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terça-feira, 26 de dezembro de 2023

Guerreiras Negras - Aqualtune


Aqualtane, Princesa Africana da região do Congo da família Kinlaza, foi  aprisionada após um conflito entre o Reino do Congo e  Portugal onde liderava um exército de 10 mil homens, traficada como escrava para o Brasil, foge para o quilombo e se torna uma das líderes. Mãe de Ganga Zumba e avó de Zumbi dos Palmares, grandes líderes quilombolas. Graças aos seus conhecimentos organizacionais e na arte da guerra, foi altamente relevante para a consolidação da República de Palmares.
Política, líder religiosa, social e comunitária, luta pelos direitos humanos.

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

Morri pela Beleza



Morri pela Beleza - mas mal me tinha
Acomodado à Campa
Quando Alguém que morreu pela Verdade,
Da Casa do lado -
Perguntou baixinho "Por que morreste?"
"Pela Beleza", respondi -

"E eu - pela Verdade - Ambas são iguais -
E nós também, somos Irmãos", disse Ele -
E assim, como parentes próximos, uma Noite -
Falámos de uma Casa para outra -
Até que o Musgo nos chegou aos lábios -
E cobriu - os nossos nomes -


Emily Dickinson, in "Poemas e Cartas"

quinta-feira, 18 de outubro de 2012

Encontros Improváveis - poema sonoro de Cecília Meireles com Dead Can Dance


'Brâmane'
(Cecília Meireles, de seu primeiro livro)

Plena mata. Silencio. Nem um pio
De ave ou bulir de folha. Unicamente
Ao longe, em suspiros murmúrio,
Do Ganges rola a fulgida serpente.

Sem ter no pétreo corpo um arrepio,
Nu, braços no ar, de joelhos, fartamente,
Esparsa a barba ao peito, na silente
Mata, o Brâmane sonha. Pelo estio,

Ao sol, que os céus abrasa e o chão calcina,
Impassível, a silaba divina
Murmura... E a cólera hibernal do vento

Não ousa à barba estremecer um fio
Do esquelético hindu, rígido e frio,
Que contempla, extasiado, o firmamento.

Cecília Meireles
In: Espectros (1919)

Children of the Sun
[Dead Can Dance]

We are ancient
As ancient as the sun
We came from the ocean
Once our ancestral home
So that one day
We could all return
To our birthright
The great celestial dome

We are the children of the sun
Our journey's just begun
Sunflowers in our hair
We are the children of the sun
There is room for everyone
Sunflowers in our hair

Throughout the ages
Of iron, bronze, and stone
We marvelled at the night sky
And what may lie beyond
We burned our frames
To the elemental ones
Made sacrifices
For beauty, peace and love

We are the children of the sun
Our kingdom will come
Sunflowers in our hair
We are the children of the sun
Our carnival's began
Our songs will fill the air

And you know it's time
To look for reasons why
Just reach up and touch the sky
To the heavens we will sing
We are the children of the sun
Our journey has begun

Are we older children
Come out at night
And even soulless
Great hunger in their eyes
Unaware of the beauty
That sleeps tonight

And all the queen's horses
And all the king's men
Will never put these children back
Together again
Faith, hope, our charities
Breathe slow, our enemies

We are the children of the sun
We are the children of the sun

domingo, 8 de abril de 2012

Savina Yannatou- Nani Nani





Boa Páscoa! Happy Easter! Pessarh Samearh!
Este tema conclui a Série Vocalizos- BioTerra (ouvir Vocalizos 1, 2, 3  e a todas as mães do coração)


A propósito conheces o meu Workshop (gratuito) sobre as Canções de Embalar?

domingo, 15 de janeiro de 2012

Harold Budd - Bismillahi 'Rrahman 'Rrahman



O título é uma transliteração da frase árabe "Bismillahi 'r-Rahmani 'r-Rahim", que significa "Em nome de Deus, o Clemente, o Misericordioso".

A música é frequentemente descrita como "devocional" ou "espiritual", mesmo que Budd não a tenha composto com um propósito estritamente religioso, mas sim para evocar uma sensação de beleza profunda e transcendência.

domingo, 30 de outubro de 2011

Lhasa De Sela - Where do you go

Bom domingo! A palavra é originária do latim dies Dominicus. Povos pagãos antigos reverenciavam os seus deuses dedicando este dia ao astro Sol o que originou outras denominações para este dia, em inglês diz-se Sunday, e no alemão Sonntag, com o significado de "Dia do Sol". Que esta música com a voz de Lhasa de Sela, seja um Sol nos nossos corações.

domingo, 23 de outubro de 2011

Música do BioTerra :: Lhasa de Sela - Love Came Here



Estou com dificuldade em VER mais este AMOR como nos olhos de criança , sem nação, sem berço de monarquia, sem berço de palha, sem berço de judeu, sem berço palestiniano, sem berço coreano...e como ando triste ver os recursos comuns saqueados fruto depois de má educação..

Mais músicas de Lhasa de Sela editadas no Bioterra

domingo, 14 de agosto de 2011

Filme - Samsara (2011)

Lançado em 2011, Samsara é uma obra-prima do cinema contemplativo e não narrativo, dirigida pelo renomado diretor de fotografia e realizador Ron Fricke e produzida por Mark Magidson. O filme dá continuidade ao estilo visual revolucionário fundado por Fricke em Koyaanisqatsi (1982) e aperfeiçoado em Baraka (1992). Sem utilizar uma única linha de diálogo, voz off ou personagens com enredo tradicional, o documentário confia inteiramente no poder da imagem, da montagem e do som para construir a sua mensagem. Gravado ao longo de cinco anos em vinte e cinco países, o filme foi capturado em película de 70 milímetros e posteriormente digitalizado em resolução 8K, o que confere a cada fotograma uma profundidade, textura e riqueza de detalhes quase hipnóticas.

A força condutora do filme reside nas suas profundas raízes filosóficas e espirituais. O próprio título, Samsara, é uma palavra em sânscrito presente nas tradições do Budismo, Hinduísmo e Jainismo que se traduz literalmente como "fluxo contínuo" ou "roda da vida". Filosoficamente, o conceito descreve o ciclo ininterrupto de nascimento, vida, morte e renascimento, ao qual todos os seres estão presos até alcançarem a iluminação ou a libertação (Moksha ou Nirvana). Ao adotar essa premissa, o filme não busca contar uma história linear, mas sim revelar o ritmo e as contradições desse ciclo na Terra, espelhando a transitoriedade de todas as coisas - desde as paisagens geológicas ancestrais até às criações do homem moderno.

Ao longo de noventa minutos, o filme explora a dualidade da condição humana através de justaposições visuais provocatórias. Inspirando-se no conceito budista da impermanência (Anicca), a câmara de Ron Fricke guia o espectador por uma meditação visual sobre o belo e o grotesco, o sagrado e o profano. Numa sequência, testemunhamos rituais espirituais ancestrais, como a criação meticulosa de um mandala de areia por monges tibetanos ou a grandiosa peregrinação de milhões de fiéis ao redor da Kaaba em Meca. Logo a seguir, somos confrontados com a escala esmagadora do consumo moderno: linhas de montagem automatizadas na Ásia, o processamento industrial de alimentos, os gigantescos aterros de lixo eletrónico e as megacidades que nunca dormem.

Essa alternância reflete uma crítica filosófica ao modo como a humanidade se desligou dos ritmos naturais ao criar a sua própria "roda mecânica" de produção e consumo. Há também uma clara influência da fenomenologia e da filosofia da perceção, pois o filme não impõe uma interpretação fechada. Ao olhar diretamente para os rostos das pessoas retratadas - desde operários de fábrica e dançarinos a presidiários e tribos indígenas -, a câmara exige uma conexão empática e interior por parte de quem assiste, fazendo do próprio espectador o narrador da obra.

O elo que une estas imagens e ideias é a sua banda sonora envolvente, composta por Michael Stearns, Lisa Gerrard (vocalista dos Dead Can Dance) e Marcello De Francisci. A música atua como o coração emocional e o motor narrativo do filme. Ela alterna entre cânticos étnicos profundos, texturas ambientais meditativas e arranjos orquestrais e industriais tensos. O som não serve apenas como fundo, mas sim como o sopro vital que conecta cada corte visual, elevando a experiência de um mero espetáculo fotográfico para uma verdadeira jornada espiritual e reflexiva sobre o nosso papel na teia da vida.

Quais foram os principais locais e países onde o documentário Samsara foi filmado?

O documentário Samsara é uma das produções mais ambiciosas e geograficamente abrangentes do cinema moderno, tendo sido rodado ao longo de cinco anos em mais de cem localizações espalhadas por vinte e cinco países e cinco continentes. Na África, a câmara de Ron Fricke capturou a imponência histórica do Egipto através das Pirâmides de Gizé, da Esfinge e da Mesquita do Sultão Hassan no Cairo, ao mesmo tempo que retratou as tradições da tribo Mursi no Vale do Omo, na Etiópia, a arquitetura de barro da Grande Mesquita de Djenné, no Mali, e os invulgares caixões personalizados em Acra, no Gana. A passagem pelo continente africano destaca ainda a transição entre o natural e o abandonado, evidente nas imponentes dunas de Sossusvlei e na cidade-fantasma de Kolmanskop, na Namíbia, onde o deserto recupera o seu espaço entre antigas construções humanas.

O continente asiático e o Médio Oriente constituem o coração espiritual e industrial da obra. Na Ásia Oriental e do Sul, o filme contrasta rituais sagrados — como a devoção no Templo Dourado de Amritsar e nas margens do Rio Ganges em Varanasi, na Índia, a dança rituística das Mil Mãos nas grutas de Longmen, na China, e os templos ancestrais de Borobudur, na Indonésia - com a modernidade tecnológica e a extração laboral. Esta dualidade manifesta-se nos laboratórios de robótica em Osaka, no Japão, nas extensas planícies de estupas milenares em Bagan, em Mianmar, e na perigosa mineração de enxofre no vulcão Kawah Ijen. No Médio Oriente, o filme regista a magnitude de símbolos religiosos globais, com destaque para as imagens da peregrinação do Hajj ao redor da Kaaba em Meca, na Arábia Saudita, além de marcos históricos e urbanos como o Muro das Lamentações em Jerusalém, a antiga cidade de Petra, na Jordânia, e a arquitetura futurista dos arranha-céus no Dubai.

Nas Américas e na Europa, o foco da obra recai sobre a escala da atividade humana, as infraestruturas urbanas e a força da natureza. Nos Estados Unidos, a rodagem abrangeu desde a vastidão natural do Parque Nacional de Arches, em Utah, e dos vulcões no Havaí, até cenários de devastação e consumo, como as marcas do Furacão Katrina em Nova Orleães, prisões de alta segurança e gigantescos aterros industriais. Na América do Sul, a equipa filmou no Brasil, retratando a densidade urbana e social da Favela da Rocinha, no Rio de Janeiro, e a malha rodoviária de São Paulo. Por fim, na Europa, a produção registou a imponência da arquitetura sacra e artística na Basílica de São Pedro, no Vaticano, no Museu do Louvre e no Palácio de Versalhes, em França, assim como o tom sombrio das Catacumbas dos Capuchinhos em Palermo, na Itália, fechando um mosaico global que une o património natural, espiritual e industrial da humanidade.

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

Ofra Haza - Forgiveness


Ofra Haza with Nusrat Ali Fateh Khan
from CD The Prayer Cycle 1999 of Jonathan Elias (Sony)
Offically last recorded Ofra's song
Words from The Bible - Psalm 23:
The Lord is my shepherd; I shall not want.
Even when I walk in the valley of Darkness
May only goodness and kindness pursue me all the days of my life

O Ciclo de Orações é um álbum coral/orquestral do compositor americano de bandas sonoras para cinema e televisão Jonathan Elias. O álbum foi lançado pela Sony Classical Records nos Estados Unidos a 23 de março de 1999.

O projeto, gravado e misturado pelo co-produtor R. Walt Vincent, consiste numa sinfonia coral contemporânea em nove partes, em treze línguas (húngaro, maliês, suaíli, dwala, tibetano, alemão, francês, urdu, latim, inglês, italiano, hebraico e espanhol). Nas notas do livrete do álbum, Elias descreveu a obra como "um conjunto de nove orações em adágio" influenciadas pelas suas "visões pessoais" sobre o futuro da humanidade e o poder da oração em diferentes culturas. Os músicos que contribuíram "utilizaram poemas que [ele] escreveu como inspiração, interpretando as palavras à sua maneira, em diversas línguas e cantos". Mais informação aqui

sexta-feira, 19 de março de 2004

Powaqqatsi - Life in Transformation





Powaqqatsi: Life in transformation documentário lançado em 1988 dirigido por Godfrey Reggio com música do compositor Philip Glass. É o segundo filme da trilogia Qatsi.
Neste segundo filme, a proposta  torna-se mais ampla. Agora o foco das câmaras de Reggio não se limitam somente aos seu país, mas ao mundo inteiro. Powaqqatsi costuma ser considerado o melhor dos três e esse juízo é compreensível e facilmente aceite por quem assiste. O filme tem uma visão peculiar sobre diversos países, sendo uma expressão de sua cultura e de seu dia a dia.

Nessa segunda obra, são expressos o cotidiano e a cultura de diversos países, como o patrimônio cultural, natural e arquitetónico, além de registar pequenos atos que mostram o funcionamento de diversos povos. É uma série de imagens marcantes que levam as pessoas a mergulhar num imenso caldeirão cultural existente mundo afora. O Brasil tem destaque pela parte inicial, onde é mostrado o trabalho em Serra Pelada, em um retrato cru da vida dos mineradores.