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sábado, 17 de maio de 2025

War/No More Trouble feat. Bono



À medida que viajávamos pelo mundo, encontrávamos amor, ódio, ricos e pobres, negros e brancos, bem como muitos grupos religiosos e ideologias diferentes. Ficou muito claro que, enquanto raça humana, precisamos de transcender das trevas para a luz e a música é a nossa arma do futuro. This Song Around The World conta com a participação de Bono, David Broza, Rocky Dawuni, Mermans Mosengo e músicos que viram e superaram conflitos e ódio com amor e perseverança. Não precisamos de mais problemas, o que precisamos é de amor. O espírito de Bob Marley vive sempre.

Until the philosophy which hold one race
Superior and another inferior
Is finally and permanently
Discredited and abandoned
Everywhere is war, me say war

(We don't need) No, we don't need (no more trouble)
No more trouble!
(We don't need no more trouble)

(We don't need) We don't need (no more) trouble!
We don't need no trouble!

What we need is love (love)
To guide and protect us on (on)
If you hope good down from above (love)
Help the weak if you are strong now (strong)

We don't need no trouble (Need no trouble)
What we need is love
(What we need is love sweet love) Oh, no!
We don't need, no more trouble!
Lord knows, we don't need no trouble!

Speak happiness! (Sad enough without your woes)
Come on, you all, and speak of love
(Sad enough without your foes)

We don't need no trouble (We don't need your troubles)
What we need is love now (What we need is love!)
(We don't need) Oh, we don't need no more trouble!
We don't need, no, we don't need no trouble!

segunda-feira, 6 de maio de 2024

Sobre os cépticos e as alterações climáticas


Vamos lá ver se nos entendemos em relação às alterações climáticas. Há dois tipos de alterações climáticas: as geológicas e as antropogénicas. Quando nada se referir quando falamos de alterações climáticas são as provocadas pelo Homem. A realidade está aí: eventos climáticos extremos, degelo das calotes, ondas de calor em países habitualmente frios (Suíça, p. ex.). São causadas sobretudo pelo uso e abuso de petróleo, gás, carvão e biomassa. Os jactos privados e os cruzeiros contribuem em GT de CO2, aumentando a temperatura global. 1ºC a mais trará consequências desastrosas: secas prolongadas, aumento do nível do mar, etc. 
Os GEE principais são o CO2 e o metano. Entre os GEE, incluir óxidos nitrosos e o insuspeito vapor de água que tem um poder de EE superior aos outros (e que não se pode controlar quando a temperatura atmosférica subir).
Quanto às alterações climáticas geológicas existiram no passado e continuarão a existir, nomeadamente a tectónica de placas e o vulcanismo.
O nosso clima está a mudar e nós somos a causa principal através das nossas emissões de GEE. Os factos sobre as alterações climáticas são essenciais para se compreender o mundo à nossa volta, e para tomarmos decisões informadas sobre o futuro.

Saber mais:
2. Climate Emergency Forum: Adaptação e Mitigação


3. Estudo independente ataca cépticos e confirma que a Terra está mesmo mais quente

Acção Climática Já: mitigação e adptação


A mitigação refere-se aos esforços para reduzir ou prevenir a emissão de gases de efeito estufa. Adaptação é o processo de ajuste aos impactos atuais ou esperados das alterações climáticas. A necessidade de adaptação varia de um local para outro, dependendo do risco para os sistemas humanos ou ecológicos.

Mitigation refers to efforts to reduce or prevent emission of greenhouse gases. Adaptation is the process of adjusting to current or expected impacts of climate change. The need for adaptation varies from one location to another, depending on the risk to human or ecological systems.

sexta-feira, 5 de janeiro de 2024

COP será presidida novamente por homem com carreira no petróleo

Mukhtar Babayev
Um homem com carreira no setor do petróleo vai voltar a presidir à conferência do clima da ONU, já que o Azerbaijão nomeou o seu ministro da Ecologia e dos Recursos Naturais como presidente da COP29 de novembro.

“Sua Excelência Mukhtar Babayev foi nomeado presidente designado da 29.ª sessão da conferência das partes” da Convenção-Quadro das Nações Unidas para as Alterações Climáticas, segundo informação do ministério enviada hoje à agência France Presse sobre a nomeação do ex-funcionário da petrolífera Socar.

Os Emirados Árabes Unidos tinham escolhido para presidente o sultão Al Jaber, dirigente da empresa nacional Adnoc, para presidir a conferência da ONU do clima, que terminou em dezembro em Dubai com um apelo histórico inédito para uma “transição” afastada dos combustíveis fósseis.

A presidência da COP28 já felicitou Babayev, que representou o Azerbaijão nas negociações do Dubai, através de uma mensagem na rede social X: “Vamos trabalhar com as presidências da COP29 e COP30 (no Brasil), bem como com a ONU para o Clima, para concretizar o sucesso histórico e transformador da COP28 e manter a meta de 1,5°C ”.

O novo presidente da COP tem no seu currículo, entre 1994 a 2003, funções no departamento de relações económicas externas da Socar, a empresa nacional de petróleo e gás, antes de passar para a área de marketing e operações económicas.

Entre 2007 e 2010, foi vice-presidente responsável pela ecologia da empresa de petróleo e gás e é ministro da Ecologia e Recursos Naturais desde 2019.

Historicamente, os presidentes da COP foram ministros ou diplomatas, com exceção do ano passado com Sultan Al Jaber, que é presidente da Adnoc, um dos maiores produtores de gás e petróleo do Golfo, e representou o seu país em várias COP’s e afirmou-se como líder da empresa de energia renovável Masdar.

O governo azeri nomeou o vice-ministro dos Negócios Exteriores, Yalchin Rafiyev, como negociador-chefe da COP29.

O anfitrião anual da COP é escolhido por consenso pelos países da região designada. Em 2023, os países asiáticos designaram os Emirados Árabes Unidos, e este ano, após meses de bloqueios, foi definido o Azerbaijão pelos países da Europa de Leste, que incluem a Rússia.

Este ano será Baku a receber a COP e poderá fazer recordar a edição anterior, já que foi uma das capitais mundiais do petróleo no início do século XX, como apontou à AFP Francis Perrin, especialista em energia do Instituto de Relações Internacionais e Estratégicas, “com os interesses russos, da Shell e dos irmãos Nobel da época”.

O país desenvolveu grandes depósitos de petróleo e gás no Mar Cáspio desde a década de 1990, acrescentou.

Atualmente, o gás tornou-se mais importante do que o petróleo para este membro da OPEP+, exportado principalmente para a Europa.

“O país continua hoje muito dependente dos hidrocarbonetos, que representam pouco menos de 50% do seu PIB, pouco mais de 50% das suas receitas orçamentais e pouco mais de 90% das suas receitas de exportação”, analisou Perrin.

quinta-feira, 7 de dezembro de 2023

COP28: Afinal, o que é isto do ‘unabated’?



Na 28.ª cimeira climática global das Nações Unidas (COP28), o fim dos combustíveis fósseis é reivindicado por muitos, não apenas por movimentos e organizações ambientalistas, mas também por povos indígenas e alguns países, sobretudo os mais vulneráveis aos efeitos devastadores das alterações climáticas.

Estima-se que, atualmente, mais de 100 países de África, das Caraíbas, do Pacífico e da União Europeia tenham já publicamente defendido o fim progressivo de todos os combustíveis fósseis, mas outros, como a Rússia, a Arábia Saudita e a China, posicionam-se do outro lado da barricada.

As negociações ainda decorrem e muita água há ainda para correr debaixo da ponte, mas é importante perceber o que está em causa. Alguns governos defendem o fim, mesmo que progressivo, de todos os combustíveis fósseis, outros pedem o abandono dos combustíveis fósseis cujas emissões não possam ser neutralizadas, por exemplo, por tecnologias de captura de carbono, outros pedem apenas uma redução do uso dessa energia e há ainda os que querem que tudo fique como está.

Na discussão, um termo que muito tem sido debatido é o ‘unabated’. Esta expressão refere-se, no jargão climático, às emissões de gases com efeito de estufa, não apenas o dióxido de carbono, mas também o metano, que não podem ser capturadas e armazenadas e, por isso, são libertadas na atmosfera e agravam as alterações climáticas.

Embora seja usada prolificamente num sem-número de documentos relativos a negociações e compromissos climáticos, a definição do que é essa neutralização, ou ‘abatement’, frequentemente não gera consenso. Contudo, num relatório deste ano do Painel Intergovernamental sobre Alterações Climáticas (IPCC), uma nota de rodapé explica que isso poderá ser definido como “as intervenções humanas que reduzem a quantidade de gases com efeito de estufa que é libertada para a atmosfera a partir de infraestruturas de combustíveis fósseis”.

Adicionalmente, outra nota de rodapé aponta que combustíveis fósseis ‘unabated’ são aqueles “produzidos e usados sem intervenções que reduzam substancialmente a quantidade de [gases com efeito de estufa] emitidos ao longo do seu ciclo de vida”.

Numa altura em que o fim dos combustíveis fósseis está em cima da mesa na COP28, a indefinição do que é ‘unabated’ poderá gerar ainda mais dissensos no âmbito dos trabalhos de negociação climática.

Na ausência de uma definição clara, a palavra ‘unabated’ poderá, por exemplo, permitir a continuação de emissões de gases com efeito de estufa para a atmosfera, pois há espaço para argumentar que capturar 50% dessas emissões é neutralizar parte delas.

Outro debate acontece em torno do ‘phaseout’, ou abandono progressivo, e do ‘phasedown’, ou redução progressiva. Embora nenhum país defenda o fim dos combustíveis fósseis de um dia para o outro, a opção mais amplamente aceite é ‘phaseout’, permitindo uma transição energética justa que cause os menores impactos negativos sobre as sociedades e economias.

O ‘phaseout’ implica um abandono progressivo com vista ao seu eventual fim definitivo.

Contudo, há países que defendem o ‘phasedown’, sobretudo aqueles cujas economias dependem mais fortemente dos combustíveis fósseis, em que existiria uma redução faseada do uso de combustíveis fósseis, mas não o seu fim.

segunda-feira, 4 de dezembro de 2023

Presidente COP28 defende fim de combustíveis fósseis após palavras polémicas

O porta-voz da Conferência das Nações Unidas sobre Alterações Climáticas afirmou que o sultão Al-Jaber dos Emirados Árabes Unidos tem sido “inabalável ao afirmar que atingir 1,5 ºC implica atuar numa série de áreas e setores”. O sultão considerou antes que uma transição muito rápida levaria o mundo à "idade das cavernas"


O presidente da cimeira climática COP28 disse este domingo, 3 de dezembro, ter bem presente que os combustíveis fósseis devem ser progressivamente diminuídos e abandonados, após declarações polémicas a questionar a ciência e a meta de redução de 1,5ºC no aquecimento global.

Questionado pela agência EFE, o porta-voz da Conferência das Nações Unidas sobre Alterações Climáticas (COP28) afirmou que o sultão Al-Jaber dos Emirados Árabes Unidos, país que acolhe a cimeira do clima desde quinta-feira, tem sido "inabalável ao afirmar que atingir 1,5 ºC implica atuar numa série de áreas e setores" e que "o presidente da COP deixa claro que a redução progressiva e o abandono dos combustíveis fósseis é inevitável e que devem ser mantidos os 1,5ºC ao alcance".

"Não temos certeza do que este artigo supostamente revela. Não há nada nele que seja novo ou notícia de última hora", afirmou o porta-voz a propósito das declarações de Al-Jaber hoje reveladas pelas imprensa britânica, comentando que "esta história nada mais é do que mais uma tentativa de minar a agenda da presidência, que tem sido clara e transparente e apoiada por conquistas tangíveis do presidente da COP e da sua equipa".

As declarações, dadas a conhecer este domingo pelo jornal britânico The Guardian e pelo Centre for Climate Reporting, remontam a 21 de novembro num evento online organizado pela iniciativa "She Changes Climate", num debate tenso com a ex-Presidente irlandesa e antiga Alta Comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Mary Robinson.

O sultão considerou então a saída dos combustíveis fósseis inevitável, mas advertiu que uma transição muito rápida para limitar o aquecimento global a 1,5ºC levaria o mundo à "idade das cavernas" e pediu pragmatismo sobre esta matéria.

Na discussão, Mary Robinson, presidente do grupo independente Os Sábios (altos dirigentes, ativistas da paz e defensores dos direitos humanos), tinha desafiado Al-Jaber no sentido de, na qualidade de presidente da COP e líder da petrolífera estatal Adnoc, a assumir a eliminação progressiva dos combustíveis fósseis "com mais credibilidade".

Em resposta, Al-Jaber afirmou: "Aceitei vir a este encontro para ter uma conversa sóbria e madura. Não estou de forma alguma a aderir a nenhuma discussão alarmista. Não há nenhuma ciência, ou nenhum cenário, que diga que a eliminação progressiva dos combustíveis fósseis é o que vai atingir [a meta assumida no Acordo de Paris de] 1,5°C".

Segundo o The Guardian, a antiga política irlandesa continuou a desafiar o presidente da COP, afirmando ter lido que a estatal Adnoc estava a investir muito mais em combustíveis fósseis no futuro, ao que Al-Jaber ripostou: "Por favor, ajude-me, mostre-me o roteiro para uma eliminação progressiva dos combustíveis fósseis que permitirá o desenvolvimento socioeconómico sustentável, a menos que você queira levar o mundo de volta às cavernas".

Na mesma ocasião, o sultão duvidou que se consiga ajudar a resolver o problema climático com acusações ou contribuindo para a polarização e uma divisão que disse já estar a acontecer no mundo: "Mostre-me as soluções. Pare de apontar o dedo. Pare com isso".

A nomeação de Al-Jaber como presidente da COP28 foi duramente criticada e centenas de organizações da sociedade civil pediram a sua demissão por ser o diretor-executivo da Companhia Nacional de Petróleo de Abu Dhabi (Adnoc).

No seu relatório de setembro, a Agência Internacional de Energia (AIE) estima que a produção de combustíveis fósseis deve cair 83% entre 2022 e 2050 para se alcançar a neutralidade carbónica.

O foco das críticas às declarações do sultão prende-se com a diferença entre redução e eliminação dos combustíveis fósseis para se alcançar o objetivo da diminuição do aquecimento global.

A este propósito, nos primeiros trabalhos da abertura da COP28, o secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, afirmou que "a ciência é clara e o limite de 1,5ºC só é possível se pararmos de queimar todos os combustíveis fósseis", salientando que não se trata de reduzir ou diminuir, mas da "eliminação gradual, com um prazo claro".

Citado pelo The Guardian, Bill Hare, diretor-executivo da organização não-governamental (ONG) Climate Analytics, comentou que o debate entre Al-Jaber e Mary Robinson é "extraordinário, revelador, preocupante e conflituoso", assinalando que mandar o mundo de volta à idade das cavernas é uma imagem recorrente da indústria fóssil e que está "à beira da negação das alterações climáticas".

A cimeira do clima que começou na quinta-feira no Dubai vai debater estratégias de adaptação e mitigação, apoios financeiros, e fazer um balanço de oito anos de ação climática, que a ONU diz ir em sentido contrário.

segunda-feira, 10 de julho de 2023

Universidade de Coimbra é "modelo" de acolhimento de alunos refugiados


Num artigo publicado do 'site' da ONU, a instituição, membro da iniciativa United Nations Academic Impact, é apontada como "o modelo de uma universidade portuguesa" na receção e tratamento de estudantes em situação de emergência por razões humanitárias, afirma a UC numa nota de imprensa enviada à agência Lusa.

A Universidade apoia estes alunos através do Fundo de Apoio aos Refugiados, criado e financiado através das receitas próprias da instituição conimbricense.

A ONU sublinha que "a UC está posicionada de forma única" para alcançar "uma internacionalização mais inclusiva, integrando refugiados qualificados e motivados no ensino superior".

Um dos exemplos das iniciativas para facilitar a integração dos estudantes refugiados são cursos de línguas ministrados na Faculdade de Letras.

Os alunos têm a possibilidade de frequentar um Ano Zero preparatório do primeiro ciclo de estudos e apoio psicológico e académico, prestado pelos serviços de Ação Social.

Há também todo um trabalho desenvolvido pela Divisão de Relações Internacionais, que inclui a "identificação de estudantes que se voluntariam para apoiar a integração dos seus pares".

De acordo com a UC, a ONU ressalva as boas práticas da Universidade de Coimbra no "tratamento burocrático dos processos" de estudantes refugiados e a sua participação em "projetos internacionais de desenvolvimento de ferramentas práticas", de modo a facilitar o ensino de línguas e a integração académica destes estudantes.

Ressalvando as boas-práticas da UC no tratamento burocrático dos processos de estudantes refugiados e a sua participação em projetos internacionais de desenvolvimento de ferramentas práticas para facilitar o ensino de línguas e a integração académica destes alunos e alunas, o ONU lembra também exemplos de sucesso têm passado por Coimbra desde 2014.

A Universidade de Coimbra acolhe, de momento, cerca de 80 estudantes em situação de emergência por razões humanitárias, com 16 nacionalidades diferentes (com maior prevalência de nigerianos, ucranianos e marroquinos). Mais informações sobre o seu acolhimento e integração estão disponíveis no endereço.

Nas palavras do Secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon: "O Impacto Académico visa gerar um movimento global de mentes para promover uma nova cultura de responsabilidade social intelectual. O UNAI é motivado pelo compromisso a apoiar certos princípios fundamentais. Entre eles: a liberdade de pesquisa, de opinião e de expressão; oportunidades educacionais para todos; a cidadania global, a sustentabilidade e o diálogo "

Além disso,o UNAI visa apoiar a realização dos Objetivos de Desenvolvimento do Milénio (ODM), concentrando-se na relação recíproca entre a educação e o desenvolvimento sustentável.

As Nações Unidas recordam, na publicação, exemplos de sucesso que têm passado por Coimbra desde 2014.

Atualmente, a Universidade acolhe cerca de 80 estudantes em situação de emergência por razões humanitárias, com 16 nacionalidades diferentes, com maior domínio de nigerianos, ucranianos e marroquinos.

A United Nations Academic Impact - com mais de 1400 membros - procura garantir o alinhamento das instituições de ensino superior com os objetivos da ONU na promoção e proteção dos direitos humanos, acesso à educação, sustentabilidade e resolução de conflitos.

sexta-feira, 16 de junho de 2023

Os lobistas das grandes petrolíferas deveriam ser banidos das cimeiras do clima

COP27 no Egipto

À medida que incêndios, inundações e danos climáticos extremos continuam se acumulando, a grande questão é como sair da era dos combustíveis fósseis com justiça?

Enquanto as negociações climáticas preparatórias da ONU continuam em Bonn esta semana, uma nova pesquisa do Corporate Europe Observatory (CEO) e Corporate Accountability revela que as 5 grandes empresas de petróleo e gás trouxeram mais de 400 lobistas para as negociações climáticas da ONU desde que o Acordo de Paris foi assinado em 2015.

Embora a COP28 nos Emirados Árabes Unidos no final deste ano precise anunciar de uma vez por todas a eliminação justa de todos os combustíveis fósseis, a presença contínua de lobistas de petróleo e gás nessas cúpulas é um perigo claro e presente para atingir esse objetivo.

A nova medida antecipada da ONU pedindo a todos os participantes que divulguem publicamente para quem trabalham é um primeiro passo bem-vindo, mas precisa ir muito além.

Durante décadas, Shell, BP, TotalEnergies, ExxonMobil e Chevron - também conhecidas como as 5 grandes empresas de petróleo e gás - atrasaram, enfraqueceram e sabotaram a ação climática.

Apesar de sua lavagem verde pró-clima, cada um pretende expandir sua produção de combustíveis fósseis para impulsionar os balanços já volumosos.

Até 2025, seus planos combinados aumentariam as emissões em 6.674 milhões de toneladas de CO2, mais de duas vezes e meia as emissões da UE em 2021 — sem falar em dizimar ecossistemas e comunidades.

Eles estão colocando seus próprios lucros diretamente contra a meta do Acordo de Paris de manter o aumento da temperatura em 1,5 grau centígrado e proteger o planeta.

No ano passado, esses cinco gigantes obtiveram lucros recordes de quase US$ 200 biliões, com a BP posteriormente decidindo reduzir suas metas climáticas para se concentrar em ganhar dinheiro com o aumento da produção de gás.

É por isso que campanhas como Kick Big Polluters Out , que inclui mais de 450 grupos de todo o mundo representando milhões de pessoas, estão pressionando por negociações climáticas livres de fósseis e uma Estrutura de Responsabilidade mais ampla para proteger a formulação de políticas climáticas da influência indevida de todas as emissões. indústrias intensivas.

Eliminar essa influência é essencial se quisermos remover a maior barreira para eliminar gradualmente os combustíveis fósseis.

Já temos algo semelhante para o tratado de tabaco da ONU, porque aceitamos que não devemos perguntar à indústria do tabaco como fazer as pessoas pararem de fumar.

Há um conflito de interesses flagrante
Portanto, vamos parar de perguntar à indústria de petróleo e gás como acabar com o vício em combustíveis fósseis.

Como primeiro passo, a divulgação pública dos interesses dos participantes é importante porque o público tem o direito de saber quem está na mesa de negociações.

Esta semana foi revelado que a TotalEnergies havia pago uma pseudo-ONG para trazer anonimamente vários delegados para a COP26 e 27.

Este ano, o diretor de gases de efeito estufa e mudanças climáticas da Exxon, Michael Gerard Cousins, entrou nas negociações em Bonn sem declarar para quem trabalhava.

Os participantes também devem ser obrigados a declarar quem está financiando sua participação nos processos climáticos da ONU.

Aqui em Bonn, a presença da Shell, Chevron e ExxonMobil aumenta a ótica existente da COP28 sendo administrada pela indústria de combustíveis fósseis.

Al Jaber, o novo presidente da COP28, também é o CEO da ADNOC, empresa estatal de petróleo e gás dos Emirados Árabes Unidos.

A influência da empresa de combustíveis fósseis sobre a presidência foi amplamente divulgada.

Ter um executivo do petróleo como presidente da COP é totalmente inaceitável, mas Al Jaber é apenas a ponta de um iceberg muito oleoso quando se trata de capturar a indústria das negociações sobre o clima.

Outros, como os EUA e a UE, passaram décadas promovendo os interesses da indústria de combustíveis fósseis em sua diplomacia climática e estão fazendo isso agora em Bonn.

Numa reunião com um negociador europeu, eles continuaram a argumentar que os lobistas dos combustíveis fósseis deveriam ter permissão para participar das negociações, apesar de admitirem que não tinham intenção de reduzir a produção de combustíveis fósseis.

Máquina de lobby
A nova pesquisa também expõe como as Big 5 também construíram máquinas de lobby impressionantes nos EUA e na UE desde a COP21, declarando um total combinado de quase 2.000 lobistas e mais de US$ 300 milhões investidos no referido lobby.

Naquela época, o CEO da ExxonMobil, Rex Tillerson, também se tornou secretário de Estado dos EUA, enquanto Shell, BP e TotalEnergies foram assessores importantes da presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, durante a atual crise de energia, pressionando com sucesso por mais gás fóssil.

Soluções reais para a crise climática exigem ações ousadas para conter a obstrução da indústria de combustíveis fósseis nas negociações climáticas.

Os apelos do povo foram repetidos por mais de 130 legisladores de ambos os lados do Atlântico e de ambos os lados do corredor em uma carta recente ao presidente dos EUA, Joe Biden, von der Leyen, e ao secretário executivo da UNFCCC, Simon Stiell, também pedindo o fim da interferência dos combustíveis fósseis 

A luta para resolver os conflitos de interesse dos poluidores tem sido longa, mas para qualquer hipótese de a COP28 anunciar uma eliminação justa de todos os combustíveis fósseis, precisamos remover o maior obstáculo ao progresso: a influência da indústria de combustíveis fósseis.

A divulgação pública obrigatória é um primeiro passo decente, mas precisamos de uma estrutura robusta de conflito de interesses se quisermos expulsar os grandes poluidores.

Saber mais:

sexta-feira, 14 de abril de 2023

O “início do fim da era fóssil”? Produção global de eletricidade a partir de fontes renováveis atinge novo recorde em 2022


No ano passado, as energias solar e eólica produziram 12% de toda a eletricidade consumida a nível global, face aos cerca de 10% registados em 2021.

A conclusão é de um relatório divulgado esta quarta-feira pela Ember, um grupo de reflexão independente que se dedica às questões relacionadas com a energia, e que revela também que, no seu conjunto, as renováveis e a nuclear produziram 39% da eletricidade a nível global em 2022, o valor mais alto de sempre.

A energia solar é a que mais tem crescido, aumentando sucessivamente ao longo dos últimos 18 anos. No ano passado, a geração de eletricidade de origem solar subiu 24% face a 2021, sendo que a energia eólica, a segunda maior fonte de energia renovável, cresceu 17%.

Os especialistas do grupo de reflexão Ember preveem que 2023 poderá marcar o início de uma nova era de declínio da presença dos combustíveis fósseis na produção de eletricidade a nível global.
Crédito: Ember
Os especialistas da Ember estimam que a quantidade de eletricidade produzida pelo solar em 2022 terá sido suficiente para alimentar África do Sul durante um ano inteiro, e que a energia eólica terá gerado eletricidade suficiente para iluminar quase todo o Reino Unido.

Contudo, as emissões de gases com efeito de estufa do setor elétrico mundial aumentaram 1,3% em 2022, atingindo um máximo histórico. Apesar de a incorporação de renováveis nunca ter sido tão grande, o consumo de eletricidade tem aumentado fortemente, o que não permitiu reduzir as emissões.

A eletricidade produzida a partir do carvão subiu ligeiramente em 2022 (1,1%), sendo que os autores do relatório argumentam que, embora o abandono progressivo desse combustível fóssil não tenha arrancado no ano passado, tal como acordado na cimeira climática COP26, de 2021, a crise energética despoletada pela guerra da Rússia na Ucrânia não fez disparar, contrariamente ao que se receava, a geração de eletricidade através da queima de carvão.

Nesse quadro, os especialistas da Ember consideram que em 2022 é possível que o setor global da produção de eletricidade tenha, por fim, alcançado um pico. “As energias eólica e solar estão a desacelerar o aumento das emissões do setor elétrico”, dizem, calculando que se toda a eletricidade produzida em 2022 a partir de fontes renováveis tivesse, ao invés, sido gerada por combustíveis fósseis, as emissões do setor teriam crescido 20% face a 2021.

Assim, os relatores preveem que, com base no crescimento médio da procura global e do fortalecimento das renováveis, neste ano de 2023 poderemos assistir a “uma pequena queda” da geração de eletricidade a partir de combustíveis fósseis, que deverá ser da ordem dos 0,3%, “com quedas maiores nos próximos anos, à medida que as energias eólica e solar crescem ainda mais”.

Por isso, vaticinam que “uma nova era de reduções das emissões do setor elétrico está próxima”.

Małgorzata Wiatros-Motyka, analista sénior da Ember especializada no setor da eletricidade, salienta que “nesta década decisiva para o clima, este é o início do fim da era fóssil”, destacando que estamos a dar os primeiros passos no que considera ser “a era da energia limpa”.

“Uma nova era de queda das emissões fósseis significa que ao abandono progressivo do carvão irá acontecer, e o fim do crescimento da geração de eletricidade através do gás está à vista”, afiança a especialista, que acredita que “a mudança aproxima-se a passos largos”, mas “tudo depende das ações que sejam agora tomadas pelos governos, empresas e cidadãos para colocar o mundo no caminho da energia limpa até 2040”.

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2023

Subsídios ao consumo de combustíveis fósseis atingem valor recorde em 2022


Em novembro de 2021, representantes de quase todos os países do mundo reuniram-se em Glasgow, no Reino Unido, para a 26.ª cimeira global do clima (COP26). Daí resultou um Pacto Climático em que, entre outros compromissos, os Estados reconheceram a urgência de acelerar a transição energética e de abandonar progressivamente “subsídios ineficientes aos combustíveis fósseis”.

No entanto, 2022 não foi o ano em que essas promessas se cumpriram. Um relatório da Agência Internacional de Energia (AIE), divulgado este mês, revela que no ano passado os subsídios ao consumo de combustíveis fósseis duplicaram face a 2021, atingindo um valor sem precedentes de um bilião de dólares

Esse aumento é explicado pela crise energética despoletada para invasão da Ucrânia pela Rússia, que provocou um abalo estrondoso nos mercados energéticos mundiais, limitando fortemente as exportações de petróleo e de gás russos e fazendo disparar os preços desses produtos energéticos.

Nesse quadro, para proteger os consumidores dos custos cada vez mais elevados dos combustíveis, os governos ativaram medidas para tentar reduzir os impactos sobre as populações e também sobre as empresas, por exemplo, com a redução dos impostos sobre a venda de energia fóssil.

A nível global, os subsídios ao consumo de petróleo aumentaram aproximadamente 85% face a 2021, sendo que os orientados para o gás natural e para a energia mais do que duplicaram.

Segundo a análise, a maioria dos subsídios ao consumo de combustíveis fósseis foram concedidos em países em desenvolvimento e em economias emergentes, sendo que mais de metade se concentraram em países exportadores.

Apesar de reconhecerem que as medidas implementadas pelos governos pretendiam sobretudo evitar que os consumidores sofressem as consequências mais duras da crise energética causada pela guerra, os autores do relatório indicam que, ainda assim, “a escala destas intervenções” não deixa de ser motivo de preocupação, uma vez que levanta grandes obstáculos à concretização da transição para energias renováveis e menos poluentes.

“Embora muitas outras medidas aplicadas pelos governos sirvam para acelerar as transições [energéticas], estas intervenções nos preços funcionam em sentido contrário, ao favorecerem os combustíveis fósseis”, escrevem os especialistas da AIE.

“O abandono progressivo dos subsídios aos combustíveis fósseis é um ingrediente fundamental para o sucesso das transições para energia limpa, tal como plasmado no Pacto Climático de Glasgow”, assinalam, alertando, contudo, que “a atualmente crise energética global tornou também claros os desafios políticos para fazer disso uma realidade”.

Por isso, os relatores defendem que a melhor proteção contra crises energéticas e contra a volatilidade dos preços dos combustíveis fósseis é o investimento em “mudanças estruturais” que impulsionem o desenvolvimento e a massificação das energias renováveis e limpas.

segunda-feira, 21 de novembro de 2022

A COP 27 reconhece e compensa os danos irreversíveis das mudanças climáticas, mas o acordo se contenta em não recuar


A conferência de Ramsar (COP14) foi concluída após um mês de reuniões internacionais de alto nível que são fundamentais para o futuro da resposta global à emergência ambiental. Esta cimeira apelou à relevância da conservação das zonas húmidas para fazer face às alterações climáticas e à perda de biodiversidade.

Em Espanha, perdemos 60% das zonas húmidas desde a década de 1990. É cada vez mais evidente que é necessário declarar estas zonas como o primeiro habitat em perigo de extinção, como há anos pedimos à SEO/BirdLife.

Saudamos o fato de a COP27 reconhecer que os mais vulneráveis ​​devem ser compensados ​​pelos danos irreversíveis causados ​​pelas mudanças climáticas, cada vez mais presentes em nossas vidas. Ao mesmo tempo, lamentamos que os negociadores tenham tido que chegar a um acordo mínimo, e sem avanços, para não deixar morrer o objetivo comum de que o planeta não aumente sua temperatura média acima de 1,5º Celsius. Essa meta, definida na COP26 em Glasgow, estava prestes a cair, o que significaria o primeiro revés na história das negociações climáticas.

A cúpula do Egito finalmente aprova o tão esperado sistema de perdas e danos. Com este fundo, promovido pela UE in extremis, os Estados mais vulneráveis ​​serão compensados ​​pelos danos que já são irreversíveis e que, no futuro, podem levar diretamente ao desaparecimento de parte ou da totalidade de um país, especialmente ilhas . Países que, por outro lado, não foram responsáveis ​​pelas mudanças climáticas.

“É um passo decisivo no caminho para alcançar a justiça climática para os mais vulneráveis ​​e mais afetados pelas mudanças climáticas que ocorreram em outras partes do mundo. Mas é muito mais: é o mais franco reconhecimento da comunidade internacional sobre as mudanças climáticas e seus efeitos. Num momento de crescente negacionismo, mesmo no Ocidente, fica ainda mais claro que a mudança global está aqui e está prejudicando as pessoas. O que o Egito deixa no ar é quanto, quem e como os danos e prejuízos serão pagos aos países mais vulneráveis. O dinheiro que existe no momento é absolutamente insuficiente. Os países têm que começar a trabalhar agora para que essa questão seja definida até 2023”, disse o chefe de Clima da SEO/BirdLife, David Howell, de Sham el-Sheikh.

Um acordo para deixar as coisas como estão

O avanço decisivo, mas ainda pequeno, representado pelo mecanismo de perdas e danos é provavelmente o único motivo de satisfação na COP27, onde – pela primeira vez – a comunidade internacional está prestes a dar um passo atrás na luta contra a mudança climática: abandonar o objetivo de que a temperatura do planeta não suba acima de 1,5º Celsius, limite de segurança para as pessoas segundo a comunidade científica.

“Fundamentalmente devido à determinação da UE, que esteve prestes a abandonar a cimeira, foi permitido chegar a um acordo mínimo em que as coisas permanecem como estavam: nos mesmos termos que foram alcançados em Glasgow. Isso, na prática, significa pelo menos um atraso na ação climática: enquanto a temperatura média continua subindo (já estamos em um aumento de 1,1ºC), os esforços e compromissos que os países agora têm sobre a mesa permitiriam o aumento médio a 2,5ºC ou mais. Isso, segundo o consenso científico, terá consequências devastadoras para as pessoas e também para a natureza. Cada décimo a mais no termómetro implica o desaparecimento de fato de espécies, de espaços naturais e sofrimento adicional para milhões de pessoas”, aponta Howell.

Direito a um ambiente saudável, na decisão

Nas negociações, também ameaçou que a COP27 reconhecesse o direito humano a um meio ambiente limpo, saudável e sustentável em sua resolução final. O comunicado sumiu na tarde desta sexta-feira, 18 de novembro, por pressão de alguns dos partidos. Isto levou à mobilização de centenas de ONG à escala global, entre as quais a BirdLife International e a SEO/BirdLife, promotoras da iniciativa que conseguiu, no passado mês de julho, que a Assembleia Geral das Nações Unidas reconhecesse este direito.

“O que aconteceu em Sham el-Sheikh é a prova de que conquistar direitos como esse é tremendamente difícil e que eles podem ser perdidos em apenas um instante. A justiça climática e a luta pela mitigação de emissões são parte fundamental do direito ao meio ambiente e, a partir de agora, faz parte do roteiro da Diplomacia Climática significa que ganhamos uma nova ferramenta para levar os países adiante, nos picos e nas casa. Em Espanha, é tempo de exigir que este direito, agora reconhecido como princípio orientador da política social e económica, se torne um direito fundamental e plenamente vinculativo”, afirma a diretora executiva da SEO/BirdLife, Asunción Ruiz.

Nenhuma chamada para a cúpula da biodiversidade

Por último, outra das desilusões desta cimeira é que a resolução final não prevê a mais do que decisiva Cimeira da Biodiversidade, que se realiza desde 7 de dezembro em Montreal (Canadá). “Esta cúpula é chamada a criar um Acordo de Paris para a natureza e a COP27 perdeu a oportunidade de lembrar aos negociadores que, sem a biodiversidade, os objetivos, justamente, os Acordos de Paris, não podem ser alcançados. 37% de suas metas dependem exclusivamente da conservação e recuperação da natureza”, diz Ruiz. E acrescenta: “Sem dúvida, Montreal é a cúpula mais importante a ser realizada este ano. Precisamos de um acordo com objetivos claros e vinculantes para todos os países que permitam ao mundo deter a sexta extinção que estamos vivendo até 2030 e começar a recuperar a natureza.

Papel da Espanha na COP27

A Espanha posicionou-se como um dos países que lideram os esforços para alcançar acordos multilaterais que permitam abordar os requisitos expressos pela Ciência. A SEO/BirdLife valoriza muito a atuação da vice-presidente do governo espanhol, Teresa Ribera, e solicita um papel semelhante na COP15 da Convenção sobre Diversidade Biológica (CBD) que começa no dia 7 de dezembro em Montreal. «A perda da biodiversidade é a outra face da moeda das alterações climáticas e uma das soluções para a travar. é por isso que a Espanha deve mostrar a mesma determinação na CBD COP15. O trabalho do governo não deve terminar hoje, em Montreal devemos alcançar um Marco Global para a Biodiversidade semelhante ao que alcançamos em Paris para o Clima», aponta Ruiz.

sábado, 19 de novembro de 2022

Os melhores e os piores factos de 2021 e as expectativas ambientais para 2022, segundo a Quercus


Numa altura em que a Covid-19 continua no topo das preocupações, a Quercus – Associação Nacional de Conservação da Natureza recorda que o eclodir das pandemias está inextricavelmente associado à perda da biodiversidade, à destruição de habitats selvagens e às alterações climáticas. Razões por que o Governo e todas as autarquias, tal como as empresas, têm mais do que nunca a responsabilidade de reforçar estratégias e investimentos rumo à promoção de uma verdadeira estratégia nacional para a biodiversidade e de conservação das áreas protegidas e a proteger, incluindo os vastos recursos oceânicos nacionais.

No dia em que foi publicada a Lei de Bases do Clima (Lei n.º 98/2021), que reconhece vivermos na atualidade uma situação de “emergência climática”, a Quercus recorda ao Executivo que a neutralidade carbónica deve ser atingida o mais tardar em 2040, se queremos garantir a segurança climática às gerações vindouras, isto é, assegurar que a temperatura global se mantém abaixo dos 1,5ºC. “A aplicação em curso de verbas massivas no âmbito do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) continua a subestimar fortemente o potencial das medidas ambientais e climáticas na promoção dos empregos verdes e numa recuperação económica sustentável e com visão de futuro, de que são (péssimos) exemplos a aposta nas monoculturas intensivas e nas culturas de regadio, geradoras de poluição, escassez hídrica e destruição da paisagem”, indica a Associação no comunicado.
Os piores factos ambientais de 2021

Não à prospeção e ao licenciamento de recursos minerais em áreas protegidas e onde há forte contestação popular
A Quercus repudiou a assinatura dos contratos de concessão de vários processos de exploração mineira, entre eles alguns dos mais polémicos e mais gravosos ambiental e socialmente, de que são exemplos a mina da Argemela, Lagoa Salgada, Borralha, ou a enorme concessão à Fortescue, em Trás-os-Montes, sem que, na maioria estejam concluídos os processos de Avaliação de Impacte Ambiental (AIA).

Aumento previsto das áreas limites de eucalipto por concelho em mais 37 mil hectares face à meta traçada para 2030
Embora a Estratégia Nacional para as Florestas (ENF) estabeleça para 2030 uma meta máxima de 812 mil hectares de plantações de eucalipto no território continental português, o facto é que o 6.º Inventário Florestal Nacional (IFN6), decorrente da recolha de imagens realizada em 2015, apontava já para uma área continental de cerca de 845 mil hectares ocupados por esta espécie exótica. Ou seja, superior à meta da ENF em cerca de 33 mil hectares. Assim, a Quercus estranha que “o Governo esteja neste momento a preparar um diploma legal para fazer aumentar os limites máximos de área de plantações de eucalipto por município. O acréscimo global aponta para cerca de 37 mil hectares.”

Novo aeroporto: Falha na AAE põe em causa seriedade do processo
Pese embora o falhanço do Processo de Avaliação de Impacte Ambiental tenha deixado claro que todo o processo de seleção da Base Aérea N.º 6 (Montijo), com vista à instalação do Novo Terminal de Aeroporto, esteja enviesado e seja incapaz de promover a proteção das zonas húmidas do local e o respeito pelos valores legais do ruído aquando da sua exploração, além da segurança aeronáutica, o Governo lançou um concurso público internacional para uma avaliação estratégica que carece de seriedade e de estratégia e está longe de corresponder às necessidades de encontrar uma solução que salvaguarde a preservação dos ecossistemas e a qualidade de vida das populações locais.

Barragem do Pisão
O Empreendimento de Aproveitamento Hidráulico de Fins Múltiplos do Crato, mais conhecido por barragem do Pisão, foi inscrito para investimento no Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), apesar da oposição da Quercus e de outras entidades na fase de consulta pública do PRR, devido aos elevados impactes ambientais sobre o montado e à destruição da agricultura tradicional sustentável, pelo que se considera um primeiro tiro da “bazuca” fora do alvo.

“Esta situação mostra à sociedade que existem projetos ambientalmente ruinosos que tiveram financiamento garantido antes sequer de existir um processo de avaliação ambiental. Em causa estão 120 milhões de investimento inscritos só no PRR, para um projeto estimado inicialmente em 171 milhões de euros, que entre os fortes impactes vai prejudicar os contribuintes em benefício apenas da agricultura superintensiva e do turismo, pois o projeto em nada contribuirá sequer para o abastecimento público de água às populações.”

Energias renováveis carecem de critérios de localização
A Quercus defende a produção de eletricidade a partir de um diversificado conjunto de métodos, de que o solar voltaico é uma das soluções. Contudo defende preferencialmente o apoio à produção descentralizada, às famílias e aos consumidores, privilegiando as cadeias de distribuição curtas e o investimento no designado “hidrogénio verde” como modo de armazenamento. Embora reconheça a forte necessidade de recurso a fontes de energia renováveis, com vista à descarbonização da economia, a Quercus defende que o Executivo não deve deixar à discrição dos investidores e operadores a localização das centrais solares, como se tem verificado, ocupando solos com potencial agrícola ou mesmo áreas sensíveis e potenciando disrupções sociais – com frequência, colocando populações inteiras contra as renováveis.

Destruição da Mata Nacional dos Medos
O Plano de Gestão Florestal (PGF) da Mata Nacional dos Medos, que integra a Paisagem Protegida da Arriba Fóssil da Costa da Caparica (PPAFCC), em vigor, prevê a realização de desbastes e desramações, junto ao parque de merendas da Aroeira, na parte norte da Avenida do Mar. Todavia, o que se constatou foi a realização de uma operação de exploração florestal com uso de maquinaria florestal pesada e o abate e trituração de pinheiros mansos adultos. Inaceitável intervenção do Instituto de Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF) numa área classificada como de conservação, indica a Quercus.

PEPAC subverte medidas verdadeiramente agroambientais 
Apesar da recente aprovação das estratégias da Comissão Europeia “Do prado ao prato” e “Biodiversidade 2030”, a mais recente versão do PEPAC (Plano Estratégico da Política Agrícola Comum) 2023-2027 já vem subverter esses documentos, nomeadamente por voltar a colocar a “Produção integrada” praticamente ao mesmo nível da “Agricultura biológica (agora em “Ecorregime” no 1º pilar da PAC), mas com todos os pesticidas e adubos químicos aprovados e homologados para a agricultura convencional. Ou seja, praticamente todos os agricultores em Portugal que não façam agricultura biológica podem beneficiar de ajudas semelhantes, podendo usar os mais poluentes dos adubos – nitratos, fosfatos e cloretos solúveis – e os pesticidas mais tóxicos, como o glifosato. Políticas que continuam a permitir decisões arbitrárias dos Estados Membros e a beneficiar os grandes promotores do agro-negócios. Desde 2014, altura em que foram alteradas as regras nacionais para a Proteção Integrada (PI) a má trajetória não foi invertida.

Mais ambição imperativa na gestão de resíduos
Apesar da meta ambiciosa de redução de 10% da deposição de resíduos, atualmente estamos a colocar em aterro sanitário mais de 60% dos resíduos urbanos produzidos. Além das metas de redução da produção de resíduos – incluindo os resultantes da situação pandémica, praticamente negligenciados – estarem muito aquém do desejável, no campo do recolha e valorização dos bio-resíduos há todo um caminho a percorrer, a começar nas escolas e nas ações de educação ambiental que se poderiam promover junto da população escolar.

Os melhores factos ambientais de 2021
Lei do Clima hoje publicada em Diário da República
A Quercus – ANCN saúda o facto de hoje, dia 31 de dezembro de 2021, ter sido publicada a Lei de Bases do Clima (Lei n.º 98/2021), que reconhece, logo no seu artigo 2.º, vivermos na atualidade uma situação de “emergência climática”. A associação vê como positivo o facto de o Governo ter de proceder à elaboração de um Relatório bianual em matéria de segurança climática.

Reconhecendo que “todos têm direito ao equilíbrio climático” e que o mesmo “consiste no direito de defesa contra os impactes das alterações climáticas, bem como no poder de exigir de entidades públicas e privadas o cumprimento dos deveres e das obrigações a que se encontram vinculadas em matéria climática”, o diploma assume o objetivo de “promover a segurança climática” e prevê a criação futura do Conselho para a Ação Climática.

No respeitante às metas de mitigação (redução das emissões de gases de efeito de estufa – GEE) – o Governo assume o compromisso de reduzir as emissões GEE, em “pelo menos, 55%” até 2030; em “pelo menos, 65 a 75%” até 2040; e em “pelo menos, 90%” até 2050 –, a Quercus-ANCN lamenta que o ano-base considerado tenha sido o ano de 2005 (altura em que Portugal registou um pico de emissões), mais favorável do que o ano de 1990, data de referência adotada pela União Europeia no âmbito das negociações climáticas desde a adoção do Protocolo de Kyoto, em 1998.

Enquanto membro da Climate Action Network (CAN), a Quercus advoga que a neutralidade carbónica, por parte dos países industrializados, deve ser atingida o mais tardar em 2040 e que os restantes países do mundo, como defende o Painel Intergovernamental para as Alterações Climáticas (IPCC), das Nações Unidas, devem atingir a neutralidade carbónica em 2044, de modo a manter a temperatura global abaixo dos 1.5.

Proibição de embalagens e produtos descartáveis em plástico
Com a aprovação, em 2 de setembro, do decreto-lei que procedeu à transposição parcial da Diretiva (UE) 2019/904, do Parlamento Europeu e do Conselho, de 5 de junho de 2019, relativa à redução do impacto de produtos de plástico de utilização única e aos produtos feitos de plástico oxodegradável, passou a ser proibida, a partir de 1 de novembro de 2021, a colocação no mercado de determinados produtos de plástico de utilização única, tais como cotonetes, talheres, pratos, palhas, varas para balões, bem como copos e recipientes para alimentos feitos de poliestireno expandido. Esta interdição contribui não só para reduzir o consumo de produtos de origem fóssil, como reduzirá a produção de resíduos que na sua maioria não são reciclados. Por outro lado, contribui para minimizar de alguma forma a poluição marinha, na sua maioria com origem terrestre.

Área de agricultura biológica mais que duplicou em 2021
A produção agrícola biológica no nosso país tem vindo a aumentar ano após ano, e registou um aumento considerável em 2021, pois a área certificada mais que duplicou face ao ano anterior, conforme estatísticas do Observatório Nacional da Produção Biológica, publicadas em https://producaobiologica.pt/. Estes dados não revelam as áreas por cultura, que importa analisar. Afigura-se imperativo também o incentivar a uma agricultura alimentar de cadeias curtas, assumindo-se as produções de hortícolas, frutas, cereais e proteaginosas como as mais relevantes, mas ainda insuficientes para o mercado nacional. Note-se que este aumento foi favorecido pelo facto de, neste ano de transição da PAC, terem aberto pela primeira vez em cinco anos, novas candidaturas agroambientais para a agricultura biológica (Medida 7.1 do PDR2020), sem que tivessem aberto para a produção integrada (Medida 7.2 do PDR2020).

Lagoa dos Salgados – nova área protegida é classificada em 21 anos
A decisão de vir a criar uma nova área protegida, no Algarve – lamentavelmente, a primeira área protegida que deverá ser criada no espaço de 21 anos! – é um sinal positivo. A Lagoa dos Salgados e o Sapal de Armação de Pêra reúnem um conjunto excepcional de valores naturais, com particular destaque para a avifauna aquática, tendo-se tornado um dos locais de observação de aves mais visitados do país, assumindo hoje um papel estratégico do ponto de vista paisagístico, turístico e ecológico da região. Este é para a Quercus o corolário de uma luta e de um empenho decidido no objectivo da sua protecção e salvaguarda, que, esperamos, venha a servir de exemplo para outras zonas semelhantes num futuro próximo.

Perspetivas para 2022
Revisão dos Critérios das Faixas de Gestão de Combustível
A publicação do Decreto-Lei n.º 82/2021, de 13 de outubro, o qual cria o Sistema de Gestão Integrada de Fogos Rurais (SGRIF) no território continental, definindo as suas regras de funcionamento, vem revogar o Decreto-Lei n.º 124/2006, de 28 de junho, que estabeleceu o Sistema Nacional de Defesa da Floresta Contra Incêndios (SNDFCI), ainda que com algumas exceções. A Quercus espera a correção dos critérios aplicáveis às faixas de gestão de combustível do SNDFCI, sobre a rede secundária, sem qualquer fundamento técnico-científico, de modo a travar a atual destruição das bordaduras de espécies autóctones de povoamentos florestais, nomeadamente das folhosas autóctones.

Ação climática em todos os setores!
A COP-26, não conduziu à assinatura de um acordo que regulamente os Acordos de Paris. Porém saldam-se como resultados positivos desta Conferência Climática os acordos sectoriais obtidos relativos às emissões de metano, à reflorestação e ao incentivo às energias limpas nas viaturas. Relançou, contudo, o debate em torno da crise climática. O crescente aumento da consciência coletiva para os complexos fenómenos em causa vai abrindo caminhos a mudanças estruturais da sociedade. O necessário reforço no trabalho em rede com diversos setores, e em particular as organizações da sociedade civil, é um desafio que a Quercus assume e pretende aprofundar em 2022.

Biodiversidade e Oceanos
A Quercus relembra que Lisboa receberá em 2022 a Conferência das Nações Unidas sobre os Oceanos, vinculada ao tema da proteção e regeneração dos Oceanos. A Quercus entende que este é um momento crucial para estabelecer princípios internacionais visando a proteção de todas as zonas oceânicas e as que estão a estas intimamente ligadas, como foz, estuários e deltas de rios, além da luta contra a contaminação por plásticos e micropartículas, hidrocarbonetos, entre outros poluentes, bem como a salvaguarda dos habitats marinhos e proteção das espécies. O exemplo da criação da Lagoa dos Salgados, no Algarve, deve e tem imperiosamente de ser replicado. Há um ano, no âmbito do Painel de Alto Nível para uma Economia Sustentável do Oceano, o Executivo comprometeu-se a, até 2025, gerir de forma sustentável 100% do oceano sob jurisdição nacional. Urge tornar este objetivo uma realidade.

quinta-feira, 27 de outubro de 2022

Petição Internacional - Tell World Leaders: Keep your promises and Stop Funding Fossils


A poucos dias até à COP27, esta edição do WEO 2022 exerce pressão adicional sobre os países signatários da Declaração de Glasgow, incluindo Portugal, que prometeram acabar com o financiamento público internacional para combustíveis fósseis até ao final do ano: Assina e Partilha

O  Relatório da Edição World Economic Outlook 2022 lançado hoje pela IEA  essencialmente destrói o mito de que o gás fóssil é um combustível de transição, deixando claro que os combustíveis fósseis NÃO são a solução para as atuais crises climática, energética e de acessibilidade económica.






sexta-feira, 21 de outubro de 2022

Dia Internacional da Acção sobre a Biomassa em Grande Escala



Envolvendo organizações de países ao redor do mundo, o Dia Internacional de Ação sobre a Biomassa em Grande Escala destacará os impactos da biomassa industrial em muitas partes do mundo. Será um dia de eventos online, que acontecerá no dia 21 de outubro, e incluirá webinars, submissão de petições, publicações de relatórios e muito mais. Ajude-nos a expor a verdade sobre BigBadBiomass ampliando sua campanha local e aumentando a pressão política em preparação para as negociações climáticas da COP26.

Para uma lista completa de eventos e informações sobre como se envolver, consulte: Environmental Paper


A Bad Biomass Bet: Why the Leading Approach to Biomass Energy with Carbon Capture and Storage Isn't Carbon Negative

quinta-feira, 13 de outubro de 2022

Petição - COP27: Stop Excluding Military Pollution from Climate Agreements


Governments are hearing our demand! This petition is unchanged from that submitted to COP26 in Glasgow, Scotland, in 2021. But that does not mean it has had no impact yet. We protested outside the COP26 meetings. At COP27 there are three official events planned on the topic of militarism and climate within the conference. That’s a result of your efforts! Now is a time to further build the demand for action.

To: Participants in COP27 UN Climate Change Conference, Sharm El-Sheikh, Egypt, Nov. 6-18, 2022

As a result of final-hour demands made by the U.S. government during negotiation of the 1997 Kyoto treaty, military greenhouse gas emissions were exempted from climate negotiations. That tradition has continued.

The 2015 Paris Agreement left cutting military greenhouse gas emissions to the discretion of individual nations.

The UN Framework Convention on Climate Change, obliges signatories to publish annual greenhouse gas emissions, but military emissions reporting is voluntary and often not included.

NATO has acknowledged the problem but not created any specific requirements to address it.

There is no reasonable basis for this gaping loophole. War and war preparations are major greenhouse gas emitters. All greenhouse gas emissions need to be included in mandatory greenhouse gas emission reduction standards. There must be no more exception for military pollution.

We ask COP27 to set strict greenhouse gas emissions limits that make no exception for militarism, include transparent reporting requirements and independent verification, and do not rely on schemes to “offset” emissions. Greenhouse gas emissions from a country’s overseas military bases must be fully reported and charged to that country, not the country where the base is located.


Saber mais:

quarta-feira, 5 de outubro de 2022

Documentário - The price of green energy


Veículos elétricos, energia eólica e solar: A era dos combustíveis fósseis está a chegar ao fim. Ao mesmo tempo, a procura por outras matérias-primas está a aumentar. É um negócio bilionário, com sérias consequências ambientais. Atualmente, metais de terras raras como grafite, cobre e lítio são componentes-chave em muitos produtos de alta tecnologia. Isso inclui não apenas smartphones e laptops, mas também veículos elétricos e parques eólicos. Apesar de ser fundamental para um futuro mais ecológico, o processo de extração desses metais raros muitas vezes não leva em consideração a saúde e a segurança dos trabalhadores ou os padrões ambientais básicos. A China é líder de mercado na mineração e comercialização de metais de terras raras. As consequências negativas podem ser vistas em lugares como a província de Heilongjiang. Aqui, resíduos tóxicos do processo de extração de grafite podem ser encontrados a vários quilómetros das minas de grafite. Cobre e lítio, usados ​​na produção de baterias, são extraídos em grande escala no Chile e na Bolívia. O comércio global de matérias-primas é um negócio florescente de biliões de dólares. Mas as reservas são finitas. É por isso que o consumo deve ser reduzido e as cotas de reciclagem desses recursos tão procurados devem ser aumentadas.

Saber mais:
The dirty truth about clean energy

sábado, 10 de setembro de 2022

Is Truss worthy of climate confidence?


After a torrid summer of extreme heat, drought and raw sewage on the beaches, forming a suitable background to two months of political brawling, the hard-fought campaign to be the next prime minister of the UK finally ended this week. Liz Truss, the former foreign secretary, took up residence in Downing Street on Tuesday.

Truss is a former environment secretary, but her record in the post from 2014 to 2016 has not inspired confidence among green campaigners. The former Shell executive cut funding while in charge of the Department for Environment, Food and Rural Affairs, which contributed to the overwhelming of the UK’s waterways and beaches this summer with floods of untreated sewage.

That sewage appeared as an alarmingly real metaphor for the UK’s political scene. Boris Johnson, prime minister from summer 2019 until he was brought down by his own messy mistakes in July, was at least thought to have genuinely green instincts and a commitment to environmental causes, including the UK’s target for reaching net zero greenhouse gas emissions by 2050.

Truss – who was appointed after a vote among the 160,000 or so members of the ruling Conservative party, rather than a general election – is known for her free-market convictions. During her campaign, she rejected calls to deal with the growing cost of living crisis by helping consumers with their bills, but made a striking U-turn in the later stages by agreeing to cap energy bills for domestic consumers.

That will be paid for from the government’s coffers, rather than the fossil fuel industry, however – and she has rejected calls to expand the windfall tax on energy companies.

Truss also caused consternation by appointing Jacob Rees-Mogg, a prominent right-winger, Brexiter and climate sceptic, as secretary of state in charge of business and energy. Like the new PM, he is firmly in favour of new oil and gas drilling, expanding existing fossil fuel production from the North Sea, and fracking. He has spoken out against windfarms, and Truss spoke out against solar farms during her campaign, which has left renewable energy advocates rattled.

Fracking appears to be a top priority for Truss, with the lifting of the moratorium on shale drilling one of the centrepieces of her energy strategy, unveiled on Thursday. This is quite a turnaround for her new chancellor, Kwasi Kwarteng. Only in February, when he was business secretary, he tweeted that fracking would "not materially affect the wholesale market price [for gas] ... UK producers won’t sell shale gas to UK consumers below the market price. They’re not charities."

The chiefs of the UK’s independent statutory advisers on the climate, the Committee on Climate Change, and the National Infrastructure Commission took the unprecedented step of writing a joint letter to Truss this week. They advised firmly that expanding UK gas production would have little impact on gas prices, and the way to bring down energy bills was instead to reduce demand, particularly through a programme of home insulation. The UK has lacked a programme for insulating its draughty houses – the leakiest in western Europe – since the demise of a botched scheme last year.

What Truss does on climate will matter not just for the UK. As one of the G7 countries, the UK carries a heavy responsibility for action, and as host of the Cop26 UN climate summit in Glasgow, showed a willingness to take a lead on the world stage. Alok Sharma, the cabinet minister who presided over Cop26, will stay in post and remains officially Cop president until Egypt takes the reins of the global talks at Cop27 this November.

Truss takes office at a time of international crises over energy, food and the cost-of-living, and a vital moment for the world’s efforts to limit global heating to 1.5C above pre-industrial temperatures, as agreed at Cop26. She has officially committed her government to meeting the UK’s legally binding target of reaching net zero greenhouse gas emissions by 2050. But the question now is whether she intends to bring forward the policies needed to actually meet that goal.