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quinta-feira, 28 de maio de 2026

Mais do que beleza: o papel vital das borboletas nos ecossistemas


Para o observador casual, uma borboleta é um símbolo fugaz da graciosidade do verão. No entanto, para entomologistas e zoólogos, estes insetos frágeis são os "pesos-pesados" do mundo natural, funcionando como engrenagens vitais que mantêm ecossistemas inteiros em movimento. No século XVII, a pioneira entomologista Maria Sibylla Merian foi uma das primeiras cientistas a documentar a metamorfose das borboletas, provando, através das suas ilustrações detalhadas, que a vida destes insetos está intimamente ligada à existência de plantas hospedeiras específicas. Séculos mais tarde, o lendário zoólogo E.O. Wilson lembrou-nos, de forma célebre, que os invertebrados são "as pequenas coisas que governam o mundo". As borboletas são o testemunho perfeito desta verdade.


Embora pareçam delicadas, são polinizadoras de longo curso que mantêm a diversidade genética das plantas silvestres, as quais, por sua vez, estabilizam os nossos solos e purificam o nosso ar. Além disso, servem como uma âncora fundamental para a cadeia alimentar; enquanto lagartas, convertem a matéria vegetal em energia rica, fornecendo uma fonte de alimento indispensável para aves nidificantes, morcegos e pequenos mamíferos. Como são incrivelmente sensíveis à temperatura e à perda de habitat, os zoólogos também dependem delas como indicadores ecológicos — sensores climáticos vivos que funcionam como um sistema de alerta precoce quando um ambiente está em sofrimento. Como a grande bióloga Rachel Carson escreveu outrora: "Na natureza, nada existe sozinho." Em última análise, proteger as borboletas não é um mero ato de preservação da beleza estética; é a preservação necessária dos fios invisíveis e interligados que mantêm o nosso planeta vivo.

domingo, 3 de maio de 2026

Floresta: Portugal vai buscar insetos ao outro lado do mundo para salvar 3.000 milhões de euros por ano de exportações


Um escaravelho minúsculo, mas voraz, está a preocupar o setor florestal português. A traquimela - uma praga que se alimenta das folhas de eucalipto — ameaça um dos pilares das exportações nacionais: a fileira da pasta e do papel vale mais de 3.000 milhões de euros por ano.

A resposta está a milhares de quilómetros. Na Austrália, origem do eucalipto e também das suas pragas, investigadores portugueses procuraram aliados naturais: insetos que se alimentam da traquimela. No final do ano passado, cerca de 200 exemplares foram trazidos para Portugal e estão agora em quarentena, sob vigilância apertada.

O objetivo é simples, mas o processo é tudo menos trivial: garantir que estes “insetos bons” atacam exclusivamente a praga e não colocam em risco outras espécies ou culturas. “Como estamos a introduzir uma espécie nova, temos que ter a certeza que esse bicho só vai atacar a praga que nós queremos destruir”, explica Catarina Gonçalves, investigadora do RAIZ – Instituto de Investigação da Floresta e Papel.

Em laboratório, a estratégia passa por simular o que acontece na natureza. Os investigadores criam a traquimela e expõem os potenciais predadores a diferentes espécies, incluindo insetos autóctones, para testar o seu comportamento alimentar.

A lógica segue um princípio conhecido como controlo biológico: combater uma praga com os seus inimigos naturais, evitando o recurso a químicos e tentando reequilibrar o ecossistema. “Vamos buscar à Austrália porque o eucalipto é de lá. As pragas são de lá e os insetos benéficos também”, resume a especialista em proteção de plantas e florestas.

O instituto RAIZ, criado pela Navigator, tem duas décadas de experiência neste tipo de intervenção — e já ajudou a resolver outras pragas em Portugal. Mas cada nova introdução exige testes demorados e rigorosos.

Só depois de meses - por vezes anos - de validação é que estes aliados improváveis podem ser libertados no terreno.

“Um inseto importado evitou que a cultura de eucalipto fosse completamente destruída”
Para compreender melhor a importação de armas biológicas da Austrália, a CNN Portugal entrevistou Catarina Gonçalves, investigadora do RAIZ - Instituto de Investigação da Floresta e Papel.

Há quanto tempo vamos buscar bichos à Austrália?
Os primeiros trabalhos na Austrália aconteceram em 2008. Os primeiros insetos foram importados em 2009. Desde então temos ido regularmente à Austrália, tendo a última vez sido em final de 2025, para procurar insetos contra uma praga que está a ser muito destrutiva, chamada traquimela, e para uma planta invasora, a acácia mimosa.

Esses imigrantes já foram espalhados pela floresta?
Sim. Já libertámos na natureza três espécies. Todas passaram por vários anos em quarentena, para testes. Só depois foram libertadas, com as autorizações das entidades competentes. Atualmente, o Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF).

Com que resultados?
Os resultados têm oscilado entre o sucesso total, em que a praga que queremos controlar deixou de ser um problema, e um caso em que o inseto benéfico não conseguiu competir com outro que já estava estabelecido. Ou seja, não causou danos, mas também não teve uma contribuição significativa. Há um caso extremo de sucesso de um inseto, o ‘Anaphes nitens’, contra o gorgulho-do-eucalipto, que é um verdadeiro caso de estudo a nível mundial. Em Portugal, há um estudo científico que coloca o benefício deste inseto em, pelo menos, 1,8 mil milhões de euros. Na prática, este inseto foi a diferença entre ser possível produzir eucalipto em Portugal ou ter a cultura completamente destruída pela praga. Importa ainda referir que os insetos podem ser eficazes sozinhos ou complementarmente com outras técnicas de controlo das pragas, como o uso de plantas resistentes (o chamado melhoramento genético) ou boas práticas de silvicultura.

Colaboram com universidades?
Felizmente, temos uma rede de parcerias de luxo. Começámos por trabalhar com a Navigator Forest Portugal, a Altri Florestal e com o Instituto Superior de Agronomia. Com o tempo fomos alargando as parcerias, que incluem hoje também a Universidade de Coimbra, a Escola Superior Agrária de Coimbra, o Instituto Nacional de Investigação Agrária e Veterinária, a ENCE (Espanha), a University of the Sunshine Coast (Austrália), a CSIRO (Austrália), Servicio Agrícola y Ganadero (Chile), o Instituto Nacional de Investigación Agropecuaria (Uruguai), o Instituto de Pesquisas e Estudos Florestais (Brasil), entre outros.

Como articulam a vossa atividade com o Estado?
Trabalhamos sempre com acompanhamento e supervisão do ICNF.

Oferecem ou vendem as espécies importadas a terceiros?
Não vendemos insetos, mas doamos a quem nos contacte através das equipas de apoio aos produtores. A estratégia é sempre libertar o máximo viável dentro das possibilidades de criação e ter como objetivo o benefício da floresta em geral. É normal que boa parte das áreas beneficiadas com o controlo biológico sejam de terceiros, frequentemente de pequenos produtores, que muitas vezes não têm acesso a outras formas de controlo, como as plantas resistentes.

sábado, 20 de setembro de 2025

Dinamarca - ilhas flutuantes artificiais cobertas de flores silvestre


Na Dinamarca, ilhas flutuantes artificiais cobertas de flores silvestres estão a transformar portos movimentados em bolsas de natureza.
Construídas com materiais ecológicos, estas ilhas oferecem locais de nidificação para aves, néctar para abelhas e borboletas e abrigo subaquático para peixes.
Não só aumentam a biodiversidade, como também purificam o ar e a água, absorvendo carbono e filtrando os poluentes.
Ancoradas em segurança, as ilhas comprovam que, mesmo em vias navegáveis ​​industriais, as cidades podem criar santuários verdes onde a vida selvagem prospera juntamente com a atividade humana. 

quarta-feira, 3 de setembro de 2025

“Humanity is missing the bigger picture”: Sandra Díaz explains



Sandra Díaz mais conhecida no campo da ciência é a Sandra Myrna Díaz, ecóloga argentina, nascida em 1961.

🔹 Quem é:
É considerada uma das cientistas mais influentes do mundo na área da ecologia funcional das plantas, biodiversidade e serviços dos ecossistemas.

🔹 Contribuições principais:

  • Desenvolveu o conceito de “síndromes funcionais das plantas”, que ajuda a compreender como diferentes espécies vegetais contribuem para o funcionamento dos ecossistemas.

  • Foi uma das principais autoras do Relatório Global da Plataforma Intergovernamental de Biodiversidade e Serviços Ecossistémicos (IPBES, 2019), um documento fundamental que alertou para a perda acelerada da biodiversidade global.

  • Criou a base de dados global TRY, a maior compilação de características funcionais de plantas do mundo.

🔹 Reconhecimentos:

  • Recebeu o Prémio Princesa das Astúrias de Investigação Científica e Técnica (2019).

  • Eleita entre as cientistas mais citadas em ecologia e meio ambiente.

  • Considerada referência mundial em debates sobre natureza, sustentabilidade e futuro do planeta.

quinta-feira, 7 de agosto de 2025

A Estafeta da Existência: O Legado Multigeracional da vanessa-dos-cardos (Vanessa cardui)


O conceito de migração animal evoca frequentemente a imagem de um indivíduo que parte de um ponto A para um ponto B. No entanto, a borboleta-dos-cardos (Vanessa cardui) subverte esta noção, apresentando um modelo de sobrevivência onde o destino não pertence ao indivíduo, mas à linhagem. Este sistema de migração multigeracional é um dos exemplos mais sofisticados de resiliência biológica na natureza.

Presente na América do Norte, Europa, África e Ásia, esta é uma borboleta grande, com uma envergadura de asas que pode chegar aos sete centímetros. O nome científico, Vanessa cardui, inspira-se nos cardos em que as lagartas gostam de se alimentar (embora também se alimentem de outras plantas).

Há uma década, os cientistas sabiam que a bela-dama desaparece da Europa no outono e acreditava-se que migraria para o norte de África. “Eu não acreditava nisso, pois estas regiões são muito frias no inverno e sabemos que esta borboleta não sobrevive ao frio. Como não entra em diapausa, precisa de continuar a mexer-se”, recorda Talavera. Além do mais, no Magrebe havia poucos registos da espécie para esta altura do ano.

E se a resposta estivesse na travessia do Saara, o maior deserto de areia do mundo? “Havia uma pequena hipótese, mas ninguém acreditava que a grande maioria destas borboletas pudesse atravessar o deserto”, reconhece. “Foi uma grande aposta.”

A Continuidade através da Brevidade
A característica mais marcante da V. cardui é a sua capacidade de completar um circuito migratório que ultrapassa os 12.000 km, uma distância impossível de cobrir durante o seu ciclo de vida de apenas poucas semanas. O segredo reside na fragmentação do percurso: o que observamos como um movimento migratório único é, na verdade, uma sucessão de até seis gerações que funcionam como uma estafeta biológica.

Mecanismos de Orientação e Genética
A questão que intriga a ciência é como uma borboleta, nascida no norte da Europa, "sabe" que deve voar para o Sul no outono, sem nunca ter feito o percurso ou tido contacto com as gerações anteriores. Estudos indicam que estas borboletas utilizam uma bússola solar compensada pelo tempo, integrada com a perceção do campo magnético terrestre. Esta informação não é aprendida; é uma herança genética codificada.

Resiliência Ecológica
Ao contrário de outras espécies especialistas, a borboleta-dos-cardos é uma generalista oportunista. A sua capacidade de se alimentar de uma vasta gama de plantas (especialmente cardos e malvas) permite-lhe atravessar desertos e cadeias montanhosas, adaptando-se a diferentes ecossistemas à medida que a sua linhagem avança pelo globo.

Para saber mais:

sexta-feira, 6 de junho de 2025

A Nação das Plantas

Existe uma nação sem hierarquias ou fronteiras onde é proibido o uso de recursos naturais não renováveis. É a “Nação das Plantas”, cuja Constituição foi escrita pelo botânico italiano Stefano Mancuso.

Ver as coisas do ponto de vista das plantas é revolucionário. Somos quase o oposto delas. Nós consumimos energia e recursos. Elas produzem. Nosso organismo é concentrado e hierárquico. O delas é difuso, em rede. Fizemos o mundo à nossa imagem: todas as organizações são hierárquicas, há sempre uma “cabeça” no topo que toma todas as decisões. Isso é muito ineficiente. As plantas não têm nada que se compare ao nosso cérebro. Funcionam em rede, como a internet. Todas as decisões são tomadas localmente.

“A Nação das Plantas” imagina uma Constituição vegetal.
A Constituição das plantas tem oito artigos. O primeiro afirma que a nação das plantas reconhece a Terra como o lar comum de toda a vida e que todo ser vivo é soberano. A nação das plantas não reconhece nenhuma hierarquia ou fronteiras e proíbe o consumo de quaisquer recursos que não sejam renováveis para as próximas gerações.

Sobre o Autor
Stefano Mancuso nasceu em 1965, em Catanzaro, na Itália. É formado pela Università degli Studi di Firenze (UniFI). Em 2005, fundou o LINV – International Laboratory of Plant Neurobiology, um laboratório dedicado à neurobiologia vegetal, que explora a sinalização e a comunicação entre plantas em todos os seus níveis de organização biológica. Em 2012, participou do projeto Plantoid e projetou um robô para que agisse e crescesse como uma planta. Em 2014, ele abriu, na UniFI, uma start-up dedicada à biomimética vegetal, ramo que envolve artefatos tecnológicos imitando determinadas capacidades das plantas, e desenvolveu um modelo de estufa flutuante chamado “Jellyfish Barge”. É considerado um dos expoentes da neurobiologia vegetal. Publicou, entre outros, os livros, "Revolução das plantas", "A incrível viagem das plantas" e "Planta do mundo"

quinta-feira, 24 de abril de 2025

Scolimus hispanicus


A exuberância das suas belas flores amarelas era o que dava nas vistas. As suas sépalas e pétalas, atrás e à frente, davam volume e magnitude ao deleite de quem olhava e via, quando a primavera estava de abalada e o verão teimava em impor-se, ocupando o seu lugar, entrando de mansinho, com os dias a estenderem-se, nas horas de que se fazem, na luz que os ilumina, intensa e límpida e o calor que prolongava as tardes, entrando pela noite, com passagem serena pelo ocaso.
Claro está que era o que doirava o cardo, numa simbiose perfeita de luz ou novo brilho do astro, temperatura e cor. E, pois então, florescia o cardo dourado, abrindo botões de par em par ao longo do caule ascendente ou dos muitos que se bifurcavam, enlaçavam, até dar nós. Nenhum destes detalhes escapou às gentes do povo, mestres da observação, lá, onde frequentemente se encontravam, na labuta, no fazer e no desfazer dos dias que, assim, assertivamente o batizou.
Cardo de oiro, ainda, quando o vivo e quase incandescente scolimus, para a ciência, marcava a paisagem, sobressaindo nela, quando tudo à sua volta completava o ciclo vegetativo, empardecendo. De frutos e sementes retardados era assim que assegurava a sua presença anual, regressando no início de cada primavera. Protegiam-se entre os restos que continuariam de picos afiados, atirando-se dolorosamente a quem, distraidamente, por eles passasse.
Então, embora na sua perenidade, já só compunham. E eram a confirmação de uma apanha sábia, movida pela necessidade, mas caprichosa na sustentabilidade. Sabia-se que só a mão humana os controlava sem dizimar. Outros tempos... sem mondas químicas que tudo barbeiam e fazem desaparecer lentamente.
Ainda em março, mas mais em abril, ia-se aos cardos ou tengarrilhas, como se dizia por onde andámos, como se ia aos espargos. Só os picos, logo à nascença nos demoviam. Uma meia, calçada nas mãos, de pouco servia. E ripá-los não era para todos. Requeria agilidade e perícia.
Mas a necessidade é mestra de engenhos e o gostinho especial que conferiam aos cozinhados onde entravam, compensava. E ali à mão, qual dádiva da natureza, com o seu incomparável sabor silvestre (diz quem já provou os criados em estufa).
Eram estes os cardos de uns bons grãos no tarro dos afamados cozinheiros de Herdade.
Ao alcance da mão eram a melhor "mistura" da época, dispensando o que havia na horta.
Com os grãos de molho da noite anterior e os molhinhos de cardos ripados, a que se dava uma diversidade de nomes, bem cedo se chegavam as enormes panelas de ferro ao incandescente braseiro da ampla chaminé da cozinha do Monte.
A ganharia e outro pessoal da lavoura bem precisavam de um jantar (já que à noite se ceava), para repor energias da dura jornada.
Lá chegava o jumento (ou os jumentos), pachorrentamente, com avantajados tarros, nas cangalhas, não fosse o manjar entornar, enquanto tomava o "sabor" do tarro.
Todos comiam do mesmo (ou dos mesmos). À falta de colher, que cada um se encarregava de ter consigo, servia uma côdea de marrocate - que até tornava a iguaria mais apetitosa!
(Hoje sinto mesmo o cheiro, o calor - principalmente humano e solidário - deste ambiente).

quarta-feira, 10 de julho de 2024

Biologices


Esta fascinante planta (Monotropa uniflora) é uma das estranhas maravilhas da natureza porque não tem clorofila e não depende da fotossíntese. Pode crescer nas florestas mais escuras.
Muitas pessoas se referem a ela como fungo do cachimbo da Índia ou planta branca fantasmagórica, mas não é um fungo mesmo que pareça. Na verdade, é uma planta com flores e membro da família de mirtilo (Ericáceas).

sexta-feira, 5 de julho de 2024

A saúde das plantas e o seu impacto na economia, sustentabilidade social e ambiental


As pragas e doenças que afetam as plantas são, segundo a FAO – Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura, responsáveis por cerca de 40% de perdas das culturas alimentares a nível global, pelo que o seu combate eficaz é determinante para o suprimento das necessidades alimentares mundiais, em particular dos países mais vulneráveis.

A globalização, o comércio internacional, as alterações climáticas, o movimento crescente de pessoas e bens, têm contribuído, nos últimos anos, para a dispersão de pragas e doenças entre países e entre continentes. Os seus efeitos podem ser devastadores na economia, sustentabilidade social e ambiental dos territórios afetados.

Em Portugal, atualmente, são inúmeras as ameaças fitossanitárias que podem causar danos importantes à nossa agricultura e floresta. A nossa grande diversidade de culturas e de espécies vegetais e as nossas condições climáticas favorecem a dispersão e estabelecimento de pragas e doenças e dificultam o seu combate, pelo que é de extrema relevância as ações de prevenção. São exemplo, a introdução do nematode da madeira do pinheiro que atinge atualmente praticamente toda a nossa área de pinheiro-bravo, o escaravelho da palmeira que dizimou, em poucos anos, a maior parte das nossas palmeiras. Culturas tão importantes como são, por exemplo, a pera Rocha, a laranja do Algarve, ou as nossas vinhas, são também atingidas por pragas e doenças, que, além de conduzirem a importantes perdas de produção e de qualidade, implicam grandes intervenções para o seu controlo, por vezes mesmo culminando na destruição total de pomares e vinhas.

É, portanto, reconhecida a crescente importância das autoridades fitossanitárias na criação de normas fitossanitárias que permitam atuar na prevenção e deteção precoce de pragas e doenças emergentes, e com capacidade de acionar, quando necessário e atempadamente, medidas de erradicação.
A Direção Geral de Alimentação e Veterinária (DGAV), enquanto autoridade fitossanitária nacional, implementa dezenas de programas de prospeção fitossanitários em todo o território nacional. Igualmente em todos os portos marítimos e aeroportos nacionais, os serviços de inspeção fitossanitária são responsáveis pela inspeção a vegetais e produtos vegetais, limitando assim a possível entrada de pragas e doenças por via dos produtos importados, mas é premente informar que uma mera peça de fruta ou uma planta trazida na mala de viagem, pode esconder um inimigo para as nossas culturas e florestas.

Devemos estar preparados para enfrentar crises fitossanitárias, priorizando a prevenção por forma a reduzirmos os impactos económicos, ambientais e sociais derivados de ataques de pragas e doenças nas nossas culturas e na nossa floresta.

É também fundamental que a sociedade em geral assuma o seu papel na salvaguarda na saúde das plantas e entenda os desafios e as dificuldades que os agricultores enfrentam diariamente para assegurar o abastecimento de alimentos saudáveis, nutritivos e diversificados, assim como o seu papel determinante na manutenção das áreas rurais e da biodiversidade.

Visando aumentar a consciência de todos para esta problemática, a Autoridade Europeia da Segurança dos Alimentos (EFSA), lança a campanha #PlantHealth4Life que une os esforços conjuntos da EFSA, de 22 países europeus e da Comissão Europeia.

Cada um de nós pode ser um embaixador desta campanha, ajude a divulgá-la, porque a «Proteger as Plantas é Proteger a Vida».

quarta-feira, 26 de junho de 2024

Como é que podemos dar às abelhas uma alimentação equilibrada?


Como polinizadores essenciais, as abelhas mantêm os nossos sistemas agrícolas em funcionamento, mas as alterações causadas pelo homem no planeta afetam fortemente as suas opções de alimentação. Para ajudar a proteger a nossa segurança alimentar, precisamos de mais informações sobre as necessidades alimentares das abelhas.

Os investigadores que escreveram na revista Frontiers in Sustainable Food Systems estudaram o valor nutricional de 57 tipos de pólen e descobriram que as abelhas precisam de procurar alimento numa variedade de plantas para equilibrar a sua dieta entre ácidos gordos e aminoácidos essenciais.

“Apesar do interesse público e do aumento das plantações de polinizadores, pouco se sabe sobre quais as espécies de plantas mais adequadas para a saúde das abelhas”, afirmou Sandra Rehan da Universidade de York, autora sénior do estudo.

“Este estudo teve como objetivo compreender melhor o valor nutricional das espécies vegetais. Com base nas suas proporções ideais de proteínas e lípidos para a nutrição das abelhas selvagens, recomendamos que as espécies de pólen de rosas, trevos, framboesas vermelhas e ranúnculos altos devem ser enfatizadas em projetos de restauração de flores selvagens”, acrescentou.

As necessidades das abelhas
O pólen e as abelhas são fortemente interdependentes: as plantas precisam que as abelhas espalhem o seu pólen para se reproduzirem e as abelhas precisam de pólen para se alimentarem.

Enquanto as abelhas obtêm os seus hidratos de carbono do néctar, o pólen fornece proteínas, lípidos e outros nutrientes essenciais. As alterações antrópicas do ambiente que alteram a disponibilidade e as propriedades do pólen podem levar à subnutrição das abelhas.

As abelhas precisam especialmente de consumir alimentos de alta qualidade que contenham ácidos gordos não esterificados como o ómega 6 e o ómega 3. Sem estes nutrientes, as abelhas vivem menos tempo, têm sistemas imunitários mais fracos e são menos capazes de lidar com os fatores de stress ambiental – mas se as abelhas os consumirem na proporção errada, terão problemas cognitivos.

As abelhas também precisam de aminoácidos essenciais, que são necessários para a saúde cognitiva e a reprodução – mas se comerem demasiado, podem ser mais suscetíveis a certos parasitas.

Para perceber quais as melhores plantas para as abelhas, os investigadores recolheram amostras de pólen de 57 espécies existentes na América do Norte, quer de flores frescas na natureza, quer de flores secas no laboratório.

Escolheram as espécies de plantas com base na sua importância para as espécies de abelhas selvagens do nordeste e na sua prevalência. O pólen foi processado e analisado quanto aos níveis de diferentes aminoácidos, ácidos gordos não esterificados e rácios de proteínas para lípidos e ómega 6:3, para determinar quais as melhores plantas para as abelhas.

Além disso, investigaram se as espécies de plantas estreitamente relacionadas proporcionavam benefícios nutricionais semelhantes e se as espécies que tinham sido introduzidas na área onde foram recolhidas eram menos nutritivas do que as espécies endémicas.

Hábitos alimentares saudáveis
Em geral, as plantas da mesma família ofereciam aos abelhas nutrientes bastante diferentes dos de outros membros da mesma família, com exceção dos aminoácidos essenciais.

As plantas da família das couves, da família das leguminosas e da família das margaridas apresentavam níveis semelhantes de aminoácidos essenciais em comparação com outras plantas da mesma família.

As margaridas, uma planta muito importante para as abelhas forrageiras, apresentavam níveis particularmente elevados de aminoácidos essenciais.

Curiosamente, as plantas com elevado teor de aminoácidos essenciais apresentavam um teor relativamente baixo de ácidos gordos não esterificados e vice-versa.

“Existe um potencial compromisso entre o teor de ácidos gordos e de aminoácidos no pólen, o que sugere que uma dieta floral diversificada pode beneficiar mais as abelhas do que uma única fonte de pólen”, afirmou Rehan. “Nenhuma espécie de planta é ótima para a saúde das abelhas selvagens generalistas”, acrescentou.

Os resultados dos cientistas indicaram que a alimentação a partir de muitas flores diferentes é melhor para a maioria das abelhas e que a alimentação a partir de espécies endémicas de plantas não oferece qualquer vantagem nutricional.

A maioria das espécies de pólen contém a maior parte dos nutrientes necessários, mas para obter os níveis ideais de nutrientes nas suas dietas, as abelhas teriam de se alimentar de várias espécies de plantas diferentes.

Os investigadores sugeriram que esta diversidade de conteúdo nutricional reflete as diversas necessidades das diferentes espécies de abelhas, especialmente as espécies especializadas que preferem determinadas plantas.

Uma grande variedade de fontes de nutrição com propriedades diferentes significa que todas as abelhas podem procurar as plantas que melhor as alimentam.

“Esperamos que este trabalho ajude a informar a seleção de plantas com flores para jardins de polinizadores”, disse Rehan. “Mas aqui examinámos apenas 57 espécies de plantas, e há milhares a examinar para compreender os perfis nutricionais. Esperamos que isto inspire futuras investigações semelhantes, bem como estudos de acompanhamento sobre a preferência e a sobrevivência das abelhas em diferentes dietas”, concluiu.

sexta-feira, 21 de junho de 2024

Chimpanzés poderão estar a automedicar-se com plantas medicinais


Os chimpanzés parecem consumir plantas com propriedades medicinais para tratar as suas doenças, de acordo com um estudo publicado na revista PLOS ONE por Elodie Freymann da Universidade de Oxford, Reino Unido, e colegas.

Muitas plantas produzem compostos que têm efeitos medicinais nos seres humanos e noutros animais. Os chimpanzés selvagens comem uma grande variedade de plantas, incluindo algumas que são nutricionalmente pobres mas que podem tratar ou atenuar os sintomas de doenças.

No entanto, é difícil determinar se os chimpanzés se auto-medicam, procurando intencionalmente plantas com propriedades que ajudem as suas doenças específicas, ou se consomem passivamente plantas que por acaso são medicinais.

Os autores do presente estudo combinaram observações comportamentais de chimpanzés selvagens (Pan troglodytes) com testes farmacológicos das plantas potencialmente medicinais que comem. Monitorizaram o comportamento e a saúde de 51 chimpanzés de duas comunidades habituadas na Reserva Florestal Central de Budongo, no Uganda.

Em seguida, recolheram extratos de plantas de 13 espécies de árvores e ervas da reserva, que suspeitavam que os chimpanzés poderiam estar a utilizar para se automedicarem, e testaram as suas propriedades anti-inflamatórias e antibióticas.

Estas incluíam plantas que observaram os chimpanzés doentes ou feridos a comer, mas que não faziam parte da sua dieta normal, e plantas que investigações anteriores sugeriram que os chimpanzés poderiam consumir pelas suas propriedades medicinais.

88% dos extratos de plantas inibiam o crescimento bacteriano
Os investigadores descobriram que 88% dos extratos de plantas inibiam o crescimento bacteriano, enquanto 33% tinham propriedades anti-inflamatórias. A madeira morta de uma árvore da família Dogbane (Alstonia boonei) apresentou a atividade antibacteriana mais forte e também tinha propriedades anti-inflamatórias, sugerindo que poderia ser utilizada para tratar feridas.

A casca e a resina da árvore de mogno da África Oriental (Khaya anthotheca) e as folhas de um feto (Christella parasitica) apresentaram efeitos anti-inflamatórios potentes.

Os investigadores observaram um chimpanzé macho com uma mão ferida a procurar e a comer folhas do feto, o que pode ter ajudado a reduzir a dor e o inchaço. Também registaram um indivíduo com uma infeção parasitária a consumir casca da árvore espinho-de-gato (Scutia myrtina).

Os resultados sugerem que os chimpanzés procuram plantas específicas pelos seus efeitos medicinais. O estudo é um dos primeiros a fornecer provas comportamentais e farmacológicas dos benefícios medicinais para os chimpanzés selvagens de se alimentarem de cascas e madeira morta.

As plantas medicinais que crescem na Reserva Florestal Central de Budongo também podem ser úteis para o desenvolvimento de novos medicamentos para enfrentar os desafios das bactérias resistentes aos antibióticos e das doenças inflamatórias crónicas, dizem os autores.

Os autores concluem: “Neste artigo, demonstramos como observar e aprender com os nossos primos primatas pode acelerar a descoberta de novos medicamentos, ao mesmo tempo que enfatizamos a importância de proteger as nossas farmácias florestais”.

quinta-feira, 13 de junho de 2024

O PAN às vezes parece uma seita new age


Vou explicar: são contra as jarras de flores, coitadas, condenadas a morrer lentamente. As plantas ornamentais e autóctones podem estar envasadas ou em terrenos. Vamos queimar todos os quadros de natureza morta? Vamos exigir às pessoas que gostam de jarras de flores uma coima por destruir o valor estético das flores, às vezes só com 5-6 plantas diferentes? Mas temos o uso medicinal das mesmas. Vamos arrancá-las meigamente ou nunca podemos utilizá-las? Outra- charretes de cavalos. Pobres cavalos manipulados e escravizados pelo homem para fins não agrícolas, fins turísticos e até religiosos. Vamos condenar e criminalizar os Amish, por exemplo? Outra embirração do PAN: aquários- ai pobres peixinhos só para "efeitos" decorativos, descaracterizando a sua senciência, etc, etc. Mas há aquários científicos, onde é a única solução que se encontra para salvar espécies em vias de extinção. Ou que dizer da relevância dos aquários para o estudo do ciclo de vida dos corais? Sim, porque na Natureza é muito mais difícil compreender e estudar os diferentes estádios de desenvolvimento do corais. Finalmente, o ataque cerrado aos jardins zoológicos e oceanários. Esquecem-se que hoje em dia estes evoluíram na sua concepção e não são meras telas e jaulas de exibição de animais, mas sim, têm cada vez mais importância na conservação de animais com estatuto vulnerável ou próximo da extinção.

terça-feira, 11 de junho de 2024

Os lameiros - uma grande invenção tecnológica agrícola


Começou a época dos fenos cá na terra. Começa em junho nas cotas mais baixas e termina, no início de agosto, na Serra de Montesinho, se ainda se fenassem os lameiros da Lama Grande. Em Montalegre, Vila Pouca de Aguiar, nas Serras Beira Durienses, e na Cova da Beira–Serra da Estrela as datas (vale-montanha) são similares.
Os lameiros são um tema particularmente interessante de ciência da vegetação e da história da agricultura. As questões em aberto são muitas. Quando foram inventados os lameiros? De onde vem a flora dos lameiros? Como compatibilizar a produção de erva e feno com elevados níveis diversidade biológica? 
Começo pela primeira pergunta.
1. Os relatórios de escavações realizadas na Beira interior pela arqueóloga Catarina Tente (IEM – NOVA FCSH) mostram que nos séc. X-XI as habitações rurais eram ainda construídas em materiais perecíveis (sem corte e palheiro no rés-do-chão) e que os gados eram  guardados ao ar livre. Generalizando a Trás-os-Montes as descobertas beirãs, as aldeias atuais “parecem ter sido formadas a partir da segunda metade do século XI e sobretudo no século XII”.
2. Para produzir feno é preciso proibir o acesso dos herbívoros aos lameiros durante cerca de 90 dias.
Não sou especialista no assunto mas a reserva dos lameiros implica a imposição de direitos privados de propriedade nas pastagens e, suponho, alterações ideológicas profundas apenas possíveis em períodos de grande estress social (veja-se o que escreve Ester Boserup).
Tendo em consideração estas premissas, não é um salto lógico improvável admitir que a propriedade privada perfeita (?) dos lameiros e, implicitamente, a produção de feno dos lameiros seja uma invenção tardimedieval.


Para compreender a origem da flora dos lameiros é primeiro preciso perceber que existem dois tipos funcionais fundamentais de gramíneas perenes pratenses – gramíneas altas e gramíneas baixas–, que por sua vez dão origem a outros tantos grandes tipos de pastagens – pastagens altas e pastagens baixas –, sejam elas húmidas, mésicas ou secas. É curioso que as “tall grasslands” e as “short grasslands” são praticamente universais nos territórios pastados por grandes herbívoros, desde África às Américas.
As gramíneas altas têm uma estratégia de tolerância à herbivoria sendo, por isso, mais palatáveis e produtivas, com respostas rápidas à desfoliação, em contrapartida muito sensíveis a eventos reiterados de pastoreio intenso, em particular durante o período reprodutivo. São exemplos Dactylis glomerata, Festuca arundinacea, Festuca rothmaleri, as várias Avenula (agora no género Helictochloa), Celtica  gigantea, Holcus lanatus, Poa trivialis e P. pratensis, os Anthoxanthum perenes, Melica ciliata e, muito importante, o Arrhenatherum bulbosum. As gramíneas baixas optam pela resistência aos herbívoros: são menos palatáveis e produtivas, muitas delas rizomatosas ou bulbosas (as altas são sobretudo cespitosas), como é o caso do Agrostis castellana e do A. capillaris, do Nardus stricta, da Poa bulbosa, da Festuca indigesta e da  F. nigrescens. Nesta altura do ano, as gramíneas altas protegidas nos arbustos são a melhor prova de que um monte está pastado.
Então de onde vêm as plantas dos lameiros?
As gramíneas perenes altas são a chave da estrutura e da produtividade dos lameiros. A persistência destas plantas depende de três fatores: 1) serem poupadas ao pastoreio a partir de Março-Abril, durante pelo menos 90 dias; 2) a fenação tem que as apanhar, se não todos anos, quase todos, maduras, de modo que as sementes caiam no solo durante a fenação e renovem o pasto; 3) as extrações de nutrientes pelo feno têm que ser adequadamente repostas. O resto da flora de lameiro tem várias proveniências, a maioria, obviamente, é característica das comunidades de gramíneas altas; outras plantas, por exemplo, vêm das orlas de bosque.
Portanto, quem inventou os lameiros, além de dispor de muito mais erva (e de feno para o inverno) criou, inadvertidamente, um habitat secundário – tão dependente do maneio humano como a seara de trigo –, perfeito para as plantas das comunidades de gramíneas altas, curiosamente, muito mais diverso e estável do que o original.

sábado, 8 de junho de 2024

Fotos que testemunham os efeitos nocivos do glifosato em Matosinhos


Em Matosinhos a autarca (Luísa Salgueiro) continua a aplicar de forma indiscriminada este tipo de pesticidas, ou seja, os mesmos que alteram a microbiota intestinal e provocam doenças, entre elas as patologias neurodegenerativas.
Acresce que, para além de envenenar a primavera, os munícipes, os seus animais e todo o planeta, ainda permite que se escreva o vocábulo "Ecológicos" no edital que anuncia a aplicação de herbicidas. 
Os herbicidas de síntese NÃO SÃO ecológicos. Vamos aos factos: 

1. A eliminação de árvores autóctones, no caso, de um carvalho pela aplicação de herbicidas designados por "ecológicos" pela autarquia, numa propriedade privada.

2. Após a aplicação de herbicidas, designados como "ecológicos" pela autarquia  ocorreu a morte de joaninhas e abelhões.

3. As plantas com flor, alimento dos polinizadores, em agonia, após a aplicação de herbicidas designados por "ecológicos" pela autarquia.

Fotos recolhidas pela minha amiga Ana Pacheco

Tese de doutoramento em Biologia da FCUP, que relata os efeitos de um herbicida potencialmente mais tóxico do que o glifosato, entre as melhores do ano


A tese de Cristiano Soares, doutorado em Biologia pela Faculdade de Ciências da Universidade do Porto (FCUP), foi considerada umas das melhores teses de doutoramento de 2022 pela revista científica Plants, do grupo de publicações suíço Multidisciplinary Digital Publishing Institute (MPDI).

Desenvolvido sob orientação das docentes e investigadoras Fernanda Fidalgo e Ruth Pereira, o trabalho do investigador da FCUP e do GreenUPorto – Centro de Investigação em Produção Agroalimentar Sustentável constitui um dos primeiros estudos em Portugal e no mundo que relatam os efeitos de um herbicida potencialmente mais tóxico do que o glifosato e que é apontado como potencial substituto.

“O flazassulfurão faz parte de uma família mais abrangente de herbicidas, a classe das sulfunilureias, que se reconhece não serem tão tóxicos. No entanto, a avaliação de uma bateria de ensaios ecotoxicológicos, conduzidos com espécies vegetais e invertebrados terrestres, revelou que este agroquímico era muito mais nocivo do que o glifosato”, refere Cristiano Soares.

“As concentrações testadas de flazassulfurão eram cerca de 1000 vezes inferiores às de glifosato e incluíam a dose de aplicação recomendada, e mesmo assim, os efeitos eram bem mais significativos”, acrescenta o jovem investigador. Além disso, estudos focados na avaliação da capacidade de retenção do solo revelaram também que o flazassulfurão, nas condições testadas, poderá representar uma ameaça para os cursos de água presentes nas proximidades dos campos contaminados.

Os investigadores da FCUP alertam, por isso, para a necessidade de estudar outros herbicidas presentes no mercado e que começam a ser utilizados em alternativa, ou em complemento, ao glifosato.

“Embora o grande objetivo da Estratégia do Prado ao Prato da União Europeia seja a redução, pelo menos em 50% do uso de pesticidas, existem ainda vários herbicidas aprovados para uso agrícola e urbano, para os quais ainda existem poucos estudos acerca do seu potencial impacto ambiental”, denota Cristiano Soares.

Para quem quiser ler/aprender um pouco mais sobre herbicidas e, nomeadamente, sobre glifosato, pode ler a tese de doutoramento aqui

segunda-feira, 20 de maio de 2024

Hoje celebra-se o Dia Mundial da Abelha: sabia que enfrentam até mil vezes maior risco de extinção?


O Dia Mundial da Abelha celebra-se todos os anos a 20 de maio. Este dia homenageia o aniversário do esloveno Anton Janša, pioneiro nas modernas técnicas de apicultura do século XVIII.

Esta data comemora a importância dos seres polinizadores e procura sensibilizar-nos para as ameaças que as abelhas enfrentam. Pretende-se valorizar a sua importância para o equilíbrio do ecossistema, a conservação da biodiversidade e o desenvolvimento sustentável.

A ONU estima que as várias espécies de abelhas enfrentam, atualmente, um risco 100 a 1.000 vezes superior de extinção, devido ao impacto humano na natureza.

O tema em 2024 é “Compromisso com as abelhas, de mãos dadas com os jovens”. Pretende sensibilizar os jovens e outros interessados ​​para o papel essencial das abelhas e de outros polinizadores na agricultura, no equilíbrio ecológico e na preservação da biodiversidade. Ao envolvê-los em atividades de apicultura, iniciativas educacionais e esforços de defesa, envolve-se uma nova geração de líderes ambientais de modo a influenciar positivamente o mundo.

O Dia Mundial da Abelha foi proclamado pela Resolução 72/211 adotada na Assembleia Geral da ONU de 20 de dezembro de 2017.

Mas porque há a necessidade desta preocupação toda com as abelhas?
Com o avanço do uso de pesticidas e agrotóxicos, a população mundial de abelhas tem sido severamente afetada. A vida humana sem esses insetos é praticamente impossível, afinal eles são responsáveis por pelo menos 90% das flores silvestres do mundo, de acordo com a ONU.

O impacto negativo dessas tecnologias de plantio pode trazer mais problemas para o mercado da agricultura do que benefícios. Isso porque, além dos potenciais efeitos colaterais dos agrotóxicos para os seres humanos, eles também podem exterminar populações inteiras de abelhas, danificando permanentemente a plantação.

Ao todo, existem mais de 25 mil espécies de abelhas na Terra, distribuídas através de todos os continentes – menos a Antártida. Todas elas são essenciais para a manutenção da segurança alimentar humana, devido ao seu trabalho polinizador. Até a menor das plantas pode ser polinizada por esses insetos alados, já que existem espécies tão pequenas que mal podem ser vistas.

Mas para além da polinização de culturas, a abelha também é importante para a produção de alimentos em escala mundial. Isso porque ela produz o mel e própolis, matérias primas para doces e certos medicamentos naturais.

segunda-feira, 13 de maio de 2024

Armeria gaditana


Armeria gaditana no jardim botânico Dunas del Odiel, já no final do período de floração e com as pétalas secas. 
Esta espécie ocorria no litoral algarvio mas é possível que se encontre extinta, ou que desapareça nos próximos anos. O site Flora-on refere apenas uma localização conhecida com um indivíduo adulto. Actualmente para a vermos temos de ir a Doñana ou ao litoral de Cádis. 
Afinal, para que serve o Parque Natural da Ria Formosa, se permite que uma espécie emblemática da costa algarvia chegue à beira da extinção, e se não se conhecem quaisquer planos de recuperação ou reintrodução? Qual é a função de um Parque Natural? Conservar património biológico e cultural ou ser convertido num parque temático para turistas, recheado de passadiços e concessões, campos de golfe e urbanizações?

quinta-feira, 9 de maio de 2024

O alerta severo de David Attenborough: Deixar florir os relvados. Parar os cortes até ao fim da floração.


O alerta severo de David Attenborough para evitar tarefas comuns de jardinagem até julho.
Sir David Attenborough exortou os britânicos a 'atrasar o corte' de seus relvados - e disse às pessoas que essa tarefa comum de jardinagem não deveria ocorrer até meados de julho.
O raciocínio por trás deste apelo não é apenas estético, mas também relacionado ao bem-estar de nossas populações de insetos. Insetos como borboletas, abelhas e vespas dependem fortemente de margaridas e outras plantas que crescem entre as lâminas da relva para polinizar e sustentar seus ecossistemas.
Sir David corroborou essas advertências no documentário sobre a natureza das Ilhas Selvagens da BBC. Ele destacou que cortar a grama alta pode perturbar e até matar esses insetos cruciais, que são parte integrante do ecossistema mundial.
Ele disse: “Nenhum lugar aqui é mais rico em flores silvestres e insetos polinizadores do que os nossos tradicionais prados de feno. Infelizmente, nos últimos 60 anos, perdemos 97% deste precioso habitat."

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