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domingo, 27 de setembro de 2026

Por que Portugal é mais seguro que Espanha no Global Peace Index?


A diferença de posicionamento entre Portugal, em sexto lugar no ranking europeu e sétimo a nível mundial, e Espanha, em décimo nono lugar no ranking europeu e vigésimo quinto a nível mundial, no Global Peace Index deve-se principalmente à forma como os vinte e três indicadores do índice são calculados e ponderados. Embora ambos os países partilhem elevados padrões de segurança e qualidade de vida na Europa do Sul, Portugal supera Espanha no índice por três fatores estruturais.

O primeiro fator reside na instabilidade e tensão política interna. O Global Peace Index avalia fortemente a coesão e a estabilidade política de cada nação. Espanha perde pontos devido a tensões regionais históricas, como os movimentos separatistas na Catalunha e no País Basco, além de um ambiente de maior polarização partidária e manifestações políticas de grande dimensão. Em contrapartida, Portugal mantém indicadores de estabilidade política interna muito elevados, com ausência de movimentos separatistas e um clima de paz social contínuo.

O segundo fator prende-se com a militarização e os gastos com defesa. Sendo uma das maiores economias da União Europeia e um membro com capacidades militares significativas, Espanha apresenta gastos absolutos mais elevados em defesa, um maior volume de forças armadas e exportações de armamento e equipamento militar superiores às de Portugal. Já Portugal regista um perfil militar significativamente mais reduzido em termos absolutos e de exportação de equipamento de defesa, o que lhe permite pontuar substancialmente melhor nos indicadores do domínio de militarização do índice.

Por fim, o terceiro fator envolve a criminalidade percebida e os fatores de segurança societal. Apesar de Espanha ser um país muito seguro para o turismo e para o quotidiano, as suas cidades de grande dimensão registam taxas absolutas mais elevadas de furtos e pequenas infrações em pontos turísticos, além de uma perceção ligeiramente superior de risco em áreas urbanas de grande densidade. Por outro lado, Portugal apresenta taxas baixíssimas de crimes violentos, uma legislação sobre armas bastante rigorosa e níveis muito reduzidos de perceção de insegurança por parte da população no dia a dia.

A ausência da Noruega e da Suécia no Top 20 europeu explica-se pelos critérios específicos do Global Peace Index (GPI), um índice que mede o nível de paz global através de métricas amplas e não apenas com base na criminalidade do dia a dia.

No caso da Suécia, a queda no ranking deve-se ao crescimento da violência associada a gangues organizados, com um aumento notório de tiroteios e explosões, o que elevou a perceção de insegurança e o impacto do mercado ilegal de armas.

Já a Noruega, apesar de manter níveis altíssimos de segurança no quotidiano e taxas residuais de crimes violentos, acaba por ser penalizada no pilar da militarização. O país regista um volume considerável de exportação de material militar por habitante e assume despesas significativas em defesa e missões internacionais, fatores que influenciam negativamente a sua pontuação final no índice.

Fontes


quinta-feira, 18 de dezembro de 2025

18 dezembro - Dia Internacional dos Migrantes



Assinala-se hoje, dia 18 de Dezembro, o Dia Internacional dos Migrantes.

Fomos um país de emigrantes. Não podemos fingir que não sabemos o que isto significa. Nas últimas semanas Portugal indignou-se. E bem. Uma rede foi desmantelada por explorar imigrantes. Pessoas. Seres humanos. Gente que veio à procura do que tantos portugueses também procuraram durante décadas: uma vida melhor. 
Convém não termos memória curta.

Fomos um país de emigrantes. Milhões de portugueses sentiram frio em França, medo na Alemanha, solidão no Luxemburgo, saudades em Angola, no Brasil, na Suíça. Fugiam da pobreza, do regime do Estado Novo, da falta de futuro.
Não era escolha. Era sobrevivência.

Hoje o mapa mudou. Mas a dor não.

Os imigrantes que chegam a Portugal também sentem frio em Lamego, Paços de Ferreira, Anadia, Beja ou Alenquer. Também sentem medo. Também têm saudades da mãe. Também trazem a vida inteira numa mala e a esperança num contrato que muitas vezes não existe.

Ser migrante, com I ou com E, é um acto de coragem. E explorar essa coragem é uma vergonha colectiva. Este não é um tema de direita ou de esquerda.
Não é um debate de teclado fácil nem de likes rápidos.
É um teste à nossa humanidade, à nossa memória e aos nossos valores.

Se fomos emigrantes, não podemos aceitar ser exploradores.
Se exigimos dignidade lá fora, temos de garantir dignidade cá dentro.

Porque nenhum país é verdadeiramente desenvolvido enquanto fecha os olhos à desumanização dos mais frágeis.

E isto não é política. É consciência.

Os trabalhadores estrangeiros representam um importante contributo para a Segurança Social em Portugal.
Em 2023, as contribuições sociais dos imigrantes representaram mais de 2,6 mil milhões de euros.
No ano passado, em 2024, esse contributo foi de 3,6 mil milhões de euros, um valor recorde (os brasileiros representam 36,7% desse total, seguindo-se os indianos com 6,6%, os nepaleses com 4,3%, os cabo-verdianos com 3,9% e os angolanos com 3,5%).
A quantia que os imigrantes colocam nos cofres da Segurança Social é cinco vezes superior ao que lhes é pago em prestações sociais. Fonte

A mobilidade humana acompanha a história da humanidade como um caminho de superação, adaptação e procura de novas oportunidades. Num contexto global marcado pela interligação entre países e culturas, a migração continua a desempenhar um papel determinante na transformação social, económica e cultural das sociedades.

Ainda assim, muitas pessoas migrantes vivem em contextos de vulnerabilidade, enfrentando discriminação, exclusão e obstáculos no acesso a direitos fundamentais como a saúde, a habitação, a educação, a justiça e a participação cívica.

Este ano, sob o tema “A minha grande história: culturas e desenvolvimento”, somos convidados a reconhecer cada experiência migratória como parte essencial do desenvolvimento coletivo. Valorizar estas histórias é também um apelo à promoção de políticas mais equitativas, ao reforço da cooperação e à criação de respostas especializadas que assegurem proteção, dignidade e igualdade de oportunidades para todas as pessoas.

Em 2005, compreendendo que as pessoas migrantes vítimas de crime apresentam necessidades específicas que exigem um apoio especializado, a APAV criou a Unidade de Apoio à Vítima Migrante e de Discriminação (UAVMD) em Lisboa.

A partir de 2024, este serviço passou a designar-se APAV SAFE — Apoio a Vítimas Estrangeiras, de Crimes de Ódio, de Tráfico e Exploração de Pessoas, sendo concebido para responder às necessidades específicas de pessoas de nacionalidade não portuguesa, incluindo imigrantes, refugiados, requerentes de asilo, turistas ou pessoas temporariamente no país, que tenham sido vítimas de crime ou violência, independentemente da sua situação legal ou administrativa.

É ainda uma resposta especializada na intervenção com vítimas de tráfico de seres humanos, diferentes formas de exploração, crimes de ódio e discriminação, bem como práticas tradicionais nefastas, como a mutilação genital feminina, o casamento forçado ou crimes de honra.

Sediada nos Serviços de Apoio à Vítima de Lisboa, a APAV SAFE consolidou-se como unidade central de referência, assegurando apoio direto às vítimas e suporte técnico aos restantes serviços da Associação.

Ao longo de 20 anos, o trabalho desenvolvido tem contribuído para uma intervenção mais ajustada, informada e digna, reforçando o acesso das vítimas aos seus direitos e a proteção de pessoas em situação de especial vulnerabilidade.

quinta-feira, 24 de julho de 2025

Portugal sobe uma posição (7º lugar em 163) e ultrapassa a Dinamarca na lista de países mais seguros do mundo


O GPI é elaborado pelo Institute for Economics & Peace. E cruzando outros dados como a OCDE, Numbeo e Ministério da Coesão Territorial/Interior de ambos os países, obtemos os seguintes resultados:

1º Taxas de homicídio 
Dinamarca: Cerca de 0,8 a 1,0 caso por 100.000 habitantes.
Portugal: Cerca de 0,6 a 0,8 casos por 100.000 habitantes.
→ Ambas as taxas são consideradas muito baixas e estão entre as mínimas históricas da Europa Ocidental. A diferença entre elas é, normalmente, inferior a 0,3 pontos percentuais.

2.º Furto (crimes contra a propriedade, especialmente roubos reportados por 100.000 habitantes):
Dinamarca: Tende a ter uma taxa moderadamente mais elevada de pequenos furtos (por exemplo, furto de bolsa ou furto de carteira), embora isto varie de acordo com a cidade.
Portugal: Apresenta também taxas baixas, ligeiramente inferiores às da Dinamarca em geral.

No geral, Portugal tem taxas de homicídio e de roubo ligeiramente mais baixas do que a Dinamarca, mas a diferença não é drástica.
Consultar relatório do GPI completo aqui

No ranking FIFA a nossa selecção é 7ª e no ranking UEFA os nossos clubes seguem em 5° (Porto) e 7º (Benfica) 



Conclusão: Estamos melhor em segurança do que em futebol contudo, em ambas, quase lideramos o mundo


terça-feira, 27 de maio de 2025

A guerra de propaganda financiada pela UE contra a liberdade de expressão


Um novo relatório revelou uma campanha discretamente orquestrada pela Comissão Europeia para moldar o discurso público com o apoio de cerca de € 649 milhões em projetos financiados pelos contribuintes com o objetivo de regulamentar o discurso online. Por trás dos frequentes apelos da UE para combater o “discurso de ódio” e a “desinformação”, esconde-se o que o relatório descreve como uma vasta infraestrutura ideológica concebida para corroer a liberdade de expressão sob o pretexto da segurança e da capacitação cívica.

sexta-feira, 22 de março de 2024

A Revolution in American Foreign Policy


A sad fact about the politics of Washington is that some of the most important issues facing the United States and the world are rarely debated in a serious manner. Nowhere is that more true than in the area of foreign policy. For many decades, there has been a “bipartisan consensus” on foreign affairs. Tragically, that consensus has almost always been wrong. Whether it has been the wars in Vietnam, Afghanistan, and Iraq, the overthrow of democratic governments throughout the world, or disastrous moves on trade, such as entering the North American Free Trade Agreement and establishing permanent normal trade relations with China, the results have often damaged the United States’ standing in the world, undermined the country’s professed values, and been disastrous for the American working class.

This pattern continues today. After spending billions of dollars to support the Israeli military, the United States, virtually alone in the world, is defending Prime Minister Benjamin Netanyahu’s right-wing extremist government, which is waging a campaign of total war and destruction against the Palestinian people, resulting in the deaths of tens of thousands—including thousands of children—and the starvation of hundreds of thousands more in the Gaza Strip. Meanwhile, in fear-mongering around the threat posed by China and in the continued growth of the military industrial complex, it’s easy to see that the rhetoric and decisions of leaders in both major parties are frequently guided not by respect for democracy or human rights but militarism, groupthink, and the greed and power of corporate interests. As a result, the United States is increasingly isolated not just from poorer countries in the developing world but from many of its long-standing allies in the industrialized world, as well.

Given these failures, it is long past time to fundamentally reorient American foreign policy. Doing so starts with acknowledging the failures of the post–World War II bipartisan consensus and charting a new vision that centers human rights, multilateralism, and global solidarity.

A shameful track record 
Dating back to the Cold War, politicians in both major parties have used fear and outright lies to entangle the United States in disastrous and unwinnable foreign military conflicts. Presidents Johnson and Nixon sent nearly three million Americans to Vietnam to prop up an anticommunist dictator in a Vietnamese civil war under the so-called domino theory—the idea that if one country fell to communism the surrounding countries would fall as well. The theory was wrong, and the war was an abject failure. Up to three million Vietnamese were killed, as were 58,000 American troops.

The destruction of Vietnam was not quite enough for Nixon and his Secretary of State Henry Kissinger. They expanded the war into Cambodia with an immense bombing campaign that killed hundreds of thousands more people and fueled the rise of the dictator Pol Pot, whose subsequent genocide killed up to two million Cambodians. In the end, despite suffering enormous casualties and spending huge amounts of money, the United States lost a war that never should have been fought. In the process, the country severely damaged its credibility abroad and at home.

Washington’s record in the rest of the world was not much better during this era. In the name of combating communism and the Soviet Union, the U.S. government supported military coups in Iran, Guatemala, the Democratic Republic of Congo, the Dominican Republic, Brazil, Chile, and other countries. These interventions were often in support of authoritarian regimes that brutally repressed their own people and exacerbated corruption, violence, and poverty. Washington is still dealing with the fallout from such meddling today, confronting deep suspicion and hostility in many of these countries, which complicates U.S. foreign policy and undermines American interests.

A generation later, after the 9/11 terrorist attacks in 2001, Washington repeated many of these same mistakes. President George W. Bush committed nearly two million U.S. troops and over $8 trillion to a “global war on terror” and catastrophic wars in Afghanistan and Iraq. The Iraq war, much like Vietnam, was built on an outright lie. “We cannot wait for the final proof—the smoking gun that could come in the form of a mushroom cloud,” Bush infamously warned. But there was no mushroom cloud and there was no smoking gun, because the Iraqi dictator Saddam Hussein didn’t have any weapons of mass destruction. The war was opposed by many U.S. allies, and the Bush administration’s unilateral, go-it-alone approach in the run-up to the war severely undermined American credibility and eroded trust in Washington around the world. Despite this, supermajorities in both chambers of Congress voted to authorize the 2003 invasion.

The Iraq war was not an aberration. In the name of the global war on terror, the United States carried out torture, illegal detention, and “extraordinary renditions,” snatching suspects around the world and holding them for long periods at the Guantánamo Bay prison in Cuba and CIA “black sites” around the world. The U.S. government implemented the Patriot Act, which resulted in mass surveillance domestically and internationally. The two decades of fighting in Afghanistan left thousands of U.S. troops dead or wounded and caused many hundreds of thousands of Afghan civilian casualties. Today, despite all that suffering and expenditure, the Taliban is back in power.

domingo, 14 de janeiro de 2024

Violação de menor no metaverso investigada pela polícia britânica


A polícia britânica está a investigar uma violação “virtual” a uma jovem, menor de idade, que terá acontecido num jogo - Horizon Worlds – no metaverso. Apesar de haver registo de outros casos semelhantes, tanto no Reino Unido, como nos Estados Unidos, esta será a primeira vez que uma entidade policial abriu um inquérito. A notícia foi avançada pelo jornal britânico Daily Mail.

A jovem, com menos de 16 anos, ou melhor, o seu avatar, foi atacado durante o jogo e abusado sexualmente por um grupo de desconhecidos. Foi uma violação virtual em grupo. Apesar de fisicamente não haver qualquer dano, as autoridades britânicas consideram que ela ficou psicologicamente e emocionalmente afetada como alguém que tivesse sido violada no mundo real. O tema é polémico e nem todos concordam com a opção.

Elsa Veloso, advogada especialista em privacidade e proteção de dados e CEO, da DPO Consulting, conhece o caso e espera que este seja levado à justiça. “As pessoas e os menores ficam traumatizados, são efetivamente assediados e sentem-no fisicamente”, porque a sensação do metaverso, do mundo virtual, “é extremamente física e real”, explica a advogada.

Há quem defenda que não existem consequências no mundo real, “mas estamos a ver que existem consequências no mundo real”, acrescenta. Na sua opinião, seja no mundo virtual, seja online, “relativamente ao metaverso, as violações, os bullyings, todas as formas de chantagem ou de extorsão de dinheiro não estão devidamente reguladas”. Principalmente a garantia de “proteção das crianças e dos jovens” que considera essencial.

Neste caso concreto, Elsa Veloso diz que o primeiro passo é “ver a lei que se aplica, do ponto de vista do direito internacional. E qual é a lei aplicável? Em que território foi cometido, efetivamente, o crime? Quem são os intervenientes? Qual a idade dos intervenientes?”.

A Meta, criadora do metaverso, propriedade de Mark Zuckerberg, tem uma sede na Irlanda. “As empresas são obrigadas a cumprirem com a legislação do território onde estão a operar”, explica Elsa Veloso. Por isso, “em princípio, deve-se aplicar o RGPD, o Regulamento Geral sobre a Proteção de Dados, que prevê capítulos especiais de proteção das crianças. E essas leis têm de ser aplicadas”.

Como, por exemplo, perceber se no acesso “às redes foram cumpridos os princípios da idade. O que acontece é que cabe ao metaverso provar que tomou todas as medidas necessárias para garantir que quem acedeu tinha a idade necessária para aceder”.

É por isso que defende que “o metaverso existe uma necessidade imensa de regulamentação, porque a verdade é que, do ponto de vista emocional, as crianças e os adolescentes, os jovens, não estão protegidos”.

O caso desta jovem britânica não é o primeiro a ser notícia. Em 2022 foi também notícia outra situação que envolvia uma mulher. Esta foi revelada no relatório “Metaverse: outra fossa de conteúdo tóxico”, elaborado pela organização sem fins lucrativos SumOfUs, que se dedica a abordar questões como os direitos humanos e o poder corporativo.

A mulher garantiu que foi "violada" no metaverso do Facebook durante uma festa privada enquanto outros utilizadores assistiam. O relatório descreve o caso com algum pormenor, revelando a natureza sórdida da situação. A vítima diz que se sentiu completamente "desorientada".

E a ida desta vítima ao metaverso começou por ser um estudo sobre o comportamento dos utilizadores no Horizon Worlds, mas depressa culminou numa violação e numa experiência emocional tão confusa quanto traumática. A investigadora entrou no espaço virtual da Meta, mas nem uma hora depois o seu avatar já estava a ser violado.

“O metaverso abre caminhos para predadores cometerem crimes horrendos contra crianças”

Ian Critchley, o responsável máximo do Conselho Nacional da Polícia para a Proteção das Crianças contra o Abuso alertou mesmo, após o caso da violação da menor se ter tornado conhecido, que “o metaverso abre caminhos para predadores cometerem crimes horrendos contra crianças”, escreve o Daily Mail.

Elsa Veloso acredita que não é só no mundo virtual que o perigo é muito real. E aponta o dedo às redes sociais. “As redes sociais transmitirem esta política dos ‘likes’, em que as pessoas sabem nomes e marcas, mas esqueceram-se de aprender dos animais e as plantas. E, portanto, estão desligados do mundo real, do mundo concreto, do dia-a-dia, vive-se da dopamina constante”.

Além disso, “com a inteligência artificial, vamos assistir a um incremento substancial das deep fakes, fake news, que vão confundir por completo as crianças e os jovens, que não têm capacidade crítica, nem estão preparados para distinguir o que são notícias falsas e notícias verdadeiras”.

Uma das primeiras regras, para esta especialista, devia ser a garantia de que as redes ou as plataformas não são usadas por quem não tem a idade legal prevista para o fazer. Isto “não garante tudo, mas é uma primeira linha”.

O caso do Tik Tok, “que tem sido alvo de coimas altíssimas” é um exemplo dado pela advogada. “O TikTok está a ser proibido e banido, está a ter coimas altíssimas, porque existe uma invasão enorme da privacidade. Existe ainda uma transferência de dados para a China. Não existe proteção relativamente aos menores e existem técnicas para viciar, que é a palavra certa. Criar comportamentos aditivos relativamente a estas plataformas”.

Além disso, Elsa Veloso deixa outro alerta: “Existem redes organizadas de exploração sexual infantil, que fazem com que os mais novos comecem por dar o endereço e depois dão uma fotografia e depois a seguir já estão a fazer vídeos online”. “São redes organizadas que têm objetivos muito próprios de apanharem os mais vulneráveis e conseguirem atraí-los para fins menos próprios”.

O apelo final é para os pais. Para que estejam atentos. Os mais novos “não podem estar sozinhos, permanentemente, ligados aos computadores, às redes sociais. Sem falarem, sem brincarem, sem interagirem, sem ganharem capacidade crítica. Eles têm de ganhar capacidade crítica através do mundo real”.

sábado, 30 de dezembro de 2023

UNESCO quer investigação ao homicídio de João Chamusse


Diretora-geral da Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura (Unesco), Audrey Azoulay, condenou o homicídio do jornalista moçambicano João Chamusse e pediu uma investigação às circunstâncias do crime.

Numa posição divulgada por aquela organização das Nações Unidas, a que a Lusa teve hoje acesso, Audrey Azoulay pede uma investigação sobre as circunstâncias da morte daquele profissional, no dia 14 de dezembro, em Maputo, e afirma "que a impunidade para tais crimes não deve ser tolerada e os criminosos devem ser levados à justiça".

"A Unesco promove a segurança de jornalistas por meio da conscientização global, capacitação e coordenando a implementação do Plano de Ação das Nações Unidas sobre a Segurança de Jornalistas e a Questão da Impunidade", recorda a organização.

O Serviço Nacional de Investigação Criminal (Sernic) anunciou em 22 de dezembro a detenção de mais dois suspeitos de envolvimento no assassínio do jornalista moçambicano João Chamusse.

"Eles foram detidos na posse dos telemóveis e do computador pertencentes à vítima", declarou Henrique Mendes, porta-voz do Sernic na província de Maputo, durante uma conferência de imprensa.

João Chamusse, de 59 anos, foi encontrado morto no dia 14 de dezembro no quintal da sua residência, em Nsime, na província de Maputo, sem roupa e com um ferimento na nuca.

As autoridades acreditam existirem elementos fortes que provam o envolvimento dos indiciados, de 23 e 18 anos, incluindo o instrumento contundente que terá sido usado para assassinar João Chamusse.

"Um deles, que é confesso, alega que terá realizado alguns trabalhos na casa da vítima e não foi pago. Por isso, optou por ajustar as contas com vítima, ele era um vizinho da vítima [...]. O outro suspeito foi detido na posse de um dos telemóveis da vítima, em resultado do trabalho que fizemos", observou o porta-voz do Sernic.

Segundo as autoridades, as outras três pessoas que tinham sido detidas suspeitas de estarem envolvidas no caso na semana passada foram entretanto libertadas.

Piloto comercial de formação, pela Escola Aeronáutica de Lisboa, João Chamusse era diretor editorial do jornal eletrónico "Ponto por Ponto" e comentador televisivo, caracterizando-se por uma abordagem crítica, irónica e, por vezes, cómica, sobretudo em temas de política interna.

quarta-feira, 27 de dezembro de 2023

O farsante André Ventura, que critica a nova lei da emigração


Antes de chegar ao Parlamento, André Ventura saltou da Autoridade Tributária (AT) para a Finpartner, uma empresa de contabilidade e assessoria fiscal com intensa actividade nas áreas da engenharia fiscal via offshore e vistos gold, o que não deixa de ser engraçado, à luz da narrativa em torno da “pátria” e das posições anti-emigração que agora defende. Porque isto da pátria não é para qualquer gajo que chegue de barco de borracha em fuga da miséria. Isso seria cristão demais para um farsante como Ventura. Tratando-se de um oligarca russo, angolano ou chinês, que aterre em Lisboa no seu jacto privado, então já somos capazes de ter aqui alguma coisa para lhe vender. Nacionalidade portuguesa pelo preço certo em euros.

Isto do trabalho, na óptica do André Ventura, tem muito que se lhe diga. É que eu ainda sou do tempo em que, em 2019, o líder do Chega deu uma entrevista a uma estação televisiva de uma igreja qualquer, onde afirmou, com a convicção a que nos habituou, que, mal fosse eleito, deixaria todas as suas outras ocupações para se dedicar a tempo inteiro a servir o país. Porque defendia, convictamente, que os deputados o deviam ser em exclusividade de funções. Claro que, uma vez eleito, Ventura continuou a servir os interesses da Finpartner, durante quase mais dois anos, durante os quais teve acesso a informação privilegiada resultante da sua posição no Parlamento, que pode ou não ter entregue ao seu principal empregador. E desengane-se quem achar que Ventura saiu da Finpartner por imperativo de consciência. Saiu, isso sim, porque a contradição se tornou insustentável. E porque os próprios militantes do Chega começaram a ficar indignados. Tivessem deixado Ventura tranquilo na sua vida, e ainda hoje lá estaria.

Indo um pouco mais atrás, até 2014, recorde-se que André Ventura assinou um parecer, enquanto inspector tributário ao serviço da AT, que contribuiu para isentar uma empresa de Lalanda de Castro, ex-patrão de José Sócrates, do pagamento de 1,8 milhões de euros de IVA. Este caso foi investigado no âmbito do processo dos Vistos Gold, por suspeita de favorecimento de Lalanda e Castro, que também está referenciado na Operação Marquês, Panama Papers e é acusado de corrupção no processo Máfia do Sangue. E sim, este Ventura que serviu de peão na manobra de evasão fiscal de Lalanda e Castro, que prejudicou todos os portugueses, é o mesmo Ventura que demoniza todos os beneficiários do RSI, incluindo crianças.

Em 2021, as contribuições dos imigrantes subiram para um valor recorde: 1293 milhões de euros. Paralelamente, as prestações sociais de que beneficiaram ficaram-se pelos 325 milhões, o que significou um saldo positivo de 968 milhões para os cofres da Segurança Social.
Em 2022, novo recorde. Desta vez, as contribuições ascenderam a 1861 milhões, as prestações sociais caíram para 257 milhões e o saldo disparou para os 1604 milhões.
Mais um ano, mais uma chapada na retórica desonesta da extrema-direita xenófoba e racista.
Mais uma chapada na narrativa canalha que faz dos imigrantes o bode expiatório da agenda do ódio.
Mais uma chapada na instrumentalização do medo e da ignorância, da demagogia da divisão, do cheio nauseabundo do isolacionismo nacionalista.
A verdade, digam o que disserem os descendentes de Salazar, é que precisamos destas pessoas. Porque são eles quem aceita os trabalhos precários e mal pagos na construção civil, no turismo, na restauração e no serviço doméstico. Sem eles, estes sectores colapsariam, ou ficaram perto do colapso.
Porque falta mão-de-obra, e porque os portugueses não querem esses trabalhos. Preferem emigrar.
Portanto, sim, estes imigrantes, sejam brasileiros, paquistaneses, indianos ou nepaleses, fazem falta à economia portuguesa.
E contribuem para contas públicas mais saudáveis. Muito mais saudáveis.
Portugal precisa deles.
O resto é conversa de populistas que não têm mais do que ódio e ditadura para oferecer ao país.

Computação quântica e criptografia


Um artigo altamente recomendado da Reuters, “ EUA e China correm para proteger os segredos dos computadores quânticos ” , explora a corrida entre a China e os Estados Unidos para poder começar a usar a computação quântica para quebrar sistemas de criptografia criptográfica, pelo poder de forma praticamente ilimitada e, inversamente, considerando como proteger os seus repositórios de informação estratégica de tecnologias capazes de decifrá-la.

O artigo e o infográfico que o acompanha são abertos e vão um pouco além da simplicidade com que muitos usam o argumento de que “assim que chegarem os computadores quânticos, a criptografia será inútil e todos poderemos acessar toda a informação”. na realidade, a chamada criptografia quântica não é tão simples nem tão imediata como alguns tentam propor, não se reduz simplesmente a um suposto ataque de força bruta com poder ilimitado, e claro, o avanço da tecnologia já propõe modelos de pós -computação quântica capaz de resistir a este tipo de desenvolvimentos (que, por outro lado, ainda estão longe de serem estáveis ​​ou de poderem ser utilizados de forma sistemática).

Estamos a falar de uma disciplina da qual o seu proponente mais representativo, Richard Feynman , chegou ao ponto de dizer "Acho que posso dizer com segurança que ninguém entende a mecânica quântica", uma afirmação que provavelmente ainda é verdadeira hoje, trinta e seis anos depois. após sua morte. . É claro que veremos avanços nesta área e tempos como o atual, em que as superpotências tentam acessar todo tipo de informação criptografada com a ideia, sobretudo, de poder armazená-la para descriptografá-la quando os computadores quânticos e as metodologias para isso estão suficientemente desenvolvidos. Alguns afirmam, de facto, que tudo o que circula nas redes é encriptado – uma percentagem crescente de todo o tráfego, dada a popularização do protocolo HTTPS com atores como Let’s Encrypt , que permitem que até o tráfego gerado por esta humilde página seja encriptado – pode em algum momento será decifrado, o que leva alguns a ficarem obcecados em capturar tudo para quando esse dia chegar. Será por causa do trânsito!

Porém, devemos propor uma visão dinâmica da tecnologia, e entender que assim que a criptografia quântica atingir uma certa maturidade, veremos a implementação, por tudo que a justifique, da criptografia pós-quântica. O chamado Dia Q é frequentemente referido como o dia do advento da quebra de código através da computação quântica e alguns, de facto, situam-no em algum momento entre o próximo ano e meados do século , mas o desenvolvimento de metodologias capazes é normalmente ignorado para resistir ao tipo de ataque imposto pela computação quântica , uma área em que já existem numerosos desenvolvimentos que não são implementados, simplesmente porque representam uma mudança complexa e ainda não são considerados necessários.

Já há alguns anos, sempre que menciono algo relacionado à criptografia, tenho que responder à pergunta sobre o que acontecerá quando a computação quântica atingir a maturidade, e minha resposta sempre foi a mesma: as tecnologias não amadurecem da noite para o dia muito menos – e, quando o fazem, por sua vez, permitem-nos confiar no seu desenvolvimento para fazer avançar todas as disciplinas relacionadas. A objeção, portanto, não é tão simples nem tão imediata. Ainda temos criptografia por um tempo.

domingo, 24 de dezembro de 2023

Música do BioTerra : Escape with Romeo - Refuge


I'm a grain of sand in the desert land
That I call life
So I furl my flag and I never look back
I go straight to what the future holds

As I flirt with security
There's nothing left for me
Call your world an asylum
Walk straight to insanity

You may build you may find the key
To your refuge
I don't search because I can't see
Any refuge, refuge, refuge, refuge

Live with your program
It's like an empty slogan
What will the children say?
I never gave up rebellion
Too much went wrong
My father was the state for me

Eclipsed by nothing else
Away from true or false
There's a riot in my brain
So nothing will stay the same

But I guess it was freedom
To find myself in the "white room"
As I see you in the distance
I'm left with pure existence

You may build you may find the key
To your refuge
I don't search because I can't see
Any refuge, refuge, refuge, refuge

Escape With Romeo - Refuge [1989]

"Refuge", da banda alemã de gothic/darkwave Escape With Romeo (formada por Thomas Elbern, dos Pink Turns Blue), lançada em 1989, é uma canção que expressa a desilusão com a vida convencional e a segurança, contrastando-a com um mundo interior caótico e ardente, procurando a liberdade de slogans vazios e condicionamentos numa busca desesperada, talvez fútil, por um santuário pessoal ou "refúgio" no meio da insanidade e do controlo social, apresentando sintetizadores atmosféricos característicos e letras intensas e existenciais sobre a rebeldia e a autodescoberta. A música “Refuge” fala sobre a busca por um lugar seguro e um sentido na vida, mas também sobre a frustração de não encontrar esse refúgio. A letra transmite a sensação de solidão e pequenez do narrador, que se compara a um grão de areia perdido no deserto, sem controle sobre o futuro. Ele tenta se apegar à segurança e à estabilidade, mas percebe que nada disso traz satisfação real, sentindo um vazio que não consegue preencher. Imagens de fogo e conflito interno representam a angústia e a luta emocional que surgem de forma repentina, enquanto críticas às normas sociais e valores vazios reforçam a ideia de que viver de acordo com expectativas externas não oferece verdadeiro abrigo. O refrão reforça que, embora outros consigam construir um refúgio ou encontrar sentido na vida, ele próprio não consegue enxergar nenhum lugar que realmente ofereça proteção ou paz. No fundo, a música explora a dificuldade de encontrar um porto seguro, refletindo uma jornada interior de busca, questionamento e solidão existencial.

terça-feira, 19 de dezembro de 2023

Bicicletas- Faça já o seu registo


Sabias que:
26% das bicicletas são roubadas na rua.
20% das bicicletas são roubadas no emprego/estacionamento público.
51% das bicicletas são roubadas em garagens ou arrecadações.
3% das bicicletas são roubadas de dentro das residências.
Já registaste a tua?
Faz já o teu registo

sábado, 9 de dezembro de 2023

The 12 Early Warning Signs of Fascism


An appropriate time to revisit this sign from the U.S. Holocaust Museum, written by political scientist Laurence W. Britt, listing what to look for if you’re worried that your country may be slipping into fascism.

He is the author of Fascism, Anyone? 2003

quarta-feira, 6 de dezembro de 2023

Long Lines Building - O mistério escondido num arranha-céu sem janelas de Nova York


Arquitectura brutalista
Projetado em 1974, pelo arquiteto John Carl Warneke, o Long Lines Building (Prédio de longas linhas, em tradução livre) fica bem no centro de Manhattan. A sua construção, contudo, não é nada usual e parece um pouco deslocada no mar de edifícios da região. Construído a partir de lajes de betão e painéis de granito, tem uma aparência cinza e funcional.

Fachadas sem aberturas não só impedem a entrada de elementos externos no edifício, mas também ajudam a manter uma temperatura constante, segundo o NYV Urbanism.

No total, o prédio conta com 170 metros de altura, divididos por 29 andares - sendo que o famoso Empire State Building mede 381 m. Só que, no caso do Long Lines, além da visível falta de janelas, cada um dos andares também conta com um pé direito altíssimo.

Ainda mais impressionante, de acordo com o site Atlas Obscura, a construção foi projetada para suportar uma quantidade absurda de peso por metro quadrado. Tudo isso com o objetivo de servir como uma grande central de telecomunicações.

Comunicação é a chave
Acontece que, desde sua criação, até hoje, o prédio na 33 Thomas Street pertence à AT&T, uma gigante da comunicação nos Estados Unidos. Quase tão resistente quanto uma fortaleza, então, o prédio servia como base para os computadores da empresa.

Os equipamentos antigos, contudo, não eram tão fáceis de transportar e de manter como os dos dias atuais. Por isso, os andares deveriam ser mais altos, devido ao tamanho das caixas de metal, e o prédio deveria ser mais resistente, pensando no peso.

Naquela época, a sede da AT&T também guardava equipamentos telefônicos de longa distância. Atualmente, além dos aparelhos, o prédio ainda serve como central de armazenamento de uma parte de dados importantes detidos pela empresa.

Planta suspeita
Projetado para guardar uma grande quantidade de informações bastante valiosas, o edifício tem uma segurança quase impenetrável. Isso sem contar as paredes resistentes, que podem resistir a uma explosão nuclear, permitindo que os sistemas continuem em pleno funcionamento por duas semanas, mesmo sem contato com uma rede fixa.

O problema é que, segundo o The Intercept, as potentes estruturas do Long Lines estão sendo usadas para um segundo propósito, que não o comercial da AT&T. Em matéria publicada em novembro de 2016, o veículo afirmou que o edifício também serve como um centro de espionagem da NSA (Agência de Segurança Nacional).

De acordo com a denúncia, o arranha-céu teria o codinome de ‘Titanpointe’ e, entre as suas paredes sem janelas, guardaria escutas telefónicas e equipamentos utilizados para coletar dados governamentais. Por isso, inclusive, poucos teriam acesso ao seu interior.

O edifício também conta, segundo a reportagem, com três subsolos, abastecidos com comida o suficiente para que 1,5 mil pessoas se alimentem por duas semanas em caso de catástrofe. 
Segundo o The Sun é uma das construções mais seguras dos Estados Unidos, capaz, inclusive de resistir a uma explosão nuclear!

quinta-feira, 12 de outubro de 2023

Rabi Ysroel Dovid Weiss


Nem todos os judeus são sionistas, nem todos os judeus aprovam a ocupação da Palestina.Judeu anti-sionista explica a sua visão.
Trata-se do Rabi Ysroel Dovid Weiss, judeu do sector Neturei Karta que se opõe ao sionismo. 
Este sector costuma com frequência manifestar-se pró-Palestina, ao mesmo tempo que observa os princípios da Torah e do Judaísmo de forma estrita. Frequentemente, estes judeus são alvo de perseguição de outros judeus que defendem o direito judaico ao solo de Israel/ Palestina.
Recordemos que cerca de 15% da população da Palestina eram judeus em 1948 e viviam, nessa época, em paz, ao lado dos muçulmanos e cristãos.
Há judeus que detestam Cristãos. Ver notícia aqui
Aconselho vivamente a página "Breaking the Silence", uma página de uma organização não governamental israelita onde antigos militares falam sobre a ocupação israelita e as atrocidades cometidas pelos soldados contra as populações palestinianas. 

Os países europeus com maiores e menores liberdades


A Europa é considerada um dos continentes mais livres do mundo. A maioria dos países europeus está no topo do Índice de Liberdade Humana, ocupando 19 das 25 primeiras posições do ranking, de acordo com o relatório produzido pelo Cato Institute, dos EUA, e pelo Fraser Institute, do Canadá.

A liderar a lista encontra-se a Suíça (8,94 pontos num ranking de 0 a 10), sendo seguida por Estónia (8,73), que é o segundo país mais “livre” da Europa e o terceiro do mundo, superado apenas pela Nova Zelândia.

Portugal também está bem posicionado na tabela, com uma pontuação de 8,20, à frente, por exemplo, de Espanha (8,08), França (7,80) e Itália (8,02).

De referir que a maior parte dos países europeus tem, em média, mais de 7,50 pontos. Os países com pior pontuação na Europa são Turquia (5,71), Bielorrússia (5,78) e Rússia (6,01).

Em causa está um índice anual que se baseia em 83 indicadores diferentes de liberdade pessoal e económica em áreas como:
  1. Estado de direito;
  2. Segurança;
  3. Circulação de pessoas;
  4. Liberdade religiosa;
  5. Liberdade de expressão e informação;
  6. Sistema jurídico justos e direitos de propriedade;
  7. Moeda forte;
  8. Liberdade de comércio internacional;
  9. Regulamentos do país.

sábado, 12 de agosto de 2023

Reparações de elétricos são dor de cabeça para proprietários


Os proprietários de veículos elétricos não têm motivos para estar satisfação com as reparações dos mesmos em caso de acidente com danos na bateria. Além dos custos elevados, os tempos de espera também são prolongados.

Os acidentes que envolvem veículos elétricos a bateria têm custos de reparação mais elevados e demoram mais a ficar prontos do que os veículos de combustão, segundo refere um estudo da consultora britânica Thatcham Research. O principal motivo apontado é a necessidade de conhecimentos especializados para lidar com as baterias de alta voltagem.

Aquele componente representa uma parte significativa do valor do veículo, o que tem implicações para o modelo económico da indústria. Por esse motivo, uma das conclusões daquele estudo sugere que o setor da reparação automóvel terá de adaptar-se à natureza evolutiva dos veículos elétricos a bateria para garantir a sua viabilidade económica a longo prazo.

O estudo refere que a disponibilidade de soluções de reparação e diagnóstico para veículos elétricos ainda é limitada, especialmente nos casos de acidentes com danos nas baterias de alta voltagem.

Apesar do crescimento do parque circulante de veículos elétricos, o setor das oficinas continua a enfrentar dificuldades para desenvolver processos de reparação eficientes, assim como no acesso às ferramentas e equipamentos necessários. O estudo refere que mais de 9.400 veículos elétricos estiveram envolvidos em colisões que necessitaram de reparação da bateria no Reino Unido em 2022. De acordo com as projeções, esse número poderá aumentar até 260 mil por ano em 2035.

Necessária mais formação
Assim, à medida que o mercado de veículos elétricos continua a crescer, a escassez de serviços integrais de reparação representa um desafio importante para as seguradoras e os fornecedores de serviços de reparação. 

O Instituto da Indústria Automóvel do Reino Unido tem vindo a defender a necessidade de apoiar uma formação técnica adicional, sobretudo numa altura em não só aquele país, mas toda a Europa, sobretudo nesta fase de transição para veículos de emissões zero.

A complexidade das baterias de alta voltagem e a evolução do panorama tecnológico levantam várias dificuldades na reparação de veículos elétricos acidentados, o que tem como reflexo maiores custos (cerca de 25%) e tempos de reparação mais longos (14%) em comparação com veículos de combustão. 

Investimento urgente na inovação 
O desenvolvimento dos conhecimentos e a infraestrutura necessários para estas reparações ainda está em curso, mas é essencial para garantir a viabilidade a longo prazo da indústria do veículo elétrico. 

O estudo da Thatcham Research aponta para a necessidade urgente de investimento e inovação no ecossistema de reparação de veículos elétricos para garantir a disponibilidade de soluções rentáveis e eficientes.

À medida que aumenta o parque circulante de veículos elétricos a bateria, a consultora, financiada pela agência de Inovação do Reino Unido, defende que será crucial abordar estes desafios para manter a viabilidade e sustentabilidade do mercado de veículos elétricos.

quarta-feira, 9 de agosto de 2023

É muito lucrativo que o mundo tenha medo


Ouve o que eu te digo,
Vou-te contar um segredo,
É muito lucrativo que o mundo tenha medo,
Medo da gripe,
São mais uns medicamentos,
Vem outra estirpe reforçar os dividendos,
Medo da crise e do crime como já vimos no filme,
Medo de ti e de mim,
Medo dos tempos,
Medo que seja tarde,
medo que seja cedo e medo de assustar-me se me apontares o dedo,
Medo de cães e de insectos,
Medo da multidão,
Medo do chão e do tecto,
Medo da solidão,
Medo de andar de carro,
Medo do avião,
Medo de ficar gordo velho e sem um tostão,
Medo do olho da rua e do olhar do patrão e medo de morrer mais cedo do que a prestação,
Medo de não ser homem e de não ser jovem,
Medo dos que morrem e medo do não!

Medo de deus e medo da polícia,
Medo de não ir para o céu e medo da justiça,
Medo do escuro, do novo e do desconhecido,
Medo do caos e do povo e de ficar perdido,
Sozinho,
Sem guito e bem longe do ninho,
Medo do vinho,
Do grito e medo do vizinho,
Medo do fumo,
Do fogo,
Da água do mar,
Medo do fundo do poço,
Do louco e do ar,
Medo do medo,
Medo do medicamento,
Medo do raio,
Do trovão e do tormento,
Medo pelos meus e medo de acidentes,
Medo de judeus, negros, árabes, chineses,
Medo do “eu bem te disse”,
Medo de dizer tolice,
Medo da verdade, da cidade e do apocalipse,
O medo da bancarrota e o medo do abismo,
O medo de abrir a boca e do terrorismo.

Medo da doença,
Das agulhas e dos hospitais,
Medo de abusar,
De ser chato e de pedir demais,
De não sermos normais,
De sermos poucos,
Medo dos roubos dos outros e de sermos loucos,
Medo da rotina e da responsabilidade,
Medo de ficar para tia e medo da idade,
Com isto compro mais cremes e ponho um alarme,
Com isto passo mais cheques e adormeço tarde,
Se não tomar a pastilha,
Se não ligar à família,
Se não tiver um gorila à porta de vigília,
Compro uma arma,
Agarro a mala,
Fecho o condomínio,
Olho por cima do ombro,
defendo o meu domínio,
Protejo a propriedade que é privada e invade-me a vontade de por grade à volta da realidade, do país e da cidade,
Do meu corpo e identidade,
Da casa e da sociedade,
Família e cara-metade…

Eu tenho tanto medo…
Nós temos tanto medo…
Eu tenho tanto medo…

O medo paga a farmácia,
Aceita a vigilância,
O medo paga à máfia pela segurança,
O medo teme de tudo por isso paga o seguro,
Por isso constrói o muro e mantém a distância! [3x]
Eles têm medo de que não tenhamos medo. 

Biografia
Capicua (Ana Matos Fernandes)

Página Oficial

quinta-feira, 11 de maio de 2023

Portugal no top 10 dos destinos de eleição dos milionários


Ao longo de 2022, cerca de 88.000 milionários mudaram de país, de acordo com um relatório da Henley Global Citizens. Para onde é que essas pessoas mais endinheiradas foram viver e quais foram, por outro lado, os países que perderam mais milionários? Contamos-te tudo, mas revelamos, desde já, que Portugal está no top ten dos destinos de eleição dos milionários.

Importa referir, antes de mais, que estão em causa pessoas que têm um património líquido superior a um milhão de dólares (907.000 euros).

Portugal é um dos países que integra o top 10 dos destinos preferidos dos milionários, ocupando a sexta posição do ranking, com cerca de 1.200 entradas. Os Emirados Árabes Unidos lideram a tabela (4.000 entradas), em parte graças às políticas de imigração do país, especialmente concebidas para atrair riqueza privada e talentos internacionais. Seguem-se na lista Austrália (3.500), Singapura (2.800), Israel (2.500), EUA (1.500), Portugal (1.300), Grécia (1.200), Canadá (1.000) e Nova Zelândia (800).

Em sentido inverso encontra-se a Rússia, que é, assim, o país que perdeu mais milionários: cerca de 15.000. Uma consequência clara da invasão do país à Ucrânia, que está também no top 10 das nações que viram “fugir” mais milionários – ocupa a quinta posição (2.800). Neste lote encontram-se ainda China (10.000), Índia (8.000), Hong Kong (3.000), Brasil (2.500), Reino Unido (1.500), México (800), Arábia Saudita (600) e Indonésia (600).

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