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quinta-feira, 11 de dezembro de 2025

Solos em vários países de África estão repletos de “químicos eternos” que ameaçam ecossistemas e saúde pública



Substâncias poluentes químicas estão a acumular-se nos solos e culturas agrícolas em níveis potencialmente perigosos para os ecossistemas e a saúde pública em vários países africanos.

A revelação é feita por uma investigação publicada este mês na revista ‘New Contaminants’, na qual um grupo de cientistas da China, do Quénia e da Rússia alerta para altas concentrações de ácido perfluorooctanossulfónico (PFOS), integrado na categoria dos poluentes persistentes conhecidos vulgarmente como “químico eternos” devido à sua resistência à degradação, em países como Gana, África do Sul, Quénia e Uganda.

Embora digam que o uso de PFOS tenha sido abandonado em muitas partes do mundo, os investigadores apontam que contaminação histórica, atividades industriais ainda em curso, o processamento de resíduos eletrónicos e descargas de águas residuais, por exemplo, continuam a introduzir essas substâncias nos solos agrícolas africanos.

“O nosso objetivo era chamar a atenção para um desafio ambiental silencioso que tem amplamente passado despercebido em África”, diz, citado em comunicado, Bonface Oginga, primeiro autor do estudo.

“O solo e os sistemas vegetais que suportam a produção de alimentos estão já sob stress. A presença de PFOS acrescenta ainda mais uma camada de pressão que os países não estão devidamente equipados para monitorizar ou gerir”, acrescenta.

A equipa refere que em alguns dos países estudados as lamas resultantes do tratamento de águas residuais contêm altos níveis de “químicos eternos”, pelo que, quando são usadas como fertilizantes agrícolas, esses poluentes entram nas culturas e nos alimentos produzidos. E, a partir daí, podem chegar às populações humanas.

“Compreender como é que os PFOS entram no solo e nas plantas é essencial para avaliar os riscos para as comunidades que dependem da agricultura local”, salienta Fredrick Owino Gudda, coautor do artigo.

No que toca aos impactos ecológicos, os cientistas indicam que a exposição aos PFOS pode afetar as comunidades de microrganismos que vivem e sustentam o bom funcionamento dos solos e interferir negativamente na absorção de nutrientes por parte das plantas. Em regiões onde os solos são já pobres em nutrientes essenciais para as plantas, como fósforo e nitrogénio, a produtividade agrícola pode ser ainda mais reduzida.

Assim, os investigadores apelam aos governos africanos e às respetivas agências ambientais que expandam os seus esforços de monitorização, que adoptem tecnologias avançadas de análise e que reforcem os regulamentos para combater os “químicos eternos”. A par de tudo isso, é imprescindível, argumentam os autores, investir na investigação científica.

“Ao fortalecerem a monitorização, a regulamentação e a investigação, os países africanos podem proteger melhor os seus solos, culturas agrícolas e comunidades face aos riscos de longo-prazo resultantes dos PFOS”, sublinha Chao Qin, que também assina este trabalho.

segunda-feira, 1 de dezembro de 2025

ONU: Guterres anuncia cortes orçamentais de 500 milhões de euros e redução de 2.681 postos de trabalho


O secretário-geral da ONU, António Guterres, atualizou esta segunda-feira a proposta de orçamento regular da organização para 2026, prevendo agora cortes de 577 milhões de dólares (496,4 milhões de euros) e uma redução de 2.681 postos de trabalho.

Numa apresentação perante a Quinta Comissão da ONU, responsável por assuntos administrativos e orçamentais, Guterres propôs reduzir as necessidades de recursos das Nações Unidas para 3,238 biliões de dólares (2,79 mil milhões de euros), uma redução de 15,1% face a 2025.

A tabela de pessoal foi revista para 11.594 postos de trabalho – incluindo Missões Políticas Especiais –, uma redução de 2.681 postos, ou 18,8%, em comparação com a tabela de pessoal aprovada para 2025.

"Embora as reduções propostas sejam substanciais, foram cuidadosamente calibradas para preservar o equilíbrio entre os três pilares da organização: paz e segurança, desenvolvimento sustentável e direitos humanos", assegurou Guterres, num momento em que a ONU atravessa uma grave crise de liquidez.

Os cortes integram a "Iniciativa ONU80", um projeto anunciado por Guterres que visa mudanças estruturais na própria organização, como a fusão de unidades, eliminação de duplicações funcionais e estruturais, e cortes em funções que são desempenhadas noutras partes do sistema, incluindo nas Missões de Paz.

Isenta de cortes ficou a agência das Nações Unidas para os refugiados palestinianos (UNRWA), com Guterres a justificar que quaisquer reduções poderiam ter "consequências drásticas na espinha dorsal de toda a resposta humanitária a Gaza".

"A Conta de Desenvolvimento e a defesa do desenvolvimento de África também foram isentas de cortes que inevitavelmente teriam impacto direto no nosso apoio aos Estados-membros, dificultando os esforços para a Agenda 2030, os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável e a Agenda 2063 da União Africana", argumentou Guterres.

Para as missões políticas especiais, o orçamento revisto ascende a 543,6 milhões de dólares (467,6 milhões de euros), uma redução de 96,3 milhões de dólares (82,8 milhões de euros) ou 15% em comparação com o orçamento inicialmente proposto para 2026, e uma redução de 21,6% face a este ano.

Segundo o líder da ONU, estes ajustes refletem os apelos para um secretariado da organização internacional "mais eficaz, ágil e resiliente" e contém propostas para "alinhar os recursos com as prioridades organizacionais, modernizar as operações internas e refletir uma resposta pragmática ao contexto fiscal em constante evolução".

Porém, reduções desta magnitude "terão inevitavelmente impactos programáticos e operacionais em todas as entidades e acarretarão ajustes na forma como o secretariado executa as atividades que lhe estão atribuídas", alertou o antigo primeiro-ministro português.

"Estas medidas constituem reduções orçamentais substanciais que afetam as pessoas reais, as famílias e os futuros – e nunca devemos perder de vista esta dimensão humana", acrescentou.

As propostas incluem também a criação de centros administrativos em Nova Iorque e Banguecoque (Tailândia), a unificação do processamento de salários numa equipa global distribuída entre Nova Iorque, Entebbe (Uganda) e Nairobi (Quénia), e a transferência de funções desde as sedes mais caras - como Nova Iorque e Genebra - para locais de menor custo.

Desde 2017, o secretariado da ONU poupou 126 milhões de dólares (108,4 milhões de euros) com o fim de contratos de arrendamento comercial em Nova Iorque, especificou ainda Guterres.

Além disso, a ONU planeia desocupar dois edifícios alugados em Nova Iorque até 2027, gerando poupanças de milhões de dólares anuais a partir de 2028.

Apesar da carga de trabalho da ONU aumentar de ano para ano, os recursos estão a diminuir em todos os setores, contribuindo para isso o facto de que nem todos os Estados-membros pagam na totalidade as obrigações anuais e muitos também não pagam a tempo.  

Sobre o pagamento das obrigações anuais, Guterres criticou o "volume inaceitável de atrasos", frisando que a ONU terminou 2024 com um débito de 760 milhões de dólares (653,8 milhões de euros), dos quais 709 milhões de dólares (610 milhões de euros) ainda estão pendentes.

Além disso, Guterres assinalou que a ONU também não recebeu 877 milhões de dólares (754,2 milhões de euros) referentes às contribuições de 2025.

Assim, o débito é atualmente superior a 1,3 mil milhões de euros.

sábado, 25 de outubro de 2025

Documentário: Arma de Guerra- Violência Sexual contra os Homens

Sexual violence is a well-known weapon of war. One that is deployed against men, as well as women. The enemy is not killed, but destroyed nonetheless. In this documentary, men from Ukraine, Congo and Bosnia break their silence.

Most male survivors of sexual violence remain silent. So the perpetrators get away with it. Often, the perpetrators do not even have a sense of wrongdoing when they commit these war crimes.

The first men to seek justice at the International Criminal Tribunal for the former Yugoslavia (ICTY) in The Hague were survivors of the Bosnian War (1992-1995). This marked a turning point.

Zihnija Bašić from Bosnia tells how he had to fight for a long time to be recognized as a war victim after his rapes. He still suffers from the abuse to this day. Oleksiy Sivak from Ukraine has since founded a self-help group. Like his friend Roman Shapovalenko, he was sexually abused by Russian occupying forces. 

Masokolo Lemba from the Congo is also a member of a self-help group. Lemba fled from the war in his home country to Uganda - where survivors of sexual violence are often accused of homosexuality, which is a punishable offense in Uganda. This stigmatization and criminalization make it difficult to cope with the trauma. 

Historian Regina Mühlhäuser is a member of an international research group that investigates sexual violence against men. She says: "If you want to prevent sexual violence against men in war-time, you have to fight it in peace-time. After all, prisons and the military are often breeding grounds for this violence."

Despite their fear of stigmatization and discrimination, the survivors in this film have chosen to tell their stories in order to bring this taboo topic to light.

sexta-feira, 4 de julho de 2025

Zohran Mamdani: novidade ou retrotopia?


Por Vitor Belanciano
Muito se tem falado dele, Zohran Mamdani, 33 anos, que se descreve como socialista democrático, candidato oficial democrata para as eleições à câmara de Nova Iorque, nas autárquicas de Novembro, nos EUA.

Na base do apoio popular, para além das questões pessoais (jovem, enérgico, confiante) e formais, com dois vértices principais, domínio da comunicação nas redes sociais e operações quase porta a porta, parece estar uma campanha que apostou em falar claramente de habitação acessível, rendas, desigualdade, salários, transportes, saúde e creches públicas ou comércio local, sem esquecer as questões de género, raciais ou ambientais.

O que seria de esperar. O problema é que vivemos num mundo tão distópico, ficcional – Trump, claro, já veio dizer que é “comunista”, tentativa de o demonizar – e num plano inclinado tão para a direita, que aquilo que parece elementar, se tornou em algo de excecional, daí que Mamdani esteja a ser visto como a luz ao fundo do túnel por muitas vozes progressistas. Calma.

Digamos que Mamdani, americano, nascido no Uganda, de pais indianos, muçulmano, recuperou para o seu discurso aquilo que a maioria dos partidos de esquerda, se esquece, nos EUA como na Europa, quando ascende ao poder: de governar realmente à esquerda.

Tão preocupados com a gestão dos mercados e um crescimento económico residual, que vai parar sempre aos mesmos bolsos, esqueceram-se da equidade e da justiça social. O socialismo vai para o lixo, fica o liberalismo suave.

O discurso de Mamdani tem, aliás, pontos de contato com o de veteranos como Corbyn ou Bernie Sanders, com o aumento de impostos para os super-ricos no horizonte e expondo que o que se passa na Palestina é genocídio. O que, no contexto atual, é uma aragem de ar puro, mas sem nada de radical.

O sintoma Mamdani parece antes inscrever-se naquilo que Zygmunt Bauman (1925-2017), caracterizou, pouco antes de morrer, como tempos de retrotopia.

Por desmemória, manipulação ou insuficiência em conceber novas abordagens, temos visto nos últimos anos novas gerações entregues a ideologias do passado, vividas como se fossem a última novidade da estação, do neofascismo ao neoliberalismo, regressando nacionalismos, protecionismos, gestos autoritários, redes de interesses e lógicas ultraliberais. Mentes e ideias em putrefação, para corpos novos.

Para contrapor a esse domínio conservador hoje no mundo, é necessário ter uma agenda própria, outras grelhas de leitura da realidade expostas com clareza e soluções políticas.

Para já, Mamdani, inspirou-se nos fundamentos perenes do socialismo o que traz uma aura de novidade porque a esquerda liberal quando esteve no poder nunca conseguiu ser, enfim, socialista. Só isso, no contexto atual, é muito. Não vale a pena idealiza-lo. Pode ser um fenómeno circunstancial, mas o sintoma que aspirou é real. Existe uma ânsia popular por mudança, embora refreada por medo e insegurança.

Tempos perigosos, mas também em aberto. Não espantará se as principais dificuldades que Mamdani enfrentar vierem do interior do próprio partido democrata. Mas é quando as placas tectónicas das estruturas de poder se começam a mexer que tudo pode acontecer.

*Mamdani e a mulher, Rama Duwaji. Foto de Kara McCurdy

sexta-feira, 21 de junho de 2024

Chimpanzés poderão estar a automedicar-se com plantas medicinais


Os chimpanzés parecem consumir plantas com propriedades medicinais para tratar as suas doenças, de acordo com um estudo publicado na revista PLOS ONE por Elodie Freymann da Universidade de Oxford, Reino Unido, e colegas.

Muitas plantas produzem compostos que têm efeitos medicinais nos seres humanos e noutros animais. Os chimpanzés selvagens comem uma grande variedade de plantas, incluindo algumas que são nutricionalmente pobres mas que podem tratar ou atenuar os sintomas de doenças.

No entanto, é difícil determinar se os chimpanzés se auto-medicam, procurando intencionalmente plantas com propriedades que ajudem as suas doenças específicas, ou se consomem passivamente plantas que por acaso são medicinais.

Os autores do presente estudo combinaram observações comportamentais de chimpanzés selvagens (Pan troglodytes) com testes farmacológicos das plantas potencialmente medicinais que comem. Monitorizaram o comportamento e a saúde de 51 chimpanzés de duas comunidades habituadas na Reserva Florestal Central de Budongo, no Uganda.

Em seguida, recolheram extratos de plantas de 13 espécies de árvores e ervas da reserva, que suspeitavam que os chimpanzés poderiam estar a utilizar para se automedicarem, e testaram as suas propriedades anti-inflamatórias e antibióticas.

Estas incluíam plantas que observaram os chimpanzés doentes ou feridos a comer, mas que não faziam parte da sua dieta normal, e plantas que investigações anteriores sugeriram que os chimpanzés poderiam consumir pelas suas propriedades medicinais.

88% dos extratos de plantas inibiam o crescimento bacteriano
Os investigadores descobriram que 88% dos extratos de plantas inibiam o crescimento bacteriano, enquanto 33% tinham propriedades anti-inflamatórias. A madeira morta de uma árvore da família Dogbane (Alstonia boonei) apresentou a atividade antibacteriana mais forte e também tinha propriedades anti-inflamatórias, sugerindo que poderia ser utilizada para tratar feridas.

A casca e a resina da árvore de mogno da África Oriental (Khaya anthotheca) e as folhas de um feto (Christella parasitica) apresentaram efeitos anti-inflamatórios potentes.

Os investigadores observaram um chimpanzé macho com uma mão ferida a procurar e a comer folhas do feto, o que pode ter ajudado a reduzir a dor e o inchaço. Também registaram um indivíduo com uma infeção parasitária a consumir casca da árvore espinho-de-gato (Scutia myrtina).

Os resultados sugerem que os chimpanzés procuram plantas específicas pelos seus efeitos medicinais. O estudo é um dos primeiros a fornecer provas comportamentais e farmacológicas dos benefícios medicinais para os chimpanzés selvagens de se alimentarem de cascas e madeira morta.

As plantas medicinais que crescem na Reserva Florestal Central de Budongo também podem ser úteis para o desenvolvimento de novos medicamentos para enfrentar os desafios das bactérias resistentes aos antibióticos e das doenças inflamatórias crónicas, dizem os autores.

Os autores concluem: “Neste artigo, demonstramos como observar e aprender com os nossos primos primatas pode acelerar a descoberta de novos medicamentos, ao mesmo tempo que enfatizamos a importância de proteger as nossas farmácias florestais”.

quinta-feira, 13 de junho de 2024

Genocídio do Ruanda - 30 anos depois


O genocídio no Ruanda, ocorrido em 1994, foi uma das maiores tragédias humanitárias do século XX. em apenas 100 dias, estima-se que cerca de 800 mil a 1 milhão de pessoas foram brutalmente assassinadas. a esmagadora maioria das vítimas pertencia à minoria étnica tutsi, além de moderados da maioria hutu que se opunham à violência.

O contexto e as raízes do conflito
  1. A divisão entre hutus (historicamente agricultores, a maioria da população) e tutsis (historicamente pastores, a elite minoritária) foi aprofundada durante o período colonial.
  2. Colonização alemã e belga: o território começou por ser uma colónia alemã, mas passou para as mãos da Bélgica após a primeira guerra mundial. foram os belgas que transformaram a divisão social numa separação racial rígida, introduzindo bilhetes de identidade com indicação étnica na década de 1930 e favorecendo a minoria tutsi.
  3. A inversão de poder (1959-1962): uma revolta hutu derrubou a monarquia tutsi e levou o país à independência. Milhares de tutsis fugiram para países vizinhos (como o Uganda) e formaram a frente patriótica ruandesa (RPF), um grupo rebelde armado.
  4. O estopim (6 de abril de 1994): o avião do presidente ruandês, Juvénal Habyarimana (um hutu), foi abatido em Kigali. Extremistas hutus culparam imediatamente os rebeldes tutsis e iniciaram a matança organizada na manhã seguinte.
Como o genocídio aconteceu
Diferente de outros genocídios industrializados da história, o horror no Ruanda foi perpetrado de forma extremamente direta e descentralizada, mobilizando civis comuns.
  1. Armas: a maior parte dos assassinatos foi cometida com catanas (facões), paus e enxadas.
  2. Milícias interahamwe: o exército oficial foi apoiado por milícias civis extremistas chamadas interahamwe ("os que atacam juntos").
  3. O papel da comunicação social: a estação de rádio estatal RTLM desempenhou um papel crucial, transmitindo discursos de ódio, identificando os tutsis como "baratas" e revelando esconderijos, nomes e matrículas de carros das pessoas a abater.
A inação internacional
Um dos aspetos mais marcantes e dolorosos do conflito foi a passividade do resto do mundo. a força de paz da ONU no terreno tinha ordens estritas para não intervir militarmente, servindo apenas como observadora.

Após a morte de 10 soldados belgas da ONU que protegiam a primeira-ministra ruandesa, a Bélgica retirou as suas tropas e o conselho de segurança da ONU reduziu o contingente militar no país para uma presença simbólica de menos de 300 homens, mesmo ciente do massacre em curso. Países como os EUA e a França evitaram ativamente classificar a situação como "genocídio" para não assumirem a obrigação legal de intervir.

O fim do conflito e consequências
O genocídio terminou em meados de julho de 1994, quando a frente patriótica ruandesa (RPF), liderada por Paul Kagame (que se tornou presidente do país), conseguiu avançar militarmente a partir do Uganda e capturar a capital, Kigali.
  1. Êxodo em massa: temendo represálias do novo governo dominado por tutsis, cerca de 2 milhões de hutus fugiram para o vizinho Zaire (atual República Democrática do Congo), gerando uma crise humanitária monumental.
  2. Justiça e reconciliação: o tribunal penal internacional para o Ruanda julgou os principais mentores do massacre. contudo, para lidar com a quantidade massiva de suspeitos locais, o governo recorreu aos tribunais comunitários tradicionais chamados gacaca, focados na confissão, no perdão e na reintegração comunitária.

Hoje, o Ruanda é um país amplamente pacificado, com uma economia de crescimento rápido e leis rigorosas que proíbem qualquer discurso baseado em divisões étnicas. o termo "hutu", "twa" ou "tutsi" foi abolido dos documentos oficiais; todos são agora, simplesmente, ruandeses.

quarta-feira, 10 de novembro de 2021

Urban trees: more than just a pretty face

                                   

Green spaces don’t exist just to beautify urban areas. Trees are the lungs, liver and beating heart of the world’s cities, and they are fundamental to creating healthy, liveable and sustainable cities around the globe.

Trees are an important way to mitigate climate change and improve air quality, making cities healthier places to live in. They’re also critical for places with warm climates. In fact, strategic placement of trees in cities can help to cool the air between two and eight degrees Celsius, making that sticky urban heat just a little more bearable. Large trees are also excellent at absorbing pollutant gases and filtering fine particulates such as dust, dirt or smoke out of the air by trapping them on leaves and bark.

And they’re not just good for the environment – they have positive effects on us humans too. Research shows that living close and having access to green spaces can improve physical and mental health by decreasing high blood pressure and stress, for example.

For all these reasons, it is vital that modern urban planning takes trees seriously. That’s why FAO and the Arbor Day Foundation started the Tree Cities of the World programme, a collaborative effort to encourage cities and towns around the globe to invest in, properly maintain and sustainably manage urban forests and trees. 2019 was the first year of eligibility for this worldwide initiative and 68 cities from 17 countries were recognised for their commitment to urban forestry. The programme has since almost doubled and now includes 120 cities from 23 countries.

Here are some of innovative, inspiring initiatives put in place by four Tree Cities:

Birmingham, United Kingdom
Over the last couple of decades, Birmingham has moved from an industrial city to a green beacon of modern urbanity. It became a Tree City in 2019.

The local government’s “Route to Zero” plan aims to make the city a net zero carbon emitter by 2030. It has focused on creating green corridors and green infrastructure within Birmingham. An example of this is Cole Valley, a park, cycle route and natural space alongside the river, encouraging walking and cycling as part of residents’ commutes.

Alongside this, the “Route to Zero” plan included a project that mapped the city’s tree cover, essential for lowering its summer temperatures. It was found that whilst some areas had canopy cover of 40 percent, some had as little as 10 percent. The council is now focusing on planting trees and creating green spaces across all city districts to get as much of the city as possible up to at least 25 percent canopy coverage, which is the minimum needed to realise heat-reduction benefits.


Tree canopy coverage keeps city temperatures down, and green corridors and bike paths encourage sustainable transport. Left/top: ©FAO/Fabio Lopoes Right/bottom: ©FAO/Klienne Eco


Campo Grande, Brazil
Campo Grande, a city in west central Brazil, became a Tree City in 2019.

Over the last years, the city’s Urban Forestry Programme has been planting trees to protect watercourses and improve canopy cover over pavements and pedestrian areas.

The programme is using afforestation to reduce the city’s atmospheric, noise and visual pollution to promote a better quality of life for its inhabitants and help maintain local biodiversity. In fact, Campo Grande is renowned for its diverse wildlife, even being granted the title of National Capital of Birdwatching Tourism. It is a gateway to the Pantanal, a seasonally flooded grassland dotted with woodlands, home to a vast array of birds, including the jabiru stork and hyacinth macaw, and mammals, such as the giant otter and jaguar.

Kampala, Uganda
Kampala became a Tree City in 2021 due to its commitment to planting trees, boosting green spaces and creating a more sustainable urban environment.

The Kampala City Council now has a designated ‘Landscape Section’, dedicated to managing urban tree planning through a team of landscape architects, quantity surveyors and environmentalists. In the last few years, two new parks have opened, the Chwa II Children’s Park and Nakawa Park in the business district of the city. Overall, 8 000 trees have been planted through the Kampala Goes Green campaign, encouraging residents to donate or plant a tree across the city.

The city also held a Running Out of Trees 330-kilometre relay race to raise awareness for tree planting and guard against illegal tree cutting. The route started in Kampala and ended in Gulu city, with trees planted at every relay handover point.

Trees aren’t just beautiful, they have positive effects on humans too. Having access to green spaces can improve physical and mental health! ©FAO/Klienne Eco


Hyderabad, India

Hyderabad was crowned a Tree City in 2020 thanks to the local government’s effort to improve green cover across Telengana state. Since 2015, the state has planted 2.2 billion saplings and is on its way to meeting its target of 2.3 billion saplings by the end of 2021. A total of 109 urban forest parks are being developed, of which 53 have already been completed.

The local government also runs programmes designed to make the villages and towns around Hyderabad clean and green too, providing households with saplings to plant and manage.

FAO and the Arbor Day Foundation are connecting cities around the world in a network dedicated to reinforcing the most successful approaches to managing urban trees and forests. Why not let your local council know about the Tree City programme?

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sábado, 25 de janeiro de 2020

Ativista ugandesa cortada de foto oficial de Davos


“Racismo”, disse Vanessa Nakate, depois ter desaparecido de uma fotografia tirada com os outros ativistas (brancos) em Davos
“Agora compreendi na perfeição o que quer dizer racismo”, vincou Nakate, numa emocionante declaração de vídeo, apontando o dado a várias agências noticiosas – incluindo a Associated Press, dos EUA – por a terem removido da foto. 

Vanessa Nakate, de 23 anos, foi cortada de uma fotografia em que surgia com outras ativistas. Só após o seu protesto é que a imagem foi substituída.

Já a AP, que desde então retirou a imagem, assegurou que não havia quaisquer “más intenções”.  

“O fotógrafo estava a tentar tirar uma foto rapidamente, num prazo apertado, e fez o recorte por motivos de composição, porque considerar que ele achava que o prédio ao fundo era perturbador”, justificou já David Ke, diretor de fotografia da agência de notícias, assegurando que quando voltassem a adicionar mais fotos ao que disponibilizam aos meios de comunicação mundial, vão corrigir e juntar fotos com diferentes culturas”. 

Vanessa Nakate, 23 anos, participou na conferência de imprensa que decorreu em Davos, na sexta-feira, 24, ao lado dos outros ativistas pelo clima, como Greta Thunberg, Loukina Tille, Luisa Neubauer e Isabelle Axelsson. Qual não foi o seu espanto quando se deparou com a imagem divulgada pela AP, em que ela não aparecia.

“Dizem-me que devia ficar sempre ao centro quando tiro fotos de grupo para não correr este risco. Nem quero acreditar que tenha de ser assim”, escreveu a ativista nas redes sociais, antes de rematar. “Não merecemos nada disto. África é o menor emissor de carbono, e somos os mais afectados pela crise climática. Apagar a nossa voz não vai mudar nada. Apagar a nossa história não vai mudar nada.” 

Assim como Greta, Nakate também manteve-se em protesto solitário durante meses em frente ao parlamento de Uganda, e tornou-se líder do movimento Juventude pela África do Futuro – e o próprio fato da maioria não conhecer tanto o seu trabalho até o terrível incidente das fotos é também sintoma do racismo que media todas as nossas relações. “Curiosamente só os maiores emissores de gases do nosso país serão ricos o suficiente para sobreviver à crise alimentar, enquanto a maioria das pessoas que vivem em povos e comunidades rurais enfrentarão problemas para obter alimentos devido aos altos preços e ao desabastecimento” disse a ativista, em entrevista recente.  Tudo isso levará à fome e à morte de muita gente. Na minha região, a falta de chuva já significa fome e morte para os menos privilegiados”.

Fonte: Visão