terça-feira, 15 de setembro de 2026
Democracia portuguesa vive o pior momento desde o 25 de Abril, alerta Sampaio da Nóvoa
segunda-feira, 14 de setembro de 2026
O tempo despendido no consumo de conteúdos digitais e as suas implicações sociológicas: atomização social, alienação e o declínio da intervenção cívica
O ecossistema digital consolidou-se como o eixo central da vida quotidiana, com os utilizadores de internet em Portugal a demonstrarem uma ligação cada vez mais profunda às plataformas online. Os dados do relatório Digital 2026, elaborado pela We Are Social em parceria com a Meltwater, revelam que mais de 7,5 milhões de portugueses utilizam redes sociais, representando cerca de 8 em cada 10 internautas no país. Em média, o tempo despendido nas redes sociais situa-se nas 2 horas e 10 minutos por dia, com o TikTok a liderar no tempo médio de utilização (1 hora e 23 minutos diários por utilizador ativo) e o YouTube a destacar-se pelo alcance massivo. No entanto, o consumo apresenta uma forte assimetria geracional: os jovens dos 15 aos 24 anos lideram o tempo de ecrã com 2 horas e 25 minutos diários, ao passo que a faixa dos 25 aos 44 anos regista 1 hora e 45 minutos e os utilizadores com mais de 45 anos fixam-se em 1 hora e 15 minutos. Este comportamento mobile-first - impulsionado por 95,9% dos utilizadores que acedem à rede via smartphone - estende-se ao processo de compra, onde 65% dos jovens dos 16 aos 24 anos usam as redes para pesquisar marcas, e à integração massiva da Inteligência Artificial generativa, utilizada diariamente por mais de 40% dos internautas portugueses.
À escala global, o estudo aponta para 6 mil milhões de utilizadores de internet e 5,66 mil milhões nas redes sociais (68,7% da população mundial), num cenário onde a publicidade social já ultrapassa a televisão e os motores de busca como principal meio de descoberta de marcas entre os 16 e os 34 anos.
A transição massiva para este ecossistema digital contínuo traz consigo profundas implicações sociológicas. A submersão em formatos de vídeo vertical e a personalização extrema por algoritmos favorecem a atomização social, um fenómeno em que os indivíduos se isolam em bolhas informacionais e de entretenimento hiperpersonalizado, fragilizando o tecido comunitário e as interações no espaço público físico.
Este consumo compulsivo acarreta igualmente riscos de alienação social, na medida em que a mediação do mundo real por ecrãs substitui a experiência interpessoal direta por laços parassociais e validação digital. Por sua vez, a saturação de estímulos rápidos e efémeros correlaciona-se com uma diminuição do escrutínio crítico e com uma baixa intervenção cívica, transformando o debate democrático num espetáculo de consumo individual e imediato, onde o ativismo muitas vezes se reduz ao slacktivism de redes sociais, distanciando os cidadãos do envolvimento comunitário tradicional e da ação política participativa.
Fontes e Hiperligações dos Estudos
DataReportal – Digital 2026: Global Overview Report (We Are Social & Meltwater) We Are Social – Reports & Insights (ponto de situação no Reino-Unido)
sexta-feira, 4 de setembro de 2026
A próxima crise financeira global? O alerta do FMI sobre a dívida e as lições de 2008
terça-feira, 1 de setembro de 2026
Da estagnação económica ao colapso climático: a ilusão da neutralidade política que ameaça a democracia
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Alerta de Jean Jouzel: A Catástrofe de 2050 e a Ecologia Política
quinta-feira, 9 de julho de 2026
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sábado, 4 de julho de 2026
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Saber não basta - décadas de investigação nas ciências comportamentais demonstram que a informação, por si só, raramente produz mudanças significativas de comportamento
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| O Fosso entre Saber e Agir (The Value-Action Gap) [relatório disponível aqui] |
George Marshall (Livro: Don't Even Think About It: Why Our Brains Are Wired to Ignore Climate Change): Este livro explora exatamente o que a autora descreve: como o cérebro humano lida mal com riscos abstratos, distantes no tempo e geograficamente distantes.
Per Espen Stoknes (Livro: What We Think About When We Try Not To Think About Global Warming): Stoknes, um psicólogo e economista norueguês, identificou as "5 barreiras psicológicas" para a ação climática (Distância, Destruição, Dissonância, Negação e Identidade). O texto de Helena Freitas reflete quase diretamente o trabalho de Stoknes ao falar sobre a "redução da resposta emocional" e a "resignação".
Adam Tooze (Historiador e Economista): Popularizou o termo "Policrise" para descrever como a crise climática, a geopolítica, a inflação e as pandemias já não são eventos isolados, mas uma rede interligada onde um choque amplifica o outro.
Thomas Homer-Dixon (Artigos sobre Complex Systems and Cascading Regimes): Investigador que estuda como o stress ecológico interage com o stress económico e político, levando ao colapso ou à necessidade de resiliência sistémica.
sexta-feira, 5 de junho de 2026
Dia Mundial do Ambiente - Relatório global oferece uma alternativa ao colapso climático, ao extremismo político e às tensões económicas
terça-feira, 2 de junho de 2026
Curva de Keeling: o gráfico que tirou a "pressão arterial" à Terra
sábado, 30 de maio de 2026
O adeus a Edgar Morin. 104 a resistir, pensador global, herdeiro do iluminismo
- A Policrise: um termo que co-pioneou para descrever como as crises ambientais, económicas, sociais e políticas não acontecem de forma isolada. Pelo contrário, alimentam-se e amplificam-se mutuamente de forma dinâmica.
- O Princípio hologramático: a ideia de que, tal como num holograma, a parte está no todo, mas o todo também está embutido na parte (por exemplo, um indivíduo carrega em si toda a cultura da sua sociedade).
- Religação (Reliance): a capacidade humana de construir e sustentar laços significativos, que ele defendeu como a nossa ferramenta máxima de solidariedade num mundo profundamente fragmentado.
- Texto de Leonídio Paulo Ferreira
- Edgar Morin, sociologue du temps présent et agitateur d’idées (Le Monde)
- Edgar Morin, entretien avec le théoricien de la pensée complexe - C Ce Soir du 24 juin 2021 (entrevista)
- Surnommé "le penseur planétaire", le philosophe et sociologue Edgard Morin est mort à l'âge de 104 ans ( grande reportagem)










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