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sábado, 3 de dezembro de 2022

Quantos jovens resgatei de um percurso mais doloroso

Street Art by Andrew Salgado

Quantos jovens resgatei de um percurso mais doloroso. Quantos casos incontáveis de putos entregues à CPCJ, sem família, nem escola, nada...Felizmente poucos não fui capaz de antecipar mais cedo um desfecho trágico. Acredito que a disciplina que lecciono lhes abre as mentes, ficam absortos, pretendem fazer mais, sentem-se envolvidos, ficam conscientes do seu corpo e da biocentricidade. Amava saídas de campo- mostrar-lhes seres vivos e os seus ecossistemas, as comunidades onde se encontravam inseridas, as características evolutivas que permitiam a sua adaptação ao meio ambiente , experiências laboratoriais e vê-los sorrir e criar autonomia na investigação científica (isto já mais a nível secundário).
Explicar-lhes cientificamente como fazer pão, iogurte e papel reciclado. Explicar-lhes as diferentes qualidades da água potável. Explicar a rotulagem e verificar a validade. Muitas das vezes sem condições de trabalho. O material laboratorial é muito pouco abundante nas nossas escolas. Tinha que ir mais cedo a correr para dentro da sala de aula, porque em poucas escolas temos material e assistentes técnicos especializados. Fazíamos herbários.
Corre João, corre como os meus alunos me chamaram, carinhosamente uma vez, a gazela.
Numa escola os meus alunos resolveram fazer um trabalho científico de produção de cerveja artesanal. Houve um sururu entre os docentes. Mas a vontade e bom senso superou essas impedâncias morais e os alunos lá conseguiram seguir o seu processo. A cerveja era de boa qualidade.

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2022

UMinho descobre enzima com potencial para biocombustíveis e farmacêutica

Fonte: UMinho


Uma equipa da Universidade do Minho e do Laboratório Nacional Lawrence Berkeley (EUA) descobriu uma enzima que degrada um dos açúcares mais abundantes na natureza, tendo potencial na produção de biocombustíveis e moléculas com interesse farmacológico.

O trabalho, que acaba de sair na conceituada revista Scientific Reports, do grupo Nature, teve o apoio do Programa Fulbright na Suécia e em Portugal e está já a ser alvo de patente nos EUA e na Europa.

A equipa foi liderada por Björn Johansson, do Centro de Biologia Molecular e Ambiental (CBMA) da Escola de Ciências da UMinho. Os investigadores procuraram microrganismos capazes de consumir um açúcar da madeira (xilose), para esta poder vir a ser usada como matéria-prima na produção de compostos de valor comercial. Selecionaram então um besouro do leste dos EUA, que consome xilose graças aos microrganismos que habitam no seu intestino.

Os cientistas analisaram o ADN desses microrganismos e vários genes de interesse foram sintetizados e testados em levedura; um deles revelou-se muito eficiente, permitindo-lhe consumir aquele açúcar da madeira. A levedura usada foi a de padeiro e da cerveja (S. cerevisiae), que é a mais comum na transformação industrial dos açúcares. Esta levedura só consegue desenvolver-se em xilose quando é modificada com genes de outros organismos que têm essa capacidade, como foi o caso.

Os investigadores verificaram que aquela enzima foi 72% mais eficiente a converter xilose quando comparada à enzima convencional usada até aqui. Isso ocorreu igualmente quando foi submetida a um contexto de temperaturas mais altas, que são comuns na fermentação industrial. Registou-se ainda que a atividade específica daquela enzima foi 2.6 vezes maior do que a convencional.

“São resultados estimulantes”, diz Björn Johansson. A xilose está presente na madeira, logo é uma fonte de energia renovável e disponível na maioria do terreno fértil do planeta. A madeira como matéria-prima inclui ainda os seus excedentes, até agora sem aparente interesse comercial. “A nossa ferramenta permitirá produzir moléculas com elevado valor a baixo custo e com pegada ambiental reduzida”, realça o professor do Departamento de Biologia da UMinho.

A sua equipa, que conta com os portugueses Paulo César Silva e Flávio Azevedo, está a patentear a tecnologia de engenharia genética que desenvolveu, nos EUA e na Europa, onde há indústrias focadas em produzir biocombustíveis a partir de matéria vegetal, numa fase em que é imperativo reduzir o consumo de combustíveis fósseis e derivados e as alternativas sustentáveis ganham relevo na biotecnologia internacional.

segunda-feira, 28 de dezembro de 2020

Civismo, ética, pandemias e sobrevivência

Há cerca de meio século que são organizadas cimeiras internacionais sobre o ambiente e biodiversidade, mas a conduta ética irresponsável de decisores políticos tem levado estas iniciativas ao fracasso por incumprimento dos acordos estabelecidos.

É por total falta de civismo que continuamos com elevado número diário de infectados pelo betacoronovírus SARS-CoV-2. Aliás, este nosso atraso cívico é milenar, como já o menciona Estrabão, geógrafo e filósofo grego (ca. 73-24 a.C.), ao referir que os iberos não conheciam o pão de trigo, nem vinho: “Os habitantes das montanhas, durante duas partes do ano, utilizam bolotas, depois de as terem secado e triturado; logo as moem e as transformam em pão… E utilizam também cerveja, mas têm falta de vinho…. Todos eles vestem de negro, a maior parte com saios, e é com eles que se deitam sobre camas de folhagem.” (Geografia, Livro III, capítulo 3, 7, tradução de J. Deserto e S. Pereira, 2016).

A maioria das pessoas não entende, nem quer, individualmente, sujeitar-se às alterações de convivência a que estavam habituadas e julgam, egocentricamente, que o vírus só infecta os outros e nunca elas próprias. Por isso, continuam a conviver e a divertirem-se agrupadas, sem máscaras e, muitas vezes, em recintos fechados, sem as mínimas condições higiénicas. Por outro lado, não há cuidado nenhum com o lixo sólido, pois, não só não o seleccionam, como até o lançam para o chão das artérias urbanas, caminhos e estradas.

Há dias, no percurso que faço a pé para ir comprar jornais (cerca de 500 metros), vi espalhadas no piso das ruas que percorri cerca de uma dúzia de máscaras. Este lixo sólido arremessado para o chão é arrastado pelas águas pluviais, indo para as bacias hidrográficas dos rios, acabando por ir parar aos oceanos. Por exemplo, o plástico como flutua, é aglomerado por correntes marinhas, acumulando-se em ilhas flutuantes de plástico. Neste momento existem cinco grandes ilhas oceânicas de plástico: uma no Oceano Índico, duas no Atlântico (uma a Sul e outra a Norte) e duas no Pacífico (uma a Sul e outra a Norte, tendo esta última uma superfície correspondente a cerca de 18 vezes a superfície de Portugal Continental; isto é, cerca de sete vezes a superfície Reino Unido).

As máscaras e luvas lançadas para o solo, estão a chegar aos oceanos a um ritmo alucinante: cerca de 129 biliões (129.000.000.000.000) de máscaras por mês e cerca de 65 biliões de luvas plásticas por mês. Isto no espaço de um ano, pois esta pandemia foi detectada em Dezembro de 2019. Claro que estando algumas das máscaras carregadas de vírus e (ou) bactérias, estes micróbios podem entrar na cadeia alimentar marinha e chegar ao corpo humano. Este desastre resulta da falta de civismo não só dos portugueses, como também de outros povos.

Por outro lado, geralmente, quando se refere a biodiversidade, não se dá a devida relevância aos seres vivos microscópicos (microbiodiversidade), como são as bactérias, as arqueas (Archaea), as leveduras, as amebas, os vírus e muitos outros seres desconhecidos para a maioria das pessoas, como são, por exemplo, os mixomicetes, protistas microscópicos, plasmodiais, que se alimentam de microrganismos, como leveduras, fungos, bactérias e, provavelmente, também de vírus.

As florestas são dos ecossistemas onde estes seres são mais abundantes, quer na manta morta, quer na superfície das plantas. Uma árvore tem milhares de esporos ou propágulos de mixomicetes. Ao derrubar-se uma árvore, eliminam-se milhares de potenciais mixomicetes, predadores de microrganismos. Quando, além disso, se destrói, o ecossistema florestal, libertam-se de controlo milhões de bactérias e vírus que podem provocar novas doenças, como aconteceu, por exemplo, com a HIV e com a febre hemorrágica do Ébola.

Infelizmente, neste momento, há apenas 20% das florestas que existiam quando a nossa espécie surgiu neste Globo, uma “Gaiola” que temos vindo a sujar e a alterar o equilíbrio dos ecossistemas naturais, nos quais temos vindo a dizimar a biodiversidade. É deprimente e assustador saber-se que, por exemplo, se o ritmo actual de poluição do Mar Mediterrâneo não se alterar, em 2030 (daqui a dez anos), não haverá peixes neste mar interior e que, se o actual ritmo da diminuição da biodiversidade continuar, mais de metade das espécies de mamíferos e de aves desaparecerá até ao final deste século (daqui a 80 anos).

Por outro lado, desde há cerca de meio século que são organizadas cimeiras internacionais sobre o ambiente e biodiversidade, mas a conduta ética irresponsável de decisores políticos tem levado estas iniciativas ao fracasso por incumprimento dos acordos estabelecidos. Estas cimeiras começaram em 1972 com a 1ª Cimeira Internacional sobre o Ambiente, em Estocolmo (113 países); seguiu-se em 1975 (Belgrado) o Colóquio sobre Educação Ambiental da UNESCO; em 1979 (Genebra) a Cimeira Mundial do Clima; em 1985 (Villach) a 1ª Conferência Mundial do Clima (1ª Declaração sobre o Aquecimento Global); em 1989, é criado o Intergovernmental Panel on Climate Change (IPCC); em 1990 (Genebra) a 2ª Conferência Mundial do Clima; em 1992 (Rio de Janeiro) a 1ª Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento (Eco-92) (1ª Cimeira Da Terra); em 1995 (Berlim) a 1ª Conferência das Partes (COP), o órgão supremo decisório da Convenção das Nações Unidas sobre Alterações Climáticas (COP-1); até 2019 (Madrid) a última COP (COP-25). Esta última esteve marcada para o Rio de Janeiro, mas o actual Presidente brasileiro, Jair Bolsonaro, não autorizou que se realizasse no Brasil. Foi, primeiramente transferida para Santiago do Chile, mas devido à instabilidade política que ocorria na altura no Chile, foi finalmente marcada para Madrid.

Esta atitude do Presidente do Brasil e a de Donald Trump, que retirou os Estados Unidos dos compromissos tomados nos acordos destas reuniões, não constituem falta de ética. São muito pior do que falta de ética e prefiro abster-me de as qualificar, pois são, praticamente, inqualificáveis.

Os governantes, políticos, industriais, etc., necessitam, urgentemente, de tomar medidas. Sem elucidação da população, com programas bem elaborados nas estações de rádio e televisão públicas e sem uma educação ambiental bem programada nas escolas, a preservação dos outros seres vivos (biodiversidade) vai continuar a diminuir drasticamente e o aquecimento global vai continuar a aumentar implacavelmente. É fundamental que todos se capacitem que não sobreviveremos no Globo Terrestre sem os outros seres vivos (biodiversidade) e com temperaturas insuportáveis.

Porém, a sociedade consumista em que se transformou a designada “civilização ocidental” tornou-se opressiva, violenta e demolidora. Assim, as pessoas não só não têm tempo para se aperceberem de como estamos a poluir a “Gaiola” (planeta Terra) em que vivemos e como estamos a destruir a Natureza.

Os políticos apregoam imenso que é necessário um desenvolvimento sustentável, mas não fazem concretamente nada para que assim aconteça. Como se referiu, as Nações Unidas realizam frequentemente Cimeiras Internacionais sobre o Ambiente e Biodiversidade, mas os políticos, com uma total falta de ética, nunca cumpriram os acordos.

Sem florestas e com a poluição dos oceanos, a Terra terá temperaturas tão elevadas e tantos microrganismos letais que se tornará inabitável para a nossa espécie. Constitui dever ético tomar consciência desta realidade e agir urgentemente e com civismo.

quinta-feira, 3 de dezembro de 2020

Pandemias e predadores, por Jorge Paiva

Jorge Paiva, 2 de Abril de 2020 


Não vamos referir a relevância de todos os predadores, mas apenas de dois. Um, macroscópico e muito conhecido, o lobo, e outro, mais ou menos microscópico e absolutamente desconhecido da generalidade do público, os mixomicetes.

Como qualquer predador, o lobo sempre foi vilipendiado e inimizado pelos humanos, que o abatem indiscriminadamente, colocando-o na situação de risco de extinção. Como qualquer outro predador, os lobos são extremamente úteis para o equilíbrio da biodiversidade e dos ecossistemas naturais, que existem no Globo Terrestre, a Gaiola onde vivemos, antes do aparecimento da espécie humana, o animal mais perigoso desta Ilha do Universo.

No início do século passado, foi decidido eliminar os lobos do Parque de Yellowstone, o primeiro Parque Nacional dos Estados Unidos. Isto porque os lobos não só competiam com os caçadores desportivos que se “divertiam” a caçar veados e outros mamíferos que existiam nas áreas limítrofes do parque, como também porque, por vezes, os lobos se aproveitavam dos descuidos dos criadores do gado que pastava nas cercanias do Parque Nacional. Assim, a partir de 1930, deixaram de existir lobos no Parque de Yellowstone.

Então, a população de herbívoros, particularmente de alces, aumentou exponencialmente, de tal modo que os ecossistemas do parque sofreram uma drástica modificação, particularmente os prados das margens dos rios, que foram praticamente dizimados. Essa erosão não só diminuiu a biodiversidade desses ecossistemas marginais, como também a população de castores, sem o predador (lobo) aumentou de tal modo, que derrubou as árvores e arbustos da floresta ripícola que marginava o rio.

Com as margens dos rios desertificadas, a erosão progrediu rapidamente, com arrastamento de solos nas cheias sazonais, levando ao assoreamento dos rios, que passaram a serpentear por áreas do parque onde nunca tinham corrido, provocando, além da erosão, alterações profundas nos ecossistemas do parque.

Depois disto, os lobos foram reintroduzidos, os herbívoros deixaram de pastar nas margens dos rios por estarem a descoberto e mais facilmente visualizados pelos lobos, voltando a alimentarem-se abrigados na floresta, que estava transformada num ecossistema desequilibrado, onde até os ursos tinham já poucos frutos, porque as plantas tinham crescido demasiadamente ramificadas e, portanto, com poucos frutos. Os ecossistemas das margens e da floresta voltaram ao equilíbrio normal, os rios passaram ao leito primitivo, sem inundações nem assoreamento drástico. Enfim, o Parque Yellowstone recuperou do desastre para que caminhava.

Em Portugal, os lobos foram quase aniquilados. Eu ainda conheci lobos na serra da Estrela. Assim, os javalis proliferaram de tal modo que, em 1996, foi atropelado um próximo da entrada principal do Hospital da Universidade de Coimbra; no dia 9 de Janeiro de 2018, de madrugada, vi uma fêmea de javali descendo a rua onde moro (R. Carolina Michaëllis), em Coimbra, e no dia 18 de Agosto de 2017, alguns javalis banharam-se na praia de Galapinhos (Setúbal); além dos prejuízos que causam nos campos agrícolas. Nós, em vez de procedermos de modo idêntico ao acontecido no Yellowstone, resolvemos a questão aos tiros, permitindo a caça temporária aos javalis.

Vamos, agora aos mixomicetes, que não são animais e, como não são produtores de biomassa (não são verdes), também não são plantas. São eucariotas, portanto, não são bactérias nem vírus. Reproduzem-se por esporos, mas não são plantas, pois não são produtores de biomassa. Constituem um subfilo, os Mycetozoa, com cerca de 1000 espécies. São seres microscópicos, plasmodiais, que se deslocam como as amebas, alimentam-se de microrganismos, como bactérias (provavelmente também de vírus), leveduras e fungos. As florestas são dos ecossistemas onde são mais abundantes, quer na manta morta, quer na superfície das plantas.

Costumo mostrá-los aos jovens quando vou às escolas na minha actividade cívica ambiental. Mostro-os na casca das árvores das florestas tropicais. Nestas florestas, as árvores atingem 120 metros de altura. Chamo à atenção dos alunos que uma árvore dessas tem, na casca, milhares de mixomicetes. Quando se deita abaixo uma árvore dessas, estamos a matar também milhares de predadores de microrganismos. E quando, além disso, destruímos também o ecossistema florestal, estamos a libertar milhões de bactérias e vírus que podem provocar novas doenças, como, por exemplo aconteceu com a designada sida, que não existia quando eu era jovem e que surgiu na região florestal do Congo. Nessa altura culparam-se os símios, espalhando que o vírus (HIV) tinha passado para a nossa espécie através do contacto com símios dessa região. Poderá ter sido assim, mas o vírus estava no corpo dos símios, depois de se ter disseminado por falta dos predadores (mixomicetes), que despareceram com o derrube da floresta tropical da região. Também já houve quem culpasse animais selvagens desta epidemia que nos assola agora. Na China há um grande mercado de animais selvagens para a alimentação e misticismo. A explicação é, pois, a mesma e o único culpado é o Homo sapiens L., que parece não ter nada de sapiens.

Neste momento, há apenas 20% das florestas que existiam quando a nossa espécie surgiu neste Globo, uma Gaiola que temos vindo a sujar e na qual temos vindo a dizimar predadores de microrganismos, que podem vir a ser agentes de novas enfermidades letais e que não vamos poder controlar com tirinhos como fizemos com os javalis, pois os microrganismos não se vêem para os podermos dizimar a tiro.

De realçar que esta pandemia alastrou mais rapidamente e tem sido mais letal nas regiões do Globo mais poluídas e de maior concentração populacional (China e Norte da Itália).

Estou imensamente apreensivo, pois quando esta pandemia atingir (porque vai mesmo atingir) as populações de todas as favelas americanas, africanas e asiáticas, não vão conseguir controlá-la. Será o caos da humanidade, tanto para pobres como para ricos, pois a morte não se compra. É por isso que me incomodo com empresários e políticos mais preocupados com os problemas económico-financeiros do que com o gravíssimo e rapidíssimo alastramento do coronavírus, julgando que eles não serão atingidos. Apesar desta lição, que ainda não acabou, continuo a ouvir justificar que o aeroporto terá que ser no Montijo, por ser o local economicamente mais favorável, sem olhar, minimamente, para as consequências ambientais e para o próximo desastre que aí vem, bem pior do que este, como alertou o filósofo José Gil: “Esta terrível experiência que estamos a viver constitui apenas uma antecipação, e um aviso, do que nos espera com as alterações climáticas.” 


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segunda-feira, 26 de outubro de 2020

Drug-resistant superbug thriving in hospitals hit hard by COVID-19

Fonte: National Geographic

OVER CHRISTMAS BREAK in 2015, Johanna Rhodes received a panicked email from a doctor working at the Royal Brompton Hospital, the largest heart and lung center in the United Kingdom. A horrid yeast was invading the skin of patients, spreading through the intensive care unit even though the hospital maintained extensive protocols for infection control.

“The doctor asked me to take a look … I thought, how bad can it be?” recalls Rhodes, an infectious disease expert at Imperial College London who studies antifungal resistance. Rhodes stepped in to help one of the world’s top cardiology hospitals identify the pathogen and clear it from the premises. The germ was Candida auris, little known at the time. What she saw stunned her: “You think COVID-19 is bad until you see Candida auris.”

Candida auris is a superbug, a pathogen that can evade drugs made to kill it—and early signs suggest the COVID-19 pandemic may be propelling infections of the highly dangerous yeast. That’s because C. auris is particularly prominent in hospital settings, which have been flooded with people this year due to the coronavirus.

The superbug sticks stubbornly to surfaces such as sheets, bed railings, doors, and medical devices—making it easier to colonize skin and pass from one person to another. Moreover patients who have tubes that go into their body, such as catheters or ones for breathing or feeding, are at the highest risk for C. auris infections, and these invasive procedures have become more common because of the respiratory failure associated with COVID-19.

“Unfortunately, there have been places where we’ve seen a resurgence of C. auris,” says Tom Chiller, head of the mycotic diseases branch at the U.S. Centers for Disease Control and Prevention. “We’ve also seen it get into some of the acute care hospitals and also into some COVID-19 units … the concern there is that once it sets up shop in a place, it’s hard to get rid of.”

Prior to its emergence in 2009, fungi in the genus Candida were best known for causing benign cases of thrush, a white overgrowth on the tongue or genitals. A few thousand C. auris infections have since spread to at least 40 countries where they’ve been tied to deaths in 30 to 60 percent of cases. By comparison, the coronavirus kills about one percent of the infected but has afflicted a larger number of people in a short timespan.

The worry is that if C. auris becomes more common in hospitals or the general public, it could bolster the growing crisis of superbugs, which already infect millions worldwide. Last year, the CDC classified C. auris as one of the biggest drug resistance threats in America. Now, though it’s too early to confirm a direct knock-on effect, the U.S. has recorded 1,272 confirmed cases of C. auris in 2020, a 400 percent increase over the total recorded during all of 2018, the most recent year with available data.

The real number is likely to be much higher, though, as the COVID-19 pandemic has halted much of the disease surveillance for C. auris at hospitals and because the germ can often colonize a person’s skin without generating symptoms.

Such superbugs may also be contributing to the tens of thousands of excess deaths occurring during the COVID-19 era. Hence why doctors around the world are sounding the alarm.

“How will we treat it?”

In 2011, Anuradha Chowdhary was working in her laboratory in New Delhi, when she received an unexpected pile of blood samples from two hospitals in the sprawling city. Mysterious fungal infections had sprouted in intensive care units and neonatal wards so Chowdhary, a professor of medical mycology at Vallabhbhai Patel Chest Institute at the University of Delhi, was recruited to identify the germ through genetic screening and to recommend the best drug for treatment. The results left her dumbfounded.

The yeast samples collected from the patients—known as isolates—weren’t in the identification system that microbiology labs use to track fungal infections, she says. “It was Candida auris. I had to ask: ‘What is C. auris?’”

The superbug had first been identified two years earlier in a patient's ear (“auris” is Latin for ear), but Chowdhary hadn’t seen it before. The biggest surprise was that all the specimens were resistant to fluconazole—the first-line drug for treating a variety of fungal and yeast infections. Since she and her group published their study on the New Delhi outbreak in 2013, researchers have learned that C. auris is nearly always resistant to this medication and the chemical relatives in its family—known as azoles. Some variants are also impervious to the other two main classes of antifungal drugs.

That’s why Chowdhary has now pivoted to address critically ill COVID-19 patients who were admitted to an ICU in Delhi and acquired candidemia, a Candida fungal infection in the bloodstream. In a small study published August 27, her team found 10 of 15 such patients had drug-resistant C. auris—which was likely acquired inside the hospital.

All the specimens could flout fluconazole, but four of the C. auris isolates were also resistant to amphotericin B, a second-line antifungal drug. Resistance to two classes of drugs is particularly concerning because India has limited access to the third option for antifungal treatment: echinocandins. Six of the patients died.

“Our worry right now is that we’re seeing published cases of patients with COVID-19 and other fungal infections, with people getting really sick and dying,” says Rhodes, as she and other clinicians in the U.K. face the coronavirus’s autumn surge. “We expect to see the same with C. auris.”

Both she and Chowdhary emphasize the importance of testing and contact tracing—key interventions in the control of COVID-19 that are also critical in the fight against the spread of C. auris. They’re pushing for patients to be routinely screened for the superbug, which involves collecting a skin swab, blood, or urine to test for the yeast’s DNA. After a patient tests positive for C. auris, a medical procedure known as susceptibility testing is done to determine if any of the three classes of antifungal drugs can alleviate the infection.

These tactics can help track the deaths caused by the superbug, a process that is often complicated because the germ tends to be acquired in hospitals among people who are already sick with something else.

“If we don’t identify it, then we don’t know if a patient is dying of COVID-19 or another infection,” Chowdhary says, but “if it’s resistant to drugs, how will we treat it?”

The pandemic duel

In 2019, the World Health Organization listed antimicrobial resistance as one of the top ten threats to global health. The agency’s fear is that humanity is returning to a time when easily treatable infections—such as tuberculosis and gonorrhoea—can no longer be kept under control.

The global overuse of antimicrobial drugs on farm animals and in human medicine has been pegged as a cause for the emergence of superbugs. But looking ahead, Ramanan Laxminarayan, founder and director of the Center for Disease Dynamics, Economics & Policy in Washington, D.C., says he and other researchers are concerned about the role climate change will play in the spread of fungal infections.

Researchers are concerned about the role climate change will play in the spread of fungal infections.

A research review published last year in mBio, a journal of the American Society of Microbiology, suggests that C. auris “may be the first example of a new fungal disease emerging from climate change.” When humans suffer from infections, we tend to develop fever as a defense. The hot temperatures help kill off the germs, in a concept known as the mammalian thermal restriction zone. The report argues that as fungal species like C. auris adapt to higher environmental temperatures due to global warming, they may breach this thermal defense. That means in the future we may not only see existing fungal infections spread, but new ones taking hold in humans.

“Fungal resistance could be as dangerous as antibiotic resistance,” Laxminarayan says, hinting at superbug bacteria such as Clostridioides difficile or multidrug-resistant tuberculosis. Those potent bacteria account for 99 percent of the 2.8 million superbug infections reported every year in the U.S., which leads to approximately 35,000 deaths.

India has long been viewed as a hotbed of drug-resistance, and now the nation has become Asia’s epicenter for COVID-19. Back in New Delhi, half of Anuradha Chowdhary’s laboratory staff have recently tested positive for COVID-19. Two have died. Despite the personal hardship, she is grateful that people are waking up to the danger C. auris poses.

“Everyone initially thought this was an India-centric problem—that it wasn’t their problem,” she says. “I was struggling and working alone but I’m glad now that the world is working on it. Fungal infections shouldn’t be neglected.”

terça-feira, 20 de março de 2012

As biorrefinarias são cada vez mais uma alternativa viável à indústria baseada no petróleo



A Amyris é o exemplo de uma empresa que ultrapassando milhões de anos de evolução, procura "entalhar" todo o sistema metabólico de um micróbio (seja uma bactéria seja uma levedura) numa fábrica viva, recorrendo à engenharia genética. Estas biorrefinarias ou fábricas microbianas estão a ser mais eficazes, mais flexíveis e bem mais limpas que as fábricas químicas tradicionais (normalmente demoram sete a oito passos de produção final, envolvendo altas temperaturas e adição de químicos para refinação do petróleo).
Estas biofábricas por outro lado não precisam de ser alimentadas por combustíveis fósseis: podem começar com açúcar simples e barato e acabar com aquilo que faz andar o mundo.
Bibliografia
Fred Krupp (2008)- Reinventar a Energia

quinta-feira, 13 de maio de 2010

Evolução - grande notícia da semana

Of microorganisms and man. First large-scale formal quantitative test confirms Darwin's theory of universal common ancestry
Physis Org, May 12, 2010

More than 150 years ago, Darwin proposed the theory of universal common ancestry (UCA), linking all forms of life by a shared genetic heritage from single-celled microorganisms to humans. Until now, the theory that makes ladybugs, oak trees, champagne yeast and humans distant relatives has remained beyond the scope of a formal test. This week, a Brandeis biochemist reports in Nature the results of the first large scale, quantitative test of the famous theory that underpins modern evolutionary biology.


The results of the study confirm that Darwin had it right all along. In his 1859 book, On the Origin of Species, the British naturalist proposed that, "all the organic beings which have ever lived on this earth have descended from some one primordial form." Over the last century and a half, qualitative evidence for this theory has steadily grown, in the numerous, surprising transitional forms found in the fossil record, for example, and in the identification of sweeping fundamental biological similarities at the molecular level.

Still, rumblings among some evolutionary biologists have recently emerged questioning whether the evolutionary relationships among living organisms are best described by a single "family tree" or rather by multiple, interconnected trees—a "web of life." Recent molecular evidence indicates that primordial life may have undergone rampant horizontal gene transfer, which occurs frequently today when single-celled organisms swap genes using mechanisms other than usual organismal reproduction. In that case, some scientists argue, early evolutionary relationships were web-like, making it possible that life sprang up independently from many ancestors.

According to biochemist Douglas Theobald, it doesn't really matter. "Let's say life originated independently multiple times, which UCA allows is possible," said Theobald. "If so, the theory holds that a bottleneck occurred in evolution, with descendants of only one of the independent origins surviving until the present. Alternatively, separate populations could have merged, by exchanging enough genes over time to become a single species that eventually was ancestral to us all. Either way, all of life would still be genetically related."

Harnessing powerful computational tools and applying Bayesian statistics, Theobald found that the evidence overwhelmingly supports UCA, regardless of horizontal gene transfer or multiple origins of life. Theobald said UCA is millions of times more probable than any theory of multiple independent ancestries.


"There have been major advances in biology over the last decade, with our ability to test Darwin's theory in a way never before possible," said Theobald. "The number of genetic sequences of individual organisms doubles every three years, and our computational power is much stronger now than it was even a few years ago."

While other scientists have previously examined common ancestry more narrowly, for example, among only vertebrates, Theobald is the first to formally test Darwin's theory across all three domains of life. The three domains include diverse life forms such as the Eukarya (organisms, including humans, yeast, and plants, whose cells have a DNA-containing nucleus) as well as Bacteria and Archaea (two distinct groups of unicellular microorganisms whose DNA floats around in the cell instead of in a nucleus).

Theobald studied a set of 23 universally conserved, essential proteins found in all known organisms. He chose to study four representative organisms from each of the three domains of life. For example, he researched the genetic links found among these proteins in archaeal microorganisms that produce marsh gas and methane in cows and the human gut; in fruit flies, humans, round worms, and baker's yeast; and in bacteria like E. coli and the pathogen that causes tuberculosis.

Theobald's study rests on several simple assumptions about how the diversity of modern proteins arose. First, he assumed that genetic copies of a protein can be multiplied during reproduction, such as when one parent gives a copy of one of their genes to several of their children. Second, he assumed that a process of replication and mutation over the eons may modify these proteins from their ancestral versions. These two factors, then, should have created the differences in the modern versions of these proteins we see throughout life today. Lastly, he assumed that genetic changes in one species don't affect mutations in another species—for example, genetic mutations in kangaroos don't affect those in humans.

What Theobald did not assume, however, was how far back these processes go in linking organisms genealogically. It is clear, say, that these processes are able to link the shared proteins found in all humans to each other genetically. But do the processes in these assumptions link humans to other animals? Do these processes link animals to other eukaryotes? Do these processes link eukaryotes to the other domains of life, bacteria and archaea? The answer to each of these questions turns out to be a resounding yes.

Just what did this universal common ancestor look like and where did it live? Theobald's study doesn't answer this question. Nevertheless, he speculated, "to us, it would most likely look like some sort of froth, perhaps living at the edge of the ocean, or deep in the ocean on a geothermal vent. At the molecular level, I'm sure it would have looked as complex and beautiful as modern life."

Provided by Brandeis University (news : lab)