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domingo, 11 de outubro de 2026

No seu pequeno-almoço, comeu um pão de alfarroba? A história do superalimento português votado ao esquecimento

No seu pequeno-almoço de hoje, comeu um pão de alfarroba? Se a resposta foi afirmativa, pertence a um número diminuto - e não crescente - de portugueses que consome e valoriza esta iguaria. A grande ironia é que, enquanto esse pão é comercializado quase como um produto de nicho ou exclusivo, toneladas do mesmo fruto apodrecem pelos campos do nosso país por falta de valorização no mercado nacional.

Quem percorre o barrocal algarvio ou as paisagens secas do Alentejo está habituado à silhueta imponente da alfarrobeira (Ceratonia siliqua). Durante séculos, a alfarroba fez parte do quotidiano rural do Sul de Portugal. Fruto escuro, rijo e de aroma adocicado, foi durante muito tempo visto como uma cultura de subsistência - alimento para os animais de tração, recurso em tempos de escassez e uma modesta fonte de rendimento complementar para as famílias agrícolas.

Contudo, nas últimas décadas, a perceção sobre este fruto sofreu uma transformação radical. A alfarroba passou de "comida de animais" a "ouro negro da agricultura portuguesa". O seu preço por quilo atingiu máximos históricos e a expetativa em redor desta cultura parecia ilimitada. Hoje, porém, assistimos ao colapso dessa ilusão. O mercado ruiu, o preço pago ao produtor desabou e toneladas de alfarroba ficam a apodrecer debaixo das árvores ou acabam utilizadas como simples estrume. Como é que um fruto com um valor nutricional excecional e um potencial económico gigante foi, em tão pouco tempo, votado ao quase esquecimento?

Sob o ponto de vista nutricional, a alfarroba é uma verdadeira preciosidade vegetal e apresenta-se como a alternativa ecológica perfeita ao cacau. A polpa da alfarroba contém entre 40% a 50% de açúcares naturais (frutose, glicose e sacarose), o que permite a sua utilização na doçaria e na panificação sem a necessidade de adicionar açúcares refinados em excesso. Ao contrário do cacau, não contém teobromina nem cafeína, sendo uma opção ideal para crianças, grávidas ou pessoas sensíveis a estimulantes. Além disso, é uma fonte extraordinária de fibra solúvel e insolúvel, auxilia na regulação intestinal e contém elevados níveis de polifenóis antioxidantes, apresentando simultaneamente um teor de gordura naturalmente muito baixo. A juntar a isto, a pegada ecológica da alfarrobeira é incomparavelmente menor que a do cacaueiro, tratando-se de uma árvore extremamente resistente à seca e perfeitamente adaptada ao clima mediterrânico.

Para compreender o colapso do mercado, é preciso desmistificar o valor económico da alfarroba. A grande tragédia deste fruto reside no facto de a indústria nunca ter estado verdadeiramente interessada na sua deliciosa polpa - que representa cerca de 85% a 90% do peso do fruto -, mas sim no seu caroço. As sementes representam apenas uma pequena fração do peso total, mas é delas que se extrai a goma de alfarroba, identificada na indústria alimentar com o código de aditivo E-410. Este ingrediente é um dos espessantes, emulsionantes e estabilizadores naturais mais valiosos do mundo, estando presente numa infinidade de produtos como gelados, molhos, iogurtes, comida para bebés, produtos farmacêuticos e cosméticos. Aqui instala-se a grande ironia: enquanto as multinacionais disputavam o caroço a peso de ouro para garantir o E-410, toneladas de polpa rica em nutrientes ficavam sem destino comercial claro, sendo desvalorizadas ou simplesmente desperdiçadas.

O auge desta instabilidade socioeconómica registou-se no contexto da pandemia de COVID-19. A crise sanitária internacional provocou ruturas graves nas cadeias globais de abastecimento e na logística marítima, levando a indústria agroalimentar a procurar assegurar agressivamente stocks de aditivos e estabilizadores cruciais. Esta escassez conjuntural gerou um pico especulativo no mercado da alfarroba em Portugal, onde o valor pago ao produtor atingiu patamares históricos - superando, em determinados momentos, os 2,50€ a 3,00€ por quilo -, o que motivou corridas à apanha e uma expetativa irrealista sobre a rentabilidade futura do setor.

Contudo, tratou-se de um fenómeno puramente conjuntural e desprovido de sustentabilidade estrutural. Com a normalização das rotas comerciais pós-pandemia, a pressão sobre os stocks de matérias-primas cedeu e a procura industrial regressou a níveis padronizados. Pressionada pelos custos elevados do aditivo E-410 durante a fase de escassez, a própria indústria alimentar reformulou vários dos seus produtos, substituindo a goma de alfarroba por alternativas sintéticas ou hidrocoloides mais económicos, como a goma de guar, a xantana ou amidos modificados. Sem a procura inflacionada pelo E-410, a cotação da alfarroba entrou em queda livre e a margem paga ao produtor desceu para patamares que inviabilizam financeiramente o custo da mão de obra necessária para a apanha manual.

Hoje, a realidade no campo é desalentadora. Em muitas explorações agrícolas do Sul do país, os agricultores optam por nem sequer colher o fruto. A alfarroba fica a apodrecer no chão ou é triturada para servir de fertilizante e estrume para o solo. É o fecho de um ciclo doloroso: um superalimento de valor inestimável reduzido a composto orgânico por incapacidade de valorização do mercado nacional. A história da alfarroba em Portugal é o reflexo de um modelo agrícola e industrial cego ao valor real dos seus recursos. Enquanto continuarmos a olhar para a alfarroba apenas como um fornecedor de aditivos químicos para a indústria transformadora estrangeira, ficaremos sempre reféns das oscilações dos mercados internacionais.

O futuro da alfarroba passa, inevitavelmente, pelo investimento na valorização da polpa: na criação de farinhas de alta qualidade, no desenvolvimento da panificação e doçaria saudável, na indústria de bebidas e na afirmação da alfarroba como uma alternativa ecológica e ética ao cacau. Até lá, continuaremos a assistir ao triste espetáculo de ver o nosso "ouro negro" a decompor-se na terra, à espera que a indústria se lembre, uma vez mais, de como ele é valioso.

segunda-feira, 6 de julho de 2026

Vaga de calor agrava desperdício alimentar e acelera deterioração dos alimentos

Portugal enfrenta uma vaga de temperaturas extremamente elevadas, com o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) a emitir múltiplos avisos meteorológicos devido ao calor intenso. Para além dos impactos na saúde pública e no quotidiano das populações, as temperaturas extremas trazem consigo um desafio crítico de sustentabilidade e gestão económica: a aceleração drástica do desperdício alimentar.

Esta aceleração é validada cientificamente através do Princípio Q10, que demonstra que um aumento de apenas 10°C na temperatura ambiente pode duplicar ou até triplicar a velocidade das reações químicas e biológicas responsáveis pela deterioração dos alimentos.

O fenómeno agrava o panorama nacional num período em que, de acordo com o relatório oficial do Parlamento Europeu sobre o Desperdício Alimentar, cada português desperdiça cerca de 184 kg de alimentos por ano – o que posiciona Portugal como o quarto país da União Europeia com maior quebra alimentar por habitante, estimando-se um total anual de 1,9 milhões de toneladas de comida desperdiçada no país.

Esta pressão estrutural intensifica-se consideravelmente durante a época estival. De acordo com o histórico de dados de consumo da Too Good To Go, 28% dos consumidores portugueses admitem desperdiçar uma maior quantidade de alimentos durante os meses de verão, sendo a fruta (48%) a categoria de produto mais afetada, seguida de perto pelos legumes e pelos produtos lácteo, devido ao seu menor tempo de vida útil sob temperaturas elevadas.

“As temperaturas extremas exigem uma adaptação rigorosa nos nossos hábitos de conservação”, afirma Maria Tolentino, Country Manager da Too Good To Go em Portugal. “Num contexto de pressão económica sobre o orçamento das famílias, o desperdício de alimentos devido ao calor representa um prejuízo duplo: o custo financeiro do produto que se estragou e o desperdício da energia elétrica que o equipamento de refrigeração consumiu, em sobre-esforço, para tentar conservar esse mesmo alimento. É fundamental adotarmos medidas preventivas imediatas, recorrendo tanto a pequenos gestos diários na cozinha como ao suporte da tecnologia, para mitigar este impacto antes que o desperdício aconteça.”

 Para apoiar os consumidores na mitigação do impacto das altas temperaturas, a Too Good To Go reuniu um conjunto de orientações e dicas:

  1. Avaliação sensorial dos produtos (Observar, Cheirar, Provar): o calor pode fazer com que laticínios ou sumos sofram alterações físicas ligeiras perto do fim do seu prazo de validade. Antes de descartar um produto com a indicação de “Consumir de preferência antes de” ultrapassada, a Too Good To Go recomenda a utilização dos sentidos para verificar se o alimento está realmente impróprio para consumo;
  2. Eficiência do equipamento de refrigeração: os frigoríficos operam em sobre-esforço com temperaturas externas elevadas. Para evitar falhas técnicas ou consumo excessivo de energia, não deve sobrecarregar o equipamento (o ar frio necessita de circular livremente) e deve assegurar a limpeza das bobinas traseiras. Garanta que a temperatura se mantém entre os 0°C e os 4°C na zona mais fria.
  3. Isolamento de alimentos produtores de etileno: frutas como bananas, maçãs e tomates libertam gás etileno, um componente natural que funciona como catalisador e acelera a maturação dos vegetais circundantes. Durante uma vaga de calor, separe estes alimentos dos restantes e armazene as frutas de verão na gaveta inferior do frigorífico para retardar o processo de desidratação e amadurecimento acelerado;
  4. Utilização de cortiça para controlo de humidade: a colocação de uma ou duas rolhas de cortiça (cortadas longitudinalmente) no interior da fruteira ajuda a absorver o excesso de humidade ambiente. Esta medida reduz significativamente a proliferação de bolor nas frutas mais sensíveis;
  5. Preparação de refeições frias (Gaspacho): Tomates e pimentos que tenham amolecido devido ao calor acumulam uma maior concentração de açúcares naturais. Este é o momento ideal para os processar a frio com azeite e alho, resultando numa refeição hidratante e com aproveitamento total da matéria-prima;
  6. Congelação e confeção de gelados caseiros: caso verifique que as bananas estão a amadurecer demasiado rápido, corte-as em rodelas e armazene-as no congelador. Posteriormente, podem ser trituradas para a criação de um gelado natural instantâneo (nice cream), sem adição de açúcares;
  7. Bebidas aromatizadas com excedentes de fruta: morangos ou fatias de pepino que apresentem sinais de desidratação pelo calor podem ser integrados num jarro com água fria e gelo, constituindo uma opção de hidratação refrescante e de desperdício zero;
  8. Armazenamento em suportes ventilados: evite recipientes fechados para produtos frescos. Os ventilados permitem a circulação contínua do ar, impedindo a criação de bolsas de calor e humidade entre os alimentos.
O papel da tecnologia na gestão do retalho nacional
As temperaturas elevadas não afetam apenas as cozinhas dos consumidores; representam também um desafio severo para a gestão de stocks em supermercados, padarias, restaurantes e mercearias, onde a quebra de produtos frescos tende a registar um aumento linear nos dias de maior calor.

A Too Good To Go, empresa de impacto social responsável pela maior aplicação do mundo para salvar alimentos e combater o desperdício alimentar, posiciona-se aqui como uma ferramenta de resposta rápida para o tecido empresarial. Atualmente, a comunidade da plataforma em Portugal já conta com mais de 2,7 milhões de utilizadores, que em conjunto com uma rede de mais de 5.500 parceiros já salvaram mais de 7,7 milhões de refeições (Suprise Bags) — o que evitou diretamente a destruição de mais de 7.700 toneladas de comida em perfeitas condições de consumo.

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1.Será que a Too Good To Go compensa? Testámos em supermercados e padarias, fizemos as contas... e temos respostas

sexta-feira, 22 de maio de 2026

Climate Extremes - Agriculture (Extremos Climáticos - Agricultura)


De onde vem a sua alimentação?
Como é que os alimentos de todo o mundo chegam à sua mesa?
Como são os sistemas alimentares globais afectados pelas alterações climáticas?
Aprenda sobre o sistema alimentar global e as suas complexas relações com as alterações climáticas com cientistas de renome e executivos do agronegócio!

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Legendas disponíveis em: inglês, francês, italiano, alemão, espanhol, turco, português, português do Brasil, chinês e russo.

Porque é que a produtividade agrícola está a diminuir com o aquecimento global?
O sistema alimentar global é a maior fonte de emissão de gases com efeito de estufa. Por isso, fazer alterações no sistema alimentar pode ser a nossa principal ferramenta para combater as alterações climáticas.
Ao mesmo tempo, a agricultura global é uma das áreas mais vulneráveis ​​às alterações climáticas. A perda de produtividade agrícola significa menos disponibilidade de alimentos para a humanidade.
O futuro do nosso planeta depende da forma como lidamos com estes desafios agrícolas.

"Extremos Climáticos: Agricultura" explora estas questões, apresentando perspetivas de especialistas, investigação científica recente e desenvolvimentos tecnológicos.

O filme conta com informações de cientistas e especialistas pioneiros, incluindo Johan Rockstrom, Daniel Swain, Shely Aronov, Paul Behrens, Matthias Berninger, Benjamin Bodirsky, Sir Charles Godfray, Monika Zurek e Jamie Basillie, de instituições como o Instituto Potsdam para a Investigação do Impacto Climático, a Escola Oxford Martin da Universidade de Oxford, a Bayer AG, a Universidade da Califórnia (Agricultura e Recursos Naturais), a InnerPlant e a Hedgehog Foods.

O documentário intitulado "Climate Extremes: Agriculture" aborda a profunda e complexa relação entre as alterações climáticas e o sistema alimentar global, explorando como o aumento das temperaturas e os eventos climáticos extremos, como secas e cheias, estão a prejudicar a produtividade agrícola mundial e a ameaçar a segurança alimentar. No que diz respeito aos principais temas abordados, a obra divide-se na análise dos impactos, das vulnerabilidades e do mosaico de soluções necessárias para o futuro.

No âmbito do impacto da agricultura no planeta, o documentário evidencia que o sistema alimentar atual é responsável por cerca de um terço das emissões globais de gases com efeito de estufa, sendo o principal motor por trás do desrespeito pelas fronteiras planetárias, como a perda de biodiversidade e o consumo excessivo de água potável. Adicionalmente, analisa-se a vulnerabilidade das monoculturas, demonstrando que a falta de diversidade genética nas colheitas modernas torna o sistema frágil perante pragas e doenças, que se propagam mais rapidamente com o aquecimento global. Outro ponto crítico discutido é o risco de falhas simultâneas nos celeiros do mundo, alertando para o perigo real de secas ou ondas de calor atingirem simultaneamente várias das regiões produtoras de alimentos mais importantes do planeta, como os Estados Unidos e o Brasil, o que inviabilizaria o comércio internacional para compensar a escassez.

Como resposta a estes desafios, o documentário apresenta um mosaico de soluções que combina práticas ancestrais e alta tecnologia. Entre elas, destaca-se a agricultura de conservação, que propõe abandonar o arado tradicional e adotar o plantio direto para manter o carbono e a humidade no solo. Sugere-se também uma mudança na dieta através do flexitarianismo, reduzindo o consumo de carne industrializada e de derivados de ruminantes para libertar vastas áreas de terra para a conservação e diminuir as emissões de metano. A bio-revolução e a inteligência artificial surgem como ferramentas essenciais para compreender proteínas, acelerar o melhoramento genético de sementes mais resilientes e criar plantas que emitem sinais óticos quando atacadas por fungos. Por fim, apontam-se as fontes alternativas de proteína, com foco no cultivo de fungos e cogumelos em grande escala, utilizando resíduos agrícolas e quase sem gastar água ou solo.

Relativamente aos painelistas e especialistas presentes, embora o documentário não apresente letreiros com os nomes completos ao longo de todo o vídeo, as intervenções dividem-se de forma clara entre grandes cientistas do sistema terrestre, decisores do setor agrícola corporativo e inovadores tecnológicos. Os cientistas do clima e sistemas terrestres, como Johan Rockström e outros investigadores seniores, lideram a explicação sobre as fronteiras planetárias e os pontos de não retorno (tipping points), como o risco de savanização da Amazónia e a urgência de manter o aquecimento global abaixo dos 1,5 °C. Por sua vez, os representantes da indústria agrícola, nomeadamente da Bayer, discutem o papel do investimento em Investigação e Desenvolvimento (I&D) privado no melhoramento de sementes, a estagnação recente da produtividade devido ao clima e a criação de ferramentas digitais ou seguros para apoiar os pequenos agricultores no Sul Global. A encerrar o painel, os inovadores e empreendedores de biotecnologia, como a equipa da Hedgehog, explicam o desenvolvimento de novas tecnologias agroalimentares, com particular destaque para o cultivo vertical e otimizado de micélio e fungos, capaz de criar proteínas altamente eficientes sem exercer pressão adicional sobre a terra.

A substituição da proteína animal por fungos é apresentada como uma solução essencial para os sistemas alimentares sob pressão climática, focando-se na eficiência biológica deste reino. De acordo com os especialistas do filme, enquanto a pecuária tradicional exige grandes extensões de terra, gera emissões elevadas e é altamente vulnerável a secas e quebras de colheita de ração, os fungos podem ser cultivados em ambientes fechados e controlados, totalmente protegidos de eventos meteorológicos extremos. A grande vantagem está na capacidade do micélio (a estrutura fibrosa dos fungos) de realizar uma bioconversão eficiente, transformando resíduos e subprodutos agrícolas de baixo valor biológico numa proteína altamente nutritiva e rica em fibras, com uma fração minúscula do uso de água e solo exigido pelos animais. Além disso, o documentário detalha que o uso de automação, robótica e inteligência artificial permite otimizar as condições atmosféricas e de substrato para acelerar o crescimento dos fungos, reduzindo drasticamente os custos de produção e tornando esta alternativa economicamente viável para o consumo em massa.

Em relação à autoria e liderança destas iniciativas no documentário, vale a pena notar que o principal porta-voz e especialista responsável por apresentar esta tecnologia específica de quintas robóticas de cogumelos é um investigador e trata-se de Jamie Balsillie, CEO e cofundador da startup de tecnologia climática Hedgehog. É ele o especialista encarregado de explicar como transformar os fungos numa fonte de proteína acessível e de baixo impacto ambiental a partir do reaproveitamento de resíduos. Se estiver a pensar na liderança feminina principal presente no segmento de inovação agrícola desse mesmo documentário, o filme destaca a investigadora e empreendedora Shely Aronov, que é CEO e cofundadora da InnerPlant, uma startup focada em engenharia de sementes que faz com que as plantas emitam sinais óticos detetáveis por satélite quando sofrem de stresse climático.

quinta-feira, 7 de maio de 2026

Portugal esgotou hoje recursos que natureza lhe destinava para o ano inteiro, dois dias mais tarde do que no ano passado


Portugal esgota hoje os recursos naturais que tinha disponíveis para este ano, dois dias mais tarde do que no ano passado, passando a consumir "a crédito", indicam dados da organização internacional "Global Footprint Network".

O dia da sobrecarga, explica a organização, indica que de 01 de janeiro a 07 de maio os portugueses consumiram tantos recursos naturais quantos os diversos ecossistemas da Terra conseguem regenerar ao longo de um ano. A partir de agora os portugueses continuam naturalmente a consumir, mas usam mais recursos, em terra ou no mar, do que teoricamente estariam disponíveis, e emitem mais dióxido de carbono do que a natureza pode absorver.

No ano passado o dia em que o país esgotou os recursos foi a 5 de maio, o que quer dizer que melhorou ligeiramente em sustentabilidade.

A estabilização no consumo de recursos do planeta é notada pela associação ambientalista Zero, que, num comunicado no qual comenta a pegada ecológica do país, refere a ligeira melhoria, comparando com o ano anterior.

Mas ainda assim o país começa a exceder os recursos disponíveis para alimentar o estilo de vida dos portugueses decorridos menos de cinco meses do ano. Tal quer dizer que se cada pessoa na Terra vivesse como uma pessoa média portuguesa, a humanidade exigiria cerca de 2,9 planetas para sustentar as suas necessidades de recursos.

O resultado coloca Portugal na média da União Europeia (UE), que este ano teve o dia de sobrecarga em 03 de maio, uma ligeira melhoria também em relação ao ano passado.

Na UE há países que esgotaram há muito os recursos que tinham para o ano todo. Nas contas da "Global Footprint Network" o consumo do Luxemburgo esgotou os recursos logo no dia 17 de fevereiro.

A nível mundial o pior classificado é o Catar, que esgotou a sua parte a 04 de fevereiro. Do outro lado da tabela estão as Honduras, que só têm o dia de sobrecarga a 27 de novembro.

A pegada ecológica avalia as necessidades humanas de recursos renováveis e serviços essenciais e compara-as com a capacidade da Terra para fornecer tais recursos e serviços (biocapacidade).

A 05 de junho, Dia Mundial do Ambiente, a "Global Footprint Network" anuncia o "Earth Overshoot Day" de 2026, o momento em que a necessidade de recursos e serviços ambientais por parte da Humanidade excede a capacidade da Terra para regenerar esses mesmos recursos.

Em 2025 a humanidade esgotou os recursos desse ano no dia 24 de julho, uma semana mais cedo do que em 2024, 01 de agosto.

domingo, 18 de maio de 2025

Carolyn Steel - Desafios da Sitopia para alimentação nas grandes cidades hoje


E se o caminho para transformar o planeta e torná-lo sustentável dependesse de algo tão cotidiano e de primeira necessidade como a comida? Este é o argumento defendido pela arquiteta, professora e escritora britânica Carolyn Steel, em seu livro Sitopía (Capitán Swing, 2022).

Sitopia é um termo inventado por Steel a partir das palavras gregas sitos (alimento) e topos (lugar), e significa, literalmente, lugar de alimentos. Com isso, pretendia dar um nome à nossa sociedade, um mundo conformado pela comida.

Steel reflete sobre como a forma como nos alimentamos moldou nossas cidades. Conforme os mercados tradicionais vão desaparecendo e o valor que atribuímos à comida é cada vez menor, também vamos perdendo a coesão social, a saúde e até a nossa própria identidade cultural. Por dependermos de alimentos cada vez mais baratos e produzidos de modo intensivo, entramos em um modo de vida menos sustentável. Ainda temos tempo para mudar?

A entrevista é de Mariángeles García, publicada por Yorokobu, 22-03-2023. A tradução é do Cepat.
Eis a entrevista.

A filosofia está muito presente em seu livro. O fato desta disciplina estar desaparecendo dos planos de estudo (ao menos na Espanha) nos torna, como cidadãos, mais vulneráveis a ideologias que nos desumanizam?
Sim! De fato, acredito que estamos perdendo a capacidade de pensar por nós mesmos e de nos fazer grandes perguntas, o que realmente me preocupa. Penso que a internet criou uma espécie de supermercado das ideias, no qual as pessoas vão às compras até encontrar conceitos pré-fabricados que as atraem. Então, elas os adotam por atacado, como se tivessem sido pensados por elas próprias.

Isto me preocupa muito, porque essas ideias, muitas vezes, tornam-se ideologias irremovíveis. Também nos expõe a acreditar em teorias da conspiração e a ser incapazes de examinar o que realmente pensamos desde a base e, portanto, de estabelecer um debate fundamentado. Como vimos com a recente invação ao Capitólio dos Estados Unidos e agora ao Congresso brasileiro, este fenômeno ameaça a própria democracia.

Qual é a relação entre filosofia e alimentação, e como isso afeta nossa cultura alimentar?
Bem, existem poucos atos tão significativos como o de comer: levanta questões muito profundas como o que é a vida, o que significa compartilhar com justiça, qual é a nossa relação com a natureza e como é uma boa vida.

Por exemplo, só pelo fato de comer, nós nos autorizamos a considerar nossa vida mais importante do que a de, por exemplo, um frango ou uma batata. Mais do que isso, penso que ver o mundo pelo prisma da comida pode nos ajudar a nos tornarmos filósofos, o que significa que pode nos habilitar a fazer grandes e importantes perguntas. E isso, conforme eu dizia antes, é extremamente importante. De fato, se eu tivesse que redesenhar o plano de estudos, colocaria a alimentação e a filosofia entre as disciplinas mais importantes.

Por isso, inventei a palavra sitopia, porque vivemos em um mundo moldado pela comida. Sendo assim, pensar a partir dela pode nos ajudar a olhar ao nosso redor, questionar nosso lugar no mundo e voltar a nos fazer essas grandes perguntas.

O urbanismo das cidades costumava gravitar em torno de seus mercados: eram os centros de reuniões sociais e quase políticas. Como o urbanismo mudou, desde que a nossa alimentação piorou?
O mercado era o centro da cidade pré-industrial, não só fisicamente, mas social, econômica, simbólica e politicamente. Antes que a industrialização destruísse a o vínculo geográfico entre os alimentos e as cidades, os mercados eram os únicos lugares onde as pessoas podiam comprar alimentos frescos, então, todos recorriam a eles, não só para comprar comida, mas para uma socialização, para saber das últimas notícias e tagarelar.

Basta ler as descrições da ágora ateniense, os relatos de Zola sobre Les Halles, em Paris, e os de Samuel Pepys sobre Covent Garden para perceber como esses espaços públicos eram vibrantes. De fato, os supermercados foram projetados especificamente para eliminar os encontros sociais que outrora caracterizavam os mercados, o que significa uma grande perda.

O que essas mudanças implicam?
Como arquiteta, tenho muito interesse na importância da esfera pública, ou seja, a presença de um espaço aberto, inclusivo e heterogêneo no qual se é livre para atuar e se encontrar face a face com seus concidadãos. De fato, isso está diretamente relacionado ao debate anterior, sobre como as pessoas estão perdendo a capacidade de debater e pensar por si mesmas, porque grande parte dessa atividade agora é realizada on-line. E isto está longe de ser um verdadeiro espaço público, já que, como sabemos, é muito manipulado.

As implicações são enormes, uma vez que limitam nossa experiência do outro e nossas oportunidades de sentir o que temos em comum (apesar de nossas diferenças). E, por sua vez, ameaça nosso compromisso político e, de fato, nossa capacidade de participar como cidadãos em uma democracia que funcione.

Qual é a primeira coisa que você faz quando viaja para uma nova cidade? 
No meu caso, e penso que no de muitos de nós, é procurar pela comida local e tradicional, seja em mercados, comércios locais, cafés e restaurantes. É de longe a maneira mais rápida (e prazerosa!) de entender o que faz um lugar funcionar, como as pessoas se relacionam, como são a paisagem e a cultura local.

Uma cidade como Barcelona, por exemplo, que protege e investe em seus mercados e promulga leis para protegê-los do desenvolvimento dos supermercados, seria uma dessas cidades. E, claro, muitas cidades do sul permanecem organizadas de forma espetacular em torno de suas culturas alimentares tradicionais, porque a marcha inexorável do McDonald's et al ainda não as alcançou.

Penso que a mensagem mais poderosa que podemos enviar a esses lugares é que, a todo custo, se apeguem a suas culturas alimentares locais: uma vez perdidas, é muito difícil recuperá-las (como qualquer pessoa no Reino Unido pode dizer!) e delas depende, em grande medida, a coesão social e política de um povo.

quarta-feira, 12 de junho de 2024

Documentário: Antes que vire lixo


Na cidade de São Paulo, uma das mais influentes do Brasil, duas realidades contraditórias dividem o mesmo cenário, mas nem sempre são captadas pelo nosso olhar. 

Foi depois de cruzar a porta de um restaurante (onde um pedido chegou errado à mesa e a porção inteira de comida foi jogada fora) e se deparar com pessoas implorando por um pedaço de pão que a ideia do 'Antes que vire lixo' surgiu.
 
Neste documentário jornalístico mostramos algumas ações realizadas na cidade de São Paulo para tentar reduzir o desperdício de alimentos dos restaurantes, supermercados e feiras livres. 

Bora conferir? Produzida, gravada e editada por Beatriz Albertoni, Giulia Vidale e Paula Forster, a obra é resultado do nosso Trabalho de Conclusão de Curso de Jornalismo da Faculdade Cásper Líbero (2016).

domingo, 12 de maio de 2024

Sobras têm valor



Onde coloco as saquetas de chá e de café usadas?

Opção 1 – No lixo comum
Opção 2 – No contentor amarelo das embalagens
Opção 3 – No contentor castanho das sobras alimentares

Se respondeu a opção 3 está correto! Mas apenas as saquetas de papel com as borras de chá ou café, pois são biodegradáveis. Só assim as suas sobras têm valor.
Em resumo: no contentor castanho deve colocar apenas sobras alimentares e alimentos impróprios para consumo. Evite sacos e resíduos de plástico e despeje as sobras diretamente no contentor mais próximo da sua casa.

✅ O que Colocar:
🥖 Sobras de pão, bolos, bolachas
🥑 Legumes, frutas
🐟 Carne, peixe (confecionados ou não)
🥚 Cascas de ovos, borras de café, saquetas de chá
🤧 Guardanapos e toalhas de papel

🍎 Separe corretamente! Reduza o desperdício, economize recursos e participe!

quarta-feira, 27 de março de 2024

Um quinto dos alimentos produzidos pelo mundo em 2022 foi desperdiçado


O mundo desperdiçou cerca de um quinto dos alimentos produzidos globalmente em 2022, ou seja, 1.050 milhões de toneladas de comida, avançou hoje um relatório das Nações Unidas, referindo que 60% deste desperdício foi feito por famílias.

De acordo com o Relatório do Índice de Desperdício Alimentar do Programa das Nações Unidas para o Ambiente (PNUMA), cada pessoa desperdiçou 79 quilos de alimentos naquele ano.

O número significa que, do total de alimentos desperdiçados, 60% (631 milhões de toneladas) provieram de famílias, enquanto 28% foram da responsabilidade de serviços alimentares e 12% do retalho, sublinhou o documento hoje divulgado.

“Num ano em que um terço da humanidade enfrentou insegurança alimentar, cada lar deitou fora o equivalente a mil milhões de refeições por dia, ou seja, 1,3 refeições diárias para pessoas afetadas pela fome no mundo”, apontou a análise.

O desperdício alimentar, alerta o PNUMA, gera entre 8% e 10% das emissões globais de gases com efeito de estufa, o que é quase cinco vezes mais do que as emissões totais do setor da aviação.

A situação continua a prejudicar a economia global e a alimentar as alterações climáticas, além de representar um grave prejuízo para a natureza e um aumento da poluição.

“O desperdício alimentar é uma tragédia global. Milhões de pessoas passam fome devido ao desperdício alimentar em todo o mundo”, afirmou a diretora-executiva do PNUMA, Inger Andersen, na apresentação do relatório.

Um problema que, lembram os investigadores, não é apenas dos países ricos.

“É um problema global”, defendeu o coautor do relatório e diretor da organização britânica de resíduos WRAP, Richard Swannel.

Os autores do relatório garantiram que as diferenças no desperdício alimentar ‘per capita’ dos agregados familiares entre países de rendimento elevado e países de rendimento mais baixo eram surpreendentemente pequenas.

“Os dados são realmente claros neste ponto: este é um problema mundial que todos nós poderíamos resolver amanhã, seja para poupar dinheiro ou para reduzir o impacto ambiental”, sublinhou ainda Swannel.

A análise das Nações Unidas, publicada numa altura em que as crises alimentares se aprofundam em várias regiões, como na Faixa de Gaza ou Sudão, visa acompanhar o progresso dos países para atingir o objetivo de reduzir para metade o desperdício alimentar até 2030.

De acordo com os investigadores, atualmente apenas quatro países do G20 (as 20 economias mais ricas e emergentes) – Austrália, Japão, Reino Unido e Estados Unidos, além da União Europeia (UE) – têm possibilidade de cumprir o objetivo até daqui a seis anos.

No último relatório publicado, referente a 2021, o PNUMA concluía que se tinha desperdiçado 17% dos alimentos produzidos nesse ano em todo o mundo, ou seja, 1.030 milhões de toneladas de comida.

No entanto, os autores do estudo alertaram que as comparações não devem ser feitas diretamente entre valores dos dois anos, já que o número de países que reportaram dados quase duplicou.

quinta-feira, 6 de abril de 2023

7 dicas para uma Páscoa mais sustentável


Se as amêndoas e os ovos de chocolate não podem faltar, também a reciclagem e o cuidado com o ambiente não devem ficar de parte.

Conheça algumas das dicas para uma Páscoa mais sustentável.

-Já que a data sugere consumo, principalmente de chocolate, o primeiro passo passa por evitar o desperdício.

-Dê preferência, se possível, a chocolates biológicos. São uma alternativa ao tradicional chocolate de leite e existem várias lojas online onde pode encomendar.

-Fuja das embalagens cheias de fitas e papéis celofane, optando pelas mais simples.

– Com chocolate, coloridas, francesas, caramelizadas, napolitanas. Páscoa sem amêndoas não é a mesma coisa. As opções são imensas e, além da amêndoa, todas têm algo em comum: a embalagem de plástico. Normalmente são empacotadas em saquinhos de plástico e, quando terminarem, não se esqueça que o destino é o ecoponto amarelo.

– Outro doce que já é habitual ver na Páscoa são os ovos de chocolate. Se na sua família existe a tradição da caça aos ovos da Páscoa, um dia não são dias e delicie-se com esta guloseima, mas não se esqueça: muitos dos ovos vêm embrulhados em papel metalizado e não se deixe enganar pelo nome, pois os resíduos de alumínio devem ser depositados no ecoponto amarelo. Caso o invólucro seja de plástico, também é o mesmo destino: ecoponto amarelo.

– Os ovos convencionais fazem também parte da mesa e estão na lista de ingredientes do doce típico da Páscoa, o folar. Terminados os ovos, a caixa deve ser colocada no ecoponto azul.

– E por falar em folar, o doce tradicional da Páscoa, lembre-se que o saco da farinha e do açúcar devem ser depositados no ecoponto azul. Quanto ao pacote do leite, esse deve ser colocado no ecoponto amarelo. Terminada a iguaria da época pascal, o papel onde o folar é servido deve ir também para o ecoponto azul.

quinta-feira, 23 de março de 2023

É possível boicotar supermercados? Eles tentam todos os dias, mas não é fácil

Enquanto conversam sobre música e futebol, João Mendes faz as compras da semana ao Sr. José, do Pomar Coutinho. Começou a visitar com mais frequência o pequeno supermercado local, no centro da Trofa, há seis anos, quando decidiu evitar ao máximo entrar em grandes cadeias de supermercados.


Reportagem Público
O copywriter freelancer de 38 anos virou as costas quando se apercebeu que “os legumes e a fruta que comprava nas grandes superfícies duravam pouquíssimo tempo” em comparação com os produtos que chegavam de familiares e amigos que tinham hortas. Pouco depois, reparou que no minimercado da sua rua os preços estavam muito abaixo do que via no hipermercado onde costumava comprar. Produto a produto, foi fazendo comparações e reparou que lhe compensava mais comprar no pequeno comércio.

João não é único a trocar as grandes superfícies, empurrado pelo que classifica de “preços e lucros excessivos”. Outros apontam como razões a preocupação com a sustentabilidade ambiental ou com a sobrevivência dos negócios locais. E há quem questione se um boicote generalizado, mesmo sabendo o quão difícil é mudar rotinas e encontrar alternativas equiparáveis, ajudaria a baixar os preços galopantes e a passar uma mensagem de descontentamento perante irregularidades detectadas pela ASAE e denunciadas por consumidores.

“Existe sempre um produto que me obriga a voltar”

Hoje, 90% das compras de João são feitas entre o Pomar de José Coutinho, o mercado semanal da Trofa e um talho que fica a dois minutos de casa. No entanto, por vezes, ainda se vê obrigado a ir comprar aos grandes: “Existe sempre um produto mais complexo que me obriga a ir a uma grande superfície como um creme, umas bolachas que o meu filho quer muito, uma garrafa de vinho e pouco mais.”

Quando começou a comprar mais regularmente no minimercado da sua rua, João Mendes decidiu comparar o preço de vários produtos com os praticados numa grande cadeia de hipermercados de um grupo nacional.

A primeira diferença que encontrou foi no café. A mesma caixa de quarenta cápsulas era 2,39 euros mais barata no minimercado. Mas rápido percebeu que gastava menos em muitos outros produtos. Em alguns casos, como o do gel de banho, o preço caiu para metade (menos 119%, calculou).

Ana Machado, 35 anos, gerente de um estúdio de fotografia no Porto, já há algumas semanas que evita por princípio fazer compras em grandes superfícies. Costumava visitar o supermercado três vezes por semana, agora vai duas a três por mês: “Neste momento, incomoda-me gastar dinheiro num supermercado. Do ponto de vista ideológico também já não se aceita. Não se justifica.”

A preocupação em ser mais sustentável também levou Stefanie Silva a reduzir as idas aos supermercados. Sendo vegetariana, a enfermeira de Viseu diz que não compra quase nenhuma da comida que consome em grandes superfícies. Porém, não vive sozinha. Normalmente, recorre a hipermercados para comprar comida para os animais, “alimentos processados” e outros que a granel sejam mais difíceis de encontrar.

A viver longe do centro da cidade, reconhece que nem sempre é fácil fazer as compras em locais mais sustentáveis. ​“Procurando ser sustentável a todos os níveis, tenho de me organizar quando me desloco ao centro da cidade para fazer tudo aquilo que preciso. Organizar muito bem, não só as compras mas também a deslocação”, diz.

Há mais de 30 anos que os alimentos não eram tão caros

Rosa Silva, trabalhadora independente de 55 anos, costumava fazer as compras sempre no mesmo hipermercado. No final de 2022, quando a subida dos preços se tornou “um abuso”, procurou alternativas. Agora, opta por mercados locais (onde, diz, a especulação também existe) e mercearias.

“Eu sou muito básica nas compras, não me estico muito. São sempre as mesmas coisas há anos e sou fiel às mesmas marcas. Portanto, há aqui um referencial muito claro quando as coisas aumentam de uma forma absurda”, conta. A título de exemplo, refere o caso da manteiga dos Açores, que costumava usar: “Passou de 1,69 euros para 2,30.”

Nos mercados, os preços nem sempre são mais baixos. Rosa Silva, costuma dirigir-se ao mercado de São João da Madeira e já percebeu que os preços flutuam ao longo do dia. Com o contacto certo, porém, pode-se poupar: “Sei que os preços são mais caros durante o dia. Mas já encontrei, ao ir às sete da manhã, a pessoa certa que tem produtos muito mais baratos, bons e frescos.”

Desde que começou a comprar mais fora de supermercados, Ana Machado já reparou que gasta menos: “Este mês nem gastei o plafond todo do cartão de alimentação.”

quarta-feira, 21 de dezembro de 2022

12 ideias para um Natal mais sustentável


O Portal da Construção Sustentável enumerou 12 ideias para um Natal mais Sustentável. Um conjunto de sugestões “fáceis de implementar e que poderão fazer a diferença, se aplicadas pelas famílias portuguesas”!

Presentes

Qualidade e não quantidade.
Ao dar um presente, pense na qualidade e não quantidade. Muitas pessoas nesta época admitem ter recebido presentes que não queriam e que nem lhes faziam falta. É melhor dar menos, mas útil, reduzindo as hipóteses de serem presentes desperdiçados, além disso, é melhor para a sua carteira e para o ambiente.

Materiais mais sustentáveis
Esteja atento aos materiais com que são fabricados os presentes que pretende oferecer. Tenha em mente a sustentabilidade. Garanta que os presentes em madeira e papel são feitos de materiais reciclados ou certificados. Evite artigos plásticos únicos que não possam ser reciclados. Por exemplo, a compra de artigos em segunda mão, são uma boa opção. Roupas vintage e mobiliário doméstico, podem ser bons presentes.

Não aos presentes físicos.
Um ótimo presente de Natal pode ser oferecer uma experiência aos seus entes queridos. Um bilhete para uma exposição, teatro, espetáculo, concerto ou até cinema. Vai reduzir a procura de recursos físicos e a pegada natalícia. Pode também oferecer uma reserva num restaurante ou dar um cartão de oferta, para que a pessoa o gaste no que realmente lhe faz falta.

Embrulhos reciclados
Hoje em dia as lojas optam por não fazer embrulhos de Natal, e bem. Faça-os você mesmo, utilizando papel reciclado ou reutilizando embalagens anteriores. Evite o plástico sempre que possível e não se esqueça dos sacos reutilizáveis, quando levar as suas compras para casa.

Ajudar uma ONG
Pode também dar um presente para um futuro melhor: se ainda não sabe o que oferecer – porque não apoiar o trabalho de uma ONG de ambiente, ou ajuda de sem abrigos ou de animais, por exemplo. Um donativo a uma destas organizações é um presente a pensar no bem comum: o nosso planeta.

Ceia

Não ao desperdício alimentar
Sabia que a produção alimentar é a maior causa do avanço da desflorestação? Tente cortar qualquer desperdício planeando com antecedência as refeições – seja realista quanto à quantidade de alimentos de que precisa e utilize os restos. A típica “roupa velha” cozinhada com as sobras do jantar de Natal é uma ótima refeição! Faça os doces típicos de Natal, apresentando-os em pratos individuais e não em travessas. Sabendo que cada um come apenas um pouco de cada doce, um prato será suficiente!

Marcas sustentáveis
Conheça as marcas mais sustentáveis. Ao comprar comida, procure produtos portugueses com certificações de sustentabilidade. Torne o seu cesto de compras mais sustentável, comprando produtos sazonais produzidos localmente. Ao fazê-lo, reduz a energia gasta no cultivo de alimentos fora da estação do ano ou na importação de alimentos para Portugal.

Toalha de mesa durável
Evite toalhas de mesa e guardanapos descartáveis. Em vez disso, utilize versões de material que tenham um ciclo de vida mais longo, as toalhas em tecido que já as nossas avós usavam são as ideais.

Privilegiar os vegetais
Comer mais refeições à base de vegetais é bom para o Homem e para o planeta. Sabemos que a produção animal está na base das maiores emissões de gases com efeito de estufa. Neste Natal não esqueça os vegetais e adicione-os às refeições.

Poupe Água e Energia

Controle o consumo de água
Ao preparar a ceia de Natal, como de resto em todos os dias, tenha atenção ao gasto de água. Opte por lavar os legumes de uma só vez, num recipiente ou no lava-loiça com água, tendo o cuidado de não ter a torneira aberta com água a correr. No final da refeição utilize preferencialmente a máquina da loiça, nem que para tal tenha de fazer mais do que uma máquina. A lavagem de loiça à mão tem um gasto bastante superior de água.

Poupe energia em climatização
Tente “inutilizar” divisões que não são necessárias nesta época. Climatize apenas a sala onde se faz a ceia e os quartos de dormir. Todas as restantes divisões não necessitam estar climatizadas, se não as vai utilizar. E opte sempre por sistemas de climatização menos poluentes. Se tem lareira, utilize-a. Se tem outros equipamentos controle os níveis de climatização, para que sejam mais eficientes.

Luzes e árvores de Natal
Use luzes LED na árvore de Natal, elas consomem menos energia e duram mais tempo. Escolha aquelas que só estão acesas durante um período, desligando-se automaticamente durante a noite ou a manhã. E se comprar uma árvore de Natal de plástico, certifique-se de que a vai reutilizar pelo menos 10 anos. Caso contrário, será melhor optar por uma árvore viva de uma floresta sustentável. Esclareça como a poderá eliminar, pois pode eventualmente ser replantada. Se não o fizer aproveite as aparas de madeira para aquecimento.

E para terminar, uma última dica, “volte a ligar-se à natureza. A época festiva convida a um passeio com os amigos ou a família. Tente fazer de uma das suas atividades festivas, um passeio pelo parque com quem mais gosta!
 
Boas Festas. Feliz Eco-Natal!

Steven Chmilar - Light Sower


quinta-feira, 15 de dezembro de 2022

Investigadores reutilizam subproduto do biodiesel em rações para peixes de aquacultura


Uma equipa de investigadores liderada por Ivan Viegas, da Universidade de Coimbra, testou com sucesso uma nova dieta para peixes de aquacultura, reutilizando um subproduto do biodiesel, revelou hoje fonte desta instituição de ensino superior.

Em comunicado, a Universidade de Coimbra (UC) explicou que esta nova dieta para peixes de aquacultura utiliza o glicerol, um subproduto do biodiesel, como ingrediente alternativo, que “pode ajudar a solucionar um dos grandes desafios desta área de negócio”.

Atualmente, as rações comercializadas “são demasiado dispendiosas e, muitas vezes, pouco sustentáveis, já que são produzidas à base de ingredientes de origem animal”.

A equipa, constituída por investigadores portugueses e franceses, é liderada por Ivan Viegas, do Centro de Ecologia Funcional da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC), que sublinhou ser urgente encontrar “ingredientes alternativos cujo conteúdo nutricional e energético, mas também a sua pegada ecológica, garantam uma produção mais rentável, segura, sustentável e resultando num produto final nutritivo”.

“Neste contexto, o desenvolvimento de rações para aquacultura deve apostar no aproveitamento de subprodutos de outras indústrias, com base na reutilização, recuperação e reaproveitamento de nutrientes como postulado no princípio da economia circular”, justificou.

O projeto que, além da Universidade de Coimbra, integra investigadores do Centro Interdisciplinar de Investigação Marinha e Ambiental (CIIMAR) e do Instituto Nacional da Agricultura, Alimentação e Ambiente de França (INRAE), apostou no glicerol, “um subproduto da indústria do biodiesel cujo aumento de produção global levou o glicerol a tornar-se num ingrediente abundante, disponível e atestado como seguro, pelas autoridades europeias para a segurança alimentar, para utilização em rações animais”.

“Com a crise de combustíveis que se avizinha, será até expectável que a produção de biodiesel aumente. Urge, portanto, encontrar utilizações para os seus subprodutos”, afirmou o líder do estudo.

De acordo com Ivan Viegas, o glicerol “é uma molécula que é estrutural para os humanos, presente, por exemplo, nos triglicerídeos”.

“Tem sido utilizado com sucesso como ingrediente alternativo para a suinicultura e avicultura, no entanto, o seu potencial como ingrediente em rações para peixes de aquacultura tem ficado por explorar”, evidenciou.

Para avaliar a fiabilidade, performance e limitações na utilização de rações suplementadas com glicerol, assim como as suas consequências, “foram testadas duas importantes espécies de peixes de viveiro em Portugal: a truta arco-íris e o robalo”.

As dietas experimentais preparadas pelos cientistas, “suplementadas com 2,5% e 5% de glicerol, foram digeridas de forma eficiente por ambas as espécies”, constatou.

As várias análises efetuadas permitiram concluir que “a performance no crescimento [dos peixes] poderá ser afetada na percentagem mais alta, no entanto, uma suplementação intermédia até 2,5% não altera substancialmente a performance e eficácia na utilização metabólica e perfil nutricional do filete”.

Segundo o investigador da UC, tal significa que “há margem para a incorporação do glicerol na dieta destas espécies”.

“Analisámos o fígado das espécies testadas, o principal órgão de regulação de toda a ‘maquinaria metabólica’, e, com a ajuda dos nossos parceiros do INRAE, em França, verificámos não haver alterações da regulação enzimática do metabolismo hepático destes peixes pelo glicerol”, apontou.

O estudo, desenvolvido nos últimos quatro anos, foi financiado pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT) e deu origem a várias publicações científicas.

terça-feira, 27 de setembro de 2022

Carlo Petrini desafia a Amazon: “Pessoal, boicotem-na”


Carlo Petrini revive o impulso que caracterizou o último ano de sua aventura na cúpula do Slow Food no Terra Madre: “se o movimento começasse sua jornada hoje, o inimigo não seria o Mc Donald's, mas a Amazon”. Palavras claras e fortemente contemporâneas com um final mais nostálgico: "Pessoal, vocês têm que prestar atenção na Amazon, é um ato de responsabilidade". Os jovens a quem se dirige são aqueles que estão ao pé do palco de Turim, onde conversa com o presidente da Acri e da Compagnia di San Paolo, Francesco Profumo.

A reportagem é de Luca Ferrua, publicada por La Stampa, 26-09-2022. A tradução é de Luisa Rabolini.

Carlo Petrini e Slow Food, dois elementos indissolúveis para além dos encargos que o guru e fundador do movimento irá desempenhar, marcaram os últimos trinta anos da cultura alimentar mundial e é redutivo falar de gastronomia porque o desafio de Carlin – de San Francisco a Hong Kong até a sua Bra todo mundo o chama assim – diz respeito ao alimento em sua essência: o que antes de tudo nos alimenta, muda nossas vidas, a torna melhor, é fonte de renda e acima de tudo se transforma diariamente em um dos mais poderosos atos políticos que o homem pode realizar: comer.

O ataque à Amazon que Petrini realiza há um ano, a primeira vez que foi lançado em Bra durante o Cheese 2021 a partir do palco “il gusto”, é politicamente necessário e encarna perfeitamente as motivações que impulsionam todo movimento a criar um inimigo. Porque ter um inimigo, como dizia Umberto Eco: “É importante não apenas definir nossa identidade, mas também nos fornecer um obstáculo contra o qual medir nosso sistema de valores e mostrar, ao enfrentá-lo, o nosso valor”.

Quando o Slow Food escolheu um inimigo, não lutou para derrotá-lo, mas para mudá-lo.

A batalha do Slow Food acabou encontrando no “inimigo” Mc Donald's um interlocutor que modificou as estratégias, acrescentou produtos locais, mudou para melhor as contas de algumas DOPs italianas, até tomar um caminho diferente: do verde aos ingredientes. Aonde essa estrada levará, o descobriremos, mas uma mudança está ocorrendo.

A posição da Amazon é diferente, mais dominante. Mas o desafio de Petrini não visa derrubar a criatura de Bezos, porque Carlin não é Dom Quixote de la Mancha, ele visa abrir um diálogo, pretende ligar um farol para todos aqueles que são arrastados pelas lógicas do conforto e do delivery. As vítimas de uma cadeia de fornecimento tão curta que se torna um laço em volta do pescoço para os agricultores e muitos outros.

Aponta-se o dedo para o fato de que a perda de contato entre vendedor e comprador leva à despersonalização e torna muitos produtos iguais. Essa não é a ameaça porque no mundo a primeira motivação para escolher uma viagem é enogastronômica, ligada aos produtores e à experiência que eles podem oferecer. A verdadeira ameaça é o estrangulamento de uma cadeia de produção que não é apenas composta de experiências, mas também de cotidianidades e de grandes números capazes de garantir a sobrevivência, aliás, a sustentabilidade, para usar o termo em seu significado mais completo. Isso é ameaçado pela Amazon, isso quer defender Petrini.

Em um restaurante em Langa, onde se começa a sentir o cheiro da trufa branca de Alba, alguém ontem chamava a atenção que os preciosos fungos subterrâneos agora também podem ser comprados na Amazon e que os catadores estão pensando em se organizar para vender diretamente ao gigante estadunidense. Parece a enésima conquista do colosso de Bezos, mas talvez seja um pedaço da revolução que o mudará por dentro.

Sonhar não custa nada e Petrini mudou algumas partes do mundo à força de sonhar.

quinta-feira, 28 de julho de 2022

Humanidade atingiu hoje o Dia de Sobrecarga da Terra

Pintura ilustrando o planeta Terra em chamas durante a COP26 em Glasgow Jane Barlow - Pa Images


O ‘Overshoot Day’ ocorre quando a pressão humana excede as capacidades regenerativas dos ecossistemas naturais. “Durante os 156 dias restantes [até o final do ano], o nosso consumo de recursos renováveis irá consistir em corroer o ‘capital natural’ do planeta”, alerta Laetitia Mailhes, da Global Footprint Network

Até hoje, a humanidade terá consumido tudo o que o planeta pode produzir num ano sem se esgotar, o que significa que viverá o que resta de 2022 a crédito, alertam duas Organizações Não Governamentais (ONG). Em sentido figurado, seriam necessários 1,75 planetas Terra para suprir as necessidades da população de forma sustentável, segundo um indicador criado por investigadores no início dos anos 1990, que continua a piorar.

Esta data, 28 de julho, corresponde ao momento em que "a humanidade consumiu tudo o que os ecossistemas podem regenerar no espaço de um ano", explicam as ONG Global Footprint Network e WWF. “Durante os 156 dias restantes [até o final do ano], o nosso consumo de recursos renováveis irá consistir em corroer o ‘capital natural’ do planeta”, alerta Laetitia Mailhes, da Global Footprint Network.

Estes dados nem têm em conta as necessidades de outras espécies que vivem na Terra. “Temos também que deixar espaço para o mundo selvagem”, refere.

O ‘Overshoot Day’ (Dia de Sobrecarga da Terra) ocorre quando a pressão humana excede as capacidades regenerativas dos ecossistemas naturais.

Segundo a Global Footprint Network, que monitoriza esta mediação, este indicador tem aumentado ao longo de 50 anos: 29 de dezembro de 1970, 04 de novembro de 1980, 11 de outubro de 1990, 23 de setembro de 2000 e 07 de agosto de 2010.

Em 2020, esta data foi adiada por três semanas, devido ao efeito dos confinamentos motivados pela pandemia de covid-19, antes de regressar aos níveis anteriores.

Esta pegada ecológica é calculada a partir de seis categorias diferentes: agricultura, pastagens, áreas florestais necessárias para produtos florestais, áreas de pesca, áreas construídas e áreas florestais necessárias para absorver o carbono emitido pela combustão de 'combustíveis fósseis' e que está intimamente ligada aos padrões de consumo, principalmente nos países ricos.

Por exemplo, se todos os humanos vivessem como os franceses, o ‘Overshoot Day’ teria ocorrido ainda mais cedo, em 05 de maio de 2022.

O WWF e a Global Footprint Network apontam o dedo em particular para o sistema alimentar.

"O nosso sistema alimentar perdeu a cabeça com o consumo excessivo de recursos naturais, sem atender às necessidades da luta contra a pobreza" por um lado, e por outro uma epidemia de excesso de peso e obesidade, sublinha Pierre Cannet, do WWF França.

As duas ONG destacaram que a pegada ecológica dos alimentos é considerável, sendo que a produção de alimentos mobiliza todas as categorias de pegada, em especial as de cultura (necessárias para a alimentação animal e humana) e de carbono (a agricultura é um setor de alta emissão de gases de efeito estufa).

“No total, mais da metade da biocapacidade do planeta (55%) é usada para alimentar a humanidade”, salientam.

Mais especificamente, "uma grande parte dos alimentos e matérias-primas são utilizados para alimentar os animais e os animais que consumimos posteriormente", detalha ainda Pierre Cannet.

No caso da União Europeia, “63% das terras cultiváveis (...) estão diretamente associadas à produção animal”.

No entanto, a agricultura contribui para a desflorestação, para as alterações climáticas, emitindo gases de efeito estufa, para a perda de biodiversidade e para a degradação dos ecossistemas, enquanto utiliza grande parte da água doce, apontam as ONG.

Com base em recomendações científicas, estas defendem a redução do consumo de carne nos países ricos.

"Se pudéssemos reduzir o consumo de carne para metade, poderíamos adiar em 17 dias a data do Dia de Sobrecarga da Terra”, explica Laetitia Mailhes.

Já limitar o desperdício de alimentos permitiria adiar a data em 13 dias, acrescentou, salientando que um terço dos alimentos é desperdiçado no mundo.

quinta-feira, 9 de junho de 2022

Por uma Rotulagem da Pegada Ecológica para Produtos Alimentares

Repensar a forma como nos alimentamos é crucial para a resolução da crise climática que enfrentamos, a nível coletivo. Em Portugal, de acordo com um estudo da ZERO – Associação Sistema Terrestre Sustentável, em parceria com a Global Footprint Network, precisaríamos de 2,5 planetas Terra se, em média, todas as pessoas no mundo consumissem como os portugueses, e a alimentação é o fator com maior peso na nossa pegada ecológica (32 %), sendo que a mobilidade surge como o segundo fator (18 %).

No entanto, os consumidores não dispõem da informação essencial para poderem tomar decisões mais sustentáveis, no que diz respeito à comida que encontram nas prateleiras dos seus locais de compra.

Se alguém quiser saber se um alimento é mais ou menos amigo do ambiente, ou seja, qual o seu impacto no clima, na biodiversidade, água ou solos, apenas poderá especular.

Uma das muitas linhas de ação do Pacto Ecológico Europeu passa por dar ferramentas aos cidadãos para fazerem escolhas mais conscientes e informadas, em suma, mais sustentáveis. Também do lado dos cidadãos há esta procura de mais informação e clareza. Susana Fonseca, da Associação Ambientalista ZERO, uma das principais peticionárias

Contudo, continua a ser muito difícil navegar no mundo de alegações ambientais que são apresentadas por muitas marcas. O cálculo da pegada ecológica dos produtos pode contribuir para dar clareza às opções disponíveis, sendo fundamental que Portugal não fique para trás e garanta a representatividade dos produtos portugueses neste debate.

A disponibilização desta informação enfrenta um grande obstáculo. É pouco provável que a inserção de informação sobre o impacto ambiental dos alimentos seja feita de forma voluntária pelos produtores de alimentos, dada a dificuldade metodológica e técnica associada ao cálculo da pegada ecológica, e também pela perceção de que isso poderá levar a uma queda no consumo, em alguns casos.

Os subscritores da petição propõem assim a criação de uma Rotulagem da Pegada Ecológica dos Alimentos, tendo em conta a metodologia que está a ser desenvolvida pela Comissão Europeia – pegada ecológica do produto – a ser aplicada em produtos alimentares, e que represente, de forma simples e clara, a respetiva pegada ecológica, evidenciando o impacto ambiental ao nível da produção das matérias- primas, que entram na constituição de um alimento, do eventual processo de fabrico/transformação do produto, do transporte e da consequente eliminação de resíduos.

Esta rotulagem deve ser facilmente compreendida pelo consumidor, independentemente do seu nível de compreensão sobre a temática, e conter detalhes suficientes para o ajudar a realizar uma comparação fácil entre produtos.

De acordo com os promotores, esta mudança no mercado é uma inevitabilidade. Aliás, a Comissão Europeia anunciou que será apresentado um novo quadro legislativo para Sistemas de Alimentos Sustentáveis até final de 2023, e que este contemplará rotulagem dos alimentos relativa ao seu impacto ambiental e nível de sustentabilidade.

O projeto-piloto de rotulagem ambiental da Comissão Europeia, denominado Product Environmental Footprint (PEF), pretende medir o impacto ambiental ao nível da produção das matérias-primas, que entram na constituição de um alimento, do eventual processo de fabrico/transformação do produto, do transporte e da consequente eliminação de resíduos. 

Um estímulo para a economia mais verde

De acordo as organizações envolvidas nesta iniciativa, um consumidor mais informado tenderá a orientar a sua procura para produtos cuja pegada ecológica seja mais reduzida ou neutra, o que deverá impactar de forma positiva toda a cadeia de abastecimento de alimentos, já que irá criar pressão para que as empresas se alinhem com a crise climática e ambiental e sejam mais competitivas nessa dimensão. Assim, esta medida envolve empoderar os consumidores, ao informá-los dos custos climáticos dos alimentos que consomem, encorajando ao mesmo tempo os fabricantes/produtores a reduzir a pegada ecológica da sua produção.

Uma petição que os consumidores podem assinar

Um estudo de 2020 mostrou que 57 % dos consumidores europeus são a favor da existência obrigatória de informações sobre sustentabilidade nos rótulos dos alimentos. E, em Portugal, no II Grande Inquérito da Sustentabilidade, do ICS-UL, apurou-se que 80 % dos portugueses consideram que o governo deveria intervir no sentido de promover hábitos alimentares mais sustentáveis e melhores para a saúde.

Noutros países, já se deram os primeiros passos, sendo exemplos disso o Eco-Score (França), que pontua os produtos até 100, usando um sistema de cores e letras, e o sistema Foundation Earth, projeto piloto europeu, que classifica os produtos de A+ a G, tendo em consideração os fatores de emissão carbónica, uso de água, poluição da água e perda de biodiversidade.

Por cá, os Portugueses já podem também exigir um mercado mais ecológico, que disponibilize a informação essencial à tomada de decisão, mediante uma petição que pode ser assinada aqui.

Fonte: AVP

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2022

Qual a diferença entre veganismo e vegetarianismo?


A principal diferença entre veganos e vegetarianos é que os veganos não consomem nada que tenha origem animal, seja em sua alimentação ou outros produtos, como artigos para higiene, limpeza, vestuário ou remédios. Já o vegetariano não come carne, peixe e aves, mas consome outros produtos de origem animal.

A principal motivação dos veganos e vegetarianos é ética, no entanto, o vegetarianismo também pode ser motivado por questões de saúde e religião.
VeganoVegetariano
AlimentaçãoRejeita qualquer alimento relacionado com animais, como carne, leite, mel, ovos, etc.Não consome peixe, carne e aves.
Produtos lácteos e derivadosNão consome.Pode consumir.
ProdutosNão usa produtos relacionados a animais.Usa produtos relacionados a animais.
O que éPode ser visto como um estilo de vida.É um tipo de dieta.
RazõesA principal razão é a questão ética, pela não exploração animal.Pode ser adotado por questões éticas, alimentares, de saúde ou religião.

O que é ser vegetariano?
É considerado vegetariano o indivíduo que exclui carne, aves e frutos do mar de sua dieta. Porém, existem diferentes tipos de vegetarianismo e alguns também excluem laticínios e ovos.

Os tipos mais comuns de vegetarianos incluem:
Ovo-lacto vegetarianos: vegetarianos que evitam carne de animais, mas consomem laticínios e produtos com ovos.
Lacto-vegetarianos: vegetarianos que evitam carne e ovos, mas consomem produtos lácteos, como leite, queijo, iogurte, manteiga, entre outros.
Ovo-vegetarianos: vegetarianos que evitam todos os produtos de origem animal, porém consomem ovos.

Ainda há a dieta flexitariana, feita por pessoas que estão cortando a ingestão de carne, mas ainda comem em alguns casos. Também é considerado aquele que não come outros tipos de carne, porém consome peixe.

Embora às vezes considerados vegetarianos, os flexitarianos comem carne animal ocasionalmente. Portanto, eles tecnicamente não se enquadram na definição de vegetarianismo.

O que é ser vegano?

O veganismo pode ser visto como a forma mais radical e estrita de vegetarianismo. Mais do que uma dieta, pode ser considerado um estilo de vida, que busca excluir todas as formas de exploração e crueldade animal.

Os veganos, além de não consumirem nenhum tipo de carne, dão um passo adiante eliminando todos os alimentos de origem animal de sua dieta, incluindo leite, mel e ovos.

Além disso, o veganismo não se limita à alimentação. O vegano não utiliza nenhum produto de origem animal, incluindo produtos de higiene, cosméticos, vestuário, medicinas, entre outros.

Razões do vegetarianismo e veganismo

As dietas vegetarianas já existem desde 700 a.C. Suas razões podem ser éticas, mas a dieta também pode ser adotadas por questões de saúde, ambientalismo e religião.

Já a razão para o veganismo é principalmente ética. A motivação é evitar todas as formas de exploração animal e, por isso, além da alimentação, os veganos abrem mão de qualquer produto de origem animal, seja para higiene, medicina, entre outros.

Em termos de ética, os vegetarianos se opõem a matar animais para alimentação, mas consideram aceitável o consumo de subprodutos de origem animal, como leite e ovos. Por outro lado, os veganos acreditam que os animais têm o direito de estar livres do uso humano, seja para alimentos, roupas, ciência ou entretenimento.

Veganos também tendem a evitar circos, zoológicos, rodeios, corridas de cavalos e qualquer atividade envolvendo o uso de animais para entretenimento.