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quarta-feira, 2 de setembro de 2026

ULTRA SUNN - Can You Believe It

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O renascimento na pista de dança: a elegância existencial e a froça EBM de "Can You Believe It" dos ULTRA SUNN

A cena eletrónica e alternativa contemporânea vive numa busca permanente pelo equilíbrio entre a herança do passado e a urgência do presente. Na faixa "Can You Believe It", pertencente ao EP Kill Your Idols, o duo belga ULTRA SUNN - formado em Bruxelas em 2019 pelo vocalista Sam Hugé (Sam Gaalle) e pela produtora e teclista Gaelle Souflet - entrega uma resposta definitiva a essa procura, assinando uma das composições mais marcantes do EBM, do Modern Darkwave e do Futurepop contemporâneo. Oriundo de uma cidade com uma tradição histórica na música industrial e na New Beat, o projeto destaca-se não apenas pela robustez da sua produção, mas sobretudo pela forma como desafia os clichés e as fórmulas habituais da música obscura.

Liricamente, a canção afasta-se do niilismo e da melancolia tipicamente associados ao pós-punk dos anos 80. Em vez de se focar na decadência, a escrita propõe um manifesto pragmático de emancipação, autoafirmação e metamorfose pessoal. O conceito central gira em torno da libertação em relação ao julgamento e às expetativas alheias, onde a figura do "homem invisível" deixa de ser um símbolo de isolamento passivo para se transformar na conquista da verdadeira autonomia. Ao afirmar que está de regresso à vida ("I'm coming back to life"), a voz barítona e aveludada de Sam Hugé atua como uma âncora de serenidade e firmeza, estabelecendo um contraste hipnótico com a pulsão rítmica da instrumentalização.

A banda define a sua abordagem como positive darkwave - uma visão clara onde o espaço escuro do clube se transforma num refúgio seguro de catarse, igualdade e celebração, em vez de um lugar de desespero. Esta perspetiva ganha uma tradução visual direta no videoclipe, realizado e editado pelos próprios membros do projeto, onde o minimalismo de iluminação, os jogos de sombras e o foco no movimento corporal substituem narrativas complexas pela pura afirmação da presença física e da liberdade individual.

Esta proposta ganha ainda mais sofisticação através da androginia intencional de Sam Hugé. A sua imagem contrapõe-se à hipermasculinidade e ao militarismo clássicos do EBM dos anos 80. O contraste entre a profundidade grave da sua voz e a delicadeza fluida da sua presença de palco desmistifica a agressividade viril do género, transformando a estética do corpo num espaço neutro de liberdade e inclusão.

Musicalmente, a faixa brilha pela precisão do seu desenho de som e pela clara assimilação do ADN do Futurepop. A produção de Gaelle Souflet combina baixos encorpados e batidas four-on-the-floor inspiradas no Techno e no EBM moderno com uma clareza de frequências cristalina, desenhada para os sistemas de som atuais. A estrutura recupera a sensibilidade melódica e a atmosfera espacial e futurista que nomes como VNV Nation, Covenant ou Apoptygma Berzerk popularizaram na transição para o milénio. Contudo, em vez de recorrer à agressividade vocal do EBM industrial clássico, opta por um tom sóbrio, limpo e solene. É precisamente nesta fusão entre a atitude soturna dos clássicos, a elegância do Futurepop, a subversão estética e a energia limpa dos clubes contemporâneos que os ULTRA SUNN encontram a sua novidade, provando que a música alternativa pode renovar-se e oferecer uma mensagem de força, luz e libertação.

sexta-feira, 7 de agosto de 2026

She Past Away - Soluk

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Letra
Katıl bize
Bu son çağırı
Tanrın hatalı
Işığı gör 

Katıl bize
Bu son çağırı
Tanrın hatalı
Işığı gör

Hatırla bilgeyi!
O yol gösteren
Boyun eğme!
Hiçliğin bilinciyle

Hatalı tasarım
Sonu yakın
Yalanlarla filizlenen
Medeniyet
Çürüyor giderek

Medeniyet

Yalanlarla filizlenen
Medeniyet
Çürüyor giderek

Medeniyet

Çürüyor giderek

Hatırla bilgeyi!
O yol gösteren
Boyun eğme!
Hiçliğin bilinciyle

Hatalı tasarım
Sonu yakın
Yalanlarla filizlenen
Medeniyet
Çürüyor giderek

Medeniyet

Yalanlarla filizlenen
Medeniyet
Çürüyor giderek

Yalanlarla filizlenen
Medeniyet
Çürüyor giderek

Tradução
Junte-se a nós
Este é o último chamado
O seu Deus está errado
Veja a luz

Junte-se a nós
Este é o último chamado
O seu Deus está errado
Veja a luz

Lembre-se do sábio!

Aquele que guia
Não se submeta!

Com a consciência do nada

Projeto falho
O fim está próximo
A civilização que brotou com mentiras
Está a deteriorar-se gradualmente

Civilização
A civilização que brotou com mentiras
Está a deteriorar-se gradualmente

Civilização
A civilização que brotou com mentiras
Está a deteriorar-se gradualmente

Civilização
Está a deteriorar-se gradualmente

Lembre-se do sábio!
Aquele que guia
Não se submeta!

Com a consciência do nada

Projeto falho
O fim está próximo
A civilização que brotou com mentiras
Está a deteriorar-se gradualmente

Civilização
A civilização que brotou com mentiras
Está a deteriorar-se gradualmente

A civilização que brotou com mentiras
Está a deteriorar-se gradualmente

Crítica à religião e sociedade em “Soluk” de She Past Away
O videoclipe de «Soluk» (termo turco que se traduz como Pálido ou Sopro/Hálito), lançado pelos She Past Away em 2015, faz parte do álbum Narin Yalnızlık

A obra resulta de uma colaboração artística transnacional que junta várias geografias. A banda She Past Away é originária da Turquia (formada em Bursa e sediada entre Istambul e Atenas), sendo composta por Volkan Caner e Doruk Öztürkcan, com composição original partilhada com İdris Akbulut. O videoclipe foi realizado por Dimitris Chaz Lee, de nacionalidade grega, e lançado pela discográfica independente Fabrika Records, igualmente sediada na Grécia. Por sua vez, as figuras centrais que protagonizam o vídeo são a dupla andrógina da banda americana de neo-post-punk Drab Majesty (Andrew Clinco / Deb Demure e Alex Nicolaou / Mona D), provenientes dos Estados Unidos da América.

A nível concetual, a letra da canção expressa uma visão profunda de desilusão e rejeição da modernidade, fazendo uma convocatória lírica para o despertar perante a decadência moral e afirmando que a civilização germina sobre mentiras e se encontra em processo de apodrecimento. A narrativa poética rejeita dogmas religiosos e falsas autoridades morais, apelando à consciência do vazio e à recusa da submissão numa meditação sobre a perda de sentido e a necessidade de encarar a verdade nua de um universo desprovido de ilusões consoladoras.

Visualmente, o videoclipe traduz este conceito através de uma estética monocromática em preto e branco focada na alienação e na asfixia cultural. A figura de pele e cabelos brancos surge inicialmente a ler jornais e a consumir informação, mas vê progressivamente a sua boca e rosto cobertos e colados por retalhos de imprensa impressos com palavras como World, Culture, Justice ou Pleasure. Esta colagem transforma-se numa mordaça física e num sufocamento simbólico, representando a forma como a cultura de massas, os slogans institucionais e a sobrecarga de informação calam a voz individual e anulam o pensamento crítico, enquanto os rostos sombrios da banda atuam como uma consciência distante que observa a queda da mente humana.

No plano das influências, a obra bebe diretamente nas fontes do Existencialismo e do Niilismo filosófico, evidenciando pontos de contacto com o pensamento de Friedrich Nietzsche na proclamação da falência dos dogmas tradicionais, no diagnóstico da decadência civilizacional e na necessidade de encarar o abismo sem evasões. Notam-se também ressonâncias da crítica à Sociedade do Espectáculo de Guy Debord e da Teoria Crítica, na medida em que a imagem expõe a conversão dos meios de comunicação em instrumentos de alienação, combinando-se com o pessimismo misantrópico e a tradição da literatura gótica e do romantismo sombrio, onde o indivíduo lúcido se encontra irremediavelmente isolado perante a ruína das estruturas humanas.

quarta-feira, 22 de julho de 2026

Drab Majesty - Cold Souls

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Letra
When you walked away at dawn
I heard your song
And now it's on my mind
Made a design on the right side of my heart
It may be wrong
But it wasn't black or white

[refrão]
Wondering when I look at your life if I caught you dead and numb
If you were only just a dreamer
If we were all night

When you were dead I took you by your head
When you were dead I took you by your head

What a wasted ode to hope
My heart is on the line
Staring at the time
And I gazed amazed
While a quiet storm was born inside your eyes
All dressed in black and white

[refrão]

When you were dead I took you by your head (4X)

Ambiguidade emocional e luto em "Cold Souls" de Drab Majesty
O projeto musical Drab Majesty, oriundo de Los Angeles, Califórnia, destaca-se no cenário alternativo contemporâneo por sua fusão singular de sonoridade vintage e profunda carga conceitual. Idealizado pelo multi-instrumentista Andrew Clinco sob o alter ego andrógino Deb Demure, o projeto conta também com a colaboração do teclista e vocalista Mona D (Alex Nicolaou). A sonoridade do grupo, frequentemente autodenominada como "Tragic Wave", navega pelas vertentes do darkwave, post-punk, synth-pop e shoegaze, caracterizando-se por guitarras arpejadas repletas de chorus e delay, sintetizadores analógicos, ritmos marcados por drum machines e camadas densas e atmosféricas que remetem à estética de gravadoras emblemáticas dos anos 80, como a 4AD.

O conceito do Drab Majesty ultrapassa a dimensão puramente musical, amparando-se em uma complexa teia de influências filosóficas, literárias e esotéricas. Deb Demure adota uma postura de anulação do ego, posicionando-se não como um frontman tradicional, mas como um vaso ou canal transceptor responsável por captar frequências do universo. O visual andrógino, marcado por perucas platinadas, rostos pintados de branco e óculos escuros, busca transcender marcadores tradicionais de género, raça e individualidade. As suas composições dialogam com o hermetismo, o misticismo ocidental, a mitologia clássica - como o mito de Narciso - e a fenomenologia da ufologia e de cultos neocosmológicos dos anos 70 e 80.

A faixa "Cold Souls", integrante do aclamado álbum The Demonstration (2017), exemplifica essa proposta ao explorar temáticas de alienação, desapego material e paralisia emocional. Inspirado pela narrativa de movimentos como o culto Heaven's Gate e Unarius Academy of Science , o álbum e a canção abordam o corpo humano como uma mera "casca terrena", da qual a alma precisa se libertar em busca de transcendência e purgação espiritual. 

Leia também
  1. This is what Drab Majesty would play at their funeral
  2. Q&A: Deb DeMure & Mona D (Drab Majesty) Dispelled & Unmasked
  3. "Too Soon To Tell" if Drab Majesty will be gig of the year

quinta-feira, 26 de março de 2026

Lost In Desire: I Am You (Apoptygma Berzerk remix)


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O Apoptygma Berzerk apenas fez o remix da música "I Am You" para o álbum de remixes do Lost In Desire chamado Reborn From The Ashes (lançado em 2011).

Letra

Feel my heart beating
Forever in your soul
Feel my heart seizing
Forever out of control

See my heart bleeding
Dripping down the hole
Feel despair breeding
Forever unstoppable

I wanna be with you
I wanna feel with you
I wanna be like you
I'm becoming you
I'm becoming you
I'm becoming you

Feed when I'm feeding
Anger on the whole
Grieve when I'm grieving
On there goes the show

See what I'm seeing
Together on we go
Bleed when I'm bleeding
Forever I am you

My dear friеnd
You cannot live without me
If I die, you die
I'm your host, you're my parasite
In darkness we live our symbiosis

A canção "I Am You" explora a fusão absoluta entre duas almas, mergulhando num romantismo sombrio onde a individualidade é sacrificada em nome de uma ligação transcendental. A letra funciona como um espelho psicológico, sugerindo que o narrador e o objeto do seu desejo se tornaram uma única entidade; ele não apenas observa o outro, mas habita a sua essência, sentindo as suas dores e refletindo os seus pensamentos.

Existe uma atmosfera de onipresença e devoção quase religiosa, onde o "eu" só encontra sentido e existência através do "outro". Esta interdependência é pintada com as cores típicas do Darkwave: melancolia, entrega total e a aceitação da escuridão como o cenário onde este amor floresce. Em última análise, a música trata da perda das fronteiras do ego, onde o amor deixa de ser uma relação entre duas pessoas para se tornar um estado de ser partilhado — uma simbiose onde um é, literalmente, o reflexo inseparável do outro.

sábado, 22 de abril de 2023

Música do BioTerra: Suede - Electricity

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[Verse 1]
We got a love that's cold as stone
We got a love from our violent homes
We got a love and it got no name
We kiss our love with lips like pain
We got a lotta electricity
We got a love like AC/DC
We got a love and it got no shame
We kiss our love with lips like pain
Kissing our love with lips like pain

[Chorus]
Oh it's bigger than the universe
It's bigger than the universe
It's bigger than the two of us
Oh it's bigger than you and me
We got a love between us and it's like electricity

[Verse 2]
We got a love like a violent mind
We get our love from white white lines
We got a love and it got no name
We kiss our love with lips like pain
We got a love from nowhere towns
We got a love like electric sounds
We got a love and it got no shame
We kiss our love with lips like pain
Kissing our love with lips like pain

[Chorus]
I said, oh it's bigger than the universe
It's bigger than the universe
It's bigger than the two of us
Oh it's bigger than you and me
We got a love between us and it's like electricity


sexta-feira, 14 de dezembro de 2018

Música do BioTerra: The Velvet Underground and Nico "I'll Be Your Mirror" (Warhol film footage); Courtney Barnett (version) e Lou Reed (Spoken Word version)

I'll be your mirror
Reflect what you are, in case you don't know
I'll be the wind, the rain and the sunset
The light on your door to show that you're home

When you think the night has seen your mind
That inside you're twisted and unkind
Let me stand to show that you are blind
Please put down your hands
'Cause I see you  [1]

I find it hard to believe you don't know
The beauty you are
But if you don't, let me be your eyes
A hand to your darkness so you won't be afraid

[1]

I'll be your mirror (reflect what you are)

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

My Bloody Valentine - Soon


Após a dissolução de A Life in the Day, Shields e Ó Cíosóig formaram My Bloody Valentine no início de 1983 com o vocalista principal David Conway. Conway, que se apresentou sob o pseudónimo de Dave Stelfox, sugeriu uma série de nomes de bandas em potencial, incluindo Burning Peacocks, antes de o trio escolher My Bloody Valentine.[4] Shields, desde então, alegou que não sabia que My Bloody Valentine era o título de um filme canadiano de terror quando o nome foi sugerido.[2]

Canção do álbum icónico Loveless (1991)

Letra
Wake up
Don't fear
I want to
Go there

See me
I'm not like you
I'm not
Into

Speak to me
I'll help you
I'll find
What to

Do you
Believe it's true?
I'm not
Into

I'll see you
Maybe
Next time
Anyway

I'll help you
I'll find
What to
Do you...

É importante notar que, nos My Bloody Valentine, a voz (neste caso, de Bilinda Butcher e Kevin Shields) é tratada como um instrumento adicional e não como o centro da mensagem.

As vozes estão propositadamente baixas na mistura, enterradas sob as guitarras.

O significado reside mais na textura e no sentimento (vulnerabilidade, sussurros, hipnose) do que nas palavras exatas. A ideia é que o ouvinte sinta a música antes de a compreender intelectualmente.