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quinta-feira, 23 de abril de 2026

A catastrophic climate event is upon us. Here is why you’ve heard so little about it


The poor and middle pay taxes, the rich pay accountants, the very rich pay lawyers – and the ultra-rich pay politicians. It’s not an original remark, but it bears repeating until everyone has heard it. The more money billionaires accumulate, the greater their control of the political system – which means they pay less tax, which means they accumulate more, which means their control intensifies.

They reshape the world to suit their demands. One of the symptoms of the pathology known as “billionaire brain” is an inability to see beyond their own short-term gain. They would sack the planet for a few more stones on the pointless mountain of wealth. And we can see it happening. Last week delivered the biggest news of the year so far, perhaps the biggest news of the century. But partly because billionaires own most of the media, most people never heard it. We might find ourselves committed to a civilisation-ending event before we even learn that such a thing is possible.

The news is that the state of a crucial oceanic circulation system has been reassessed by scientists. Some now believe that, as a result of climate breakdown changing the temperature and salinity of seawater, it is more likely than not to collapse. This system – known as the Atlantic meridional overturning circulation (Amoc) – delivers heat from the tropics to the North Atlantic. Recent research suggests that if it shuts down, it could cause both a massive drop in average winter temperatures in northern Europe and drastic changes in the Amazon’s water cycles. This could help tip the rainforest into cascading collapse and trigger further disaster.

Amoc’s shutdown is likely also to cause an acceleration of sea level rise on the east coast of the US, threatening cities. It could also raise Antarctic temperatures by roughly 6C and release a vast pulse of carbon currently stored in the Southern Ocean, accelerating climate catastrophe.

Even when the countervailing effects of generalised global heating are taken into account, a further paper proposes, the net impact in northern Europe would be periods of extreme cold – including events in which temperatures in London fall to -19C, in Edinburgh to -30C and in Oslo to -48C. Sea ice in February would extend as far as Lincolnshire. Our climate would change drastically, with the likelihood of far greater extremes, such as massive winter storms. Rain-fed arable agriculture would become impossible almost everywhere in the UK.

This shift, on any realistic human scale, would be irreversible. Its speed is likely to outrun our ability to adapt. Amoc shutdowns, driven by natural climate variability, have happened before. But not in the era of large-scale human civilisation.

The first paper proposing that Amoc might have an on-state and an off-state was published in 1961. Since then, many studies have confirmed the finding and explored potential triggers and likely implications. Until recently, Amoc collapse caused by human activity fell into the category of a “high impact, low probability” event, devastating if it happens, but unlikely to occur. Research over the past few years prompted a reassessment: it began to look more like a “high impact, high probability” event. Now, in response to last week’s paper, Prof Stefan Rahmstorf – perhaps the world’s leading authority on the subject – says the chances of a shutdown look like “more than 50%”. We could pass the tipping point, he says, “in the middle of this century”.

So why is this not all over the news? Why is it not the top priority for the governments that claim to protect us from harm? Well, in large part because oligarchic power has championed a model of climate impact that bears little relation to reality: that is, they have a hypothesis about how the world works that is completely detached from scientific findings. This model underpins official responses to the climate crisis.

It began with the work of the economist William Nordhaus, who sought to assess the economic effects of global heating. His modelling suggests that a “socially optimal” level of heating is between 3.5C and 4C. Most climate scientists see a temperature rise of this kind as catastrophic. Even 6C of heating, Nordhaus suggests, would cause a loss of just 8.5% of GDP. Climate science suggests it would look more like curtains for civilisation.

As the eminent economists Nicholas Stern, Joseph Stiglitz and Charlotte Taylor have argued, the mild effects Nordhaus forecasts are merely artefacts of the model he has used. For example, his modelling assumes that catastrophic risks do not exist and that climate impacts rise linearly with temperature. There is no climate model that proposes such a trend. Instead, climate science forecasts nonlinear impacts and greatly escalating risk. The likely impacts of high levels of heating include the inundation of major cities, the closure of the human climate niche (the conditions that sustain human life) across large parts of the globe, the collapse of the global food system and cascading regime shifts – that is, abrupt transitions in ecosystems – releasing natural carbon stores, potentially leading to a “hothouse Earth” in which very few survive. Never mind a few points off GDP: there would be no means of measurement and scarcely an economy to measure.

Saiba mais:

segunda-feira, 1 de dezembro de 2025

ONU: Guterres anuncia cortes orçamentais de 500 milhões de euros e redução de 2.681 postos de trabalho


O secretário-geral da ONU, António Guterres, atualizou esta segunda-feira a proposta de orçamento regular da organização para 2026, prevendo agora cortes de 577 milhões de dólares (496,4 milhões de euros) e uma redução de 2.681 postos de trabalho.

Numa apresentação perante a Quinta Comissão da ONU, responsável por assuntos administrativos e orçamentais, Guterres propôs reduzir as necessidades de recursos das Nações Unidas para 3,238 biliões de dólares (2,79 mil milhões de euros), uma redução de 15,1% face a 2025.

A tabela de pessoal foi revista para 11.594 postos de trabalho – incluindo Missões Políticas Especiais –, uma redução de 2.681 postos, ou 18,8%, em comparação com a tabela de pessoal aprovada para 2025.

"Embora as reduções propostas sejam substanciais, foram cuidadosamente calibradas para preservar o equilíbrio entre os três pilares da organização: paz e segurança, desenvolvimento sustentável e direitos humanos", assegurou Guterres, num momento em que a ONU atravessa uma grave crise de liquidez.

Os cortes integram a "Iniciativa ONU80", um projeto anunciado por Guterres que visa mudanças estruturais na própria organização, como a fusão de unidades, eliminação de duplicações funcionais e estruturais, e cortes em funções que são desempenhadas noutras partes do sistema, incluindo nas Missões de Paz.

Isenta de cortes ficou a agência das Nações Unidas para os refugiados palestinianos (UNRWA), com Guterres a justificar que quaisquer reduções poderiam ter "consequências drásticas na espinha dorsal de toda a resposta humanitária a Gaza".

"A Conta de Desenvolvimento e a defesa do desenvolvimento de África também foram isentas de cortes que inevitavelmente teriam impacto direto no nosso apoio aos Estados-membros, dificultando os esforços para a Agenda 2030, os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável e a Agenda 2063 da União Africana", argumentou Guterres.

Para as missões políticas especiais, o orçamento revisto ascende a 543,6 milhões de dólares (467,6 milhões de euros), uma redução de 96,3 milhões de dólares (82,8 milhões de euros) ou 15% em comparação com o orçamento inicialmente proposto para 2026, e uma redução de 21,6% face a este ano.

Segundo o líder da ONU, estes ajustes refletem os apelos para um secretariado da organização internacional "mais eficaz, ágil e resiliente" e contém propostas para "alinhar os recursos com as prioridades organizacionais, modernizar as operações internas e refletir uma resposta pragmática ao contexto fiscal em constante evolução".

Porém, reduções desta magnitude "terão inevitavelmente impactos programáticos e operacionais em todas as entidades e acarretarão ajustes na forma como o secretariado executa as atividades que lhe estão atribuídas", alertou o antigo primeiro-ministro português.

"Estas medidas constituem reduções orçamentais substanciais que afetam as pessoas reais, as famílias e os futuros – e nunca devemos perder de vista esta dimensão humana", acrescentou.

As propostas incluem também a criação de centros administrativos em Nova Iorque e Banguecoque (Tailândia), a unificação do processamento de salários numa equipa global distribuída entre Nova Iorque, Entebbe (Uganda) e Nairobi (Quénia), e a transferência de funções desde as sedes mais caras - como Nova Iorque e Genebra - para locais de menor custo.

Desde 2017, o secretariado da ONU poupou 126 milhões de dólares (108,4 milhões de euros) com o fim de contratos de arrendamento comercial em Nova Iorque, especificou ainda Guterres.

Além disso, a ONU planeia desocupar dois edifícios alugados em Nova Iorque até 2027, gerando poupanças de milhões de dólares anuais a partir de 2028.

Apesar da carga de trabalho da ONU aumentar de ano para ano, os recursos estão a diminuir em todos os setores, contribuindo para isso o facto de que nem todos os Estados-membros pagam na totalidade as obrigações anuais e muitos também não pagam a tempo.  

Sobre o pagamento das obrigações anuais, Guterres criticou o "volume inaceitável de atrasos", frisando que a ONU terminou 2024 com um débito de 760 milhões de dólares (653,8 milhões de euros), dos quais 709 milhões de dólares (610 milhões de euros) ainda estão pendentes.

Além disso, Guterres assinalou que a ONU também não recebeu 877 milhões de dólares (754,2 milhões de euros) referentes às contribuições de 2025.

Assim, o débito é atualmente superior a 1,3 mil milhões de euros.

sábado, 26 de julho de 2025

O Tribunal Internacional de Justiça (TIJ) declarou que os países têm a obrigação legal de agir em relação às alterações climáticas



The UN’s principal judicial body ruled that States have an obligation to protect the environment from greenhouse gas (GHG) emissions and act with due diligence and cooperation to fulfill this obligation.

This includes the obligation under the Paris Agreement on climate change to limit global warming to 1.5°C above pre-industrial levels.


‘A victory for our planet’
UN Secretary-General António Guterres issued a video message welcoming the historic decision, which came a day after he delivered a special address to Member States on the unstoppable global shift to renewable energy.

"This is a victory for our planet, for climate justice and for the power of young people to make a difference," he said.



Reasoning of the Court
The Court used Member States’ commitments to both environmental and human rights treaties to justify this decision.

Firstly, Member States are parties to a variety of environmental treaties, including ozone layer treaties, the Biodiversity Convention, the Kyoto Protocol, the Paris Agreement and many more, which oblige them to protect the environment for people worldwide and in future generations.

But, also because “a clean, healthy and sustainable environment is a precondition for the enjoyment of many human rights,” since Member States are parties to numerous human rights treaties, including the Universal Declaration of Human Rights, they are required to guarantee the enjoyment of such rights by addressing climate change.

Case background
In September 2021, the Pacific Island State of Vanuatu announced that it would seek an advisory opinion from the Court on climate change. This initiative was inspired by the youth group Pacific Island Students Fighting Climate Change, which underscored the need to act to address climate change, particularly in small island States.

After the country lobbied other UN Member States to support this initiative in the General Assembly, on 29 March 2023, it adopted a resolution requesting an advisory opinion from the ICJ on two questions: (1)What are the obligations of States under international law to ensure the protection of the environment? and (2) What are the legal consequences for States under these obligations when they cause harm to the environment?

Judge Iwasawa said the questions “represent more than a legal problem: they concern an existential problem of planetary proportions that imperils all forms of life and the very health of our planet.”

The UN Charter allows the General Assembly or the Security Council to request the ICJ to provide an advisory opinion. Even though advisory opinions are not binding, they carry significant legal and moral authority and help clarify and develop international law by defining States’ legal obligations.

This is the largest case ever seen by the ICJ, evident by the number of written statements (91) and States that participated in oral proceedings (97).

The ‘World Court’
The ICJ, informally known as the “World Court”, settles legal disputes between UN Member States and gives advisory opinions on legal questions that have been referred to it by UN organs and agencies.

It is one of the six main organs of the UN alongside the General Assembly, the Security Council, the Economic and Social Council (ECOSOC), the Trusteeship Council and the Secretariat and is the only one not based in New York.

terça-feira, 22 de julho de 2025

Participação no 5.º ISA Forum of Sociology: Investigadoras destacam comunicação e justiça socioambiental em territórios insulares



Entre os dias 6 e 11 de julho de 2025, decorreu na Mohammed V University, Universidade Mohammed V, em Rabat, Marrocos, o 5.º ISA Forum of Sociology.  Ana Bijóias Mendonça* e Fátima Alves*, participaram neste encontro internacional com a apresentação de duas comunicações centradas nos desafios da comunicação, participação e justiça socioambiental em contextos insulares.

No dia 9 julho, na sessão dedicada às dinâmicas socioambientais, as investigadoras apresentaram a comunicação “Building Brighten Futures: Knowledge and communication on socio-environmental topics in two Macaronesian regions”, onde partilharam resultados de investigação que sublinham a importância de abordagens colaborativas e culturalmente enraizadas na construção de futuros mais sustentáveis. O trabalho apresentado destaca:
  1. A relevância das racionalidades leigas e dos saberes locais como recursos fundamentais para enfrentar a crise climática;
  2. A urgência de ultrapassar a ilusão de inclusão e reforçar políticas de proximidade, verdadeiramente participativas;
  3. A necessidade de consolidar redes de atores como alicerces para processos de codecisão orientados para a justiça socioambiental;
  4. A importância de escutar, traduzir, comunicar e coconstruir soluções com todas as vozes que habitam os territórios.
Já no dia 11 de julho, foi apresentada a comunicação “Powering Communication and Societal Engagement with Climate Research and Policies in Insular Territories”, baseada num estudo de caso comparado entre a Região Autónoma da Madeira e a Comunidade Autónoma das Canárias. A investigação analisou os mecanismos de construção e disseminação do conhecimento sobre alterações climáticas, revelando que os discursos institucionais continuam a privilegiar abordagens top-down. Apesar da retórica participativa, persistem resistências por parte dos poderes institucionalizados do conhecimento, dificultando o envolvimento efetivo das comunidades locais e de outros atores territoriais. O trabalho evidenciou:
  1. As dissonâncias e contradições que envolvem a comunicação sobre desafios socioambientais globais, com maior expressão nos territórios insulares;
  2. A necessidade de implementar mecanismos de comunicação mais alargados, céleres e eficazes;
  3. A importância de fomentar processos verdadeiramente inclusivos, coparticipados e consequentes que possam coadjuvar a tomada de decisão.
A presença das investigadoras neste fórum internacional reforça o compromisso com uma ecologia do conhecimento que valoriza a pluralidade epistémica e promove uma transição justa, enraizada nos contextos locais e atenta à diversidade de vozes e experiências que compõem os territórios.

Os resumos podem ser consultados no link abaixo.

*Grupo de Investigação Sociedades e Sustentabilidade Ambiental do Centre for Functional Ecology - Science for People & the Planet, Laboratório Associado TERRA da Universidade de Coimbra e da sua Extensão na Universidade Aberta de Portugal


Bijóias Mendonça, A., & Alves, F. (2025). Building brighten futures: Knowledge and communication on socio-environmental topics in two Macaronesian Regions. Em 5th ISA Forum of Sociology «Knowing Justice in the Anthropocene»—Book of Abstracts (pp. 120–120). International Sociological Association (ISA). https://www.isa-sociology.org/uploads/imgen/2252-5th-isa-forum-of-sociology-abstracts-book.pdf

Bijóias Mendonça, A., & Alves, F. (2025). Powering communication and societal engagement with climate research and policies in insular territories. Em 5th ISA Forum of Sociology «Knowing Justice in the Anthropocene»—Book of Abstracts (pp. 121–121). International Sociological Association (ISA). https://www.isa-sociology.org/uploads/imgen/2252-5th-isa-forum-of-sociology-abstracts-book.pdf

domingo, 12 de junho de 2022

Entrevista com Alberto Garzón e Eva García sobre a evolução da Izquierda Unida rumo ao Decrescimento


Neste sábado, 14 de maio, Izquierda Unida realizará em Madri um encontro que suscitou grande expectativa entre os setores ativistas mais próximos do Decrescimento. Precedido de uma carta pública e de um manifesto intitulado Diminuição de vida promovido por diversos militantes do setor decrecentista da formação, contou com o apoio do seu coordenador geral através de um extenso artigo de tom didático mas também ideológico, publicado no órgão oficial de IU , onde defende e justifica a necessidade biofísica de pôr fim ao crescimento económico. Na revista 15/15\15 queríamos falar com um dos promotores deste encontro, o coordenador da área de meio ambiente e ex-parlamentar Eva García Sempre , e com o coordenador geral e Ministro do Consumo, Alberto Garzón Espinosa .


diminuir para viver15/15\15: O encontro que você convocou por meio de sua carta e manifesto pode surpreendê-lo de fora, mas imagino que seja na verdade o resultado de debates e reflexões que você vem mantendo internamente na IU há algum tempo sobre o problema dos limites ao crescimento , não é assim?

Eva García: De fato, não é um debate novo dentro da organização. Que temos que viver dentro dos limites do planeta já estava claro; agora damos um passo adiante e propomos que o decrescimento é uma realidade e que temos que traçar, juntos, um roteiro político para que esse decrescimento não recaia, como sempre, nos mais vulneráveis.

15/15\15: Algumas coisas que se destacam no encontro é que não só os movimentos sociais foram convocados expressamente, o que pode ser algo mais ou menos comum nas formações de esquerda, mas também outros partidos políticos. Que resposta você teve tanto de um quanto de outro? Que outros partidos do Estado espanhol conhece que estão nesta evolução rumo ao Decrescimento?

EG: A resposta foi, sem dúvida, muito interessante. Independentemente de considerarem ou não oportuno participar como organização neste primeiro encontro, a recepção tem sido positiva e expectante por parte das organizações contactadas. E em relação às forças políticas, principalmente aquelas que também estão tendo esses debates, é muito positivo. De qualquer forma, e já que ainda estamos delineando, saberemos os nomes no sábado, dia 14. E sobre outras forças políticas, acredito que em maior ou menor medida esse debate está ocorrendo em quase toda a esquerda. Uma questão separada é como ela é abordada e se essa posição é a maioria dentro dela. Mas sim, existem forças políticas que o levantaram e esperamos que nos encontremos em algum momento para trabalhar.

15/15\15: Outro aspecto que chama bastante a atenção é o objetivo de desenhar conjuntamente um programa para o país em chave de decrescimento. Parece que o debate interno realmente parece bastante claro e você quer começar a trabalhar para transformar a consciência do fim do crescimento em linhas programáticas em um sentido político prático. É assim?

EG : Não somos ingénuos. O debate não será fácil em nenhuma organização ou força política (nem a nossa) porque, quando você pousar no concreto, há muita vertigem: será compreendido pela sociedade? O que acontecerá com este ou aquele setor produtivo que é chave na minha zona? Precisamente por isso queremos promover o espaço amplo, com todas as vistas possíveis. Esclarecer dúvidas e medos entre todos costuma ser mais fácil. Mas sim, acho que desde o início nossa posição é bastante sólida internamente.

Alberto Garzón: Nossa força política nasceu em 1986 com o objetivo político-social, entre outros, de incorporar as demandas ambientais e feministas surgidas naqueles anos, especialmente dos movimentos sociais. Desde então, o componente ecológico tem sido forte dentro da organização, apesar de a matriz ideológica da IU sempre ter sido uma orientação clássica (de conflito capital-trabalho). Nos últimos anos temos feito um esforço significativo com a militância para definir um perímetro ideológico coerente onde todas essas dimensões possam se complementar. Nas próximas semanas apresentaremos os principais resultados de uma pesquisa sobre a crise ecossocial que nos permitiu mensurar essas transformações ideológicas dentro de nossa organização. Mas posso adiantar algumas informações. Hoje, por exemplo, praticamente 50% da nossa militância se define como ambientalista, 60% como feminista e 70% como comunista; ou seja, há um alto grau de interseccionalidade. Além disso, entre a militância, 39% se identificam com o projeto de decrescimento. Acredito que a situação está muito madura para abordar determinados debates, sem que isso signifique que eles deixem de ser problemáticos.

15/15\15: O texto “ Os limites do crescimento: ecossocialismo ou barbárie ” foi publicado em inglês e recebeu elogios de notáveis ​​pensadores do Decrescimento como Jason Hickel e até mesmo alguém mais situado no ecoanarquismo como Ted Trainer. Que outras reações você teve no exterior? Haverá participação internacional no encontro?

AG : O documento tem a ambição de ser uma abordagem rigorosa, embora não académica per semas também informativo. Sabíamos que o fato de ter sido elaborado por um ministro aumentava seu impacto, e isso precisava ser aproveitado. Mas na realidade já avançamos bastante com o trabalho do Ministério do Consumo, que se expressa muito bem com as polêmicas da redução do consumo de carne e a questão das macro-fazendas. Mas sem dúvida minha intenção foi levar o debate para novos espaços, como os da nossa militância ou das pessoas que se referem a nós e não conhecem muitos dos elementos que apareceram no texto. A ideia era garantir que a questão ecológica não se reduzisse ao problema das alterações climáticas, pelo que se abriu um debate sobre as medidas que teríamos de tomar enquanto sociedade perante um desafio muito mais complexo e ameaçador do que aquilo que as pessoas tendem a pensar. Traduzimos o texto para o inglês . Queremos continuar tecendo redes nacionais e internacionais que vão além dos partidos, porque entendemos que é a única forma de construir alternativas políticas reais. Na verdade, o artigo pretende ser um ponto de partida que explicará muitas das próximas ações e eventos.

segunda-feira, 25 de outubro de 2021

‘Um único planeta, uma só saúde’ e a Declaração de Kunming sobre Biodiversidade


Depois da eclosão da pandemia de Covid-19, ficaram gritantes as estreitas relações entre ecossistemas e biodiversidade com a possibilidade da emergência de patógenos de elevado potencial pandêmico. O Sars-Cov-2, coronavírus causador da Covid-19, tem seu transbordamento de espécies silvestres para seres humanos, a partir de ecossistemas modificados pela ação humana e por alterações na sua biodiversidade 1,2. Mas a importância da biodiversidade não se deve exclusivamente à emergência de patogénios e as pandemias.

A biodiversidade é responsável por garantir serviços ecossistémicos e funções que suportam todas as formas de vida na Terra, como por exemplo, a produção de alimentos, a ciclagem de nutrientes, ar saudável, água potável. Esses serviços sustentam nossa vida, nossa saúde e bem-estar, além de serem fundamentais para o crescimento econômico. Portanto, sua preservação e uso sustentável se fazem imprescindíveis à nossa sobrevivência, mas também como um comportamento ético de respeito com todos os seres vivos, e componentes abióticos, com o quais compartilhamos um único planeta, uma única natureza, uma só saúde.

Os principais fatores que atuam diretamente na perda da biodiversidade são o uso não sustentável ou alterações da terra e do mar, a superexploração da natureza, as mudanças climáticas a poluição e a invasão/introdução de espécies exóticas invasoras.

Em artigos recentemente publicados neste mesmo blog3,4, já tratávamos da influência das mudanças climáticas e da biodiversidade sobre a saúde humana e planetária, assim como a importância de tê-los como objeto da saúde global e da diplomacia da saúde.

Por tudo isso, é imprescindível conferir extrema atenção às negociações internacionais quanto a um conjunto de temas aparentemente externos à saúde, tais como a biodiversidade e o clima, incorporando-as, com muita convicção, nos estudos sobre saúde global e diplomacia da saúde. Pois o sucesso ou o fracasso das negociações internacionais sobre biodiversidade e clima impactará profundamente a saúde humana hoje e no futuro.

A COP15 e a Declaração de Kunming
A 15ª reunião da Conferência das Partes da Convenção sobre Diversidade Biológica-CDB (COP15), maior encontro da ONU sobre biodiversidade em uma década, tem a tarefa de negociar esforços globais para restaurar e proteger a variedade de vida na Terra, por meio da elaboração de uma estrutura de biodiversidade global pós-2020 e identificação de novas metas de proteção até 2030.

Realizada em Kunming, província de Yunnan, sudoeste da China, em dois momentos complementares, teve a primeira rodada de negociações encerrada em 15 de outubro de 2021, e será concluída em abril-maio de 2022.

O principal resultado do Segmento de Alto Nível da primeira parte da COP15, foi a adoção da Declaração de Kunming 5, em 13 de outubro, firmada por mais de uma centena de países. A Declaração foi intitulada Civilização ecológica: Construindo um futuro compartilhado para toda a vida na Terra.

O texto recorda e se situa no contexto da Década de Ação das Nações Unidas para o Desenvolvimento Sustentável, da Década das Nações Unidas para Restauração de Ecossistemas e da Década das Nações Unidas para Ciência do Oceano, assim como, da Declaração de Cancún sobre a Integração da Conservação e Uso Sustentável da Biodiversidade para o Bem-Estar, da Declaração de Sharm el Sheikh sobre o Investimento na Biodiversidade para as Pessoas e o Planeta, e da Cúpula das Nações Unidas sobre Biodiversidade de setembro de 2020, cujo tema, recordemos, foi Ação Urgente sobre Biodiversidade para o Desenvolvimento Sustentável.

Apesar de ser um documento político inicial e ainda sem metas claras, a Declaração de Kunming incorpora o saber científico e alerta para a necessidade de ações integradas em todos os setores, dentre eles a saúde, encorajando a adoção de abordagens de Saúde Única.

Preâmbulo da Declaração
Na sua parte preambular, a Declaração reconhece a íntima relação entre as diversas crises planetárias, que incluem perda de biodiversidade, mudanças climáticas, degradação da terra e desertificação, degradação dos oceanos e poluição, e os crescentes riscos para a saúde humana e segurança alimentar, que, em seu conjunto, diz a Declaração, representam ameaças à sobrevivência da sociedade, da cultura, da prosperidade e do planeta.

Reconhece também que “os principais fatores diretos da perda de biodiversidade são as mudanças no uso da terra/mar, a superexploração, as mudanças climáticas, a poluição e as espécies exóticas invasoras”, mas não faz qualquer menção ao que consideramos a causa das causas, ou seja, o modelo de desenvolvimento e de produção e consumo que marcam a etapa atual do capitalismo global.

Reconhece que os povos indígenas e as comunidades locais contribuem para a conservação e o uso sustentável da biodiversidade, por meio da aplicação de conhecimentos, inovações e práticas tradicionais e por meio do manejo da biodiversidade em suas terras e territórios tradicionais.

A Declaração menciona a necessidade de ação urgente e integrada de todos os setores da economia e de todos os segmentos da sociedade, visando uma mudança transformadora por meio da coerência das políticas em todos os níveis de governo e da realização de sinergias com convenções globais relevantes e organizações multilaterais.

Observa que é necessária “a combinação de medidas que visem deter e reverter a perda de biodiversidade”, o que incluiria mudanças no uso da terra e do mar, conservação e restauração de ecossistemas, mitigação das mudanças climáticas, redução da poluição, controle de espécies exóticas invasoras e prevenção da exploração ambiental excessiva, bem como ações para transformar os sistemas econômico-financeiros e garantir a produção e o consumo sustentáveis ​​e reduzir o desperdício; afirma que nenhuma dessas medidas isoladamente, nem em combinações parciais, é suficiente, e que a eficácia de cada medida é potencializada pela outra.

A nosso ver, esse parágrafo preambular é paradoxalmente avançado pelo conjunto de ideias, mas problemático pelo uso de vocábulos ambíguos ou que expressam ações insuficientes, como é o caso mitigação, excessiva, redução etc. Esses termos deverão ser transformados em métricas-alvo para que haja avanços significativos. Por enquanto, a única métrica existente nesta Declaração é que os países devem preservar 30% das suas terras e oceanos até 2030, uma meta conhecida como '30 por 30 ', que foi reconhecida pela sessão da COP15 de Kunming.

Compromissos
Na sua porção declaratória, o texto assume compromissos quanto a 17 pontos, entre os quais: assegurar o desenvolvimento e a implementação de um quadro de biodiversidade global eficaz pós-2020; preparar Plano de Implementação pós-2020 e Plano de Ação de Capacitação para o Protocolo de Cartagena sobre Biossegurança; promover a integração da conservação e uso sustentável da biodiversidade nas tomadas de decisões dos governos nacionais; desenvolver Estratégias Nacionais de Biodiversidade e Planos de Ação; melhorar a estrutura legal ambiental global e fortalecer e aplicar leis ambientais favoráveis à biodiversidade em nível nacional; garantir a repartição justa e equitativa dos benefícios decorrentes da utilização dos recursos genéticos, por meio da CDB, do Protocolo de Nagoia e outros acordos; medidas para o desenvolvimento, avaliação, regulamentação, gestão e transferência de biotecnologias relevantes, inclusive de organismos geneticamente modificados; reduzir os efeitos negativos das atividades humanas nos oceanos; garantir que as políticas, programas e planos de recuperação pós-pandemia contribuam para a conservação e o uso sustentável da biodiversidade; reformar as estruturas de incentivos, eliminando ou reformando subsídios e outros incentivos que sejam prejudiciais à biodiversidade; garantir apoio financeiro, tecnológico e de capacitação aos países em desenvolvimento, necessário para estruturar a biodiversidade global pós-2020; participação plena e efetiva de povos indígenas e comunidades locais, mulheres, jovens, sociedade civil, governos e autoridades locais, academia, setores empresariais e financeiros e outras partes interessadas; comunicação, informação e educação sobre biodiversidade ao público; colaboração e coordenação de ações com acordos ambientais multilaterais em andamento.

Como se pode observar, uma agenda ampla e ambiciosa, que repete alguns mantras já ecoados no último decênio, mas que são muito importantes de serem reafirmados no contexto atual de aprofundamento da perda de biodiversidade em todo o planeta. No entanto, os comprometimentos não se refletiram em metas específicas para conter extinções em massa de espécies. O próprio ministro do Meio Ambiente da China, Huang Runqiu, país que preside a COP15, disse aos delegados da conferência que “a declaração é um documento de vontade política, não um acordo internacional vinculante”.

Reações globais
A reação à Declaração foi positiva na maior parte dos países e grupos de países do mundo. Inúmeras agências das Nações Unidas manifestaram-se com propostas de adesões desde suas particulares áreas de atuação. A Presidência do Conselho da União Europeia saudou positivamente a Declaração de Kunming, logo após sua divulgação. O G7 já havia manifestado posição favorável à maioria das aspirações e compromissos da COP15, nos itens 42 e 43 do seu Carbis Bay G7 Summit Communiqué6, mas não se manifestou especificamente sobre a Declaração. O G20 vai se reunir neste final de outubro e espera-se uma manifestação de apoio à Declaração. Os Estados Unidos da América, que até hoje não ratificou a CDB, manteve seu estridente silêncio habitual.

A World Wide Fund for Nature (WWF) saudou a combinação de medidas presentes na Declaração, que inclui tanto ações de conservação, como ações para abordar a produção e o consumo insustentáveis, pois ambos são imprescindíveis para assegurar um mundo favorável à natureza nesta década. Por outro lado, ressaltou que há um extenso caminho para uma abordagem governamental implementada por todas as partes da CDB, mas a participação de ministros de economia e finanças, agricultura, desenvolvimento e meio ambiente demonstra que os governos estão começando a reconhecer que a biodiversidade deve ser tema prioritário em todas as áreas.

De acordo com a Agência Reuters, a Declaração de Kunming pede uma "ação urgente e integrada", que reflita as considerações sobre a biodiversidade em todos os setores da economia global. Mas questões cruciais como o financiamento da conservação em países mais pobres e o compromisso com cadeias de abastecimento mais amigáveis com a biodiversidade foram deixadas para serem discutidas na segunda etapa da COP15, em abril de 2022.

Para o Greenpeace7, o texto não contém os avanços suficientes e esperados na maioria dos temas polêmicos, apesar dos tímidos intentos. O comunicado da ONG acrescenta que, embora sejam importantes metas ambiciosas, como proteger pelo menos 30% das áreas terrestres e marinhas até 2030, são imprescindíveis compromissos governamentais concretos com estratégias de implementação e meios reais para atingi-las. Ademais, as metas devem reconhecer os direitos dos povos indígenas e das comunidades locais, e seu papel fundamental na preservação da natureza e da biodiversidade.

Muitos dos compromissos descritos na Declaração de Kunming são basicamente uma continuação do Plano Estratégico para a Biodiversidade 2011-2020 e as Metas de Biodiversidade de Aichi, que também incluíram compromissos para reduzir os incentivos a atividades que ameaçam a biodiversidade, integração da biodiversidade com outras políticas governamentais, e aumento da resiliência contra as mudanças climáticas. Um dos grandes desafios será o financiamento dessas medidas, em um momento de crise econômica causada pela Covid-19. Antes mesmo da pandemia, a disponibilidade de recursos financeiros públicos e privados internacionais para a agenda da biodiversidade (US$ 80-90 bilhões/ano) foi infimamente menor que os subsídios à atividades econômicas que ameaçam os ecossistemas e a diversidade biológica (US$ 500 bilhões/ano), como a agricultura, a pesca, e a exploração e o uso de combustíveis fósseis.

Com a perda de espécies atingindo seu ritmo mais rápido em 10 milhões de anos, o avanço das mudanças climáticas e a previsão de novas epidemias, a declaração de Kunming traz uma nova esperança. A Declaração pode ter parecido apressada, mas as negociações sobre propostas mais concretas ocorrerão em 2022, culminando na segunda parte da COP15 em abril-maio. Espera-se que o debate suscitado pela Declaração de Kunming ecoe nos próximos fóruns globais a que se destina, como o High-Level Political Forum do Ecosoc 2022 sobre a Agenda 2030, e a própria Assembleia Geral das Nações Unidas de 2022. A sociedade civil global e nacional tem papel fundamental na cobrança de que as promessas virem, finalmente, ações concretas na proteção e restauração da biodiversidade. O planeta não pode mais esperar!


2 Keesing F et a.l Impacts of biodiversity on the emergence and transmission of infectious diseases. Nature 468.7324: 647-652, 2010. 

3 Buss PM; Magalhães DP. As estreitas relações entre a pandemia e a biodiversidade. Centro de Estudos Estratégicos blog 

4 Magalhães, DP; Buss, PM. O bem-estar humano está relacionado à proteção da biodiversidade e ao clima. Centro de Estudos Estratégicos blog


6 Ver: Carbis Bay G7 Summit Communiqué , itens 42 e 43, pg.17

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Too Many People? por Ian Angus

Too Many People? provides a clear, well-documented, and popularly written refutation of the idea that "overpopulation" is a major cause of environmental destruction, arguing that a focus on human numbers not only misunderstands the causes of the crisis, it dangerously weakens the movement for real solutions.

No other book challenges modern overpopulation theory so clearly and comprehensively, providing invaluable insights for the layperson and environmental scholars alike.

Ian Angus is editor of the ecosocialist journal Climate and Capitalism, and Simon Butler is co-editor of Green Left Weekly.

Reviews
  • “Too Many People? is a clear and convincing challenge to the idea of population control as political necessity ... Angus and Butler … suggest an action plan to move the world in a more environmentally respectful direction: cease all military operations at home and abroad; begin phasing out fossil fuels and biofuels and replace them with wind, geothermal, wave and solar power; … and ensure that women everywhere have access to birth control and abortion.”
    Truthout

    “This excellent book is steadfast in its refutations of the flabby, misogynist and sometimes racist thinking that population growth catastrophists use to peddle their claims. It’s just the thing to send populationists scurrying back to their bunkers.”
    —Raj Patel, author of Stuffed and Starved

    "As the global population passes the seven billion mark, this book is a timely intervention in a recurring and important debate in the environmental movement. Written from an eco-socialist perspective, the authors make a compelling that what's ailing the planet is not too many humans, but too much capitalism"
    —Derrick O'Keefe, co-writer with Afghan politician Malalai Joya, of A Woman Among Warlords

    “Ian Angus and Simon Butler ’s new book about population control, or “populationism” in the widest sense, is invaluable for people concerned about climate change, climate justice, environmental racism, and system change. Angus and Butler are clear about the urgency of drastically cutting greenhouse gas emissions, and that there is simply not time for the detours, deflections, and damage caused by “population bomb” theories.”
    Judy Deutsch, Canadian Dimension

    “Ian Angus and Simon Butler are not ordinary environmentalists and Too Many People? is not an ordinary book on population and the environment. They demonstrate that by demolishing the notion that too many people (and too many consumers) are the source of our environmental ills we can get at the real problem: the system of accumulation and waste commonly known as capitalism.”
    —John Bellamy Foster, coauthor (with Fred Magdoff) of What Every Environmentalist Needs to Know About Capitalism

    “Sadly the population myth has been used to distract attention from the roots of ecological crisis in a destructive economic system and to shift the blame for problems such as climate change on to the poor. This splendid book is an essential read for all those of us concerned with creating an ecologically sustainable and just future. Buy it, read it and spread the word!”
    —Derek Wall, author of The Rise of the Green Left

    "Ian Angus and Simon Butler’s superb book challenges the “common sense” idea that there are too many people. Clearly and concisely they blame a system that puts profit before people and planet, refuting the arguments of the later day Malthusians. It is a book that should be read by every environmental campaigner, trade unionist and political activist."
    — Martin Empson, author of Marxism and Ecology: Capitalism, Socialism and the Future of the Planet

    “Angus and Butler have written a comprehensive dissection of the arguments surrounding over-population, It’s a vital and insightful socialist response to the debate and highly recommended to anyone interested in fighting for a better world and avoiding the pitfalls of false solutions.”
    —Chris Williams, author of Ecology and Socialism

    “With clear prose and careful, cogent analysis, Angus and Butler provide the tools necessary to dismantle the myth of overpopulation step by step … [and] show the way to a more hopeful, justice-centered environmental and reproductive politics.”
    —Betsy Hartmann, author of Reproductive Rights and Wrongs: The Global Politics of Population Control

    “This is an essential subject, and we are in Angus and Butler’s debt for treating it with such clarity and rigor.”
    —Joel Kovel, author of The Enemy of Nature

    "Ian Angus and Simon Butler’s book ‘Too Many People?’ provides a great service to the workers’ movement by systematically demolishing a key argument of the Right … Socialists before have made all of Angus and Butler’s points but never in such a systematic, clear and concise way. This book should be on the shelf of every active socialist, as well as anyone serious about tackling climate change."
    —Stephen Jolly, Socialist Party of Australia

    “The clarity of the authors’ arguments, their unassailable reasoning, their thorough research, the full transparency of their worldview, and the readability of their writing, make this one of the best nonfiction books I’ve read. If you care about both the environment and reproductive justice, this book is a must-read."
    —Laura Kaminker, wmtc blog
  • —Stephen Jolly, Socialist Party of Australia