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sexta-feira, 28 de agosto de 2026

O Contrato Social sob Sequestro: Como o Imobiliário de Luxo Explica a Captura da Democracia em Portugal

Portugal vive hoje uma profunda contradição socioeconómica, marcada pela estagnação dos salários médios perante um custo de vida em escalada vertiginosa. O ecossistema imobiliário tornou-se o palco principal desta assimetria, onde a habitação acessível escasseia enquanto o mercado de luxo atinge valores desproporcionados. O fenómeno é simbolizado por propriedades emblemáticas como a Quinta da Felicidade, em Sintra - famosa pelo seu anexo em forma de "castelo da Disney" construído nos anos 90 -, que voltou ao mercado por valores a rondar os 28 milhões de euros, desenhada à medida do new money e do capital estrangeiro. No entanto, o problema central não reside na mera existência da opulência privada, mas na impossibilidade prática de grande parte da população manter um teto digno. Dados oficiais da ENIPSSA confirmam esta fratura ao revelar que o fenómeno dos sem-abrigo disparou no país, ultrapassando os 14.400 indivíduos como resultado direto da subida galopante das rendas e da escassez de resposta pública.

Esta disparidade reflete a perda de eficácia da democracia liberal pós-anos 90, um período em que os estados viram a sua margem de manobra esmagada pela globalização financeira. A habitação deixou de ser tratada como um bem social prioritário para se converter num ativo especulativo para alocação de liquidez global, impulsionada por fundos de investimento, empresas de private equity e incentivos fiscais como os Vistos Gold, que desligaram o valor do metro quadrado do poder de compra local, empurrando as populações para a periferia económica. Esta dinâmica cruza-se com a análise da ciência política sobre a captura do poder político. O célebre estudo de Martin Gilens e Benjamin Page, Testing Theories of American Politics (2014), demonstrou empiricamente como as preferências das elites económicas e dos grupos de lóbi têm uma influência desproporcional na aprovação de leis, enquanto a vontade do cidadão comum tem um peso reduzido quando colide com o grande capital. A transição frequente de quadros entre a alta finança e os governos - observável em trajetórias como as de Emmanuel Macron ou Friedrich Merz - ilustra uma proximidade de elite que molda as políticas públicas a favor da desregulamentação.

Contudo, atribuir esta responsabilidade exclusivamente às elites políticas seria ignorar o funcionamento das próprias democracias representativas, nas quais os governos são legitimados pelo voto. A crise resulta de um triângulo complexo onde o eleitorado também desempenha um papel ativo através de um desequilíbrio geracional e patrimonial no próprio voto: cidadãos que já possuem habitação própria tendem a favorecer políticas que valorizem o imobiliário, enquanto inquilinos e jovens acabam penalizados. Por outro lado, os governos eleitos enfrentam a ameaça constante do capital não-eleito que vota "com os pés", recorrendo à fuga de investimento ou à pressão sobre os mercados de dívida soberana sempre que são propostas medidas regulatórias mais agressivas. Adicionalmente, o ecossistema mediático e o financiamento de campanhas condicionam a visibilidade dos candidatos e filtram a ementa eleitoral disponível para o cidadão. Em resposta a este impasse, o poder político recorre frequentemente ao citizenwashing: a criação de fóruns de participação cidadã, consultas públicas ou orçamentos participativos que funcionam como fachada cosmética. Estes mecanismos simulam auscultação democrática, mas raramente têm caráter vinculativo quando enfrentam interesses imobiliários consolidados.

O resultado inevitável desta encenação estende-se muito além da apatia social e do alheamento político tradicionais. Diante da perceção continuada de que o voto não altera as condições materiais nem trava a especulação, a população desenvolve uma sensação de impotência adquirida (learned helplessness). No entanto, esta resignação passiva não é o ponto final, mas sim o terreno fértil onde o populismo de matriz radical deita raízes. A frustração transforma-se em polarização ativa e o voto passa a ser utilizado como uma arma punitiva contra o sistema, simplificando dinâmicas globais complexas através da criação de bodes expiatórios imediatos e fundindo a revolta económica com debates identitários. As consequências desta degradação institucional fraturam os alicerces económicos, institucionais e sociais de um País. No plano económico, a captura regulatória distorce o mercado ao transformar os regulamentos públicos em verdadeiras barreiras à entrada, blindando as empresas dominantes contra novos concorrentes. Sem a pressão da competição real, estas corporações protegidas deixam de inovar, perpetuando serviços de baixa qualidade e impondo preços inflacionados que sufocam o poder de compra das famílias.

Esta subserviência do regulador perante o regulado culmina frequentemente em crises graves de segurança e saúde pública, uma vez que a fiscalização rigorosa é substituída pela negligência corporativa. Normas de segurança e critérios ambientais são enfraquecidos para maximizar as margens de lucro privado, abrindo caminho para desastres ecológicos, falhas catastróficas de infraestruturas ou a distribuição de produtos farmacêuticos e alimentares nocivos, cobrando um preço altíssimo em vidas humanas. Institucionalmente, o fenómeno degrada o próprio Estado de Direito e drena os recursos fiscais do país. O erário público passa a ser utilizado para subsidiar indústrias ineficientes e perdoar coimas pesadas, enquanto o lóbi agressivo e o fenómeno da "porta giratória" - a transição contínua de decisores entre cargos públicos e administrações privadas - normalizam uma forma de corrupção sistémica e legalizada. No fim da linha, esta dinâmica acentua severamente a desigualdade social, operando uma transferência maciça de riqueza dos consumidores comuns para os acionistas das grandes empresas e invertendo o papel fundamental do Estado, que deixa de proteger o cidadão vulnerável para se converter no braço forte do opressor económico.

No setor ambiental, a captura regulatória manifesta-se de forma devastadora, pois os danos causados são muitas vezes irreversíveis e afetam diretamente a sobrevivência das populações. Quando as agências responsáveis por licenciar, monitorizar e penalizar atividades poluentes passam a defender os interesses das indústrias extrativas, energéticas ou agroquímicas, o resultado é a legalização da destruição ecológica. Um dos exemplos globais mais emblemáticos deste fenómeno ocorreu no desastre da plataforma petrolífera Deepwater Horizon, em 2010, no Golfo do México, onde se provou que o Minerals Management Service (MMS) - a agência reguladora norte-americana - mantinha uma relação de excessiva promiscuidade com a BP, aprovando relatórios de segurança deficientes e recebendo incentivos da própria indústria que devia fiscalizar.

Em Portugal, o debate sobre a fragilidade e a captura da regulação ambiental tem ganho contornos visíveis em setores como a mineração a céu aberto, nomeadamente o lítio, o avanço de megaprojetos turísticos em zonas protegidas e a proliferação da agricultura intensiva no Sudoeste Alentejano. A aprovação acelerada de Avaliações de Impacto Ambiental (AIA) e a emissão de Declarações de Impacte Ambiental (DIA) favoráveis - ou condicionadas a medidas de mitigação raramente fiscalizadas - geram frequentemente forte contestação social e judicial por parte de associações de defesa do ambiente e populações locais. A dependência técnica que o Estado tem dos estudos pagos pelas próprias empresas promotoras cria uma assimetria de informação que esvazia a neutralidade de organismos como a Agência Portuguesa do Ambiente (APA) ou o Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF). O resultado prático desta subordinação do regulador ao poder económico é a degradação acelerada da biodiversidade, a contaminação de linhas de água por pesticidas ou efluentes industriais e a destruição de ecossistemas únicos. Sob o pretexto do desenvolvimento económico e da criação de postos de trabalho, as salvaguardas sociais e ecológicas capitulam, provando que a crise de habitação e a erosão democrática convergem para o mesmo sistema de incentivos onde o contrato social foi inteiramente subordinado às regras do capital.

Por fim observamos a aceleração da Inteligência Artificial, que, senão for devidamente regulamentada, entraremos num modelo tecnofascista. A ausência de regras éticas e de limites jurídicos claros permite que algoritmos preditivos e sistemas automatizados de tomada de decisão passem a gerir direitos fundamentais, desde o acesso ao emprego e ao crédito até à justiça e à segurança pública. Sem supervisão independente, estes sistemas perpetuam e amplificam preconceitos históricos ocultos sob uma falsa capa de neutralidade matemática, transferindo o poder soberano do Estado para as mãos de um punhado de corporações tecnológicas globais que operam na total opacidade.

quinta-feira, 2 de julho de 2026

Entrevista. Gabriel Zucman: “Aumentar impostos sobre o rendimento não é uma forma eficaz de tributar os super-ricos: esse tipo de imposto é demasiado fácil de manipular”


Gabriel Zucman é hoje um dos economistas mais influentes do mundo. Considerado um dos principais especialistas em fiscalidade internacional, afirma, nesta entrevista concedida à Comunidade Cultura e Arte, que “a batalha mais importante do século XXI será entre as forças democráticas e a oligarquia”.

“O problema não é que os multimilionários não paguem nada. O problema é que pagam uma parcela muito menor daquilo que realmente têm, comparativamente ao que os trabalhadores comuns pagam sobre os seus salários. É essa a anomalia que precisamos de corrigir.”, sublinha ainda o professor na Paris School of Economics e na Universidade da Califórnia, Berkeley, que publica com regularidade nas cinco revistas científicas de Economia mais reputadas do mundo. O economista francês, que em 2023 foi distinguido com a John Bates Clark Medal, vista por muitos como uma antecâmara para o Prémio Nobel da Economia, refere também que “um imposto mínimo de 2% sobre a riqueza extrema não é uma proposta radical. O que é radical é um sistema que permite que algumas das pessoas mais ricas do mundo paguem proporcionalmente menos impostos do que os cidadãos comuns.”

Foi aluno e colaborador do economista Thomas Piketty, porém, é fora da academia que se tem destacado no debate público. Em “A Riqueza Escondida das Nações” (ed. Temas e Debates, 2014), expôs a dimensão da riqueza dissimulada em paraísos fiscais. Em 2024, assinou um relatório para o G20, durante a Presidência Brasileira, no qual defendia a coordenação da taxação dos multimilionários coordenada entre as maiores economias mundiais.



É sobre esta taxação que o seu novo livro se debruça, “Os Multimilionários não Pagam Imposto Sobre o Rendimento e Está na Hora de Acabar com Isso” (ed. Penguin, 2026) e é sobre ela que conversámos, por escrito, na entrevista que se segue.

No seu relatório para o G20 em 2024, conclui que os mais ricos pagam uma taxa de imposto efetiva de cerca de 0,3% da sua riqueza total, mais baixa do que a de um enfermeiro ou a de um professor. No entanto, em termos absolutos, o 1% do topo paga muito mais impostos, e é esse o valor que usa para argumentar que paga mais do que a sua parte. Como explicaria esta baixa taxa efetiva a alguém que nunca leu um artigo científico de economia, sobretudo quando também lhe dizem que os que mais ganham pagam em termos percentuais a maior parte do imposto sobre o rendimento?
Pode-se pagar mais imposto do que toda a gente em termos absolutos e, ainda assim, ter uma taxa de imposto muito baixa em proporção de todo o rendimento económico.
Tomemos um exemplo fictício. Se eu ganhar 2.000€ e pagar 1.000€ (50%) ao fisco, e a Maria Fernanda Amorim, a pessoa mais rica de Portugal, ganhar 200.000€ e pagar 50.000€ (25%) ao fisco, essa pessoa pagará mais imposto em termos absolutos, mas pagará menos imposto em proporção da sua capacidade contributiva. É exatamente isto que se passa com os nossos sistemas fiscais. Com todos os impostos incluídos, os multimilionários têm taxas de imposto efetivas mais baixas do que um enfermeiro ou um professor, porque estruturam a sua riqueza de forma a declarar muito pouco rendimento tributável.
Para a maioria das pessoas, o sistema fiscal é muito direto. Um enfermeiro, um professor ou um jovem profissional recebe um salário, e os impostos são-lhe retirados todos os meses. Não há grande margem para esconder ou adiar seja o que for. O seu rendimento é visível.
No topo, funciona de forma diferente. Um multimilionário pode deter ações, empresas e ativos financeiros que valorizam enormemente, mas ainda assim declarar muito pouco rendimento tributável. Portanto, no papel, pode não parecer alguém com rendimentos elevados, mesmo quando a sua fortuna cresce em milhões ou milhares de milhões.
Por isso, o problema não é que os multimilionários não paguem nada. O problema é que pagam uma parcela muito menor daquilo que realmente têm, comparativamente ao que os trabalhadores comuns pagam sobre os seus salários. É essa a anomalia que precisamos de corrigir.
“Se um multimilionário sair de Portugal, o imposto mínimo português poderia continuar a aplicar-se durante 5 ou 10 anos. Se beneficiou das instituições, mercados, infraestruturas e proteções jurídicas de Portugal, esse vínculo fiscal não deveria desaparecer de um dia para o outro.”

Em Portugal, o escalão de rendimento mais alto situa-se nos 86.634€, com uma taxa marginal de imposto de 48%, cerca de 7.200€ por mês antes de impostos. Concorda com essa taxa? E como conquistaria as pessoas que mais ganham com a sua proposta? Há também um segundo grupo: pessoas que saem da universidade a ganhar 2.000€ por mês antes de impostos, pagando cerca de 500€ de impostos por mês, e que com o ressentimento que têm em relação ao sistema fiscal, seriam instintivamente contra a sua proposta, mesmo que isso não as afetasse. Como chegaria tanto aos que mais ganham, como a estes trabalhadores mais jovens e com salários mais baixos?
Os médicos, os engenheiros e os professores não são o problema aqui. Na verdade, já fazem parte do grupo que contribui significativamente para o sistema fiscal e para o bem comum porque, como disse há pouco, recebem salários diretamente. E pagam impostos sobre eles.

Deverá o sistema fiscal português fixar taxas ainda mais altas sobre os salários mais elevados? É, em última análise, uma escolha democrática da sociedade portuguesa: se querem ou não pôr mais no comum. Mas o que é claro é que impostos mais altos sobre o rendimento não farão nada para tributar de forma efetiva os super-ricos.

É isto que o nosso trabalho no International Tax Observatory [Observatório Fiscal Internacional] demonstrou: não se tributam os super-ricos de forma efetiva - pense-se em pessoas com mais de 100 milhões de euros de património líquido - aumentando o imposto sobre o rendimento. Isto porque, quando se tem uma riqueza tão grande, é muito fácil estruturá-la para minimizar o montante de rendimento tributável, por vezes até zero. Para os super-ricos, o rendimento não é o melhor indicador para compreender a sua capacidade contributiva — porque é demasiado fácil de manipular. É isto que enfraquece o consentimento fiscal de todos. Como podem os trabalhadores que são tributados sobre os seus primeiros salários aceitar um sistema em que os super-ricos fogem ao imposto sobre o rendimento, por vezes na totalidade?

É por isso que é muito melhor tributar a riqueza e não o rendimento. Daí que a minha proposta seja um imposto mínimo de 2% para pessoas com mais de 100 milhões de euros. A ideia é que se alguém assim tão rico não pagar pelo menos 2% da sua riqueza em imposto por ano, pagaria a diferença.

Um imposto mínimo sobre a riqueza extrema ajudaria a financiar os serviços públicos de que todos dependem, como escolas, hospitais, infraestruturas, segurança e adaptação climática. Estes serviços beneficiam a sociedade no seu conjunto, incluindo os mais ricos, porque as grandes fortunas também dependem de instituições em funcionamento e do Estado de direito.

Os críticos dizem que os ricos vão simplesmente embora. No seu trabalho com Boll e Saez sobre os multimilionários da Califórnia, aponta para a coordenação e para o modelo norte-americano de tributação baseada na cidadania. Qual é a versão dessa resposta que uma pessoa comum acha convincente, e a versão que convence outros economistas, incluindo os da esquerda que se opõem aos impostos sobre a riqueza por causa do argumento da fuga? E como é que isto se traduz numa economia pequena e aberta como a portuguesa, que fez o contrário: um regime de taxa fixa de 20% para expatriados ricos, vistos gold, e benefícios para reformados estrangeiros abastados? Para um país como Portugal, será a nação a unidade errada, isto só funciona ao nível da União Europeia?
Será que os super-ricos vão embora se os tributarmos? Olhemos para a história. Quando os países, ao longo da história, aumentaram os impostos sobre os ricos, uma pequena fração de pessoas foi-se embora. Mas está longe de ser a maioria. Na maior parte das vezes, a receita fiscal obtida com o imposto compensa largamente esses custos marginais para a economia. Mas, mais importante, os países aceitaram as regras da globalização e, em particular, a ameaça de que as pessoas vão-se embora como se se tratasse de uma lei da natureza. Mas a lei fiscal não é a lei da gravidade. Os países podem optar por deixar as pessoas sair do país por motivos fiscais, ou podem decidir tributá-las.
Os multimilionários não criam as suas fortunas sozinhos. Beneficiam de trabalhadores, infraestruturas, universidades, investimento público e dos sistemas jurídicos que protegem a sua propriedade. Por isso, a ideia de que se pode construir uma fortuna num país e depois apagar todas as suas obrigações fiscais mudando de residência não é convincente. Por exemplo, os cidadãos norte-americanos continuam, em geral, sujeitos ao imposto federal sobre o rendimento dos EUA mesmo quando vivem no estrangeiro. E, se pessoas muito ricas renunciarem à cidadania, há regras de imposto à saída.
A Califórnia é um caso pouco específico porque, enquanto estado dos EUA, não controla as políticas de imposto à saída. O risco não é que saiam dos EUA - como expliquei, o imposto norte-americano segui-los-ia. O risco é que se relocalizem para outro estado. É por isso que o referendo da Califórnia é um imposto pontual que se aplica retroativamente aos que já eram contribuintes no estado a partir de janeiro de 2026.
Não creio que o modelo norte-americano de tributação à saída seja necessariamente a solução. O que propomos é um meio-termo. Não é exatamente o modelo norte-americano, mas também não é o atual modelo europeu, em que alguém se pode tornar muito rico e, quando decide partir, deixar quase de imediato de pagar impostos ao país. A ideia é simples: se um multimilionário sair de Portugal, o imposto mínimo português poderia continuar a aplicar-se durante 5 ou 10 anos. Se beneficiou das instituições, mercados, infraestruturas e proteções jurídicas de Portugal, esse vínculo fiscal não deveria desaparecer de um dia para o outro.

Em Portugal, um imposto adicional sobre imóveis acima dos 600.000€ foi aprovado, mas gerou uma forte reação contrária, ainda que afetasse muito poucas pessoas. Continua a ser chamado de “Imposto Mortágua”, em referência à economista que a propôs, exatamente o que está agora a ser feito com a sua proposta em França. Concorda com uma medida deste tipo? E, de forma mais ampla, qual tem sido a sua experiência com as pessoas que se opõem a este tipo de medida, incluindo as que nunca terão sequer perto desse patamar, e que mesmo assim não apoiam o argumento?
Um imóvel de valor muito elevado deve ser tributado mais do que um imóvel comum. Um apartamento modesto e uma casa de vários milhões de euros não são a mesma coisa. Mas é também importante perceber que os impostos sobre imóveis — mesmo os de luxo — não são extremamente eficazes para tributar os super-ricos. Isto porque o imóvel é o principal ativo da classe média e da classe média-alta. Para os multimilionários, no entanto, a habitação costuma ser apenas uma pequena parte da sua fortuna. A sua riqueza está sobretudo em ativos financeiros.
Por isso, o risco é que, se tributarmos apenas as casas caras, acabemos por falhar o verdadeiro topo. É por isso que a minha proposta é diferente: tributa todos os diferentes ativos que compõem a riqueza — imóveis, ativos financeiros, etc. — à mesma taxa, sem isenções.

O nosso trabalho retira lições de todas as tentativas históricas de tributar os super-ricos. E a conclusão é bastante simples: se fixarmos o patamar demasiado baixo, haverá uma pressão enorme para conceder isenções pelas mais variadas razões: proprietários de habitação, liquidez, etc. Mas quando nos concentramos nos super-ricos, digamos 100 milhões de euros de património líquido, toda a gente percebe que têm uma elevada capacidade contributiva.

Qual é a melhor forma de enquadrar a sua proposta? Será argumentar desde um princípio de equidade fiscal, que os ricos não pagam a sua parte ou será melhor ligá-la diretamente ao bolso das pessoas: tu pagas os teus impostos, mas se tributássemos os ricos como deveria ser, poderíamos baixar o que pagas de imposto sobre o teu rendimento. Por outras palavras, isto só faz mesmo sentido se a mensagem mais ampla passar a ser tributar a riqueza em vez do trabalho?
Penso que todas essas ideias fazem sentido. Mas o que há de novo nesta conversa é que temos dados vindos das administrações fiscais a mostrar quão pouco os super-ricos pagam em impostos. E este aspeto da justiça é algo que as pessoas compreendem de imediato. Um bom exemplo é Jeff Bezos. Num determinado ano, quando a sua fortuna já valia milhares de milhões de dólares, declarou legalmente tão pouco rendimento tributável que conseguiu receber um crédito fiscal por filho, um benefício pensado para famílias com rendimentos muito mais baixos. A questão não é que tenha feito algo ilegal. A questão é que o sistema fiscal permitiu que uma das pessoas mais ricas do mundo tivesse, para efeitos fiscais, muito pouco rendimento. As pessoas veem claramente que isso não é justo.
Mas há também uma questão mais profunda, que é a questão democrática. A riqueza extrema não é somente poder económico; é também poder político. O poder de influenciar, através dos meios de comunicação que se possui, a ideologia dominante, de distorcer o mercado consolidando monopólios — o que acaba por ter impacto no preço dos bens que todos pagamos — e o poder de influenciar eleições através de donativos extraordinários. Tudo isto significa jogar com um conjunto de regras, no jogo democrático, diferente do resto de nós. Não podemos aceitar uma situação em que os mais ricos conseguem, na prática, colocar-se fora das regras que se aplicam a todos os outros.
É por isto que penso que a batalha mais importante do século XXI será entre as forças democráticas e a oligarquia. E a tributação é central nessa batalha: é a forma como as democracias deixam claro que ninguém, por mais rico que seja, está acima das regras comuns. E estou otimista de que a democracia prevalecerá, porque as pessoas compreendem o problema, as soluções existem e o momento político está a crescer.

Poderia indicar-nos um livro para leitores que nunca estudaram economia?
Recomendaria o livro do economista Anthony B. Atkinson, “Desigualdade – O Que Fazer?”. É claro, rigoroso e acessível. A sua mensagem central é muito simples: a desigualdade não é inevitável. É o resultado de escolhas que as sociedades fazem - sobre tributação, salários, propriedade, educação e serviços públicos.
Essa mesma ideia está no cerne do meu livro mais recente, dedicado à urgência de tributarmos os multimilionários. Um imposto mínimo de 2% sobre a riqueza extrema não é uma proposta radical. O que é radical é um sistema que permite que algumas das pessoas mais ricas do mundo paguem proporcionalmente menos impostos do que os cidadãos comuns. Precisamos de restaurar um princípio democrático básico: todos devem contribuir com a sua justa parte.

sábado, 27 de junho de 2026

Manifesto contra a Caquistocracia: O Teatro do Citizenwashing e a Merdificação do Futuro

O meu amigo Nuno Gomes há tempos alertou-nos para fazermos boicote aos produtos norte-americanos. Pois acrescento a META e a Starlink. Agora piorou muito mais. O Macarthismo tem novas roupagens. Há de facto um bias de ataque e diminuição/irrelevância dos valores socialistas. Esta notícia é apenas a amostra do que aí vem. Só tenho um título: merda! Governo de merda, ideias de merda e badamerda o FMI!
 
Vivemos num época de Citizenwahing (Impotência Cívica). O conceito não é novo. Citizenwahing refere-se a processos de "participação cidadã" que são puramente teatrais. O governo ou uma instituição abre canais de diálogo (como consultas públicas, assembleias ou orçamentos participativos), mas as decisões reais já foram tomadas nos bastidores. As primeiras menções estruturadas ao termo começaram a aparecer em artigos de ONGs e redes de ativismo, como o European Environmental Bureau (EEB) em julho de 2022. O termo foi cunhado por analogia direta ao greenwashing (quando empresas fingem ser sustentáveis). Nesse caso, governos usavam consultas públicas apressadas para aprovar projetos ambientais controversos, alegando que "os cidadãos foram ouvidos". No entanto, a oficialização e a projeção institucional do termo ocorreram no final de 2023. O grande marco foi o discurso da Ombudsman Europeia, Emily O'Reilly, durante um simpósio em Bruxelas explicitamente intitulado Unmasking Citizenwashing (Desmascarando o Citizenwashing). Na ocasião, ela alertou que painéis e assembleias de cidadãos organizados pela União Europeia corriam o risco de se tornarem apenas um exercício vazio de relações públicas se as recomendações reais das pessoas continuassem sendo ignoradas pelos governantes. O termo explodiu após a Conferência sobre o Futuro da Europa, quando muitos participantes perceberam que o seu tempo e energia foram usados apenas para legitimar decisões que já haviam sido tomadas de antemão, consolidando o citizenwashing como a palavra que define a modernização da impotência cívica.
 
Muito grave.
 
E mais grave é que os pobres votaram neste PSD/Chega/IL. A caquistocracia sobrevive porque consegue convencer as suas próprias vítimas a defendê-la, muitas vezes através do medo, discurso do ódio e da desinformação planeada.

Merda para isto tudo.
 
Para ficar triste e aborrecido e irritado com tanta desinformação ou saber que o Zuckerberg inspeciona os meus likes e atrair-me para publicidade que não quero. O gajo é a META, magot. Um estupor. Nem tenho wasap. Sabiam que META e ELON MUSK activamente detroiem o jornalismo que se deseja imparcial. Lembrem-se que Elon Musk está no Pentágono e no Congresso Americano via STARLINK. 

Isto é um assalto à tua/ nossa liberdade. Tempos de combate. Mas fora da esfera de merda. Daí o meu silêncio , mas activo no terreno.

Se me desejarem contactar, tenho o telemóvel, sem wasap, sem tik tok nem insta nem nada desta corja de malfeitores. Os próximos presidentes vão ser decididos por estes globocratas e por Xi Jinping. Farto do anarco-capitalismo. Farto da geopolítica financeira. Farto da caquistocracia. 
 
Resta o biorregionalismo e alter-globalização. O resto é merda! 

A IA também vai cair na merdificação e mais polarização. Fica aqui o registo.

quinta-feira, 25 de junho de 2026

Perdeu tudo: Musk não é mais trilionário após ações da SpaceX caírem

Menos de duas semanas depois da estreia da SpaceX na Bolsa de Nova Iorque, as ações da empresa afundaram, numa altura em que os mercados recuam nas grandes tecnológicas. Elon Musk viu 350 mil milhões de dólares, cerca de 306 mil milhões de euros, desaparecerem do seu património líquido.

As ações da SpaceX dispararam depois da Oferta Pública Inicial de 12 de junho, subindo de um preço de abertura de 150 dólares para um máximo histórico ligeiramente acima dos 225 dólares — o que levou a capitalização bolsista da empresa a aproximar-se dos 3 biliões de dólares, e tornou Elon Musk o primeiro trilionário da História.

Segundo análise da ONG humanitária Oxfam, ele será mais rico do que os 46% mais pobres da população mundial juntos, cerca de 3,8 bilhões de pessoas.

Se Musk gastasse 1 milhão de dólares por dia, levaria 2.740 anos para gastar 1 trilhão de dólares, supondo que esse valor não rendesse nenhum juro.

"Essa concentração extrema de riqueza é sintomática de décadas de políticas pró-bilionários que lhes permitiram ditar as regras econômicas a seu favor", afirmou a Oxfam em nota.

Nabil Ahmed, diretor sénior de justiça económica da Oxfam América, disse que a ascensão do magnata ao status de trilionário "é um novo marco para a oligarquia e um dia sombrio para a democracia".

Mas, nos dias seguintes, muitos investidores começaram a perder confiança, dissipando centenas de milhares de milhões de dólares em valor à medida que as ações desciam - primeiro lentamente, depois com uma aceleração cada vez mais acentuada.

Só na segunda-feira, as ações afundaram quase 17%, o pior desempenho diário da empresa até à data, nota o Futurism.

Na manhã de terça-feira, a viagem inaugural de 11 dias da SpaceX em bolsa ficava simbolicamente encerrada com as ações a caírem abaixo do preço de abertura, atingindo um mínimo histórico pouco acima dos 147 dólares.

Por outras palavras, a SpaceX perdeu oficialmente todos os ganhos registados desde a entrada em bolsa. Mais tarde, as ações recuperaram para valores intermédios da casa dos 150 dólares, um nível que teria sido impensável apenas alguns dias antes.

Com a queda das ações da SpaceX, 350 mil milhões de dólares desapareceram do património líquido de Elon Musk — que a Forbes estima que tenha atingido, após a OPI e a valorização inicial, os 1,4 biliões de dólares.

Saber mais:

Análise
A recente queda da SpaceX, que perdeu mais de 600 mil milhões de dólares em valor de mercado num espaço de três dias, representa um evento de proporções históricas que cruza a volatilidade financeira com a alta geopolítica. Apesar do impacto numérico impressionante, que equivale à economia inteira de vários países, a empresa ainda retém uma capitalização superior a dois biliões de dólares, mantendo-se acima do preço da sua recente OPI. Para compreender este fenómeno, é necessário analisar o cenário através de duas lentes interligadas: a económica e a política.

Do ponto de vista económico, este recuo acentuado reflete uma forte correção de mercado após a euforia inicial da OPI. Um dos principais fatores técnicos para esta oscilação foi a baixa flutuação de ações no mercado, uma vez que apenas uma pequena percentagem do capital total da empresa foi disponibilizada para negociação pública. Quando a oferta é muito reduzida e a procura por parte de pequenos investidores é maciça, o preço sobe de forma artificialmente rápida, mas o reverso da medalha é que qualquer movimento de venda em massa faz o valor desabar com o mesmo impacto. Além disso, o grande gatilho para a desconfiança dos investidores foi o anúncio de que a SpaceX irá emitir títulos de dívida para angariar pelo menos 20 mil milhões de dólares, com o objetivo de refinanciar empréstimos de curto prazo associados à aquisição e integração da xAI, a empresa de inteligência artificial de Elon Musk. Como a SpaceX passou a ser avaliada também como um conglomerado de inteligência artificial, a empresa acabou por ser severamente castigada pelo ceticismo geral que atualmente afeta o setor tecnológico global, onde persistem receios de uma bolha tecnológica e de potenciais subidas de juros.

No plano político, o tombo financeiro ganha contornos ainda mais complexos devido ao papel estratégico que a SpaceX desempenha na infraestrutura de segurança e exploração espacial dos Estados Unidos. Em primeiro lugar, esta perda afetou diretamente a fortuna pessoal de Elon Musk, retirando-lhe o estatuto temporário de trilionário, o que tem impacto na sua capacidade de autofinanciamento e na sua influência geopolítica direta, frequentemente exercida através de tecnologias como a rede Starlink. Em segundo lugar, o governo norte-americano, através da NASA e do Pentágono, depende quase exclusivamente da SpaceX para missões críticas de Defesa e exploração espacial. Uma volatilidade financeira desta magnitude numa empresa que detém um monopólio de infraestrutura vital gera apreensão em Washington, levantando dúvidas sobre se o endividamento para financiar projetos de inteligência artificial poderá, a longo prazo, desviar o foco dos programas espaciais essenciais. Por fim, ao misturar a atividade aeroespacial fortemente regulada com investimentos de alto risco em inteligência artificial, Musk atrai um escrutínio redobrado por parte de reguladores e opositores políticos, que questionam a enorme concentração de contratos estatais nas mãos de uma entidade privada exposta a tanta volatilidade. Em suma, esta perda bilionária não sinaliza a falência da SpaceX, mas sim um ajuste drástico de expectativas que prova como as finanças privadas, a inteligência artificial e a segurança nacional estão hoje indissociavelmente ligadas.

quarta-feira, 17 de junho de 2026

The Theory of the Vulgar Class


On Sunday Donald Trump celebrated his 80th birthday with a cage match on the White House lawn. The match and the events that surrounded it — especially the press conference with UFC fighters, shown above, held on the steps of the Lincoln Memorial — were a desecration of America’s capital, whose monuments and buildings have always endeavored to represent small-r republican virtues. The whole affair was an affront to the values on which this nation was founded and also unspeakably vulgar.

That last criticism may strike some readers as elitist and trivial. Yet the vulgarity that is the hallmark of Trump and his surrounding circle of oligarchs is a symptom of something not at all trivial: The collapse of social norms. As I argued yesterday, these norms historically played a key role in mitigating abuses of power and privilege during the Gilded Age, the last time America suffered from extreme income and wealth inequality (though not nearly as extreme as what we have now).

Norms matter. In his classic book The Theory of the Leisure Class — published in 1899, at the apogee of the Gilded Age — Thorstein Veblen famously argued that much of the behavior of his era’s elite was driven not by the desire to enjoy life but by the desire to impress others. Partly they did this through conspicuous consumption. Thus they built lavish mansions staffed by legions of servants.

However, members of the Gilded Age elite didn’t solely aim to display their wealth. They also tried to appear respectable. There were surely many private affairs and betrayals we will never know about. But the important point is that the super-wealthy of that era presented to the American public an image of being responsible members of society:

John D. Rockefeller and family

The contrast with the public behavior of Trump’s band of uber-wealthy is startling:


In addition to modeling upstanding behavior, the extremely rich of the Gilded Age were expected to have, or pretend to have, some virtues that were part of the aristocratic ideal, including a sense of noblesse oblige displayed by good works. Veblen was quite cynical about philanthropy, yet even he didn’t dismiss it completely, stating that:
The fact itself that distinction or a decent good fame is sought by this method [such as the endowment of a university, public library or museum] is evidence of a prevalent sense of the legitimacy, and of the presumptive effectual presence, of a non-emulative, non-invidious interest, as a consistent factor in the habits of thought of modern communities.
(Veblen’s lasting intellectual influence did not come from his sparkling prose style.)

Today’s oligarchs, by contrast, have largely given up on the old norms of social and individual responsibility. They give very little money to good causes and their vulgar taste reflects their in-your-face attitude towards the public. In our current hyper-Gilded Age, extreme vulgarity and the decline of philanthropy are really different aspects of the same phenomenon: the rise of an elite so disconnected from ordinary Americans that it feels no need to even appear to be honorable.

So in a real sense we are living in the midst of a reenactment of the decline and fall of the Roman Republic, not a second American Gilded Age. No, I’m not one of those men who thinks about ancient Rome all the time. But there are some obvious parallels.

While the causes of the decline of republican government and Rome’s eventual transition to one-man rule were doubtless complex, there is broad consensus among historians that a key factor was the emergence of extreme inequality. A handful of men became incredibly wealthy from the spoils of Rome’s eastern conquests, and their wealth and power eventually became too great for the rules of constitutional, republican government to contain. Sound uncomfortably familiar?

The death throes of the Republic went on for many years. Politicians declared their rivals enemies of the state, deployed violent gangs to disrupt the rule of law, established temporary dictatorships, and more. The installation of Augustus as emperor in 27 BC was just the final act.

And during this long twilight of constitutional government, one of the ways the extremely wealthy and powerful sought both to demonstrate their wealth and to curry favor with the mob was by sponsoring gladiatorial games.

The vulgarity of the Trumpian elite isn’t in itself that important. But it’s a symptom of a collapse in values and norms that, unless confronted and reversed, may herald the end of the American experiment. We should heed the words of the Stoic philosopher Seneca about the rise and fall of the Roman Republic: “Increases are of sluggish growth, but the way to ruin is rapid.”

quarta-feira, 27 de maio de 2026

The Logic of Taxing Great Wealth

Dados de 2023 [clicar aqui para melhor visualização e mais info]


The 2026 Billionaire Tax Act initiative recently submitted enough signatures to be put on the California ballot for the November 2026 elections. Its goal is to raise revenue by imposing a one-time 5 percent wealth tax on California billionaires to offset large cuts to California’s Medicaid caused by the Trump regime and Congress when, in July 2025, they cut federal taxes mainly on the wealthiest.

The reason for targeting California billionaires for new revenue is their wealth has grown faster than anyone else’s in recent years and they currently pay low taxes relative to their large wealth gains. Many borrow against their wealth for living expenses (banks are delighted to lend to them), enabling them to claim little or no taxable income.

As a result, taxing billionaires can both raise substantial revenue and restore tax progressivity at the very top. California is in the vanguard of what the nation must do. I believe they will do it when Democrats are back in control, and when they enact campaign finance reforms so no member of Congress is necessarily dependent on the super-wealthy for the bulk of their campaign contributions.

The following oped appeared in today’s New York Times. It was written by two of my colleagues at Berkeley, Professors Emmanuel Saez and Gabriel Zucman (who is also at the Paris School of Economics). I have reproduced it in its entirety, with permission, and have highlighted paragraphs I believe to be particularly important.

They make the case for the billionaire wealth tax in California, and indirectly for a billionaire wealth tax nationwide. They also answer the arguments against the tax, such as that California billionaires may leave the state in expectation that such wealth taxes would be renewed, possibly reducing future income tax revenue to the state and reducing its economic dynamism as the engine of tech innovation.

With wealth inequality now surging beyond anything ever witnessed in America, the dictum attributed to Justice Louis D. Brandeis has become dramatically relevant: “America faces a choice: We can have great wealth in the hands of a few, or we can have a democracy, but we cannot have both.” A wealth tax is a necessary precondition for everything else.

The billionaire class in California includes roughly 250 households, a mere 0.001 percent of the state’s families. Yet its wealth now amounts to more than half of California’s entire annual economic output.

This means that if these billionaires spent all of their wealth, they could buy more than half of the goods and services produced in a year in the entire state.

This extraordinary wealth does not translate into extraordinary tax contributions.

From 2019 to 2025, California billionaires’ wealth grew an average of over 15 percent per year, while they paid, on average, just 0.26 percent of their wealth annually in state income taxes. Their income tax payments accounted for only 2.4 percent of California’s income tax revenue.

For the very richest individuals, the effective burden was even lower. The four wealthiest Californians — former Google co-founder Sergey Brin, Nvidia’s Jensen Huang, former Google CEO Larry Page, and Facebook’s (Meta’s) Mark Zuckerberg — paid an average of just 0.07 percent of their wealth annually in California income tax over that period, according to our analysis of Securities and Exchange Commission records on stock sales and executive compensation from their companies.

California’s tax system fails to effectively tax ultrahigh-net-worth individuals. The same is true of the United States’ tax system and those of other countries.

The problem is that billionaires’ fortunes are largely held in assets (mainly stocks) that rise in value over time. This rise in value is not taxed unless the assets are sold. Under current law, when billionaires don’t sell their stock, wealth accumulates while taxes on their gains are deferred indefinitely and sometimes avoided entirely.

To understand how California’s billionaires have become so unfathomably rich, it’s helpful to think of their fortunes as icebergs. Some earnings are easy to see — and tax. From 2019 to 2025, Mr. Zuckerberg reported more than $7.1 billion in income from Meta: $181 million in compensation, $1.4 billion in dividends and $5.6 billion in gains from selling stock.

Despite making so much money, Mr. Zuckerberg was taxed a combined state and federal rate of just 27 percent on that income. That’s not much higher than the average California household’s effective tax rate of about 20 percent.Mr. Zuckerberg’s tax rate was relatively low in large part because most of his income was in the form of capital gains — what he made from selling stock that had risen in value. Capital gains are taxed federally at a lower rate than ordinary income.

Most of Zuckerberg’s wealth is hidden from income taxes. Since 2019, Meta has made hundreds of billions of dollars in profit. As Meta’s chief executive, Mr. Zuckerberg has invested much of that money back into the company, of which he owns about 13 percent. These profits have been taxed at a relatively low 17 percent, Meta’s effective corporate income tax rate. Their reinvestment has boosted the company’s value and, therefore, the value of its shares. This caused Mr. Zuckerberg’s wealth to rise by tens of billions of dollars.

The same is true of the wealth Mr. Zuckerberg accumulated as Meta grew and investors became more bullish about the company. This dynamic increased the value of his shares by an additional $142 billion. Unless Mr. Zuckerberg sells his shares, all of this growth remains untaxed.

But he can put his gains to use without selling them, borrowing tax-free against his holdings at low interest rates, as he did in 2023, when he pledged $3.1 billion worth of his Meta shares as collateral for a loan.

California’s other top billionaires have similarly structured fortunes. Without a wealth tax, these tech barons will continue to hoard the rewards of the state’s economic growth while its cities cut services and its workers lose health care.

Google’s founders, Mr. Brin and Mr. Page, are the state’s richest individuals, with more than $600 billion in wealth between the two of them — up from $345 billion last September. They have come out against the wealth tax initiative while making moves to leave the state. They benefit from the status quo.

Mr. Brin has funded the political campaign against the measure and has funded signature collection for two competing ballot initiatives that could undercut the wealth tax, spending at least $57 million to fight it.

They stepped down from day-to-day management at the end of 2019. That year and in 2020 and 2023, each got from Alphabet, Google’s parent company, only $1 per year in executive compensation.

They didn’t sell stock, and they didn’t receive dividends or any other compensation relating to Alphabet, so they paid no income tax on their wealth related to the company. But their stock wealth rose by $133 billion, driven in part by the reinvestment of their share of company profits, which amounted to $20 billion in those three years. Scenarios like this show why some of the very wealthiest people in America are among the least taxed.

This arrangement violates basic principles of fairness, deprives the government of revenue it needs for public services and fuels wealth concentration.

Overwhelming wealth becomes power — power to influence the direction of corporate behemoths, power to sway society through donations and media ownership, power to steer politics through unlimited campaign contributions to super PACs.

Elon Musk’s recent adventures in the executive branch, after spending hundreds of millions of dollars to help elect Donald Trump, demonstrate how quickly concentrated wealth can transmute into political control.

We don’t imagine that a one-time 5 percent tax on the wealth of California billionaires, as proposed in the 2026 Billionaire Tax Act, would fix all these problems. But it could raise nearly $100 billion in revenue for California. This amount would make up for the funding the federal government is taking away from the state over the next five years. It would also be tiny relative to billionaires’ recent wealth gains.

In the past three years alone, the total wealth of California’s billionaires grew by a staggering 144 percent, to over $2 trillion.

Taking such a small bite out of billionaires’ exponentially growing tech wealth wouldn’t doom Silicon Valley because the value of California’s concentrated tech talent dwarfs the proposed wealth tax. Nvidia’s chief executive, Mr. Huang, who would be one of the biggest payers of the tax, said he would be “perfectly fine” with it.

Other myths about the proposal need to be dispelled. It would tax only billionaires. It has been carefully written to respect the California and U.S. Constitutions. It contains provisions designed to prevent taxation beyond 5 percent of the fair market value of anyone’s shares and to avoid hitting start-ups hard. Billionaire entrepreneurs, with sizable illiquid stakes in newly founded private companies, would be able to defer payments until they began to cash out.

It is too late for superrich Californians to flee the state to avoid the tax. If approved in November, the tax would apply to billionaires who were residents of California as of Jan. 1, 2026. Some affected taxpayers might have left between the ballot initiative’s introduction, in late October 2025, and the end of the year. But it is improbable that any significant number of billionaires fully cut ties with California in that short period.

Critics of the ballot measure have voiced concerns that even a small number of billionaires leaving the state would lead to lower state tax revenues overall. Their math doesn’t add up. California’s billionaires currently pay such a low tax rate that even if all of them left the state, it would take 25 years for the loss of their tax payments under the current set of rules to surpass the amount the state would raise if the one-time tax succeeds this fall.

In 2025, California collected $4.1 billion in income tax from its billionaires. We estimate that California would collect about 25 times that much revenue — about $103 billion — from the proposed wealth tax.

While billionaires who no longer run their businesses day to day may choose to eventually leave California, uprooting an established business that relies on the pool of California’s tech talent and tech ecosystem would be much harder: While Mr. Page and Mr. Brin may leave for Florida or Nevada, there are no discussions of Google leaving Mountain View.

California’s tech sector produces billionaires faster than any other state’s. Its superrich — who have benefited from the state’s infrastructure, universities and networks of people and businesses — have accumulated enormous fortunes almost tax-free. The proposed billionaire tax would finally make them contribute in modest proportion to their gains.

In November, California’s voters should show the nation the way forward.

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quarta-feira, 20 de maio de 2026

Arab Strap - You You You


Letra
I've got a hole in my shoe that lets in rain
And another new lump and another vein
I've got pills for breakfast every day
To keep my pains and fears in me

I've got a belly I just can't shift
I feel undesired, dismiss the drift
My get-up-and-go is long gone
And the days keep dragging on

But I've got you, you, you, you
I've got you, you, you, you
Got you, you, you

Got a hole in my head that can't be filled
Tamers never spin, it's only kill
I'm always bored, it seems nothing excites me
My own system fights me

I've got watchlists I'll never watch
Cruelty in my crotch
I'm going to see the sadness in my soul
The major swallowed it whole

But I've got you, you, you, you
I've got you, you, you, you
Got you, you, you

I've got tears in my eyes again tonight
As the terror nights unite and fight
There's a fiery frog in my throat
From all that singing "Bella Ciao"

I've got my chin cord, I can't be missed
'Cause the government claims I'm a terrorist
I fear for my son, I fear for my daughter
But in this world of slaughter

I've got you, you, you, you
I've got you, you, you, you
Got you, you, you

I don't know what the fuck to do
When hypocrisy reigns and nothing is true
And nobody pays for their horrid behavior
Fuck these demagogues cosplaying savior

With a rose in my fist and a song in my lungs
I reach for a hand and I've got you
You, I've got you
Yes, I do

A banda Arab Strap é escocesa, tendo sido formada em 1995 na cidade de Falkirk por Aidan Moffat e Malcolm Middleton. Uma das características mais marcantes da sua identidade é o facto de o vocalista cantar e recitar as canções mantendo o seu sotaque escocês nativo muito vincado, o que confere às composições um realismo cru e uma forte ligação à sua origem geográfica.

O estilo musical do duo transita essencialmente entre o indie rock e o slowcore, um subgénero do rock alternativo caracterizado por ritmos lentos, arranjos minimalistas e atmosferas mais sombrias. O som dos Arab Strap destaca-se pela fusão de guitarras melancólicas com batidas eletrónicas programadas e sintetizadores de estética lo-fi, servindo de base para o uso frequente do spoken word, em que as letras são declamadas em vez de serem tradicionalmente cantadas. A banda integrou a efervescente cena musical escocesa dos anos noventa e dois mil, partilhando palcos e cumplicidades com nomes como Mogwai ou Belle and Sebastian.

No que diz respeito ao significado, a canção "You You You" afasta-se um pouco das narrativas sobre excessos noturnos e relações amorosas caóticas que marcaram o início da carreira do grupo, focando-se antes na ansiedade existencial, na depressão e no isolamento do mundo moderno. A letra reflete sobre a culpa e a pressão social para se ser feliz e produtivo, abordando a forma como o indivíduo muitas vezes se fecha em si mesmo em vez de comunicar os seus sentimentos. É um retrato íntimo e desiludido sobre a falta de respostas face às crises psicológicas da vida adulta contemporânea, onde o silêncio e a apatia acabam por prevalecer.

O termo "Arab strap" (literalmente, "correia árabe") refere-se, de facto, a um dispositivo sexual concebido para manter a ereção, funcionando como um anel peniano ou anel indutor de constrição. Geralmente fabricado em pele, borracha ou silicone, este acessório possui uma tira que se ajusta à base do pénis e outra que envolve os testículos. O seu principal objetivo é retardar o fluxo de retorno do sangue, permitindo prolongar a firmeza da ereção e intensificar o prazer e a sensibilidade durante a atividade sexual. Devido aos riscos de lesão nos tecidos por falta de oxigenação, os especialistas recomendam que este tipo de dispositivo nunca seja utilizado por um período superior a trinta minutos consecutivos.

Para além do seu significado literal no contexto do bem-estar sexual, a expressão ganhou uma enorme notoriedade na cultura pop e na história da música alternativa britânica no final dos anos noventa. Em primeiro lugar, deu nome à banda Arab Strap de indie rock fundada em 1995. Pouco depois, em 1998, inspirou o título de um dos álbuns mais aclamados do panorama musical da época, The Boy with the Arab Strap, da também banda escocesa Belle and Sebastian. Curiosamente, o vocalista do grupo, Stuart Murdoch, confessou mais tarde que, quando escolheu o título para o disco, achou piada à sonoridade da expressão, sem fazer a mínima ideia do objeto real a que ela se referia.

quarta-feira, 13 de maio de 2026

Quem detém mais satélites? Fica claro quem manda na órbita da Terra


O mundo mudou muito nesta última década. E as disputas pelo controlo da informação passaram para o fundo do mar, mas, sobretudo, para a órbita da Terra. Hoje, os satélites tornaram-se a espinha dorsal da moderna economia espacial. Desde a internet de banda larga à observação da Terra, a infraestrutura orbital suporta agora indústrias muito para além do setor aeroespacial. Então, quem tem mais satélites no espaço?

Não há dúvidas que os EUA lideram não só a corrida espacial, mas também o espaço em volta da Terra. Como tal, e na preparação do próximo grande comércio global, são empresas americanas que estão na liderança deste segmento.

Para percebermos, de forma mais concreta, quem domina a órbita do planeta, um gráfico, de autoria da Global X Canada, permite perceber quem detém mais satélites. A informação tira partido de dados da AEI Space Data Navigator.


Que operadores detêm mais satélites?
A SpaceX domina claramente a contagem global de satélites, com 10.262 satélites operacionais. Isso representa mais de 16 vezes os 632 satélites da OneWeb, o segundo maior operador identificado.

Posição Operador de satélites Número de satélitesSpaceX - 10.262 satélites
OneWeb - 632 satélites
National Reconnaissance Office - 285 satélites
Forças Armadas dos EUA - 244 satélites
Forças Armadas da China - 168 satélites
Planet Lab - 144 satélites
Forças Armadas da Rússia - 107 satélites
NASA - 90 satélites
Iridium - 80 satélites
Globalstar - 26 satélites
Outros - 3.409 satélites


O ranking mostra a rapidez com que as redes privadas cresceram desde o início da corrida espacial.

Organizações públicas como a NASA e forças militares nacionais operam agora apenas uma pequena parcela, com apenas 894 satélites entre os proprietários identificados na base de dados.

A vantagem de escala da Starlink

A SpaceX opera a Starlink, a maior frota de satélites alguma vez colocada em órbita. Só a sua dimensão representa cerca de dois terços dos 15.447 satélites apresentados na base de dados.

Em vez de lançar apenas alguns satélites de elevado valor, a Starlink aposta na escala. Como resultado, a rede tornou-se num exemplo marcante da infraestrutura orbital comercial.

Redes comerciais entram em órbita
A diferença entre a SpaceX e os operadores tradicionais assinala um importante ponto de viragem. As empresas passaram a deter e operar redes de satélites numa escala que anteriormente estava reservada aos governos.

Isto é relevante porque os satélites deixaram de ser apenas ativos de investigação governamental de nicho. Estão agora a tornar-se infraestrutura crítica para conectividade, dados e resiliência nacional.

A China já tem mais de 1.300 satélites ativos em órbita e continua a expandir rapidamente a sua presença espacial. Entre eles estão satélites militares, sistemas de navegação BeiDou, observação da Terra, comunicações e futuras redes de internet via satélite para competir com a Starlink. O objetivo de Pequim é claro: transformar o espaço numa infraestrutura estratégica para defesa, tecnologia e influência global.

Investir no espaço
À medida que as redes comerciais crescem, a infraestrutura orbital poderá tornar-se um tema de investimento cada vez mais relevante. Satélites, sistemas de lançamento e serviços espaciais fazem todos parte deste ecossistema em expansão.

A economia espacial já está a avançar para áreas como logística, agricultura, defesa e comunicações. Como resultado, os investidores poderão procurar cada vez mais exposição a empresas que impulsionam estas tendências.

terça-feira, 7 de abril de 2026

Who's the Biggest Money Behind the Throne?

Para ver com mais detalhe e ampliação aqui

It’s important that we demonstrated against Trump’s assertion of royal powers.

It’s at least as important to follow the money — and learn the identities of America’s billionaire royalty who crowned Trump in the first place. They’re now spending another regal fortune to keep Congress under his control.

Today I’m going to name names.

As of March 1, according to a new report from Americans for Tax Fairness, the 50 biggest-spending billionaires in American politics had already contributed over $433 million to the upcoming midterm political campaigns.

Not surprisingly, 80 percent of this haul is in support of Republican candidates or conservative issue groups.

Given how early we are in the process, and how contributions tend to accelerate closer to Election Day, 2026 will almost surely set a new record for billionaire money in midterm elections. (Because of our current pathetically weak campaign finance laws, courtesy of the Supreme Court, fat-cat contributors are funneling huge sums through super PACs. While such spending is supposed to be independent of the campaign being supported, rules against coordination are now going largely unenforced.)

Who they are
1. Elon Musk
The single biggest contributor is, of course, Elon Musk — the world’s richest person — who has plunked down almost $71 million into Republican midterm campaigns so far.

Musk contributed a total of $278 million in the 2024 election cycle, mostly for getting Trump reelected. His “investment” has paid off nicely. Musk’s net worth has grown 220 percent since Trump won in 2024.

Musk’s latest cash infusion to Republicans came after his short destructive stint as head of the “Department of Government Efficiency,” where he helped place his cronies into high-level positions throughout the federal government.

Yes, I know. Musk and Trump had a falling out. But since then both have realized they have more to gain as political partners. And now that Musk’s SpaceX satellite system is integral to Pete Hegseth’s Department of “War,” Musk has filed for an initial public offering, seeking a valuation over $2 trillion and potentially raising $75 billion, which would make it the largest IPO in history.

The New York Times reports that Musk participated in a phone call on Tuesday with Trump and Prime Minister Narendra Modi of India. Musk’s companies have taken on significant investment from sovereign wealth funds from Middle Eastern countries, including Saudi Arabia and Qatar, and he has long coveted a greater commercial presence in India.

2. Jeff Yass
Musk is followed in the billionaire-spending-on-politics sweepstakes by Wall Street financier Jeff Yass, who has contributed more than $55 million so far in this midterm election cycle. He’s donated $16 million to MAGA, Inc., Trump’s super PAC, dedicated to supporting candidates he backs.

The Yass donations came as Trump was deciding whether to delay the forced sale of the social media app TikTok, in which Yass was a major investor. Trump repeatedly delayed the sale, saving Yass’s lucrative investment.

In addition, Yass has donated $10 million apiece to the anti-tax Club for Growth PAC; to another PAC that wants to drain funds from public schools to support private ones; and to a PAC that supports the political ambitions of former Republican presidential candidate Vivek Ramaswamy. Yass has also donated $7.5 million to a PAC dedicated to supporting House members of (and House candidates aspiring to belong to) the radical-right Freedom Caucus.

3.Greg Brockman
In third place is San Francisco AI tech mogul Greg Brockman, who has given $25 million in midterm money so far — mostly to Trump’s super PAC, presumably because Brockman wants to dismantle state-level AI regulations through federal preemptive action and thinks Trump will help him.

As president of OpenAI, Brockman recently agreed to let the Pentagon use his company’s AI technology — which his competitor Anthropic publicly refused to do over concerns about mass surveillance and autonomous weapons.

4. Dick Uihlein
Packaging titan Dick Uihlein has long been a major donor to right-wing candidates and causes. (Among the beneficiaries of his largesse have been many politicians who denied Donald Trump’s loss to Joe Biden in the 2020 presidential election.)

The biggest recipients of Uihlein midterm money so far are two super PACs for which Uihlein and his wife are the principal backers: $5 million to Restoration of America, supporting conservative political candidates; and $3.5 million to Fair Courts America, which the Uihleins founded to support conservative candidates for judicial office.

5. Stephen Schwarzman
Private equity mogul Stephen Schwarzman has long been a major Republican Party megadonor. As CEO of the giant investment management company Blackstone, Schwarzman has built a career on predatory business practices and disregard for the public good, while leveraging his immense wealth to rig the system in his favor.

So far in the midterms, Schwarzman has spent: $5 million for Trump’s super PAC; $5 million for the Republican Senate Leadership Fund; $1 million for the Republican Congressional Leadership Fund; and $1 million to a super PAC exclusively backing Republican Senate Whip John Cornyn.

***

As we approach the 250th anniversary of our independence from the British monarchy, it’s more important than ever to commit ourselves to getting big money out of American politics.

As I’ve noted, here’s a potential way to do this without waiting for the Supreme Court to reverse its Citizens United decision or amending the Constitution. Another is through small-donor financing. The two aren’t mutually exclusive; indeed, we should push for both.

Billionaires are not singularly responsible for corrupting our system of government, of course — and not all billionaires are doing this.

But as wealth continues to concentrate at the top, America finds itself in a doom loop in which giant campaign donations from the super-rich buy political decisions that make them even richer.

This doom loop is the power behind the throne on which Trump shits sits.

terça-feira, 17 de março de 2026

"Trump is aiming for dictatorship". That’s the verdict of the world’s most credible democracy watchdog

The Gunman and the Would-Be Dictator [The Atlantic, July 14, 2024]

The US is no longer a democracy. One of the most credible global sources on the health of democratic nations now says this outright. The Varieties of Democracy (V-Dem) Institute at Gothenburg University reaches the alarming conclusion in its annual report, that the US is hurtling towards autocracy at a faster rate than Hungary and Turkey.

“Our data on the USA goes back to 1789. What we’re seeing now is the most severe magnitude of democratic backsliding ever in the country,” says Staffan Lindberg, founder of the institute.

Since 2012, Lindberg has led his small group of researchers in Sweden to become the world’s leading source for analysis of the health of global democracy. In their latest report, published on Tuesday, they conclude that the US, for the first time in more than half a century, has lost its long-term status as a liberal democracy. The country is now going through a rapid process of what the report’s authors call “autocratisation”.

“For Orbán in Hungary, it took about four years, for Vučić in Serbia, it took eight years, and for Erdoğan in Turkey and Modi in India, it took about 10 years to accomplish the suppression of democratic institutions that Trump has achieved in only one year,” Lindberg says.

US democracy is now back at the worst recorded level since 1965, when US civil rights laws first introduced de facto universal suffrage. All progress made since then has been erased, according to the report.

Worldwide, democracy has receded to its lowest levels since the mid-70s. “The world has never before seen as many countries autocratising at the same time,” Lindberg says.

A record 41% (3.4 billion) of the world’s population currently resides in countries where democracy is deteriorating, the report claims, adding that Washington is leading this global turn away from democracy.

The researchers use 48 different metrics to assess democratic health, such as the freedom of expression and the media, the quality of elections and the observance of the rule of law. The resulting “liberal democracy index” shows that the speed with which US democracy is being dismantled is unprecedented in modern history. The main factor is a “rapid and aggressive concentration of powers in the presidency”, Lindberg says. Congress has been marginalised, jeopardising the “checks and balances” (judicial and legislative constraints on the executive) so crucial to US democracy. At the same time, civil rights have been rapidly declining and freedom of expression is now at its lowest level since the 1940s.

“We’ve seen a very fast concentration of power in the executive wing. The legislative branch has practically abdicated its powers to the president. It no longer functions as a check on executive power,” Lindberg says.
Livro lançado em Setembro de 2020, pouco tempo antes de Joe Biden derrotar Donald Trump 1.0

In Donald Trump’s first year as president, he signed 225 executive orders, whereas the Republican-controlled Congress passed only 49 new laws. “Most of Trump’s executive orders were significant. He shut down entire departments of the government, firing hundreds of thousands of employees. The bills passed by Congress were mostly insignificant modifications to existing laws. So, we no longer have a meaningful division between the legislative and executive branches,” Lindberg says.

Congress has been marginalised and freedom of expression is at its lowest level since the 1940s
Meanwhile, the supreme court has also mostly abdicated power, and even when it does strike down Trump’s executive orders, he circumvents it, Lindberg tells me. He points out that there are more than 600 ongoing judicial procedures against the Trump administration in the courts.

Another aspect of America’s rapidly deteriorating democracy, according to the report, is the removal of internal guardrails that protect the federal government from abuse of power. When I ask Lindberg how we should read the findings, his response is emphatic. “Trump has fired inspector generals and higher levels of civil servants across departments, and replaced them with loyalists. This is exactly what Orbán and Erdoğan did. They remove the constraints on power. It should be obvious by now that Trump is aiming for dictatorship.”

So how did a small research institute in Gothenburg become such a credible source on the decline of democracy in Washington? When Lindberg, a soft-spoken political scientist, founded the V-Dem Institute in 2012, global democracy was near its historic peak.

“Back then, we were all researching the process of democratisation, and we were frustrated that the metrics weren’t good enough, so we wanted to create a credible global index that was relevant for the whole community of democracy researchers,” he says.

Five years later, when the institute published its first dataset of global democracy, its experts realised that things were rapidly going in the wrong direction. “Now, all of us researching democratisation have become researchers on autocratisation,” Lindberg says.

At the time, their reports were criticised for “exaggerating” the risks to global democratic stability. “We were called alarmists. But now our warnings seem justified,” Lindberg says.

The core group of a dozen researchers in Gothenburg works with 4,200 researchers in 180 countries, using what they claim to be the largest global dataset on democracy, with more than 32m data points for 202 countries and territories, spanning from 1789 to 2025. “We have universal standards, but also people on the ground to tell us what is actually going on. The reports are 100% scientific, research-driven, and our data is free from bias and state influence, from general punditry and political considerations.”

V-Dem’s report, titled Unravelling the Democratic Era?, should be required reading for Europe, where seven EU member states – Hungary, Greece, Croatia, Slovenia, Slovakia, Italy and Romania – are “affected by autocratisation”, amid signs of governments using media censorship, curbs on freedom of expression and repression of civil society. Portugal and Bulgaria have joined the institute’s “watchlist”.

The report identifies the UK as a “new autocratiser”, driven by “a substantial decline” in freedom of expression and the media. “In the UK, it began before Keir Starmer, with the Elections Act 2022, and the government expanding its power over electoral commissions,” Lindberg says. “The Policing Act 2022 decreased civil rights and free speech. The Online Safety Act 2023 was used to penalise online speech and lawsuits silencing journalists. The Higher Education (Freedom of Speech) Act 2023 increased demands on universities to monitor protests and police free speech. What’s worrying is that once the democratic backsliding begins, it’s often hard to stop.”.

Denmark, Sweden, Norway, Switzerland, Estonia and Ireland top V-Dem’s global democracy index for 2025. The efforts of others, including Poland, are highlighted for attempting to “U-turn” away from autocracy. But only 18 countries across the world are democratising, a historic low.

A single bright spot in the assessment of the US is that free and open elections are still being held, and the electoral system “remains stable for now”. But executive orders since Trump came to power point to new risks for the electoral system.

Threats to bureaucrats and poll workers administering elections are already alarming, Lindberg says. “We’ve seen media reports that 40% of election/poll workers have quit since 2020. And Trump never accepted his defeat then. Why would he accept a defeat now? If we see a denial of the election results in 2026, then it’s a complete democratic breakdown.”

A potential source of cautious optimism may be that Trump’s authoritarian turn is increasingly unpopular. His approval rating is now below 40%. Large numbers of Trump voters are deeply disappointed with the new war in Iran, and with steadily rising living costs. Many of the liberal states that have been Trump targets, such as Minnesota and California, have successfully fought back against threats to civil rights and local communities.

“We’re also seeing more criticism from within the Maga movement,” Lindberg says.

It would be naive, as the report warns, to think that European countries are immune to democratic decline, whatever happens in Washington. “It’s a global trend,” says Lindberg, “so it’s not just America that is driving this. Research clearly shows that the far right, once they gain power, have a high probability of dismantling democratic institutions.” [ Anne Applebaum expert on dictators warns: Don't lose hope - that's what they want]


In many countries across Europe, voters are now mobilising to elect their own versions of Trump, despite the administration’s open threats to the continent and its persistent support for extremist parties that undermine European stability. Establishment conservatives are following along, hoping against reason that things will somehow work out better this time than in previous eras of authoritarian rule. With stark numbers and crystal-clear language, the V-Dem report underscores the risks of this path.