Mostrar mensagens com a etiqueta Répteis. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Répteis. Mostrar todas as mensagens

domingo, 4 de outubro de 2026

Faz mal deixar o gato ir à rua sozinho?


Gatos domésticos e a biodiversidade: o impacto silencioso na vida selvagem
Durante décadas, existiu o mito de que os felinos precisam de "liberdade" e de acesso à rua para terem uma vida plena e feliz. No entanto, a realidade atual desmente esta ideia. Deixar o seu felino passear sozinho e sem supervisão é, hoje em dia, um dos maiores riscos para a sua sobrevivência e, simultaneamente, uma ameaça silenciosa para o equilíbrio ambiental.
Embora o gato doméstico (Felis catus) seja um companheiro dócil dentro de quatro paredes, as suas garras e dentes escondem um predador altamente eficaz. Quando sai de casa, o seu instinto de caça permanece totalmente intacto. Ele não caça por fome, mas sim por puro reflexo natural. O resultado deste comportamento assume proporções alarmantes à escala global, com milhares de milhões de aves e pequenos mamíferos a perderem a vida todos os anos devido à predação felina.

O impacto global em números
Os números associados à predação felina são alarmantes. Um grande estudo internacional publicado na Nature Communications revelou que os gatos em liberdade consomem mais de 2.000 espécies de animais diferentes em todo o mundo, incluindo centenas que se encontram sob ameaça de conservação.
Apenas nos Estados Unidos, as estimativas apontam para a perda anual de aves - entre 1,3 e 4 mil milhões de indivíduos.  Mamíferos: entre 6,3 e 22,3 mil milhões de pequenos animais.

De acordo com dados analisados pela BBC News Brasil, esta pressão predatória contínua já associou os gatos à extinção moderna de pelo menos 63 espécies de aves, mamíferos e répteis.

A vulnerabilidade das ilhas e habitats isolados
O problema atinge proporções críticas em ecossistemas insulares. Como muitas espécies nativas evoluíram em ambientes sem a presença de mamíferos carnívoros rápidos, elas não possuem estratégias de defesa ou fuga eficazes. Em Portugal, este risco é visível em territórios como os Açores e a Madeira, onde projetos de conservação como o Natura@Night da SPEA monitorizam o impacto de gatos assilvestrados em aves marinhas vulneráveis, como as cagarras.

A realidade em Portugal Continental
A discussão ganha ainda mais relevância com os dados recentes do Primeiro Censo Nacional de Animais Errantes, coordenado pela Universidade de Aveiro em parceria com o Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF). O estudo confirmou a existência de cerca de 830 mil gatos errantes nas áreas urbanizadas do país.
Além da predação direta da fauna urbana, o ICNF alerta no seu canal oficial para outro perigo ecológico: a hibridização. O cruzamento de gatos domésticos abandonados com o raro gato-bravo (Felis silvestris) - uma espécie classificada "Em Perigo" de extinção em Portugal - ameaça a integridade genética da fauna selvagem nativa.

Os perigos invisíveis da rua para a saúde do gato e saúde pública
Os gatos domésticos não devem andar na rua sozinhos e sem supervisão devido a uma combinação de riscos graves para a sua própria segurança, para a saúde pública e para o equilíbrio do meio ambiente. [1, 2]
Os veterinários e as principais associações de bem-estar animal recomendam que vivam exclusivamente no interior (ou com acesso vedado) pelos seguintes motivos estruturais: [1, 2]

1. Riscos letais imediatos para o gato
A rua é um ambiente hostil para um animal domesticado. Os gatos com acesso livre à rua enfrentam perigos constantes que reduzem drasticamente a sua esperança média de vida: [1, 2, 3]
  1. Atropelamentos: é uma das causas mais comuns de morte súbita. Os gatos não têm perceção do perigo do trânsito automóvel. [1, 2, 3, 4]
  2. Envenenamentos: seja por ingestão acidental de químicos (como anticongelante de carros), raticidas ou plantas tóxicas, o risco de intoxicação é altíssimo. [1, 2]
  3. Maus-tratos e violência: infelizmente, os animais na rua estão expostos à crueldade humana, armadilhas ou ataques de cães. [1, 2]
  4. Lutas territoriais: os gatos são extremamente territoriais. As brigas com outros gatos de rua causam ferimentos graves, abcessos e infeções que necessitam de intervenção cirúrgica. [1, 2, 3]
2. Transmissão de doenças incuráveis
Mesmo que um gato seja vacinado, as saídas à rua expõem-no a vírus altamente contagiosos e fatais entre felinos. Estudos recentes mostram que gatos com acesso à rua têm taxas de doenças infeciosas semelhantes às de gatos totalmente errantes. Os principais riscos são: [1, 2, 3]
  1. FIV e FeLV: o Vírus da Imunodeficiência Felina (FIV) e a Leucemia Felina (FeLV) não têm cura e são transmitidos facilmente através de mordeduras, arranhões ou partilha de fluidos na rua. [1, 2]
  2. Zoonoses (risco para os humanos): os gatos que andam na rua podem trazer para dentro de casa parasitas (pulgas, carraças, desinterias por vermes) e doenças transmissíveis ao ser humano, como a toxoplasmose e a raiva. [1, 2]
3. Destruição da biodiversidade local
Como vimos anteriormente, o instinto de caça do gato não desaparece por ele ter comida em casa. Um gato doméstico na rua torna-se um predador invasor que caça aves, lagartos e pequenos mamíferos nativos apenas por reflexo. Esta pressão ecológica contribui para o declínio de espécies protegidas e desequilibra a fauna urbana. [1, 2, 3, 4]

Medidas de prevenção e guarda responsável
A mitigação deste impacto silencioso não passa por diabolizar os felinos, mas sim por promover uma mudança de comportamento nos seus tutores. Algumas das recomendações estruturais apoiadas por especialistas incluem:
  1. Acesso controlado ao exterior: manter os gatos domésticos dentro de casa ou construir espaços exteriores vedados e seguros. Quem procura inspiração prática pode consultar várias Ideias para fazer um cercado externo (catios), que permitem adaptar janelas, pátios ou varandas para dar liberdade vigiada ao animal sem riscos.
  2. Estilo de vida enriquecido: para evitar o tédio e a ansiedade de estar apenas no interior, o tutor deve aplicar estratégias descritas num Guia de enriquecimento ambiental para gatos. Isto inclui a instalação de arranhadores altos, jogos de procura e o fornecimento de dietas ricas em proteína animal para satisfazer o reflexo natural de caça de forma segura.
  3. Controlo de populações de rua: apoiar os programas municipais de esterilização para travar o crescimento exponencial de colónias errantes. De acordo com o enquadramento legal de Detenção de Animais de Companhia do ICNF, a promoção da guarda responsável e o controlo destes animais em ambiente urbano (através de programas como o CED - Capturar, Esterilizar, Devolver) são passos cruciais para proteger tanto o bem-estar animal como a fauna selvagem nativa.

sexta-feira, 21 de agosto de 2026

Veneno das víboras da Europa não evoluiu para causar dor, mas sim para subjugar presas

Muitas vezes, os venenos das serpentes estão associados a dores intensas. Essa é uma das mais fortes razões pelas quais muitas pessoas as temem.

Contudo, uma investigação encabeçada por cientistas da Universidade de Bangor (Reino Unido), em colaboração com instituições europeias e australianas, revela que, pelo menos neste caso, não foi para causar dor que o veneno das víboras da Europa evoluiu.

A equipa analisou os venenos quatro espécies de víboras – Vipera ursinii, Vipera ammodytes, Vipera aspis e Vipera berus – para tentar responder a uma questão que, por muito tempo, tem permanecido sem resposta: como é que essas serpentes equilibram a função defensiva do veneno (para se protegerem de predadores) com a função de captura de presas (que requer a imobilização rápida da presa)?

A dor faz com que as vítimas se contorçam em agonia, o que pode aumentar a probabilidade de o predador ser ferido, e gravemente, e de a presa escapar. Por outro lado, um veneno concebido para subjugar as presas pode não servir de grande aviso para os predadores das serpentes.

“Esperávamos encontrar evidências de que algumas víboras evoluíram componentes do veneno especificamente para causar dor rapidamente, como mecanismo de defesa”, recorda Wolfgang Wüster, principal coautor do estudo.

“Em vez disso, não encontrámos quaisquer evidências de que os venenos ativam diretamente células nervosas sensíveis à dor. Isso sugere que, nas víboras europeias, a evolução do veneno é, principalmente, impulsionada pela necessidade de subjugar a presa”, detalha.

As glândulas de veneno das serpentes conseguem produzir apenas tipos específicos de venenos consoante a espécie, o que significa que umas produzem venenos com determinadas funções e efeitos e outras com outros.

Os investigadores começaram o estudo convictos de que víboras que se alimentam de animais com menos defesas, como insetos, podiam ter desenvolvido toxinas para produzir dor para defesa.

Não sendo preciso grande esforço “venenoso” para subjugar os insetos dos quais se alimentam, essas serpentes podiam ter orientado o veneno para a proteção contra predadores e outras ameaças. O inverso seria esperado de espécies que se alimentam de presas que podem causar mais danos às serpentes, como os roedores, com garras e dentes afiados.

Contudo, não foi isso que constataram, testando os venenos das diferentes víboras europeias em laboratório em células sensíveis à dor. Independentemente da dieta que tenham, nenhum dos venenos desses répteis evoluiu especificamente para causar a dor.

Assim, concluem os autores deste trabalho que a seleção natural deu prioridade à eficiência na caça em detrimento da produção de dor como defesa durante a evolução dos venenos das víboras europeias.

“Isto desafia a ideia de que as funções de defesa e predação impulsionam a evolução do veneno em diferentes direções nas serpentes”, afirma Bálint Üveges, primeiro autor do artigo. “Os nossos resultados indicam que a captura de presas é a força dominante que molda a composição do veneno nestas espécies.”

Saber mais:

terça-feira, 23 de junho de 2026

Alterações climáticas estão a causar mais extinções locais de espécies em zonas temperadas

Salamandra-europeia (Salamandra salamandra)

As alterações climáticas estão a causar mais extinções locais de espécies nas regiões temperadas do que nos trópicos, revelou um estudo da Universidade do Arizona divulgado no dia 18 de junho.

Segundo os cientistas, a principal razão é que as regiões temperadas estão a aquecer mais depressa dos que as tropicais.

Os investigadores descobriram que 49% das espécies de regiões temperadas sofreram extinção local nas áreas mais quentes em que se encontram implantadas, em comparação com 33% das espécies tropicais.

O trabalho, publicado na revista científica ‘Nature Climate Change‘, abrangeu cerca de 5.100 espécies de animais e plantas e desafia as ideias de longa data relativamente às espécies que estão mais ameaçadas, de acordo com os autores.

Entre os objetos de análise, estão centenas de espécies de borboletas e besouros, centenas de peixes e aves, mamíferos, rãs, salamandras e lagartos e quase 3.000 plantas.

A investigação, apresentada como a maior análise já realizada sobre extinções locais de espécies impulsionadas pelo clima, baseou-se em levantamentos da biodiversidade em quase 40.000 locais no mundo e permitiu comparar registos históricos com dados recolhidos mais recentemente.

“Durante décadas, os cientistas acreditaram que as espécies de climas temperados eram menos vulneráveis às alterações climáticas”, disse o autor principal do trabalho, Gopal Murali, da Universidade do Arizona, Estados Unidos, citado em comunicado. “Estamos surpreendidos com os resultados”, admitiu.

Os novos dados revelaram-se consistentes em diferentes grupos de organismos, incluindo insetos, vertebrados, plantas e espécies marinhas e de água doce.

Outro autor sénior da investigação, John Wiens, afirmou ter publicado em 2016 um estudo com 976 espécies, utilizando o mesmo tipo de dados, mas com conclusões diferentes: “Mostrou o padrão exatamente oposto, com mais extinções locais entre espécies tropicais”.

“O mundo mudou desde 2016”, disse Wiens, referindo que houve mais aquecimento na zona temperada da Terra, especialmente em latitudes mais elevadas.

“É possível que o padrão se tenha simplesmente invertido nas últimas décadas, o que ajuda a explicar a mudança nos resultados. Verificamos que as extinções em regiões temperadas superaram as das regiões tropicais”, disse.

As extinções locais observadas não significam que a espécie inteira foi extinta em todo o mundo, mas demonstram que as populações não conseguem sobreviver à transformação das condições ambientais numa determinada região.

“Perdas semelhantes ao longo da área de distribuição de uma espécie podem levar à extinção da espécie como um todo”, precisaram os cientistas.

“Normalmente, as pessoas pensam que uma espécie se move, simplesmente, para uma zona mais fria quando o clima aquece. Mas descobrimos que mais de 70% das espécies não está a fazer isso”, revelou Wiens.

“No essencial, a vida e a morte da maioria das espécies pode ser determinada por essas extinções locais e pela capacidade de as populações conseguirem, ou não, sobreviver no próprio local”, concluiu.

sexta-feira, 8 de maio de 2026

A evolução pode ser limitada por uma lei universal da temperatura


Todos os seres vivos, desde as bactérias, passando pelas algas e árvores, até aos elefantes e baleias, parecem ter um limite de temperatura em que o seu organismo pode viver. Isso é óbvio para os animais de "sangue quente", ou seja, os mamíferos e aves, que têm termorregulação e já estão no seu óptimo de temperatura, mas para todos os outros que dependem da temperatura ambiente, cujo limite, quando ultrapassado, causa stress nos seus organismos e podem extinguir populações inteiras.
Os cientistas descobriram um único padrão que parece governar como toda a vida responde à temperatura.
Numa análise maciça de mais de 30.000 medições em cerca de 2.700 espécies, pesquisadores descobriram que organismos de micróbios a mamíferos seguem todos a mesma regra subjacente - conhecida como Curva de Desempenho Térmico Universal.
O padrão é surpreendentemente simples.
À medida que a temperatura aumenta, a atividade biológica acelera - as células dividem-se mais rapidamente, os animais movem-se mais rapidamente, os ecossistemas tornam-se mais produtivos. Mas só até certo ponto. Então tudo muda.
Uma vez que um organismo atinge a sua temperatura ótima, mesmo um pequeno aumento pode causar a queda do desempenho rapidamente. O crescimento abranda, os sistemas falham e a sobrevivência torna-se mais difícil.
Este padrão de ascensão e queda forma uma curva universal - uma que parece aplicar-se em quase todas as formas de vida.
O que é impressionante é que organismos muito diferentes - desde bactérias e plantas a peixes, aves e mamíferos - podem ser mapeados nesta mesma forma quando os seus dados são ajustados corretamente.
Os cientistas há muito que estudam estas "curvas de desempenho térmico", mas esta pesquisa sugere que são todas variações de um único modelo partilhado.
Isso não substitui a evolução - mas revela um limite.
A evolução pode mudar onde uma espécie se senta na curva, ajudando-a a adaptar-se a diferentes temperaturas. Mas pode não ser capaz de escapar completamente da curva.
E isso tem sérias implicações.
Muitas espécies, especialmente em climas estáveis como os trópicos, já vivem perto da temperatura máxima. Isso significa que mesmo um pequeno aumento - apenas alguns graus Celsius - poderia levá-los para além do seu limite.
Pesquisadores dizem que este modelo pode ajudar a prever quais espécies estão mais em risco à medida que o planeta aquece.
Leia os estudos:

sábado, 10 de janeiro de 2026

King Dude - The Hottest Girl on Earth


A canção “The Hottest Girl on Earth” de King Dude foi lançada em 20 de agosto de 2021 como parte do álbum Beware of Darkness, uma coletânea de covers, B‑sides, demos e algumas faixas inéditas lançada nessa mesma data.
A canção “The Hottest Girl on Earth” fala de um narrador obcecado pela “garota mais quente da Terra”, disposto a ir para qualquer lugar mais quente onde ela esteja, mesmo que enfrente perigos como cobras ou aranhas. O tom da música é exagerado e humorístico, transmitindo de forma cómica a intensidade de uma paixão, sem recorrer a simbolismos profundos ou mitológicos, funcionando como um hino romântico e irónico dentro da estética de King Dude.

terça-feira, 21 de outubro de 2025

Ovoviviparia

Lampropholis guichenoti

Num estudo científico foi observada, na Austrália, a evolução em tempo real. As fêmeas de uma população de um lagartixa que põe ovos (ovíparas) evoluíram e passaram a incubar os ovos dentro de si (ovovivíparas), enquanto outras populações se mantiveram a pôr ovos. Isso aconteceu numa região mais fria e é uma adaptação de sobrevivência às condições adversas, como acontece com as nossas víboras, e é um testemunho raro da evolução em directo.

Fontes:

segunda-feira, 29 de julho de 2024

Mais de 1500 animais atropelados nas estradas portuguesas em 2023. Taxa de mortalidade é superior nos gatos


No ano de 2023 foram registados no continente 1.539 atropelamentos de animais nas estradas geridas pela Infraestruturas de Portugal (IP), menos 28,3% do que em 2022, de acordo com o relatório mais recente do organismo.

A recolha dos dados sobre a mortalidade da fauna nas estradas portuguesas é feita desde 2010 pelas Unidades Móveis de Intervenção e Apoio (UMIA) distritais da IP.

Relativamente ao relatório de 2023, o mais recente da empresa, a informação é relativa a cerca de 13.830 quilómetros de vias que estão sob gestão direta da IP, na sua maioria estradas nacionais (EN) ou regionais (ER).

Em 2023 foram registados 1.539 atropelamentos no continente, o que representa uma diminuição em cerca de 28,3% do valor registado em 2022 (2.147) e 37,7% mas baixo do que o valor médio dos anos 2015 a 2022 (2.471,9).

Em declarações à agência Lusa, a bióloga Graça Garcia, coordenadora do relatório, explicou que “é natural existirem flutuações nestes números, decorrente de variáveis como o clima, disponibilidade alimentar, as doenças epidemiológicas, assim como as alterações nos níveis de tráfego”.

Contudo, a responsável ressalvou que “a IP tem levado a cabo nos últimos anos um conjunto de medidas que têm contribuído para diminuir o número de atropelamentos”.

“A continuidade do Programa de Monitorização da Mortalidade de Fauna permite avaliar a eficácia das medidas implementadas, tendo já sido possível perceber uma redução da mortalidade das espécies-alvo na maioria dos troços intervencionados, demonstrando que os objetivos do programa estão a ser cumpridos”, sublinhou.

De acordo com o relatório, os animais domésticos foi um dos grupos que registou mais mortalidade, com 488 ocorrências, constituindo 32% dos registos totais de 2023.

Dentro deste grupo, os registos de maior mortalidade nas estradas foram de gatos, uma vez que “têm mais facilidade em trepar as vedações existentes nas autoestradas”.

No que respeita a animais silvestres, a maior incidência verificou-se nos mamíferos carnívoros (70,6%), maioritariamente raposas, seguindo-se as aves (23,5%), como as garças-boleiras e as aves noturnas de rapina.

Em menor número foram os répteis (3,3%) e os anfíbios (2,4%), o que poderá estar relacionado com “a sua baixa detetabilidade e elevada taxa de degradação”.

No que respeita a animais de grande porte, as ocorrências aumentaram relativamente ao ano anterior, tendo sido registadas as mortes de quatro corços, nove veados e 63 javalis.

As estradas identificados como mais problemáticos pela IP foram o Itinerário Complementar 1 (IC1), o IC33 (Santiago do Cacém – Grândola), Estrada Nacional 4 (EN4, Montijo – Elvas), EN114 (Peniche – Évora), EN18 (Guarda — Ervidel), EN380 (Évora), IC8 (Pombal – Vila Velha de Ródão), EN260 (Beja — Vila Verde de Ficalho) e IC27 (Castro Marim -Alcoutim).

A melhoria das vedações existentes e a construção em estradas onde não existem, assim como a edificação de passadiços e a realização de obras de beneficiação são algumas das medidas que a IP tem levado a cabo no sentido de reduzir o número de animais que são atropelados.

“De referir, ainda, que foi recentemente implementada uma solução de alerta aos condutores, em tempo real, da presença de linces ibéricos junto à estrada, através da aplicação móvel ‘Waze’, para reforçar a sua atenção e reduzir o risco de atropelamento”, explicou a coordenadora do relatório.

domingo, 2 de junho de 2024

Descobertos fósseis que podem ter sido dos maiores animais do mundo


Entre 1976 e 1990 foram descobertos restos fósseis que pertencem a três novos ictiossauros na Formação Kössen, nos Alpes Suíços. Os paleontólogos encontraram um dente que acreditam ser o maior de que há registo, com uma largura duas vezes maior do que qualquer réptil aquático conhecido. Além disso, encontraram também a maior vértebra de tronco da Europa, que pertencia a um ictossauro, e que compete com o maior fóssil de réptil marinho descoberto até hoje – um da espécie Shastasaurus sikkanniensis, com 21 metros de comprimento. O grupo acredita, por isso, que estes fósseis desenterrados na Suíça podem pertencer aos maiores animais que já viveram no Planeta.

“Talvez existam mais restos das gigantes criaturas marinhas escondidas debaixo das geleiras”, sugere Martin Sander, principal autor do estudo. “Haviam apenas três grupos de animais que tinham massas superiores a 10-20 toneladas métricas: dinossauros de pescoço longo (saurópodes); baleias; e os ictiossauros gigantes do Triássico”, explica.

Os ictiossauros surgiram na Terra há cerca de 250 milhões de anos atrás, e atingiram a sua maior diversidade no Triássico Médio, tendo ainda algumas persistido durante o período Cretáceo. O seu corpo era idêntico ao das baleias, e o focinho muito parecido ao dos golfinhos.

Os espéciemes gigantes foram encontrados principalmente na América do Norte, mas também nos Himalaias e na Nova Caledónia. Contudo, esta descoberta confirma a expansão dos mesmos, que era ainda desconhecida.

“Em Nevada, vemos o início dos verdadeiros gigantes, e nos Alpes, o fim. Apenas os golfinhos de médio a grande porte – e com formas semelhantes às orcas sobreviveram no Jurássico”, afirma Martin Sander.

segunda-feira, 20 de maio de 2024

O verdadeiro custo da reprodução no reino animal

Verdilhão (Chloris chloris)

Um novo estudo publicado na revista Science e liderado por biólogos da Universidade Monash revela que o custo energético da reprodução é muito maior do que se pensava anteriormente.

A investigação, liderada por Samuel C Ginther, da Escola de Ciências Biológicas, desafia os pressupostos há muito defendidos sobre a dinâmica energética da reprodução e as suas implicações para a evolução da história de vida.

O estudo concluiu que a energia investida pelos progenitores na reprodução inclui não só a contida nos próprios descendentes (custos diretos), mas também a energia gasta para os produzir e transportar (custos indiretos). Na maioria das espécies, os custos indiretos, como a carga metabólica da gravidez, excedem os custos diretos.

A equipa de investigação analisou dados de 81 metazoários, desde rotíferos a seres humanos, para estimar os custos energéticos totais da reprodução e dos seus componentes. Esta abordagem global fornece um novo quadro para a compreensão da dinâmica energética da reprodução numa vasta gama de animais.

Embora os cientistas tenham compreendido os custos energéticos diretos associados à descendência (como a energia utilizada para a criar e alimentar), os custos indiretos – a carga metabólica da gravidez e dos cuidados parentais – têm sido largamente ignorados. Esta nova investigação revela que estes custos indiretos podem ser imensos.

Por exemplo, nos mamíferos, apenas cerca de 10% da energia utilizada na reprodução é canalizada para os próprios descendentes. No entanto, 90% é gasta no processo de gestação, que exige muito metabolismo. Os seres humanos, com as suas gravidezes prolongadas, têm alguns dos custos indiretos mais elevados, atingindo cerca de 96%.

Descobertas importantes para perceber como é que os animais evoluem e se adaptam aos seus ambientes

“Os resultados foram surpreendentes”, afirmo Ginther, revelando que descobriram que, para muitos animais, a energia gasta simplesmente no transporte e nos cuidados com a prole antes do nascimento “ultrapassa de longe a energia investida na própria prole”.

“Estas descobertas têm implicações significativas para a compreensão da forma como os animais evoluem e se adaptam aos seus ambientes. Também levantam preocupações sobre o potencial impacto das alterações climáticas no sucesso reprodutivo das espécies, uma vez que o estudo concluiu que os custos indiretos são particularmente sensíveis às flutuações de temperatura”, acrescenta.

O estudo concluiu que os mamíferos despendem mais energia na reprodução do que os ectotérmicos (anfíbios, répteis, peixes, etc.), representando os custos indirectos cerca de 90% do total das suas despesas de energia reprodutiva, enquanto os ectotérmicos que vivem têm custos indirectos mais elevados do que as espécies que põem ovos.

“O estudo altera fundamentalmente a nossa compreensão da dinâmica energética da reprodução e do seu profundo impacto nos fluxos de energia de um organismo”, afirma o coautor do estudo, o Professor Dustin Marshall, também da Escola de Ciências Biológicas da Universidade de Monash.

“O estudo também destaca a sensibilidade dos custos da energia reprodutiva ao aquecimento global, particularmente nos ectotérmicos”, adianta.

Dustin Marshall explica ainda que “as temperaturas mais quentes podem aumentar as taxas metabólicas, aumentando potencialmente os custos indiretos da reprodução”.

“Isso pode levar a descendentes menores e ter implicações para a reposição da população num mundo em aquecimento”, conclui.

domingo, 19 de novembro de 2023

Por que é que os chineses comem animais exóticos?


Um artigo publicado pela revista científica The Lancet, intitulado “Game consumption and the 2019 novel coronavirus”, assinado por Jie Li, da Universidade de Guangzhou e Jun Li, da Universidade de Ningxia, juntamente com mais cinco autores chineses, explica as razões que estão por detrás de uma prática muito comum na sociedade chinesa desde há vários séculos.​

“A prática do consumo de carne e produtos oriundos de animais selvagens na China data de períodos pré-históricos. Nos tempos modernos, apesar deste tipo de comércio não ser essencial à alimentação, a tradição de comer este tipo de animais persiste”, lê-se no artigo.​

De facto, no período entre 1959 e 1961, terão morrido cerca de 15 milhões de pessoas devido à Grande Fome. Preocupado com um novo período de escassez de alimentos, em 1979, o governo chinês temia não conseguir voltar a alimentar os seus milhões de habitantes. Nessa altura, abriu a atividade agrícola a grandes grupos de privados que começaram a produzir galinha, porco e vaca. Os pequenos agricultores, que ficaram sem soluções, decidiram começar a criar animais selvagens, como cobras e tartarugas. O governo chinês apoiou esta iniciativa. ​

Ao mesmo tempo, com base em crenças antigas, muitas famílias acreditam que comer órgãos de animais selvagens pode curar ou prevenir doenças. Por exemplo, acreditam ainda que a carne de pangolim ajuda a aliviar o reumatismo, que o seu sangue ajuda a promover a circulação sanguínea, e as escamas um bom aliado nos tratamentos estéticos. “A cultura alimentar chinesa sustenta que os animais recém-abatidos são mais nutritivos e essa crença pode aumentar a transmissão viral”, salientam os cientistas chineses. ​

Por definição, animal exótico é todo aquele que não ocorre naturalmente numa determinada região geográfica e que foi trazido acidental ou intencionalmente pelo homem. ​

segunda-feira, 25 de setembro de 2023

Ações humanas estão a eliminar “ramos inteiros da árvore da vida”

Um par de lobos-da-tasmânia no Zoológico de Hobart antes de 1921

A extinção em massa provocada pelo ser humano está a eliminar espécies, mas também “ramos inteiros da árvore da vida”, alertam os autores de um estudo da Universidade norte-americana de Stanford.

Uma análise feita em conjunto com a Universidade Nacional Autónoma do México, publicada na revista científica Proceedings of the National Academy of Sciences, mostra que os humanos estão a fazer desaparecer espécies, mas também géneros, a categoria superior em que os taxonomistas classificam os seres vivos.

Os cientistas dão como exemplo três vítimas recentes do que muitos consideram ser a sexta extinção, uma vez que as ações humanas estão a eliminar espécies de animais vertebrados centenas de vezes mais depressa do que se não existissem essas ações.

Falam do pombo-passageiro, uma espécie extinta no início do século passado e que era endémica da América do Norte, falam do lobo da Tasmânia, um marsupial da Austrália também extinto no século passado, e falam do Baiji, o golfinho do rio Yang-tze, na China, uma das espécies de golfinho de água doce e também extinto. Cada uma destas espécies foi também o último membro do seu género.

Até agora, o interesse público e científico tem incidido na extinção das espécies. Mas no estudo agora divulgado, Gerardo Ceballos, da universidade mexicana, e Paul Ehrlich, de Stanford, descobriram que géneros inteiros também estão a desaparecer, naquilo a que chamam uma “mutilação da árvore da vida”.

“A longo prazo, estamos a fazer uma grande mossa na evolução da vida no planeta”, diz Gerardo Ceballos, alertando que por isso, neste século, se vai causar “muito sofrimento à humanidade”.

Paul Ehrlich, noutra abordagem, salienta que as ações do Homem estão a fazer com que este perca os únicos companheiros vivos conhecidos em todo o universo.

Os dois investigadores usaram bases de dados de entidades como a União Internacional para a Conservação da Natureza ou a “Birdlife International” e examinaram 5.400 géneros de animais vertebrados terrestres, abrangendo 34.600 espécies.

E concluíram que desde o século XV foram extintos 73 géneros de vertebrados terrestres, com as aves a sofrerem as maiores perdas, com 44 géneros extintos, seguindo-se os mamíferos e depois os anfíbios e depois os répteis.

Com base na taxa histórica de extinção de géneros entre os mamíferos, estimam os responsáveis que a atual taxa de extinção de géneros de vertebrados exceda em 35 vezes a do último milhão de anos.

Ou seja, sem a influência humana, a Terra teria perdido apenas dois géneros nesse período. Em cinco séculos as ações humanas extinguiram géneros que sem elas levariam 18.000 anos a desaparecer.

“Como cientistas, temos de ter cuidado para não sermos alarmistas”, afirma Gerardo Ceballos, acrescentando que a gravidade das descobertas exige “uma linguagem mais forte do que o habitual”.

“Não seria ético não explicar a magnitude do problema, uma vez que nós e outros cientistas estamos alarmados”.

O responsável explica que a muitos níveis as extinções de géneros são mais graves do que as extinções de espécies, porque quando uma espécie se extingue outra do mesmo género pode preencher esse papel no ecossistema. Em termos de árvore da vida é como se um único galho caísse e à sua volta outros se ramificassem.

O pior, acrescenta, é quando ramos inteiros (géneros) caem, o que “deixa um enorme buraco na copa das árvores” que pode demorar milhões de anos a ser tapado.

“A humanidade não pode esperar tanto tempo pela recuperação dos seus sistemas de suporte de vida”, já que “a estabilidade da nossa civilização depende dos serviços prestados pela biodiversidade da Terra”, frisa.

Gerardo Ceballos dá o exemplo da doença de Lime (transmitida por carrapatos), que está a aumentar: os ratos de patas brancas, principais portadores da doença, costumavam competir com os pombos-passageiros por alimentos e com o desaparecimento destes as populações de ratos aumentaram e com eles os casos da doença.

Neste caso, está envolvido o desaparecimento de um único género, mas uma extinção em massa de géneros pode significar uma explosão proporcional de desastres para a humanidade, avisa o responsável.

Para se evitarem novas extinções e consequentes crises sociais, os dois investigadores apelam a uma ação política, económica e social imediata e a uma escala sem precedentes.

Os esforços de conservação, dizem, devem ser prioritários nas regiões tropicais, uma vez que estas apresentam a maior concentração de extinções de géneros e de géneros com apenas uma espécie remanescente.

De acordo com o sistema que organiza os seres vivos, a espécie é definida como um grupo de organismos que se podem reproduzir e originar novos seres e o género é um conjunto de espécies.

segunda-feira, 14 de agosto de 2023

Dia Mundial do Lagarto: 4 curiosidades que talvez desconheça sobre este grupo de répteis


Chamamos lagarto, sensu latu, a um grupo de répteis pertencentes aos Squamata, geralmente quadrúpede, que inclui mais de 7.000 espécies, incluindo espécies tão emblemáticas como os camaleões ou os dragões de Komodo e outras tão próximas do nosso dia-a-dia como são as inúmeras espécies de lagartixas ou osgas.

Estas podem ser encontradas um pouco por todo o mundo, exceto em locais onde se registam temperaturas extremamente frias (como a Antártida) e algumas ilhas.

No entanto, é importante notar que “lagarto” não é um termo com validade taxonómica. Isto porque, da maneira que o termo é normalmente utilizado, designa um grupo parafilético, ou seja, deixa de fora animais (nomeadamente as cobras e anfisbaenas) que são parentes mais directos de alguns dos seus membros do que os restantes.

Neste Dia Mundial do Lagarto, debrucemo-nos sobre alguns factos interessantes sobre este grupo tão diverso e tão próximo de nós:

1. Os lagartos têm tamanhos muito variáveis
As espécies actuais de lagartos apresentam uma enorme diversidade de tamanhos, indo do recém-descoberto madagascarenho nano-camaleão (Brokeesia nana), que não só é o mais pequeno lagarto conhecido, mas provavelmente o mais pequeno de todos os répteis, com pouco mais de dois centímetros da ponta do nariz à ponta da cauda, até ao enorme dragão-de-Komodo (Varanus komodoensis), um lagarto monitor endémico de algumas ilhas do Sul da Indonésia, que pode chegar aos três metros de comprimento e mais de 70 quilogramas de peso. Mas mesmo este último não alcança o tamanho do seu parente extinto, o Megalania prisca da Austrália, que poderá ter alcançado mais de cinco metros! Em Portugal, as espécies nativas têm tamanhos bem mais modestos: o nosso maior lagarto, o sardão (Timon lepidus) atinge, no máximo, um metro e meio de comprimento, sendo dois terços deste referentes à cauda.

2. Alguns lagartos são venenosos
Já há muito tempo que se sabe que os lagartos do género Holoderma,  que inclui o famoso monstro-de-Gila (Holoderma suspectum), possuem não só veneno, como um sistema de aplicação do mesmo único entre os vertebrados. Este é injectado vindo de glândulas na mandíbula inferior (e não na superior, como nas cobras) na base dos dentes e se espalha nestes por fenómenos de capilaridade, sendo depois aplicado na presa por mastigação. Embora em geral não seja mortal para os humanos, este veneno provoca edemas e baixas súbitas na tensão arterial e é considerado talvez o mais doloroso produzido por um vertebrado. No entanto, só mais recentemente foi descoberto que os Varanidae (o grupo a que pertence, por exemplo, o dragão-de-Komodo) também possuem glândulas que produzem veneno, e que o usam corriqueiramente na obtenção de presas. No entanto, estes não possuem sistemas de aplicação do mesmo tão sofisticados como os Holoderma, tendo talvez por isso passado despercebidos durante mais tempo. Em Portugal, não temos espécies venenosas.

3. Portugal tem uma espécie de lagarto endémica
Embora o país tenha várias espécies de lagartos (e, graças a análises genéticas, o número destas tenha aumentado nos últimos anos), quase todas as espécies nativas existem também nativamente noutros países, principalmente na vizinha Espanha. No entanto, há uma espécie de lagarto que só ocorre nativamente em Portugal: a lagartixa-da-Madeira (Teira dugesii). Embora este réptil apareça também nos arquipélagos dos Açores e das Canárias e tenha duas populações estabelecidas em Portugal Continental, estas devem-se a introduções acidentais pelo homem, provavelmente através da carga de navios, sendo esta espécie apenas nativa da Madeira e das Selvagens.

  Lagartixa da Madeira (Teira dugesii)          

4. A reprodução dos lagartos é extremamente variável
A maior parte dos lagartos é, como a generalidade dos répteis, ovípara, ou seja, reproduzem-se pondo ovos. No entanto, existem espécies que desenvolveram outras estratégias, como a ovoviparidade (existem ovos, mas estes são incubados dentro do corpo da progenitora) ou mesmo, no caso de uma espécie em específico, Zootoca vivipara, a viviparidade (ou seja, a fêmea dá à luz juvenis já formados, sem terem passado um período dentro de um ovo). Esta última espécie é particularmente interessante, visto que apresenta populações ovíparas e vivíparas, por vezes vivendo lado a lado.

Adicionalmente os lagartos apresentam um número assinalável de espécies totalmente partenogénicas (sendo que algumas outras demonstram capacidade partenogénica facultativa). Isto significa que as espécies em que não ocorre fecundação são constituídas totalmente por fêmeas. No entanto, nenhuma destas espécies ocorre no nosso país.

Não te esqueças de partilhar fotos e vídeos do teu lagarto favorito nas redes sociais com #WorldLizardDay
Don’t forget to share pictures and videos of your favorite lizard on social media with #WorldLizardDay

quinta-feira, 4 de maio de 2023

Empilhar pedras pode prejudicar a biodiversidade


Num artigo publicado na revista científica Human-Wildlife Interactions, uma equipa internacional de investigadores, da qual fazem parte vários investigadores do cE3c, alerta que o empilhamento de pedras pode prejudicar várias espécies, algumas das quais já ameaçadas de extinção. A criação de montinhos de pedras tem-se tornado uma prática popular um pouco por todo o mundo, encontrando-se associada ao turismo de natureza e à partilha de fotografias nas redes sociais.

Em passeio ou numa caminhada, pode já ter encontrado um destes montinhos de pedras. São cada vez mais populares e surgem inclusive em áreas protegidas – por exemplo no Parque Nacional do Teide em Tenerife, nas Ilhas Canárias (Espanha) ou no Parque Nacional de Thingvellir na Islândia –, onde se encontram associados ao crescimento do turismo de aventura e de natureza e à partilha de fotos nas redes sociais. Mas estas estruturas modificam o habitat de várias espécies animais e vegetais que utilizam rochas como refúgio ou que dependem das condições microclimáticas associadas às mesmas, prejudicando a biodiversidade nestes locais.

Montinhos de pedras no Parque Nacional de Thingvellir na Islândia. ©: Filipe Tavares.

Também em Portugal existem locais onde os visitantes deixam a sua marca – como na Serra da Estrela e em diversas praias na Costa Vicentina, por exemplo. Apesar de poderem ser úteis como marco de orientação em zonas montanhosas, chamados de mariolas neste caso, os montes de pedras, quando não têm o intuito de sinalizar o caminho podem induzir caminhantes em erro e trazer danos para a biodiversidade. No artigo de opinião agora publicado, os investigadores alertam para o potencial impacto desta prática.

“Esta prática tem um impacto preocupante em zonas sensíveis para a conservação da natureza, pois existem diversas espécies, particularmente em zonas áridas, que dependem das condições microclimáticas associadas às pedras existentes nos seus habitats. Nas Ilhas Selvagens por exemplo, a maioria das pedras com mais de um palmo de diâmetro dão abrigo a uma ou mais osgas-das-Selvagens, uma espécie endémica e ameaçada de extinção. As pedras isoladas criam condições especiais de temperatura e humidade que são importantes para várias espécies e a disposição das pedras influencia a dinâmica entre predadores e presas ou entre competidores. Por isso mover, retirar ou partir estas pedras pode provocar um desequilíbrio no ecossistema”, explica Ricardo Rocha, primeiro autor deste artigo. Ricardo Rocha é investigador do Centro de Ecologia, Evolução e Alterações Ambientais – cE3c, na Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, e investigador do Centro de Investigação em Biodiversidade e Recursos Genéticos – CIBIO-InBIO, da Universidade do Porto.

Os investigadores descrevem o potencial impacto desta prática na Ponta de São Lourenço, o local mais a leste da Ilha da Madeira, incluído na Rede Natura 2000 e no Parque Natural da Madeira. Sendo um destino de turismo de natureza muito popular, nos últimos anos estas estruturas têm-se multiplicado, levando à erosão do solo e a danos na vegetação. Aqui, a perturbação de habitat associada à construção de montinhos de pedras ameaça várias espécies endémicas com distribuições muito reduzidas, como o briófito Riccia atlantica, classificada como ‘Criticamente em Perigo’ pela União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN, em inglês).

Lagartixa da Madeira (Teira dugesii), único réptil nativo da ilha, que depende das rochas para refúgio. ©: Ricardo Rocha.

Na Madeira, o único réptil nativo da ilha – a lagartixa da Madeira (Teira dugesii) – depende destas rochas para se refugiar. A Ponta de São Lourenço acolhe também uma grande diversidade de invertebrados – como a tarântula-insular (Hogna insularum), endémica do arquipélago, e a aranha-flor-da-Madeira (Misumena nigromaculata), endémica especificamente da Madeira – que dependem da disponibilidade e da não perturbação destas rochas para sobreviver. É também esse o caso de vários moluscos terrestres endémicos da Ilha da Madeira, como o caracol de São Lourenço (Amphorella tornatellina minor), que se encontra restrita à Ponta de São Lourenço.

“Existem várias espécies que dependem destas pedras como abrigo e, por isso, pedimos a quem visita zonas sensíveis para a conservação da natureza que não mova estas pedras. Limitem-se aos trilhos pré-existente e tentem reduzir o vosso impacto ao máximo. Não é fácil antecipar quais as consequências que atividades aparentemente inócuas, como a construção destes montinhos de pedras, podem ter em zonas com espécies sensíveis e ameaçadas”, alerta Ricardo Rocha.

Painel informativo na Ponta de São Lourenço, Parque Natural da Madeira, alertando os visitantes para a importância de respeitar e preservar os valores do local, em particular para a importância de não mover as pedras. ©: Ricardo Rocha.

Em zonas urbanizadas, como na Praça do Comércio, em Lisboa, onde também podemos encontrar estas estruturas, a atividade não é particularmente problemática, do ponto de vista do investigador. “No entanto, mesmo nestas zonas, a construção destes montinhos de pedras eventualmente leva a banalização destas estruturas, e isso pode, quase que por contágio, induzir a construção destes montes de pedras em zonas mais sensíveis”, explica Ricardo Rocha. Deste modo, os investigadores incentivam também as autoridades a impor restrições na construção destas estruturas e a desmantelar as já existentes, de modo a não encorajar novas construções que possam constituir uma ameaça à biodiversidade em zonas particularmente sensíveis.

sábado, 29 de abril de 2023

Pode o camaleão chegar a novas zonas de Portugal?


O camaleão ou camaleão-do-mediterrâneo (Chamaeleo chamaeleon) é um pequeno réptil que pode medir até 30 centímetros e pesa entre 10 a 120 gramas, sendo a única espécie de camaleão presente na Europa, além do camaleão-africano, que tem uma população introduzida na Grécia. O camaleão-do-mediterrâneo ocorre ao longo do Norte de África e em zonas costeiras do Sul da Europa e Médio Oriente e ao longo das zonas costeiras ocidentais da Península Arábica.

Em Portugal, este réptil pode ser encontrado na zona do Algarve, em zonas costeiras e em algumas regiões interiores. Segundo a Lista Vermelha da União Internacional para a Conservação da Natureza, terá sido introduzido no sul do país há mais de 500 anos, antes de 1500.

É um caçador de insetos perfeito, tem uma língua longa, flexível e explosiva, os olhos são salientes e podem mover-se independentemente, podendo mudar de cor para se camuflarem na paisagem. Podem viver cerca de 10 anos, as fêmeas põem ovos no Outono – entre 5 a 40, que eclodem no Verão do ano seguinte – e no Inverno entram em modo letárgico (período de menos atividade), de Dezembro a Março.

Uma espécie flexível na escolha de habitat, apesar de na Europa ser mais comum em zonas costeiras como pinhais ou dunas. Noutras partes da sua distribuição, ocorre desde zonas costeiras até paisagens montanhosas, de partes de floresta fechada até áreas com matos dispersos. Em algumas zonas de Espanha, se o habitat for bom, podem ser encontrados 10 a 25 animais por hectare; se for excelente, até 50 animais por hectare.

Existem algumas ameaças ao camaleão, como a destruição de habitat, o uso de pesticidas, os incêndios cada vez mais frequentes, a drenagem de zonas húmidas e ainda a convivência com animais domésticos ou assilvestrados como cães e gatos, que podem caçá-los e destruir ninhos.

Para o bem ou para o mal, o ser humano molda os ecossistemas a uma escala planetária, podemos usar essa capacidade para o bem e ajudar espécies a adaptarem-se e a prosperar. Com o aumento das temperaturas na Península Ibérica, muitas distribuições de espécies vão mudar, algumas podem ficar mais raras, outras abundantes ou até mesmo desaparecer ou aparecer.

À semelhança de muitas espécies de plantas – como sobreiros, azinheiras, medronheiros e carvalhos – e de alguns animais – por exemplo o veado, a gineta e o coelho – o camaleão existe dos dois lados do Estreito de Gibraltar, tanto no Norte de África como na Península Ibérica. É uma espécie que com as alterações climáticas verá a sua área de distribuição potencial aumentar, principalmente para o Centro e Norte da Península.

Hoje, já existe habitat para o camaleão em algumas zonas de Portugal, a sul do Tejo, ao longo da Costa Vicentina, nos pinhais de Melides, Comporta e Meco, na Serra da Arrábida, ao longo dos estuários do Tejo e do Sado, no Alentejo e até em partes da Beira Baixa ou do Douro Internacional. No futuro, à medida que o clima muda e fica mais quente, é provável que novas áreas tenham as condições para o camaleão viver e prosperar.

Corredores ecológicos

A expansão natural é pouco provável devido à fragmentação de habitat e ao estado ameaçado que algumas populações enfrentam. Por isso, é necessário encontrar novas zonas com bom habitat, criar novas populações e criar corredores ecológicos, por exemplo com cordas ou cabos para ligar duas áreas por cima de uma estrada, para os cameleões se deslocarem por cima do asfalto e não terem a necessidade de baixar ao chão onde podem ser atropelados.

Fazer uma visita de campo, numa manhã ainda fresca de Primavera, junto a uma zona húmida criada por castores. Uma zona verde, a fervilhar de insetos, de todos os tamanhos e cores, libelinhas, mosquitos e cigarras, e encontrar um camaleão camuflado num ramo de sabugueiro, com flores brancas de aroma doce, à espera da primeira refeição do dia. Ou dar um passeio por uma zona de sobreiros e azinheiras e entre o canto de abelharucos ser surpreendido por um camaleão num ramo à espera de gafanhotos.

Optamos por ter uma atitude passiva perante o declínio da vida selvagem ou proativa? Apenas responder a ameaças ou aproveitar novas oportunidades? Apontar problemas ou apontar soluções?

O camaleão pode chegar a novas zonas de Portugal.

sábado, 28 de janeiro de 2023

Portugal processado por incumprir medidas de prevenção e controlo da propagação de espécies exóticas invasoras


A Comissão Europeia decidiu hoje avançar com uma ação contra Portugal junto do Tribunal de Justiça da UE devido à deficiente aplicação de medidas de prevenção e gestão da introdução e propagação de espécies exóticas invasoras. Em causa está o incumprimento das medidas de defesa da biodiversidade face às espécies invasoras (Regulamento Espécies Exóticas Invasoras ou Regulamento EEI) incluídas numa lista da União Europeia (UE).

Portugal e cinco outros Estados-membros “não estabeleceram, não aplicaram nem comunicaram à Comissão um plano de ação (ou um conjunto de planos de ação) para abordar as vias mais importantes de introdução e propagação de espécies exóticas invasoras que suscitam preocupação na UE”, segundo um comunicado.

A Comissão considera que, até à data, os esforços das autoridades nacionais têm sido insatisfatórios e insuficientes e, por conseguinte, está a instaurar ações no Tribunal de Justiça da União Europeia contra os países em causa: Bulgária, Irlanda, Grécia, Itália, Letónia e Portugal.

As espécies exóticas invasoras são plantas e animais que são introduzidos acidentalmente ou deliberadamente numa zona onde não são normalmente encontrados.

quinta-feira, 26 de janeiro de 2023

Documentário: Domínio - "Dominion" (2018), em Português


Dominion é um documentário australiano lançado em 2018 pelo ativista dos direitos dos animais Chris Delforce. 

O filme é centrado numa postura realista sobre práticas agrícolas de animais para educar as percepções do público sobre a agricultura animal, apresentando imagens gráficas reais filmadas secretamente usando câmaras escondidas e drones aéreos. O filme foca seis tópicos: animais de quinta, animais selvagens, animais de companhia, animais de entretenimento, animais de pele e experimentação animal. 
O filme, e o seu movimento Dominion relacionado, é administrado por uma organização de proteção e direitos dos animais, Farm Transparency Project, anteriormente conhecida como Aussie Farms. O filme foi filmado para ser uma sequência documental de longa-metragem de Lucent (2014), que se concentrou principalmente na indústria australiana de criação de porcos.

Sinopse 
Dominion descreve, em 18 capítulos, como diferentes espécies animais são usadas e mal utilizadas de maneiras diferentes. O filme é dividido em segmentos que abrangem diferentes espécies: porcos, galinhas poedeiras e frangos de carne, perus, patos, vacas, ovelhas, cabras, peixes, coelhos, visons, raposas, cães, cavalos, camelos, ratos, animais exóticos, focas e golfinhos , e uma conclusão dos narradores.


Site principal do Filme:

segunda-feira, 2 de janeiro de 2023

Alagoas Brancas- um fim desolador


1- Ajude-nos a travar a destruição das Alagoas Brancas Começou há dias a destruição das Alagoas Brancas em Lagoa, no Algarve, pondo em risco não só os valores naturais locais mas também a própria segurança da população face a cheias e enxurradas. Para contestar esta ação ilegal, convocámos, juntamente com as organizações não-governamentais Associação Almargem, A Rocha Portugal, GEOTA, FAPAS, Liga para a Proteção da Natureza (LPN), Sociedade Portuguesa de Ecology (SPECO), Tagis – Centro de Conservação das Borboletas de Portugal, e ZERO – Associação Sistema Terrestre Sustentável, e o movimento de cidadãos pelas Alagoas Brancas, uma marcha de protesto para o próximo sábado, 22 de outubro de 2022, às 17h, no Largo do Auditório Municipal Carlos do Carmo, em Lagoa.

Mesmo que não possa juntar-se à manifestação, pode ajudar a travar este atentado ambiental juntando-se aos mais de 6.650 cidadãos que já assinaram a petição pública contra a destruição das Alagoas Brancas: Assine e divulgue a petição.

2- Em defesa dos cágados, tribunal manda parar empreendimento nas Alagoas Brancas O Tribunal Administrativo e Fiscal de Loulé considerou procedente a providência cautelar interposta pelo Pessoas-Animais-Natureza (PAN) no passado dia 7 de Novembro e determinou a suspensão imediata dos trabalhos de construção de uma nova superfície comercial na zona das Alagoas Brancas, no concelho de Lagoa, acaba de anunciar aquele partido em comunicado.

3- Alagoas Brancas: quando a vida pode ser substituída por um retail park  As máquinas de construção foram obrigadas a parar, mas quem se aproximar das Alagoas Brancas, na cidade de Lagoa, no Algarve, confronta-se com um cenário desolador, de um espaço natural que está sob ameaça. Muita vegetação foi retirada e, apesar de já não haver máquinas no terreno, ficaram montes de terra revolvida, lixo disperso e novas acumulações de água que desnaturalizaram parte daquela zona húmida. É necessário olhar para lá da frente lamacenta para começar a observar, à distância, o movimento que atraiu pela primeira vez o biólogo alemão Manfred Temme às Alagoas Brancas, há quase 15 anos.

domingo, 16 de outubro de 2022

As Artes de Pesca e a Poluição dos Oceanos - investigação

Fishing boats in port near Lima, Peru. CSIRO

Two per cent of all fishing gear used worldwide ends up polluting the oceans, our new research finds. To put that into perspective, the amount of longline fishing gear littering the ocean each year can circle the Earth more than 18 times.

We interviewed 450 fishers from seven of the world’s biggest fishing countries including Peru, Indonesia, Morocco and the United States, to find out just how much gear enters the global ocean. We found at current loss rates, in 65 years there would be enough fishing nets littering the sea to cover the entire planet.

This lost fishing equipment, known as ghost gear, can cause heavy social, economic and environmental damage. Hundreds of thousands of animals are estimated to die each year from unintentional capture in fishing nets. Derelict nets can continue to fish indiscriminately for decades.

Our research findings help highlight where to focus efforts to stem the tide of fishing pollution. It can also help inform fisheries management and policy interventions from local to global scales.

14 billion longline hooks litter the sea each year

The data we collected came directly from fishers themselves. They experience this issue firsthand and are best poised to inform our understanding of fishing gear losses.

We surveyed fishers using five major gear types: gillnets, longlines, purse seine nets, trawl nets, and pots and traps.

We asked how much fishing gear they used and lost annually, and what gear and vessel characteristics could be making the problem worse. This included vessel and gear size, whether the gear contacts the seafloor, and the total amount of gear used by the vessel.

We coupled these surveys with information on global fishing effort data from commercial fisheries.

Longlines are deep-sea fishing lines that trail behind a boat, and are made up of many short lines with baited hooks that come off of each ‘long’ line. Vessels may have from 25 to 2,500 hooks or more for each line. 

Fishers use different types of nets to catch different types of fish. Our research found the amount of nets littering the ocean each year include:

  • 740,000 kilometres of longline mainlines
  • nearly 3,000 square kilometres of gill nets
  • 218 square kilometres of trawl nets
  • 75,000 square kilometres of purse seine nets
In addition, fishers lose over 25 million pots and traps and nearly 14 billion longline hooks each year.

At the current pollution rate, fishing nets littering the ocean could cover the entire planet in 65 years. 

These estimates cover only commercial fisheries, and don’t include the amount of fishing line and other gear lost by recreational fishers.

We also estimate that between 1.7% and 4.6% of all land-based plastic waste travels into the sea. This amount likely exceeds lost fishing gear.

However, fishing gear is designed to catch animals and so is generally understood as the most environmentally damaging type of plastic pollution in research to date.

Countries (in black) where interviews with fishers occurred. Fishers were surveyed from each of the seven key marine regions/continents of the world, excluding Antarctica. The number of surveys conducted for major gear types/fisheries are listed (bullet points) below each country name.


Harming fishers and marine life

Nearly 700 species of marine life are known to interact with marine debris, many of which are near threatened. Australian and US research in 2016 found fishing gear poses the biggest entanglement threats to marine fauna such as sea turtles, marine mammals, seabirds and whales.

Other marine wildlife including sawfish, dugong, hammerhead sharks and crocodiles are also known to get entangled in fishing gear. Other key problematic items include balloons and plastic bags.

Lost fishing gear is not only an environmental risk, but it also has an economic impact for the fishers themselves. Every metre of lost net or line is a cost to the fisher – not only to replace the gear but also in its potential catch.

Additionally, many fisheries have already gone through significant reforms to reduce their environmental impact and improve the sustainability of their operations.

2% of fishing gear used worldwide gets lost at sea. 

Some losses are attributable to how gear is operated. For instance, bottom trawl nets – which can get caught on reefs – are lost more often that nets that don’t make contact with the sea floor.

The conditions of the ocean can also make a significant difference. For example, fishers commonly reported that bad weather and overcrowding contributes to gear losses. Conflicts between gears coming into contact can also result in gear losses, such as when towed nets cross drifting longlines or gillnets.

Where fish are depleted, fishers must expend more effort, operate in worse conditions or locations, and are more likely to come in contact with others’ gear. All these features increase losses.


Pots/traps such as these are used to catch crabs and lobsters. 

What do we do about it?

We actually found lower levels of fishing gear losses in our current study than in a previous review of the historical literature on the topic. Technological improvements, such as better weather forecasts and improved marking and tracking of fishing gear may be reducing loss rates.

Incentives can further reduce losses resulting in ghost gear. This could include buyback programs for end-of-life fishing gear, reduced cost loans for net replacement, and waste receptacles in ports to encourage fishers to return used fishing gear.

Technological improvements and management interventions could also make a difference, such as requirements to mark and track gear, as well as regular gear maintenance and repairs.

Developing effective fishing management systems can improve food security, leave us with a healthier environment, and create more profitable businesses for the fishers who operate in it.