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quinta-feira, 25 de junho de 2026

The Young Gods, live at Hellfest Open Air 2026

Setlist 
0:00 Appear Disappear
4:07 Systemized
7:47 Hey Amour
12:30 Blackwater
19:42 All My Skin Standing
29:58 Kissing the Sun
34:14 Gasoline Man
38:59 Blue Me Away
43:00 Mes yeux de tous
49:04 Shine That Drone

Um dos grandes nomes do rock eletrónico, o trio suíço The Young Gods está entre as atrações mais prestigiadas do Hellfest deste ano. Acturam no dia 20 de junho no palco Valley.

Formado em Genebra em 1985, o projeto The Young Gods foi lançado por Franz Treichler, Cesare Pizzi e Frank Bagnoud. O mentor do grupo, Treichler, mantém-se como o único membro permanente até aos dias de hoje, após mais de quarenta anos de carreira. Bernard Trontin juntou-se a eles, substituindo Bagnoud, em 1997.

Pioneiros no seu género, os The Young Gods influenciaram muitos artistas que ultrapassaram em muito o seu próprio nível de fama, tornando-os uma referência essencial do underground. David Bowie, Nine Inch Nails, Ministry: todos veneram a prolífica banda suíça que, ao lado de outro monumento da música industrial (a banda alemã Einstürzende Neubauten), representa um dos pilares fundamentais do rock experimental e atmosférico.

Para esta edição de 2026 do Hellfest, tomam conta do palco Valley para um dos concertos mais memoráveis ​​do festival. Uma experiência imperdível trazida até si pela ARTE Concert.

Filmado a 20 de junho de 2026 no Hellfest Open Air Festival, Clisson.

sexta-feira, 5 de junho de 2026

The Jesus and Mary Chain - Blues From a Gun

Melhor som aqui

Letra
I don't care about the state of my hair
I got something out of nothing
That just wasn't there
And your kiss kiss kiss
Is never gonna blow me away

Dreams of escape keep me awake
I'm never gonna get out and make it away
I'm a stone dead tripper
Dying in a fantasy

Like a cracked open sky it helps you to die
Don't split it scrape it
You're screaming automatic pain

Too young kid you're gonna get hit
Looks like your never gonna make it
Off the government list

I don't mind about the state of my mind
But you know it's good for nothing
And I left you behind
It's a sick sick city
But it's never gonna make me insane

If you're talking for real
Then go cut a deal
You're facing up to living out
The way that you feel
And you shake shake shake
'Cause you know you'll never make it away

Well I guess that's why I've always
Got the blues


Outra exibição ao vivo brilhante

Significado da canção
Na canção "Blues From a Gun", lançada em 1989 no álbum Automatic, a sonoridade da banda ganha contornos ainda mais mecânicos e industriais devido ao uso de baterias eletrónicas e sintetizadores. O significado da letra mergulha numa profunda angústia existencial, na paranoia e na autodestruição. O título liga a melancolia do blues ao perigo iminente de uma arma, servindo como uma metáfora para uma crise psicológica volátil. Através de uma interpretação vocal apática que contrasta com o caos das guitarras, a faixa transmite uma sensação de isolamento, alienação urbana e o sentimento de estar sob o escrutínio destrutivo do mundo, funcionando como uma catarse barulhenta para o desespero interior.
Há uma forma indireta de ler uma crítica social na canção, se olharmos para o contexto da época. No final dos anos 80, o Reino Unido vivia o auge do Thatcherismo, um período marcado pelo individualismo extremo, desemprego em massa e desmantelamento das comunidades industriais (especialmente na Escócia, terra natal da banda). O niilismo e a sensação de "não haver futuro" que a canção transmite não nascem no vácuo; são o produto de uma juventude sufocada por esse ambiente cinzento e sem perspetivas.
Ainda assim, a banda nunca teve a intenção de assinar uma panfletagem anticapitalista. Se há uma revolta em "Blues From a Gun", ela é puramente existencial. É o indivíduo encurralado pelos seus próprios demónios e pela hostilidade do mundo exterior, preferindo o barulho e a apatia como refúgio à dor de tentar encaixar na sociedade. É niilismo puro, mas com a marca e a frustração da sua própria era.
Em resumo, é uma faixa que capta a urgência, o desalento e o lado mais sombrio da juventude e da alienação urbana no final dos anos 80.

sexta-feira, 10 de abril de 2026

Placebo - Bruise Pristine RE:CUT


Letra
[verso1]
The means are right for taking, fade to grey
Trying to be ruthless in the face of beauty
In this matrix it's plain to see
It's either you or me

[refrão]
Bruise
Pristine
Serene
We were born to lose

[verso2]
Cast a line with a velvet glove
Reading like an open book, in the hands of love
In this matrix it's plain to see
It's either you or me

[refrão]

Encore [echoed]

[verso1]

[refrão]

Original, 1996
Videoclipe realizado por Howard Greenhalgh

A versão RE:CUT refere-se ao relançamento da música em 1997. Originalmente lançada em 1995, ela foi regravada e editada para o álbum de estreia autointitulado Placebo. Tudo sobre a canção e melhor audição aqui

O Placebo é uma banda britânica. Formada em Londres em 1994, a banda tem uma identidade multicultural (o vocalista Brian Molko é belga, tem origens americana, escocesa e judaico-italiana, enquanto Stefan Olsdal é sueco), mas o projeto é radicado e reconhecido como parte essencial do rock alternativo do Reino Unido.

Significado da canção
"Bruise Pristine" é um mergulho visceral na estética do rock alternativo dos anos 90, servindo como um dos primeiros grandes manifestos da identidade do Placebo. O título da canção carrega um paradoxo poético fascinante: a junção de "bruise" (hematoma), que evoca dor, trauma e marcas físicas, com "pristine" (imaculado), que sugere algo puro e intocado. Esta combinação resume a filosofia de Brian Molko — a ideia de que existe uma beleza crua e honesta na dor e nas marcas que os encontros humanos deixam em nós.

Brian Molko escreveu esta canção num período em que a bissexualidade estava a tornar-se "chic" na média britânica (o chamado Britpop). Molko, que vivia essa realidade de forma autêntica e andrógina, usava a música para questionar a autenticidade das pessoas ao seu redor. A letra fala sobre ser um "livro aberto nas mãos do amor", mas também sobre a crueza de ser quem se é num mundo que muitas vezes trata a identidade como moda.

A letra explora uma luta de poder emocional e sexual, marcada pela frase repetitiva "it's either you or me", que coloca o eu-lírico num estado de confronto defensivo contra a vulnerabilidade. É uma música que fala sobre a tentativa de manter o controlo e a frieza diante do desejo, apenas para acabar na aceitação de que "nascemos para perder". No fundo, a canção celebra a perfeição que existe no ato de ser "marcado" pela vida, transformando a cicatriz ou a nódoa negra num símbolo de autenticidade e vivência.

Curiosamente, em 2026, a banda lançou o projeto RE:CREATED, onde regravaram "Bruise Pristine" com uma sonoridade mais pesada e dinâmica. Molko descreveu esta nova fase como uma forma de honrar a "inocência" daquela época, mas com a confiança e a escala da banda que eles se tornaram após 30 anos de estrada.

Exit North - Harm


Tema principal do álbum Harm/Terms (2025)
O vídeo oficial foi realizado e produzido pelo cantor Thomas Feiner. 
Tendo-se filmado contra um pano de fundo de clipes de IA adaptados e tratados, apresentando elementos simiescos entre outras coisas, Feiner afirma:
"Para o bem e para o mal, os media generativos vieram para ficar. E agora que os artistas foram, de certa forma, roubados, creio que é importante perceber se o propósito artístico pode ser reivindicado neste novo mundo. O vídeo em si é uma tentativa algo satírica nessa direção. Ilustra vagamente temas que inevitavelmente flutuam na minha mente hoje em dia: a história a repetir-se, a manosphere, o ressentimento, a radicalização, os ecrãs, os algoritmos e tudo o mais."

E porquê macacos?
"Se a sobrevivência do mais amigável foi o fator evolutivo que permitiu a civilização - então o que vejo agora parece quase uma espécie de contra-evolução. Por isso, usei os macacos como símbolos desse impulso retrógrado — sem qualquer intenção de desrespeito pelos animais!"

Notas sobre a tradução e contexto: 
  1. "Manosphere": Mantive o termo original, pois é o conceito usado internacionalmente para designar o ecossistema online de movimentos masculinos (muitas vezes ligados a ideologias de extrema-direita ou misoginia), que encaixa bem na tua observação inicial sobre o J.D. Vance e o fenómeno do "penedo" (alguém rígido ou retrógrado). 
  2. "Simian elements": Traduzido como "elementos simiescos" 
  3.  "Survival of the friendliest": Esta é uma brincadeira com a famosa frase de Darwin (survival of the fittest). Em Portugal, usamos "sobrevivência do mais apto", por isso a tradução "sobrevivência do mais amigável" mantém esse contraste evolutivo que o Feiner quis destacar.
Página Oficial
Exit North (youtube)

domingo, 5 de abril de 2026

Dead Leaf Echo - Call


Melhor som aqui

Soon, I will take you
Soon, we'll go home
With these thoughts, but not these memories
Of what once was a past home

Just call
I've been waiting
I'll be there for you
You just call
I've been waiting
I'll be there for you

Soon, you'll take me
Soon, I will be far away
With this form placed over function
It's the only way I'll get back to you

[refrão]
If you'd just call
I've been waiting
I'll be there for you
You just call
I'll be waiting
I'll be there for you

To try and break you, I've worked hard (3X)
And I'll break you

[refrão]

To try and break you
I will fake you

A força de "Call" reside na exploração profunda do anseio e da conexão, manifestando a urgência de um contato que parece sempre interrompido ou prestes a chegar. A canção mergulha na distância emocional, apresentando o desejo de redenção através do outro como uma força motriz, enquanto a letra alterna entre a promessa de presença e a frustração da espera. Esse sentimento é amplificado por uma marcante melancolia urbana, típica de bandas que emergem do isolamento de metrópoles como Nova York; aqui, a "chamada" do título funciona como um farol de esperança, uma tentativa desesperada de romper o ruído da cidade e escapar do confinamento dos próprios pensamentos.

Tudo isso é emoldurado por uma cinematografia sonora meticulosa, já que LG Galleon projecta suas composições como trilhas sonoras para filmes que nunca foram filmados. Em "Call", essa estética se traduz na tensão constante entre o silêncio do sentimento interior e o barulho esmagador da realidade externa, utilizando as camadas densas do shoegaze para pintar um retrato sonoro onde a forma muitas vezes se sobrepõe à função, criando uma experiência que é, ao mesmo tempo, íntima e expansiva.

Página Oficial
Dead Leaf Echo 

quarta-feira, 1 de abril de 2026

Miranda Sex Garden - Peep Show


Videoclipe original com melhor som aqui

Letra
Show me a memory
And that's where I'll long to be
Please don't ask for more from me
Cos memory is all I'll be

[Refrão]
But I can live
In your mind's eye
Live, in your heart
I'll love you in your dreams
But please don't try to hold me in your arms

Show me a fantasy
And that's who I'll long to be
Please don't ask for more from me
Cos fantasy is all I'll be

[Refrão] 2X

O álbum Fairytales of Slavery, lançado em 1994, representa o momento de maior rutura e maturidade artística do Miranda Sex Garden, consolidando a transição da banda de um trio vocal de música antiga para um coletivo de rock gótico experimental e darkwave. Neste disco, a sofisticação das harmonias clássicas funde-se com uma sonoridade industrial densa, marcada por guitarras distorcidas, ritmos tribais e uma atmosfera assumidamente claustrofóbica e sensual. É uma obra que abandona a pureza acústica do passado em favor de um estilo de vanguarda, frequentemente comparado à sonoridade de artistas como Dead Can Dance ou à agressividade artística do movimento pós-punk. 

O Fairytales of Slavery é amplamente considerado o disco mais negro, pesado e experimental da banda. Foi produzido por Alexander Hacke (dos Einstürzende Neubauten), o que explica a guinada drástica para o Rock Industrial e para uma sonoridade muito mais metálica e abrasiva oi produzido por Alexander Hacke (dos Einstürzende Neubauten)

A canção que dá título ao álbum funciona como uma metáfora central sobre o voyerismo e a exposição. Através de uma sonoridade que oscila entre o sussurro sedutor e a tensão caótica, a letra explora o desconforto de ser observado e o jogo de poder inerente ao ato de olhar. O termo "Peep Show" sugere um ambiente de cabaré decadente e sombrio, onde a feminilidade não é apresentada de forma passiva ou delicada, mas sim como uma força crua e, por vezes, perturbadora. Ao subverterem a imagem de "anjos" que as acompanhava desde o início da carreira, as integrantes utilizam esta faixa para explorar os desejos, os medos e a complexidade da psique humana, criando uma ponte entre a beleza técnica do conservatório e a rebeldia do submundo industrial de Londres.

O nome Miranda Sex Garden nasceu de uma vontade deliberada das fundadoras - Kelly McCusker, Jocelyn West e Katharine Blake - em unir o erudito ao profano, criando um contraste que definisse a identidade da banda. A primeira parte do nome, Miranda, é uma referência direta à heroína da peça A Tempestade, de William Shakespeare, simbolizando a pureza, a juventude e a herança clássica que as integrantes traziam da sua formação académica em música antiga.

Por outro lado, a adição de Sex Garden serviu como um contraponto irónico e provocador. Sendo jovens estudantes de conservatório que interpretavam madrigais do século XVI, o grupo queria distanciar-se da imagem austera e conservadora associada aos coros tradicionais. Ao introduzirem esta expressão mais carnal e terrena, as artistas estabeleceram uma dualidade entre o "celestial" das suas harmonias vocais e a atitude rebelde da cena underground londrina dos anos 90.

Esta escolha acabou por se revelar uma excelente estratégia de identidade artística, permitindo à banda transitar com naturalidade entre a solenidade da música renascentista e a estética sombria do rock gótico e industrial, sublinhando que a sua arte não estava presa ao passado, mas sim viva e em constante mutação.

Miranda Sex Garden (wikipedia)

sexta-feira, 6 de março de 2026

Cult of Dom Keller - This is how it feels to live your life dead


Melhor som aqui

As letras de Cult of Dom Keller, especialmente no álbum This Is How It Feels to Live Your Life Dead, são o reflexo perfeito do título: niilistas, existenciais e profundamente obscuras.

A banda não costuma escrever letras narrativas (com princípio, meio e fim); eles focam-se em criar mantras e imagens fragmentadas que reforçam a sensação de desespero e desorientação.

Temas Recorrentes
A Morte em vida: como o título sugere, as letras exploram a apatia, o vazio emocional e a sensação de estar "morto por dentro" enquanto o corpo continua a funcionar.

Decadência mental: há referências constantes a estados de psicose, alucinações e o colapso da sanidade.

Consumo e vício: metáforas sobre substâncias e a necessidade de escapar da realidade através do ruído ou da alteração da consciência.

O "Vazio" (The Void): o conceito de nada absoluto é uma constante, tanto nas letras como na própria estrutura sonora repetitiva.

Sites
Bandcamp
Facebook
Spotify
Youtube

domingo, 1 de março de 2026

Maruja - Kakistocracy (live in Gârden)


Quando pensa que as bandas de post-punk e dark scene já não existem, pare. Há muitas bandas novas e entusiasmantes a surgir. Maruja, de Manchester, é uma delas. Mal posso esperar para os ver ao vivo no Porto, em Maio de 2026.
O nome "Maruja" foi inspirado numa placa que o vocalista viu durante umas férias em Espanha.
A palavra Kakistocracy foi cunhada já no século XVII e deriva de duas palavras gregas, kákistos (κάκιστος, 'pior') e krátos (κράτος, 'governo'), que juntas significam um sistema de governo onde os líderes são os piores, menos qualificados e/ou mais inescrupulosos cidadãos.

terça-feira, 24 de fevereiro de 2026

Documentário: The Tube (1984)


Em março de 1984, a jornalista musical britânica Muriel Gray visitou Berlim Ocidental para filmar um segmento para o programa musical pioneiro do Reino Unido, The Tube (ITV), guiada pelo músico britânico expatriado e representante da Factory Records, Mark Reeder.

O conteúdo: as filmagens documentaram a vibrante, isolada e caótica subcultura da Berlim Ocidental da Guerra Fria, apresentando entrevistas e cenas da cena musical alternativa, incluindo artistas como Blixa Bargeld.
O contexto: Esta viagem fez parte de um esforço mais amplo e de longo prazo de Reeder para documentar a "cidade-ilha" no início da década de 1980. Imagens dessa época, incluindo a visita de 1984, foram posteriormente incorporadas no documentário de 2015, B-Movie: Lust & Sound in West-Berlin 1979-1989.
Atividade de 1984: por volta desta altura, Reeder estava a transformar a sua banda pós-punk Die Unbekannten (com Alistair Gray) no projeto Shark Vegas, de sonoridade mais eletrónica, pouco antes da digressão com os New Order.

Saber mais:
Iconic Underground
New Statesment
Post Punk

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2026

Caroline Polachek - Total Euphoria


Significado de "Total Euphoria" 
A canção, que faz parte da versão deluxe do aclamado álbum Desire, I Want To Turn Into You, é uma colaboração com o produtor Oneohtrix Point Never. Como o título sugere, a música explora o estado de êxtase absoluto. Não é apenas uma alegria comum; é aquela sensação de estar "fora do corpo", onde o desejo e a realidade se fundem.
 Ela utiliza metáforas sensoriais e espaciais para descrever a perda de controle. É sobre o momento em que você para de lutar contra seus instintos e se entrega totalmente a uma experiência ou a alguém. 
 Conexão com o álbum: o disco inteiro fala sobre a natureza "indomável" do desejo humano, e esta faixa serve como o clímax sonoro desse conceito.

terça-feira, 10 de fevereiro de 2026

The Jesus and Mary Chain - Here Comes Alice


Here she comes walking down the street
She's got something you would love to meet
It's her heart and her heart is black
Think of ice cream sliding into a crack

The heat sticks to summer's heavy sweat
Hang around it'll get hotter yet
You got the shakes and it's gonne get worse
Don't you know it's all a part of the curse

She's got the hit that takes you into space
Suck mud and make a deal for that taste
You got nothing but you're riding on a star
You couldn't guess that she could take you that far

Some things are so hard to say
Even though you'd say them every day
Don't let your life be the butt of a joke
Get your lips round a cool black Pepsi Coke

Here she come

"Here Comes Alice", foi lançada no álbum Automatic (1989). Melhor som aqui

Em "Here Comes Alice", do The Jesus And Mary Chain, Alice surge como uma figura envolvente e ameaçadora. Logo no início, a descrição "her heart is black" (seu coração é negro) indica não só mistério, mas também uma natureza destrutiva. As imagens presentes na letra, como "Think of ice cream sliding into a crack" (pense em sorvete escorrendo por uma fenda) e "The heat sticks to summer's heavy sweat" (o calor gruda no suor pesado do verão), criam um clima sensual e sufocante, sugerindo um desejo intenso que pode ser tanto emocional quanto físico. Muitos interpretam essas metáforas como alusões ao uso de drogas, especialmente quando a música diz "She's got the hit that takes you into space" (ela tem a dose que te leva para o espaço) e "make a deal for that taste" (faça um acordo por esse gosto), reforçando a ideia de Alice como símbolo de uma tentação viciante, seja uma pessoa, experiência ou substância.

A "Femme Fatale": Alice é retratada como uma figura magnética, mas perigosa. Ela "anda como se estivesse em um filme" e "vende o que você não pode comprar". Ela personifica aquela pessoa que domina o ambiente pela sua aura de mistério e autodestruição.

Fuga e Entorpecimento: A repetição de "Here she comes" (Lá vem ela) sugere uma inevitabilidade. Muitos interpretam as figuras femininas nas músicas dos irmãos Reid como metáforas para vícios ou estados de transe. É uma música sobre observação, desejo e o vazio existencial da vida noturna.

Estética "Noir": A letra evoca imagens de ruas escuras, luzes de neon e uma certa elegância decadente. Não é uma música sobre felicidade, mas sobre a beleza que existe no sombrio.

Curiosidade: A música fez parte da trilha sonora do filme The Crow (O Corvo), o que faz todo o sentido, já que a estética gótica e urbana do filme casa perfeitamente com o som da banda.

domingo, 1 de fevereiro de 2026

Nick Cave And The Bad Seeds - All Tomorrow's Parties


Versão ainda mais dramática que a original The Velvet Underground & Nico - All Tomorrow's Parties, de 1966.

All Tomorrow's Parties
The Velvet Underground

And what costume shall the poor girl wear
To all tomorrow's parties
A hand-me-down dress from who knows where
To all tomorrow's parties
And where will she go, and what shall she do
When midnight comes around
She'll turn once more to sunday's clown and cry behind the door

And what costume shall the poor girl wear
To all tomorrow's parties
Why silks and linens of yesterday's gowns
To all tomorrow's parties
And what will she do with thursday's rags
When monday comes around
She'll turn once more to sunday's clown and cry behind the door

And what costume shall the poor girl wear
To all tomorrow's parties
For thursday's child is sunday's clown
For whom none will go mourning

A blackened shroud
A hand-me-down gown
Of rags and silks - a costume
Fit for one who sits and cries
For all tomorrow's parties

Solidão e máscaras sociais em “All Tomorrow's Parties”
Em “All Tomorrow's Parties”, do The Velvet Underground, a repetição da pergunta “And what costume shall the poor girl wear to all tomorrow's parties” (“E que fantasia a pobre garota usará em todas as festas de amanhã”) destaca a angústia sobre identidade e pertencimento. A música faz referência ao ambiente das festas da Factory de Andy Warhol, conhecidas por reunir pessoas excêntricas e outsiders. A “pobre garota” representa tanto figuras reais, como Darryl (citada por John Cale), quanto qualquer pessoa marginalizada que tenta se encaixar em um meio marcado por aparências e expectativas sociais. O trecho “hand-me-down dress from who knows where” (“vestido usado, vindo sabe-se lá de onde”) reforça a sensação de exclusão e vulnerabilidade dessa personagem.

O tom melancólico da canção se intensifica com a imagem da garota que, ao fim das festas, “turns once more to sunday's clown and cry behind the door” (“volta mais uma vez ao palhaço de domingo e chora atrás da porta”). O “clown” funciona como metáfora para a máscara social que ela precisa usar, escondendo sua solidão e tristeza sob a superfície festiva. A alternância entre “thursday's rags” (“trapos de quinta-feira”) e “yesterday's gowns” (“vestidos de ontem”) sugere um ciclo de tentativas frustradas de renovação, onde o passado e a precariedade sempre retornam. O verso “For thursday's child is sunday's clown, for whom none will go mourning” (“Pois a criança de quinta-feira é o palhaço de domingo, por quem ninguém vai lamentar”) reforça o anonimato e o desamparo da personagem. Assim, a música faz uma crítica à superficialidade e à efemeridade das relações sociais, especialmente em ambientes artísticos e boémios, onde a busca por aceitação muitas vezes esconde solidão e sofrimento.

quinta-feira, 15 de janeiro de 2026

Elektrokohle - Vollmond



A canção “Vollmond” do Elektrokohle foi lançada como single e vídeo oficial em março de 2023, sendo parte do EP de estreia do grupo - que saiu primeiro em 22 de fevereiro de 2023 e depois teve o vídeo de Vollmond publicado em 19 de março de 2023.

“Vollmond”, que significa literalmente “lua cheia” em alemão, é uma música bilíngue (alemão e italiano) que explora a sensação de inquietação e mudança provocada pela lua cheia. Liricamente e sonoramente, a canção utiliza a lua como símbolo de emoções intensas que sobem e descem como as marés, refletindo ansiedade e pensamentos que emergem à tona, enquanto cria uma atmosfera noturna sombria e quase hipnótica, com um ritmo que sugere tensão e inquietação sob a luz lunar.

domingo, 20 de julho de 2025

New Candys - Regicide


Just by following our enemy
I can lose for a victory
And if we wanna change our destiny
There’s a way that can set us free

Just by following our enemy
I can lose for a victory
And if we wanna change our history
There’s a way that can set us free

You left me off
Right from the start
You left me off
In exile after my regicide

Go on, arrest me and kill me
I know my guilt is not here

Just by following our enemy
I can live for a victory
And if we wanna change our destiny
There’s a way that can set us free…
Therе’s a way that can set us
There’s a way

You lеft me off
Right from the start
You left me off
In exile after my regicide

Shoot the king to show your better side

Inspirado por Gaetano Bresci, um anarquista que assassinou o Rei de Itália, Humberto I, em 1900 para protestar contra o massacre de manifestantes, Fernando Nuti refere esta figura como ponto de partida: fala do exílio, da violência propositada – "Não matei Humberto. Eu matei o rei. Eu matei um princípio" (frase pronunciada por Bresci imediatamente após o assassinato, em resposta às acusações da multidão) – e da culpa inevitável que este ato deixa para trás.

O termo regicídio, literalmente “assassinato de um rei”, serve de metáfora para a rebelião contra as estruturas de poder ultrapassadas, uma luta que questiona se o fim justifica os meios.

Interpretação Lírica
Os versos:
“Atira ao rei para mostrar o teu melhor lado / Deixaste-me / No exílio após o meu regicídio” combinam temas de vingança, exílio e transformação pessoal. O narrador parece chegar a uma conclusão sobre se o ato violento representa uma verdadeira mudança ou apenas a substituição de uma opressão por outra.

Som e Estilo
Musicalmente, a música mistura guitarras psicadélicas com baixo eletrónico gótico e um ritmo disco nos versos, criando um contraste entre a mensagem violenta e uma atmosfera quase dançante.
Esta dicotomia reforça a ideia do sinistro envolto no sedutor.

Conclusão
“Regicide” é uma reflexão profunda sobre a violência política e moral. Ela questiona:

É legítimo derrubar o poder quando este oprime?
Existe o risco de nos tornarmos naquilo que foi criticado?
O que é sacrificado — a solidão, o exílio, a culpa — em nome da mudança?

A ambiguidade lírica permite múltiplas interpretações, e é esse o propósito: não fornecer respostas fáceis, mas provocar reflexão.

Fontes

domingo, 4 de maio de 2025

The Jesus And Mary Chain - Far Gone And Out


Far Gone and Out
The Jesus And Mary Chain

I can't explain exactly what I'm doing standing in the rain
Don't do it for fun
Do it if you feel it
Kiss it on the tongue
I'm taking my thoughts to a railway station
Put 'em on a train just to see what's coming back
What's coming back
It's coming like a heart attack

Ice melts too fast
So nothing stays forever nothing's gonna last
She's dressed in black
A black that ends in nowhere and I just got to have her back
And I'm television sick and I'm television crazy
No one works so hard just to make me feel so bad
I'm feeling bad
Oh that's too sad

Hey. Hey. Hey. She's as mean as mean. (2X)
Hey. Hey. Hey. She's as black as black.

Hey. Hey. Hey. I got to get her back. (3X)

Hey. Hey. Hey. She's as mean as mean.
Hey. Hey. Hey. She's as sick as sick.
Hey. Hey. Hey. She's as cool as cool.
Hey. Hey. Hey. She's as black as black.

quinta-feira, 5 de outubro de 2023

Música do BioTerra: The Jesus And Mary Chain - Head On


"Sem música, a vida seria um erro" - Friedrich Nietzsche

Head On

As soon as I get my head round you
I come around catching sparks off you
I get an electric charge from you
That second hand living it just won't do

And the way I feel tonight
I could die and I wouldn't mind
And there's something going on inside

Makes you want to feel, makes you want to try
Makes you want to blow the stars from the sky
I can't stand up, I can't cool down
I can't get my head off the ground

As soon as I get my head round you
I come around catching sparks off you
And all I ever got from you
Was all I ever took from you

And the world could die in pain
And I wouldn't feel no shame
And there's nothing holding me to blame

Makes you want to feel, makes you want to try
Makes you want to blow the stars from the sky
I'm taking myself to the dirty part of town
Where all my troubles can't be found

segunda-feira, 31 de outubro de 2022

Música do BioTerra : Swans - Fool

Right in front of meA couple makes what could melt the snowMaking fun of meA single look never cut me soAnd I knowTo save the conversationI knowA deeper contemplationIs all I need to make believeEveryone would love me if I could fool the worldWalk away from meI see the change in the atmosphereWhat a way to beTo turn the pageJust to make it clearAnd I knowTo change the conversationI knowA deeper contemplationIs all I need to make believeEveryone would love me if I could fool the world
To fearOr to disappearWhat a waste of timeWhat a troubled mindA fortune find for another dayAs your passing byYou look behindTo see what I would sayAnd I knowTo change the conversationI knowA deeper contemplationIs all I need to make believeEveryone would love meSo I goAnd change the conversationI knowA deep conversationIs all I need to make believeEveryone would love meIf I could foolThe world
I can't survive another day in the liveWithout a day in the sunBefore you touch meHere's a word of adviceIf I were you I wouldCome get itSo won't you tell mewhy it is
That ever corner of my head is a homeBut every fool is the sameIt would be tragic if you left me aloneBut left me no one to blameWell don't it make you wonder what got us hereThe covers that were under could disappearPromises keep us in chains my dear(If I could fool the world then no one would know where I've been)What am I feeling(If I could fool the world then no one)

domingo, 29 de maio de 2022

Música do BioTerra: The Young Gods - Kissing The Sun


Soon we will be on our way
Say goodbye to yesterday

Soon we will be in the light
Swimming in the open sky

We'll spread our wings around the stars
Watch the way we drop our scars

We will be kissing the sun
Everybody knows kissing the sun
One and one with the one you've chosen

We'll spread our wings as we get higher
Spread our wings into the fire

We will be kissing the sun
Everybody knows kissing the sun
One and one 
And the thing explodes

Biografia: The Young Gods
The Young Gods (site)
The Young Gods (youtube)

segunda-feira, 21 de dezembro de 2020

Documentário: Desolation Center

Desolation Center foi uma organização independente de música e artes performativas que realizou eventos em Los Angeles e arredores, na Califórnia, no início dos anos 80. Foi organizada por Stuart Swezey e incluía músicos punk locais e nacionais. Depois de apresentar uma série de eventos artísticos em locais do centro de Los Angeles, o grupo realizou três concertos lendários, intitulados Mojave Exodus, no Deserto de Mojave em 1983. Os artistas que aí se apresentaram incluíram Sonic Youth, Minutemen, Meat Puppets, Redd Kross, Einstürzende Neubauten, Survival Research Laboratories, Savage Republic, Swans, Boyd Rice e Psi Com.