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sábado, 13 de junho de 2026

Milhares de espécies de peixes são apanhadas na pesca de arrasto de fundo, incluindo ameaçadas de extinção

Mais de 3.000 espécies de peixes são apanhadas na pesca de arrasto de fundo, um tipo de captura que arrasta redes pelo leito marinho e apanha tudo à sua passagem. Esta é apenas uma estimativa e o número real pode mesmo ser o dobro.

A conclusão é de uma investigação da Universidade da Columbia Britânica, no Canadá, publicada na revista ‘Reviews in Fish Biology and Fisheries’. O trabalho é descrito pelos autores como o primeiro inventário global das espécies de peixes cuja captura é reportada no âmbito da pesca de arrasto de fundo, e teve por base mais de 9.000 registos de todo o mundo de 1895 a 2021.

“Esta é a imagem mais clara que temos da amplitude da pesca de arrasto de fundo”, diz Sarah Foster, primeira autora do estudo. “Revela quantas espécies estão a ser capturadas e o quanto nos tem escapado”, acrescenta.

De acordo com a equipa, uma em cada sete espécies de peixes registadas, e que tenham um estatuto de conservação conhecido na Lista Vermelha da União Internacional para a Conservação da Natureza, está ameaçada ou quase ameaçada de extinção.

Por outro lado, uma em cada quatro ou sobre ela não há dados suficientes para fazer uma avaliação adequada quanto à sua conservação, ou não foi ainda avaliada, o que, para estes investigadores, significa que uma grande porção da pesca de arrasto de fundo estão a acontecer no meio de um “vácuo de informação”.

Entre as espécies apanhadas nessas pesadas redes que devastam os fundos marinhos contam-se a criticamente ameaçada raia Glaucostegus typus, o ameaçado tubarão-zebra (Stegostoma tigrinum) e pelo menos três espécies vulneráveis de cavalos-marinhos. Além disso, os cientistas descobriram que  num terço das 323 famílias de peixes registadas pelo menos metade de todas as espécies eram apanhadas nas redes de arrasto de fundo.

“A pesca de arrasto de fundo arrasta ramos inteiros da árvore da vida marinha. Não faz distinção entre espécies comuns e aquelas que está já à beira da extinção”, afirma Syd Ascione, coautora do artigo, acrescentando que essa prática está a pôr pressão sobre “espécies únicas em termos evolutivos, incluindo muitas sobre as quais sabemos demasiado pouco”.

Os números revelam ainda que cerca de 95% das espécies apanhadas na pesca de arrasto de fundo não eram o alvo, mas, mesmo assim, 64% foram capturadas e não foram devolvidas ao mar. Os investigadores dizem que, por tudo isso, as estimativas que apresentam são altamente conservadoras, e que os números reais podem ser muito maiores.

Apontando que cerca de 99% da pesca de arrasto de fundo acontece em águas sob a jurisdição de Estados, “é importante que os governos adotem abordagens precaucionárias e que proíbam a pesca de arrasto de fundo em vastas áreas do oceano”, especialmente em áreas marinhas protegidas, defende Amanda Vincent, que também assina este trabalho.

sexta-feira, 12 de junho de 2026

Portugal deve liderar a proteção do Mar dos Sargaços




Uma “floresta tropical flutuante dourada” precisa urgentemente de proteção. Perto dos Açores, uma extensão de oceano aberto em águas internacionais abriga verdadeiros tesouros da Natureza. Tapetes de algas douradas, chamadas Sargassum, fervilham de vida: são refúgio para espécies ameaçadas, berçário para tartarugas-bebé e uma paragem na rota migratória das majestosas baleias jubarte.

Longe dos olhares do mundo, esta região de águas cheias de vida e de tapetes de algas absorve carbono em quantidades sete vezes superiores às de outras regiões semelhantes. Um trabalho absolutamente fundamental para a equilibrar o clima.

Apesar de todos estes benefícios para os seres humanos e para o planeta, o Mar de Sargaços está em grave risco. Sem proteção, encontra-se vulnerável a interesses de governos e empresas. Contudo, recordamos que Portugal comprometeu-se a proteger 30% dos Oceanos. É urgente começar pelo Mar de Sargaços!

O Mar de Sargaços está em risco…
Os Oceanos são verdadeiros tesouros e, entre governos e empresas, não falta quem os queira explorar, longe dos olhares do mundo.

O que está em risco no Mar de Sargaços:
  1. Poluição: o mesmo sistema de correntes que mantém o Sargaço nesta região, aprisiona plásticos e outro tipo de poluição, que ameaçam asfixiar as tartarugas e restantes espécies marinhas.
  2. Mineração em mar profundo: empresas e líderes mundiais já começaram os primeiros testes para conseguirem rasgar o fundo do oceano e extrair minerais. Para alimentar interesses financeiros, querem colocar em risco ecossistemas essenciais à vida no planeta.
  3. Exploração: a pesca industrial excessiva está a dizimar as populações de peixes e a destruir habitats marinhos.
  4. Dados científicos recolhidos ao longo de 40 anos revelam uma aceleração acentuada nas alterações da temperatura, salinidade, níveis de oxigénio e acidez da água.
Cada momento de atraso na criação de um santuário totalmente protegido significa que podemos perder para sempre a vida marinha e um ecossistema insubstituível.

O que podemos fazer?
A recente entrada em vigor do Tratado Global dos Oceanos é uma prova inequívoca de que os governos conseguem unir-se para proteger o nosso futuro comum. Após vários anos de campanha da Greenpeace e de outras organizações da sociedade civil, esta vitória histórica para os oceanos é apenas o início de um novo capítulo na defesa do mar. Falta agora tornar a sua promessa em realidade: proteger 30% dos oceanos até 2030.

Através desse Tratado, o Governo português tem agora a oportunidade e o dever de assumir um papel de liderança internacional, apoiando a criação de um santuário marinho protegido no Mar dos Sargaços.

Esta seria uma ação fundamental que ajudaria a estabilizar o clima, proteger os meios de subsistência de milhões de pessoas e garantir um oceano saudável para as próximas gerações!

Exige que o Governo português atue já, liderando a criação de um santuário marinho no Mar dos Sargaços e protegendo tartarugas, baleias, tubarões e tantas outras espécies. Os oceanos não podem esperar!

Saber mais
1.Tratado do Alto-Mar entra em vigor e Portugal é desafiado a proteger Mar de Sargaços
2.Assinar e divulgar a petição da Greenpeace

quinta-feira, 7 de maio de 2026

Já ouviu falar do Síndrome da Referência Móvel - Shifting Baseline Syndrome?



Do you suffer from Shifting Baseline Syndrome (SBS)? Well, the answer is that everyone probably does. While SBS is not an actual medical condition, it has been gaining traction across environmental disciplines, as well as featuring in modern environmental literature, as seen in Isabella Tree’s Wilding: The Return of Nature to a British Farm and George Monbiot’s Feral.

What is Shifting Baseline Syndrome?

Coined by Daniel Pauly in 1995, while speaking of increasing tolerance to fish stock declines over generations, SBS also has roots in psychology, where it is referred to as ‘environmental generational amnesia’. Simply put, Shifting Baseline Syndrome is ‘a gradual change in the accepted norms for the condition of the natural environment due to a lack of experience, memory and/or knowledge of its past condition’. In this sense, what we consider to be a healthy environment now, past generations would consider to be degraded, and what we judge to be degraded now, the next generation will consider to be healthy or ‘normal’. As Soga and Gaston (2018) argue, without memory, knowledge, or experience of past environmental conditions, current generations cannot perceive how much their environment has changed because they are comparing it to their own ‘normal’ baseline and not to historical baselines.

Evidence for Shifting Baseline Syndrome in Conservation
While Shifting Baseline Syndrome is acknowledged by environmental scientists, particularly by conservationists, there is little research to support its existence that is beyond anecdotal, yet this evidence occurs globally; for example, in Eastern Indonesia, where biodiversity has declined rapidly over 30 years, younger fishers were found to recall a lower abundance of wildlife in the past, meaning they were perceiving less of a decline in the wildlife population, compared to older fishers. Similarly, in the Bolivian Amazonia, it was found that younger generations perceived the number of locally-extinct tree and fish species as lower compared to older generations. Again, a study in the Seward Peninsula in Alaska, USA, an area that is facing rapid hydrological environmental change as a result of climate change, found that younger people were less aware of changes in the quality and availability of five local water resources. While these studies are not directly about SBS, they have each recorded a difference in how older and younger generations perceive environmental change locally, which draws back to Soga and Gaston’s framework, which emphasises the importance of differences in memory, knowledge, and experience.

Despite the lack of empirical evidence, Shifting Baseline Syndrome is being given attention, perhaps because it has implications for individuals and environmental policy in fighting against climate change.

On an individual level, SBS has increased our tolerance to environmental degradation, including wildlife population decline, increased pollution and loss of natural habitats. This is because people will evaluate the severity of environmental degradation by referencing it back to their own cognitive baseline. In the UK, George Monbiot summarises the state of conservation, saying, “conservation in this country has become indistinguishable from destruction because what we’re conserving is an ecocidal system of sheep ranching. Sheep eat everything, and as a result, there’s no birds, no insects. We’ve lost almost everything, and yet we regard that as normal and natural.” In the UK people are actively conserving ecologically desolate ecosystems as they have no reference to past British wilderness.

At a societal level, this unawareness of past environmental conditions or current rates of degradation has implications for policymakers. For example, in the UK, the Environment Act of 1995 (the original legislation for National Parks was introduced in 1949) revised the legislation stating the statutory purpose for National Parks. Their main goal is to ‘conserve and enhance the natural beauty, wildlife and cultural heritage’. Those who introduced this legislation originally had a perception of ‘natural beauty, wildlife, and cultural heritage’, and so current National Park conservation practise is driven by a static perception, despite itself studying a subject of constant dynamism. When National Parks were originally established they were characterised by traditional agriculture. While this may seem insignificant the inclusion of ‘cultural heritage’ protects agriculture as part of the landscape, despite its environmental impact. Therefore the conservation approach in these areas can be described as unambitious as they maintain what is simply there or set targets that are not inclusive of historical data and trends. However, people are satisfied because the landscape looks the same as when the legislation was introduced.

Thus, our conservation and policy efforts are becoming less effective with each generation, while we become more satisfied with our diminishing actions because our targets are weaker in terms of biodiversity and habitat heterogeneity. The result is a feedback loop, where every generation’s increasing tolerance for environmental decline results in insufficient conservation efforts that inevitably cannot forestall degradation which next generations will tolerate because they have no preconception of the state of the environment.

Despite the ‘doom and gloom’, Soga and Gaston have designed theoretical response frameworks that could help mitigate the effects of SBS. They argue that solutions to minimise the impact of SBS lie in environmental restoration, increased data collection, reducing the ‘extinction of experience’ (the decline of people interacting with nature) and education.

Environmental restoration, mainly in the form of rewilding, will be able to demonstrate historical baselines to those who are potentially affected by SBS. Data collection will help to better inform current and future generations how the environment is changing and has changed from past conditions. Soga and Gaston suggest that citizen science could play a huge role in creating ‘large-scale, long-term data sets’ as well as increasing people’s interactions with nature to reduce this extinction of experience. In addition to this, reducing the extinction of experience through the promotion of positive experiences with nature will help to increase interaction with the environment. Finally, education will help individuals to better assess the state of the environment and to accurately communicate its past and present condition.

Thus, even while we wait for the scientific study of Shifting Baseline Syndrome to begin, the acknowledgement of this concept in environmental science means that leaders in the field could take steps to help mitigate its potential effects. Soga and Gatson’s solutions, specifically rewilding and education, could increase people’s interactions with nature and promote the importance of effective conservation.

quinta-feira, 16 de abril de 2026

Measuring Ecological Limits: The United States and the World


The science is clear: Our rate of economic activity is having disastrous impacts on the environment, starting with the climate so crucial to our survival. Economic activities require the use of natural resources and systematically entail pollution. Resources eventually get used up, as does the capacity of the planet to assimilate waste. We are reminded of Herman Daly’s long-running emphasis that the economy is a subsystem of the environment, not the other way around.

Expanding on this, steady-state economists and other post-growth advocates argue that economic growth cannot be decoupled from material throughput. This can be explained with the trophic theory of money, which follows from the trophic structure of the economy of nature. Agriculture and extraction comprise the trophic foundation of the economy, and all other sectors rely on that trophic base. Therefore, we cannot rely on “dematerialized” sectors to grow the economy while decreasing its disastrous impacts on the environment.

Therefore, consumption must be reduced, particularly in high-income countries that consume more natural resources and release more waste. But just how much do high-income countries need to reduce their economic activity to be sustainable? Two metrics help us understand sustainable limits by quantifying the relationship between the environment and the economy: ecological footprint and biocapacity.

The Conceptual Framing of Ecological Footprint and Biocapacity
The ecological footprint is a measure of the area needed to support the demands of economic activity. Biocapacity is a measure of the area available to supply natural resources and absorb waste at a sustainable rate. When the ecological footprint exceeds biocapacity, that indicates ecological overshoot. The Ecological Footprint Initiative has been measuring global ecological footprint and biocapacity since 1961. We have been in overshoot since 1971.

The ecological footprint and biocapacity are made up of comparable components, including cropland, grazing land, forest land, fishing grounds, and built-up land. In addition, ecological footprint includes a carbon component.

Scientists measure ecological footprint and biocapacity with a unit called the global hectare. They convert the productivity of different ecosystems to global hectares based on the world average productivity of a hectare. This enables comparisons between different land types, places, and years.
Ecological Footprint and Biocapacity of the United States

The United States has a high ecological footprint that is larger than its biocapacity. In 2022, there were roughly one billion hectares across the United States. When categorized into the biocapacity components and compared to global average productivity, this equates to 1.25 billion global hectares (gha) of biocapacity.

In other words, U.S. land, most notably cropland and forest land, was more productive than the global average. The average biocapacity of one hectare of U.S. cropland was 3.7 gha. One hectare of forest land provided an average of 1.6 gha of forest land biocapacity. However, this above-average biocapacity of cropland and forest land does not indicate sustainability. The country’s total ecological footprint is far higher than its total biocapacity.

In 2022, the U.S. ecological footprint of production was over 2.5 billion gha. This was similar to the ecological footprint of consumption, because the footprints of imports and exports were nearly equal. However, there were differences among the footprint components of imports and exports. The carbon component was more prominent in the ecological footprint of imports, whereas the cropland component was more prominent in exports. This means the United States imported more carbon-intensive goods and services than it exported, and exported more cropland-intensive harvests than it imported.
U.S. Trends: Better or Worse?

One good sign is that total U.S. biocapacity has been increasing over time. In 1961, total biocapacity was just over 1 billion gha, and by 2024, biocapacity had grown to 1.3 billion gha (2023 and 2024 data were forecasted).1 This is because of increases in agricultural productivity. Biocapacity is a measure of what the environment can provide for human use, not of biodiversity or ecosystem health. In fact, it has a negative correlation with biodiversity indicators. Cropland illustrates this tension well, as using fertilizers and chemicals can increase agricultural productivity at the expense of ecosystem health.

The U.S. population has also been increasing over time, which has decreased biocapacity per person. In 1961 biocapacity was 5.7 gha/person, and in 2022 was 3.8 gha/person.

Meanwhile, the U.S. ecological footprint of consumption has been increasing. In 1961 it was 1.6 billion gha, and by 2024 it reached 2.5 billion gha. Counteracting that increase to some degree is the per-person ecological footprint of consumption, which has decreased in recent years. In 1961, it was 8.9 gha/person, and in 2022, it was 7.9 gha/person. Although this is not a huge reduction, it provides a glimmer of hope that the country can reduce its footprint per person to offset population growth. However, it would need a very sizeable reduction to retreat to the safe operating space of its biocapacity.

In summary, the best available ecological footprint and biocapacity science reveals that the United States is exceeding a sustainable level of resource use for the production and consumption of goods and services. In 2022, the ecological footprint of consumption was 7.9 gha/person, and biocapacity was 3.8 gha/person. Ecological footprint is more than double biocapacity, meaning that economic activity is (over) two times the amount the United States can sustain. And with its outsized carbon footprint, the American economy is impacting the biocapacity of ecosystems on Earth.
Diving Into the Footprint Details

The carbon component makes up 64 percent of the ecological footprint embodied in the consumption of goods and services in the United States. Almost all of this carbon component (95 percent) comes from fossil fuel emissions. The largest share of these emissions (37 percent) comes from transport, of which road transport constitutes the majority. The next-largest share of U.S. carbon emissions (34 percent) comes from public and private utility companies producing electricity and heat for sale to third parties.

For many people, these details highlight the importance of decarbonizing electricity and heat generation and shifting transportation to less emissions-intensive modalities, such as rail. However, the emissions reductions needed to bring the United States back within its biocapacity are so immense that “green” alternatives aren’t sufficient. Americans must also reduce consumption of electricity and heat, as well as the distance they travel, because “green growth” is not possible.

In 2022, cropland made up 18 percent of the U.S. ecological footprint of consumption. Of the cropland ecological footprint, 84 percent was used for crops consumed by people and pets, 15 percent was used to feed livestock, and less than 0.5 percent was used to feed fish. Almost 700 million metric tons of crops were harvested, and just over half was maize. The second most harvested crop was soybeans at 17 percent of total harvests.

Yet the proportion of ecological impact does not equal the proportion of total harvests. For instance, maize made up 52 percent of crop harvests (metric tons) and 43 percent of the cropland ecological footprint of production (gha) in 2022. On the other hand, soybeans accounted for 17 percent of harvests (metric tons) and 32 percent of cropland ecological footprint of production (gha). Therefore, soybeans had almost double the ecological impact per metric ton of harvest in the United States.
The United States in the Global Context

The United States consumes far more than its share of the Earth’s natural resources. The global average ecological footprint of consumption was 2.7 gha/person in 2022. The United States crushed that benchmark at 7.9 gha/person. The average U.S. citizen consumed resources at almost three times the rate of the average global citizen.

Here’s another way of thinking about this: The United States is responsible for twelve percent of the world’s ecological footprint of consumption. Yet the U.S. population only amounts to four percent of the world population. This represents a highly disproportionate environmental impact.

The U.S. ecological footprint per person is even higher than that of most other high-income countries. The average ecological footprint of consumption in high-income countries is 6.1 gha/person.

There are important debates about best practices for presenting ecological footprint and biocapacity data. Often, the ecological footprint of a territory is compared to the biocapacity of that territory. For example, U.S. ecological footprint is compared to U.S. biocapacity. This implies that a country achieves sustainability if its ecological footprint is lower than its biocapacity.

Many criticize this approach as an unfair representation of sustainability, because some countries are blessed with exceptionally high biocapacity. For instance, in 2022, the ecological footprint in Canada was 8.4 gha/person, and the biocapacity was 14.4 gha/person. Canada’s biocapacity was clearly higher than its ecological footprint. However, its ecological footprint per person was in the top ten highest in the world. Therefore, perhaps it is also important to compare a country’s ecological footprint to world average biocapacity (global ecological balance) in addition to the country’s biocapacity (local ecological balance).

In 2022, global biocapacity was 1.5 gha/person, significantly lower than the U.S. ecological footprint of 7.9 gha/person. In other words, U.S. citizens consume resources and emit carbon at five times the global average sustainable rate.

Ecological footprint and biocapacity data illustrate that we are using natural resources and releasing waste at unsustainable rates, in the United States and around the world. It shows that this has been happening for decades. The United States and other high-income countries are disproportionately responsible for this state of overshoot. They must pump the brakes on resource consumption and waste emissions if we are to exist within local and global sustainable limits. They must pump the brakes, in other words, on the economy.


Saber mais: 
Vídeomensagem de Brian Czech explicando o conceito Trophic Theory of Money

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2026

O aquecimento dos oceanos causa uma redução anual de 20% no número de peixes

O aquecimento crónico e prolongado dos oceanos é o responsável pelo declínio anual de quase 20% na biomassa de peixes (o peso total dos peixes capturados vivos em redes de arrasto), segundo pesquisadores do Museu Nacional de Ciências Naturais da Espanha e da Universidade Nacional da Colômbia.

A pesquisa, desenvolvida nas águas do Mediterrâneo, do Atlântico Norte e do Pacífico Nordeste, baseia-se na análise de 702.037 estimativas de mudanças na biomassa de 33.990 populações de peixes registadas entre 1993 e 2021 no Hemisfério Norte.

Os dados coletados, segundo os pesquisadores, devem ser cruciais para aprimorar a gestão da pesca e a conservação dos ecossistemas marinhos, dos quais depende grande parte da segurança alimentar mundial; hoje, 25 de fevereiro, eles publicam os resultados do seu trabalho na revista Nature Ecology and Evolution.

Shahar Chaikin, pesquisador do Museu Nacional de Ciências Naturais, explicou à EFE que calcularam essa perda de 'biomassa' analisando o peso total dos peixes vivos capturados em redes de arrasto de fundo durante o período abrangido pelos estudos científicos, que inclui espécies comerciais e não comerciais.

As ondas de calor marinhas, cada vez mais frequentes, não afetam todos os peixes da mesma forma, pois há populações que "perdem" e outras que "ganham", e o estudo mostra que tudo depende da zona de conforto térmico, a faixa de temperatura ideal na qual cada espécie cresce e se desenvolve melhor.

No final das contas, ninguém ganha.
Shahar Chaikin afirmou que, tanto globalmente quanto em nível populacional (em locais específicos), a tendência geral é de diminuição dessa biomassa à medida que os oceanos aquecem, e declarou que o resultado final do trabalho é que "ninguém ganha a longo prazo".

Quando uma onda de calor leva os peixes em águas já quentes além de sua zona de conforto térmico, a sua biomassa pode cair até 43,4%, mas as populações em áreas mais frias muitas vezes prosperam temporariamente com o aumento das temperaturas, aumentando a sua biomassa em até 176%.

“Embora esse aumento repentino na biomassa em águas frias possa parecer uma boa notícia para a pesca, trata-se de um aumento temporário. Se os gestores aumentarem as quotas de pesca com base no aumento da biomassa causado por uma onda de calor, correm o risco de provocar o colapso dos stocks quando as temperaturas voltarem ao normal ou quando o efeito do aquecimento global a longo prazo se consolidar, porque esses aumentos são pontuais”, alertou Chaikin.

“Ao contrário das flutuações climáticas de curto prazo, que podem variar drasticamente, o aquecimento crónico exerce uma pressão negativa constante sobre as populações de peixes no Mar Mediterrâneo, no Oceano Atlântico Norte e no nordeste do Oceano Pacífico”, disse Juan David González Trujillo, pesquisador da Universidade Nacional da Colômbia, num comunicado à imprensa divulgado na quarta-feira pelo MNCN.

Coordenação internacional para gerir recursos que não conhecem fronteiras.
A abordagem tradicional à gestão da pesca já não acompanha o ritmo das alterações climáticas e, para garantir o futuro dos recursos pesqueiros globais, os autores propõem uma estrutura de três níveis que combina resposta rápida, planeamento a longo prazo e cooperação internacional. Observaram que as espécies, na tentativa de se manterem dentro da sua zona de conforto térmico, inevitavelmente atravessam fronteiras internacionais, pelo que a conservação requer coordenação internacional e acordos conjuntos de gestão de recursos.

O pesquisador do MNCN-CSIC, Miguel Bastos Araújo, enfatizou a importância de equilibrar cuidadosamente os aumentos localizados com os declínios a longo prazo para evitar a sobre-exploração e afirmou que a única estratégia viável diante do aquecimento dos oceanos é priorizar a resiliência a longo prazo. "As medidas de gestão devem levar em conta o declínio esperado da biomassa num oceano cada vez mais quente."

A conclusão é que os recursos pesqueiros não podem ser regulamentados apenas considerando o aumento ou a diminuição ocasional da biomassa devido a uma onda de calor marinha, disse Chaikin à EFE, citando o exemplo do robalo do Mediterrâneo: quando confrontado com uma onda de calor marinha, é essencial reduzir a pressão da pesca, porque enfrenta perdas muito maiores do que as populações em costas mais frias da Galiza ou da Inglaterra.

Mas, embora as populações nessas "bordas frias" possam experimentar um aumento significativo durante uma onda de calor, esses ganhos são "transitórios" e desaparecem com o aquecimento oceânico a longo prazo , portanto, não representam uma oportunidade para a "captura sustentável".

terça-feira, 23 de dezembro de 2025

Sabe o que está a comer numa lata de atum? Investigadores revelam as espécies mais usadas na indústria de conservas portuguesa



Uma equipa de cientistas dos centros de investigação MARE e CE3C descobriram quais as espécies de atum mais usadas pela indústria das conservas em Portugal. Isso, apesar de Portugal ser um dos maiores consumidores de atum enlatado per capita na Europa.

Num artigo divulgado recentemente na revista ‘Scientific Reports’, a equipa revela que, através de métodos de sequenciação molecular capazes de identificar com precisão as espécies presentes nos produtos enlatados , o atum-bonito (Katsuwonus pelamis) é a espécie predominante em todas as sete marcas portuguesas (não reveladas) e tipos de conservas analisadas.

Além dessa, foram também detetadas outras espécies, como o atum-patudo (Thunnus obesus), o atum-albacora (Thunnus albacares) e espécies do género Auxis que os autores dizem não ser “atum verdadeiro”.

Outro resultado relevante foi a deteção de múltiplas espécies dentro da mesma lata em quatro marcas distintas, uma prática que os investigadores dizem viola a legislação europeia em vigor.

“Este estudo representa o primeiro retrato molecular abrangente da indústria conserveira de atum em Portugal, revelando não apenas quais espécies chegam ao consumidor, mas também os riscos associados a uma rotulagem imprecisa”, detalha, no site do MARE, Ana Rita Vieira, primeira autora do artigo.

A investigadora acrescenta que “ao identificarmos espécies de atum com estatuto de conservação e de espécies que não são verdadeiros atuns, demonstramos a importância de reforçar mecanismos de controlo para uma rotulagem precisa, de forma a garantir que o consumidor sabe exatamente o que está a comprar e a consumir”.

E salienta que o facto de a equipa ter encontrado várias espécies na mesma lata “evidencia incumprimentos face à legislação europeia em vigor e reforça a urgência de mecanismos mais robustos de rastreabilidade”.

Ainda assim, Ana Rita Vieira dizem que o intento deste trabalho não é apontar falhas da indústria conserveira portuguesa, “uma referência histórica e económica”, mas sim fornecer informação científica sólida sobre a composição específica dos produtos disponíveis no mercado nacional, contribuindo para um debate mais informado sobre a utilização de recursos e práticas de rotulagem”.

quinta-feira, 10 de julho de 2025

Prémio Gulbenkian atribuído à Antarctic and Southern Ocean Coalition



A vencedora do Prémio Gulbenkian para a Humanidade 2025, que distingue" contribuições notáveis para a ação climática e soluções que inspiram esperança e novas possibilidades", é a Antarctic and Southern Ocean Coalition (ASOC).

A Antarctic and Southern Ocean Coalition conquistou este reconhecimento, refere a Fundação Gulbenkian pelo ”trabalho na proteção de uma das regiões do mundo mais sensíveis às alterações climáticas".

“Numa fronteira crítica do sistema climático global, a ASOC é um exemplo da forma como a colaboração internacional duradoura, a advocacy alicerçada na ciência e uma gestão ambiental responsável são essenciais para garantir um futuro sustentável para todos”; lê-se no comunicado da fundação.

O júri, presidido pela antiga chanceler alemã, Angela Merkel, selecionou o vencedor de entre 212 nomeações de 115 países. O prémio tem um valor monetário de um milhão de euros.

Fundada em 1978, “a ASOC reuniu organizações ambientais de prestígio de mais de 10 países, formando uma coligação resiliente e articulada de membros, parceiros, ativistas e apoiantes. Visto que a Antártida se encontra fora da jurisdição de uma só nação, a cooperação multilateral tem sido essencial para a sua proteção", refere a Gulbenkian.

A diretora Executiva da ASOC, Claire Christian, salienta a “honra” que esta distinção confere à ASOC porque afirma e reconhece “o poder da ação coletiva e a importância vital de proteger o Antártico e o Oceano Austral. Estas regiões podem parecer distantes, mas são fundamentais para a saúde e o futuro do planeta”.

A região da Antártida, lembra Angela Merkel, “é um ecossistema único e frágil, particularmente vulnerável aos efeitos das alterações climáticas. Ao situar-se fora da jurisdição de um só país, a região precisa de um nível extraordinário de cooperação internacional para proteger e preservar este recurso precioso”.

Foi, por isso, que "o júri quis reconhecer as conquistas da Antarctic and Southern Ocean Coalition e a forma como tem demonstrado que a colaboração global é possível. A Antarctic and Southern Ocean Coalition transmite esperança às gerações vindouras e é uma justa vencedora deste prémio.”

“Para Miguel Bastos Araújo, biogeógrafo e vice-presidente do júri do Prémio Gulbenkian para a Humanidade, “a Antártida e o seu oceano são o ‘anel único’ do planeta, tal como o mítico anel de Tolkien em ‘O Senhor dos Anéis’, que concentra um poder que molda o destino de todos”. A imagem deve-se ao facto de “a Antártida e o Oceano Austral concentrarem funções essenciais para o equilíbrio do clima, da biodiversidade e do nível do mar”, refletindo radiação solar, atuando como sumidouro de carbono ou moderando os ventos e os sistemas atmosféricos globais. “Sem a integridade deste ‘anel’, o mundo entra em descompasso climática, ecológica e politicamente”, reforçou, frisando que “a ação incansável da ASOC merece, de forma inequívoca, o Prémio.”

Lembra ainda a Fundação Gulbenkian que este prémio é atribuído “numa altura em que as Nações Unidas declararam 2025 como o Ano Internacional da Preservação dos Glaciares” e que a “comunidade internacional está finalmente a reconhecer o papel essencial da criosfera — os mantos de gelo, os glaciares e as calotes polares da Terra — na regulação do clima”.

A importância da distante Antártida
"Ao longo dos últimos 50 anos, a ASOC tem demonstrado, de forma consistente, como uma voz única, assente num objetivo partilhado e num compromisso a longo prazo, pode influenciar a governação e a preservação de um dos ambientes mais intocados do planeta”.

Apesar da sua localização remota, a Antártida é um pilar da estabilidade global. O Tratado da Antártida, assinado em 1959, atribuiu-lhe a designação de continente de paz e cooperação, tornando-a reserva para fins pacíficos e de investigação científica.

Com cerca de 90% do gelo terrestre e cerca de 70% da água doce do planeta, a Antártida é fundamental para este esforço. O Oceano Antártico representa, por si só, cerca de 10% do oceano global e alberga quase 10.000 espécies únicas.

As suas poderosas correntes regulam as temperaturas do planeta, impulsionam os ciclos de nutrientes e sustentam a biodiversidade marinha que constitui a base da cadeia alimentar global.

Contudo, lembra a Gulbenkian, a região encontra-se atualmente num momento crítico, enfrentando impactos climáticos acelerados, nomeadamente anomalias extremas na temperatura, ondas de calor marinhas e diminuição do gelo marinho, com partes da Antártida a aquecerem mais do dobro da média global

sexta-feira, 13 de junho de 2025

Compromisso de Nice declara "vitória" mesmo sem Tratado fechado sobre águas internacionais


A maior conferência de sempre sobre Oceanos não teve uma declaração vinculativa, dando força à necessidade de aprovar compromissos em diversas políticas oceânicas. O Tratado do Alto Mar está mais próximo da entrada em vigor, em janeiro, e há um grupo de 20 países que também fazem pausa na mineração do mar profundo.

O Presidente francês, Emmanuel Macron, começou a gritar "vitória" ainda a Conferência dos Oceanos estava a começar. Com a presença de 64 chefes de Estado e de Governo, 115 ministros e 12 mil delegados, a organização partilhada entre França e Costa Rica esperava dar um impulso a diversas frentes negociais na diplomacia dos oceanos. Mas apesar da mobilização, a declaração de Nice não tem metas nem é vinculativa e a reunião não foi suficiente para chegar às 60 ratificações do Tratado do Alto Mar, que deve regular 64% do oceano global.

Cinquenta Estados já depositaram os seus instrumentos de ratificação e mais seis países terminaram os seus processos nacionais nesse sentido. O comunicado final revela que 12 Estados adicionais "comprometeram-se a depositar os seus instrumentos de ratificação" do Acordo sobre Biodiversidade Além da Jurisdição Nacional até à Semana de Alto Nível da Assembleia Geral das Nações Unidas, em setembro de 2025. A cerimónia que marca a concretização das ratificações tem até data marcada: 23 de setembro em Nova Iorque.

A entrada em vigor deve acontecer 120 dias depois, ou seja, no final de janeiro. Com este Tratado, arranca um processo vinculativo de decisão com as COP (Conferências das Partes) semelhantes às mediáticas Conferências do Clima, ambas no domínio das Nações Unidas. A COP 1 do Alto Mar poderá ser organizada em Setembro de 2026.

Campeões dos Oceanos
No final da Conferência de Nice, contabilizam-se 37 países que aprovaram uma pausa preventiva à mineração no fundo do mar, defendendo que é preciso investigar, em primeiro lugar, os ecossistemas antes de explorar os seus recursos. Portugal foi o primeiro país a transformar esta moratória numa lei aprovada na Assembleia da República, com os votos contra do Chega e abstenção da Iniciativa Liberal.

Vinte e três países publicaram uma declaração conjunta para mobilizar a comunidade internacional neste sentido, contando também com o apoio de alguns bancos que anunciaram que não deverão financiar mais projetos de mineração nessa área.

No total, foram identificados 20 Estados-membros considerados "campeões dos oceanos" por terem ratificado o Acordo BBNJ e apoiado a moratória sobre a mineração no fundo do mar. Este grupo de países pretende mobilizar a comunidade internacional para uma governança ambiciosa dos oceanos.

Portugal está entre os 20 países deste grupo, a par do Chile, Chipre, Costa Rica, Dinamarca, Espanha, Fiji, Finlândia, França, Grécia, Ilhas Marshall, Letónia, Malta, Micronésia, Mónaco, Palao, Panamá, Eslovénia, Tuvalu e Vanuatu.

Plásticos e Áreas Protegidas
O combate à poluição registou diversos compromissos, sobretudo uma declaração subscrita por 96 países de apoio ao tratado global para combater a poluição por plástico, a negociar em Agosto. 19 Estados anunciaram planos nacionais para proteger e restaurar ecossistemas oceânicos e gerir os resíduos costeiros, incluindo os plásticos. Menos significativo foi o avanço em relação a métodos de pesca destrutivos, com a Dinamarca e França a assumirem liderança da proibição da pesca de arrasto de fundo.

Nice trouxe também uma muito ligeira aproximação ao objetivo de proteger 30% das terras e mares até 2030. Passou de 8,4% para mais de 10% de áreas protegidas, embora muitos careçam de planos de gestão para evitar que sejam apenas "áreas de papel".

A nível científico, Nice assistiu à assinatura de uma declaração para a criação do Centro Internacional Mercator para o Oceano, com 12 Estados europeus, incluindo Portugal. Haverá um segundo congresso "One Ocean Science" em 2028 para avaliar o cumprimento das recomendações transmitidas no congresso que se realizou em Nice nos dias que antecederam a Conferência da ONU, com dois mil cientistas de todo o mundo.

Pescas e Portos
Nice permitiu ainda aumentar o número de ratificações do acordo "Fish 1" da Organização Mundial do Comércio, que limita os subsídios à pesca ilegal, à pesca de espécies esgotadas e às embarcações que pescam sem regulação no alto mar. São agora 103, incluindo 14 ratificações este ano, ainda curto para chegar às 111 necessárias para a entrada em vigor do acordo.

O objetivo de melhorar a segurança a bordo dos navios de pesca está também mais próximo. 23 países já ratificaram o "Acordo da Cidade do Cabo" da Organização Marítima Internacional, com 2.935 navios elegíveis, ainda longe das 3600 embarcações necessárias para entrar em vigor, previsivelmente no final do ano.

A China ratificou também o Acordo sobre Medidas do Estado do Porto (PSMA) da FAO, que conta agora com 82 partes, de acordo com o chamado Compromisso de Nice. Costa do Marfim e Bélgica juntaram-se a outros 22 países que se comprometem-se a garantir condições de trabalho dignas aos trabalhadores do setor das pescas, aprovando a Convenção de 2007 da Organização Internacional do Trabalho.

Falta dinheiro para o Mar
Vários acordos regionais foram apresentados, destacando-se o primeiro Pacto Europeu para o Oceano, com cerca de mil milhões de euros investidos em diversas facetas desta Pacto. Ao nível dos Parlamentos, foi criada a Coligação Interparlamentar para a Proteção dos Oceanos (ICOP), anunciando um "pacote legislativo para o oceano" que cada membro se compromete a levar ao seu próprio parlamento.

Ao contrário da expressão popular, falta "atirar" bastante dinheiro ao mar. No plano do financiamento, a presidência francesa da Conferência reconhece que há sub-financiamento do Objetivo de Desenvolvimento Sustentável 14 para a defesa da vida marinha. Apenas 10 mil milhões de dólares foram investidos quando as necessidades para a sustentabilidade dos oceanos situavam-se em 175 mil milhões de dólares entre 2015 e 2019. Por isso, foi criado o programa One Ocean Finance, plataforma que junta governos, instituições financeiras, Nações Unidas e sociedade civil para dar um novo impulso no financiamento azul.

No entanto, a organização prefere sublinhar o compromisso de milhares de milhões de euros das empresas e fundações privadas, na ordem de 8,7 mil milhões de euros para os próximos 5 anos, metade dois quais com origem no setor filantrópico.

Os ativos sob gestão das instituições signatárias do Compromisso de Financiamento Oceânico "BackBlue "ultrapassam os 3 mil milhões de euros. 20 bancos públicos de desenvolvimento, representando 7,5 mil milhões de dólares por ano em investimentos em finanças azuis sustentáveis, uniram-se para formar a Coligação Oceânica das Finanças em Comum. 80 organizações de 25 países, representando um volume de negócios combinado de 600 mil milhões de euros e empregando 2 milhões de pessoas, aprovaram o apelo "Negócios no Oceano".

Um dos pontos mais sensíveis diz respeito à descarbonização total do transporte marítimo até 2050. O acordo nesse sentido foi reafirmado pelos países e armadores presentes em Nice e deverá mobilizar 100 mil milhões de dólares nos próximos dez anos para combustíveis limpos, transição energética marítima nos países do Sul e desenvolvimento do transporte por propulsão a vela.

domingo, 8 de junho de 2025

ONU celebra Dia Mundial dos Oceanos com apelo a governos do mundo


Este 8 de junho é o Dia Mundial dos Oceanos. Juntos, eles produzem pelo menos 50% do oxigénio do planeta.

Este ano, a data é assinalada com o tema "Catalisar Ações para o Nosso Oceano e Clima" com um apelo claro à transformação: é preciso agir já para proteger este ecossistema essencial e profundamente ameaçado.

Principais ameaças aos oceanos
Entre os principais perigos que os oceanos enfrentam estão a poluição (incluindo os plásticos), a sobrepesca, a perda de biodiversidade e o aumento da temperatura da água, fatores agravados pela ação humana e pelas alterações climáticas.

A poluição plástica, no entanto, está acabando com cardumes, levando à perda de ecossistemas marinhos assim como ao aumento da temperatura que eleva o nível do mar.

Para o secretário-geral da ONU, António Guterres, a data serve para soar o alerta a governos em todo o mundo sobre fazer mais para proteger os mares. Os oceanos fornecem ar, alimentos, empregos e um clima do qual se depende.

Plano de Acção
Segundo a ONU, pelo menos 40 milhões de pessoas deverão ser empregadas na indústria oceânica até 2030.

Guterres defende investimentos massivos na ciência, na conservação e na economia azul sustentável além de ampliar o apoio às comunidades costeiras, pessoas indígenas e aos Pequenos Estados-Ilha, que já sofrem com as consequências da mudança climática.

Os mares absorvem 30% do carbono gerado por seres humanos sendo um grande aliado na luta contra as alterações do clima.

O secretário-geral lembra que é preciso proteger a biodiversidade marinha, rejeitando práticas que levaram a danos irreparáveis. A proposta de Guterres é de que os países cumpram as promessas previstas no Acordo de Biodiversidade Além da Jurisdição Nacional. Ver o seu progresso aqui, em Inglês.

A Conferência dos Oceanos começa nesta segunda-feira, 9 de junho, em Nice, na França. Para a ONU, o evento será uma oportunidade de avançar com as prioridades e a renovar os compromissos coletivos de proteção dos oceanos.

O objetivo é ambicioso: alcançar um acordo histórico para o oceano, à semelhança do que foi o Acordo de Paris para o clima, adotado há dez anos.

“Queremos um plano de ação operacional, em que os países se comprometam com medidas concretas para proteger o oceano”, afirmou o embaixador francês nas Nações Unidas, Jérôme Bonnafont.

A conferência culminará com a adoção da Declaração de Nice para a Ação no Oceano, um documento político que, embora não vinculativo, procurará refletir o consenso internacional sobre temas como biodiversidade marinha, financiamento, governação e combate à poluição.

terça-feira, 1 de abril de 2025

Globalmente, um terço de todas as espécies de elasmobrânquios estão ameaçadas de extinção

Globalmente, um terço de todas as espécies de elasmobrânquios estão ameaçadas de extinção e as populações de tubarões oceânicos diminuíram 71% ao longo do último meio século.
Muitas pessoas pensam que o finning (o corte de barbatanas e descarte do corto em alto mar) é o maior responsável por estes declínios...
Pois, embora seja verdade que o finning tem sido um factor de destruição enorme, muitas pessoas não se apercebem que a captura acidental de tubarões em pescarias comerciais que visam uma espécie completamente diferente é, na verdade, também uma das maiores ameaças aos tubarões e às raias em todo o mundo!
Então porque ocorre esta "captura acidental"?
O que podemos fazer para evitar que isso aconteça?
Lê o artigo da nossa cientista Sophie A. Maycock, correspondente inglesa do Sharks Educational Institute e autora do SharkSpeak

quinta-feira, 24 de outubro de 2024

ZERO defende Condomínios Industriais enquanto pilar da Estratégia Industrial Verde em Portugal


Estratégia Industrial Verde é peça essencial na transição energética, mas ZERO alerta para enorme atraso
A ZERO alerta que Portugal está sem Estratégia Industrial Verde, um documento fundamental numa altura em que o país precisa de um enquadramento estratégico para a indústria no processo de transição energética, sob pena de comprometer a sua competitividade internacional e de a deixar impreparada para um futuro compatível com o ambiente, os direitos sociais e o clima. Com o objetivo de contribuir para este documento e de impulsionar a sua elaboração, a ZERO reuniu com o gabinete do Secretário de Estado da Economia e apresentou um conjunto de elementos e recomendações que, no seu entender, devem ser incluídos na Estratégia Industrial Verde nacional.

A ZERO propõe a criação de Condomínios Industriais, geridos de forma a promover sinergias entre indústrias, reduzir custos e otimizar recursos, reduzindo a produção de resíduos e ao mesmo tempo aumentando a eficiência económica e energética dos processos industriais. Defende também a criação plataformas rodo-ferroviárias, integrando eficientemente o transporte ferroviário e rodoviário, a eletrificação dos transportes de mercadorias em articulação com a produção de electricidade através de fotovoltaico instalado em áreas artificializadas, nomeadamente nos telhados de armazéns e outros edifícios industriais, e a criação de uma estratégia de armazenamento e gestão de energia eficientes que potencie a utilização industrial de energia renovável. Deve haver ainda, no entender da ZERO, incentivos públicos que promovam uma economia circular, beneficiando indústrias que privilegiem o ecodesign nos seus produtos e produção de bens alinhados com uma economia de partilha.

Estratégia Industrial Verde: mais uma obrigação incumprida da Lei de Bases do Clima
A ZERO recorda que Estratégia Industrial Verde (EIV) é uma obrigação disposta na Lei de Bases do Clima (legislação que a ZERO entende como decisiva na governança climática do país), mas que está em incumprimento desde fevereiro de 2024 (Artigo 68.º da Lei n.º 98/2021). Trata-se de uma estratégia essencial  para o país efetuar uma transição energética mais rápida, justa, sustentável, não deixando ninguém para trás, bem como para o alinhar com o Plano Industrial do Pacto Ecológico Europeu (Green Deal Industrial Plan, no original), iniciativa de reforço da competitividade da indústria europeia e de incentivo à aceleração do caminho para a neutralidade climática, reduzindo  as cadeias globais de produção e de consumo e reindustrializando o continente europeu de forma socialmente coesa. É um documento igualmente essencial para o país estar alinhado com o futuro Acordo para uma Indústria Limpa (Clean Industrial Deal, no original), que a nova Comissão Europeia deverá apresentar nos seus primeiros 100 dias de mandato, com o objetivo de acelerar a descarbonização da indústria e, ao mesmo tempo, impulsionar a competitividade através de medidas relativas aos investimentos, aos custos da energia e aos mercados.  Desta forma, a EIV é fundamental para dar garantias às indústrias e investidores no avanço de projetos indispensáveis na transição energética.

Propostas para a Estratégia Industrial Verde
A ZERO defende que a promoção de Condomínios Industriais com gestão própria e capacitada permitirá acelerar a articulação entre as diversas indústrias, reduzindo custos e dando escala à sua necessária transformação. A proximidade geográfica irá facilitar a cooperação, promover sinergias, favorecer a gestão integrada de serviços, de bens e de resíduos, resultando na otimização de recursos, no uso eficiente de energia, bem como na redução de custos económicos para todas as empresas participantes. A este propósito será fundamental que os incentivos fiscais e os apoios públicos possam favorecer e acelerar, através de contratos-programa com estes condomínios industriais, o alcance de metas quantitativas bem estabelecidas e mensuráveis.

Para a ZERO existem ainda alguns outros elementos essenciais que, no seu entender, devem estar presentes e ser articulados na Estratégia Industrial Verde:

  1. Mobilidade – criar cadeias de logística sustentáveis e inteligentes para fomentar a complementaridade e articulação logística, bem como potenciar o transporte ferroviário de mercadorias, tirando partido das suas características de fiabilidade e capacidade, combinando-o com a flexibilidade do transporte rodoviário eletrificado de mercadorias. Para que tal se concretize, é essencial a estruturação de plataformas rodo-ferroviárias, identificando claramente a sua localização e inserção no tecido económico-industrial, algo em falta no plano ferroviário nacional. A EIV deve articular um Plano Estratégico dos Transportes revisto e atualizado com as restantes dimensões.
  2. Energia – acelerar rapidamente a eletrificação do setor dos transportes e o crescimento nacional da produção fotovoltaica privilegiando áreas artificializadas e respeitando critérios rigorosos que presidirão às áreas de aceleração para renováveis. Também o armazenamento de energia elétrica é crucial para a gestão do sistema elétrico, permitindo o aprovisionamento dos excedentes de produção e o fornecimento de energia em período de menor disponibilidade de energia renovável através de tecnologias custo-eficazes, e que sejam adequadas aos diferentes ciclos de armazenamento (diário, intra-anual e plurianual), em linha com a promoção do autoconsumo coletivo e a eficiência energética no conjunto dos condomínios industriais. Obter a melhor relação de custo-eficácia entre investimento nas redes elétricas, no armazenamento de energia e no ordenamento das atividades industriais será crucial para um obter condições favoráveis ao desenvolvimento de indústrias sustentáveis.
  3. Simbioses Industriais – ao potenciar a criação de sinergias entre os diferentes sectores e atores industriais, permite reduzir a produção de resíduos ao mesmo tempo que aumenta a eficiência económica e energética dos processos industriais. A modernização da legislação relativa à gestão de parques industriais e ao seu ordenamento, a adequação do quadro de incentivos e a robustez das redes ferroviárias são essenciais para promover estas simbioses.
  4. Economia circular – incluir no edifício de incentivos públicos a promoção de conceitos da economia circular, beneficiando indústrias que privilegiem o ecodesign nos seus produtos, bem como bens alinhados com uma economia de partilha.
  5. Ordenamento territorial das atividades industriais pesadas – localização das indústrias em articulação com os polos de produção e armazenamento de gases renováveis, as redes elétricas, incluindo offshore, com a estratégia para o armazenamento de energia, com as áreas de tratamento de água e resíduos, e com os planos para os portos e para a ferrovia, propiciando ganhos de eficiência logística e económica,  minimização de danos ambientais, menores custos e maior competitividade e atratividade internacionais.
  6. Criação de um Fundo Nacional para a Transição Justa – garantir que a transição para uma economia verde é feita de uma forma justa e equitativa, promovendo e alinhando o financiamento público e privado com o desenvolvimento de competências nos sectores prioritários da transição energética, assim como assegurar o apoio à requalificação e reconversão profissional (incluindo postos de trabalho indiretos) para competências verdes, sem perda de rendimentos e de direitos adquiridos e tendo sempre em atenção a necessidade imperativa de participação das organizações representativas dos trabalhadores nos processos de reconversão industrial, assim como o reforço dos fundos disponíveis para o apoio ao cooperativismo, destinado aos trabalhadores afetados pelo processo de  transição energética e que prefiram criar o seu próprio emprego em conjunto com outros trabalhadores igualmente afetados.
Estratégia Industrial Verde atuará como guia para a descarbonização da indústria portuguesa
A EIV irá funcionar como um vetor para a indústria portuguesa, guiando-a na busca de soluções, instrumentos e apoios à descarbonização. Deverá conter um conjunto de roteiros sectoriais que permitam a cada área industrial uma adaptação à transição verde, atendendo às especificidades de cada área e uma visão de conjunto que as articule devidamente. Deste modo, o tecido empresarial existente e os diferentes parceiros sociais, devem ser os maiores interessados no sucesso da estratégia e, como tal, devem ser devidamente auscultados no momento da  estruturação e elaboração do documento e não apenas na consulta pública.

De igual modo, a EIV deve ser articulada com as principais estratégias e planos nacionais, como o Plano Nacional de Energia e Clima (PNEC), o Plano Estratégico dos Transportes, a Estratégia Nacional para as Matérias-Primas Críticas, a Estratégia Nacional para o Hidrogénio, o Plano de Ação para o Biometano, o Plano Estratégico para os Resíduos Não Urbanos ou o Plano de Ação para a Economia Circular. Além disso, além da fundamental auscultação das partes interessadas, é necessário o garante do envolvimento dos diferentes ministérios e organismos do Estado com responsabilidades na sua execução. Nesse sentido, será importante a criação de uma unidade técnica que monitorize a implementação da EIV e que seja responsável pela apresentação de um relatório anual alvo de parecer do Conselho para a Ação Climática. Também merece destaque a importância de se aplicar uma abordagem centrada nas pessoas, de forma a assegurar uma transição socialmente justa com o apoio da sociedade civil.

Implementar a Estratégia Industrial Verde é essencial para impulsionar a transição energética justa
Tornar a indústria mais sustentável já não é uma opção, mas sim uma necessidade premente, tendo em conta que estamos a correr contra o tempo para atingirmos a neutralidade climática o mais tardar em 2045, mas preferencialmente 2040. Por outro lado, alavancar a transição energética na indústria portuguesa trará vantagens económicas para a mesma, considerando políticas europeias como o alargamento do Mercado Europeu de Emissões ou o Mecanismo de Ajustamento Carbónico Fronteiriço – que tributa as emissões dos bens produzidos fora do espaço europeu –, e ajudará a posicioná–la como líder em tecnologia verde. A ZERO insta o governo português, sob a coordenação do Ministério da Economia, a agilizar o processo de criação da EIV, procurando consensos o mais alargados possível, a fim de se adotar uma visão estratégica de futuro que venha fundamentar políticas públicas duradouras e que contribuam para o acelerar de uma Transição Justa.

sexta-feira, 11 de outubro de 2024

"Temos cinco anos" para salvar o planeta. E "é preciso mudar o sistema alimentar mundial, que é intrinsecamente ilógico"



A organização ambientalista World Wide Fund for Nature (WWF) avisou que o que acontecer nos próximos cinco anos em termos de sustentabilidade determinará o futuro da vida na Terra.

“Temos cinco anos para colocar o mundo numa trajetória sustentável antes que as reações negativas da degradação da natureza e das alterações climáticas combinadas nos coloquem na encosta descendente de pontos de rutura descontrolados”, alerta a associação na edição deste ano do relatório “Índice Planeta Vivo”.

O relatório anual é compilado pela WWF há 15 anos e faz uma análise das tendências da biodiversidade global. A cada edição “assistimos a um maior declínio do estado da natureza e a uma desestabilização do clima e isto não pode continuar”, afirma a WWF no documento.

No documento deste ano a organização internacional salienta que há um risco real de fracasso, com “consequências quase impensáveis”, e que para manter um planeta vivo são precisas ações e mais esforços de conservação. É necessária, resume, uma transformação dos sistemas alimentares, energéticos e financeiros.

Lembrando que apesar do declínio da natureza houve populações que ou estabilizaram ou aumentaram em resultado de esforços de conservação, o documento salienta a importância das áreas protegidas (atualmente 16% das terras e 08% dos oceanos a nível global) e diz que os países precisam de alargar, melhorar, ligar e financiar adequadamente os seus sistemas de áreas protegidas, respeitando simultaneamente os direitos e as necessidades das pessoas afetadas.

quarta-feira, 31 de julho de 2024

Sabe quantas aves são mortas pela pesca na Europa? O número vai chocá-lo


Cerca de 200 mil aves marinhas morrem todos os anos por captura acidental na pesca em águas europeias, incluindo seis espécies em risco de extinção na região, indica um estudo hoje divulgado.

Da responsabilidade da organização internacional de defesa das aves “BirdLife International” com a colaboração da Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves (SPEA), o estudo alerta que os números podem ser só “a ponta do iceberg”, porque muitos países costeiros não têm estimativas e quando existem raramente incluem toda a frota pesqueira do país.

Das 200.000 aves marinhas, 150.000 são mortas em águas da União Europeia, nota-se no documento.

“Este estudo vem reforçar, não só a importância, mas também a urgência de criar o Plano Nacional de Ação para a minimização das capturas acidentais na pesca”, diz Ana Almeida, técnica de conservação marinha na SPEA, citada num comunicado da associação portuguesa.

E acrescenta: “Estamos a colaborar com as entidades governamentais responsáveis no desenvolvimento deste plano que deve estar pronto até ao final do ano. A monitorização deste problema tem sido muito importante, mas é insuficiente. Encontrar e aplicar soluções que mitiguem este problema é determinante para garantir que a atividade de pesca seja sustentável e que os recursos marinhos se mantenham disponíveis para as gerações futuras.”

Também num comunicado sobre o estudo, a “BirdLife International” alerta que as aves marinhas são dos grupos de aves mais ameaçados na Europa, com mais de um terço das espécies a sofrerem declínios populacionais.

Entre as ameaças às colónias de reprodução em terra, a organização fala das espécies invasoras e perturbações no ‘habitat’, e dá como exemplos de outras ameaças, no mar, a sobrepesca e as infraestruturas de energia renovável (como as eólicas).

As alterações climáticas, acrescenta, estão a “aumentar a pressão ao longo do ciclo de vida” das aves.

A organização nota que as ameaças são fáceis de gerir e que em muitos casos “alterações relativamente simples nas práticas de pesca ou modificações nas artes de pesca podem reduzir significativamente o número de aves” que morrem.

“Esperamos que esta análise possa ajudar os investigadores, os gestores das pescas, os governos e muitas outras partes interessadas no setor marinho a compreender a escala das capturas acidentais de aves marinhas na Europa. Os números são alarmantes e confirmam que as capturas acidentais são uma das principais ameaças para as aves marinhas migratórias que se reproduzem ou visitam as águas europeias”, diz a “BirdLife International”.

Segundo a organização, os números mais alarmantes de capturas acidentais são registados nas redes de emalhar no mar Báltico e no Atlântico Nordeste e nos palangres (arte de pesca à linha) no Atlântico Nordeste e no Mediterrâneo.

segunda-feira, 12 de fevereiro de 2024

Permaculture showed us how to farm the land more gently. Can we do the same as we farm the sea?



As wild fish and other marine species get scarcer from overfishing and demand for ‘blue foods’ grows around the world, farming of the ocean is growing rapidly. Fish, kelp, prawns, oysters and more are now widely farmed. The world now eats more farmed seafood than wild-caught.

These farms are springing up along coasts and in offshore waters worldwide. Australians will be familiar with Tasmania’s salmon industry, New South Wales’ oyster farms, and seaweed farms along the southern coastline. Aquaculture is already larger than fishing in Australia. Farming the sea is hailed as a vital source of food and biomass essential to reduce the damage we do to our oceans and help feed a growing population.

But the booming “blue economy” is no panacea. Fish farms can pollute the water. Mangroves are often felled to make way for prawn farms. The solutions of today could turn out to be problems of the future. We cannot simply shift from one form of environmental exploitation to another.

There is an alternative: permaculture. This approach has proven itself on land as a way to blend farming with healthy ecosystems. What if it could do the same on water?

Making aquaculture better
Many of today’s most pressing problems – from climate change to biodiversity loss to pollution – are linked to the way we produce food on land. To make new farmland often involves removing habitat, destroying trees and adding synthetic fertilisers and pesticides.

Since humans began farming about 12,000 years ago, we have expanded to the point where we now actively control about 70% of Earth’s ice-free land to make food, build cities, and many other uses.

On land, we are farmers, tending domesticated species. But at sea, we’ve been hunters, seeking wild populations. Now, the seas are to be farmed. We should farm in ways which do not damage these ecosystems.

We cannot afford to use the same intensive methods of farming in the oceans as we have been on land. Given how sick many of the world’s ocean systems are already from overfishing, algal blooms from nutrient overload, and habitat loss, there’s not much room for error.

What is marine permaculture?
Permaculture as we know it was developed in the 1960s by Australians Bill Mollison and David Holmgren. The latter is a co-author of the research forming the basis of this article.

The goal was simple: create ways of farming which give back to the soil and ecosystems, using tools like no-till farming, companion planting and food forests. Over the last 50 years, it has been adopted by farmers around the world.

Permaculture is framed around three ethics – care of Earth, care of people, and a fair share – aimed at producing benefits and distributing costs equitably between different people and nature.

So what would permaculture of the seas look like? While it hasn’t been fully articulated, many recent developments in ocean production and governance have strong parallels with the work permaculture practitioners have been doing for decades.

Aquaculture systems can, many now believe, not only be low-impact but work to restore lost or damaged ecosystems. Picture oyster farms slowly bringing back the natural oyster reefs which once carpeted shallow coastal waters, or prawn farms surrounded by regrowing mangroves to protect the coast from erosion.

There are strong parallels between the closed-loop approach taken by permaculture on land and an emerging sea farming approach called integrated multi-trophic aquaculture. Here, species with different ecological roles are grown together, producing more food from your farm – and strengthening natural ecosystem services.

In these systems, food waste from consumers is recycled by seaweeds and shellfish, which in turn provide food and habitat to farmed fish species. If well-designed, these benefits flow out from the farm.

Permaculture’s influence is also evident in nature-inspired design and biomimicry, using natural shapes to give nature a boost. Australian work here includes efforts to restore rocky reefs by creating structures with the nooks and crannies small sea creatures need.

From the grassroots
At present, a handful of corporations have disproportionately high levels of control over fisheries and aquaculture. In part, that’s because supertrawlers, motherships, and large blue-water fish farms are expensive.

If we instead took a marine permaculture approach to the blue economy, we would seek to return power back to the people who live and work at the water’s edge – a permaculture equivalent to artisanal fishing.

A localised approach to aquaculture has real benefit. Individuals and communities could develop their own versions of marine permaculture which work in their area, by adopting design solutions used elsewhere or just by tinkering and trialing.

If something isn’t working or it’s creating flow-on consequences, people can see what’s happening and respond quickly.

Small-scale sea farms are less likely to do damage, and should also boost resilience by investing in local social and environmental benefits.

How do we make this a reality?
For their part, governments can help by creating policy frameworks encouraging small-scale producers – especially those able to demonstrate positive social and ecological outcomes.

Governments have an essential role in creating comprehensive spatial plans to guide aquaculture in an area or region. This is important, as it removes uncertainty and avoids conflict between different uses.

Researchers can help by developing measures of success and testing new techniques to help guide the new communities which will form to farm the sea.

Over the past half-century, permaculture on land has grown into a diverse movement challenging conventional wisdom about how to produce food.

We’ll need that same intense creative energy to make marine permaculture a reality. It’s entirely possible to design food-producing seascapes which give back to the sea as well as take from it – while making it possible for smaller sea farmers to flourish.

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