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quinta-feira, 9 de abril de 2026

Ilwad Elman - Foco e Filosofia

"O colapso ecológico e o colapso da governação estão intrinsecamente ligados. Eles reforçam-se mutuamente. E as consequências não são apenas locais. São globais." - Ilwad Elman

Ilwad Elman é uma das mais influentes ativistas somali-canadianas da atualidade, centrando a sua atuação na intersecção entre a paz, a segurança e os direitos humanos.  Filha de pais também eles ativistas, Ilwad, nascida em 1989, na Somália, viveu parte da sua juventude no Canadá, mas decidiu regressar à Somália em 2010 para se juntar à sua mãe, Fartuun Adan, na gestão do Elman Peace and Human Rights Centre. Este centro foi fundado em memória do seu pai, Elman Ali Ahmed, um pacifista assassinado em 1996 pelo seu trabalho de reabilitação de jovens afetados pela guerra.

Em 2010, quando regressaram, o conflito ainda era intenso e a maioria das regiões de Mogadíscio e do Centro-Sul da Somália haviam sido perdidas para o controle do grupo terrorista Al-Shabaab, ligado à Al-Qaeda. Gradualmente, a organização Elman Peace foi pioneira em toda a Somália nas prioridades temáticas sobrepostas de paz e justiça, clima e segurança, direitos humanos e proteção, questões de género e igualdade, educação, meios de subsistência e criação de empregos.

Em 20 de novembro de 2019, as autoridades locais confirmaram que uma de suas irmãs, Almaas Elman, que também havia retornado à Somália como trabalhadora humanitária, foi morta a tiros num carro, perto do Aeroporto Internacional Aden Adde, em Mogadíscio

Ao longo da sua carreira, Ilwad destacou-se pela implementação de programas inovadores de desarmamento e reintegração social, focando-se especialmente na recuperação de ex-crianças-soldado e na proteção de mulheres sobreviventes de violência sexual. O seu trabalho ganhou uma dimensão global através do seu envolvimento como conselheira das Nações Unidas, onde tem defendido que a estabilidade política não pode ser dissociada da justiça social e, cada vez mais, da sustentabilidade ambiental.

Como sugere a citação na imagem, Elman é uma das vozes líderes na sensibilização para a segurança climática. Ela argumenta que a degradação ambiental e a escassez de recursos provocada pelas alterações climáticas e desigualdade promovidas por políticas belicistas e de lavagem verde, exacerbam os conflitos armados, principalmente no Sul Global e alimentam a sua instabilidade política, tornando a justiça ecológica um pilar fundamental para uma paz duradoura.

Pelo seu impacto humanitário, foi já nomeada em várias ocasiões para o Prémio Nobel da Paz, consolidando-se como uma das vozes mais respeitadas na resolução de conflitos em contextos complexos.

Recentemente, o seu percurso académico e contributo para a paz foram reconhecidos com distinções honorárias, incluindo um Doutoramento Honoris Causa em Direito (LL.D.) pela Carleton University, em reconhecimento pelo seu trabalho humanitário e liderança global.

quinta-feira, 16 de outubro de 2025

Saadi Shirazi - um educador ético e ecológico, muito à frente do seu tempo


"Os seres humanos são todos membros de um só corpo.
Eles são criados a partir da mesma essência.
Quando um membro está com dor,
Os outros não podem descansar.
Se você não se importa com a dor dos outros,
Você não merece ser chamado de ser humano."

Mosleh al-Din Saadi Shirazi (Poeta Iraniano, séc.XIII)

Saadi Shirazi (c. 1210–1292) foi um dos grandes mestres da poesia persa e um dos espíritos mais luminosos da tradição sufi. Nas suas obras-primas, O Jardim das Rosas (Gulistan) e O Pomar (Bustan), Saadi celebra a harmonia entre o ser humano, a natureza e o divino.

A sua voz é um apelo intemporal à moralidade, à justiça e à empatia. Defende que todos os seres humanos fazem parte de um mesmo corpo, e que o sofrimento de um é o sofrimento de todos — uma visão profundamente ecológica e solidária, que antecipa a ética planetária do nosso tempo.

A poesia de Saadi combina sabedoria prática e espiritualidade suave, exaltando o amor, a bondade e a moderação como caminhos de equilíbrio interior e social. Também nos recorda a fragilidade da vida e a necessidade de vivermos com simplicidade e consciência.

Mais do que um poeta, Saadi é um educador moral e ecológico: um homem que, há mais de sete séculos, nos ensinou que o verdadeiro florescimento humano só é possível quando cultivamos a compaixão, a justiça e o respeito pela vida em todas as suas formas.

quinta-feira, 23 de novembro de 2023

Livro- Earth for All - Terra para Todos


Publicado em 2022 – Há cinco décadas, Os Limites do Crescimento chocou o mundo ao mostrar que o crescimento populacional e industrial estava a empurrar a humanidade para um precipício. Hoje, o mundo reconhece que estamos à beira do precipício: a Terra ultrapassou múltiplas fronteiras planetárias, enquanto a desigualdade generalizada está a causar instabilidades profundas nas sociedades. Parece não haver saída.

Earth For All é ao mesmo tempo um antídoto para o desespero e um roteiro para um futuro melhor. Utilizando modelos informáticos de última geração para explorar políticas que possam proporcionar o melhor bem para a maioria das pessoas, um importante grupo de cientistas e economistas de todo o mundo apresenta cinco reviravoltas extraordinárias para alcançar a prosperidade para todos dentro dos limites planetários numa única geração. A cobertura inclui:
  1. Os resultados da nova modelagem global que indica a queda do bem-estar e o aumento das tensões sociais aumentam o risco de colapsos sociais regionais
  2. Dois cenários alternativos – Too-Little-Too-Late vs The Giant Leap – e o que eles significam para o nosso futuro coletivo
  3. Cinco medidas de mudança de sistema que podem acabar com a pobreza e a desigualdade, ajudar as pessoas marginalizadas e transformar os nossos sistemas alimentares e energéticos até 2050
  4. Um caminho claro para reiniciar o nosso sistema económico global para que funcione para todas as pessoas e para o planeta.
Escrito num estilo aberto, acessível e inspirador, utilizando linguagem clara e recursos visuais de alto impacto, Earth For All é uma visão profunda para tempos incertos e um mapa para um futuro melhor.

Este guia de sobrevivência para a humanidade é leitura obrigatória para todos os que se preocupam em viver bem num planeta frágil.

Autores:
  1. Sandrine Dixson-Declève é copresidente do Clube de Roma 
  2. Owen Gaffney é estrategista, escritor, jornalista científico, cineasta e analista de sustentabilidade global no Centro de Resiliência de Estocolmo e no Instituto Potsdam para Pesquisa de Impacto Climático, 
  3. Jayati Ghosh é uma economista reconhecida internacionalmente  e professora da Universidade de Massachusetts
  4. Johan Rockström é diretor do Instituto Potsdam para Pesquisa de Impacto Climático
  5. Per Espen Stoknes é diretor do Centro de Sustentabilidade e Energia da Escola Norueguesa de Negócios em Oslo
  6. Jørgen Randers é professor emérito de estratégia climática na BI Norwegian Business School.

ONGA
Earth For All

Economia Ecológica

terça-feira, 19 de setembro de 2023

Ukraine War History - Why it was a Predictable Bloodbath with Jeffrey Sachs


Professor de economia de renome mundial, autor de best-sellers, educador inovador e líder global em desenvolvimento sustentável.

Sachs atua como Diretor do Centro para o Desenvolvimento Sustentável da Universidade de Columbia, onde ocupa o posto de Professor Universitário, o posto académico mais alto da universidade. Sachs foi Diretor do Earth Institute da Universidade de Columbia de 2002 a 2016. Ele é Presidente da Rede de Soluções de Desenvolvimento Sustentável da ONU, Copresidente do Conselho de Engenheiros para a Transição Energética, académico da Pontifícia Academia de Ciências Sociais do Vaticano. , Comissário da Comissão de Banda Larga da ONU para o Desenvolvimento, Tan Sri Jeffrey Cheah, Professor Honorário Ilustre da Universidade Sunway, e Advogado dos ODS do Secretário-Geral da ONU, António Guterres. De 2001 a 2018, Sachs serviu como conselheiro especial dos secretários-gerais da ONU, Kofi Annan (2001-7), Ban Ki-moon (2008-16) e António Guterres (2017-18).

Sachs é autor e editou vários livros, incluindo três best-sellers do New York Times: The End of Poverty (2005), Common Wealth: Economics for a Crowded Planet (2008) e The Price of Civilization (2011). Outros livros incluem To Move the World: JFK's Quest for Peace (2013), The Age of Sustainable Development (2015), Building the New American Economy: Smart, Fair & Sustainable (2017), A New Foreign Policy: Beyond American Exceptionalism (2018). ), As Eras da Globalização: Geografia, Tecnologia e Instituições (2020) e, mais recentemente, Ética em Ação para o Desenvolvimento Sustentável (2022).

Sachs recebeu em 2022 o Prémio Tang de Desenvolvimento Sustentável e foi co-recebedor do Prémio Blue Planet 2015, o principal prémio global para liderança ambiental. Ele foi nomeado duas vezes entre os 100 líderes mundiais mais influentes da revista Time. Sachs recebeu 42 doutorados honorários e seus prémios recentes incluem o Prêmio Tang de Desenvolvimento Sustentável de 2022, a Legião de Honra por decreto do Presidente da República da França e a Ordem da Cruz do Presidente da Estónia.

Antes de ingressar na Columbia, Sachs passou mais de vinte anos como professor na Universidade de Harvard, mais recentemente como Professor Galen L. Stone de Comércio Internacional. Natural de Detroit, Michigan, Sachs recebeu seu bacharelado, mestrado e doutorado, diplomas em Harvard.

segunda-feira, 10 de julho de 2023

Universidade de Coimbra é "modelo" de acolhimento de alunos refugiados


Num artigo publicado do 'site' da ONU, a instituição, membro da iniciativa United Nations Academic Impact, é apontada como "o modelo de uma universidade portuguesa" na receção e tratamento de estudantes em situação de emergência por razões humanitárias, afirma a UC numa nota de imprensa enviada à agência Lusa.

A Universidade apoia estes alunos através do Fundo de Apoio aos Refugiados, criado e financiado através das receitas próprias da instituição conimbricense.

A ONU sublinha que "a UC está posicionada de forma única" para alcançar "uma internacionalização mais inclusiva, integrando refugiados qualificados e motivados no ensino superior".

Um dos exemplos das iniciativas para facilitar a integração dos estudantes refugiados são cursos de línguas ministrados na Faculdade de Letras.

Os alunos têm a possibilidade de frequentar um Ano Zero preparatório do primeiro ciclo de estudos e apoio psicológico e académico, prestado pelos serviços de Ação Social.

Há também todo um trabalho desenvolvido pela Divisão de Relações Internacionais, que inclui a "identificação de estudantes que se voluntariam para apoiar a integração dos seus pares".

De acordo com a UC, a ONU ressalva as boas práticas da Universidade de Coimbra no "tratamento burocrático dos processos" de estudantes refugiados e a sua participação em "projetos internacionais de desenvolvimento de ferramentas práticas", de modo a facilitar o ensino de línguas e a integração académica destes estudantes.

Ressalvando as boas-práticas da UC no tratamento burocrático dos processos de estudantes refugiados e a sua participação em projetos internacionais de desenvolvimento de ferramentas práticas para facilitar o ensino de línguas e a integração académica destes alunos e alunas, o ONU lembra também exemplos de sucesso têm passado por Coimbra desde 2014.

A Universidade de Coimbra acolhe, de momento, cerca de 80 estudantes em situação de emergência por razões humanitárias, com 16 nacionalidades diferentes (com maior prevalência de nigerianos, ucranianos e marroquinos). Mais informações sobre o seu acolhimento e integração estão disponíveis no endereço.

Nas palavras do Secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon: "O Impacto Académico visa gerar um movimento global de mentes para promover uma nova cultura de responsabilidade social intelectual. O UNAI é motivado pelo compromisso a apoiar certos princípios fundamentais. Entre eles: a liberdade de pesquisa, de opinião e de expressão; oportunidades educacionais para todos; a cidadania global, a sustentabilidade e o diálogo "

Além disso,o UNAI visa apoiar a realização dos Objetivos de Desenvolvimento do Milénio (ODM), concentrando-se na relação recíproca entre a educação e o desenvolvimento sustentável.

As Nações Unidas recordam, na publicação, exemplos de sucesso que têm passado por Coimbra desde 2014.

Atualmente, a Universidade acolhe cerca de 80 estudantes em situação de emergência por razões humanitárias, com 16 nacionalidades diferentes, com maior domínio de nigerianos, ucranianos e marroquinos.

A United Nations Academic Impact - com mais de 1400 membros - procura garantir o alinhamento das instituições de ensino superior com os objetivos da ONU na promoção e proteção dos direitos humanos, acesso à educação, sustentabilidade e resolução de conflitos.

sexta-feira, 15 de julho de 2022

Shinzo Abe: o que é a Igreja da Unificação, do reverendo Moon, citada por assassino de ex-primeiro ministro do Japão para cometer crime

Tetsuya Yamagami, assassino confesso de Abe, disse que agiu movido pelo rancor contra uma organização religiosa



Controvérsia e escândalo assombram há décadas a Igreja da Unificação, um grupo religioso com negócios milionários fundado pelo reverendo Sun Myung Moon que agora está sendo ligado ao assassinato do ex-primeiro-ministro japonês Shinzo Abe, na última sexta-feira (08/07).

Segundo a imprensa japonesa, Tetsuya Yamagami, o assassino confesso de Abe, disse à polícia que agiu movido pelo rancor contra uma organização religiosa que havia pressionado sua mãe a doar grandes quantias de dinheiro, arruinando assim sua família.

Ele acreditava que Abe havia favorecido esta instituição religiosa no Japão.

Embora a polícia não tenha revelado o nome da organização religiosa, a Federação das Famílias para a Paz Mundial e Unificação (nome usado atualmente pela Igreja da Unificação) confirmou que a mãe de Yamagami era membro da mesma.

Tomihiro Tanaka, responsável pela organização no Japão, confirmou que ela ingressou em 1998, depois saiu e retornou neste ano.

Segundo a imprensa japonesa, a mãe de Yamagami vendeu a sua casa e terrenos há mais de duas décadas para fazer uma doação de cerca de US$ 700 mil.

A Igreja da Unificação afirma que todas as doações são voluntárias.

Embora as razões pelas quais Yamagami considerasse que Abe favorecia a Igreja da Unificação não sejam totalmente claras, sabe-se que o falecido ex-primeiro ministro chegou a participar como palestrante pago num dos muitos eventos organizados por esse grupo religioso.

Além disso, em junho passado, Akihiko Kurokawa, líder do partido NHK do Japão, chamou a Igreja da Unificação de "culto antijaponês" e culpou o avô materno de Abe, o ex-primeiro-ministro Nobusuke Kishi, por ter permitido a chegada dessa organização ao país em 1958.

Mas qual é a origem desta instituição e por que ela causa polémica?

Da Coreia para o mundo
O reverendo Moon e a esposa oficializando um casamento coletivo em Seul em 2000

A Igreja da Unificação foi criada em 1954 na Coreia do Sul por Sun Myung Moon.

É uma variação da teologia cristã baseada na ideia de que, ao pecar, Adão e Eva falharam no plano divino — e que o mundo precisa de um novo messias que seria o próprio Moon.

Segundo suas crenças, a perda da graça divina se deveu ao fato de Eva ter tido relações sexuais ilícitas com o diabo no plano espiritual, o que levou à posterior queda de Adão, e toda a humanidade acabou replicando a linhagem do demónio.

O fundador da Igreja da Unificação, Sun Myung Moon, faleceu em 2012 aos 92 anos

A Igreja da Unificação considera a família como a pedra fundamental da sociedade e do desenvolvimento espiritual, razão pela qual atribui grande importância ao matrimónio — e, de fato, é conhecida mundialmente por organizar grandes casamentos coletivos.

Da Coreia do Sul, esta instituição passou para o Japão e, no final da década de 1950, começou a se deslocar para o Ocidente, onde por décadas foi tachada como uma "seita".

Conseguiu-se estabelecer nos Estados Unidos, onde Moon morou na década de 1970, e desde os anos 1980 está presente em vários países da América Latina, especialmente no Brasil.

Moon visitou a Argentina várias vezes, onde se encontrou com políticos proeminentes, incluindo o ex-presidente Carlos Menem.

Fé e negócios

A Igreja da Unificação é conhecida por sua capacidade de captar recursos financeiros, tarefa na qual tem sido muito bem-sucedida no Japão, onde, segundo especialistas, originam-se cerca de 70% dos fundos que administra, estimados em centenas de milhões de dólares.

Na verdade, um ex-membro do alto escalão da instituição chegou a dizer ao jornal americano The Washington Post que, entre as décadas de 1970 e 1980, Moon levou cerca de US$ 800 milhões do Japão para os Estados Unidos.

Parte desses recursos seriam provenientes da venda de objetos religiosos com supostos poderes espirituais fabricados por empresas que pertenciam à família Moon, mas sobretudo das chamadas "vendas espirituais".

Por meio deste mecanismo, pediam-se aos fiéis doações financeiras para "ajudar a elevar o espírito" de seus entes queridos falecidos.

Segundo pessoas que pertenciam à organização, seus membros no Japão revisam os obituários e depois visitam as casas dos enlutados para dizer a eles que a pessoa falecida entrou em contato com a Igreja e pediu à família que pegasse dinheiro no banco para doar, no intuito de alcançar assim sua elevação espiritual.

Esse mecanismo de arrecadação de fundos gerou vários processos no Japão, nos quais centenas de pessoas afetadas foram recompensadas nos tribunais.

Elgen Strait, ex-membro desta organização, falou ao jornal britânico The Telegraph sobre a pressão que existe para fazer doações.

"Há uma ideia presente em toda a organização de que sua posição espiritual é diretamente afetada pela quantidade de dinheiro que você dá. Nos Estados Unidos, espera-se que você doe 10% da sua renda bruta a cada mês. No Japão, é 30%. Mas isso é só para começar", declarou.

Moon, que em 1982 foi preso nos EUA por evasão fiscal, também se tornou um homem de negócios que, segundo estimativas, tinha uma fortuna de cerca de US$ 900 milhões quando faleceu em 2012, aos 92 anos.

Na época, ele possuía investimentos em um clube de futebol, uma fábrica de automóveis, uma fábrica de armas e no jornal The Washington Times, entre outros negócios.

No Brasil, Moon era dono de grandes extensões de terra na fronteira com o Paraguai. Pela localização estratégica, o Exército brasileiro chegou a manifestar preocupação em 2002, segundo reportagem publicada na época pela revista Istoé.

Poder que atrai

Durante décadas, Moon e a Igreja da Unificação procuraram se relacionar com políticos e figuras conhecidas, e os convidavam como palestrantes pagos nos vários eventos que organizavam.

Segundo especialistas, isso fazia parte de uma estratégia para obter maior credibilidade, por meio da associação com figuras conhecidas.

Assim, por exemplo, na mesma conferência de 2021 da qual Abe participou, chamada "Rally of Hope", também estiveram presentes o ex-presidente americano Donald Trump e o ex-primeiro ministro canadiano Stephen Harper.

Ex-presidentes dos EUA, como Gerald Ford e George H.W. Bush, participaram das conferências dessa organização em meados da década de 1990, assim como o ex-líder soviético Mikhail Gorbachev e o humorista Bill Cosby.

Como o investigador Larry Zilliox, que passou anos investigando Moon, disse ao jornal americano The Washington Post, essa iniciativa tem um objetivo claro.

"Eles vão pagar a quem der a eles legitimidade. Os grandes nomes atraem os nomes menores, que são as pessoas que podem ajudá-los com suas iniciativas locais", afirmou.

Desde a morte de Moon, sua viúva, Hak Ja Han Moon, está à frente da Igreja da Unificação, enquanto dois dos seus filhos estão no comando de organizações menores.

Embora em 2012, a organização tenha dito que contava com cerca de 3 milhões de fiéis em todo o mundo, especialistas acreditam que esse número é superestimado.

O número real varia entre 50 mil e 600 mil membros, segundo diferentes estimativas.

terça-feira, 12 de abril de 2022

Os "15 mil mortos no Donbass" e outros factoides do PCP


"Nos últimos 7 anos, mataram 15 mil habitantes da região do Donbass numa operação de genocídio programado".

A frase é do ex-deputado do PCP Miguel Tiago, numa conversa no Twitter que inclui o ex-eurodeputado, ex-candidato presidencial e apontado possível novo secretário-geral João Ferreira. Miguel Tiago responde a uma tuiteira que reage a um tuite de Ferreira dizendo-se "muito desapontada com a posição do PCP" e perguntando se, não havendo invasão, haveria "mortos pelas ruas".

"Esses números são de quem, Miguel? Houve uma investigação independente?", pergunta a tuiteira, que ostenta, ao lado do nome, o símbolo de foice e martelo. E prossegue: "Eu sei que havia uma guerra civil na Ucrânia mas era um assunto só deles, não é com violência que se combate a violência. Eu sei que não é um país onde impera a democracia." Sem adiantar qualquer fonte para a sua afirmação, o ex-deputado insiste: "Não era uma guerra civil, era um genocídio de todos os que não queriam o corte de ligações com o povo irmão da Rússia."

A seguir, Miguel Tiago adianta uma fonte para as suas afirmações: a ONU.

Quando horas mais tarde um outro tuiteiro confronta Tiago invocando os números do Alto Comissariado para os Direitos Humanos da ONU sobre vítimas do conflito, o ex-deputado não responde. Também João Ferreira nada diz - nem para apoiar as afirmações do seu camarada nem para as refutar.

Visitando a página criada pelo partido a que ambos pertencem para expor a respetiva posição "sobre a Ucrânia", percebe-se o silêncio de João Ferreira. É que ali temos, em letras garrafais, na secção de "factos e números", a cifra citada por Tiago: "15 mil mortos nos últimos 8 anos no Donbass - a guerra não começou agora."

Esta "informação" surge ao lado de cifras sobre "o orçamento militar dos EUA" e dos gastos militares da UE, EUA e NATO e de como são "10 vezes superiores ao valor dos da Rússia". Isto numa página, recorde-se, que surge na sequência da invasão da Ucrânia pela Rússia, e na qual se incluem igualmente as datas do alargamento da NATO a leste, assim como das ações da aliança na Jugoslávia, Afeganistão e Líbia - sem uma palavra, porém, sobre as invasões da Chechénia e Geórgia pela Rússia e sobre a ação deste país na Síria.

"Elementos para compreensão" é o pós-título da dita página, pelo que procuremos então os elementos que nos permitam compreender o que o PCP considera ter sido o início dessa guerra que não começou agora e a responsabilidade por aqueles 15 mil mortos.

Vamos então à cronologia, e ao ano de 2014. E que encontramos? Que houve a 16 de março "um referendo" na Crimeia que "por esmagadora maioria" aprova a reunificação com a Rússia. Nem uma palavra sobre a invasão da península por forças russas, certificada por entidades independentes, nem sobre o facto de o referendo ter sido considerado ilegal pela Assembleia das Nações Unidas.

A seguir, para o PCP, vem "o referendo em Lugansk e Donetsk (Donbass) organizado pelas autoridades locais cujo resultado foi [a] rejeição maioritária do Golpe de Estado [golpe de estado é como o PCP chama à queda do governo do presidente prórrusso Viktor Yanukovych, que fugiu da Ucrânia na sequência de meses de protestos e violência nas ruas, fuga à qual se seguiram eleições] e a afirmação dos direitos políticos e culturais da região."

É este referendo então, segundo o PCP, que explica o "início da guerra no Donbass sob o pretexto de uma operação antiterrorista", e aquilo que descreve como "brutal repressão no Sudeste do país da generalizada rejeição popular do governo golpista provocando milhares de vítimas, um dramático fluxo de deslocados e refugiados e crimes terroristas", e "ações militares na região do Donbass, com recurso a artilharia pesada e aviação de combate, provocando milhares de vítimas civis e dezenas de milhares de refugiados, assim como a destruição de cidades e aldeias e de infraestruturas básicas."

Os 15 mil mortos vêm logo a seguir: "Ucrânia bombardeia sistematicamente repúblicas autoproclamadas - estima-se que as agressões da Ucrânia ao Donbass desde 2014 tenham resultado em cerca de 15 mil mortos e centenas de milhares de refugiados."

"Estima-se"? Qualquer pessoa que procure fontes para esta estimativa fica sem saber onde o PCP a foi buscar. Ao Alto Comissariado da ONU para aos Direitos Humanos, que desde 2014 fez relatórios uns atrás dos outros sobre a Ucrânia, não foi de certeza.

No último relatório antes da invasão de fevereiro, lê-se: "Durante todo o conflito, de 14 de abril de 2014 a 31 de janeiro de 2022, o Alto Comissariado contabilizou um total de 3107 mortes de civis (1853 homens, 1072 mulheres, 102 rapazes, 50 raparigas, e 30 adultos cujo sexo não foi identificado). Incluindo as 298 pessoas que estavam a bordo do voo MH17 das Linhas Aéreas Malaias que foi derrubado a 17 de julho de 2014 [por um míssil russo], são 3405 mortos civis."

Note-se que em maio de 2016, ou seja dois anos após o início do conflito, este órgão das Nações Unidas apontava, num relatório sobre mortes, 9404 mortos e 21671 feridos "na zona de conflito da Ucrânia oriental", estimando-se que nessa altura já tinham morrido dois mil civis, a que se somavam as vítimas do derrube do avião malaio. Isto significa que haveria já então mais de 7000 mortos entre os combatentes de ambos os lados.

Grande parte dos mortos - civis e combatentes - concentraram-se assim nos primeiros dois anos da guerra, sendo que, de acordo com a ONU, as pesadas baixas civis no início da guerra deveram-se "ao bombardeamento indiscriminado de áreas residenciais tanto nas áreas controladas pelo governo ucraniano - Avdiivka, Debaltseve, Popasna, Shchastia e Stanychno Luhanske - como em cidades controladas pelos grupos armados, incluindo Donetsk, Luhansk e Horlivka." Ou seja, bombardeamentos de ambos os lados, civis mortos de ambos os lados.

Aliás os relatórios da ONU são muito claros na atribuição de ações inadmissíveis e contra os direitos humanos a ambos os lados do conflito, assim como na implicação da Rússia na guerra. Mas o número de mortos civis relacionados com o conflito, quer no território controlado pelo governo ucraniano quer no das autoproclamadas repúblicas de Luhansk e Donetsk, desceu muito a partir de 2019, sendo de 27 nesse ano, 26 em 2020 e 18 em 2021, devendo-se sobretudo a explosões de minas e outros artefactos, ou seja, não diretamente a combates ou bombardeamentos.

E se o PCP afirma ter havido em 2022 "intensificação dos bombardeamentos no Donbass por parte do regime ucraniano" (porque é preciso "justificar" a ação da Rússia "em socorro" das "repúblicas" que Putin reconheceu no seu discurso de 21 de fevereiro), a ONU diz o exato contrário: "Apesar das tensões [devido ao acumular de tropas russas junto da fronteira com a Ucrânia], a situação na zona de conflito da Ucrânia oriental manteve-se relativamente calma de novembro de 2021 a janeiro de 2022."

Acresce que a descrição da situação nas "autoproclamadas repúblicas" (a ONU refere-as assim) era ainda no final de 2021, segundo o Alto Comissariado, de "graves violações que persistem", incluindo detenções arbitrárias, tortura, maus-tratos. O mesmo para a Crimeia, onde nem sequer é garantido, segundo o último relatório citado, o direito a escolher advogado.

Uma página de um partido não é, obviamente, um órgão de informação. Mas há mínimos exigíveis, no que respeita a distinção entre verdade e mentira, a uma agremiação política que se diz respeitadora da legalidade e dos princípios constitucionais e que ainda por cima passa a vida a declarar-se vítima de imputações falsas. Aquilo que o PCP serve como "factos e números" sobre a Ucrânia e a sua versão da "guerra que não começou agora" é uma infamante salada de mentiras e omissões descaradas, ao nível de um Breitbart ou qualquer página de fake news. Com um único e miserável objetivo: justificar a invasão russa e apresentar a Ucrânia como um estado criminoso. Pedia-se vergonha, se valesse a pena.

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2022

Webinar - The need for intergenerational climate action as part of our Generation Green

"The clarity commitment and energy of young people combined with the experience and wisdom of older generations can act as a powerful catalyst for climate action." - Ban Ki-moon


Former world leaders are joined by young climate activists and experts to discuss the action needed from world leaders to fulfil decisions made at COP26. Delivered in partnership with Project Syndicate, participants explore why short-term, unilateral political thinking needs to change if we are to avert climate disaster.

Conheça o trabalho de State of Hope- The Elders

sexta-feira, 10 de setembro de 2021

Morreu Jorge Sampaio, o "prisioneiro da ansiedade por um futuro melhor"


Jorge Sampaio morreu esta sexta-feira, aos 81 anos. O ex-presidente da República estava internado no Hospital de Santa Cruz, em Lisboa, desde o final de agosto, na sequência de dificuldades respiratórias.

Perdeu a liderança do PS para Guterres, derrotou Marcelo em Lisboa, foi ultrapassado por Cavaco nas legislativas e ultrapassou-o nas Presidenciais, sucedeu a Soares em Belém. Jorge Sampaio desempenhou os mais importantes cargos políticos em Portugal durante quase 30 anos. Nos restantes, que foram muitos mais, empenhou-se de forma total naquilo que começou a defender antes de sequer ter chegado à maioridade: a permanente preocupação com os outros.

Foi o Presidente da República mais vezes discretamente corajoso, o ex-chefe do Estado mais generoso e mais reservadamente interventivo, a personalidade política com saúde mais frágil e porventura também a mais culta. Homem de família, afetivo e afável, exigente e austero, Jorge Sampaio entregou-se à vida como um "prisioneiro da grande ansiedade por um futuro melhor", como de si próprio disse em entrevista à RTP em 1992. Morreu hoje no Hospital de Santa Cruz, em Lisboa, onde estava internado há mais de uma semana com problemas respiratórios, a que se somavam várias batalhas ganhas contra um coração de válvula malformada. Tinha 81 anos e, ao contrário do que tantas vezes lhe apontaram, um percurso cheio de decisões claras, destemidas e muitas vezes solitárias, como convém a um "ser livre e incondicionável". "Tomar posição foi coisa que sempre fiz. Quem o fez, custasse o que custasse, escolheu e não abdicou", respondeu a Maria João Avillez, numa conversa em que a jornalista lhe perguntara se a vida dele fora feita mais de abdicações do que de escolhas.

A quem entende que Jorge Sampaio, lisboeta de gema criado em Sintra, foi essencialmente o homem dos discursos difíceis, o famoso sampaiês, que em 2004 interrompeu o Governo de Pedro Santana Lopes e que um dia disse que "há vida para além do orçamento", há uma imensa e larga estrada que escapa. A timidez, a discrição, a elegância e possivelmente uma certa ausência de carisma aliada a um certo mau feitio colocaram-no sob um holofote de média luz que está longe de fazer-lhe justiça. Sampaio foi um guerreiro, humanista e um progressista. Era criticado quando, nos anos 60, dizia que "a democracia global tem que envolver também a democracia participativa e não só a representativa". E quando "falava na cooperação com os novos países de expressão portuguesa", acusavam-no de ser terceiro mundista. Posicionado à esquerda do PS desde sempre, buscou sempre consensos, com os pés no chão e olhos postos no futuro - e nos outros. "Há um movimento permanente na minha vida, é o de ter preocupações com aquilo que nos cerca."

"Fui um aluno atento da vida"
Nasceu no seio de uma família burguesa, "democrática e plural", pela qual foi orgulhosamente marcado. "O que molda a vida das pessoas é sempre a sua educação", justificaria. Da mãe, professora privada de inglês, herdou o humor e o rigor. Do pai, médico ideologicamente comprometido com o Serviço Nacional de Saúde e investigador, o culto da solidariedade e do serviço público. Do irmão, o psiquiatra Daniel Sampaio, sete anos mais novo, beberia outras influências. Com Maria José Ritta, com quem casou em abril de 1974, e de quem teve dois filhos, Vera e André, procurou replicar o modelo familiar que o inspirou. Não fosse esta família, disse, e nada do que fez fora de casa, no país, no partido, na política, teria sido possível.

Fortemente empenhado nas causas coletivas e na intervenção cívica quase até ao último dia - o seu último artigo de opinião, publicado no "Público" a 26 de agosto, "Dever de solidariedade", é um apelo aos parceiros da plataforma internacional que fundou para ajudar estudantes sírios e agora também jovens afegãs -, Sampaio foi, desde logo, o símbolo da luta estudantil nos anos 60, um dos jovens com ideais cívicos e políticos mais cobiçados pela Esquerda nos anos 70 e um exímio advogado de causas. "Fui um atento aluno da vida. A advocacia foi uma grande experiência, porque foi muito diversificada, desde as questões humanas mais pesadas, mais difíceis, até às questões comerciais ou de família. E a experiência política, desde estudante, foi uma experiência gigantesca."

Foi, aliás, no ano da campanha do general Humberto Delgado às presidenciais, em 1958, ele ainda com 19 anos numa ditadura em que a maioridade era atingida apenas aos 21, mas já presidente da Associação Académica da Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa, que despontou o seu entusiasmo pela política. "Sentíamos que era preciso fazer alguma coisa para mudar tudo aquilo [o regime]. Fiquei, sem dúvida, agradecido à experiência que isso me deu e à espantosa qualidade que deu a todos nós: a capacidade de questionar o futuro e querer sempre melhor. Sim", reconheceu na já referida conversa com Avillez, "sou prisioneiro de uma grande ansiedade por um futuro melhor. Isso, sem dúvida. Mas vale a pena."

"Um ocaso magnífico"
Essa permanente inquietação - de resto, sublinhada por António Costa em 2019, na sessão de homenagem promovida na sede do PS: "Tinha todo o direito de estar a gozar a tranquilidade da vida, mas a vida traz-lhe intranquilidade" - fê-lo fundar o MAR (Movimento de Ação Revolucionária), o MES (Movimento de Esquerda Socialista) e o IS (Intervenção Socialista) antes de, em 1978, tornar-se militante do PS (Partido Socialista), então com o número 102.279. Mais tarde reconheceria várias vezes "o erro" de não ter-se inscrito mais cedo, em 1963, aquando da fundação do partido. Mas esse atraso numa adesão que aos 80 anos denominou como um "ocaso magnífico" não inviabilizou as quase três décadas ininterruptas de cargos políticos que se seguiram e que se confundem com a história do país democrático, e que estão contadas numa biografia monumental de José Pedro Castanheira, com mais de duas mil páginas.

Sampaio, o ruivo que os colegas tratavam por "cenoura", foi secretário-geral do PS (1989-1992), presidente da Câmara de Lisboa (1990- 1996), candidatura que ousou decidir sem consultar o partido e que pela primeira vez juntou a Esquerda assim derrotando Marcelo Rebelo de Sousa, e sucessor de Mário Soares em Belém (1996-2006), naqueles que terão sido os dois mandatos mais complexos da democracia portuguesa. Pessoalmente, o Presidente sobreviveu a duas operações ao coração; politicamente, atravessou cinco governos, assistiu ao orçamento limiano e ao pântano de Guterres, conviveu com a "tanga" de Durão Barroso e com a sua "mentira" sobre a Cimeira das Lajes, interrompeu o caminho de Santana Lopes dissolvendo a Assembleia e abriu o caminho para a eleição de José Sócrates. E ainda promoveu os primeiros referendos nacionais, foi recordista de vetos (22, todos ganhos), percorreu os 308 concelhos do país, passou pelos escândalos da Universidade Moderna e da Casa Pia e teve um papel fundamental na independência de Timor Leste, que logo visitou. Foi o primeiro chefe do Estado português a fazê-lo.

O presidente que podia ter sido pianista
Mas, na verdade, Jorge Sampaio poderia ter sido fotógrafo, pianista ou cantor. "Quando assisto a um concerto, sinto sempre que gostava de estar do outro lado", confessou o colecionador de discos e pinturas. O seu espírito e a sua liberdade artística notou-se quando ousou escolher Paula Rego para um magnífico quadro oficial, tão pouco ortodoxo, e porventura mais heterodoxo ainda do que o de Soares pelo Pomar - a escolha desse retrato é um retrato em si. Sampaio não voltaria a subir ao palco de nenhuma sala de espetáculos como nas prestações da sua juventude, mas conquistou a cena internacional logo no fim da presidência da República, escolhido que foi, primeiro por Kofi Annan e depois por Ban Ki Moon, primeiro para lutar contra tuberculose e depois para unir as civilizações. O desempenho dessas funções valeu-lhe uma distinção da Organização Mundial de Saúde e o primeiro prémio Nelson Mandela instituído pelas Nações Unidas para premiar "feitos e contribuições excecionais ao serviço da humanidade".

Se há padrão no percurso deste homem laico mas crente sportinguista, além da aposta na "educação como caminho para a excelência", é o da união, do otimismo e o da não desistência. "Por uma razão fundamental: quem tinha 34 anos no 25 de abril, uma vida profissional feita e estava habituado à ditadura, não concebia que passados estes anos pudéssemos estar onde estamos. O que era a mortalidade infantil, a incapacidade de saber ler e escrever, a pobreza generalizada, a agricultura de morte... O salto que se deu!", exclamou em 2018, sobre o estado do país, numa entrevista ao semanário "Expresso".

Não por acaso, e sem ignorar "o caminho estreito" para o desenvolvimento interno num mundo em mudança, Jorge Sampaio pediu no dia da homenagem que lhe fez o PS: "A necessidade destes tempos é nunca desistir, está tudo em aberto. Não desistam!"

segunda-feira, 17 de maio de 2021

Dia Internacional Contra a Homofobia



Também conhecido como “Dia Internacional de Luta Contra a Homofobia, Transfobia e Bifobia”, esta data visa conscientizar a população em geral sobre a luta contra a discriminação dos homossexuais, transexuais e transgéneros.

A homofobia consiste no ódio e repulsa por homossexuais, atitude esta que deve ser combatida para que possamos formar uma sociedade que esteja baseada na tolerância e no respeito ao próximo, independente da sua orientação sexual.

Ainda existe um grande preconceito contra os homossexuais na maioria das sociedades que, infelizmente, se reflete em atos desumanos de violência extrema contra esses indivíduos.

O Dia Internacional Contra a Homofobia  é comemorado em 17 de maio em memória à data em que o termo “homossexualismo” passou a ser desconsiderado, e a homossexualidade foi excluída da Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados com a Saúde (CID) da Organização Mundial da Saúde (OMS), em 17 de maio de 1990.

Vale ressaltar que o objetivo desta data é debater os mais variados tipos de preconceitos contra as diferentes orientações sexuais e identidades de gênero, além de gerar o desenvolvimento de uma conscientização civil sobre a importância da criminalização da homofobia.

Nas palavras de Ban Ki-moon, secretário-geral das Nações Unidas, “O bullying homofóbico é […] um ultraje moral, uma grave violação de direitos humanos e uma crise de saúde pública”. Assim, é preciso consciencializar as pessoas sobre esse tipo de bullying e sobre suas consequências físicas e mentais, cujos jovens são grandes vítimas.

Esta data é uma oportunidade para a organização de atividades que promovam e apoiem a igualdade de direitos dos homossexuais e da comunidade LGBT.

Sítios importantes

segunda-feira, 20 de abril de 2020

Direitos Humanos e Direitos da Natureza são da Mesma Dignidade


Que a Cimeira da Mãe Terra seja a primeira etapa para a expressão colectiva dos povos que não dirigem a política mundial...

Lamentavelmente, não poderei estar com vocês. Um pau atravessou na roda, o que me impede de viajar. Mas quero acompanhar de alguma maneira esta reunião de vocês, esta reunião dos meus, já que não tenho outro remédio do que fazer o pouco que posso e não o muito que quero.

E por estar assim, ao menos lhes envio estas palavras. Quero dizer-lhes que oxalá se possa fazer todo o possível, e o impossível também, para que a Cimeira da Mãe Terra seja a primeira etapa para a expressão colectiva dos povos que não dirigem a política mundial, mas a sofrem.

Oxalá sejamos capazes de levar adiante estas duas iniciativas do companheiro Evo, o Tribunal da Justiça Climática e o Referendo Mundial contra um sistema de poder baseado na guerra e no desperdício, que despreza a vida humana e põe bandeira de remate em nossos bens terrenos.

Oxalá sejamos capazes de falar pouco e fazer muito. Graves danos nos fez, e continua a causando, a inflação de palavras, que na América Latina é mais nociva do que a inflação monetária. E também, e sobretudo, estamos fartos da hipocrisia dos países ricos, que estão a deixar-nos sem planeta enquanto pronunciam pomposos discursos para dissimular o sequestro.

Há quem diga que a hipocrisia é o imposto que o vício paga à virtude. Outros dizem que a hipocrisia é a única prova da existência do infinito. E a discurseira da chamada “comunidade internacional”, esse clube de banqueiros e guerreiros, prova que as duas definições são correctas.

Quero comemorar, por outro lado, a força de verdade que irradiam as palavras e os silêncios que nascem da comunhão humana com a natureza. E não é por acaso que esta Cimeira da Mãe Terra acontece na Bolívia, esta nação de nações que está a redescobrir-se ao fim de dois séculos de vida mentirosa.

A Bolívia acaba de comemorar os dez anos da vitória popular na guerra da água, quando o povo de Cochabamba foi capaz de derrotar uma todo-poderosa empresa da Califórnia, dona da água por obra e graça de um governo que dizia ser boliviano e era muito generoso com o alheio.

Essa guerra da água foi uma das batalhas que esta terra continua a travar em defesa dos seus recursos naturais, ou seja: em defesa da sua identidade com a natureza.

Há vozes do passado que falam ao futuro.

A Bolívia é uma das nações americanas onde as culturas indígenas souberam sobreviver. E essas vozes ressoam agora com mais força do que nunca, apesar do longo tempo da perseguição e do desprezo.

O mundo inteiro, aturdido como está, perambulando como cego em tiroteio, teria de ouvir essas vozes. Elas nos ensinam que nós, os humanitos, somos parte da natureza, parentes de todos os que têm pernas, patas, asas ou raízes. A conquista europeia condenou por idolatria os indígenas que viviam essa comunhão, e por acreditar nela foram açoitados, degolados ou queimados vivos.

Desde aqueles tempos do Renascimento europeu, a natureza se converteu em mercadoria ou em obstáculo ao progresso humano. E até hoje esse divórcio entre nós e ela persiste, a ponto de ainda existir gente de boa vontade que se comove pela pobre natureza, tão maltratada, tão lastimada, mas vendo-a de fora.

As culturas indígenas a vêem de dentro. Vendo-a, me vejo. O que faço contra ela, faço contra mim. Nela me encontro, minhas pernas também são o caminho que a anda.

Celebremos, pois, esta cúpula da Mãe Terra. E oxalá os surdos ouçam: os direitos humanos e os direitos da natureza são dois nomes da mesma dignidade.

Voam abraços, desde Montevideu.

terça-feira, 24 de outubro de 2017

A Semana do Desarmamento - Semana Mundial da Paz



A Semana do Desarmamento/Semana Mundial da Paz, criada pela Organização das Nações Unidas (ONU), é realizada em todo o mundo entre 24 e 30 de outubro, anualmente. No Brasil, projetos legislativos e propostas no Congresso tentam alterar o Estatuto do Desarmamento. Mas não é somente o brasileiro que debate a questão, os americanos também voltaram a discutir o assunto após a tragédia em Las Vegas, onde um atirador matou 59 pessoas.

Para a Organização das Nações Unidas (ONU), a necessidade de uma cultura de paz e de uma redução significativa de armas no mundo nunca foi tão grande “e ela se aplica a todos os tipos de armas”. Para conscientizar o mundo a respeito dessa necessidade, a Assembleia Geral da ONU proclamou a Semana do Desarmamento.

A ONU também ressalta que o custo humano e material das armas convencionais também é alto. “De pelo menos 640 milhões armas de fogo licenciadas em todo o mundo, aproximadamente dois terços estão nas mãos da sociedade civil. O comércio legal de armas de pequeno calibre excede quatro bilhões de dólares por ano. O comércio ilegal é estimado num bilhão de dólares. E essas armas convencionais, como as minas terrestres, causam destruição da vida e da integridade física, que continua por anos após os conflitos terem acabado”, afirma a organização internacional.

Para o ex-presidente dos Estados Unidos, Dwight D. Eisenhower, e comandante geral das Forças Aliadas durante a 2ª Guerra Mundial, “cada arma produzida, cada navio de guerra lançado ao mar, cada foguete disparado significa, em última instância, um roubo àqueles que têm fome e não são alimentados, àqueles que estão com frio e não têm o que vestir. O custo de um moderno bombardeiro pesado é este: a construção de uma moderna escola em mais de 30 cidades”.

Desde o nascimento das Nações Unidas, em 1945, as metas do desarmamento multilateral e da limitação de armas são consideradas fundamentais para a manutenção da paz e da segurança no mundo todo. Estas metas significam: redução e eventual eliminação das armas nucleares (recentemente, foi assinado um acordo na ONU entre 43 chefes de Estado proibindo armas nucleares); destruição de armas químicas; fortalecimento da proibição contra armas biológicas; suspensão da proliferação de minas terrestres e de armas leves e de pequeno calibre, entre outros objetivos.

A ONU aborda questões do desarmamento continuamente, além de trabalhar frequentemente para implementar acordos específicos de desarmamento entre partes em conflito. As missões de paz das Nações Unidas também utilizam a estratégia do desarmamento preventivo, que procura reduzir o número de armas de pequeno calibre em regiões de conflito.

A organização afirma que é plenamente consciente da relação direta entre desarmamento e desenvolvimento. “Podemos fazer progressos significativos em direção aos objetivos de desenvolvimento do milénio se alguns destes recursos (usados em gastos militares e seus armamentos) fossem redirecionados para esforços para o desenvolvimento económico e social. Num momento de elevação dos preços de alimentos e combustíveis e de incertezas na economia global, o mundo não pode ignorar o potencial de desenvolvimento do desarmamento e da não proliferação”, disse o secretário-geral Ban Ki-moon.

quarta-feira, 2 de novembro de 2016

Documentário - Before The Flood (A Inundação da Terra) - 2016

Leonardo DiCaprio está de volta e desta vez para além de entrar no filme como figura central da obra, que entrevista líderes políticos, religiosos e cientistas, vai também produzir o documentário ‘Before the Flood‘.


O filme, que estreou no Festival Internacional de Cinema de Toronto (TIFF), segue a história de um activista ambiental enquanto chama a atenção para várias questões prejudiciais para o nosso planeta.

O filme apresenta-nos um relato fascinante sobre as mudanças climáticas, bem como as acções que nós como indivíduos e como sociedade podemos ter para evitar a interrupção catastrófica da vida no nosso planeta. O filme segue DiCaprio enquanto este viaja pelos 5 continentes e Ártico e fala com cientistas, líderes mundiais, activistas e moradores locais para obter uma compreensão mais profunda deste tema complexo. A ideia é investigar soluções concretas para o mais urgente desafio ambiental do nosso tempo.



Before the Flood (2016), dirigido por Fisher Stevens e apresentado por Leonardo DiCaprio no seu papel de Mensageiro da Paz das Nações Unidas, é um documentário focado na crise global provocada pelas alterações climáticas. Durante três anos de rodagem, DiCaprio percorre os cinco continentes e a região do Ártico para registar em primeira mão os impactos do aquecimento global. A narrativa acompanha o derretimento acelerado dos glaciares na Gronelândia, a desflorestação das florestas tropicais na Indonésia motivada pela expansão do óleo de palma e a poluição atmosférica sufocante nas grandes metrópoles chinesas. Em paralelo, o filme expõe como a dependência económica dos combustíveis fósseis e os interesses financeiros de multinacionais alimentam o negacionismo climático e travam políticas públicas mais rigorosas. Como resposta a estes cenários, o documentário defende soluções concretas, como a transição energética acelerada para fontes renováveis, a aplicação de taxas sobre a emissão de carbono, a adoção de dietas mais sustentáveis com menor consumo de carne de vaca e a participação política ativa através do voto em líderes empenhados na proteção do planeta.

Para contextualizar a gravidade da situação e apontar caminhos para o futuro, DiCaprio entrevista uma ampla diversidade de personalidades globais. No âmbito político e diplomático, contam-se intervenções de Barack Obama, então Presidente dos Estados Unidos, do Papa Francisco, que reflete sobre a dimensão ética e espiritual do cuidado com a Terra, de Ban Ki-moon, na altura Secretário-Geral da ONU,  de John Kerry, ex-Secretário de Estado norte-americano, e de Anote Tong, antigo Presidente de Kiribati, que partilha o impacto iminente da subida do nível do mar na sua nação insular. No campo da ciência e da ecologia, o filme reúne testemunhos do astronauta e cientista da NASA Piers Sellers, do climatólogo Michael E. Mann, do investigador Jason Box e da ativista indiana Sunita Narain, que traz ao debate a urgência da justiça climática nos países em desenvolvimento.

A perspetiva da inovação e do ativismo no terreno é completada por figuras como o empresário Elon Musk, que aborda o papel das baterias e da energia solar, o jornalista ambiental chinês Ma Jun, focado na transparência da poluição industrial, e o realizador Alejandro González Iñárritu, que relata as dificuldades causadas pela falta imprevista de neve durante as filmagens no terreno.

DiCaprio contou com a ajuda de Martin Scorsese na produção, de Trent Reznor e Atticus Ross na banda sonora, e a realização foi entregue a Fisher Stevens, vencedor do Óscar de Melhor Documentário, em 2009, com o filme ‘The Cove‘.

Mais sobre o Filme

terça-feira, 22 de setembro de 2015

Vice President Joe Biden Discusses Local Climate Action at U.S.-China Climate Leaders Summit


China’s cities have announced the formulation of the new “Alliance of Peaking Pioneer Cities” (APPC).  All cities and provinces in the Alliance have established, for the first time, peak years for carbon dioxide emissions that are earlier than the national goal to peak around 2030.  The commitment of so many of its largest cities to early peaking highlights China’s resolve to take comprehensive action across all levels of government to achieve its national target, put forth in last year’s Joint Announcement on Climate Change, to make best efforts to peak its emissions earlier than 2030.  Notably, Beijing and Guangzhou have committed to peak their carbon dioxide emissions by the end of or around 2020 – ten years earlier than the national target – and the Chinese cities and provinces making commitments represent approximately 1.2 Gigatons of annual carbon dioxide emissions, about 25% of China’s urban total and roughly the same level of carbon dioxide emissions as Japan or Brazil.  In signing the Declaration, the Chinese cities have also stated their intention not only to establish ambitious targets to reduce emissions, but also to regularly report on greenhouse gas emissions, establish climate action plans to reduce emissions, and enhance bilateral partnerships and bilateral cooperation. 

         U.S. cities, counties, and states have also put forward ambitious, long-term emissions reduction targets , including a commitment from the State of California to reduce emissions by 80%-90% below 1990 levels by 2050, and a commitment from the City of Seattle to become carbon-neutral by 2050, producing no net greenhouse gas emissions.  In signing the Declaration, the U.S. cities and states, like their Chinese counterparts, have also stated their intention to establish ambitious targets to reduce emissions, regularly report on greenhouse gas emissions, establish climate action plans to reduce emissions, and enhance bilateral partnerships and bilateral cooperation. 

In addition to the state, provincial, and local government actions announced under the Declaration, cities, private sector entities, and civil society organization in the U.S. and China are announcing a number of new commitments and declarations during the Summit.  Some of the initiatives announced at the Summit include:

         An announcement of the California-China Urban Climate Collaborative (CCUCC), a new initiative between ICLEI - Local Governments for Sustainability, Lawrence Berkeley National Laboratory, the California-China Office of Trade and Investment, the Bay Area Council and the Asia Society.  The CCUCC is a dynamic new long-term exchange between cities in California and China seeking to reduce carbon and air pollution and advance the clean energy economy.  Its goals are to assist policy makers in climate action planning, build organizational capacity for climate action planning, and connect cleantech industries with cities. 10 cities from California and 10 cities from China will participate in the inaugural group, with more to participate in the future.

         A Memorandum of Understanding between the cities of Shenzhen, Guangdong and Los Angeles, California to share best practices and lessons learned in reducing emissions, especially in the construction of green buildings and from vessels visiting their respective major ports.  The two cities will also explore ways to promote green jobs and expand trade in clean energy and other environmental technology sectors.  This arrangement establishes a robust framework for cooperation between two dynamic and fast-growing cities that can serve as a model for other communities.     

         An arrangement between the China Beijing Environment Exchange, the Climate Registry, the Climate Action Reserve, and the Innovation Center for Energy and Transportation to design and implement carbon market training programs in China, and to introduce California’s zero-emission vehicle credit trading mechanism in China’s capital of Beijing.  This initiative aims to equip professionals with the experience and understanding needed to create functioning carbon markets, which are critical to encouraging the deployment of clean and renewable energy sources.

         A Memorandum of Understanding between the Energy Foundation and the city of Wuhan to finance demonstration projects in the fields of smart grid development, distributed renewable energy, and low-emission transportation, among others.  This partnership will be supported by an advisory committee and annual project planning and evaluation meetings to help ensure progress toward concrete results.  This partnership allows the Energy Foundation to leverage its expertise in low-carbon technologies to help one of China’s largest and most dynamic cities reduce its emissions.      

         A statement between Lawrence Berkeley National Laboratory (LBNL) and the Shenzhen Institute for Building Research proposing to design and construct a version of LBNL’s FlexLab, the world’s most advanced building energy simulator, in China.  The FlexLab allows researchers to test different aspects of building energy use, including from lighting, heating, and cooling equipment, under real-world conditions.  Installing a FlexLab in China will greatly improve the ability of architects and engineers to design and build highly energy-efficient buildings that minimize the consumption of electricity and reduce greenhouse gas emissions.   

         A renewal of the 2013 Memorandum of Understanding between the State of California and the National Development and Reform Commission which includes cooperation around the implementation of carbon dioxide emissions trading systems, expansion of electric vehicles, and other low-carbon development activities.  The renewal of this innovative partnership creates new opportunities for expanding the use of market mechanisms to reduce emissions. 

         An announcement that two of China’s largest cities, Guangzhou and Nanjing, will join the C40 Cities Climate Leadership Group.  They join Beijing, Hong Kong, Shanghai, Shenzhen and Wuhan to bring C40’s membership in China to seven cities – representing 90 million people and a GDP of US$2.69 trillion.  C40 now connects more than 80 of the world’s greatest cities, representing over 600 million people and one quarter of the global economy.   C40’s 12 U.S. member cities are Austin, Boston, Chicago, Houston, Los Angeles, New Orleans, New York City, Philadelphia, Portland, San Francisco, Seattle, and Washington, D.C. Created and led by cities, C40 is focused on tackling climate change and driving urban action that reduces greenhouse gas emissions and climate risks, while increasing the health, wellbeing and economic opportunities of urban citizens.

         An arrangement between the cities of Los Angeles, California and Beijing to cooperate in low-carbon urban planning and transportation, including through conducting joint workshops, research projects, and technology exchanges.  By sharing their experiences, the two cities hope to transform their built environments and replace outmoded forms of urban development to reduce greenhouse gas emissions, especially from the transport sector.  Given that both cities have ambitious plans for urban re-development, this initiative will help to ensure that future development is sustainable and climate-smart.

         An announcement that the City of Los Angeles, California and the City of Zhenjiang, Jiangsu Province havebecome the first cities to endorse the Subnational Global Climate Leadership Memorandum of Understanding – an effort led by California Governor Jerry Brown.  Signatories commit to either reduce greenhouse gas emissions 80 to 95 percent below 1990 levels by 2050 or achieve a per capita annual emission target of less than 2 metric tons by 2050. These targets allow each individual government to tailor emission reduction plans to fit regional needs. The “Under 2 MOU” provides a template for the world's nations, states and cities to follow as work continues toward an international agreement to reduce greenhouse gas emissions ahead of this year's United Nations Climate Change Conference in Paris.

The U.S. government will also re-affirm its commitment to helping state, local, and tribal communities address and prepare for climate change, including through the Climate Action Champions initiative:

         The Climate Action Champion initiative, launched by President Obama in 2014, recognizes local climate leaders and provides targeted federal support, through a competitive process run by the U.S. Department of Energy (DOE), to 16 Champions—representing a diverse group of 158 communities across the United States—to further raise their climate resiliency actions and reduce their greenhouse gas emissions. DOE selected ten of these Champions to receive more than $800,000 in technical assistance that will help these communities address their most pressing climate challenges. The Champions receiving the technical assistance are: Dubuque, Iowa; Boston; Blue Lake Rancheria, California; San Francisco Department of the Environment; Knoxville; Seattle; SE Florida (Broward County); Oberlin, Ohio; Metropolitan Washington Council of Governments, and Mid-America Regional Council.

terça-feira, 25 de novembro de 2014

E-livro da semana "O impacto da urbanização na biodiversidade" ONU, 2014

Livro lançado pela ONU com dados importantes sobre o crescimento urbano foi publicado em português com o apoio do MMA

Até 2050, estima-se que 6,3 bilhões de pessoas viverão nas cidades em todo o mundo, número que representa um aumento de 3,5 bilhões em relação aos dados de 2010.

Este é considerado o maior e mais rápido período de expansão urbana da história da humanidade, segundo considerações do secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), Ban Ki-moon, no prefácio do livro “Panorama da Biodiversidade nas Cidades – Ações e Políticas – Avaliação global das conexões entre urbanização, biodiversidade e serviços ecossistêmicos” (clique para baixar em pdf), que acaba de ser publicado em português com o apoio do Ministério do Meio Ambiente (MMA).

De acordo com o titular da ONU, as novas demandas transformarão a maioria das paisagens, tanto as naturais quanto as edificadas. “O crescimento urbano terá impactos significativos sobre a biodiversidade, os habitats naturais e muitos serviços ecossistêmicos dos quais depende a nossa sociedade”, alerta Ban Ki-moon, enfatizando que os desafios da urbanização são profundos, mas também representam oportunidades.

Ocorre que as cidades, segundo a própria ONU, têm um grande potencial de gerar inovações e instrumentos de governança e, portanto, podem “e devem” assumir a liderança no desenvolvimento sustentável.

OLHO NO FUTURO

Os textos do livro de 70 páginas trazem uma avaliação global dos vínculos entre a urbanização, a biodiversidade e os serviços ecossistémicos, elaborados por mais de 75 cientistas e formuladores de políticas de diversas partes do mundo.

A publicação sintetiza como a urbanização afeta a biodiversidade e os serviços ecossistémicos, além de apresentar as melhores práticas e lições aprendidas, com informações sobre como incorporar os temas da biodiversidade e serviços ecossistémicos às agendas e políticas urbanas.

Para o secretário-executivo da CDB, Bráulio de Souza Dias, entre os principais objetivos do “Panorama da Biodiversidade nas Cidades – Ações e Políticas” está o de servir como a primeira síntese global de pesquisas científicas sobre como a urbanização afeta a biodiversidade e a dinâmica ecossistémica.

O livro apresenta uma visão geral, com análise e resposta a lacunas de conhecimento em nossa compreensão sobre processos de urbanização e seus efeitos sobre os sistemas socioambientais e aborda maneiras como a biodiversidade e os serviços ecossistêmicos podem ser geridos e restaurados de formas inovadoras para reduzir a vulnerabilidade das cidades à mudança do clima e outras perturbações.

Ainda segundo Souza Dias, o conteúdo serve como referência para os tomadores de decisões e formuladores de políticas, no que tange aos papéis complementares de autoridades nacionais, subnacionais e locais na preservação da biodiversidade. “Nosso mundo está cada vez mais urbano e as cidades, seus habitantes e governos, podem, e devem, assumir a liderança na promoção de uma gestão mais sustentável dos recursos vivos do nosso planeta”, explica.

O subsecretário geral da ONU e diretor-executivo do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma), Achim Steiner, avalia que as cidades abrigam um celeiro de inovações e novas ideias, além de exercerem um papel essencial na conservação da biodiversidade, “proporcionando oportunidades excelentes para fazermos a transição para uma economia verde inclusiva no mundo em desenvolvimento e desenvolvido”.

segunda-feira, 18 de junho de 2012