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quarta-feira, 19 de agosto de 2026

O ecossocialismo do decrescimento na era da Inteligência Artificial: entre o colapso e a esperança emancipatória


Ontem examinámos as causas e os efeitos da rutura ecológica: do fim da estabilidade do Holoceno à supremacia da massa produzida sobre a biomassa viva. Hoje, a aceleração exponencial da IA eleva os riscos e a complexidade a um patamar sem precedentes. Este ensaio examina as propostas da economia ecológica para navegar esta rutura e materializar a transição rumo ao Ecoceno.

Introdução: o empasse do século XXI e o novo vetor digital
Vivemos sob a sombra de uma contradição histórica. À medida que os relatórios científicos confirmam a ultrapassagem dos limites planetários - do aquecimento global à perda acelerada de biodiversidade -, as respostas das elites políticas e económicas continuam ancoradas na promessa do "Crescimento Verde". A narrativa dominante propõe que a mesma lógica de acumulação, concorrência e extração que nos trouxe à crise ecológica será a força capaz de nos salvar, bastando para isso substituir o combustível fóssil pelo eletrão limpo.

Contudo, esta miragem tornou-se ainda mais complexa e perigosa com a emergência da Inteligência Artificial (IA) generativa e da supercomputação. Longe de ser um instrumento neutro de desmaterialização, a IA revelou-se um acelerador extrativista: uma infraestrutura intensiva que exige quantidades astronómicas de energia, água potável para refrigeração de data centers e minerais críticos extraídos do Sul Global.

É perante esta dupla crise - ecológica e sociotécnica - que emerge uma síntese política rigorosa: o Ecossocialismo do Decrescimento. Não se trata de uma coleção de desejos utópicos ou de um apelo ao neoludismo, mas de um diagnóstico sobre os limites materiais do planeta e uma proposta de reconfiguração da civilização humana. Emerge, assim, a questão fundamental: estará nesta síntese a nossa verdadeira esperança?

I. A anatomia da ilusão: o falhanço do crescimento verde e o impacto da IA
Para compreender a urgência desta abordagem, é necessário desmontar o mito do "desacoplamento" (decoupling) entre o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) e o impacto ambiental. A evidência empírica demonstra que o desacoplamento absoluto, global e rápido o suficiente para evitar o colapso climático é inviável no âmbito do capitalismo.
O capitalismo exige uma expansão contínua para evitar a sua própria crise de acumulação. Quando uma tecnologia melhora a eficiência no uso de um recurso, o mercado expande a produção total - o histórico Efeito Jevons.

A aceleração da Inteligência Artificial agrava esta dinâmica de três formas centrais:
  1. Aumento metabólico: a expansão da IA está a catapultar a procura por eletricidade em várias regiões, adiando o fecho de centrais a carvão e a gás para alimentar data centers.
  2. Neocolonialismo extrativista: a corrida aos chips e servidores intensifica o extrativismo de lítio, cobalto e terras raras, concentrando a degradação ambiental no Sul Global para servir o consumo digital do Norte
  3. Aceleração da extração fóssil: as maiores empresas de tecnologia (Big Tech) comercializam algoritmos de IA concebidos especificamente para otimizar e acelerar a exploração de novas jazidas petrolíferas.
I. A síntese necessária: decrescimento, ecossocialismo e o planeamento Ex-Ante
O decrescimento reintroduz os limites da biologia e da física na economia. Contudo, como adverte o sociólogo e economista marxista John Bellamy Foster (no ensaio publicado no portal A Terra é Redonda), é imperativo reconhecer o "teorema da impossibilidade": não existe decrescimento dentro do capitalismo. O decrescimento não deve ser visto como uma simples inversão contabilística do PIB, mas sim como um processo de desacumulação de capital focado nas economias hiperdesenvolvidas.

Por outro lado, o ecossocialismo fornece a chave de leitura de classe e o mecanismo prático de transição:
  1. O planeamento democrático Ex-Ante: diferente do mercado capitalista, que atua ex-post (corrigindo danos apenas após a busca desenfreada do lucro), o planeamento ecossocialista atua ex-ante. Isto permite subordinar a produção - e o próprio uso da supercomputação e da IA - à "hierarquia das necessidades humanas reais", desmantelando indústrias destrutivas e expandindo a infraestrutura pública.
  2. A descomodificação da vida: transformação da habitação, transporte, saúde, nutrição e energia em bens comuns (commons), retirando-os da especulação financeira.
  3. Sobriedade digital e soberania tecnológica: submeter o desenvolvimento sociotécnico ao controlo coletivo. A capacidade computacional deve ser direcionada para a modelação climática, otimização de redes elétricas renováveis e medicina pública, e não para a criação de bolhas financeiras, vigilância ou publicidade direcionada.
  4. Redução da jornada de trabalho: diminuir a semana de trabalho para redistribuir o emprego e libertar tempo humano, substituindo o consumo hiperativo pela riqueza das relações sociais e da cultura.
O debate interno: desenvolvimento sustentável vs. comunismo do decrescimento
Nesta construção teórica, vale destacar o debate vivo no seio da ecologia política. Se por um lado Kohei Saito argumenta que a obra tardia de Marx já continha a semente de um "comunista do decrescimento", autores como John Bellamy Foster ressalvam que desenhar essa continuidade direta pode incorrer num anacronismo histórico. Marx defendia o desenvolvimento humano sustentável e a superação da ruptura metabólica num mundo industrial ainda incipiente. O ecossocialismo do decrescimento surge, assim, não como um dogma estático do século XIX, mas como a aplicação viva e renovada do materialismo histórico às condições da "economia de mundo cheio" do século XXI.

III. Estará aqui a esperança?
A palavra "esperança" corre o risco de ser esvaziada se for confundida com um otimismo ingénuo. O filósofo Ernst Bloch propôs o conceito de esperança concreta: a identificação das tendências reais no presente que contêm a semente de um futuro transformado.

Neste sentido, o ecossocialismo do decrescimento representa a esperança mais realista de que dispomos.

A verdadeira postura irrealista é continuar a acreditar que a expansão económica infinita - agora acelerada pela IA - pode coexistir com a estabilidade de um planeta finito. Esta síntese oferece uma bússola política que recusa simultaneamente o colapso ecológico e a barbárie social.

A esperança desta proposta não reside na expetativa de que as elites adotem este modelo voluntariamente, mas na sua capacidade de articular lutas históricas dispersas:
  1. Une os trabalhadores do setor tecnológico e da economia em geral - esgotados pelo ritmo de trabalho e ameaçados pela automação - à exigência de semanas de trabalho mais curtas e soberania sobre o seu tempo.
  2. Une as comunidades do Sul Global resistentes ao extrativismo à exigência de reparações históricas e climáticas.
  3. Une os movimentos urbanos que lutam pelo direito à habitação e aos serviços públicos contra a especulação do capital corporativo.
Conclusão: a coragem de imaginar o futuro
O ecossocialismo do decrescimento convida-nos a ultrapassar o "realismo capitalista" - a ideia de que é mais fácil imaginar o fim do mundo do que o fim do capitalismo.

Estará aqui a esperança? Sim, mas uma esperança exigente e combativa. Não se trata de uma garantia de vitória, mas de um projeto de emancipação. O ecossocialismo do decrescimento não promete um paraíso de consumo ilimitado nem um ciberespaço infinito, mas propõe algo mais sustentável: uma sociedade assente na abundância de tempo, na justiça social, na soberania tecnológica e na harmonia metabólica com a Terra.

Referências Bibliográficas 
  1. Altvater, E. (2010). O Capitalismo Fóssil e a sua Alternativa Ecossocialista. Em A Crise Socioambiental: Perspectivas Ecossocialistas. Expressão Popular.
  2. Crawford, K. (2023). Atlas da Inteligência Artificial: Poder, Política e os Custos Planetários da IA. Editora Unesp.
  3. Foster, J. B. (2025, 30 de janeiro). Ecossocialismo e decrescimento. A Terra é Redonda.
  4. Hickel, J. (2021). Menos é Mais: Como o Decrescimento Salvará o Mundo. Editorial Presença / Editora Autêntica.
  5. Jackson, T. (2013). Prosperidade Sem Crescimento: Economia para um Planeta Finito. Editora Planeta do Brasil / Edições 70.
  6. Kallis, G. (2020). Decrescimento. Editora Autonomia Literária.
  7. Löwy, M. (2014). O que é o Ecossocialismo? (2.ª ed.). Editora Cortez / Editora Boitempo.
  8. Parrique, T. (2022). A Economia do Decrescimento. Tese e síntese executiva.
  9. Raworth, K. (2019). Economia Donut: Sete formas de pensar como um economista do século XXI. Editora Zahar / Sextante.
  10. Saito, K. (2023). O Capital no Antropoceno (Brasil) / Desacelerar: Manifesto pelo Decrescimento Ecossocialista (Portugal). Editora Boitempo / Editorial Presença.

sexta-feira, 23 de fevereiro de 2024

Michal Swider


Biografia

Só me ocorre palavras mais profundas e que desapareceram: ética ambiental, consciência animal e ecologia profunda. O economês e a alquimia que isso provoca é sedutora e ecocida.
Resta-me a arte e literaturae e o activismo.

quinta-feira, 5 de outubro de 2023

Mercados - esses amigos do Povo, do Estado Social e do Planeta

A questão é quase tão antiga quanto as montanhas. Mas a resposta contemporânea é paralisantemente estreita. Vestida com a roupagem do capitalismo tardio, a prosperidade foi capturada pela ideologia do “crescimento eterno”: um mantra que insiste que mais é sempre melhor. Apesar das provas esmagadoras de que a expansão implacável está a minar a natureza e a conduzir-nos para uma emergência climática devastadora, o mito do crescimento ainda reina supremo.

Enquanto escrevemos, a cidade de Nova Iorque foi paralisada por inundações, uma cúpula de calor sobre a Colômbia Britânica levou a temperaturas 10-20°C acima das médias sazonais, e a Europa e o Reino Unido sofreram inundações repentinas. Esses eventos matam. As mortes súbitas aumentaram quase 200% durante a onda de calor na Colúmbia Britânica. Estão a ser movidas ações judiciais contra as grandes empresas petrolíferas que sabiam da possibilidade das alterações climáticas há quarenta anos. Mas o preço será demasiado elevado, mesmo para os gigantes ricos em petróleo pagarem.

O dano planetário causado por este zelo expansionista é agravado por outro custo muito humano. O capitalismo precisa de consumidores egoístas e insaciáveis para alcançar as suas ambições de crescimento. Portanto, incentiva esse tipo de comportamento. Ele homenageia aqueles que se destacam nisso. Simultaneamente, subvaloriza as tarefas que mais importam para a sociedade – o trabalho de prestação de cuidados, por exemplo – e denigre aqueles que nela trabalham. O capitalismo “iluminou-nos” para que aceitássemos uma visão contaminada de nós mesmos e um substituto espalhafatoso para a realização humana.

Se quisermos ter alguma hipótese de viver bem dentro dos limites do planeta, temos de destronar os mitos que assombram a economia – vê-los pelo que são, em vez das “verdades” obstinadas que afirmam ser. Para recuperar a nossa própria humanidade, devemos procurar noutro lado as nossas metáforas de governo.

quarta-feira, 21 de junho de 2023

O que é o decrescimento (e, mais importante, o que não é)?

4º Dia Mundial da Localização anual- Envolva-se!

Por Nick Meynen

O "decrescimento" é uma adaptação do termo original francês "décroissance". A palavra designa um conjunto de teorias económicas desenvolvidas ao longo das últimas duas décadas, reunindo mais de 600 publicações com revisão por pares até à data. Mas, para além de ser um tema de investigação, o decrescimento também está relacionado com o movimento socioecológico em rápido desenvolvimento, em que cientistas, economistas, membros do público interessados e, mais recentemente, representantes de quase todos os grandes partidos (exceto os da extrema-direita) uniram forças para debater abordagens que permitam alcançar uma maior sustentabilidade.

O principal objetivo do decrescimento pode ser descrito como fazer a transição necessária para uma economia sustentável e amiga do ambiente de uma forma inteligente, social e democrática. Economia ecológica, economia política, geografia, biologia e ecologia política são apenas algumas disciplinas acadêmicas que contribuem para a expansão do corpo de conhecimento que molda a disciplina do decrescimento. Como Keynes e Friedman antes deles, os economistas do decrescimento não desejam  ficar numa torre de marfim, mas ter um impacto real na sociedade.

Os defensores da abordagem do decrescimento baseiam-se no crescente conjunto de provas científicas que sugerem que a dependência do crescimento económico contínuo conduz à destruição coletiva gradual e ao empobrecimento através do desvio do seu impacto ambiental.

O decrescimento opõe-se à ideia de "crescimento verde". Os apoiantes do crescimento verde promovem a consciência ambiental e a preocupação com a humanidade, mas agarram-se à crença de que o crescimento e os danos causados pelo crescimento podem ser dissociados de forma atempada e suficiente. No entanto, vários estudos publicados em revistas académicas de renome refutaram cabalmente este pressuposto central. O ónus da prova relativamente às perspetivas de dissociação cabe, sem dúvida, aos defensores do crescimento verde. Até à data, todas as refutações nos meios de comunicação flamengos se basearam em dados seletivos que também não demonstram como a dissociação é ou pode ser adequada e oportuna face à realidade.

Como se explica no relatório "Decoupling Debunked", a intensidade carbónica da economia deveria diminuir 100 vezes mais depressa do que atualmente - um número irrealista - para que o crescimento verde funcione. Por sua vez, o decrescimento como uma necessidade física é uma verdade inconveniente que frequentemente encontra resistência populista e desinformação. Enquanto apenas acrescentarmos energias renováveis e não eliminarmos gradualmente as energias fósseis, o nosso problema existencial continuará a aumentar.

A ciência natural reconhece, portanto, que o ritmo de "dissociação" na realidade não pode ser suficiente para travar o colapso ambiental. O pouco tempo que concedemos aos ecossistemas para se regenerarem já é insuficiente. O crescimento contínuo torna esta tarefa cada vez mais difícil. Investigações recentes mostram que sete das oito fronteiras planetárias (um conceito que estabelece limites para as atividades humanas em diferentes esferas, garantindo uma autorregulação consistente do ambiente do planeta) já foram ultrapassadas, e o custo disso só agora começou a revelar-se. No nosso sistema climático e na forma como o nosso organismo lida com a poluição química, em particular, há um desfasamento entre os danos infligidos e as consequências finais. Tanto em termos planetários como em termos de saúde pessoal, isto significa que tudo o que virmos hoje será pior do que aquilo a que já assistimos, porque os danos causados a ambos os sistemas são piores hoje do que há dez anos.

Os economistas do decrescimento baseiam-se em dados sobre o que torna possível a vida na Terra, enquanto os economistas clássicos se baseiam em dados sobre o dinheiro, como o Produto Nacional Bruto (PNB) e os fluxos de capital. No entanto, estes dois conjuntos de dados são fundamentalmente diferentes. O dinheiro pode ser visto como uma construção social - e algo que não se pode comer ou beber. Pelo contrário, a fertilidade do solo, a disponibilidade de oxigénio e a estabilidade climática são físicas, essenciais e insubstituíveis. Os economistas do decrescimento oferecem modelos para uma sociedade sustentável dentro dos limites do planeta, que os economistas clássicos ignoram.

As propostas políticas baseadas nos conceitos de decrescimento abrangem um vasto espetro de domínios. Exemplos disso são uma distribuição muito mais inteligente da quantidade de trabalho disponível, um sistema monetário diferente daquele em que a dívida e os juros criam um bloqueio eterno ao crescimento e uma redistribuição do orçamento de carbono remanescente com base na pegada ecológica. Algumas propostas com raízes no decrescimento são também implementadas a nível local, regional e mesmo nacional, mas para serem verdadeiramente eficazes e transformadoras, uma escala continental poderia ajudar. E nenhum continente está em melhor posição para beneficiar de uma transição do decrescimento para uma economia pós-crescimento do que a Europa.

Apresentamos abaixo seis dos mitos mais comuns partilhados nos media sobre o decrescimento e os factos reais.

Mito 1: O decrescimento é ideológico
O que significa: Deve pensar-se que quem diz esta frase não é guiado por ideologias.
A realidade: A ideologia dos economistas clássicos baseia-se na teoria da livre concorrência e do comércio livre gerido pelos mercados, enquanto os economistas do decrescimento têm como base a realidade terrena. Se a palavra "ideologia" é usada de forma pejorativa "não objetiva", aplica-se muito melhor aos economistas clássicos.

Mito 2: O decrescimento é uma recessão
O que é que isto significa: É preciso acreditar que os decrescimentistas são cegos à miséria que uma recessão cria.
A realidade: O decrescimento é uma transição bem organizada e social para uma economia com serviços básicos garantidos e melhores empregos, paga através da redistribuição da riqueza e da implementação de políticas que combatam a riqueza extrema. A recessão é um problema crescente causado por contradições inerentes aos atuais sistemas de exploração e extração, que tentam criar riqueza infinita a partir de recursos finitos. E sim, numa recessão, os pobres acabam normalmente por pagar aos ricos. Mas esse é, infelizmente, o preço do crescimento.

Mito 3: O decrescimento é comunismo
O que isto significa: Deve pensar-se que os apoiantes do decrescimento querem pobreza e ditadura.
A realidade: O decrescimento opõe-se aos objetivos de crescimento económico como uma bússola política, quer isso aconteça num quadro capitalista ou comunista. O decrescimento mostra que a riqueza extrema é uma fonte direta de pobreza e de níveis impossíveis de destruição ecológica. Os decrescimentistas também trabalham na democratização da economia, mais do que os economistas neoclássicos. De facto, são os países que seguem a via neoliberal que deslizam mais rapidamente para as ditaduras. Na realidade, é o crescimento dos países com rendimentos elevados que gera pobreza e ditadura.

Mito 4: O decrescimento é anti-inovação
O que é que isto significa: Deve-se pensar que no decrescimento, a tecnologia é tabu.
A realidade: Os apoiantes do decrescimento querem que a tecnologia e a inovação atinjam a transição necessária, mas são contra as políticas em que a tecnologia e a inovação apenas transferem o problema para outro sítio, em vez de o resolverem. Se as inovações nos automóveis e na habitação forem compensadas pelo aumento do tamanho do automóvel e da casa, o total líquido continua a ser mais emissões. Também argumentam que não há nenhuma boa razão para que o governo não imprima o dinheiro para a tecnologia e a inovação necessárias. O verdadeiro problema é o desvio destrutivo da criação de dinheiro para todos os fins errados, para que haja dinheiro para a inovação de que necessitamos, e não a tecnologia em si.

Mito 5: O decrescimento é um ataque ao seu estilo de vida
O que é que isto significa: Deves pensar que os decrescimentistas são hippies.
A realidade: Os adeptos do crescimento verde sublinham que todos temos a opção de viver de forma diferente, mas muito poucos decrescimentistas estão a tentar convencer as pessoas a mudar de estilo de vida. Os decrescimentistas defendem normalmente uma abordagem muito mais eficaz aos comportamentos excessivamente destrutivos. Por exemplo, um cartão de crédito de carbono que não peça, mas que garanta que 1% de todas as pessoas que andam de avião não continue a ser responsável por 50% de todas as emissões dos aviões. Continuaria a poder voar, mas não todos os dias. A publicação "Scientists warning on affluence" (Cientistas alertam para a riqueza) afirma que a transição necessária só pode ser eficaz se forem impostas mudanças profundas no estilo de vida de um segmento específico da população mundial - aquele que tem, de longe, o impacto mais desproporcionado. De acordo com os defensores do decrescimento , por exemplo, não há lugar para frivolidades como o turismo espacial. Embora muitos desenvolvimentistas chamem a estas ideias um ataque à classe média ou à liberdade, a realidade é diferente. São um apelo para acabar com a auto-proclamada liberdade dos ultra-ricos para tirar a liberdade de todos viverem.

Mito 6: O decrescimento ignora os "países em vias de desenvolvimento"
O que é que isto significa: Deve-se pensar que o decrescimento é branco e elitista.
A realidade: Os defensores do crescimento verde advogam que a sobre-exploração nos países "em vias de desenvolvimento" e o comércio desigual, que reduzem ativamente o desenvolvimento dos países mais pobres num sentido mais amplo do que o monetário. Os "decrescimentistas" querem reduzir esta pressão, muitas vezes violenta. Entre os países que resistiram a esta pressão durante algum tempo contam-se a Costa Rica, o Vietname, Cuba, o Butão e o Uruguai. Todos eles alcançaram um nível de vida mais elevado com uma pegada ecológica mais baixa, em comparação com os países em vias de desenvolvimento que seguem lealmente o crescimento económico como objetivo político prescrito pelo FMI e pelo Banco Mundial. Para os países "em vias de desenvolvimento" ricos em recursos, a lógica do crescimento é, na maior parte das vezes, uma maldição que causa estragos e alimenta guerras. Os decrescimentistas publicaram dados concretos sobre o que poderia ser, na prática, a justiça climática internacional, baseada na responsabilidade histórica.

No mundo real, que ainda está no paradigma do crescimento verde, as expropriações de terras, a poluição química, os esgotamentos e a instabilidade climática estão a acumular-se a um ritmo crescente, enquanto os nossos solos utilizáveis e a disponibilidade local de matérias-primas essenciais, como a água potável e a areia para a construção, estão efetivamente a diminuir. Este paradigma já está a provocar um colapso.

Os defensores do decrescimento também alertam para a visão de túnel do carbono. O clima, a utilização das terras, os solos e a biodiversidade estão indissociavelmente ligados. Uma parte do sistema globalmente interligado não pode ser colocada em "pausa", como sugeriu o Primeiro-Ministro De Croo. A recuperação da natureza não é uma questão opcional. Uma tal opção política faria aumentar o preço global para a humanidade, o que viola o dever de cuidado. A única pergunta a fazer a qualquer dirigente político que apele a uma pausa nas extinções, ondas de calor e furacões deveria ser: "a quem é que pedimos"?

Os "defensores do decrescimento" não pretendem reduzir o PIB, mas estão preparados para aceitar essa consequência como um efeito provável da redução necessária e muito mais rápida de setores que são demasiado prejudiciais, como as indústrias fóssil, química e da carne, bem como a aviação (privada). E, enquanto sociedade, temos de estar preparados para esta consequência e reduzir a nossa dependência dela para criar bem-estar.

A melhor síntese científica disponível aponta cada vez mais para o decrescimento como uma necessidade, desde o Painel Intergovernamental sobre as Alterações Climáticas (IPCC) à Plataforma Intergovernamental Científica e Política sobre Biodiversidade e Serviços Ecossistémicos (IPBES). Uma redução rápida da extração e produção mais nocivas é uma condição prévia cientificamente comprovada para alcançar a sustentabilidade global, a justiça social e o bem-estar.

O decrescimento, enquanto disciplina académica e movimento, regista uma ascensão imparável. A conferência "Para Além do Crescimento", o evento mais significativo do mandato de von der Leyen, é uma consequência lógica do facto de que as verdades acabarão por vir ao de cima. Uma base de dados sobre o decrescimento recentemente divulgada, que é apenas a ponta de um icebergue, já lista mais de 400 iniciativas políticas de decrescimento, mais de 600 artigos científicos, mais de 500 livros em 28 línguas, mais de 40 cursos e mais de 240 organizações.


Saber mais: 
O decrescimento pode funcionar - veja como a ciência pode ajudar

domingo, 12 de junho de 2022

Entrevista com Alberto Garzón e Eva García sobre a evolução da Izquierda Unida rumo ao Decrescimento


Neste sábado, 14 de maio, Izquierda Unida realizará em Madri um encontro que suscitou grande expectativa entre os setores ativistas mais próximos do Decrescimento. Precedido de uma carta pública e de um manifesto intitulado Diminuição de vida promovido por diversos militantes do setor decrecentista da formação, contou com o apoio do seu coordenador geral através de um extenso artigo de tom didático mas também ideológico, publicado no órgão oficial de IU , onde defende e justifica a necessidade biofísica de pôr fim ao crescimento económico. Na revista 15/15\15 queríamos falar com um dos promotores deste encontro, o coordenador da área de meio ambiente e ex-parlamentar Eva García Sempre , e com o coordenador geral e Ministro do Consumo, Alberto Garzón Espinosa .


diminuir para viver15/15\15: O encontro que você convocou por meio de sua carta e manifesto pode surpreendê-lo de fora, mas imagino que seja na verdade o resultado de debates e reflexões que você vem mantendo internamente na IU há algum tempo sobre o problema dos limites ao crescimento , não é assim?

Eva García: De fato, não é um debate novo dentro da organização. Que temos que viver dentro dos limites do planeta já estava claro; agora damos um passo adiante e propomos que o decrescimento é uma realidade e que temos que traçar, juntos, um roteiro político para que esse decrescimento não recaia, como sempre, nos mais vulneráveis.

15/15\15: Algumas coisas que se destacam no encontro é que não só os movimentos sociais foram convocados expressamente, o que pode ser algo mais ou menos comum nas formações de esquerda, mas também outros partidos políticos. Que resposta você teve tanto de um quanto de outro? Que outros partidos do Estado espanhol conhece que estão nesta evolução rumo ao Decrescimento?

EG: A resposta foi, sem dúvida, muito interessante. Independentemente de considerarem ou não oportuno participar como organização neste primeiro encontro, a recepção tem sido positiva e expectante por parte das organizações contactadas. E em relação às forças políticas, principalmente aquelas que também estão tendo esses debates, é muito positivo. De qualquer forma, e já que ainda estamos delineando, saberemos os nomes no sábado, dia 14. E sobre outras forças políticas, acredito que em maior ou menor medida esse debate está ocorrendo em quase toda a esquerda. Uma questão separada é como ela é abordada e se essa posição é a maioria dentro dela. Mas sim, existem forças políticas que o levantaram e esperamos que nos encontremos em algum momento para trabalhar.

15/15\15: Outro aspecto que chama bastante a atenção é o objetivo de desenhar conjuntamente um programa para o país em chave de decrescimento. Parece que o debate interno realmente parece bastante claro e você quer começar a trabalhar para transformar a consciência do fim do crescimento em linhas programáticas em um sentido político prático. É assim?

EG : Não somos ingénuos. O debate não será fácil em nenhuma organização ou força política (nem a nossa) porque, quando você pousar no concreto, há muita vertigem: será compreendido pela sociedade? O que acontecerá com este ou aquele setor produtivo que é chave na minha zona? Precisamente por isso queremos promover o espaço amplo, com todas as vistas possíveis. Esclarecer dúvidas e medos entre todos costuma ser mais fácil. Mas sim, acho que desde o início nossa posição é bastante sólida internamente.

Alberto Garzón: Nossa força política nasceu em 1986 com o objetivo político-social, entre outros, de incorporar as demandas ambientais e feministas surgidas naqueles anos, especialmente dos movimentos sociais. Desde então, o componente ecológico tem sido forte dentro da organização, apesar de a matriz ideológica da IU sempre ter sido uma orientação clássica (de conflito capital-trabalho). Nos últimos anos temos feito um esforço significativo com a militância para definir um perímetro ideológico coerente onde todas essas dimensões possam se complementar. Nas próximas semanas apresentaremos os principais resultados de uma pesquisa sobre a crise ecossocial que nos permitiu mensurar essas transformações ideológicas dentro de nossa organização. Mas posso adiantar algumas informações. Hoje, por exemplo, praticamente 50% da nossa militância se define como ambientalista, 60% como feminista e 70% como comunista; ou seja, há um alto grau de interseccionalidade. Além disso, entre a militância, 39% se identificam com o projeto de decrescimento. Acredito que a situação está muito madura para abordar determinados debates, sem que isso signifique que eles deixem de ser problemáticos.

15/15\15: O texto “ Os limites do crescimento: ecossocialismo ou barbárie ” foi publicado em inglês e recebeu elogios de notáveis ​​pensadores do Decrescimento como Jason Hickel e até mesmo alguém mais situado no ecoanarquismo como Ted Trainer. Que outras reações você teve no exterior? Haverá participação internacional no encontro?

AG : O documento tem a ambição de ser uma abordagem rigorosa, embora não académica per semas também informativo. Sabíamos que o fato de ter sido elaborado por um ministro aumentava seu impacto, e isso precisava ser aproveitado. Mas na realidade já avançamos bastante com o trabalho do Ministério do Consumo, que se expressa muito bem com as polêmicas da redução do consumo de carne e a questão das macro-fazendas. Mas sem dúvida minha intenção foi levar o debate para novos espaços, como os da nossa militância ou das pessoas que se referem a nós e não conhecem muitos dos elementos que apareceram no texto. A ideia era garantir que a questão ecológica não se reduzisse ao problema das alterações climáticas, pelo que se abriu um debate sobre as medidas que teríamos de tomar enquanto sociedade perante um desafio muito mais complexo e ameaçador do que aquilo que as pessoas tendem a pensar. Traduzimos o texto para o inglês . Queremos continuar tecendo redes nacionais e internacionais que vão além dos partidos, porque entendemos que é a única forma de construir alternativas políticas reais. Na verdade, o artigo pretende ser um ponto de partida que explicará muitas das próximas ações e eventos.

segunda-feira, 19 de julho de 2021

Herman Daly’s Economics for a Full World—His Life and Ideas



As the first biography of Professor Herman Daly, this book provides an in-depth account of one of the leading thinkers and most widely read writers on economics, environment and sustainability.

Herman Daly’s economics for a full world, based on his steady-state economics, has been widely acknowledged through numerous prestigious international awards and prizes. Drawing on extensive interviews with Daly and in-depth analysis of his publications and debates, Peter Victor presents a unique insight into Daly’s life from childhood to the present day, describing his intellectual development, inspirations and influence. Much of the book is devoted to a comprehensive account of Daly’s foundational contributions to ecological economics. It describes how his insights and proposals have been received by economists and non-economists and the extraordinary relevance of Daly’s full world economics to solving the economic problems of today and tomorrow.

Innovative and timely, this book should be of great interest to students, scholars, researchers, activists and policy makers concerned with economics, environment and sustainability.

Book link

For more details about the book, please visit the Routledge website. A 20% discount is available for the book via the publisher’s website. Enter the code FLR40 at checkout.

Launch event

In celebration of Herman’s life and ideas, and to mark the launch of this biography, we hosted an online event at the 2021 ESRC Festival of Social Sciences. Guests included Herman Daly and Peter A. Victor, Ellie Perkins and Katherine Trebeck. The panel was chaired by Tim Jackson. A recording of the event can be accessed above, or via the CUSP youtube channel.

terça-feira, 2 de junho de 2020

Chamada europeia: 3 soluções para o clima e o emprego

Face à emergência climática, quaisquer que sejam as nossas tendências políticas, temos todos de trabalhar para o êxito do Pacto Ecológico Europeu.


À Sra. von der Leyen, Presidente da Comissão Europeia,
Aos Chefes de Estado e de Governo da União Europeia,

A nossa sociedade está a enfrentar um choque incrível. A urgência é, evidentemente, salvar vidas e proteger empregos, mas esta crise não nos deve fazer esquecer a emergência climática. Mais do que nunca, é tempo de construir um novo Pacto Europeu para o Clima e o Emprego.

As últimas semanas foram sombrias, mas todos nós tínhamos água limpa nas nossas casas, nas nossas empresas e nos nossos hospitais... O que acontecerá se as alterações climáticas se agravarem e se, dentro de 15 ou 20 anos, os lençóis freáticos de algumas grandes cidades estiver vazio durante vários meses?

O Pacto Ecológico Europeu é a melhor forma de realizar as mudanças reais de que a Europa necessita para recuperar da crise do coronavírus, para criar milhões de postos de trabalho e tornar a economia o mais resistente possível. Mas, para que isso aconteça, o Pacto Ecológico Europeu precisa de um verdadeiro financiamento.

Somos estudantes, climatologistas, economistas, sindicalistas, empresários, representantes eleitos locais, nacionais e europeus, (antigos) deputados, (antigos) ministros, cidadãos de origens muito diversas. Estamos convencidos de que a transição ecológica não é apenas uma questão de sobrevivência, mas também uma oportunidade para a Europa se reinventar e recuperar da crise da covid-19.

A emergência ambiental exige o isolamento de todos os edifícios, o reforço dos transportes públicos e das energias renováveis, a transformação do nosso modelo de agricultura, a protecção da biodiversidade, a protecção e limpeza das florestas e dos oceanos, e o desenvolvimento de políticas de adaptação e reparação. No entanto, todos estes projectos enfrentam o mesmo obstáculo: quem vai pagar?

Ao trabalhar num cenário de redução de 40% das emissões para 2030, a Comissão Europeia estimou que a execução desse objectivo exigirá investimentos anuais adicionais de 260 mil milhões de euros” (Comunicação do Pacto Ecológico Europeu, 12/2019). Já em 2016, estimava-se que o défice de investimento atingiria 529 mil milhões de euros por ano a partir de 2021 (públicos e privados), com base num cenário que implicaria uma redução de 47% de emissões para 2030. Hoje em dia, com um objectivo acrescido, a necessidade de investimento deve ser aumentada em conformidade.

Os compromissos assumidos pela Comissão Europeia para financiar o Pacto Ecológico Europeu estão longe destes montantes: o “Plano de Investimento Sustentável para a Europa” proporcionaria cerca de 100 mil milhões de euros por ano. No entanto, não é sequer certo que este montante possa ser mobilizado na totalidade. De momento, foi prometido ao Pacto Ecológico Europeu um financiamento amplamente insuficiente: entre 2 a 10 vezes menor para que este tenha êxito.

A fim de criar uma dinâmica internacional, a UE deve chegar a acordo sobre um objectivo climático reforçado para 2030, em conformidade com a ciência, a equidade e o objectivo de 1,5ºC do Acordo de Paris, muito antes da COP26. Para que os Estados-membros cheguem a acordo sobre esta matéria, será necessário identificar a forma como esta transição será financiada.
É por isso que propomos 3 soluções que acreditamos serem capazes de alcançar um amplo consenso.

1. Para reduzir drasticamente o nosso consumo de combustíveis fósseis, temos de acabar com todos os subsídios e investimentos fósseis. A lei climática europeia deve garantir que os subsídios aos combustíveis fósseis sejam proibidos em todos os Estados-membros. Deve também garantir a transparência de todos os bancos (privados e públicos) e de todas as companhias de seguros que operam no território europeu em relação a todas as suas actividades, organizando progressivamente o fim dos investimentos fósseis. Em 2010, para combater a evasão fiscal, Barack Obama aprovou a Lei FATCA, que fechou o mercado norte-americano a bancos que não eram totalmente transparentes para as autoridades fiscais norte-americanas. Do mesmo modo, para combater as alterações climáticas, a Europa precisa de uma “Lei FATCA do Clima”, que reserve o mercado europeu aos bancos e companhias de seguros que tenham reorientado os seus investimentos em função da emergência climática.

2. O Banco Central Europeu (BCE) imprimiu 2600 mil milhões de euros desde 2015. Apenas 11% dessas somas colossais foram para a economia real. O resto foi, na sua maioria, para a especulação. Para 2020, além das centenas de milhares de milhões que o BCE irá imprimir para enfrentar a crise da covid, irá também imprimir mais 240 mil milhões que devem ser investidos no clima e no emprego. Estes montantes devem alimentar um verdadeiro Banco do Clima e da Biodiversidade - que concederia empréstimos sem juros a cada Estado-membro (até 2% do seu PIB por ano durante 30 anos, como sugerido por Nicholas Stern em 2008, o que ascenderia a 300 mil milhões de euros para a UE no seu conjunto).

3. Se todas as famílias, todas as pequenas empresas e todos os territórios tiverem de investir numa profunda transformação de carbono zero, os empréstimos sem juros não serão suficientes, uma vez que os seus reembolsos são limitados ou incertos. Para ter um efeito catalisador, os empréstimos devem ser complementados por subvenções públicas. A taxa média do imposto nacional sobre os lucos das empresas na Europa diminuiu para menos de metade em quarenta anos (de 45% para 19%). A implementação de um imposto europeu adicional de 5% (ajustado de acordo com a sua pegada de carbono), combinado com outros recursos próprios, traria 100 mil milhões de euros por ano para alimentar um verdadeiro orçamento europeu para o clima e a biodiversidade. Estes 100 mil milhões de euros adicionais permitir-nos-iam ultrapassar o limiar de 50% do orçamento europeu para o clima e ajudar a transição, tanto no sector público como no privado.

Estas três soluções proporcionariam dinheiro suficiente para financiar uma transição que seria justa para os trabalhadores. Permitiriam ao Pacto Ecológico Europeu criar mais de 5 milhões de postos de trabalho na Europa e melhorar os meios de subsistência de milhões de famílias, ao mesmo tempo que impulsionariam o investimento na economia hipocarbónica. Face à emergência climática, quaisquer que sejam as nossas tendências políticas, temos todos de trabalhar para o êxito do Pacto Ecológico Europeu.

A Presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, afirmou em Julho que se inspirou “na paixão, convicção e energia dos milhões de jovens que fizeram ouvir a sua voz nas nossas ruas e encontraram o seu caminho nos nossos corações”. Ela acrescentou: “É dever da nossa geração não os desapontar”.

A União Europeia nasceu com o carvão e o aço. Pode renascer com um Pacto Europeu para o Clima e o Emprego.

Convidamos todos os cidadãos da Europa a juntarem-se a este convite no website https://realgreendeal.eu/call/, onde também se encontram disponíveis as fontes dos vários números citados.

quinta-feira, 15 de setembro de 2016

Convenção de Aarhus – Informação, Participação e Justiça para a mudança


Países membros segundo a ratificação da emenda de Almaty à Convenção (2005)

A Convenção de Aarhus – Convenção sobre o Acesso à Informação, Participação do Público no Processo de Tomada de Decisão e Acesso à Justiça em Matéria de Ambiente – faz parte do ajuste institucional de capacitação dos cidadãos que, apesar da ausência de mecanismos de execução precisos, veio a ser aprovada e ratificada por quase meia centena de países (em geral europeus) e pela própria União Europeia (assinada em 1998, ratificada em 2005).

Sob a égide da Comissão Económica das Nações Unidas para a Europa, a convenção constituiu-se como um padrão de referência para as novas políticas de governança ambiental e o seu reconhecido valor – pelas instâncias de governança global (ONU) e regional (UE) – terá vindo a fomentar algum compromisso político e, por vezes, legal de envolvimento público efetivo e genuíno com os problemas ambientais. Compromisso que pode servir de alavanca à implementação de um desenvolvimento não limitado ao business as usual.

Não será despropositado alargar este compromisso de partilha do poder decisório em matéria ambiental às questões mais abrangentes da sustentabilidade e dos problemas sociais, como se de duas faces de uma mesma moeda se tratasse. De resto, promovendo o envolvimento dos diversos grupos sociais e das comunidades, de quem, em última análise, dependem a origem e a solução dos problemas ambientais, a Convenção de Aarhus confirma a intrínseca ligação sociedade-ambiente e reflete um amplo sinal de vontade política e social em implementar uma ideia transversal de sustentabilidade que Agyeman muito oportunamente designou por Just Sustainability.

Ora numa altura em que as alterações climáticas parecem impor a redefinição de prioridades socioeconómicas – a recente ratificação do Acordo de Paris (2015) pelos Estados Unidos e pela China parece um sinal promissor –, a Convenção de Aahrus ganha ainda maior significado, mantendo-se como uma das mais impressivas elaborações decorrentes do princípio 10 da Declaração do Rio (1992). Duas décadas e meia depois, pode ser vista como um guia de ação prática para técnicos da administração pública, cidadãos, representantes de ONG, agentes económicos, etc. e a execução conjunta de sua tríade de pilares – i.e., disponibilização de informação, implementação de meios de participação e acesso à justiça – ganhou estatuto de condição sine qua non para um envolvimento mais responsável e mais eficaz das populações numa mudança que a escassez ecológica, hoje em dia protagonizada sobretudo pelas alterações climáticas, parece tornar premente e até inevitável.

Em primeiro lugar, porque o acesso à informação se tornou numa pedra angular do funcionamento da democracia, permitindo aos cidadãos olhar, julgar e refletir sobre os atos de governação e dos governos, e garantindo melhores condições para enfrentar quer os problemas sociais – corrupção, degradação da qualidade dos serviços sociais ou das condições de vida… –, quer os problemas ambientais – degradação de recursos naturais, diminuição da qualidade do ar, da água, etc. Pressupõe-se que, com acesso facilitado a informação fidedigna, os cidadãos, os seus representantes e a generalidade das partes interessadas da comunidade (stakeholders) ficarão mais aptos a fazer escolhas, contribuindo para processos de tomada de decisão que se esperam mais justos, mais eficazes e mais potenciadores de corresponsabilização dos atores sociais envolvidos, sejam eles institucionais ou não institucionais, públicos ou privados.

Em segundo lugar, porque a urgência da escassez ambiental – e, como a crise económico-financeira deixou claro, também económica e social – exige um envolvimento e uma mobilização abrangentes, de forma a potenciar a aquiescência pública para políticas nem sempre consensuais e de difícil aplicação. Nesta perspetiva, a participação pública tornou-se um desiderato socioinstitucional transversal que, pelo menos ao nível do discurso, poucos contestam. Talvez porque, sem pôr em causa a validade do conhecimento técnico-científico, quando apoiada em informação fidedigna e em procedimentos transparentes, ajuda a complementá-lo e/ou a preencher lacunas, facilita a determinação de níveis adequados/aceitáveis de segurança, favorece a distribuição de custos e benefícios, faculta a compatibilização de interesses e valores sociais… A participação pública é, afinal, vista como uma ferramenta de construção de consensos que, inserida num processo que Tim Jackson designou por Prosperidade sem Crescimento, pode potenciar uma transição relativamente mais suave (espera-se que com menos convulsões sociais) em direção à almejada sociedade pós-carbono.

Por fim, em terceiro lugar, realce-se a relevância da regulação instituída e, sobretudo, da garantia do seu cumprimento. Com efeito, o acesso à justiça permite garantir que as leis ambientais se aplicam de facto; que as condições ecológicas (um bem-comum universal) estão protegidas; que os direitos e os interesses dos cidadãos estão garantidos; que qualquer instância de poder (seja político, seja económico) está sujeita à lei e que a pressão dos cidadãos pode fazer com que ela se cumpra; que a legitimidade das decisões se fortalece e se ancora na deliberação e na participação públicas. Em suma, postula-se que só a possibilidade real dos cidadãos influenciarem os processos de tomada de decisão – que decorre de um tratamento justo e equitativo alargado a todos os interesses – pode acautelar a ultrapassagem dos sentimentos de desconfiança que mostram sinais de crescimento nas sociedades contemporâneas.

No entanto, como sublinha o quarto e último relatório de implementação da convenção em Portugal, datado de 2014, o fraco envolvimento dos cidadãos em processos participativos é um facto que persiste de mãos dadas com uma sobrecarga de informação nem sempre compatível, disponibilizada por via de diferentes e dispersos meios de comunicação. Não estamos, portanto, perante nenhuma mezinha milagrosa que, só por si, permita resolver os problemas da participação para a sustentabilidade. Mantém-se a necessidade real e urgente de tornar mais acessível a informação disponibilizada (e.g., simplificando linguagens e compatibilizando fontes e meios de acesso) e de promover instrumentos de participação pública diversificados e adaptados às diversas circunstâncias. Importa, afinal, dar maior visibilidade e usabilidade às ferramentas informativas e garantir mais oportunidades para o processo participativo, sem se deixar de assegurar um célere e democrático acesso à justiça. Numa palavra, cumprir efetiva e pragmaticamente a referida tríade de Aarhus.

quarta-feira, 24 de junho de 2015

Economics for a Full World with Herman Daly


Because of the exponential economic growth since World War II, we now live in a full world, but we still behave as if it were empty, with ample space and resources for the indefinite future. The founding assumptions of neoclassical economics, developed in the empty world, no longer hold, as the aggregate burden of the human species is reaching—or, in some cases, exceeding—the limits of nature at the local, regional, and planetary levels. The prevailing obsession with economic growth puts us on the path to ecological collapse, sacrificing the very sustenance of our well-being and survival. To reverse this ominous trajectory, we must transition toward a steady-state economy focused on qualitative development, as opposed to quantitative growth, and the interdependence of the human economy and global ecosphere. Developing policies and institutions for a steady-state economy will require us to revisit the question of the purpose and ends of the economy.

The Economy as Subsystem of the Ecosphere
When I worked at the World Bank, I often heard the statement, “There is no conflict between economics and ecology. We can and must grow the economy and protect the environment at the same time.” I still hear it a lot today.

Although it is a comforting idea, it is at most half true. The “true” part stems from a confusion of reallocation with aggregate growth. Possibilities of better allocation almost always exist—more of something desired in exchange for a reduction in something less desired. However, aggregate growth, what macro-economists mean by the term “growth” (and the meaning in this essay), is that the total market value of all final goods and services (GDP) is expanding.

The economy, as shown in Figure 1, is an open subsystem of the larger ecosphere, which is finite, non-growing, and materially closed, although open to a continual, but non-growing, throughput of solar energy. When the economy grows in physical dimensions, it incorporates matter and energy from the rest of the ecosystem into itself. It must, by the law of conservation of matter and energy (First Law of Thermodynamics), encroach on the ecosystem, diverting matter from previous natural uses. More human economy (more people and commodities) means less natural ecosystem. In this sense, the statement that there is “no conflict” is false. There is an obvious physical conflict between the growth of the economy and the preservation of the environment.

That the economy is a subsystem of the ecosphere seems perhaps too obvious to emphasize. Yet the opposite view is common in high places. For example, a recent study by the British government’s Natural Capital Committee asserted, “The environment is part of the economy and needs to be properly integrated into it so that growth opportunities will not be missed.” To the contrary, it is the economy that is the part and needs to be integrated into the whole of the finite ecosphere so that growth limits will not be missed.1

But is this physical conflict economically important? Some believe that we still live in an “empty” world. In the empty world, the economy was small relative to the containing ecosystem, our technologies of extraction and harvesting were not very powerful, and our numbers were small. Fish reproduced faster than we could catch them, trees grew faster than we could harvest them, and minerals in the Earth’s crust were abundant. In other words, natural resources were not really scarce. In the empty world, it made economic sense to say that there was no conflict between economic growth and the ecosystem, even if it were not strictly true in a physical sense.
Figure 1: Welfare in a Full vs Empty World
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Neoclassical economic theory developed during this era and still embodies many assumptions from it. But the empty world has rapidly turned into a “full” world thanks to growth, the number one goal of all countries—capitalist, communist, or in-between. Since the mid-twentieth century, the world population has more than tripled—from two billion to over seven billion. The populations of cattle, chickens, pigs, and soybean plants and corn stalks have as well. The non-living populations of cars, buildings, refrigerators, and cell phones have grown even more rapidly. All these populations, both living and non-living, are what physicists call “dissipative structures”—that is, their maintenance and reproduction require a metabolic flow, a throughput that begins with depletion of low-entropy resources from the ecosphere and ends with the return of polluting, high-entropy waste back to the ecosphere. This disrupts the ecosphere at both ends, an unavoidable cost necessary for the production, maintenance, and reproduction of the stock of both people and wealth. Until recently, standard economic theory ignored the concept of metabolic throughput, and, even now, its importance is greatly downplayed.2

The concept of metabolic throughput in economics brings with it the laws of thermodynamics, which are inconvenient to growthist ideology. The First Law, as noted above, imposes a quantitative trade-off of matter/energy between the environment and the economy. The Second Law, that the entropy (or disorder) of the universe is always increasing, imposes a qualitative degradation of the environment— by extracting low-entropy resources and returning high-entropy wastes. The Second Law of Thermodynamics thus imposes an additional conflict between expansion of the economy and preservation of the environment, namely that the order and structure of the economy is paid for by imposing disorder in the sustaining ecosphere. Furthermore, this disorder, exported from the economy, disrupts the complex ecological interdependencies of our life-supporting ecosystem.

Those who deny the conflict between growth and environment often claim that since GDP is measured in value units, it has no necessary physical impact on the environment. But one must remember that a dollar’s worth of gasoline is a physical quantity—recently about one fourth of a gallon in the United States. GDP is an aggregate of all such “dollar’s worth” quantities bought for final use, and is consequently a value-weighted index of physical quantities. GDP is certainly not perfectly correlated with resource throughput. Nevertheless, prospects for absolute “decoupling” of resource throughput from GDP are quite limited, even though much discussed and wished for.3

These limits are made visible by considering an input-output matrix for an economy. Nearly every sector requires inputs from, and provides outputs to, nearly every other sector. And these inputs require a further round of inputs for their production, etc. The economy grows as an integrated whole, not as a loose mix of sectors. Even the information and service sectors require substantial physical resource inputs. In addition to the supply side limit reflected in the input-output interdependence of production sectors, there is the demand side limit of what has been called the “lexicographic ordering of wants”—unless we first have sufficient food on the plate, we are just not interested in the information contained in a million recipes on the Internet. And, of course, the Jevons Paradox—the idea that, as technology progresses, the increase in efficiency with which a resource is used tends to increase the rate of consumption of that resource—negates much of the benefits of such progress. This does not deny real possibilities of improved technical efficiency in the use of resources, or ethical improvement in the ordering of our priorities. But these represent qualitative development and are frequently not captured in GDP, which mainly reflects quantitative growth.

Since GDP reflects both harmful and beneficial activity, ecological economists have not considered it to be a desideratum in itself. Instead, they have distinguished growth (quantitative increase in size by accretion or assimilation of matter) from development (qualitative improvement in design, technology, or ethical priorities). Ecological economists advocate development without growth—qualitative improvement without quantitative increase in resource throughput beyond an ecologically sustainable scale. Given this distinction, one could indeed say that there is no necessary conflict between qualitative development and the environment. GDP accounting mixes together both growth and development, as well as costs and benefits. It thus confuses more than it clarifies.

From Empty World to Full World: The Limiting Factor Has Changed

When the entropic throughput becomes too large, it overwhelms either the regenerative capacity of nature’s sources or the assimilative capacity of nature’s sinks. This tells us that we no longer live in the empty world, but instead inhabit a full world. Natural resource flows are now the scarce factor, and labor and capital stocks are now relatively abundant. This basic pattern of scarcity has been reversed by a century of growth.
Figure 2: Change in Limiting Factors
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This simple picture is instructive. In the past, the fish catch was limited by the number of fishing boats and fishermen. Now, it is limited by the number of fish and their capacity to reproduce. More fishing boats will not result in more caught fish. The limiting factor is no longer the manmade capital of boats, but the remaining natural capital of fish populations and their aquatic habitat.

Economic logic would tell us to invest in the limiting factor. The old economic policy of building more fishing boats is now uneconomic, so we need to invest in natural capital, the new limiting factor. How do we do that? For one, we can do so by reducing the catch to allow fish populations to increase to their previous levels, and by other measures such as fallowing agricultural land to refresh its fertility. More generally, we can do so through restoration ecology, biodiversity conservation, and sustainable use practices.

One could draw similar pictures for other natural resources. What ultimately limits the production of cut timber? Is it the number of chainsaws, sawmills, and lumberjacks, or the remaining forests and the growth rate of new trees? What limits the crops from irrigated agriculture? Is it the number of pipes, sprinklers, and pumps, or the stock of water in aquifers, their recharge rate, and the flow of surface water in rivers? What limits the number of barrels of pumped crude oil: the number of drilling rigs or the remaining accessible deposits of petroleum? What limits the use of all fossil fuels: our mining equipment and combustion engines, or the capacity of the atmosphere to absorb the resulting greenhouse gases without causing drastic climate change? In all cases, it is the latter, the natural capital (whether source or sink), rather than the man-made capital.

Traditional economists reacted to this change in the identity of the limiting factor in three ways. First, they ignored it—by continuing to believe that we live in the empty world of the past. Second, they pretended that GDP is an ethereal, angelic number rather than a physical aggregate. Third, they claimed that natural capital has not, in fact, replaced manmade capital as the limiting factor because manmade and natural capital are interchangeable substitutes, at least according to neoclassical production functions.

Only if factors of production are complements can the one in short supply be limiting. So even if natural capital is now scarcer than before, this would not be a problem, neoclassical economists say, because manmade capital is a “near perfect” substitute for natural resources. It is represented as such in multiplicative production functions such as the widely used Cobb-Douglas. But multiplying “factors” of production to get a “product” is mathematics, not economics. In the real world, what we call “production” is in fact transformation, not multiplication. Natural resources are transformed by capital and labor inputs into useful products and waste.

While improved technologies can certainly reduce waste and facilitate recycling, agents of transformation (capital and labor) cannot serve as direct substitutes for the material and energy being transformed (natural resources). Can we produce a ten-pound cake with only one pound of ingredients, simply by using more cooks and ovens? And further, how could we make more capital (or labor) without also using more natural resources? While a capital investment in sonar may help locate those remaining fish, it is hardly a good substitute for more fish in the sea. And what happens to the capital value of fishing boats, including their sonar, as the fish disappear?

Limits to Growth and the Optimal Scale of the Economy in a Full World
It is clear from Figure 1 that the transition from empty to full world involves both costs and benefits. The brown arrow from Economy to Welfare represents economic services (benefits from the economy). It is small in the empty world but large in the full world. It grows at a diminishing rate because, as rational beings, we satisfy our most important wants first—the law of diminishing marginal utility. The costs of growth are represented by the shrinking ecosystem services (green arrow) that are large in the empty world but small in the full world. It diminishes at an increasing rate as the ecosystem is displaced by the economy because we—in theory—sacrifice the least important ecosystem services first—the law of increasing marginal costs.

We can restate this in terms of Figure 3, showing the declining marginal benefit of growth of the economy and the increasing marginal cost of the resulting environmental sacrifice:

Figure 3: The Limits to Growth
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From the diagram, we can distinguish three concepts of limits to growth:

1. The futility limit occurs when the marginal utility of production falls to zero. Even with no cost of production, there is a limit to how much we can consume and still enjoy it. There is a limit to how many goods we can enjoy in a given time period, as well as a limit to our stomachs and the sensory capacity of our nervous systems. In a world with considerable poverty, and in which the poor observe the very rich still enjoying their extra wealth, many view this futility limit as far away, not only for the poor, but for everyone. By its “non-satiety” postulate, neoclassical economics formally denies the concept of the futility limit. However, studies have shown that, beyond a “sufficiency threshold,” both self-evaluated happiness and objective indices of welfare cease to increase with GDP.4

2. The ecological catastrophe limit is represented by a sharp increase to the vertical of the marginal cost curve. Some human activity, or novel combination of activities, may induce a chain reaction, or tipping point, and collapse our ecological niche. The leading candidate for the catastrophe limit at present is runaway climate change induced by greenhouse gases emitted in pursuit of economic growth. Where along the horizontal axis it might occur is uncertain. The assumption of a continuously and smoothly increasing marginal cost curve is quite optimistic. Given our limited understanding of how the ecosystem functions, we cannot be sure that we have correctly sequenced our sacrifices of ecological services from least to most important. In making way for growth, we may ignorantly sacrifice a vital ecosystem service ahead of a trivial one. Thus, the marginal cost curve might in reality zigzag up and down discontinuously, making it difficult to define the third and most important limit, namely the economic limit.

3. The economic limit is defined by the equality of marginal cost and marginal benefit and the corresponding maximization of net benefit. The economic limit would appear to be the first limit encountered. It certainly occurs before the futility limit, and likely before the catastrophe limit. At worst, the catastrophe limit might coincide with and discontinuously determine the economic limit. Therefore, it is very important to estimate the risks of catastrophe and include them as costs counted in the disutility curve as far as possible.

From the graph, it is evident that increasing aggregate production and consumption is rightly called economic growth only up to the economic limit. Beyond that point, it becomes uneconomic growth because it increases costs by more than benefits, making us poorer, not richer. Nonetheless, we perversely continue to call it economic growth. Indeed, you will not find the term “uneconomic growth” in any macroeconomics textbook. Any increase in real GDP is called “economic growth” even if it increases costs faster than benefits. That richer (more net wealth) is better than poorer is a truism. The relevant question, though, is, does growth still make us richer, or has it begun to make us poorer by increasing “illth” faster than wealth?

Examples of “illth” are everywhere, even if they are still unmeasured in national accounts. They include things like nuclear wastes, climate change from excess carbon in the atmosphere, biodiversity loss, depleted mines, deforestation, eroded topsoil, dry wells and rivers, sea level rise, the dead zone in the Gulf of Mexico, gyres of plastic trash in the oceans, and the ozone hole. They also include exhausting and dangerous labor and the un-repayable debt from trying to push growth in the symbolic financial sector beyond what is possible in the real sector.

Economists will note that the logic employed in Figure 3 is familiar in microeconomics—the optimal size of a microeconomic unit, be it a firm or a household, occurs where the marginal cost is equal to the marginal benefit. That logic is not applied to the macro-economy, however, because the latter is thought to be the Whole rather than a Part. When a Part expands into the finite Whole, it imposes an opportunity cost on other Parts that must shrink to make room for it. When the Whole itself expands, it is thought to impose no opportunity cost because it displaces nothing, presumably expanding into the void. But as seen in Figure 1, the macroeconomy is not the Whole. It, too, is a Part, a part of the larger natural economy, the ecosphere, and its growth does inflict opportunity costs on the finite Whole that must be counted. Their refusal to acknowledge this is why many economists cannot conceive of the possibility that growth in GDP could ever be uneconomic.

Standard economists might accept Figure 3 as a static picture but then argue that, in a dynamic world, technology will shift the marginal benefit curve upward and the marginal cost curve downward, moving their intersection (economic limit) ever to the right, so that continual growth remains both desirable and possible. However, the macroeconomic curve-shifters need to remember three things. First, the physically growing macro-economy is still limited by its displacement of the finite ecosphere and by the entropic nature of its maintenance throughput. Second, the timing of new technology is uncertain. The expected technology may not be invented or come online until after we have passed the economic limit. Do we then endure uneconomic growth while waiting and hoping for the curves to shift? Third, the curves can also shift in the wrong directions, moving the economic limit back to the left. Did the technological “advances” of tetraethyl lead and chlorofluorocarbons shift the cost curve down or up? How about nuclear power? Or “fracking”?

Adopting a steady-state economy at the macro level (while, of course, allowing for improvements in allocation at the micro level) helps us to avoid being shoved past the economic limit. We could take our time to evaluate new technologies rather than blindly adopting them in the interest of aggregate growth that may well be uneconomic. And the steady state gives us some insurance against the risks of ecological catastrophe that increase with growthism and technological impatience.

Three Perspectives on Integrating Economy and Ecosystem
Our vision and policies should be based on an integrated view of the economy as a subsystem of the finite and non-growing ecosphere. Three different theoretical understandings have grounded such attempts at integration, and all three start from the vision of the economy as a subsystem of the ecosphere and thus recognize limits to growth. They differ, however, in the way they each treat the boundary between the economy and the rest of the ecosystem, and these differences have large policy consequences for how we adjust to limits.

Figure 4: Approaches to Integrating Economy and Ecosystem
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Economic imperialism seeks to expand the boundary of the economic subsystem until it encompasses the entire ecosphere. The goal is one system, the macroeconomy as the Whole. This is accomplished by the complete internalization of all external costs and benefits into prices. Those myriad aspects of the biosphere not customarily traded in markets are treated as if they were by imputation of “shadow prices”—the economist’s best estimate of what the price of the function or thing would be if it were traded in a competitive market. Everything in the ecosphere is theoretically rendered comparable in terms of its priced ability to help or hinder individuals in satisfying their wants. Implicitly, the end pursued is an ever-greater level of consumption, and the way to effectively achieve this end is growth in the aggregate exchange value of marketed final goods and services (GDP).

Economic imperialism is essentially the neoclassical approach. Subjective individual preferences, however whimsical or uninstructed, are taken as the ultimate source of value. This is a perverse value judgment, not the absence of value judgments, as economists normally treat it. Since subjective wants are thought to be infinite in the aggregate, as well as sovereign, the scale of activities devoted to satisfying them tends to expand. The expansion is considered legitimate as long as “all costs are internalized into prices.”

While costs should certainly be internalized into prices, this should not become an excuse for allowing excessive takeover of the ecosphere by economic growth. Unfortunately, many of the costs of growth that we have experienced have come as surprises. We cannot internalize them if we cannot first imagine and foresee them. Furthermore, even after some external costs have become quite visible (e.g., climate change), internalization has been very slow, partial, and much resisted. Profit-maximizing firms have an incentive to externalize costs. As long as the evolutionary fitness of the environment to support life is not perceived by economists as a value, it is likely to be destroyed in the imperialistic quest to subject every molecule and photon in creation to the pecuniary rules of present value maximization.

There is no doubt that once the scale of the economy has grown to the point that formerly free environmental goods and services become scarce, it is better that they should have a positive price reflecting their scarcity than to continue to be priced at zero. But the prior question remains: Are we better off at the new larger scale with formerly free goods correctly priced, or at the old smaller scale with free goods also correctly priced (at zero)? In both cases, the prices are right. This question of optimal macro scale is neither answered nor even asked by either neoclassical or Keynesian economics in their blind quest for growth.

Ecological reductionism begins with the true insight that humans and markets are not exempt from the laws of nature. It then proceeds to the false inference that human action is totally explainable by and reducible to the laws of nature. It seeks to explain whatever happens within the economic subsystem by exactly the same natural laws that it applies to the rest of the ecosystem. It subsumes the economic subsystem indifferently into the natural system, erasing its boundary. Taken to the extreme, this view purports to explain everything by a materialist deterministic system that has no room for purpose or will. This is a sensible vision from which to study the ecology of a coral reef or a rainforest. But if one adopts it for studying the human economy, one is stuck with the inconvenient policy implication that policy can make no difference.

Ecology has inherited from its parent discipline, biology, a measure of modern biology’s mechanistic philosophy. This stems from a neo-Darwinian fundamentalism that is often uncritically accepted by many leading biologists as a deterministic metaphysics validated by science, rather than as a fruitful working hypothesis for doing science. Determinism is totally at odds with purposeful policy of any kind, and consequently with any economic thought aiming at policy. A happy marriage between economics and ecology, as in “ecological economics,” must overcome this latent incompatibility. Economic imperialism reduces everything to human will and utility, neglecting objective constraints of the natural world. Ecological reductionism sees only deterministic natural laws, and imperiously extends these into materialist “explanations” of human will and consciousness as mere illusions. It is a tragic irony that the discipline whose scientific findings have done most to awaken us to the environmental dangers we face is also the discipline whose metaphysical presuppositions have done most to weaken our will to respond to these dangers through purposeful policy.5

Economic imperialism and ecological reductionism are both monistic visions, albeit rather opposite monisms. The monistic quest for a single entity or principle by which to explain everything leads to excessive reductionism on both sides. Certainly, science should strive for the most reduced or parsimonious explanation possible without ignoring the facts. But respect for the basic empirical facts of natural laws on the one hand, and self-conscious purpose and will on the other hand, should lead us to a kind of practical dualism. After all, that our world should consist of two fundamental features offers no greater inherent improbability than that it should rest on only one. How these two fundamental features of our world (material cause and final cause) interact is a venerable mystery—precisely the mystery that the monists of both kinds are seeking to avoid. But economists are too much in the middle of things to adopt either extreme. They are better off denying the tidy-mindedness of either monism than denying the facts that point to an untidy dualism.

The remaining perspective is the steady-state subsystem. It does not attempt to eliminate the subsystem boundary, either by expanding it to coincide with the whole system or by reducing it to nothing. Rather, it affirms both the interdependence and the qualitative difference between the human economy and the natural ecosystem. The boundary must be recognized and drawn in the right place. The scale of the human subsystem defined by the boundary has an optimum, and the throughput by which the ecosphere physically maintains and replenishes the economic subsystem must be ecologically sustainable. The goal of the economy is to minimize the low-entropy used up to attain a sufficient standard of living—by sifting it slowly and carefully through efficient technologies aimed at important purposes. The economy should not be viewed as an idiot machine dedicated to maximizing waste. Its ultimate purpose is the maintenance and enjoyment of life for a long time (not forever) at a sufficient level of wealth for a good (not luxurious) life.

The idea of a steady-state economy comes from classical economics, and was most developed by John Stuart Mill (1857), who referred to it as the “stationary state.”6 In such a state, the population and the capital stock would no longer grow, although the art of living would continue to improve. The constancy of these two physical stocks defined the scale of the economic subsystem. Birth rates would be equal to death rates and production rates equal to depreciation rates. Today, we add that both rates should be equal at low levels rather than high levels because we value longevity of people and durability of artifacts, and wish to minimize throughput, subject to maintenance of sufficient stocks for a good life.

Policies for a Steady-State Economy
Ecological economics should seek to develop the steady-state vision and get beyond the dead ends of both economic imperialism and ecological reductionism. Ten policies for moving toward a steady-state economy appear below. Many could be adopted independently and gradually, although they cohere in the sense that some compensate for the shortcomings of others. Of course, the question of the desired level of steady-state economy is crucial, and local, regional, and global ecological limits must be considered in fashioning effective policies.

(1) Developing Cap-Auction-Trade systems for basic resources (especially fossil fuels): Set caps for natural resource according to three key rules: (1) renewable resources should not be depleted faster than they regenerate, (2) nonrenewable resources should not be depleted faster than renewable substitutes are developed, and (3) wastes from all resource use should not be returned to the ecosystem faster than they can be absorbed and reconstituted by natural systems. This approach achieves sustainable scale and market efficiency, avoids rebound effects, and raises auction revenue for replacing regressive taxes.

(2) Tax shifting: Shift the tax base from “value added” (labor and capital) to that to which value is added, i.e., natural resource throughput, the source of social costs such as pollution and adverse public health effects. Such taxes will also encourage efficient resource use.

(3) Limiting inequality: Establish minimum and maximum income limits, maintaining differences large enough to preserve incentives but small enough to suppress the plutocratic tendencies of market economies.

(4) Reforming the banking sector: Move from a fractional reserve banking system to 100% reserve requirements on demand deposits. Money would no longer be mainly interest-bearing debt created by private banks, but non-interest-bearing government debt issued by the Treasury. Every dollar loaned for investment would be a dollar previously saved by someone else, restoring the classical balance between investment and abstinence from consumption, and dampening boom and bust cycles.

(5) Managing trade for the public good: Move from free trade and free capital mobility to balanced and regulated international trade. While the interdependence of national economies is inevitable, their integration into one global economy is not. Free trade undercuts domestic cost-internalization policies, leading to a race to the bottom. Free capital mobility invalidates the basic comparative advantage argument for free trade in goods.7

(6) Expanding leisure time: Reduce conventional work time in favor of part-time work, personal work, and leisure, thereby embracing well-being as a core metric of prosperity while reducing the drive for limitless production.

(7) Stabilizing population: Work toward a balance in which births plus in-migrants equals deaths plus out-migrants, and in which every birth is a wanted birth.

(8) Reforming national accounts: Separate GDP into a cost account and a benefits account so that throughput growth can be stopped when marginal costs equal marginal benefits.

(9) Restoring full employment: Restore the US Full Employment Act of 1945 and its equivalent in other nations in order to make full employment once again the end, and economic growth the temporary means. Un/under-employment is the price we pay for growth from automation, off-shoring, deregulated trade, and a cheap-labor immigration policy. Under steady-state conditions, productivity improvements would lead to expanded leisure time rather than unemployment.

(10) Advancing just global governance: Seek world community as a federation of national communities, not the dissolution of nations into a single “world without borders.” Globalization by free trade, free capital mobility, and free migration dissolves national community, leaving nothing to federate. Such globalization is individualism writ large—a post-national corporate feudalism in a global commons. Instead, strengthen the original Bretton Woods vision of interdependent national economies, and resist the WTO vision of a single integrated global economy. Respect the principle of subsidiarity: although climate change and arms control require global institutions, basic law enforcement and infrastructure maintenance remain local issues. Focus our limited capacity for global cooperation on those needs and functions that truly require it.

Larger Ethical and Ecological Context of Economics
It is one thing to suggest a general outline of policies, but it is something else entirely to say how we will secure the will, strength, and clarity of purpose to carry out these policies—especially when we have treated growth as the summum bonum for the past century. Such will requires a major change in philosophical vision and ethical practice, a shift that is hardly guaranteed even in light of the increasingly perilous circumstances in which the planet finds itself.

As a way to contemplate such a change, consider the “ends-means pyramid” in Figure 5. The policies suggested above belong in the middle, under “Political Economy.” At the base of the pyramid are our ultimate means (low-entropy matter-energy)—that which we require to satisfy our wants, but which we cannot make, only use up. We use these ultimate means directly, guided by technology, to produce intermediate means (e.g., artifacts, commodities, services) that directly satisfy our needs. These intermediate means are allocated by political economy to serve our intermediate ends (e.g., health, comfort, education), ethically ranked by how strongly they contribute to the Ultimate End under existing circumstances. We can perceive the Ultimate End only vaguely, but in order to ethically rank our intermediate ends, we must compare them to some ultimate criterion. We cannot avoid philosophical and theological inquiry into the Ultimate End just because it is difficult. To prioritize requires that something go in first place.
Figure 5: An Ends-Means Pyramid of Human Activity
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The middle position of economics is significant. Economics traditionally deals with the allocation of given intermediate means to satisfy a given hierarchy of intermediate ends. It takes the technological problem of converting ultimate means into intermediate means and the ethical problem of ranking intermediate ends with reference to an Ultimate End as solved. All economics has to do, then, is efficiently allocate given means among a given hierarchy of ends. In neglecting the Ultimate End and ethics, economics has been too materialistic; in neglecting ultimate physical means and technology, it has not been materialistic enough.

Ultimate political economy (stewardship) is the total problem of using ultimate means to best serve the Ultimate End, no longer taking technology and ethics as given, but as steps in the total problem to be solved. The overall problem is too large to be tackled without breaking it down into its pieces. But without a vision of the total problem, the pieces do not fit together.

The dark base of the pyramid represents the relatively solid and consensual knowledge of various sources of low-entropy matter-energy. The light apex of the pyramid represents the fact that our knowledge of the Ultimate End is uncertain and not nearly as consensual as physics. The single apex will annoy pluralists who think that there are many “ultimate ends.” Grammatically and logically, however, “ultimate” requires the singular. Yet there is certainly room for more than one perception of the nature of the singular Ultimate End, and much need for tolerance and patience in reasoning together about it.

The Ultimate End, whatever it may be, cannot be growth. A better starting point for reasoning together is John Ruskin’s aphorism that “there is no wealth but life.” How might that insight be restated as an economic policy goal? I would suggest the following: maximizing the cumulative number of lives ever to be lived over time at a level of per capita wealth sufficient for a good life. This leaves open the traditional ethical question of what is a good life, while conditioning its answer to the realities of ecology and the economics of sufficiency. At a minimum, it seems a more reasonable approximation than the current impossible goal of “ever more things for ever more people forever.”

This essay has been adapted from a speech delivered on the occasion of the Blue Planet Prize, Tokyo, November 2014.

Endnotes
1. Dieter Helm, The State of Natural Capital: Restoring our Natural Assets (London: UK Natural Capital Committee, 2014).
2. This is despite notable contributions from Nicholas Georgescu-Roegen and Kenneth Boulding. See Nicholas Georgescu-Roegen, The Entropy Law and the Economic Process (Cambridge, MA: Harvard University Press, 1971); Kenneth Boulding, “The Economics of the Coming Spaceship Earth,” in Environmental Quality in a Growing Economy, ed. H. Jarrett (Baltimore: Johns Hopkins University Press, 1966), 3-14.
3. Tim Jackson, Prosperity without Growth: Economics for a Finite Planet (London: Earthscan, 2009), 67–71.
4. As indicated by the GPI (Genuine Progress Indicator) and its forerunner the ISEW (Index of Sustainable Economic Welfare). For an informative survey, see Ida Kubiszewski, Robert Costanza, Carol Franco, Philip Lawn, John Talberth, Tim Jackson, and Camille Aylmer, “Beyond GDP: Measuring and Achieving Global Genuine Progress,” Ecological Economics 93 (September 2013): 57-68.
5. This contradiction is most apparent in the work of acclaimed naturalist and environmentalist Edward O. Wilson, who strongly affirms both materialistic determinism and environmental activism. He recognizes the contradiction and, unable to resolve it, has simply chosen to live with it. See Wendell Berry, Life is a Miracle (An Essay Against Modern Superstition) (Washington, DC: Counterpoint Press, 2000), 26. See also Chapter 23 in Herman Daly, Ecological Economics and Sustainable Development (Cheltenham, UK: Edward Elgar, 2007).
6. John Stuart Mill, Principles of Political Economy IV.VII.I (London, 1848).
7. Capitalists are interested in maximizing absolute profits and therefore seek to minimize absolute costs. If capital is mobile between nations, it will move to the nation with lowest absolute costs. Only if capital is internationally immobile will capitalists bother to compare internal cost ratios of countries and choose to specialize in the domestic products having the lowest relative cost compared to other nations, and to trade that good (in which they have a comparative advantage) for other goods. In other words, comparative advantage is a second-best policy that capitalists will follow only when the first-best policy of following absolute advantage is blocked by international capital immobility. For more on this, see Chapter 18 in Herman Daly and Joshua Farley, Ecological Economics (Washington, DC: Island Press, 2004).