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quarta-feira, 28 de janeiro de 2026

Como o Presidente Trump está a influenciar as ações climáticas globais?


Em 2024, pela primeira vez, a temperatura média global ultrapassou 1,5 °C acima dos níveis pré-industriais, tornando ainda mais urgente a necessidade de ações climáticas globais rápidas e coordenadas.

Em vez de apoiar uma eliminação rápida e justa dos combustíveis fósseis, o presidente dos EUA, Donald Trump, está a atacar de forma imprudente os esforços globais para combater as alterações climáticas de cinco formas:
  1. Retirando os EUA dos organismos climáticos globais;
  2. Promovendo uma campanha de desinformação contra a ciência climática;
  3. Recorrendo a medidas intimidadoras e coercivas para promover políticas pró-combustíveis fósseis;
  4. Enfraquecendo as proteções climáticas internas e cortando o financiamento da ciência climática;
  5. Restringindo o espaço cívico, o que prejudica o ativismo climático.
De que organismos climáticos globais os EUA se retiraram e qual o impacto?
A retirada dos EUA do histórico Acordo de Paris entrou em vigor a 27 de janeiro de 2026. Esta é a segunda vez que os EUA se retiram do acordo e vem na sequência da intenção declarada de se retirarem da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Alterações Climáticas (UNFCCC), do Painel Intergovernamental sobre Alterações Climáticas (IPCC) e do Fundo Verde para o Clima (GCF). Trump também pediu a saída dos EUA de mais de 60 outras organizações internacionais, incluindo várias relacionadas com as alterações climáticas, a biodiversidade e as energias renováveis, apelidando-as de “desperdiçadoras, ineficazes ou prejudiciais”.

Esses anúncios provavelmente acelerarão o corte de financiamento dos EUA a instituições e programas multilaterais e bilaterais importantes relacionados com o clima. O financiamento dos EUA a essas agências da ONU e ao seu trabalho deve terminar em breve. A ONU já enfrentava uma crise financeira, agravada no último ano pela recusa dos EUA em pagar a sua contribuição para o orçamento regular.

Trump também se recusou a gastar a verba aprovada pelo Congresso norte-americano para assistência externa – incluindo para agências da ONU -; desmantelou a Agência dos Estados Unidos da América para o Desenvolvimento Internacional (USAID) e outras agências americanas que fornecem apoio direto a comunidades prejudicadas pelas alterações climáticas e atacou programas que abordam as alterações climáticas.

O que é o Acordo de Paris e por que é importante?
A 12 de dezembro de 2015, os países adotaram o quadro mais ambicioso do mundo para combater as alterações climáticas durante a Conferência das Nações Unidas sobre Alterações Climáticas em Paris (COP21). No âmbito do Acordo de Paris, os governos concordaram, pela primeira vez, em tentar limitar o aquecimento global a 1,5 °C acima dos níveis pré-industriais para evitar os efeitos mais catastróficos das alterações climáticas. O acordo exige que todos os Estados estabeleçam metas atualizadas regularmente para reduzir as emissões de gases de efeito estufa, tanto a longo como a curto prazo, e partilhem os seus planos para as alcançar.

Qual será o impacto para perdas e danos?
Os EUA também se retiraram do conselho do Fundo das Nações Unidas para Responder a Perdas e Danos (FRLD). Criado após difíceis negociações na COP27 em 2022, o Fundo dedica-se a ajudar nações e comunidades de baixos rendimentos e vulneráveis às mudanças climáticas a recuperarem de desastres “não naturais” relacionados com as alterações climáticas. A 19 de novembro de 2025, um total de cerca de 684 milhões de euros tinha sido prometido ao FRLD, incluindo 14,5 milhões dos EUA. No entanto, não está claro se agora essa promessa modesta será sequer honrada.

A reunião do conselho do FRLD em julho de 2026 deverá concentrar-se na finalização da operacionalização do fundo. Cabe a todos os países que podem, especialmente aqueles mais responsáveis pelas alterações climáticas, dar um passo à frente e garantir que o fundo tenha recursos adequados. Quanto menos os países contribuírem, especialmente os países historicamente com altas emissões, incluindo os EUA, mais custará, a longo prazo, aos países na linha de frente dos danos climáticos lidar com as perdas e prejuízos relacionados com as alterações climáticas.

Qual a posição de Trump sobre as alterações climáticas e como está a incentivar a desinformação sobre a ciência climática?
Trump apelidou as alterações climáticas de “fraude” quando discursou na Assembleia Geral da ONU em 2025. Também chamou as políticas de energia sustentável de “a maior farsa da história” no Fórum Económico Mundial em Davos, em 2026.

Um novo relatório do Departamento de Energia dos EUA afirma que as projeções do aquecimento global futuro são exageradas. Isso faz parte de um esforço da campanha de desinformação do governo Trump para produzir uma narrativa falsa contrária à ciência climática global e ao consenso, e usar essa ciência sem fundamento como justificativa para revogar a regulamentação climática.

Os EUA também cancelaram um relatório histórico sobre as alterações climáticas – a sexta Avaliação Nacional do Clima – e retiraram inúmeras páginas sobre ciência climática de sites oficiais. A eliminação destes e de outros programas e instituições de ciência climática significa que há menos informações fiáveis disponíveis ao público e torna mais difícil aos cientistas de todo o mundo verificar informações enganosas sobre as alterações climáticas.

Como os EUA usaram táticas de intimidação para minar a cooperação global sobre o clima e o meio ambiente?
Mais de 430 milhões de toneladas de plástico são produzidas todos os anos, a maior parte feita a partir de combustíveis fósseis. Esse plástico rapidamente se transforma em resíduos que entopem aterros sanitários ou acabam nos oceanos. No entanto, as negociações para um histórico Tratado Global sobre Plásticos não chegaram a um consenso no ano passado, pois os EUA, juntamente com outros países produtores de combustíveis fósseis, deixaram claro que se opunham a cortes na produção de plástico.

A administração Trump também conseguiu arquivar uma taxa global sobre as emissões de carbono do transporte marítimo, que estava quase finalizada, ameaçando diplomatas envolvidos nas negociações e usando ameaças sobre o aumento das tarifas de importação para pressionar as nações.

Noutros fóruns, a pressão do lobby dos EUA prejudicou muito a diretiva de due diligence de sustentabilidade corporativa (CSDDD) da União Europeia, que exige que as empresas resolvam questões de direitos humanos e ambientais nas suas cadeias de abastecimento. Os EUA também procuraram ativamente alianças com partidos políticos na Europa que são contra a ação climática.

A compra do chamado gás “natural” produzido nos EUA tem sido usada como moeda de troca nas negociações tarifárias. Por outro lado, os bancos americanos retiraram-se das alianças de ação climática.

Qual tem sido o impacto das políticas anticlimáticas de Trump a nível interno?
A administração Trump desmantelou os esforços domésticos de ação climática e envolveu-se numa reversão sem precedentes das regulamentações que protegem as pessoas nos EUA da poluição por combustíveis fósseis e das alterações climáticas.

Destruiu agências governamentais que prestam assistência de emergência às pessoas afetadas por eventos climáticos extremos, que se tornaram mais prováveis e intensos devido às alterações climáticas; cortou o financiamento de programas de diversidade e clima em agências governamentais e universidades dos EUA, o que originou demissões em massa, congelamento de subsídios e ataques; aumentou os subsídios financiados pelos contribuintes à indústria de combustíveis fósseis; e ameaçou — em alguns casos com sucesso — os estados dos EUA com planos para reduzir as emissões de carbono para acabar com essas políticas.

A abordagem “perfura, baby, perfura” de Trump aumentou a produção de petróleo e gás e acelerou a mineração em águas profundas.

Desde que Trump voltou ao cargo, o governo dos EUA reduziu a disponibilidade e a recolha de dados sobre poluição atmosférica, clima e uma série de outros dados ambientais e climáticos que são usados nos EUA e em todo o mundo. A administração Trump também ameaçou diretamente a liberdade académica e o direito de acesso à informação, incluindo sobre as alterações climáticas, como parte de um padrão consistente com práticas autoritárias crescentes.

Os EUA também aumentaram as suas atividades militares, particularmente na América Latina e no Médio Oriente, que têm uma pegada de carbono pesada, sem mencionar os danos ultrajantes causados aos direitos humanos. No caso da Venezuela, o presidente Trump citou a indústria de combustíveis fósseis como parte da sua decisão de tomar medidas ilegais para destituir Nicolás Maduro.

Como a repressão de Trump ao espaço cívico prejudicou o ativismo climático?
O governo dos EUA reprimiu protestos e dissidências, incluindo a limitação da capacidade dos ativistas climáticos de exercerem os seus direitos à liberdade de expressão, associação e reunião pacífica através de intimidação, demonização e ameaças de mudanças nas leis.

O Departamento de Energia terá adicionado “alterações climáticas”, “verde” e “descarbonização” à sua crescente “lista de palavras a evitar”.[Guardian]

Os ativistas climáticos têm sido descritos como “ecoterroristas”, entre outros ataques públicos por parte das autoridades. Isso encorajou as empresas de combustíveis fósseis e outros intervenientes anti ação climática e levou a uma crescente ameaça de litígios judiciais contra ativistas climáticos.

A administração Trump também demonizou populações marginalizadas, usando retórica racial de formas que corroem o apoio público a serviços públicos essenciais — incluindo aqueles críticos para ajudar os americanos a prepararem-se e resistirem aos impactos das alterações climáticas.

O que deve ser feito?
As alterações climáticas transcendem fronteiras e afetam todas as pessoas, em todos os locais. Muitas vezes, são os menos responsáveis que são mais afetados. A cooperação global é essencial para eliminar gradualmente os combustíveis fósseis de forma equitativa, apoiar uma transição justa para os trabalhadores afetados, proteger as comunidades vulneráveis e financiar a recuperação de perdas e danos. Uma abordagem fragmentada aprofundará os danos climáticos, como o aumento do nível do mar, a escassez de alimentos, incêndios florestais, tempestades e inundações extremas e a falta de acesso a água potável.

As pessoas e os governos em todo o mundo devem resistir a todos os esforços coercivos da administração Trump. Ceder terreno agora coloca em risco o nosso futuro coletivo. A humanidade deve vencer.

domingo, 21 de abril de 2024

Mirtilos e morangos voltam à lista negra de alimentos com pesticidas


Estudos nos EUA associam pesticidas a nascimentos prematuros, malformações congénitas, aborto espontâneo e um aumento dos danos genéticos nos seres humanos. A exposição a pesticidas também tem sido associada a concentrações mais baixas de esperma, doenças cardíacas, cancro e outras perturbações

Aproximadamente 95% dos morangos não biológicos, folhas verdes como espinafres e couve, couve-galega e folhas de mostarda, uvas, pêssegos e peras testados pelo governo dos Estados Unidos continham níveis detetáveis de pesticidas, de acordo com o 2024 Shopper's Guide to Pesticides in Produce.

Nectarinas, maçãs, pimentos e pimentas, cerejas, mirtilos e feijão verde completaram a lista das 12 amostras de produtos mais contaminados. É apelidada de "Dirty Dozen" (“Dúzia Suja”, na tradução) pelo Environmental Working Group, ou EWG, uma organização de defesa do ambiente e da saúde que produz o relatório anual desde 2004.

Os pesticidas foram associados em estudos a nascimentos prematuros, malformações congénitas como defeitos do tubo neural, abortos espontâneos e um aumento dos danos genéticos nos seres humanos. A exposição a pesticidas também tem sido associada a concentrações mais baixas de esperma, doenças cardíacas, cancro e outras perturbações.

Os trabalhadores agrícolas que utilizam ou estão expostos a pesticidas estão em maior risco, de acordo com estudos. Uma meta-análise de 2022 revelou que os trabalhadores expostos a pesticidas eram quase cinco vezes mais prováveis de sofrer danos no ADN, enquanto um estudo de fevereiro descobriu que as crianças expostas numa idade precoce apresentavam um pior desenvolvimento neurológico desde a infância até à adolescência.

Nem tudo são más notícias. Os abacates, o milho doce, o ananás, as cebolas e as papaias lideram a lista dos “Clean Fifteen” (“Quinze Limpos”, na tradução) de produtos cultivados convencionalmente com a menor quantidade de vestígios de pesticidas - cerca de 65% dos frutos e legumes desse grupo não tinham resíduos de pesticidas detetáveis, de acordo com o relatório divulgado na quarta-feira, dia 20 de março.

A completar os "Quinze Limpos" estavam as ervilhas doces congeladas, espargos, meloas, kiwis, repolhos, melancias, cogumelos, mangas, batatas doces e cenouras.

Lavados, descascados e esfregados
Todos os anos, uma lista rotativa de produtos nacionais e importados é testada pelo Departamento de Agricultura dos EUA (USDA, na sigla original) e pela Food and Drug Administration dos EUA (FDA, na sigla original). Os funcionários do Programa de Dados sobre Pesticidas do USDA lavam, descascam e esfregam os frutos e legumes como os consumidores fariam, enquanto os trabalhadores da FDA apenas limpam a sujidade dos produtos. Depois, as frutas e os legumes são testados para mais de 250 pesticidas diferentes e os resultados são publicados online.

Para 2024, os investigadores do EWG examinaram os dados de 47.510 amostras de 46 frutas e legumes não biológicos, sendo a maioria dos testes realizados pelo USDA. Uma análise desses dados encontrou vestígios de 254 pesticidas em todas as frutas e legumes analisados, com 209 desses produtos químicos em produtos da lista "Dúzia Suja".

"Descobrimos que o que acaba numa lista ou na outra reflete a forma como essas frutas e legumes são cultivados", disse Alexis Temkin, toxicologista sénior do EWG. "Os abacates, por exemplo, não são intensivos em pesticidas, enquanto que os morangos crescem muito perto do solo e têm muitas pragas".

O relatório é injusto para os agricultores, dizem os críticos
Cerca de 70% dos produtos não biológicos testados pelo USDA e pela FDA têm níveis de pesticidas dentro dos limites legais permitidos pela Agência de Proteção Ambiental dos EUA, de acordo com o relatório do EWG. Este facto torna o relatório enganador, afirmou Carl Winter, professor emérito de extensão cooperativa na Universidade da Califórnia, em Davis.

"A dose faz o veneno, não a sua presença ou a sua ausência e essa dose determina o potencial de dano. Em muitos casos, teríamos de ser expostos a um milhão de vezes mais do que aquilo a que estamos expostos para vermos quaisquer efeitos", disse Winter, falando em nome da Alliance on Food and Farming, que representa os agricultores biológicos e convencionais.

No entanto, "níveis legais não significam níveis seguros", afirmou Temkin em resposta. Ela apontou para momentos em que os reguladores permitiram que produtos químicos potencialmente perigosos, como o pesticida DCPA, permanecessem no mercado muito depois de a pesquisa científica ter levantado preocupações. O herbicida foi associado a preocupações com a tiroide durante anos antes de a EPA dizer ao público que o produto químico representava "riscos significativos para a saúde humana" em 2023.

Outro exemplo: o clorpirifos, um pesticida associado a danos cerebrais em crianças e fetos. A Academia Americana de Pediatria juntou-se ao EWG em 2017, protestando contra a aprovação contínua do produto químico pela EPA.

Para além disso, os pesticidas proibidos pelo governo continuam a aparecer nas culturas vendidas nos EUA, de acordo com o relatório do EWG.

"O feijão verde, por exemplo, continua a apresentar vestígios de acefato, um pesticida tóxico cuja utilização no feijão verde foi proibida pela EPA há mais de 10 anos", afirmou Temkin. “Muitos dos pesticidas que constam da lista "Dúzia Suja" foram também proibidos na União Europeia devido aos seus efeitos nocivos para a saúde humana".

Outra preocupação dos críticos é o facto de a lista "Dúzia Suja" ser um insulto para os agricultores de várias gerações que lutam para produzir alimentos para a nação e dar esses mesmos produtos aos seus próprios filhos, disse Steve Clement, diretor executivo da Pacific Northwest Tree Fruit.

“Quando este relatório é publicado, é como se nos esfaqueassem um pouco, porque estamos a trabalhar arduamente para produzir um produto saudável e a implicação da lista 'Dúzia Suja' é que não é saudável", afirmou Clement. "É como fazer algo de bom por alguém e depois essa pessoa virar-se para nós e chamar-nos uma espécie de monstro".

O relatório pode assustar as pessoas para não comerem os frutos e legumes de que necessitam, disse Neil Nagata, cuja família cultiva morangos orgânicos e convencionais em Oceanside, Califórnia, há décadas.

"Sempre que sai um relatório ou há um susto com os morangos importados, vemos as nossas vendas a cair", disse Nagata. "Não é que estejamos a fazer algo de errado ou incorreto, estamos na verdade a produzir alimentos muito saudáveis e seguros. De facto, vivemos no campo de morangos e o meu pai tem 100 anos e a minha mãe 97 e ainda comem morangos."

É importante que as pessoas comam muitas frutas e legumes, mesmo que sejam cultivados convencionalmente, disse Temkin do EWG.

"Enfatizamos sempre isso", disse ela. "Queremos permitir que os consumidores que desejam evitar o maior número possível de pesticidas optem por versões orgânicas da 'Dúzia Suja', onde os níveis de pesticidas serão mais baixos e, em seguida, se desejarem, escolher produtos cultivados convencionalmente mais baratos dos 'Quinze Limpos'".

Os produtos biológicos não são mais nutritivos, mas estudos revelaram que os níveis de pesticidas na urina de adultos e crianças podem baixar até 95% após a mudança para uma dieta biológica.

Os níveis de fungicida eram elevados
Pela primeira vez, os analistas do EWG analisaram os níveis comunicados de fungicidas, uma forma de pesticida utilizada para matar doenças fúngicas como o oídio.

“Quatro em cada cinco dos pesticidas mais frequentemente encontrados na lista 'Dúzia Suja' eram fungicidas e também foram encontrados em concentrações particularmente elevadas", disse Temkin.

Dois fungicidas - fludioxonil e pirimetanil - registaram uma maior concentração do que qualquer outro pesticida na lista dos "Dúzia Suja", de acordo com o relatório. O fludioxonil foi encontrado em 90% dos pêssegos e em quase 30% de todas as amostras da "Dúzia Suja", segundo o estudo. O pirimetanil foi descoberto em 65% das amostras de pêra, 30% das de maçã, 27% das de uva, 26% das de morango e 24% das de nectarina.

"Os fungicidas são frequentemente aplicados após a colheita para manter os produtos sem bolor a caminho do mercado. É provavelmente por isso que as concentrações eram tão elevadas em algumas amostras - mais altas do que outros pesticidas usados no início da estação de crescimento", disse Temkin. "A aplicação do fungicida também está mais próxima da altura em que os produtos são colocados nas prateleiras das lojas e os consumidores os consomem."

sábado, 12 de agosto de 2023

These animal interactions are risks for future pandemics


The analysis calls for tightening existing regulations and implementing new ones in order to prevent zoonotic-driven outbreaks.

The report is the first to comprehensively map networks of animal commerce that fuel zoonotic disease risk in the US. It analyzes 36 different animal industries, including fur-farming, the exotic pet trade, hunting and trapping, industrial animal agriculture, backyard chicken production, roadside zoos, and more, to assess the risks each poses of generating a large-scale disease outbreak.

The report states, far from being a problem that only exists elsewhere, many high-risk interactions between humans and animals that happen routinely and customarily inside the US could spark future pandemics. All of the animal industries the report examines are far less regulated than they should be and far less than the public believes they currently are. Today, wide regulatory gaps exist through which pathogens can spillover and spread, leaving the public constantly vulnerable to zoonotic disease.

“COVID has infected more than 100 million Americans and killed over a million of them. But the next pandemic may be far worse and might happen sooner than we think. The stakes are simply too high for the problem to be ignored,” says Ann Linder, one of the report’s lead authors and a research fellow with the Brooks McCormick Jr. Animal Law and Policy Program at Harvard Law School.

The immense and increasing scale of animal use in the United States makes the country uniquely vulnerable to zoonotic outbreaks. For example, the US is the largest importer of live wildlife in the world, importing more than 220 million wild animals a year, many without any health checks or disease testing.

The US also produces more livestock than almost any other nation. In 2022, the US processed more than 10 billion livestock, the largest number ever recorded. Yet, the USDA does not regulate on-farm production of livestock. At slaughterhouses inspections are cursory, with each inspector tasked with examining more than 600 animals per hour for signs of disease.

The US is one of the world’s largest producers of pigs and poultry, two important carriers of influenza viruses—viruses that scientists believe are most likely to produce a large-scale human pandemic.The largest avian influenza outbreak in US history is currently ongoing and has left 58 million poultry dead since it began in 2022. The virus has spread to several species of mammals in the US and has infected a man in Colorado. Even a slight shift in the viruses’ composition could allow it to move rapidly through human populations.

The US also has recorded more “swine flu” infections than any other country since 2011. Most of these infections occurred in children exhibiting pigs at state and county fairs, which attract 150 million visitors each year and have given rise to multistate outbreaks of influenza. Despite this, animal fairs remain largely unregulated.

In addition, the people most vulnerable to zoonotic disease in the US are those who work hands-on with farmed animals. Such jobs tend to be disproportionately staffed by people of color and those in rural communities who may be the least likely and the least able to report disease or seek medical care.

Studies estimate that swine workers have a 30 times greater risk of zoonotic influenza infection than the general public, but these viruses have the potential to spread far beyond livestock workers. The CDC estimates the 2009 “swine flu” hospitalized over 900,000 Americans.

Live animal markets in the US (elsewhere called “wet markets“), where animals are stored alive and slaughtered onsite for customers, also pose serious disease risks. New York City alone is home to at least 84 live animal markets.A detailed study of pigs in two live animal food markets in Minneapolis found high rates of influenza viruses not only in and on the animals but also in the air and on surfaces throughout the market.

A shocking 65% of workers at the market tested positive for influenza during the 12-week study, as did a 12-year-old customer who became sick after touching the railings of a pig pen and one of the animals.

Wildlife also poses significant risk. Hundreds of millions of live wild animals are imported into the US each year, many without ever being looked at by anyone. Only scant and incomplete information exists about these animals, where they are originating, and where they go after they arrive. For example:The $15 billion US exotic pet trade brings high-risk species of wildlife into American homes, initiating close human-animal interactions that serve as potential flashpoints for spillover of zoonotic disease—with roughly 14% of American households owning one or more exotic animal from among hundreds of species that range from monkeys to monitor lizards.

Animals carrying zoonotic disease are sold through legal channels such as pet stores without health checks or veterinary oversight, as well as through the black market.
Some exotic animal dealers keep more than 25,000 wild animals together at a single facility, often in poor conditions that facilitate disease spread, before they are shipped off to customers across the country.

During a major mpox outbreak, which originated in one of these facilities after it received a shipment of exotic animals from overseas, CDC agents were not able to track down a large number of infected prairie dogs that had been sold through pet stores and swap meets.

Even lesser-known animal industries in the US pose serious risks to human health. Crocodile farms have facilitated the spread of West Nile Virus to humans and mink in fur farms have transmitted COVID-19 to humans.

Still, many industries that generate risk are loosely regulated or not regulated at all. Policy change is often reactive, the report explains, happening only after outbreaks occur. Rarely, it says, do agencies take proactive steps to address zoonotic risk, even when they are aware of the danger to the public. For many industries, the government lacks even basic data and has no system to screen animals for disease or to identify zoonotic threats proactively. In some industries, government action actually drives zoonotic risk and increases human exposure to pathogens.

“While zoonotic risks cannot be eliminated, they can be managed and reduced in ways that make all of us safer. But we need to look them in the eye. The risks that these markets present have been ignored or downplayed for far too long,” says Dale Jamieson, director of New York University’s Center for Environmental and Animal Protection.

This US report is being released ahead of a larger global policy report overseen by the same researchers from Harvard Law School’s Brooks McCormick Jr. Animal Law & Policy Program and New York University’s Center for Environmental and Animal Protection. The full report, which will be released later this year, examines global policy responses to live animal markets in 15 countries and the role these markets play in zoonotic disease transmission. The project aims to provide a comprehensive assessment that will assist global policymakers and increase public awareness of the dangers posed by zoonotic diseases.

Source: NYU

quarta-feira, 2 de agosto de 2023

Monções beneficiam as culturas de Kharif na Índia


A Índia e outras áreas do sul da Ásia estão vivenciando chuvas generalizadas de monções que beneficiam a maioria das culturas de kharif, conforme análise divulgada pelo USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) em seu boletim semanal. No entanto, em partes mais secas do leste do país, ainda é necessário um maior volume de precipitação.

As chuvas de monções prevaleceram em grande parte da região, incluindo seções anteriormente secas do leste da Índia e Bangladesh. Apesar de algumas áreas de cultivo de arroz no leste terem recebido mais de 100 mm de chuva, ainda há bolsões de clima mais seco, e mais precipitação é necessária para aliviar os déficits de humidade sendo experienciados - com a chuva chegando a ser 60% abaixo do normal.

Em contraste, a maioria das outras áreas de cultivo da Índia beneficiou-se de chuvas consistentes, com a maioria das regiões registando de 25 a 100 mm ou mais no período atual. No entanto, em Telangana, áreas de cultivo de algodão provavelmente enfrentaram inundações com mais de 200 mm de chuva.

Essa chuva, embora necessária para o crescimento das culturas, pode se tornar prejudicial se ocorrer em excesso, como em Telangana, onde há um risco de inundações nas áreas de cultivo de algodão.

A monção é vital para a agricultura na Índia e em outras partes da Ásia do Sul, pois a maior parte das chuvas anuais na região ocorre durante a estação das monções. A agricultura da Índia depende muito das chuvas da monção para o cultivo de kharif, que inclui culturas como milho, algodão, soja e arroz

sexta-feira, 8 de outubro de 2021

Biliões de abelhas, borboletas e escaravelhos estão a morrer

Caros amigos e amigas por toda a UE,

O apocalipse dos insetos continua a desenrolar-se -- silenciosamente, bilhões de abelhas, borboletas e outras criaturas extraordinariamente pequenas estão a morrer, e as consequências podem em breve ser catastróficas para as nossas culturas e ecossistemas frágeis em todo o mundo.

Os pesticidas agrícolas estão entre os principais culpados. Mas agora a União Europeia está a considerar uma proposta para reduzir o uso de pesticidas até 2030, o que poderia então abrir caminho para uma eliminação total em toda a Europa dentro de 15 anos.

Mas primeiro temos de impedir que o grupo de químicas e sua poderosa pressão destrua o plano. É por isso que nos estamos a juntar a uma incrível coligação de grupos ambientalistas, agricultores, apicultores e cientistas para trazer as vozes de 1 milhão de cidadãos necessárias para assegurar que as instituições da UE, respondam às nossas exigências.

Já funcionou antes -- os membros da Avaaz utilizaram esta ferramenta para ajudar a colocar questões importantes desde o glifosato aos OGMs (Organismos Geneticamente Modificados) na agenda da Comissão Europeia e do Parlamento. Vamos fazê-lo novamente, e ajudar a salvar as nossas abelhas e preciosos polinizadores, de pesticidas mortíferos, e transformar o futuro da agricultura. Só nos restam 5 dias para chegar ao milhão. Acrescente o seu nome agora e partilhe com todos -- todas as assinaturas contam.


Estudos recentes sugerem que mais de 40% das espécies de insetos estão em declínio, um terço estão em perigo de extinção -- e em geral têm uma taxa de extinção oito vezes mais rápida que a dos mamíferos, aves e répteis! Este número inclui abelhas, borboletas e besouros e outros lindos polinizadores que sustentam uma parte importante de nossa cadeia de alimentação e delicados ecossistemas.

A proteção dos habitats da vida selvagem continua a ser uma parte crucial da luta para parar o colapso das nossas populações de insetos, mas é igualmente importante enfrentar a inundação de pesticidas que vai para os nossos campos, parques e parques infantis -- 2,5 milhões de toneladas por ano! Há provas crescentes de que os produtos químicos agrícolas não só causam poluição da água e do solo, como também são mortais para as abelhas e outros polinizadores.

Três anos após a Avaaz ter ajudado a vencer a proibição dos neonicotinoides que matam abelhas, estes venenos perigosos continuam a ser permitidos nos nossos campos através de autorizações de emergência controversas.

Mas agora temos uma enorme oportunidade de impulsionar um novo modelo agrícola sem pesticidas que permite à natureza e aos agricultores prosperar em harmonia. Os principais legisladores estão prontos para enfrentar as grandes empresas de pesticidas, e lutam pelo acordo mais ambicioso da história para transformar os nossos sistemas alimentares e agrícolas, mas precisam de todo o nosso apoio.

Se ganharmos, estaremos um passo mais perto de salvar as nossas abelhas e polinizadores da extinção, enquanto ajudamos os pequenos agricultores sustentáveis a florescer. Junte-se agora, e partilhe com todos. Mais de 800 mil cidadãos da UE já assinaram -- vamos ajudar a alcançar 1 milhão e forçar a UE a agir ao nosso apelo.

Os membros da Avaaz preocupam-se profundamente com as abelhas e a biodiversidade. Mais de 2 milhões de nós apelam aos líderes mundiais para que protejam metade do nosso planeta e parem a crise de extinção, e com mais de 5 milhões de assinaturas, o nosso apelo para salvar as abelhas, é um dos maiores da história da Avaaz. Mas só venceremos estas campanhas se transformarmos a forma como produzimos alimentos. Esta é a nossa oportunidade de garantir que a UE avança firmemente para um futuro sem pesticidas.

Com esperança e determinação,

Anneke, Luis, Antonia, Aloys, Adela, Elisabete e toda a equipa da Avaaz

Mais informações:
  1. Aumento de 50 vezes no uso de agrotóxicos pode levar a apocalipse de insetos (National Geographic)
  2. ONU quer um “Acordo de Paris” para reverter perda de biodiversidade (Climainfo)
  3. Por que o Brasil deveria se importar com a morte de abelhas (DW)
  4. Plummeting insect numbers 'threaten collapse of nature'
  5. Insect decline will cause serious ecological harm
  6. Politicians are complicit in the killing of our insects – we will be next
  7. Buy organic food to help curb global insect collapse, say scientists

domingo, 9 de maio de 2021

Food Scientists Debunk A Wasteful Myth About Expiration Dates


HIDDEN ON THE EDGE of lids or on the underbelly of containers, the ‘best by’ or ‘sell by’ dates of grocery store food can be a mysterious — and menacing — source of tension in a home kitchen.

Like a ticking time bomb, these labels promise us that destruction (or at least spoiled food) awaits us just around the corner. However, a peek under the hood of these labels reveals that they have much more to do with how food looks and tastes than whether or not it's actually spoiled.

Londa Nwadike, an associate professor of food safety for both Kansas State University and the University of Missouri, and Elisabeth Anderson, director of science communications for Michigan State University’s Center for Research on Ingredient Safety, help Inverse explore the unregulated wild west of food labels and explain how to know if your food has actually gone bad.

WHAT DO ‘BEST BY’ DATES REALLY MEAN?

When sauntering through the grocery aisles you’ve probably noticed a wide variety of food labels stamped onto your food including an item’s “best by,” “sell by,” or even “freeze by” date.

These labels might seem opaque to many consumers but Anderson tells Inverse they actually have very specific meanings to the manufacturers creating them — and almost none of those meanings are actually related to spoiled food.

You may want to instinctually toss your milk or cheese after it has passed its “best by” date, but that label actually has nothing to do with food expiration.Shutterstock

“Currently, there’s no industry standard for best by, sell by, or use by dates,” Anderson explains.

“Generally speaking, these dates refer to when the manufacturer believes the products will be at peak flavor, freshness, and quality.”

Anderson says that labels including “best if used by/before,” “use by,” “sell by,” “freeze by,” and “guaranteed fresh” are all quality deadlines (as in, when food might taste or look its best) and not true expiration dates that would denote spoilage or dangerous food.

The only exceptions to this rule are labels like “expiration” or “EXP” which are found on infant formula and do refer specifically to product expiration. “Use by” can have a similar meaning when found in infant formula as well.

“IT’S BETTER TO BE SAFE THAN SORRY.”

Nwadike tells Inverse baby formula is one of the only food groups to receive this kind of scrutiny and regulation when it comes to expiration dates because the nutritional content of the formula may change over time, making it less useful to feed to a baby.

“If it's consumed after that date, then your infant's probably not getting the nutrition that they need,” Nwadike says.

She also adds that labels like “sell by” may also be used internally at grocery stores to make sure there’s a constant flow of stock in and out of the store.

WHO CREATES ‘BEST BY’ DATES?

A huge part of why these labels can be so confusing to consumers is because there’s no standardization put in place by the FDA or USDA to regulate these labels, Anderson explains. In fact, it’s up to the manufacturers themselves to decide what gets labeled as “use by” or “best if before” and what that actually means.

This doesn’t necessarily mean the companies are behaving nefariously (though, it can’t be ruled out across the board either) but instead often comes down to an issue of failed science communication between food scientists and the public, Anderson says.

“To a trained food scientist, they may choose the ‘use by’ date for very specific reasons, based on a whole bunch of research that they very specifically know — but nobody else knows that,” says Anderson. Scientists are not “intending to cause confusion, it’s more so just the way that they were trained.”

But just because these labels aren’t created necessarily with food spoilage in mind doesn’t mean that there’s no rigorous testing and food science happening behind the scenes to create them, explains Nwadike. For example, manufacturers will do pathogen testing, taste testing through a product's lifetime, and even calculation-based simulations to determine when these foods will be at their prime.

Foods like milk will give off strong clues about when it’s finally time to discard them, including changing taste, odor, and texture.Shutterstock

HOW LONG CAN YOU EAT FOOD PAST ITS EXPIRATION DATE?

Because these food labels really have nothing to do with food’s true expiration date, both Anderson and Nwadike say that it can be safe to eat food even after this date — with a small dose of caution.

Anderson says there are some clues you can use to determine if your food has gone bad. These revolve around looking for changes in:
Color
Texture
Consistency
Odor
Taste

While it may seem worth it to risk consuming an extra-funky piece of cheese or chugging through a sour glass of milk, Nwadike says it can be impossible to know when a foods’ off-taste is simply from bad odor excreting “spoilage” microorganisms or a more dangerous pathogen like salmonella or E. coli. Consuming these pathogens could cause you some GI distress (e.g. vomiting, diarrhea) and even land you in the hospital if you’re not lucky.

“We always say ‘when in doubt, throw it out,’” says Nwadike. “It’s better to be safe than sorry.”

Anderson also recommends using the food safety app FoodKeeper to help guide you when making the final decision to eat, toss, or even freeze your food. Another hack: Nwadike says that adding just off milk to a warm dish, like pudding, can be a way to safely consume it up until its final days because heat will often kill off any pathogens that may have sprung up.

HOW ‘BEST BY’ DATES INFLUENCE FOOD WASTE

More than being just a headache for consumers, the confusion around food expiration dates is also a major source of food waste in the U.S. The FDA estimates like about 20 percent of food waste can be attributed to confusion over food labels and consumers tossing “expired” food that is actually still good to consume.

This creates a harmful food production cycle where resources are used and emissions are created to make food that is never consumed. Not only is this bad for the planet but it’s also a harmful cycle that impacts those experiencing food insecurity as well.

Throwing out your month-old cereal “just in case” may seem like a small action, but this food label confusion has led to a massive food waste problem.Shutterstock

“The waste problem has spurred action from industry, government, and non-governmental organizations to work together to try and tackle the confusing labels,” Anderson says. “They are working to streamline language and eventually marketing efforts to raise consumer awareness on how to understand and use date label information. However, it’s a voluntary and ongoing process.”

It’s also a process that has been put on the backburner during Covid-19, she adds.

In lieu of sweeping standardization of these food labels, Anderson and Nwadike say it’s important to get the message out to consumers — through media like cooking shows or through community education efforts. In addition to helping consumers parse the label language itself, these programs could also help consumers understand how conditions in their own home (like fridge temperature or counter cleanliness) can impact the shelf life of their products too.

Shifting the public consciousness on this topic is easier said than done, but it could help reduce a huge source of waste in the country.

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2021

Associações entre substâncias PFAS e três índices morfométricos em peixes


Este estudo é mais um do nosso Hauser-Davis Research Group que indica que parâmetros morfométricos piscinos muito simples e fáceis de serem obtidos podem ser de vital importância na avaliação de contaminação ambiental!   

Em parceria com A Dra. Natalia Quinete (Florida International University, EUA), a Dra. Isabella Bordon (USP, Brasil) e o reconhecidíssimo pesquisador Dr. Kurunthachalam Kannan (Wadsworth Center, EUA), avaliamos associações entre substâncias perfluoroalquiladas (perfluoroalkyl substance, PFAS, que contém flúor em sua estrutura) e três índices morfométricos em peixes: o fator de condição de Fulton (FCF), o índice hepatossomático (HSI) e o coeficiente de escala de peso para comprimento (SC).   

Os PFAS estão presentes em embalagens de alimentos, no revestimento anti-aderente de panelas, em espumas de extintores de incêndio, em roupas e em carpetes, dentre muitos outros, e são tóxicos, apresentando efeitos citotóxicos e genotóxicos em estudos com diferentes organismos, afetando taxas de desenvolvimento, crescimento e reprodução, dentre outros.  

Três espécies de peixes de áreas contaminadas no estado do Rio de Janeiro, a Baía de Guanabara (GB), Rio Paraíba do Sul (PS) e a Lagoa Rodrigo de Freitas (RFL) foram amostradas: Peixes-espada (Lepidopus caudatus) e corvinas (Micropogonias furnieri) do PS e na da GB, e tainhas (Mugil liza) da GB e RFL.   

O FCF em tainhas e corvinas e o HSI em corvinas se mostraram diretamente afetados pela presença de PFAS, enquanto o SC variou entre os locais de estudo e não seguiu uma tendência fixa. Maiores contribuições para o FCF foram observadas com relação a PFDA e PFOA, dois tipos de PFAS, provavelmente devido ao acúmulo diferencial de PFAS refletindo diferenças entre níveis tróficos.  
   
Os PFAS, no entanto, compreendem diversos compostos, e cada um pode contribuir de forma diferente para efeitos fisiológicos deletérios. Assim, mais estudos devem ser realizados para melhor compreender os potenciais efeitos deletérios desses compostos sobre o estado de saúde populacional de peixes de áreas contaminadas. 

segunda-feira, 12 de dezembro de 2016

EUA Favorece a Monsanto e Suspende Análises de Contaminação de Glifosato em Alimentos

O governo dos EUA decidiu suspender os testes de glifosato em alimentos, em busca de efeitos prejudiciais para a saúde, atrasando assim a iniciativa da Food and Drug Administration (FDA) que havia decidido inicialmente medir a contaminação do polêmico herbicida.
Segundo Carey Gillan do site EcoWatch, a FDA escolheu no começo deste ano uma equipe especial para buscar resíduos do agroquímico em alimentos de consumo humano, logo que a autoridade fiscalizadora criticou o Government Accountability Office (GAO) por não incluir o glifosato nos programas anuais de testes de risco que contemplam outros pesticidas menos usados.

O glifosato é um dos herbicidas mais utilizados no mundo e é o principal ingrediente do produto Roundup, elaborado pela empresa Monsanto. Seu uso começou a ser questionado com maior ímpeto no ano passado, quando a Organização Mundial de Saúde (OMS), através de seus especialistas, declarou que ele poderia causar câncer em humanos.

Dentro da FDA, o exame de glifosato criou “confusão, desentendimentos e dificuldades, na determinação de uma metodologia padrão para o uso de laboratórios americanos”, indicaram as fontes da agência.

A porta-voz da FDA, Megan McSevene, confirmou a suspensão dos testes e disse não estar segura de quando serão retomados.

“Enquanto o teste de glifosato se expande para vários locais, atualmente trabalhamos para garantir que os métodos sejam validados para seu uso nestes laboratórios. Assim que a validação esteja completa, os testes de glifosato serão retomados“, afirmou. Atualmente não podemos especular sobre quanto tempo irá demorar”.

Juntamente ao componente do Roundup da Monsanto, a FDA tem buscado resíduos de 2,4 D e outros “herbicidas ácidos” em produtos alimentícios, segundo documentos da agência citados por Gillan. No total, foram analisados “1340 amostras de alimentos, 82% nacionais e 18% importados”, tais como cereais, milho, soja, vegetais, leite e ovos, entre outros.

No começo de 2016, um importante especialista da FDA encontrou traços de glifosato no mel de Iowa acima dos limites permitidos pela União Europeia.

A Monsanto insistiu que não há presença de glifosato superior aos níveis normais e que a FDA acabará garantindo a segurança de seu herbicida.

Fonte: Noticias Naturais

domingo, 27 de fevereiro de 2011

Alimentos vs combustível e o preço da gasolina - os lucros só estão dentro de um puzzle INsustentável

Fui aos meus arquivos...(re)lendo isto até me deu arrepios...é ...é mesmo da Business Week (ler embaixo) e...e alto lá DuPont (??), ah é aquela que??? Voltei novamente e cruzei-a com esta notícia CTNBio aprova o milho Herculex, parceria da DuPont com a Dow AgroSciences.

Os biocombustíveis e os transgénicos constituem o maior erro da nossa civilização.  Mas estão dentro ou encaixam-se como peças de um puzzle INsustentável. Explico-me.
Como é possível aceitarmos em produtos de origem orgânica ,digamos que por lei norte-americana poder conter até 5% de OGM? (clica aqui) Já viu? Imagina esse grau de contaminação em produtos ditos regionais portugueses: desde hortícolas a fumeiros?
Aceitaria comer numa pousada ou alojamento turístico ou um simples restaurante nacional uns presuntos "orgânicos" com contaminação transgénica? E como podemos saber? Aceita que genes da vida sejam patenteados?
E os vegetarianos também terão que estar atentos...
E saberão como a produção/ exportação dos EUA tem sobrevivido?
-com biocombustíveis,
- mais subsídios para uma tecnologia agrícola cara e cada vez mais frágil (seja a resistência a pragas, baixa resistência a variações climáticas, agricultura associada a alergias, depois contaminação de outras  culturas, elevados consumos de água, etc)
- e à custa da sobre-exploração dos países não europeus (suicídio de agricultores, exploração até à escravidão das condições de trabalho em países africanos e sul-americanos, substituição da Amazónia por pastagens (e pecuária) e campos de soja OGM e/ou  milho/cana de açúcar para biocombustíveis  por exemplo, para não falar de África, sempre África- ler postagem no BioTerra).
- com apoio ao nuclear (ler aqui postagem no BioTerra)
- controle dos mass media, capazes de colocar rapidamente mensagens de lavagem verde com grande volume de exemplares e em pouco tempo em todo o mundo
Não admira pois que o aumento do preço do crude só beneficie única e exclusivamente as grandes corporações.
E assim temos a catequese do hipermodernismo com "excelentes" notícias do missal hiperliberal (além da Business Week, temos esta por exemplo- Brasil já é o 2º produtor de transgénicos a nível mundial)
"Usufruam da boa vida, que a agrotecnologia trata da vossa saúde e da vossa vida" 

(Na  Europa podemos estar "confiantes" no GMO compass? creio que não...no Brasil é conhecida a corrupção que vai dentro da CTNBIO/EMBRAPA/ISAAA ....nos EUA a corrupção é enorme (FDA/USDA)  e nunca foi noticiado cá já duas perdas enormes de produção transgénica no Midwest..só que...pois é, está subsidiada...Bush filho dispendeu biliões de dólares às empresas biotecnológicas e suas explorações)....

Somos claramente mais autónomos, certo? claramente com mais esperança de vida, certo? mas muito mais frágeis: registam-se quase igual nº de casamentos como divórcios, ou trabalhas precariamente ou estás fora, descredibilizam-se as greves, as manifestações públicas de desagrado, os feminismos, e todos os ismos, não há história, vive hoje...e logo terás um produto qualquer que "alivia" o teu presente....tipo publicidade enganosa como já vi "faz maratona com este I-qualquer coisa (de fonte não renovável, é quase certo)"....
Artigo da Business Week
Excertos:
The spike in the price of corn that's hurting Boerboom and other pork producers isn't caused by any big dip in the overall supply. In the U.S., last year's harvest was 10.5 billion bushels, the third-largest crop ever. But instead of going into the maws of pigs or cattle or people, an increasing slice of that supply is being transformed into fuel for cars. The roughly 5 billion gallons of ethanol made in 2006 by 112 U.S. plants consumed nearly one-fifth of the corn crop. If all the scores of factories under construction or planned go into operation, fuel will gobble up no less than half of the entire corn harvest by 2008.


Corn is caught in a tug-of-war between ethanol plants and food, one of the first signs of a coming agricultural transformation and a global economic shift. Ever since our ancestors in the Fertile Crescent first figured out how to grow grains, crops have been used mainly to feed people and livestock. But now that's changing in response to the high price of oil, the cost in lives and dollars of ensuring a supply of petroleum imports, and limits on climate-warming emissions of fossil fuels. Farms are energy's great green hope. "Economics, national security, and greenhouse gases have created a perfect storm of interest," says John Pierce, vice-president for bio-based technology at DuPont, (DD ) which is making fuel and chemicals from plants.


Indeed, a massive expansion of biofuels is the one policy that has support from Democrats and Republicans and from both ends of Pennsylvania Avenue. In his Jan. 23 State of the Union address, President George W. Bush called for 35 billion gallons of renewable fuels per year within 10 years, enough to replace 15% of gasoline burned in American cars and trucks. Congress is considering measures that would require 60 billion gallons by 2030. And the fervor for greener fuels isn't just a U.S. phenomenon. Europe is requiring that 5.75% of diesel fuel come from plants by 2010, while Japan and others line up contracts to buy biofuels to reduce their greenhouse gas emissions.



quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Leitura da Semana: GE food and animals the year in review

by Lucy Sharratt


Quem é Lucy Sharratt?
Nominated for Best Peoples Defense[Captain Hook]
Nominated by E. Ann Clark (Plant Agriculture, University of Guelph, but I do not represent them) – Monday 06 February 2006

Reasons for this nomination
Subcategory - 'On a Shoestring'
Lucy Sharratt, who has worked for the Polaris Institute, the Quakers, the Council of Canadians and other NGOs, deserves to be recognized and affirmed for her personal and lifelong commitment to biojustice. What distinguishes her from many other deserving candidates is her ability to come up with imaginative approaches to reveal corporate encroachment and government dissembling, and to mobilize others to further expose the risks - and to drive her ideas to completion - always on a slender shoestring budget. She is a model to be emulated.

Supporting info
Map Your Corporate Campus is a particularly novel approach to empowering students to investigate and expose corporate involvement on their own campuses, resulting in a detailed campus map. Remarkably effective and powerful - yet simple and readable.
Genetically Modified Organisms and Precaution: Is the Canadian Government Implementing the Royal Society of Canada's Recommendations? (Oct 2004) by Peter Andree and Lucy Sharratt is a detailed, point by point analysis of what the RSC recommended and how government has responded. Priceless. This needed to be done, but required painstaking and tedious effort to expose the fraud of the Canadian government.

Artigo
Starting with the humble alfalfa seed and ending with a genetically engineered (GE) Atlantic salmon, the controversies in 2010 over genetic engineering multiplied and tumbled over each other, with the year ending in unprecedented uncertainty.
This year, the GE Atlantic salmon and GE “Envriopig” began lurching towards commercialization in both the US and Canada. The fate of these GE animals, and that of the unassuming alfalfa seed, will shape the future of our food system and of democracy.
Alfalfa seeds are tiny and generally keep a low profile, but this year the little perennial seeds were in the limelight during a showdown between Monsanto and organic farmers. It is no exaggeration to say that GE alfalfa threatens the future of the entire North American organic food and farming system because of the diverse and unique role that alfalfa plays in many different types of farming, as well as the inevitability of contamination. In 2010, Monsanto was forced to go to the US Supreme Court to try to get its GE Roundup Ready alfalfa in the ground; the company essentially lost the case and it is still illegal to plant GE alfalfa in the US. The USDA is being forced by the courts to publish an Environmental Impact Statement, but once it is complete plantings could begin. Canadian organic farmers shared their experience of GE contamination of organic canola with the USDA in the hopes of swaying the outcome against Monsanto. Meanwhile, here in Canada, conventional and organic growers continue to lobby the federal government to try to find a way to stop GE alfalfa.
In a parallel case, organic farmers in the US successfully challenged the GE sugarbeet (white sugarbeet for sugar processing). In August, a US court ruled the department had failed to conduct an adequate analysis of the impacts of GE sugarbeets on farmers and the environment. The beets were therefore ruled illegal to plant or sell until the USDA completed a full environmental assessment. However, because this study may not be finished until 2012, Monsanto and the sugar industry have pressured the USDA by proposing plantings next spring. All of Canada’s sugarbeet seeds, grown in Alberta and Southern Ontario, come from the Willamette Valley in Oregon so if GE sugarbeets cannot be planted in the US, there may be no GE sugarbeet seed for Canada.

The year of “We told you so”
In a predictable, though unfortunate, “We told you so” moment (one of too many in 2010), university researchers found transgenes present in 80 percent of the wild canola plants they tested in North Dakota. The canola provides new evidence that GE crop plants can survive and thrive in the wild, possibly for decades. But this is not the first documented escape into the wild. It was recently revealed that the Oregon Department of Agriculture and the USDA refused to alert the public that GE Roundup Ready bentgrass spread from a test plot in Western Idaho to irrigation ditches in Eastern Oregon. The feral GE bentgrass is a warning about the future of GE alfalfa. But, of course, this contamination brings up the particular problem of herbicide tolerance where the feral plants are engineered to survive specific herbicide sprayings. Most GE crops on the market are herbicide tolerant and the majority of these are Roundup Ready, resistant to Monsanto’s brand-name herbicide “Roundup” and its active ingredient glyphosate.
Overuse of Monsanto’s GE Roundup Ready soy, corn, canola and cotton is now showing a predictable result. 2010 was the year of the superweed. Palmer amaranth, or pigweed, is among 10 weed species in 20 US states, and one in Ontario, that have become resistant to glyphosate. The rapid spread of glyphosate resistant pigweed is a major agronomic failure of Monsanto’s Roundup Ready technology and an economic shock to farmers. In the US cotton belt, the pigweed is forcing farmers to revert to more toxic herbicides such as paraquat and they are abandoning their cotton-picking machines in favour of hired labour. This problem has actually triggered a race among chemical companies to develop new GM crops or to use old herbicides to attack the resistant weeds. “The biotech industry is taking us into a more pesticide-dependent agriculture than they’ve always promised and we need to be going in the opposite direction,” said Bill Freese at the Center for Food Safety in Washington.
Monsanto also overreached in 2010 and is now feeling the pinch. In 2009, the US and Canada granted approval for Monsanto’s new eight-trait “SmartStax” corn, a combination of different insect resistant and herbicide tolerant traits with a whopping price hike of up to 42 percent. Monsanto’s stocks fell significantly at the end of this year when results showed farmers were not buying “SmartStax” in levels projected by the company. It was a difficult year for the world’s biggest seed and biotech company as the US Justice Department intensified its antitrust investigation, farmers in Haiti burned Monsanto’s hybrid corn seed donation and Monsanto began giving rebates to farmers so they could buy competitor’s herbicides in order to kill Roundup resistant weeds.
Monsanto is also being investigated in West Virginia for possibly misleading growers who were promised improved yields from Roundup Ready 2 Yield soybean. After converting its chemical business to “seeds and traits,” Monsanto is beginning to show the strain of a technology that has yet to fulfill its early promise and struggling with all of its anticipated troubles.

Farmers first!
This year, for the first time in our 15-year history with genetically engineered crops, farmers had a voice in Parliament and our MPs debated some of the real issues. This debate was thanks to Bill C-474, which would require that “an analysis of potential harm to export markets be conducted before the sale of any new genetically engineered seed is permitted.” This one-line Private Members bill challenged the biotechnology industry to defend its practice of introducing GE crops, even when contamination will ruin the export markets of Canadian farmers. Canadian regulation does not include, or even allow, consideration of the question of economic impact of GE crops and there is no space for farmers to share their knowledge or voice their concerns. In 2001, flax farmers predicted GE flax would ruin their European market and they were proven right in 2009 when GM contamination shut down our flax exports. Despite this clear case, the Liberal and Conservative parties refuse to acknowledge there is a problem, even with the partial solution of Bill C-474 on the table.
Before the Liberals and Conservatives shut down hearings on Bill C-474, the House of Commons Agriculture Committee heard testimony from groups representing conventional and organic alfalfa growers who described how GM would inevitably ruin farmers. Conservative and Liberal MPs could barely believe this revelation and rather than pursue this line of inquiry, they shut down the hearings. On October 28, the president of the National Farmers Union was turned away from Parliament Hill when the scheduled hearings in which he was called to participate were cancelled. The debate on Bill C-474 was so effective up to that point that the Liberals and Conservatives built an escape hatch in the form of a new motion to the Agriculture Committee: that the Committee “conduct a study on the status of the Canadian biotechnology sector, in which it travels to the universities across Canada where this technology is primarily being undertaken, and that it recommend, where necessary, legislative, policy and regulatory changes in order to foster an innovative and fertile biotechnology industry in Canada.”
This study would neither address nor explore the problem Bill C-474 identifies. Instead, it would provide the biotech industry with a public relations platform while allowing the Liberals and Conservatives to tell constituents they are doing something, however useless, about this controversial GE issue.
Bill C-474 identifies the core problem with genetic engineering: there is no democratic decision making process with regard to genetic engineering and GE crops can and do harm the very people they are supposed to benefit – farmers. The tremendous industry backlash over Bill C-474 shows that, when farmers and food come first, Monsanto is last. The final vote on Bill C-474 should take place in mid-December.

Lucy Sharratt is the coordinator of the Canadian Biotechnology Action Network. .

sábado, 10 de junho de 2006

Organismos Geneticamente Modificados e a Agricultura



1. A engenharia genética na agricultura
A manipulação genética das sementes levada a cabo pela engenharia genética é sem dúvida a transformação mais radical na produção de alimentos desde os primeiros dias da agricultura, há cerca de 10.000 anos. Os organismos geneticamente modificados (OGM) misturam espécies que nunca se poderiam cruzar na Natureza: bactérias com cereais, vírus com árvores, peixes com frutas, entre outros.
A primeira cultura geneticamente modificada (GM) foi comercializada nos EUA em 1994, foi o tomate Flavr Savr, mas acabou por ser retirado do mercado em 1997, mas outras culturas GM viram o seu cultivo aumentar significativamente, principalmente nos EUA, desde 1996, com destaque para o milho e a para a soja.
As variedades de culturas comerciais de OGM pertencem essencialmente a dois grupos de variedades – tolerância a herbicida (TH) e resistência a insectos (Bt) ou “plantas pesticida”. As variedades TH representam cerca de 75% e as Bt 25%. A variedade TH com resistência a um herbicida, o glifosato, a sua denominação comercial é conhecida por Roundup Ready (RR) e pode encontrar-se, por exemplo, na soja ou milho RR. As plantas Bt têm uma modificação genética que consiste num gene extraído de uma bactéria natural do solo, o Bacillus thuringiensis, que contém a informação para produzir uma toxina insecticida nos seus tecidos (nas raízes, no caule, nas folhas, no pólen e também no grão comestível) que libertam através das raízes para o solo.
A área global semeada com culturas GM cresceu rapidamente, em particular entre 1996 e 1999. A área global estimada de cultivo de OGM em 2004 e 2005 foi de 81 e 90 milhões de hectares respectivamente, em todo o mundo, mas foram apenas 5 os países que cultivaram 96% da área total: EUA (59%), Argentina (20%), Canadá (6%), Brasil (6%) e China (5%). Outros países que também cultivam OGM são: Paraguai (2%), Índia (1%), África do Sul (1%), Uruguai, Austrália, Roménia, México, Espanha e Filipinas (menos de 1% do total).
Na Europa, o único país europeu que desde 1998 permitiu o cultivo de transgénicos à escala comercial, foi a Espanha, ainda que a superfície cultivada seja relativamente pequena (estimada em cerca de 20.000 a 25.0000 ha). A partir do ano 2005, vários países europeus passaram a ter autorização de cultivo comercial de 17 novas variedades de milho transgénico Bt.



2. Mercado
Paralelamente ao aumento da área cultivada com OGM e apesar dos esforços das empresas multinacionais de biotecnologia promotoras dos transgénicos e dos apoios de alguns governos e políticos, no sentido de garantir que a alimentação transgénica é segura e de que há controlo, cresce um movimento global de cidadãos de recusa a estes alimentos, tendo pela sua pressão conseguido que alguns supermercados e fabricantes de alimentos recusem os OGM.
Apesar de 75% do milho norte-americano ser não GM os clientes recusam-no por não haver garantias de ser livre da contaminação e segundo o Departamento de Agricultura dos EUA (USDA), o valor de exportações de milho para a UE (União Europeia) caiu 99,4% entre 1996 e 2001, e as exportações para a Ásia também diminuíram significativamente. Pelo que os OGM actualmente, na sua grande maioria só têm escoamento para a alimentação animal dado não ser ainda exigida a rotulagem nos produtos de origem animal (carne, peixe, ovos, lacticínios, etc).



3. Impacto do cultivo de OGM



3.1- Produção
Em ensaios de campo com outras plantas transgénicas, como a soja RR, a beterraba sacarina e a colza têm demonstrado uma quebra de produção de 5 a 10%, comparativamente às plantas convencionais em idênticas condições.
Nos EUA, a rentabilidade do milho Bt tem sido variável, dependendo do ano e do nível da incidência das pragas. No período 1996-2001 a média dos resultados foi negativa.
Apesar de no relatório de Graham Brookes, consultor inglês que habitualmente é procurado pelas empresas de biotecnologia, se afirmar que o milho Bt permite aumentos de rendimento de 10-15%, em Espanha, por exemplo, os estudos revelaram que certas variedades de milho convencionais produzem mais do que a variedade GM Compa CB. Não obstante, a variedade de milho convencional Dracma estar bem adaptada e o dano real da broca ser baixo, a Syngenta esforça-se por convencer os agricultores das vantagens do milho Bt.



3.2- Uso de pesticidas
As empresas de biotecnologia, grupos de agricultores e defensores da biotecnologia dizem que há uma redução de 20 a 30% no uso de pesticidas. No entanto, desde a introdução das culturas transgénicas TH nos EUA, há 9 anos, que o consumo de herbicidas aumentou cerca de 67 mil toneladas. Dados do USDA sugerem que em 2000 foi aplicado mais 30% de herbicida no milho RR do que no milho não GM. O impacto do milho Bt no uso de insecticidas nos EUA é muito reduzido ou nulo. Nos EUA houve uma redução no uso de insecticidas nas culturas de algodão GM.



3.3- Impacto económico
Os maiores custos com as sementes GM, o aumento do uso de herbicidas/pesticidas, a quebra de produtividade, a taxa paga nas patentes das sementes GM e a redução dos mercados, explicam porque os cultivos GM reduzem o rendimento dos agricultores.
Com a introdução dos OGM os custos com herbicidas diminuíram, simplesmente porque graças ao aumento do seu uso surgiu uma “guerra de preços”, tendo baixado consideravelmente os seus preços, o que significou em muitos casos a redução significativa dos custos totais com herbicidas.
Só nos EUA, as condenações impostas aos agricultores norte-americanos ascendem a 15 milhões de dólares, sempre sob a acusação de terem guardado, sem autorização legal, sementes transgénicas patenteadas.
Paralelamente ao aumento da área de cultivo de OGM, houve uma descida no preço das propriedades devido à perda de exportações, o que levou ao aumento dos subsídios governamentais estimados em 3 a 5 mil milhões de dólares anualmente. O rendimento dos agricultores continua muito baixo, apesar dos subsídios, que apenas ajudaram a mascarar a falha económica dos OGM junto dos agricultores. No total, as culturas GM nos EUA, entre 1999 a 2001, já custaram à economia daquele país pelo menos 12 mil milhões de dólares.



3.4- Para os agricultores convencionais e biológicos
O prejuízo para os agricultores convencionais e biológicos decorre: da contaminação das suas culturas, o que por sua vez leva à perda da certificação, no caso da produção biológica, e à perda de mercados; de gastos adicionais para manter os alimentos livres de transgénicos, nomeadamente através da realização de análises; outros danos, como o uso de insecticidas mais tóxicos pelo aparecimento de resistência ao Bt. Mesmo que tenham sido vítimas da contaminação indesejada a empresa detentora da patente geneticamente modificada (GM) tem direitos sobre toda a produção.



4. Impacto / Risco sobre o ecossistema e a agricultura
Os conhecimentos actuais sobre a genética são extremamente limitados, e a investigação realizada pelo mundo científico não conhece ainda os efeitos a longo prazo da libertação de OGM na natureza.
Têm sido apontados vários riscos potenciais associados às culturas GM, nomeadamente a contaminação, o aparecimento de insectos com resistências múltiplas e de superpragas, os impactes em espécies não-alvo, dependência e intensificação do uso de químicos. Alguns destes riscos já começaram, infelizmente, a manifestar-se. A experiência norte-americana de vários anos mostra que os cultivos GM produziram sérios problemas à agricultura: a contaminação de sementes e de culturas não GM, a maior dependência dos agricultores e a perda do seu direito de escolher livremente as práticas de cultivo, os problemas legais entre agricultores e entre agricultores e empresas, assim como o aparecimento de problemas de responsabilidade legal, entre outros. Em Espanha é muito difícil conhecer o impacte real das culturas GM, por falta de investigação e de acompanhamento independentes.
Alguns efeitos imprevistos nas plantas GM foram já detectados, mas outros poderão vir a manifestar-se consoante as situações de stress sofridas pelas plantas, alguns de imediato, outros ao cabo de várias gerações.



4.1 Contaminação
Os OGM podem contaminar a produção convencional e biológica, por razões de vária ordem, nomeadamente mistura de sementes durante o manuseamento mecânico, dispersão de pólen, transporte acidental de sementes por animais e maquinaria, controle ineficiente... A contaminação genética é muito diferente de outras formas de contaminação, devido ao seu potencial para multiplicar-se já que os microorganismos e as plantas GM crescem e reproduzem-se, por isso os danos causados pelos OGM no ambiente e na agricultura não se limitam apenas ao local onde foi introduzido.
São já inúmeros os casos conhecidos de contaminação, muitos provavelmente são desconhecidos por falta de análises. Eis alguns:
Nos EUA a contaminação da produção convencional por OGM é tal, que já não é possível obter sementes certificadas não-GM.
A Agência Francesa de Inspecção e Segurança Alimentar (AFSSA) detectou em 2001, a contaminação de milho com sementes GM. Pelo menos parte dessa contaminação era proveniente de testes de ensaios de campo.
Cerca de 100 agricultores no Piemonte italiano foram avisados em 2003 pelo seu governo de que estavam em situação ilegal, porque o milho não transgénico que semearam afinal estava contaminado por sementes transgénicas da Pioneer.
Em 2001 descobriu-se na Áustria que a variedade de milho convencional PR39D81 da Pioneer estava contaminada com duas variedades de milho transgénico. A empresa não explicou sequer a proveniência da contaminação.
A contaminação é preocupante tendo já atingido, inclusive, alguns bancos de germoplasma, como no já conhecido caso do México, último bastião dos milhos regionais.



4.2 Aparecimento de insectos resistentes e de super-pragas
Do ponto de vista ambiental e de rendimento dos agricultores, a perda de eficácia do glifosato e do Bt pode ser desastroso. A história demonstrou que a excessiva relevância numa única estratégia para o controlo de infestantes e insectos irão falhar a longo prazo. Em 1997, detectou-se nos EUA o primeiro caso de resistência duma praga ao cultivo de sementes transgénicas Bt.
Por outro lado, a manipulação genética pode provocar alterações na planta transgénica que podem atrair ou favorecer a proliferação de outros insectos prejudiciais para as culturas.
A menos que o agricultor decida manter para sempre a mesma cultura no mesmo terreno, ele terá de lutar contra as plantas “voluntárias” – plantas que germinaram mais tarde e que foram semeadas em épocas anteriores e que não germinaram nessa altura ou em resultado da queda de sementes da cultura anterior. No caso da cultura anterior ser TH o controle com herbicidas será mais difícil devido à sua resistência, ou seja, as culturas transgénicas TH constituem-se elas próprias infestantes às culturas seguintes.



4.3 Impacto em espécies não-alvo
A toxina Bt do milho GM não tem as mesmas propriedades da toxina na sua forma natural produzida pela bactéria. A segunda é inactiva, só se tornando activa em certas larvas, por isso só mata alguns insectos e degrada-se ao fim de 3 dias. Enquanto que a primeira é segregada na forma activa, pelo que pode afectar outras espécies não-alvo, nomeadamente insectos benéficos, animais insectívoros, como pássaros, para além de permanecer activa pelo menos durante 234 dias. Não há nenhuma informação oficial sobre estes efeitos em Espanha.
As consequências no solo podem incluir a diminuição do rendimento/produtividade, o surgimento de novas doenças nas plantas, uma menor tolerância à seca e o aumento da necessidade de fertilizantes ou outros factores de produção. Devido ao aumento do uso de herbicidas nas culturas TH, têm de ser consideradas as consequências associadas à sua toxidade.



5. Impacto sobre a pecuária
Apesar da maior parte das culturas GM comercializadas na América do Norte se destinarem à alimentação animal, praticamente não foram efectuados ensaios que estudassem os efeitos desta alimentação animal em porcos e outros animais de pecuária, antes da comercialização desses produtos de origem animal. Por isso, interessa particularmente registar os efeitos inesperados detectados pelos produtores pecuários desde a introdução dos OGM nas rações para animais.
Assim, têm sido relatados várias situações algumas, como por exemplo no estado de Iowa (EUA), em que vários suinicultores detectaram quebra acentuada da taxa de fertilidade, atingidos nalguns casos uma quebra de 80%, em suínos alimentados com o milho Bt; morte de animais, como: no estado de Andhra Pradesh, na Índia, durante Fevereiro e Março de 2006, morreram pelos menos 1820 ovelhas que pastaram em campos de algodão Bt, após a colheita, e, numa quinta em Woelfershire, na Alemanha, em que o agricultor nos anos de 2000 e 2001 apenas cultivou milho GM, verificou que as vacas adoeciam com mais frequência a partir do ano 2000 e no intervalo de 4 meses morreram 5 vacas e outras produziram menos leite e tiveram de ser abatidas; recusa em comer OGM, diminuição da produção de leite em vacas e diminuição da taxa de crescimento em gado, são outros efeitos relatados.



6. As empresas de seguros
As seguradoras na Alemanha, Suíça, Reino Unido e Bélgica já anunciaram publicamente que não fazem seguros agrícolas para culturas transgénicas. A empresa Lloyds exclui especificamente os OGM colocando-os na mesma categoria dos actos de terrorismo. Um responsável por uma seguradora britânica disse: “Há 50 anos atrás as seguradoras faziam seguros para o amianto sem qualquer preocupação – agora têm indemnizações de centenas de milhões de libras pela frente … há um sentimento muito claro de que os OGM podem vir a mostrar os seus efeitos negativos dentro de uns cinco anos.”
De facto, em Portugal como em toda a Europa, a indústria dos seguros considera existir nas culturas transgénicas uma margem de incerteza científica tal que condiciona o cálculo do risco e assim, também não é transferível a responsabilidade civil por esse risco.



7. OGM e o futuro
As empresas da biotecnologia estão a preparar para um futuro a curto, médio prazo a comercialização de novas espécies e variedades de alimentos transgénicos (como por exemplo: batata-doce, morangos, banana, café, ananás), árvores GM, a introdução do gene Terminador (de modo a que as sementes GM sejam estéreis) e ainda o cultivo de plantas alimentares GM, mas sem fins alimentares. A eventual introdução do gene Terminador pode aumentar ainda mais a dependência dos agricultores face às empresas de sementes, sendo imprevisíveis as suas consequências a nível ambiental. O cultivo de plantas alimentares sem fins alimentares, num novo conceito de agricultura que dá pelo nome de biofábrica, para produzir vacinas, hormonas, vários medicamentos e também novos tipos de plásticos, lubrificantes e outros compostos industriais, poderão ter riscos ainda maiores do que os do cultivo de OGM com fins alimentares, pois para além do seu impacto no Ambiente há um risco acrescido para a saúde humana e animal devido à possível contaminação destas culturas com as culturas com fins alimentares, transgénicas ou não.



8. Considerações finais
Apesar de não haver ainda muita informação científica credível disponível, os defensores dos OGM socorrem-se das estatísticas das áreas de cultivo para suportar os seus benefícios, o que é extremamente limitado e insuficiente. No entanto, cruzando informação de várias fontes, nomeadamente de fontes oficiais, de relatórios de Organizações Não Governamentais, de estudos independentes, de testemunhos de agricultores, entre outras, é já possível tirar as primeiras conclusões sobre a primeira década de cultivo de OGM.
Dado que os OGM são sementes patenteadas (as empresas privatizam um recurso de toda a humanidade para seu benefício económico, como se o tivessem inventado), o risco de contaminação gerou uma preocupação quanto à incerteza de quando a indústria de biotecnologia acusa o agricultor convencional ou biológico de cultivar OGM sem licença, e ainda, ficam os agricultores impedidos de guardarem sementes, ano após ano, para a sementeira seguinte, perdendo o seu direito milenar a guardar sementes. Para além disso, os OGM podem criar uma dependência económica relativamente aos fornecedores de sementes e/ou pesticidas, devido ao aparecimento de resistências.
O mercado de alimentos não transgénicos é uma oportunidade de negócio que só os países e regiões que se mantenham livres de transgénicos podem continuar a dar garantias de produtos livres de transgénicos, dado que a coexistência é praticamente impossível de assegurar.
A adopção de melhores práticas agrícolas, como por exemplo a protecção integrada, e agricultura biológica, que só recentemente começou a dar os primeiros passos, com vista à conservação de recursos, diminuição do uso de pesticidas, melhoria do rendimento e cativar uma mais-valia no mercado, podem ser fortemente abaladas pelos OGM, ao sofrerem contaminação, uma vez que não há um regime de responsabilidade por parte da indústria e dos agricultores de OGM para pagar as medidas de protecção e indemnização em caso de contaminação.

Maio 2006
Plataforma Transgénicos Fora do Prato
Apartado 5052, 4018-001 Porto e.mail: info@stopogm.net