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quinta-feira, 7 de maio de 2026

Portugal esgotou hoje recursos que natureza lhe destinava para o ano inteiro, dois dias mais tarde do que no ano passado


Portugal esgota hoje os recursos naturais que tinha disponíveis para este ano, dois dias mais tarde do que no ano passado, passando a consumir "a crédito", indicam dados da organização internacional "Global Footprint Network".

O dia da sobrecarga, explica a organização, indica que de 01 de janeiro a 07 de maio os portugueses consumiram tantos recursos naturais quantos os diversos ecossistemas da Terra conseguem regenerar ao longo de um ano. A partir de agora os portugueses continuam naturalmente a consumir, mas usam mais recursos, em terra ou no mar, do que teoricamente estariam disponíveis, e emitem mais dióxido de carbono do que a natureza pode absorver.

No ano passado o dia em que o país esgotou os recursos foi a 5 de maio, o que quer dizer que melhorou ligeiramente em sustentabilidade.

A estabilização no consumo de recursos do planeta é notada pela associação ambientalista Zero, que, num comunicado no qual comenta a pegada ecológica do país, refere a ligeira melhoria, comparando com o ano anterior.

Mas ainda assim o país começa a exceder os recursos disponíveis para alimentar o estilo de vida dos portugueses decorridos menos de cinco meses do ano. Tal quer dizer que se cada pessoa na Terra vivesse como uma pessoa média portuguesa, a humanidade exigiria cerca de 2,9 planetas para sustentar as suas necessidades de recursos.

O resultado coloca Portugal na média da União Europeia (UE), que este ano teve o dia de sobrecarga em 03 de maio, uma ligeira melhoria também em relação ao ano passado.

Na UE há países que esgotaram há muito os recursos que tinham para o ano todo. Nas contas da "Global Footprint Network" o consumo do Luxemburgo esgotou os recursos logo no dia 17 de fevereiro.

A nível mundial o pior classificado é o Catar, que esgotou a sua parte a 04 de fevereiro. Do outro lado da tabela estão as Honduras, que só têm o dia de sobrecarga a 27 de novembro.

A pegada ecológica avalia as necessidades humanas de recursos renováveis e serviços essenciais e compara-as com a capacidade da Terra para fornecer tais recursos e serviços (biocapacidade).

A 05 de junho, Dia Mundial do Ambiente, a "Global Footprint Network" anuncia o "Earth Overshoot Day" de 2026, o momento em que a necessidade de recursos e serviços ambientais por parte da Humanidade excede a capacidade da Terra para regenerar esses mesmos recursos.

Em 2025 a humanidade esgotou os recursos desse ano no dia 24 de julho, uma semana mais cedo do que em 2024, 01 de agosto.

quarta-feira, 29 de abril de 2026

Shell CEO sees energy crisis lasting until 2027


The shortage of oil and natural gas caused by the blockade of the Strait of Hormuz is likely to drag on for months and possibly into next year, the CEO of Shell, Wael Sawan, tells Bloomberg TV.

“We’re talking about roughly 900 million barrels that haven’t been produced in the last few months and have instead been replaced by inventory,” he says, adding:

“We’re now reaching some relatively low levels. We’re talking about constraints on demand in certain areas. And we’re talking about fuel switching.”

Sawan’s comments underscore the severity of the energy shock that has hit the global energy sector in the wake of President Donald Trump’s war with Iran, which began in late February.

About 20% of the world’s oil and natural gas cannot pass through the Persian Gulf, forcing countries like Iraq, Kuwait, and Qatar to shut down production and pushing customers—especially in Asia—to compete for supplies elsewhere by driving up prices.

“It’s leaving a deep mark—and not just on oil,” says Wael Sawan, noting that liquefied natural gas (LNG) is also at stake.

Earlier this week, Shell agreed to buy Canadian shale producer ARC Resources for USD 13.6bn in the energy giant’s largest deal in more than a decade.

The acquisition will support production growth through 2030 and help supply their LNG Canada facility, which exports natural gas to Asia.

sexta-feira, 3 de maio de 2024

A atribulada carreira diplomática do candidato do Chega



O cabeça de lista do Chega às próximas eleições europeias tem no seu currículo quatro décadas de carreira diplomática marcadas por várias polémicas e infrações disciplinares. Antes disso, juntou-se ao CDS e foi secretário-geral da Juventude Centrista logo em 1974. E esteve ligado a um dos momentos mais importantes dos primeiros tempos do partido, quando organizou o comício no Teatro de São Luiz que acabou com os militares a escoltarem os jovens centristas à saída do local, cercado por manifestantes da esquerda. Depois do evento, a atividade partidária reduz-se mas mantém a proximidade. Em 1979, a vitória da AD garante a pasta dos Negócios Estrangeiros a Freitas do Amaral e Tânger, há poucos meses no quadro do Ministério, é chamado para seu adjunto. Numa reportagem sobre o percurso de Tânger Corrêa, o Público recorda que o ativismo partidário do jovem diplomata, que passava pela colagem de cartazes do partido, deixou furioso o então secretário-geral do Ministério, Gonçalo Caldeira Coelho, também próximo do CDS.

Comunidade portuguesa de Toronto recolheu dinheiro para lhe comprar barcos de competição... e ficou a ver navios
Já nas funções de chefia de um posto diplomático, em 1984 como cônsul-geral em Toronto, surge o primeiro caso polémico. O estilo aventureiro e enérgico depressa lhe garantem simpatia de figuras da comunidade emigrante. E Tânger transmite-lhes o seu amor pela prática de vela e o sonho de ir aos Jogos Olímpicos. A comunidade mobilizou-se para lhe oferecer um barco de competição, mas o azar levou a que fosse destruído na viagem para uma competição nos EUA. Seguiu-se novo peditório para angariar dezenas de milhares de dólares e assim comprar um segundo barco topo de gama para o cônsul. Não há memória de um diplomata português ter aceite um presente - na verdade, dois - tão caro, o que as regras de conduta hoje proíbem expressamente a partir de um limite de 150 euros.

Tânger Corrêa usou o barco na preparação dos Jogos Olímpicos de Barcelona em 1992, onde cumpriu o sonho de participar. Mas a promessa de devolver o barco à comunidade portuguesa quando abandonasse o posto consular, ficando à guarda de um clube náutico que a comunidade iria criar, nunca se cumpriu. O cônsul trouxe o barco para o Clube Naval Setubalense, alegando que para isso teve o acordo da comunidade, que ficou a ver navios. Um inquérito do Ministério foi arquivado após as explicações de Tânger Corrêa de que o barco era apenas emprestado e que dele não tirou benefícios patrimoniais.

Em Goa ocupou uma casa, içou a bandeira... e abriu conflito diplomático
Depois de Toronto, foi colocado em Goa em 1993, com a missão de comprar uma casa para a residência oficial e a chancelaria. O negócio com uma propriedade da família Pacheco de Figueiredo ficou fechado, mas a casa estava vazia e à guarda de um motorista da família, que se recusou a abandoná-la. Com um grupo de amigos, Tânger Corrêa arrombou a porta da casa quando o seu ocupante estava ausente, retirando os seus pertences e colocando um poste onde içou a bandeira portuguesa, abrindo assim um incidente diplomático. Um grupo de populares organizou-se e retirou a bandeira, num caso que fez notícia e levou o governo local a afirmar não ter autorizado a mudança do consulado português. O negócio da casa ocupada acabou por cair e Tânger não tardou a ser retirado do posto.