A diferença de posicionamento entre Portugal, em sexto lugar no ranking europeu e sétimo a nível mundial, e Espanha, em décimo nono lugar no ranking europeu e vigésimo quinto a nível mundial, no Global Peace Index deve-se principalmente à forma como os vinte e três indicadores do índice são calculados e ponderados. Embora ambos os países partilhem elevados padrões de segurança e qualidade de vida na Europa do Sul, Portugal supera Espanha no índice por três fatores estruturais.
O primeiro fator reside na instabilidade e tensão política interna. O Global Peace Index avalia fortemente a coesão e a estabilidade política de cada nação. Espanha perde pontos devido a tensões regionais históricas, como os movimentos separatistas na Catalunha e no País Basco, além de um ambiente de maior polarização partidária e manifestações políticas de grande dimensão. Em contrapartida, Portugal mantém indicadores de estabilidade política interna muito elevados, com ausência de movimentos separatistas e um clima de paz social contínuo.
O segundo fator prende-se com a militarização e os gastos com defesa. Sendo uma das maiores economias da União Europeia e um membro com capacidades militares significativas, Espanha apresenta gastos absolutos mais elevados em defesa, um maior volume de forças armadas e exportações de armamento e equipamento militar superiores às de Portugal. Já Portugal regista um perfil militar significativamente mais reduzido em termos absolutos e de exportação de equipamento de defesa, o que lhe permite pontuar substancialmente melhor nos indicadores do domínio de militarização do índice.
Por fim, o terceiro fator envolve a criminalidade percebida e os fatores de segurança societal. Apesar de Espanha ser um país muito seguro para o turismo e para o quotidiano, as suas cidades de grande dimensão registam taxas absolutas mais elevadas de furtos e pequenas infrações em pontos turísticos, além de uma perceção ligeiramente superior de risco em áreas urbanas de grande densidade. Por outro lado, Portugal apresenta taxas baixíssimas de crimes violentos, uma legislação sobre armas bastante rigorosa e níveis muito reduzidos de perceção de insegurança por parte da população no dia a dia.
A ausência da Noruega e da Suécia no Top 20 europeu explica-se pelos critérios específicos do Global Peace Index (GPI), um índice que mede o nível de paz global através de métricas amplas e não apenas com base na criminalidade do dia a dia.
No caso da Suécia, a queda no ranking deve-se ao crescimento da violência associada a gangues organizados, com um aumento notório de tiroteios e explosões, o que elevou a perceção de insegurança e o impacto do mercado ilegal de armas.
Já a Noruega, apesar de manter níveis altíssimos de segurança no quotidiano e taxas residuais de crimes violentos, acaba por ser penalizada no pilar da militarização. O país regista um volume considerável de exportação de material militar por habitante e assume despesas significativas em defesa e missões internacionais, fatores que influenciam negativamente a sua pontuação final no índice.
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