quinta-feira, 9 de abril de 2026
Steve Jansen and Thomas Feiner - Sow the Salt
terça-feira, 7 de abril de 2026
Archive - City Walls
terça-feira, 31 de março de 2026
Miranda Sex Garden - Gush Forth My Tears
A letra de "Gush Forth My Tears" remonta ao final do século XVI, tendo sido publicada originalmente em 1597 na obra The First Set of English Madrigals, do compositor John Holborne. Naquele período, era uma prática recorrente entre os compositores a escolha de poemas curtos, frequentemente de autoria anónima, para servirem de base a madrigais — composições de música vocal polifónica que exploravam a expressividade do texto através da harmonia.
A razão pela qual este tema soa ao trabalho de um "poeta famoso" reside no facto de o seu estilo ser puramente elisabetano, partilhando o mesmo fôlego lírico de grandes nomes da época. O autor, ainda que desconhecido, domina os temas clássicos da melancolia renascentista, recorrendo a figuras de estilo como a personificação da dor, onde as lágrimas são descritas como um fluxo imparável e quase purificador.
Além disso, o texto explora o contraste dramático entre a vida e a morte, sugerindo que o sofrimento do eu lírico é de tal forma avassalador que o descanso final seria visto como um alívio desejado. Esta densidade emocional é reforçada por uma linguagem arcaica e por uma estrutura métrica rigorosa, visível no uso de termos como "fain" (que significa "de bom grado"), o que confere à peça uma nobreza e uma gravidade que o Miranda Sex Garden soube transpor perfeitamente para a estética gótica contemporânea.
Esta canção foi lançada no álbum no álbum Madra (1991)
quarta-feira, 4 de março de 2026
Laibach - Allgorhythm (feat. Wiyaala) - Allgorhythm
domingo, 26 de maio de 2024
Música do BioTerra: Sweeping Promises - Good Living Is Coming for You
domingo, 3 de outubro de 2021
sexta-feira, 14 de dezembro de 2018
Música do BioTerra: The Velvet Underground and Nico "I'll Be Your Mirror" (Warhol film footage); Courtney Barnett (version) e Lou Reed (Spoken Word version)
Reflect what you are, in case you don't know
I'll be the wind, the rain and the sunset
The light on your door to show that you're home
When you think the night has seen your mind
That inside you're twisted and unkind
Let me stand to show that you are blind
Please put down your hands
'Cause I see you [1]
I find it hard to believe you don't know
The beauty you are
But if you don't, let me be your eyes
A hand to your darkness so you won't be afraid
[1]
I'll be your mirror (reflect what you are)
segunda-feira, 29 de agosto de 2016
Música do BioTerra: Coil- The Dreamer Is Still Asleep
domingo, 24 de abril de 2016
domingo, 16 de novembro de 2014
Patti Smith- Dancing Barefoot
She is addicted to thee
She is the root connection
She is connecting with he
I fell so ceaselessly
Could it be he's taking over me
Heading for a spin
Some strange music draws me in
Makes me come on like some heroine
She is the essence of thee
She is concentrating on he
Chosen by she
I spin so ceaselessly
Could it be he's taking over me
Heading for a spin
Some strange music draws me in
Makes me come on like some heroine
She, intoxicated by Thee
She has the slow sensation that
He is levitating with she
I spin so ceaselessly
Till I lose my sense of gravity
The mystery of childbirth, of childhood itself
Grave visitations
What is it that calls to us?
Why must not death be redefined?
We shut our eyes, we stretch out our arms
And whirl on a pane of glass
The line of life, the limb of a tree
The hands of he and the promise that she
Is blessed among women
sábado, 31 de maio de 2014
Encontros Improváveis- Miguel Torga e Julianna Barwick
Somos nós
As humanas cigarras!
Nós,
Desde os tempos de Esopo conhecidos.
Nós,
Preguiçosos insectos perseguidos.
Somos nós os ridículos comparsas
Da fábula burguesa da formiga.
Nós, a tribo faminta de ciganos
Que se abriga
Ao luar.
Nós, que nunca passamos
A passar!...
Somos nós, e só nós podemos ter
Asas sonoras,
Asas que em certas horas
Palpitam,
Asas que morrem, mas que ressuscitam
Da sepultura!
E que da planura
Da seara
Erguem a um campo de maior altura
A mão que só altura semeara.
Por isso a vós, Poetas, eu levanto
A taça fraternal deste meu canto,
E bebo em vossa honra o doce vinho
Da amizade e da paz!
Vinho que não é meu,
mas sim do mosto que a beleza traz!
E vos digo e conjuro que canteis!
Que sejais menestreis
De uma gesta de amor universal!
Duma epopeia que não tenha reis,
Mas homens de tamanho natural!
Homens de toda a terra sem fronteiras!
De todos os feitios e maneiras,
Da cor que o sol lhes deu à flor da pele!
Crias de Adão e Eva verdadeiras!
Homens da torre de Babel!
Homens do dia a dia
Que levantem paredes de ilusão!
Homens de pés no chão,
Que se calcem de sonho e de poesia
Pela graça infantil da vossa mão!
Miguel Torga, Odes

