Mostrar mensagens com a etiqueta Teleféricos. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Teleféricos. Mostrar todas as mensagens

quarta-feira, 3 de junho de 2026

‘Indefensible’: Meta unleashes on Anthony Albanese’s journalism levy


Tech behemoth Meta has lashed the Albanese government’s plans to impose a new tax on its Australian revenue to fund journalism, describing it as an “indefensible” regime that will make media companies dependent on government handouts.

In a blog post published overnight, Meta, which owns Facebook, Instagram, WhatsApp and Quest virtual reality products, unleashed its response to the News Bargaining Incentive, a new law attempting to strongarm three of the world’s biggest tech companies – Meta, Google and TikTok – into striking deals funding media outlets.

‘Foreign extortion’
The plan has triggered an angry response from US business lobby groups, which have warned that it falls foul of Australia’s free-trade obligations with the US. The White House described it as “foreign extortion” but, so far, has not stepped in to impose any retaliatory trade measures.

The major Australian media companies, meanwhile, took the rare step of sharing a joint statement in April, warning that without compensation, “journalism becomes unsustainable”. On Wednesday, News Corp Australia chief Michael Miller rejected the notion that the incentive was a tax.

“The government only built this path because Meta refused to sit down at the negotiating table, and again they are flipping the script rather than adhering to Australia’s proposed laws,” he said.

Nine Entertainment chief executive Matt Stanton said it was disingenuous to suggest that following Australian law was blocking investment.

“This initiative would be completely unnecessary if these companies simply adhered to existing Australian law, came to the bargaining table and reached deals for the fair use of our commercial property,” he said.

On Tuesday evening, Albanese backed the importance of the news incentive during a speech at a Parliament House function celebrating 195 years of The Sydney Morning Herald, according to several people who attended the event.

Meta has been a fierce critic of the policy since the beginning, but its rhetoric has escalated as the law comes closer to being introduced. The government wants to legislate the incentive this winter. Meta wrote in its Australian blog that the incentive is a “discriminatory tax built on a false premise”, and said it could remove news from its platforms entirely – as it did in Canada in response to a similar law – and people would use its platforms more.

Its harshest criticism is reserved for the levy being imposed on “consolidated revenue attributed to Australia” – a broad definition that captures its sales of Quest devices and, potentially, Google’s smartphones and other tech products.

“It is broader than digital services taxes, as it is applied on the widest possible revenue base and with no credible connection to news,” Meta wrote.

“The case for extracting revenue from social media services – where publishers voluntarily share news – is not supported by the evidence. Extending that logic to VR headsets and smart glasses is indefensible.”

Meta said it rewarded legacy business models instead of innovation and insulated news publishers from competition. “This is not a plan to save journalism. It is a tax on innovation dressed up as media policy,” it concluded.

“We are vehemently opposed to this legislation. It is discriminatory, economically incoherent, and will not deliver the sustainable news sector that Australian journalists and audiences deserve.”

Google has continued to honour and re-sign its pre-existing commercial deals with Australian media companies, but there are grave fears it would decimate journalist roles if it followed Meta in pulling out.

The policy is playing an active role in the minds of investors. On Tuesday, Macquarie reduced its valuation for Nine from $1.15 to $1.05 a share, ahead of its current price of 92¢, noting the incentive policy could add “an incremental $20 million in annual revenues on high margin”.

Nine owns the Nine Network, streaming platform Stan, out-of-home firm QMS Media and publications including The Australian Financial Review, The Sydney Morning Herald and The Age.

Free TV, the group representing Nine, Southern Cross Media (which owns Network Seven) and Network Ten, has argued in its own submission to Treasury that the scheme is too narrow and should be expanded to include Microsoft and Apple.

It has also called for “robust powers” to be granted to the Tax Commissioner to demand that each tech platform report its Australian revenue. Google and Facebook do not report the full revenue they derive from Australians due to complex resale agreements or because they act as “agents” for low-tax jurisdictions like Singapore or Ireland. The two companies transferred more than $11 billion abroad in 2025.

“Free TV is concerned that there is insufficient power granted to the Taxation Commissioner to investigate whether a platform may exclude Australian-generated gross revenues from its calculations of this amount,” the group wrote.

terça-feira, 2 de dezembro de 2025

Europa: de que forma os professores utilizam a IA na sala de aula e que país a usa mais?

A inteligência artificial (IA) está a tornar-se parte da vida quotidiana. As ferramentas e oportunidades oferecidas pelas principais empresas de IA cresceram rapidamente nos últimos anos. A educação não é exceção. Autoridades, professores ou académicos revelam como os alunos utilizam ferramentas como o ChatGPT para fazer os trabalhos de casa, incluindo ensaios. Ao mesmo tempo, a IA também oferece um apoio valioso aos professores.

Até que ponto os professores estão a utilizar a IA na Europa? Quais são os países mais avançados? E em que áreas os professores mais recorrem à IA?

Segundo o Teaching and Learning International Survey (TALIS) da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE), o uso de IA por professores variou significativamente na Europa em 2024.

Entre 32 países, a percentagem de professores do ensino básico que utilizam a IA varia entre 14% em França e 52% na Albânia em 2024. A média na União Europeia (UE-22) é de 32%, enquanto na OCDE (27 países) é de 36%.

No inquérito, o uso de IA inclui fazer previsões, sugerir decisões ou criar texto. Abrange a utilização da IA no ensino ou para facilitar a aprendizagem dos alunos nos 12 meses anteriores ao inquérito.

Não se verificam padrões regionais fortes, embora, em geral, os países da Europa Ocidental tendam a ter uma menor utilização da IA pelos professores em comparação com os Balcãs Ocidentais e a Europa Oriental.

Além da Albânia, a percentagem de professores que utilizaram IA pelo menos uma vez atingiu dois em cada cinco ou mais em oito países/economias. As suas percentagens foram Malta (46), Chéquia (46), Roménia (46), Polónia (45), Kosovo (43), Macedónia do Norte (42), Noruega (40) e a região flamenga da Bélgica (40).

Os países com menor utilização da IA nas escolas foram a Bulgária (22%), Hungria (23%), a região francófona da Bélgica (23%), Turquia (24%), Itália (25%), Finlândia (27%), Montenegro (28%) e Eslováquia (29%).

Por que razão varia tanto a utilização de IA?
Um porta-voz da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) referiu que os governos adotaram posições políticas diferentes em relação à IA na educação, o que pode influenciar a consciencialização dos professores e o uso da IA na Europa.

"Alguns países foram mais proativos na implementação de estratégias nacionais de IA, que incluem o setor da educação, enquanto outros adotaram uma postura de cautela quanto à IA e ao uso de IA generativa nas salas de aula, estabelecendo regras mais rígidas dependendo da idade dos alunos", disse o porta-voz à Euronews Next.

Ruochen Li, gestor sénior de projetos na OCDE, observou que "as infraestruturas, as restrições tecnológicas, como as firewalls, as atitudes sociais em relação à utilização da tecnologia nas escolas e as políticas que podem incentivar ou desencorajar os professores a utilizar a IA" podem explicar as disparidades entre os países.

"Observamos uma relação forte, ao nível dos países, entre a quantidade de formação oferecida sobre o uso de IA e a sua utilização", disse à Euronews Next.

Ben Hertz e Antoine Bilgin, responsáveis pedagógicos e de investigação na European Schoolnet, salientaram que as grandes diferenças no uso de IA refletem o enquadramento político e a cultura educativa de cada país, com alguns a adotarem uma postura nacional de maior cautela.

"O acesso a apoio prático, como formação e infraestrutura, é também um acelerador crítico. Os dados do TALIS confirmam que, em sistemas com maior utilização de IA, os professores têm maior probabilidade de ter recebido formação profissional sobre o tema", explicaram Hertz e Bilgin à Euronews Next.

Por exemplo, França começou este ano a disponibilizar formação nacional em IA nas escolas públicas, o que ocorreu após a recolha dos dados do TALIS.

"Cautela, regras pouco claras e infraestrutura limitada são fatores que provavelmente explicam uma adoção mais lenta, sobretudo numa área nova e controversa como a IA", acrescentaram.

Motivos possíveis para estas diferenças incluem a existência e qualidade da formação, a carga de trabalho, a escassez de professores, a motivação pessoal e a curiosidade, segundo Martina Di Ridolfo, coordenadora de políticas no Comité Sindical Europeu de Educação (ETUCE).

Para que usam os professores a IA?
Entre os professores que usaram a IA, em média na União Europeia (UE-22), quase dois terços (65%) afirmam que a utilizam para aprender e resumir um tópico de forma eficiente, e 64% recorrem à IA para dar forma a planos de aula ou atividades. Estas duas percentagens mais altas indicam que a IA é usada sobretudo na preparação dos próprios professores.

Outros fins e respetivas percentagens:
  1. Ajudar alunos a praticar novas competências em cenários reais (49%)
  2. Apoiar alunos com necessidades educativas especiais (40%)
  3. Ajustar automaticamente a dificuldade dos materiais segundo as necessidades de aprendizagem dos alunos (39%)
  4. Gerar texto para feedback aos alunos ou comunicações com pais/encarregados de educação (31%)
  5. Analisar dados sobre participação ou desempenho dos alunos (29%)
  6. Avaliar ou classificar trabalhos dos alunos (26%)
Os resultados sugerem que os usos diretos em sala de aula ou voltados para os alunos são menos comuns. Os professores recorrem sobretudo à IA para a sua própria preparação, enquanto para as tarefas de avaliação são menos usadas. Hertz e Bilgin sugerem que muitos professores provavelmente utilizarão a IA sobretudo "nos bastidores", agora e num futuro próximo.

Ruochen, da OCDE, referiu que a IA pode apoiar os professores no trabalho administrativo, libertando tempo e energia para outras tarefas mais relacionadas com o ensino direto.

Que futuro para a IA nas escolas?
Os especialistas concordam que o uso de IA na educação está a crescer de forma constante e continuará a expandir-se. Alertam também que a utilização responsável, diretrizes claras e a consciência das possíveis desvantagens devem fazer parte desse progresso.

Hertz e Bilgin, da European Schoolnet, notaram que, com o tempo, os sistemas de IA poderão interagir mais diretamente com os alunos, por exemplo, propondo atividades personalizadas ou fornecendo feedback em tempo real.

"Mas os professores devem manter-se como o principal interlocutor entre o aluno e a tecnologia, para preservar a sua autonomia, supervisão ética e função de cuidado", disseram.

A UNESCO sublinha o papel central dos professores à medida que o uso de IA na educação se expande.

"As ferramentas de IA devem complementar, não substituir, os professores, e o seu uso deve alinhar-se com padrões éticos e objetivos educativos, preservando a autonomia e privacidade de professores e alunos", afirmou a porta-voz da UNESCO.

Antecipando um crescimento do uso da IA entre professores e alunos, sobretudo com ferramentas generativas, Di Ridolfo salientou outra preocupação: "Face à grave escassez de professores que enfrentamos na Europa, vemos riscos concretos de desqualificação e perda de competências na profissão", disse à Euronews Next.

Chamou ainda a atenção para uma limitação do inquérito da OCDE: os dados nada dizem sobre a frequência desse uso. Não indicam se os professores recorreram à IA regularmente ou se apenas a testaram algumas vezes.

quarta-feira, 28 de setembro de 2022

Baloiços no rio!


Uma praga!
O nosso país está a ser alvo de uma campanha sem precedentes de dispêndio de dinheiros públicos em abusos e abastardamentos da paisagem. As paisagens não pertencem aos autarcas nem ao seu apetite: são património colectivo. Em certos lugares e contextos, alguns passadiços fazem todo o sentido (exemplos: protecção de cordões dunares, acessos a praias, acessos pontuais onde se pretende evitar o pisoteio de espécies, onde não existam trilhos ou caminhos...) - mas o que se anda a fazer de forma indiscriminada e sistemática é vilipendiar os recantos mais sagrados da natureza que devia ficar quieta e sossegada. Arouca deu o (mau) exemplo e agora qualquer autarca de seu nome quer ter igual! E a piroseira não tem limites: desde pontes feitas para ligar nenhures a parte alguma a baloiços pintados de lilás para ser "instagramável" vale tudo para sair nas revistas de "evasão" e de "ar livre". Onde o salto alto puder ir ao encontro da lagartixa, a lagartixa, que tem o direito de estar em paz e sossego, foge. Ou desaparece. O desrespeito pelo ambiente é total e prevalece a "onde criacionista": Afinal,  Deus criou o mundo para o Homem usar e dispor! - (um autarca de Arouca já me respondeu assim) -  e isso legitima tudo. Em nome da "Democratização do acesso à Natureza" se fazem "autoestradas" pedonais aos mais recônditos e sagrados recantos, destroem-se alinhamentos de vegetação ripícola, cortam-se cortinas naturais, para o "turismo natural" poder passar, na sua "caminhada". Sem referir casos conhecidos de corrupção que são originados nestas obras, nem as empresas que os promovem, e que são muito fáceis de identificar, mas optando por ficar apenas pelo que é objectivo .

Saber mais:

segunda-feira, 20 de dezembro de 2021

Petição: É Possível Impedir a Destruição do Geossítio do Paredão


O Curral das Freiras é conhecido pela sua paisagem, uma paisagem que marca a nossa identidade enquanto madeirenses, e que a distingue de muitos outros destinos turísticos. A Freguesia conhecida no exterior pela sua beleza quase intocada e movendo essencialmente turismo externo e interno de natureza, não pode ver destruído o seu bem mais precioso com uma plataforma suspensa que a atravessará de uma ponta a outra e a irá descaracterizar brutalmente. Para ver teleféricos bastará ir a tantos outros destinos que já os têm, mas a marca identitária do Curral das Freiras, apenas existe no Curral das Freiras, um dos espaços naturais mais privilegiados da nossa Região. Este projecto megalómano irá, não só destruir a identidade de um povo, mas destruir também património geológico inestimável que está inventariado pela “Estratégia de Conservação do Património Geológico da Região Autónoma da Madeira”, identificado na Carta de Património e que integra o Plano Director Municipal de Câmara de Lobos, o Miradouro do Paredão. Por isso, o Miradouro do Paredão está classificado como Geossítio.
No dia 3 de Dezembro, o Governo Regional publicou a resolução n.º 1261/2021, dando conta de que o processo de expropriação já está em curso e que, aliás, prevê-se a comparticipação financeira ainda para este ano de 3.419.831,13€. Um valor exorbitante para destruir o que de mais valioso temos.
Os cidadãos abaixo-assinados, vêm assim exigir que o processo de construção do Teleférico do Paredão não vá em frente e que seja preservada a identidade de um povo e de uma Região.

terça-feira, 14 de dezembro de 2021

Movimento lançou petição para impedir a destruição do Geossítio do Paredão


O Curral das Freiras é conhecido pela sua paisagem, uma paisagem que marca a nossa identidade enquanto madeirenses, e que a distingue de muitos outros destinos turísticos. A Freguesia conhecida no exterior pela sua beleza quase intocada e movendo essencialmente turismo externo e interno de natureza, não pode ver destruído o seu bem mais precioso com uma plataforma suspensa que a atravessará de uma ponta a outra e a irá descaracterizar brutalmente. 

Para ver teleféricos bastará ir a tantos outros destinos que já os têm, mas a marca identitária do Curral das Freiras, apenas existe no Curral das Freiras, um dos espaços naturais mais privilegiados da nossa Região. Este projecto megalómano irá, não só destruir a identidade de um povo, mas destruir também património geológico inestimável que está inventariado pela “Estratégia de Conservação do Património Geológico da Região Autónoma da Madeira”, identificado na Carta de Património e que integra o Plano Director Municipal de Câmara de Lobos, o Miradouro do Paredão. Por isso, o Miradouro do Paredão está classificado como Geossítio.

No dia 3 de Dezembro, o Governo Regional publicou a resolução n.º 1261/2021, dando conta de que o processo de expropriação já está em curso. Serão gastos fundos públicos para destruir o património da Região e do país, património esse que deverá ser mantido e valorizado.

Os cidadãos abaixo-assinados, vêm assim exigir que o processo de construção do Teleférico do Paredão não vá em frente e que seja preservada a identidade de um povo e de uma Região.

Assinar e divulgar a Petição

terça-feira, 22 de junho de 2021

Associação ambiental arrasa “moda” de passadiços e baloiços: “Basta de ecoparolices”



A FAPAS – Associação Portuguesa para a Conservação da Biodiversidade critica de forma violenta a “moda” de construir passadiços, baloiços, pontes suspensas, teleféricos, miradouros e “outros equipamentos sem qualquer critério e norma reguladora” por todo o território.

“Basta de ‘ecoparolices’ sem avaliação do impacte ambiental”, defende a FAPAS, em comunicado enviado esta quarta-feira às redações.

“Independentemente do mau gosto (subjetivo) de muitas dessas intervenções, elas constituem, na generalidade, um atentado às paisagens, desvalorizando os territórios onde se inserem”, critica a Associação.

A FAPAS considera que estas construções “podem, durante algum tempo, favorecer os negócios locais e atrair visitantes, mas não o farão com continuidade pois, como todas as modas, também esta passará, deixando o território mais degradado e os locais mais feios”.

A Associação diz que “estas intervenções estão a ser feitas, frequentemente com apoio de dinheiros públicos, sem obedecerem a qualquer quadro normativo, quer quanto aos impactos no território, quer quanto à segurança dos próprios equipamentos que, frequentemente, por desadequada instalação e falta de manutenção tornam-se perigosos e não respeitam” sequer a lei.

A FAPAS cita o Decreto-Lei n.º 152-B/2017, de 11 de Dezembro, que atualiza o regime jurídico da avaliação de impacte ambiental dos projetos públicos e privados suscetíveis de produzirem efeitos significativos no ambiente, transpondo a Diretiva n.º 2014/52/EU.

No entendimento da associação, muitos desses projetos deveriam ser sujeitos a AIA (Avaliação do Impacte Ambiental), porque, justifica, a lei define “Impacte ambiental, [como o] conjunto das alterações favoráveis e desfavoráveis produzidas no ambiente, sobre determinados fatores, num determinado período de tempo e numa determinada área, resultantes da realização de um projeto, comparadas com a situação que ocorreria, nesse período de tempo e nessa área, se esse projeto não viesse a ter lugar”.

A associação, prossegue, argumentando que, “mesmo sem interpretações generalistas, reconduzindo a nossa argumentação ao texto da lei, os passadiços, baloiços e semelhantes integram-se no conceito de “Parques temáticos”, logo sujeitos obrigatoriamente a AIA se interferiram com mais de 10 hectares, ou 4 hectares em áreas sensíveis”.

A FAPAS alega que “qualquer quilómetro de passadiço interfere, no mínimo, com quatro hectares de território se consideramos (muito modestamente e com muitas variáveis) que o impacto da presença e do ruído dos visitantes alastra 20 m para cada lado do passadiço (20 m+20 m = 40 m x 1000 m = 40.000 m2 = 4 ha)”.

“É, pois, altura de exigir que se reveja o regime jurídico da avaliação de impacte ambiental, nele incluindo a obrigatoriedade de qualquer intervenção no território, de qualquer tipo e dimensão, ser sujeita a AIA, eventualmente num processo simplificado a criar. Deveria a lei, também, prever um prazo para legalização das (na sua maioria) desastrosas intervenções já feitas, sob pena de desativação e desmontagem”, acrescenta o comunicado.

A FAPAS defende que estas alterações devem ser feitas “enquanto se vai a tempo de salvar um dos principais ativos de Portugal, a paisagem, diariamente agredida por inúteis passadiços, construídos onde frequentemente existem caminhos antigos, por baloiços sem sentido (e sem seguro!), ou pontes ‘maiores do mundo’ que a todos nos deviam incomodar, quer por saírem dos nossos impostos, quer por hipotecarem o nosso futuro”.

A FAPAS é uma organização não governamental de ambiente, de âmbito nacional, sem fins lucrativos, constituída em 1990. Integra, segundo a sua história, “cidadãos com longa experiência no domínio da conservação da Natureza, vocacionada para a promoção de ações que visam a conservação ativa da biodiversidade e dos ecossistemas”.

quarta-feira, 26 de maio de 2021

Mamarrachos e ecoparolice


Desde há algum tempo alastrou a moda de construir passadiços, baloiços, pontes suspensas, teleféricos, miradouros e outros equipamentos de recreio sem qualquer critério e norma reguladora, espalhados por todo o território.

Independentemente do mau gosto (subjetivo) de muitas dessas intervenções, elas constituem, na generalidade, um atentado às paisagens, desvalorizando os territórios onde se inserem.

Podem, durante algum tempo, favorecer os negócios locais e atrair visitantes, mas não o farão com continuidade pois, como todas as modas, também esta passará, deixando o território mais degradado e os locais mais feios.

Estas intervenções estão a ser feitas, frequentemente com apoio de dinheiros públicos, sem obedecerem a qualquer quadro normativo, quer quanto aos impactos no território, quer quanto à segurança dos próprios equipamentos que, frequentemente, por desadequada instalação e falta de manutenção tornam-se perigosos e não respeitam, sequer, o Decreto-Lei n.º 309/2002 que regula a instalação e o financiamento dos recintos de divertimentos públicos, nem o Decreto-Lei n.º 379/97 que estabelece as condições de segurança dos espaços de jogo e recreio.

Ora o Decreto-Lei n.º 152-B/2017, de 11 de Dezembro que atualiza o regime jurídico da avaliação de impacte ambiental dos projetos públicos e privados suscetíveis de produzirem efeitos significativos no ambiente, transpondo a Diretiva n.º 2014/52/EU, determina, na leitura da FAPAS, que muitos desses projetos deveriam ser sujeitos a AIA (Avaliação do Impacte Ambiental), vejamos:
  • A lei define “«Impacte ambiental», [como o] conjunto das alterações favoráveis e desfavoráveis produzidas no ambiente, sobre determinados fatores, num determinado período de tempo e numa determinada área, resultantes da realização de um projeto, comparadas com a situação que ocorreria, nesse período de tempo e nessa área, se esse projeto não viesse a ter lugar;”
  • E mais determina a lei que são objetivos dos procedimentos de AIA “a) Identificar, descrever e avaliar, de forma integrada, em função de cada caso particular, os possíveis impactes ambientais significativos, diretos e indiretos, de um projeto e das alternativas apresentadas, tendo em vista suportar a decisão sobre a respetiva viabilidade ambiental, e ponderando nomeadamente os seus efeitos sobre: i) A população e a saúde humana; ii) A biodiversidade, em especial no que respeita às espécies e habitats protegidos nos termos do Decreto-Lei n.º 140/99, de 24 de abril, na sua redação atual; iii) O território, o solo, a água, o ar, o clima, incluindo as alterações climáticas; iv) Os bens materiais, o património cultural, arquitetónico e arqueológico e a paisagem; v) A interação entre os fatores mencionados, incluindo os efeitos decorrentes da vulnerabilidade do projeto perante os riscos de acidentes graves ou de catástrofes que sejam relevantes para o projeto em causa.”
Mas mesmo sem interpretações generalistas, reconduzindo a nossa argumentação ao texto da lei, os passadiços, baloiços e semelhantes integram-se no conceito de “Parques temáticos”, logo sujeitos obrigatoriamente a AIA se interferiram com mais de 10 hectares, ou 4 hectares em áreas sensíveis.

Ora qualquer quilómetro de passadiço interfere, no mínimo, com 4 hectares de território se consideramos (muito modestamente e com muitas variáveis) que o impacto da presença e do ruído dos visitantes alastra 20 m para cada lado do passadiço (20 m+20 m = 40 m x 1000 m = 40.000 m2 = 4 ha).
Tomemos como exemplo passadiços em Rede Natura 2000: os da Ria de Aveiro interferem com 30 hectares de território e os da Barrinha de Esmoriz com 32 hectares e, nem uns, nem outros, foram sujeitos a AIA.
É, pois, altura de exigir que se reveja o regime jurídico da avaliação de impacte ambiental, nele incluindo a obrigatoriedade de qualquer intervenção no território, de qualquer tipo e dimensão, ser sujeita a AIA, eventualmente num processo simplificado a criar. Deveria a lei, também, prever um prazo para legalização das (na sua maioria) desastrosas intervenções já feitas, sob pena de desativação e desmontagem.
Isto enquanto se vai a tempo de salvar um dos principais ativos de Portugal, a paisagem, diariamente agredida por inúteis passadiços, construídos onde frequentemente existem caminhos antigos, por baloiços sem sentido (e sem seguro!), ou pontes “maiores do mundo” que a todos nos deviam incomodar, quer por saírem dos nossos impostos, quer por hipotecarem o nosso futuro.

segunda-feira, 6 de maio de 2019

"Pai" das baterias de lítio doa meio milhão à Faculdade de Engenharia


O Prémio Nobel da Química 2019 foi atribuído, esta quarta-feira, ao físico norte-americano John B. Goodenough, professor da Universidade do Texas (Austin, EUA), e professor convidado da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto (FEUP), pelo desenvolvimento das baterias de lítio, trabalho que começou há quase meio século, mas que mudou a sociedade para sempre.

Goodenough, de 96 anos, é considerado o pai das baterias de iões de lítio, a invenção do início dos anos 90 que revolucionou o mundo da tecnologia e o dia de hoje, com gadgets e equipamentos eletrónicos a funcionar sem fios, em todo o lado, através de baterias recarregáveis. Uma descoberta que já lhe valeu vários prémios e comendas internacionais, incluindo a Medalha Nacional da Ciência, atribuída em 2013, pelo então presidente norte-americano Barack Obama.

“Este é um reconhecimento muito merecido. As baterias de lítio estão em todos os momentos da nossa vida e agora até nos automóveis. As apostas já falavam nele, é merecido e esperado”, refere ao jornal Público Helena Braga, diretora do Departamento de Engenharia Física da FEUP, que vem trabalhando desde há quatro anos com o agora Nobel da Química 2019. Na altura, o trabalho científico da investigadora, por diversas vezes publicado em jornais de elevado impacto e alvo de várias patentes, chamou a atenção de John Goodenough, que a convidou a colaborar com seu grupo de investigação na Universidade do Texas, nos EUA.

Um pouco por todo o mundo, a comunidade académica tem acompanhado com particular interesse os desenvolvimentos alcançados pela equipa de Helena Braga e não é difícil perceber porquê. Falamos da possibilidade de vir a ter, muito em breve, disponível no mercado, uma bateria menos poluente, mais leve e capaz de multiplicar a capacidade das tradicionais baterias de ião de lítio, o que poderá significar uma revolução enorme na forma como armazenamos energia.

De modo a impulsionar o trabalho desenvolvido e sobretudo a convencer a indústria da verdadeira revolução que poderá estar iminente, John Goodenough atribuiu recentemente uma doação de 500 mil dólares ao grupo de investigação liderado por Helena Braga. Para a investigadora, esta “representa uma honra e, ao mesmo tempo, a responsabilidade renovada de fazer melhor trabalho todos os dias, com a possibilidade de adquirir equipamento e financiar alunos que nos permitirão alcançar esse objectivo”.

Maria Helena Braga, 47 anos, publicou pela primeira vez sobre a tecnologia de eletrólitos de vidro em 2014. A principal inovação destas novas baterias é fazer depender a capacidade de armazenamento de energia não só das reações electroquímicas, como numa bateria tradicional, mas também do armazenamento electrostático como num condensador dando origem a uma bateria segura, em que não se formam “dendritos”.

Para além de John B. Goodenough, o Prémio Nobel da Química deste ano foi também atribuído a M. Stanley Whittingham e a Akira Yoshino, e igualmente pelo seu trabalho no desenvolvimento de baterias de iões de lítio.

domingo, 24 de janeiro de 2010

Vem aí a Geração Depositrão


Os Resíduos de Equipamentos Eléctricos e Electrónicos (REEE) constituem um tipo de resíduos cuja recolha se iniciou em Portugal há mais de 3 anos. Sensibilizar a população para a importância da deposição selectiva deste tipo de resíduos constitui o principal objectivo do programa Geração Depositrão, iniciado em 2008/2009. A Geração Depositrão surge nas Eco-Escolas em resultado de uma parceria estabelecida entre a Associação Bandeira Azul da Europa e a ERP Portugal.
Poderão inscrever-se nesta iniciativa todas as escolas de todos os graus de ensino inscritas no Programa Eco-Escolas 2009/10. O p
rograma Geração Depositrão é composto por dois tipos de actividade:
  • Recolha – Actividade de recolha de REEE do tipo "pequenos electrodomésticos". *

  • Criativa – A proposta de actividade criativa difere em função dos graus de ensino:
    b1) Teatro de Fantoches REEE (Resíduos de Equipamentos Eléctricos e Electrónicos): 1º Ciclo.
    b2) Arte em REEE: 2º, 3º Ciclos e Secundário / Profissional - Decoração de um ou vários REEE por forma a transformar o resíduo num objecto artístico. As escolas deverão apenas utilizar na concepção deste trabalho REEE de pequenas dimensões. Exemplos: leitores de CD e cassete, secadores de cabelo, torradeira / tostadeira, computador, monitor, rato, teclado, impressora, rádio, etc. A dimensão do trabalho final não deverá exceder 1 m3 (no caso de serem utilizados vários resíduos). Esta decoração deverá ser apenas exterior, não implicando a desmontagem dos resíduos.

    * NOTA: As escolas da R.A. da Madeira não se poderão inscrever na modalidade de actividade de recolha, devido a obstáculos inultrapassáveis para recolha / contagem dos REEE pela ERP Portugal nesta Região. Poderão no entanto participar na actividade criativa.