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quarta-feira, 22 de julho de 2026

Aves associadas aos meios agrícolas em declínio há duas décadas

Tão fofos, o chapim-carvoeiro!
O chapim-carvoeiro (Periparus ater) é absolutamente adorável com aquela "cabeça grande", as bochechas brancas e a mancha branca bem destacada na nuca!
Eles são super pequeninos, cheios de energia e encantadores de observar. Sabiam que são dos poucos chapins que adoram florestas de coníferas (como pinhais) e têm o hábito extraordinário de esconder sementes nas cascas das árvores para comer mais tarde no inverno? Além desta incrível capacidade de armazenar alimento nas ranhuras da casca para os dias mais frios, estas aves são famosas em Portugal por serem grandes aliadas no controlo biológico de pragas como a lagarta-do-pinheiro nos nossos pinhais.
Preservemos o nosso campo e floresta. Hoje foi publicado o relatório do censos da SPEA - Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves. E as notícias não são optimistas.

Relativo ao período 2004-2025, o relatório ontem divulgado, com dados dos censos do continente, Madeira e Açores, também identifica “tendências preocupantes” em espécies como a laverca, a andorinha-das-chaminés, o cuco ou o picanço-barreteiro.

As aves nos meios florestais e urbanos têm uma evolução positiva, mas as associadas aos meios agrícolas estão em declínio desde 2004, indica um relatório divulgado hoje pela Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves (SPEA).

Relativo ao período 2004-2025, o relatório ontem divulgado, com dados dos censos do continente, Madeira e Açores, também identifica “tendências preocupantes” em espécies como a laverca, a andorinha-das-chaminés, o cuco ou o picanço-barreteiro.

O relatório do censo das aves (SPEA/BirdLife) combinou as tendências populacionais de várias espécies representativas de cada habitat e deixou “um alerta claro”, o do que “a biodiversidade dos meios agrícolas continua sob forte pressão”, diz no comunicado Hany Alonso, coordenador nacional do Censo de Aves Comuns e técnico superior de ciência da SPEA.

“A evolução positiva dos indicadores florestal e urbano é um bom sinal, mas não compensa a perda de biodiversidade nos meios agrícolas e os declínios de espécies como a laverca, a andorinha-das-chaminés ou o cuco”, acrescentou.

Nos meios agrícolas, 10 das 23 espécies avaliadas regularmente apresentam um declínio moderado no período (2004-2025), entre elas a andorinha-das-chaminés, o mocho-galego e o abelharuco, a par de espécies como o peneireiro, o cartaxo e o pardal.

Nos meios florestais, cinco das 20 espécies analisadas estão em declínio moderado: o picanço-barreteiro, o cuco, a rola-brava, a cotovia-dos-bosques e o chapim-real.

Segundo o censo, a laverca e a águia-caçadeira apresentam declínios acentuados, e a perdiz-comum, o chasco-ruivo e o rouxinol-grande-dos-caniços mostram tendências negativas.

Outras espécies como a felosa-poliglota, o peneireiro-cinzento e a alvéola-cinzenta apresentam declínios moderados.

Os resultados mostram, segundo a SPEA/BirdLife, que o declínio das aves é transversal a diferentes ecossistemas e a diferentes grupos funcionais (insetívoras, granívoras, carnívoras), mas que é nos meios agrícolas que o declínio é mais expressivo, afetando tanto espécies residentes como migradoras.

Os autores do trabalho salientam que houve recentemente maior participação nos censos, o que reforça o conhecimento sobre as aves

Nos Açores o censo abrangeu as nove ilhas. Foram calculadas tendências para 17 espécies, com destaque para o aumento acentuado da rola-turca e para as tendências negativas da toutinegra-dos-Açores e do milhafre.

Para a Madeira, não se estimaram tendências. As espécies mais abundantes dos últimos censos são o canário-da-terra, o melro-preto e a toutinegra.

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domingo, 21 de junho de 2026

Alterações climáticas provocam redução significativa de aves migratórias

No Parque Tommy Thompson, em Toronto, uma estação de anilhagem de aves está a registar sinais preocupantes de declínio nas populações migratórias. Os investigadores começam a associar as mudanças ao impacto crescente das alterações climáticas.

Ao amanhecer, Shane Abernethy verifica as redes de captura de aves em busca de pássaros presos. É assim que começa a rotina diária do coordenador da estação de anilhagem do Parque Tommy hompson, em Toronto, que recolhe dados em tempo real sobre as aves migratórias num contexto de aquecimento global.
“Esta estação existe para monitorizar as aves migratórias que passam pela cidade de Toronto. Estamos no meio de uma importante rota migratória e um local como este é uma das melhores formas de as observar. A rotina diária é chegar aqui cedo, abrir as redes para capturar as aves antes de estarem completamente despertas e passar o resto do dia a capturá-las e a marcá-las. Verificamos estas redes a cada 30 minutos".
Num dia normal, a estação regista entre 100 a 150 aves, por vezes ultrapassam as 200.

Sinais de mudança
Os dados do Relatório Anual de 2025, recentemente divulgado pela estação, apontam para uma tendência preocupante: uma descida significativa no número de anilhagens na primavera e no verão, em comparação com médias históricas.

Durante uma recente onda de calor, com a humidade a fazer a temperatura percebida ultrapassar os 40ºC, os investigadores observaram uma redução acentuada no número de crias que conseguiram abandonar os ninhos.
“Isto leva-nos a extrapolar que pode haver uma taxa de falha de ninhos mais elevada localmente. O calor extremo afeta o sucesso da nidificação porque os progenitores têm um limite para a termorregulação, nomeadamente para arrefecer o ninho. Quando a temperatura ultrapassa um determinado limite, todo o ninho pode falhar".
As alterações climáticas estão também a alterar o calendário natural das espécies. Gregor Beck, diretor sénior para o Norte do Canadá da Birds Canada, explica que o aquecimento mais precoce da primavera está a fazer com que as populações de insetos atinjam o pico demasiado cedo, antes de muitas aves migratórias chegarem aos locais de reprodução.
“O clima em constante mudança também está a desorganizar os ciclos sazonais. Um dos desafios é que as alterações climáticas estão a fazer com que as coisas aqueçam mais rapidamente na primavera, pelo que o pico de abundância de insetos não coincide com a época de migração das aves”, disse Gregor.

quarta-feira, 10 de junho de 2026

Aegithalos

Chapim-rabilongo (Aegithalos caudatus)

Aegithalos

Um pêndulo delicado balança sobre a casca de musgo,
envolto numa mistura suave de rubor, carvão e neve.
O horizonte é perseguido por uma sombra rasteira de penas,
enquanto um coro de sussurros prateados agita os bosques adormecidos.
Quando a geada chega, o calor encontra-se num amontoado cerrado de asas,
antes que um ímpeto súbito de voo acrobático se disperse pela copa das árvores.
A pequena bolinha escura captura a imensidão da floresta,
sonhando secretamente com um universo escondido num único pedaço de líquen.

sexta-feira, 29 de maio de 2026

Olhar nos olhos de uma ave

Papa-amoras-comum (Curruca communis)

"Olhar nos olhos de uma ave não é encarar um reflexo primitivo do passado, mas sim vislumbrar uma forma alternativa de inteligência. Sob o crânio minúsculo de um pássaro esconde-se um novelo de engenho: uma mente que mapeia continentes sem bússola, que cria ferramentas com a astúcia de um artesão e que reinventa a música todas as manhãs. A verdadeira genialidade das aves não está na capacidade de voar, mas na audácia de compreender o mundo com um cérebro do tamanho de uma noz."-Jennifer Ackerman

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2026

Data center builders thought farmers would willingly sell land, learn otherwise


It seems that tech giants eyeing rural zones for data center development have underestimated how attached American farmers have grown to their lands in the decades they’ve been nurturing them.

Across the country, several farmers have firmly rejected eye-popping offers—sometimes in the tens of millions. These offers dwarf the value of their properties, but farmers have refused to put a price on the lands that they love most.

In a report on Monday, The Guardian highlighted a handful of cases nationwide where farmers’ refusals have frustrated plans to build data centers in areas long deemed rural.

It’s unclear how many farmers have received such offers, but rural lands have been increasingly targeted as demand for data centers to power AI has grown—most recently projected to increase by 165 percent by 2030. Globally, 40,000 acres are needed to support data center growth over the next five years, Hines Research estimated.

For “Silicon Valley executives,” rural areas are likely attractive due to “weak zoning protections, cheap power, and abundant water,” The Guardian reported.

It likely doesn’t help to sell the farmers these deals when they tend to come out of nowhere, following a knock on the door from a middleman who doesn’t make it clear who wants to buy the land or how the land would be used.

One 82-year-old Kentucky woman, Ida Huddleston, turned away a “Fortune 500 company” offering $33 million for 650 acres. NBC News reported that several of her neighbors received similar offers. Huddleston joined at least five other residents in the county who refused to move forward after learning they’d have to sign a non-disclosure agreement just to find out who they would be dealing with. Ultimately, Huddleston had to search public records to figure out that a data center was even being planned in the area, The Guardian reported. The lack of transparency is a problem, farmers have said, because what buyers want to do with the land matters.

“You don’t have enough to buy me out,” Huddleston told the company representatives when rejecting the deal. “I’m not for sale. Leave me alone, I’m satisfied.”

Notably, one resident in Huddleston’s county who received an offer, 75-year-old Timothy Grosser, even declined a proposal to “name your price” when a tech company sought to buy his 250-acre farm, The Guardian reported.

“There is none,” Grosser said.

The farm is where he “lives, hunts, and raises cattle” and where his grandson hunts a turkey every Christmas for the family feast.

“The money’s not worth giving up your lifestyle,” Grosser said.

Another farmer in Wisconsin, Anthony Barta, reportedly fretted about what would happen to his neighbors if he took a deal he was offered—showing the deep bonds of people whose farms have bordered each other for years. In his community, another farmer was offered between $70 million and $80 million for 6,000 acres.

“Me and my family, we own the farm and run close to 1,000 animals,” Barta said. “What would that do if that’s next to it? Can they even be there? You know, that’s our livelihood—the farm. We’re just concerned what, if it would go through, what would happen to us and our neighbors and farms and our community? What would happen to that?”

Some tech companies are apparently not taking “no” for an answer. At least one farmer who spent 51 years milking cows in Pennsylvania prior to the AI boom described tech companies as “relentless.”

Eighty-six-year-old Mervin Raudabaugh, Jr., found a creative solution to end the pressure to sell two contiguous farms. He reportedly staved off developers by turning to “a farmland preservation program dedicating taxpayer dollars toward protecting agricultural resources.”

By working with the program, Raudabaugh will only receive about one-eighth of what the developers were offering. But he said it’s worth it to know his land would be preserved for farming purposes and out of reach of persistent tech companies.

“These people have hounded the living daylights out of me,” Raudabaugh said.

Data center deals come amid fragile farm economy
For people in rural communities, data center fights go beyond concerns about water and electricity consumption—although those are concerns, too. Communities are defending the character of the land, which they don’t want to see suddenly disrupted by extensive construction, data center noise pollution, or untold environmental impacts from massive operations.

There are also public health concerns, as an attorney with environmental nonprofit Earthjustice, Jonathan Kalmuss-Katz, told The Guardian that the pollution new data centers will emit could possibly proliferate “forever chemicals” known as polyfluoroalkyl substances (PFAS).

“We know there are PFAS in these centers, and all of that has to go somewhere,” Kalmuss-Katz said. “This issue has been dangerously understudied as we have been building out data centers, and there’s not adequate information on what the long term impacts will be.”

Some rural communities are fighting to block rezoning requests that would allow developers to build data centers in areas previously zoned only for agricultural lands. But those fights are seemingly hard-won. At least one Michigan community sought to settle after a developer firm working for an unnamed tech company reportedly sued to push through a construction project on farmland.

For farmers, the data center deals come at a particularly difficult time financially. On Friday, the National Farmers Union issued a statement after the Supreme Court blocked the majority of Trump’s tariffs. In it, NFU President Rob Larew confirmed that “many family farmers and ranchers have already felt the consequences” of Trump’s tariffs, which have raised costs, disrupted sales, and triggered retaliations impacting US agricultural goods.

“In an already fragile farm economy, uncertainty has hit family operations hardest,” Larew said.

The deals also arrived at a time when the number of US farms is shrinking, continuing “a long-lasting trend of declining farm numbers,” Farm Journal reported this month. In total, the US lost about 15,000 farms in 2025, with no state reporting an increase in farms.

So far, not much farmland has been ceded to data centers, the report seemed to indicate, perhaps due to farmers who dig their heels in when developer representatives come knocking.

Perhaps particularly in this dire climate—where farms are shrinking and existing farms are cash-strapped from unpredictable tariffs—it seems notable that farmers are not being swayed by developers’ offers of what the Guardian described as “unimaginable riches.”

But Huddleston made it sound easy to turn down $33 million, because her ties to the land run deep. She told The Guardian that “four generations of the Huddleston family have watched the world change from the same fields,” while raising cattle and living off the land.

“My whole entire life is nothing but the land,” Huddleston said. “It’s provided me with anything and everything that I’ve needed for 82 years.”

terça-feira, 17 de fevereiro de 2026

O fascínio das corujas

Fotografia do meu Amigo Luís Aguiar

O Fascínio das Corujas: As Guardiãs Silenciosas da Noite
As corujas sempre ocuparam um lugar ambíguo no imaginário humano. De símbolos da sabedoria na Grécia Antiga a presságios de mistério em outras culturas, essas aves de rapina noturnas dominam a escuridão com uma eficiência biológica que beira a perfeição. Mas o que, exatamente, alimenta esse fascínio das corujas? A resposta está na sua anatomia altamente especializada.

Engenharia Biológica: Feitas para a Invisibilidade
A biologia das corujas é um testemunho da evolução adaptativa. Enquanto outros predadores confiam na velocidade ou na força bruta, a coruja domina através da furtividade.

1. O Voo Fantasmagórico
Ao contrário de um pombo ou de uma águia, cujo bater de asas produz um som característico, o voo da coruja é praticamente inaudível. Isso se deve às fímbrias: serrilhas nas bordas das penas que quebram a turbulência do ar, permitindo que a ave se aproxime da presa sem ser detectada.

2. Visão de Túnel (literalmente)
Os olhos de uma coruja não são globos oculares, mas sim estruturas tubulares alongadas. Essa forma permite uma retina maior e, consequentemente, uma capacidade de absorção de luz extraordinária. No entanto, por serem tubulares, elas não conseguem mover os olhos. Para compensar, a natureza as dotou de 14 vértebras cervicais (o dobro dos humanos), permitindo uma rotação de cabeça de até 270°.

3. Audição em 3D
Muitas espécies possuem aberturas auditivas assimétricas. Essa diferença de altura entre os ouvidos permite que o cérebro processe o som com um "atraso" milimétrico, criando um mapa mental tridimensional da localização da presa, mesmo que ela esteja escondida sob folhas ou neve.

O Fascínio sob a Óptica Científica
O fascínio pelas corujas não é apenas estético; é ecológico. Como predadores de topo, elas são indicadores fundamentais da saúde de um ecossistema. 
As corujas são sentinelas do ecossistema. O estudo de suas egagropilas (pelotas de restos não digeridos) é uma das ferramentas mais ricas para entendermos a biodiversidade local.
Onde há corujas saudáveis, há um controle eficiente de populações de roedores e um ambiente equilibrado.

Referências para Estudo

1. Para quem deseja aprofundar-se na biologia dessas aves, recomendamos as seguintes fontes:
  1. BACKHOUSE, Frances. Owls: Our Most Charming Bird. Firefly Books, 2021.
  2. CATRY, Paulo; COSTA, Helder; ELIAS, Gonçalo; MATIAS, Rafael. Aves de Portugal: Ornitologia do Território Continental. Assírio & Alvim, 2010.
  3. ELIAS, Gonçalo; et al. Aves de Portugal
  4. KÖNIG, Claus; WEICK, Friedhelm. Owls of the World. Yale University Press, 2008.
  5. MULLARNEY, Killian; SVENSSON, Lars. Guia de Aves (Edição portuguesa da Assírio & Alvim).
2. Estudos Académicos e Conservação
  1. ROQUE, Inês. Ecologia e Conservação de Rapinas Noturnas em Portugal. (Pesquisadora da Universidade de Évora e do ICAAM, com vasto trabalho sobre a Coruja-do-mato e o Mocho-galego).
  2. TOMÉ, Ricardo. Estudos sobre a dieta e habitat da Asio otus (Bufo-pequeno) e Tyto alba (Coruja-das-torres) em zonas agrícolas portuguesas.


domingo, 15 de fevereiro de 2026

Firecrest ou Estrelinha-real

Firecrest (Regulus ignicapilla)

The smallest passerine of Europe
"In the emerald cathedrals of the forest, there dwells a tiny sovereign—the Firecrest. Though he is but a thumb’s weight of breath and bone, the smallest spark in Europe’s vast woods, he refuses to be overlooked. He wears a sliver of the sun upon his head as a crown, a fierce golden stripe that belies his fragile frame.

He does not sing to explain the wind or to justify his place among the towering pines. He sings because he is a miniature masterpiece, casting a melody as bright and sharp as a needle’s point into the quiet air. To see him is to realize that beauty is never measured by scale, but by the fire one carries within." 
- João Soares 09.02.26

quarta-feira, 1 de março de 2023

Economia GIG: o que é e como funciona


A economia GIG opera com base em plataformas que servem de intermediário entre o prestador de serviços e o cliente final.

É uma consequência da digitalização, mas também de novas formas de encarar o trabalho. Sem horários definidos, sem contratos e com múltiplos empregadores. Se pede comida ou transporte através de uma app está a fazer parte da economia GIG, já tinha pensado nisso? Esta é uma realidade que veio para ficar, e com tendência para crescer.

O que é a economia GIG?
O dicionário Merriam-Webster define Economia GIG como “uma atividade económica que envolve a utilização de trabalhadores temporários ou freelancers em trabalhos que, geralmente, pertencem ao setor dos serviços”.

Basta olhar para a lista de apps no seu telemóvel para encontrar alguns exemplos de como esta forma de economia se desenvolveu. Da Uber à Airbnb, passando por plataformas que contratam freelancers para trabalhos tão variados como design, programação e tradução, são vários os exemplos.

A economia GIG associa-se a plataformas digitais onde os consumidores encontram prestadores de serviços pagos por tarefa. Seja essa tarefa a distribuição de comida, a estada num alojamento, professores e explicadores ou uma reparação em casa, entre muitas outras.

Estudantes que querem ajudar a pagar as contas; trabalhadores que preferem a liberdade de escolha do seu horário, para conciliar vida profissional e familiar, ou que pretendam um rendimento suplementar são alguns exemplos dos chamados trabalhadores GIG.

Qual a importância da economia GIG?

Segundo o estudo da OCDE Gig Economy Platforms: Boon or Bane?, em 2019 a economia GIG representava entre 1% a 3% do total de empregos em todo o mundo. Já nessa altura (antes da pandemia, altura em que a digitalização e o trabalho remoto aumentaram), e de acordo com o relatório da Mastercard The Global Gig Economy: Capitalizing on a $500B Opportunity, a tendência seria para um crescimento na ordem dos 17%. Em 2023, representaria 455 mil milhões de dólares.

De acordo com as pesquisas do site Statista, mais de 50% das pessoas que trabalham na economia GIG pertencem à Geração Z (os chamados zoomers) ou são Millennials, com rendimentos anuais inferiores a 50 mil dólares.

Um estudo do McKinsey Global Institute calcula que, só na Europa e nos EUA, cerca de 162 milhões de pessoas (ou 20 a 30% da população em idade ativa) exercem algum tipo de trabalho independente.

Este relatório refere, também, que surgem novos indicadores de que esta forma de trabalho tende a crescer.

Quais os desafios da economia GIG?
O Fórum Económico Mundial identifica alguns dos desafios que o crescimento da economia GIG traz à sociedade e à própria economia.

Um dos principais, segundo esta entidade, será equilibrar esta forma inovadora de criação de emprego com a justiça laboral. Isto é, garantir que os trabalhadores não estão a ser explorados.

Além disso, colocam-se questões como a concorrência desleal. As empresas tradicionais podem competir em termos de preços e produtos com estas plataformas? As questões relacionadas com os direitos dos trabalhadores, nomeadamente descontos para sistemas de proteção social e com a política fiscal constituem desafios.

Embora, de uma forma geral, os trabalhadores destas plataformas se sintam satisfeitos com o seu modelo de trabalho, cerca de 20% recorre às plataformas porque não consegue encontrar emprego como trabalhador por conta de outrem", refere o artigo do Fórum Económico Mundial.

Quem trabalha na economia GIG?
O estudo do Instituto McKinsey Independent Work, Choice, Necessity, and the gig Economy dividiu os trabalhadores GIG em 4 grandes grupos:
  1. Pessoas que escolhem o trabalho independente, sendo esta a sua principal fonte de rendimento
  2. Casuais: usam o trabalho independente como forma de rendimento extra
  3. Relutantes: vivem sobretudo de trabalho independente, mas preferiam um emprego tradicional
  4. Financeiramente dependentes: executam tipo de trabalho por necessidade
Independentemente dos motivos que levam à escolha da economia GIG, cada vez mais trabalhadores procuram esta nova forma de trabalho. Uma realidade que veio para ficar e que, a par da inteligência artificial ou da automação, mostra que é necessário pensar o futuro do trabalho. O Livro Verde sobre o futuro do trabalho 2021, coordenado pelo Ministério do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social, é um passo nesse sentido.

quarta-feira, 21 de fevereiro de 2007

Fotografia da Natureza e Educação Ambiental


Desde o início da história da fotografia, o mundo natural constitui um dos grandes temas explorado pelas objectivas de amadores e profissionais. Captar a imponência de uma paisagem, a beleza efémera de uma papoila, ou o brilho astuto nos olhos de um lobo, são tudo formas de expressar o nosso intemporal fascínio pelas diversas manifestações naturais do planeta.
Texto retirado do Curso Fotografia da Natureza, promovido pela Campo Aberto e que irá decorrer entre os dias 10 e 11 de Março. Mais informações aqui

Embora não podendo estar presente no Curso, tenho uma paixão enorme pela fotografia, especialmente da Natureza.Como pequeno currículo, possuo um Curso de Oficina de Fotografia, de 50 horas, promovida pelo Centro de Formação Professor.

Depois, dedico-me à prática desta excelente actividade e à recolha de informação e formação em revistas, foruns e autores que admiro. Anos e anos, horas e horas que percorro e repito e reflicto nas suas fotografias.

Então resolvi fazer um Dossier de Fotografia da Natureza, Fotógrafos e Educação Ambiental, daquilo que já possuo, muita da informação e autores são já minha referência, outros irei descobrindo e claro que irei actualizando o Dossier. Pena alguns autores que eu conheço não tenham site ou desenvolvam blogues. Estão apenas em livros.

A fotografia da Natureza é uma fascinante e louvável temática, em que muitas fotos são percursos de vida, pequenas histórias, muitas familiaridades e sobretudo muita sensibilidade pelo espaço, luz, seres vivos e o acto de fixar o tempo dessa composição.
Cada foto torna-se portanto um acto de Educação e de Educação Ambiental.