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domingo, 25 de janeiro de 2026

A economia global continua a pagar para destruir a natureza

Daniel Gerhartz (pintor dos EUA, nascido em 1965)

Relatório das Nações Unidas mostra que o capital continua massivamente orientado para atividades prejudiciais aos ecossistemas. Por cada dólar gasto em proteção, são aplicados 30 na sua destruição.

A economia mundial continua a investir muito mais na degradação da natureza do que na sua proteção, segundo o relatório State of Finance for Nature 2026, do Programa das Nações Unidas para o Ambiente (UNEP). Em 2023, os fluxos financeiros diretamente prejudiciais aos ecossistemas atingiram 7,3 biliões de dólares, enquanto o investimento em soluções baseadas na natureza se ficou pelos 220 mil milhões.

O documento traça um retrato claro de um sistema financeiro desalinhado com os limites do planeta e mostra como, por cada dólar aplicado na proteção, conservação ou restauração da natureza, mais de 30 dólares continuam a financiar atividades que degradam solos, água, biodiversidade e clima. “A continuação do modelo atual empurra-nos para uma degradação ainda maior dos ecossistemas”, alerta o relatório, que sublinha que esta trajetória ameaça “os ecossistemas, as economias e o bem-estar humano”.

Do total de financiamento considerado negativo para a natureza, 2,4 biliões de dólares correspondem a subsídios públicos ambientalmente prejudiciais, concentrados sobretudo nos combustíveis fósseis, na agricultura intensiva e no uso da água. Os restantes 4,9 biliões resultam de investimento privado, sobretudo concentrado em setores como o das utilities, indústria pesada, energia e materiais básicos. Para o UNEP, estes fluxos “continuam a ser o maior obstáculo à transição das sociedades para resultados positivos para a natureza”.

Em sentido contrário, o financiamento destinado a soluções baseadas na natureza, como a restauração de ecossistemas, a gestão sustentável da terra, a proteção da biodiversidade ou a adaptação climática, cresce lentamente. Em 2023, o total global atingiu 220 mil milhões de dólares, um aumento de apenas 5% face ao ano anterior. “O financiamento público para soluções baseadas na natureza é oito vezes superior ao financiamento privado”, refere o relatório.

Segundo as estimativas do UNEP, cumprir os compromissos internacionais assumidos no âmbito das três Convenções do Rio exige uma aceleração significativa. “Para cumprir os compromissos globais, o investimento em soluções baseadas na natureza terá de aumentar mais de duas vezes e meia, para 571 mil milhões de dólares por ano até 2030”, lê-se. Em paralelo, defende-se que os fluxos financeiros prejudiciais devem ser progressivamente eliminados ou reconvertidos.

Há, ainda assim, sinais de mudança, nomeadamente uma maior consciencialização do setor financeiro para os riscos associados à degradação da natureza. Mais de 730 organizações já aderiram às recomendações da Taskforce on Nature-related Financial Disclosures (TNFD), representando 22,4 biliões de dólares em ativos sob gestão. Apesar disso, o UNEP reconhece que esta tomada de consciência “ainda não se traduziu numa transformação estrutural dos fluxos de capital”.

“Virar o rumo do financiamento para resultados positivos para a natureza é essencial”, conclui o UNEP, que defende uma “grande viragem” que alinhe o capital com a proteção dos ecossistemas e a resiliência económica de longo prazo.

terça-feira, 17 de abril de 2018

Fracturação hidráulica- Portugal considerado um mau exemplo ambiental




Uma vitória amarga. Portugal encabeça o pódio na lista dos piores apoios à exploração de combustíveis fósseis. O prémio é uma iniciativa da CAN Europe (Rede Europeia para a Ação Climática).

Em causa está a licença ao consórcio Galp/Eni para exploração de petróleo em grande profundidade ao largo de Aljezur. O projeto na Costa Vicentina está em consulta pública até esta segunda-feira e é contestado por autarcas da Região de Turismo do Algarve e dezenas de associações ambientalistas locais e nacionais.

Este prémio vem dar visibilidade internacional ao processo de exploração de petróleo ao largo de Aljezur. O presidente da ZERO, associação que integra a Rede Europeia para a Ação Climática, considera que, ao permitir esta licença, o Governo português entra em contradição com o discurso da Neutralidade Carbónica. Francisco Ferreira fala mesmo numa "esquizofrenia" na área das alterações climáticas.

"Por um lado, somos campeões das renováveis, o mundo conhece-nos pelos recordes que estamos a conseguir alcançar, muito ambiciosos na eficiência energética, com o roteiro a caminho da neutralidade carbónica em 2050; por outro lado, não temos a capacidade de assumir que iniciar agora a prospeção e eventual exploração de petróleo não é o caminho", defende.

Para Francisco Ferreira, "é inaceitável que o Governo continue a favorecer o acesso das companhias petrolíferas, quer nacionais, quer estrangeiras, à área de exploração marítima e de conservação marítima que deve ser preservada".

Portugal leva o ouro nestes prémios que distinguem os piores desempenhos na exploração de combustíveis fósseis. É seguido pela Polónia, pelo incentivo a centrais de carvão obsoletas, e por Espanha, por subsidiar a utilização de carvão nas ilhas Baleares.

quinta-feira, 4 de setembro de 2014

Antonio Turiel Documental Decrecimiento


Resource Scarcity and Eco-Fascism | Antonio Turiel

Militarisation, isolationism, extractivism.
It looks like we learned nothing from the 21st century, as the powers that be are approaching looming civilisational collapse by cranking up the gears on the very machine which caused it. We’re re-entering a period of dog-eat-dog in a resource scarce world, which could result in the return of serfdom.

That’s the warning from Antonio Turiel,  physicist and a mathematician who works as an environmental scientist at the Institute of Marine Sciences at the CSIC in Spain. On this big picture episode, we cover everything from fossil fuel production to re-armament to male supremacy, with Antonio cutting through noisy data to reveal exactly how resource scarcity is driving the violent shift in global politics, and what we can expect to happen in the coming years including military colonisation, food shortages, oil crashes, and rampant inequality.

Listen here the podcast

terça-feira, 9 de novembro de 2010

Pico de Tudo: 8 bens essenciais que estão a esgotar-se e porquê

Why is everything running out at the same time? We did a series on Planet Green where we looked at why those basic things that we take for granted, like water, food and fuel are getting expensive and scarce, all at once.

Peak Corn:
Blame Earl Butz. Richard Nixon and Gerald Ford's Secretary of Agriculture brought in the Farm Bill that dramatically increased the amount of corn produced in America. He encouraged farmers to "get big or get out," and to plant crops like corn "from fence row to fence row." Further billions in subsidies to farmers encouraged production, and soon America was awash in cheap grain, and with it cheap meat. Food costs as a portion of the American diet dropped to the lowest level in history; we became corn. Michael Pollan writes: "If you eat industrially, you are made of corn. It holds together your McNuggets, it sweetens your soda pop, it fattens your meat, it is everywhere. It is fed to us in many forms, because it is cheap- a dollar buys you 875 calories in soda pop but only 170 in fruit juice. A McDonalds meal was analyzed as almost entirely corn." 

Peak Oil
In 1956, American geophysicist M. King Hubbert calculated that the rate of production of fossil fuels would peak in the United States in about 1970 and then start declining. He was laughed out of the conference room. However, ultimately he was proven correct; now we are probably at the worldwide Hubbert's Peak. A hundred years ago you just stuck a pipe in the ground and the oil rushed out; now it is not so easy, and America's oil comes from deep under the ocean, is cooked out of rocks in Alberta, or is purchased from nations with security issues. Now the United States, Canada, Norway, and the United Kingdom are well past their peak, while Saudi Arabia and Russia are approaching it. Oil is still being found (there was a recent big hit in Brazil, and there are thought to be big reserves in the Arctic.) but it harder to get at and a lot more expensive.

Peak Dirt
Really, Peak Dirt- the world is losing soil 10 to 20 times faster than it is replenishing it. Drake Bennett in the Boston Globe tells us that dirt is complicated stuff, made from sand or silt, then years of plants adding nutrition, bugs and worms adding their excrement, dying and rotting.
"The resulting organic matter feeds a whole underground ecology that aerates the soil, fixes nutrients, and makes it more hospitable for plant life, and over time the process feeds back on itself. If the soil does not wash away or get parched by drought, it very gradually thickens. It takes tens of thousands of years to make 15 centimeters of topsoil, about 6 inches' worth." 

Peak Gas
The headline in our local paper today: Natural gas bills to soar by 20 per cent. What is going on?
Blame the price of oil. Everyone knows that the price of oil is way up, but it is an international commodity. Natural gas, on the other hand, usually is subject to more local rules of supply and demand in North America alone. However it does follow the market. Director of Energy Policy Malini Giridhar of Enbridge Gas told the Star: "Oil trades between 6 to 12 times the price of natural gas,The price ratio is now 11 times, which is close to the upper end of the range." Commodities markets are pushing up natural gas in reaction to higher oil prices, she said, rather than to gas supply and demand.

Peak Water
We have lots of water in the States, so much that we can let it just flow over Niagara Falls, right? How did it get to the point where there are such problems in Georgia and the Southwest?
Blame Willis Carrier. Before he invented air conditioning,not many people lived in the American Southwest, it was just too hot for much of the year. It was only after World War II, when air conditioning became common and affordable, that the mass migration of people and industry could happen from cooler Northern states to California, Nevada and Arizona. Without AC, Atlanta and Florida are almost uninhabitable.

Peak Electricity
It was a cool summer in 2003; it wasn't until the middle of August that we got a serious heat wave. By then, all of the air conditioners were pumping full blast and the electrical grid was running at almost full capacity. On August 14, a branch fell on a power line near Cleveland, Ohio. A software bug failed to trigger alarms, and power started surging through other lines, causing a cascading failure that shut down 100 power plants across the Northeastern United States and Canada. In some parts of the affected area, it took almost a week before things were back to normal.
Has the system been improved since then? Do we have additional generating capacity and more transmission lines? No, we still have what Bill Richardson called "a superpower with a third-world electricity grid."

Peak Rice
They are rationing rice in Costco and Wal-Mart; People have started panic buying and hoarding. In Manila, they post armed guards around it. The price of rice has trebled, and the World Bank says 33 countries are facing civil unrest. What is going on?
Blame rats. First of all, most of the rice in America is sold to Asians for whom it is a staple; it really doesn't take much of a panic to run out of Basmati rice over here. Most rice is eaten in the country where it is grown, and only 6 percent of the rice crop is traded around the world. In some countries, as much as 17 percent of the crop is eaten by rats; so good secure rice storage might be the first place to start. 

Peak Metal
When my dad was a teenager, his first job at the in-law's family auto parts company was to retrieve the batteries from cars that they bought before they were stolen for their lead content. A generation later, you had to pay an extra tax to the government to get rid of the batteries. Now, we are back to a time my late father would recognize- that metals are too scarce and too valuable to just leave around unprotected.
They just built a new soccer stadium in Toronto, Canada, with lovely aluminum bleachers; before the stadium even opened, someone unbolted the seats and carried them away. In Scotland, the "Great Drain Robbery" involves shipping manhole covers to China. In India, eight people have died, falling into open manholes after their covers were stolen. In Baltimore, thieves cut down and carted away 136 aluminum lamp posts. In California thieves can remove a platinum-filled catalytic converter in ninety seconds. Copper? Stealing it is a growth industry all over the world, as it hits four bucks a pound- two years ago it was a buck and a quarter.

sexta-feira, 30 de julho de 2010

Retrofit de antigo museu holandês imita estrutura geológica

Naturalis, ou Centro Nacional de Biodiversidade, é um projeto de remodelação e ampliação desenvolvido pelo atelier Neutelings Riedijk Architects em colaboração com a estilista holandesa Iris van Herpen.

Fundado em 1820 na cidade de Leiden pelo Rei Guilherme I da Holanda, o Naturalis é um instituto focado no estudo da biodiversidade. Ao longo da última década, cresceu exponencialmente, o que revelou a necessidade urgente de uma sede maior e mais moderna. Com mais de 400.000 visitantes anuais e um acervo em constante crescimento que supera os 42 milhões de objetos, a instituição precisava de se expandir.

A nova sede representa um conjunto sustentável que combina edifícios novos e estruturas preexistentes. Além de novas áreas expositivas e espaços dedicados à conservação do acervo, o novo complexo acolhe laboratórios de última geração onde trabalham diariamente mais de duzentos investigadores. Estes profissionais procuram respostas para os grandes desafios atuais, tais como as alterações climáticas, a perda de biodiversidade, o abastecimento alimentar e a qualidade da água. Esta intervenção desenvolvida pela Neutelings Riedijk Architects oferece uma oportunidade renovada para aproximar a instituição de um público cada vez mais consciente e empenhado na proteção do planeta.

Um átrio amplo e generoso dá as boas-vindas aos visitantes, organizando e ligando as várias valências do instituto: escritórios administrativos, áreas de armazenamento, o museu e os novos laboratórios de investigação. Formalmente, a estrutura deste átrio revela-se através de um invólucro de betão com aberturas em padrões geométricos. Estes elementos permitem que todo o espaço de convívio seja banhado por uma luz natural difusa e abundante, realçando a sua monumentalidade.

A partir do átrio de entrada, no piso térreo, funcionários e visitantes encontram as principais funções públicas do edifício, como o restaurante, a loja de recordações e os espaços expositivos, onde os transeuntes podem observar a equipa a trabalhar na preparação de carcaças de baleias encalhadas. Uma grande escadaria guia os visitantes até às salas de exposição principais, onde se encontra «Trix», o esqueleto de um Tiranossauro Rex com 66 milhões de anos.

Exteriormente, as galerias apresentam-se como uma sobreposição de volumes revestidos por blocos de pedra natural em tons de terracota, simulando a estrutura geológica do solo. Faixas de travertino intercaladas realçam a sensação de estratificação de texturas. Para completar a composição destes volumes, foram adicionadas camadas de betão branco em alto-relevo desenhadas por Iris van Herpen. Convidada pelos arquitetos da Neutelings Riedijk e inspirada pelas formas naturais do acervo do museu, a estilista criou 263 variações de relevos em betão que parecem ter sido impressos em seda.

O designer holandês Tord Boontje foi o responsável pela criação dos quase 100 painéis que animam os espaços interiores do museu, construindo uma narrativa visual que cruza fotografia e desenho à mão para revelar as maravilhas da natureza. No total, o projeto do Centro Nacional de Biodiversidade abrange uma área de aproximadamente 38.000 m², representando uma ampliação de cerca de 20.000 m².

sábado, 3 de novembro de 2007