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quarta-feira, 15 de julho de 2026

mary in the junkyard - Crash Landing

Melhor som aqui
Letra
[Verse 1]
Crash landing
You came in like you were done pretending
Comet face
With all of these holes I couldn't help but fall into

[Chorus]
You opened up like a coconut
You opened up like a coconut

[Verse 2]
Crash landing
You came in like you were done, done, done, done, done
Comet face
With all of these holes I can't help but fall down, down, down, down, down, down

[Chorus]
You opened up
You opened up like a coconut
You opened up
You openеd up like a coconut

[Bridge]
And I can take your mask off
But only in the dark
And you won't takе your shoes off
In case you have to run, run, run
Yeah, I can take your mask off
But only in the dark
And you won't take your shoes off
In case you have to run, run

[Verse 3]
Today, today, today, today
Or any other day
Tomorrow, tomorrow, tomorrow, tomorrow
In case, in case, in case, in case, in case
Nothing's gonna happen

[Verse 4]
And I want to go outside
But I'm scared you'll melt away if we leave this place
If it was any other day
If it was any other day
I'd get the fuck away

[Outro]
Crash landing
You came in like it was all my fault
Crash landing
I never want to see you again

A Anatomia Poética e Visual de um Fim de Relação
A canção "Crash Landing", o aclamado single de avanço do álbum de estreia  Role Model Hermit da banda mary in the junkyard, é uma obra densa e de forte carga dramática, que se destaca tanto pela sua sofisticação musical como pela riqueza das suas referências estéticas.

Nascido em Londres, este trio de nacionalidade britânica - composto por Clari Freeman-Taylor, Saya Barbaglia e David Addison - consolidou-se como uma das maiores promessas da cena artística do sul de Inglaterra. O seu estilo musical desafia categorizações fáceis, posicionando-se num território de partilha entre o art-rock, o indie rock experimental e o post-punk melancólico. A canção arranca com o som hipnótico e flutuante de um harmónio (um instrumento de fole antigo) que dita uma atmosfera quase litúrgica, para depois explodir numa vaga de guitarras distorcidas com traços de shoegaze e arranjos dramáticos de viola d'arco, acompanhando a interpretação vocal de Clari, que oscila entre a palavra sussurrada e o grito catártico.

O significado da canção debruça-se sobre a autópsia emocional de uma relação amorosa desgastante e assimétrica, marcada pela dificuldade em aceder à intimidade do outro. Através de metáforas cortantes, como a imagem de alguém que se teve de abrir "como um coco" para revelar alguma vulnerabilidade, ou a descrição de um parceiro que não descalça os sapatos por estar sempre pronto a fugir, a letra expõe o peso asfixiante de carregar os segredos e as limitações emocionais de outrem. Esse "pouso forçado" (tradução literal de crash landing) deságua num desejo definitivo de libertação e rutura.

Esta queda metafórica ganha corpo no significado do videoclipe, filmado em película analógica de 16mm no cenário imponente e desolador das Falésias Brancas de Dover. Vestida com um casaco estruturado que evoca asas pesadas e óculos de aviadora, a vocalista encarna uma pilota sobrevivente a um desastre. O teledisco joga constantemente com o contraste entre o confinamento dos músicos, encolhidos contra as enormes paredes de giz, e a imensidão do céu cinzento marcado por uma deslumbrante "murmuração" (a revoada acrobática e caótica de milhares de estorninhos), simbolizando visualmente o estado de desorientação e perda de controlo que acompanha o fim de uma ligação amorosa.

Por fim, a identidade da banda é profundamente moldada por influências romancistas, filosóficas e de poetas. Longe do registo quotidiano e literal de grande parte do indie rock moderno, mary in the junkyard procura abrigo no romantismo literário do século XIX, onde a natureza indomável serve de espelho às angústias da alma, e no realismo mágico, transformando vivências pessoais em fábulas modernas. No campo poético, a métrica fragmentada de Clari bebe da poesia rítmica e da spoken word, utilizando as palavras tanto pelo seu significado como pela sua textura percussiva e dadaísta. Do ponto de vista filosófico e da performance artística, o trio partilha uma forte afinidade com a lendária artista performática Marina Abramović. Esta influência traduz-se numa filosofia de palco assente na "presença absoluta" e na corporalidade, em que os três músicos funcionam quase como um quarteto de cordas clássico, reagindo fisicamente à respiração e ao movimento uns dos outros, transformando a dor de "Crash Landing" num ato existencial e de catarse coletiva.

sexta-feira, 5 de dezembro de 2025

FIFA cria (grande) prémio sobre a paz e o primeiro vencedor é Donald Trump



Presidente dos Estados Unidos recebe prémio que vai passar a ser atribuído a "indivíduos que tenham feito ações extraordinárias e excecionais pela paz"

Não é um Prémio Nobel da Paz, mas é o mais perto disso. A FIFA atribuiu ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, um prémio relacionado com a paz, que se chama FIFA Peace Prize (Prémio FIFA da Paz).

Após a divulgação de um vídeo em que exaltam a procura da paz por parte do presidente norte-americano, lembrando os acordos alcançados, nomeadamente na Faixa de Gaza, o organismo que gere o futebol mundial quis congratular oficialmente Donald Trump.

Trata-se de um prémio em ouro, com várias mãos a tocarem uma bola que as encima. Um prémio grande em tamanho e que é também acompanhado por uma medalha, além de um certificado em que constam as razões para a atribuição deste prémio.

De acordo com Gianni Infantino, que gere a FIFA e tem estreitado laços com Donald Trump, este é um prémio que passará a ser entregue a "indivíduos que tenham feito ações extraordinárias e excecionais pela paz".

Donald Trump, que subiu rapidamente a palco para receber aquilo que confirmou ser uma das suas maiores honras, destacou os esforços feitos para acabar com vários conflitos. "Esta é realmente uma das maiores honras da minha vida. [Há] tantas guerras que conseguimos acabar, em alguns casos até antes de começarem, mesmo antes de começarem", apontou, referindo-se nomeadamente a um possível conflito entre Paquistão e Irão.

De recordar que o presidente norte-americano tinha dito mesmo antes da atribuição do Nobel da Paz, que acabou por ir parar à venezuelana Maria Corina Machado, que tinha conseguido acabar com sete guerras, o que é comprovadamente falso, como pode confirmar neste artigo da CNN Portugal.

"Salvámos milhões de vidas: no Congo, por exemplo, morreram 10 milhões de pessoas. Também com a Índia e o Paquistão, impedimos que as guerras acontecessem mesmo antes de começarem", reiterou, referindo-se à República Democrática do Congo.

"Gianni [Infantino] fez um trabalho incrível, estabeleceu um novo recorde de vendas de bilhetes. É uma bela homenagem a si e ao jogo de futebol, ou como lhe chamamos futebol. Os números ultrapassam tudo o que pensávamos ser possível", culminou.

sexta-feira, 3 de junho de 2022

NATO alega «imunidade» no caso da utilização de urânio empobrecido na Sérvia

A aliança respondeu oficialmente aos processos apresentados pelas vítimas sérvias no Tribunal Superior de Belgrado e alegou «imunidade jurídica», informou o advogado Srdjan Aleksic.



Em Março de 1999, a Organização do Tratado do Atlântico Norte (NATO) iniciou uma campanha de bombardeamentos contra a Jugoslávia, sem o apoio do Conselho de Segurança das Nações Unidas, contaminado o país balcânico com pelo menos 15 toneladas de munições de urânio empobrecido, altamente tóxico.

Srdjan Aleksic lidera a equipa jurídica que representa as vítimas sérvias dos bombardeamentos e há vários anos que anda a juntar casos com provas materiais.

Há alguns dias, a NATO respondeu oficialmente aos processos instaurados contra a aliança no Tribunal Superior de Belgrado, mas alegou «imunidade jurídica» perante a acusação, disse o advogado sérvio a uma agência russa citada pelo portal Daily Telegraph.

«Na sua declaração ao tribunal, o gabinete de ligação da NATO na Sérvia disse que a aliança tem completa imunidade ao abrigo da jurisdição sérvia, com base no acordo de 2005 celebrado entre a aliança e a União Estatal da Sérvia e Montenegro "On the transit participation and support of peacekeeping operations" e no acordo de 2006, ao abrigo do qual foi criado o gabinete de ligação em Belgrado», declarou Aleksic.

O advogado rejeitou as alegações de «imunidade», insistindo que «nenhum destes acordos confere imunidade à NATO como organização» e que «a imunidade não pode ser aplicada retroactivamente».

Neste sentido, disse, «não se pode conceder imunidade à NATO pelos crimes de guerra contra civis e pela sua agressão ilegal, ao abrigo do acordo de 2005».

«No nosso processo relativo aos bombardeamentos com urânio empobrecido, que causaram vítimas entre a população civil, soldados, polícias, a NATO é responsável pela violação do direito à vida e pelos danos causados», sublinhou Aleksic, que espera que o Tribunal Superior de Belgrado prossiga com as audiências em Outubro.

Elevada taxa de cancro, aumento de doenças psicológicas e desastre ambiental

Os processos contra a NATO têm sido apresentados com o apoio e a colaboração do advogado italiano Angelo Fiore Tartaglia, que representou com êxito um grupo de militares italianos que estiveram expostos a altas doses de radiação enquanto desempenhavam funções, ao serviço da NATO, no Kosovo e Metohija.

O primeiro caso foi apresentado em tribunal em Janeiro de 2021. No início deste ano, avançaram com outros dois.

A Sérvia tem umas taxas de cancro mais elevadas da Europa, com quase 60 mil pacientes diagnosticados por ano, e uma taxa de cancro infantil 2,5 vezes superior à média europeia, refere o portal neo-zelandês.

Os médicos do país balcânico relacionam directamente o facto com a ampla utilização de munições de urânio empobrecido durante os bombardeamentos da NATO.

Além da elevada incidência de cancro, os cientistas apontam ainda o aumento alarmante da infertilidade, das doenças auto-imunes e dos transtornos mentais nas duas últimas décadas, incluindo o stress pós-traumático e outros problemas psicológicos associados aos bombardeamentos.

No início deste ano, Danica Grujicic, directora do Instituto Sérvio de Radiologia e Oncologia, disse que os bombardeamentos de 1999 tiveram um impacto devastador na ecologia da região e que a utilização de urânio empobrecido, juntamente com os ataques deliberados a fábricas químicas e instalações industriais perigosas, criou um desastre ambiental que atinge países muito para lá das fronteiras da antiga Jugoslávia.

Ler mais:

sábado, 22 de fevereiro de 2014

L'Arpeggiata e Katerina Papadopoulou- Amygdalaki tsakisa


Amygdalaki tsakisa- cancioneiro popular grego

Hilia kalosorisate,
fili mou aghapimeni
parea mou haroumeni
ke kalokardhismeni.

Amyghdhalaki tsakisa
ke mesa se zoghrafisa
amyghdhalotsakismata,
sou stelno heretismata.

As traghoudhiso ki as haro,
tou hronou pios to xeri,
an tha pethano i tha zo,
i tha 'me s' alla meri.

Amyghdhalaki tsakisa
ke mesa se zoghrafisa
amyghdhalotsakismata,
sou stelno heretismata.

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I welcome you,
my dear friends,
happy and
cheerful company.

I cracked an almond,
I painted your picture,
broken almond,
I send you my compliments.
I shall sing and be merry,
who knows what next year will bring,
whether I'll be dead or alive,
or somewhere else.

I cracked an almond,
I painted your picture,
broken almond,
I send you my compliments.

Today, as we celebrate Earth Day, I’m reflecting on the incredible beauty of the cultures "bathed" by the Mediterranean Sea. From the Atlantic shores of Portugal to the vibrant coasts of Turkey, the music of this region feels like the heartbeat of the earth itself.

There is something so tasteful and timeless about these sounds:
1. Portugal & Spain: the raw emotion of Fado and the fire of Flamenco. 💃
2. Italy: the lyrical beauty of the Canzone. 🇮🇹
3. Greece, Turkey, & Albania: the haunting, ancient melodies and complex rhythms that have echoed across these mountains and seas for millennia. 🎻

The "Soul" of the Former Yugoslavia in Music
4.1. Sevdalinka (Bosnia and Herzegovina): often referred to as the "Blues of the Balkans." It is a refined, urban, and melancholic genre that speaks of love, longing, and desire. It shares a powerful emotional connection with Portuguese Fado and Greek Rebetiko.
4.2. Klapa (Croatia): traditional a cappella singing from the Dalmatian coast. It is a celebration of the sea, the land, and love, officially recognized by UNESCO. It is the true embodiment of the Croatian Mediterranean spirit.
4.3. Romani Tradition & Brass Bands (Serbia and North Macedonia): explosive and festive rhythms. These brass bands are world-famous for their high energy and technical complexity, often featuring lightning-fast tempos.
4.4. Byzantine and Ottoman Influence: particularly in North Macedonia and Kosovo, where "odd" time signatures (such as 7/8 or 9/8) create a soundscape that "dances" gracefully between the East and the West.
And I can’t leave out Crete ! The wild, rhythmic sound of the Cretan Lyra is like the wind blowing through the Samaria Gorge. It’s music that feels ancient, grounded, and deeply connected to the soil. A true tribute to the spirit of the Earth!

And how could I forget France? Beyond the cafes of Paris lies the soul of the French Mediterranean. The haunting polyphonic chants of Corsica and the sun-soaked melodies of Provence remind us that the Earth speaks in many voices. It's a reminder this #EarthDay that nature and culture are one and the same. 🌊🎶"

To me, "Earth Day" isn't just about the soil and the sea - it’s about the cultures that grew from them. These musical traditions are a reminder of our shared history and our deep connection to the land we call home.

Let’s protect the planet that gives us such beautiful inspiration. 🌊🌿

A Little Earth Day Fact:
Since it is April 22nd, it’s worth noting that the Mediterranean region is one of the world's most diverse "biodiversity hotspots." Just as the music is a mix of different influences, the environment there is a unique blend of species found nowhere else on Earth!