “voltou”? É que este esquilo reguila ter-se-ia extinguido em Portugal no século XVI, mas a inícios do século XX terá começado a habitar o país novamente, vindo de Espanha. No entanto, há uns anos atrás foi declarado o regresso deste simpático roedor, e não apenas confinado a umas poucas áreas do Alto Douro. Agora, pode, com alguma sorte, ver estes esquilos-vermelhos (que também podem ser castanhos ou pretos) no Parque Nacional Peneda-Gerês, no Parque Florestal de Monsanto e no Jardim Botânico de Coimbra. Uma curiosidade: estes amigos nervosos, que têm por hábito enterrar as sementes que encontram, por vezes esquecem-se da localização das suas reservas de comida contribuindo, assim, para a reflorestação das áreas que habitam.
Esquilo-vermelho, ou Sciurus vulgaris.
FOTOGRAFIA DE JOEL SARTORE, NATIONAL GEOGRAPHIC PHOTO ARK

A TÍMIDA TOUPEIRA D'ÁGUA

Esta toupeira muito, muito tímida e difícil de ver, de nome científico Galemys pyrenaicus, é nativa e circunscrita ao centro de norte da Península Ibérica, e à zona dos Pirinéus. É um animal vulnerável, tanto a nível global como nacional, pelo que muitos esforços têm sido feitos para a sua conservação. Foi no Douro que o fotógrafo da National Geographic Joel Sartore fotografou um exemplar desta espécie, no âmbito do projeto conjunto Photo Ark. Esta excelente nadadora, pouco maior que um hamster, habita as margens de rios, ribeiras e outros cursos de água.
Toupeira D'Água, de nome científico Galemys Pyrenaicus.
FOTOGRAFIA DE JOEL SARTORE, NATIONAL GEOGRAPHIC PHOTO ARK

O MINÚSCULO MUSARANHO-PIGMEU

Quem já viu um musaranho-pigmeu provavelmente pensou que seria um ratinho de campo. Mas não, esta espécie, Suncus etruscus, não se trata de um roedor! Este musaranho, da família Soricidae, é o menor mamífero do mundo! O musaranho-pigmeu tem um comprimento entre 3 e 5 centímetros, e pesa em média 1,8g apenas. Está maioritariamente confinado às zonas rurais do Mediterrâneo, de Portugal ao Médio Oriente, com presença no Norte de África. Se vai procurá-lo no seu jardim – ou num olival ou vinha -, faça-o antes do Inverno: este pigmeu pode hibernar se ficar muito frio.
Musaranho-Pigmeu, da espécie Suncus etruscus. O menor mamífero do mundo.
FOTOGRAFIA DE PETER VOGEL, IUCN


GINETA-EUROPEIA

Já alguma vez ouviu falar de uma gineta? Pois bem, este é um dos mamíferos carnívoros mais abundantes de Portugal! A genetta foi introduzida em Portugal, vinda de África de onde é natural, e adaptou-se muito bem. Não se sabe ao certo como foi a sua introdução na Europa, mas acredita-se que os Árabes a usassem como exterminadora de ratos nas habitações – a gineta é um excelente caçador – antes de os gatos domésticos terem sido importados do Egito. As ginetas apresentam uma pelagem normalmente castanha acinzentada, com manchas características, podendo ser mais escuras, e têm dimensões semelhantes às de gatos. Apesar de serem bastante adaptáveis a variados habitats, as ginetas preferem áreas florestais com cursos de água nas proximidades.
Um dos mamíferos carnívoros mais abundantes de Portugal, a Gineta.
FOTOGRAFIA DE JOEL SARTORE, NATIONAL GEOGRAPHIC PHOTO ARK


O VELOZ SACARRABOS
Herpestes ichneumon, Quênia
FOTOGRAFIA DE NATIONAL GEOGRAPHIC


Sacarrabos, rato-de-faraó, icnêumon, mangusto ou manguço são alguns dos nomes comuns da espécie Herpestes ichneumon. O seu nome gera divisões: há quem acredite que vem da sua forma peculiar de deslocação em grupo – em fila indiana, muito com os narizes muito próximos da cauda do seguinte -, e também quem considere uma corrupção da palavra escalavardo, como é chamado no Alentejo. Este pequeno mamífero originário de África está restrito ao sudoeste da Península Ibérica, na Europa, e habita os matagais mediterrânicos. Pensava-se que tivesse sido introduzido na Europa pelos primeiros muçulmanos, mas um estudo de 2011 revelou traços fósseis de sacarrabos numa suposta ponte no Estreito de Gibraltar, durante o Pleistoceno, entre os períodos glaciar e interglaciar. Hoje em dia é bastante abundante no nosso país, e é muito conhecido por comer cobras, mesmo venenosas. Mas porquê o nome rato-de-faraó? Bem, o sacarrabos era venerado e considerado sagrado, no Antigo Egito, tendo sido encontradas várias múmias deste animal. Na mitologia egípcia, o Deus Rá transforma-se em sacarrabos para lutar o Deus serpente Apophis.

segunda-feira, 28 de junho de 2021

O Euro da UEFA é pago pelo Estado Social


1.O cerco de Lisboa, o fim dos ingleses, agora o fim dos alemães, a seguir os outros que também não vêm, os números que vão continuar a crescer em Julho... e de repente todos os negócios que vivem do verão estão já a bater no fundo de forma mais violenta do que em 2020. O que é inacreditável. Como é possível termos conseguido atravessar o ano passado, com prudência e sem vacina, e perder o pé quando estamos a semanas de uma imunidade provável às variantes conhecidas? A resposta é cada vez mais evidente: uma minoria é suficiente para sequestrar a sociedade. Não que as pessoas queiram contrair covid, mas o risco económico é baixíssimo - a doença é pouco grave em 98% dos casos.
É neste paradoxo que temos de começar por analisar a batalha subterrânea sobre o teletrabalho. Os números começam a aparecer. Os empregadores (74%) pretendem fazer voltar os trabalhadores aos escritórios a tempo inteiro, segundo o Dinheiro Vivo de ontem. Ao mesmo tempo, uma sondagem do Jornal de Negócios revelava que apenas 13% dos trabalhadores defendem o trabalho presencial na íntegra.
Ora, como os números mostram, há potencialmente muita gente a querer que o teletrabalho vá continuando. Daí a tranquilidade aparente com que se juntam milhares de pessoas nas ruas sem medo das consequências, ou se organizam aniversários ou casamentos com dezenas ou centenas de pessoas sem testagem prévia. "Vai ficar tudo bem". Não fica, como se vê.
2. A acrescentar a esta deriva, não pode ser pior o exemplo do Euro de futebol. A UEFA, totalmente indiferente à variante Delta e à vida de milhares de pessoas, não se contentou com o negócio televisivo e uma presença de um terço da lotação dos estádios. Enche-os, à boleia de uma indiferença coletiva que tem uma rede de luxo: Estado Social europeu e serviços nacionais de saúde. Eis o cúmulo a que chegamos.
A UEFA está, aliás, a hipotecar o regresso do futebol pós-verão com o crescendo da pandemia, liquidando os próprios clubes, de novo, provavelmente com estádios vazios. Um egoísmo atroz. Em paralelo, as atividades sequestradas pela minoria irresponsável - turismo, restauração, atividades culturais e, particularmente, a música -, definham sem apelo nem agravo. Como é possível?
3. Há um outro problema que recusamos enfrentar. Não é possível continuar a fazer de conta que os ajuntamentos noturnos podem ser indefinidamente tolerados porque se trata de "gente nova". Pois, isto tem custos humanitários brutais: vamos acelerar a vacinação até aos 18 anos (ou até 12 anos...!) por causa desta desresponsabilização enquanto a vacinação nos países mais pobres nos faz corar de vergonha.
Esta semana o Painel de Informação da UNICEF assinalava que das 2,54 mil milhões de doses produzidas até agora, apenas 88 milhões (3%) foram enviadas para 131 países através dos mecanismos de apoio Covax - e apenas 36 milhões através de doações. Porque não há vacinas. Ou seja, as populações de risco de países inteiros ficam à espera, enquanto corremos a vacinar a malta do "social".
É preciso dizer isto de forma clara: há muita gente nos países ricos a brincar com a vida dos outros. São seres humanos que morrem porque os seus países não têm dinheiro (ou poder) para lhes dar uma vacina a tempo. É importante que as novas gerações (e os negacionistas) compreendam o luxo em que vivem. Pede-se contenção por uns meses, não uma eternidade. Não podemos esperar um mundo melhor demitindo-os de assumirem as suas responsabilidades. Os do "gueto" estão a morrer enquanto mantemos, apesar de tudo, uma vida normal.

Saiba mais:

Esta é a Lista das Espécies Perigosas em Portugal

Portugal é o habitat de algumas espécies perigosas, apesar de ser um dos países com o menor número. Da flora à fauna, algumas das espécies podem oferecer grande perigo para os humanos, especialmente para as crianças e idosos ou doentes crónicos e com hipersensibilidade, incluindo traumatismos irreversíveis e até a morte.

Conheça a lista com algumas das espécies mais perigosas em Portugal, que inclui animais, vegetais e até fungos.

Espécies venenosas e potencialmente letais
No grupo de ofídios, as atenções viram-se para a Víbora-cornuda e para a Víbora-de-seoane. Com apenas uma mordida destas duas cobras, na região da cabeça, pescoço ou tórax pode causar graves danos, especialmente a crianças, idosos e doentes crónicos. Os sintomas podem ser vários e com níveis de gravidade distintos, desde uma dor local, a taquicardia, hipotensão, raramente, morte por infeção ou hemorragia.

Os cogumelos também fazem parte da lista de espécies perigosas em território nacional, sendo consideradas venenosas e potencialmente letais. O Chapéu-da-morte, Anjo-destruidor-europeu e Anjo-da-morte, logo pelos nomes atribuídos indicam que podem trazer graves problemas para a saúde do ser humano.

Nas primeiras horas de ingestão destes fungos, ocorrem normalmente náuseas, vómitos, diarreia, hipotensão, desequilíbrio. Entre as 24 e 48 seguintes, podem surgir sintomas gastrintestinais e degeneração das funções dos rins e do fígado, sendo estes danos irreversíveis e levar à morte, em situações mais graves.

No que diz respeito a plantas, podemos encontrar várias espécies perigosas. Destacamos a Cicuta e a Dedaleira.

A primeira existe espalhada por todo o país, pelo que merece especial atenção. Uma vez que toas as partes da planta são extremamente venenosas por causa da cicutina que a compõe, apresenta inúmeros perigos aquando ingerida. Ardor na boca, vómitos, paralisia progressiva dos músculos, convulsões e paragem cardiorrespiratória são alguns deles.

A Dedaleira também pode ser encontrada em todo o país, mas a Serra da Estrela (e o Parque Natural de Sintra-Cascais, em menor quantidade) é o seu habitat preferido. Se está a pensar viajar até lá, preste atenção e não se deixe seduzir pela beleza desta planta!

Apesar ser utilizada para fins medicinais, o seu consumo desinformado e em alta dosagem pode ser letal, devido ao veneno que possui. Alguns dos sintomas podem passar por ardor na boca e garganta, vómitos, náuseas e, em casos agravados, paragem cardiorrespiratória.
Dedaleira, uma das espécies de plantas mais perigosas em Portugal.
FOTOGRAFIA DE © JOSÉ VENTURA, INSTITUTO DA CONSERVAÇÃO DA NATUREZA E DAS FLORESTAS – ICNF


Espécies Traumatogénicas
As espécies traumatogénicas são potencialmente letais devido à suscetibilidade de ataques deliberados.

De todos os mamíferos, destacamos o Lobo-ibérico, também conhecido como Canis lupus signatus, que se encontra em vias de extinção e foi um dos animais portugueses fotografado por Joel Sartore. Este animal pode ser encontrado essencialmente no Minho, em Trás-os-Montes e na Beira Alta.

Pode pesar até 40kg e a sua mordedura pode causar lesões traumatogénicas graves, ou fatais. Contudo, em Portugal os registos dos seus ataques estão essencialmente ligados a gado, e não a humanos, de acordo com o Life MedWolf.

Quanto aos peixes, a Moreia-pintada e a Moreia-preta, geralmente existentes na Costa de Portugal Continental, Açores e Madeira, também podem causar lesões traumatogénicas.

As mordeduras destes dois peixes podem dar origem a ferimentos grandes, dolorosos e, até mesmo, irreversíveis.
Víbora Cornuda
FOTOGRAFIA DE ©PARQUE DE SINTRA - MONTE DA LUA | CASA DA IMAGEM


Espécies potencialmente perigosas
Desde aracnídeos, quilópodes, peixes, insetos e cnidários e Equinodermes, são várias as espécies potencialmente perigosas em Portugal.

Dentro dos aracnídeos, as atenções vão para a famosa Viúva-negra-mediterrânica, que predomina a região do Alentejo e Algarve, especialmente nas zonas rurais. O veneno desta aranha é transmitido para si através de uma picada e pode atingir vários níveis de gravidade, que vão desde dor intensa, cãibras, rigidez muscular, dificuldade respiratória, hipertensão, choque e até morte.

Dentro do grupo de quilópodes, encontramos as centopeias mediterrânica e comum. Uma picada desta espécie possui veneno de baixa toxicidade para os seres humanos, mas que provoca dores intensas, vermelhidão e edema. Das duas, a centopeia-comum é a menos perigosa.

Na categoria dos peixes, cnidários e equinodermos, temos vários animais perigosos, incluindo o peixe-aranha, a caravela portuguesa e os ouriços do mar.

O peixe-aranha não é um animal agressivo e as suas picadas são o resultado de qualquer ataque que eles sintam por parte do ser humano, normalmente quando são pisados. Posto isto, a zona dos pés é a região mais afetada do corpo.

Se for picado por um peixe-aranha, é comum que sinta uma dor intensa no local que sofreu o ataque, vermelhidão, dormência, náuseas, dores de cabeça, cólicas ou tremores.

A caravela portuguesa, tal como as alforrecas, com as suas picadas, transmite um veneno tóxico para os seres humanos, deixando-os com dores, caibras, queimaduras e bolhas. Para pessoas com hipersensibilidade, os danos podem ser mais graves, com risco de vida.

O ouriço do mar é um equinoderme que também afeta os seres humanos com um veneno de baixa toxicidade, através de picadas. Raramente causam sintomas, mas os seus espinhos são bastante dolorosos e muito difíceis de retirar do corpo.

A lista completa possui ainda mais espécies do que as mencionadas no artigo e pode sofrer alterações a qualquer momento, devido ao perigo de extinção de alguns dos animais e plantas, por exemplo.

Como a discriminação da comunidade LGBTQIA+ se associa à crise climática


A equidade é uma abordagem para garantir que todos possam ter acesso às mesmas oportunidades, independentemente de suas características ou escolhas pessoais e culturais. A inclusão garante a igualdade de oportunidades, removendo barreiras ou obstáculos.

A crescente aceitação social e cultural de diversas identidades e o reconhecimento das desigualdades e discriminações históricas e atuais estão levando a uma preocupação crescente com os princípios de equidade, diversidade e inclusão, particularmente em relação aos direitos das mulheres. No entanto, a discriminação, o assédio e as disparidades com base em identidade de gênero e orientação sexual ainda são generalizados.

Esses princípios estão intimamente relacionados às questões ambientais e de mudanças climáticas, pois as adversidades do meio ambiente também afetam o bem-estar humano e a justiça social. Os impactos da crise do clima não atingem a todos de maneira uniforme. Alguns grupos sociais são submetidos a riscos e incertezas maiores. As ameaças crescentes associadas às alterações climáticas devem atingir, primeiramente e mais intensamente, as comunidades marginalizadas.

Dentre estas, a comunidade lésbica, gay, bissexual, transgênero, queer, intersex, assexual e aliada (LGBTQIA+) é uma das que, devido à sua marginalização e vulnerabilidade social, pode se tornar uma vítima praticamente oculta das mudanças climáticas e degradação ambiental. No entanto, pesquisas, políticas e ações para responder às necessidades de gênero e minorias sexuais na preparação e resposta a desastres e mudanças climáticas são ainda limitadas.

Os indivíduos dessas comunidades são particularmente vulneráveis ​​a exclusão, violência e exploração devido ao estigma social, discriminação e ódio que geram limitações em termos de oportunidades sociais e acesso a infraestruturas de serviços disponíveis. Pessoas LGBTQIA+, muitas vezes, são forçadas a deixar suas casas devido à intolerância e mesmo violência familiar. Além disso, enfrentam o preconceito de proprietários que, com frequência, se recusam a alugar suas propriedades com base na orientação sexual ou identidade de gênero.

Consequentemente, indivíduos dessa comunidade oriundos de classes mais humildes estão mais sujeitos ​​à falta de moradia, a ambientes em condições precárias ou a viverem em situação de rua. No meio rural, onde a menor demografia facilita a identificação das diferenças, a discriminação se repete.

A taxa de desemprego ou emprego informal entre LGBTQIA+ no Brasil é cerca de três vezes maior que na população em geral, cenário que piorou durante a pandemia, segundo estimativa da Aliança Nacional LGBTI. Isso coloca essas pessoas em maior risco de pobreza e falta de moradia. Todas essas condições fazem com que estejam muito menos equipados para enfrentar os impactos ambientais provocados pelas mudanças climáticas.

Além disso, antes de um evento extremo, os membros da comunidade LGBTQIA+ podem não ter acesso aos mesmos bens, recursos e informações que a população em geral devido ao potencial de exclusão, isolamento e redes sociais restritas. Isso pode afetar a resiliência dessas pessoas. Casais do mesmo sexo podem não receber ajuda de emergência se não forem reconhecidos como legítimos. Da mesma forma, pessoas não binárias podem não ter acesso a serviços específicos de gênero e, assim, ser rejeitadas em abrigos de emergência ou enfrentar outros desafios para receber ajuda durante esforços de socorro e recuperação. Isso aconteceu durante o furacão Katrina, que assolou o sul dos Estados Unidos em 2005.

Por outro lado, muitos podem, simplesmente, ter receio de procurar ajuda diante do estigma em torno do gênero e da identidade sexual. Assim, a crise climática pode ser associada à discriminação vivida pela comunidade LGBTQIA+.

Quando se pensa em justiça social e ação climática equitativa e inclusiva, ainda há muito a ser feito para garantir igualdade para todos, incluindo gênero e sexualidade. Deve haver garantia de que todos possam desfrutar plenamente de seus direitos humanos, ter acesso à informação e a oportunidade de participar de políticas e tomadas de decisão.

Além disso, a igualdade de tratamento deve garantir que qualquer pessoa afetada pelos efeitos adversos das mudanças climáticas tenha acesso ao apoio e aos serviços de que necessita, independentemente de sua orientação sexual ou identidade de género.

*Edenise Garcia é diretora de Ciências da The Nature Conservancy (TNC) Brasil. Saiba mais em https://www.tnc.org.br/

domingo, 27 de junho de 2021

Poema da Semana - O meu olhar é nítido como um girassol, por Alberto Caeiro


O meu olhar é nítido como um girassol.
Tenho o costume de andar pelas estradas
Olhando para a direita e para a esquerda,
E de vez em quando olhando para trás...
E o que vejo a cada momento
É aquilo que nunca antes eu tinha visto,
E eu sei dar por isso muito bem...
Sei ter o pasmo essencial
Que tem uma criança se, ao nascer,
Reparasse que nascera deveras...
Sinto-me nascido a cada momento
Para a eterna novidade do Mundo...
Creio no Mundo como num malmequer,
Porque o vejo. Mas não penso nele
Porque pensar é não compreender...
O Mundo não se fez para pensarmos nele
(Pensar é estar doente dos olhos)
Mas para olharmos para ele e estarmos de acordo…
Eu não tenho filosofia: tenho sentidos...
Se falo na Natureza não é porque saiba o que ela é,
Mas porque a amo, e amo-a por isso,
Porque quem ama nunca sabe o que ama
Nem sabe porque ama, nem o que é amar...
Amar é a eterna inocência,
E a única inocência é não pensar...
~~ Alberto Caeiro ~~

Música do BioTerra: Where is My Mind - Pixies - Loop Cover - Boss RC 505 - Acoustasonic Stratocaster - Ludwig Drums


With your feet on the air and your head on the ground
Try this trick and spin it, yeah
Your head will collapse but there's nothing in it
And you'll ask yourself
Where is my mind?
Where is my mind?
Where is my mind?

Way out in the water
See it swimming?

I was swimming in the Caribbean
Animals were hiding behind the rocks
Except the little fish
But they told me, he swears
Tryin' to talk to me koi koi
Where is my mind?
Where is my mind?
Where is my mind?

Way out in the water
See it swimming?

With your feet on the air and your head on the ground
Try this trick and spin it, yeah
Your head will collapse but there's nothing in it
And you'll ask yourself
Where is my mind?
Where is my mind?
Where is my mind?

Way out in the water
See it swimming?

França: a greve dos eleitores

Os tempos não estão fáceis para a política e para os partidos. A saúde das democracias europeias não é invejável. A primeira volta das eleições regionais francesas de domingo fez soar o alarme: 66,7% dos inscritos não compareceram nas urnas e a cena política aparece ainda mais fragmentada que antes. Estes são os fenómenos de fundo. Por fim, um relativo avanço da direita e um enfraquecimento de Emmanuel Macron e de Marine Le Pen suscitam novas incógnitas para as eleições presidenciais de Abril de 2022. Mas a própria análise destes efeitos é posta em causa pelo nível da abstenção.
A abstenção, uma perfeita greve dos eleitores, começa por se dever à desvalorização de uma eleição que devia rodar em torno de interesses regionais, mas que foi marcada por uma forte polarização política.
Dominique Reynié, director do think thank Fondapol, considera que “a campanha foi esmagada por temas nacionais e uma extrema politização”. Alguns evocaram a possível influência da pandemia, que teria acentuado a indiferença dos cidadãos. Mas, responde Reynié, “a abstenção de domingo inscreve-se numa série”. Na segunda volta das eleições legislativas de 2017, houve um recorde de 57,3% de abstenções, enquanto a mesma taxa nas presidenciais desse ano foi de apenas 25,4. Outro máximo foi atingido nas regionais de 2020 – 58,4. Olhando, num horizonte temporal mais largo e sempre no terreno das regionais, passámos de uma abstenção de 22% em 1986, para os 66,7 de 2021.
“A ‘des-institucionalização’ da vida política é um temível desafio para a nossa democracia”, sublinha Reynié. “Marca o advento de uma forma anómica da política (…) e a ascensão do peso do espaço público digital.” E deixa o campo livre à contestação por minorias activas. “Esta greve às urnas é grave”, escreve o Monde em editorial. “A abstenção é uma fábrica de contestação.”

Canibalização
Gérard Grunberg, do CNRS, atribui a enormidade da abstenção à “canibalização pela eleição presidencial das outras consultas eleitorais e à desestruturação do sistema partidário”. Por isso esta abstenção não deverá repetir-se em Abril de 2022. “Durante a V República, a eleição presidencial sempre foi a eleição rainha. Com a passagem do tempo tornou-se na única.” As próprias legislativas têm vindo a ser desvalorizadas.
A desestruturação do sistema partidário começou com o declínio da clivagem esquerda-direita no início do século e foi consumada nas presidenciais e nas legislativas de 2917, argumenta Grunberg. O Partido Socialista quase se evaporou. A direita clássica falhou a segunda volta das presidenciais, em benefício da nova polarização Macron-Le Pen. “Esta desestruturação do sistema não desembocou numa recomposição, privando os eleitores de referências claras para se orientarem no campo político.” O que, uma vez mais, favorece a abstenção.
A desorientação é patente entre os antigos líderes socialistas. Na Île-de-France (região parisiense), Lionel Jospin e François Hollande apelam ao voto em Julien Baylou, candidato ecologista apoiado pela esquerda, enquanto Manuel Valls e Jean-Paul Huchon, ex-presidente socialista da região, declaram votar na candidata de direita, Valérie Pécresse, que rompeu com Os Republicanos e lidera a região desde 2015.
O “estilhaçamento” do sistema partidário e o declínio das referências ideológicas tornam as previsões políticas cada vez mais aleatórias. Em Março houve um alarme. O Libération anunciou o fim da “frente republicana”, porque quase metade dos eleitores de esquerda declaravam recusar-se a escolher entre Macron e Le Pen na segunda volta das presidenciais: “Nem Macron nem Le Pen”, era o slogan.
Os resultados do passado domingo voltam a baralhar as contas. Segundo o semanário L’Obs, põem em dúvida a certeza de que a segunda volta de 2022 irá necessariamente ser disputada entre Macron e Le Pen.
Certo é que o resultado das presidenciais vai ser ditado pelos 30 milhões de abstencionistas que, em Abril, não deixarão de acorrer às urnas.

Os duelos de domingo
Quatro forças disputam domingo a segunda volta das regionais. A direita, relativamente unida, a esquerda (ora dividida ou unida), A República em Marcha (LREM), de Macron, e a União Nacional, de Marine Le Pen. Acontece que a maioria dos acordos de transferência de votos falhou. Assim, em vez de duelos ou das habituais competições triangulares, dominam as competições quadrangulares. Em muitos casos, os candidatos não se retiram em nome da clareza ou das incompatibilidades, o que se vai reflectir em baixas votações dos vencedores, o que se arrisca a enfraquecer a legitimidade dos presidentes das regiões.
Os partidos de Macron (que não se envolveu na campanha) e de Le Pen foram os mais penalizados na primeira volta. Sofrem os efeitos da deficiente implantação regional. Resta saber se será apenas isso. Le Pen, que recuou nove pontos em relação a 2015, “está em pânico”, diz a imprensa, temendo o impacto sobre a presidencial, onde a direita clássica lhe vai disputar a primazia.
Sylvain Courage, chefe de redacção do L’Obs, sublinha o engano das sondagens e pergunta se poderemos confiar nos estudos de opinião que colocam Le Pen à frente na primeira volta das presidenciais. “Outrora subestimado nas sondagens de intenções de voto, estará agora sobrevalorizado o sufrágio lepenista?”
Para “salvar os móveis” Le Pen precisa de conquistar uma região, a Paca (Provença-Alpes-Côte d’Azur), onde o seu aliado Thierry Mariani ficou em primeiro lugar mas é ameaçado pelo candidato do LREM, Renaud Muselier, apoiado por Os Republicanos e beneficiando da desistência dos ecologistas. As sondagens apontam para um resultado 50-50… Se o duelo da Île-de-France ainda assume a forma de confronto esquerda-direita, o da Paca significa uma barragem anti-Le Pen.
A direita tradicional foi quem melhor resistiu à abstenção. Estas regionais servirão também para aferir a força relativa dos seus três potenciais candidatos às presidenciais: Laurent Wauquiez, ex-líder de Os Republicanos, Xavier Bertrand e Valérie Pécresse, que abandonaram o partido após a eleição de Wauquiez que, entretanto, acabou por se demitir. Como vai a direita designar um candidato, agora que desistiu de fazer primárias? Para lá do resto, os três potenciais aspirantes ao Eliseu representam linhas políticas divergentes.
Outra incógnita: vão os ecologistas dirigir alguma região? Quanto à esquerda, as perspectivas não são brilhantes. Estas interrogações são, de certa forma, a “espuma das regionais”. O principal é aquilo a que alguns chamaram “um desastre cívico” ou “um cisma entre a classe política e os franceses.” Outra questão, com reflexo em 2022, é averiguar se o retrocesso da extrema-direita foi um acidente ou é uma tendência de fundo.»

sábado, 26 de junho de 2021

Governo Português Pretende Continuar A Subsidiar Uma Agricultura Prejudicial Às Comunidades Rurais E Ao Ambiente




Federação Europeia de Associações de Ambiente e ZERO dão nota negativa aos planos para a política agrícola portuguesa.

Começa a ser uma certeza que a nível Europeu não estão a ser asseguradas garantias de que os fundos públicos do próximo quadro de apoios da Política Agrícola Comum (PAC) serão aplicados respeitando o interesse público, pelo que o European Environmental Bureau (EEB) e a ZERO fazem este comunicado conjunto para alertar para o caminho desastroso que segue a atual planificação da aplicação dos fundos públicos para a agricultura portuguesa no próximo quadro de apoios comunitários – 2023 a 2027.

O que está em causa

Uma nova PAC de 270 mil milhões de euros, a vigorar por 5 anos, provavelmente será decidida numa reunião à porta fechada entre os negociadores da Comissão Europeia, do Parlamento Europeu e os ministros nacionais já no final da semana. Importa referir que as negociações fracassaram em Maio, com o ambiente a ser o aspeto central das divergências.

A agricultura é a maior causa do declínio das populações de fauna e flora selvagens na Europa e é também uma grande contribuinte para o aquecimento global, apesar do potencial de redução das emissões de gases de efeito estufa (GEE) – ao nível da redução de inputs, das cadeias de distribuição, da intensificação pecuária e do desperdício – e capacidade de sequestro de carbono nos solos agrícolas. Ainda que os decisores políticos argumentem que a nova política agrícola fará mais pelo ambiente, a verdade é que pouco mudará com a maior parte dos fundos públicos a serem alocados para empreendimentos agrícolas com enormes impactes ambientais.

Os planos nacionais, e a proposta atual do Plano Estratégico da PAC (PEPAC) para Portugal, vão no mesmo sentido e sugerem que se voltará a servir o lóbi da agricultura industrial, incentivando o uso insustentável da água, desviando fundos ambientais para atividades que podem prejudicar seriamente o ambiente, e permitindo o declínio contínuo das paisagens tradicionais portuguesas a favor da industrialização do espaço rural em zonas de regadio por um lado e, por outro, o desamparo dos sistemas agrossilvopastoris. Acresce que estes desenvolvimentos irão ameaçar as obrigações legais e internacionais de Portugal em matéria de ambiente, poluição da água e clima, fazendo com que a já pouco ambiciosa meta de 11% de redução das emissões de gases de efeito estufa para o setor agrícola não seja alcançável.

Portugal prepara-se para continuar a apoiar quem causa os problemas ambientais e sociais

Pese embora a Comissão Europeia tenha de aprovar o plano estratégico português, antevê-se que a supervisão seja fraca, pois uma parte significativa do controlo dos gastos do orçamento agrícola da UE irá ser transferido de Bruxelas para os Estados-Membros. Tal como outros países, Portugal não deixa de apelidar de “progresso” a clara ausência de ambição ambiental na política agrícola da UE, o que se traduzirá na cedência ainda maior aos interesses ligados à agricultura industrial durante a fase de implementação das políticas.

O plano estratégico de Portugal provavelmente será concluído antes de uma consulta pública [final] a partir do início de Agosto de 2021, prevendo-se que seja enviado à Comissão Europeia já em Dezembro.

Pela consulta do estado atual do plano e pelas respostas à consulta pública anterior, é já muito claro que os novos fundos da UE continuarão a favorecer a agricultura insustentável em Portugal, amplificando os principais problemas ambientais, incluindo as alterações climáticas, a perda de biodiversidade, a escassez e a poluição de água, a degradação do solo e a resistência aos antibióticos.

A ZERO tem questionado repetidamente os planos do governo e tem-se deparado com obstáculos no acesso à informação e desconsideração das suas preocupações.

Um dos aspetos mais criticados prende-se com a aposta nos grandes regadios coletivos de iniciativa estatal, como a recentemente aprovada barragem do Crato (Pisão) e os seus perímetros de rega. Sem planos para reformar o corrente uso de água desregrado e mal supervisionado e a intensificação de terras agrícolas, o consumo total de água aumentará significativamente dentro e fora das áreas estabelecidas para o regadio, prevendo-se que o corrente modelo induza também a redução e degradação dos aquíferos em várias regiões, atingindo limiares críticos no Algarve.

A expansão da agricultura dependente do regadio é a solução unívoca e provocará maior intensificação do uso e ocupação dos solos e uma aceleração do já rápido desaparecimento das paisagens tradicionais, especialmente no Alentejo. O mosaico de campos de cereais secos, de pastagens, de terras em pousio, bem como do montado e outros sistemas agroflorestais extensivos, continuará a ser transformado em monoculturas intensivas de grande escala, cronicamente dependentes de pesticidas e fertilizantes de síntese. Existem também medidas que incidem no apoio à agricultura de alto valor ambiental em habitats dentro da Rede Natura 2000, mas, mantendo-se os mesmos valores de investimento do quadro anterior, registar-se-ão ainda mais perdas de sistemas agrícolas importantes para a manutenção da biodiversidade.

Por outro lado, as medidas ditas “ambientais” podem vir a agravar os problemas que visam combater já que os fundos da UE reservados para Portugal se focam teoricamente numa transição para uma agricultura sustentável (a longo prazo), mas são atribuídos aos beneficiários sem mecanismos eficazes de responsabilização e obrigações baseadas em resultados, pelo que provavelmente serão amplamente utilizados de forma indevida. Também os apoios aos jovens agricultores podem vir a beneficiar largamente cidadãos sem atividade agrícola real e sem intenções de viver em áreas rurais, enquanto que os instrumentos financeiros de gestão de risco em vez de fortalecerem as redes de suporte contra as crescentes perdas climáticas, podem acabar por promover uma agricultura insustentável, menos resiliente ou não compatível com a segurança alimentar, por exemplo através da aposta em monoculturas e na especialização em produtos apenas orientados para exportação.

Para além disso, para avaliar o PEPAC português, o governo escolheu uma empresa sem isenção ou imparcialidade, tendo fortes ligações a vários atores ligados à agroindústria, incluindo produtores de pesticidas e grupos de interesse associado à concentração fundiária, entidades que mantêm práticas de lóbi regulares em prol da promoção da intensificação industrial da agricultura

O papel de Portugal ao nível da UE

Portugal lidera a presidência do conselho da UE e afirma ter um foco ambiental, a sua abordagem tem sido a de aumentar a pressão, mas sem lançar as bases para garantir o progresso. O Conselho Europeu tem sido sistematicamente a instituição menos ambiciosa em termos ambientais e foi a sua repentina perda de ambição em Maio que conduziu as negociações a um fim abrupto.

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La Terre est pressée comme une orange -Une extinction de masse !


La disparition

Vous vous en doutiez... mais c'est pire !

"Fort de leur présence sur Terre depuis plus de 400 millions d’années, de leur diversité, de leur adaptabilité et de leur abondance, les insectes constituent une réussite biologique sans précédent et une composante essentielle à la vie sur notre planète. Aujourd’hui, un organisme vivant sur deux et 3 animaux sur 4 appartiennent à leur ordre.

Les fonctions écologiques que ces arthropodes remplissent au sein des écosystèmes sont innombrables. Il est possible de citer, entre autres, la pollinisation, la consommation du couvert végétal (phytophagie), le recyclage des matières organiques en décomposition (coprophagie, nécrophagie, etc.) et des nutriments, le contrôle d’autres espèces considérées comme « nuisibles » et composant le régime alimentaire de nombreuses espèces d’oiseaux, d’amphibiens et de mammifères. Leur maintien dans les chaines trophiques est primordial pour les équilibres écologiques." Benoît Gilles, Passion entomologie




Pour un scientifique, une accumulation d'indices ou de symptômes peut suggérer une interprétation, conduire à une hypothèse. Mais elle ne suffit pas pour convaincre.

Ce dont il a besoin, c'est d'une étude statistiquement incontestable, passée au crible par des pairs et publiée dans des revues scientifiques reconnues...

... comme la prestigieuse revue anglaise Nature, par exemple, qui vient de sanctifier un travail qui fait froid dans le dos sur la disparition des insectes (des arthropodes en général).



Sur mon blog, cet été, j'écrivais " Où sont passées les scarabées, lucanes, hannetons, criquets, sauterelles, papillons ... qui en multitudes ont accompagné mon enfance...".

Ceci n'était qu'un ressenti, partagé par nombre d'entre-vous.

La publication en question décrit des résultats obtenus en appliquant un protocole strict, sur une période de 9 ans (2008-2017), sur 290 sites ( 150 sites de prairies et 140 sites forestiers) dans trois régions allemandes. Elle a permis de collecter des données sur plus d’un million d’arthropodes (environ 2700 espèces).

Autant dire qu'elle est incontestable !




Le résultat est accablant (graphique ci-dessus et ci-contre) :

" Dans les prairies échantillonnées chaque année, la biomasse, l’abondance et le nombre d’espèces ont respectivement décliné de 67 %, 78 % et 34 %. Le déclin est conséquent dans tous les niveaux trophiques [place dans la chaîne alimentaire] et affecte principalement les espèces rares ; son intensité est indépendante de l’intensité des usages du sol."

"Dans les sites forestiers inventoriés annuellement, la biomasse et le nombre d’espèces ont respectivement décru de 41 % et 36 %..."




Ces baisses ont été particulièrement fortes dans les paysages dominés par des terres agricoles, ce qui suggère que la gestion agricole pourrait être à l'origine de cette baisse.

Pour Sebastian Seibold, auteur principal de la publication :

« Les initiatives actuelles contre la disparition des insectes se concentrent beaucoup trop sur la gestion de parcelles isolées, et ceci sans coordination particulière »

« Pour arrêter ce déclin, nous devons développer une meilleure coordination au niveau régional et national, fondée sur nos résultats. »

Ce travail vient conforter les résultats d'une méta-étude établissant le bilan de la littérature internationale sur les facteurs de déclin de l’entomofaune, à l’échelle mondiale, qui indique notamment que :

" - Plus de 40 % des espèces d’insectes sont menacées d’extinction.

- Les Lépidoptères, les Hymenoptères et les Coléoptères sont les taxons les plus affectés.

- Quatre taxons aquatiques sont menacés et ont déjà perdu une importante proportion d’espèces."

La perte de leurs habitats par conversion vers l’agriculture intensive est le facteur principal de déclin

Les polluants agro-chimiques, les espèces invasives et le changement climatique sont des causes supplémentaires.

L'homme est le seul primate qui n'est pas pas menacé d'extinction!



Pendant que le président élu de la plus grande puissance mondiale nie l'implication de ses congénères dans le désastre écologique en cours, les études sur l'évolution de la biodiversité se succèdent, convergent, et sont de plus en plus désespérantes.

La dernière en date, publiée dans Sciences Advances : Impending extinction crisis of the world’s primates: Why primates matter, annonce pour très vite l'extinction de nos très proches parents : les primates non humains.

Ces parents biologiques, jouent un rôle important dans les moyens de subsistance, les cultures et les religions de nombreuses sociétés et offrent une perspective unique sur l'évolution humaine, la biologie, le comportement et la menace des maladies émergentes. Ils sont une composante essentielle de la biodiversité tropicale, ils contribuent à la régénération des forêts et la santé des écosystèmes.

De tout cela, l'humain, au mépris même de son intérêt bien compris, fait fi. De nombreux scientifiques imaginent qu'il se sentira bientôt très seul sur son tas de déchets industriels...

Cette méga-analyse porte sur 504 espèces de 79 genres répartis dans la zone néotropicale, le continent africain, Madagascar et l'Asie, elle indique que ~ 75% des espèces de primates sont en déclin et que~ 60% sont d'ores et déjà menacées d'extinction.

Cette situation est le résultat de l'escalade des pressions anthropiques sur les primates et leurs habitats : expansion de l'agriculture industrielle, élevage à grande échelle, exploitation forestière et minières (forages pétrole, gaz...).

Enfin une analyse globale récente suggère que de nombreux primates pâtiront de l'évolution des conditions climatiques au cours du 21ème siècle : l'Amazonie, la forêt atlantique du Brésil, l'Amérique centrale et l'Asie de l' Est et du Sud - sont considérés comme des points sensibles de la vulnérabilité des primates face au changement climatique.

En conclusion, malgré un tableau très sombre, malgré l'extinction imminente d'un grand nombre de primates, les chercheurs restent persuadés que la conservation de nombreuses d'espèces n'est pas encore une cause perdue.

L'inversion de cette tendance est subordonnée à la mise en œuvre urgente de décisions scientifiques, politiques et de gestion immédiates visant à réduire les pressions environnementales et anthropiques sur ces population.

Sinon, la réduction continue et accélérée de la biodiversité des primates est inéluctable.

Crimes contre la biodiversité

La sixième extinction de masse est actée






Lassitude de devoir répéter, depuis huit ans que j'ai ouvert cette rubrique, que notre biodiversité s'effondre, que d'enquêtes en colloques, de publications en conférences, les scientifiques produisent des données épouvantables à propos de cette extinction de masse dont l'homme est principalement responsable.

Ils prêchent dans le désert et un sinistre imbécile, élu à la tête du plus puissant pays du monde, peut se permettre encrasser davantage notre atmosphère, de fouiller plus avant dans les entrailles de la Terre, de stériliser des cultures pour élever des crassiers...

Pour quelques dollars de plus alors que c'est la survie de l'humanité qui est en cause !

Plus de blabla donc ici, mais des tableaux, des chiffres, des images, comme celles parues dans l'article de PNAS qui fait la une aujourd'hui des journaux et des média.

Demain il sera temps de tout oublier, puis d'aller complimenter l'armée française avec le triste crétin en question.

Je me posais une question depuis quelques années : où étaient passés les beaux chardonnerets qui venaient picorer les graines mises à disposition dans nos jardins ?

J'ai la réponse : en 20 ans leur population en France a diminué de 40%

RAPPORT PLANÈTE VIVANTE 2016

L'homme, ce grand ravageur


Des milliers d'espèces animales et végétales disparues, des dizaines de milliers menacées


D'années en années, le rapport "Planète Vivante" de l'ONG WorldWildLife (WWF), sur l'état de la biodiversité terrestre, se fait plus inquiétant et confirme que l'homme est une arme de destruction massive pour le vivant, animal et végétal, de cette planète.

Pour de nombreuses espèces, les dégâts sont irréversibles, pour beaucoup d'autres la fin est proche.

Quelques chiffres donnent une idée de l'ampleur du désastre.

Entre 1970 et 2012, la population des vertébrés (mammifères, oiseaux et poissons) a diminué de 58% :

- le LPI terrestre (Living Planet Index) a perdu 38%,

- le LPI marin a perdu 36%

- le LPI eau douce s'est effondré de 81% (merci les pesticides!).




A court terme, ce sont les humains eux-mêmes qui seront victimes de leurs propres méfaits.

Les causes de cette atteinte majeure à la biodiversité sont clairement identifiées :

- La perte ou la dégradation de l' habitat est la menace la plus commune pour les espèce en déclin.

Agriculture non durable, développement résidentiel ou commercial, production d'énergies non renouvelables, endommagent les zones vitales pour la faune et la flore.

- L'impact de notre système alimentaire, conduit à la surexploitation des océans, et à la pollution massive des terres.

- Le changement climatique (essentiellement d'origine anthropique), perturbe gravement le rythme de vie des animaux en provoquant migration et reproduction à contre-temps.

- Enfin, animaux et végétaux sont exposés, dans tous les milieux, à une constante surexploitation, au braconnage (*) volontaire ou involontaire (pêche).


Nous avons construit trop de villes à la campagne...

... urbains, trop urbains !

Mégalopole japonaise


La revue américaine Science publie une série d'infographies interactives, qui montre à quel point la terre est devenue une planète urbaine.

Aujourd'hui, plus de la moitié des habitants de la planète vivent dans les villes, et la proportion est en forte croissance. En 2050, près des deux tiers d'entre nous seront des citadins.

Sur le plan écologique, les répercussions sont catastrophiques. L'imperméabilisation des sols provoque non seulement des crues dramatiques, mais en empêchant l'humification des sols, elle nuit aux écosystèmes aquatiques et porte atteinte à la biodiversité

Anthropocène : l'âge de l'homme



Le Musée national d'histoire naturelle à Washington DC met les pieds dans le plat en réaménageant ses salles d'exposition pour faire une place à une nouvelle ère terrestre : l'anthropocène.

Pour certains en effet, la révolution industrielle marque le point de départ d'une nouvelle ère géologique, succédant à l'holocène, qu'ils nomment anthropocène.

Avec l'anthropocène l'histoire de la Terre connait une inflexion majeure, désormais l'homme est la force géologique principale.

Ainsi, avec les seules activités minières, les humains déplacent plus de sédiments que tous les fleuves du monde combinés.

Homo sapiens a également réchauffé la planète, acidifié et fait monter le niveau des océans, provoqué l'érosion de la couche d'ozone...

Pour certains géoscientifiques, pour qui l'échelle de temps de l'histoire de la Terre est aussi fondamentale que le tableau périodique des éléments, il s'agit presque d'un sacrilège !

Pour ceux-là, "L'échelle de temps géologiques est l'une des grandes réalisations de l'humanité "

Jusqu'à ce jour, les travaux concernant l'échelle des temps géologiques ont été basés sur la stratigraphie : l'études des couches de roche, des sédiments océaniques, des carottes de glace et autres dépôts géologiques.

L'anthropocène se situe dans une autre dimension, beaucoup plus complexe.


Reproduction de Nature 2015


Pour le début de la dernière période géologique, l'Holocène, Michael Walker et ses collègues ont choisi un changement climatique - la fin de l'ultime période glaciaire - et identifiés une signature chimique de ce réchauffement, à une profondeur de 1,492.45 mètres, dans un noyau de glace foré à proximité du centre du Groenland .

Il s'agit donc d'une détermination très précise.

On doit à Paul Crutzen, chimiste à l'Institut Max Planck de Mainz, en Allemagne, les premières réflexions quant à l'impact des activités anthropiques sur notre planète.

Dans les années 70-80, il montre comment elles endommagent la couche d'ozone et peuvent conduire à de profonds bouleversements dans notre environnement.

Il recevra le Prix Nobel de chimie en 1995.

C'est donc lui et un biologiste américain, Eugene F. Stoermer, qui sont à l'origine du terme d'anthropocène.

Mais un chimiste et un biologiste n'étaient pas les mieux placés pour annoncer une nouvelle ère géologique. Il a fallu le relais de géologues pour que l'idée fasse son chemin.

Ce fut fait en 2008 avec une publication retentissante de géologues britanniques conduits par Jan Zalasiewicz et Mark Williams :


Depuis, un groupe de travail s'est mis en place et les débats sont animés autour de la détermination du point de départ de cette nouvelle "ère géologique", car longue est la liste des bouleversements provoqués par l'homme !

Le début de la révolution industrielle a de nombreux adeptes mais d'autres options sont sur la table, comme l' expansion de l'agriculture et de l'élevage, il y a plus de 5000 ans, ou l'extension des activités minières, il y a plus de 3000 ans.

Hélas, il n'existe aucun signal géologique non équivoque et synchrone de l'activité humaine qui puisse signer ce point de départ !