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terça-feira, 9 de junho de 2020

Alerta na Ribeira Brava: Aquacultura da Ilha Peixe e Pingo Doce Ameaça Recifes de Corais Prístinos


Durante o mês de julho de 2018, o Observatório Oceânico da Madeira levou a cabo mais uma expedição científica, desta vez para explorar as zonas profundas e desconhecidas adjacentes à Ilha da Madeira. A missão, complexa e exigente, requereu uma vasta equipa de cientistas, técnicos e operacionais, bem como o uso de equipamentos com tecnologias de vanguarda, tendo como principal objetivo estudar a biodiversidade marinha e a oceanografia física das zonas costeiras adjacentes aos canhões submarinos.  

Foi no decorrer desta expedição que se fez uma das maiores descobertas científicas dos últimos tempos na região: a cerca de 2000 metros de profundidade, com recurso ao ROV Luso, a equipa de investigadores - numa colaboração internacional entre o Observatório Oceânico da Madeira e a Universidade dos Açores - observou pela primeira vez a presença de um extenso recife de corais de águas frias nas margens do canhão submarino da Ribeira Brava. Contrariando a tendência global de destruição destas estruturas no Atlântico Norte devido à pesca de arrasto, revelou-se na Madeira um ecossistema prístino, sem vestígios evidentes de impactos humanos e repleto de vida marinha. Trata-se de um património de valor incalculável para a investigação científica, para a conservação ecológica e para um turismo de natureza sustentável, de elevada qualidade e poder de compra, desempenhando estes habitats um papel prioritário e insubstituível como reguladores do bom estado ambiental do Oceano.

No entanto, este tesouro natural encontra-se agora sob ameaça. É precisamente nas proximidades desta zona de valor inestimável que a empresa Ilha Peixe e o grupo Jerónimo Martins (detentor da cadeia de supermercados Pingo Doce) pretendem duplicar o número de jaulas de aquacultura em modo de produção intensiva.

Saibamos salvaguardar o nosso oceano da rapina e das negociatas do Governo Regional da Madeira com empresas que priorizam o lucro, produzindo peixe de má qualidade à custa da riquíssima biodiversidade e dos ecossistemas marinhos e costeiros do arquipélago.

Cidadãs e cidadãos, está nas nossas mãos parar, de forma definitiva, a produção industrial de aquacultura no nosso oceano!