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sábado, 30 de maio de 2026

IA cria referências falsas e contamina artigos científicos, apontam estudos


O avanço do uso de inteligência artificial (IA) na produção de artigos científicos começa a provocar uma preocupação crescente entre investigadores e editoras académicas. Dois novos estudos internacionais apontam que ferramentas de IA generativa, como chatbots de linguagem, estão a criar referências falsas que acabam por ser incluídas em trabalhos publicados sem que autores, revisores ou revistas científicas se apercebam do erro.

Tornou-se comum os académicos serem alertados para novos trabalhos que citam a sua investigação, apenas para perceberem que se trata de um artigo inexistente. No ano passado, um relatório amplamente divulgado, o “Relatório MAHA”, emitido pela Casa Branca sobre as suas prioridades no combate às doenças crónicas, continha várias citações incorrectas que levaram alguns observadores a suspeitar que tinham sido geradas por inteligência artificial.

Um dos casos citados envolve o investigador Rafael Topaz, professor associado da Universidade de Columbia, nos EUA, que afirmou ter descoberto que uma ferramenta de IA adicionou silenciosamente uma referência inexistente num manuscrito académico. Segundo ele, o sistema foi usado apenas para ajustes gramaticais no texto. “Sou investigador de IA. Sei o que são alucinações. Se isto está a acontecer comigo, o que acontece com as outras pessoas?”, afirmou.

O estudo, publicado na revista científica The Lancet, chegou a conclusões semelhantes ao analisar artigos biomédicos publicados entre 2023 e o início de 2026. A auditoria encontrou mais de 4 mil referências falsas distribuídas em 2.810 artigos revistos por pares. Em 2023, um em cada 2.828 artigos apresentava pelo menos uma citação inventada. No início de 2026, a proporção passou para um em cada 277 trabalhos.

Os autores afirmam que o problema não está concentrado em investigações fraudulentas; em muitos casos, as citações inventadas aparecem espalhadas em trabalhos legítimos, o que sugere que os investigadores estão a copiar referências sugeridas por ferramentas de IA sem fazerem a verificação manual das fontes originais. O fenómeno foi mais comum entre autores menos experientes e equipas pequenas de investigação.

O alerta aparece num estudo conduzido por investigadores da Universidade Cornell, da UCLA e da UC Berkeley. Os cientistas analisaram 111 milhões de citações presentes em 2,5 milhões de artigos publicados entre 2020 e 2025 nas plataformas arXiv, bioRxiv, SSRN e PubMed Central. O trabalho identificou pelo menos 146.932 referências fabricadas por IA só em 2025.

Os investigadores rastrearam títulos de artigos que não puderam ser encontrados em bases académicas como o Google Scholar, Semantic Scholar e OpenAlex. A análise mostrou que o crescimento das referências falsas acelerou a partir de meados de 2024, cerca de um ano e meio após o lançamento público do ChatGPT, período em que as ferramentas de IA passaram a ser usadas também para sugerir bibliografias e citações automáticas.

Segundo o levantamento, as taxas de referências falsas chegaram a quase 2% os artigos publicados no SSRN em agosto de 2025. No PubMed Central, a principal base biomédica analisada, foram estimadas mais de 8 mil citações falsas em apenas um mês. O estudo também aponta que muitas destas referências sobreviveram aos processos de revisão e foram mantidas nas versões finais dos artigos científicos.

Tornou-se comum os académicos serem alertados para novos trabalhos que citam a sua investigação, apenas para perceberem que se trata de um artigo inexistente. No ano passado, um relatório amplamente divulgado, o “Relatório MAHA”, emitido pela Casa Branca sobre as suas prioridades no combate às doenças crónicas, continha várias citações incorrectas que levaram alguns observadores a suspeitar que tinham sido geradas por inteligência artificial.

Os investigadores alertam que o problema se pode tornar ainda mais difícil de controlar nos próximos anos, porque os modelos de IA treinados em bases académicas contaminadas por referências falsas podem reproduzir os mesmos erros em novos textos. Como resposta, os estudos defendem que as editoras científicas adotem sistemas automáticos de verificação de referências antes da publicação dos artigos.

Para saber mais:

sábado, 17 de fevereiro de 2024

O Pedro Abrunhosa vai pôr o Bloco de Esquerda em tribunal porque diz que plagiaram a sua música. Só que Pedro Abrunhosa também plagiou a música dos BAN

Li agora a publicação do Pedro Abrunhosa sobre a frase nos cartazes do Bloco (que nem é igual ao nome da canção dele). As pessoas passam-se, é um facto. Pedro Abrunhosa acredita mesmo que o Bloco o quis copiar e que tem direito a impedir o partido a usar a frase.
Só que o Abrunhosa não pediu autorização e plagiou uma música dos BAN.



Olha, Pedro Abrunhosa sem óculos à Ray Chales!!


Ray Chales deveria exigir direitos de autor, quando o  Abrunhosa sempre que se apresenta com óculos iguais

sexta-feira, 15 de outubro de 2021

Raquel Varela é importante?


Raquel Varela, habitual comentadora política e historiadora, está a ser acossada - imputações de multiplicação indevida de artigos científicos no currículo, provas de repetição de largos excertos de textos em trabalhos diferentes ("autoplágio", definem os acusadores), queixas de abuso de poder e de assédio moral a bolseiros e, até, presunções de manipulação de concursos.

Os jornais Público, Diário de Notícias, Observador, I e a revista Sábado das últimas semanas têm longos textos sobre Raquel Varela. Entre notícias, artigos de opinião e até editoriais alusivos, o tom apaixonado e adjetivado com que a matéria é tratada faz parecer o valor do currículo da professora da Universidade Nova ter mais importância para o país do que a aprovação do Orçamento Geral do Estado.

Nas redes sociais, Raquel Varela defende-se com textos gigantescos a tentar desmontar a argumentação dos acusadores, a detalhar a sua interpretação das regras do jogo da conquista do pódio académico, a contra-atacar com insultos e suspeitas sobre a idoneidade dos jornalistas que se atreveram a colocá-la em causa, a promover abaixo-assinados em defesa do seu próprio bom nome.

Tudo isto atrai centenas, milhares de partilhas, comentários, reações e audiências - na verdade, o currículo académico de Raquel Varela é, no momento em que escrevo, um tema mais debatido que o escândalo da fuga global ao Fisco mostrado pelos Pandora Papers, a crise na energia, a fuga de João Rendeiro à justiça, a saída de Armando Vara da prisão, o início das terceiras doses de vacinas contra a covid-19, a atribuição dos Prémios Nobel, a luta interna no CDS e no PSD ou as eleições do Benfica.

Lá fui ver o que era, então, o "caso Raquel Varela"...

Percebi: a luta por um lugar ao sol na universidade transformou-a num campo de batalha sem regras.

Percebi: é mais importante, para se ser alguém numa universidade, publicar muitos artigos científicos do que publicar bons artigos científicos.

Percebi: se o rigor da argumentação usada pelos intervenientes nesta polémica reflete o rigor habitual dos textos académicos, muita desta gente não devia, simplesmente, publicar artigos rotulados de "científicos".

Percebi: o negócio das publicações científicas está globalizado e muito poucas editoras do género dominam todo o mercado mundial, que vale milhões, muitos milhões - e os autores são os que menos ganham com isso.

Percebi: muitos investigadores universitários transformaram-se numa espécie de diretores comerciais, à procura de formas de financiamento e "inventando" investigações "à medida do cliente".

Percebi: a hierarquia numa universidade transforma os que estão na base da pirâmide social interna em verdadeiros escravos dos que estão acima. Quem está no meio, sabuja para cima e tiraniza para baixo.

Percebi: a universidade e os universitários acham que só devem ser escrutinados por si próprios e que o resto da sociedade nada tem a ver com isso.

Percebi: boa parte das acusações sobre Raquel Varela incidem sobre práticas banais no mundo académico, dizem muitos dos envolvidos. Se são ética ou legalmente reprováveis, então o mundo académico precisa de uma revolução e muitas cabeças deviam cair.

Percebi: a polémica sobre Raquel Varela é importante para ela, é importante para as pessoas que a denunciam, é importante para os locais onde ela trabalha, mas só tem um único valor para a sociedade em geral - demonstra que a universidade (cá e lá fora) está doente e precisa de ser salva de si própria...

... Eu começava por moderar a visão mercantilista do saber.

domingo, 11 de abril de 2021

A vida actual não convida a pensar - Entrevista com Peter Sloterdijk


Peter Sloterdijk (Karlsruhe, Alemanha, 1947) é um dos grandes nomes do mundo do pensamento. Professor de Estética e Filosofia na Escola Superior de Design de sua cidade natal, há anos agita o mundo da filosofia – e o mundo como um todo – com suas obras, seu novos conceitos e termos, e suas opiniões. Autor de livros cruciais do pensar de nossa época como Crítica da Razão Cínica, Ira e Tempo e principalmente sua monumental trilogia Esferas (Bolhas, Globos e Espuma), em que desenvolve uma assombrosa teoria do espaço íntimo, Sloterdijk une sua profundidade intelectual a uma face midiática incomum em seu campo e uma cordialidade, um humor e uma ironia que o afastam do paradigma do filósofo alemão usual (Karl Popper, para citar um mal-humorado).

O pensador visitou Barcelona onde se reuniu com várias centenas de pessoas em uma conversa no Centro de Cultura Contemporânea de Barcelona (CCCB). Apesar de sua afabilidade e sua aparente tranquilidade, entrevistar Sloterdijk, cujas páginas um ser humano comum frequentemente precisa ler várias vezes para conseguir entendê-las, é um desafio. Com as passagens de Esferas ainda flutuando na cabeça – “a esfera íntima, consubjetiva, não pode possuir em absoluto uma estrutura eucíclica e parmenídea: o globo psíquico não tem, com o filosófico bem arredondado, um único centro que irradia e engloba tudo, e sim dois epicentros que se interpelam mutuamente por ressonância” –, se entrevista Sloterdijk como se estivesse diante de Plotino. Um Plotino, de fato, um pouco desarrumado e sem meias.

A entrevista é de Jacinto Antón, publicada por El País, 05-05-2019.
Eis a entrevista.

Não lhe parece que o pensar, o pensar de verdade, se tornou uma excentricidade? Ao ler seus livros, tão intensos, percebemos que o pensamento sério, o que exige esforço e concentração, não é numeroso. Nós nos desacostumamos.
Sim. Certamente. Isso me lembra uma cerimônia zen em que o mestre pega uma chaleira, como eu estou fazendo agora, e despeja chá até encher a taça, e então continua despejando e o líquido derrama. Você não pode entender nada se a taça não está cheia.

Perdemos a capacidade de pensar?
Não é capacidade como tal. Mas não ocorrem as circunstâncias vitais que nos permitem afastar e ganhar distância. Para Husserl e sua fenomenologia era preciso sair do tempo impetuoso da vida, o dispositivo mais elementar era sempre dar um passo atrás. Essa ação permite que você se transforme em observador. Sem uma certa distância, sem uma certa desconexão a atitude teórica é impossível. A vida atual não convida a pensar.

Hoje a superficialidade se impõe à profundidade.
A Filosofia moderna abandonou mais ou menos a metáfora da profundidade. Preferimos dizer que tudo está na superfície, e se existe profundidade é preciso fazer com que ela suba à superfície como se fosse superficial. Caso contrário, você se transforma em um mistagogo, um iniciador em mistérios sagrados.

Também é verdade que pensar de verdade é difícil e tem algo de doloroso e angustiante quando se chega perto dos limites do eu e da autoconsciência.
Não estou convencido disso. A filosofia original na antiguidade era algo ambivalente. Temos os dois topos: Heráclito, que chorava, e Demócrito, que ria constantemente. Esse traço comentado de ambos pelas fontes aparece até mesmo em suas estátuas. Para Platão, de uma tradição diferente, pensar é o prazer mais elevado. Isso por uma razão: a essência do pensamento é lembrar e o que devemos lembrar é o fato de que estivemos muito próximos da essência divina e a única coisa que deve ser feita para eliminar os obstáculos que não te permitem alcançá-la é lembrar claramente. Basicamente, deveria se tratar de felicidade. Mas não funciona assim porque, certamente, na antiguidade os pensadores eram conhecidos por ter sempre um rosto triste. Eram mais respeitados por isso, seus compatriotas esperavam que tivessem aspecto melancólico e o cenho franzido (ri). Era um truque muito bom, porque ninguém sentia inveja de alguém triste. É melhor esconder sua boa sorte. O que me lembra uma frase de Walter Serner, o dadaísta, autor de Manual para Enganadores, que dizia que sempre que você se mudar a uma nova cidade deixe que o rumor de que você tem câncer o preceda, isso reduz a inveja. Seus competidores já não te levarão tão a sério.

terça-feira, 21 de março de 2017

'Bolhas', de Peter Sloterdijk, é filosofia descontraída



"Fartamente ilustrado, o volume oferece ao leitor, em reproduções não muito boas, obras religiosas e obras profanas, todas relacionadas ao tema tratado por Sloterdijk, mas elas não são comentadas (com uma ou outra exceção), cabendo ao leitor fazer a ligação entre texto e imagem e tirar as suas conclusões", escreve Sergio Medeiros, poeta, ensaísta, tradutor, professor na UFSC e autor de 'A Idolatria Poética ou A Febre de Imagens' e 'As Emas do General Stroessner', ambas da Editora Iluminuras, em artigo publicado por Estado de S. Paulo, 19-03-2017.

Eis o artigo.

A obra Bolhas é o primeiro volume da trilogia Esferas, do filósofo alemão Peter Sloterdijk. O segundo volume, ainda não traduzido para o português, intitula-se Globos, e o terceiro, Espumas. O leitor curioso não terá dificuldades para percorrer as 2.500 páginas da trilogia, que lerá com prazer, da primeira à última página, pois se trata de uma obra acessível e fascinante.

Não apenas porque o autor reflete com originalidade e agudeza sobre a lei das esferas ou da globalização, mas também porque a sua escrita colabora enormemente para que o leitor se sinta à vontade em meio à impressionante massa de dados de diferentes fontes do passado e do presente sobre a “existência esférica”; esses dados lhe são entregues generosamente, às vezes em pequenos resumos, às vezes extensamente, sempre acompanhados de comentários argutos do autor.

Sloterdijk apresenta o mundo redondo intimamente compartilhado e propõe uma análise das bolhas bipolares, situando sua reflexão no universo das microesferas ou das esferas íntimas; traz assim à tona vários exemplos do que ele denomina de relações de intimidade, as quais descreve como a coexistência “de algo com algo no interior de algo” (o feto que recebe no útero as boas-vindas da mãe). Sloterdijk contesta a visão dogmática de uma solidão primária do ser humano, a qual, segundo ele, apresenta-se de maneira mais triunfal do que nunca na modernidade. Para o autor, a relação com o outro é que é fundadora e imemorial. Ele pede que o leitor se liberte do espírito anticristão dos últimos séculos e reavalie sem preconceitos a possibilidade de acessibilidade ao outro, essa experiência fundamental da esferologia antiga (o cristianismo dos primeiros tempos): “Quem quiser reconstituir hoje experiências fundamentais de comunhão e de comunidade precisa estar livre de reflexos antirreligiosos”.

Fartamente ilustrado, o volume oferece ao leitor, em reproduções não muito boas, obras religiosas e obras profanas, todas relacionadas ao tema tratado por Sloterdijk, mas elas não são comentadas (com uma ou outra exceção), cabendo ao leitor fazer a ligação entre texto e imagem e tirar as suas conclusões. O leitor talvez tenha a impressão de ter acesso a uma transcrição daquelas apresentações acadêmicas contemporâneas em que o autor lê no computador um ensaio erudito enquanto atrás dele, num telão, vão passando imagens mais ou menos casuais que “ilustram” aspectos de sua fala. Esse caráter descontraído e meio improvisado, entre imagem e texto, confere vivacidade ao livro de Sloterdijk e contribui para criar uma “relação de intimidade” com o leitor. “O que aparece como novo só pode ser, nestes assuntos”, afirma o pensador alemão, “a clareza crepitante, talvez demoníaca, da apresentação”.

Ao defender uma lógica universal de estar-no-espaço-partilhado, Sloterdijk propõe equações saborosas, como a que une teologia com surrealismo (o leitor deparará com locuções como “interpessoalidade surreal”), ou arte de vanguarda com criações mitológicas arcaicas. Heidegger e Andy Warhol estão perfeitamente integrados nesta esferologia contemporânea (um modelo de união), assim como Santo Agostinho e o astro pop, entre numerosas outras personalidades que nem sempre o leitor espera ver juntas num livro de filosofia. A menção à música pop não é uma mera concessão ao contemporâneo e à cultura de massa; um dos capítulos mais impressionantes de Bolhas é o que se chama O Estágio das Sereias: sobre a Primeira Aliança Sonosférica, em que a pesquisa dos pares e a teoria do espaço dual desemboca no conceito de canto e desenvolve o conceito de ouvinte contra o de consumidor de imagens. “Quando os padres não estão por perto, fica evidente que os homens não querem se tornar Deus, mas um hit musical”, conclui Sloterdijk, que passa então a analisar a cena musical pós-moderna: “Mas a histeria dos tenores e a agitação pop não seriam tão atraentes se não estivessem sempre oferecendo projeções mais impressionantes desses poderes arcaicos que efetuam as formações do EU através do ouvido”. Os humanos não querem se parecer a algo, mas soar como algo, e seu autor denuncia: “Foi preciso o desencadeamento da moderna maquinaria de imagens que, desde o Barroco, imprime seus clichês na população para ocultar essa relação fundamental e submeter as massas ao encantamento do individualismo visual, com seus instantâneos, seus espelhos e suas revistas de moda”.

A isso Sloterdijk denomina teoria da comunicação emotiva nas grandes sociedades (homens são animais que se ouvem uns aos outros), e ao fazer o elogio do ouvido, refuta a tese da solidão primária do ser humano e afirma o fundamento da receptividade dos indivíduos às mensagens de seus semelhantes. Sua conclusão não é surpreendente: “Só com base no grande desenvolvimento emotivo da audição foi possível à existência humana tornar-se estadia em uma estufa sonosférica”.

Saber mais:

sábado, 20 de fevereiro de 2016

Música do Bioterra: Siouxsie & The Banshees - Painted Bird

Melhor som aqui


Letra
The master crafts a colorful facade
To entice the eyes of a passer-by
But the plumage is a trick of the light
A synthetic coat of neon bright

[refrão]
Painted bird
All the world is your cage
Fluttering wings
In a fit of rage

A masquerade of feathers and glue
To hide the grey and the residue
But the flock can see through the disguise
With their sharp beaks and their beady eyes

[refrão]

They'll peck at the red and they'll peck at the blue
Until the original shade comes through
They'll strip you bare and they'll leave you for dead
With a crown of thorns upon your head

[refrão]

Painted bird [4X]

A letra de "Painted Bird" foi inspirada no romance "O Pássaro Pintado" (The Painted Bird), de Jerzy Kosiński. utiliza uma metáfora visceral e cruel para explorar o isolamento e a não-conformidade. A narrativa foca num pássaro que, após ser artificialmente pintado e adornado, torna-se um estranho entre os seus; por carregar cores que não pertencem à natureza, ele passa a ser alvo de um ataque sistemático e violento de seus semelhantes, que o bicam até a morte.

Essa imagem serve como uma crítica contundente à dinâmica entre o indivíduo e o coletivo, ilustrando como a sociedade frequentemente reage com agressividade àquilo que foge dos padrões estabelecidos ou que ousa ser diferente. Através de imagens visuais fortes, como as "penas tingidas" e os "olhares de escárnio", a canção evoca uma sensação de claustrofobia e inevitabilidade, sugerindo que o destino de quem é marcado pela singularidade é, muitas vezes, o sacrifício diante de um grupo que não tolera o exótico. Em última análise, Siouxsie transforma a figura do pássaro num símbolo da beleza corrompida e da brutalidade humana mascarada de instinto.