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sexta-feira, 10 de julho de 2026

França em revolta contra sistema de reciclagem de garrafas idêntico ao "Volta" em Portugal


Revolta ambiental. ONG's (Organizações Não Governamentais) e algumas autoridades locais eleitas estão a posicionar-se contra uma proposta do governo francês.

O plano prevê a reciclagem de garrafas plásticas recolhidas, em vez da sua reutilização. O presidente Emmanuel Macron retomou o projeto no final de maio deste ano, apesar de grupos ambientalistas já terem feito um alerta sobre o assunto algures em 2023.

Mas então, porque é que esta distinção é tão importante?
A ideia do governo é reciclar garrafas plásticas em vez de reutilizá-las. Axèle Gibert, coordenadora de prevenção de resíduos da France Nature Environnement (FNE), explica a questão: "Não se trata de um sistema de depósito para reutilização... mas de um sistema que permitirá aos fabricantes recuperar essas garrafas para produzir ainda mais plástico".

O problema: as garrafas não são lavadas para reutilização posterior
Elas serão recicladas. Além disso, muitos críticos do projeto, incluindo funcionários eleitos, querem usar um termo diferente de “depósito”. Segundo eles, as garrafas não são “retornáveis”. Até falam em 'greenwashing'. Nicolas Garnier, membro da associação Amorce, só vê lucro para os fabricantes. “Esta ampla medida de 'greenwashing' não tem outro objetivo senão vender mais garrafas de plástico descartáveis”.

Para o presidente da Câmara de Bures-sur-Yvette (Essonne), “teremos agora que tomar medidas que façam o Estado compreender que não deixaremos que este absurdo nos detenha”. Do lado do governo, Mathieu Lefèvre, Ministro Delegado responsável pela Transição Ecológica, explica que “a taxa de recolha e reciclagem de garrafas e outras embalagens de plástico foi de apenas 58,4% em 2024, contra uma meta de 90%”.

O uso de plástico continua a destruir o nosso planeta.

Se esta meta não for atingida, "a implementação de um sistema de depósito para reciclagem tornar-se-á obrigatória a 1 de janeiro de 2029". Segundo Nicolas Garnier, o projeto "custaria aos consumidores entre 1 mil milhão e 3 mil milhões de euros". Há, portanto, um verdadeiro impasse entre o governo e os críticos do projeto. Alguns autarcas de várias partes da França, apoiados por sindicatos do setor de gestão de resíduos, estão prontos para adotar medidas drásticas.

Mais especificamente, ameaçaram "suspender o pagamento da TGAP" - sigla para a taxa geral sobre atividades poluentes. Esta ameaça poderá concretizar-se caso o governo não mude de rumo e insista em manter a sua posição. Falando em nome dos opositores do sistema, o deputado Philippe Vigier lamentou o que descreveu não mais como uma consulta, mas como uma "imposição" por parte do Estado.

Como funciona a TAGP  e porque é que os autarcas ameaçam suspender o pagamento?
A TGAP (Taxe Générale sur les Activités Polluantes) é a Taxa Geral sobre Atividades Poluentes em França, um imposto cobrado pelo Estado com base no princípio do poluidor-pagador. Quem paga esta taxa diretamente ao Estado não são os cidadãos, mas sim as entidades responsáveis pela gestão de resíduos. Na prática, sempre que uma autarquia francesa recolhe o lixo dos seus habitantes e o envia para um aterro ou para um incinerador, é obrigada a pagar ao governo central uma quantia fixa por cada tonelada de resíduos tratada. A nível nacional, este imposto representa um valor astronómico que ronda as centenas de milhões de euros anuais pagos pelos municípios aos cofres do Estado.

O descontentamento com o plano do governo de Emmanuel Macron levou os presidentes de câmara e os municípios franceses a ameaçarem suspender o pagamento desta taxa, por se sentirem profundamente injustiçados a nível financeiro e logístico. Ao longo dos últimos anos, as autarquias investiram milhões de euros na modernização de ecocentros públicos para separar o lixo doméstico. Dentro de todos os resíduos, as garrafas de plástico PET limpas funcionam como o filé mignon do lixo, sendo o único material que os municípios conseguem vender a bom preço às empresas de reciclagem para financiar e cobrir os custos do resto da recolha urbana.

O novo plano do governo destrói completamente este equilíbrio económico. Ao criar um sistema de máquinas de depósito nos supermercados, o Estado retira a recolha das garrafas de plástico das mãos dos municípios e entrega o negócio diretamente à indústria das grandes marcas de bebidas. Isto resulta num castigo duplo para as autarquias francesas, que perdem subitamente uma receita essencial com a venda do plástico, mas continuam com a obrigação onerosa de recolher o lixo que ninguém quer, como restos de comida, fraldas ou sofás. Para agravar a situação, os municípios teriam de continuar a pagar a pesada taxa TGAP ao Estado pelo envio desse lixo restante para incineração ou aterro, mesmo sem o retorno financeiro do plástico.

Esta ameaça de suspensão do pagamento funciona, portanto, como uma poderosa arma de arremesso político e uma autêntica greve fiscal ecologicamente motivada. Ao cortarem o fluxo deste imposto, os autarcas franceses lançam um ultimato claro ao governo central, avisando que não vão financiar os cofres do Estado se este insistir em retirar o negócio do plástico ao setor público para o entregar aos grandes industriais privados (como a Nestlé, Coca-Cola, Pepsi-Cola, etc.)

Empresas industriais estão na mira de grupos ambientalistas

Por enquanto, as discussões parecem estar paralisadas.
As relações estão tensas e as associações lamentam o facto de o governo permitir que a indústria continue a utilizar plástico — repetidamente — em vez de combater essa prática e tentar minimizar o seu uso.

Fonte

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segunda-feira, 25 de maio de 2026

O sistema Volta - puro Enshittification


Já tinha falado sobre isso aqui

A SDR Portugal, uma associação sem fins lucrativos, é apresentada como uma das grandes conquistas da nova economia circular. Uma solução moderna, sustentável e inevitável para aumentar as taxas de reciclagem e aproximar Portugal dos objectivos ambientais europeus. A narrativa pública é simples, eficaz e cuidadosamente construída: devolver embalagens para salvar o planeta.

Consumir continua perfeitamente aceitável. Desde que a culpa venha com código de barras e seja colocada na máquina correcta.

O presidente da SDR Portugal é Leonardo Bandeira de Melo Mathias, antigo Secretário de Estado Adjunto e da Economia no governo de Pedro Passos Coelho. Um dos vice-presidentes é António Augusto dos Santos Casanova Pinto, vice-presidente do Conselho de Administração da Sumol Compal Marcas e administrador executivo do grupo.

Segundo o Relatório e Contas de 2024 da própria SDR, os órgãos sociais não são remunerados. No entanto, os gastos com remunerações em 2024 ascenderam a €136.333,25 antes de impostos (Seg. Social + IRS). O número de pessoas ao serviço em 31 de Dezembro de 2024 era de apenas 3, sendo referido no relatório que existia um Director-Geral contratado desde Junho de 2022 e que apenas em Dezembro de 2024 foram contratados um Director de Operações e um Director de Tecnologias de Informação.

Ou seja, durante praticamente todo o exercício de 2024, o grosso dos encargos salariais esteve concentrado numa única pessoa e com um valor (€9.738 líquidos /mês) bastante interessante para uma estrutura ainda em fase inicial de operação. Afinal, até a reciclagem moderna exige a sua pequena aristocracia técnica.

O próprio Relatório e Contas revela ainda outro detalhe particularmente curioso: existe um conjunto de grandes empresas que realizaram empréstimos à SDR, os quais, segundo o Relatório de Gestão, serão pagos “quando a associação tiver meios financeiros para o fazer”.

Traduzindo do dialecto institucional para português corrente: o dinheiro há-de voltar. Ou seja, não se trata propriamente de capital a fundo perdido nem de um gesto puramente filantrópico. Trata-se de dinheiro que deverá regressar futuramente a quem o colocou no sistema.

Entre os credores encontram-se:
Auchan Retail Portugal, S.A.: €247.000
ITMP Alimentar, S.A.: €247.000
Super Bock Bebidas, S.A.: €247.000
Pingo Doce - Distribuição Alimentar, S.A.: €247.000
Lidl & Companhia: €247.000
Modelo Continente Hipermercados, S.A.: €247.000
Sumol Compal Marcas, S.A.: €247.000
Coca-Cola Europacific Partners Unipessoal, Lda: €247.000
SCC - Sociedade Central de Cervejas e Bebidas, S.A.: €247.000
Unilever Fima, Lda: €247.000
Total: €2.470.000

A pergunta verdadeiramente interessante não é se o sistema é ecológico. É perceber como, quando e através de que mecanismos financeiros estes valores serão recuperados. Porque num sistema financiado por depósitos, taxas, fluxos operacionais e receitas futuras associadas à reciclagem, alguém acabará inevitavelmente por pagar a factura final da virtude ambiental.

No entanto, quando se observa o modelo para além da superfície publicitária e das campanhas institucionais, percebe-se que talvez estejamos perante algo bastante mais complexo do que uma simples iniciativa ecológica.

O que está a ser criado não é apenas um sistema de reciclagem. É uma infraestrutura económica, logística e tecnológica de enorme dimensão, construída em torno da circulação permanente de embalagens, depósitos, dados e contratos.

A lógica do mecanismo parece inocente. O consumidor compra uma bebida, paga um valor adicional associado à embalagem e recupera esse montante caso a devolva num ponto autorizado. À primeira vista, trata-se apenas de um incentivo comportamental. Uma pequena penalização temporária destinada a ensinar adultos a colocar recipientes vazios no sítio correcto. Mas é precisamente aqui que o modelo se torna interessante. O sistema não vive apenas da reciclagem. Vive sobretudo da arquitectura financeira criada à volta da reciclagem.

Cada embalagem deixa de ser apenas um recipiente descartável e transforma-se numa unidade económica rastreável:
- alguém paga
- alguém recolhe
- alguém valida
- alguém transporta
- alguém processa
- alguém monitoriza
- alguém factura

A garrafa já não termina no lixo. Passa a circular dentro de uma cadeia económica cuidadosamente organizada, onde praticamente cada etapa gera actividade financeira.

O primeiro aspecto raramente explicado de forma transparente é a importância dos depósitos não reclamados. Nem todas as pessoas irão devolver embalagens. Nem todas terão tempo. Nem todas terão máquinas próximas. Nem todas guardarão garrafas em casa. Nem todas considerarão justificável deslocar-se por alguns cêntimos. Nem todas transformarão a cozinha numa extensão informal do centro de triagem nacional.

E é precisamente aí que surge uma das peças mais relevantes do sistema. Os depósitos pagos e nunca recuperados permanecem dentro do circuito financeiro da estrutura. Ou seja, uma parte significativa da sustentabilidade económica do modelo assenta não apenas na reciclagem, mas também na inevitável imperfeição humana.

E aqui vale a pena pegar nas próprias palavras do presidente da SDR Portugal:
“Só para lhe dar um enquadramento, são consumidas em Portugal 2,1 mil milhões de garrafas de plástico (PET) até três litros. E as latas de aço e de alumínio, portanto, são 2,1 mil milhões de unidades por ano. Agora imagine…”
Sim, vamos então imaginar.
Com optimismo ambiental, admitamos que 70% das embalagens são devolvidas. Isso significa que 30% ficam fora do circuito de retorno.
2,1 mil milhões × 30% = 630 milhões de embalagens não devolvidas.
Multiplicando por um depósito de 10 cêntimos:
630 milhões × €0,10 = €63 milhões.

Ou seja, mesmo num cenário bastante optimista, estariam potencialmente 63 milhões de euros anuais a permanecer dentro do sistema apenas através de depósitos não reclamados.

Agora abandonemos por momentos o optimismo institucional e ambiental. Se a taxa de retorno fosse de 50%, então metade das embalagens não regressaria:
2,1 mil milhões × 50% = 1.050 milhões de embalagens.
Multiplicando novamente pelos 10 cêntimos:
1.050 milhões × €0,10 = €105 milhões.
Cento e cinco milhões de euros.

Naturalmente, estes valores não representam lucro directo líquido nem podem ser analisados isoladamente dos custos operacionais do sistema. Mas ajudam a perceber a dimensão financeira potencial criada por um mecanismo que depende precisamente de uma percentagem significativa de embalagens nunca ser devolvida.

Há aqui uma ironia difícil de ignorar. O sistema apresenta-se como solução para mudar comportamentos, mas beneficia financeiramente do facto de esses comportamentos nunca mudarem completamente. Se os consumidores devolvessem rigorosamente todas as embalagens, uma das maiores almofadas financeiras do mecanismo desapareceria. Isso obrigaria inevitavelmente a:
- aumentar taxas
- reforçar contribuições da indústria
- procurar mais financiamento público
- ou criar novas formas de receita

Por outras palavras, o sucesso ambiental absoluto poderia transformar-se num problema económico bastante menos sustentável do que os folhetos institucionais sugerem. Naturalmente, esta parte raramente aparece nos vídeos promocionais acompanhados por folhas verdes ao vento, crianças sorridentes e música suficientemente inspiradora para absolver moralmente uma garrafa de plástico. Mas os depósitos não reclamados são apenas uma componente do ecossistema.

Outra dimensão do modelo surge quando se observa a infraestrutura criada à sua volta.
Para operacionalizar a devolução de milhões de embalagens, torna-se necessário construir uma rede nacional composta por:
- máquinas automáticas de recolha
- software de reconhecimento e validação
- sistemas antifraude
- logística reversa
- transporte especializado
- centros de triagem
- compactação industrial
- plataformas digitais
- manutenção técnica
- monitorização estatística
- auditorias
- certificações ambientais
- contratos operacionais

Ou seja, cria-se um novo sector económico completo em torno de algo que, até aqui, cabia essencialmente num ecoponto. E como acontece frequentemente na economia contemporânea, o discurso público concentra-se na moralidade ambiental, enquanto os fluxos financeiros reais se distribuem silenciosamente pelos bastidores tecnológicos e logísticos.

Porque alguém fabrica as máquinas. Alguém fornece o software. Alguém gere os dados. Alguém assegura manutenção. Alguém opera a logística. Alguém ganha contratos. Alguém presta consultoria. Alguém vende a solução para o problema que o próprio sistema ajudou a transformar numa nova necessidade estrutural. O operador central pode apresentar-se como entidade sem fins lucrativos, o que é tecnicamente verdadeiro. Mas isso pouco diz sobre o volume de actividade económica gerada à volta da estrutura.

Aliás, um dos traços mais sofisticados dos modelos contemporâneos é precisamente este: o núcleo institucional mantém uma aparência neutra e moralmente virtuosa, enquanto a rentabilidade se espalha discretamente pelas camadas periféricas do sistema.

Existe ainda uma dimensão menos visível, mas potencialmente mais valiosa a longo prazo: os dados.
Cada devolução gera informação. Cada máquina recolhe padrões de utilização. Cada localização produz métricas comportamentais. Cada embalagem contribui para mapear hábitos de consumo. Num contexto onde indicadores ambientais, métricas ESG* e monitorização de comportamento possuem valor económico crescente, o controlo de uma infraestrutura nacional deste tipo representa muito mais do que reciclagem. Representa capacidade de observação, recolha, análise e venda de dados. (*Indicadores quantitativos e qualitativos que medem o desempenho de uma empresa nas áreas Ambiental, Social e de Gestão)

Quem gere um sistema desta escala passa a ter acesso a:
- padrões de consumo
- volumes regionais
- sazonalidade de vendas
- participação dos consumidores
- fluxos logísticos
-métricas ambientais
- indicadores de conformidade regulatória
O lixo deixa de ser apenas lixo.Torna-se informação.

Outro aspecto particularmente curioso é a transferência parcial de trabalho da indústria para o cidadão. Antes, o consumidor colocava a embalagem no ecoponto e encerrava aí a sua participação. Agora, espera-se que:
- guarde embalagens em casa sem as danificar 
- organize resíduos
- transporte recipientes
- procure máquinas disponíveis
- aguarde validação
- execute parte da logística operacional

Tudo isto naturalmente apresentado como exercício de cidadania ambiental. Na prática, parte do trabalho anteriormente absorvido pelo sistema tradicional de resíduos é silenciosamente transferido para o próprio consumidor, que continua simultaneamente a financiar o processo através dos depósitos pagos.

Entretanto, os grandes produtores de embalagens conseguem algo ainda mais relevante: legitimidade. As empresas responsáveis pela colocação de milhões de embalagens descartáveis no mercado passam a operar dentro de uma arquitectura verde certificada, compatível com exigências regulatórias europeias e extremamente útil para relatórios ESG, reputação corporativa e marketing institucional.

A questão deixa então de ser: “como reduzir embalagens descartáveis?” E passa subtilmente a ser:“como integrar embalagens descartáveis num circuito economicamente rentável e ambientalmente legitimado?”

É uma diferença conceptual importante.
O sistema não elimina o consumo massivo de recipientes descartáveis. Pelo contrário: reorganiza-o, profissionaliza-o e transforma-o numa cadeia económica ainda mais sofisticada.

No fundo, o que está a emergir não é apenas um mecanismo de reciclagem. É a monetização integral da embalagem desde o momento da compra até ao momento da devolução.

A embalagem gera receita quando é vendida. Gera receita quando circula. Gera receita quando não é devolvida. Gera receita quando é devolvida. Gera receita quando é processada. Gera receita enquanto dado estatístico. E gera legitimidade política e ambiental durante todo o percurso. Chama-se a isso enshittification (merdificação)

Nada disto significa que reciclar seja inútil ou que a reutilização de materiais não tenha benefícios reais. O problema não está na reciclagem. Está na forma quase religiosa como certos modelos económicos são apresentados como altruísmo ambiental puro, quando na realidade envolvem estruturas financeiras altamente sofisticadas e interesses económicos evidentes.

Porque quando uma solução ecológica cria uma indústria multimilionária sustentada por depósitos, contratos, dados, logística, tecnologia e falhas previsíveis do comportamento humano, talvez seja legítimo perguntar se o principal objectivo é proteger o ambiente ou descobrir como transformar até o lixo numa fonte permanente de rentabilidade.
E nesse aspecto, convenhamos, o modelo é brilhante.

O ecoponto de rua - esse herói anónimo da reciclagem portuguesa — continua a ser mais eficiente, mais inclusivo e com menor pegada carbónica. Pode não dar vales de desconto, mas pelo menos não exige carregar lixo no porta-bagagens. Faz apenas aquilo que deve: recolher para reciclar. Por isso, continuo fiel a ele. Pode não ser bonito nem moderno, mas funciona - e não precisa de marketing para provar isso.
E mais: 
Aqui em casa uso água da torneira. É o mais ecológico e simples. Quando vou a restaurantes, se bebo água devolvo o talão à menina(o). 

Saber mais:
3. Sistema Volta, as contas da DECO e o peso da tua “preguiça” forçada

sexta-feira, 22 de maio de 2026

Há papel que nunca deve colocar no ecoponto azul e quase toda a gente erra


Reciclar papel parece simples: jornais, caixas, folhas antigas… tudo para o ecoponto azul. Mas há um erro muito comum que continua a acontecer em milhares de casas e que pode contaminar todo o processo de reciclagem.

A verdade é que nem todo o papel é reciclável. E alguns dos objetos que usamos diariamente são precisamente aqueles que nunca deveriam ir para o contentor azul.

O maior “impostor” da reciclagem? Os talões de compras!
Os recibos do multibanco, talões de supermercado e faturas impressas parecem papel normal, mas não são.

Grande parte é feita de papel térmico, um material com componentes químicos que dificultam a reciclagem e podem contaminar outras fibras de papel reciclável. Este tipo de papel deve ir para o lixo indiferenciado.

É um detalhe que pouca gente conhece e um dos erros mais frequentes na separação de resíduos.

Guardanapos e papel de cozinha também não entram
Outro hábito comum: colocar guardanapos usados ou papel de cozinha no ecoponto azul. Mas quando o papel está sujo com gordura, comida ou produtos de limpeza, perde a capacidade de reciclagem.
Copos de papel revestido/impermeabilizado que utilizamos, por exemplo, para tomar café. Pelas características do seu revestimento (seja por plástico, verniz ou outro material impermeabilizante) o seu encaminhamento para reciclagem no fluxo papel e cartão é inviabilizado

O mesmo acontece com:
  1. caixas de pizza com gordura
  2. lenços de papel usados
  3. pratos e copos de papel sujos
  4. papel vegetal ou plastificado
  5. papel plastificado
  6. papel autocolante
  7. papel de alumínio
  8. papel de lustro
  9. Sacos de cimento;
  10. embalagens de produtos químicos
  11. toalhetes e fraldas. [informação aqui]
O truque simples que ajuda a não errar
Há uma regra rápida que os especialistas usam: se o papel estiver demasiado sujo, engordurado, plastificado ou brilhante, provavelmente não deve ir para o azul. 
Observar bem o rótulo de reciclagem das embalagens: muitas indicam o destino final (ecoponto amarelo, p.ex.)
Já revistas, caixas de cereais, folhas, envelopes e jornais continuam a ser recicláveis, desde que limpos e secos.

Porque é que isto importa?
Quando materiais errados entram na reciclagem do papel, podem comprometer lotes inteiros e dificultar o reaproveitamento das fibras. Ou seja, um pequeno erro doméstico pode reduzir a eficácia de todo o processo.

Separar corretamente continua a ser um dos gestos mais simples para reduzir desperdício mas, afinal, reciclar bem é tão importante quanto reciclar muito.

terça-feira, 25 de julho de 2023

Experts Say Decades of Recycling Hype Has Backfired Dramatically



You've just finished a cup of coffee at your favorite cafe. Now you're facing a trash bin, a recycling bin and a compost bin. What's the most planet-friendly thing to do with your cup?

Many of us would opt for the recycling bin – but that's often the wrong choice. In order to hold liquids, most paper coffee cups are made with a thin plastic lining, which makes separating these materials and recycling them difficult.

In fact, the most sustainable option isn't available at the trash bin. It happens earlier, before you're handed a disposable cup in the first place.

In our research on waste behavior, sustainability, engineering design and decision making, we examine what U.S. residents understand about the efficacy of different waste management strategies and which of those strategies they prefer.

In two nationwide surveys in the U.S. that we conducted in October 2019 and March 2022, we found that people overlook waste reduction and reuse in favor of recycling. We call this tendency recycling bias and reduction neglect.

Our results show that a decades-long effort to educate the U.S. public about recycling has succeeded in some ways but failed in others. These efforts have made recycling an option that consumers see as important – but to the detriment of more sustainable options. And it has not made people more effective recyclers.

A global waste crisis
Experts and advocates widely agree that humans are generating waste worldwide at levels that are unmanageable and unsustainable. Microplastics are polluting the Earth's most remote regions and amassing in the bodies of humans and animals.

Producing and disposing of goods is a major source of greenhouse gas emissions and a public health threat, especially for vulnerable communities that receive large quantities of waste. New research suggests that even when plastic does get recycled, it produces staggering amounts of microplastic pollution.

Given the scope and urgency of this problem, in June 2023 the United Nations convened talks with government representatives from around the globe to begin drafting a legally binding pact aimed at stemming harmful plastic waste. Meanwhile, many U.S. cities and states are banning single-use plastic products or restricting their use.

Upstream and downstream solutions
Experts have long recommended tackling the waste problem by prioritizing source reduction strategies that prevent the creation of waste in the first place, rather than seeking to manage and mitigate its impact later.

The U.S. Environmental Protection Agency and other prominent environmental organizations like the U.N. Environment Programme use a framework called the waste management hierarchy that ranks strategies from most to least environmentally preferred.

The familiar waste management hierarchy urges people to "Reduce, Reuse, Recycle," in that order. Creating items that can be recycled is better from a sustainability perspective than burning them in an incinerator or burying them in a landfill, but it still consumes energy and resources.

In contrast, reducing waste generation conserves natural resources and avoids other negative environmental impacts throughout a product's life.

R's out of place
In our surveys, participants completed a series of questions and tasks that elicited their views of different waste strategies. In response to open-ended questions about the most effective way to reduce landfill waste or solve environmental issues associated with waste, participants overwhelmingly cited recycling and other downstream strategies.

We also asked people to rank the four strategies of the Environmental Protection Agency's waste management hierarchy from most to least environmentally preferred.

In that order, they include source reduction and reuse; recycling and composting; energy recovery, such as burning trash to generate energy; and treatment and disposal, typically in a landfill. More than three out of four participants (78%) ordered the strategies incorrectly.

When they were asked to rank the reduce/reuse/recycle options in the same way, participants fared somewhat better, but nearly half (46%) still misordered the popular phrase.

Finally, we asked participants to choose between just two options – waste prevention and recycling. This time, over 80% of participants understood that preventing waste was much better than recycling.

Recycling badly
While our participants defaulted to recycling as a waste management strategy, they did not execute it very well.

This isn't surprising, since the current U.S. recycling system puts the onus on consumers to separate recyclable materials and keep contaminants out of the bin.

There is a lot of variation in what can be recycled from community to community, and this standard can change frequently as new products are introduced and markets for recycled materials shift.

Our second study asked participants to sort common consumer goods into virtual recycling, compost and trash bins and then say how confident they were in their choices.

Many people placed common recycling contaminants, including plastic bags (58%), disposable coffee cups (46%) and light bulbs (26%), erroneously – and often confidently – in the virtual recycling bins.

For a few materials, such as cardboard and aluminum foil, the correct answer can vary depending on the capacities of local waste management systems.

This is known as wishcycling – placing nonrecyclable items in the recycling stream in the hope or belief that they will be recycled. Wishcycling creates additional costs and problems for recyclers, who have to sort the materials, and sometimes results in otherwise recyclable materials being landfilled or incinerated instead.

Although our participants were strongly biased toward recycling, they weren't confident that it would work.

Participants in our first survey were asked to estimate what fraction of plastic has been recycled since plastic production began. According to a widely cited estimate, the answer is just 9%.

Our respondents thought that 25% of plastic had been recycled – more than expert estimates but still a low amount. And they correctly reasoned that a majority of it has ended up in landfills and the environment.

Empowering consumers to cut waste
Post-consumer waste is the result of a long supply chain with environmental impacts at every stage. However, U.S. policy and corporate discourse focuses on consumers as the main source of waste, as implied by the term "post-consumer waste."

Other approaches put more responsibility on producers by requiring them to take back their products for disposal, cover recycling costs and design and produce goods that are easy to recycle effectively.

These approaches are used in some sectors in the U.S., including lead-acid car batteries and consumer electronics, but they are largely voluntary or mandated at the state and local level.

When we asked participants in our second study where change could have the most impact and where they felt they could have the most impact as individuals, they correctly focused on upstream interventions.

But they felt they could only affect the system through what they chose to purchase and how they subsequently disposed of it – in other words, acting as consumers, not as citizens.

As waste-related pollution accumulates worldwide, corporations continue to shame and blame consumers rather than reducing the amount of disposable products they create.

In our view, recycling is not a get-out-of-jail-free card for overproducing and consuming goods, and it is time that the U.S. stopped treating it as such.

quinta-feira, 6 de abril de 2023

7 dicas para uma Páscoa mais sustentável


Se as amêndoas e os ovos de chocolate não podem faltar, também a reciclagem e o cuidado com o ambiente não devem ficar de parte.

Conheça algumas das dicas para uma Páscoa mais sustentável.

-Já que a data sugere consumo, principalmente de chocolate, o primeiro passo passa por evitar o desperdício.

-Dê preferência, se possível, a chocolates biológicos. São uma alternativa ao tradicional chocolate de leite e existem várias lojas online onde pode encomendar.

-Fuja das embalagens cheias de fitas e papéis celofane, optando pelas mais simples.

– Com chocolate, coloridas, francesas, caramelizadas, napolitanas. Páscoa sem amêndoas não é a mesma coisa. As opções são imensas e, além da amêndoa, todas têm algo em comum: a embalagem de plástico. Normalmente são empacotadas em saquinhos de plástico e, quando terminarem, não se esqueça que o destino é o ecoponto amarelo.

– Outro doce que já é habitual ver na Páscoa são os ovos de chocolate. Se na sua família existe a tradição da caça aos ovos da Páscoa, um dia não são dias e delicie-se com esta guloseima, mas não se esqueça: muitos dos ovos vêm embrulhados em papel metalizado e não se deixe enganar pelo nome, pois os resíduos de alumínio devem ser depositados no ecoponto amarelo. Caso o invólucro seja de plástico, também é o mesmo destino: ecoponto amarelo.

– Os ovos convencionais fazem também parte da mesa e estão na lista de ingredientes do doce típico da Páscoa, o folar. Terminados os ovos, a caixa deve ser colocada no ecoponto azul.

– E por falar em folar, o doce tradicional da Páscoa, lembre-se que o saco da farinha e do açúcar devem ser depositados no ecoponto azul. Quanto ao pacote do leite, esse deve ser colocado no ecoponto amarelo. Terminada a iguaria da época pascal, o papel onde o folar é servido deve ir também para o ecoponto azul.

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2023

Economia Verde: eis os 5R’s da sustentabilidade


Em 2004, aquando da Cimeira do G8, foi sugerida a já conhecida regra dos 3Rs que diz respeito aos conceitos: Reduzir, Reutilizar e Reciclar. Desde então, grande parte dos países se mobilizou com o objetivo de implementar os 3Rs nas suas estratégias, mas o avançar do tempo tem vindo a tornar a sociedade de consumo numa sociedade ainda mais preocupada com a “sustentabilidade das coisas”. Neste sentido, surgem mais dois Rs que vêm completar a tríade: Recondicionar e Reparar.

Desperta para a importância dos 5 Rs, a Cash Converters, empresa líder na compra e venda de produtos em segunda mão, esclarece, em comunicado, os cinco conceitos que constituem a base atual da sustentabilidade e da gestão de resíduos, e que devem ser tidos em conta a favor da economia circular.

1.Reduzir
Implica ter clareza face às necessidades e, principalmente, tê-la no momento da decisão de compra. Reduzir é sinónimo de deixar para trás alguns artigos que já não são utilizados e evitar as compras por impulso apenas para aproveitar descontos, por exemplo. Este R leva não só à poupança monetária como também à poupança de tempo, recursos naturais e materiais.

2.Reutilizar
A reutilização pressupõe a utilização de produtos mais do que uma vez, com o objetivo de reduzir o impacto dos mesmos no ambiente, nomeadamente, através da produção de produtos novos ou destruição dos mesmos. Exemplo de reutilização é a substituição de garrafas de água descartáveis por garrafas de aço inoxidável, a utilização de sacos de tecido em vez de sacos de plástico e, mais do que nunca, a compra de produtos em segunda mão, que lhes permite dar uma nova vida.

3.Reciclar
O terceiro pilar da tríade de Rs conta com a separação de produtos e materiais de modo que seja possível evitar que os mesmos acabem em aterros, prejudiciais ao ambiente. Em casa, nas empresas e até na rua, os ecopontos coloridos devem fazer parte do cenário para garantir um melhor futuro para o ambiente.

4.Reparar/Recondicionar
O 4º pilar dos 5 existentes atualmente defende a reparação de produtos danificados ou com defeito para que o tempo de vida do mesmo possa ser estendido. A curto prazo, para as empresas, este R pode não trazer benefícios para o negócio, já que as pessoas passam a preferir reparar os produtos que já têm. Porém, a longo prazo, irá ajudar a consolidar o posicionamento de uma empresa socialmente responsável e aumentar a venda de novos produtos com base na sua reputação.

5.Recusar
Hoje já é possível recusar a compra de produtos que sejam embalados em plástico ou recusar palhinhas em restaurantes – um comportamento que faz toda a diferença. Recusar determinados produtos ou materiais permitirá eliminar grande parte dos resíduos produzidos, incentivar a procura de novas alternativas e ter um papel mais ativo na preservação da sustentabilidade.

Com loja online e cinco lojas físicas em Lisboa (Rua Antoni Pereira Carrilho, 5; Rua José Rodrigues Migueis, 1; Rua Pinheiro Chagas, 101B; Edf.Trevo – Rua Quinta Do Paizinho, 2 R/C B) e Porto (Rua Fernandes Tomas, 432), a Cash Converters apela ao consumo inteligente e consciente e promove a compra de segunda mão como solução sustentável à Sexta-Feira do consumo desmedido.

sábado, 26 de novembro de 2022

12 Marcas de café com parceria inédita para reciclagem de cápsulas usadas



Numa iniciativa inédita, 12 marcas de café – Bellissimo®, Bogani®, Buondi Caffè®, DeltaQ®, Nescafé Dolce Gusto®, Nespresso®, Nicola®, Segafredo®, Sical®, Starbucks®, Torrié® e UCC® – sob a égide da Associação Industrial e Comercial do Café (AICC), juntaram-se para um projeto de Reciclagem de Cápsulas de Café.

A primeira iniciativa arranca hoje, com a Cascais Ambiente, através da disponibilização de mais um fluxo na rede de Ecocentros do Município, para a reciclagem de cápsulas de café usadas, com o objetivo de lhes dar uma nova vida, independentemente das marcas e dos materiais que as compõem.

Para Cláudia Pimentel, Secretária Geral da AICC, citada em comunicado, “esta é uma iniciativa pioneira de parceria entre a Câmara Municipal de Cascais e várias marcas de café, que nos deixa bastante honrados. O compromisso com o meio ambiente, com a sustentabilidade e a economia circular, fez estas 12 marcas de café unirem-se na criação de um sistema comum para a reciclagem de cápsulas de café. Cascais é, a partir de hoje, o primeiro Município a implementar este sistema em parceria com a Cascais Ambiente, o que nos deixa bastante orgulhosos e com esperança de, no futuro, caminharmos para a recolha e reciclagem de cápsulas usadas a nível nacional, pretendendo alargar este projeto a outros municípios”.

“Em Cascais, trabalhamos todos os dias para criar soluções que não sejam mais caras para os munícipes e permitam o aumento da circularidade dos materiais. Ao recolhermos as cápsulas de café nos oito ecocentros existentes, aumentamos de 12 para 13 fluxos recolhidos, otimizando a capacidade de recolha da Rede de Ecocentros,” refere Luís Almeida Capão, Presidente do Conselho de Administração da Cascais Ambiente. “A co-coleção de resíduos seletivos é uma aposta do concelho de Cascais. Este projeto aumenta a eficiência da nossa operação”.

Ao todo são oito Ecocentros fixos e móveis que existem espalhados pelo Município e que agora passam a recolher também cápsulas de café usadas. Qualquer pessoa pode depositar as suas cápsulas usadas, independentemente das marcas ou dos materiais de que sejam feitas (plástico ou alumínio e borra de café) para que sejam totalmente recicladas. Todos os locais da rede de Ecocentros podem ser consultados aqui .As cápsulas recolhidas nos Ecocentros são entregues e armazenadas na Tratolixo.

No reciclador, as cápsulas são tratadas permitindo separar os distintos materiais e terem uma segunda vida. As borras de café convertem-se em composto orgânico para uso agrícola e outros produtos que promovem a circularidade; o alumínio coletado, uma vez que é infinitamente reciclável, pode ser transformado em novos objetos do quotidiano (esferográficas, lapiseiras, outros); e do plástico produz-se um material que se usará para fabricar novos objetos, explica o comunicado.

“Este é um projeto pioneiro em Portugal, com diversas marcas comercializadoras de cápsulas de café unidas num processo conjunto de reciclagem que começa em Cascais e que pretende incentivar todos os portugueses a juntarem-se a este projeto de sustentabilidade”, conclui a mesma fonte.

quinta-feira, 17 de setembro de 2020

“Não sufoque a natureza”: campanha apela ao uso de máscaras reutilizáveis


Três associações ambientalistas – Associação Natureza Portugal (ANP/WWF), Associação de Ciências Marinhas e Cooperação (Sciaena) e Associação Sistema Terrestre Sustentável (Zero) – decidiram juntar esforços e lançar a campanha “Não sufoque a natureza”, em defesa do uso das máscaras sociais reutilizáveis. Ainda há alguns dias as associações têxteis alertaram o governo e o primeiro-ministro para a questão do impacto ambiental das máscaras descartáveis, um problema que está identificado há muito e vai agora ser alvo de uma campanha para alertar para a iminência de uma catástrofe ecológica.

A base da inciativa, segundo conta o jornal Público, é uma conta de multiplicar muito simples: o uso de uma máscara descartável por dia resulta em três biliões de máscaras descartáveis que todos os anos irão parar, na melhor das hipóteses, aos aterros – ou então ficarão esquecidas um pouco por todo o lado, como já todos constatámos.

A campanha centra-se assim na necessidade de os cidadãos usarem máscaras reutilizáveis ao invés das descartáveis. E, para além das razões ecológicas, existe também a racionalidade da poupança: em termos de gastos, as máscaras descartáveis, por muito baratas que sejam, acabam por tornar-se mais caras, dada a necessidade da sua constante substituição.

As máscaras reutilizáveis acabam por ser financeiramente compensatórias para os utilizadores – que podem ainda atrever-se nos caminhos da matemática financeira se dividirem o custo unitário de uma máscara pelo número de lavagens possíveis, para chegarem a um valor comparativo fiável.

Desde abril passado que a associação Zero detetou o problema ecológico associado às máscaras descartáveis e pediu mesmo ao Governo esclarecimentos sobre o que o Estado pretendia fazer sobre o assunto. Na altura, a a secretária de Estado do Ambiente, Inês dos Santos Costa, apelar para que as máscaras descartáveis fossem deitadas no lixo comum e não colocadas nos ecopontos para reciclagem.

terça-feira, 30 de abril de 2019

Novo contentor de reciclagem chega em breve: será o ecoponto castanho


Foto e notícia aqui

Portugal vai ter muito em breve um novo contentor de reciclagem nas ruas. Trata-se do ecoponto castanho e destina-se ao lixo orgânico. O contentor já existe em restaurantes e indústrias mas vai estar agora acessível a todos os cidadãos.

“O país está a preparar-se para ter uma recolha de orgânicos ao cidadão. É uma coisa que vai acontecer muito em breve: será o ecoponto castanho, eu diria”, explica à TSF Ana Loureiro, responsável da comunicação da EGF — Environment Global Facilities.

Depois de recolhido, o lixo orgânico é transformado num composto que pode ser vendido, assim como a energia que resulta do processo.

A chegada de um ecoponto público de orgânicos permitirá que estações como a Valorsul SA — Estação de Tratamento e Valorização Orgânica — tenham mais resíduos para tratar. Assim, pode ser produzida mais energia elétrica e a venda de composto é aumentada.

A compostagem tem o objetivo de diminuir o desperdício e aumentar a produção de composto orgânico. Já existem alguns compostores nas casas dos portugueses, utilizados para jardinagem. “É a prevenção no seu melhor, conseguirmos separar os resíduos domésticos e produzir o seu próprio composto para uma horta, um jardim”, refere Ana Loureiro.

Para as estações, é importante motivar os portugueses a aderirem à compostagem e a utilizarem de forma correta o novo ecoponto castanho. “O comportamento é incentivado e depois há que o manter e não irmos descobrir compostores com outras coisas lá dentro que não seja o motivo pelo qual foi oferecido”, sublinha a funcionária da EGF.

sábado, 14 de abril de 2018

Conheça Yoshi e Goby: os peixes que adoram comer plástico


Apresento-vos Yoshi, The Fish e Goby. Tratam-se de um escultura feita de arame e malha de ferro ou aço, a fonte é esclarecedora, instaladas numa praia na Índia e Bali, respectivamente, onde se pode ler: “Goby loves plastic, please feed him”.

Para limpar as praias, bastou uma escultura de peixe chamada Goby.
Esta praia na Indonésia decidiu fazer algo simples... Além de colocar ecopontos pela praia, a autarquia fez um peixe gigante transparente com os dizeres "Goby gosta de plástico, por favor alimente-o"...

A chave do sucesso foi que as pessoas alinharam no jogo em 'alimentar' o Goby, limpando por conseguinte a praia e simplesmente funcionou.

Ainda hoje, Goby é alimentado constantemente e na maioria das vezes recebe mais do que precisa para a sua refeição diária. Ele geralmente é levado pela cidade durante a noite para esvaziar todo o plástico que comeu, depois é trazido de volta na manhã seguinte com o estômago vazio para que as pessoas possam continuar alimentando-o repetidamente.

Esta foi a solução que as autoridades locais encontraram para substituir os velhos contentores. E o sucesso foi imediato, principalmente entre as crianças. Todas querem alimentar o Goby! E quanto mais se alimenta o Goby, menos plástico fica no areal das praias. Menos plástico chega ao oceano, que, neste ritmo, poderá em 2050 ter mais plástico do que peixes.

Uma solução funcional, que gera curiosidade e entusiasmo, em particular entre os mais novos, motivando-os e consciencializando-os para a importância de reciclar e de proteger o planeta desde tenra idade, para além de ser óptima para tirar selfies – e nós sabemos que já não existe Verão ou praias sem selfies – e que deveria ser seriamente considerada pelas entidades que neste país têm responsabilidades sobre a preservação da orla costeira, seja o governo, sejam as autarquias. E não tem necessariamente que ser um peixe, uma cópia do Goby. Pode, em alternativa, ser uma boa oportunidade para estabelecer parcerias com artistas plásticos nacionais, muitos deles a dar cartas lá fora, e colocar a arte portuguesa ao serviço do ambiente e da comunidade.

quinta-feira, 16 de abril de 2015

OS 5 Rs Da Educação Ambiental


1 - REDUZIR 
Reduzir o consumo excessivo e desnecessário. 

2- REUTILIZAR
Dar novo uso às embalagens, roupas, papel (revistas, jornais), peças de vestuário que já não usa para outro fim. 

3- RECICLAR
Separar os resíduos sólidos do lixo doméstico e colocar nos respectivos ecopontos. 

4- RECUSAR
Ao comprar os produtos devemos informarmo-nos se são ou não prejudiciais à Natureza e à nossa saúde (também fazemos parte da Natureza).

5 - REPENSAR
Devemos refletir sobre os nossos atos e adquirir práticas sustentáveis: poupar energia; evitar desperdícios; andar a pé e/ou de bicicleta; aproveitar a luz solar como energia natural; aderir à agricultura biológica e de proximidade; promover o comércio tradicional; ao comprar os produtos devemos avaliar o impacto negativo na Natureza; repensar na forma como gerimos o nosso tempo, evitar meter tudo o que não interessa para o lixo (existe sempre alguém que precisa do que nos sobra).

quarta-feira, 29 de junho de 2005

Telemóveis prejudicam o Ambiente


Procurei o parecer de vários técnicos e recebi boas respostas. Reproduzo (reservando o direito algumas ligeiras modificações) os esclarecimentos dados por Pedro Carteiro, Fátima Teixeira, Adelaide e Cátia Rosas, a quem agradeço profundamente terem respondido prontamente às dúvidas e o seu apoio ao uso mais ecológico deste aparelho.

1- Há reciclagem de telemóveis? Onde é feita? Existe em Portugal?
Em Portugal existe uma empresa devidamente licenciada para a reciclagem de telemóveis e outros resíduos de equipamentos eléctricos e electrónicos. De uma forma genérica, a reciclagem dos telemóveis passa por uma descontaminação (recuperação dos cristais do visor) depois uma trituração e separação dos metais. A empresa é a Interecycling
A AMI lançou uma campanha em Portugal de recolha de tinteiros e telemóveis, para reciclagem, já neste ano de 2005, contando com o apoio de uma empresa de reciclagem nacional que procederá à recolha desses materiais.
Quanto aos operadores licenciados para tratamento de telemóveis, pode consultar a lista actualizada do Instituto de Resíduos

2-Qual (is) os recursos naturais gastos na sua fabricação?
Relativamente aos recursos naturais gastos, é uma indústria que exige extracção com custos ambientais e sociais elevados. Primeiro porque os componentes constituintes dos telemóveis (bateria, carregador, visor, teclado, cartão telemóvel, embalagem do telemóvel e "caixa" - onde assenta o teclado, o visor, o cartão,...) são diferentes em natureza e transformação. Segundo, a sua maioria depende, sobretudo de:

- petróleo (para fabrico do plástico dos telemóveis)
- água (gasta no processo de fabricação dos componentes)
- solo (espaço para fabricação dos componentes e deposição dos resíduos)

3- Pode-se chamar trocas de telemóveis por um novo como um acto de reutilização?
A troca de um telemóvel velho por um novo não é um acto de reutilização. Se nós adquirimos um produto novo não estamos a reutilizar. Reutilização seria se eu recebesse um telemóvel velho e fizesse uso dele, desde utilizá-lo como telemóvel num todo (para a função como telemóvel ou qualquer outra função que invente ou crie com esse objecto) como aproveitando algumas das peças para usar noutro telemóvel - isso sim, é reutilização.

4- Nessas trocas, quais os reais benefícios- para a operadora ou para o ambiente?
As campanhas de recolha de telemóveis velhos são supostamente realizadas para assegurar a correcta deposição (para aterro ou reciclagem) dos telemóveis (os telemóveis contêm baterias constituídas por metais pesados, que devem ser devidamente tratados antes de serem depositados em aterro). O benefício dessa troca é para o ambiente (deposição adequada dos resíduos), podendo também ser para a operadora (se conseguir aproveitar algumas das peças dos telemóveis, para sua reciclagem, por redução de custos de fabrico de novos componentes).

Podem ler um pouco mais sobre

sexta-feira, 17 de dezembro de 2004

Natal Ambiental


Nesta época festiva, a Quercus aproveita para apresentar alguns conselhos que lhe permitirão ter um Natal ambientalmente mais correcto.

Nos últimos anos a época do Natal tem-se tornado na época do consumo por excelência. Mais do que em qualquer outro período do ano, somos estimulados, influenciados, instigados, empurrados a comprar, comprar, comprar. Este consumo imediato e pouco reflectido provoca impactos ambientais graves, mas, pode também estar na origem de problemas económicos (endividamento excessivo).

Para o ajudar a contribuir para um Natal ecológico, aqui ficam alguns conselhos simples que pode levar em conta.

Vem aí o Natal…
- Para a ceia de Natal comece a habituar-se a substituir o bacalhau por outra iguaria; se não consegue mesmo resistir, adquira bacalhau de média/grande dimensão; faça o mesmo em relação ao polvo (deverá ter sempre mais de 800 ou 900 gr.).

- Adquira uma árvore de Natal artificial ou então recorra apenas a árvores vendidas com autorização (bombeiros, serviços municipais), como garantia da sustentabilidade do corte.

- Não vá em modas e tenha cuidado na aquisição dos enfeites de Natal, para que os possa reutilizar por muitos e longos anos. Pode optar por criar os seus próprios enfeites a partir da reciclagem e reutilização de materiais.

- Adquira lâmpadas energeticamente eficientes para reduzir a sua factura energética e ambiental.

- Pense naqueles que não têm possibilidade de oferecer prendas e mesmo de ter uma ceia de Natal; seja solidário com as várias campanhas que habitualmente se desenrolam nesta época.

- Esta é uma época tendencialmente fria; isole bem a sua casa de modo a reduzir os gastos com o aquecimento e também, para poupar recursos.

- Lembre-se que certas espécies animais e vegetais estão em vias de extinção. O azevinho é uma dessas espécies. Não compre azevinho verdadeiro. Existem bonitas imitações artificiais de azevinho que podem ser reutilizadas de uns anos para os outros.

O Natal e os presentes…
- Reflicta bem sobre as prendas que vai oferecer, a quem vai oferecer e qual a sua utilidade. Privilegie produtos:

a) Duráveis e reparáveis;
b) Educativos, principalmente se estivermos a falar de prendas para os mais pequenos; ofereça produtos que estimulem a inteligência, a criatividade, o respeito entre os povos e pelo ambiente;
c) Inócuos, em termos de substâncias perigosas;
d) Que não estejam embalados em excesso ou em embalagens complexas (são mais caros, misturam vários materiais e dificultam a reciclagem);
e) Úteis: é importante privilegiar a oferta de prendas que não sejam colocadas imediatamente na prateleira ou em qualquer baú esquecido no sótão.

- Gaste apenas na medida das suas possibilidades. Respeitar os seus limites de endividamento irá permitir-lhe ser mais criterioso nas suas escolhas e, logo, mais sustentável.

- Utilize os transportes públicos nas suas deslocações às compras, ou então, junte-se com amigos ou familiares num mesmo veículo e vão às compras conjuntamente; fica mais barato e sempre pode pedir opiniões quando estiver indeciso.

- Procure levar sacos seus para as compras ou tente utilizar o número mínimo de sacos possível (uma sugestão: ofereça sacos de pano para as compras).

- Adquira produtos nacionais, pois promove a economia portuguesa e reduz o impacte ambiental associado ao transporte dos produtos.

- Se pensar em oferecer um animal de estimação tenha em conta se há condições para ele viver bem e não compre animais selvagens ou em vias de extinção (opte pela adopção de um animal).

- Se optar por oferecer produtos de perfumaria, cosmética ou higiene pessoal tenha o cuidado de escolher aqueles que não fazem testes em animais (procure a lista em LPDA).

- Muitas vezes temos objectos que já não utilizamos, mas que estão em bom estado. Não os deite fora. Seleccione os que pode oferecer a instituições ou a vendas de Natal ou opte por usara a sua criatividade e criar objectos para oferecer.

Depois do Natal…
- Guarde os laços e o papel de embrulho para que os possa utilizar noutras ocasiões; muitas embalagens, caixas de prendas, papéis de embrulho podem ser utilizados pelas crianças para fazer divertidos objectos, como máscaras, porta canetas, etc.

- Separe todas as embalagens – papel/cartão; plástico; metal – e coloque-as no ecoponto mais próximo, evitando assim os amontoados de lixo que marcam o dia de Natal; este é um bom momento para verificar se foi um cidadão ambientalmente consciente nas suas compras.

- Depois das festas, vêm as limpezas. Procure reduzir a quantidade e perigosidade dos produtos de limpeza que utiliza. Prefira os biodegradáveis e/ou em recargas.

- Não deite as pilhas para o lixo, coloque sempre no pilhão. As pilhas recarregáveis são uma alternativa económica e ecológica.

- Reflicta ao longo do ano sobre a utilidade que foi dada às prendas que ofereceu.

- Mantenha-se solidário com as diversas campanhas que se vão desenrolando ao longo do ano.

Seguir estes conselhos permitir-lhe-á oferecer uma prenda a si próprio e a todos os cidadãos do mundo – um ambiente mais protegido e equilibrado.

A Quercus deseja-lhe um excelente Natal e um Sustentável ano de 2005!!

quarta-feira, 14 de julho de 2004

Mais resultados do Programa Científico Observa - Ambiente, Sociedade e Opinião Pública


Cidadãos querem do Estado mais actuação no ambiente
Inquérito Estudo sociológico indica que a poluição de rios e ribeiras figura no topo das preocupações dos portugueses. No dia-a-dia, o problema mais apontado é a poluição do ar.

Eduarda Ferreira, JN

Os portugueses são muito críticos para com a actuação do Estado no domínio do ambiente: 82% consideram-no incapaz de desempenhar bem essa tarefa, segundo os resultados do II Inquérito Nacional "Os Portugueses e o Ambiente". Entre as medidas mais preconizadas pelos cidadãos ouvidos contam-se a fiscalização, proibições e aplicação de multas a prevaricadores.

O programa científico Observa - Ambiente, Sociedade e Opinião Pública, desenvolvido no âmbito do Instituto Superior de Ciências do Trabalho e Empresas, divulgou, ontem, os resultados de um segundo inquérito destinado a avaliar as atitudes dos portugueses em relação ao ambiente. Com um intervalo de
três anos em relação ao primeiro, e sendo elaborado sobre dados colhidos em 2000, este estudo não assinala evoluções muito profundas. Uma das poucas marcantes, segundo um dos autores do estudo, Joaquim Gil Nave, consiste na adesão aos mecanismos de reciclagem que entretanto foram facilitados (vidrões,ecopontos).

Por outro lado, admite o mesmo investigador, os receios continuam a ser remetidos para o abstracto e para o global, tendo as pessoas dificuldade em ver os problemas existentes ao pé da porta. Apagar a luz em divisões não utilizadas e não lavar loiça ou dentes com a torneira a correr ainda são as atitudes mais frequentemente assumidas em prol do ambiente(cerca de 50%).

Para 65% dos inquiridos, a paisagem que mais os choca é a de um rio poluído com peixes mortos, seguida de uma floresta a arder e uma maré negra. Uma lixeira a céu aberto impressiona-os menos (36,4%) e ainda menos resíduos tóxicos derramados no solo (29%). No dia-a- dia, as pessoas sentem mais o problema da poluição do ar e maus cheiros (29%) e não deixam de assinalar o caos urbano e o desordenamento. Pessimistas, consideram que tudo piorará nos próximos dez ou 15 anos: trânsito, qualidade do ar e água, ruído, entre muitos outros problemas. Face a este quadro, 45% dos inquiridos afirmaram desejar viver noutro local.

Na periferia das grandes cidades situam-se os mais descontentes. Da totalidade,a maior parte sonha com jardins públicos e árvores para a envolvência das casas, valorizando uma "natureza domesticada". Este era um desejo já referenciado no primeiro estudo. Uma percentagem significativa mudaria para o campo ou pequenas e médias cidades, mas não o faz por falta de oportunidades de emprego, serviços de saúde, escolas e acessibilidades.

Poucas mudanças houve nas iniciativas pessoais
Os portugueses são críticos, isso são, para com as condições ambientais em que vivem. Mas, assinalam as conclusões do inquérito, revelam "uma certa bonomia face à realidade nacional, quando comparada com a dos restantes países europeus". Relativamente ao inquérito anterior, a degradação ambiental do país é vista com cores mais negras. A preocupação é mais forte, talvez por haver mais informação. Segundo o coordenador deste trabalho afirmou ao JN, mantém-se o desfasamento entre atitude e preocupação. Uma coisa é o que os portugueses pensam, outra as iniciativas que tomam para mudar o que dizem estar mal.

O sociólogo João Ferreira de Almeida destaca uma diferença entre os resultados do inquérito anterior e agora divulgado: a agricultura, agora, já surge com a sua quota de responsabilidade na poluição ;antes, a visão deste sector era mais bucólica.

sábado, 19 de junho de 2004

É urgente reformular os ciclos de vida dos produtos para que sejam recicláveis



"Embalões" dos Ecopontos Têm 40 por Cento de Refugo
Por RICARDO GARCIA
Sábado, 15 de Maio de 2004

Cerca de 40 por cento do que está dentro dos contentores amarelos dos ecopontos da região de Lisboa - conhecidos como "embalões" - está a ser encaminhada para a incineração e não para a reciclagem. Em grande medida, a responsabilidade é do próprio cidadão, que está a colocar no contentor (mesmo que involuntariamente) muita coisa que lá não deveria estar. Mas no meio do refugo, há materiais que poderiam ser reciclados.
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