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domingo, 8 de março de 2026

Dia Internacional da Mulher - International Women’s Day

Nenhum país do mundo atingiu a igualdade legal entre homens e mulheres [ONU]

The Silent Architect
"She is the interval between the notes,
The steady hum that holds the sky.
While the world demands a roar,

She offers the Inspirit -
The breath that turns bone into wing.

We need her because she is the anchor
In a sea of hollow noise.

A weaver of grace, a vessel of light,
Building worlds in the quiet,
Holding the pulse until it learns to sing.

Without her, the earth is merely stone.
With her, it is a symphony. "

João Soares 08.03.2026

sábado, 6 de dezembro de 2025

Carolina Deslandes - Feia


Canção lançada precisamente no Dia Internacional pela Eliminação da Violência contra a Mulher, o tema vai mais longe e denuncia a extrema-direita e o neofascismo. Na letra de ‘Feia’, Carolina insurge-se contra a ascensão da extrema-direita e o retrocesso dos direitos das mulheres. Um canção de intervenção para ouvir em loop e partilhar. 

Ó Mãe, eu nasci num país
Nasci num país que me odeia
Dizem: "Deixa passar a louca"
Dizem: "Deixa passar a feia" [2X]

A extrema direita que eu assumo é ter na mão direita um punho que carrega uma caneta
Voz armada com bala de chumbo, tiro seguido de fumo, sou mulher e sou poeta
Querem voltar atrás no tempo, plantar o medo cá dentro, gritam "Deus, Pátria е Família"
E um marido que traga sustento ou mais um olho cinzento, diz quе foi contra a mobília

Ó Mãe, eu nasci num país
Nasci num país que me odeia
Dizem: "Deixa passar a louca"
Dizem: "Deixa passar a feia" [2X]

Vocês odeiam as mulheres e quando matam as mulheres, querem chorar e acender velas
Mas metade do mundo são mulheres e a outra metade do mundo é feita dos filhos delas
Um país sem casa nem conforto, querem falar do aborto, querem nos tirar os livros
Sou filha de Abril, saí do esgoto, nasci pronta para o confronto e eles gritam-me aos ouvidos

Ó Mãe, eu nasci num país
Nasci num país que me odeia
Dizem: "Deixa passar a louca"
Dizem: "Deixa passar a feia" [2X]

Ó Mãe, eu nasci
Ó Mãe, eu nasci
Ó Mãe, eu nasci
Num país
Ó Mãe, eu nasci
Ó Mãe, eu nasci
Ó Mãe, eu nasci
Deixa passar a feia

quinta-feira, 23 de outubro de 2025

O que é o patriarcado? O que significa e porque é que toda a gente fala dele?

Amazona - Afro-Brasileira

O que é o patriarcado?
Derivado da palavra grega patriarkhēs, patriarcado significa literalmente “a regra do pai” e é usado para se referir a um sistema social em que os homens controlam uma parte desproporcionalmente grande do poder social, económico, político e religioso, com a herança geralmente a passar pela linha masculina.

Definindo o patriarcado, o famoso sociólogo americano Allan Johnson escreveu: “O patriarcado não se refere a qualquer homem ou conjunto de homens, mas a um tipo de sociedade em que participam homens e mulheres... Uma sociedade é patriarcal na medida em que promove o privilégio masculino ao ser dominada por homens, identificada por homens e centrada em homens. Está também organizada em torno de uma obsessão pelo controlo e envolve como um dos seus aspetos-chave a opressão das mulheres.”

Quais são as características de uma sociedade patriarcal?
Não existem duas sociedades patriarcais exatamente iguais, uma vez que as culturas e as normas são moldadas por diferentes fatores, tais como a geografia, a língua e a religião - e também porque as exigências e os avanços dos movimentos feministas em todo o mundo não são idênticos. No entanto, a principal caraterística de uma sociedade patriarcal é o facto de os homens deterem mais poder e autoridade, o que conduz subsequentemente ao privilégio masculino.

Os preconceitos profundamente enraizados fazem com que os homens ocupem a maioria das posições de liderança e controlem os recursos, tanto na esfera pública como na privada, enquanto as mulheres desempenham um papel secundário e são vistas como mais fracas e mais adequadas ao trabalho doméstico. Como tal, o lugar da mulher numa sociedade patriarcal é principalmente o de dona de casa, procriadora ou cuidadora.

Esta dominação masculina perpetua crenças e práticas (normas culturais) que - consciente ou inconscientemente - favorecem os homens em detrimento das mulheres, e estas crenças não são apenas defendidas pelos homens, mas pela maioria das pessoas nessa sociedade, independentemente do seu género.

Dados recentes do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento revelaram, em junho, que os preconceitos de género contra as mulheres “permanecem enraizados”, concluindo que “quase 9 em cada 10 homens e mulheres em todo o mundo continuam atualmente a ter esses preconceitos”. O relatório do Índice de Normas Sociais de Género da organização concluiu que “metade das pessoas em todo o mundo ainda acredita que os homens são melhores líderes políticos do que as mulheres e mais de 40% acredita que os homens são melhores gestores de negócios do que as mulheres”.

Em muitas partes do mundo, as normas patriarcais significam que as raparigas recebem pouca ou nenhuma educação, podem casar-se jovens, têm pouco ou nenhum controlo sobre o seu corpo (através do acesso a contracetivos ou abortos) ou sobre o rendimento familiar, e têm menos acesso digital do que os rapazes.

Mesmo quando os resultados escolares são comparáveis ou as raparigas têm melhores resultados escolares, as expectativas patriarcais moldam as trajetórias profissionais, estando as mulheres sub-representadas nas áreas STEM [acrónimo inglês para Ciências, Tecnologias, Engenharias e Matemáticas] e sobre-representadas por exemplo na enfermagem. Os patriarcados também se caracterizam por salários desiguais para o mesmo trabalho; menos investigação sobre doenças que afetam desproporcionadamente alguns géneros mais do que outros (por exemplo endometriose ou enxaquecas); um sentimento de direito ao sexo e ao prazer por parte daqueles que encarnam géneros mais masculinos; a existência de pobreza menstrual, que pode afetar todas as pessoas que menstruam, e o imposto cor-de-rosa - em que os bens de consumo destinados às mulheres são mais caros; encargos desiguais com os cuidados; invisibilidade das mulheres na velhice e estereótipos sobre a menopausa; e a prevalência e aceitação da violência cometida por homens: abuso doméstico, assédio sexual e feminicídio.

O patriarcado é outro termo para designar a desigualdade de género?
A desigualdade de género - o tratamento desigual de alguém com base apenas no seu género - é um resultado das sociedades patriarcais, mas os termos não significam a mesma coisa. A desigualdade de género refere-se às diferenças injustas no tratamento, oportunidades e direitos entre pessoas com base no género. Já o patriarcado é um sistema social e cultural em que o poder e a autoridade estão historicamente concentrados nos homens, o que cria e mantém essas desigualdades.

Os Estados Unidos são um patriarcado?
Apesar dos avanços no sentido da igualdade de género que têm vindo a ganhar força há mais de um século, os EUA continuam a ser uma sociedade patriarcal.

Até à data, por exemplo, nunca nenhuma mulher foi Presidente dos EUA, pelo que o poder supremo como comandante-chefe sempre coube a um homem.

Os dados mostram que os EUA ficam atrás de muitos dos seus aliados em todo o mundo no que diz respeito à licença parental remunerada, aos cuidados de saúde maternos, às taxas de fertilidade na adolescência e, cada vez mais, aos direitos reprodutivos. Também existe uma disparidade salarial persistente entre os géneros, com as mulheres a ganharem, em média, 82 cêntimos por cada dólar ganho por um homem em 2022, de acordo com uma análise do Pew Research Center. Os dados sublinham que esta diferença quase não se alterou em 20 anos e é pior para as mulheres indígenas, asiáticas, latinas e negras.

O progresso no sentido da igualdade de género não é linear nem garantido. Os ganhos no acesso ao aborto perderam-se no ano passado (com a revogação do acórdão Roe vs. Wade) e outros ganhos podem também perder-se, uma vez que a Constituição dos EUA não contém qualquer disposição que proteja explicitamente contra a discriminação com base no sexo. A Emenda dos Direitos Iguais, introduzida no Congresso em 1923, nunca foi ratificada por um número suficiente de estados, embora tenha havido esforços recentes para a reativar.

Todas as sociedades são patriarcais e sempre o foram?
Não. Nem sempre o foram.

Escrevendo para a BBC, a jornalista científica britânica Angela Saini explica que “quanto mais mergulhamos na pré-história, mais variadas são as formas de organização social que encontramos”. Referindo-se a dados arqueológicos de Çatalhöyük, na atual Turquia, descrita como uma das cidades mais antigas do mundo, Saini escreve que esta era “uma povoação em que o género fazia pouca diferença na forma como as pessoas viviam”.

Mas também existem sociedades deste género no mundo contemporâneo. Investigações anteriores identificaram pelo menos 160 populações matrilineares que existem atualmente. Trata-se de sociedades em que a linhagem é transmitida pela mãe. Isto não significa, porém, que os homens sejam discriminados nas matriarquias. Saini escreve: “Muitas vezes, nas comunidades matrilineares, o poder e a influência são partilhados entre mulheres e homens. Nas comunidades matrilineares Asante, no Gana, a liderança é dividida entre a rainha-mãe e um chefe masculino, que ela ajuda a selecionar.”

Que outras sociedades são matriarcais?
Eis apenas algumas das sociedades matriarcais que se sabe existirem em todo o mundo:

Os Minangkabau são a maior sociedade matriarcal conhecida do mundo, compreendendo milhões de pessoas que vivem na ilha de Sumatra, na Indonésia. São matrilineares, traçando a descendência e a herança através da linha feminina.

Os Bribri são uma das mais antigas comunidades matrilineares sobreviventes do mundo. Este grupo indígena vive principalmente na região montanhosa de Talamanca, na Costa Rica e, em 2015, estimava-se que existiam 11 500 pessoas nesta área, com uma população mais pequena no Panamá, mas diz-se que a sua cultura está ameaçada.

Há também os Mosuo na China, os Khasi na Índia, os Himba em Angola e na Namíbia e muitos outros. Mas mesmo as ordens sociais não existem numa escolha binária entre patriarcados e matriarcados. Das 1291 populações definidas no estudo de 2019, 590 eram patrilineares. Para além das matriarquias, tal como referido acima, o estudo também identificou cinco outras formas de as sociedades decidirem a linhagem.

O patriarcado é bom para os homens?
Sim e não. Embora tal não seja concedido de forma uniforme a todos os homens, ser designado à nascença como homem numa sociedade patriarcal traz privilégios. Mas também traz expectativas, e são essas expectativas - de que um “homem viril” é heterossexual, sempre forte, mostra pouca emoção, é o provedor e não o cuidador, domina sobre os outros, deve estar sempre no controlo - que levaram ao que é popularmente referido como masculinidade tóxica.

Estes ideais não são isentos de consequências, certamente para as mulheres (o facto de a violação conjugal não ser crime em muitos países e só ter passado a sê-lo em todos os estados dos EUA em 1993 é apenas um exemplo), mas também para os homens: estudos exploraram - e demonstraram - uma ligação entre o patriarcado e taxas de mortalidade mais elevadas nos homens.

No seu livro de 2004, “The Will to Change: Men, Masculinity and Love” [tradução à letra, “A Vontade de Mudar: Homens, Masculinidade e Amor”], a autora feminista negra Bell Hooks escreveu: “O primeiro ato de violência que o patriarcado exige aos homens não é a violência contra as mulheres. Em vez disso, o patriarcado exige de todos os homens que se envolvam em atos de automutilação psíquica, que matem as partes emocionais de si próprios."

O patriarcado pode ser desmantelado?
Qualquer sistema criado por pessoas pode ser alterado por pessoas.

O patriarcado é um sistema social que foi concebido por homens para favorecer os homens. Foi adotado ao longo dos tempos através de comportamentos aprendidos e normas culturais que colocam os homens no topo. Para desmantelar este ideal, temos de desafiar os preconceitos enraizados contra as mulheres.

Parece simples, mas há muito trabalho a fazer. Face ao “retrocesso dos direitos sexuais e reprodutivos” e aos “direitos das mulheres (...) a serem abusados, ameaçados e violados em todo o mundo”, o secretário-geral da ONU, António Guterres, afirmou em março que a igualdade de género parecia estar “a 300 anos de distância”.

Enumerando várias áreas de desigualdade, Guterres foi explícito quanto às suas causas: “Séculos de patriarcado, discriminação e estereótipos prejudiciais criaram uma enorme lacuna de género na ciência e na tecnologia”, antes de acrescentar: “Sejamos claros: as estruturas globais não estão a funcionar para as mulheres e raparigas do mundo. Têm de mudar”.

São muitas as estratégias que podem conduzir à mudança que Guterres exige, desde os esforços para alterar as normas culturais, ao acesso das raparigas à educação, à capacitação económica das mulheres e à reforma institucional. Mas a principal delas é também o financiamento e o apoio às organizações de defesa dos direitos das mulheres.

Numa coluna para a CNN, a presidente da Democracy Alliance, Pamela Shifman, escreveu: “Para inverter os danos crescentes que estão a ser causados todos os dias aos direitos das mulheres e dos LGBTQ+, os movimentos feministas precisam de mais recursos. Precisam também de liberdade para responder a novas ameaças e oportunidades e para inovar com coragem. As ameaças, na sua origem e natureza, estão sempre a mudar e precisamos de organizações feministas que sejam resilientes e capazes de mudar também. Chegou o momento de financiar a criação dessas organizações”.

sexta-feira, 14 de fevereiro de 2025

Nancy Fraser - Os trabalhadores são canibalizados pela classe capitalista


O mundo enfrenta múltiplas crises em simultâneo: alterações climáticas, ascensão de movimentos autoritários e exploração da mão-de-obra do Sul Global, entre outras. Nancy Fraser, professora de filosofia e política na New School, afirma que "não pode ser coincidência" – na génese de tudo está o capitalismo.

domingo, 14 de julho de 2024

Em apenas dez anos morreram em solo dos EUA quase tantos americanos como aqueles que morreram na segunda grande guerra mundial


Recentemente em 2022, na sequência de um massacre numa escola dos Estados Unidos, o ex-presidente Donald Trump discursou na convenção da poderosa Associação Nacional do Rifle (NRA), principal financiadora do lobby das armas no país, e afirmou que a melhor solução contra a violência é armar ainda mais a população.
De 2021 a 2023 houve mais de 600 tiroteios em massa nos EUA, quase dois por dia em média, segundo a organização americana GunViolence.
Devido ao porte de arma generalizado nos EUA, de 2021 a 2023 morreram quase 60.000  pessoas no país (excluindo suicídios com recurso a arma), o que dá a espantosa média de quase 20.000 mortes por ano nos três últimos anos.
Desses 60.000 cerca de 4800 eram crianças ou adolescentes, o que dá uma média de 1.600 mortes dentro dessas faixas etárias nos três últimos anos.
Já os suicídios com uso de arma de fogo rondam em média as mais de 26.000 mortes nos três últimos anos, ou seja, cerca de 78.000 pessoas suicidaram-se nos EUA nestes três últimos anos recorrendo a armas de fogo.
De 2021 a 2023, armas de fogo foram directamente responsáveis por quase 140.000 mortes nos EUA!
Para termos uma noção, morreram nas duas guerras do Iraque cerca de 9.000 soldados americanos. No Afeganistão morreram cerca de 2.400.
Cerca de 36.500 soldados americanos morreram durante a Guerra da Coreia. 
Aproximadamente 58.220 soldados americanos morreram na Guerra do Vietname.
116.516 soldados americanos morreram durante a Primeira Guerra Mundial.
Apenas na segunda guerra mundial morreram mais americanos do que nos EUA em tempo de paz de 2021 a 2023. Nesse conflito cerca de 405.000 soldados americanos morreram, estando nós a falar do conflito mais mortífero alguma vez ocorrido no planeta.
Se no entanto alargarmos esta estatística para os últimos dez anos, aproximadamente 400.000 americanos morreram devido a armas de fogo, considerando homicídios, suicídios e acidentes.
Em apenas dez anos morreram em solo dos EUA quase tantos americanos como aqueles que morreram na segunda grande guerra mundial.

sexta-feira, 12 de abril de 2024

Música do BioTerra: Brian Eno - Baby's on Fire



Baby's on fire
Better throw her in the water
Look at her laughing
Like a heifer to the slaughter

Baby's on fire
And all the laughing boys are bitching
Waiting for photos
Oh the plot is so bewitching

Rescuers row, row
Do your best to change the subject
Blow the wind blow, blow
Lend some assistance to the object

Photographers snip snap
Take your time, she's only burning
This kind of experience
Is necessary for her learning

If you'll be my flotsam
I could be half the man I used to
They said, "You were hot stuff
And that's what baby's been reduced to"

Juanita and Juan
Very clever with maracas
Makin' their fortunes
Selling second-hand tobaccos

Juan dances at Chico's
And when the clients are evicted
He empties the ashtrays
And pockets all that he's collected

But baby's on fire
And all the instruments agree that
Her temperature's rising
But any idiot would know that 

A música "Baby's on Fire" de Brian Eno, lançada em 1974 no álbum Here Come the Warm Jets, é uma das suas composições mais emblemáticas e enigmáticas. O seu significado pode ser interpretado de várias formas, mas aqui estão algumas das principais leituras possíveis:

🧠 1. Surrealismo e ironia
"Baby's on Fire" é construída com uma narrativa surrealista, onde uma jovem (a "Baby") literalmente está a arder, mas os presentes preferem tirar fotografias em vez de a ajudar. A letra carrega uma ironia cruel sobre o comportamento humano — o fascínio pelo desastre e a apatia perante o sofrimento real.

"Photographers snip snap / Take your time, she's only burning."

Este verso exemplifica bem o comentário social: há uma crítica implícita à forma como as pessoas preferem espetacularizar a tragédia em vez de intervir.

🔥 2. Metáfora da rebeldia e do desejo
Outra interpretação possível é a da "Baby" como símbolo de juventude rebelde e sexualidade descontrolada. Estar "on fire" pode ser entendido como estar no auge da paixão, da loucura, da autodestruição — uma metáfora comum no rock para estados emocionais extremos.

🎸 3. Colagem sonora e narrativa absurda
Brian Eno afirmou que muitas das suas letras nessa fase eram colagens de imagens e frases sem sentido literal, escolhidas mais pelo som das palavras do que pelo seu conteúdo. A música é muitas vezes interpretada como um exercício de estilo e atmosfera, não de mensagem.

Além disso, a canção inclui um longo solo de guitarra de Robert Fripp, que contribui para o tom caótico e intenso da música.

🧪 4. Experimento artístico
Eno era fortemente influenciado pela arte experimental, como o Dadaísmo e o Surrealismo. Portanto, a letra pode ser uma paródia de convenções narrativas, brincando com as expectativas do ouvinte. Ele próprio disse que o título do álbum Here Come the Warm Jets é uma referência ambígua com conotações sexuais e cómicas.

segunda-feira, 23 de outubro de 2023

Como o capitalismo oprime as mulheres

A desigualdade de género constitui uma manifestação concreta das relações de poder que estruturam as sociedades patriarcais. O patriarcado, entendido como um sistema histórico e sociocultural que privilegia os homens e o masculino, estabelece uma hierarquia de género que legitima e reproduz a subordinação das mulheres e de outras identidades marginalizadas (Walby, 1990; Beauvoir, 1949). Trata-se, portanto, de uma estrutura geradora de assimetrias que se expressam em múltiplas dimensões — económica, política, simbólica e cultural (Bourdieu, 1998). A desigualdade de género, por sua vez, constitui o resultado observável dessas dinâmicas estruturais, manifestando-se na divisão sexual do trabalho, na disparidade salarial, na sub-representação política e na violência de género (Scott, 1986; Federici, 2004). Distinguir ambos os conceitos é essencial para compreender que o combate à desigualdade de género não se resume à correção de disparidades pontuais, mas exige a transformação profunda dos mecanismos patriarcais que as produzem (Butler, 1990; hooks, 2000).

📚 Referências sugeridas

Beauvoir, S. de (1949). Le Deuxième Sexe. Paris: Gallimard.

Bourdieu, P. (1998). La domination masculine. Paris: Seuil.

Butler, J. (1990). Gender Trouble: Feminism and the Subversion of Identity. New York: Routledge.

Federici, S. (2004). Caliban and the Witch: Women, the Body and Primitive Accumulation. New York: Autonomedia.

hooks, b. (2000). Feminism is for Everybody: Passionate Politics. Cambridge, MA: South End Press.

Scott, J. W. (1986). “Gender: A Useful Category of Historical Analysis” The American Historical Review, 91(5), 1053–1075.

Walby, S. (1990). Theorizing Patriarchy. Oxford: Basil Blackwell.

segunda-feira, 13 de março de 2023

CSW: maior evento global de mulheres debate tecnologia e inovação para alcançar a igualdade

Todos os anos, mulheres de todo o mundo se reúnem na sede das Nações Unidas, em Nova Iorque, para debater o progresso relacionado à igualdade de gênero e ao empoderamento feminino.

A 67ª Sessão da Comissão da ONU sobre o Estatuto da Mulher, CSW, começa nesta segunda-feira e vai até o dia 17 de março.
A sul-africana Mathu Joyini preside a 66ª sessão da Comissão sobre a Condição da Mulher.

Número recorde de participantes

A presidente do Comitê sobre o Estatuto da Mulher, Mathu Joyini, disse que este ano haverá um número recorde de mulheres, vindas de diferentes partes do mundo.

Na última sessão totalmente presencial, em 2019, foram mais de 7 mil participantes, incluindo 2 mil representantes de Estados-membros, 5 mil da sociedade civil e 86 ministros.

Em 2023, o tema prioritário da CSW é a inovação, mudança tecnológica e educação na era digital para alcançar a igualdade de gênero e o empoderamento de todas as mulheres e meninas.

Mathu Joyini, que também é representante permanente da África do Sul na ONU, lembra que entre os assuntos abordados também estarão problemas de segurança e proteção enfrentados por mulheres em diferentes plataformas.

Participantes da CSW 63 na sede da ONU em Nova Iorque

Longo caminho até a igualdade

Centenas de pessoas participam em plenárias ministeriais e eventos paralelos do que é considerado o maior evento global de mulheres. Entre os representantes estão delegações de Estados-membros, entidades das Nações Unidas e organizações não-governamentais.

De acordo com a ONU Mulheres, nas taxas atuais, levará quase mais três séculos para trazer igualdade para mulheres e meninas.

Prejudicadas por desigualdades persistentes, cerca de 383 milhões delas vivem em extrema pobreza. E a cada 11 minutos, uma mulher ou menina é morta por alguém de sua própria família.


Participantes na reunião da sociedade civil da Comissão sobre o Estatuto da Mulher, CSW63, com o secretário-geral da ONU, António Guterres.

Ações e resoluções

Criada em 1946, a Comissão sobre o Estatuto da Mulher é o principal órgão intergovernamental global dedicado exclusivamente à promoção da igualdade de gênero e ao empoderamento feminino. Este é o segundo maior evento no calendário da organização, depois da Assembleia Geral.

Em duas semanas de sessões, a comissão adotará programas de trabalho, avaliará os progressos alcançados e fará recomendações para acelerar a implementação da Plataforma de Ação de Pequim para o empoderamento das mulheres.

Além de examinar e adotar uma resolução do tema prioritário, a reunião anual deve acompanhar as metas da Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável para o avanço da igualdade de gênero.

sábado, 4 de março de 2023

Who made you king of everything? Angela Saini on the origins of patriarchy


On the day Angela Saini talks to me from her book-lined study in New York, the patriarchy is hard at work all over the world. Anti-abortion protestors are getting ready to march on the Supreme Court in Washington, the Metropolitan police force is caught up in yet more accusations of rape, Jacinda Ardern has resigned as prime minister of New Zealand after years of misogynist abuse, and Iran is executing protestors after the death in custody of Mahsa Amini. In this context, it’s easy to see how patriarchy operates but harder to explain exactly what it is.

“Patriarchy is one of these words that has lost some of its meaning through overuse,” Saini says. “We rarely interrogate what we really think it means, and that’s part of what I was trying to do with The Patriarchs.” The subtitle of her new book, “How Men Came to Rule”, is a simple question with a fascinating and complicated answer, which boils down to: “In various ways, in different places, but not everywhere, not always and not necessarily.” Just as her 2017 book, Inferior, challenged the idea that gendered inequality is rooted in our biology, and Superior in 2019 exposed the lie of “race science” as it began to creep chillingly back into the mainstream, this book shows that the dominant system we have come to accept is neither natural nor inevitable.

This refusal to accept injustice has characterised Saini’s career. Her first book, Geek Nation: How Indian Science Is Taking Over the World, was published in 2011. She had recently left a reporting job at the BBC to go freelance shortly after her six-month investigation into bogus universities won a Prix Circom European television award. According to Saini, while she was working on that documentary, there were several attempts to give her story to other reporters in the newsroom. “Maybe it was because of my age, I really have no idea why … but those reporters were always white men.” She managed to keep the story by threatening to leave, she says, and then she did. “It’s one of my faults, maybe, that I have too much pride, and I make my career decisions based on things like that. I just couldn’t stay.”

Since then, Saini has made a name for herself with her series of books with short titles and massive subjects. These have tended to meet first with resistance among scientific communities, then with approbation and set-text status, and finally with attacks from the far right and white supremacists that have largely forced her off social media. Now The Patriarchs is calling into question the basic idea that men are in charge because they are stronger, smarter or better suited for it. Matrilineal, matrilocal societies, as the book shows, are “very much part of the fabric of human history and society … not these super rare, unusual worlds in which somehow the laws of nature have been overturned,” Saini says. “What is odder for me is that male-dominated societies are so common. When you think of all the different ways in which we could live, why is it that this one system has … spread so widely?”

In the course of writing, Saini looked at new genetic research and archaeological scholarship; visited Neolithic ruins in Çatalhöyük, Turkey; talked to Onondaga Nation people in Seneca Falls, New York state, and the Khasi community in Meghalaya, northeast India; and met women in Germany, Hungary and the Czech Republic. She found ancient societies that contradicted modern, binary ideas of gender; matrilineal systems that had been subverted by colonialism; and patriarchal rules that were ended at a stroke on the whim of governments.

When you think of all the ways in which we could live, why is it the patriarchal system that has spread so widely?
“For me, it seemed less obvious that there was this one monolithic, conspiratorial, overarching plan of male domination that somehow just swept the world in a very homogeneous way,” Saini says, “and it became clearer that there were different patriarchies that took different forms in different times and places around the world.”

Patriarchy is not something that men did to women at some point in history, but a fragile system whose perpetuation we all participate in every day. “I’m not saying that it’s patriarchal to take your husband’s name,” she offers as an example. “But that is one of the mundane ways in which these systems stay alive. And there are thousands, if not millions, of them in cultures all over the world.”

Saini grew up in southeast London, with parents who encouraged her and her two sisters to think about big ideas, and to ask: “Why is the world the way it is?” Her dad had been an engineer, and her parents “split everything down the middle. They still do. There was no sense for me and my sisters that there was men’s work and women’s work.” The area was not, she says, “the greatest place to be an ethnic minority in the 1990s.” (She remembers one day calling a friend, who was from a Chinese family, to ask if she fancied going to the shops. Her friend’s mum wouldn’t let her because fascists were marching through the town centre.) “I was made to be acutely aware of these things from a young age, and I think that is why, when I got to university, I became very involved in anti-racism activism.” She became a co-chair of the student union’s anti-racism committee, which led to writing for the student newspaper, and that sparked an interest in journalism and a traineeship at ITN. She also has a master’s in engineering from Oxford University, and another in science and security from King’s College London (which she took in her “spare time” while working at the BBC).

It seemed inevitable to Saini that she would return to the subject of race in her work, but at the time Superior was commissioned – before George Floyd’s murder and only just after the election of Donald Trump – the persistence of racist, eugenicist ideas was not a big part of public conversation. “There was this feeling that we were getting past this,” she recalls. “But for many of us, it’s obvious that these things are always lying under the surface. When politics shifts, these ideas come back into the mainstream – and that’s exactly what has happened.”

Saini brings her own background and experiences to her work, and that’s something she acknowledges repeatedly in The Patriarchs. Given how successfully she has exposed scientific bias, it is interesting to see her acknowledge her own. “Well, I think we can only see anything through our own cultural lens,” she laughs. “So either we can ignore it and pretend that we’re like gods, seeing it from a distance from some privileged point of view … Or we can acknowledge it, incorporate that into the way we look at our work, and have the humility to try and see it from other people’s point of view as well.”

Seeing things from other cultural perspectives is one of the best things about moving to live in the US, she says. British people tend to think that we know the country, but you don’t have to travel very far from her home in New York to find very different stories from the ones we see in the movies. At Seneca Falls, for example, she learned about indigenous American cultures, their approaches to gender and how those were changed as a result of colonialism. She has also found a different mode of discussion there. “I feel that the tone of the public, mainstream debate and what plays out in the newspapers around race and gender [in the UK] is sometimes so reactionary, so dehumanising ... I was finding it very difficult by the end.”

Though Saini, her husband and her nine-year-old son do plan to return to the UK eventually, it felt like a relief when her husband was offered a job in New York. In 2020, she had applied to be a commissioner for the UK’s Equality and Human Rights Commission and was disappointed not to make it to the first round. The subsequent appointment of the journalist David Goodhart, who had defended “hostile environment” immigration policies and “white self-interest”, came as a shock. Soon afterwards, the Sewell report was published “and I quickly realised that this government was doing things that were … running counter to what the equalities agenda had been for a very long time.” Then the culture secretary Oliver Dowden began a campaign against what he saw as “woke” policies in museums. At the time, Saini was sitting on the Natural History Museum’s board for naming and representation, and “I could see that affecting the conversations we were having. There was a kind of underlying anxiety or fear. And I think for many of us who work in academia or cultural institutions, there is no doubt that the Tory government’s policies over the last few years have had a really chilling effect on efforts to combat racism, and efforts to improve the safety and lives of transgender people, for instance. And in the UK they feel mainstream.”

domingo, 5 de junho de 2022

Música do BioTerra: The Psychedelic Furs - Until She Comes


Until she comes again
I can hear the things she said
I feel no thoughts to move my head

Until she comes again
And with her step
I move my feet
And with her hand
I feel my skin
And with her need
I find I'm saved
And with her dreams
I'm laid

Until she comes again
The sun goes out and night comes in
The time goes round and day grows dim

Until she comes again
And with her step
I move my feet
And with her hand
I feel my skin
And with her need
I find I'm saved
And with her dreams
I'm laid

Until she comes again
With all my savings and my sins
There's no good reason to begin

Until she comes again
And with her step
I move my feet
And with her hand
I feel my skin
And with her need
I find I'm saved
And with her dreams
I'm laid

Until she comes again
With all her dreams tied in her hand
There is no way to understand

Until she comes again
Until she comes again
The sun goes out and night comes in
The time goes round and day grows dim
Until she comes again


Gosto tanto deste tema. Fico abalado com a violência doméstica e feminicídio em Portugal. Ainda são números muito preocupantes (ok, também conheço agressão da esposa sobre o marido, mas é muito mais raro). O séc. XXI. é o da Mulher, como previa George Steiner. A Europa está muito melhor neste aspecto. Há muitas mulheres na Política. Mas no resto do mundo, em particular, o mundo muçulmano e hinduísta, a emancipação da mulher ainda é "crime". 
Tudo parece mais negro e desesperante, até que Ela aparece.

segunda-feira, 4 de abril de 2022

João Miguel Tavares e a masculinidade tóxica

Nem todos os homens são violentos, mas a violência é um fenómeno predominantemente masculino e não é enfiando a cabeça na areia que vamos mudar esta realidade.


Resta-me em casa uma singela cópia do meu mais recente livro, Os homens também choram: histórias da nova masculinidade, editado em 2021 pela Fundação Francisco Manuel dos Santos. Por ironia do destino, é um exemplar que autografei há muitos meses para oferecer a João Miguel Tavares, mas que, lamentavelmente, nunca cheguei a entregar-lhe. A julgar pela sua crónica mais recente (“Will Smith, a Ucrânia e a masculinidade tóxica”), é bem provável que não ficasse entusiasmado com a tese principal do livro: a de que é urgente libertar os homens da visão estereotipada que tanto os prejudica e às pessoas que os rodeiam, e convocá-los para assumirem as suas responsabilidades no combate à violência de género e na luta pela igualdade. Desde logo, porque João Miguel Tavares parece acreditar que as desigualdades de género são uma invenção feminista. Depois, porque vê na “masculinidade tóxica” um “ataque indiscriminado a todos os homens, já de si cada vez mais inseguros e ansiosos”.

Este é um equívoco que importa desfazer: não é o ser homem em si que é tóxico, mas sim alguns comportamentos que alguns homens podem adotar em resultado da forma como são educados socialmente. Esta masculinidade dominante (ou hegemónica, na terminologia de muitos autores) pode, de facto, ser destrutiva, e não apenas para as mulheres, eternizando as desigualdades, a violência e a opressão; também o é para muitos homens, aprisionando-os num modelo que os isola física e emocionalmente, e limita o seu pleno desenvolvimento.

João Miguel Tavares bem pode resumir esta realidade a um “absurdo”, mas importa que reflitamos sobre alguns factos: os homens são não só muito mais propensos a adotar comportamentos de risco (bebem mais, fumam mais e consomem mais drogas), como sofrem mais acidentes rodoviários, procuram menos cuidados de saúde e, por causa desses e de outros fatores, têm uma esperança média de vida bem inferior à das mulheres (em Portugal, quase seis anos menos). Têm também um risco de suicídio cerca de três vezes maior (7 em cada 10 suicídios em Portugal são cometidos por homens) e são não só quem mais mata, mas também quem mais morre em resultado de homicídios: cerca de 90% dos agressores e 90% das vítimas de homicídios a nível internacional são homens. Por isso são também, sem surpresa, os principais ocupantes de estabelecimentos prisionais.

No seu afã de negar as desigualdades de género, João Miguel Tavares dá outro tiro no pé: lembra que na Ucrânia, “como em todas as guerras”, os homens “estão a morrer de forma desproporcionada em relação às mulheres”. O que não escreve, porque talvez não ajudasse à sua tese, é que, ao longo da história, têm sido sobretudo os homens a iniciar os conflitos armados. A guerra (como também o mundo dos gangues, por exemplo) é um domínio maioritariamente masculino porque são os homens os grandes perpetradores de violência.

Assumir isto não é fazer um ataque indiscriminado a todos os homens, como escreve o cronista. Não é assumir que todos são violentos. Não é dizer-lhes que deixem de ser homens, mas reconhecer que podemos, como sociedade, criar modelos de masculinidade mais saudáveis e empáticos. Esta é ainda uma conversa difícil para muitas pessoas e será tão mais bem-sucedida quanto mais formos capazes de construir pontes para o diálogo ao invés de erguer muros.

Mas termos consciência destas nuances não significa ignoramos a realidade que está diante dos nossos olhos e que urge mudar. Se é verdade que a violência não é algo inato (ninguém nasce violento), é justo que nos questionemos sobre a forma como estamos a educar os nossos homens. A ideia de que “um homem de verdade” é forte, viril, dominante, defende a sua família e nunca fraqueja ou mostra vulnerabilidade é sobretudo uma construção histórica, social e cultural que tem pouco a ver com a nossa biologia e muito mais “com a imaginação humana”, como escreve Yuval Noah Harari.

Esse velho guião da masculinidade é o gatilho de grande parte da violência que existe no mundo. A boa notícia é que, se nada disto está inscrito no nosso ADN, então só depende de nós construir o mundo sonhado por Chimamanda Ngozi Adichie: um mundo onde todas as pessoas possam ser “mais felizes e mais honestas consigo próprias”. Até o João Miguel Tavares.

Saber mais:

quarta-feira, 25 de novembro de 2020

Dia Internacional pela Eliminação da Violência contra as Mulheres


O Dia Internacional pela Eliminação da Violência contra as Mulheres assinala-se anualmente a 25 de novembro. Esta data foi instituída pela Resolução 52/134 da ONU. O seu propósito é alertar para este grave problema que atinge as mulheres, tanto em sua casa como no local de trabalho, quer a nível psicológico ou físico.

A União Europeia está fortemente comprometida em prevenir e condenar qualquer crime desta natureza, levando a efeito uma mobilização com os seus parceiros a nível institucional, procurando reforçar os quadros jurídicos e o apoio às vítimas.

Uma das iniciativas é o «Plano de Ação da UE em matéria de Igualdade de Género 2021-2025». Este plano visa fomentar a cooperação entre Estados-membros, UE, e organizações da sociedade civil em questões de igualdade de género. Promove também o acesso universal a cuidados de saúde (especialmente em matérias de direitos sexuais e reprodutivos), à educação e ao acesso a cargos de liderança. Destaca-se ainda a inclusão da perspetiva da mulher em novos domínios estratégicos, como a transição ecológica e a transformação digital.

Este ano, a Comissão para a Igualdade de Género (CIG) lançou a campanha nacional #EUSOBREVIVI, com o objetivo de reforçar a vigilância contra a violência doméstica e o impacto negativo que a pandemia COVID-19 trouxe para quem é vítima deste crime.

Documentos

Resolução 52/134 da AG da ONU que institui o Dia Internacional pela Eliminação da Violência contra as Mulheres | ONU [en] DESCARREGAR

Stop violence against women | Comissão Europeia e Alto Representante para a Política Externa e de Segurança Comum DESCARREGAR

Plano de Ação em Matéria de Igualdade de Género | Comissão Europeia DESCARREGAR

Let’s put an end to Violence against Women Factsheet | Comissão Europeia DESCARREGAR

sábado, 20 de junho de 2015

Música do BioTerra: Capicua- Sereia Louca


"Não é que a lágrima é da mesma água salgada
Gritava entre o mar e a estrela da madrugada
E grito ainda mais alto neste barco suspenso
Que pior que o meu canto há-de ser o meu silêncio"