Os primeiros resultados foram anunciados em 14 de Outubro pelos organizadores da expedição realizada no início de outubro, tendo como alvo o Parque Natural Marinho do Recife do Algarve – Pedra do Valado.
No total, foram identificadas 206 espécies marinhas, incluindo mais de 40 novos registos para esta área protegida, revela uma nota de imprensa divulgada pela Fundação Oceano Azul, pelo Oceanário de Lisboa e pelo CCMAR – Centro de Ciências do Mar, da Universidade do Algarve, ligados à organização desta iniciativa.
“Estes resultados reforçam o conhecimento científico essencial para apoiar o desenvolvimento dos instrumentos de gestão pelo Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF) e para garantir a consolidação e proteção efetiva desta Área Marinha Protegida”, afirmam as três entidades.
A expedição científica aconteceu entre 2 e 7 de outubro. “Os dados continuam em análise, mas os primeiros resultados confirmam a riqueza e valor deste ecossistema”, afirma a organização. No total, foram registadas 206 espécies diferentes, incluindo 137 invertebrados, 41 peixes, 13 algas, 12 aves marinhas e três cetáceos.
Criado em janeiro de 2024, o Parque Natural Marinho do Recife do Algarve – Pedra do Valado é a primeira Área Marinha Protegida de Interesse Comunitário em Portugal Continental. “Resulta de um processo participativo pioneiro que reuniu pescadores, cientistas, autarquias e cidadãos em torno de um objetivo comum: proteger o oceano.” Em causa está uma área com 156 quilómetros quadrados – que inclui a área entre o Farol de Alfanzina, limite oeste, e a marina de Albufeira, nos municípios de Albufeira, Lagoa e Silves.
A Pedra do Valado é considerada um hotspot de biodiversidade marinha com 1059 espécies marinhas registadas, incluindo 754 invertebrados, 152 peixes vertebrados, 61 aves marinhas, 2 tartarugas marinhas, 7 espécies de cetáceos e 82 espécies de macroalgas. Naquela área marinha foram identificadas 18 espécies ameaçadas, entre as quais os cavalos-marinhos (Hippocampus spp.) e o mero (Epinephelus marginatus).
Um dos destaques da expedição foi o banco de rodólitos (algas calcárias) desta área protegida, que é “o único conhecido em Portugal continental”. “Trata-se de um habitat de elevada importância ecológica, essencial para a retenção de carbono e equilíbrio do oceano”, acrescenta a equipa, que concluiu que este “banco se mantém saudável e funcional, apesar da sua vulnerabilidade às alterações climáticas, que podem afectar a capacidade de calcificação das algas”. Mesmo após a morte dos organismos, explicam, “o carbono permanece armazenado, reforçando o papel duradouro deste habitat na mitigação das alterações climáticas.”
No entanto, os trabalhos científicos revelaram também o desaparecimento das pradarias marinhas anteriormente identificadas nesta zona, “um sinal preocupante que poderá estar associado à proliferação da alga invasora asiática Rugulopterix okamurae”.
Quanto aos jardins de gorgónias apresentaram bom estado ecológico, com o registo de novas espécies de profundidade e de corais duros pela primeira vez nesta área.
Um artigo publicado pela revista científica The Lancet, intitulado “Game consumption and the 2019 novel coronavirus”, assinado por Jie Li, da Universidade de Guangzhou e Jun Li, da Universidade de Ningxia, juntamente com mais cinco autores chineses, explica as razões que estão por detrás de uma prática muito comum na sociedade chinesa desde há vários séculos.
“A prática do consumo de carne e produtos oriundos de animais selvagens na China data de períodos pré-históricos. Nos tempos modernos, apesar deste tipo de comércio não ser essencial à alimentação, a tradição de comer este tipo de animais persiste”, lê-se no artigo.
De facto, no período entre 1959 e 1961, terão morrido cerca de 15 milhões de pessoas devido à Grande Fome. Preocupado com um novo período de escassez de alimentos, em 1979, o governo chinês temia não conseguir voltar a alimentar os seus milhões de habitantes. Nessa altura, abriu a atividade agrícola a grandes grupos de privados que começaram a produzir galinha, porco e vaca. Os pequenos agricultores, que ficaram sem soluções, decidiram começar a criar animais selvagens, como cobras e tartarugas. O governo chinês apoiou esta iniciativa.
Ao mesmo tempo, com base em crenças antigas, muitas famílias acreditam que comer órgãos de animais selvagens pode curar ou prevenir doenças. Por exemplo, acreditam ainda que a carne de pangolim ajuda a aliviar o reumatismo, que o seu sangue ajuda a promover a circulação sanguínea, e as escamas um bom aliado nos tratamentos estéticos. “A cultura alimentar chinesa sustenta que os animais recém-abatidos são mais nutritivos e essa crença pode aumentar a transmissão viral”, salientam os cientistas chineses.
Por definição, animal exótico é todo aquele que não ocorre naturalmente numa determinada região geográfica e que foi trazido acidental ou intencionalmente pelo homem.
Em Portugal há ainda muita gente que acha que as folhas das árvores são "lixo"!!!... Leiam...e "deixem as folhas em paz"!
Deixe as folhas mortas no seu quintal.
Não varra as folhas caídas que cobrem o relvado. Nem use bombas para remoção das folhas.
Os ambientalistas dizem que é melhor deixar isso como está. A camada foliar é como um miniecossistema que é útil para os insetos, abrigo de muitos anfíbios, alimento para as aves e pequenos mamíferos , tartarugas e cágados. A camada foliar é portanto muito importante para o solo e a saúde geral do seu jardim.
No entanto, alguns especialistas em paisagismo dizem que certos quintais precisam de ancinho. Se for esse caso, ou se preferir o visual bem cuidado, é incentivado a usar as folhas para compostagem.
As folhas em decomposição enriquecem o solo, agregando nutrientes e matéria orgânica. Você também pode pensar desta forma: deixar as folhas em nossas propriedades significa menos coleta e descarte em nossas cidades, reduzindo custos e emissões de carbono dos camiões de recolha.
A cobertura morta das folhas tem muitas vantagens:
Reduz o ruído e os gases de efeito estufa.
Também melhora a saúde do seu quintal.
O material das folhas trituradas cria um composto valioso, que enriquece a camada superficial do solo.
A cobertura morta de folhas também limita a propagação de poeira e contaminantes no ar e economiza tempo e dinheiro.
O manto de folhas mortas é mais silencioso e limpo do que soprar folhas;
A cobertura morta reduz a necessidade de fertilizantes e evita a poluição da água, reduzindo a lixiviação de fósforo e fertilizantes;
O manto de folhas reduz o risco de segurança de folhas empilhadas ou ensacadas nas margens das estradas e poupa o dinheiro do contribuinte para a recolha municipal de folhas;
As folhas mortas melhoram a estrutura do solo, retenção de água e percolação;
O mulching incentiva as raízes a penetrar mais profundamente, melhorando a saúde da relva;
O mulch torna o relvado mais resistente a eventos climáticos como secas e inundações.
Porém queria chamar a atenção para as tartarugas e os cágados.
Em Portugal não existem tartarugas terrestres nativas. No passado, a tartaruga-do-Mediterrâneo existia por toda a Península Ibérica. Em Portugal, aliás, existem vários registos fósseis com alguns milhares de anos em Peniche, Sesimbra, Bombarral, Tomar e no Algarve. Talvez a tartaruga-mediterrânea seja mais adaptada ao clima presente da Península, mas com o tempo, talvez a tartaruga-moura, habituada a um clima mais árido, seja a mais indicada; talvez possam até viver lado a lado. Ambas precisam de um habitat de mosaicos, entre zonas abertas e zonas fechadas com floresta e arbustos. Em Espanha, há centros de reprodução de tartarugas e programas de reintrodução em várias zonas. Pode a tartaruga terrestre regressar a Portugal? Claro que sim. Haja equipas, investigadores, porque habitats temos, apesar de muita fragmentação, monoculturas, mato, etc.
Desde logo, para que esse regresso seja uma realidade, é necessário avançar com um programa de reintrodução, identificar áreas protegidas, encontrar animais para libertar e soltar as tartarugas em novas áreas. Esta expansão para novas áreas pode ainda ajudar a tartaruga terrestre a adaptar-se aos efeitos das alterações climáticas.
Em Portugal existem várias zonas com potencial para a tartaruga terrestre: as serras do Algarve, o Vale do Guadiana, os montados do Alentejo, a Costa Vicentina, os pinhais de Melides e do Meco, a Arrábida e Estuário do Sado, as serras de Aire e Candeeiros e de São Mamede, o Tejo e o Douro Internacional, a Serra da Malcata e o Planalto do Côa até Trás-os-Montes.
Quanto às tartarugas de água doce em Portugal temos o Cágado-mediterrâneo (Mauremys leprosa) e o Cágado-de-carapaça-estriada (Emys orbicularis).
Estas duas espécies partilham inúmeras vezes o mesmo habitat, sendo que o Cágado-de-carapaça-estriada é o mais raro e menos abundante, encontrando-se em risco de extinção no nosso país. A tardia maturidade sexual das fêmeas associada a baixas taxas de fecundidade e a uma mortalidade infantil elevada implicam uma taxa de crescimento populacional muito baixa, colocando a espécie numa situação particularmente frágil e vulnerável perante eventuais impactes negativos.
Além da introdução de espécies invasoras, estas espécies são frequentemente capturadas ilegalmente para animais de estimação, fabrico de objectos ornamentais e alimentação. Os cágados são também alvo de perseguição por parte dos pescadores motivados pela crença popular de que estes se alimentam de peixes dulciaquícolas. Estas capturas ilegais são responsáveis por elevadas taxas de mortalidade que põem em causa a dinâmica das populações de cágados. Também as mortes acidentais causadas pelas redes e outras artes de pesca representam uma significativa ameaça.
Cria de tartaruga-verde (Chelonia mydas) acabada de emergir do seu ninho.
Investigadores dos Estados Unidos da América (EUA) alertam que altas concentrações de microplásticos podem fazer subir a temperatura da areia das praias e comprometer seriamente o desenvolvimento dos embriões de tartarugas marinhas.
Num artigo divulgado na ‘Frontiers in Marine Science’, os cientistas afirmam que praias saudáveis são fundamentais para que os ovos desses répteis oceânicos possam incubar devidamente e dar origem a crias em boas condições físicas que ajudem a fortalecer as suas populações.
Mariana Fuentes, docente na Universidade Estadual da Flórida e primeira autora do artigo, explica que a temperatura é um fator-chave que influencia o sexo, a condição física e o sucesso das crias de tartarugas marinhas. Ainda que reconheça que pouco se sabe sobre como a presença dos microplásticos afeta a temperatura da areia, afirma, em comunicado, que “perceber como as alterações ambientais podem afetar a temperatura dos locais de nidificação é importante para monitorizar o futuro destas espécies”, que são parte importante dos ecossistemas marinhos.
Através de uma série de experiências, em que colocaram microplásticos em diferentes recipientes com areia, os investigadores concluíram que as amostras com as maiores concentrações dessas partículas sintéticas registavam as temperaturas mais elevadas.
Embora as concentrações de microplásticos consideradas nas experiências (cerca de 9,8 milhões de partículas por metro cúbico) não tenham ainda sido reportadas em nenhuma praia do mundo, os cientistas recordam que tudo aponta para um aumento do uso, e descarte, de produtos de plásticos, pelo que não afastam a possibilidade de concentrações desse tipo poderem vir a ser verificadas.
Como o sexo das tartarugas, tal como o de outras espécies, é determinado pela temperatura em que os embriões se desenvolvem, areias mais quentes podem resultar num desequilíbrio do rácio macho-fêmea e, dessa forma, comprometer a estabilidade das populações. Como as fêmeas surgem com temperaturas de incubação acima dos 29 graus Celsius, os cientistas dizem que mesmo pequenas concentrações de microplásticos podem ser suficientes para fazer a balança pender mais para um lado do que para o outro.
Além disso, se a temperatura subir consideravelmente, então pode também aumentar o número de mortes de embriões, afetando a capacidade de recrutamento das populações de tartarugas marinhas.
“Os ovos das tartarugas marinhas são sensíveis à temperatura e os microsplásticos são outro fator que se vem juntar ao calor que já enfrentam” por causa das alterações climáticas, afirma Fuentes.
Localizada no Oceano Pacífico Sul, a Ilha Henderson, a 5.000 km do povoado mais próximo, está completamente coberta de detritos plásticos: sua concentração é a mais alta do planeta.
Os índices de poluição chegam a 671 objetos por metro quadrado. Isso se deve ao fato de a ilha estar localizada na área da corrente oceânica denominada Giro do Pacífico Sul, e por isso se tornou um local de acúmulo de lixo flutuante da América do Sul ou despejado de barcos pesqueiros.
Mais de 600.000 caranguejos eremitas morrem em garrafas de plástico em duas ilhas remotas
Uma pesquisa publicada em abril de 2017 [1] analisou detritos em várias praias e relatou "a maior densidade de lixo plástico em qualquer lugar do mundo" como resultado do Giro do Pacífico Sul. As praias contêm cerca de 37,7 milhões de itens de detritos pesando 17,6 toneladas. Num estudo transversal em North Beach, a cada dia, 17 a 268 novos itens aparecem numa seção de 10 metros. O estudo observou que os caranguejos eremitas roxos (Coenobita spinosus) fazem as suas casas em recipientes de plástico encontrados nas praias, e os detritos podem reduzir a diversidade de gastrópodes na costa, podem contribuir para a redução do número de tentativas de postura de tartarugas marinhas e podem aumentar o risco de emaranhamento para aves marinhas que nidificam na costa.[2][3][4]
Em junho de 2019, uma expedição organizada pelo governo do Reino Unido tentou remover alguns dos detritos de plástico da praia leste da ilha. A equipe coletou seis toneladas de lixo, mas as condições climáticas dificultaram os esforços para retirar o lixo da ilha.[5] Uma nova expedição, planejada para abril de 2020,[6] foi adiada por causa da pandemia de COVID-19.
Foi há precisamente 50 anos que a Convenção sobre o Comércio Internacional de Espécies Ameaçadas de Fauna e Flora Selvagens (CITES) foi adotada. Em Washington, D.C., capital dos Estados Unidos da América, representantes de 80 países reconheceram que a vida selvagem é “uma parte insubstituível dos sistemas naturais da Terra que deve ser protegida” e que “os povos e os Estados são e devem ser os melhores protetores das suas próprias fauna e flora selvagens”.
Assim, no dia 3 de março de 1973, este tratado foi adotado e a 1 de julho de 1975 entrou em vigor. O objetivo? Assegurar que o comércio internacional de animais e plantas selvagens não representa uma ameaça para a sobrevivência dessas espécies.
Estima-se que todos os anos esse tipo de comércio gere milhares de milhões de dólares em todo o mundo, com centenas de milhões de animais e de plantas a atravessarem fronteiras, podendo passar, em muitos casos, por diversos países entre a origem e o destino.
A CITES, que conta hoje com 184 Estados-contratantes, pretende regular o comércio de espécies que se consideram estar ameaçadas de forma a evitar que a sua exploração possa exceder a sua capacidade de recuperação. Ou seja, com este instrumento legal pretende-se impedir que espécies de animais e de plantas desapareçam devido a práticas comerciais insustentáveis.
Portugal juntou-se à CITES em dezembro de 1980 e a convenção passou a vigorar no país em março do ano seguinte.
Conferência das Partes (COP19) da Convenção sobre o Comércio Internacional de Espécies Ameaçadas de Fauna e Flora Selvagens (CITES), que se realizou em novembro, no Panamá. Foto: CITES
Uma das características distintivas desta convenção são os seus Apêndices. No Apêndice I estão listadas todas as espécies ameaçadas de extinção cuja sobrevivência está a ser ou pode vir a ser afetada pela sua comercialização. Por isso, o comércio desses animais e plantas está sujeito a uma “regulação particularmente rigorosa”, como se pode ler o no texto da CITES, “para não ameaçar ainda mais a sua sobrevivência”. No entanto, geralmente o comércio destas espécies do Apêndice I é proibido.
O Apêndice II, por sua vez, é constituído, essencialmente, por espécies de fauna e de flora que, embora não o estejam nesse momento, possam vir a ser empurradas para o limiar da extinção se a sua comercialização não foi devidamente regulada. O comércio internacional dessas espécies só é possível mediante a emissão de uma licença por parte das autoridades nacionais com competências sobre a gestão e conservação da Natureza. No caso de Portugal, essa responsabilidade recai sobre o Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF).
Por fim, existe um Apêndice III, pouco falado, que inclui espécies cujo comércio é regulado por algum dos Estados-contratantes e que, para garantir que não desaparecem por via da extinção, requerem a cooperação de outros países para controlar a sua comercialização a nível internacional.
Atualmente, estima-se que, no seu conjunto, os três Apêndices englobem mais de 38 mil espécies de plantas e de animais, sendo que quase todas fazem parte do Apêndice I. Não importa o tamanho ou o grupo taxonómico ao qual pertença, se estiver ameaçada pelo comércio internacional essa espécie passará a fazer parte de um dos apêndices, e a grande maioria das espécies listadas são espécies de plantas.
Tal como acontece com outras convenções internacionais, no âmbito da CITES são convocadas Conferências das Partes (COP), também conhecidas com ‘conferências da vida selvagem’, durante as quais os vários Estados-contratantes são chamados a rever a implementação da convenção e a decidir sobre a inclusão ou retirada de espécies dos apêndices ou a mover espécies de um apêndice para o outro, consoante a avaliação do seu estado de ameaça face ao comércio internacional.
No passado mês de novembro, teve lugar mais um desses encontros, a COP19, dessa feita no Panamá, onde se reuniram delegações de mais de 160 países, bem como diversas organizações da sociedade civil. Do encontro resultou a adoção de propostas, apresentadas pelos Estados-parte, que, no seu total, incluíram mais de 500 novas espécies de plantas e de animais nos apêndices para regular o seu comércio internacional, algo que o Secretariado da CITES, o órgão máximo que gere a implementação da convenção entre as COP, considera ser um sinal claro do compromisso dos países para combater a crise da perda de biodiversidade.
Na COP19 de novembro passado foram incluídas nos Apêndices da CITES 54 novas espécies de tubarões e de raias (elasmobrânquios), incluindo 19 que estão hoje ameaçadas ou criticamente ameaçadas de extinção. Foto: CITES
Sobre a COP19, é de destacar a adição aos Apêndices de 54 novas espécies de tubarões e raias, das quais 19 estão hoje ameaçadas ou criticamente ameaçadas de extinção, o que a organização ambientalista WWF considerou ser uma decisão “histórica”. A inclusão dessas espécies de elasmobrânquios faz com que agora perto de 90% do comércio internacional desses animais só possa acontecer mediante a emissão de uma licença e se não colocar em risco a sustentabilidade e sobrevivência dessas populações.
50 anos depois: CITES “longe de ser um tratado perfeito” mas “um dos mais bem-sucedidos acordos ambientais multilaterais”
Numa altura em que se estima que mais de um milhão de espécies enfrentam o real risco de desaparecerem por completo, que mais de 35% dos stocks de peixe a nível global estão a ser sobre-explorados, e que se prevê que o aumento da população humana mundial colocará ainda maior pressão sobre os recursos naturais do nosso planeta, a proteção das espécies que estão sob a nuvem negra da extinção e das que, sem as medidas corretas, podem vir a sofrer o mesmo destino é de crucial importância.
Por isso, a CITES pode ser percebida como “um tratado que está entre o Comércio, o Ambiente e o Desenvolvimento Sustentável”, explicou-nos Ivonne Higuero, Secretária-geral da convenção, a partir de Washington, D.C., onde esta sexta-feira decorreram as celebrações do Dia Mundial da Vida Selvagem, uma efeméride criada pelas Nações Unidas que pretende chamar a atenção do mundo para a beleza da Natureza e de todas as formas de vida que dela fazem parte e para a urgência de as proteger.
Ivonne Higuero, Secretária-geral da CITES, falou com a Green Savers, por videochamada, enquanto estava em Washington DC, nos Estados Unidos da América, para as celebrações do Dia Mundial da Vida Selvagem.
Meio século após a adoção da CITES, e reconhecendo que “está longe de ser um tratado perfeito”, Higuero, que é bióloga de formação, acredita que esse é “um dos mais bem-sucedidos acordos ambientais multilaterais” e assinala que “sem esta convenção estaríamos numa situação bem pior”, referindo-se à perda de diversidade de espécies que hoje configura, a par da poluição e das alterações climáticas, uma das maiores crises planetárias dos nossos tempos.
A responsável recorda que, através desta convenção, foi possível ajudar os Estados-contratantes a melhorarem e a reforçarem as suas legislações nacionais sobre o comércio internacional de espécies ameaçadas de animais e de plantas e até fazer com que país que não tinham essa legislação passassem a tê-la.
O trabalho dos Estados-parte da CITES, segundo Higuero, permitiu já melhorar o estado de conservação de várias espécies, levando à sua passagem do Apêndice I, o nível mais alto de proteção ao abrigo da convenção, para o Apêndice II. No entanto, disse-nos que não têm feito essa transição tantas espécies quanto as que gostaria, “pois isso realmente demostra o sucesso da convenção, mas é encorajador ver algumas a passarem do Apêndice I para o Apêndice II”. E, em alguns casos, embora mais restritos, tem sido mesmo possível retirar completamente as espécies das listas devido aos aumentos populacionais que permitem afastar o perigo de extinção devido ao comércio.
Tráfico de espécies é uma “ameaça tremenda” à biodiversidade
A SG da CITES salientou também que este tratado tem sido uma importante ferramenta no combate ao tráfico ilegal de espécies ameaçadas, promovendo uma maior transparência e rastreabilidade do comércio desses animais e plantas, desde o local em que foram colhidos até ao destino final. A esse respeito, destacou o trabalho que tem sido feito, especialmente ao nível do Consórcio Internacional de Combate aos Crimes contra a Vida Selvagem (ICCWC), com a Interpol, com o Banco Mundial, com o Gabinete das Nações Unidas para as Drogas e o Crime (UNODC) e com a Organização Mundial das Alfândegas.
“Por todo o mundo, são feitas cada vez mais apreensões de vida selvagem comercializada ilegalmente”, contou-nos, especialmente nas zonas portuárias, que são muitas vezes as portas de entrada para produtos derivados da vida selvagem que violam as regras da CITES.
Resultado da operação ‘Thunder 2022’, no âmbito do Consórcio Internacional de Combate aos Crimes contra a Vida Selvagem (ICCWC). Foram apreendidos quase 800 kg de marfim de elefantes, 25 chifres de rinoceronte, 119 grandes felídeos cinco toneladas de plantas de espécies ameaçadas, 750 aves, 9 pangolins, 34 primatas, quase dois mil répteis e mais de mil tartarugas, entre muitos outros. Fonte: Interpol
Apesar dos esforços, Higuero considera que “temos de fazer muito mais para combater essas organizações criminosas internacionais que estão envolvidas no tráfico de espécies ameaçadas”, mas observou que, de facto, tem sido possível verificar uma melhoria na capacidade para frustrar essas atividades ilegais.
O tráfico de espécies selvagens ameaçadas “é definitivamente uma ameaça tremenda”. Ao contrário do comércio legal, em que é possível perceber se uma espécie está a ser sobre-explorada e aplicar medidas para resolver o problema, a avaliação dos impactos do comércio ilegal nas espécies é muito mais difícil.
“Temos grandes apreensões de escamas de pangolins. Quantos animais estão a ser mortos? Não conseguimos saber ao certo”, contou-nos Higuero, reconhecendo que se trata de uma ameaça “muito difícil de combater”. Como tal, defende que a formação das autoridades fiscalizadoras do comércio e a implementação de ferramentas tecnológicas, como a Inteligência Artificial, são muito importantes nessa luta.
“Claro que o ideal é deixar de haver apreensões. Não porque não houvesse capacidade para fazê-las, mas porque esses crimes já não aconteceriam”, confessou-nos a responsável, argumentando que os crimes contra a vida selvagem “devem ser tratados como qualquer outro crime grave, com penalizações, com multas e com penas de prisão significativas”, que, segundo Higuero, devem ser aumentadas e não ser meros castigos simbólicos.
A caça-furtiva, especialmente de elefantes e de rinocerontes, e o comércio de certos produtos derivados de espécies em risco, como bexigas-natatórias de vaquitas, o cetáceo mais ameaçado em todo o mundo, têm diminuído nos últimos anos, de acordo com a responsável, mas “temos de nos manter atentos”. E o tráfico ilegal de madeiras e de enguias, por exemplo, continua a ser “muito preocupante”, alertou Higuero, acrescentando que “ouvimos falar muito do tráfico de marfim de elefantes, mas menos de pau-rosa”, um material que ainda é alvo de “uma grande procura”.
A vaquita (Phocoena sinus) é o cetáceo mais ameaçado do mundo. Foto: NOAA Fisheries
Assim, “não há como negar que ainda há procura por estes produtos”, pelo que “temos de continuar a luta contra os crimes contra a vida selvagem”.
Na proteção da biodiversidade, não podemos esquecer as comunidades locais e os povos indígenas
A Secretária-geral da CITES lembrou também que é preciso não esquecer os impactos que a restrição do comércio de espécies selvagens tem sobre as comunidades locais e povos indígenas, pois para muitos deles grande parte do seu rendimento, ou mesmo a sua totalidade, depende desse comércio.
“Trabalhamos com eles para que possam perceber melhor a responsabilidade que têm em manter esses habitats onde esses animais e plantas selvagens existem, procuramos assegurar que são recompensados pelo trabalho que fazem em prol da sua conservação e que as suas vozes são ouvidas”, relatou Ivonne Higuero, sustentado que existem já estudos que comprovam que as terras geridas por povos indígenas e comunidades locais, que tenham direitos sobre elas, prosperam muito mais do que outras que não o são.
Investimento e redução da procura são a chave para combater o comércio ilegal e preservar a vida selvagem
Quanto ao futuro, Ivonne Higuero mostra-se confiante de que a CITES continuará a sua missão de combate às atividades criminosas e ilegais que contribuam para a perda de biodiversidade. Destacou como melhorias vindouras a crescente digitalização das licenças de comércio, para combater os riscos de fraude e corrupção, o papel dos jovens na redução da procura por produtos do comércio irregular de vida selvagem e na consequente redução da oferta, e a consolidação do papel da convenção enquanto mais uma ferramenta para ajudar a evitar novas pandemias, embora, claro, admita que “nunca será zero”.
E o financiamento é, obviamente, algo que não só é fundamental para combater o comércio ilegal de espécies ameaçadas, mas também para revitalizar a Natureza, reparar os danos que por nós lhe foram e continuam a ser infligidos e ajudar as plantas e os outros animais a recuperarem de séculos de exploração desmedida.
Higuero afiançou que “é realmente preciso perceber que investir na biodiversidade, investir na Natureza, é algo que vale a pena fazer, porque ganhamos muito com isso”, não apenas, e não de somenos importância, para garantir a diversidade de vida que torna o nosso planeta único, mas também porque isso é investir no nosso próprio bem-estar e na garantia de podemos continuar a beneficiar dos serviços, muitas vezes indispensáveis (como a polinização, os ciclos de água, a captação de carbono), que os ecossistemas nos proporcionam, e dos quais nós quase nunca nos apercebemos ou tomamo-los por garantidos.
E porque a conservação das espécies “tem custos”, o dinheiro não pode vir apenas da esfera pública. Para a Secretária-geral da CITES, deve também fluir do setor privado, não só de empresas, mas também de pessoas com grandes fortunas, que podem ser fundamentais para assegurar que conseguimos estancar a perda de biodiversidade e que podemos recuperar a Natureza antes que seja demasiado tarde.
“É fundamental passar a mensagem de que não há qualquer necessidade para comprar produtos ilegais, que é preciso continuar a pressionar os governos para que façam o que é correto e para penalizarem os criminosos e assegurarem que esses cumprem penas de prisão efetivas, para que não seja um crime fácil de cometer”, sublinhou Ivonne Higuero, acautelando, ainda assim, que é preciso também encontrar alternativas ao comércio ilegal de espécies ameaçadas, porque para muitos essa via é a única fonte de subsistência e é uma realidade que não pode ser ignorada, pois essas pessoas “também precisam de por comida na mesa, de educar os seus filhos e de ter acesso à saúde”.
Brendon Grimshaw tinha então 40 anos quando decidiu mudar completamente sua vida como jornalista e se dedicar à natureza. Depois de uma viagem de lazer no verão de 1962, o inglês comprou a pequena ilhota abandonada de Moyenne, uma das 115 ilhas do arquipélago de Seychelles localizada ao longo da costa norte, pela modesta quantia de 8.000 libras.
As praias paradisíacas de Moyenne e a natureza intocada apareciam aos olhos de Grimshaw como o lugar perfeito para recomeçar e viver uma nova fase, mas o ilhéu ainda estava abandonado e as intervenções a serem feitas para reconstruí-lo eram infinitas. Além disso, o destino de Moyenne parecia já estar marcado e ameaçado pelo boom turístico que afetava as ilhas adjacentes do arquipélago e que o teria transformado em resorts e aldeias.
Foi assim que Grimshaw, graças também à profunda amizade que formou com Rene Antoine Lafortune, filho de um pescador local, começou a transformar seu Moyenne num parque natural.
Os dois plantaram mais de 16.000 mangas, papaias, mognos e palmeiras que ao longo do tempo atraíram muitas espécies de aves, bem como as tartarugas gigantes de Aldabra, uma espécie ameaçada da qual hoje existem apenas 50 na ilha de Grimshaw. Brandon e Rene continuaram cuidando da ilha incansavelmente, mas ao contrário do filho do pescador, Grimshaw residia permanentemente lá e nunca deixou Moyenne desde o momento em que pisou lá.
Em 2009, dois anos após o desaparecimento de Rene, Brendon Grimshaw assinou um acordo com o governo de Seychelles que incluiu Moyenne no parque nacional protegido de Ste. Anne Marine Park e, assim, a ilha adquiriu o status de Parque Nacional da Ilha Moyenne. Embora pequena, segundo uma estimativa, a Ilha Moyenne teria mais espécies de plantas por metro quadrado do que qualquer outro parque nacional do mundo.
Ao longo dos anos, Grimshaw recebeu ofertas de magnatas estrangeiros, ansiosos para comprar a ilha, mas sempre as rejeitou para proteger o paraíso tropical que ele construiu do zero com suas próprias mãos. Em 2012, Brandon Grimshaw faleceu e em seu testamento expressou sua vontade de manter a ilha de Moyenne como um lugar de oração, paz, tranquilidade, relaxamento e conhecimento para Seychelles e visitantes estrangeiros de todas as nacionalidades, cores e credos
Before the pandemic, Jane Goodall travelled three hundred days a year to speak to audiences about the climate crisis. “I used to do, like, three days in the Netherlands, three days in Belgium, three days in France,” Goodall, who is eighty-seven, recalled recently. In China or Australia, “it would be, like, two weeks, where they’d spread me through their country.” Everywhere she went, she met young people who were “angry, depressed, or just apathetic, because, they’ve told me, we have compromised their future and they feel there is nothing they can do about it,” she writes in her twenty-first and most recent work, “The Book of Hope: A Survival Guide for Trying Times.” Amid flooding and wildfires, impassivity and eco-grief, the question she was asked most often was “Do you honestly believe there is hope for our world?”
She does, and she’ll tell you why. “The Book of Hope,” which she wrote with Douglas Abrams and Gail Hudson, is structured like a dialogue in which the naturalist (Ph.D., D.B.E., U.N. Messenger of Peace) plays whack-a-mole with the darkest fears we hold for our ailing planet. Stories of the human intellect and indomitable spirit abound. Also, the resilience of nature and the power of young people. Hope, she argues, is not merely “passive wishful thinking” but a “crucial survival trait.” She noted, “If you don’t have hope that your action is going to make a difference, why bother to do anything? You just become a zombie.”
Goodall was seated on a sofa in the drawing room of her childhood home, in Bournemouth, on the south coast of England. She had her hair in a ponytail and was wearing a Patagonia jacket with jeans, moccasins, and whale-print socks. Shuttered in the house since the outbreak began, Goodall has adopted a relentless schedule of online engagements, Zooming to multiple countries each day. “Virtual Jane has been busier than ever,” she said. “It’s hurting my voice, my eyes.” She has not taken a day off in a year and a half; she Zoomed twice on Christmas, launched a podcast called “The Hopecast,” and, in May, accepted the Templeton Prize (previous recipients include Mother Teresa and the Dalai Lama). “But the pluses!” she said. “I’ve reached literally millions more people in many more countries. I was in Tanzania this morning, and then I was in the Netherlands for an interview. Or is it Belgium?”
Goodall was sharing the Gothic-style house (built in 1872) with her sister, Judy, Judy’s daughter and grandchildren, and an aging rescue whippet named Bean. It’s not the first time the family has taken refuge there. “It was my grandmother’s,” she said. “Mum and Judy and I came here when the war broke out. World War Two.” In the garden, butterflies flitted by; Bean was asleep in an armchair. Growing up, there were always animals around, she said. Dogs, cats, “a couple of tortoises.” “Peter the canary, who used to fly around the whole house. Hamlet the hamster, who escaped and spent the rest of her life in the back of the sofa, coming out at night for food.”
In 1960, at the age of twenty-six, Goodall left England for Gombe National Park, in Tanzania, to study animals in the wild. She took her mother with her. (“Mum played a very important role.”) It was in Gombe that Goodall almost lost hope. She was up at dawn every morning, crawling through the forest with binoculars, looking for chimps. She would return to camp unsuccessful and depressed. Finally, a chimpanzee she called David Greybeard (“very handsome”) let her observe him using grass stems to collect termites, the report of which prompted Goodall’s mentor to send an exuberant telegram: “Ah! We must now redefine man, redefine tools, or accept chimpanzees as human!”
In the drawing room, Goodall checked the time: fifteen minutes until she needed to record a message for French university students. She poured herself a drop of whiskey. “When my voice goes like this, it’s the only thing that works,” she said. (It was a lifesaver when she had bronchitis at Davos.) Did she ever get tired? “I care about the future, I care about animals, I care about trees, I care about children,” she said. “And I’m obstinate and I won’t give in. I won’t be defeated by the Bushes, and the Putins, and the Bolsonaros, all these terrible, terrible people.”
Lately, Goodall has been working from an attic bedroom surrounded by objects that give her hope: a photograph of David Greybeard, a Native American talking stick, a bell made from a defused land mine. She climbed the stairs slowly, held up the bell, and rang it. “Special,” she said. She checked the time again. The French students beckoned.
Já passou um ano desde que a Organização Mundial da Saúde declarou a situação de pandemia devido à propagação em grande escala da Covid-19. Desde então que os hábitos dos consumidores sofreram alterações, especialmente no que toca ao consumo de animais selvagens, dado que uma das ideias iniciais é que a doença tenha origem num mercado em Wuhan, na China.
O novo relatório da WWF “Covid-19 One year later”, revela as perceções e mudanças por parte das populações de Mianmar, Tailândia e Vietname, China e Estados Unidos. De acordo com os resultados, 30% dos inquiridos reduziram ou pararam o consumo de animais selvagens.
Em paralelo, mais de 80% acredita que o fecho dos mercados de animais selvagens é necessário para prevenir a propagação de doenças pandémicas no futuro, e admitem apoiar o Governo e os Ministérios da Saúde no fecho dos mesmos.
Relativamente às compras de espécies selvagens nos mercados nos últimos 12 meses, 14% dos inquiridos afirmam tê-lo feito no Vietname, 11% na Tailândia e 10% na China. As espécies mais compradas correspondem, por ordem decrescente, a pássaros vivos, cobras, tartarugas, morcegos, civetas e pangolins.
Por outro lado, mais de 90% – e apenas 68% dos inquiridos dos Estados Unidos – apoiam fortemente os esforços para preservar as florestas e para travar a desflorestação no seu próprio país ou em outros, como meio de prevenir futuras pandemias.
Carter Roberts, CEO da WWF dos Estados Unidos, afirma: “O mundo teve um curso intensivo sobre pandemias no ano passado. Prevenir o futuro exige que reparemos o nosso relacionamento estragado com a natureza, e isso começa com o fim do comércio e do consumo de vida selvagem de alto risco e o fim da desflorestação. Esta nova investigação mostra que o público apoia essas mudanças. Na WWF, o nosso próximo passo será trabalhar com governos, empresas e consumidores para converter essas atitudes em ações e garantir que sejam cumpridas”.
James Maskalyk is an emergency physician, associate professor in the University of Toronto’s Faculty of Medicine and author of the forthcoming book Doctor: Heal Thyself. Dave Courchene is the founder of the Turtle Lodge International Centre for Indigenous Education and Wellness and chair of its National Knowledge Keepers’ Council.
If humanity is to endure, the coming months must hold healing, not just of populations across the globe from the coronavirus, but of the Earth herself. As is true of many zoonoses (diseases that jumped from animals), this virus emerged from pressure humans put on a global ecosystem.
A lack of healthy, natural habitat weakens the immune systems of animals and the resulting sicknesses pass rapidly through them. Birds, prairie dogs, pigs, bats. With each infection, a chance for a virus to mutate into one that can sicken humans, and sometimes, global livelihoods. As such, a vaccine alone, no matter how effective, will not tip the balance toward health because COVID-19 is not a disease; it is a symptom of an exhausted planet. The renewal of a healthy relationship to our one shared mother, planet Earth, is the cure.
There is good news. We do not need to wait to determine how, because the answer is already here, and has been known for thousands of years. It is in the wisdom and sacred teachings of Indigenous people across the world. They have the deepest connection to the spirit of the Earth and its history, and from this intimacy, healing can occur.
This is neither speculation nor fantasy. A 2019 study from the University of British Columbia, looking at biodiversity in Canada, Australia and Brazil, found more species of birds, animals and amphibians on land managed by Indigenous people, even greater than in national parks. In the same year, a collaboration involving 50 countries and more than 500 scientists, the Intergovernmental Science-Policy Platform on Biodiversity and Ecosystem Services (IPBES), concluded that human activity and the resultant lack of biodiversity allowed for five new diseases to emerge every year with the potential to infect humans. They noticed that Indigenous land, though it faced the same pressures, was eroding less quickly. Capturing their knowledge, and expanding their stewardship, was cited as necessary for a healthier world.
No one created the problems that threaten to overwhelm us from malice. Not the plagues, nor climate change, nor extinctions. They have occurred as side effects of a system whose rapid growth is both encouraged at all costs, and blind to natural limits.
If the Earth is as alive as both climate scientists and Indigenous peoples say, and like a body, kept well by a diversity of cells, deeply connected, then the medical diagnosis that fits most neatly our modern sickness is not an infection, but a malignancy. If unaddressed, it threatens to use every last joule of energy, not from need, but from appetite until only it, and a husk, remain. As the IPBES concluded, we must “decouple the idea of a good and meaningful life from ever-increasing material consumption.” This must be the priority of our Group of 20 leaders, who met recently to talk about “recovery.” The solution will not be found by beating back the symptoms so we might return to business as usual, but fanning the flame of aliveness of the beautiful and healthier world beyond them that is in retreat.
This past summer, at Turtle Lodge in Manitoba, a sacred Anishinaabe lodge of traditional teaching and wellness, Indigenous knowledge keepers from coast to coast met and discussed challenges affecting their communities and the world. Their main concern was a disconnect of people from the land and its lessons. In that rupture, like a break in the body’s immune system, sickness has crept. Opiate and alcohol addiction, anxiety and depression. COVID-19. We can learn from the line of inquiry of some traditional healers, who instead of asking their patients first about their pain, start with a more direct question: Who are you?
We have forgotten who we are. There is a remedy held in the gathering statement of the Turtle Lodge National Knowledge Keepers’ Council, and endorsed by Indigenous people across six continents. On Dec. 21, as the Earth reaches equilibrium and begins its solstitial yaw, we are all invited, Indigenous and those of us displaced from our traditional lands, to light a sacred fire, and keep it burning throughout the day. A fireplace, a candle. In its flame, the sun’s light, the Earth’s gifts, and our own spirit. It is the first step toward knowing our nature, and that of the planet, as not two, but one.
We are of the Earth, and have everything we need to heal. The cure for COVID-19 is here. It is us.
Um pequeno filme do Herald Sune outro no Facebook "The Japaneses Robinson" Leu bem! Esta é mesmo a história de um homem que fugiu da civilização há 30 anos para viver numa ilha deserta. Andou nu, até que passadas três décadas, foi retirado contra a sua vontade do refúgio onde queria morrer. Masafumi Nagasaki chegou à ilha de Sotobanari, no Japão, em 1989. Aí viveu uma vida em solidão até se tornar conhecido como o “eremita nu”, aos 76 anos de idade. Agora, de acordo com o site news.com.au., em abril deste ano, a polícia recebeu um aviso de que Masafumi Nagasaki, de 82 anos, estaria muito fraco. Foram buscá-lo à ilha e levaram-no de volta para a civilização, de onde dificilmente vai conseguir sair. Feliz na ilha Foi em Sotobanari que Nagasaki se sentiu e sentia em casa. Onde não há telefones, nem água fresca e as roupas são muito poucas. Nenhumas mesmo, no seu caso, quando um tufão passou pela ilha e estragou todo o pouco que tinha. Mas, mesmo tendo de enfrentar intempéries e tufões, nada fez com que Nagasaki tivesse tido vontade de mudar de casa. Aliás, era ali mesmo que queria morrer.
Encontrar um lugar para morrer é uma coisa importante que se deve fazer. Eu decidi que aqui é o lugar onde quero morrer", disse em entrevista à agência Reuters em 2012.
Estranho ou não, Nagasaki viveu literalmente sozinho durante quase três décadas. E dizia que sempre fora feliz.
Nunca me senti triste aqui. As coisas aqui são mais reais." (...) "Não vou sair daqui, mesmo que alguém me diga que há um lugar melhor. Tudo o que quero, tenho aqui. Não preciso de mais nada.”, disse na entrevista, em 2012.
Fuga da sociedade
Engana-se quem possa pensar que Masafumi Nagasaki não tinha família. Antes de partir para a ilha chegou mesmo a despedir-se e deixou esclarecido que o regresso poderia nunca acontecer.
Não tenho opção. Já disse à minha família que vou morrer aqui. O meu desejo é morrer aqui sem incomodar ninguém. Por isso, não quero ficar doente ou ferido. Quero ser morto por um tufão e assim ninguém me pode tentar salvar. Morrer aqui é o melhor. É simplesmente perfeito para mim", contou Nagasaki.
Nunca se soube como foi a viagem até Sotobanari. Nem se Nagasaki tem filhos, até porque tentou sempre evitar falar do passado e da família que tinha deixado para trás.
Sabe-se que, quando "vivia na civilização", Nagasaki trabalhava numa fábrica em Osaka. Foi aí que um colega lhe terá falado sobre um misterioso arquipélago de ilhas desabitadas, o que o levou a fugir.
Tomou a sua decisão final quando estava dentro de um avião e viu o mar bastante poluído. Aí, foi de vez. Arranjou maneira de chegar à ilha de Sotobanari, onde pretenderia passar um par de anos. Ficou por lá quase trinta.
Vida maravilhosa
Sobre a vida na ilha, o japonês realçou a Alvaro Cerezo, responsável por uma série de documentários sobre experiências de viver em ilhas desertas, que estar longe das regras dos humanos era o que o deixava mais feliz.
Aqui, na ilha, não faço o que as pessoas me dizem para fazer. Sigo apenas as regras da natureza. Ninguém consegue dominar a natureza, então só podemos obedecer-lhe completamente.”
Ainda quanto às regras da sociedade que Nagasaki não gostava, percebe-se que o andar nu foi um fato feito à medida da ilha. Ainda andou vestido nos primeiros anos, até que um tufão lhe terá levado o pouco que tinha.
Nagasaki contou ainda à Reuters, há seis anos, que deixou de comer carne e peixe e também se recusou a comer os ovos das tartarugas postos pelas mães na praia.
Vi os filhotes a nascer e a rastejar em direção ao mar. Fico arrepiado todas as vezes que vejo isso acontecer... Só me faz pensar como a vida é maravilhosa."
Apesar de viver sob as regras da natureza, Nagasaki até tinha uma rotina própria: ginástica de manhã e depois dedicava-se, essencialmente, à limpeza da praia com um par de luvas brancas e um ancinho.
Agora, em 2018, Nagasaki despediu-se da ilha que foi a sua casa durante trinta anos. A contra gosto, levaram-no e tiraram-no de Sotobanari. O seu paradeiro é agora incerto.
A sexta extinção em massa de animais selvagens na Terra está a acelerar, de acordo com uma análise de cientistas que alertam que este facto pode também contribuir para o colapso da civilização, avança o ‘The Guardian’.
Mais de 500 espécies de animais selvagens foram encontradas à beira da extinção, estimando-se que provavelmente acabem extintas em cerca de 20 anos. Em comparação, o mesmo número foi extinto durante todo o século passado. Os cientistas alertam que a extinção poderia demorar milhares de anos, se não houvesse destruição humana da natureza.
Os animais à beira da extinção, com menos de mil espécies restantes, incluem o rinoceronte de Sumatra, a carriça Clarión, a tartaruga gigante de Espanha e o sapo arlequim. Estavam disponíveis dados históricos para 77 das espécies, o que levou os cientistas a descobrir que tinham sido extintas 94% das suas populações.
Os especialistas também alertaram para um efeito dominó, com a perda de uma espécie a derrubar as outras que consequentemente dependem dela. «Extinção origina extinções», disseram, observando que, ao contrário de outros problemas ambientais, a extinção é irreversível.
A humanidade confia na biodiversidade para a sua saúde e bem-estar, segundo os cientistas, sobretudo numa altura de pandemia como esta, um exemplo extremo dos perigos que pode ter a destruição do mundo natural. O aumento da população humana, a destruição de habitats, o comércio de animais silvestres, a poluição e a crise climática devem ser enfrentados com urgência, afirmaram os especialistas.
«Quando a humanidade destrói outras criaturas, está a destruir partes do nosso próprio sistema de suporte à vida», disse Paul Ehrlich, da Universidade de Stanford, nos EUA, um dos investigadores. «A conservação de espécies ameaçadas de extinção deve ser elevada a uma emergência global para governos e instituições, tal como as alterações climáticas às quais está interligada».
A análise, publicada na revista Proceedings da National Academy of Science, analisou dados de 29.400 espécies de vertebrados terrestres compiladas pela Lista Vermelha de Espécies Ameaçadas da ‘BirdLife International’. Os investigadores identificaram 515 espécies com populações abaixo de mil, sendo que cerca de metade delas tinha menos de 250 espécies restantes.
Os cientistas descobriram que 388 espécies de vertebrados terrestres tinham populações abaixo de cinco mil, e a grande maioria (84%) vivia nas mesmas regiões que as espécies com populações abaixo de mil, criando as condições para o referido efeito dominó.
Mark Wright, director de ciências da ‘World Wide Fund for Nature’ (WWF), disse: «Os números deste estudo são chocantes. No entanto, ainda há esperança. Se pararmos com a desflorestação devastadora em países como o Brasil, podemos começar a duplicar a curva da perda de biodiversidade e das alterações climáticas. Mas precisamos de ambição global para fazer isso», afirmou.