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segunda-feira, 11 de maio de 2026

Climáximo mancha de tinta vermelha fachada da empresa de defesa Thales


Elementos do coletivo Climáximo mancharam, esta segunda-feira, com tinta vermelha a fachada da empresa Thales, especializada em Defesa, em Oeiras, num protesto pela parceria que a firma tem com a produtora de armas israelita Elbit Systems.

A PSP de Oeiras disse à Lusa que os agentes estiveram no local pelas 07:05 e confirmaram a ação, mas já não encontraram nenhum ativista quando chegaram ao edifício.

Numa nota divulgada à comunicação social, os elementos do Climáximo dizem que escreveram a palavra "genocida" a vermelho na fachada da Thales, em Paço de Arcos, a 4.ª maior empresa de armamento, tecnologia e segurança da Europa, produzindo mísseis, carros de combate, drones e outros equipamentos e tecnologias usadas para vigilância e aniquilação de alvos.

Citado no comunicado, o estudante de biologia da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa Filipe Antunes acusa a Thales de lucrar diretamente "com a morte de milhares de pessoas" e de ser "parte integral de um modelo que promove a matança de pessoas inocentes por todo o mundo" que é “indissociável dos combustíveis fósseis”.

"Estes são um multiplicador da capacidade bélica, sendo a guerra moderna dependente e só possível devido aos combustíveis fósseis", considera o estudante, elemento deste movimento.

Refere ainda que a Thales é central nos esforços de militarização das fronteiras europeias que fazem das pessoas migrantes "alvos de ataque, repressão e desumanização" e considera a empresa "um pilar" na expansão da extrema-direita internacional e no "progresso do imperialismo e de políticas bélicas, genocídas e fascistas".

A questão do cumprimento dos embargos pela Thales é um dos temas mais divisivos no panorama geopolítico europeu, especialmente quando analisamos a linha ténue entre a legalidade estrita e a responsabilidade ética. Para compreender a situação em Portugal e no resto da Europa, é necessário notar que a Thales não opera no vácuo; ela funciona sob um regime de autorizações estatais que, muitas vezes, serve de "escudo" jurídico contra acusações de violação de tratados.

De uma perspetiva puramente legal, a Thales afirma respeitar rigorosamente todos os embargos impostos pela ONU e pelas jurisdições onde mantém sedes, como França e Reino Unido. No entanto, o que observadores internacionais e organizações de direitos humanos apontam é a existência de "zonas cinzentas". Um exemplo recorrente é a exportação de componentes de tecnologia de dupla utilização (dual-use), que podem ser classificados como civis mas acabam integrados em sistemas de armamento. Além disso, a empresa tem enfrentado desafios judiciais significativos, como a queixa-crime apresentada em França por alegada cumplicidade em crimes de guerra no Iémen, sob o argumento de que a manutenção técnica fornecida aos equipamentos da coligação liderada pela Arábia Saudita facilitou ataques a civis.

Outro ponto crítico prende-se com a estrutura multinacional da empresa. Muitas vezes, componentes fabricados numa subsidiária britânica ou australiana podem ser exportados para destinos que enfrentariam maiores restrições se o envio fosse feito diretamente de França. Este fenómeno, descrito por críticos como "triangulação", permite que a empresa se mantenha dentro da lei de cada país, embora possa estar a contornar o espírito dos embargos internacionais mais amplos.
Apesar do discurso de "conformidade", a Thales enfrenta pressões legais significativas:

O Caso do Iémen (Investigação em curso): em 2022, ONGs como a Sherpa e a Amnistia Internacional entraram com uma queixa criminal na França contra a Thales, Dassault e MBDA. A acusação é de cumplicidade em crimes de guerra. Alegam que a Thales forneceu manutenção e sistemas de mira para jatos usados pela Coligação política liderada pela Arábia Saudita em ataques a civis no Iémen, mesmo após as atrocidades terem sido documentadas. A investigação judicial ainda estava ativa em 2025.

Exportações para Israel (2024-2026): após a suspensão parcial de licenças de armas pelo Reino Unido em 2024, surgiram denúncias de que componentes da Thales (como radares para drones Watchkeeper) continuaram a ser enviados. A empresa e o governo alegaram que eram para "re-exportação" (para países como a Roménia), mas grupos como o CAAT (Campaign Against Arms Trade) denunciaram em 2026 que não havia provas de que esses componentes saíram de Israel, sugerindo uma brecha no controle de uso final.

Em suma, embora a Thales raramente seja apanhada numa violação direta e flagrante de um embargo — o que resultaria em sanções catastróficas para os seus acionistas —, ela é frequentemente acusada de beneficiar de interpretações políticas convenientes das regras de exportação. Para a empresa, a validade de uma licença governamental é o selo de ética necessário; para os seus detratores, essa licença é apenas uma formalidade burocrática que não apaga a responsabilidade moral sobre o destino final da tecnologia vendida.

O coletivo, que luta pela "justiça climática", denuncia a "fatia considerável" de emissões do complexo industrial militar, tal como os milhões gastos em armamento e combustíveis fósseis, afirmando que este financiamento deveria antes ser aplicado na criação de um "Serviço Nacional do Clima", para gerir a transição energética, e em empregos no setor dos cuidados e serviços de apoio social, garantindo saúde, educação e alimentação.

"Se não desmantelarmos os combustíveis fósseis, não só não vamos conseguir travar os conflitos atuais como estes se vão multiplicar e escalar em guerras por acesso a comida e água", considera o Climáximo, que convoca a população a juntar-se, no dia 15 de maio, à concentração que vai promover ao final da tarde frente à sede do Governo.

sábado, 21 de fevereiro de 2026

Espetacular vitória dos ecologistas galegos: a Junta da Galiza rejeita o projeto da multinacional portuguesa Altri de construir uma celulose em plena Galiza verde


O governo da Galiza negou a autorização ambiental à Altri devido à recusa do governo central em conectar a fábrica de celulose à rede elétrica.

O governo de Alfonso Rueda admite que o projeto de uma fábrica de celulose em Palas de Rei (Lugo) é inviável, após o governo central tê-lo excluído do planejamento energético do estado.

Várias pessoas seguram cartazes após uma performance em Palas de Rei (Lugo) organizada na primavera passada por moradores contrários à Altri, juntamente com a construtora Concomitentes. 

O governo da Galiza decidiu não aprovar a autorização ambiental integrada para o projeto de macrocelulose que a multinacional de papel Altri e a empresa galega de eletricidade Greenalia pretendiam instalar na cidade de Palas de Rei, em Lugo, e que nos últimos anos provocou a maior reação social vista na Galiza desde o desastre da fábrica Prestige, em 2002.

A informação foi anunciada na sexta-feira pela Ministra da Economia e Indústria do Governo de Alfonso Rueda , María Jesús Lorenzana , que se baseou na inviabilidade do projeto da empresa dirigida por José Soares de Pina, após o Governo de Pedro Sánchez ter excluído a Altri, no ano passado, dos seus planos de desenvolvimento energético para os próximos anos, privando-a, assim, da ligação à rede elétrica necessária para o seu funcionamento.

"Cabia ao governo central fornecer a ligação à empresa. O arquivamento [do processo] e sua expiração estão ligados à falta de ligação; se não houver ligação à subestação, o projeto é arquivado ", afirmou Lorenzana, acrescentando que considera "difícil" reviver a ideia da fábrica de celulose de Palas porque a próxima revisão do planeamento energético do Estado só ocorrerá em 2030.

O governo galego (Xunta) tomou a sua decisão após meses de protestos em torno de um projeto que o governo de Alberto Núñez Feijóo tentou disfarçar como uma fábrica de fibras têxteis ecológicas, mas que causou indignação na sociedade galega quando se descobriu que se tratava de uma fábrica de celulose convencional, a ser instalada numa área protegida junto a um sítio Natura 2000 e ao Caminho de Santiago, que emitiria gases e partículas tóxicas através de uma chaminé de 75 metros, equivalente às emissões de CO2 de 21.500 carros , e que extrairia 46 milhões de litros de água do rio Ulla, dos quais 30 milhões de litros, purificados mas ainda contaminados, seriam devolvidos ao aquífero que desagua no estuário do rio Arousa .

Apesar de tudo, o governo galego (Xunta) emitiu um parecer favorável sobre o impacto ambiental da Altri no ano passado , um primeiro passo que foi posteriormente condicionado à exclusão do projeto do financiamento europeu através de fundos de descarbonização que a multinacional procurava. A Ministra da Indústria, Rueda, também indicou que "esta semana" informou a empresa de que ela tem três meses, o prazo legalmente estipulado, para "justificar a ligação" que apresentou na proposta do projeto, a qual o governo central negou. Caso não o faça, " o arquivamento formal do processo da Altri será automático ".

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2026

William Elliott Whitmore - Civilizations


Letra
Don’t mind me I’m just livin here
Don’t mind me I’m just livin’ here
Tear down the mountains, cut the forest clear
Don’t mind me I’m just livin here

Pay no attention I’m just trying to exist
Pay no attention I’m just trying to exist
I’ve said too much now my name’s on a list
pay no attention to me

I know, I know, I know
Civilizations they come and they go
Sooner or later they crumble and fall
We’re just here in the middle of it all

Don’t mind me I’m bleeding now
Don’t mind me I’m just bleeding now
A hand from above cut out my heart somehow
Don’t mind me I’m just bleeding now

Under the radar hopefully
Under the radar hopefully
I’ll live live live ‘til they bury me
Under the radar hopefully


"Civilizations" é uma das faixas mais poderosas do álbum Radium Death (2015), de William Elliott Whitmore. É uma música que resume bem a filosofia do artista: uma mistura de folk visceral, activismo rural e uma pitada de estoicismo.

A canção é acompanhada por um evocativo videoclipe animado em tons sépia, co-realizado por Joel Anderson e Matt Scharenbroich. Utiliza imagens de paisagens em transformação e decadência histórica para reflectir o tema de "ascensão e queda" da música.

O Significado e a Inspiração
A canção é uma reflexão sobre a natureza cíclica da história humana e a resiliência do "homem comum".
O Ciclo da História: o tema central é que impérios e governos — as "civilizações" do título — eventualmente desmoronam sob o próprio peso, enquanto as pessoas comuns e a terra permanecem.

Comentário político: Whitmore escreveu a música como uma crítica à arrogância das potências modernas. Ele frequentemente traça paralelos com a queda de Roma, sugerindo que sociedades que priorizam o progresso industrial desenfreado em detrimento da terra estão destinadas ao fracasso.

Raízes Pessoais: a inspiração veio de uma luta real na defesa da sua quinta familiar no Iowa. Na época, havia um projeto de instalação de um oleoduto que passaria pelas terras de sua avó, o que deu origem aos versos sobre montanhas sendo derrubadas e florestas devastadas.[Fonte]. Ler mais detalhadamente abaixo

Estilo Musical
Diferente de outras faixas de Radium Death, que trazem guitarras elétricas e uma sonoridade mais rock, "Civilizations" é minimalista e acústica.
O Banjo: a música é guiada por um dedilhado de banjo lento e deliberado.
A Voz: a voz grave e "rasgada" de Whitmore (que soa muito mais velha do que ele realmente é) dá à canção um peso ancestral, como se estivesse sendo cantada por alguém que já viu séculos passarem.


O Contexto Político (Obama e o Iowa)
Obama estava no seu segundo mandato e, curiosamente, o contexto político da época cria um contraste interessante com a mensagem da canção:

A Contradição da energia: embora a administração Obama tenha promovido energias renováveis, também presenciou um boom na produção de petróleo e gás natural nos EUA. Foi precisamente durante este período que o projeto da Dakota Access Pipeline (que Whitmore contestava ativamente no Iowa) avançou a nível federal.

O "Home State" Político: o Iowa foi o estado que catapultou a carreira de Obama em 2008. Ver um artista do Iowa como Whitmore a cantar sobre a queda de "civilizações" e a ganância das corporações em 2015 mostrava um certo desencanto de parte da população rural que sentia que as promessas de proteção ambiental e económica não estavam a chegar ao terreno.

A Canção como Protesto
Quando Whitmore canta "Civilizations, they come and they go" (As civilizações vêm e vão), ele está a adoptar uma perspetiva histórica longa, sugerindo que nenhum governo ou império — mesmo o de um presidente popular como Obama — é permanente face à força da natureza e da terra.

Whitmore chegou a participar em protestos físicos no Iowa contra a construção da conduta de petróleo durante esse governo

sexta-feira, 30 de janeiro de 2026

O problema com Stephen Miller é que ele não sente vergonha. O arquiteto da política de imigração de Trump cometeu um erro em Minneapolis



Depois da morte do enfermeiro norte-americano Alex Pretti às mãos do Serviço de Imigração e Alfândega (ICE) dos EUA, as atenções começam a virar-se para Stephen Miller, o principal conselheiro de Donald Trump, responsável por redesenhar a política de imigração do país.

Nas redes sociais, Miller não demorou a classificar a vítima como um “aspirante a assassino”, que tentou matar agentes federais”, apenas algumas horas depois do confronto fatal entre as forças do ICE e o homem de 37 anos. Mas nem Donald Trump parece concordar com a afirmação, tendo assegurado esta terça-feira que “não” acredita que Pretti fosse um assassino.

No mesmo dia, em declarações à CNN, Stephen Miller admitiu que os agentes “podem não ter seguido” o protocolo adequado antes do tiroteio que tirou a vida a Pretti - uma posição insólita vinda de alguém conhecido por reforçar as suas convicções, de acordo com o The Guardian.

Antes de ser contrariado pelo próprio presidente, já se levantavam dúvidas sobre a ausência do conselheiro na reunião de duas horas que Donald Trump realizou com a secretária da Segurança Interna, Kristi Noem, esta segunda-feira, de onde saiu um novo anúncio: foi destacado para Minneapolis o “czar da fronteira” da Casa Branca, Tom Homan, para “recalibrar as táticas” e melhorar a cooperação com as autoridades estatais e locais.

Além de Homan ser conhecido por criticar a abordagem de Stephen Miller, Donald Trump manteve ainda telefonemas cordiais com o governador do Minnesota, Tim Walz, e com o presidente da Câmara de Minneapolis, Jacob Frey.

“O problema com Stephen Miller é que o mal é resiliente. Ele não sente vergonha, não acha que isto seja algo mau. Está convencido de que outras pessoas o envergonharam, mas não acredita que ele esteja a conduzir um ataque às liberdades constitucionais dos americanos”, afirmou Rick Wilson, co-fundador do Lincoln Project (um grupo anti-Trump), citado pelo mesmo jornal.

Em maio do ano passado, o conselheiro de Trump encomendou ao serviço de imigração três mil detenções diárias, um aumento de quase dez vezes relativamente ao ano anterior. Segundo, Larry Jacobs, diretor do Centro para o Estudo da Política e Governação da Universidade do Minnesota, o abuso de poder de Miller foi um dos principais fatores a desacreditar a política de deportação de Donald Trump.

“O facto de ele ter sido afastado da reunião na Casa Branca é uma mensagem forte para Washington de que o presidente não aprova este processo e de que tem de haver uma mudança”, reforça o responsável, afastando, ainda assim, a possibilidade de Miller vir a ser despedido. “Não espero que Stephen Miller seja despedido, porque Donald Trump apoia a política, só não apoia a forma como foi executada”, sublinhou Larry Jacobs.

Apesar de os democratas terem avançado com uma iniciativa para destituir Kristi Noem, os especialistas não têm dúvidas de que o verdadeiro culpado da tragédia de Minneapolis é Miller, que ocupa ainda o cargo de vice-chefe de gabinete da Casa Branca.

Larry Jacobs destaca Stephen Miller como o verdadeiro “arquiteto” que “tem pressionado o ICE para endurecer e apresentar mais números, trazer pessoas e só depois ver se são as pessoas certas”.

“A imprudência, a brutalidade, a falta de processo legal. Tudo isso tem raízes em Stephen Miller”, frisou o especialista.

Depois do erro de Minneapolis, o principal conselheiro de Donald Trump “terá um papel público muito menor no futuro previsível”, afirmou Henry Olsen, investigador no Ethics and Public Policy Center, em Washington.

“É claro que Trump pessoalmente não gosta, do ponto de vista das relações-públicas, do que tem estado a acontecer, e é sensível a isso, sempre foi. Ele sabe, tanto pelo seu instinto como pelo que os dados lhe dizem, que Miller e Noem não se favoreceram com a forma como abordaram imediatamente a morte” de Pretti.

Mesmo assim, corrobora a opinião dos investigadores que não acreditam numa demissão de Miller: “Ele está com Trump há bastante tempo e o presidente não tem problemas em livrar-se de subordinados que não rendem, mas suspeita-se que Miller, em muitos aspetos, está a render e, por isso, Trump não o vai atirar borda fora precipitadamente.”

“Stephen Miller é demasiado dominante no esquema mental de Trump sobre o que a base MAGA quer, para ser verdadeiramente afastado do seu círculo. Não acho que exista um mundo em que Miller não mantenha a sua autoridade e o seu poder junto de Trump”, corrobora Rick Wilson.

Henry Olsen sublinha que é do interesse de Donald Trump manter Miller por perto, já que o vice-chefe de gabinete da Casa Branca, rende onde interessa ao presidente: na televisão. É um defensor combativo de Trump, que caracteriza os democratas como uma “organização extremista doméstica” e a América como líder de um mundo “governado pela força, governado pela violência, governado pelo poder”.

sábado, 3 de janeiro de 2026

Pretendem vender a Beira e outros territórios nacionais para serem a pilha eléctrica da Europa do norte



O primeiro flyer oficial já está pronto e pode ser impresso!

O que você pode fazer?

Compartilhe este post em todas as suas redes sociais, envie para seus amigos e use todos os meios digitais que tiver à disposição.

Leve a mensagem para o mundo real. Imprima flyers e cartazes – alguns poucos exemplares por conta própria, se puder. Ou peça apoio à sua administração local. Ninguém deve se comprometer financeiramente demais – mas se cada um fizer um pequeno esforço, podemos criar uma grande campanha.

Distribua os flyers nas ruas. Pergunte aos seus comércios e cafés favoritos se você pode deixar flyers ou colocar cartazes. Use o espaço público dentro dos limites legais. Cole um cartaz no interior do vidro do carro (onde não atrapalhe a visão). Incentive seus amigos a fazer o mesmo.

IMPORTANTE: Antes de imprimir, sempre verifique se o QR code funciona. Já circula um flyer onde isso não ocorre. Portanto, use apenas esta versão por enquanto. Nas próximas semanas, vamos lançar novos designs.

Claro, todos estão convidados a criar seu próprio design! A única solicitação: inclua o QR code correto. 
Sejamos criativos!

Mostremos solidariedade e senso de comunidade. Demonstremos força e determinação.
Vamos fazer Lisboa vibrar em 31 de janeiro!

Juntos somos fortes!

terça-feira, 30 de dezembro de 2025

Projeto de megacentral fotovoltaica em Castelo Branco volta a ser chumbado


A Agência Portuguesa do Ambiente voltou a chumbar a central fotovoltaica da Beira, em Castelo Branco.

O projeto da central solar da Beira iria ocupar mais de 500 hectares nos concelhos de Idanha-a-Nova e Castelo Branco. Previa a instalação de mais de 400 mil módulos fotovoltaicos, com 22 quilómetros de linhas de muito alta tensão, em paisagens protegidas e áreas classificadas.

O projeto foi chumbado pela Agência Portuguesa do Ambiente. A confirmação foi dada à SIC pela ministra Maria da Graça Carvalho.

A APA já tinha chumbado um projeto para esta central no ano passado. Com o novo chumbo, a empresa pode ainda apresentar uma nova versão.

A Plataforma de Defesa do Parque Natural do Tejo Internacional garante que continuará atenta, tendo também como foco outra megacentral solar, o projeto Sophia. Este é igualmente alvo de protestos e tem uma dimensão ainda maior.

São cerca de dois mil hectares nos concelhos do Fundão, Penamacor e Idanha-a-Nova. O projeto está ainda em fase de avaliação do estudo de impacte ambiental e aguarda parecer da Agência Portuguesa do Ambiente.

quarta-feira, 10 de dezembro de 2025

Greve Geral e Manifestação - é já amanhã


Se os patrões vão perder quase 800 milhões de euros por causa da greve, isso quer dizer que os trabalhadores que a fizerem produzem essa riqueza toda num dia só? E quanta dessa riqueza lhes cabe? Uma migalha? Duas?

De tanto quererem denegrir a greve, os patrões estão a abrir demais o jogo. Afinal, os trabalhadores são capazes de lhes fazer mais falta do que eles aos trabalhadores.

Saber mais:

segunda-feira, 10 de novembro de 2025

Trabalho precário - Portugal a caminho do Laos do Ocidente

Por Tiago Franco, 9 de Novembro
Enquanto as eleições do Benfica ocupavam boa parte do espaço mediático e das transmissões televisivas, mais de 100 000 trabalhadores saíram à rua para se manifestarem contra as alterações às leis laborais. Eu sou Benfiquista, daqueles que levam aquilo mesmo no osso, mas consigo perceber, acho eu, onde devem estar as prioridades de uma sociedade sob ataque.

Enquanto escrevo isto vejo um noticiário da CNN que abre com um direto, a partir de uma feira qualquer, onde a jornalista entrevista anónimos Benfiquistas a propósito do resultado de ontem. Às vezes acredito mesmo que temos o que merecemos.

As alterações ao código do trabalho, que foram passando entre burcas, futebol e imigrantes, serão, provavelmente, o momento que marcará a passagem de Montenegro pelo governo português e que, nos anos seguintes, ficará como a sua imagem de marca. Passos Coelho ficou colado, para a vida, à emigração dos professores. O Luís, da Spinumviva, ficará agarrado ao maior ataque aos trabalhadores desde Abril de 74. A propósito...algum dia teremos desenvolvimentos no caso dessa empresa extraordinária, que nunca teve conflitos laborais entre patrão e empregados?

O novo pacote laboral, para a minha geração pelo menos, deveria ser a primordial preocupação. Era este o debate que nos devia ocupar as horas televisivas. Era importante que os portugueses, que vivem do seu trabalho, percebessem o que está a ser alterado e de que forma isso os afecta.

O governo PSD-Chega vai conseguir ir para lá daquilo que seria o sonho molhado dos liberais em relação ao código do trabalho. Horários maiores, contratos mais precários e durante mais tempo. Facilitação do despedimento, maiores limitações às greves e ao trabalho sindical. Flexibilização de horários de trabalho nocturnos ou ao fim-de-semana. Possibilidade de fazer outsourcing (trabalho externo) para substituir trabalhadores despedidos (ou seja, incentivar mão de obra mais barata e precária).

Curiosamente...nem uma palavra sobre o aumento do salário mínimo. Em resumo, o novo código do trabalho far-nos-á mais pobres (se é que isso ainda é possível) e muito mais precários. Para quem não acompanha esta coisa dos sindicatos, pensem apenas nisto meus amigos...quando a CGTP e UGT dão a mão, é porque a coisa está mesmo preta.

Acho importante desmistificar aqui uma ou duas coisas que ouço, aqui e ali, dos liberais e radicais de direita, quando tentam defender estas medidas como um avanço em direção à Europa do norte. Meus amigos...há duas diferenças enormes, nisto do trabalho, entre Portugal e os países mais ricos a norte.
A primeira é o nível de formação da população e, como consequência disso, o tipo de trabalho desenvolvido.

Não é a mesma coisa flexibilizar as leis laborais num país cheio de indústrias ou hubs tecnológicos ou, noutro, que vive de serviços e turismo. A facilidade de encontrar novos empregos é muito maior no primeiro.

A segunda é que, ao contrário do que nos vendem, os sindicatos são fortíssimos nos países do norte e parceiros indispensáveis para a concertação social. Já para não falar da rede social de apoio. Portanto, os trabalhadores são protegidos e os sindicatos ouvidos.

Na minha área laboral é particularmente chocante perceber onde Portugal chegou nas últimas duas décadas. Deixámos de ser um país formador com potencial para passarmos a ser o hub da engenharia europeia do baixo custo. Já perdi a conta às multinacionais que vão para Portugal porque há "engenheiros bem formados, que falam inglês e trabalham 10h por dia por 1.000 e tal euros por mês". Este tipo de discussão é frequente e eu ouço-a envergonhado.

Aliás, é curioso, a propósito de um texto que aqui escrevi sobre deslocação de trabalho (meu) para o Vietname e, contas feitas, Portugal está em condições de competir com o custo do sudeste asiático. Algo absolutamente impensável em qualquer país da Europa civilizada.

O que Luís Montenegro e seus comparsas tentam é baixar, ainda mais, o nível já de si sofrível, deixando-nos à mercê dos baixos salários com a chantagem do despedimento ao virar da esquina. E mais do que isso, fazer com que a precariedade seja regra e o planeamento de uma vida familiar uma autêntica aventura.

Quem é que quer viver num país assim, pergunto. Quem é que fica, depois, surpreendido, que a imigração para Portugal se resuma a povos de países ainda mais miseráveis? Não é por demais óbvio que, em momento algum, o triunvirato PSD-Chega-Il poderá melhorar a qualidade de vida do português comum?

Aliás...qual é a diferença, nos dias de hoje, entre as políticas de Montenegro, Ventura ou Mariana Leitão?

É importante que compreendam o seguinte. Com a realidade do tecido empresarial português, a nossa formação e os empregos que a economia gera, este pacote laboral não nos leva para o norte europeu. Nem a Espanha chegamos, quanto mais ao norte.

Tudo o que podemos aspirar é continuar a formar gente que se vai embora, deixando para trás uma população envelhecida, pobre e com ódio ao vizinho do lado.

Esta é a grande luta que nos bateu à porta. Não são os tik-toks do Ventura, os paquistaneses da Uber ou a bola que foi ao poste. Temos que interromper, por uns tempos, a degustação de palha e focar no essencial.

Caso contrário, não nos poderemos queixar se, um dia, acordarmos no Laos do Oeste.

terça-feira, 4 de novembro de 2025

Quase metade de imigrantes recentes em Portugal sobrequalificados para trabalho que fazem


Foi divulgado esta segunda-feira o relatório da OCDE International Migration Outlook 2025. Entre vários dados apresentados relativamente ao fenómeno migratório em Portugal consta o cálculo de que 41% dos imigrantes recentes em Portugal são sobrequalificados para o trabalho que estão a fazer. Esta percentagem nos trabalhadores portugueses situa-se nos 12%, sendo assim um dos maiores fossos dos países analisados.

O nosso país é assim um dos destaques por ter uma taxa de sobrequalificação dos imigrantes “particularmente elevada” junto com a Itália, Noruega e Suécia. Isto contrasta com baixas taxas na Áustria e Alemanha e com uma taxa “praticamente nula no Canadá e nos Estados Unidos”.

Elencam-se explicações gerais para o desfasamento entre qualificações e emprego como os obstáculos no reconhecimento de qualificações e licenças profissionais, barreiras linguísticas e desajuste entre mercado de trabalho e qualificações.

No caso português salienta-se que 57% dos imigrantes são remetidos para a economia dos baixos salários dos setores do turismo, restauração e construção.

O estudo qualifica como imigrantes recentes” os que chegaram entre 2006 e 2015 e define sobrequalificação como o facto de o trabalhador deter um diploma de ensino superior e ter um trabalho que apenas exige qualificações médias ou baixas.

Portugal tem ainda uma das mais altas taxas de imigrantes empregados, 76%. E estes, quando entram no “mercado de trabalho” nacional ganham em média menos 28% do que os trabalhadores portugueses da mesma idade e sexo.

No país, o número de entradas de imigrantes de longa duração está a baixar. Entre 2023 e 2024 desceu 1,9%, sendo no total de 138.000. Neles se incluem 28% de imigrantes beneficiários de livre circulação, 44% de migrantes laborais e 14% de familiares, para além de estudantes internacionais do ensino superior que terão sido pelo menos 9.000.

Em termos gerais, a migração no espaço da OCDE desceu 4% em 2024, com um total de 6,2 milhões de novos migrantes de longa duração. No espaço da União Europeia este decréscimo é mais acentuado, nos EUA a tendência é de crescimento.

No conjunto dos países analisados, as razões familiares continuam a ser a maior causa, tendo a imigração laboral caído 21% e a humanitária aumentado 23%. Já a migração laboral estabilizou em 2,3 milhões e os estudantes do ensino superior foram 1,8 milhões, menos 13%.

O número de requerentes de asilo aumentou 13%. Na maior parte dos países até caiu, mas isso foi mais do que compensado por aumentos nos EUA, Canadá e Reino Unido. Na União Europeia, o número de deteções de passagens ilegais de fronteiras desceu 37% e nos EUA 48%. A percentagem de pessoas nascidas no estrangeiro nos países da OCDE situa-se nos 11.5%.

domingo, 21 de setembro de 2025

Porto contra os eucaliptos e na defesa da floresta tradicional

O país não pode estar entregue à celulose, além disso, o eucalipto não é assim tão bom negócio quanto isso.

"Com mais um bocado de trabalho, o carvalhal dá mais rendimento", argumentou Carlos Evaristo, apontando a um estudo da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD). Embora demore mais anos a crescer, uma floresta de carvalhos "permite subprodutos como os cogumelos ou o mel, valoriza a paisagem e atrai turistas - ninguém gosta de fazer turismo no meio dos eucaliptos", acrescentou, lembrando o mote principal da manifestação: os fogos florestais.

"O eucalipto é uma árvore que beneficia do fogo para se reproduzir", diz Carlos Evaristo. A árvore, originária da Austrália, não só medra no fogo como "é terreno fértil para outras invasoras como mimosas e acácias", argumentou, defendendo a substituição do eucaliptal por floresta autóctone. "Os carvalhos e sobreiros desenvolveram estratégias melhores para lidar com o ciclo do fogo", argumentou.

"A monocultura do eucalipto é uma paisagem monótona que só degrada os solos", que não é só consequência, mas também causa. "Num interior abandonado, o eucalipto cresce por ele próprio, não precisa de manutenção, não produz emprego e contribuiu mais para a desertificação", defende Carlos Evaristo.


O que precisamos é de uma floresta para o futuro, uma floresta com várias espécies misturadas e com espécies nativas, espécies que já estão adaptadas às nossas condições climáticas há milhares e milhares de anos, portanto, não precisamos de espécies exóticas que nos trazem os  problemas atrás referidos.

sexta-feira, 19 de setembro de 2025

Marque na sua agenda - Participe amanhã na Manifestação "Deseucaliptar, Descarbonizar e Democratizar", em várias regiões do País


Toda a informação aqui

Este sábado, dia 20 de Setembro, haverá manifestações em 15 localidades do país, sob o mote de "que outra floresta é possível" e também "outra vida é possível para quem persiste em habitar em zonas rurais". Organizada por um grupo de cidadãos, a iniciativa terá lugar em Águeda, Arganil, Aveiro, Braga, Coimbra, Lisboa, Lousã, Odemira, Oliveira do Hospital, Pedrógão Grande e no Porto. 

Os mobilizadores defendem que "há várias propostas e reflexões a fazer", bem como "exigências e demandas imediatas e para os próximos anos". A iniciativa acontece a dois dias do começo do Outono, escolha que não terá sido aleatória. "O Verão finda e as televisões, os jornais, as rádios, as conversas nos cafés estão já concentradas noutros temas", reflectem os cidadãos, nas redes sociais, defendendo que a floresta e os incêndios rurais são temas para todo o ano.

Mobilização popular é "necessária"
Já em Setembro de 2024, a rede cidadã havia organizado o protesto "Pela Floresta do Futuro" e afirmou, em Agosto passado, que estava a iniciar um "processo de mobilização, contactando organizações nacionais e na Galiza". O objectivo primeiro é "lutar pela vida das pessoas que vivem nas áreas rurais, mas não só, é necessária uma crescente mobilização popular que travem os planos catastróficos que resultam da combinação dos interesses da indústria dos fósseis e das celuloses, apoiados pelos governos ibéricos durante as últimas décadas", acusam.

Este Verão, Portugal foi o país com a maior percentagem de área ardida da União Europeia. Foram destruídos mais de 3% do território nacional, com o incêndio de Arganil a assumir-se como o maior de sempre.

quarta-feira, 6 de agosto de 2025

Microsoft storing Israeli intelligence trove used to attack Palestinians

Microsoft Israel’s R&D Center, Herzliya

The Israeli army’s elite cyber warfare unit is using Microsoft’s cloud servers to store masses of intelligence on Palestinians in the West Bank and Gaza — information that has been used to plan deadly airstrikes and shape military operations, an investigation by +972 Magazine, Local Call, and the Guardian can reveal.

Unit 8200, roughly equivalent in function to the U.S. National Security Agency (NSA), has transferred audio files of millions of calls by Palestinians in the occupied territories onto Microsoft’s cloud computing platform, Azure, operationalizing what is likely one of the world’s largest and most intrusive collections of surveillance data over a single population group. This is according to interviews with 11 Microsoft and Israeli intelligence sources in addition to a cache of leaked internal Microsoft documents obtained by the Guardian.

In a meeting at Microsoft’s headquarters in Seattle in late 2021, the then-head of Unit 8200, Yossi Sariel, won the support of the tech giant’s CEO, Satya Nadella, to develop a customized and segregated area within Azure that has facilitated the army’s mass surveillance project. According to the sources, Sariel approached Microsoft because the scope of Israel’s intelligence on millions of Palestinians in the West Bank and Gaza is so vast that it cannot be stored on military servers alone.

Microsoft’s immense storage and computing power capabilities enabled what multiple Israeli sources described as the project’s ambitious goal: to store “a million calls an hour.”

Following the 2021 meeting, a dedicated team of Microsoft engineers began working directly with Unit 8200 to build a model that would allow the intelligence unit to use the American company’s cloud services from within its own bases. According to one intelligence source, some of these Microsoft employees were themselves alumni of Unit 8200, which made the collaboration “much easier.”

According to the Guardian’s reporting, the leaked documents suggest that 11,500 terabytes of Israeli military data — equivalent to roughly 200 million hours of audio — were being stored on Microsoft’s servers in the Netherlands by July of this year, while smaller portions were being stored in Ireland and Israel. It is not possible to tell how much of this data belongs specifically to Unit 8200; as a previous investigation by +972, Local Call, and the Guardian revealed earlier this year, dozens of Israeli army units have purchased cloud computing services from Microsoft, and the company has a footprint in all major military infrastructures in Israel.

The leaked documents further reveal that before the current Gaza war, Microsoft’s leadership viewed the cultivation of the company’s relationship with Unit 8200 as a lucrative business opportunity and characterized it internally as “an incredibly powerful brand moment” for Azure. Nadella himself, during his 2021 meeting with Sariel, defined the partnership as “critical” for Microsoft, and committed to providing the resources to support it.

Microsoft has said publicly that it found “no evidence” that its technology was used to harm Palestinians in Gaza, and a spokesperson told us in response to this investigation that the company was unaware that its products had been used to aid the surveillance of civilians. But three Israeli intelligence sources stated that Unit 8200’s cloud-based intelligence trove has been used over the past two years to plan lethal airstrikes in Gaza, and that it often serves as a basis for arrests and other military operations in the West Bank.

Tracking everyone, all the time’
Sariel’s interest in upgrading Israel’s mass surveillance infrastructure dates back to 2015, when he was an intelligence officer in Israel’s Central Command. That year witnessed a wave of “lone-wolf” stabbing attacks in the West Bank, Jerusalem, and inside the Green Line — many of them carried out by Palestinian teenagers previously unknown to the security services, making the attacks particularly difficult to thwart.

“We found ourselves going … from funeral to funeral,” Sariel recalled in a book he published about artificial intelligence in 2021, the year he took over as head of Unit 8200 (he resigned last year).

“[A Palestinian] decides to perpetrate an attack using a kitchen knife to stab a victim, or the family vehicle to run people over,” he wrote. “Sometimes the person doesn’t even know a day before that he or she is going to commit such an attack. In these cases, traditional intelligence agencies are helpless. How can such an attack be predicted or prevented?”

Sariel’s solution, according to an intelligence officer who served under him at the time, was to start “tracking everyone, all the time.”

Over the next few years, he led a large-scale, well-funded project that dramatically expanded Israel’s surveillance of Palestinians and integrated multiple intelligence databases. “Suddenly, the public became our enemy,” another source who served in the unit under Sariel said.

In his book, Sariel wrote about the need for intelligence agencies to “migrate to the cloud” to deal with the problem of how to store increasingly vast amounts of data. +972 and Local Call previously revealed that the Israeli army has also used Amazon’s cloud computing platform, AWS, to store internal military data.

Sariel saw the collaboration with Microsoft as a breakthrough specifically because it would enable the mass storage of audio files. Multiple sources used the word “infinite” to describe the project’s scale.

Beforehand, Unit 8200 could store the calls of tens of thousands of Palestinians defined as “suspects” on its internal servers. The unit also developed a system called “noisy message,” which collects Palestinians’ text messages and assigns each of them a rating indicating their level of “danger.” But with the help of Azure, Unit 8200 was able to begin storing the calls of millions of Palestinians, vastly expanding its pool of data.

A senior source in Unit 8200 explained that Sariel viewed his relationship with Nadella, the Microsoft CEO, as a tool to advance “revolutions” in mass surveillance of Palestinians. “Yossi bragged a lot, even to me, about his connection with Satya,” the source said. (In response to this investigation, a Microsoft spokesperson stated that Nadella was only present in the 2021 meeting for 10 minutes, and that their only further contact was a condolence card Sariel sent after the death of Nadella’s son.)

Not everyone in the unit looked favorably on this partnership. One source familiar with the project said it was significantly more expensive to transfer data to Microsoft’s servers than it would have been to purchase servers and processors independently. Others in the unit felt uncomfortable about storing sensitive information overseas. But Sariel insisted, making clear his excitement for the project’s potential.

“For Yossi, ‘cloud’ and ‘Microsoft’ are buzzwords,” one intelligence source said. “He sold it internally and that’s how he got a huge budget. He said it was the solution to our problem in the Palestinian arena, and that this was the future.”

‘This isn’t leaving Azure anytime soon’
By early 2022, engineers from Microsoft and Unit 8200 were working quickly and closely to design a special model within the cloud that would be carefully tailored to the unit’s needs. “The rhythm of interaction with [8200] is daily, top down and bottom up,” one internal document noted.

As part of its effort to migrate vast amounts of its surveillance data to the cloud, the leaked documents reveal, Unit 8200 was prepared to “push the envelope” on the types of data it was willing to store on Azure. A significant portion of the raw intelligence was expected to reside initially in Microsoft data centers outside of Israel. But Israel’s Justice Ministry and Finance Ministry raised concerns about potential lawsuits against cloud service providers abroad, which could force them to hand over stored data if it was suspected of being used to violate human rights.

An internal legal opinion from the Justice Ministry in 2022 noted that both France and Germany required corporations to check for human rights violations in their supply chains by law. If it were to be revealed that these corporations are operating in the occupied Palestinian territories, such laws “may lead to the issuance of orders to prevent or restrict services” to Israel, it noted. The ministry warned that the Netherlands was working on similar legislation.

Since cloud service providers are “some of the largest and most powerful companies in the world,” one Justice Ministry document warned, a potential lawsuit would be particularly harmful to Israel. Despite these concerns, Unit 8200’s partnership with Microsoft continued, spearheaded by Sariel himself.

After Israel launched a war on the Gaza Strip in the wake of Hamas’ October 7 attack, it soon became clear that the enclave would remain under Israeli military control for a significant period. As a result, an intelligence officer explained, internal enthusiasm for storing mass surveillance data from Gaza on the cloud-based system increased.

“[The army] understood that this is also needed in Gaza — that we’re heading toward long-term control there, like in the West Bank,” the source explained. “This [surveillance repository] isn’t leaving Azure anytime soon. It’s a huge project.”

Several sources insisted that the project has “saved Israeli lives” by preventing Palestinian attacks. “You hear [someone say], ‘I want to become a martyr,’ and you feel reassured, as a security officer, that this stuff is being picked up by our system,” one officer said.

But such blanket surveillance allows Israel to find potentially incriminating information on virtually any Palestinian, which can be used for all manner of purposes — including blackmail, administrative detention, or retroactively justifying killings.

“These people get entered into the system, and the data on them just keeps growing,” an intelligence officer who recently served in the West Bank explained. “When they need to arrest someone and there isn’t a good enough reason to do so, [the surveillance repository] is where they find the excuse. We’re now in a situation where almost no one in the [occupied] territories is ‘clean,’ in terms of what intelligence has on them.”
‘Serious allegations of complicity in genocide’

In internal documents from 2023, Microsoft estimated that the partnership with Unit 8200 would generate hundreds of millions of dollars for the company over five years. It noted that the unit’s leadership hoped to multiply the amount of data it stores in Microsoft’s servers “tenfold” over the next few years.

But media reports of Microsoft’s complicity in Israel’s onslaught on Gaza — including the revelation by +972 and Local Call that the company’s cloud and artificial intelligence sales to the Israeli military skyrocketed during the war — have increased pressure on the company from the public as well as from its own employees.

In one highly publicized incident at the company’s annual conference in May, a Microsoft engineer interrupted Nadella’s keynote speech. “Satya, how about you show how Microsoft is killing Palestinians?” he shouted. “How about you show how Israeli war crimes are powered by Azure?”

Against this backdrop, 60 Microsoft investors, collectively holding shares worth $80 million, approached the company in July with a demand to review its monitoring and oversight mechanisms for customers who misuse AI tools, “in the face of serious allegations of complicity in genocide and other international crimes.”

Responding to the mounting pressure, Microsoft announced that it had conducted a review of whether its sales to Israel’s Defense Ministry had led to human rights violations. According to the statement, Microsoft provided “limited emergency support” to the Israeli army in the aftermath of October 7 to “help rescue hostages.” The company emphasized that there is “no evidence to date” that the military used Azure to “harm people in the conflict in Gaza,” stressing that Microsoft’s support didn’t violate “the privacy and other rights of civilians in Gaza.”

Yet the internal documents detailing Microsoft’s partnership with Unit 8200 paint a different picture of the company’s concern for Palestinians’ privacy. In fact, Palestinians were not mentioned in the documents summarizing the 2021 meeting between Sariel and Nadella, which also involved Israeli intelligence officers and senior Microsoft executives.

According to the Guardian’s reporting, Unit 8200 informed Microsoft of its intention to transfer up to “70 percent” of its data, including secret and top secret data, to Azure. And while the project’s ultimate goal (beyond “deepen[ing] the partnership”) does not appear to have been explicitly stated, an intelligence source said that executives of Microsoft’s Israeli subsidiary — who worked closely with Unit 8200 personnel on the project — were given clearer indications.

“Technically, they’re not supposed to be told exactly what it is, but you don’t have to be a genius to figure it out,” the source noted. “You tell [Microsoft] we don’t have any more space on the servers, that it’s audio files. It’s pretty clear what it is.”

In response to our investigation, a Microsoft spokesperson stated: “Microsoft’s engagement with Unit 8200 has been based on strengthening cybersecurity and protecting Israel from nation state and terrorist cyber attacks. This was the purpose of the meeting in November of 2021 and, in addition to our standard commercial relationship, is the basis of our ongoing relationship with the 8200 Unit.

“The leadership of Unit 8200 was interested in assessing security protection for data in our Azure public cloud offering,” the spokesperson continued. “We offer specific protections to numerous customers in retail, financial services and consulting organizations, as well as governments. Unit 8200 was interested in and tested this security; this was not a ‘secret’ or tented project.

“At no time during this engagement or since that time has Microsoft been aware of the surveillance of civilians or collection of their cell phone conversations using Microsoft’s services, including through the external review it commissioned,” the spokesperson went on. “Any allegations about Microsoft leadership involvement and support of this project … are false.”

The IDF Spokesperson stated that “the coordination between the Defense Ministry and the IDF with civilian companies is conducted based on regulated and legally supervised agreements,” adding that the army operates “in accordance with international law, with the aim of countering terrorism and ensuring the security of the state and its citizens.”

Yossi Sariel declined to comment, referring us to the IDF Spokesperson.

Following publication of this article, the IDF Spokesperson sent another statement: “We appreciate Microsoft’s support to protect our cybersecurity. We confirm that Microsoft is not and has not been working with the IDF on the storage or processing of data.”

quarta-feira, 4 de junho de 2025

Petição dirigida à Assembleia da República para o reconhecimento do Estado da Palestina


Numa petição tornada pública esta terça-feira e que pode ser assinada aqui, mais de cem personalidades exigem que o Estado português tome finalmente a decisão de reconhecer o Estado da Palestina. Os promotores entendem que o "reconhecimento do Estado da Palestina por parte de um grande número de países é, hoje, uma forma eficaz de, no plano diplomático, demonstrar a solidariedade para com o povo palestiniano e pressionar o governo israelita a pôr fim à escalada de violência contra as populações de Gaza e da Cisjordânia". E concluem que “apenas o reconhecimento do direito do povo palestiniano a constituir o seu próprio Estado permitirá abrir um horizonte de esperança num futuro de paz para a região”.

"Os abaixo-assinados não admitem ser testemunhas silenciosas ou passivas destes crimes. Ao condená-los, recordam décadas de violência e humilhações contra o povo palestiniano", diz o documento citado pela agência Lusa e que é subscrito por figuras do meio académico e cultural como António Sampaio da Nóvoa, Júlio Machado Vaz, Maria de Lurdes Rodrigues, Teresa Violante, Vital Moreira, Pilar del Rio, Ana Bacalhau, Capicua, José Eduardo Agualusa, José Luís Peixoto, Valter Hugo Mãe, Sérgio Godinho ou Rui Reininho. No plano político, além de Sampaio da Nóvoa, a lista de promotores conta ainda com outra antiga candidata presidencial, Ana Gomes, os ex-deputados bloquistas Alda Sousa, João Teixeira Lopes e José Manuel Pureza, o ex-presidente da Assembleia da República Ferro Rodrigues e um antigo secretário de Estado do governo de Passos Coelho, Bruno Maçães, entre outros atuais e ex-parlamentares.

O texto diz ainda que os signatários seguem "com crescente preocupação o agravamento das violações de direitos humanos e da lei humanitária internacional, os crimes de guerra e a escalada de violência sobre civis em Gaza e na Cisjordânia". Além do reconhecimento do Estado da Palestina, os signatários querem que Portugal se comprometa com as deliberações do Tribunal Penal Internacional, “nomeadamente apoiando o cumprimento de mandados de captura contra Benjamin Netanyahu, primeiro-ministro de Israel e Yoav Gallant, ex-Ministro da Defesa de Israel” e que o nosso país “impossibilite o trânsito e o transbordo de material militar destinado a Israel em território português ou águas territoriais portuguesas e adote as políticas necessárias para garantir que entidades jurídicas privadas registadas na jurisdição portuguesa cessem a prestação de serviços utilizados por Israel nas suas operações militares em Gaza”.

Em declarações ao Público, Sampaio da Nóvoa explicou o seu apoio a esta iniciativa, dizendo que “ao longo da História, foi pelo silêncio de muitos, e que tantas vezes foram as vítimas seguintes, que se cometeram as maiores barbaridades. Não podemos ficar em silêncio.”

Noutra iniciativa, que junta 146 “personalidades que, de um ou outro modo, trabalham em ligação com a infância”, na maioria escritores e ilustradores, também se defende que “ante o massacre de milhares de crianças e outros palestinos em Gaza, não seremos cúmplices pelo silêncio”. Segundo a agência Lusa, o abaixo assinado dinamizado pelas ilustradoras Ana Biscaia e Inês Oliveira e pelo escritor João Pedro Mésseder juntou escritores como Alice Vieira, Álvaro Magalhães, Ana Filomena Amaral, António Mota, José Fanha, Luísa Ducla Soares e Rita Taborda Duarte e ilustradores como André Carrilho, Catarina Sobral, Madalena Matoso, Mariana Rio, Rachel Caiano e Yara Kono. “Denunciamos e repudiamos o genocídio”, afirmam os signatários, considerando que “um mundo de paz é possível”.

Outro manifesto divulgado na semana passada juntou mais de 230 escritores de língua portuguesa num apelo ao cessar-fogo imediato na Palestina e em defesa da “entrada urgente de ajuda humanitária nos territórios ocupados”. A iniciativa foi da Fundação José Saramago e juntou nomes como Lídia Jorge, Teolinda Gersão, Chico Buarque, José Eduardo Agualusa, Mia Couto e Mário Lúcio Sousa. Iniciativas semelhantes ocorreram no Reino Unido e Irlanda e também em França.

Hoje , 4 de junho, o MPPM convoca uma manifestação em solidariedade com a Palestina e pelo fim do genocídio, com ponto de partida às 18h no Largo do Chiado. O protesto seguirá até ao Largo 1.º de Dezembro.

“Ajuda” israelita já matou mais de 100 nas filas
Os massacres da população faminta em Gaza são agora diários, com as tropas de Israel a abrirem fogo sobre os deslocados que se dirigem aos centros de distribuição de alimentos geridos por uma organização patrocinada por Israel e EUA. Na manhã de terça-feira, os disparos fizeram pelo menos 27 mortos e dezenas de feridos num desses pontos em Rafah.

Um porta-voz da Cruz Vermelha disse à Reuters que o seu hospital de campanha recebeu 184 vítimas, dos quais 19 foi declarado o óbito à chegada, tendo outros oito morrido pouco depois devido aos ferimentos. As autoridades de Gaza elevam para 102 o número de mortos nestes pontos de distribuição de alimentos na última semana.

“Atacar os famintos enquanto procuram o seu sustento revela a natureza deste inimigo fascista, que usa a fome e os bombardeamentos como armas de morte e de deslocação, como parte de um plano sistemático para esvaziar Gaza da sua população”, afirmou o Hamas, considerando o processo promovido pelos israelitas e estadunidenses à margem das redes de apoio da ONU e das ONG no terreno como “uma armadilha de morte e humilhação”

quinta-feira, 15 de maio de 2025

Ben & Jerry's co-founder arrested after Senate Gaza protest



Ben Cohen, the co-founder of Ben & Jerry's, was arrested during a protest in the US Senate over military aid to Israel and humanitarian conditions in Gaza.

Protesters disrupted the hearing on Wednesday while Health and Human Services Secretary Robert F Kennedy Jr was testifying.

Mr Cohen was charged with a misdemeanour offence, while another six demonstrators were also arrested and face a number of more serious charges, US Capitol Police told BBC News.

A video shared on social media showed Mr Cohen being escorted from the building by police with his hands tied behind his back.

"Congress kills poor kids in Gaza by buying bombs, and pays for it by kicking kids off Medicaid in the US," he said in a video after someone asked why he was "getting arrested".

A police spokesperson said that Mr Cohen was charged with crowding, obstructing or incommoding - a misdemeanour offence often used in civil disobedience cases in the US capital.

Six other demonstrators were also arrested at the hearing and face charges including assaulting a police officer and/or resisting arrest.

Ben & Jerry's has long been known for taking a public stance on social and political issues since it was founded in 1978 by Mr Cohen and Jerry Greenfield.

It has often backed campaigns on issues like LGBTQ+ rights and climate change.

Ben & Jerry's was bought by the multinational consumers goods giant Unilever in 2000.

The merger agreement between the two companies created an independent board tasked with protecting Ben & Jerry's values and mission.

But Unilever and Ben & Jerry's have been at loggerheads for a while. Their relationship soured in 2021 when Ben & Jerry's announced it was halting sales in the West Bank.


In response to a request for comment, a spokesperson for Unilever told BBC News: "Ben Cohen takes stances as an activist citizen on issues he finds personally important.

"These actions are on his own as an individual and not on behalf of Ben & Jerry's or Unilever."

In March, Ben & Jerry's filed a legal case accusing Unilever of sacking chief executive David Stever over disagreements over the brand's political campaigns.

At the time a Unilever spokesperson said it was "disappointed that the confidentiality of an employee career conversation has been made public".

The dispute escalated over the last year as Ben & Jerry's advocated for a ceasefire in Gaza.

quarta-feira, 7 de maio de 2025

A greve histórica da CP e a ferrovia em Portugal


Os comboios estão totalmente parados porque o Governo negociou com os sindicatos e dois dias depois disse que não ia cumprir nada do que negociou. Mais transparente não há. Montenegro conseguiu o pleno, juntar todos os sindicatos, todas as profissões da ferrovia porque andou a gozar com quem trabalha. O Governo diz que a culpa é de estar em gestão, mas os governos podem legislar em gestão e este legislou. Montenegro aprovou, já em gestão, investimento em milhões, nomeadamente no Plano Nacional Ferroviário, nomeou novos dirigentes, anunciou a deportação - palavra impronunciável - de trabalhadores. Os trabalhadores da ferrovia não aceitaram a imposição de um aumento inferior ao salário mínimo, depois houve nova negociação, chegaram a um acordo, e dois dias depois o Governo diz que não aceita o que tinha assinado. A greve geral da ferrovia foi a resposta, mostrando quem é essencial ao país - quem trabalha. Um dos escribas do status quo, João Miguel Tavares, deixou uma ideia no Público, da Sonae, proibir a greve no sector público. Este é o calibre democrático deste projecto político - ganhem mal, mentimos, e logo a seguir proibimos que se manifestem. Eis o projecto político das classes dirigentes portuguesas.

A ferrovia em Portugal foi preterida às PPPs nas auto-estradas, o comboio - o meio mais seguro, confortável e ecológico - é desprezado, a CP abre concursos e não consegue ter trabalhadores, até o anúncio da alta velocidade é uma incógnita para financiar a Banca porque o PRR só dá uma ínfima parte - e é com dívida; nem de Lisboa a Caldas da Rainha se consegue ir em menos de 2 horas; os trabalhadores fazem turnos atrás de turnos, adoecem a trabalhar e trazem para casa pouco mais do que o salário mínimo.

Disseram e bem que não aceitam aumentos inferiores ao salário mínimo. Todo o jogo deste e dos Governos desde a Troika é aumentar o salário mínimo e não aumentar o médio, de tal forma que dentro de pouco tempo - se não se seguir o exemplo destas greves sérias - todos estaremos a ganhar o salário mínimo. Por isso, estes trabalhadores hoje representam-nos a todos. Contra viver com o mínimo, por uma ferrovia decente, que nos transporte com conforto. Um país que pensa nas pessoas.

terça-feira, 6 de maio de 2025

O Direito ao Litoral



O fenómeno não é novo. Chama-se privatização do país. Transforma-lo numa coutada exclusiva para alguns. Na ultima década e meia, em Portugal, depois de Lisboa e Porto, outros pontos do território, em meio urbano ou rural, vão sendo atingidos pelo mesmo vírus. 

No caso, é todo o eixo Setúbal, Troia, Comporta, Melides e Galé, outrora toda uma vasta área de coabitação entre diferentes estilos de vida, classes sociais e disposições. Desde miúdo que frequento aquelas terras e areais e sempre ouvi dizer: “Isto dá para todos!” Cada vez mais se percebe que não é verdade. A história já foi contada muitas vezes noutros lados. 

Existe um território apetecível. Vai havendo investimentos privados. Os empreendimentos propagam-se. O turismo (de luxo, no caso) expande-se. A teia entre políticos, investidores e redes de interesses intensifica-se. Os planos e leis que outrora zelavam pelo bem comum, vão sendo abolidas e as delimitações entre o que é público e privado vão-se dissipando. 

A segregação faz-se de muitas maneiras. Existe a pornográfica, através do dinheiro. Aumenta-se exponencialmente os preços. Dos Ferry Boats. Dos restaurantes. Do imobiliário. Do turismo. Outras vezes a coisa é mais subtil, através da imposição de um certo estilo de vida entre semelhantes, de tal forma que os restantes acabarão por sentir-se excluídos. 

A população, residente, ou flutuante, assiste a tudo, numa primeira fase, com regozijo, com alguns a amealharem alguns cobres, e numa segunda fase com apreensão, porque vão percebendo que também são excluídos, ao mesmo tempo que os equilíbrios (ambientais ou socioculturais) vão sendo postos em causa. Um pequeno exemplo. 

A construção de um dos vários empreendimentos de larga escala (construção de 292 residências de luxo e mais um campo de golfe) implicou o cancelamento – por enquanto, parcial, porque ainda existe – do Parque de Campismo da Galé. Mas como a população que ali afluía dinamizava a economia local – ao contrário do turismo de luxo – todo o ecossistema económico se ressentiu. 

É aí que estamos. Os investimentos continuam. Os atentados ambientais também. O frenesim de construção não abranda. Há zonas onde só se avistam retroescavadoras e guindastes. A presença de seguranças é uma constante. Os acessos às praias, para quem vem de fora, vão sendo muito habilmente dificultados, quando não mesmo bloqueados.

O direito ao litoral está posto em causa. Depois, existe quem reaja e resista. Associações, plataformas, grupos de cidadãos. Não existe ilusões. Os cidadãos estão atomizados, fragmentados, isolados. É David contra Golias, mas se nada for feito, então, é que será mesmo o fim. Ninguém tem nada contra o investimento privado ou a dinamização territorial, mas sim contra o facto de os desequilíbrios não serem acautelados, as intervenções em vez de serem feitas com pinças, serem realizadas com buldózeres, apenas atendendo ao lucro, sem respeito pelo ambiente, e pela diversidade socioeconómica e cultural. 

Nos últimos três dias o movimento Reabrir a Galé gritou, em diversas iniciativas, entre manifestações nos Ferry Boats, conversas públicas e caminhadas, pelo Direito ao Litoral. Ontem ao caminhar pelo areal a perder de vista pensava num comentário da minha amiga Carla Baptista. “Quem diria que em 2025 tínhamos de estar a lutar pelo direito de ir à praia?”, escrevia ela. “Não há nada mais ilustrativo do estado do mundo.” É mesmo isso. 

E o pior é pensar que, daqui a uns anos, se nada for feito, quem agora aqui investe milhões, irá para qualquer outro lugar, porque o que seduzia no início estará esgotado ou totalmente destruído. E o capital irá colonizar outro território qualquer virgem. Marte, talvez.