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terça-feira, 3 de março de 2026

O olival Português transformado num activo financeiro

Greenpeace Portugal exige “moratória imediata à expansão do olival superintensivo”


Um relatório de investigação internacional divulgado pela Greenpeace, intitulado "O Campo como Ativo", expõe a face oculta da expansão do olival superintensivo em Portugal. O documento revela que o país se tornou o "porto seguro" para fundos de investimento canadianos e britânicos, que utilizam o Alqueva e milhões de euros em fundos públicos portugueses para substituir a agricultura tradicional por um modelo industrial de lucro rápido e elevado risco ambiental. 
Ao contrário de Espanha, onde o olival tradicional ainda resiste, a expansão em Portugal (liderada por empresas como a Innoliva) foca-se quase exclusivamente no modelo superintensivo. Dos 4.800 hectares geridas pelo grupo na última década, mais de 65% (3.168 hectares) estão em solo português. 
O relatório detalha como o Estado Português, através do IFAP, financiou diretamente esta transição. Um único projeto de um fundo estrangeiro recebeu 6,5 milhões de euros a fundo perdido, a que se somaram mais 3 milhões para lagares industriais de alta capacidade (como o de Carapetal). 
A investigação confirma o impacto devastador na biodiversidade. As colheitas noturnas com máquinas cavadeiras, fundamentais para a rentabilidade destes fundos, provocam a mortalidade em massa de aves, o que forçou as autoridades a suspender a prática, embora o modelo económico destes grupos continue a depender da mecanização extrema. 
O relatório alerta que o modelo superintensivo, embora eficiente "por árvore", consome volumes totais de água por hectare muito superiores ao tradicional, colocando em causa a resiliência hídrica do Alentejo em períodos de seca extrema. 
Para o Diretor da Greenpeace Portugal, "Estamos a trocar pessoas por máquinas e comunidades por folhas de Excel. O Governo gasta milhões em subsídios para um modelo que não fixa um único jovem no Alentejo. 
O que vemos hoje é uma forma de extrativismo moderno: os fundos de investimento a sugar a nossa água e o nosso solo, pagos com os nossos impostos, deixando para trás um território vazio, biologicamente devastador e socialmente abandonado. 
O Alqueva não pode ser o cemitério das nossas aldeias." Toni Melajoki Roseiro acrescenta que “não é agricultura, é extração de valor. Transformaram a nossa oliveira numa franquia industrial onde tudo é uniformizado e mecanizado, controlado à distância a partir de um escritório em Toronto ou Londres. O resultado é um Alentejo mais frágil; ´água sob pressão, território a esvaziar-se e o azeite português tratado como um ativo financeiro, em vez de ser parte da nossa terra.” 
Parte da riqueza produzida no regadio de Alqueva é encaminhada para fundos de pensões de funcionários públicos, Forças Armadas e Polícia Montada do Canadá, bem como da Igreja Mormón.
Perante este cenário, a Greenpeace Portugal exige uma moratória imediata à expansão do olival superintensivo. O governo português tem de escolher: ou continua a ser o facilitador dos fundos de investimento, ou assume o seu papel de protetor do território e da soberania alimentar de Portugal. O campo não é um banco. O campo é a nossa vida.

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2023

Moratória à mineração no mar profundo da Madeira - Moratorium on deep sea mining in the Madeiran waters

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A Assembleia Nacional Francesa – ANF acaba de tomar uma decisão histórica com vista a impedir a razia dos fundos marinhos por meio de mineração (215 votos a favor, 56 contra), ao convidar o governo francês a defender uma moratória relativa à exploração mineira dos fundos marinhos.
É uma decisão de grande importância, que vem contrariar a avidez de empresas e de Estados sobre as profundezas oceânicas relativamente a numerosos metais e minerais cobiçados pela indústria. A ANF pede a proibição dessa exploração na sequência de uma campanha determinada oriunda da sociedade civil francesa. Prevê-se que o governo siga as injunções dos deputados.
O presidente francês, Emmanuel Macron, inicialmente favorável à exploração dos mares profundos, mudou de opinião. Hervé Berville, secretário de Estado do Mar, afirmou nos debates parlamentares que precederam a votação: «Não é possível uma exploração mineira sem danos irreversíveis para os ecossistemas marinhos.»
A resolução vem reforçar a posição dos países críticos da exploração dentro da Autoridade Internacional dos Fundos Marinhos, onde uma dúzia de Estados se pronunciaram até agora por uma moratória ou por uma simples pausa, isto enquanto já se iniciou a escavação em sondagens por robôs dos fundos oceânicos. (Adaptado do jornal digital francês ReporTerre, 18 de janeiro de 2023).



quinta-feira, 21 de junho de 2012

Cartoon- os agricultores e os pesticidas



Dossiê Pesticidas actualizado.

Quinze dos 27 Estados-membros deram à Comissão o apoio necessário para sair do impasse em que a UE estava quanto ao uso de três químicos “neonicotinóides” em culturas que atraem as abelhas.

O diário britânico The Independent, que fez lóbi a favor da proibição, escreve que o Reino Unido votou contra, por causa de uma eventual falta de evidência científica que justifique a medida.

O jornal, no entanto, lembra que “mais de 30 estudos científicos encontraram ligações entre o uso de neonicotinóides […] e a diminuição do número de abelhas” e a proposta para proibir os inseticidas “baseia-se num estudo realizado pela Autoridade Europeia de Segurança Alimentar, que em janeiro descobriu que os pesticidas representam, de facto, um risco para a saúde das abelhas”.

O diário reconhece que a comunidade científica está dividida sobre esta proibição. O professor Lin Field, chefe do departamento de química biológica e proteção de culturas no Rothamsted Research, teme que a decisão tenha sido tomada com base num “lóbi político” e que possa levar os governos a descurarem outros factos, enquanto o Doutor Lynn Dicks, investigador da Universidade de Cambridge, diz que a votação foi “uma vitória do princípio da precaução, que deve nortear a regulamentação ambiental”.

O Daily Telegraph afirma que alguns observadores agrícolas estão preocupados com as consequências inesperadas da proibição, incluindo os agricultores que usam pesticidas mais antigos que são mais prejudiciais para as culturas e para as outras espécies.

No entanto, num editorial, The Times defende a proibição, dizendo que abre caminho a uma melhor compreensão do que está a acontecer às abelhas: " A moratória deverá permitir avaliar se, na ausência de neonicotinóides, as colónias de abelhas recuperam. E também representa uma oportunidade para um estudo mais abrangente sobre as outras possíveis causas de diminuição do número de abelhas e para criar uma estratégia eficaz para a sua revitalização."