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quarta-feira, 3 de junho de 2026
Cerca de 290 lobos em Portugal e quase 400 prejuízos comunicados este ano
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segunda-feira, 16 de março de 2026
A campanha “Salvar o tartaranhão-caçador” já arrancou em Portugal e no oeste de Espanha e uma aplicação de ciência cidadã pode ajudar a salvá-lo da extinção
Os utilizadores da aplicação eBird podem ter um papel importante na conservação do tartaranhão-caçador (Circus pygargus), ave de rapina migradora que está Em Perigo em Portugal. O apelo é feito pelo projeto LIFE SOS Pygargus, que incentiva observadores de aves e cidadãos em geral a registar e partilhar dados sobre a espécie.
Segundo os responsáveis pelo projeto, a participação pública é fundamental para recolher informação atualizada sobre a distribuição da ave e apoiar a campanha anual “Salvar o Tartaranhão-caçador”, que procura melhorar a proteção dos ninhos e compreender as ameaças que afetam esta espécie.
Uma população em forte declínio
A situação do tartaranhão-caçador na Península Ibérica é preocupante. Em Portugal, a população diminuiu cerca de 80% entre 2012 e 2022.
Esta ave de rapina passa o inverno na África subsaariana e regressa à Península Ibérica na primavera para se reproduzir, permanecendo aqui entre março e setembro.
Nesta altura do ano, os primeiros indivíduos já começaram a chegar aos territórios de nidificação, sobretudo em áreas agrícolas e paisagens abertas.
Para os investigadores, recolher dados sobre locais de reprodução, áreas de alimentação e potenciais ameaças é hoje uma prioridade para travar a tendência negativa da espécie.
Como os cidadãos podem ajudar
Os observadores de aves que encontrem um tartaranhão-caçador, um casal ou um ninho podem registar a sua observação na aplicação eBird, considerada a maior plataforma mundial de ciência cidadã dedicada à observação de aves e gerida pelo Laboratório de Ornitologia da Universidade Cornell, nos Estados Unidos.
Além do registo na aplicação, os participantes podem enviar informações adicionais à equipa do projeto, como coordenadas GPS, fotografias, vídeos ou notas de campo. Estes dados ajudam os investigadores a localizar ninhos e a planear medidas de proteção durante a época de reprodução.
Durante este período, que decorre entre março e agosto, é também importante reportar anilhas coloridas de identificação, usadas em programas de monitorização da espécie.
Esta ave de rapina nidifica no solo, sobretudo em campos agrícolas com cereais ou forragens, e depende também desse habitat para se alimentar. Dada esta dependência, uma ameaça importante a esta espécie é a perda de habitat, devido ao declínio acentuado da área semeada com cereais e passagem para outras culturas permanentes, ou outros tipos de uso do solo. A substituição das áreas de cereal para grão por forragens e as alterações climáticas aumentaram significativamente as atividades de ceifa durante o período de nidificação desta espécie, com forte impacto nos casais reprodutores por destruição involuntária dos ninhos e aumento das taxas de predação.[Fonte]
A colaboração dos agricultores com os conservacionistas e cientistas é, por isso, essencial para ajudar na identificação dos ninhos e permitir a implementação de medidas no terreno para os proteger e reduzir ameaças, como a instalação de vedações para garantir a sua salvaguarda durante as atividades agrícolas e evitar ataques de espécies predadoras, como a raposa, por exemplo.
Se forem encontrados ninhos ou situações de risco — como atividades agrícolas próximas, incêndios ou predadores - os responsáveis recomendam que a informação seja comunicada rapidamente à equipa do projeto.
No caso de uma ave ferida ou morta, a recomendação é não tocar no animal e contactar as autoridades ambientais, como o Serviço de Proteção da Natureza e do Ambiente da GNR.
Uma rede de “amigos” para proteger a espécie
Para reforçar a participação pública, o projeto criou ainda a rede “Amigos do Tartaranhão-caçador”, aberta a qualquer pessoa interessada em acompanhar e apoiar as ações de conservação desta ave.
O projeto LIFE SOS Pygargus é uma iniciativa ibérica financiada pelo programa LIFE da União Europeia e envolve várias organizações científicas e ambientais, incluindo a Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves SPEA, a Palombar, o Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF), a Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD) ou a Associação BIOPOLIS-CIBIO.
Para os investigadores, cada registo conta. E, neste caso, um simples registo numa aplicação pode ajudar a garantir o futuro de uma das aves de rapina mais ameaçadas da Península Ibérica.
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terça-feira, 3 de março de 2026
Petição - Reconhecimento oficial de um Dia Europeu contra o Envenenamento de Vida Selvagem (1 de março)
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Reconhecimento oficial de um Dia Europeu contra o Envenenamento de Vida Selvagem (1 de março)•
Criação de uma base de dados europeia para identificar focos e reforçar a monitorização•
Aplicação efetiva do Plano Estratégico de Roma 2020–2030As ferramentas existem. Os planos existem. Agora é preciso vontade política.
Assine a petiçãoNo Dia Mundial da Vida Selvagem, que se assinala esta terça-feira, 3 de março, a Quercus divulgou o balanço da atividade dos seus três Centros de Recuperação de Animais Selvagens (CRAS) em 2025, revelando a entrada de 1.673 animais ao longo do ano.
Segundo o comunicado, o número representa um aumento de 7% face a 2024.Do total, cerca de 1.577 animais ingressaram com vida e 42,2% recuperaram e regressaram ao habitat natural.
Aves representam mais de 80% dos ingressos
As aves constituíram 83,8% dos animais recebidos, seguindo-se os mamíferos com 14,4% e os répteis e anfíbios com 1,7%.
O mês de julho concentrou o maior número de admissões, com cerca de 440 animais, o equivalente a 26% do total anual, em grande parte crias órfãs.
Entre as principais causas de ingresso destacam-se a queda do ninho ou orfandade, responsável por 35,1% dos casos, e traumatismos de origem desconhecida, com 19,3%. O comunicado refere ainda situações associadas a ações humanas ilegais, como tiro (1,1%), cativeiro ilegal (1,7%) e envenenamento (0,09%).
Espécies ameaçadas entre os animais acolhidos
Em 2025, os centros acolheram 127 indivíduos de espécies classificadas com estatuto de ameaça: 111 na categoria «Vulnerável», 10 «Em Perigo» e seis «Criticamente em Perigo».
Os CRAS integraram ainda 137 estagiários e voluntários e fazem parte da Rede Nacional de Centros de Recuperação para a Fauna, coordenada pelo Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF).
Monitorização e educação ambiental
A Quercus sublinha que o trabalho desenvolvido nestas estruturas permite identificar padrões nas causas de ingresso, fatores de ameaça e áreas com maior incidência, contribuindo para a implementação de medidas corretivas.
Os centros são igualmente referidos como espaços de recolha de informação biológica, permitindo avaliar o estado dos ecossistemas e das populações, apoiar investigação aplicada à conservação da natureza e promover ações de educação e sensibilização ambiental.
Os três centros em funcionamento são o CERAS, em Castelo Branco, o CRASM, no Cadaval, e o CRASSA, no Litoral Alentejano.
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quarta-feira, 18 de fevereiro de 2026
Do mar à terra, passando pelos céus: como as tempestades afetam a vida selvagem
O “comboio de tempestades” que durante semanas atingiu Portugal deixou no seu encalço um rasto de devastação. Casas destruídas, estradas e outras vias arruinadas e já 16 pessoas morreram desde que a 28 de janeiro a tempestade Kristin se abateu sobre o território nacional.
No entanto, as intempéries, mais inclementes e frequentes à medida que o planeta se torna mais quente, afetam não só os mundos humanos, mas também os dos animais selvagens.
Desde 25 de janeiro, e com maior intensidade no mês de fevereiro, centenas de aves marinhas têm dado à costa portuguesa, de norte a sul do país. À Green Savers, Hany Alonso, técnico sénior de Ciência da Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves (SPEA), diz que desde que a tempestade Kristin entrou em Portugal foram já registados mais de 400 papagaios-do-mar arrojados, a maior parte dos quais no litoral norte e na região de Peniche.
Segundo dados de parceiros internacionais, também na Galiza foram registados mais de 500 papagaios-do-mar arrojados e mais de 200 ao longo da costa francesa.
No que toca a Portugal, “os números de aves afetadas poderão ser muitíssimo mais altos, pois estamos a monitorizar uma parte muito pequena da nossa costa”, acautela o ornitólogo, acrescentando que mais arrojamentos são de esperar, pois “as condições continuam difíceis no mar”.
Já no inverno de 2022 para 2023, também fruto de tempestades, em duas semanas registaram-se mais de 1.700 arrojamentos de papagaios-do-mar na costa continental portuguesa, “que já foi um grande impacto nas populações desta espécie”, explica Alonso. Apesar de pequenas, essas aves estão habituadas a lidar com mares revoltosos e são “bastante resistentes”, podendo deslocar-se para áreas mais afastadas da costa até o temporal passar.
“O problema surge quando há muitas tempestades consecutivas, que dificultam a sua alimentação e deterioram a condição física das aves”, explica o ornitólogo da SPEA.
“Muitos dias com um mar difícil pode acabar por levar à mortalidade massiva de muitos indivíduos”, salienta, acrescentando que “começam a ficar mais fracos e vão-se aproximando mais de terra e acabam por arrojar nas praias, alguns vivos, mas uma grande parte já mortos”.
Além dos papagaios-do-mar, foram também registados arrojamentos de aves marinhas de outras espécies, como as tordas-miúdas, as gaivotas-tridáctilas, as gaivotas-de-patas-amarelas, os corvos-marinhos, as gaivotas-de-asa-escura e as galhetas. Ainda que essas aves estejam habituadas a lidar com mares tempestuosos, procurando abrigos mais perto da costa ou mesmo em terra, a sua resistência tem limites e, se as más condições se mantiverem durante muito tempo, acabam por sucumbir por não se conseguirem alimentar devidamente.
Embora a maior parte dos animais tenha dado à costa já sem vida, alguns ainda resistiam, tendo sido encaminhados prontamente para centros de recuperação de fauna selvagem. A esperança é que possam recuperar e regressar ao seu habitat natural.
Os impactos das tempestades, como as que temos tido, nas aves marinhas variam consoante a espécie e a idade dos indivíduos, sendo que os mais jovens e os mais fracos são, regra geral, os mais vulneráveis às intempéries. No entanto, eventos de mortalidade massiva podem abranger muitos outros indivíduos, com impactos severos para as populações da sua espécie.
As aves marinhas são um dos grupos de aves mais ameaçados em todo o mundo e estão cada vez mais pressionadas por uma miríade de fatores, como a captura acidental em redes de pesca, a poluição, a perda de habitat e de presas e as espécies invasoras. Assim, num contexto de crise climática e em linha com o que é dito pela Ciência, as tempestades, como as das últimas semanas, tornar-se-ão mais frequentes e mais intensas, e, por isso, “o impacto nas aves marinhas será grande”.
Como avisa Maria Dias, professora na Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa (FCUL) e investigadora do Centro de Ecologia, Evolução e Alterações Ambientais (CE3C), “períodos longos de tempestades geralmente afetam as aves marinhas por dificultarem a obtenção de alimento, levando, por isso, à emaciação e, por vezes, à morte”.
Como tal, Hany Alonso, da SPEA, realça a importância de monitorizar estes eventos de arrojamento em massa e tentar perceber os seus impactos, especialmente nas espécies mais afetadas, como os papagaios-do-mar, “uma espécie que as pessoas geralmente desconhecem que ocorre nos mares portugueses”.
Quando se encontra uma ave arrojada ainda viva, os especialistas dizem que o mais importante é contactar o serviço ambiental da GNR, o SEPNA, ou o ICNF, para que o animal seja encaminhado para um centro de recuperação.
“Caso seja a própria pessoa a transportar a ave para um centro de recuperação, deve evitar o contacto direto com a ave, usando luvas ou uma peça de roupa, colocar a ave numa caixa de cartão e transportar a ave o mais rapidamente para o centro mais próximo. Não tentem alimentar ou dar água à ave, pois o ideal será que seja avaliada no centro onde lhe poderão prestar os cuidados adequados”, explica o técnico da SPEA.
Sob as ondas
Os impactos das tempestades vão além das aves. Também os animais que vivem sob a superfície das águas marinhas podem sentir os seus efeitos.
Uma vez mais, as consequências das tempestades e da agitação marítima associada dependem da espécie. Como nos explicam Alicia Quirin e Patrícia Nogueira, da Associação para a Investigação do Meio Marinho (AIMM), aquelas que dependem mais de habitats costeiros, em particular de zonas de águas pouco profundas, podem ter mais dificuldades em encontrar alimento por causa da agitação do mar.
“A ação das ondas pode também causar perturbações físicas nos fundos marinhos, causando danos em habitats mais frágeis ou a ressuspensão de sedimentos, que podem afetar algas e invertebrados e, consequentemente, toda a rede alimentar associada”, detalham, em resposta enviada por e-mail.
Devido aos ventos fortes e a mares revoltosos, algumas aves e mamíferos marinhos podem ter de gastar mais energia para se deslocarem de um lado para o outro, o que pode pôr em risco a sua sobrevivência. No caso dos golfinhos, por exemplo, “podem ocorrer dificuldades na navegação, sobretudo em animais mais jovens ou fragilizados”, mas, de forma geral, “estão bem-adaptados para sobreviver num ambiente dinâmico e com condições por vezes adversas”, dizem Alicia Quirin e Patrícia Nogueira.
Como tal, é expectável que os golfinhos e outros mamíferos marinhos sejam capazes de lidar com os efeitos nos mares lançados por tempestades como as que temos enfrentado nos últimos tempos.
Para já não há registo, além das aves marinhas, de mortalidade de animais marinhos associada diretamente às tempestades das últimas semanas. As especialistas da AIMM dizem-nos também que, nestas circunstâncias, é provável que animais já mortos possam acabar por chegar à costa, “mas isso não significa obrigatoriamente que a causa de morte esteja relacionada com as condições meteorológicas”.
“Este tipo de eventos acaba por reforçar a importância de existirem redes de monitorização e de resposta a arrojamentos bem estabelecidas para que se possa perceber melhor os efeitos destes fenómenos na vida marinha. Isto é particularmente importante num contexto de alterações climáticas, em que se prevê que fenómenos extremos se tornem mais frequentes”, salientam.
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terça-feira, 6 de janeiro de 2026
Tendências recentes sobre o tráfico ilegal de marfim
1. Tendência global recente (2015–2024)
👉 Antes da COVID-19 (2015-2019):
O tráfico de marfim atingiu níveis muito elevados, com grandes apreensões de várias toneladas partindo sobretudo de África para a Ásia. Em 2019, houve apreensões recorde de marfim representando dezenas de toneladas. Wildlife Justice Commission+1
👉 Impacto da pandemia (2020-2024):
A pandemia de COVID-19 disrompeu fortemente as cadeias de tráfico, levando a:
- queda substancial no número de grandes apreensões de marfim;
- menor volume total reportado de apreensões em comparação com o período pré-pandemia;
- mercados ilegais aparentemente mais estáveis, porém em níveis mais baixos do que antes de 2020. Wildlife Justice Commission+1
📉 2. Estatísticas de apreensões recentes
✔ Entre 2023 e abril de 2025, cerca de 25 toneladas métricas de marfim foram confiscadas mundialmente, com a maior parte de grandes apreensões ainda sendo relatadas.
👉 No entanto, especialistas observam que:
- pode haver menos detecções porque as redes criminosas estão melhorando as técnicas de ocultação e/ou mudando métodos operacionais;
- ou simplesmente porque a ação contra o tráfico tem sido mais eficaz em certos pontos.
- Portanto, o volume de apreensões sozinho não fornece o quadro completo - mudanças nas técnicas de tráfico podem ocultar tendências reais.
🐘 3. Poaching e impacto sobre elefantes
📍 Estimativas anteriores (antes de 2018) mostraram que o tráfico de marfim estava ligado à morte de dezenas de milhares de elefantes por ano (ex.: até cerca de 40 000 elefantes mortos anualmente em alguns períodos históricos).
👉 Estas estimativas variam muito ao longo do tempo e dependem de dados de campo e modelagens, mas indicam o enorme impacto histórico do tráfico sobre populações de elefantes.
🌍 4. Factores que influenciam as tendências
📌 Redução da procura legal
Proibições e encerramentos de mercados domésticos (como na China e em outros países) reduziram a compra aberta de marfim, afetando a dinâmica global do tráfico.
📌 Online e mercados ocultos
Apesar das proibições, vendas ilegais online continuam ativas, com plataformas sociais facilitando oferta e procura em alguns mercados regionais.
📌 Ações de fiscalização e legislação
Leis mais duras e operações internacionais (como apreensões e cooperação policial) têm contribuído para reduzir algumas rotas de tráfico - embora redes criminosas ainda se adaptem.
📊 Em resumo
Período Tendência do Tráfico de Marfim2015–2019
Muito alto, com grandes apreensões recorde
Queda significativa e estabilização
Wildlife Justice Commission2023–2025 - Apreensões ainda grandes, mas menor que antes da pandemia
Artigo Científico
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segunda-feira, 4 de abril de 2022
ICNF: população de águia de Bonelli cresce 140% nos últimos 15 anos
O ICNF (Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas) divulga esta quarta-feira, numa sessão, os resultados obtidos no Plano de Monitorização de Valores Naturais da Divisão de Áreas Classificadas da Direção Regional de Conservação da Natureza e Florestas do Alentejo (DRCNF-Alentejo).
Tendo em conta a importância do Alentejo para determinadas espécies de rapinas, nomeadamente com estatuto desfavorável, esta monitorização teve um foco particular no respeitante às populações de águia-imperial-ibérica (Aquila adalberti), de águia-real (Aquila chrysaetos) e de águia-de-bonelli (Aquila fasciata), refere uma nota, divulgada pela ICNF.
Na sessão, será também disponibilizado o relatório em formato digital, com os dados recolhidos em 2020 no âmbito de um trabalho realizado ao abrigo do Projeto Interreg BIOTRANS.
- Águia-imperial-ibérica (Aquila adalberti): o crescimento populacional apresenta uma tendência positiva. Nos últimos 3 anos: aumento de 60% da população. Estatuto de Conservação em Portugal: Criticamente Em Perigo (CR)
- Águia-real (Aquila chrysaetos): Comparando com os dados de 2002 a 2004, considera-se que o crescimento populacional desta espécie está estável. Estatuto de Conservação em Portugal: Em Perigo (EN)
- Águia de Bonelli (Aquila fasciata): O crescimento populacional apresenta uma tendência positiva. Nos últimos 15 anos: aumento de 140% da população. Estatuto de Conservação em Portugal: Em Perigo (EN).
- Águia-imperial-ibérica é libertada após tratamento em Centro de Recuperação
A Direção Regional de Conservação da Natureza e Florestas do Alentejo, em colaboração com o Centro de Recuperação de Animais Silvestres de Lisboa, libertou esta terça-feira, dia 22 de março, uma águia-imperial-ibérica (Aquila adalberti) macho com dois anos e meio, no Parque Natural do Vale do Guadiana.
Tal como lembra o ICNF, esta ave foi recolhida por militares da GNR/ SEPNA, no dia 24 de dezembro de 2021, nas imediações de Vila de Frades, concelho de Vidigueira, distrito de Beja. O quadro de sintomas que evidenciava não permitiu aferir com exatidão a causa do seu estado muito debilitado. A ave foi na altura encaminhada para o Centro de Recuperação de Animais Silvestres de Lisboa, localizado no Parque Florestal de Monsanto, que lhe proporcionou acompanhamento especializado e onde se processou a sua recuperação. Quando da sua libertação, a ave estava munida de equipamento que permitirá o seguimento e monitorização dos movimentos que realizará, refere a mesma nota.
BIOTRANS, um projeto transfronteiriço para a conservação da biodiversidade
O Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas, participa como sócio beneficiário no projeto BIOTRANS “Gestão Integrada da Biodiversidade na Área Transfronteiriça”, cofinanciado pelo Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional FEDER através do Programa Interreg V-A Espanha-Portugal (POCTEP) 2014-2020, e cujo beneficiário principal é a “Dirección General de Sosteniblidad de la Junta de Extremadura”.
O objetivo do projeto é o da gestão conjunta e integrada da conservação da biodiversidade na região EUROACE (Centro-Alentejo-Extremadura) através da implementação de ações conjuntas e sinérgicas entre parceiros portugueses e espanhóis para proteger e conservar grupos biológicos e espécies identificadas na área. A singularidade e diversidade biológica que existe ao longo de toda a fronteira, com extensos ecossistemas e áreas naturais protegidas, é um dos fatores valorizados, uma vez que possui um património ambiental extraordinário, albergando inúmeras espécies de flora e fauna endémicas luso-estremenhas de enorme relevância europeia e mundial, e de habitats naturais onde existem problemas e desafios comuns.
O projeto BIOTRANS integra, para além do Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas, outros parceiros de Espanha e Portugal que, coordenados pela “Dirección General de Sosteniblidad de la Junta de Extremadura”, são de grande relevância, nomeadamente a “Diputación de Badajoz”, a Universidade de Évora, a “Fundación CBD para la Conservación de la Biodiversidad y su Hábitat”, e a Quercus – Associação Nacional para a Conservação da Natureza.
segunda-feira, 21 de fevereiro de 2022
Exploração vai ser encerrada em Valongo após retirada de cavalos subnutridos
Os 83 cavalos alegadamente sujeitos a maus-tratos numa exploração em Ermesinde, Valongo, serão progressivamente retirados do local, sendo que após sair o último o espaço será encerrado, revelou à Lusa o veterinário municipal.
A Direção-Geral de Alimentação e Veterinária (DGAV), Câmara de Valongo e Brigada de Proteção Ambiental da PSP reuniram-se esta segunda-feira com o proprietário da exploração, que há uma semana está sob investigação, para definir o que vão fazer aos 83 cavalos, concluindo-se pelo encerramento da exploração.
A polémica estalou depois de fotos de animais subnutridos terem aparecido na denúncia publicada nas redes sociais, situação que motivou a reação, inclusive, do partido Pessoas.Animais-Natureza (PAN), que anunciou uma queixa no Ministério Público.
A DGAV está desde a semana passada a investigar a proveniência dos cavalos e, revelou o especialista, “vai progressivamente permitir a saída de alguns animais”.
“Até que isso aconteça a câmara vai continuar a vigiar o estado dos animais garantindo a sua correta alimentação e maneio”, enfatizou Fernando Rodrigues, assinalando que no “final do processo - e quando houver a saída da totalidade dos animais - o local será encerrado”.
Até lá, a exploração “vai continuar arrestada e os animais apreendidos”, acrescentou o veterinário, que deu conta ainda que “todos os animais foram fotografados e identificados por desenho da resenha [características do animal em termos de pelagem e de manchas] e microchip”.
A DGAV tem desde a semana passada uma proposta da associação Intervenção e Resgate Animal (IRA) para ficar com os cavalos, transportando-os para uma propriedade no sul do Alentejo.
Entretanto, uma delegação do PAN reuniu-se esta segunda-feira com o presidente da Câmara de Valongo, José Manuel Ribeiro, para conhecer o acompanhamento que a autarquia está a dar à situação, tendo Bebiana Cunha, da distrital do Porto, defendido à Lusa a necessidade de se alterar a lei, assinalando a “inexistência de fiscalização e de rastreamento dos cavalos em Portugal, inclusive dos que podem vir a ser inseridos para consumo humano, levantando questões ao nível da saúde pública”.
“Não temos em Portugal um regime jurídico que permita o abrigo dos animais de idade avançada, abandonados e vítimas de maus-tratos”, disse, antes de apontar o dedo ao Código Penal para lembrar que “os animais continuam a não estar protegidos pela lei no que diz respeito aos maus-tratos”, garantindo ainda que o partido avançará com essa medida na presente legislatura.
Bebiana Cunha anunciou ainda o pedido de reunião à DGAV “para saber se os animais vão ser salvaguardados e de que forma” e que o partido “já avançou com a queixa para o Ministério Público”.
Sobre a proposta da IRA, a responsável do PAN, afirmou que a DGAV “terá de se entender com uma associação de proteção animal e, se tem essa disponível, terá de chegar a um acordo salvaguardando o bem-estar destes animais”.
Questionado pela Lusa, o presidente da IRA, Tomás Pires, disse não ter ainda resposta da DGAV às condições propostas para ficaram com os 83 animais da exploração.
sábado, 6 de março de 2021
Mais armadilhas para lobo encontradas na Serra do Gerês
Novas armadilhas para lobo, nomeadamente laços e carne envenenada, terão sido encontradas por elementos de uma equipa do CNAF na zona da Volta da Cuba, Serra do Gerês, numa altura em que foi lançada uma campanha de protecção do lobo-ibérico e do lince por parte da Guarda Nacional Republicana a nível nacional.
O Lobo Ibérico (Canis lupus signatus) e o Lince Ibérico (Lynx pardinus) são duas espécies que lutam pela sua sobrevivência em Portugal e que nos últimos anos têm sido vítimas de verdadeiras campanhas de extermínio, apesar dos esforços para a sua conservação.
As principais causas da sua extinção devem-se à diminuição das suas presas favoritas, e à destruição do seu habitat.
A GNR pretende assim alertar a população para as espécies em vias de extinção, que precisam da nossa atenção e de acções imediatas.
Respeite e proteja a vida selvagem!
Se detectar alguma ameaça à vida selvagem, contacte a GNR, através da Linha SOS Ambiente e Território: 808 200 520 ou via e-mail para sepna@gnr.pt.
sábado, 5 de junho de 2010
Conselhos da Quercus no Dia Mundial do Ambiente

No ano em que comemora os seus 25 anos Quercus elege os 25 conselhos mais importantes para a sustentabilidade. |
A Quercus – ANCN comemora, em 2010, um quarto de século de existência. Aproveitando o facto de dia 5 de Junho ser o Dia Mundial do Ambiente, a Quercus identificou os principais 25 conselhos ambientais que devem acompanhar qualquer cidadão preocupado com a sustentabilidade.
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| Os conselhos gerais 1. Considerando a rapidez com que o conhecimento evolui no presente, um elemento fundamental para se ser um cidadão sustentável é a informação. Manter-se informado sobre a legislação mais actual e sobre os desenvolvimentos científicos e técnicos mais recentes é fulcral para que possa direccionar as suas escolhas para as soluções e situações mais sustentáveis. 2. Ao contrário do que muitos advogam, a culpa pelo estado em que o Planeta se encontra não é só “dos outros”, é também nossa e por duas vias: porque nos demitimos de fazer melhor e de pressionar quem de direito no mesmo sentido. Apoie organizações cívicas, associe-se, participe e faça ouvir a sua voz. Não está sozinho e em conjunto com todos os outros que pensam da mesma forma é possível dar passos muito significativos. O importante é trabalhar em conjunto. 3. Procure retirar os melhores ensinamentos da crise. Analise bem as suas opções e procure perceber o que é fundamental para que se sinta bem e tenha qualidade de vida. Elimine o que é supérfluo e vai ver que não só estará a ser mais ecológico, mas também a ter maior bem-estar económico e a garantir o equilíbrio emocional. 4. Aprenda a analisar as suas opções quotidianas, pois têm um impacto enorme na sua pegada ecológica, na do país e do mundo. Não é a mesma coisa ir de carro ou de transportes colectivos, comprar a fruta mais barata que encontra ou procurar fruta nacional e/ou de agricultura biológica. Se percebermos que com as nossas opções podemos dar um contributo directo e quotidiano para a sustentabilidade, rapidamente sentiremos que esta é a única forma aceitável de agir. 5. Sempre que um conselho dirigido a proteger o planeta lhe parecer exigente, lembre-se que somos nós – espécie humana – que precisamos do planeta e não o contrário. O Planeta vive bem sem nós, já o contrário não é verdade. Ser sustentável não é, no essencial, uma questão de altruísmo e sim de sobrevivência pura e dura. Seja mais sustentável por si e pelas gerações futuras. 6. Se acha que os produtos ou serviços mais sustentáveis (agricultura biológica; rótulos ecológicos; comércio justo, etc.) são caros, desengane-se. Ao comprar estes produtos ou serviços está a apoiar a produção com preocupações ambientais e sociais. No que toca aos produtos ou serviços convencionais, podemos pagar pouco no momento da aquisição, mas todos acabamos por pagar muito mais pela poluição e destruição ambiental, bem como pelo desrespeito dos direitos sociais. 7. Se tem restrições orçamentais, procure ir substituindo alguns produtos ou serviços convencionais por soluções sustentáveis. Por exemplo, no caso da agricultura biológica comece pelas frutas ou pelos legumes e, progressivamente e na medida das suas possibilidades, avance para outras áreas. Optar pela sustentabilidade é um passo importante para identificarmos o que é de facto fundamental e supérfluo nas nossas vidas, permitindo-nos aplicar melhor o nosso rendimento. 8. Um dos problemas recorrentes em Portugal é a deficiente implementação da legislação em vigor. Torne-se um eco-cidadão e esteja atento a situações incorrectas do ponto de vista ambiental. Sempre que detectar uma infracção contacte a linha SOS Ambiente e Território – 808 200 520 ou aceda ao portal do Serviço de Protecção da Natureza e do Ambiente (SEPNA) da GNR. Ler aqui os 17 Conselhos Temáticos. |
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sábado, 5 de fevereiro de 2005
Documento denuncia Zoo de Lisboa abate animais ilegalmente
Documento denuncia Zoo de Lisboa abate animais ilegalmente Administração do zoo admite abate e justifica acto com a lei que regulamenta parques Susana Leitão
O Jardim Zoológico de Lisboa "abate animais ilegalmente". O abate acontece "às segundas-feiras, às 08.15, junto ao gabinete de compras, perto do armazém, num matadouro, também ele ilegal". Esta é uma das queixas que consta de documentação que denuncia algumas situações ocorridas no zoo, e aque o DN teve acesso.A administração do zoo admite que abate animais, mas diz que não é ilegal, justificando o acto com a legislação. E o veterinário do parque argumenta ser normal todos os zoos do mundo praticarem a eutanásia. "Só há um decreto lei que regulamenta a actividade do parque e que é o que aplicamos no zoo, Decreto-lei 59/2003 Artigo 13, nº. 1. Com base neste artigo decidimos que determinados animais têm de ser abatidos. Todos os zoos praticam a eutanásia, todos os zoos têm de praticar a eutanásia", afirmou ao DN o veterinário-administrador da instituição, Fernando Paisana. O responsável defende que "se o animal é abatido é porque tem de ser. É porque um conjunto de veterinários, e não só um, decidiu que assim tinha deser. E vamos continuar a abater". Acrescentando "Se tenho uma exploração com animais em vias de extinção, nasce um macho e nasce outro macho, um destes tem que ser abatido. Por norma, contactamos a Associação Europeia de Zoos e Aquária (EAZA) e perguntamos se há algum zoo interessado no animal, se não há o animal tem que ser abatido, com base legal". Muita da carne que alimenta os carnívoros do parque é oferecida por particulares. No entanto, na maior parte das vezes chega ao zoo ainda com vida."Num local qualquer matamos um burro, ou um cavalo, cortamos aos bocados e damos aos leões», explica Fernando Paisana. «Uma coisa que fazemos com rigor é não dar carne aos nossos animais sem que seja inspeccionada por um veterinário, e de forma tão rigorosa como se fosse para consumo público" ,salienta. O presidente da Animal - Associação Nortenha de Intervenção no MundoAnimal -, Miguel Moutinho confirmou ter conhecimento desta situação ecritica a atitude, argumentando que "a maneira como os burros (e,eventualmente, cavalos ou outros animais) são mortos no Jardim Zoológico de Lisboa, revela que há várias infracções ao Decreto-lei n.º 28/96, de 2 de Abril, que regulamenta a protecção dos animais no abate". Por seu lado, Fernando Paisana garante que todos os passos são efectuados com o "conhecimento da Direcção-Geral de Veterinária. E a única recomendação que esta dá é que o animal seja abatido com o mínimo de dor. São abatidos atiro, morte instantânea, aqui no zoo, não pode ser noutro sítio".Outra situação denunciada no dossier é a falta de condições em que vivemalguns animais, nomeadamente felinos, grandes primatas, e outros animais de grande porte (ver texto ao lado). O veterinário administrador do zoo assume também que há, de facto, animais mal instalados, mas sublinha que a situação será resolvida. "Temos problemas nos grandes primatas e nos felinos. Não é oj ardim que é uma porcaria. A ala dos felinos, com excepção dos leões, está mal. As restantes estão bem. Os primatas estão pessimamente, mesmo assim estão melhor do que em grandes zoos da Europa".
Jaulas podem ter os dias contados na Maia
Paula FerreiraSansão vai, em breve, viajar para um jardim zoológico na Holanda. O jovem orangotango vive no Zoo da Maia num espaço exíguo. Com acara encostada ao vidro da jaula, os olhos não perdem a expressão triste,apesar das manifestações de carinho de uma funcionária do zoo. "Ele é um barato, é o meu preferido", diz a tratadora das focas, inactiva até que oespectáculo aquático regresse, em Fevereiro.DN-Ursula Zanggerfuturo. Objectivo é acabar com as jaulas e instalar os animais em ilhas, comtoda a segurança para os visitantesO orangotango representa o paradigma deste zoo. Carlos Teixeira, presidenteda Junta de Freguesia da Maia, entidade que gere o espaço temático dedicadoà vida selvagem, lembra que o Sansão "veio de um jardim onde se encontravaainda em piores instalações". Não encontrou as condições ideais, isso énotório, embora, como ressalva o autarca, pelo menos "tem aquecimento".Conscientes de que aquele espaço não é o indicado para o primata, osresponsáveis trataram de arranjar uma alternativa. Na passada semana chegou a resposta um zoo dos Países Baixos vai acolher Sansão que poderá ver a suaqualidade de vida melhorar bastante.Este é um dos caminhos encetados para adaptar o zoo às exigências da novalegislação. Se no momento não é possível aumentar a área do parque, com 3,5hectares, optou-se por diminuir o número de animais, sobretudo no que dizrespeito aos mamíferos. Os próximos a serem contemplados com mais espaço serão os leopardos. Um animal será cedido a outro zoo e as duas jaulasexistentes transformadas numa única.O espaço, considera o presidente da autarquia, é uma questão des ensibilidade, mas não está esquecido. "Temos um acordo verbal com a Câmarada Maia que permitirá triplicar a área". O sonho de Carlos Teixeira é acabarcom as jaulas e instalar os animais em ilhas com toda a segurança para os visitantes. Até lá, vão diminuindo o número de efectivos. Em relação aos pumas, jaguares, tigres ou panteras "não há dificuldades" em conseguir interessados. Mas, em outros casos, a estratégia é evitar que procriem, "uma vez que somos contra a eutanásia", afirma o responsável do zoo. Para evitar o crescimento das espécies, separam os animais na altura do cio ou optam pela utilização de anticoncepcionais. Mas a procriação é também uma mais-valia. Ontem, o urso pardo encontrava-se sozinho. A sua companheira estava na maternidade com o ursinho nascido emDezembro. Mãe e filho deverão regressar daqui a um mês para deliciar ascrianças, principais clientes do Zoo da Maia. Em breve, os visitantes poderão visionar o que se passa na maternidade através de circuito vídeo,reforçando a componente pedagógica do parque temático. Essa necessidade foi,segundo Carlos Teixeira, a principal observação da equipa do Instituto de Conservação da Natureza e da Direcção-Geral de Veterinária, que está a acompanhar o processo de licenciamento do zoo, o qual deverá ser concluído em Abril
Lei proíbe exibição de animais O Decreto-lei n.º 59/2003 de 1 de Abril, transposição para a legislação portuguesa de uma directiva comunitária aprovada há três anos, obriga todos os jardins zoológicos a salvaguardar os parâmetros de bem-estar de cada animal, assim como proíbe a exibição de animais unicamente para fins comerciais. Ou seja, os jardins zoológicos, e parques temáticos, vão ser obrigados a ter um papel pedagógico e de preservação da natureza e de espécies. A mesma legislação assegura a fiscalização aos recintos. Se estas exigências não forem cumpridas até Abril deste ano, os recintos deverão ser encerrados de vez. Entretanto, a administração do zoo de Lisboa garantiu ao DN que até lá irá começar as obras para melhorar as instalações dos animais,c om ou sem ajuda do Estado.
Zoológico tem más condições
O Jardim Zoológico de Lisboa não tem "condições mínimas" para alojar os animais. "As instalações são muito pobres. Aliás, é mesmo um dos mais pobresda Europa". A caracterização foi feita por Daniel Turner, da Born Free Foundation, uma organização de defesa dos animais, que esteve recentemente em Portugal para investigar aquele recinto. E a análise realizada é bastante crítica no que toca ao funcionamento do parque, confirmando um conjunto dequeixas reunidas no dossier interno a que o DN teve acesso. A associação Animal diz "não estranhar estas denúncias", apesar de o seu autor preferir manter o anonimato. "Todos os dias recebemos cartas, email sou telefonemas com as mesmas reclamações. No entanto, as pessoas não se identificam, o que nos impossibilita de dar seguimento jurídico às questões", explica Miguel Moutinho, presidente daquela associação. Por seu turno, o responsável da Born Free Foundation explica porque é que as instalações do recinto lisboeta não têm condições "Quando o zoo foi construído não se teve em conta os animais, mas sim o público. Uma prática que tem vindo a manter ao longo dos anos", afirma Daniel Turner. Segundo o dossier, os "casos mais aberrantes são os dos grandes primatas e felinos". O especialista britânico explicou ao DN que a depressão em alguns animais é bastante visível e resulta das "condições miseráveis em que são mantidos e pela falta de estímulos. Esse tipo de distúrbio comportamental, nomeadamente a repetição permanente dos movimentos estereotipados, assim como a auto-mutilação, é passível de ser revertida, mas para isso era necessário devolver aos animais algumas das condições que eles teriam no seu habitat natural".Daniel Turner alerta para o facto de as instalações dos grandes animais,como os elefantes, girafas, gorilas ou chimpanzés terem "condições miseráveis . E, aproveita para lembrar a Aldeia dos Macacos. "Aquela aldeia, como lhe chamam", ironizou, "está na mesma há anos. Os animais têm de facto espaço, mas a qualidade do mesmo é má, pois não têm vegetação para fazer oque fazem na vida selvagem, como andarem de ramo em ramo". Um dos grandes problemas, explica, é que "muitos Zoos não entendem que o importante é a qualidade das instalações e não a quantidade".O responsável deixa um alerta "Será que as grandes empresas que patrocinam estes animais sabem em que condições é que estes vivem? Julgo que não. Caso contrário, tudo seria mais grave".S.L
"People say they don't care about politics; they're not involved or don't want to get involved, but they are. Their involvement just masqueradesas indifference or inattention. It is the silent acquiescence of the millions that supports the system. When you don't oppose a system, your silence becomes approval, for it does not hing to interrupt the system. People use all sorts of excuses for their indifference. They even appealto God as a shorthand route for supporting the status quo. They talkabout law and order. But look at the system, look at the present social"order" of society. Do you see God? Do you see law and order? There is nothing but disorder, and instead of law there is only the illusion ofsecurity. It is an illusion because it is built on a long history ofinjustices: racism, criminality, and the enslavement and genocide of millions. Many people say it is insane to resist the system, butactually, it is insane not to."*/Mumia Abu-Jamal/*
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quinta-feira, 13 de maio de 2004
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