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sexta-feira, 15 de maio de 2026

A História Milenar da Civilização Palestina

O termo Palestina não é uma invenção moderna nem uma criação arbitrária do Império Romano, mas sim o resultado de uma evolução linguística e geográfica que se estende por mais de três milénios. As suas raízes mais remotas encontram-se nos hieróglifos egípcios do século XII a.C., onde se menciona o povo Peleset, um dos "Povos do Mar" que se estabeleceu na costa sul do Levante. Esta denominação persistiu nos registos assírios do século VIII a.C. sob as formas Palashtu ou Pilistu, referindo-se inicialmente à região costeira da Filisteia. No entanto, foi a influência grega que começou a expandir o alcance do nome; no século V a.C., o historiador Heródoto utilizava o termo Palaistine não apenas para a costa, mas para descrever todo o distrito que se estendia para o interior, até ao vale do Jordão e à fronteira com o Egito.
Quando o imperador romano Adriano reorganizou a província após a revolta de Bar Kokhba em 135 d.C., renomeando-a como Syria Palaestina, não estava a cunhar um vocábulo novo, mas sim a oficializar uma terminologia que já era padrão no mundo helenístico e académico da época. O que começou como um marcador étnico para um grupo específico de colonos costeiros (os filisteus) acabou por se tornar, através dos séculos, numa designação administrativa e geográfica abrangente. Este processo reflete como as potências imperiais da antiguidade frequentemente adotavam e adaptavam nomes preexistentes para consolidar os seus próprios quadros territoriais, integrando tradições locais, gregas e romanas numa identidade cartográfica que perduraria no tempo.
Após séculos de domínio romano e otomano, passou pelo Mandato Britânico e culminou na partilha da ONU em 1947, resultando na criação de Israel e nos atuais conflitos pela soberania e reconhecimento estatal.

Análise do famoso historiador Escocês 
William Dalrymple tem sido crítico das ações de Israel durante a guerra em Gaza e do apoio do Reino Unido a Israel. Numa entrevista de 2024 ao The Times, fez uma analogia entre a resposta de Israel aos ataques de 7 de outubro e a resposta da Grã-Bretanha à Revolta dos Sipaios de 1857, dizendo: "A Revolta tem ecos contemporâneos. O mesmo sentimento de que mulheres e crianças inocentes foram atacadas e que, portanto, isso forneceu carta branca para vingança e represálias." Em maio de 2025, Dalrymple assinou uma carta aberta chamando a guerra em Gaza de genocídio. Num artigo de Setembro de 2025 para o New Statesman, Dalrymple argumentou que a Grã-Bretanha tinha uma responsabilidade histórica de ajudar a estabelecer um Estado palestiniano.

Saber mais:
A Place of Many Beginnings: Three Paths into the History of Palestine (Um Lugar de Muitos Começos: Três Caminhos para a História da Palestina) é um projecto interactivo de história da Palestina desenvolvido por Visualizing Palestine que foi apresentado no passado fim-de-semana no Festival de Literatura Palestine Writes, na Universidade da Pensilvânia e está disponível para o público interessado.


A história da Palestina... tem múltiplos 'começos' e a ideia da Palestina evoluiu ao longo do tempo a partir destes múltiplos 'começos' para um conceito geopolítico e uma política territorial distinta
Nur Masalha, Palestine: A Four Thousand Year History (pág. 8)

A Place of Many Beginnings foi apresentado no sábado, 23 de Setembro, durante um painel com os académicos palestinos Nur Masalha e Salman Abu Sitta, moderado pela autora e activista palestina Susan Abulhawa.


Com um visual muito apelativo e um conteúdo rico e inovador, esta apresentação aponta caminhos para conhecer a verdadeira história da Palestina.

Na secção Many Beginnings (Muitos Começos) pode conhecer a forma como a revolução agrícola, os berços de civilização, o comércio e o trânsito e a religião moldaram a Palestina e saber mais sobre a posição central da Palestina nas rotas comerciais antigas mais importantes.

Na secção Material Culture (Cultura Material) fala-se da arquitectura vernacular, da arquitectura monumental e muito mais.

Na secção Naming Palestine (Nomear a Palestina) ficamos a saber como os nomes palestinos dos lugares em árabe transmitiram a memória social e a história.

Com este ambicioso projecto, a Visualizing Palestine diz pretender lançar um debate sobre a forma como a história palestina tem sido obscurecida e distorcida por centenas de anos de abordagens e prioridades coloniais, incorporadas por estudos bíblicos e pela historiografia sionista.

«Os palestinos estão numa viagem intelectual inspiradora, rigorosa e de afirmação da vida, juntamente com outras comunidades indígenas que estão a escrever e a recuperar as suas histórias no meio de mitos dominantes e sancionados pelo Estado», diz Visualizing Palestine na apresentação do projecto. «Esperamos que o lançamento de hoje seja apenas um "começo" e que a plataforma evolua à medida que o diálogo progride.

terça-feira, 12 de maio de 2026

Relembrar a obra "À Espera dos Bárbaros" de John Maxwell Coetzee


A obra "À Espera dos Bárbaros", publicada em 1980 por J.M. Coetzee, constitui-se como uma densa alegoria sobre a natureza do poder, a erosão da moralidade e a construção artificial da inimizade. A narrativa centra-se na figura do Magistrado, um administrador colonial que vive numa pacata cidade fronteiriça de um Império sem nome, cuja rotina é estilhaçada pela chegada do Coronel Joll. Este oficial do "Terceiro Gabinete" encarna a face mais sombria da autoridade, instaurando um estado de exceção sob o pretexto de uma iminente invasão bárbara. Através da tortura e da paranoia, Joll transforma a convivência pacífica num cenário de terror, forçando o Magistrado a confrontar a sua própria cumplicidade no sistema que agora o horroriza.

Intelectualmente, o romance é um palimpsesto de referências que elevam a trama para além da crítica política imediata. A génese do título e do tema central reside no poema do grego Constantino Cavafy, que explora a ideia de que o Império necessita da figura do "bárbaro" para justificar a sua própria existência e coesão interna. Esta necessidade política de um inimigo externo é o motor que permite ao Estado exercer uma violência sem limites, um conceito que encontra eco nas teorias de Hannah Arendt sobre a "banalidade do mal". O Coronel Joll não é movido por um ódio pessoal, mas sim por uma eficiência burocrática e uma cegueira ética que Arendt identificou nos perpetradores dos maiores crimes do século XX.

A atmosfera de opressão e o absurdo da máquina estatal remetem invariavelmente para Franz Kafka. Tal como nas obras do autor checo, o Magistrado vê-se preso numa engrenagem que não consegue controlar nem compreender totalmente, onde a justiça é uma miragem e a punição precede muitas vezes o crime. Esta violência física, exercida sobre os corpos dos prisioneiros, estabelece um diálogo direto com as teses de Michel Foucault em Vigiar e Punir. Coetzee demonstra como o Império utiliza a tortura para inscrever o seu poder na carne, transformando o corpo humano num território de domínio absoluto onde a "verdade" é extraída através do sofrimento.

No centro da crise espiritual do protagonista está a sua relação com uma prisioneira bárbara, deixada cega e mutilada. Aqui, a narrativa mergulha na filosofia da alteridade de Emmanuel Levinas. O Magistrado tenta, através do cuidado e de uma obsessiva observação, compreender o sofrimento da rapariga, mas acaba por perceber que o "Outro" permanece radicalmente inacessível. A sua tentativa de redenção é, em si mesma, uma forma de apropriação, revelando que mesmo o desejo de bondade pode estar contaminado pela estrutura de poder colonial.

Escrito durante o auge do regime do Apartheid na África do Sul, o texto de Coetzee transcende o seu contexto histórico para se tornar uma meditação universal. Ao recusar localizações geográficas precisas, o autor sugere que a barbárie não habita fora das muralhas, nas planícies dos nómadas, mas sim no coração da civilização que se define pela exclusão e pela crueldade. O desfecho da obra, marcado por uma espera vazia e pela decadência do posto fronteiriço, sublinha a tese de que todos os impérios, ao alimentarem-se da destruição do outro, acabam por acelerar a sua própria e inevitável queda.

Ver o filme aqui

segunda-feira, 11 de maio de 2026

Investigação do New York Times revela campanha de influência estatal de Israel na Eurovisão


Israel impulsionou artificialmente a sua candidata à Eurovisão através de uma campanha de influência apoiada pelo Estado, alimentando especulações de que o seu segundo lugar no voto popular foi distorcido por intervenção governamental, revelou uma investigação do New York Times.

A campanha - que incluiu fundos públicos, pressão diplomática, anúncios online multilingues e apelos diretos para que os espetadores votassem repetidamente - expôs como Israel transformou o concurso de música mais visto do mundo numa arma de soft power, enquanto a sua imagem global colapsava devido ao genocídio em Gaza.

A investigação do Times, baseada em documentos internos da Eurovisão, dados de votação confidenciais e entrevistas com mais de 50 pessoas, concluiu que o governo do Primeiro-Ministro Benjamin Netanyahu gastou pelo menos 1 milhão de dólares em marketing relacionado com o festival. Parte do financiamento proveio do gabinete de hasbara de Netanyahu, amplamente entendido como o braço de propaganda de Israel no estrangeiro.

Só em 2024, os gastos do governo israelita em publicidade ligada à Eurovisão ultrapassaram os 800.000 dólares, a maioria proveniente do Ministério dos Negócios Estrangeiros. Uma rubrica separada do gabinete de hasbara do primeiro-ministro terá alocado verbas especificamente para a “promoção do voto”.


As revelações levantam sérias questões sobre se os fortes resultados de Israel na Eurovisão refletiram um apoio público genuíno ou uma campanha governamental coordenada, concebida para fabricar uma aparência de popularidade na Europa, onde a opinião pública se virou drasticamente contra Israel devido ao genocídio em Gaza.

Supostamente, os governos não devem intervir na votação da Eurovisão, que é formalmente um concurso entre emissoras públicas e artistas. No entanto, o Times apurou que os esforços de Israel foram mais amplos e começaram anos antes do que se sabia. O governo israelita terá apoiado discretamente esforços promocionais em torno das suas participações desde, pelo menos, 2018, o ano em que Israel venceu o concurso.

O investimento aumentou acentuadamente após o início do genocídio em Gaza, quando cresceram os apelos em toda a Europa para que o país fosse excluído do certame. Segundo o jornal, as autoridades israelitas acreditavam que um desempenho forte demonstraria que Israel ainda era amado pelo público europeu, apesar dos protestos em massa, dos apelos ao boicote e das crescentes acusações de crimes de guerra.

O Padrão de Votação e a Reação Internacional
Em 2024, a representante de Israel, Eden Golan, ficou em segundo lugar no voto do público e liderou a votação em vários países onde o sentimento pró-palestiniano era forte. A comunicação social israelita celebrou o resultado como prova de que “o mundo, afinal, não está contra nós”.

O padrão repetiu-se em 2025, quando o representante de Israel, Yuval Raphael, terminou em segundo lugar na classificação geral e venceu o voto popular. Desta vez, o resultado gerou um escrutínio muito maior depois de a emissora finlandesa Yle ter revelado que o governo israelita comprou anúncios online em várias línguas, instando as pessoas a votarem em Israel até ao máximo de 20 vezes permitido.


O próprio Netanyahu publicou um gráfico nas redes sociais a encorajar o voto em Raphael (20 vezes). Grupos pró-Israel em toda a Europa circularam mensagens semelhantes, enquanto diplomatas e funcionários de embaixadas israelitas ajudaram a mobilizar o apoio da diáspora.

O diretor da Eurovisão, Martin Green, reconheceu que a campanha de Israel foi “desproporcionada” e “excessiva”, mas insistiu que esta não afetou o resultado. O Times, contudo, apurou que a União Europeia de Radiodifusão (EBU), que organiza o evento, não realizou uma investigação externa completa e manteve os dados detalhados da votação em segredo, inclusive perante as suas próprias emissoras membros.

A controvérsia intensificou-se à medida que várias estações de televisão europeias exigiram respostas. A emissora da Eslovénia solicitou repetidamente os dados da votação e ameaçou retirar-se. Espanha pediu um debate sobre a participação de Israel e alertou que o sistema de votação é vulnerável a manipulações. A emissora pública da Islândia acusou Israel de se apropriar indevidamente do concurso.

Com o aumento da indignação, Islândia, Irlanda, Holanda, Espanha e Eslovénia avançaram para um boicote à edição de 2026. Segundo o Times, os organizadores da Eurovisão temem perder centenas de milhares de dólares em taxas de participação caso o boicote se alargue.

Esta campanha faz parte de uma ofensiva de propaganda israelita muito maior. Israel aumentou drasticamente o financiamento para a hasbara à medida que o seu prestígio internacional colapsa. Relatórios indicam que o orçamento para a diplomacia pública de Israel disparou para cerca de 730 milhões de dólares — quase cinco vezes os 150 milhões alocados no ano anterior — numa tentativa de reabilitar a sua imagem após os acontecimentos em Gaza.

sábado, 11 de abril de 2026

Excelente resposta de Pedro Sanchez após as acusações de Netanyahu: 'Não permitamos uma nova Gaza no Líbano"

"Espanha difamou os nossos heróis. Temos o exército mais moral do mundo", disse Netanyau. Vem falar de Moral? Um genocida, com um ódio insuperável aos islâmicos, com ideias expansionistas do território de Israel, incluindo Líbano e Síria.
Ana Gomes: Netanyahu «é outro narcisista maligno como Donald Trump»
 

Sánchez apela à Europa para que contenha Netanyahu e suspenda o acordo de associação com Israel

Só em Gaza os israelitas sionistas "apagaram" mais de 80.000 palestinianos.
1. Números Oficiais de Fatalidades
Até ao momento, os dados do Ministério da Saúde de Gaza (que são considerados fiáveis por organizações internacionais como a ONU e a OMS) reportam cerca de 41.000 a 43.000 mortes confirmadas. Este número inclui pessoas cujos corpos foram processados em hospitais ou necrotérios.
Aproximadamente 70% das vítimas identificadas são mulheres e crianças.

2. De onde vem o número de 80.000?
Embora o número oficial de mortes confirmadas seja cerca de metade disso, o valor de 80.000 (ou até mais) aparece frequentemente em discussões devido a dois fatores principais:
Pessoas Desaparecidas: estima-se que existam pelo menos 10.000 a 20.000 pessoas desaparecidas sob os escombros. Como não há equipamento pesado suficiente para remover os destroços, estas pessoas são presumidas mortas, mas não constam na contagem oficial inicial.
Feridos Graves: o número de feridos ultrapassa os 95.000 a 100.000. Em contextos de guerra, a linha entre "ferido" e "vítima mortal" é ténue devido à falta de hospitais funcionais; muitos feridos acabam por falecer posteriormente por falta de cuidados médicos.

3. A Projeção da revista "The Lancet"
É possível que a confusão com números maiores venha de um estudo publicado na prestigiada revista científica The Lancet em julho de 2024.
Os investigadores alertaram que o número total de mortes (diretas e indiretas) poderia ser drasticamente superior aos dados oficiais. Eles estimaram que, se incluirmos as mortes indiretas (causadas por fome, sede, falta de saneamento e colapso do sistema de saúde), o balanço final poderia chegar a 186.000 mortes ou mais a longo prazo.


As assinaturas estão a decorrer. Assina e partilha nas redes sociais. Já vamos em 880.972

N.B. Para que uma iniciativa de cidadania europeia seja válida, deve obter pelo menos um milhão de assinaturas válidas e atingir os limiares mínimos em, pelo menos, sete países.

terça-feira, 31 de março de 2026

Parlamento israelita aprova projeto de lei que prevê pena de morte para palestinianos


À esquerda, a deputada israelita, vice-presidente do Parlamento, que redigiu a lei da pena de morte para palestinianos aprovada ontem, e que elogiou um assassino (há vídeo) que queimou vivos um bebé palestiniano e seus pais enquanto os seus camaradas cantavam "Ali está na grelha". O nome dela é Limor Son-Har Melech e o dele é Amiram Ben-Uliel
Aqui está ela com uma corda de forca na mão direita e uma seringa na esquerda. Ao lado, o seu marido segura uma arma com a etiqueta "ocupação", um avião com a etiqueta "expulsão" e uma casa com a etiqueta "colonização".  Esta gente integra o poder e o governo de Israel.

Saiba mais:

segunda-feira, 26 de janeiro de 2026

Fokofpolisiekar - Ek Skyn(Heilig)


Te vinnigTe veelEk sal al my beloftes breek as jy my net 'n kans kan geeWie sal vir my liefde maak?Wie sal vir my liefde maak?As die somer so lekker is, hoekom voel ek so fucked?
Ek skynEk skyn heiligOnder die straatligOnder die maanligSê vir my as die rewolusie verby is
GeliefdesOns weet'n Hond sal altyd na sy braaksel toe terugkeerMoenie so verbaas wees nieGooi net 'n bietjie vet op die vuurDoos siek en melancholies
Ek skynEk skyn heiligOnder die straatligOnder die maanligSê vir my as die rewolusie verby is
Ek bly verveeldEn my bene is seerEk staan voor jou deurEn my kop klop
Genade onbeskryflik grootEk is die Hel inBibber en beef die boere bedriëerDie wêreld gaan jou haat, my seunAs jy die waarheid praat gaan hulle jou wil doodmaak
Ek skynEk skyn heiligOnder die straatligOnder die maanligSê vir my as die rewolusie verby is
Ek bly verveeldEn my bene is seerEk staan voor jou deurEn my kop klop

Curiosidade: O nome da banda traduz-se literalmente como "Fck Off Police Car" o que gerou muita controvérsia na África do Sul na época da sua formação em 2003.

A canção "Ek Skyn(Heilig)" é uma das obras mais profundas e críticas do Fokofpolisiekar. Para entender o seu significado, é preciso olhar para o trocadilho no título e para o contexto cultural da banda.

1. O Jogo de Palavras: "Ek Skyn(Heilig)"
O título é um trocadilho brilhante em língua africâner:

"Ek skyn": Significa "Eu brilho".

"Skynheilig": Significa "Hipócrita" (literalmente, alguém que "brilha como um santo" mas não o é).

Ao colocar o "Heilig" (Santo) entre parênteses, a banda sugere que, enquanto tentam "brilhar" ou ser autênticos, a sociedade ou a religião os rotula como hipócritas — ou vice-versa.

2. O Significado e Temas Principais
A letra é um desabafo contra as expectativas da sociedade conservadora sul-africana e a desilusão com a religião institucionalizada.

A Luta contra a Hipocrisia: A música critica as pessoas que mantêm uma aparência de santidade ("brilham") mas vivem vidas vazias ou julgadoras. A banda questiona as normas morais impostas pela geração anterior.

Crise de Identidade: O refrão explora a sensação de estar perdido. Eles cantam sobre não se sentirem em casa e sobre a dificuldade de encontrar a "luz" (verdade) num mundo cheio de falsidade.

Desespero Existencial: Há um tom de cansaço. A música pergunta se vale a pena tentar ser "bom" segundo os padrões de outros quando isso parece inalcançável ou falso.

3. Impacto Cultural
Lançada no álbum Swanesang (2006), esta música tornou-se um hino para a juventude africâner que se sentia alienada pela Igreja Reformada Holandesa e pelo peso histórico do Apartheid. A canção diz, essencialmente: "Eu prefiro admitir que sou imperfeito do que brilhar com uma santidade falsa."

domingo, 25 de janeiro de 2026

Ayman Odeh Calls for Unified Arab List to Challenge Netanyahu Government



Arab lawmaker Ayman Odeh, head of the Democratic Front for Peace and Equality–Arab Movement for Change list in the Knesset, said Arab political parties are moving to form a unified joint list to confront what he described as the “fascist” government led by Israeli Prime Minister Benjamin Netanyahu in the upcoming elections.

In statements carried by Quds News, Odeh said the push to reunify the Arab parties is a direct response to the will of Palestinians inside the territories occupied in 1948 and reflects growing concern over the current government’s policies.

Odeh held Netanyahu’s government responsible for the killing of more than 71,000 Palestinians in Gaza, including tens of thousands of children, stressing that the upcoming elections are not merely about seats or numbers, but a political, moral, and national obligation.

“These elections are not just about arithmetic,” Odeh said. “They are a political and ethical battle to prevent the continuation of Netanyahu’s policies and those of his extremist ministers.”

Targeting the Joint List
Odeh also addressed repeated attacks by far-right National Security Minister Itamar Ben-Gvir, who has described Arab lawmakers as a “coalition of terrorism representatives.”

He said such rhetoric reflects the government’s unease over the potential strength of a unified Arab list, warning that Israeli authorities may attempt to raise the electoral threshold or activate legal measures aimed at preventing the joint list from entering the Knesset.

“These attacks are not media stunts,” Odeh said. “They are part of a broader political effort to control the system and prevent Arabs from achieving the largest possible representation.”

He noted that previous iterations of the Joint List demonstrated its electoral potential, securing between 13 and 15 seats, a result that continues to alarm the current government.

Racism, Crime, and Political Exclusion
Odeh said the renewed effort to reunify the Arab parties is also driven by mounting fears over the rise of racism and the entrenchment of what he called a “fascist government,” alongside the escalation of crime within Arab communities—policies he said are actively supported by Ben-Gvir.

He warned that another election cycle under the current government could lead to what he described as a “phase of elimination” across all aspects of life for Palestinians inside Israel.

According to Odeh, the upcoming elections will be decisive not only for Arab parties but also for Israel’s broader opposition, as the outcome could directly affect Netanyahu’s ability to form a governing coalition.

He cautioned that the government may exploit procedural or legal maneuvers to weaken the joint list, reiterating that its core objective is to preserve Arab political unity and apply sustained pressure on the government.

Odeh concluded by emphasizing that the political struggle ahead is not solely over parliamentary seats, but over rights, equality, and the protection of Arab citizens inside Israel.

“The unity of Arab parties and commitment to a joint list is the surest path to defending our rights and confronting attempts to exclude us or label us as ‘terrorists,’” he said.

sexta-feira, 2 de janeiro de 2026

Francesca Albanese e o caminho solitário da rebeldia



Pode ver a minha entrevista com Francesca sobre a reportagem  aqui

(…) Francesca (…) é a bête noire de Israel e dos EUA. Foi colocada na lista do Gabinete de Controlo de Ativos Estrangeiros (OFAC) do Departamento do Tesouro dos EUA — normalmente usada para sancionar os acusados de lavagem de dinheiro ou envolvimento com organizações terroristas — seis dias após a publicação do seu relatório, “Da economia da ocupação à economia do genocídio”.

A lista da OFAC — usada pela administração Trump para perseguir Francesca e em clara violação da imunidade diplomática concedida aos funcionários da ONU — proíbe qualquer instituição financeira de ter alguém da lista como cliente. Um banco que permita que alguém da lista da OFAC realize transações financeiras é proibido de operar em dólares, enfrenta multas multimilionárias e é bloqueado dos sistemas de pagamento internacionais.

No seu relatório, Francesca lista 48 empresas e instituições, incluindo a Palantir Technologies, a Lockheed Martin, a Alphabet Inc., a Amazon, a International Business Machines Corporation (IBM), a Caterpillar Inc., a Microsoft Corporation e o Massachusetts Institute of Technology (MIT), juntamente com bancos e empresas financeiras como a BlackRock, seguradoras, imobiliárias e instituições de caridade, que, em violação do direito internacional, estão a ganhar milhares de milhões com a ocupação e o genocídio dos palestinianos.

O relatório, que inclui uma base de dados com mais de 1.000 entidades corporativas que colaboram com Israel, exige que essas empresas e instituições rompam os laços com Israel ou sejam responsabilizadas por cumplicidade em crimes de guerra. O relatório descreve a «ocupação eterna» de Israel como «o campo de testes ideal para fabricantes de armas e grandes empresas de tecnologia — proporcionando oferta e procura ilimitadas, pouca supervisão e zero responsabilização — enquanto investidores e instituições privadas e públicas lucram livremente».

Francesca, cujos relatórios anteriores, incluindo «Genocídio em Gaza: um crime coletivo» e «Genocídio como apagamento colonial», juntamente com as suas denúncias apaixonadas do massacre em massa de Israel em Gaza, tornaram-na um alvo fácil. Ela é criticada sempre que se desvia do guião aprovado, incluindo quando manifestantes pró-Palestina invadiram a sede do jornal diário italiano La Stampa enquanto estávamos em Itália.

Francesca condenou a invasão e a destruição de propriedade — os manifestantes espalharam jornais e pintaram slogans nas paredes, como «Palestina Livre» e «Jornais cúmplices de Israel» —, mas acrescentou que isso deveria servir como um «aviso à imprensa» para que fizesse o seu trabalho. Essa qualificação expressou a sua frustração com o descrédito dos media em relação às reportagens dos jornalistas palestinianos — mais de 278 jornalistas e profissionais dos media foram mortos por Israel desde 7 de outubro, juntamente com mais de 700 membros de suas famílias — e a amplificação acrítica da propaganda israelita. Mas isso foi aproveitado pelos seus críticos, incluindo a primeira-ministra italiana Giorgia Meloni, para linchá-la.

O secretário de Estado Marco Rubio impôs sanções a Francesca em julho.
«Os EUA condenaram e opuseram-se repetidamente às atividades tendenciosas e maliciosas de Albanese, que há muito a tornam inadequada para o cargo de Relatora Especial», dizia o comunicado de imprensa do Departamento de Estado. «Albanese tem espalhado antissemitismo descarado, expressado apoio ao terrorismo e desprezo aberto pelos EUA, Israel e o Ocidente. Esse preconceito tem sido evidente ao longo de toda a sua carreira, incluindo a recomendação de que o TPI, sem base legítima, emitisse mandados de prisão contra o primeiro-ministro israelita Benjamin Netanyahu e o ex-ministro da Defesa Yoav Gallant.»

«Recentemente, ela intensificou esses esforços escrevendo cartas ameaçadoras a dezenas de entidades em todo o mundo, incluindo grandes empresas norte-americanas dos setores financeiro, tecnológico, de defesa, energético e hoteleiro, fazendo acusações extremas e infundadas e recomendando que o Tribunal Penal Internacional investigasse e processasse essas empresas e os seus executivos», continuou. «Não toleraremos essas campanhas de guerra política e económica, que ameaçam os nossos interesses nacionais e a nossa soberania.»

sexta-feira, 26 de dezembro de 2025

Pensamento e Filosofia de Desmond Tutu

"Esperança é conseguir ver que há luz apesar de toda a escuridão." - Desmond Tutu

Desmond Tutu (07/10/1931 26/12/2021) foi uma das figuras morais mais relevantes do século XX, articulando de forma original a filosofia africana, a teologia cristã e a ética política. O seu pensamento desenvolveu-se sobretudo como resposta a contextos históricos concretos de injustiça estrutural, em particular o regime do apartheid na África do Sul, o que confere à sua reflexão um carácter marcadamente prático e aplicado. Mais do que construir um sistema filosófico abstrato, Tutu propõe uma ética orientada para a transformação social e para a reconstrução da humanidade ferida pela opressão.

No centro do seu pensamento encontra-se o conceito africano de Ubuntu, que funciona simultaneamente como fundamento ontológico e ético. Segundo esta conceção, o ser humano não é um indivíduo isolado, mas um ser relacional, cuja identidade se constrói no interior da comunidade. A ideia de que “eu sou porque nós somos” expressa uma ontologia relacional que contrasta com modelos individualistas predominantes na tradição filosófica ocidental. Para Tutu, a realização pessoal só é possível quando as relações humanas são justas, solidárias e reconhecedoras da dignidade de todos. O Ubuntu sustenta, assim, uma ética comunitária em que o bem individual não pode ser separado do bem comum.

A noção de dignidade humana ocupa um lugar central nesta perspetiva. Tutu defende que a dignidade é intrínseca e universal, não dependendo de raça, estatuto social, cultura ou reconhecimento jurídico. Nenhum sistema político ou económico pode legitimamente negar a humanidade de um grupo sem, ao mesmo tempo, desumanizar toda a sociedade. Esta convicção fundamenta a sua crítica moral ao apartheid, entendido não apenas como um erro político, mas como uma violação profunda da condição humana, tanto das vítimas como dos opressores. A partir daqui, o pensamento de Tutu aproxima-se das éticas dos direitos humanos, rejeitando qualquer relativismo cultural que pretenda justificar a exclusão ou a violência.

Um dos contributos mais relevantes de Desmond Tutu para a reflexão ética e política contemporânea é a defesa da justiça restaurativa. Esta abordagem ganhou expressão institucional na Comissão da Verdade e Reconciliação da África do Sul, que Tutu presidiu após o fim do apartheid. Ao contrário da justiça retributiva, centrada na punição do culpado, a justiça restaurativa procura reconhecer a verdade, responsabilizar moralmente os perpetradores e, sobretudo, reparar as relações sociais destruídas pela violência. A justiça deixa de ser entendida apenas como aplicação da lei e passa a ser concebida como um processo de cura social, no qual a memória, o reconhecimento do sofrimento e o diálogo desempenham um papel fundamental.

Neste contexto, o perdão assume uma dimensão ética e política central. Para Tutu, perdoar não significa esquecer nem negar a gravidade do mal cometido. O perdão pressupõe a verdade e a responsabilização, mas recusa a perpetuação do ressentimento como base da vida coletiva. Trata-se de um ato moral exigente, que rompe ciclos de vingança e cria condições para uma convivência futura. O perdão é, assim, entendido como uma forma de práxis transformadora, capaz de libertar tanto as vítimas como os ofensores da lógica da violência contínua.

A relação entre religião, ética e política é outro eixo fundamental do pensamento de Tutu. Embora profundamente enraizado na tradição cristã, ele rejeita uma separação absoluta entre fé e esfera pública. A religião, na sua perspetiva, deve funcionar como consciência crítica da sociedade, denunciando estruturas de injustiça e interpelando o poder quando este viola a dignidade humana. A sua célebre frase resume bem esta posição:“Se és neutro em situações de injustiça, escolheste o lado do opressor.” A neutralidade perante a injustiça é, para Tutu, uma forma de cumplicidade moral, o que levanta importantes questões filosóficas sobre responsabilidade ética, compromisso cívico e o papel das convicções morais na vida pública.

Em síntese, o pensamento de Desmond Tutu pode ser compreendido como uma ética da interdependência humana, fundada no Ubuntu, na dignidade universal e na convicção de que a justiça deve restaurar, e não apenas punir. A sua reflexão permanece particularmente актуada em contextos de pós-conflito, nos debates sobre memória histórica, reconciliação e direitos humanos, bem como na educação para a cidadania democrática. Trata-se de uma filosofia que, partindo de uma experiência histórica concreta, propõe princípios com clara relevância universal, convidando à construção de sociedades mais justas, solidárias e humanas.

domingo, 26 de outubro de 2025

Relembrar o legado de Nelson Mandela


"Damos dignidade às pessoas presumindo que são boas, que partilham as qualidades humanas que atribuímos a nós próprios." ~ Nelson Mandela

Nelson Mandela esteve preso durante 27 anos — de 1962 a 1990.
Ele foi inicialmente condenado a cinco anos por incitar greves e sair ilegalmente do país, e depois, em 1964, foi sentenciado à prisão perpétua no famoso Julgamento de Rivonia, acusado de sabotagem e conspiração contra o regime do apartheid.

Mandela passou a maior parte desse tempo na prisão de Robben Island, depois foi transferido para Pollsmoor e mais tarde para a prisão de Victor Verster, de onde foi libertado em 11 de fevereiro de 1990.

Em março de 1980, o slogan "Mandela Livre!" foi desenvolvido pelo jornalista Percy Qoboza, desencadeando uma campanha internacional que levou o Conselho de Segurança das Nações Unidas a pedir sua libertação. Apesar do crescente isolamento do país, o governo recusou em ceder às pressões internacionais, confiando em seus aliados anticomunistas da Guerra Fria, o presidente norte-americano Ronald Reagan e a primeira-ministra britânica Margaret Thatcher; ambos consideravam o CNA de Mandela uma organização terrorista simpatizante do comunismo e apoiavam sua repressão.

Não guardou rancor. Nelson Mandela deixou um legado de coragem, perdão e esperança. Lutou contra o apartheid, defendeu a liberdade e guiou a África do Sul rumo à reconciliação e à democracia. O seu exemplo lembra-nos que a verdadeira liderança se mede pela capacidade de unir, servir e inspirar.

quinta-feira, 9 de outubro de 2025

Origins and Evolution of the Palestine Problem


No início do século XX, existia ainda uma comunidade Judaica na Palestina, na sua maioria ortodoxa, que coexistia pacificamente com a população árabe . As revoltas árabes só surgiram quando ficou clara a intenção das autoridades judaicas de praticar uma política de apartheid e expulsão progressiva dos árabes dos territórios em que viviam. Estes factos estão bem documentados no livro branco da ONU intitulado "The origins and evolution of the Palestine problem"

quarta-feira, 6 de agosto de 2025

Microsoft storing Israeli intelligence trove used to attack Palestinians

Microsoft Israel’s R&D Center, Herzliya

The Israeli army’s elite cyber warfare unit is using Microsoft’s cloud servers to store masses of intelligence on Palestinians in the West Bank and Gaza — information that has been used to plan deadly airstrikes and shape military operations, an investigation by +972 Magazine, Local Call, and the Guardian can reveal.

Unit 8200, roughly equivalent in function to the U.S. National Security Agency (NSA), has transferred audio files of millions of calls by Palestinians in the occupied territories onto Microsoft’s cloud computing platform, Azure, operationalizing what is likely one of the world’s largest and most intrusive collections of surveillance data over a single population group. This is according to interviews with 11 Microsoft and Israeli intelligence sources in addition to a cache of leaked internal Microsoft documents obtained by the Guardian.

In a meeting at Microsoft’s headquarters in Seattle in late 2021, the then-head of Unit 8200, Yossi Sariel, won the support of the tech giant’s CEO, Satya Nadella, to develop a customized and segregated area within Azure that has facilitated the army’s mass surveillance project. According to the sources, Sariel approached Microsoft because the scope of Israel’s intelligence on millions of Palestinians in the West Bank and Gaza is so vast that it cannot be stored on military servers alone.

Microsoft’s immense storage and computing power capabilities enabled what multiple Israeli sources described as the project’s ambitious goal: to store “a million calls an hour.”

Following the 2021 meeting, a dedicated team of Microsoft engineers began working directly with Unit 8200 to build a model that would allow the intelligence unit to use the American company’s cloud services from within its own bases. According to one intelligence source, some of these Microsoft employees were themselves alumni of Unit 8200, which made the collaboration “much easier.”

According to the Guardian’s reporting, the leaked documents suggest that 11,500 terabytes of Israeli military data — equivalent to roughly 200 million hours of audio — were being stored on Microsoft’s servers in the Netherlands by July of this year, while smaller portions were being stored in Ireland and Israel. It is not possible to tell how much of this data belongs specifically to Unit 8200; as a previous investigation by +972, Local Call, and the Guardian revealed earlier this year, dozens of Israeli army units have purchased cloud computing services from Microsoft, and the company has a footprint in all major military infrastructures in Israel.

The leaked documents further reveal that before the current Gaza war, Microsoft’s leadership viewed the cultivation of the company’s relationship with Unit 8200 as a lucrative business opportunity and characterized it internally as “an incredibly powerful brand moment” for Azure. Nadella himself, during his 2021 meeting with Sariel, defined the partnership as “critical” for Microsoft, and committed to providing the resources to support it.

Microsoft has said publicly that it found “no evidence” that its technology was used to harm Palestinians in Gaza, and a spokesperson told us in response to this investigation that the company was unaware that its products had been used to aid the surveillance of civilians. But three Israeli intelligence sources stated that Unit 8200’s cloud-based intelligence trove has been used over the past two years to plan lethal airstrikes in Gaza, and that it often serves as a basis for arrests and other military operations in the West Bank.

Tracking everyone, all the time’
Sariel’s interest in upgrading Israel’s mass surveillance infrastructure dates back to 2015, when he was an intelligence officer in Israel’s Central Command. That year witnessed a wave of “lone-wolf” stabbing attacks in the West Bank, Jerusalem, and inside the Green Line — many of them carried out by Palestinian teenagers previously unknown to the security services, making the attacks particularly difficult to thwart.

“We found ourselves going … from funeral to funeral,” Sariel recalled in a book he published about artificial intelligence in 2021, the year he took over as head of Unit 8200 (he resigned last year).

“[A Palestinian] decides to perpetrate an attack using a kitchen knife to stab a victim, or the family vehicle to run people over,” he wrote. “Sometimes the person doesn’t even know a day before that he or she is going to commit such an attack. In these cases, traditional intelligence agencies are helpless. How can such an attack be predicted or prevented?”

Sariel’s solution, according to an intelligence officer who served under him at the time, was to start “tracking everyone, all the time.”

Over the next few years, he led a large-scale, well-funded project that dramatically expanded Israel’s surveillance of Palestinians and integrated multiple intelligence databases. “Suddenly, the public became our enemy,” another source who served in the unit under Sariel said.

In his book, Sariel wrote about the need for intelligence agencies to “migrate to the cloud” to deal with the problem of how to store increasingly vast amounts of data. +972 and Local Call previously revealed that the Israeli army has also used Amazon’s cloud computing platform, AWS, to store internal military data.

Sariel saw the collaboration with Microsoft as a breakthrough specifically because it would enable the mass storage of audio files. Multiple sources used the word “infinite” to describe the project’s scale.

Beforehand, Unit 8200 could store the calls of tens of thousands of Palestinians defined as “suspects” on its internal servers. The unit also developed a system called “noisy message,” which collects Palestinians’ text messages and assigns each of them a rating indicating their level of “danger.” But with the help of Azure, Unit 8200 was able to begin storing the calls of millions of Palestinians, vastly expanding its pool of data.

A senior source in Unit 8200 explained that Sariel viewed his relationship with Nadella, the Microsoft CEO, as a tool to advance “revolutions” in mass surveillance of Palestinians. “Yossi bragged a lot, even to me, about his connection with Satya,” the source said. (In response to this investigation, a Microsoft spokesperson stated that Nadella was only present in the 2021 meeting for 10 minutes, and that their only further contact was a condolence card Sariel sent after the death of Nadella’s son.)

Not everyone in the unit looked favorably on this partnership. One source familiar with the project said it was significantly more expensive to transfer data to Microsoft’s servers than it would have been to purchase servers and processors independently. Others in the unit felt uncomfortable about storing sensitive information overseas. But Sariel insisted, making clear his excitement for the project’s potential.

“For Yossi, ‘cloud’ and ‘Microsoft’ are buzzwords,” one intelligence source said. “He sold it internally and that’s how he got a huge budget. He said it was the solution to our problem in the Palestinian arena, and that this was the future.”

‘This isn’t leaving Azure anytime soon’
By early 2022, engineers from Microsoft and Unit 8200 were working quickly and closely to design a special model within the cloud that would be carefully tailored to the unit’s needs. “The rhythm of interaction with [8200] is daily, top down and bottom up,” one internal document noted.

As part of its effort to migrate vast amounts of its surveillance data to the cloud, the leaked documents reveal, Unit 8200 was prepared to “push the envelope” on the types of data it was willing to store on Azure. A significant portion of the raw intelligence was expected to reside initially in Microsoft data centers outside of Israel. But Israel’s Justice Ministry and Finance Ministry raised concerns about potential lawsuits against cloud service providers abroad, which could force them to hand over stored data if it was suspected of being used to violate human rights.

An internal legal opinion from the Justice Ministry in 2022 noted that both France and Germany required corporations to check for human rights violations in their supply chains by law. If it were to be revealed that these corporations are operating in the occupied Palestinian territories, such laws “may lead to the issuance of orders to prevent or restrict services” to Israel, it noted. The ministry warned that the Netherlands was working on similar legislation.

Since cloud service providers are “some of the largest and most powerful companies in the world,” one Justice Ministry document warned, a potential lawsuit would be particularly harmful to Israel. Despite these concerns, Unit 8200’s partnership with Microsoft continued, spearheaded by Sariel himself.

After Israel launched a war on the Gaza Strip in the wake of Hamas’ October 7 attack, it soon became clear that the enclave would remain under Israeli military control for a significant period. As a result, an intelligence officer explained, internal enthusiasm for storing mass surveillance data from Gaza on the cloud-based system increased.

“[The army] understood that this is also needed in Gaza — that we’re heading toward long-term control there, like in the West Bank,” the source explained. “This [surveillance repository] isn’t leaving Azure anytime soon. It’s a huge project.”

Several sources insisted that the project has “saved Israeli lives” by preventing Palestinian attacks. “You hear [someone say], ‘I want to become a martyr,’ and you feel reassured, as a security officer, that this stuff is being picked up by our system,” one officer said.

But such blanket surveillance allows Israel to find potentially incriminating information on virtually any Palestinian, which can be used for all manner of purposes — including blackmail, administrative detention, or retroactively justifying killings.

“These people get entered into the system, and the data on them just keeps growing,” an intelligence officer who recently served in the West Bank explained. “When they need to arrest someone and there isn’t a good enough reason to do so, [the surveillance repository] is where they find the excuse. We’re now in a situation where almost no one in the [occupied] territories is ‘clean,’ in terms of what intelligence has on them.”
‘Serious allegations of complicity in genocide’

In internal documents from 2023, Microsoft estimated that the partnership with Unit 8200 would generate hundreds of millions of dollars for the company over five years. It noted that the unit’s leadership hoped to multiply the amount of data it stores in Microsoft’s servers “tenfold” over the next few years.

But media reports of Microsoft’s complicity in Israel’s onslaught on Gaza — including the revelation by +972 and Local Call that the company’s cloud and artificial intelligence sales to the Israeli military skyrocketed during the war — have increased pressure on the company from the public as well as from its own employees.

In one highly publicized incident at the company’s annual conference in May, a Microsoft engineer interrupted Nadella’s keynote speech. “Satya, how about you show how Microsoft is killing Palestinians?” he shouted. “How about you show how Israeli war crimes are powered by Azure?”

Against this backdrop, 60 Microsoft investors, collectively holding shares worth $80 million, approached the company in July with a demand to review its monitoring and oversight mechanisms for customers who misuse AI tools, “in the face of serious allegations of complicity in genocide and other international crimes.”

Responding to the mounting pressure, Microsoft announced that it had conducted a review of whether its sales to Israel’s Defense Ministry had led to human rights violations. According to the statement, Microsoft provided “limited emergency support” to the Israeli army in the aftermath of October 7 to “help rescue hostages.” The company emphasized that there is “no evidence to date” that the military used Azure to “harm people in the conflict in Gaza,” stressing that Microsoft’s support didn’t violate “the privacy and other rights of civilians in Gaza.”

Yet the internal documents detailing Microsoft’s partnership with Unit 8200 paint a different picture of the company’s concern for Palestinians’ privacy. In fact, Palestinians were not mentioned in the documents summarizing the 2021 meeting between Sariel and Nadella, which also involved Israeli intelligence officers and senior Microsoft executives.

According to the Guardian’s reporting, Unit 8200 informed Microsoft of its intention to transfer up to “70 percent” of its data, including secret and top secret data, to Azure. And while the project’s ultimate goal (beyond “deepen[ing] the partnership”) does not appear to have been explicitly stated, an intelligence source said that executives of Microsoft’s Israeli subsidiary — who worked closely with Unit 8200 personnel on the project — were given clearer indications.

“Technically, they’re not supposed to be told exactly what it is, but you don’t have to be a genius to figure it out,” the source noted. “You tell [Microsoft] we don’t have any more space on the servers, that it’s audio files. It’s pretty clear what it is.”

In response to our investigation, a Microsoft spokesperson stated: “Microsoft’s engagement with Unit 8200 has been based on strengthening cybersecurity and protecting Israel from nation state and terrorist cyber attacks. This was the purpose of the meeting in November of 2021 and, in addition to our standard commercial relationship, is the basis of our ongoing relationship with the 8200 Unit.

“The leadership of Unit 8200 was interested in assessing security protection for data in our Azure public cloud offering,” the spokesperson continued. “We offer specific protections to numerous customers in retail, financial services and consulting organizations, as well as governments. Unit 8200 was interested in and tested this security; this was not a ‘secret’ or tented project.

“At no time during this engagement or since that time has Microsoft been aware of the surveillance of civilians or collection of their cell phone conversations using Microsoft’s services, including through the external review it commissioned,” the spokesperson went on. “Any allegations about Microsoft leadership involvement and support of this project … are false.”

The IDF Spokesperson stated that “the coordination between the Defense Ministry and the IDF with civilian companies is conducted based on regulated and legally supervised agreements,” adding that the army operates “in accordance with international law, with the aim of countering terrorism and ensuring the security of the state and its citizens.”

Yossi Sariel declined to comment, referring us to the IDF Spokesperson.

Following publication of this article, the IDF Spokesperson sent another statement: “We appreciate Microsoft’s support to protect our cybersecurity. We confirm that Microsoft is not and has not been working with the IDF on the storage or processing of data.”

terça-feira, 15 de julho de 2025

Sem distracções


Por Anabela Fino 
As palavras de ordem “Palestina Livre” e “Morte às IDF” foram proferidas pela dupla de punk rap Bob Vylan num concerto transmitido em directo pela BBC. Tornaram-se num assunto de Estado: Keir Starmer, primeiro-ministro britânico, condenou o sucedido; a embaixada israelita denunciou a “retórica odiosa”; os EUA revogaram os vistos da banda; a United Talent Agency cancelou a sua representação do grupo; a BBC retirou a gravação do ar, emitiu uma declaração de desagravo e acabou com os directos; a polícia britânica iniciou uma investigação não se sabe a quê. A criminalização do activismo pró-Palestina e a identificação de crítica com anti-semitismo aumentam na razão directa da crescente impossibilidade de negar o genocídio. Criminoso é quem comete genocídio, não quem o denuncia.

«Hoje, muitas pessoas querem fazer-vos acreditar que uma banda punk é a ameaça número um à paz mundial. Não somos a história. Somos uma distracção da história. E quaisquer sanções que recebamos serão uma distracção. O governo não quer que perguntemos por que razão se mantém em silêncio perante esta atrocidade? Que perguntemos por que não fazem mais para parar a matança? Para alimentar os famintos?»

As palavras acima constam da declaração emitida pela dupla de punk rap Bob Vylan, na sequência do escarcéu suscitado pela sua condenação das IDF [Forças de Defesa de Israel], durante a actuação no palco West Holts do Festival de Glastonbury, a 28 de Junho. De forma certeira, a banda põe a nu a hipocrisia sem limites das chamadas democracias ocidentais no que respeita à questão da Palestina e a conivência com os crimes de Israel.

A criminalização do activismo pró-Palestina e a identificação de crítica com anti-semitismo aumentam na razão directa da crescente impossibilidade de negar o genocídio. Não há memória de os genocidas anunciarem tão claramente as suas intenções como faz Israel. Consulte-se a documentação apresentada pela África do Sul no Tribunal Internacional de Justiça. Alguns exemplos: diz Benjamin Netanyahu que esta é «uma luta entre os filhos da luz e filhos das trevas, entre a humanidade e a lei da selva»; «estamos a enfrentar monstros… Esta é uma batalha não apenas de Israel contra esses bárbaros, é uma batalha da civilização contra a barbárie».

O presidente Isaac Herzog, que escreve mensagens à mão nas bombas lançadas sobre Gaza, não destoa: «É uma nação inteira lá fora que é responsável … lutaremos até lhes quebrarmos a espinha»; «erradicaremos o mal para bem de toda a região e do mundo».

Os ministros fazem coro: «cerco completo a Gaza. Sem electricidade, sem comida, sem água, sem combustível. Tudo está fechado. Estamos a lutar contra animais humanos»; «são todos terroristas e devem ser destruídos».

EUA, NATO, UE aplaudem e apoiam o regime sionista, o terrorismo de Estado, a ocupação, o apartheid, o genocídio dos palestinianos, os assassinatos de estrangeiros, a invasão e ocupação de outros países. Criminosos, nesta versão distópica da “democracia”, são os que denunciam os crimes, os que não se calam, os que não se rendem. A ver se nos distraem do essencial. Em vão. Por cada um que cair, outro virá para empunhar a bandeira.

quarta-feira, 2 de julho de 2025

Faixa de Gaza. "O genocídio, ao que parece, é lucrativo", denuncia relatora da ONU"


"Da Economia da Ocupação à Economia do Genocídio" é o título do mais recente relatório que Francesca Albanese vai apresentar, esta semana, ao Conselho de Direitos Humanos da ONU. A relatora especial da ONU para a situação dos Direitos Humanos na Palestina conclui que o genocídio levado a cabo por Israel em Gaza está a ser "lucrativo" para muitas multinacionais de setores como tecnologia, bancos e armas. 

O documento menciona mais de 60 empresas, incluindo grandes fabricantes de armas e tecnologia (Microsoft, Alphabet Inc. e Amazon), pelo apoio que têm dado à instalação de colonatos judeus e às operações militares em Gaza. 

Estas ações são referidas como parte de uma "campanha genocida". 

Também são mencionadas Caterpillar Inc e HD Hyundai, cujos equipamentos contribuíram para a destruição de propriedades palestinianas. São alguns nomes referidos no mesmo documento em que a relatora pede que as empresas interrompam as relações comerciais com Israel e que os dirigentes e executivos das mesmas sejam responsabilizados por “violações do Direito Internacional”. 

“Enquanto líderes políticos e governos se esquivam das suas obrigações, muitas entidades corporativas lucraram com a economia israelita de ocupação ilegal, apartheid e, agora, genocídio”, denuncia o documento. 

Francesca Albanese sublinha a urgência em exigir responsabilidades porque “a autodeterminação e a própria existência de um povo estão em jogo”.“Este é um passo necessário para pôr fim ao genocídio e desmantelar o sistema global que o permitiu”, está escrito no documento de 27 páginas. 

O relatório que Francesca Albanese apresenta esta semana, em Genebra, foi partilhado pela própria na mensagem que partilhou na rede social X. “Isto não é o negócio de sempre. O meu novo relatório da ONU, Da Economia da Ocupação à Economia do Genocídio, foi publicado hoje. Ele revela como as corporações alimentaram e legitimaram a destruição da Palestina. O genocídio, ao que parece, é lucrativo. Isto não pode continuar, a responsabilização deve ser o resultado”. 

“A cumplicidade exposta pelo relatório é apenas a ponta do icebergue”, admite o relatório de Francesca Albanese. O relatório foi elaborado com base em mais de 200 contribuições de Estados, defensores de Direitos Humanos e académicos. Francesca Albanese, que está mandatada pelo Conselho dos Direitos Humanos da ONU, mas que não fala em nome da organização, é uma das vozes mais críticas da guerra de Israel em Gaza. 

Francesca Albanese foi também uma das primeiras vozes a classificar a guerra de Israel contra a população palestiniana como "genocídio". 

Ainda na terça-feira, os Estados Unidos pediram ao secretário-geral da ONU que expulse Francesca Albanese do cargo de relatora especial para a situação dos direitos humanos na Palestina, alegando "má conduta". Washington considerou ainda que as alegações de Albanese de que Israel está a cometer genocídio em Gaza e a envolver-se num sistema de 'apartheid' "são falsas e ofensivas".

quinta-feira, 12 de junho de 2025

A explicação de Gaza, por Augusto Baptista


Gaza será "totalmente destruída", afirma ministro israelita [Fonte]

Sabes o que é uma bomba,
uma bomba dia e noite a explodir-te a cabeça,
uma bomba dia e noite a explodir-te o pai, a mãe,
a explodir-te os filhos, os avós, os irmãos,
uma bomba dia e noite a explodir-te os vizinhos,
os amigos, a casa, a rua, o quarteirão,
tu sem pão, sem água, sem luz,
enterrado na metralha, na dor, nos gritos, no medo,
nos escombros empapados de sangue,
tu sem poderes ir para lado nenhum
tu sem teres para onde fugir
nem para dentro de ti?
Sabes ?

Mortes em Gaza pela guerra passam de 55 mil, diz governo do Hamas
 [Fonte]
Sabes o que são cem bombas,
cem bombas dia e noite a explodir-te a cabeça.
Cem bombas dia e noite a explodir-te o pai, a mãe,
a explodir-te os filhos, os avós, os irmãos,
cem bombas dia e noite a explodir-te os vizinhos,
os amigos, a casa, a rua, o quarteirão,
tu sem pão, sem água, sem luz,
enterrados na metralha, na dor, nos gritos, no medo,
nos escombros empapados de sangue,
tu sem poderes ir para lado nenhum
tu sem teres para onde fugir
nem para dentro de ti?

Sabes?

Nesta Insânia estão cercados dois milhões
sem poderem ir para lado nenhum
sem terem para onde fugir
nem para dentro de si
são crianças,
são mulheres,
são homens
como tu!
Isto é Gaza
Poema escrito em 30.03.2024
Sobre o autor

terça-feira, 10 de junho de 2025

Não, os activistas da flotilha Freedom, não queriam selfies. Pretendiam desbloquear Gaza




Ontem, dia 9 de junho aquando da detenção dos activistas, a organizadora da Flotilha da Liberdade, Huwaida Arraf, escreveu: "Israel não tem autoridade legal para fazer a detenção de voluntários internacionais a bordo do Madleen. Estes voluntários não estão sujeitos à jurisdição israelita e não podem ser criminalizados por prestarem ajuda ou desafiarem um bloqueio ilegal. A detenção é arbitrária, ilegal e deve terminar imediatamente".

O Madleen é um pequeno veleiro que transporta 12 civis a bordo, incluindo um médico e um parlamentar. Eles transportavam ajuda humanitária, leite em pó e fraldas...que tipo de ameaça à segurança é essa?

Sejamos claros, o bloqueio de Gaza é ilegal.

Na noite anterior, 8 de junho, centenas de israelitas e palestinianos marcharam em silêncio em frente ao Ministério da Defesa israelita, segurando retratos de crianças palestinianas mortas na guerra de Israel contra Gaza.

Quem estava a bordo do Madleen?
  1. Greta Thunberg – ativista climática sueca
  2. Rima Hassan – Deputada franco-palestiniana do Parlamento Europeu
  3. Yasemin Acar – Alemanha
  4. Baptiste André – França
  5. Thiago Avila – Brasil
  6. Omar Faiad – França; correspondente da Al Jazeera Mubasher
  7. Pascal Maurieras – França
  8. Yanis Mhamdi – França
  9. Suayb Ordu – Turquia
  10. Sérgio Toribio – Espanha
  11. Marco van Rennes – Holanda
  12. Reva Viard – França
Opinião de Isabel Santos