Mostrar mensagens com a etiqueta IRENA. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta IRENA. Mostrar todas as mensagens

quinta-feira, 5 de março de 2026

Solar e Agricultura: como os projetos agrivoltaicos apoiam os agricultores e a economia rural?


Os projetos agrivoltaicos são uma solução prática que combina a atividade agrícola com a produção de eletricidade a partir de energia solar no mesmo terreno, permitindo um duplo uso do solo. Com um bom planeamento, os projetos agrivoltaicos asseguram que a terra continue produtiva, gerando novos rendimentos para os proprietários e proporcionando maior estabilidade às comunidades locais.

Estudos recentes indicam que a implementação de projetos agrivoltaicos na União Europeia pode aumentar a eficiência do uso do solo, permitindo manter o rendimento agrícola, promovendo soluções como o pastoreio e a apicultura.
Protegendo a agricultura através da transição energética

A transição energética é um dos maiores desafios da atualidade, e a energia solar assume um papel central nesse processo. Segundo a International Renewable Energy Agency (IRENA), em 2024 foram adicionados 585 GW de nova capacidade renovável a nível global, representando 92,5% de toda a expansão de capacidade elétrica.

À medida que a energia solar cresce, surge uma questão essencial: como maximizar o uso do solo, conjugando simultaneamente a produção energética e a atividade agrícola?

O que são projetos agrivoltaicos e como funcionam?
Esta tipologia de projetos combina a agricultura com a produção de energia solar no mesmo terreno instalando painéis solares de forma a permitir a continuidade do uso agrícola do solo, seja para pastoreio, culturas específicas ou apicultura.

Exemplos comuns incluem:
  1. Pastoreio de ovinos
  2. Culturas de baixo porte adaptadas à sombra parcial
  3. Instalação de colmeias
A estrutura dos painéis (cerca de 2,5 a 3 metros no ponto mais alto) permite a circulação de animais e a manutenção da atividade agrícola regular, combinadas com a produção de energia solar.

Projetos agrivoltaicos e rendimento agrícola: dados concretos
Estudos internacionais indicam que esta tipologia de projetos permite:
  1. Reduzir a perda de água das culturas, mitigando o stress hídrico em contextos de calor extremo através de sombreamento parcial

  2. Melhorar a produtividade de determinadas culturas sensíveis ao calor extremo
  3. Aumentar a eficiência do uso dos solos
Para agricultores rurais, isto traduz-se em:
  1. Diversificação de fontes de receitas
  2. Redução da dependência exclusiva de ciclos agrícolas voláteis
  3. Maior previsibilidade financeira a longo prazo
Projetos agrivoltaicos e economia rural: impacto local
Para além do rendimento direto para agricultores, os parques solares podem gerar benefícios económicos locais:
  1. Contratação de serviços locais
  2. Receita fiscal municipal
  3. Estabilidade financeira para proprietários de terrenos
  4. Criação de emprego durante construção e operação – o setor solar fotovoltaico é o maior empregador global nas renováveis, representando cerca de 4,9 milhões de empregos em 2022
Promoção de soluções que favoreçam biodiversidade e polinizadores

Apicultura e energia solar: uma parceria natural
Parques solares integrados em modelos agrivoltaicos podem apoiar polinizadores e apicultores locais, integrando apicultura e energia solar na atividade agrícola existente.

A criação de prados floridos e zonas de pastoreio solar permite instalar colmeias, monitorizar a biodiversidade e gerar rendimento complementar, contribuindo para reforçar a economia rural.

Como os projetos agrivoltaicos apoiam agricultores e economia rural?
Os projetos agrivoltaicos apoiam agricultores ao permitir que continuem a utilizar a terra para a atividade agrícola enquanto geram rendimento adicional através da energia solar. Este modelo diversifica receitas, reduz riscos associados à variabilidade climática e contribui para a estabilidade económica das comunidades.

Energia solar e agricultura: possibilidades de uso duplo do solo
Quando cuidadosamente planeados, os parques solares funcionam de forma a complementar a atividade agrícola, não a inviabilizá-la ou substituí-la. A transição energética pode ser também uma estratégia de revitalização rural.

sábado, 24 de maio de 2025

Deep-Sea Mining for Critical Minerals Will Do More Harm Than Good


Since U.S. President Donald Trump’s inauguration in January, we have witnessed an upsurge of interest and intrigue surrounding the critical minerals necessary for the renewable energy transition and next-generation technology. The race for access to resources like nickel, cobalt, lithium, manganese, copper, rare earth elements and other metals has fueled the Trump administration’s push for security deals in the Democratic Republic of Congo and Ukraine and saber-rattling over Greenland. And as of last month, it now involves efforts to mine critical resources from the depths of our oceans.

On April 24, Trump signed an executive order that, though lacking in specifics, underscored his administration’s desire to explore and extract critical resources through offshore and deep-sea mining, both by expanding operations in U.S.-controlled waters and creating interstate partnerships to pursue projects in international waters. The decisive factor in this initiative is clear: China’s current dominance over the mining and refinement of critical minerals. The executive order effectively proclaims that, while China now controls critical resources on land, the U.S. will seek to dominate the sector at sea.

If the 20th century was defined by who produced and controlled the extraction and refining of petroleum, this century will be defined by who produces and controls the extraction and refining of critical minerals. Today, China controls anywhere from 60 percent to 95 percent of the mining and refining capacity for various critical minerals, with the U.S. only becoming a distant second due to efforts to expand access to land-based sources under former President Joe Biden.

Trump’s executive order on deep-sea mining represents a new but also potentially hazardous frontier in that competition. Despite technological innovations, we still know very little about the world’s oceans, having only explored 5 percent of them. What we do know is that lying in the depths of international waters are critical resources. But accessing them will come with environmental costs and uncertainty.

Critical Resources for What?
Globally, meeting the climate action targets under the Paris Agreement will mean achieving net-zero emissions by 2050. The renewable energy transition required to do so will create a twofold to eightfold increase in demand for critical minerals like nickel, lithium and copper. Emerging technologies, data centers and artificial intelligence will also elevate demand for critical minerals in ways not entirely understood.

The currently known land-based supplies of these critical minerals do not meet the projected demand to transition toward renewable energy, let alone for technology and AI. Take nickel, for instance, of which 3.6 million tons was mined globally in 2023. But demand is anticipated to quadruple by mid-century. While there is an estimated 130 million tons of known terrestrial reserves of nickel, it’s estimated there could be more than double that—up to 270 million tons—in deep-sea areas of the Pacific Ocean.

For this and other resources, the race to access critical resources at all costs now seems to be pointing inexorably to seabed mining. But which sectors will benefit from that race and how it will affect our environment are still up for debate.

The Trump administration’s push to secure access to critical minerals coincides with its efforts to abandon carbon emissions targets and sabotage clean energy projects at home. As a result, it’s likely that whatever critical resources the administration’s terrestrial and sea-based initiatives manage to extract will be diverted away from the renewable energy transition and toward data centers, technological innovation and AI, all of which happen to be heavily energy- and water-intensive. They could also go toward military needs.

segunda-feira, 28 de outubro de 2024

Energia: Portugal e a Europa estão a ficar perigosamente dependentes da China



País mais poluidor do planeta controla 80 a 90% das matérias-primas indispensáveis às baterias dos carros elétricos, turbinas eólicas e painéis solares

"A dependência de matérias-primas críticas poderá em breve substituir a presente dependência do petróleo". Este sério aviso está escrito no relatório final da Comissão Europeia relativo ao 'Estudo das matérias-primas críticas para a União Europeia', publicado em 2023. A nova dependência levanta questões da maior gravidade. Para começar, põe em causa o modelo - e, sobretudo, o ritmo de aplicação - das políticas de transição energética. No limite, no futuro próximo, ameaça a segurança do abastecimento energético à Europa para satisfazer as necessidades correntes das famílias e das empresas, com destaque para as industriais.

O assunto ainda não é discutido em Portugal, que continua a ser pioneiro na implementação das políticas comunitárias de transição energética sem qualquer ponderação daqueles riscos. João Bernardo, que foi diretor-geral de Energia e Geologia entre 2018 e 2023, lança o debate em entrevista à CNN Portugal. “Esta transição energética está a ser demasiado brusca, porque as renováveis dependem de um conjunto de materiais críticos - indispensáveis à construção de baterias, carros elétricos, torres eólicas e painéis solares - controlados por países que têm praticamente o monopólio do seu processamento”, alerta o agora presidente do Centro de Biomassa para a Energia (CBE).

O lítio é a matéria-prima mais popular, devido à massificação dos telemóveis. No entanto, eletrodomésticos, veículos elétricos e tecnologias para a digitalização, dependem de dezenas de outros minérios, em muitos casos raros ou concentrados em áreas geográficas politicamente instáveis. Passa-se o mesmo com as centrais eólicas e solares, já hoje predominantes na produção de eletricidade em Portugal. A OCDE prevê que a procura global por esses materiais críticos mais do que duplique, dos 79 mil milhões de toneladas, em 2023, para 167 mil milhões de toneladas em 2060. “A competição por matérias-primas tornar-se-á feroz na próxima década”, antecipa o relatório da Comissão Europeia.

“Já é evidente um descompasso entre a oferta e a procura por vários minerais, com níveis particularmente altos observados para o lítio”, descreve o relatório “Geopolítica da Transição Energética”, da Agência Internacional para as Energias Renováveis (IRENA). Esta organização declara-se preocupada com o impacto que este desequilíbrio poderá vir a ter no cumprimento das metas de transição energética.

A Agência Internacional de Energia (AIE) antecipa problemas de curto prazo no fornecimento de níquel e de terras raras como o neodímio e o disprósio. O próprio lítio, no médio prazo, será insuficiente para as encomendas. “Um enorme aumento na procura de matérias-primas críticas - na maioria dos casos bem acima do ritmo histórico - levanta questões sobre se essa demanda pode ser satisfeita de forma segura”, previne a AIE. Para além disso, adverte os decisores políticos para “as consequências ambientais e sociais associadas à produção mineral”. As populações do mundo desenvolvido reagem mal à exploração mineira ao pé da porta.

O Conselho Europeu aprovou em 18 de março o Regulamento Europeu das Matérias-Primas Críticas, com o propósito assumido de controlar, até 2030, a origem de 10% e o processamento de 40%. Este ato legislativo constitui a primeira tentativa concreta de mitigar os riscos de interrupção das cadeias de abastecimento. Provavelmente, chegou tarde demais. “Dado que países como a China, os Estados Unidos e mesmo a Rússia já se posicionaram estrategicamente nesta corrida há algum tempo, tanto no continente Africano, como na América do Sul ou na Ásia Central, parece-me muito difícil alcançar essas metas”, adverte João Bernardo.

Partido Comunista Chinês tem o telecomando da Europa na mão
De acordo com os dados da IRENA, a China tem uma quota de processamento, a nível mundial, de 100% de grafite; superior a 85% nas terras raras; mais de 70% do cobalto; e cerca de 60% do lítio e do manganésio. Todos estes materiais, juntamente com o níquel, são indispensáveis ao fabrico dos motores dos carros e autocarros elétricos. Problemas nas cadeias de fornecimento destas matérias-primas chinesas colocariam em risco o modelo de transportes públicos que está a ser implementado em Portugal e na Europa.

Um sistema elétrico dependente da primeira geração de energias renováveis é o segundo elo fraco dos países europeus face ao gigante asiático. A China processa também 100% de algumas terras raras, como o disprósio. Para além de fazer falta aos motores dos veículos elétricos, esta matéria-prima é vital para as turbinas eólicas de alta eficiência, assim como nas barras de controlo dos reatores nucleares. Já o manganês é crucial na produção de aço de alta resistência, imprescindível ao funcionamento de turbinas eólicas e ao fabrico das infraestruturas dos parques solares.

A China é, de longe, o país mais poluidor do mundo, com 31,58% das emissões de dióxido de carbono do planeta. Os dados do Atlas Global do Carbono mostram que o gigante asiático se destaca no ranking dos países responsáveis pela concentração de CO2 na atmosfera. Os outros quatro são Estados Unidos (14,01%), Índia (7,84%), Rússia (4,58%) e Japão (2,92%). Nos últimos três anos, a China abriu cerca de quarenta centrais a carvão, aumentando a potência instalada em 91 gigawatts (GW), em 2022; outros 107 GW, em 2023; e mais 10 GW nos primeiros seis meses deste ano.

As novas centrais a carvão chinesas equivalem a nove vezes a potência instalada em todo o sistema elétrico português. “A China continua a utilizar as energias fósseis para manter preços baratos para a sua economia e garantir a segurança de abastecimento do seu sistema energético”, salienta João Bernardo. O antigo diretor-geral de Energia chama também a atenção para o investimento do maior país asiático na investigação e desenvolvimento de tecnologias alternativas e descarbonizadas. “O governo chinês está a tentar dominar as energias renováveis do ponto de vista tecnológico e da inovação, atraindo conhecimento, para quando tiver de fazer mesmo a mudança já estar a liderar este mercado”, comenta. A empresa estatal China Three Gorges, que é a maior acionista da portuguesa EDP, acaba de anunciar um investimento de 11 mil milhões de dólares no deserto do interior do país, combinando as tecnologias eólica, solar e… o carvão.

O governo chinês ignora por completo os protestos de organizações ambientalistas, como a Greenpeace, e justifica a sua política nos fóruns internacionais com o argumento de que as energias fósseis são mais fiáveis do que as renováveis, por oferecerem ao sistema elétrico potência firme, sempre que ela é necessária, independentemente das condições meteorológicas. Pela mesma razão, anunciou este verão a decisão de construir onze novos reatores nucleares, num investimento de 28 mil milhões de euros.
O risco da morte anunciada do gás natural

Os Estados Unidos, segundo maior emissor de CO2 do mundo, seguem igual política de investimento em tecnologias alternativas, mas sem descontinuar abruptamente as fontes tradicionais, como a energia nuclear e as centrais termoelétricas movidas a combustíveis fósseis. O governo federal americano reservou 342 mil milhões de euros de subsídios e descontos fiscais para financiar a deslocalização de empresas de energias verdes da Europa para o seu território. “Isto está a roubar competências e postos de trabalho na Europa e a criá-los do lado de lá”, lamenta João Bernardo. Se a União Europeia não responder com “mecanismos mais assertivos para apoiar as empresas, fixando cá o trabalho e a riqueza, vamos perder a batalha da competitividade à escala mundial”, antecipa o presidente do CBE.

Em Portugal, os planos de transição energética passam pelo encerramento do gás natural, para produção elétrica e no uso doméstico e industrial. “Se isso acontecer, será um erro grave. Eu sempre defendi, enquanto fui diretor-geral, a importância de mantermos dois vetores de energia: um vetor gás e um vetor eletricidade. Duas redes e duas infraestruturas, para não ficarmos dependentes de um único vetor energético”, argumenta João Bernardo.

Para o presidente do CBE, o fim da rede de gás natural seria acrescentar uma segunda vulnerabilidade estrutural à economia, por cima da dependência de matérias-primas raras. “Temos de ter muito cuidado antes de cancelar algumas energias, mesmo fósseis, para não nos lançarmos numa aventura que não sabemos onde vai terminar”, recomenda João Bernardo. “O gás natural é crítico para a segurança de abastecimento e um veículo para a introdução dos gases renováveis, como o hidrogénio e o biometano”, justifica este especialista.

Para além de aconselhar prudência no encerramento de fontes energéticas, João Bernardo elege as áreas de investimento que lhe parecem críticas para a União Europeia. A primeira delas passa pelo aproveitamento dos processos de dessalinização. “A água potável vai ser um recurso cada vez mais crítico, esse investimento vai ter de acontecer”, antecipa. A água da dessalinização é essencial para a agricultura, mas também pode ser aproveitada para a produção de hidrogénio. “Nesta tecnologia não ficaremos tão dependentes de matérias críticas como estamos nas renováveis eólica e solar, porque a água é um bem mais democrático e a tecnologia dos eletrolisadores é dominada pela Europa”, argumenta.

O hidrogénio deverá depois ser aproveitado para a produção de combustíveis sintéticos. O presidente do CBE considera este investimento estratégico por duas razões: o aproveitamento da rede existente de postos de combustível e a defesa da indústria automóvel europeia da feroz concorrência dos carros elétricos produzidos na China.

terça-feira, 15 de junho de 2010

Pico petrolífero, a realidade omitida




                                  
por Lionel Badal [*]


Ato I – Uma realidade inconveniente
Ato II – A sombra dos EUA
Ato III – O que eles não querem que você saiba



Ato I – Uma realidade inconveniente

Há doze anos, a Agência Internacional de Energia (IEA, na sigla em inglês) descobriu que o Pico Petrolífero ameaçaria a prosperidade e estabilidade de nossas sociedades. Sim, eles sabiam. Enquanto alguns funcionários da IEA tentavam informar ao mundo essa mudança do jogo, parece que outros tinham prioridades diferentes...

Em 1998, a equipe do IEA que trabalhava no influente Perspectiva Energética Mundial (World Energy Outlook, WEO) fez uma avaliação autorizada e detalhada da produção futura de petróleo. A equipe era composta pelos melhores especialistas mundiais em energia, entre os quais Jean-Marie Bourdaire, coordenador do estudo, Ken Wigley, Keith Miller e o homem que se tornaria mais tarde Economista-Chefe do IEA, Dr. Fatih Birol.

Usando bases de dados confidenciais e perícia sofisticada, chegaram a uma conclusão dramática: o Pico Petrolífero, o momento no qual a produção global de petróleo começa seu declínio irreversível, aconteceria bem antes de 2020, por volta de 2014.

Ainda que a IEA afirme publicamente estar livre de qualquer interferência externa, a equipe estava sob pressão e escrutínio intensos. Como recorda o veterano geólogo e antigo vice-presidente da Fina, Dr. Colin Campbell, que assessorou a IEA no WEO de 1998, a certa altura Bourdaire teve de parar de telefonar-lhe do seu escritório na IEA porque a questão aparentemente tornara-se "tão sensível" que eles não deveriam ser vistos em contato um com o outro.

Criada como consequência da crise do petróleo de 1973 por países ricos da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento e Econômico (OCDE), a IEA, autoproclamada "vigilante global do petróleo", e seu principal relatório, o WEO, são considerados como a fonte mais autorizada de informação sobre o setor de energia. Nas palavras da Agência:
"Os governos e a indústria ao redor do mundo vieram a acreditar que o WEO fornece uma base consistente sobre a qual podem formular políticas e desenvolver planos de negócios".

Não obstante, em 1998, o membro mais influente da Agência, os EUA, não estava gostando do que estava saindo de seus estudos. Um problema estrutural com o petróleo, conforme foi identificado pela equipe da IEA, indubitavelmente questionaria a sustentabilidade do modelo econômico atual. Durante o estudo, a equipe da IEA compreendeu até que ponto o crescimento econômico estava correlacionado com a disponibilidade de energia abundante e barata. Assim, uma vez que a produção de petróleo cessasse de crescer e surgissem tensões, o crescimento econômico tornar-se-ia muito mais difícil, se não impossível, de ser sustentado.

Para suavizar essa mensagem impactante, a IEA acrescentou que um "item de equilíbrio" chamado "Petróleo Não-identificado Não-convencional" ("“Unidentified Unconventional Oil") surgiria repentinamente, e cresceria de zero em 2010 para 19,1 milhões de barris por dia (mb/d) em 2020 (convenientemente bem a tempo de esconder a escassez...)

O único problema é que as fontes não-convencionais de petróleo eram bem conhecidas. O "item de equilíbrio" era na verdade um código para escassez. O "item de equilíbrio" nunca existiu nem existirá. Um antigo membro da equipe da IEA encarregada do WEO de 1998 confirmou-me isso em dezembro de 2009 durante uma entrevista, sob condições de confidencialidade.

[O interessante é que a Administração de Informação em Energia (EIA - Energy Information Administration), o braço de estatística do Departamento de Energia dos EUA, usará subterfúgio similar em 2009, quando falará de "projetos não-identificados" que preencherão as falhas da produção declinante a partir de 2011...]

Felizmente a história não acaba aqui. Campbell esteve em contado com um especialista ambiental britânico, Dr.David Fleming, que por acaso foi colaborador regular da revista Prospect. Como tal, quando o WEO de 1998 foi publicado, Campbell, que estava perfeitamente ciente da mensagem nele contida, explicou isso a Fleming. Em 20 de abril de 1999, Fleming escreveu um artigo profético intitulado: "O próximo choque do petróleo?" . O artigo afirmava efetivamente o que a equipe da IEA não podia escrever em seu relatório.
"A última edição da publicação anual da Agência Internacional de Energia, a World Energy Outlook, é um exemplo disso. Tem uma história para contar que afetará profundamente o futuro de cada homem e mulher na terra... A perspectiva de um choque irreversível de preços do petróleo no início da próxima década modifica profundamente a atual agenda política e econômica. As suposições de crescimento econômico sustentado e baixo desemprego irão cair por terra... Então por qual razão a IEA não grita acerca disso? Como a instituição política mais influente no negócio do petróleo, ela está numa posição delicada. Não pode simplesmente despejar isso. Não pode dizer: 'Estamos olhando para um déficit de petróleo grande e permanente, para o qual não podemos oferecer soluções' ... A IEA revelou a situação de forma codificada ."
Do seu quartel-general em Paris, a IEA levantou um poderoso mas indesejado alarme. Um contragolpe estava para cair sobre os autores no WEO de 1998...


Ato II – A sombra dos EUA


Conforme revelou o Dr.Colin Campbell, quando o artigo de 1999 da Perspectiva foi publicado, "a IEA evidentemente se meteu em sérios problemas" [1] Então, o que aconteceu por trás das paredes da Agência Internacional de Energia?

Em primeiro lugar, elementos da alta hierarquia da Administração Federal dos EUA se enfureceram ao saber o que um par de empregados civis europeus havia feito com o WEO de 1998. Mensagem codificada ou não, o que estava saindo da agência baseada em Paris era inaceitável para eles. O tipo de crise estrutural denunciada no WEO de 1998 deveria ser enterrado e silenciado.

Além disso, é importante saber que o WEO de 1998 saiu somente alguns meses depois da Perspectiva Internacional de Energia (IEO) de 1998 publicada desta vez pela Administração de Informação em Energia dos EUA (EIA). Ao contrário da IEA, a EIA nunca se preocupou em elaborar cenários de produção de energia; seus estudos sempre consistiram na modelagem da demanda, supondo então que a produção a seguiria. Muito simples, mas totalmente não-confiável. Pondo isso de lado, no IEO de 1998, a EIA chegou a conclusões animadoras e chegou a declarar que:

"Os preços do petróleo deverão permanecer relativamente baixos, e não se espera que os recursos limitem crescimentos substanciais da demanda até 2020... em 2020, projeta-se que o consumo diário mundial de petróleo excederá 115 milhões de barris/dia". [2]

Claro que isso acabou por mostrar-se pura fantasia, mas a EIA acrescentou:
"Existe agora amplo consenso de que os recursos não são um limitante chave para satisfazer aumentos na demanda mundial por petróleo até 2020".
Bem, para grande desgosto da EIA, poucos meses depois a IEA diria e demonstraria exatamente o contrário. Pode-se imaginar o quão felizes ficaram a EIA e o departamento que a abriga, o Departamento de Estado. Um artigo de 2006 sobre previsões e metodologias de produção de petróleo do Dr. Roger Bentley (Universidade de Reading) e do Professor Godfrey Boyle (Open University) similarmente mencionou "pressões políticas dos EUA e Canadá" depois da publicação do WEO de 1998. [3]

Motivados pelo que só pode ser descrito como incompetência e arrogância, elementos da administração dos EUA exerceram então grande pressão sobre a liderança da IEA. O que eles queriam? O coordenador do WEO de 1998, Bourdaire, teria que deixar a Agência. Enquanto isso, Wigley se aposentou e Miller também deixou a IEA. A equipe da IEA que escreveu o WEO de 1998 foi derrubada e seu único "sobrevivente", o Dr. Fatih Birol, agora controlando o WEO, aprenderia bastante com esses eventos.

Na realidade, o WEO de 2000, que ele projetou e geriu, suprimiu qualquer advertência sobre um problema estrutural com o petróleo:
"O Outlook (2000) vê a base de suprimento mundial de petróleo como adequada para atender a demanda ao longo do período projetado... Não se deve esperar nenhum "esmagamento da oferta".
O esmagamento da oferta aconteceu. Apesar da elevação da procura, dos altos preços e de grandes investimentos, entre 2005 e 2008, e pela primeira vez na história, a produção convencional de petróleo cessou de crescer. [4] Como esperado pela equipe de 1998 da IEA, essas tensões levaram a um choque severo nos preços do petróleo, o que enfraqueceu os fundamentos de uma economia globalizada já frágil.

Mas como a Agência conseguiu explicar a espetacular reviravolta no WEO de 2000?

Por uma feliz coincidência, em 2000, o United States Geological Survey (USGS) publicou uma extremamente otimista "Avaliação Petrolífera Mundial", que foi usada pela IEA de 2000 a 2006. Segundo os antigos funcionários da IEA que eu encontrei, "o USGS anunciou reservas gigantes com base numa metodologia completamente falha". De fato, pouco depois da publicação, Jean Laherrère, o antigo vice-gerente de exploração da Total e um renomado consultor em petróleo, fez uma análise detalhada da avaliação do USGS e concluiu que:
"A discussão que se segue demonstra que o novo estudo da USGS falhou com respeito à evidência de descobertas passadas, tanto em termos de quantidades como de taxas... Em resumo, o novo relatório da USGS é enganoso. Além disso, não é representativo dos padrões normais desta organização altamente respeitada." [6]
Laherrère adiciona, "É de se preocupar se não há uma agenda oculta" [7] por trás dos números do USGS. Dez anos depois, sabemos que os números reais eram 60% mais baixos do que os que o USGS predisse à época [8]

Significativamente, a organização não-governamental anticorrupção Global Witness (GW) identificou outro fator perturbador com o uso que a IEA fez da avaliação de 2000 da USGS. Em 2005, geólogos sênior do USGS publicaram uma atualização da avaliação de 2000 na qual avisavam que as descobertas reais eram muito mais baixas do que as que seu estudo original contemplava. Mas, como descoberto pela GW, a Agência ignorou esta avaliação, mesmo tendo sido ela publicada antes do WEO de 2005.

A GW também revelará que "correspondência com a IEA confirmou que a Agência estava ciente da baixa taxa de descobertas reais", mas não fez NADA.

A GW acrescenta:
"Dado que uma das principais funções da IEA é fornecer aos governos informação acurada a partir da qual eles possam elaborar planos econômicos, sua distorção dos dados desta maneira foi intelectualmente desonesta... A certeza exagerada da Agência, a despeito de que dados críveis, análises externas e fundamentos básicos todos sugeriam fortemente uma abordagem mais cautelosa, teve um impacto global desastroso". [9]

Falando nisso... Bentley e Bole também identificaram "sérios erros técnicos" no WEO de 2000. [10]

Apesar da IEA ter dito aos seus estados-membro em 2004 que os preços do petróleo "deveriam permanecer constantes até 2010, e então começarem a subir de forma estável a US$ 29 em 2030", [11] no mundo real os preços começaram a subir dramaticamente. Quando os preços do petróleo atingiram patamares recorde ano após ano, os cenários feitos pela Agência ficaram cada vez mais absurdos e difíceis de sustentar.

Quando as críticas [12] começaram a questionar a confiabilidade dos prognósticos da IEA, a posição do Economista-Chefe tornou-se crítica.

Desta forma, finalmente decidiu-se que a IEA publicaria em seu WEO de 2008 uma análise detalhada por campo das perspectivas da produção global de petróleo. Em dezembro de 2008, Birol admitiu que os WEO's prévios foram baseados em nada mais que uma "suposição global" [13] a qual, não surpreendentemente, acabou sendo demasiadamente otimista e portanto enganadora.

De fato, uma década depois da equipe de 1998 da IEA, a avaliação global de 2008 da IEA chegou a uma conclusão similarmente sombria. [14] E novamente parece que elementos da administração federal [15] intervieram para amaciar a avaliação pessimista feita pela IEA.

A s seguintes citações mostram aspectos interessantes do embaraçoso relacionamento da Administração dos EUA com o Pico Petrolífero:
"Há, penso eu, ampla evidência, e algumas pessoas no Departamento de Estado chegaram até a dizer isso especificamente, que as pessoas na hierarquia do Departamento de Estado, sob ambas as administrações, compreenderam que havia um problema, e suprimiram trabalhos na área... A história do Pico Petrolífero é definitivamente uma história de más notícias. Não há maneira de torná-la mais digerível..." [16]

Dr. Robert Hirsch, autor principal de um relatório [17] sobre o Pico Petrolífero para o National Energy Technology Laboratory no Departamento de Estado.

"(Steven Chu, Secretário de Energia dos EUA) era meu chefe… ele sabe tudo sobre o pico petrolífero, mas não pode falar sobre isso. Se o governo anunciasse que o pico petrolífero ameaça nossa economia, Wall Street entraria em colapso. Ele simplesmente não pode falar nada sobre isso." [18]

David Fridley, Energy Scientist, Lawrence Berkeley National Laboratory (DOE)

Ato III – O que eles não querem que você saiba

Nas partes anteriores, examinamos como a IEA foi silenciada quando acionou um sutil alarme a respeito do futuro da produção global de petróleo. Permanece uma questão crucial: por que isso interessa? Como poderia esse evento ser tão importante?

Bem, sendo a fonte de informação mais autorizada, a IEA induziu governos e empresas europeus ao erro declarando que até 2008 os preços do petróleo permaneceriam baixos. Não permaneceram. Ao fazer isso, a Agência conseguiu fazer com que energias renováveis parecessem não competitivas em relação ao petróleo. Como mencionado pelo deputado suíço e membro da Comissão Parlamentar de Energia da Suíça, Dr. Rudolf Rechsteiner, a IEA estava efetivamente "atrasando a mudança para um mundo renovável". [19] Notavelmente, o assim chamado "vigilante global do petróleo" agiu cada vez mais como um zeloso lobby da indústria petrolífera. [20]

Não obstante, a IEA pagaria um alto preço por isso quando a concorrente internacional Agência de Energias Renováveis (IRENA, na sigla em inglês) foi criada em janeiro de 2009. Por quê?
Hans Jorgen Koch, o vice-secretário do ministério de energia e mudanças climáticas da Dinamarca, disse que a IRENA tinha sido criada somente porque a IEA não estava dando suficiente destaque à mudança climática e suporte a renováveis. "Por dez anos a IEA subestimou a competitividade das fontes renováveis de energia", disse ele. [21]
Agora a questão principal: a IEA estava simplesmente sendo incompetente ou estava deliberadamente induzindo ao erro seus estados-membros da Europa? Um artigo da BBC de 2004 fornece um elemento para a resposta:
"Em público, Mr.Birol negou que o suprimento não seria capaz de atender à crescente demanda, especialmente das florescentes economias dos EUA, China e Índia. Mas depois de seu discurso ele pareceu mudar de idéia... Quando o BBC News Online prosseguiu, perguntado se esse gigantesco aumento na produção era realmente possível, e não simplesmente desejado, ele se recusou a responder. 'Vocês são da imprensa? Isso não é para vocês. Isso não é para a imprensa. '" [22]
Por que o Economista-Chefe da IEA ocultaria informação crucial à imprensa e ao público?

De modo ainda mais preocupante, quando The Guardian revelou a história sobre o informante da IEA em novembro de 2009, Campbell escreveu uma carta aberta a Terry Macalister, editor de energia do jornal. Ele explicou os eventos que cercaram o WEO de 1998 e declarou:
"Expliquei isso (a "mensagem codificada" no WEO de 1998) a um jornalista (David Fleming) que contatou o elemento dentro da IEA que estava feliz por que essa mensagem oculta importante viria a público". [23]
Tendo lido isso com grande interesse, eu imediatamente quis saber quem poderia ser o "elemento dentro da IEA". Para minha surpresa, Campbell me disse que o "elemento" era Birol, que ainda não era o poderoso Economista-Chefe da Agência. A fim de verificar esta informação, encontrei-me com Fleming em 4 de dezembro de 2009 em Londres. Fleming, um ambientalista altamente respeitado, confirmou a informação.

Ele explicou que, quando publicou seu artigo em 1999, enviou um e-mail a Birol perguntando-lhe se ele aceitaria comentar o artigo. Birol o chamou e lhe perguntou se ele aceitaria um encontro discreto. A pedido de Birol, eles se encontraram secretamente no Oxford&Cambridge Club em Londres para tomar chá. Fleming se lembrava perfeitamente de que eles entraram numa sala tranqüila, e quando Birol se sentou parece que até olhou para trás para checar se ninguém poderia ouvir o que ele estava para dizer.

De acordo com Fleming, Birol então lhe disse: "Há seis pessoas no mundo que compreendem isso". Parece que ele estava se referindo a pessoas como Campbell. Fleming acrescentou que Birol fez a seguinte confidência sobre seu artigo: "você está certo". Ele supostamente disse que o "petróleo não identificado não-convencional" era na verdade um código e que era improvável que a OPEC alguma vez o quebrasse. Durante a discussão, Birol explicou que a IEA foi obrigada, e até reclamou da interferência dos EUA, ou assim recordava Fleming.

Fleming ainda tinha uma opinião muito boa sobre Birol quando eles conversaram. Durante seu encontro, Birol foi "muito perceptivo" e aparentemente até ofereceu sua ajuda. Quando eu perguntei a Fleming em que estado de espírito Birol estava, e se ele parecia ansioso ou nervoso, Fleming me disse que "de jeito algum". Ele parecia "espirituoso" e "em boa forma". Ele até se lembrou de uma piada que Birol fez, "this is a lovely club, but not a lively one" (esse é um clube adorável mas nao animado), boa piada, lembrava-se Fleming.

Minha pergunta : por que o Economista-Chefe da IEA tinha dito publicamente desde 2000 que a produção global de petróleo podia aumentar até 2030, desde que investíssemos, enquanto em 1999 ele supostamente, em segredo, confirmou que a produção global de Petróleo começaria a declinar por volta de 2014? Teria sido porque ele viu o que aconteceu ao seu antigo chefe quando este corajosamente tentou informar os estados-membros da IEA sobre a seriedade da situação?

Contatei o assistente de Birol na IEA e perguntei se ele comentaria a respeito do encontro com Fleming: meu pedido ainda está por ser respondido.

Um relatório [24] encomendado pelo Departamento de Energia dos EUA concluiu que necessitaríamos de 20 anos para nos prepararmos para o Pico Petrolífero, caso contrário enfrentaríamos "custos econômicos, sociais e políticos sem precedentes". Doze anos cruciais foram perdidos, quantos mais desperdiçaremos até que finalmente comecemos a nos preparar para este evento "sem precedentes" ?

Como tive oportunidade de dizer recentemente durante minha apresentação sobre o Pico Petrolífero e a IEA à Comissão Europeia, um inquérito independente e completo sobre as ações da Agência é urgentemente necessário. Além disso, deve-se considerar a criação de uma Agência Européia de Energia independente e transparente.

O tempo está se esgotando.
18/Maio/2010
              Notas
1 http://www.peakoil.net/files/Campbell_comments_20091110.pdf
2 http://tonto.eia.doe.gov/ftproot/forecasting/048498.pdf
3 http://www.envplan.com/abstract.cgi?id=b33063t
4 www.globalwitness.org
5 blogs.ft.com
6 http://www.oilcrisis.com/laherrere/usgs2000/
7 Ibid
8 http://www.davidstrahan.com/blog/?p=69
9 www.globalwitness.org
10 http://www.envplan.com/abstract.cgi?id=b33063t
11 http://www.iea.org/weo/2004.asp
12 http://www.davidstrahan.com/blog/?p=71
13 http://www.guardian.co.uk/business/2008/dec/15/oil-peak-energy-iea
14 www.theecologist.org
15 www.guardian.co.uk/environment/2009/nov/09/peak-oil-international-energy-agency
16 www.aspousa.org
17 http://www.netl.doe.gov/publications/others/pdf/oil_peaking_netl.pdf
18 http://www.bohemian.com/bohemian/06.17.09/feature-0924.html
19 http://www.guardian.co.uk/environment/2009/jan/08/windpower-energy
20 www.businessgreen.com
21 www.businessgreen.com/business-green
22 http://news.bbc.co.uk/2/hi/business/3777413.stm
23 www.guardian.co.uk
24 http://www.peakoil.net/files/Campbell_comments_20091110.pdf
25 http://www.netl.doe.gov/publications/others/pdf/oil_peaking_NETL.pdf

[*] Estudante de pós graduação no King's College em Londres (Departamento de Geografia). Trabalho na questão do Pico Petrolífero há mais de um ano. Como entrevistou especialistas dos dois lados do debate, seu trabalho tornou-se uma fonte de pesquisa dentro da indústria petrolífera. Em 10 de novembro de 2009, The Guardian publicou um notícia sobre um informante da IEA, a qual foi principalmente baseada em sua pesquisa ("Key oil figures were distorted by US pressure, says whistleblower" – "Números chave sobre o petróleo foram distorcidos por pressão americana, diz informante").
Em 22 e 23 de fevereiro de 2010 fez apresentações sobre o tema no Parlamento Alemão para deputados, jornalistas e cientistas (inclusive um conselheiro político da BP). O jornal alemão Die Zeit escreveu sobre isso, e mais recentemente The Ecologist publicou um artigo sobre a sua pesquisa ("How a 22-year-old student uncovered peak oil fraud" – "Como um estudante de 22 anos revelou a fraude do pico petrolífero"). (http://twitter.com/LionelBadal)

O original encontra-se em: petrole.blog.lemonde.fr (parte 1), petrole.blog.lemonde.fr petrole.blog.lemonde.fr (parte 3). Tradução de RMP. (parte 2)

Este artigo encontra-se em http://resistir.info/ .