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quarta-feira, 26 de novembro de 2025

2,9 milhões de euros. É este o valor que Portugal perde todos os dias


Não é um erro de cálculo. É o dinheiro que as multinacionais retiram do país diariamente através de esquemas de planeamento fiscal agressivo. Estamos a falar de mais de 1000 milhões de euros por ano que deviam entrar nos cofres públicos, mas que desaparecem para paraísos fiscais ou jurisdições mais simpáticas.

​E quem é que paga o rombo? Pagas tu.
​A máquina fiscal é implacável, mas só com quem não tem como fugir. Caem em cima do trabalhador por conta de outrem, caem em cima da pequena empresa que luta para pagar salários, caem em cima da classe média. Para nós, a carga fiscal é asfixiante, para os gigantes que lucram milhões cá dentro, é opcional.

Relatório da Tax Justice Network
O relatório da Tax Justice Network concluiu que durante seis anos, entre 2015 e 2021, Portugal perdeu cerca de cinco mil milhões de euros. Ou seja, por ano o país ficou com menos 800 milhões de euros. O estudo indica que estas perdas estão associadas a estratégias de transferência de lucros para paraísos fiscais e jurisdições fiscais mais brandas. Dos cinco mil milhões perdidos, cerca de 739 milhões de euros correspondem apenas a multinacionais com sede nos Estados Unidos

O contraste com Espanha é humilhante.
​Enquanto por cá fingimos que não se passa nada, aqui ao lado teve-se a coragem política de avançar. Espanha criou o Imposto de Solidariedade sobre Grandes Fortunas (para patrimónios acima de 3 milhões de euros). Resultado? Só no primeiro ano, foram buscar 623 milhões de euros aos mais ricos. O Tribunal Constitucional espanhol deu luz verde, ignorando os protestos da direita que queriam proteger os milionários.

Para atenuar os efeitos da evasão fiscal, as autoridades portuguesas têm em vigor uma taxa aprovada pelo G7, em 2021, e apoiada pelo G20, que passa pela cobrança de 15% sobre os lucros das multinacionais com vendas superiores a 750 milhões de euros.

​Lá, o dinheiro dos mais ricos serve para financiar o Estado Social. Cá, continuamos a proteger o grande capital enquanto o SNS, a Cultura, a Ciência, o Ambiente e a Escola Pública pedem socorro.

​E não se iludam com o atual cenário político. Com o crescimento da direita e da extrema-direita em Portugal, a tendência não será ir atrás dos poderosos. A história diz-nos exatamente o oposto, o discurso de "baixar impostos" serve muitas vezes para aliviar quem está no topo, enquanto a fatura e o desmantelamento dos serviços públicos sobram para quem vive do seu trabalho. Vêm sempre atrás do elo mais fraco.
A questão é até quando vamos permitir.

quarta-feira, 4 de junho de 2025

José Luís Arnaut - o facilitador das privatizações


Em entrevista ao podcast “A lei e a Prática” do Diário de Notícias, José Luís Arnaut afirma que “a morte do Bloco de Esquerda é um sinal positivo para a economia”. E por economia o ex-ministro do PSD e atual presidente da ANA Aeroportos refere-se ao investidor estrangeiro que “olha para as notícias e vê tetos nas rendas, taxar os ricos, impostos sobre a fortuna” e assusta-se e vai embora. Para o antigo secretário-geral do PSD, “quem o bom senso dos portugueses mandou embora foram esses que tinham essas veleidades, digamos, de criar essas medidas”.

17 de janeiro 2018

O antigo ministro de Durão Barroso e Santana Lopes ficou conhecido como “o advogado das privatizações”, com o seu escritório a estar ligado às vendas pelo Estado da EDP, REN, ANA, TAP e CTT. No caso dos Correios, o seu escritório assessorou o banco Goldman Sachs, que se tornou no maior acionista após a privatização. Arnaut viria a ser nomeado em 2014 para o conselho consultivo internacional do Goldman Sachs, cargo que ainda hoje ocupa.

Entre 2014 e 2016, a sociedade de advogados de Arnaut faturou mais de 400 mil euros em serviços jurídicos à REN, outra empresa privatizada e onde Arnaut ocupa o cargo de administrador não executivo desde 2012.
O centro de negócios, 03 de abril 2019

Em 2013 o governo de Passos Coelho e Paulo Portas concluiu a privatização dos aeroportos portugueses, entregando 95% do capital à multinacional francesa Vinci. Do lado do comprador, estava a assessoria jurídica da CMS Rui Pena & Arnaut, como o ex-ministro à frente da equipa que preparou o negócio. Mais tarde viria a ser recompensado com o cargo de presidente da ANA Aeroportos, que também continua a ocupar hoje.

Segundo os dados biográficos atualizados, além dos cargos na Goldman Sachs, REN e ANA Aeroportos, José Luís Arnaut é ainda presidente adjunto da Associação de Turismo de Lisboa, Presidente da Mesa da Assembleia Geral da Portway, da Siemens, do grupo Super Bock e da Tabaqueira. Até há poucos meses ocupava o mesmo cargo na Federação Portuguesa de Futebol e também presidiu à Associação de Amizade Portugal-Qatar, participando em iniciativas promovidas pela família real daquele país. Em 2021, o consórcio de jornalistas OCCRP - Organized Crime and Corruption Reporting Project - revelou detalhes do negócio de concessão à Vinci de um aeroporto em Belgrado e da compra dos terrenos contíguos a um milionário com ligações ao narcotráfico, que a seguir se tornou sócio de José Luís Arnaut.

domingo, 14 de abril de 2024

A Justiça nas mãos dos ricos


À justa, lá conseguiu a direita subir ao poder para revigorar as furadas receitas neoliberais que, por via dos serviçais mídia e de um dedo indicador apontado para o INTA (There is no Alternative), continua a propagar o afamado “trickle-down effect” – o mesmo que, comprovadamente, vem aumentando a concentração da riqueza e a desigualdade no mundo inteiro.

Aquilo que o PS (que finge ser de esquerda) já vinha praticando há 8 anos, que levou a aumentos de PIB e a maior pobreza, será agora aplicado a fundo e descaradamente. Lucros privados, custos públicos, privatizações, Portugal vendido ao desbarato, o mercado em roda livre.

Logicamente, a escolha dos membros do governo faz jus ao que aí vem. Mas mesmo assim, custa a encaixar esta ministra da Justiça, uma advogada especialista em imobiliário no mega escritório fundado pelo seu pai, onde trabalhou 25 anos.

Na pasta da Justiça- a tal que é sonegada aos portugueses, já por via da morosidade – temos pois Rita Alarcão Júdice, filha e colaboradora de José Miguel Júdice, advogado e árbitro, inclusive em casos ISDS – ou seja, de arbitragem internacional. Para quem não saiba, o mecanismo ISDS é a alavanca a que só as multinacionais têm direito e que só por elas pode ser usado para processar Estados. Para quem não saiba, o ISDS providencia aos investidores estrangeiros uma “justiça” de tapete vermelho, para seu exclusivo uso. Para quem não saiba, essa “justiça” está acima das nacionais e refere-se unicamente a direitos especiais dos investidores (como “as suas legítimas expectativas de negócio”), consagrados em tratados internacionais de investimento e comércio; para quem não saiba, o ISDS restringe o direito dos governos a regulamentarem em nome do interesse público; Para quem não saiba, esta “justiça” não tem lugar perante tribunais institucionais; todo o processo está nas mãos de três advogados, um de acusação, outro de defesa e um terceiro que faz de ”juiz” e é escolhido pelos outros dois. Para quem não saiba, estas 3 pessoas podem rodar de função nos diferentes casos ISDS, abrindo a porta a conflitos de interesse; para quem não saiba, as indemnizações resultantes destes casos – e a serem pagas pelos contribuintes do país contra o qual o processo é intentado – são milionárias, e os próprios processos podem custar muitos milhares; para quem não saiba, está a decorrer um processo ISDS contra Portugal devido ao caso BES – ao abrigo de um acordo bilateral que Portugal assinou com as Maurícias em 1997, apesar de os queixantes serem dois fundos americanos; para quem não saiba, segundo o jornal Dinheiro Vivo, a acusação está nas mãos das firmas de advogados Fietta e PLMJ (da qual Júdice é fundador e os ex-governantes Pedro Siza Vieira (PS), e Nuno Morais Sarmento (PSD) são sócios.

O que todos nós, simples mortais, não sabemos, é o montante exigido a Portugal pelos fundos de investimento: estes casos são, muitas vezes, secretos. Mas uma coisa sabemos, já estamos todos a pagar os altos custos da “defesa de Portugal”.

A nova ministra até pode ser altamente qualificada e até pode vir a fazer um bom trabalho nesse bicho de sete cabeças que é a Justiça em Portugal. Dê-se-lhe o benefício da dúvida. Mas uma coisa é certa: é conivente com uma “justiça” toda especial para os ricos e poderosos, os tribunais VIP , e fez carreira a ajudar os ricaços a fazerem negócios imobiliários. A arraia miúda que continue na bicha para ter acesso à Justiça e para viver numa sociedade mais justa. Imagino que muitos considerem isto muito normal, mas é esta normalidade que está a estoirar a humanidade. Os efeitos estão à vista.

sexta-feira, 26 de janeiro de 2024

Documentário - Os Doze (The Twelve, por Le Ciel Foundation, 2019)


Versão Original (English version) here aqui


Doze líderes espirituais de povos indígenas de várias partes do mundo e de sabedorias ancestrais juntaram-se em novembro de 2017 na sede da ONU em Nova Iorque. Este filme dá-lhes a oportunidade de dizerem a sua verdade e de deixar o mundo saber, para o benefício de todos. É também um filme marcante porque salienta como as tradições de sabedoria podem ser uma fonte incrível de inspiração e soluções para nós e para a nossa sociedade moderna. 

Cada um dos doze anciãos partilha uma sabedoria e um conhecimento há muito esquecidos da nossa ligação eterna e complexa com a Natureza e com toda a humanidade, lembrando-nos o que significa ser humano e como viver em harmonia uns com os outros e com a Natureza.

Este filme traz-nos muitas informações importantes. Que no fundo, se condensam numa única e mesma mensagem, profunda e simples; apenas a forma de expressão é diferente - Fazer a Paz com a Mãe Natureza.

Também é interessante a palestra de Perguntas e Respostas aos realizadores deste bonito documentário.

Um guião de entrevista também está disponível em Português.

Na poeira da politiquice da IKEA, dos Andrés Venturas desta vida, do António Costa, do Marcelo R. Sousa, do Miguel Albuquerque, Tranquada Gomes, Paulo Cafôfo, etc...não me dizem nada. O respeito pela Mãe Terra e a sabedoria dos anciãos é o meu enfoque.

Visite o site Le Ciel Foundation e inspire-se. 

quinta-feira, 23 de novembro de 2023

ONU vota para criar convenção fiscal global “histórica”, apesar da UE e do Reino Unido se moverem para “matar” a proposta

UN Tax Convention 

A Assembleia Geral da ONU votou esmagadoramente a favor da organização desenvolver um quadro fiscal global, apesar das tentativas de última hora de descarrilar o plano por parte dos países ricos, incluindo o Reino Unido, os Estados Unidos e todo o bloco da União Europeia.

Naquilo que os defensores saudaram como uma “vitória histórica”, os países votaram 125 a 48 para adoptar uma resolução apresentada pela Nigéria no mês passado em nome dos Estados-membros africanos, apelando a uma convenção fiscal da ONU que poderia mudar drasticamente a forma como as regras fiscais globais são definidas.

Nove países se abstiveram na votação, realizada em Nova York em 22 de novembro.

O passo sem precedentes é o mais recente desenvolvimento num debate acalorado sobre se as Nações Unidas podem proporcionar uma melhor representação em questões fiscais internacionais para os países em desenvolvimento do que a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico.

Esta resolução não é apenas um documento político, é um testemunho da nossa determinação colectiva em prol de uma economia global mais justa e mais resiliente.— Representante da ONU, Tijjani Muhammad-Bande

Antes da votação, o representante permanente da Nigéria na ONU, Tijjani Muhammad-Bande, descreveu a resolução como um “farol de esperança”.

“À medida que navegamos num mundo marcado por desafios sem precedentes, incertezas económicas, [o fim] da pandemia da COVID-19 e da actual crise climática, o papel da cooperação internacional eficaz e inclusiva torna-se mais crucial do que nunca”, disse Muhammad-Bande. .

“Esta resolução não é apenas um documento político, é um testemunho da nossa determinação colectiva em prol de uma economia global mais justa e resiliente.”

Durante décadas, a OCDE – um grupo de 38 países maioritariamente de rendimento elevado que inclui o Reino Unido e os EUA – dominou a política fiscal internacional. Mas, nos últimos anos, cresceram as críticas sobre o poder descomunal exercido pelos países ricos nas suas tomadas de decisões a portas fechadas, inclusive nos níveis mais altos da ONU.

No início deste ano, o secretário-geral da ONU, António Guterres, afirmou num relatório que reforçar o papel da ONU na definição da política era “o caminho mais viável para tornar a cooperação fiscal internacional totalmente inclusiva e mais eficaz”. Essa linguagem foi refletida na resolução recém-adotada.

Desde que a resolução foi apresentada em Outubro, as negociações sobre o documento político agravaram as tensões entre os Estados-membros da ONU. Um negociador de um país em desenvolvimento acusou diplomatas da UE e do Reino Unido de ignorarem as recomendações de Guterres e de tentarem bloquear a resolução.

“Eles estão descartando aquele relatório e pretendem afastar todo o processo e simplesmente matá-lo. Eles não querem trazer questões fiscais aqui [para a ONU]”, disse a pessoa ao Financial Times anonimamente.

Numa alteração de última hora à resolução, o Reino Unido propôs remover qualquer menção a uma “convenção” e, em vez disso, apoiou outra opção mais fraca delineada no relatório de Guterres.

“Se quisermos proporcionar um sistema fiscal melhorado através da comunidade da ONU, deve haver a adesão mais ampla possível desde o início”, disse o representante do Reino Unido.

A alteração foi derrotada por quase dois a um, com 107 países a votarem pela rejeição do que os defensores da transparência descreveram como um esforço para “desfigurar” a resolução.

“Os paraísos fiscais e os lobistas empresariais tiveram demasiada influência na política fiscal global da OCDE durante demasiado tempo”, disse Alex Cobham, executivo-chefe do grupo de defesa Tax Justice Network, num comunicado após a votação.

“Hoje, começamos a retomar o poder sobre as regras fiscais globais que nos afetam a todos.”

No próximo ano, todos os Estados-membros da ONU serão convidados a participar no processo de negociação intergovernamental, independentemente do seu voto.

'Uma mudança verdadeiramente histórica'
O relatório do secretário-geral foi determinado por uma resolução separada adoptada no final do ano passado , que apelava à ONU para intensificar os seus esforços para combater a evasão fiscal e os fluxos financeiros ilícitos. No relatório, Guterres reconheceu os esforços da OCDE para envolver não-membros, mas disse que “muitos desses países consideram que existem barreiras significativas a um envolvimento significativo na definição da agenda e na tomada de decisões”.

Em resposta, Manal Corwin, diretor do Centro de Política e Administração Fiscal da OCDE, disse ao ICIJ que a organização estava orgulhosa do seu “histórico comprovado, permitindo mudanças significativas no cenário fiscal internacional que beneficiaram os países desenvolvidos e em desenvolvimento”.

A OCDE conta entre as suas conquistas o acordo fiscal global de 2021 entre mais de 130 países, que incluiu uma taxa mínima de imposto sobre as sociedades de 15% para empresas multinacionais. Na altura, foi saudado pelos negociadores como um passo histórico no sentido de reduzir a evasão fiscal das empresas, mas a sua implementação tem sido marcada por atrasos .

Em Setembro , um grupo de ministros das finanças da UE alertou que uma convenção fiscal da ONU correria o risco de duplicar os esforços liderados pela OCDE. Essa posição contradiz o apoio do Parlamento Europeu a uma convenção fiscal da ONU no seu relatório sobre “lições aprendidas com os Pandora Papers” em resposta à investigação do ICIJ sobre paraísos fiscais de 2021 .

Outras investigações do ICIJ, como a Paradise Papers e Lux Leaks , destacaram a escala impressionante da evasão fiscal corporativa por parte de algumas das maiores empresas do mundo. Os Paradise Papers expuseram manobras fiscais por parte de mais de 100 empresas, incluindo a Nike e a Apple, a última das quais transferiu lucros em todo o mundo para acumular 252 mil milhões de dólares no exterior.

No seu relatório sobre o Estado da Justiça Fiscal de 2023 , a Rede de Justiça Fiscal alertou que os países poderão perder quase 5 biliões de dólares em receitas fiscais durante a próxima década, à medida que as multinacionais e os indivíduos ricos continuarem a utilizar os paraísos fiscais para reduzir as suas contas fiscais. O relatório identificou quatro países entre as jurisdições que permitem a perda de dinheiro público: Reino Unido, Países Baixos, Luxemburgo e Suíça. Todos os quatro também são membros da OCDE.

Num comunicado, Tove Maria Ryding, coordenadora fiscal da Rede Europeia sobre Dívida e Desenvolvimento, disse que a adoção da nova resolução fiscal da ONU marcou “uma mudança verdadeiramente histórica” e criticou o “grupo minoritário de países principalmente da OCDE” que votou contra ela .

“Isto inclui os países da UE, que afirmam estar comprometidos com a cooperação fiscal internacional, mas provaram hoje exactamente o oposto ao votarem contra a resolução do Grupo África”, disse Ryding. “Ao fazerem isso, não estão apenas a minar um sistema fiscal global justo e eficaz, mas também a agir contra os interesses dos seus próprios cidadãos, que pagam um preço elevado quando indivíduos ricos e grandes empresas utilizam lacunas internacionais para se esquivar aos impostos.”

Próximo passo: Mais negociações
A nova resolução apela à criação de um comité intergovernamental ad hoc composto por não mais de 20 Estados-membros, eleitos tendo em mente o equilíbrio regional e de género, que terá a tarefa de estabelecer os termos de referência para “uma convenção-quadro das Nações Unidas sobre impostos internacionais. cooperação” até agosto de 2024.

O seu trabalho deve ter em conta “as necessidades, prioridades e capacidades de todos os países, em particular dos países em desenvolvimento”, de acordo com a resolução.

A resolução também insta a comissão a adoptar uma abordagem “holística” para definir os termos de referência, considerando “as interacções com outras áreas importantes da política económica, social e ambiental”, ao mesmo tempo que se concentra em prioridades específicas “tais como medidas contra crimes ilícitos relacionados com impostos”. fluxos financeiros.”

Numa conferência de imprensa após a votação, Ryding explicou que as negociações sobre a convenção fiscal só podem começar quando os termos de referência forem acordados, o que pode levar até um ano.

“[Se] os países da OCDE mostrarem a mesma atitude que mostraram hoje, levará uma eternidade para conseguir um acordo verdadeiramente global, e é por isso que queremos realmente sublinhar a importância de que todos esses países demonstrem um verdadeiro espírito de não apenas cooperação. , mas também urgência”, disse Ryding.

“Todos os países estão a perder grandes somas de dinheiro devido à evasão fiscal internacional, por isso não temos realmente tempo a perder.”

Saber mais:

sexta-feira, 26 de maio de 2023

André Ventura - um mentiroso e um cobarde. Um "político" medíocre


Enquanto inspetor tributário, André Ventura contribuiu para que uma empresa de Paulo Lalanda de Castro não pagasse mais de 1 milhão de euros em IVA ao Estado (01 de outubro de 2020) . Esta é uma breve história de “podridão” e “vergonha” que ele tanto insulta os outros na Assembleia da República.

Sim, os antigos patrões de André Ventura foram apanhados nos Paradise Papers.

Sim, André Ventura foi deputado e consultor da Finpartner ao mesmo tempo.
Aqui estão os links:

O Processo Tutti Frutti iniciou-se em 2018.

quinta-feira, 10 de novembro de 2022

Petição - Vamos acabar com a evasão fiscal!



Exijamos um sistema tributário mais justo em que empresas e grandes fortunas paguem a sua parte justa.
Os governos e as instituições da União Europeia devem ter a capacidade de coletar e disponibilizar publicamente dados importantes sobre grandes empresas para garantir a transparência do sistema. A Diretiva de Combate ao Branqueamento de Capitais deve permitir à UE prevenir a evasão fiscal e alargar os registos públicos para abranger também os fundos fiduciários e outras estruturas semelhantes e mostrar a lista completa dos beneficiários efetivos das empresas. Esses documentos teriam que estar disponíveis para quem quiser vê-los e incluir todos os beneficiários efetivos, diminuindo o limite de registos obrigatórios.

Porque é importante
Num contexto em que as pessoas comuns se vêem com dificuldades e querem  enfrentar o aumento do custo de vida , da alimentação e o consumo de energia, os nossos governos limitam-se a repetir que não há dinheiro para resolver o problema ou financiar o transporte público, a rede de saúde ou as medidas para proteger o meio ambiente de que tanto precisamos. Ao mesmo tempo, porém, perdemos biliões de euros por ano porque as grandes fortunas e multinacionais não pagam sua parte justa [1]. Resumindo: as contas não batem.

Para ter um sistema justo, devemos saber quanto cada pessoa realmente ganha. Temos a legislação necessária para garantir que ninguém possa esconder sua riqueza [2], mas hoje existem muitas maneiras de fazê-lo que não estão incluídas nestes regulamentos.

Apenas alguns meses atrás, um grupo de jornalistas descobriu que um banco suíço estava a ajudar criminosos, ditaduras e outra parte de sua clientela a esconder grandes quantias de dinheiro das autoridades fiscais por meio de fundos [3].

Isso mostra mais uma vez que é muito fácil manipular o sistema e que precisamos de uma legislação mais forte.

Aqueles que nos governam em toda a Europa devem encontrar dinheiro para enfrentar a crise inflacionária que enfrentamos e estão procurando uma solução. Para nossa comunidade, a resposta é óbvia.

Em algumas semanas, eles poderão decidir se tornamos muito mais difícil para grandes fortunas e multinacionais esconderem seu dinheiro [4]. Sabemos que o resultado será muito apertado: algumas das pessoas que nos representam ainda não estão claras sobre sua decisão.

Ainda temos a oportunidade de inclinar a balança a nosso favor antes da votação, para que eles lutem por um sistema tributário mais justo em que ninguém possa esconder sua riqueza: basta mostrar a eles que é uma questão que nos preocupa. Deixe-os saber que temos o seu apoio para que todos paguem a sua parte justa na Europa.

Assina e divulga. Obrigado

sexta-feira, 10 de junho de 2022

A cimeira climática de Glasgow foi a mais poluente de sempre.



Com 131.556 toneladas de emissões equivalentes de dióxido de carbono, a COP 26 gerou 157% mais emissões do que a COP 25 realizada em 2019 em Madrid, e 205% mais do que a COP 21 em Paris em 2015, sublinha a Arup, consultora de sustentabilidade para a cimeira. O relatório concluiu também que a cimeira de Glasgow produziu o nível mais elevado de sempre de emissões de gases com efeito de estufa devido às viagens dos delegados, cerca de 79% do total das emissões. O enxame de jatos privados que desceram em Glasgow nos dias que antecederam a conferência, e no dia da abertura, contribuiu provavelmente para este volume de emissões. O relatório levanta questões sobre quanto o clima beneficiou de um acordo que envolveu muitas compensações de carbono, 40% das quais chegaram por cortesia de um paraíso fiscal offshore de credenciais duvidosas. A Arup descobriu que 58.839 tCO2e do total das compensações vieram através do investimento numa iniciativa de cozinhas limpas no Gana. O problema é que o Reino Unido adquiriu essas unidades através da ClimateCare Limited, uma empresa sediada em Jersey cujos "arranjos empresariais" surgiram através da divulgação dos Paradise Papers em 2017. "É preciso perguntar porque é que uma organização que supostamente se dedica a fazer o bem no mundo precisa de estar baseada num paraíso fiscal", disse Richard Dixon, antigo diretor da Friends of the Earth Scotland.

quinta-feira, 7 de outubro de 2021

Dos impostos sobre lucros e da forma de terminar com quatro décadas de regabofe


Hoje o Jornal de Negócios traz-nos uma notícia que parece ter sido escrita pelo departamento de marketing de uma federação patronal e que tem um título que dispensaria a leitura do resto do artigo: Mercado pede um OE com mais PRR e menos impostos
Não vou maçar-vos com comentários ao ‘pedido’ do ‘mercado’ de mais PRR. O Nuno Serra, por exemplo, já tratou convenientemente o enviesamento implícito desta converseta

Também vou poupar-vos a comentários acerca das confusões teóricas ali abundantemente servidas a propósito do conceito de poupança, confusões essas com convenientes implicações práticas de curto prazo para o setores financeiro e segurador, porque já o fizemos, por exemplo, aqui

Quero antes começar por recordar, como faz David Fickling nas páginas da Bloomberg, que se passaram oito anos desde que os governos da OCDE se comprometeram com uma ação coordenada de repressão da utilização de paraísos fiscais com o objetivo de minimizar os impostos sobre as empresas e subtrair aos Estados receitas que lhes pertencem. 

Um compromisso que não podia ser mais meritório. Só assim se podem impedir as políticas fiscais do tipo beggar thy neighbour, ou seja, de empobrecimento do vizinho, numa tradução pobre porque não captura a falácia de composição que estas políticas encerram, políticas que minam a soberania nacional, desequilibram as contas públicas, as contas externas e a distribuição do rendimento nacional, prejudicando, no fim do jogo,  todos os países envolvidos e, neles, sobretudo, quem vive não de lucros, mas do seu trabalho presente ou passado. 

No entanto, como sói dizer-se, de compromissos e piedosas intenções está o inferno cheio. Se alguma coisa mudou no regabofe que dura há 4 décadas, o que é hoje diferente é ainda pior. Fazendo fé na caixa de Pandora que se abriu recentemente ao sempre maçador escrutínio público, os espertalhões facilitadores deste mundo, entre eles, o Morais Sarmento, o Vitalino Canas e o Manuel Pinho, continuam, impunemente, a colocar o carcanhol ao fresco enquanto, substantivamente, os países que se comprometeram a tomar medidas para impedir esta fuga à tributação nacional mais não fizeram do que descer a taxa de impostos sobre os lucros


É a fotografia da corrida para o fundo onde todos, menos os que fogem aos impostos, perdem. É um quadro com caixilho neoliberal de onde os tais mercados, com lugar sempre garantido na opinião publicada, vão deixando claro que, se as ‘distorções’ não forem removidas, se as políticas não forem ‘amigas da poupança’, se os impostos não baixarem, se o país não for ‘fiscalmente competitivo’, dizem-nos veladamente, a massa acaba num qualquer paraíso fiscal, ou seja, no inferno da soberania nacional, do Estado Social e de quem, vivendo do cheque ao fim do mês, não pode, evidentemente, pagar de modo chorudo a um qualquer ‘consultor’ para que este lhe coloque o salário nas Bahamas. 

Consequentemente, como bem se pode compreender, com impostos cada vez mais baixos, as empresas retêm cada vez mais lucros e com lucros a pesar cada vez mais no rendimento nacional, os salários pesam cada vez menos. 


Sucintamente, como chegámos a esta bandalheira? Como também afirma, bem, David Fickling “as pessoas encarregadas de redigir as leis e tratados [os tais Sarmentos, Canas e Pinhos deste mundo, digo eu] que sustentam os fluxos internacionais de capital têm muito a ganhar com a atual configuração. Enquanto uma quantidade irracional de riqueza e poder estiver concentrada nas mãos de alguns indivíduos e empresas, eles procurarão formas de transferir bens para qualquer lugar que prometa tratá-los de forma mais clemente” (...) “[e]m última análise, o problema reside nos fluxos desenfreados de capital que se deslocam pelo globo desde o fim, nos anos 70, do sistema de Bretton Woods” e, assim sendo, “[s]e os governos quiserem abordar a causa da evasão fiscal em vez de aplicarem infindáveis pensos rápidos aos sintomas, essa decisão [a livre circulação internacional de capitais] deve, em última análise, ser revista”. 

Um comunista lunático, este tipo da Bloomberg, só pode. E no entanto, obviamente, para mudar este irracional e imoral estado de coisas não basta reconhecer que "a natureza de curto prazo e a volatilidade inerente dos fluxos globais de capital são problemáticos” e cruzar os braços; de facto, para além da evasão fiscal e das suas consequências distributivas, as razões para abandonar a livre circulação de capitais são muitas e, parece-nos, claras. 

Para finalizar, e para agrado de alguns dos nossos estimados leitores e desagrado de outros, cá estamos novamente perante a questão das vestes do monarca, ou seja, da questão da União Europeia, onde a pertença depende da aceitação da livre circulação de capitais, uma das 'quatro liberdades' que obrigam os seus membros. Liberdades para uns, servidão para outros, como se vê.

Fonte: aqui

terça-feira, 14 de novembro de 2017

Paradise Papers: The True Story Behind The Secret Nine-Month Investigation


Os Paradise Papers são um conjunto de 13,4 milhões de documentos eletrónicos confidenciais de natureza fiscal que foram enviados ao jornal alemão Süddeutsche Zeitung. O jornal os compartilhou com o Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos, e alguns detalhes foram divulgados em 5 de novembro de 2017. Wikipédia

sexta-feira, 29 de março de 2013

domingo, 22 de novembro de 2009

Nomeações para os Prémios Angry Mermaid Award - fase de votações , até 13 de Dezembro


American Coalition for Clean Coal Electricity (ACCCE)
Nominated for being embroiled in a fake lobbying scandal against the US Climate Bill and for trying to hide the extent of its lobbying activities
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American Petroleum Institute (API)
Nominated for organising an astroturf campaign against the US Climate Bills. In August 2009, a leaked memo from the API revealed it had invited its membership to attend a series of rallies in 20 key states, in order to give the impression of a groundswell of grassroots opposition to the climate legislation.
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European Chemical Industry Council (CEFIC)
Nominated for successfully lobbying for free allowances under the EU Emissions Trading Scheme and for pushing to weaken EU and international climate policies.
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International Air Transport Association (IATA)
Nominated for leading lobbying efforts by the major airlines against climate legislation and for issuing misleading and meaningless pledges on reducing emissions.
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International Emissions Trading Association (IETA)
Nominated for promoting a global market for greenhouse gas emissions, including the use of offsetting through the Clean Development Mechanism (CDM), even though this currently cannot guarantee emission reductions.
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Monsanto and the Round Table on Responsible Soy (RTRS)
Nominated for lobbying for RoundupReady (RR) soy to be considered a climate-friendly crop that is eligible for carbon credits and subsidies under the Clean Development Mechanism (CDM); and for pushing for meaningless responsible label for RoundupReady soy, which could be used to certify sustainable agrofuels.
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Royal Dutch Shell
Nominated for actively investing in the energy-intensive tar sands, at the same time as pushing unproven Carbon, Capture and Storage (CCS) technology as a solution to climate change, whilst undermining initiatives to reduce CO2 emissions.
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Sasol
Nominated for its national and international lobbying campaign to promote Carbon Capture and Storage (CCS) as a clean solution to the dirty business of producing liquid fuels from coal and gas.
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