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segunda-feira, 10 de julho de 2023

Utopia - Cartas a José Afonso


"Utopia, cartas a José Afonso"
uma criação de Ana Sofia Paiva e Marco Oliveira

"𝑬𝒖 𝒄𝒐𝒏𝒗𝒊𝒅𝒐 𝒂 𝒋𝒖𝒗𝒆𝒏𝒕𝒖𝒅𝒆 𝒂 𝒏𝒂̃𝒐 𝒂𝒄𝒆𝒊𝒕𝒂𝒓 𝒐 𝒎𝒖𝒏𝒅𝒐 𝒒𝒖𝒆 𝒍𝒉𝒆 𝒆́ 𝒐𝒇𝒆𝒓𝒆𝒄𝒊𝒅𝒐.
𝑨 𝒏𝒂̃𝒐 𝒂𝒄𝒆𝒊𝒕𝒂𝒓 𝒐 𝒎𝒖𝒏𝒅𝒐 𝒒𝒖𝒆 𝒍𝒉𝒆 𝒆́ 𝒊𝒎𝒑𝒐𝒔𝒕𝒐"
- 𝑱𝒐𝒔𝒆́ 𝑨𝒇𝒐𝒏𝒔𝒐

sábado, 31 de dezembro de 2022

Meta 50% menos pesticidas na UE até 2030


Em toda a Europa, a dependência de pesticidas põe em perigo a nossa alimentação, a nossa saúde e as nossas comunidades. Agora, uma conquista importante que significaria o fim dos agrotóxicos está ameaçada pela ganância das corporações agroalimentares.
50% de redução é pouco. Além disso, há países que encaram mal a medida proposta por Frans Timmermans. 2030 é uma meta em que as ONGA vão empenhar-se ainda mais numa Europa menos aditiva. Consultar o relatório da Greenpeace

A Comissão Europeia quer reduzir pela metade o uso de pesticidas químicos até 2030 sob sua nova proposta de sustentabilidade e biodiversidade. Bruxelas insiste que não é uma proibição total de seu uso, embora a meta de 50% seja juridicamente vinculativa.

“Até 2030, metade dos pesticidas químicos deve ser substituída por alternativas, com práticas como rotação de culturas e tecnologias como a agricultura de precisão. Também propomos a proibição de todo uso de pesticidas em áreas sensíveis, como escolas, hospitais, parques e áreas de trabalho e de recreio ", explicou o vice-presidente da Comissão Europeia, Frans Timmermans, em conferência de imprensa posterior.

Caso a proposta avance, os Estados-Membros terão de apresentar relatórios periódicos sobre o seu progresso ao abrigo deste novo regime. Além disso, os fundos europeus estarão disponíveis nos próximos cinco anos para cobrir o custo dos novos requisitos.
Mas muitos governos já se opõem aos novos planos. Eles acreditam que, com a atual crise alimentar, não é o momento certo. "O momento para fazer esta proposta é completamente inapropriado porque estamos em um ponto onde a comida é necessária na Europa. Estamos novamente num debate sobre segurança alimentar na Europa e propor estes dois regulamentos agora é simplesmente inapropriado", disse Herbert. Dorfmann, Deputado do Partido Popular Europeu.

Os planos também incluem uma meta obrigatória de recuperação da natureza para os países repararem 20% dos ecossistemas danificados até 2030. O Comissário Europeu para o Ambiente, Virginijus Sinkevičius, explicou à Euronews que esta ideia é benéfica para todo o mundo. “Temos de deixar de viver na ideia de que agir a favor da natureza, recuperar a natureza, é só custos e não benefícios. A nossa avaliação de impacto mostra que um euro investido traz oito euros de benefício”, defendeu o lituano.

Um dos principais objetivos é reverter o declínio de polinizadores, como as abelhas, que, segundo especialistas, aumentam a produtividade agrícola e ajudam a recuperar os ecossistemas de forma natural. Os planos devem ser aprovados pelo Parlamento Europeu e pelo Conselho da União Europeia antes de se tornarem lei.

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sexta-feira, 4 de novembro de 2022

Pesticidas- publicado o relatório da Pollinis


Relatório aqui

Em junho de 2022, a POLLINIS organizou uma campanha de testes capilares em 44 pessoas, incluindo 30 eurodeputados, jornalistas e cientistas, a fim de detectar a presença de 62 pesticidas, incluindo herbicidas, inseticidas, fungicidas e multiprodutos.

A POLLINIS compilou os resultados desses testes neste relatório que destaca a omnipresença dos pesticidas no meio ambiente, sua persistência e os riscos dessa ampla exposição para a saúde humana.

Os 3 pesticidas mais abundantes (4,4-DDE, aletrina, transflutrina) são inseticidas proibidos na União Europeia. Proibida em uso agrícola, a transflutrina pode ser encontrada em certos inseticidas domésticos. 

O 4,4-DDE é a molécula resultante da deterioração do DDT (metabólito), um inseticida particularmente tóxico para abelhas e polinizadores proibido desde 1978, e particularmente persistente. Este pesticida como seu metabólito também são desreguladores endócrinos.

domingo, 10 de julho de 2022

Palestra: Inseticida - Como os agroquímicos mataram os insetos


Desde 1990, a população de insetos caiu 75% na Europa. Tão cativante quanto alarmante, esta pesquisa internacional destaca o papel dos neonicotinóides, inseticidas neurotóxicos, no desastre ecológico em curso.

Trinta anos atrás, os motoristas tinham que parar regularmente para limpar os impactos no para-brisa. Desde então, 75% dos insetos desapareceram na Europa, ameaçando a sobrevivência de muitos ecossistemas. “Esta é a pior extinção em massa que o planeta experimentou”, alerta o entomologista americano Jonathan Lundgren. Mas como explicar esse colapso? O principal culpado seria procurar neonicotinóides. 

Surgidos no Japão na década de 1990, esses chamados inseticidas "sistémicos", frequentemente usados ​​no tratamento preventivo de sementes, são espalhados por toda a planta para protegê-la de pragas. Mais eficazes do que os pesticidas em spray, eles têm sido amplamente adotados pelos agricultores. Seu mercado, detido por um punhado de multinacionais (Syngenta, Bayer-Monsanto, BASF), pesaria assim entre 3 e 4 mil milhões de dólares em escala planetária. 

Ao mesmo tempo, os estudos científicos estão se acumulando para denunciar os estragos dessas neurotoxinas. Polinizadores ou engrenagens essenciais da cadeia alimentar, os insetos estão morrendo em velocidade recorde, afetando as populações de aves, peixes e anfíbios em cascata. 

A saúde humana também estaria ameaçada: potenciais desreguladores endócrinos, neonicotinóides, cujos resíduos são encontrados em alimentos de origem vegetal, são suspeitos de causar certos cancros e de alterar o neurodesenvolvimento desde a fase fetal. Pressão sobre pesquisadores, tomadores de decisões políticas e autoridades reguladoras, financiamento de estudos favoráveis ​​a seus produtos, testes de certificação tendenciosos: por sua vez, os lobbies agroquímicos estão borrando os caminhos para manter a imobilidade. Depois de bani-los em 2018, a França reautorizou temporariamente os neonicotinóides para o tratamento de beterraba sacarina.

Alternativas atraentes
Do Somme aos Estados Unidos, passando pela Alemanha, Bélgica ou Japão, este documentário, baseado na investigação de Stéphane Foucart "E o mundo ficou em silêncio – Como a agroquímica destruiu os insetos" (Éditions du Seuil, 2019), traça a história dos neonicotinóides e decifra os seus efeitos na companhia de uma série de especialistas: pesquisadores, jornalistas, representantes de ONGs ambientais, deputados, agricultores e apicultores.

terça-feira, 24 de maio de 2022

Químicos tóxicos na agricultura europeia: a “fruta proibida" continua a cair no nosso prato


O uso de químicos tóxicos na agricultura europeia continua a aumentar em vez de diminuir, alerta um estudo divulgado esta terça-feira pela PAN Europa (Pesticide Action Network – uma rede de organizações não governamentais e instituições que trabalha para minimizar os efeitos negativos dos pesticidas perigosos.

O objetivo da Estratégia Europeia “Do Prado ao Prato” e do Pacto Ecológico Europeu é conseguir reduzir em 50% o uso de pesticidas na agricultura até 2030, mas tal ambição está longe de ser aprovada e aplicada. E, ao contrário do recomendado, várias substâncias químicas usadas em pesticidas, herbicidas, inseticidas e fungicidas — que já deveriam ter sido substituídas — continuam a ser usadas na fruta e vegetais que chegam aos supermercados e às nossas casas.

“Este relatório e as suas conclusões contradizem as declarações oficiais de que o uso de pesticidas tóxicos está a diminuir e que os níveis encontrados se encontram dentro dos limites aceitáveis”, lê-se na introdução ao estudo, que também aponta o dedo aos Estados-membros e à Comissão Europeia por “fracassarem na aplicação do regulamento e na proteção dos consumidores”.

Apesar de a União Europeia afirmar que houve uma redução de 12% no uso das 55 substâncias químicas listadas para substituição, um relatório da Comissão Europeia de 2019 dá conta que o prometido “phasing out” (desde 2011) não aconteceu. De acordo com o estudo da PAN Europa, em vez de diminuir, a taxa de uso aumentou 8,8% em nove anos.

Maçãs, Pêssegos, Peras e Cerejas na Lista

Com base na análise de mais de 97 mil amostras de fruta fresca cultivada na Europa, e em dados oficiais dos 27 Estados-membros, o estudo – "Forbidden Fruit” – revela que, em 2019, perto de um terço da fruta continuava a revelar resíduos de pelo menos um dos 32 piores químicos ainda autorizados na União Europeia, que estudos científicos apontam como sendo desreguladores endócrinos, substâncias persistentes, bioacumuláveis e tóxicas estando associados a problemas de fertilidade ou cancerígenos.

Entre estes constam o fungicida “Ziram” (associado a disrupções endócrinas); o insecticida “Pirimicarb” (suspeito de efeitos carcinogénicos), o fungicida “Metconazole” (potenciais efeitos no sistema reprodutor humano). E a PAN Europa quer vê-los banidos rapidamente e para isso está agora a iniciar uma nova campanha nesse sentido.

Entre a fruta analisada, constataram que metade das amostras de cerejas continham mais 152% das substâncias comparadas com as amostras de 2011; um terço das maçãs revelavam mais 117%; e metade das peras e dos pêssegos, respetivamente, mais 103% e 52%.

Já no campo dos vegetais, o aipo, a salsa e as couves revelaram menor contaminação, mas, mesmo assim, houve um aumento de 19% em comparação a 2011.

Entre os países com mais amostras de fruta e legumes contaminados ao fim destes nove anos de análises, destacavam-se a Bélgica (34%), a Irlanda (26%), a França (22%), a Itália (21%) e a Alemanha (20%).

O Caso Português
Apesar de estar fora deste “top 5”, Portugal também usa estas substâncias nocivas. Os investigadores da PAN Europa verificaram que 85% das amostras de peras e 58% das de maçãs produzidas em Portugal continham resíduos dos químicos da lista.

“Estas substâncias deviam estar a ser substituídas, mas isso não está a acontecer em Portugal nem noutros países”, frisa Pedro Horta, da associação Zero. O ambientalista lembra que “o regulamento europeu impõe um procedimento de aprovação dos produtos que contêm estas substâncias que leve à ponderação de alternativas de substituição, sejam de luta química através de substâncias menos preocupantes ou de práticas de prevenção e/ou controlo dos problemas sanitários que o pesticida pretende resolver”. Porém, diz, “segundo a DGAV nenhuma substituição por alternativas foi feita”.

A Direção Geral de Alimentação e Veterinária (DGAV) confirma-o em carta enviada à Zero no início de maio – e à qual o Expresso teve acesso – referindo que “até à data não foi possível proceder à substituição de produtos fitofarmacêuticos contendo CpS [substâncias ativas candidatas para substituição]”. Entre as razões apresentadas pela DGAV estão: “a falta de alternativas visando uma adequada gestão de resistência dos inimigos”; ou o facto de “o produto ser importante tendo em conta os usos menores para os quais se encontra autorizado”.

Em Portugal estão autorizadas 45 das 55 substâncias que deviam estar em “phasing out” na UE.

Armando Torres Paulo, presidente da Associação Nacional de Produtores de Pera Rocha garante que “os produtores nacionais cumprem os regulamentos europeus e não há qualquer problema com o uso dos pesticidas”. E diz que “houve uma redução significativa nos últimos 10 anos”, mas que "a indústria ainda não encontrou alternativas” aos pesticidas usados e os produtores também não.

Pedro Horta aconselha os consumidores a “comprarem fruta local e da época ou produzida em modo biológico”. O mesmo aconselha a diretora de campanha Salomé Roynel: “Comprem produtos biológicos, sobretudo se estiverem grávidas ou a alimentar crianças, para reduzir o risco”. E lembra que “o risco de comer fruta contaminada com pesticidas aumentou dramaticamente”.

A PAN Europa calcula que a batalha com as grandes multinacionais (como Syngenta e a Bayer) se vai agudizar nos próximos tempos e por isso estão a preparar uma campanha de sensibilização junto da opinião pública, para pressionar os decisores em Bruxelas a agir.

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quarta-feira, 30 de março de 2022

Gilles-Éric Séralini: pesticida Roundup contamina alimentos

Seu título por si só promete ser polêmico e acusatório. O livro The Monsanto Papers-The Roundup Scandal não trata diretamente de comprometer os vazamentos do mundo financeiro. Mas sim com a saúde de milhões de pessoas. Escrito pelo biólogo francês Gilles-Éric Séralini, em suas páginas ele afirma que os alimentos consumidos em quase todo o mundo estão contaminados com o agrotóxico Roundup.

A Séralini se especializou nos riscos de OGMs e agrotóxicos para a saúde humana. Juntamente com seu grupo de pesquisa na Universidade de Caen, ele desenvolveu um trabalho sistemático sobre a toxicidade do Roundup. Agora foi transformado em livro pela editora Octaedro e em colaboração com o chef Jérôme Douzelet.

O pesticida Roundup é composto de 40% de glifosato, mas também de resíduos derivados do petróleo "extremamente tóxicos" usados ​​na agricultura intensiva.

O livro alerta para o perigo que representa o uso do Roundup na produção de alimentos na agricultura intensiva e o uso de organismos geneticamente modificados (OGM) resistentes aos pesticidas fabricados pela Monsanto -hoje Bayer- (MonBa), informa a agência Efe .
Gilles-Eric Séralini
O biólogo molecular pesquisa toxicidade há mais de 30 anos e parte de seus estudos refere-se a agrotóxicos. Ele os compilou sob o nome de The Monsanto Papers e eles verão a luz do dia nos próximos dias. Ele observou que as descobertas representam um "sério problema para a saúde das pessoas". As substâncias que são incorporadas aos alimentos causam doenças como câncer, malformações e distúrbios endócrinos, entre outros.

Alimentos contaminados com pesticida Roundup
O Editorial Octaedro indica que o trabalho de Seralini é "corajoso e transgressor". Ele explica como e de que maneira a maioria dos alimentos que comemos está contaminada com Roundup.

Na apresentação de The Monsanto Papers-The Roundup Case Scandal é indicado que “em setembro de 2012, um estudo do biólogo Gilles-Éric Seralini, publicado na prestigiosa revista científica Food and Chemical Toxicology , abalou as bases da poderosa multinacional Monsanto. Líder mundial em engenharia genética de sementes e produção de herbicidas. O artigo deixou claro os efeitos no fígado e nos rins dos dois principais produtos da empresa: o glifosato Roundup e alguns organismos geneticamente modificados para absorvê-lo, como a variedade de milho NK603”.

“O contra-ataque da Monsanto não teve qualquer contenção: pressão sobre os editores para formalizar uma retratação dos resultados do estudo; campanhas para desacreditar e intimidar Seralini e todos que o apoiavam e manipulação de órgãos públicos para burlar as normas que protegem a população”, diz. Seralini afirmou ter sido objeto de múltiplas pressões, humilhações e ameaças da transnacional sediada na Alemanha.

No mundo existem "milhões de pessoas afetadas pela toxicidade do agrotóxico Roundup", disse o biólogo à Agência Efe . No entanto, apenas casos foram levados aos tribunais nos Estados Unidos e no Canadá. Após as primeiras reclamações, a MonBa enfrenta atualmente mais de 125.000 processos na América do Norte. Ainda não houve reclamações na Europa. Os advogados dos queixosos nos Estados Unidos "me contataram", acrescentou o pesquisador,

Não só tem glifosato, causador de doenças graves
A contaminação de alimentos pelo pesticida Roundup "não é apenas glifosato". Séralini destaca que o agrotóxico Roundup é composto por glifosato e produtos altamente tóxicos para a saúde, como derivados de petróleo e metais pesados ​​que causam doenças como o câncer. Conforme catalogado pelo Centro Internacional de Pesquisa sobre o Câncer (CIIC) e pela OMS, que em 2015 indicou que poderia ser cancerígeno e desencorajou seu uso.

No entanto, o Roundup é o pesticida mais vendido do mundo . É utilizado não só nas fumigações da agricultura intensiva, mas também na eliminação de pragas em parques e jardins nas cidades. Em áreas próximas a residências ou centros educacionais e até mesmo em jardinagem particular, sem que os consumidores saibam de “sua alta toxicidade”.

A Espanha é o país da Europa onde o Roundup é mais utilizado para a produção intensiva de alimentos. Contamina não só os produtos, mas também o solo e as fontes de água, como é o caso do Mar Menor. “Por isso decidimos publicá-lo primeiro em Espanha”, onde também são cultivadas sementes transgênicas que são rejeitadas no resto da Europa”, disse o pesquisador.

Séralini e Douzelet são autores de outros livros sobre agrotóxicos. Com isso, eles se sentem otimistas de que a autorização para prorrogar a licença do MonBa, que está pendente de revisão este ano na União Europeia, será negada, após uma prorrogação aprovada em 2017. Uma proposta que o presidente francês Emmanuele Macron havia anunciado que faria propõem coincidir com a presidência francesa do Conselho Europeu.

Fonte: Cambio 16

domingo, 16 de janeiro de 2022

Os filhos da pandemia. O aflitivo retrato de uma professora sobre os efeitos dos confinamentos nos alunos

Os filhos da pandemia não escrevem, não falam, não lêem, não compreendem, não interpretam, não pensam…Retirem-lhes o telemóvel e as redes sociais e ficaremos perante seres desprovidos de qualquer interesse. O retrato de uma geração profundamente afetada pela pandemia, traçado pela professora Carmo Machado.

A geração de professores a que pertenço, nascida na década de sessenta, foi marcada pela utopia e pelo sonho. Acreditávamos que a escola podia fazer a diferença na vida dos nossos alunos, que podia mudar vidas. Recordo com enorme prazer todos os momentos em que tudo – literalmente, tudo – fazíamos pela escola pública, desde gastarmos resmas de papel e tinteiros do nosso parco ordenado, ou dedicarmo-nos – noites a fio – a preparar atividades e instrumentos de avaliação, a organizarmos visitas de estudo, a arquitetar celebrações para isto e para aquilo e a procurar que a escola fosse – e era – um local de prazer para todos.

Esta geração da utopia era constituída por todos aqueles que seguiram a carreira docente por paixão, mesmo quando estavam outras opções em cima da mesa. Depois da licenciatura de quatro anos e de uma formação universitária de especialização em ensino de dois anos, muitos de nós ainda avançámos na pesquisa e tirámos mestrados e doutoramentos, aos quais dedicámos uma boa parte do nosso tempo e do nosso (pouco) dinheiro. Entrámos na carreira docente com amor e foi a ela que dedicámos grande parte da nossa vida.

Depois… Depois começaram as alterações às regras na carreira sem qualquer aviso prévio, tentaram dividir-nos em professores titulares e professores não titulares, anularam direitos consagrados no nosso estatuto, congelaram-nos os ordenados e a imaginação e, por fim, roubaram-nos descaradamente muitos anos de serviço que, não sendo a solução para o nosso baixo poder de compra, podiam no mínimo permitir-nos uma maior – ainda que leve – dignidade profissional e pessoal. Com que tristeza ouço com frequência dizer a um professor que raramente compra livros ou vai ao teatro. De facto, fizeram de nós meros funcionários e das escolas meras repartições públicas de ensino de massas, transformadas em verdadeiras fábricas de papel!

Não querendo aqui balizar o primeiro grande momento da derrocada da dignidade docente, talvez me atrevesse a referir os quatro anos e sete meses de má memória em que Maria de Lurdes Rodrigues foi ministra da Educação (a ministra que cumpriu o maior mandato à frente da Educação em Portugal). Mas muitos outros se seguiram e parece não se prever um fim. Entretanto, e se estivermos – como estamos – atentos à comunicação social, raro é o dia em que os temas relacionados com os professores (ou a falta deles), os alunos, as escolas e o ensino em geral não estão na ordem do dia.

Vários estudos têm vindo a lume sobre duas problemáticas de grande atualidade: por um lado, a já existente escassez de professores e, por outro, sobre os efeitos da pandemia nas aprendizagens dos alunos. De facto, sobre a primeira, sabemos que nos próximos anos, praticamente quase todos os professores que são referência nas nossas escolas – pela sua entrega à profissão, pela sua humanidade, pelo seu espírito de missão, pelos cargos desempenhados com competência, pela pedagogia, pelo amor ao ensino e ao alunos, ter-se-ão reformado. A escola, como eu a conheci, está a desaparecer todos os dias. Recordo com saudade e um sorriso no rosto os jantares de Natal, os almoços de Páscoa, as sardinhadas pelo Santo António seguidas de baile com acompanhamento musical a preceito, as castanhas e a jeropiga deixada na sala dos professores, os lanches de cada turma no final de período, com mesas repletas de tudo um pouco, as viagens e as visitas de estudo organizadas e feitas com tanta alegria e companheirismo, a amena cavaqueira entre alunos e professores, nos intervalos das aulas, pelos corredores, no bar ou na sala de convívio… Até recordo com carinho as muitas aulas dadas de luvas e gorro, quando o frio era insuportável e entrava pelas janelas que mal fechavam, os aquecedores que trazíamos de casa e colocávamos, às escondidas, para nos aquecermos todos, professores e alunos. Nesses tempos, fazíamos tudo pela escola e éramos felizes. Quem matou a escola pública? Quem nos matou?

Mas é sobre os efeitos da pandemia nos nossos alunos que hoje importa falar. Chegámos ao final do primeiro período de mais um ano escolar atípico, em que os alunos apesar de estarem presencialmente nas nossas salas de aula, transportam às costas pesadas mochilas carregadas de profundos traumas provocados pelo confinamento e pelos dois anos letivos anteriores, vividos com muito esforço pessoal e familiar, entre ensino à distância e confinamento. O estudo "Efeitos da Pandemia Covid-19 na Educação: desigualdades e medidas de equidade”, solicitado pelo Parlamento ao Conselho Nacional de Educação, veio apenas clarificar junto da opinião pública algumas das consequências observadas, sentidas e vividas pelos professores e decorrentes do contacto diário com os alunos. Se o aumento da ansiedade e de estados de depressão foram uma realidade constatada por todos nós, é sobretudo nas aprendizagens que situação é preocupante.

sexta-feira, 26 de março de 2021

Professores portugueses do 3º Ciclo são os europeus com mais stress e mais insatisfeitos com o salário


Os professores portugueses do 3.º ciclo são os europeus que mais se queixam de stress, os mais insatisfeitos com o salário e os que têm carreiras mais precárias, revela um estudo divulgado esta quarta-feira.

Quase nove em cada 10 docentes portugueses que dão aulas a alunos do 7.º ao 9.º ano disseram sofrer "muito" ou "bastante" de stress quando estão a trabalhar, segundo o relatório "Professores na Europa: Carreiras, Desenvolvimento e Bem-Estar" da Eurydice, um organismo da Comissão Europeia.

A rede de informação sobre os sistemas educativos na Europa comparou a situação dos professores dos 27 estados-membros e de outros países europeus e concluiu que o stress é "comum entre os professores europeus".

No entanto, numa comparação com a situação vivenciada nos outros países, Portugal destaca-se pela negativa, uma vez que a média europeia de docentes que se queixa de stress fica-se pelos 50% e em Portugal chega aos 87,2%. Depois de Portugal surge a Hungria e o Reino Unido, com 70% dos docentes a admitirem sofrer do mesmo mal.

Segundo o relatório, o "mais preocupante" é que nestes três países a percentagem de professores que se sente "muito stressado" é "muito superior aos valores médios dos países europeus". Em média, 16% dos docentes europeus sentem-se "muito stressados", enquanto em Portugal são 35%. Já no que toca a docentes "bastante stressados", a média europeia é de 31% contra 53% dos portugueses.

Entre as razões pelas quais os portugueses consideram que o trabalho pode ser stressante estão o trabalho administrativo e o "manter-se a par das mudanças exigidas pelas autoridades".

"Em França, Malta, Lituânia e Portugal, mais de 60% dos professores atravessam momentos de stress devido às mudanças, vivem em stress devido às mudanças requeridas pelas autoridades", refere o relatório da Eurydice.

Questionados se estavam satisfeitos com o seu salário, apenas 37,8% dos europeus considerou o ordenado satisfatório ou muito satisfatório.

Nesta análise, os portugueses voltam a surgir no fim da tabela, agora ao lado dos islandeses: Menos de um em cada 10 mostrou-se satisfeito com o salário, ao contrário dos Austríacos e Belgas (70%).

Portugal é também referido como um dos exemplos com mais docentes com contratos a termo: "Embora a percentagem de contratos a termo certo normalmente caia à medida que os professores envelhecem, em alguns países existem elevadas percentagem de docentes na faixa etária dos 35-49 anos que ainda estão em empregos temporários como, por exemplo, em Espanha (39%), Itália (32%) e Portugal (41%)".

Os portugueses são também dos que mais se queixam dos impactos negativos do trabalho na saúde física e mental, segundo os resultados do Inquérito Internacional de Ensino e Aprendizagem 2018 (TALIS - Teaching and Learning Internacional Survey), da OCDE, utilizado no relatório hoje divulgado.

Na Europa, um em cada quatro professores (24%) considera que o trabalho diário afeta a sua saúde mental e 22% apontam consequências físicas.

Os portugueses surgem ao lado dos belgas com "mais de metade dos docentes a considerar que o seu trabalho afeta negativamente a sua saúde física e mental", refere o inquérito.

Além dos 27 estados-membros da UE, o relatório analisou e comparou também a situação dos professores do Reino Unido, Albânia, Bósnia Herzegovina, Suíça, Islândia, Liechtenstein, Montenegro, Macedónia, Noruega, Sérvia e Turquia.

O relatório teve por base um levantamento de informações feito antes da pandemia e na sua introdução sublinha o papel dos docentes no último ano, em que as escolas fecharam e estes profissionais se mantiveram em contacto com os alunos.

sexta-feira, 8 de julho de 2011

Escola- Balanço de Avaliações: "Electrónica" lenta! A lentidão é o orgulho da Escola! Colectivamente precisamos novamente do TEMPO para a focagem!

 "Electrónica" lenta! A lentidão é o orgulho da Escola! E colectivamente precisamos novamente do TEMPO para a focagem!




Ontem a minha escola convidou o Professor Doutor Joaquim Azevedo para nos falar sobre a  Escola para o séc. XXI e a autonomia das Escolas. E dessa palestra resultou algumas ideias que eu sublinharei nesta minha crónica.
Numa sociedade cada vez mais acelerada e informatizada e tele-comunicativa....o que observamos? Escolas a telecomando/telecontrolo central. Decreta-se isto, há prazos de entrega para ontem, despachos e decretos de lei via email aos sábados....

Voltando ao "interesse" da sociedade pelos trabalhos dos nossos alunos, ao mundo, à tele-informática, à questão dos tele-pais e à "realidade" do tele-mundo e tele-centrão no real das nossas vidas, e na Escola. Quando vi o video vencedor da ESAG no youtube ia apenas no meros 420 ontem de manhã. Coloquei no meu blogue http://bioterra.blogspot.com/2011/07/para-ser-grande-se-inteiro-trabalho-dos.html e subiu mais uns 42 visualizações. Mas que bom! É por aí! E porquê isto?

Porque a escola precisa deste TEMPO:)  Referiu o Professor Joaquim Azevedo, que ela é por natureza lenta, tranquila e de pequenos percursos... Acrescento eu até que alunos e professores atingem os patamares seguintes, após a transmissão do passado cultural, científico e artístico aos nossos jovens como estudantes e como agentes de mudança e de crescimento social e não como assistimos cada vez mais a Escola treinada para exames/testes. As Novas Oportunidades são a alavancagem de promoção social de muitos trabalhadores/reformados e  uma vida mais gratificante. Assim o desejamos todos. Contudo, como aconteceu com a formação de adultos para empresas, rapidamente os objectivos finais perdem-se em burocracias e rituais que desdignificam o acto ensino-aprendizagem-saídas profissionais (lembremo-nos que em Portugal continuamos a ter mão de obra muito mais qualificada que o próprio patronato e por vias legais a sub-contratação acaba por beneficiar quem tem menos habilitações). E depois temos um sub-mundo da economia paralela e de uma "familiarização" pela fuga ao fisco transversal a muito sectores da sociedade. Bem, creio que posso estar a fugir da focagem...Voltemos ao Poema Grande
Para ser grande, sê inteiro: nada
Teu exagera ou exclui.
Sê todo em cada coisa. Põe quanto és
No mínimo que fazes.
Assim em cada lago a lua toda
Brilha, porque alta vive

                  Ricardo Reis
O Professor acusou ainda que a sociedade fixou-se no interesse pelos exames. É uma falsa questão. Se a sociedade quer mais exames, muitos serão resultados FABRICADOS. Queremos uma Escola- Empresa? Com as imensas injustiças já evidentes?

A escola é um local de trabalho, de sonho, onde é difícil deve medir o "invisível" que é o salto intelectual e o crescimento da PESSOA, tanto do mestre como do aprendiz.
Há várias Educações: a Educação Escolar, a Educação Familiar, a Educação Ambiental, a Educação Empresarial, etc...

O Professor Joaquim Azevedo frisou e repetiu imensas vezes que é urgente distinguir a Educação Escolar da Educação Familiar. São universos completamente distintos.
E já todos os portugueses se questionaram que a Escola é de FACTO uma das organizações sociais que mais gente bem qualificada agrega?

E concluiu a sua intervenção com uma pergunta provocadora: Não estaremos, nós a Escola e a sociedade, suficientemente confiantes em avançar com a verdadeira Autonomia das Escolas?

Mas acredito que noutros sectores, como no Ambiente. Justiça e saúde- precisamos todos de recuperar o TEMPO para nós próprios e para a focagem. Chega de mudanças e este mundo esgotado e disperso e "vazio" e cheio de mini-sociedades e vasos pouco comunicantes. Enquanto isso, vemos avenidas financeiras tremendamente eficazes e controladoras (para o bem e para o mal). Temos que trabalhar as fronteiras e permeabilizar os processos. É nos processos que a Humanidade cresce, fica mais justa e feliz. Não em econometrias e regulações "decretadas" e no cinismo das empresas de notação e mesmo nas posições sonsas dos peritos em "mercados". Primeiro conquistam-nos e depois desejam o mundo. 

As pessoas não são mercadorias nem comerciáveis.

Finalmente uma última provocação:
As organizações económicas até parecem que são as únicas com a pretensão social da "realidade" mas elas como vemos estão a espetar-nos para o abismo: o que dizem outras organizações sociais? Com gente muito mais graduada até que as sociedades banqueiras e os "cuscas" das dívidas soberanas dos povos? Não seremos capazes de tomar as rédeas e CONSTRUIR avenidas de sustentabilidade?!

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

Lembrando António Sérgio

Li, sem grande surpresa mas com grande consternação, que são os professores contratados, os mais novos, que estão a entregar os objectivos individuais e, com isso, a boicotarem um processo de objecção a um corpo legislativo absolutamente estúpido e extremamente penalizador do país e da profissão. A ausência de surpresa deve-se ao que tenho visto nesses jovens professores. Salvo honrosas excepções, são uma cambada de cobardes absolutamente servis e, portanto, sem o mínimo das condições exigidas para leccionarem numa escola que deveria pretender formar homens livres e não meros carneiros. Contudo, e embora talvez eles próprios já sejam vítimas desse modelo educativo castrador de liberdades e fomentador do mais miserável servilismo, deveriam fazer um acto de contrição e tomarem consciência que não se pode ensinar ninguém a andar de costas direitas quando o exemplo que vêm é de alguém que rasteja, no intervalo das vénias, pelos corredores e salas das escolas. Isto parece-me ser do mais elementar bom senso. Infelizmente conheço-os e sempre me espantou esta cobardia miserável, sobretudo da parte de quem tem mais a perder com o novo pacote legislativo e teria menos consequências no caso de o ajudar a fazer implodir. Os contratados parecem não perceber que são, cada vez mais, o núcleo fundamental do modelo escolar demencial que tem vindo a ser implementado, já que, por não estarem na carreira e por isso auferirem os mais baixos salários sem quaisquer regalias, são os mais apetecíveis para a vil mentalidade que nos tutela. Como a enormíssima maioria da classe docente, também eu fui contratado durante vários anos e andei por aí à maçã do chão, como sempre costumei dizer. Como tal, conheço bem a situação, mas nunca verguei as costas, nem nunca deixei que me pusessem a pata em cima, pelo contrário, sempre pautei as minhas atitudes pelo mais elevado padrão de exigência e respeito. Ouvia os mais velhos e procurava aprender com eles o que achava que me era útil e respondia-lhes frontalmente quando necessário. Aprendi que os professores eram uma classe nobre e livre, precisamente por não se deixarem vergar, subjugar e não terem patrões a quem tivessem que responder servilmente, tínhamos colegas que ocupavam, por vezes, funções de chefia e era tudo.
Nos últimos anos, o que tenho reparado é que cada fornada de jovens colegas vem pior que a anterior, têm medo de tudo, obedecem a tudo, fazem de tudo e para quê? Para serem ainda mais espezinhados do que já são? O que espera ganhar com isso essa canalha cobarde que tem invadido as escolas? Como podem esses indivíduos, que não têm respeito por si próprios, ensinar futuros cidadãos a serem livres e a exigirem para si o respeito que todos merecemos? Deixem-me invocar António Sérgio, passados quarenta anos sobre a sua morte, a 24 de Janeiro de 1969, pedagogo e pensador brilhante que permanece mais esquecido do que no tempo de Salazar. Não será, sem dúvida, por acaso. Dizia, pois, o nosso estimadíssimo Sérgio em 1915: A albarda da resignação trazemo-la todos da escola.[1] É isto que querem perpetuar? Julgo-me afortunado por ter conseguido escapar a este destino mas, em grande parte, devo-o aos meus professores e aos meus colegas que me ensinaram a pensar pela minha cabeça e a resistir e lutar contra o que não considerava ser correcto. É grande parte do que tenho ensinado aos meus alunos e aos colegas mais novos com que lido, porém cada vez mais me parece falar para o boneco, essa gentinha já me aparece tão formatada que é quase impossível trespassar a albarda da resignação em que os formaram. Hoje vivemos um momento gritante em que essa experiência de vida os pode fazer deitar tudo a perder, ou se endireitam agora ou viverão curvados para sempre. Por isso não tenho parado de vos exortar, de escrever e tentar passar esta mensagem que julgo ser vital para a sobrevivência da intelectualidade e mocidade portuguesas.
Ainda vou mais longe, e continuo a lembrar-vos António Sérgio,[2]o objectivo mínimo para qualquer aluno de qualquer escola é não lhe fazer mal. A escola tem sido um acervo de coisas maléficas, de tratos diabólicos, de prescrições tirânicas: e é já importantíssima reforma a simples anulação das coisas más. Grande programa: não fazer mal![3] E, infelizmente, nós pactuámos com isso, esta reforma do ensino é um exemplo acabado de um programa para criar escravos, sobretudo nos cursos profissionais, que não é mais do que um ensino de segunda para impedir qualquer concorrência futura com os educados no ensino regular. Obviamente, para criar um ensino formador de escravos servis, ter-se-ia que operar, primeiro, a escravização e servilização dos professores, homens livres e de livre pensamento recusam-se a formar escravos, foi precisamente isso que a nova legislação veio fazer, nomeadamente através dos novos estatuto da carreira docente e gestão escolar. É por isso que me tenho batido tanto contra tudo isso e custa-me aceitar que colegas meus o não entendam… Essa canalha está a pactuar com a canalha que quer fazer mal à escola pública e aos alunos, quer formar cidadãos servis que aceitem tudo sem pestanejar e é contra isso que erguerei sempre a minha voz. A minha avaliação está feita, é clara e que se lixe a deles. Recuso ser servil e mais ainda, recuso a ensinar alunos a tornarem-se escravos incutindo-lhes a albarda da resignação de que nos falava António Sérgio. Talvez por isso, pelo menos assim espero que seja, a sua sobrinha-neta, Matilde Sousa Franco, deputada do PS, tenha sempre votado contra, por ter lido e percebido as obras e a lição que o seu ilustre parente nos deixou. Apenas lamento que no artigo que escreveu, recentemente, num jornal, não tenha aludido claramente a tudo o que aqui deixo dito e que, em enormíssima parte, pertence a este, injustamente esquecido, pensador e, para mim, figura cimeira do século vinte português. Ganhou o seu arqui-rival? Sinal dos tempos e da merda de povo em que nos tornámos.

Notas:
[1] Cf. Educação Cívica, 1915, foi reeditado, em 1984, pelo Ministério da Educação e, apesar do número de 25 000 exemplares garantir que existe em quase todas as escolas, devia ter sido lido pelos professores e não foi.
[2] Cf. Divagações pedagógicas. A Propósito de um Livro de Wells. 1923 in Ensaios, tomo II, Sá da Costa.
[3] Seria bom para os amantes de tudo o que é estrangeiro que se dessem ao trabalho de ler Karl Popper, que viria a escrever esta ideia mais de quinze anos depois… Contudo, como eu já sei o que a casa gasta, poupo-vos esse trabalho e transcrevo o texto: ‘o princípio de que aqueles que nos são confiados, antes de mais, não devem ser prejudicados, deveria ser reconhecido como tão fundamental para a educação como o é para a medicina. ‘Não causes dano’ (e, portanto, ‘dá aos jovens aquilo de que mais urgentemente necessitam a fim de se tornarem independentes de nós e capazes de escolher por si mesmos’) seria um objecto valiosíssimo do nosso sistema educacional, cuja realização é algo remota, embora nos pareça modesto.’ Karl Popper, A Sociedade aberta e os seus Inimigos (escrito entre 1938 e 1943), Editorial Fragmentos, Lisboa, 1993, 2ºvol., p.271. 
Isto, meus caros, era precisamente o que defendia e escrevera António Sérgio muitos anos antes.

Para Saber Mais sobre este Ilustre Pensador Português

Maria Helena Pereira, António Sérgio – Biografia (2002)
Pedro Calafate, Centro Virtual Camões - Filosofia Portuguesa (1998-2000)
Ciberdúvidas da Língua Portuguesa, Antologia António Sérgio (1998)

domingo, 9 de novembro de 2008

120 mil professores, 120 mil Portugueses na rua


E voltou-se a fazer história. Depois de em Março, 100.000 professores terem descido a Avenida da Liberdade, Lisboa foi hoje invadida por 120.000, naquela que será a maior manifestação de professores jamais realizada em Portugal.[Fonte: Expresso Multimedia]

Comentário: A Ministra da Educação afirmou que a manifestação se trataou de uma guerrilha eleitoral, como se os Professores não fossem todos do mesmo País e vivêssemos num Estado democrático. Mais, os 20.000 professores avaliados no ano anterior foram os professores contratados (agora o Ministério da Educação não faz a distinção, porque lhe interessa). A manifestação não foi apenas pela suspensão desta avaliação. A manifestação conjunta de sindicatos e movimentos independentes foi também pela protecção da Escola Pública (contra as passagens administrativas dos Alunos, contra o novo estatuto do Aluno, fim da Escola em meios rurais, pelo direito de ensino gratuito a todas as crianças e jovens Portugueses), pela não divisão da carreira, contra as horas extraordinárias não-pagas e porque ao Professor é exigido demasiadas competências administrativas, restando pouco tempo e tranquilidade exigidas para Ensinar os Alunos. Além disso o Professor é apenas mais um cidadão. O seu trabalho desenvolve-se dentro da realidade envolvente que encontra (meios sócio-económicos e situação familiar dos Alunos da Escola ou Agrupamento onde o Professor está inserido). Só pode ser assim. Cabe aos outros agentes sociais cooperarem em benefício dos seus jovens e crianças e promover um Ensino Público justo, dinâmico certamente mas com qualidade e enquadrado com as políticas sócio-ambientais. Seremos capazes?

sexta-feira, 29 de fevereiro de 2008

Os Professores estão cansados de tantas normativas que não pediram.Exigimos respeito....todos na Marcha da Indignação 8 de Março


ASSIM NÃO SE PODE SER PROFESSOR
Permanentemente desrespeitado e desconsiderado pelos responsáveis do ME, entre outros governantes;
Sujeito a horários de trabalho pedagogicamente desadequados e que retiram qualidade ao desempenho dos docentes;
Com um ECD que desvaloriza os profissionais e a função docente e que urge ser renegociado;
Com uma avaliação dos professores que é burocrática, injusta e ofensiva dos profissionais e que deve ser urgentemente alterada;
Com o tratamento dado a docentes que deram o melhor de si à Educação e agora serão remetidos para supranumerários, como se de trapos velhos se tratassem;
Com a tremenda instabilidade em que vivem milhares de professores contratados, muitos outros milhares no desemprego e a quem, o ME, pretende retirar a qualidade de docente com o designado exame de ingresso a que os sujeitará.
Também no Ensino Superior, o problema da precariedade e do desemprego atinge proporções inéditas e extremamente preocupantes.

A ESCOLA PÚBLICA NÃO AGUENTA MAIS ESTA POLÍTICA
Que degrada as suas condições de trabalho e o seu funcionamento em resultado de uma cada vez maior desresponsabilização do Estado e de um crescente desinvestimento público;
Que aponta para a desvalorização do primado do pedagógico face ao administrativo, por via de um regime de direcção e gestão que reduz ao mínimo ou liquida espaços e princípios de participação democrática;
Que retira capacidade de resposta aos alunos com necessidades educativas especiais, ferindo de morte princípios essenciais da escola inclusiva; Que prevê privatizar o parque escolar do Secundário e entregar aos municípios todas as responsabilidades em relação à Educação Pré-Escolar e Ensino Básico;
Que já encerrou mais de 2.000 escolas e prevê encerrar, ainda, outras tantas;
Que transforma o que deveria ser uma escola a tempo inteiro, num conjunto de ofertas [prolongamento de horário, AEC's] sem qualidade nem regulação; que se prepara, para, em nome da poupança degradar a qualidade do ensino no 2º Ciclo do Ensino Básico;
Que empurra as Instituições de Ensino Superior Público para a privatização.

E também não se pode ser professor com tanta incompetência da equipa ministerial. "No que meteu as mãos, o ME criou confusão e embrulhada, sendo responsável por centenas, eventualmente milhares de processos em Tribunal", observou o secretário-geral da FENPROF, que apresentou de seguida alguns dos muitos exemplos possíveis:

- Foi o concurso de professores: apesar de, este ano, abranger poucos docentes foi uma confusão (portarias em férias, docentes do grupo 210, a colocação na Educação Especial de docentes sem formação).

- Foi o acesso a titular: com todas as confusões, irregularidades e ilegalidades cometidas.

- É a avaliação dos professores: mergulhada num mar de confusões e com orientações do ME que contrariam decisões do Tribunal.

É caso para dizer que esta equipa ministerial, no que deita a mão, estraga! Uma equipa e um Governo que, além disso, preferem o insulto à negociação, preferem a mentira à assunção dos problemas, preferem a demagogia à verdade!- frisou Mário Nogueira.

Esta Marcha da Indignação dos Professores surge como uma iniciativa da FENPROF. Contudo, a sua promoção não se encontra fechada. Convidamos todos os professores e educadores, convidamos todas as organizações que os representam para se juntarem e serem promotores: organizações sindicais, associações, movimentos, explicou Mário Nogueira, que definiu esta acção como prioridade do trabalho da FENPROF. Óscar Soares e Manuela Mendonça também falaram aos jornalistas, contribuindo para o esclarecimento de algumas questões colocadas no período de perguntas e respostas, no qual se reafirmou que a luta dos professores também tem em conta a qualidade do ensino, os alunos e toda a comunidade educativa.

Abaixo-assinado
em Março

Entretanto, vai também ser posto a circular, em Março, um abaixo-assinado de exigência de horários de trabalho pedagogicamente adequados. Simultaneamente, na net, vai circular uma carta para, individualmente, os docentes contratados e desempregados protestarem contra o designado exame de ingresso.

E depois? O que farão os professores no 3º período? - interrogaram os jornalistas. Nogueira esclareceu:
Sozinhos ou em convergência com outros sectores da Administração Pública ou mesmo do privado, essas serão as decisões a tomar pelo Conselho Nacional da FENPROF que reúne em 10 e 11 de Março. Ou o ME muda de atitude ou o 3º período, nas escolas, será tudo menos tranquilo. Ou o Governo muda de política e de medidas ou os professores tornar-lhe-ão muito difícil a vida no período que resta da Legislatura, assumindo a FENPROF, nessa luta, as responsabilidades que se exigem à organização sindical que é mais representativa! (Fonte:Fenprof)


Intervenções de Ana Drago na Assembleia da República (Vídeos):

quarta-feira, 30 de maio de 2007

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Ler esta postagem: Um professor sempre afecta a eternidade


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