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terça-feira, 21 de julho de 2026

Sistema Volta: embalagens são esmagadas após devolução? A SIC Verifica

Um vídeo a circular no TikTok está a gerar dúvidas sobre o funcionamento do Sistema Volta. Nas imagens, vê-se o interior de uma máquina de devolução com embalagens já trituradas. Em poucos dias, a publicação acumulou milhares de visualizações e centenas de comentários, com vários utilizadores a acusarem o sistema de "hipocrisia" por exigir que garrafas e latas sejam depositadas intactas para serem esmagadas logo de seguida. Mas afinal, existe alguma contradição entre as regras de devolução e o destino dado às embalagens? A SIC Verifica.

"Olha como ficam as embalagens que eles querem que se depositem intactas na máquina do Sistema Volta", refere a legenda de um vídeo que está a gerar debate no TikTok.

Nas imagens, o autor da publicação mostra o interior de uma máquina de devolução cheia de embalagens esmagadas, sugerindo uma contradição entre as regras impostas aos consumidores e o tratamento dado posteriormente ao material recolhido.

A publicação rapidamente gerou debate entre os utilizadores da rede social, acumulando milhares de visualizações e centenas de comentários.

Enquanto alguns apontam uma "incoerência" no sistema, outros defendem que a compactação das embalagens faz parte do processo normal de recolha e reciclagem.
"Se ficassem inteiras, a máquina levava meia dúzia de garrafas", argumenta um utilizador, lembrando que a reciclagem dos materiais implica, inevitavelmente, a sua trituração posterior.

Máquinas exigem embalagens intactas para serem esmagadas logo após a devolução?
Contactada pela SIC Verifica, a SDR Portugal, entidade gestora do Sistema de Depósito e Reembolso (SDR), confirma que o vídeo mostra uma situação real e explica que não existe qualquer contradição entre exigir embalagens intactas na devolução e proceder depois à sua compactação.

Segundo a SDR Portugal, o processo divide-se em dois momentos distintos.

Num primeiro momento, as embalagens têm de ser entregues inteiras, não espalmadas e com o código de barras legível. No caso das garrafas, devem ainda manter a tampa colocada. Só assim é possível validar automaticamente a embalagem, confirmar que pertence ao sistema e evitar devoluções indevidas ou fraudulentas.

Já num segundo momento, depois de identificadas e aceites, as embalagens são compactadas ou esmagadas para "otimizar o armazenamento, o transporte e a logística do sistema".

"Estas condições são igualmente essenciais para garantir a qualidade do material recolhido, assegurando que não é contaminado. Este é um passo fundamental para assegurar que as embalagens são recicladas com um nível de pureza elevado e podem regressar ao circuito produtivo, nomeadamente à indústria alimentar”, adianta ainda a entidade.

A compactação serve ainda para impedir que a mesma embalagem seja novamente introduzida na máquina para obter novo reembolso.

A SDR Portugal esclarece ainda que as embalagens esmagadas continuam a ser recicladas.

“Depois de recolhidas, as embalagens seguem para os dois Centros de Contagem e Triagem da SDR Portugal, onde são contadas, verificadas e separadas por material. Posteriormente, são encaminhadas para recicladores especializados, que as transformam em matéria-prima reciclada”, esclarece.

O objetivo é que os "materiais regressem ao ciclo produtivo, num modelo que promove a economia circular", explica a entidade.

Na prática, acrescenta, "uma garrafa pode voltar a ser uma garrafa e uma lata pode voltar a ser uma lata", reduzindo a necessidade de utilizar matérias-primas virgens na produção de novas embalagens.
A SIC Verifica que é verdadeiro.

O vídeo mostra efetivamente embalagens esmagadas no interior das máquinas do Sistema "Volta". As embalagens precisam de ser entregues intactas apenas para permitir a sua identificação e validação. Depois dessa fase, são compactadas por razões logísticas e para evitar fraudes, seguindo posteriormente para triagem e reciclagem.

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terça-feira, 30 de junho de 2026

Sabia que o seu protetor solar está a afetar os oceanos? Saiba como cuidar da sua saúde e proteger os oceanos

Com a chegada do verão e de mais temporadas passadas na praia ou na piscina, é muito importante manter a nossa pele protegida dos raios UV provenientes do sol, através do uso de protetor solar. No entanto, muitos dos filtros solares utilizados nestes produtos são prejudiciais à biodiversidade e aos ecossistemas marinhos.

Existem dois tipos principais de filtros solares: filtros minerais e filtros orgânicos (ou químicos). Estes últimos são os mais problemáticos para várias espécies marinhas, sendo um dos mais usados a oxibenzona. Este químico não se degrada facilmente e, por isso, pode persistir durante muito tempo quando introduzido na natureza. É também um dos mais encontrados em águas naturais.

Estes filtros solares químicos são introduzidos nos ecossistemas marinhos através do protetor solar que usamos na nossa pele e que depois se liberta quando entramos na água do mar, mas também podem ser descartados para a natureza através das estações de tratamento de águas residuais. Os efeitos negativos destes químicos são muito variados. Podem impedir o crescimento e a fotossíntese em algas marinhas, reduzir a fertilidade em peixes, causar danos nos sistemas imunitário e reprodutor de várias espécies de ouriços do mar e bivalves e também acumularem-se nos tecidos dos golfinhos. Um dos piores impactos verifica-se nos corais, nos quais estas substâncias se podem acumular e deformar o seu ADN, podendo levar ao seu branqueamento (uma das principais causas de morte nos corais, também provocada pelo aumento de temperatura da água do mar).

Existe uma lista de químicos potencialmente prejudiciais à vida marinha, publicada pela Administração Oceânica e Atmosférica Nacional dos EUA (conhecida pela sigla NOAA), na qual se incluem: oxibenzona, benzofenona-1, benzofenona-8, p-aminobenzoato de octilo dimetilo (OD-PABA), 4-metilbenzilideno cânfora, 3-benzilideno cânfora, dióxido de nano-titânio, óxido de nano-zinco, octinoxato e octocrileno. A utilização de alguns deles foi proibida na União Europeia, por poderem ser considerados prejudiciais ao ser humano e outros compostos, como a  oxibenzona e o octinoxato foram banidos em alguns locais com o intuito de proteger os corais, como o  Havai e o arquipélago de Palau, mas ainda continuam a ser muito comuns na maioria dos protetores solares.

Em Portugal, um projeto recente denominado Scree&Toxin (coordenado pela universidade de Aveiro) está a estudar de que forma a oxibenzona está a interferir na acumulação de biotoxinas marinhas em conquilhas da espécie Donax trunculus

O que podemos fazer?
Devemos por a nossa saúde em primeiro lugar, não dispensando o uso de proteção solar. No entanto, aquando da escolha de um protetor solar, podemos ter em atenção os ingredientes presentes e tentar evitar estas substâncias. Algumas marcas já apresentam na própria embalagem mensagens de alerta como “Reef Safe”, “Ocean friendly” ou “Respeita os oceanos”. No entanto, devemos ter atenção, pois alguns destes produtos poderão não estar livres de todos os filtros prejudiciais, sendo por isso importante rever a lista de ingredientes. Devemos igualmente adotar comportamentos que podem ser mais amigos do ambiente e também da nossa saúde como evitar a exposição solar nas horas de maior calor e usar roupa de e chapéu para prevenir as queimaduras solares.
Utilizar alguns aplicativos que nos ajudam a destrinçar os seus componentes, como a Yuka.
As marcas de protetores solares ecológicos dividem-se maioritariamente em fórmulas 100% minerais (filtros físicos de zinco ou titânio "não nano") que não prejudicam os corais e utilizam embalagens sustentáveis.
Para quem procura proteger a pele e o oceano, o mercado atual já oferece excelentes plataformas especializadas em cosmética sustentável com envio para Portugal. Se a preferência for explorar lojas multimarcas que fazem uma curadoria rigorosa, a My True Bio destaca-se a nível nacional por disponibilizar uma secção inteiramente dedicada a fórmulas minerais não-nano de marcas conceituadas. No mesmo alinhamento de desperdício zero, a pioneira Organii foca-se em opções biológicas certificadas e formatos inovadores, como os sticks solares sólidos. Já para quem valoriza a maior variedade possível de marcas europeias e quer comparar preços, a versão portuguesa da Ecco Verde oferece um catálogo vastíssimo com filtros estritamente seguros para os corais.

Por outro lado, se o objetivo for comprar diretamente aos fabricantes que lideram esta revolução ecológica, há marcas de referência com lojas online muito acessíveis. Fundada por surfistas, a sueca Suntribe é famosa pelas suas fórmulas ultra-minimalistas (com poucos ingredientes) em embalagens de cartão e alumínio. No campo da alta proteção aliada a uma textura mais fluida, os franceses dos Laboratoires de Biarritz criaram a aclamada gama Alga Maris, enriquecida com algas antioxidantes. Para o dia a dia e com texturas mais adaptadas à rotina urbana, a Freshly Cosmetics disponibiliza protetores físicos em alumínio reciclado que minimizam o habitual tom esbranquiçado na pele. Finalmente, focada na máxima biodegradabilidade para desportos aquáticos, a Amazinc! apresenta soluções líquidas e sólidas em latas totalmente reutilizáveis e livres de plástico

Para saber mais sobre este tema consulte:

segunda-feira, 15 de dezembro de 2025

Terras raras em Portugal desejadas na Europa


As últimas descobertas de terras raras em Portugal foram no Alentejo - em zonas como Monforte-Tinoca, Assumar, Crato-Arronches e Penedo Gordo - e no Nordeste Transmontano, em Moncorvo.

Segundo o Jornal de Notícias, os minerais portugueses estão a 'abrir o apetite' europeu. No entanto, o geólogo Luís Martins, ouvido pelo Jornal de Notícias, diz que "o levantamento é ainda muito preliminar" e o país ainda está "muito longe de uma possível exploração" dos recursos, essenciais para a indústria automóvel, aeroespacial ou de telemóveis.

O contexto geopolítico, com a União Europeia a tentar reduzir a dependência em relação à China, pode ser uma oportunidade para Portugal se afirmar como um fornecedor europeu. "Estamos à beira de uma nova revolução com estes recursos", acredita o geólogo.

Seja areia para a produção de betão, lítio para baterias ou terras raras para motores eléctricos: a procura de matérias-primas está a crescer. No entanto, os dados sobre o impacte da indústria extractiva são escassos, como demonstra uma análise publicada na revista Nature. De acordo com os autores, devia haver mais pesquisa sobre os impactes e os riscos, uma vez que a extração de matérias-primas está a aumentar e, consequentemente, a afetar também novas áreas.

Saber mais

quarta-feira, 19 de novembro de 2025

The Hidden Crisis: How America’s Critical Minerals Blind Spot Became a National Security Time Bomb


America is burning through crises every single day — groceries up, gas up, rent up, wages flat. People are scrambling just to make the next bill. But underneath all of that, hidden in plain sight, is a threat nobody on cable news wants to touch because it isn’t sexy, it isn’t clicky, and it doesn’t fit neatly into a left-right shouting match.

But it should scare the hell out of every American. Right now, our entire modern life — our phones, our cars, our power grid, and yes, our military — depends on a handful of minerals most people have never heard of. Rare earths. Critical minerals. The stuff inside every missile, every jet engine, every smartphone, every EV battery, every wind turbine. If you can hold it, drive it, or fight a war with it, it needs these minerals.
And here’s the part no one is reporting: we don’t control our own supply.
Not even close.

The United States — the world’s largest economy, the most advanced military on Earth — is effectively one bad week away from a national security emergency because we rely almost entirely on China for the minerals, the processing, and the manufacturing that keep this country running.

This isn’t a partisan story. This isn’t a culture-war distraction. This is about whether America can physically function in the next decade. And the frightening part? This crisis is being ignored, buried, underreported, and overshadowed by political theater while China tightens the noose.

This is the story the lobbyists don’t want talked about, the politicians don’t understand, and the corporations don’t want you to notice.

And we’re going to talk about it.

What “Critical Minerals” Actually Are And Why They Matter
“Critical minerals” sounds like an obscure geology term you’d hear on cable at 2 a.m. However, these minerals are in everything you touch and in every modern system we rely on.

They’re the quiet backbone of the entire 21st-century economy.
Think about your day.

You wake up and grab your phone?
Critical minerals.

Do you turn on a lamp?
Critical minerals.

Your car — gas or electric?
Critical minerals.

The power grid that keeps your house lit?
Critical minerals.

Medical equipment. Computers. Wind turbines. Solar panels. Fighter jets. Missile guidance systems. Radar. Satellites.

It’s all the same story: these minerals are the microscopic gears that keep modern life spinning. These aren’t “nice to have.” These are “without them, society literally stops functioning.” If the flow slows down even a little, entire sectors shut down — electronics, clean energy, defense, infrastructure, everything.That’s why the stakes are so high.

The Alarming Reality: China Controls the U.S. Supply Chain
If the pandemic taught us anything, it’s this: America’s supply chains are only strong until the day they break.

COVID-19 exposed every weakness we had, not on a battlefield, but on grocery shelves. Remember the empty aisles? The shipping delays? The scramble for basic medical gear?
That was a warning shot, because the same vulnerabilities exist with the minerals that power our entire economy — only worse.

China controls:
~70% of global mining for these minerals
~90% of processing and refining
~94% of the magnets used in U.S. jets, missiles, and defense systems

And here’s the kicker: Even the minerals we mine in America must still be shipped to China for processing. That means China controls the bottleneck at every stage.
One export restriction — the same kind they’ve already used on gallium and germanium — and the U.S. suddenly can’t:
  1. build jets
  2. manufacture missiles
  3. produce EV batteries
  4. expand the power grid
  5. build satellites
  6. or maintain modern technology
COVID was the preview. Critical minerals are the real crisis.

What’s Actually Happening Behind the Scenes
Washington is treating this like an emergency behind closed doors, even if they won’t admit it publicly.
Here’s what they don’t say out loud:

1. Quiet negotiations with China
Even as politicians rant about “getting tough,” the U.S. is negotiating in secret to keep Chinese minerals flowing, because they know if the tap shuts off, we’re done.

2. We don’t have a strategy — just duct tape
The Carnegie report is damning: the U.S. lacks a coherent plan. We have scattered programs, half-built incentives, and short-term patches.

3. The MP Materials panic deal
The Pentagon rushed into a megadeal that bypassed normal procurement rules. That only happens when officials are scared of shortages.

4. The U.S. is considering buying companies outright
The government is looking at taking direct ownership stakes in rare-earth companies. That only happens when the market has failed and national security is at stake.

Washington knows how dangerous this is. They just haven’t told the public.

Why This Is a National Security Crisis Waiting to Happen
Here’s the blunt truth: If China cut off minerals tomorrow, the U.S. military would be paralyzed.
Every advanced weapon system we rely on requires rare-earth magnets and alloys we don’t control.

If the mineral flow stops:
  1. jets stop
  2. missile production halts
  3. radar systems stall
  4. surveillance systems degrade
  5. precision weapons can’t be replenished
It’s not that production slows — it stops.

And it hits civilians too:
  1. EV production stops
  2. smartphones and laptops become scarce
  3. medical tech is disrupted
  4. power grid upgrades stall
This isn’t hypothetical. It’s the most predictable crisis in modern U.S. history, and the least reported.

How We Got Here: Political Failure, Corporate Greed, and Strategic Blindness
America walked into this crisis with eyes wide open. Both parties ignored warnings for decades. Corporations chased cheap labor overseas. We offshored manufacturing and shut down processing plants. We assumed China would “liberalize” and play fair.

We kept the fun part — designing iPhones — and outsourced the hard part, the dirty part, the essential part. Now we’re paying the price. This wasn’t an accident. It was a choice.

The Hidden Risk: No Plan for Processing or Manufacturing
Even if we mined more minerals here, we cannot process them. We don’t have the infrastructure. We don’t have the workforce. We don’t have the factories. A rare-earth processing plant takes 3–5 years to build, and 7–10 years to fully scale. Magnet factories take years more.
Experts say the U.S. is at least 8–10 years away from independence, even if we started today.
That means if China cut us off right now, we wouldn’t catch up until the mid-2030s. That’s the hole we’re in.

Domestic Obstacles No One Talks About
Even if America woke up tomorrow ready to act, we’d hit the wall of our own system.Permitting takes years. Lawsuits drag on. Local communities block projects. Environmental reviews stall progress. Companies avoid investing because the regulatory maze is unpredictable. Everyone wants clean energy, cheap tech, and national security, but nobody wants a mine or processing plant in their backyard. China builds industrial clusters in 18–36 months. America debates permit language for five years.We cannot rebuild a supply chain with a system designed not to build anything.

What Needs to Happen And Who’s Blocking It
Here’s what we need:
  1. a national strategy that integrates mining, processing, manufacturing, workforce, and environmental protection
  2. multiple U.S. processing plants
  3. at least two magnet factories
  4. permitting reform
  5. long-term corporate investment
  6. bipartisan political courage
  7. real media coverage
Here’s who’s blocking it:
  1. corporations addicted to cheap Chinese labor
  2. politicians terrified of local backlash
  3. regulators stuck in outdated systems
  4. media outlets that ignore anything without celebrity drama
We know what to do. We know who’s in the way. We just need the will.

America Is One Bad Week Away From a Crisis
America is one bad week away from a crisis we are not prepared for — one export ban, one geopolitical dispute, one supply chain disruption. China doesn’t need to attack us. They can just pause a shipment.This is the most important underreported national security issue in America today.The silence doesn’t make us safer. It makes us blind.

If you learned something here today — if this gave you clarity corporate media refuses to provide — then this is why independent journalism matters.

I’ll keep reporting the stories others ignore. Because the only way we fix this crisis is by understanding it, and the only way we understand it is by talking about it — openly, boldly, and without fear.

Sources:
  1. Allan, Bentley, and Jonas Goldman. “Securing America’s Critical Minerals Supply.” Carnegie Endowment for International Peace, October 8, 2025.
  2.  Serena Li and Ke Wang. "The Critical Minerals Conundrum: What You Should Know" WRI, October 8, 2025
  3. “China Deal Buys US Time to Build Critical Minerals Supply Chain.” Reuters, November 17, 2025.
  4. “Trump Expands Critical Minerals List to Copper, Metallurgical Coal, Uranium.” Reuters, November 7, 2025.
  5. “US House Report Accuses China of Minerals Market Interference.” Reuters, November 12, 2025.
  6. “Exclusive: A New Rare Earth Crisis Is Brewing as Yttrium Shortages Spread.” Reuters, November 14, 2025.
  7. “Minerals, Manufacturing, and Markets: Foreign Policy for U.S. Energy Technology and Minerals.” Carnegie Endowment for International Peace, February 26, 2025.
  8. “Unmined Potential? Opportunities for Development Finance to Support Sustainability and Inclusion in Transition-Mineral Supply Chains.” Global Development Policy Center, Boston University, March 4, 2025.
  9. “Critical Minerals and Great Power Competition.” SIPRI (Stockholm International Peace Research Institute), October 2024.

sábado, 18 de maio de 2024

Como surge a chuva ácida?


A chuva ácida  é consequência da poluição atmosférica. A queima de combustíveis fósseis –principalmente por motores movidos a diesel e centrais térmicas– liberta muito dióxido de azoto, NO2, para a atmosfera. Algumas atividades industriais – principalmente produção de aço, de alumínio, baterias, borracha e fertilizantes– libertam uma quantidade absurda de dióxido de enxofre, SO2, para a atmosfera.

Já em forma de gases, esses elementos formam moléculas polares com alta solubilidade em água. Assim, reagem rapidamente com a água em vapor na atmosfera e formam dois ácidos corrosivos e tóxicos: o ácido sulfúrico, H2SO4, e o ácido nítrico, HNO3.
SO3 + H2O → H2SO4
NO2 + H2O → HNO3

Essas substâncias voltam para a terra em forma de chuva ácida com desastrosas consequências ambientais:
– alteram o PH do solo, geralmente abaixo do valor 5,6 e essa acidificação mata a microbiota;
– alteram o PH de córregos, rios, lagos e mananciais, acidificando a água, desequilibrando o ambiente e causando a morte de peixes e outros seres aquáticos;
– causam patologias em vegetais e animais;
– destroem extensas áreas florestais e lavouras;
– danos à saúde humano, com agravamento de problemas respiratórios e oculares;
– corroem metais, pedras, rochas calcárias, madeira (ação desidratante);
– desgastam construções.

A chuva ácida é um dentro de tantos outros problemas causados pela emissão excessiva e descontrolada de gases do efeito estufa, como o aquecimento global, as secas prolongadas, as enchentes violentas cada vez mais frequentes e tantos eventos climáticos extremos.

Saiba mais:
Chuva ácida - Prepara ENEM
Aulão ENEM 2020 - Professor Paulo Jubilut

sábado, 18 de novembro de 2023

Corrupção, desastres ambientais e conflitos: organizações cívicas e cientistas alertam Bruxelas para cancelar mineração de matérias-primas críticas

Clicar na imagem para ver melhor

Bruxelas recebeu uma carta aberta, assinada por cerca de 1.000 organizações cívicas e 130 cientistas, no qual é requerido o cancelamento do Regulamento Europeu sobre as Matérias-Primas Críticas: a missiva, dirigida à presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, destacou os casos de corrupção e de incumprimento sócio-ambiental relacionados com diversas minas pela Europa. De acordo com os especialistas, a atual política de matérias-primas é insuficiente e inviável face à crise climática.

O Regulamento sobre as Matérias-Primas Críticas foi anunciado na passada segunda-feira, depois de um acordo político entre o Parlamento Europeu e o Conselho Europeu: nesta proposta, Bruxelas pretende assegurar a segurança do aprovisionamento de 34 matérias-primas consideradas críticas para a transição energética. Para assegurar o objetivo, foram estabelecidas duas vertentes: o abastecimento a partir de novas parcerias estratégicas e novas explorações na Europa, que beneficiariam de um licenciamento acelerado.

No entanto, casos como a ‘Operação Influencer’, que provocou a queda do Governo português, sublinharam os grupos cívicos e cientistas, são sintomáticos em relação às deficiências da indústria extrativa e da sua governação, sobretudo em relação a riscos ambientais e sociais, bem como no que diz respeito ao incumprimento da legislação existente e à corrupção.

Na missiva, foram citados mais de 30 casos de corrupção e de desastres ambientais ligados à exploração e transformação mineira na Europa nos últimos 20 anos, em países como Espanha, Finlândia, Hungria, Macedónia, Portugal, Roménia, e Suécia.

“Infelizmente, o incumprimento parece ser a norma em Portugal, mesmo em casos bem documentados e conhecidos das autoridades. A tragédia de Borba, os rejeitados da mina da Panasqueira e, desde a semana passada, as águas ácidas em Aljustrel testemunham também o estado precário das autoridades competentes. A ‘Bolha’ de Bruxelas, que prevê licenciamentos em dois anos, parece muito longe da nossa realidade de projetos que já levam meia década no processo”, referiu Nik Völker, fundador da MiningWatch Portugal.

Na carta dirigida à Comissão, os signatários abordaram também o atual boom de projetos de prospeção e pesquisa e de exploração, causado pelas crises geopolíticas dos últimos anos e pela crescente procura de metais para a transição energética. Segundo os autores, existem cada vez mais conflitos entre modos de vida tradicionais, rurais e indígenas e projetos extrativos.

“O Parlamento Europeu e a Comissão tiveram a oportunidade de ir ao encontro das necessidades das comunidades locais com esta lei e falharam redondamente”, afirmou Bojana Novakovic do movimento contra a exploração mineira de lítio “Mars sa Drine”, na Sérvia. “Estamos fartos de implorar, apelar e negociar. A UE falhou connosco, por isso estamos a enviar uma mensagem clara – retirem a lei ou vão ver-nos nas ruas e em tribunal.”

Entre os 25 projetos listados encontram-se 8 com participação de entidades portuguesas, com um valor global de €56M: EXCEED (Savannah Lithium), GREENPEG (Universidade do Porto, Felmica), INFACT (Associação Portuguesa de Geólogos), S34I (Universidade do Porto), ION4RAW (Universidade de Coimbra), VAMOS (INSEC, Mineralia-Minas Lda, EDM), MIREU (NOVA ID FCT, CCDR-A), SEMACRET (FCIENCIAS / Universidade de Lisboa).

Em Portugal, a carta foi assinada pelas seguintes 28 organizações:
Associação Cultural Amigos da Serra da Estrela – ASE; Associação Montalegre Com Vida; Associação Povo e Natureza do Barroso – PNB; AVE – Associação Vimaranense para a Ecologia; Bravo Mundo – Citizens Movement for a Safer Future; Centro de Ecologia, Recuperação e Vigilância de Animais Selvagens (CERVAS) / Associação ALDEIA; Chaves Comunitária; Espaço A SACHOLA – Covas do Barroso; Extinction Rebellion Guimarães; FAPAS – Associação Portuguesa para a Conservação da Biodiversidade; Grupo de Investigação Territorial (GIT); Grupo pela Preservação da Serra da Argemela (GPSA); IRIS, Associação Nacional de Ambiente; MiningWatch Portugal; Movimento Amarante diz não à exploração de lítio Seixoso-Vieiros; Movimento Contra Mineração Penalva do Castelo, Mangualde e Satão; Movimento ContraMineração Beira Serra; Movimento Não às Minas – Montalegre; Movimento Seixoso-Vieiros: Lítio Não; Movimento SOS Serra d’Arga; Nao as Minas Beiras – Citizens Movement; Rede Minas Não; Rede para o Decrescimento em Portugal; Sciaena – Oceano # Conservação # Sensibilização; SOS – Serra da Cabreira; UDCB – Unidos em Defesa de Covas do Barroso; URZE – Associação Florestal da Encosta da Serra da Estrela.

sexta-feira, 30 de junho de 2023

Oligarca russo na Suíça atingido por sanções dos EUA


Viktor Vekselberg (na foto), acionista maioritário da UC Rusal, a maior empresa de alumínio do país, perdeu mais de 60% de seus ativos desde o início da guerra, segundo o Visual Capitalist. Estima-se que o magnata teria deixado pelo caminho cerca de 11,3 biliões de dólares (em escala americana), desde o início da guerra na Ucrânia, que, curiosamente, é o território onde nasceu.

O iate chamado "Tango" de propriedade do bilionário russo Viktor Vekselberg, que foi sancionado pelos EUA em 11 de março de 2022, é visto no Palma de Mallorca Yacht Club, Mallorca, Espanha

Saber mais:

segunda-feira, 19 de junho de 2023

Entrevista a Nicolas Jourdain: Economia circular pode ser “difícil de implementar” mas “o potencial é enorme”


A economia circular é apontada como um pilar-chave da transição para modos de produção e consumo mais sustentáveis e com menos impactos sobre o planeta. A maior parte dos recursos que nos são disponibilizados pela Terra, e dos quais as nossas economias e vidas hoje dependem, não são infinitos, pelo que os modelos de extração, transformação, comercialização e consumo também não podem basear-se na ideia de que são inesgotáveis.

Por isso mesmo, a União Europeia quer duplicar a presença de materiais reciclados nas economias regionais até 2030, mas este não parece ser um caminho fácil. Em 2021, os materiais reciclados representaram 11,7% de todos os materiais usados, um aumento de menos de 1% face a 2010.

Como tal, ainda temos muito terreno por desbravar para que consigamos concretizar uma verdadeira circularidade nas economias europeias.

Nicolas Jourdain, responsável de Economia Circular da KPMG para as regiões da Europa, Médio Oriente e África, falou com a ‘Green Savers’ sobre o potencial da circularidade para ajudar as economias europeias, e não só, a serem mais sustentáveis, a reduzirem a pressão sobre os sistemas planetários e a recuperarem, pelo menos em parte, a harmonia com a Natureza.

Estima-se que, se mantivermos os atuais níveis de consumo de recursos naturais, em 2050 precisaremos de três Terras para satisfazer as nossas necessidades. Do outro lado da moeda, temos os resíduos gerados pelo consumo, que se estima que aumentem em 70% até 2050. Como é que a economia circular pode ajudar a inverter estas tendências?

Das 100 mil milhões de toneladas de recursos naturais extraídas todos os anos, apenas cerca de 7% são circulares, pelo que o potencial é enorme. Mas temos de enfrentar uma grande mudança comportamental na compra de materiais, na produção, nos modelos de negócio, nos padrões de consumo e na gestão do fim de vida dos produtos. Tudo tem de basear-se nos princípios da economia circular, que visa dissociar o crescimento económico da extração de recursos naturais.

Os atuais debates sobre o tratado para pôr fim à poluição por plásticos, por exemplo, são muito interessantes, pois demonstram o que está em jogo e as forças frequentemente contraditórias em jogo para se chegar a uma solução sustentável. Das 408 milhões de toneladas métricas de resíduos plásticos produzidos todos os anos, menos de 18% são efetivamente separadas para reciclagem em todo o mundo e, frequentemente, o resultado é uma qualidade degradada. O problema não está na reciclagem, mas no próprio design dos produtos e na sua conceção inicial.

Quase tudo é concebido para ser deitado fora após a utilização, como se o material não tivesse qualquer valor residual. Tudo tem de ser reinventado em termos de conceção, volume, utilização e tratamento dos produtos, quando já não precisamos deles. Os mesmos princípios aplicam-se a praticamente todos os materiais de base utilizados para produzir os bens que consumimos: têxteis, metais, cimento, biomassa, vidro e combustíveis fósseis.

A transição energética é apontada como fundamental para reduzir os impactos humanos no planeta, combater as alterações climáticas, reduzir a poluição e travar a perda de biodiversidade. As tecnologias de energias renováveis podem basear-se na economia circular para serem verdadeiramente sustentáveis, em vez de dependerem da extração contínua de minerais e outras matérias-primas?

Abordámos esta questão fundamental num relatório intitulado “Resourcing the energy transition”.

Ao implementar o Acordo de Paris, são necessários esforços globais por parte dos governos e do setor privado para avançar para um sistema de energias renováveis. Fechar o ciclo não será fácil. O desenvolvimento destas estratégias de economia circular pode deparar-se com barreiras jurídicas, financeiras, organizacionais e operacionais, que exigem a colaboração entre as diferentes partes interessadas e, potencialmente, novas competências (tecnológicas, ambientais e económicas) para ultrapassá-las.

No entanto, à medida que a tecnologia avança, as oportunidades de adotar os princípios da economia circular e a sua aplicação aos recursos necessários para este sistema energético e para outras inovações tecnológicas deve estar no topo da agenda das empresas de um amplo espectro de setores.

A passagem para um sistema de energias renováveis e a transição para uma economia mais circular fazem parte da mesma agenda.

Porque é que é tão importante que a economia circular se torne o ponto de orientação das economias e deixe de ser algo marginal? As empresas apercebem-se da sua importância, não só para o planeta, mas para elas próprias?

É evidente que, atualmente, a economia circular é reconhecida pelos governos e decisores políticos como uma solução importante, se não a única solução, para resolver em profundidade os problemas do aquecimento global devido às emissões de gases com efeito de estufa, da poluição do solo, do ar e da água e do impacto na natureza e na biodiversidade devido à extração cada vez mais massiva de matérias-primas virgens (combustíveis fósseis, minerais ferrosos e não ferrosos, biomassa).

Mas a transição de uma economia linear, baseada precisamente em volumes muito elevados, em reduzidos ciclos de vida dos produtos e numa intensidade de extração muito elevada dos recursos naturais a custos relativamente baixos, é particularmente difícil de implementar.

Estamos a falar de uma transformação completa dos modelos empresariais e das relações entre as funções empresariais e com os fornecedores, clientes e concorrentes, que devem evoluir para uma maior integração e colaboração. Muitas coisas precisam de ser repensadas, como a conceção dos produtos e a gestão do ciclo de vida, para prolongar ou mesmo multiplicar a vida dos produtos vendidos ou alugados, uma vez que a economia circular evoluirá necessariamente para modelos de aluguer ou de leasing, em que o cliente pagará pela utilização e pelos serviços prestados pelo produto, em vez de ter propriedade sobre ele.

É uma transição que levará tempo, mas muitos líderes de mercado já vão com avanço. Os líderes da circularidade estão a emergir em muitos setores, como o automóvel, a eletrónica, o equipamento industrial ou a construção. A longo prazo, será uma corrida pela competitividade e inovação.

Os produtos circulares e responsáveis tornar-se-ão uma questão importante tanto para o impacto ambiental das empresas como para os clientes e os consumidores, que deixarão de aceitar produtos irresponsáveis que causam danos aos ecossistemas e à sua saúde.

O que é que tem impedido a economia circular de se afirmar verdadeiramente e de se tornar a regra e não a exceção? Será que é a resistência das empresas e indústrias em utilizar materiais “usados”, é o facto de os consumidores não exigirem esta mudança e quererem produtos novos, ou será que a responsabilidade recai sobre os organismos governamentais e reguladores que não implementam as regras necessárias?

Penso que é um pouco de tudo isso. Mas, na minha opinião, é sobretudo uma questão de acesso fácil a recursos virgens e a combustíveis fósseis baratos nos últimos 150 anos. Toda a indústria tem sido organizada em torno de uma economia linear de “pegar, fazer, usar, desperdiçar” desde o final do século XIX, com uma aceleração acentuada após a Segunda Guerra Mundial.

Por isso, tudo precisa de ser alterado e adaptado, e isso envolverá o lado da oferta e inovações das empresas, o setor público e, especialmente, as cidades e regiões, o apetite dos consumidores por esses novos tipos de produtos e padrões de consumo mais responsáveis, os legisladores e os investidores.

terça-feira, 6 de junho de 2023

Pico do Evereste - uma montanha de lixo


Antes do descalabro, em 1991, o Comitê de Controle de Poluição de Sagarmatha (SPCC) foi fundado para ajudar a manter limpa a região de Khumbu, em parte por meio do gerenciamento de locais de coleta de lixo controlados. Tudo estava mais ou menos controlado. Com a chegada de nômadas digitais, turistas de toas a espécie, só pensavam nas selfies no pico do Everest, ignorando o lixo que produziam. 
A primeira grande denúncia chego em  2015, onde se mostravam que as pilhas de lixo têm aumentado exponencialmente nesta região.
Na língua tibetana, o Monte Evereste é chamado de “Chomolungma” (“Qomolangma” em chinês), que significa “deusa mãe do mundo”. Para o povo sherpa, a montanha é um lugar sagrado, merecedor de dignidade e respeito.

Hoje, o Evereste está tão superlotado e cheio de lixo que é chamado de “o depósito de lixo mais alto do mundo”.

Mais de 600 pessoas tentam escalar o Monte Evereste a cada temporada de escalada durante as poucas semanas do ano, quando as condições climáticas são perfeitas. Além disso, para cada alpinista há pelo menos um trabalhador local que cozinha, transporta equipamentos e orienta a expedição. A montanha ficou tão superlotada que muitas vezes os alpinistas precisam ficar na fila por horas em condições de frio congelante para chegar ao topo, onde o ar é tão rarefeito que é necessária uma máscara de oxigênio para respirar. Eles caminham em fila indiana a passos de tartaruga sobre o Degrau Hillary, o último obstáculo antes do cume. Quando os alpinistas finalmente chegam ao cume, mal há espaço para ficar de pé por causa da superlotação.

Cada um desses alpinistas passa semanas na montanha, ajustando-se à altitude numa série de acampamentos antes de avançar para o cume. Nesse período, cada pessoa gera, em média, cerca de oito quilos de lixo, e a maior parte desse lixo fica na montanha. As encostas estão repletas de cilindros de oxigénio vazios descartados, barracas abandonadas, recipientes de comida e até fezes humanas. No Acampamento Base, há banheiros em tendas com grandes barris de coleta que podem ser carregados e esvaziados. Mas é aí que terminam as instalações sanitárias. No restante da expedição, os alpinistas precisam se aliviar na montanha.

Ninguém sabe exatamente quanto lixo há na montanha, mas é em toneladas. O lixo está vazando das geleiras e os acampamentos estão transbordando com pilhas de dejetos humanos. A mudança climática está fazendo com que a neve e o gelo derretam, expondo ainda mais lixo que foi coberto por décadas. Todo esse lixo está destruindo o ambiente natural e representa um sério risco à saúde de todos que vivem na bacia hidrográfica do Evereste.

A bacia hidrográfica do Parque Nacional de Sagarmatha é uma importante fonte de água para milhares de pessoas que vivem em comunidades ao redor do Monte Evereste. A bacia hidrográfica inclui a terra que direciona as chuvas e o degelo das montanhas para os córregos e rios. Não há gestão de resíduos ou instalações sanitárias na área, então o lixo e o esgoto são despejados em grandes poços fora das aldeias locais, onde são levados para os cursos d'água durante a estação das monções. A bacia hidrográfica local foi contaminada, o que pode ser incrivelmente perigoso para a saúde da população local. Sabe-se que a água contaminada com matéria fecal causa a propagação de doenças mortais transmitidas pela água, como cólera e hepatite A.

O que sobe tem que descer
Tanto os governos quanto as organizações não-governamentais (ONGs) tentaram – e estão tentando – limpar a lixeira no Monte Everest. Em 2019, o governo nepalês lançou uma campanha para limpar 10.000 quilos  de lixo da montanha. Eles também iniciaram uma iniciativa de depósito, que está em andamento desde 2014. Quem visita o Monte Evereste tem que pagar um depósito de $ 4.000, e o dinheiro é devolvido se a pessoa retornar com oito quilos de lixo - a quantia média que um único pessoa produz durante a subida.

Não são apenas as autoridades locais tentando fazer a diferença. Durante anos, o Comitê de Controle de Poluição de Sagarmatha (SPCC) trabalhou incansavelmente para manter a região limpa. O SPCC é uma ONG sem fins lucrativos administrada por sherpas locais. Eles gerenciam o lixo na área ao redor do Monte Everest, garantem que as pessoas tenham permissão legal para escalar e educam os visitantes sobre como cuidar do meio ambiente.

O Projeto de Biogás do Monte Evereste também está a trabalhar para encontrar uma solução sustentável de longo prazo para o problema de saneamento da área. Eles têm planos de construir um sistema movido a energia solar que transformaria dejetos humanos em combustível para as comunidades locais. De acordo com o site do projeto, isso impediria que as fezes humanas fossem despejadas nas aldeias locais, o que reduziria o risco de contaminação da água e criaria mais empregos locais.

Desde que Edmund Hillary e Tenzing Norgay chegaram ao cume em 1953, mais de 4.000 pessoas seguiram seus passos, e outras centenas tentam a escalada a cada temporada. Algumas pessoas argumentaram que o governo nepalês deveria ter regras mais rígidas sobre quantas pessoas podem tentar escalar o Monte Everest a cada ano, mas o Nepal depende da renda que os alpinistas trazem para a área. No Nepal, uma em cada quatro pessoas vive abaixo da linha da pobreza, e as licenças de escalada geram milhões de dólares em receita para a economia local. Os visitantes do parque também geram empregos e salário para a população local que oferece hospedagem ou trabalha como carregadores e guias.

domingo, 21 de maio de 2023

Pedro Cabrita Reis- o artista trolha

A mediocridade da Arte Contemporânea


Da "Central Tejo".
Chamar isto de arte? Duas torres em alumínio, conexas e iluminadas, com...pasmem-se 10 metros de altura!! Visivelmente interfere negativamente com a "paisagem" da marginal do Tejo.

Análise
Toda a arte é divina. Talvez por isso o artista (o autor, o actor…) tenha um pé do lado de deus. E, quando esta metáfora é forma cabal dessa expressão, então temos artista. Porém, talvez se torne descabida qualquer tipo de elucidação a propósito desta palavra, pois ela é já explicação da explicação. Certo é que não se pode ser “quase” artista, autor, actor. Artista ou se é ou não se é. Só as obras poderão falar sobre a condição da sua arte.

Não obstante, o quadro pinta-se sozinho da mesma forma que o livro se escreve a si próprio. Ao artista apenas cabe estar ali. Ele é o veículo. Por tal razão não existe em si mesmo. Os materiais que ele usa são, apenas, a extensão do corpo (técnico), nunca da sua alma. O espírito – a arte – prevalece, exclusivamente, na conexão com o seu público. Ora acontece que a arte contemporânea não comunica. É de expressão livre, mas a sua observação não. Prova disso é que para ser compreendida tem de ser explicada.

Neste particular socorro-me de Aveline Lésper. “ A obsessão pedagógica, a necessidade de explicar cada obra, cada exposição gera a sobre-produção de textos que nada mais é do que uma encenação implícita de critérios, uma negação à experiência estética livre, uma sobre-intelectualização da obra para sobrevalorizá-la e impedir que a sua percepção seja exercida com naturalidade”. “ A arte contemporânea é endogâmica, elitista; com vocação segregacionista, é realizada para sua própria estrutura burocrática, favorecendo apenas às instituições e seus patrocinadores” [1].

Sei que os sentimentos brotam sem explicação, em total liberdade, etc… Porém sentir não é isento de conexão. Aqui ambas se tornam um só. Arte e comunicação.

Não há expressão artística sem comunicação fundada na sua dimensão mais elevada: a simplicidade. Comunicar é, e será sempre, isso mesmo: simplificar o mundo. Se complicar não comunica. Do mesmo modo, se a arte não comunica não é arte.

A necessidade de explicação de cada obra, a cada exposição, significa isso mesmo. A arte contemporânea torna-se iminentemente uma fraude ao exorcizar o público, expulsando-o do seu seio, transformando a arte em nada.

Conclusão 
Na arte contemporânea a expressão é livre mas a sua apreciação não. Assim, para ser compreendida tem de ser explicada. A despeito de reclamar maior atenção e conhecimentos por parte de quem a contempla do que de quem a produz, menoriza o espectador, exigindo-lhe que a ela se submeta, ou a abandone para sempre. Surge deste modo a primeira ditadura da mediocridade na arte.

Tal será fácil de compreender por força do mercado da arte, representado pela figura do mecenas que se torna artista, fomentando o artista fantasiado de artista. 

Sobre "instalações" como a Central Tejo
O gosto ou não gosto, em termos de manifestação artística, é coisa extremamente subjectiva ou pessoal. Por isso mesmo, em tempos de “instalações“, a torto e a direito, fica-nos muitas vezes a sensação de que o artista está a gozar com a nossa cara, como sói dizer-se. Depois, como a Arte passou a estar totalmente inserida no sacrossanto mercado, há muitos artistas que primam em cair em graça e estarão muito mais interessados nisso do que em ser engraçados. Como nem todos os mortais foram ungidos pela capacidade de serem entendidos em Arte por obra e graça de algum espírito mais ou menos santificado, perceber porque é que meia dúzia de caixotes empilhados, fora do contexto de algum armazém ou arrecadação, podem ser um estímulo emocional… não é coisa fácil. Pessoalmente, como um dos tais não ungidos, olho para aquilo… e vejo uns caixotes empilhados. E já Gedeão nos alertava para o fenómeno: vês moinhos, são moinhos.

[1] Aveline Lésper: El arte contemporáneo es una farsa

sexta-feira, 14 de abril de 2023

Apple vai usar apenas cobalto reciclado nas suas baterias até 2025


O mundo está a mudar aos poucos em vários setores. Um dos quais onde as empresas a nível mundial têm tido cada vez mais atenção respeita à sustentabilidade ambiental. A Apple quer destacar-se neste campo e anunciou mais uma medida: irá usar apenas cobalto reciclado nas suas baterias até ao ano de 2025.

Em comunicado, a Apple disse nesta quinta-feira (13) que apenas vai usar cobalto reciclado nas suas baterias até 2025. A empresa da maçã adiantou que esta mudança faz parte dos seus esforços para tornar todos os seus produtos neutros em carbono até ao final desta década.

O cobalto é um mineral fundamental para as baterias de lítio e é usado numa grande parte de dispositivos como smartphones, tablets e carros elétricos. Mas, há alguns anos, várias empresas tecnológicas foram acusadas de serem cúmplices na morte de muitas crianças na República Democrática do Congo, por estas terem sido obrigadas a minerar cobalto.


Portanto, os detalhes revelados pela empresa de Cupertino indicam que os ímanes que se encontram nos equipamentos da Apple vão começar a usar elementos químicos Terra-rara reciclados, enquanto que as placas de circuito impresso projetadas internamente vão usar solda de estanho reciclado e revestimento de ouro.

A Apple é uma das muitas empresas do setor tecnológico que tem como objetivo tornar-se neutra em carbono em toda a sua rede de fornecimento de componentes e ao longo do ciclo de vida de cada produto até 2030.

Segundo a empresa, um quarto de todo o cobalto que é usado nos produtos da Apple vem de material que foi reciclado em 2022, o que representa um aumento de 13% comparativamente ao ano anterior de 2021. As informações revelam ainda que a marca utiliza mais de dois terços de todo o alumínio, quase três quartos de todas as terras-raras e mais de 95% de todo o tungsténio nos seus produtos a partir de material reciclado.

quinta-feira, 6 de abril de 2023

7 dicas para uma Páscoa mais sustentável


Se as amêndoas e os ovos de chocolate não podem faltar, também a reciclagem e o cuidado com o ambiente não devem ficar de parte.

Conheça algumas das dicas para uma Páscoa mais sustentável.

-Já que a data sugere consumo, principalmente de chocolate, o primeiro passo passa por evitar o desperdício.

-Dê preferência, se possível, a chocolates biológicos. São uma alternativa ao tradicional chocolate de leite e existem várias lojas online onde pode encomendar.

-Fuja das embalagens cheias de fitas e papéis celofane, optando pelas mais simples.

– Com chocolate, coloridas, francesas, caramelizadas, napolitanas. Páscoa sem amêndoas não é a mesma coisa. As opções são imensas e, além da amêndoa, todas têm algo em comum: a embalagem de plástico. Normalmente são empacotadas em saquinhos de plástico e, quando terminarem, não se esqueça que o destino é o ecoponto amarelo.

– Outro doce que já é habitual ver na Páscoa são os ovos de chocolate. Se na sua família existe a tradição da caça aos ovos da Páscoa, um dia não são dias e delicie-se com esta guloseima, mas não se esqueça: muitos dos ovos vêm embrulhados em papel metalizado e não se deixe enganar pelo nome, pois os resíduos de alumínio devem ser depositados no ecoponto amarelo. Caso o invólucro seja de plástico, também é o mesmo destino: ecoponto amarelo.

– Os ovos convencionais fazem também parte da mesa e estão na lista de ingredientes do doce típico da Páscoa, o folar. Terminados os ovos, a caixa deve ser colocada no ecoponto azul.

– E por falar em folar, o doce tradicional da Páscoa, lembre-se que o saco da farinha e do açúcar devem ser depositados no ecoponto azul. Quanto ao pacote do leite, esse deve ser colocado no ecoponto amarelo. Terminada a iguaria da época pascal, o papel onde o folar é servido deve ir também para o ecoponto azul.

domingo, 22 de janeiro de 2023

De que tecnologia precisamos para chegarmos ao carbono-zero?

O mundo sabe agora que precisamos de chegar a emissões net-zero, ou mesmo a emissões negativas, para compensar o tempo perdido no combate às alterações climáticas. Mas que lacunas na tecnologia precisam de ser preenchidas para que isso se torne realidade?

Que tecnologias podem ajudar-nos a alcançar o net-zero
A ação climática está agora em curso. Contudo, as nossas ações não aconteceram com rapidez suficiente para atingir as metas estabelecidas pelo Acordo de Paris para limitar o aumento da temperatura global a 1,5 graus Celsius. A fim de atingir estes objetivos, a tecnologia “deve desenvolver-se rapidamente para alcançar mais descarbonização e captura de carbono”, sublinha o “Inhabitat”.

Segundo a mesma fonte, para compreender que tecnologias poderiam ajudar a atingir os objetivos de mitigação do clima, primeiro temos de analisar que tecnologias estão disponíveis para resolver o problema. Eis alguns tipos de tecnologias que estão a ajudar a combater as alterações climáticas:
– captura e armazenamento de carbono
– biocombustíveis e energia limpa
– tecnologia de armazenamento de energia e bateria
– tecnologia de monitorização para medir o progresso

Cada uma destas tecnologias pode ajudar-nos a atingir emissões líquidas nulas. Mas sendo o objetivo atual, o mais tardar em 2050, de inverter os danos dos últimos 100 anos de industrialização, o tempo não está do lado do desenvolvimento tecnológico. Aqui estão as formas como podemos preencher as lacunas no tempo.

Tecnologias de captura de carbono
A captura de carbono pode ser tão simples como filtros em chaminés de fábrica, e tão complexa como a plantação de florestas e a utilização de pedras de pavimentação absorventes de carbono para recapturar o carbono libertado para a atmosfera. Estas tecnologias estão em desenvolvimento há 50 anos, mas recentemente mais destes produtos foram libertados, com 70% das aplicações de captura de carbono no espaço de recuperação de petróleo e gás, de acordo com um relatório do Instituto de Economia e Análise Financeira da Energia.

Isto parece um progresso, mas apenas 300 milhões de toneladas de carbono foram capturadas em todo o mundo, o que é apenas uma fração do que é necessário para cumprir os objetivos do Acordo de Paris. Estas tecnologias requerem também investimentos significativos em infraestruturas, tais como oleodutos e instalações de armazenamento, que competem com outras prioridades e investimentos para mitigar as alterações climáticas.

Biocombustíveis e combustíveis de energia
Os combustíveis energéticos são qualquer fonte de energia como o hidrogénio, metano, propano ou combustíveis líquidos sintéticos. Os biocombustíveis são mais especificamente combustíveis criados utilizando uma fonte como materiais vegetais como o etanol feito de milho ou o biodiesel feito de materiais residuais. Estes combustíveis podem preencher lacunas no fornecimento de energia, oferecendo alternativas mais limpas ao petróleo e ao gás. No entanto, o custo de produção destes combustíveis pode ainda compensar o benefício, ao mesmo tempo que cria bloqueios e resíduos no abastecimento alimentar quando os combustíveis são produzidos a partir das mesmas matérias-primas que o abastecimento alimentar. Tal pode ser o caso do etanol feito a partir de milho.

A melhor aposta para os combustíveis energéticos ou biocombustíveis vem da criação de soluções circulares que fazem uso de produtos residuais. Isto resolve a crise do plástico e dos resíduos alimentares, enquanto cria novas fontes de combustível, sem criar problemas de custos, exceto no custo de produção, que vai diminuindo à medida que estas tecnologias amadurecem.

Combustíveis energéticos como o hidrogénio ou o amoníaco podem ajudar a descarbonizar sectores que são difíceis de eletrificar, também. Isto incluiria indústrias como a aviação, a navegação marítima e o fabrico de aço, cimento e químicos.

O problema com os biocombustíveis e os combustíveis de potência é a energia e o custo necessários para converter o material de origem em combustível. Se estas tecnologias puderem ser amadurecidas para utilizar energia limpa para produzir os combustíveis necessários, poderia ser uma opção mais viável. Espera-se que os combustíveis de energia preencham lacunas nas indústrias, em vez de serem soluções amplamente aplicáveis. A eletrificação é uma solução mais geral para as necessidades energéticas para a maioria das aplicações, incluindo o carregamento doméstico e de veículos e a alimentação da rede para uso residencial e comercial.

Mais de 80% da energia global ainda é fornecida por combustíveis fósseis, pelo que há aqui muito espaço para todos contribuírem para ajudar a descarbonizar o mundo da utilização de combustíveis fósseis no sector industrial.

Tecnologias solares, eólicas e de baterias
As energias renováveis são um tema mais simples. As tecnologias eólicas e solares amadureceram e são agora mais baratas de produzir do que a tradicional energia de origem fóssil. A questão aqui é o investimento em deslocar a rede para energia limpa, que é um empreendimento maciço agora em curso.

Os preços crescentes do gás e do petróleo estão a pressionar a mudança para ocorrer mais rapidamente, mas a rede ainda precisa de mais capacidade de armazenamento para se agarrar à energia produzida pela tecnologia eólica e solar. Os proprietários podem produzir alguma da sua própria energia, embora o custo dos painéis solares seja ainda proibitivamente elevado.

Com o aumento da eficiência das células solares e baterias domésticas mais baratas, os proprietários podem cada vez mais contribuir com energia limpa para a rede. E para remover os picos de procura da rede durante as horas noturnas, quando os residentes estão em casa utilizando eletricidade para carregar EVs e alimentar aparelhos domésticos. Os incentivos governamentais para ajudar os residentes a pagar a energia solar, e os programas que fazem uso da tecnologia de baterias para armazenar a energia produzida durante as horas de vazio para as horas de maior procura, ajudarão a aliviar a pressão.

A necessidade de acelerar a adoção destas tecnologias favorece a energia eólica e solar, que são mais fáceis de escalar do que as centrais hidroelétricas, geotérmicas ou nucleares, que requerem investimentos a longo prazo. O Roteiro da AIE para o Net Zero até 2050 traça um caminho para aumentar rapidamente a escala solar e ganhar esta década, incluindo mais do que triplicar a quantidade de tecnologia eólica e solar instalada anualmente até 2030, em comparação com 2020. As pequenas turbinas eólicas eficientes e solares no telhado poderiam ajudar a alcançar o net-zero para as cidades.

Tecnologia inteligente para medir o progresso climático
A eficiência energética é uma área frequentemente negligenciada, onde a procura de energia é reduzida através de uma menor procura. De acordo com um estudo da McKinsey, a eficiência energética tem o potencial de reduzir as emissões globais em 40%. Iluminação mais eficiente, aparelhos e outras tecnologias consumidoras de energia podem ser combinadas com tecnologia inteligente para monitorizar a utilização de energia e otimizar a eficiência.

A tecnologia inteligente poderia incluir medidores de energia inteligentes, tecnologia de monitorização de energia em casa ou no escritório que reduz a utilização de energia durante as horas de folga, sistemas de controlo melhorados para a indústria, redes inteligentes e tecnologia para fabrico avançado que reduz a utilização de energia à escala. A IA pode também ajudar a prever as necessidades energéticas em toda a rede para ajudar a equilibrar as necessidades energéticas e evitar o desperdício.

Quão plausível é que alcancemos a tempo emissões líquidas zero?


Para além da tecnologia, os governos também precisam de procurar formas de tornar possível que os clientes empresariais e residenciais de energia possam pagar energia limpa e reduzir a procura. Os clientes com baixos rendimentos não podem instalar energia solar em telhados, por exemplo, sem alterações significativas no custo e na oportunidade de participação a nível individual.

Com isto vem o lembrete de que a grande maioria das emissões provém efetivamente da indústria, e as empresas e países altamente poluentes são o principal objetivo para reduzir as emissões a tempo de cumprir os objetivos climáticos. “Esperamos que uma combinação de incentivos e subsídios governamentais aliados a uma tecnologia melhorada possa ser implementada a tempo de descarbonizar a sociedade, mas precisa de ser aliada à supervisão governamental para empresas e entidades governamentais não cooperantes, para que a oportunidade de parar as alterações climáticas não nos escape”, conclui o site.

sábado, 21 de janeiro de 2023

Documentário: The Navigators (2001) by Rob Dawber and Ken Loach


Em South Yorkshire, um pequeno grupo de trabalhadores da manutenção ferroviária descobre que, devido à privatização, as suas vidas nunca mais serão as mesmas. Quando a fiável placa da British Rail é substituída por uma com os dizeres "East Midland Infrastructure", torna-se claro que haverá vencedores e vencidos inevitáveis, à medida que a redução de pessoal e a eficiência se tornam as novas palavras de ordem.

De um momento para o outro, a privatização altera de fundo a vida daqueles trabalhadores, o seu modo de trabalhar, dividindo de forma absurda diferentes depósitos de material e quem lá trabalha. O aumento das horas de trabalho, a redução do número de trabalhadores em cada brigada, a perda de direitos sociais, a ameaça constante de desemprego destroem a solidariedade entre os operários e levam ao ponto de pôr em risco as suas próprias vidas.

A privatização arrasta consigo a precariedade de quem trabalha, com efeito na sua segurança, e põe em causa a própria segurança do transporte ferroviário.

Ken Loach retrata bem a vida dos operários, sem deixar de mostrar que certas camadas intermédias de trabalhadores podem beneficiar com a nova situação e que mesmo alguns operários, perdendo sempre em segurança, podem conseguir, pelo menos temporariamente, beneficiar de salários mais altos ou mais horas extra. São os trabalhadores mais fragilizados, pelo endividamento por exemplo, os primeiros a se dobrar perante a nova realidade.

Ken Loach mostra também que a resistência às novas regras e a exigência de segurança são duramente penalizadas pelo desemprego e pela ameaça de nunca mais encontrar trabalho nas vias ferroviárias.