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quinta-feira, 4 de setembro de 2025

Saba, o segredo mais bem guardado das Caraíbas que Colombo desvalorizou



Situada a 45 quilómetros de St. Maarten, a ilha de Saba, com 13 quilómetros quadrados, não é o primeiro sítio que nos ocorre quando pensamos em turismo de aventura. Envolta em vegetação selvagem de todos os ângulos, esta ilha vulcânica quase parece vazia quando vista ao longe. Sem semáforos, nem arranha-céus, nem praias, nem multidões, permanece relativamente desconhecida, sendo uma das ilhas habitadas mais pequenas das Caraíbas.

No entanto, este isolamento é exactamente aquilo que torna Saba pouco convidativa e intrigante. Em 1493, a ilha chamou a atenção de Cristóvão Colombo, que preferiu não parar ali devido à sua costa escarpada. Ironicamente, aquilo que dissuadiu os exploradores atraiu, mais tarde, os bandidos: a ilha acabou por se tornar um dos esconderijos preferidos de piratas e contrabandistas, que se refugiavam nas suas falésias íngremes e enseadas isoladas.

Subir a Mount Scenery
Visível tanto a partir de terra como do mar, o vulcão adormecido de Mount Scenery é o pináculo de Saba e o ponto mais alto do Reino dos Países Baixos. Embora haja vários trilhos para percorrer, o mais extenuante é a escadaria de 1.064 degraus até ao cume– certamente não recomendado para principiantes.

Embora grande parte da terra tenha permanecido inutilizada até ao século XX, as encostas suaves foram cultivadas até à década de 1960, quando o Trilho de Mount Scenery começou a ser construído. “A minha tarefa era carregar cimento e água no burro do meu pai. Quatro homens e quatro burros. Comecei em 1969 e completei os degraus até ao último em 1970”, recorda o residente e guia, James ‘Crocodile’ Johnson.

Ao longo do trilho, verá flora e fauna selvagem de ambos os lados. O Giant Taro, ou ‘orelhas de elefante’, funciona como abrigo das chuvadas tropicais. Perto do cume, dois trilhos estreitos conduzem os caminhantes até ao centro da floresta nebulosa, densamente coberta de árvores de mogno e com uma neblina fresca bem-vinda.

Visite os melhores sítios para mergulhar
O pico de um vulcão extinto nas ilhas setentrionais das Pequenas Antilhas, Saba está rodeada por falésias e baías que conduzem a sítios de mergulho espectaculares. A ilha é particularmente famosa pelos seus pináculos e montes marinhos (vulcões subaquáticos) que se erguem até 26 metros acima da superfície. Existem mais de 30 sítios para mergulhar protegidos poucos minutos do porto e a ilha alberga o maior atol submerso do oceano Atlântico.

Os recifes em forma de anel são formados pela erupção de montes marinhos que expelem lava e criam ilhas oceânicas. Em seguida, corais minúsculos aderem a estas ilhas, criando o exosqueleto dos recifes. Com uma biodiversidade próspera, composta por baleias, tubarões, golfinhos, tartarugas e peixes, o Parque Nacional de Saba Bank foi criado em 2010.

Situado na extremidade oriental de um monte marinho em forma de ferradura, o Third Encounter atinge uma quantidade máxima de 33 metros e fica perto do misterioso Eye of the Needle. Estendendo-se 27 metros abaixo da superfície, o pináculo é o lar de tubarões-de-recife-caribenhos, tubarões-lixa, mantas, vários cardumes de peixes e uma garoupa de Nassau amigável chamada Charlie.

As famosas areias quentes e saliências dramáticas de Saba podem ser encontradas em Babylon, onde tartarugas-de-pente e tubarões-lixa deslizam graciosamente junto a fluxos de lava e rampas de areia. Um pouco mais a sul, as Hot Springs (Nascentes Quentes) realçam as origens vulcânicas da ilha com uma grande variedade de vida marinha e rochedos incrustados com corais.

Onde fazer caminhadas
É possível encontrar solitude em toda a ilha de Saba. Acordar com o suave coaxar de centenas de rãs arborícolas todos os dias. Existe natureza intocada em todos os cantos. Com as suas ruas serpenteantes e massas verdejantes, passear em Saba é como entrar e sair da ilha, mas também existem alguns trilhos de caminhada bem mantidos.

A vista do topo de Mount Scenery é deslumbrante, com fiapos de nuvens e vislumbres distantes da civilização, mas existem mais 20 trilhos de caminhada bem mantidos para caminhantes de todos os níveis. Partindo no mesmo ponto que o Trilho de Mount Scenery, em Windwardside, o Trilho Crispeenatravessa a floresta húmida secundária de Saba, onde poderá observar várias espécies de aves, insectos e flora vibrante.

Ponha o seu equilíbrio à prova no Ladder Trail (Trilho da Escada) – cerca de 800 degraus ao longo da costa. Este caminho foi outrora a principal rota para o transporte de mercadorias. Esculpida na rocha, a escadaria íngreme proporciona vistas panorâmicas do oceano e é uma lição de humildade.

Com poças tranquilas e ondas furiosas, o Tidepools Trail (Trilho das Poças de Maré) é um espectáculo para todos os sentidos. Este trilho fácil demora 25 minutos a percorrer (num só sentido) junto à costa e é uma maneira especial de observar rios de lava antigos e ecossistemas vibrantes.

Onde praticar snorkeling
A ilha é um destino mais indicado para mergulhadores e os praticantes de snorkeling costumam ser dirigidos para os recifes mais superficiais (Torrens Point, Tent Reef e Hole in the Corner), onde estarão mais seguros.

Os mares intocados e os vestígios vulcânicos atraem uma abundância de vida marinha para os recifes em redor de Saba. O Parque Marinho de Saba conta com mais de 30 sítios para mergulhar e alguns sítios para praticar snorkeling de fácil acesso. As águas pouco profundas de Wells Bay contêm uma variedade de espécies juvenis e estruturas subaquáticas interessantes. Também é um dos únicos locais de ilha onde pode entrar directamente no mar directamente a partir da costa, graças à sua praia que cresce e encolhe, dependendo das marés. Outro sítio de snorkeling popular fica na extremidade norte de Wells Bay. As águas protegidas e a transparência de Torrens Point proporcionam excelentes condições para um mergulho em águas rasas ou uma exploração de snorkeling mais experiente, com profundidades entre 1,5 e 9 metros. A opção mais comum para os visitantes é apanhar um barco para visitar alguns sítios para praticar snorkeling, com a ajuda de um guia

terça-feira, 9 de junho de 2020

Alerta na Ribeira Brava: Aquacultura da Ilha Peixe e Pingo Doce Ameaça Recifes de Corais Prístinos


Durante o mês de julho de 2018, o Observatório Oceânico da Madeira levou a cabo mais uma expedição científica, desta vez para explorar as zonas profundas e desconhecidas adjacentes à Ilha da Madeira. A missão, complexa e exigente, requereu uma vasta equipa de cientistas, técnicos e operacionais, bem como o uso de equipamentos com tecnologias de vanguarda, tendo como principal objetivo estudar a biodiversidade marinha e a oceanografia física das zonas costeiras adjacentes aos canhões submarinos.  

Foi no decorrer desta expedição que se fez uma das maiores descobertas científicas dos últimos tempos na região: a cerca de 2000 metros de profundidade, com recurso ao ROV Luso, a equipa de investigadores - numa colaboração internacional entre o Observatório Oceânico da Madeira e a Universidade dos Açores - observou pela primeira vez a presença de um extenso recife de corais de águas frias nas margens do canhão submarino da Ribeira Brava. Contrariando a tendência global de destruição destas estruturas no Atlântico Norte devido à pesca de arrasto, revelou-se na Madeira um ecossistema prístino, sem vestígios evidentes de impactos humanos e repleto de vida marinha. Trata-se de um património de valor incalculável para a investigação científica, para a conservação ecológica e para um turismo de natureza sustentável, de elevada qualidade e poder de compra, desempenhando estes habitats um papel prioritário e insubstituível como reguladores do bom estado ambiental do Oceano.

No entanto, este tesouro natural encontra-se agora sob ameaça. É precisamente nas proximidades desta zona de valor inestimável que a empresa Ilha Peixe e o grupo Jerónimo Martins (detentor da cadeia de supermercados Pingo Doce) pretendem duplicar o número de jaulas de aquacultura em modo de produção intensiva.

Saibamos salvaguardar o nosso oceano da rapina e das negociatas do Governo Regional da Madeira com empresas que priorizam o lucro, produzindo peixe de má qualidade à custa da riquíssima biodiversidade e dos ecossistemas marinhos e costeiros do arquipélago.

Cidadãs e cidadãos, está nas nossas mãos parar, de forma definitiva, a produção industrial de aquacultura no nosso oceano!

quinta-feira, 15 de novembro de 2012

Como disse? Desregulamentação é importante para potenciar a costa portuguesa


Em pleno 2020, as construções desregradas na costa portuguesa continuam a ser a regra. Apesar de estarmos perfeitamente cientes da vulnerabilidade do litoral – nomeadamente perante as alterações climáticas –, a sua preservação continua a ser assaltada por hotéis e projetos que usurpam dunas e falésias em nome do turismo e da produção agrícola. Pior ainda é a permissividade legislativa que continua a promover o desordenamento do território e a perda do nosso património paisagístico e ambiental. Os interesses económicos fazem-se valer de leis e planos flexíveis, alguns desenhados a dedo para acolher empreendimentos recheados de impactos e ilusões.

De norte para a sul, o desfile de atentados tem alguns protagonistas: a construção em plena duna primária do Parque Natural do Litoral Norte, em Esposende; a pavimentação de uma estrada na praia da Fonte da Telha, também em duna primária; os milionários planos de construção de empreendimentos turísticos nas cobiçadas dunas de Tróia e na Comporta, a costa mais selvagem da Europa; o avanço desmedido das estufas no Parque Natural do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina; a polémica construção hoteleira na Ponta João de Arens, em Portimão; e o insólito projeto da Cidade Lacustre em Vilamoura. Infelizmente, são apenas alguns dos projetos que, embora mais mediáticos, necessitam de uma mobilização civil suficientemente forte para os enfrentar e travar.

Existe uma certa incapacidade das associações de defesa do ambiente para enfrentarem, individualmente, todos estes problemas de uma forma integrada. Além da asfixia a que são frequentemente sujeitas por falta de apoios à sua atividade, a própria forma de participação formal e intervenção – através do portal Participa – é ainda limitada por prazos apertados, que decorrem do desrespeito por sucessivos Governos dos prazos inicialmente indicados pela Comissão Europeia. Na semana passada, por exemplo, terminaram em simultâneo as consultas públicas às propostas de vários planos de gestão de Zonas Especiais de Conservação de norte a sul do país. A complexidade e extensão destes documentos tornam os prazos manifestamente inadequados à análise minuciosa que seria desejável.

Ainda assim, os erros não passam despercebidos ao olhar atento dos técnicos que têm esta difícil tarefa. A Liga para a Protecção da Natureza analisou os planos propostos pelo Instituto de Conservação da Natureza e das Florestas para as zonas Arrábida-Espichel e Comporta-Galé. Foram detetados erros e medidas desajustadas que justificaram a publicação de pareceres desfavoráveis aos planos de gestão. O fraco levantamento das espécies e habitats, a flagrante alteração dos limites definidos enquanto área da Rede Natura 2000, e alterações do uso solo a fim de facilitar a construção em pleno território de Rede Ecológica Natural e Rede Agrícola Nacional foram alguns dos aspetos apontados.

É muito importante definir planos de gestão para as áreas protegidas, mas é ainda mais importante que as ações saiam do papel e sejam efetivamente implementadas. De nada serve escrever um extenso documento para que ele venha apenas responder a obrigações burocráticas, relegando o seu principal objetivo: proteger efetivamente o território e os seus valores naturais. Para isso, seria preciso que as ações viessem munidas dos recursos financeiros e humanos necessários à sua implementação e fiscalização. As incoerências legais de proteção da paisagem entram, por vezes, em conflito com expectativas legítimas de vida dos residentes locais e são, muitas vezes, demasiado permissivas perante aspirações ilegítimas de empreendedores turísticos e agrícolas. Isto acontece também quando os planos de gestão não antecipam mecanismos de apoio a atividades económicas compatíveis com a conservação, estabelecendo sinergias com mecanismos financeiros, nomeadamente tributários ou de acesso a fundos, tal como, paradoxalmente, existem para a extensão de territórios abrangidos por agricultura intensiva.

A conservação da Natureza não é uma barreira ao desenvolvimento socioeconómico. É fundamental desmistificar e negar esta ideia e esclarecer que a conservação da Natureza permite sim salvaguardar um património de valor incalculável do qual todos dependemos, direta ou indiretamente. Não está assim em causa um radicalismo irracional de defesa do ambiente, mas antes uma consciência de que é possível, desejável e necessário alcançar um modelo de sustentabilidade e a coerência na conservação da faixa costeira portuguesa e dos seus valores únicos.

Já leram este texto de Robert Kurz- O Desenvolvimento Insustentável da Natureza? Já tem 10 anos e mantem toda a actualidade!