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segunda-feira, 15 de junho de 2026

Todos gostamos do ambiente, mas o ambiente sai muito caro


Com os preços atuais do biometano ainda não é possível descarbonizar a indústria. Esta foi uma conclusão transversal aos dois debates que decorreram hoje na Feira Nacional de Agricultura, promovidos pela Floene e a que o Expresso se juntou como media partner.

Portugal depende quase exclusivamente de gás importado e, a este nível, tem sido um dos países da Europa mais afetado pela subida generalizada de preços, resultante da guerra na Ucrânia. Contudo, uma das soluções pode estar no biometano, capaz de somar vantagens como a descarbonização, a competitividade industrial e a valorização territorial. No debate desta manhã na Feira Nacional de Agricultura (FNA), em que o tema foi ‘o biometano enquanto solução ambiental’, os vários participantes foram unânimes no diagnóstico de que o país tem potencial na produção desta energia renovável, mas continua longe de conseguir transformá-lo em escala.

Quando questionado sobre se o país está a aproveitar o seu potencial agropecuário, António Farracho não hesitou em garantir que “a resposta óbvia é que não”. O fundador e CEO da Prado Energia recorda que o biometano permite transformar “um passivo ambiental que não está a ser aproveitado, em ativo energético”, sobretudo em territórios rurais onde os odores e riscos sanitários associados aos efluentes são uma preocupação constante.

Contudo, e como referiu Nuno Pinto, o biometano é antes de tudo um caminho de qualificação territorial, o que significa que “os projetos têm de ser transparentes, sem segredos, e envolver todos os envolvidos, até as populações”. Ou seja, o responsável pela área do biometano na REGA Energy alertou para a importância da aceitação, que dependerá sempre da forma como se comunica e como se escolhem os locais, e lembrou que, no contexto europeu, o gás renovável é já um pilar estratégico. “O biometano é um dos fatores essenciais da soberania energética europeia”.

Do lado da comercialização, Óscar Delfim, diretor comercial B2B da Goldenergy, destacou a vantagem imediata para as empresas. “As empresas conseguem descarbonizar rapidamente e sem necessidade de investir nos equipamentos”. Mas alerta para aquele que considera o principal desafio: “Há uma grande dificuldade na parte dos licenciamentos”.

Já na perspetiva da indústria cerâmica, altamente exposta ao custo do gás, o biometano “é uma solução técnica já madura”. Paulo Pires, vice‑presidente da APICER (Associação Portuguesa Indústria Cerâmica), não tem dúvidas de que seria possível “substituir a 100% o gás natural por biometano”. Mas, à data de hoje, identifica o preço “incomportável para a indústria” e a falta de oferta como os grandes travões à descarbonização. “Todos gostamos do ambiente, mas o ambiente sai muito caro”, acrescentou Nuno Pinto.

Miguel Faria reforçou que o país está atrasado na política de resíduos e que isso limita a matéria‑prima disponível, lembrando que o biofertilizante resultante do processo “já permite substituir metade do fertilizante que vem da Rússia ou do que passa pelo Estreito de Ormuz”. Para o COO (Chief Operating Officer) da Floene, o desafio é “dar velocidade à implementação dos projetos”.

Mix perfeito não existe
Quando falamos de mix energético, Portugal não pode substituir uma dependência por outra, nem avançar para soluções simplistas num sistema que continua estruturalmente ancorado em combustíveis fósseis. A opinião é de Nuno Ribeiro da Silva, que abriu o debate da tarde no espaço Floene, na Feira Nacional de Agricultura, e que defendeu também que a transição energética não é um exercício tecnológico, mas um teste económico e geopolítico à resiliência dos países. Como lembrou o ex-presidente da Endesa, “quando dizemos que produzimos 80% da energia com fontes renováveis, falamos apenas da eletricidade, que representa menos de um quarto do total da energia consumida no país. O resto continua a ser petróleo e gás”.

Neste contexto, defendeu ainda Nuno Ribeiro da Silva, o gás, e sobretudo o biometano, permanece “a geração menos agressiva do ponto de vista ambiental”, sendo por isso inevitável no equilíbrio do sistema.

Do lado regulatório, Mário Paulo rejeitou a ideia de que a ERSE (Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos) trava a transição. “A ERSE não faz leis”, sublinhou, lembrando que o regulador atua dentro das políticas definidas e que “acabar com o gás em dois ou três dias é uma fantasia tecnicamente impossível”. A Europa, acrescentou o presidente da ERSE, já reviu a sua posição e admite que o gás continuará a representar “cerca de 20% do mix energético em 2040”.

Gabriel Sousa, CEO da Floene, destacou que Portugal pode acelerar a adoção de biometano aprendendo com quem começou mais cedo. “Não é sempre mau sermos os últimos”, afirmou. França, Itália e Dinamarca mostram que o crescimento depende de mecanismos estáveis e de uma articulação entre energia, agricultura e resíduos. “Portugal vai precisar dos dois sectores”, defendeu, sublinhando que o país pode fazer “em três anos o que outros demoraram quinze a fazer”.

Nuno Ribeiro da Silva reforçou ainda que as tecnologias emergentes precisam de apoio, tal como aconteceu com a eólica e o solar. “Se fosse puramente o mercado, só as tecnologias incumbentes existiam”, disse, defendendo que o biometano representa uma oportunidade industrial acessível e integrável na economia nacional.

Outras conclusões:
  1. O potencial agropecuário português continua largamente por explorar, apesar de estar mapeado e quantificado. “O Concelho de Torres Vedras figura no Top 10 dos concelhos com maior produção de efluentes agropecuários”, exemplificou António Farracho.
  2. A aceitação social dos projetos depende da forma como são apresentados às comunidades. “Quando se chega a um território e se apresenta um projeto há sempre um fator de rejeição natural”, afirmou Nuno Pinto.
  3. Para Óscar Delfim, a produção nacional de biometano pode reduzir a exposição do país às flutuações internacionais do preço do gás. “Não estaremos sujeitos às acelerações de preços que têm sido fruto dos conflitos”.
  4. A indústria cerâmica enfrenta um risco real de perda de competitividade se não houver acesso a gás renovável a preços viáveis. “O problema que temos é um fator de competitividade”, alertou Paulo Pires.
  5. “A classificação dos resíduos como subprodutos é um passo essensial para desbloquear matéria‑prima para o biometano”, sublinhou Miguel Faria.
  6. A evolução do sistema energético não pode assentar em ilusões de substituição instantânea: exige convivência prolongada entre múltiplas fontes e uma gestão realista das limitações técnicas. “Neste processo de transição energética, temos de dar tudo para conseguir libertar‑nos deste uso que ainda fazemos do petróleo e do gás natural”, disse Nuno Ribeiro da Silva.
  7. “A regulação acompanha, mas não inventa políticas”, garantiu Mário Paulo. O regulador sublinha que o país precisa de soluções compatíveis com a sua estrutura industrial e que a transição não pode ignorar a história e o ritmo dos sistemas energéticos.
  8. Gabriel Sousa alertou que o biometano só avança se unir sectores que nunca trabalharam juntos. “Juntar energia, agricultura, resíduos, economia e indústria não é fácil, mas parece‑me absolutamente indispensável”.

sábado, 5 de julho de 2025

Borboletas e insetos num prato – arte de Johann Zacharias Quast


O artista desta peça é Johann Zacharias Quast, e a etiqueta informativa do Clark Institute of Art (Williamstown, Massachusetts, EUA) descreve-o como "Boémio, 1814-1891", e que o prato foi pintado em 1840, provavelmente destinado a ser um item de colecção e não para uso em jantares.

Um pensamento comum sobre os "boémios" é que descreve um artista ou escritor não convencional, mas, neste contexto, Quast ser "boémio" significa que nasceu na Boémia, que durante a sua vida era uma região na parte ocidental da atual República Checa. As suas pinturas de borboletas, escaravelhos, aranhas, moscas e outros insetos eram conhecidas por serem uma representação completa do ser vivo original, até ao mais ínfimo pormenor, e foram provavelmente pintadas com exemplos emprestados de coleções de amostras preservadas. Se observarem atentamente a imagem acima, verão que ele até pintou sombras para cada ser vivo, de modo a que estes pareçam estar em 3D na superfície do prato.

quarta-feira, 28 de maio de 2025

Cântaros para água sempre fresca


Um amigo perguntou-me porque é que os barris e cântaros de barro mantêm a água sempre fresca.
A resposta é simples, mas, por infelicidade de uma escola que tem dado e continua a dar diplomas, mas não deu e continua não dar cultura, a grande maioria dos portugueses, está longe de a conhecer.
Numa visita, à semelhança de muitas outras que continuo a fazer, a uma escola pública, perguntei aos alunos do 9º ano de uma turma de Ciências, a razão desta frescura e nem um levantou a voz. Nesse mesmo dia, fiz a mesma pergunta aos meus netos (dois no 9º e um no 10º) e o silêncio foi a resposta.
Vou colocar aqui esta mesma pergunta aos meus leitores e para os que eventualmente não conheçam a resposta, aqui a deixo.
Bilhas, jarros, barris, cantis e outros recipientes de barro não vidrado, sendo porosos, as suas paredes permitem que a água esteja sempre a aflorar à superfície e, portanto, sempre a evaporar-se. Sabido que a evaporação é um fenómeno endotérmico, isto é, que absorve calor, percebe-se que esse calor é retirado da água a daí a sua frescura sempre que mantida nestes recipientes. É o mesmo que se passa, quando transpirados, intensificamos a evaporação do suor, com um leque ou um abanico.

segunda-feira, 24 de junho de 2024

S. João- Figurado de Estremoz


São João Baptista, que terá nascido sensivelmente na mesma época que Jesus Cristo, diz a tradição cristã que foi a 24 de Junho que baptizou Jesus.
Um eremita profeta muito apreciado pelo povo há mais de 2.000 anos, por pregar a necessidade do arrependimento e converter os gentios. 
Foi morto num célebre episódio descrito na Bíblia (Marcos 6:14-29), no qual Herodes, seduzido pela dança da sobrinha Salomé, filha de sua mulher Herodíades, acede ao pedido desta para lhe dar a cabeça do profeta numa bandeja de prata.
A Produção de Figurado em Barro de Estremoz integra o Inventário Nacional do Património Cultural Imaterial, desde 2014, sendo desde  2017 Património Cultural Imaterial da Humanidade da UNESCO.
O S. João de Estremoz apresenta-se com peles de animais (pele de camelo atada com rude cinto de couro) e um cordeiro apoiado nas patas traseiras (evocação que foi este que anunciou a chegada do Cordeiro de Deus), junto da sua perna direita. Apoia-se num bastão com bandeira. Há peças que apresentam plantas muito altas detrás do Santo, representação da sua condição de Eremita.

terça-feira, 19 de março de 2024

Nuno Júdice - Fragmentos


Fôssemos assim, inundados desta sabedoria.

1
Aceita o transitório; nada do que
é definitivo, dura, te pode atingir
2
Algo de visível perpassa
nos limites do ser.
3
De noite, o vento partiu
um dos vidros das traseiras.
4
Só o ruído da noite sobrevive
à luz e ao furor matinais.
5
(Se aquelas nuvens, no horizonte,
chegassem até mim…)
6
O fragmento, porém, exprime
o estilhaçar da intensidade.
7
No último fragmento, fixa
o efémero e repousa.

In Meditação sobre Ruínas

segunda-feira, 23 de outubro de 2023

Mata da Bufarda enriquece candidatura de Conímbriga a Património Mundial


A riqueza botânica e histórica da Mata da Bufarda, em Condeixa-a-Nova, defendida por sucessivas gerações de investigadores, é igualmente valorizada na candidatura da cidade romana de Conímbriga a Património da Humanidade.

O canhão do rio dos Mouros, junto ao campo arqueológico e ao Museu Nacional de Conímbriga, e aquela mata “são dois elementos preponderantes no processo”, disse à agência Lusa Miguel Pessoa, do Movimento para a Promoção da Candidatura de Conímbriga a Património Mundial da UNESCO.

“Conímbriga é muito mais do que um museu. Só se consegue perceber a longa e fascinante diacronia da cidade se entendermos o território envolvente”, confirmou Vítor Dias, diretor do Museu Nacional.

Também o presidente da Câmara de Condeixa-a-Nova, Nuno Moita, realçou a necessidade de assumir uma visão integrada do património cultural e natural do município, no distrito de Coimbra, que em termos turísticos tem vindo a apostar na herança da romanização.

“A localização que os romanos escolheram para Conímbriga tem a ver com toda a envolvente, ainda com muita biodiversidade”, afirmou à Lusa.

A importância da arte dos mosaicos, que surgem na região em diversos sítios arqueológicos ligados à ocupação romana, é igualmente reconhecida pela candidatura de Conímbriga a Património Mundial, cuja proposta foi entregue este ano à representação da UNESCO em Portugal.
“É naquelas margens do rio dos Mouros, em plena Mata da Bufarda, que encontramos os calcários de várias cores usados pelos mosaicistas”, enfatizou Miguel Pessoa, dirigente da Associação Ecomuseu, que promove o processo para a classificação em conjunto com o município de Condeixa e o Centro de Estudos Vergílio Correia.

A mata, onde foram identificadas quase 350 espécies botânicas, incluindo pinheiros-mansos e outras resinosas de um coberto vegetal mais recente, “ajuda a compreender a cidade romana”.

“Foi dali que vieram as madeiras para construir as habitações de Conímbriga”, sublinhou Miguel Pessoa.

Conímbriga, com as suas especificidades e localização, “permite uma ligação interdisciplinar com quase todos os ramos de saber, porque nos transporta para fora do edificado”, salientou Vítor Dias, por sua vez.

O diretor do Museu Nacional afirmou à Lusa que, no passado, a Mata da Bufarda “tinha mais carvalho, azinheira e sobreiro”, mas que, mais de 2.000 anos após a chegada dos romanos, continua a ser indissociável da cidade, enquanto área verde com centenas de hectares que mantém as características primitivas da floresta mediterrânica.

No verão, foram inaugurados os passadiços do rio dos Mouros, num percurso aproximado de 800 metros, entre Conímbriga e a cascata, que a Câmara Municipal quer prolongar até ao Poço, aldeia onde se cruzam as rotas turísticas pedestres de Santiago, Carmelitas e Terras de Sicó.

“Os passadiços são uma feliz iniciativa da autarquia e uma excelente oportunidade para potenciar esta dimensão paisagística e ambiental que Conímbriga e Condeixa têm”, enalteceu Vítor Dias.

A promoção das “diferentes potencialidades que o sítio encerra” exige um “planeamento com todas as entidades” que intervêm na zona.

“É necessário um planeamento conjunto, a longo prazo, que seja capaz de perspetivar as potencialidades de todo este imenso território”, preconizou o arqueólogo.

A mata não está classificada. Porém, como em parte “está dentro da zona de proteção de Conímbriga”, acaba por “ter alguma proteção”, referiu Nuno Moita.

Ressalvando que são muitos os proprietários, o autarca apelou à criação de mecanismos para preservar e tornar mais acessível este património natural em redor de Conímbriga.

“Muito diminuída e adulterada em relação à floresta original”, a Mata da Bufarda “constitui ainda um coberto vegetal de grande importância para o estudo da flora mediterrânica”, consideram Adília Alarcão, antiga diretora do museu, e o seu colega Virgílio Correia.

Num trabalho conjunto sobre Conímbriga, publicado em 2004, os dois arqueólogos abordam “a urgência da classificação desta mata”, assim defendida por historiadores, botânicos e outros investigadores.

sexta-feira, 11 de agosto de 2023

O Manicómio é insanidade e liberdade


Somos um espaço de criação artística e de inovação no Beato, em Lisboa. Com múltiplos projetos que cruzam a arte, a criatividade, a transformação social e a saúde mental, no centro do projeto estão artistas contemporâneos e criativos com doença mental que são excluídos devido ao estigma da nossa sociedade em relação à loucura.
Nascemos da experiência de mais de vinte anos em hospitais psiquiátricos e no mundo da arte e da cultura, onde fomos encontrando artistas e obras maravilhosas, mas que no entanto eram excluídos dos circuitos comerciais de arte em Portugal simplesmente pelo estigma da sua doença mental. Isto levou-nos a organizar as primeiras exposições artísticas no Hospital Psiquiátrico Júlio de Matos – agora conhecido como Hospital Psiquiátrico de Lisboa-, onde criámos e inaugurámos o ciclo de arte contemporânea deste hospital lisboeta, cruzando e misturando artistas contemporâneos portugueses e estrangeiros já conceituados com artistas do hospital, mantendo o anonimato da obra e derrubando a barreira do estigma que atua não pelo valor da arte, mas sim pela doença.
Em 2018 lançámos o Manicómio, localizado num espaço de cowork com outros profissionais, criativos e empresas, porque sabemos que o futuro passa pela mistura, valorização, normalização e aceitação da loucura.
O Manicómio tornou-se num centro artístico e criativo com:
• O primeiro estúdio e galeria de arte bruta e contemporânea em Portugal, com 14 artistas residentes, onde oferecemos liberdade e representação e agenciamento artístico em vendas, exposições e colaborações;
• A primeira agência criativa de design e comunicação no mundo com criativos com doença mental;
• Atividades de consultoria e advocacia em arte, saúde mental, direitos humanos e trabalho;
Com uma abordagem focada na disrupção, equidade e direitos humanos, o Manicómio atua junto da comunidade artística, sociedade civil, empresas e instituições para transformar o status quo e gerar novos paradigmas de valor.

terça-feira, 2 de agosto de 2022

"Amor, não conheço nada mais violento do que esperar por ti, à noite...". - Joaquim Pessoa

No Verão surgem confidências. Sou viúvo (há uns seis anos), mas sempre a amarei até eu morrer. Teresa é uma estrela no Universo e ela está no meu coração, junto.

 


In the sharp gust of love
My memory stirred
When time wreathed a rose
A garland of shame
Its thorn my only delight
War torn, afraid to speak
We dare to breathe
Majestic
Imperial
A bridge of sighs
Solitude sails
In a wave of forgiveness
On angels' wings
Reach out your hands
Don't turn your back
Don't walk away
How in the world
Can I wish for this?
Never to be torn apart
Close to you
'Til the last beat
Of my heart
At the close of day
The sunset cloaks
These words in shadowplay
Here and now, long and loud
My heart cries out
And the naked bone of an echo says
Don't walk away
Reach out your hands
I'm just a step away
How in the world
Can I wish for this?
Never to be torn apart
Close to you
'Til the last beat
Of my heart
How in the world
Can I wish for this?
Never to be torn apart
'Til the last beat
'Til the last fleeting beat
Of my heart

sexta-feira, 29 de maio de 2020

Porcelanas



Por Professor Galopim de Carvalho
(Um simples apontamento)

Em termos muito gerais podemos dizer que a porcelana é um produto cerâmico branco, translúcido, totalmente vidrado, impermeável, ou seja, isento de porosidade.
Não podemos falar de porcelana sem uma referência muito especial à China, o berço da “arte cerâmica”, iniciada no terceiro milénio a.C., mas foi só a partir da dinastia Han (206 a.C.-220 d.C.) que surgiu a produção de cerâmica cozida e vitrificada, ou seja, de porcelana. De notada beleza e fruto de grande qualidade técnica, a porcelana chinesa exerceu grande influência na Ásia e na Europa.

Foi Marco Polo (c. 1254-1324) que a deu a conhecer na Europa, através do material que trouxe de lá, por ocasião da sua viagem ao Oriente. Mas foram os navegadores portugueses do século XVI que, no seu retorno, introduziram a porcelana nos mercados europeus, e foi o eborense Gaspar da Cruz (1520 –1570), um frade da Ordem dos Pregadores que, no seu “Tratado das cousas da China”, descreveu os processos pelos quais se obtinha ali esse tipo de cerâmica.

Quando as primeiras porcelanas chegaram à Europa, foram os italianos que, pela brancura e pelo brilho desta cerâmica, iguais aos da parte da concha envolvente da abertura do búzio "porcellana" (nome vulgar de um gastrópode do género "Cypraea"), lhe deram esse mesmo nome. Abertura que então lhes lembrou a vulva da porca, "porcella" em italiano.

A partir da sua chegada a Portugal e conhecido o modo de fabrico, foram descobertas e seleccionadas importantes jazidas de caulino e aperfeiçoadas as técnicas de produção. Portugal, Espanha, Inglaterra, França e Alemanha progrediram no fabrico de porcelana, chegando, no século XVIII, a atingir o nível de qualidade então reconhecido na China, permitindo uma hábil imitação dos modelos antigos.

Atualmente, a matéria-prima destinada a esta indústria é constituída por caulino, feldspato, quartzo (via de regra, uma areia) e uma pequena porção de argila gorda. Na respectiva pasta cerâmica, o feldspato actua como fundente de alta temperatura, o quartzo forma o esqueleto do produto final e a argila gorda (uma esmectite) confere a plasticidade necessária à citada pasta.

Um parêntese para lembrar que caulino, cujo nome provém de Kao Ling, uma localidade na província de Jiangxi, na China, é uma argila muito branca, praticamente destituída de óxido e hidróxido de ferro, pelo que permanece branca após cozedura. Os ingleses chamam-lhe “China clay”, numa alusão nítida à importância desta matéria-prima no país do Sol Nascente.

As peças de porcelana distinguem-se das dos demais produtos cerâmicos pela sua dureza, brancura, brilho vítreo, impermeabilidade, elevada resistência mecânica e translucidez, características que lhe advêm do facto de serem cozidas e vitrificadas a temperaturas na ordem dos 1300 a 1500 ºC, em ambiente redutor. Por ser um material isento de porosidade, com características semelhantes às do vidro, torna-se bastante higiénico e ideal como loiça de serviço à mesa.

A primeira produção de porcelana na Europa, mais precisamente em Meissen (Mísnia, em português), cidade da Saxónia, teve lugar num tempo em que a alquimia começava a dar lugar à química. Deve-se ao trabalho do químico alemão Johann Friedrich Böttge (1682-1719) que, para tal, utilizou caulino puro. Em 1710 surgiu nesta cidade o embrião da Staatliche Porzellan-Manufaktur, uma das fábricas de porcelana mais prestigiadas. Apesar das tentativas de manter em segredo a respectiva tecnologia, ela acabou por se estender a outras congéneres alemãs e, depois, a toda a Europa, onde ficou conhecida por “porcelana alemã” ou “porcelana de Saxe”.

O fabrico da porcelana em França, em começos do século XVIII, teve início em Sèvres, nos arredores de Paris, em 1756, ganhando nome como “Real Fábrica de Porcelana”, após a tomada de posse por Luís XVI, em 1760, que procedeu à melhoria dos equipamentos. Igualando a qualidade da porcelana alemã, e sob a direcção do químico e mineralogista francês, Alexandre Brongniart (1770-1847), Sèvres tornou-se o maior centro distribuidor deste produto na Europa. Interrompida aquando da Revolução Francesa, ressurgiu como empresa nacional, ao tempo de Napoleão. A “Manufacture National de Sèvres” e o “Musée National de la Céramique” estão, desde 2010, reunidos num único estabelecimento público.

Após a dita Revolução, surgiram em Limoges várias fábricas que, no século XIX, devido à alta qualidade dos seus produtos, fizeram desta outra cidade francesa o mais famoso centro da indústria e arte cerâmicas, produzindo a que mereceu o nome de “porcelana fina” ou “porcelana de Limoges”.
Baixelas de mesa, bacias e jarros de lavatório e peças decorativas, geralmente, monogramadas ou brasonadas, inicialmente pintadas à mão por artistas profissionais contratados, muitas delas, com filetes de ouro, entraram nas casas reais, da nobreza e da burguesia mais abastada de França e dos países com os quais havia trocas comerciais.
Nos anos 30 do século XX, sem perda de qualidade no fabrico, a decoração da porcelana de Limoges passou a ser feita com decalques.

No que se refere a Portugal, só em 1824 surgiu a Fábrica de Porcelana, de Vista Alegre, em Ílhavo. Com elevado pendor artístico, esta que é a mais antiga da Península Ibérica, representa um empreendimento continuado por uma panóplia de unidades industriais com capacidade para produzir e exportar milhões de peças por ano, entre decorativas e baixelas de mesa que podem ser admiradas no respectivo Museu. Uma outra referência nesta indústria/arte é a SPAL Porcelanas, fundada em 1965, em Alcobaça. Com duas unidades fabris e algumas centenas de trabalhadores, exporta cerca de 70% da sua produção, em especial para os Estados Unidos da América, França, Espanha, Itália, Canadá, México e Alemanha.

História da Cerâmica em Portugal

Por Professor Galopim de Carvalho


FAIANÇAS
(Um simples apontamento)

Tipo bastante comum de cerâmica branca ou de cor marfim, a faiança é menos rica em caulino do que a porcelana. Na sua composição, além do caulino, incorpora geralmente uma argila esmectítica, mais gorda (plástica), que lhe dá a moldabilidade pretendida, areia e um descolorante. Sendo um corpo poroso, com uma capacidade de absorção de água geralmente superior a 3%, necessita de ser vidrado, o que é feito posteriormente à cozedura, a temperaturas variando entre 900 e 1250°C, mais baixas, portanto, do que as usadas na indústria do caulino. O termo que deu nome a este tipo de cerâmica radica em Faenza, nome da cidade italiana, da província da Ravena, que foi um importante centro cerâmico do Renascimento.
Pelo facto de ser produzida com exigências técnicas superiores às do barro vermelho e de se caracterizar por relativa brancura, a faiança foi, desde sempre, considerada um material mais nobre de que o dito barro vermelho. Produto tradicional português, a sua variedade é imensa, quer como baixelas de mesa (serviços de jantar, de chá e de café), pratos, travessas e outras peças decorativas, quer como azulejos, usados desde o século XVI, no revestimento de paredes interiores e exteriores.
Segundo se julga saber, este tipo de cerâmica, remonta ao século IX a.C., sendo já então conhecida no Egipto e na Mesopotâmia. Foi a partir destas civilizações da Antiguidade, que chegou ao sul da Península, trazido pelos árabes. Foram os artesãos andaluzes que, em começos do século XVI, o introduziram em Portugal, com uma loiça mais marfim do que branca, vidrada, adjectivada de malagueira, do nome de Málaga, a cidade do sul de Espanha.
Com muito escassa ou nenhuma decoração, esta faiança, ainda muito fruste e, como tal, relativamente barata e de uso corrente, manteve-se em produção até começos do século XIX.
Com a vinda para Lisboa de oleiros flamengos, a meados do século XVI, registou-se notável desenvolvimento nesta outra arte cerâmica, alastrando, depois, para Coimbra e Vila Nova de Gaia. Na primeira metade do século XVII, a faiança portuguesa, ainda uma manufactura, experimenta um melhoramento na qualidade da produção, focando, sobretudo, motivos ornamentais do Oriente, expressos em pintura em tons de azul cobalto. Entre o século XVII e começos do século XIX, foram criadas em Portugal dezenas de fábricas de faiança, dispersas por Lisboa, Porto, Coimbra, Aveiro, Viana do Castelo, Caldas da Rainha e Estremoz.
Vidrada e pintada manualmente com motivos tradicionais e outros, a faiança portuguesa atingiu elevada qualidade bem demonstrada pela volumosa produção, em resposta a exigente procura.

sexta-feira, 7 de junho de 2019

E se com 300 mil pontas de cigarro fizermos uma parede?

Projecto é do Laboratório da Paisagem, uma unidade de investigação e educação ambiental partilhada pela Câmara Municipal de Guimarães e pela Universidade do Minho, e do Centro de Valorização de Resíduos. Tijolo ecológico feito com beatas pode baixar consumo energético na indústria.

Notícia aqui

O tijolo que Nuno Silva segura nas mãos assemelha-se a tantos outros: tem as mesmas dimensões e a mesma cor característica. Talvez pareça um pouco mais tosco do que o habitual. Uma marca denuncia que estamos perante um protótipo e não um produto industrial. “5%”, lê-se num dos cantos daquele paralelepípedo alaranjado. É a quantidade de pontas de cigarro incluídas na sua composição.

Há cerca de 350 beatas no interior deste tijolo. Isto quer dizer que, numa parede de quatro por três metros, será possível colocar algo como 300 mil pontas de cigarro. “Encontrámos o melhor destino para este resíduo”, garante Nuno Silva, que é investigador do Laboratório da Paisagem, uma das três entidades envolvidas no desenvolvimento deste produto.

Há quase quatro anos que o Laboratório da Paisagem, uma unidade de investigação e educação ambiental partilhada pela Câmara Municipal de Guimarães e a Universidade do Minho, e o Centro de Valorização de Resíduos (CVR), da mesma instituição de ensino superior, procuravam a melhor forma de valorizar as pontas de cigarros.

Na mesma altura, tinha sido lançado o Eco Pontas, um grande cinzeiro, colocado em diferentes pontos de Guimarães, que, através da interacção com os fumadores – são feitas perguntas mensalmente a que se responde colocando a ponta do cigarro no local da resposta que se pretende dar –​, tenta recolher este resíduo. O projecto venceu um Green Project Award, atribuído pela Sociedade Ponto Verde, em 2016, e, desde então, foi vendido a 15 entidades (municípios e privados) em todo o país. Hoje, há cerca de 100 Eco Pontas em Portugal.

O que faltava era responder à questão: o que fazer com as beatas recolhidas? Só em Guimarães, são cerca de 8000 por mês. O CVR e o Laboratório da Paisagem testaram várias possibilidades – da valorização energética à utilização agrícola –, mas nenhuma se revelou viável não só porque as pontas de cigarros “têm uma carga poluente tremenda”, como há muitos custos associados à limpeza ou separação deste resíduo, explica Nuno Silva. A introdução em materiais cerâmicos é a resposta, diz.

Para já, existem apenas protótipos dos tijolos, cada um com uma percentagem diferente de pontas de cigarro no seu interior. O CVR está a terminar um estudo para perceber qual a quantidade ideal que pode ser usada sem colocar em causa os requisitos estruturais de cada bloco – garantindo a robustez necessária à utilização na construção.

No mercado em dois anos

A intenção é colocar “o máximo de beatas possível” dentro do tijolo, explica Murial Iten, investigadora do ISQ, grupo de consultoria e investigação em Engenharia, que desenvolveu os protótipos. Este material permite encontrar uma solução para as pontas de cigarros, um resíduo altamente poluente e com escasso potencial de valorização. Mas pode ter outras vantagens.

Os cientistas do CVR e do ISQ estão convencidos de que a introdução das beatas na composição dos tijolos pode permitir fazer poupanças no consumo de energia da sua cozedura. O acetato de celulose, de que são feitos os filtros dos cigarros, criará ele próprio energia, reduzindo a temperatura a que têm que chegar os fornos industriais – 1.000 ºC, actualmente. “Isto é muito interessante para a indústria da cerâmica, cuja factura energética é o seu principal custo”, explica Muriel Iten.

Esta possibilidade está a ser estudada, à espera de ser comprovada cientificamente. O passo seguinte é “criar uma metodologia” de construção dos tijolos, que possa ser passada à indústria. A estimativa dos investigadores é que estes materiais possam chegar ao mercado dentro de dois anos.

quinta-feira, 22 de novembro de 2018

Manufatura Imperial de Porcelana, São Petersburgo (Rússia, 1755 a 1760)


Sequência de Fibonacci

A Fábrica Imperial de Porcelana foi fundada em 1744 pela Imperatriz Elizabeth I (r. 1741–61). Durante vários anos a produção foi dificultada por trabalhadoras pouco confiáveis ou inexperientes, mas na década de 1750 a fábrica começou a produzir porcelana no estilo Meissen. Este prato é do primeiro serviço de mesa da fábrica, feito para a imperatriz por volta de 1756-60. Cada peça foi decorada com um gracioso padrão de treliça moldada, o que sugere que faziam parte de um serviço de sobremesa, talvez para ser usado no verão.

sábado, 18 de agosto de 2018

Poema da Semana - As aves, por Gonçalves Dias

Teja por Lisa Larson

"As aves, que aqui gorjeiam,
Não gorjeiam como lá.
Nosso céu tem mais estrelas,
Nossas várzeas têm mais flores,
Nossos bosques têm mais vida,
Nossa vida mais amores." 
in Canção do Exílio, de Gonçalves Dias

sábado, 6 de maio de 2017

Dia Nacional do Azulejo


Dois diplomas aprovados na Assembleia da República em 2017 consagraram o dia 6 de maio como o Dia Nacional do Azulejo e a proteção e valorização do património azulejar português. 

A proposta para a criação do Dia Nacional do Azulejo foi apresentada pelo Projeto ‘SOS Azulejo’ em 2016 e aprovada por unanimidade pelo parlamento português a 24 de março de 2017. Um dia instituído com o objetivo de sensibilizar a sociedade para a proteção do património azulejar, uma tradição e património nacional.

O Projeto “SOS Azulejo” é uma iniciativa com coordenação do Museu de Polícia Judiciária e nasceu da necessidade de combater a grave delapidação do património azulejar português, por furto, vandalismo e incúria.

O Dia Nacional do Azulejo é um dos grandes contributos portugueses para a história da arte.

quinta-feira, 16 de março de 2017

Dois mil livros gratuitos sobre bioconstrução e permacultura


Fonte: Eco Casa Portuguesa

A plataforma virtual Ideas Verdes disponibilizou uma biblioteca com mais de dois mil livros, artigos e documentos gratuitos sobre bioconstrução, permacultura, agroecologia e sustentabilidade. Assuntos que desde os anos 1990 vêm sendo discutidos na agenda global e que na última década ganharam ainda mais peso devido aos efeitos já sensíveis da mudança climática em diversas partes do mundo, a biblioteca gratuita, com títulos em espanhol e inglês, pode ser uma fonte bastante útil para arquitetos, planejadores e paisagistas.
Em sua página oficial, a plataforma compilou uma lista resumida de títulos voltados ao estudo da permacultura, agroecologia e bioconstrução. Veja as sugestões a seguir: 

PERMACULTURA E AGROECOLOGIA
John Seymour – El Agricultor Autosuficiente
John Seymour – La Vida En El Campo
Fukuoka – La Revolucion De Una Brizna De Paja
Fukuoka – La Senda Del Cultivo Natural
Bill Mollison – Introduccion A La Permacultura
Bill Mollison – La Parabola Del Pollo
Bill Mollison – El Momento Mas Terrible Del Dia
David Holmgren – La escencia de la permacultura
David Holmgren – Dinero Vs Energía fósil
Emilia Hazelip – Coleccion De Agricultura Sinergica
Jairo Restrepo – ABC agricultura organica y harina de rocas
Jairo Restrepo – Abonos Organicos Fermentados
G.E. Xoriguer – Manual Practico para Construir Cajas Nidos
Mariano Bueno – Como Hacer Un Buen Compost
Josep Rosello – Como Obtener Tus Propias Semillas
Jerome Goust – El Placer De Obtener Tus Semillas
J. Fernandez-Pola – Cultivo De Plantas Medicinales Y Aromaticas

BIOCONSTRUÇÃO
Predes – Construccion De Vivienda En Adobe
Gernot Minke – Manual De Construcción Con Paja
Gernot Minke – Manual De Construccion En Tierra
Gernot Minke – Techos Verdes
Johan Van Lengen – Cantos Del Arquitecto Descalzo
Johnny Salazar – Construyendo Con COB
Elias Rosales Escalante – Manual De Tratamiento De Aguas Grises
Bill Steen – La Casa De Fardos De Paja
Lourdes Castillo Castillo – Sanitario Ecológico Seco
Gustavo San Juan – Manual De Construccion De Calentador Solar De Agua
Pedro M. Molina – Como Hacer Hornos De Barro
Para acessar os mais de dois mil livros gratuitos para download clique aqui e navegue na biblioteca digital do Ideas Verdes.

sábado, 19 de novembro de 2016

Arte de rua - Arte e natureza de mãos dadas

"A arte contribui com a natureza quando por meio de uma pintura, ilustração botânica ou até um objeto de artesanato, tem-se a sensação de que tudo no meio ambiente pode ser reutilizado sem que nada seja prejudicado." Dulce Nascimento (in Pinturas da Natureza)

sábado, 13 de agosto de 2016

A Oração da Árvore, por Veiga Simões

A Oração da Árvore [Fonte: As Plantas]

Oração da Árvore, um maravilhoso poema de Veiga Simões que a Câmara Municipal de Loulé quis com bom gosto colocar em azulejos no Parque de Merendas de Benafim que construiu sob a copa maravilhosa de uma azinheira monumental daquela cidade.

Tu que passas e ergues para mim o teu braço
Antes que me faças mal olha-me bem.
Eu sou o calor do teu lar nas noites frias de inverno
Ou sou a sombra amiga
Que tu encontras quando caminhas sob o sol de agosto
E os meus frutos são a frescura apetitosa
Que mata a sede nos caminhos.
Eu sou a trave amiga da tua casa,
A tábua da tua mesa,
A cama em que tu descansas
E o lenho do teu barco.
Eu sou o cabo da tua enxada,
A porta da tua morada,
A madeira do teu berço
E o aconchego do teu caixão.
Sou o pão da bondade e a flor da beleza.
Tu que passas olha-me bem
E não me faças mal.

Veiga Simões, 1914

A azinheira monumental de Benafim, onde se encontra a Oração da Árvore em azulejaria. [Fonte: As Plantas]

Tradução para Inglês
English version

THE PRAYER OF THE WOODS
I am the heat of your hearth on the cold winter nights, the friendly shade screening you from the summer sun, and my fruits are refreshing draughts quenching your thirst as you journey on.
I am the beam that holds your house, the board of your table, the bed on which you lie, and the timber that builds your boat.
I am the handle of your hoe, the door of your homestead, the wood of your cradle, and the shell of your coffin.
I am the bread of kindness and the flower of beauty. If you love me as I deserve, defend me against the fools.

terça-feira, 26 de julho de 2016

Italianos criam telha que já vem com placas solares

A invenção é uma alternativa aos painéis fotovoltaicos tradicionais, que são grandes e pesados. [Fonte: Casa da Sustentabilidade, 2015]


As empresas italianas Area Industrie Ceramiche e REM desenvolveram a Tegola Solare, uma telha cerâmica com células fotovoltaicas integradas. É uma alternativa sustentável que não atrapalha a estética original das telhas, como acontece muitas vezes com os painéis fotovoltaicos tradicionais, que são grandes e pesados.
Cada telha tem quatro células que transformam a luz solar em energia elétrica, e a fiação fica logo embaixo do telhado. A invenção pode gerar cerca de 3 kW de energia em uma área instalada de 40 m², o que já seria capaz de suprir as necessidades energéticas da residência.
As telhas fotovoltaicas são mais caras do que as placas convencionais, mas sua instalação é feita como a de qualquer outro telhado.

terça-feira, 17 de maio de 2016

Homenagem à minha mulher Teresa Freitas

À minha família e amigos comunico que esposa e mãe Teresa Freitas já não se encontra entre nós desde o dia 4 de Maio.

A Teresa tinha uma paixão enorme em amar, uma dedicação e carinho e uma força de vontade em ser esposa e mãe, unindo a nossa família. 

O nosso filho foi muito desejado e amado pela mãe. Ele continuará a sua caminhada com as lembranças e os valores humanos e artísticos que a mãe lhe transmitiu, bem como a paixão pelos animais. 

A Teresa era de excepcional sensibilidade artística e naturalista, amiga de jardinar, plantar árvores e principalmente olaria e escultura cerâmica. Foi uma professora combativa, de grande capacidade de trabalho e muita curiosidade por todas as terras que andou. Fez amigos pelas escolas por onde lecionou.

Resumo Biográfico
Maria Teresa Santos Freitas nasceu no Porto, 14 de Janeiro de 1962, tendo residido em Matosinhos.
Licenciada em História- variante História da Arte.
Sempre se interessou por cerâmica (a sua maior paixão) mas foi uma artista multiforme produzindo trabalhos e realizando cursos de fotografia, fusão de vidro (fez um curso na Fundação de Serralves, orientado pela Professora Cristina Camargo) e pintura e especializou-se em Cerâmica Artística, Vidrados de Grés e Raku, na Cooperativa Árvore, Porto sob a orientação do Ceramista Jorge Carqueijeiro.
Tem  quadros a carvão e acrílico em colecções privadas.

O Gato, por Teresa Freitas

Editou durante três anos o blogue Terras de Argila.

"Já não se encantarão os meus olhos nos teus olhos,
já não se adoçará junto a ti a minha dor.
Mas para onde vá levarei o teu olhar
e para onde caminhes levarás a minha dor.
Fui teu, foste minha. O que mais? Juntos fizemos
uma curva na rota por onde o amor passou.
Fui teu, foste minha. Tu serás daquele que te ame,
daquele que corte na tua chácara o que semeei eu.
Vou-me embora. Estou triste: mas sempre estou triste.
Venho dos teus braços. Não sei para onde vou.
...Do teu coração me diz adeus uma criança.
E eu lhe digo adeus"

-Pablo Neruda

Homenagem também publicada na Revista O Instalador, Junho de 2016, nº 242

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