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sexta-feira, 26 de junho de 2026

Pode HAARP provocar terramotos? Verdade por trás do boato que surge após cada desastre natural


Sempre que ocorre um grande desastre natural, o termo HAARP volta a ser tendência nas redes sociais. Já aconteceu depois de terramotos, furacões, inundações ou incêndios florestais. Os recentes sismos registados na Venezuela não foram exceção.

Em plataformas como a X circularam mensagens que afirmavam, sem provas, que os Estados Unidos teriam usado o projeto HAARP para provocar os terramotos. Vários meios especializados em verificação desmentiram estas afirmações e lembram que não existe evidência científica que as sustente.

O que é afinal o projeto HAARP
HAARP é o acrónimo de High-frequency Active Auroral Research Program (Programa de Investigação de Aurora Ativa de Alta Frequência). Trata-se de uma instalação científica situada no Alasca cujo objetivo é estudar a ionosfera, uma camada da atmosfera terrestre localizada entre cerca de 60 e mais de 500 quilómetros de altitude.

Segundo explica a própria entidade, utiliza ondas de rádio de alta frequência para gerar pequenas perturbações controladas nessa região da atmosfera e compreender melhor fenómenos que afetam as comunicações por rádio, a navegação por satélite e outros sistemas tecnológicos. Entre 1993 e 2014 foi gerida pela Força Aérea e pela Marinha dos Estados Unidos e, desde 2015, pertence à Universidade do Alasca Fairbanks.

A instalação sublinha ainda que as suas experiências são públicas e que a investigação está centrada exclusivamente no estudo da ionosfera.

Porque é associado a terramotos e outros desastres
Apesar de o programa ter uma finalidade científica, há anos que o HAARP é alvo de numerosas teorias da conspiração.

Em diferentes momentos foi-lhe atribuída falsamente a capacidade de provocar terramotos, furacões, inundações, incêndios florestais ou até controlar o clima. Após a DANA que assolou a Comunidade Valenciana em outubro de 2024, por exemplo, voltaram a circular nas redes sociais mensagens que garantiam, sem provas, que a catástrofe tinha sido provocada pelo HAARP.

Uma investigação da equipa de verificação da Euronews documentou como estas teorias da conspiração se propagaram em diferentes idiomas e desmontou várias das afirmações que se tornaram virais.

Narrativas semelhantes também reapareceram após os terramotos em Marrocos e na Birmânia ou depois do furacão Milton nos Estados Unidos. Após os terramotos na Venezuela, voltaram a difundir-se publicações que afirmavam que os Estados Unidos tinham utilizado o HAARP para danificar infraestruturas do país ou provocar os sismos. Mas trata-se de um boato sem base científica.

Pode o HAARP provocar terramotos ou controlar o clima
A resposta, segundo os responsáveis pelo projeto e a comunidade científica, é negativa.

No seu apartado de perguntas frequentes, o HAARP salienta que as ondas de rádio que utiliza interagem apenas com a ionosfera e não com a troposfera nem com a estratosfera, as camadas inferiores onde se desenvolve o tempo atmosférico. Por isso, garante que não tem capacidade para modificar o clima.

Os investigadores acrescentam que o HAARP também não pode provocar nem intensificar fenómenos naturais como terramotos, furacões ou inundações. Os sinais emitidos pelo HAARP destinam-se a estudar processos físicos na atmosfera superior e não têm capacidade para alterar a crosta terrestre nem os processos geológicos responsáveis pelos sismos.

Os verificadores que analisaram as mensagens difundidas após o terramoto na Venezuela recordam ainda que não existe nenhuma evidência científica que relacione o HAARP com a atividade sísmica.

Teoria da conspiração que ressurgue após cada grande desastre
O caso da Venezuela segue um padrão habitual na desinformação sobre fenómenos naturais. Sempre que ocorre um terramoto ou um episódio meteorológico extremo, voltam a surgir publicações que atribuem o fenómeno a tecnologias secretas ou a alegadas armas climáticas, apesar de não existir evidência científica que sustente essas afirmações.

O HAARP tem sido um dos protagonistas recorrentes dessas narrativas. As autoridades do projeto insistem que o HAARP tem uma finalidade exclusivamente científica: estudar a ionosfera para melhorar o conhecimento sobre as comunicações e o denominado 'clima espacial', um conceito distinto do clima terrestre. Segundo os responsáveis, a instalação não tem capacidade para controlar o clima nem para provocar terramotos.

quarta-feira, 20 de maio de 2026

Noruega destaca-se como “o país europeu que mais portugueses expulsou” em 2025?


Não. Em 2023, o Polígrafo já tinha verificado um post onde era visível um artigo do “Público”, ilustrado com os retratos de oito indivíduos negros, que supostamente teriam sido expulsos da Noruega. A notícia, apesar de verdadeira, não tem qualquer relação com a imagem utilizada. Agora, repete-se a alegação, completamente desprovida de contexto.

O artigo foi publicado em 2022 e, consequentemente, diz respeito a 2021. Nesse ano, dos 370 portugueses deportados, 276 (74%) foram realmente expulsos de países europeus, sendo que, de acordo com o Relatório Anual de Segurança Interna (RASI) de 2021, 95 desses foram obrigados a abandonar a Noruega, mais do que qualquer outro país. As autoridades norueguesas especificaram ainda que o número não só engloba expulsões, como também recusas de entrada e permanência.

A estatística, no entanto, volta a ser partilhada em 2026, referindo-se assim ao ano de 2025. Ora, o RASI de 2025 aponta para um total de 352 portugueses que receberam ordens de saída em todo o mundo, dos quais 219 foram afastados de países na Europa. Ao contrário do registado em anos anteriores, a Noruega não consta sequer dos países referidos neste contexto.

Tal como mencionado, as fotografias que acompanham o post não mostram portugueses afastados de qualquer país. Na realidade, são retratos de criminosos detidos em 2017 por tráfico de droga em Londres. De facto, alguns dos homens detidos têm nomes em língua portuguesa, como Bruno da Silva, Evanildo Gomes ou José Mário Sá. Porém, nenhuma das penas aplicadas consistiu na expulsão de qualquer um dos condenados, cujas penas variaram entre nove meses e quatro anos de prisão.

Em conclusão: os números indicados na publicação estão desatualizados e, no último ano (2025), a Noruega não foi o país europeu que mais portugueses deportou; as imagens não correspondem a indivíduos de nacionalidade portuguesa, nem a indivíduos deportados da Noruega. Duas falsidades numa mesma publicação.

quinta-feira, 5 de março de 2026

Rosetta Stone - Tomorrow For Us


You're so much better than them
Congratulations on that
Simplify, generalize and condemn them

[Verso 1]
Do you think this was a choice for me?
That I threw my life away for a chance to live in poverty
A sequence of events on repeat for infinity
A costly price you intervene to set us free

[Refrão]
There's no tomorrow for us
No tunnel of light for us to see
No opportunities for us
No aspirations or dreams
Our communities are fucked
Evolved to shit where we eat
No one'll want to nurturе us
One line the privilеged leads

Enjoy your life through random view
No need to wage success
You were born with the best
Of everything

[Verso 1]

[Refrão] 3X

Sites
Brandcamp
Youtube

O single “Tomorrow For Us” foi lançado em 2019 e associado ao álbum Seems Like Forever.

A música 'Tomorrow For Us' da banda Rosetta Stone é uma poderosa crítica social que aborda temas de desigualdade, desesperança e a falta de oportunidades. A letra expressa um sentimento de frustração e resignação diante de uma realidade imutável e opressiva. Desde o início, a canção destaca a superioridade percebida de alguns em relação a outros, com a linha 'You're so much better than them' (Você é muito melhor do que eles), sugerindo uma divisão clara entre diferentes classes sociais.

A repetição da pergunta 'Do you think this was a choice for me?' (Você acha que isso foi uma escolha para mim?) enfatiza a falta de controle que muitos têm sobre suas próprias vidas, sendo forçados a viver em condições de pobreza e sem perspectivas de melhoria. A letra também menciona uma 'sequência de eventos em repetição para a eternidade', sugerindo um ciclo vicioso de desvantagem e opressão que parece impossível de quebrar. A referência a um 'preço cósmico' que precisa ser pago para a libertação pode ser interpretada como uma crítica ao destino implacável que aprisiona os menos favorecidos.

A música também aborda a corrupção e a degradação da comunidade, com a linha 'Our community's corrupt, evolved to shit where we eat' (Nossa comunidade está corrompida, evoluiu para merda onde comemos). Isso sugere um ambiente tóxico onde a sobrevivência é difícil e a esperança é escassa. A repetição do refrão 'There's no tomorrow for us' (Não há amanhã para nós) reforça a ideia de que, para muitos, o futuro é sombrio e sem oportunidades. A canção é um grito de desespero e uma chamada à atenção para as injustiças sociais que continuam a afetar tantas vidas.

sábado, 25 de fevereiro de 2023

Riscos globais, crises ambientais e reformas do desenvolvimento


De acordo com o Relatório de Riscos Globais 2023, do Fórum Econômico Mundial, “os riscos planetários mais importantes são todos ambientais, tanto no curto prazo como na próxima década. Esses alertas alimentam uma discussão nessa elite empresarial e política sobre a necessidade de reformar o desenvolvimento, pois os encadeamentos de crises ecológicas terão consequências sociais e econômicas que levariam a uma crise que impediria qualquer tipo de desenvolvimento. Por outro lado, na América Latina, a maioria dos políticos, empresários e acadêmicos raciocina e age ignorando esses fatos, voltados para posições tão conservadoras que até as advertências que partem de alguns dos mais ricos e poderosos lhes parecem radicais”. 
De um lado do planeta, em pleno inverno, em Davos reuniu-se a elite empresarial e política no Fórum Econômico Mundial (FEM). Simultaneamente, do outro lado do globo, no verão, vários países do extremo sul da América Latina sofrem uma estiagem muito severa. Esses distúrbios climáticos, assim como outros problemas, não deveriam ter chamado a atenção de quem estava em Davos se tivesse lido o Relatório de Riscos Globais 2023 que ali foi apresentado?

Segundo este relatório, os riscos planetários mais importantes são todos ambientais, tanto no curto prazo como na próxima década. Esses alertas alimentam uma discussão nessa elite empresarial e política sobre a necessidade de reformar o desenvolvimento, pois os encadeamentos de crises ecológicas terão consequências sociais e económicas que levariam a uma crise que impediria qualquer tipo de desenvolvimento. Por outro lado, na América Latina, a maioria dos políticos, empresários e acadêmicos raciocina e age ignorando esses fatos, voltados para posições tão conservadoras que até as advertências que partem de alguns dos mais ricos e poderosos lhes parecem radicais.

No Relatório de Riscos Globais 2023, ao abordar o futuro imediato, referente aos anos de 2023 e 2024, entre os dez riscos mais graves, metade é ambiental (1). Em primeiro lugar está o custo de vida, mas é seguido por desastres naturais e eventos climáticos extremos. Outros riscos ambientais referem-se à mudança climática, aos incidentes provocados por danos ambientais e à crise de recursos naturais. Outros tipos de riscos se intercalam além do custo de vida, como a erosão da coesão social e a polarização social e a migração em massa.

É chamativo observar que nenhum dos riscos mais prementes é econômico, apesar das repetidas previsões de estagnação ou recessão neste e nos próximos anos. Tampouco aparece indicada uma propagação da guerra na Europa ou em outras regiões. Mas a economia e a guerra estão por trás de vários efeitos associados ao meio ambiente. As estiagens, como as tornadas mais frequentes pelas mudanças climáticas, resultam em safras menores, levando ao aumento dos preços dos alimentos, o que impacta no custo de vida. Também contribuíram para isso as alterações no comércio internacional de grãos e fertilizantes em decorrência da guerra na Ucrânia.

Sempre se deve ter presente a forma como o Fórum Económico Mundial (FEM) avalia os riscos em escala planetária. Baseia-se em entrevistas com mais de 1.200 pessoas, e quase uma centena de especialistas e académicos, com especial atenção para os executivos de empresas, ministros de finanças, políticos ou analistas, muitos deles associados ao poder. O relatório atual é o 18º numa série que tem muitos anos, e seus alertas ambientais não são novidade, uma vez que em relatórios anteriores fazem alertas semelhantes. Na edição de 2022, entre os dez maiores riscos, cinco eram ambientais; os três primeiros falharam em evitar as mudanças climáticas, clima extremo e perda de biodiversidade. O relatório atual aumenta a preocupação com as condições ecológicas no futuro imediato.

Os riscos nos próximos dez anos
Considerando os próximos dez anos, a lista dos riscos mais graves também é dominada pelas questões ambientais; passam a ser seis, e quatro deles estão localizados sucessivamente nas primeiras posições. O quinto e o sétimo riscos são sociais, um é tecnológico e outro é geopolítico. Mais uma vez, nem os conflitos econômicos nem os bélicos aparecem. Vários dos riscos apontados para 2023-24 se repetem, como é o caso de todos os riscos ambientais, enquanto a avaliação decenal indica um agravamento.

De fato, mais da metade dos consultados entende que a situação vai piorar. 20% alertam que em dez anos serão ultrapassados pontos de inflexão que levarão a consequências catastróficas. Em seu sentido ecológico e social, deveriam ser entendidas como situações irreversíveis. 34% acreditam que a volatilidade prevalecerá nas economias e setores, o que levará a choques múltiplos. Em resumo, 54% consideram que vamos lidar com condições muito piores. Por outro lado, nas restantes respostas considera-se que esta volatilidade pode ser controlada (26%) ou limitada (11%).

A situação latino-americana
Deixando de lado, neste caso, uma revisão crítica dos sentidos que o FEM de Davos dá à ideia de “risco”, já que para os fins desta análise basta seguir com os entendimentos mais usuais, fica evidente que na América Latina todos eles estão presentes. Riscos severos como o aumento do custo de vida, e especialmente o risco associado à inflação e aos preços dos alimentos, afetam praticamente todos os países (2). Estão acontecendo diversas crises ambientais; a mais recente é a estiagem no Cone Sul (Argentina, Uruguai e sul do Brasil). O fracasso das medidas de mitigação das alterações climáticas é evidente e o mesmo acontece com os programas e apoios de adaptação às suas consequências.

O que o FEM chama de erosão da coesão social e polarização social está diante dos nossos olhos em casos como o do Peru, onde há grandes mobilizações cidadãs e dura repressão policial, ou na tentativa de golpe de Estado dos bolsonaristas no Brasil. O desempenho econômico será muito modesto, as condições comerciais serão restritivas, e isso faz com que os níveis de pobreza aumentem ou persistam, alimentando as instabilidades políticas.

Conexões e pontos de inflexão
Os riscos ambientais estão conectados, como é o caso da estreita associação entre mudanças climáticas, perda de biodiversidade e crises de recursos naturais, e a partir daí vários setores são afetados. Se tomarmos a agricultura como exemplo, circunstâncias como as inundações ou as estiagens afetam a produção de alimentos. Isso é transmitido às cadeias de comercialização agrícola, levando a limitações na oferta de alimentos ou ao aumento de seu custo. Muitos países do Sul Global não têm dinheiro para amortecer esses impactos, como financiar a irrigação, comprar fertilizantes mais caros ou subsidiar os alimentos. A alto do custo de vida torna-se inevitável, o que aumenta o descontentamento dos cidadãos, multiplica os protestos e afeta a coesão social.

Este exemplo esquemático mostra que os distúrbios ecológicos transmitem seus efeitos para diferentes áreas. Eles não podem ser analisados separadamente um do outro. Produzem-se crises interligadas que se retroalimentam.

Reformas no desenvolvimento diante das crises ambientais
Considerando os alertas deste relatório, como em anos anteriores, fica claro que ações urgentes são necessárias para, por exemplo, prevenir as mudanças climáticas ou resolver os desequilíbrios econômicos. Aparecem justificativas adicionais para reformar o desenvolvimento capitalista, e isso é precisamente o que foi levantado pelo FEM. Em 2020, seu presidente, Klaus Schwab, apresentou sua alternativa ao “Grande Reinício” (ou Great Reset), com medidas como os impostos para os mais ricos, o fomento da economia participativa ou o abandono dos combustíveis fósseis (3). Schwab faz uma diferença entre três capitalismos: um corporativo, outro estatal (como na China), e sua alternativa, o capitalismo das partes interessadas.

Isso faz parte dos confrontos que ocorrem entre essas elites empresariais e políticas. De um lado estão aqueles que entendem que o desenvolvimento capitalista predominante tornou-se insustentável, que causaria uma crise em escala planetária e, portanto, são necessárias reformas como as que acabamos de mencionar. Os que discordam destas políticas rejeitam qualquer correção de rota do capitalismo, insistindo em blindar estratégias convencionais (4).

O que muitas vezes é interpretado a partir da América Latina como um bloco homogêneo que defende o desenvolvimento, na verdade abriga diferentes estratégias que estão em forte discussão. No debate mais recente, as palavras e os conceitos usados são reveladores. Agora usa-se explicitamente a palavra capitalismo, e seus autores reconhecem que a situação é grave e propõem algumas reformas. Entre elas estão as mencionadas acima e outras que implicam intervenções nos mercados, retomando a presença do Estado em setores como educação e saúde, e uma mudança na gestão ambiental, a começar pelo cumprimento dos acordos sobre mudanças climáticas.

Entre esses reformadores, além do FEM, estão vários bilionários e empresas de setores como comércio e serviços. Muitos deles participam não por serem ambientalistas, mas por entenderem que cada grau de aumento da temperatura global coloca seus negócios em risco. Há também economistas que hoje são mais conhecidos na América Latina por apoiar alguns progressismos. São os casos de Joseph Stiglitz (em relação ao governo de Alberto Fernández na Argentina) ou, mais recentemente, Mariana Mazzucato (que é invocada pelo presidente colombiano Gustavo Petro).

O outro grupo rejeita as propostas de mudança. Querem preservar os mercados liberalizados sem a intervenção do Estado, renunciam aos impostos, negam ou minimizam as mudanças climáticas, ainda se apegam aos combustíveis fósseis e gostariam de manter serviços públicos como educação e saúde privatizados. Agendas moderadamente reformistas, como a de Schwab, são classificadas como típicas de um "comunismo". Nessas trincheiras estão economistas e políticos conservadores ou neoliberais e corporações de setores como mineração, petróleo ou agronegócio, todos com forte presença na América Latina.

O debate e o não debate latino-americano
Este tipo de discussão, as diferentes formas de diagnosticar os problemas e as alternativas propostas não são comuns na América Latina. Na nossa região, a agenda política dominante, e também boa parte da acadêmica, é tão conservadora que predomina o continuísmo do desenvolvimento capitalista convencional enquanto os reformistas são minoria. Pequenos ajustes, como a reforma tributária proposta na Colômbia, que se poderia dizer mais modesta do que as traçadas pelos reformistas em Davos, era, aos olhos dos setores conservadores colombianos, de uma radicalidade de extrema esquerda. Entre as elites empresariais e políticas latino-americanas há poucos reformistas, e na maioria não sabem ou não entendem o que propõem no Norte alguns dos que são mais ricos e têm mais poder do que eles.

Essa desconexão é perfeitamente ilustrada pelos resultados da consulta realizada no Brasil pelo FEM para a elaboração do relatório de riscos globais. Sob o olhar dos políticos e analistas brasileiros consultados, nos cinco primeiros lugares predominam os riscos econômicos (inflação, economia ilícita e choques de preços de matérias-primas), e nenhum é ambiental. É como se essa elite local brasileira vivesse em um planeta diferente do que se avalia de outros continentes.

Até agora, o único que parece estar ciente desse problema é o presidente colombiano Gustavo Petro. Em seu discurso em Davos, atacou o capitalismo como incapaz de resolver os problemas que produziu, e advertiu que "o capitalismo acabará com a humanidade". Acrescentou que os “empresários de Davos deveriam pensar em outro capitalismo”, e a partir daí levantou sua alternativa de um “capitalismo descarbonizado” (5). Assim, Petro foi imediatamente colocado entre os reformadores do desenvolvimento capitalista. Petro não é contra o capitalismo, e já disse isso várias vezes, mas quer retificá-lo. Em sua reivindicação em Davos, parece que ele ignorou ou se esquivou do fato de que seu “capitalismo descarbonizado” não é muito diferente do capitalismo dos stakeholders do Grande Reinício discutido nesse fórum.

Mas, ao mesmo tempo, deve-se reconhecer que Petro é o único presidente que pelo menos tenta uma reforma do capitalismo que enfrente seus problemas mais agudos e, por exemplo, nos afaste do vício em combustíveis fósseis. Inclusive aqueles chefes de Estado ideologicamente mais próximos, como Manuel López Obrador (México) e Lula da Silva (Brasil), rejeitaram as propostas de Petro de despetrolizar suas economias.

Seja como for, não se pode perder de vista que os reformadores, seja o Grande Reinício, Stiglitz, Petro ou outros, em nenhum caso se propõem a abandonar o capitalismo, nem rompem com concepções básicas. Todos querem crescer economicamente e veem que a exploração da Natureza é uma forma incontornável de conseguir esse objetivo. O que eles postulam são regulações diferentes do mercado e o fortalecimento do Estado, invocando objetivos como melhorar a equidade, reduzir a pobreza ou evitar eclosões sociais. Suas medidas amenizam as arestas mais negativas, e que por sinal seriam bem-vindas em muitos países. Mas mesmo esse reformismo é insuficiente para enfrentar as emergências ambientais.

A própria análise de risco do Fórum Econômico de Davos fornece evidências que mostram que os ajustes do capitalismo não nos salvarão de uma crise múltipla. Nem a crise da biodiversidade nem a crise das mudanças climáticas estão se dissipando. As soluções necessárias envolveriam transformações simultâneas em várias frentes, como abandonar as energias fósseis e se voltar para a agroecologia, mudar padrões de consumo e aceitar estilos de vida mais austeros. Essas e outras são mudanças radicais que nenhum tipo de capitalismo assumirá.
Nossa própria discussão

Analisar os riscos e discutir o desenvolvimento, seja ele capitalista ou de qualquer outra natureza, é um primeiro passo para desenhar alternativas às crises sociais e ambientais.

É inaceitável que os elencos partidários não o façam porque continuam a enfrentar as situações com as mentalidades do século passado, sem compreender as urgências do século XXI. Também não faz sentido retrucar que considerar a reforma ou o colapso do capitalismo expressa vocabulários e ideias ultrapassadas.

Essas são discussões que devemos começar em nossos próprios termos. Isso é necessário porque, como vimos acima, os riscos globais graves já são observados na América Latina e, ao mesmo tempo, somos tão subservientes aos contextos internacionais que um desastre externo nos arrastará imediatamente. Também não podemos esquecer que nossos países dependem da terra e da água, do subsolo e do clima, o que significa que nossas economias são ecologicamente condicionadas. Devemos fazer nossas próprias avaliações de risco e não podemos mais confiar naquelas que são feitas em Davos ou em outro lugar.

Estas reflexões devem ser incentivadas por políticos, empresários, sindicalistas, acadêmicos, ativistas sociais, entre outros, até envolverem a grande maioria dos cidadãos. Enfrentamos questões prementes: quais são os riscos que enfrentamos? Quais são as reformas necessárias? As correções do capitalismo são suficientes para enfrentar esses riscos? Outros já estão respondendo a perguntas como essas e não podemos ficar para trás.

Notas

1. WORLD ECONOMIC FORUM. The Global Risks Report 2023. 18th edition. Insight report., Genebra, 2023.

2. Segundo a CEPAL, a inflação em 2022 atingiu um pico de 8,4% no meio do ano, para depois diminuir; espera-se que caia para 4,8% em 2023. CEPAL. Balance preliminar de las economías de América Latina y el Caribe 2022, Santiago, 2022.

3. SCHWAB, K.; MALLERET, T. Covid-19: The great reset. World Economic Forum, Genebra, 2020.

4. As várias alternativas focadas no desenvolvimento são discutidas em GUDYNAS, E. Tan cerca y tan lejos de las alternativas al desarrollo. Planes, programas y pactos en tiempos de pandemia. RedGE y Cooperacción, Lima, 2020.

5. Veja, por exemplo, El mundo necessita un “capitalismo descarbonizado”: el mesaje de Petro em Davos. El Espectador, Bogotá, 19 de janeiro de 2023; TORRADO, S. El Petro mas ecologista se despide de su primer Davos. El País, Madri, 21 de janeiro de 2023.

quinta-feira, 5 de janeiro de 2023

Nick Hunt - Navigating nature loss through fiction


A group of young men climb a mountain in Wales to club a lake monster to death. The monster is called the afanc: part otter, part dog, part seal.

Each man is hoping to gain acclaim, and a kiss from a beautiful maiden, for being the first to cleave its spine, but the beast proves hard to kill.

They club it in shifts for half a day. Snow begins to fall. Most of his friends grow tired and leave, but Aled, the protagonist, cannot drag himself away. He cannot stop the rhythm of his club on the monster’s body.

Bulldozers

By the end of the day he has become an unthinking machine, far beyond pain or tiredness, driven only by the mindless impulse to beat the monster into mush. He no longer knows why he is doing it. I don’t know why either.

I wrote this short story, To the Bone, precisely because I didn’t know why. I didn’t know why St George had to lance the dragon.

I didn’t know, and I still don’t know, why it is that our culture has to keep clubbing everything to death, pounding away with its bulldozers, drills, fracking rigs, deep-sea oil wells, pipelines, poisons and SUVs.

All I know is that the assault is relentless and unending. I could have written about these things directly – I could have written the facts – but I didn’t know where to begin. A story about a brutalised monster made more sense to me.

Catharsis
A journalist takes a seat at a table lined with empty bowls and spoons. At the head of the table, a giant egg-timer quietly spills its sand.

The other diners – the faces of whom are strangely amorphous and hard to make out – take it in turns to intone the names of animals, plants, languages, cultures and antediluvian megafauna that have become extinct, whether recently or long, long ago.

At the end of this ritual they drink a soup that is viscous, greasy, foul-smelling, but ultimately tasteless. There is no sadness or joy to the process, no catharsis or release. They don’t know why they are doing it. Again, neither do I.

According to the UN Environment Programme, between 150 and 200 species are driven extinct – are killed – every day.

What sense can you possibly make of that? The numbers are meaningless. By writing that story, Loss Soup, I suppose I was inventing a ritual that might make sense of such dizzying loss, a holding vessel to contain the numb disbelief I felt.

The monotony of the intonations was more relatable than grief, and certainly easier on the soul. But beyond that, my reasons for writing the story were mysterious to me, as mutable and tricky to grasp as those faces around the table.

Writers are as confused and lost as anyone in this strange weather.


Página Oficial: Nick Hunt

domingo, 4 de dezembro de 2022

Música do BioTerra: Drab Majesty - Not Just a Name


We all hoped to be finding the light
We were alone on the Earth, searching for someone alike
Your words made sense with the truth you possessed
Believing the call of our kind
Would be fine if we were divinely blessed

You said we would be recycled
Took a hold of our souls just make us the same
Called me something I wasn't it's not just a name
Take your time taking minds just to stay in the game
Made me someone I wasn't it's not just a name

We couldn't love, but you paired us together
To walk hand in hand
The irony
We couldn't make this world ours
Because it wasn't a part of the plan

You said we would be recycled
You said I would be recycled
Took a hold of our souls just make us the same
Called me something I wasn't it's not just a name
Take your time taking minds just to stay in the game
Made me someone I wasn't it's not just a name

Why do we do, like you?
Why do we do?

Made me someone I wasn't it's not just a name
You called me something I wasn't it's not just a name
You made me someone I wasn't it's not just a name
You called me something I wasn't it's not just a name

Biografia
Drab Majesty

Página Oficial
Drab Majesty

Youtube
Drab Majesty

sexta-feira, 28 de outubro de 2022

What Is Davos? Here´s What You Need to Know


Fonte: Business Insider, 2020
The rich and powerful have postponed their annual descent on a small resort town in Switzerland.

They weren't going there to ski, but to attend the annual meeting of the World Economic Forum (WEF), typically held in January of each year. The exclusive four-day event — best known as Davos, after the name of its host city — is an opportunity for the world's most influential people to meld minds over the world's economic and political challenges, and, more importantly, to network.

But the 2021 meeting has been postponed to "early next summer" because of the coronavirus pandemic, WEF announced Tuesday.

What is Davos?

Davos is the informal name of the annual four-day conference held by The World Economic Forum in Davos-Klosters, Switzerland. The non-profit organization's aim is to "engage the foremost political, business, cultural and other leaders of society to shape global, regional and industry agendas," according to its website.

Each year, business leaders and heads of state give lectures and speak on panels about topics ranging from gender equality and venture capital to mental health and climate change. The real magic happens behind closed doors, however: The rich and powerful use the event as a chance to network and hash out their differences out of the public eye.

North and South Korean officials held their first ever ministerial-level meetings at Davos in 1989, while Greece and Macedonia settled their nearly three-decade-long conflict over Macedonia's name at the event in 2018, according to the BBC.

Who was at Davos in 2020?

German Chancellor Angela Merkel and US President Donald Trump were among the 53 heads of state who attended the 2020 event.

US Secretary of the Treasury Steven Mnuchin, Ivanka Trump, Jared Kushner, and Greta Thunberg also attended, according to Reuters. Priyanka Chopra Jonas spoke at a fireside chat about global poverty, CNBC reported.

Notably, the only Iranian on the guest list, Foreign Minister Mohammad Javad Zarif, canceled his trip amid tensions with the United States over the killing of top Iranian general Qassem Soleimani, Reuters reported.

About 3,000 business and political leaders were set to attend Davos in 2020, Reuters reported ahead of the January event. Past attendees have included Bill Gates, Prince William, Marc Benioff, and George Soros, according to the BBC. Global pop icon Shakira, actors Forest Whitaker and Matt Damon, JPMorgan Chase CEO Jamie Dimon, and former Alibaba chairman Jack Ma have also attended in the past, The New York Times reported.

How do people get access to Davos?

Attendance is by invitation only, according to CBS News. As a result, the conference has long faced criticism over a lack of diversity among attendees. Only 22% percent of Davos' 2019 attendees were women, the BBC reported. African and Asian markets are also underrepresented, former U.S. Deputy Under Secretary of Commerce for International Trade and Foreign Policy magazine editor David Rothkopf told CBS.

Without an invite, you weren't even able to access the resort. It turns into a "veritable fortress" during the event, according to The New York Times' Michael J. de la Merced and Russell Goldman.

How much does it cost to attend Davos?

The conference itself is free for most attendees, the BBC reported. However, anyone there to represent a company is charged 27,000 Swiss francs ($28,000) to attend.

Even those who don't pay for the conference are still on the hook for the WEF's membership fees, which start at 60,000 Swiss francs ($62,000) per year and can range up to 600,000 Swiss francs ($620,000) depending on the type of membership, according to the BBC.

Accommodations in Davos don't come cheap either. Hotels raise their prices to five times their normal rate during the conference, according to The New York Times. Rooms at two of the most popular hotels among attendees, the Belvedere and the InterContinental, rented for $231 and $392 on nights in January 2020, their websites show. Both hotels are sold out during the event. They also sell badges to allow access to common areas frequented by attendees, The Times reported.

Some attendees elect to rent chalets for themselves and their staff, which can cost up to $140,000 for the week, The Times reported.

Most attendees do save a bit of money by eating and drinking on someone else's dime, The Times reported.

Saber mais: 

terça-feira, 17 de maio de 2022

A (nova) economia sustentável




Economia e Ecologia são disciplinas que têm uma raiz etimológica comum. De facto, no grego antigo o denominador comum entre elas é a palavra Oikos (Eco) que significa casa. Nessa linha e fundindo os conceitos estaríamos a falar de uma só economia, a Economia Ecológica, que trataria de conhecer e gerir a Casa Comum. As pessoas e natureza seriam do condomínio dessa Casa Comum e os meios e recursos seriam geridos de uma forma optimizada. Os "Oikos-Sistemas" seriam preservados, valorizados, equilibrados e garante de um desenvolvimento sustentável. Utopia? Certamente que sim... mas a sábia natureza, qual laboratório vivo com os seus quatro mil milhões de anos, ensina-nos o caminho para uma economia de zero desperdício. Como dizia Lavoisier, "na natureza, nada se perde e tudo se transforma…"

Ao invés, nos modelos de desenvolvimento predominantes verificam-se notórias assimetrias nos diferentes domínios: ambiental, social e económico. A esperança reside na drástica diminuição desses desequilíbrios através da aplicação do conceito e valores da sustentabilidade, colocando a ênfase no equilíbrio e interdependência desses três pilares (ESG). Historicamente, e num passado recente, as dimensões social e ambiental estavam, na maioria dos casos, dissociadas da vertente económico-financeira. Numa perspectiva analítica e factual constata-se que se deu uma grande aceleração desde a revolução industrial do século XIX, com um maior incremento a partir da década de 50 do século XX. Foi o período que viu nascer a sociedade do consumo e mais tarde do hiperconsumo, com o enorme desperdício associado e que tem na obsolescência programada um dos seus expoentes mais perversos. Além do enraizamento da cultura do descarte, do "usar e deitar fora", ficou a falsa ideia de que "as árvores podiam crescer até ao céu" e que os recursos seriam infinitos…

O sistema foi-se consolidando, sobretudo no mundo ocidental, e os desequilíbrios também se agudizaram. É justo reconhecer que foram também muitos e significativos os ganhos civilizacionais ocorridos e que não os queremos perder. É particularmente interessante conhecer esses factos representados graficamente e ver comparadas as duas realidades em paralelo. A correlação positiva é notória e eloquente. Num lado, estão os vários indicadores sócio-económicos e, no outro, estão os indicadores que reflectem o impacto sócio-ambiental. Todos os indicadores têm um comportamento análogo e no mesmo intervalo de tempo. Ver os gráficos representados de seguida (foram escolhidos apenas nove indicadores de cada lado. O estudo original identifica mais indicadores – ver tabela).

O que resulta óbvio é a directa relação causa-efeito entre as diferentes variáveis, com uma claríssima simetria e a constatação de que o modelo base de desenvolvimento impulsionado pela acção humana, apesar de muitas virtudes, provoca também inúmeros efeitos perniciosos. Segundo muitos cientistas, alguns limites planetários estão a ser perigosamente atingidos ou quase, com consequências negativas irreversíveis, pondo inclusive em risco a vida e prosperidade para os seres humanos nas próximas gerações. A aceleração das alterações climáticas, a uma velocidade sem precedentes, e os seus dramáticos efeitos nos domínios económico, social e ambiental, são apenas uma das dimensões.

Neste contexto tem ganho espaço o conceito de Sustentabilidade e a interdependência dos seus pilares. Surgem também inúmeras designações de Economia que espelham a necessidade de completar a definição e âmbito da ciência económica e reflectem também quão redutor tem sido a aplicabilidade do conceito e a sua percepção pelos diferentes agentes. Termos como Economia Social, Economia da Partilha, Economia Circular, Economia Regenerativa, Economia Verde, Economia Azul, Economia Ecológica… etc. não deveriam estar todos englobados num só conceito e que seria simplesmente Economia?

No nosso "economês" tem ganho preponderância o termo "triple bottom line" que substitui o já gasto e redutor "bottom line". Diferentemente deste último, o novo termo abrange também as dimensões social e ambiental e não só a económico-financeira que dominou as últimas décadas e suportou o modelo de desenvolvimento. O "triple bottom line" e a sua interdependência passa a ser o novo e saudável "mantra" e é também conhecido pela sigla ESG. (Environmental, Social and Governance) ou os três "Pês": People, Profit and Planet e tal como nos "Pês" do Marketing, outros "Pês" se foram juntando e dos quais os mais relevantes são os de "Purpose" e "Prosperity".

O desafio civilizacional que temos pela frente é de grande dimensão e complexidade. Apesar das inequívocas evidências da urgência/emergência em alterar os modelos de desenvolvimento, as forças do status quo são muito fortes. A inércia do curto prazo impera e os "compromissos" de mudança são empurrados para a frente, pois a transição é dura e tem igualmente profundas implicações. A resistência à mudança é grande.

Pessoalmente, acredito na Investigação e no Desenvolvimento, que aliados à Educação e Tecnologia podem ajudar a trilhar os novos caminhos da esperança. Acredito na capacidade das novas gerações (a sustentabilidade é um compromisso intergeracional) adoptarem novos comportamentos que se traduzam em hábitos de consumo e cidadania activa em prol de um mundo mais harmónico e regido pelos princípios e valores da sustentabilidade enunciados.

Acredito ainda no triplo efeito da conjugação da legislação/regulamentação, sobretudo na fiscalidade verde, na escolha dos consumidores no acto de compra ou na sua recusa e no exemplo das marcas em toda a sua cadeia de valor, que podem ter um efeito multiplicador na aceleração para novos modelos de produção e consumo.

O desafio passa também por repensar e redesenhar todo o modelo, a começar nos produtos e serviços. Se olharmos à nossa volta (convido o leitor a fazê-lo e olhar ao seu redor no momento em que estiver a ler) e também para o que temos vestido, para o guarda-roupa, bem como para os produtos de higiene, limpeza e alimentares, constatamos que a grande maioria dos objectos/produtos que nos rodeiam foram concebidos e desenhados sem terem em consideração valores e princípios da sustentabilidade, apesar de serem funcionais, estéticos, ergonómicos e eventualmente com um preço competitivo. Foram pensados numa lógica de durabilidade e reutilização? São feitos a partir de matérias-primas virgens ou foram produzidos com materiais reutilizados e reutilizáveis? Que pegada ecológica comportam (água, energia, ambiente, transporte)? São nocivos para a saúde (tintas, vernizes, microplásticos, outros químicos nocivos, etc.)? Incorporam trabalho infantil ou escravo? Comércio justo? Testes em animais? A sua reciclagem é fácil ou teriam de ser separados em várias categorias?

Estas são apenas algumas questões que podemos levantar de acordo com os nossos valores, conhecimento e crenças, e cuja resposta, traduzida em acções concretas, tem um profundo impacto no domínio da sustentabilidade. O comportamento de cada um de nós, como consumidor e cidadão, é crucial e decisivo. O pressuposto base é que para cada um desses produtos existem alternativas mais sustentáveis e se as não houver significa então uma enorme oportunidade de as criar e acrescentar valor. No limite, teremos para um preço igual uma opção de escolha em todos os produtos.

Tudo começa na "prancha do desenho" e há que fazer um "reset" generalizado e desenhar de novo. O ritmo dessa indispensável transição será imposto pelo tríplice efeito conjugado mencionado anteriormente, com especial relevo para o papel do consumidor, que exerce um "voto" cada vez que opta por um determinado produto ou serviço. As marcas com toda a tecnologia de suporte e "big data" escutam e se forem ágeis e competitivas actuam! As novas gerações têm critérios e valores bem distintos das anteriores e em especial da minha geração, dos "baby boomers" e da seguinte, que prosperou na sociedade do consumo e do desperdício.

O modelo de desenvolvimento comportará igualmente uma valorização progressiva do serviços prestados pelos ecossistemas que estão intimamente ligados à biodiversidade e da qual dependem. É um capital natural importante e indispensável para a nossa saúde, bem-estar e desenvolvimento económico e social. A pressão sobre os recursos naturais, já muito exauridos, resultante de um crescimento demográfico mundial, é muito acentuada, tornando-se fundamental atribuir valor económico aos bens e serviços dos ecossistemas. O capital natural tem vindo a ter uma erosão tremenda e é um dever ético preservá-lo para além da valorização.

Entre outros benefícios oferecidos pelos ecossistemas estão os alimentos, a água potável e o ar puro, fontes básicas de vida.

A título de exemplo, vale a pena analisar os serviços prestados pelas agro-florestas terrestres ou pradarias marinhas, que vão desde o fornecimento de madeira, polinização de culturas, formação de solos, captura e retenção de carbono, captura e purificação de água, produção de oxigénio, produção de bens agrícolas, turismo e recreação, prevenção da erosão dos solos, purificação do ar, outros produtos alimentares, algas, fungos, etc.

A destruição destes "habitats", que infelizmente tem sido feita de forma sistemática e galopante nas últimas décadas (desmatamento para dar lugar a monoculturas intensivas, poluição marinha e sobrepesca, etc.) com a consequente perda de biodiversidade e extinção de espécies, tem um enorme custo planetário.

Estou convicto de que um dos grandes avanços da economia, que levará à reestruturação de todo o ensino, será a valorização dos serviços prestados pelos ecossistemas e a sua incorporação nos modelos de desenvolvimento. O preço a pagar, também financeiro, se não o fizermos atempadamente, será astronómico.

Nota: este texto integra o livro "101 Vozes pela Sustentabilidade – por um Desenvolvimento Sustentável", iniciativa do ISCTE Executive Education, edição Oficina do Livro.

segunda-feira, 21 de março de 2022

Há sempre mais dinheiro para armas

"A urgência bipartidária de gastar biliões de dólares em armas para a Ucrânia e num reforço militar na Europa contrasta fortemente com a frugalidade do Congresso quando se trata de gastos sociais."


Fonte: Jacobin
Presidents and congresses come and go, but one thing stays the same in Washington: there’s one rule when it comes military spending, and a completely different one for every other urgent need.

For a week now, political observers have been watching what seem like two parallel realities playing out in the US capital. In one, despite the staggering fact that the COVID-19 pandemic continues to kill more than a thousand Americans per day, and a new subvariant on its way could take that number even higher, the federal government is running out of money to deal with it.

After requesting $22.5 billion in emergency money to fund testing, treatment, and vaccines in advance of a coming virus surge, twenty-five Republican senators came out in opposition, saying they wanted a “full accounting of how the government has already spent the first $6 trillion.” Democratic leaders tried to get $15.6 billion passed instead, partly by plundering state aid that already been passed in previous legislation, but governors and rank-and-file Democrats understandably opposed that, calling for new spending instead. The White House is now warning it will have to ration treatments and make cutbacks to testing and vaccination as early as this week, and that testing capacity could collapse by the middle of the year.

In the other reality, Congress and the White House are almost effortlessly finding billions upon billions of dollars under the couch cushions to send weapons and other military assistance to Ukraine and finance a military buildup in Europe. Between Moscow’s invasion in late February and mid-March, the administration authorized $550 million worth of military aid to the country. Another $13.6 billion package signed into law just last week throws another $1 billion of military assistance its way, and puts roughly $4.5 billion toward replenishing US equipment stocks, paying for foreign military financing for Ukraine and affected countries, and funding other security programs. (The rest of it will go to a variety of other programs, including humanitarian assistance).

There’s nothing outrageous about sending military aid to Ukrainians who are trying to fight off an invasion. The trouble is the long-term consequences of pouring weapons into one of Europe’s biggest arms-trafficking markets, and one filled with far-right militias that spent the years leading up to this war derailing peace efforts through anti-government violence and threats of a coup. At the same time, nonmilitary solutions to help Ukrainians, like forgiving their foreign debt or a political settlement that could’ve prevented the war from happening in the first place, are not even considered.

More to the point, wherever you stand on the wisdom of this military assistance, the urgency involved in getting it authorized and sent overseas is striking when put next to the lethargic indifference to more public health funding for Americans in the middle of an ongoing pandemic.

This is part of a wider trend under President Joe Biden, whose tenure has been defined by a depressing continuity with his hard-right predecessor. In spite of a cluster of crises making US lives miserable on the home front — from the pandemic and deepening poverty to worker exploitation and increasingly ruinous climate-change effects — Biden’s domestic agenda aimed at alleviating these has been all but buried thanks to spending concerns that simply cease to exist when it comes to funneling federal dollars to military contractors.

Biden has in the past mystifyingly parroted the right-wing attacks on his own agenda, blaming the world’s pandemic-driven inflation woes on his own anti-poverty programs, and generally fearmongering about the deficit when talking about his now stalled social-spending plans. Yet at the same time, he’s managed to deliver record-breaking military budgets in line with the Pentagon’s military spending plans under Donald Trump without tipping the hat to these deficit concerns, over-delivering on his military spending promises while delivering less than a tenth of the social spending he pledged. The latest spending bill — a $1.5 trillion package in which Republicans refused to include $22 billion for the pandemic — saw 52 percent of its funding diverted to the Pentagon.

Of course, he’s been pressured and abetted in all this by a political elite that, by passing into law these gargantuan sums of military spending that will be recycled into private military companies, are effectively authorizing their own campaign donations. There’s no better example than Senator Joe Manchin (D-WV), who (aside from the president) is the individual most responsible for killing Biden’s agenda, supposedly over his concerns about too much government spending.

Manchin, of course, has cheerfully voted for every colossal military budget in the last decade, including joining eighty-seven of his colleagues to pass the record $768 billion put forward last December, which was $24 billion more than the White House had even requested. Incidentally, that $24 billion is roughly the same as the figure that was considered simply too expensive when it came to protecting the US public from the pandemic.

The administration’s response to Moscow’s war on Ukraine has only made this worse. Intelligence officials recently told the Intercept that Russian president Vladimir Putin had only decided to invade at the last minute, suggesting that, as a group of former diplomats and experts had urged in January, the war could have been headed off by negotiating with Moscow over Ukraine’s status in NATO and other defense matters.

For whatever reason, the administration declined to do this, and instead took a reactive approach, punishing Putin once he launched the war with unprecedented, indiscriminate sanctions aimed at collapsing the Russian economy, and not seriously pursuing a more targeted sanctions regime putting pressure on its elite. Unfortunately, these sanctions have rebounded on the average working American, with a Western buyers’ embargo sending inflation skyrocketing, exacerbating the economic impacts of the invasion itself, and potentially leading the United States, Europe, and the entire world into a severe recession.

What all of this signals is the death of Biden’s much-vaunted “foreign policy for the middle class,” meant to reorient US foreign policy for the first time in a century away from reckless adventurism and instead put the interests of working Americans back home front and center. This has now gone out the window, with Biden attempting to sell the sanctions-driven inflation as “Putin’s price hike,” and top-ranking Democrats and wealthy liberals telling US consumers they should accept higher gas prices as a “sacrifice” for upholding the international order.

Whatever your position on the sanctions, this state of affairs reads uncannily like the conditions that led to the political rupture of Donald Trump’s election in 2016. That shock event was made possible in large part by the perception — right, wrong, or a little of both — among US voters that their political leaders had ritually sold them out over the decades for the sake of the rest of the world. It’s not even been six years since that happened, and neither Trump nor Biden has brought a return to prioritizing the average American in that time that might have staved off this disillusionment.

As Washington’s perennial double standard around government spending reminds us, they have plenty to remain disillusioned about. It’s too bad you can’t fight a pandemic with stinger missiles. There’s no doubt Congress would find a few billion dollars rummaging through the drawers if you could.

terça-feira, 22 de fevereiro de 2022

Davos e a conspiração da carta roubada


– A classe dominante mundial pretende uma Grande Reinicialização para tentar ultrapassar a crise do capitalismo
– Utiliza para isso o Covid-19, um pretexto tão bom como outro qualquer
– A conspiração está em pleno andamento, através dos quadros formados no WEF

O famoso conto de Edgar Allen Poe, A carta roubada (The Purloined Letter), é adequado para descrever a agenda de Klaus Schwab, fundador há cerca de 50 anos do que é hoje o influente Fórum Económico Mundial de Davos (WEF) – Escondido à vista de todos.

Schwab publicou em 2020 um livro intitulado Covid-19: A grande reinicialização (Covid-19: The Great Reset ), que apela aos líderes mundiais para usarem a "oportunidade" da pandemia da COVID-19 a fim de reorganizar fundamentalmente a economia global numa versão distópica de cima para baixo da agenda tecnocrática da ONU para 2030. Para aqueles dispostos a fazer investigação paciente, o WEF de Schwab revela um grau surpreendente da actual agenda globalista para um totalitarismo tecnocrático. Mais ainda, tem vindo a desenvolver quadros escolhidos a dedo para implementar esta agenda ao longo de três décadas, com uma seleccionada "escola de quadros" global para "futuros líderes globais". Com efeito, é o que poderíamos chamar a Conspiração Davos, agentes promovidos em todo o mundo para se infiltrarem nos círculos políticos de topo e pressionarem a sinistra agenda Davos Reset.

Uma das características mais espantosas da histeria do medo pandémico da COVID é o grau em que os políticos de todo o mundo têm seguido em fileiras cerradas, juntamente com os media globais e figuras-chave da saúde, a abraçar uma agenda sem precedentes de destruição económica e humana, em nome do combate a um vírus. Acontece que a maioria de todos os intervenientes-chave têm algo em comum. São licenciados escolhidos a dedo ou "ex-alunos" como ele lhes chama, da escola de quadros de Klaus Schwab em Davos, do seu programa anual chamado Jovens Líderes Globais e, antes de 2004, chamado Líderes Globais para o Amanhã.

Desde que o primeiro grupo de quadros da Davos foi seleccionado em 1993, mais de 1.400 "futuros líderes globais" foram treinados num processo altamente secreto que raramente é mencionado na biografia dos graduados da Davos. Com a paciência de uma aranha tecendo uma vasta teia, Klaus Schwab e os seus ricos apoiantes no Fórum Económico Mundial criaram a rede mais influente de actores políticos da história moderna, ou talvez de sempre.

Num vídeo de 2017 com David Gergen em Harvard, Schwab orgulha-se de, "penetramos nos gabinetes" com o quadro do Davos Young Global Leader. Schwab afirma: "Devo dizer então que menciono nomes como a Sra. Merkel...e assim por diante, todos eles foram Jovens Líderes Globais do Fórum Económico Mundial". Mas o que realmente nos orgulha agora com a jovem geração como o Primeiro Ministro Trudeau, Presidente da Argentina e assim por diante, é que penetramos nos gabinetes... É verdade na Argentina e é verdade em França agora..."

Grande reinicialização

A Grande Reinicialização, tal como explicada por Schwab no seu livro co-autorado de Junho de 2020 com o mesmo título, e elaborado na íntegra no sítio web do Fórum Económico Mundial, está à disposição de qualquer curioso disposto a descobrir. Apresenta um programa para reorganizar a economia global de cima para baixo, utilizando as perturbações da COVID para impulsionar, entre outras coisas, uma agenda verde de carbono zero, a eliminação da proteína de carne e da agricultura tradicional, a eliminação dos combustíveis fósseis, a contracção das viagens aéreas, a eliminação de papel-moeda (cash) por moedas digitais de bancos centrais e um sistema médico totalitário de vacinações obrigatórias.

Na cimeira virtual dos líderes mundiais de Davos de Junho de 2020, apropriadamente intitulada The Great Reset, Schwab declarou: "Todos os países, dos Estados Unidos à China, devem participar, e todas as indústrias, do petróleo e gás à tecnologia, devem ser transformadas. Em suma, precisamos de uma "Grande Reinicialização" do capitalismo... Há muitas razões para prosseguir uma Grande Reinicialização, mas a mais urgente é a COVID-19". A Grande Reinicialização, continua ele, exige que, "os governos implementem reformas há muito necessárias que promovam resultados mais equitativos". Dependendo do país, estas podem incluir mudanças nos impostos sobre a riqueza, a retirada dos subsídios aos combustíveis fósseis... A segunda componente de uma agenda de Grande Reinicialização asseguraria que os investimentos avançassem objectivos comuns, tais como a igualdade e a sustentabilidade".

O que Schwab não menciona é que a sua rede de "líderes globais" de Davos tem estado no centro do avanço da agenda draconiana da COVID, desde confinamentos desnecessários a vacinações forçadas até à máscara obrigatória. A pandemia tem sido a primeira fase necessária da Grande Reinicialização. Sem ela não seria possível falar de mudanças globais fundamentais.

Aqui a agenda de Schwab é a redistribuição global da riqueza para a criação da infame economia "sustentável" da Agenda 2030 das Nações Unidas: "Os EUA, a China e o Japão também têm planos ambiciosos de estímulo económico. Em vez de utilizar estes fundos... para preencher fendas no antigo sistema, deveríamos utilizá-los para criar um novo que seja mais resiliente, equitativo e sustentável a longo prazo. Isto significa, por exemplo, construir infraestruturas urbanas "verdes" e criar incentivos para que as indústrias melhorem o seu historial em termos de métricas ambientais, sociais e de governação (environmental, social, and governance, ESG)". Acrescenta, "A terceira e última prioridade de uma agenda de Grande Reinicialização é aproveitar as inovações da Quarta Revolução Industrial para apoiar o bem público, especialmente através da abordagem dos desafios sociais e da saúde".

Carta roubada

O conto de 1844 do autor americano Edgar Allen Poe, A carta roubada (The Purloined Letter), conta que uma carta roubada da rainha francesa foi utilizada para chantageá-la por um ministro sem escrúpulos. Quando a polícia parisiense faz uma busca meticulosa sem resultado na casa do suspeito ladrão, um amigo do inspector chefe consegue encontrar o documento roubado, "escondido à vista de todos".

Assim acontece com aquilo que é sem dúvida a mais descarada e criminosa conspiração dos tempos modernos, a Grande Reinicialização de Davos. Tudo está lá, aberto a qualquer pessoa com paciência para percorrer as páginas dos comunicados de imprensa e páginas web do WEF. É notável que os actores globais, o "quadro" de Davos cuidadosamente escolhido ao longo dos últimos trinta anos para ser preparado para posições de poder para implementar a agenda do Grande Reinicialização, são abertamente nomeados no sítio web de Davos, encontrados com uma pequena pesquisa paciente. Apareceram listas parciais nomeando um pequeno punhado dos "Jovens Líderes Globais" de Davos. Uma pesquisa mais exaustiva de cerca de 1400 nomes nas aulas anuais do quadro escolar desde 1992 revela uma espantosa e detalhada conspiração. O sítio web do WEF afirma que os líderes globais são "treinados para estarem alinhados com a missão do Fórum Económico Mundial", para "impulsionar a cooperação público-privada no interesse público global".

O que se segue é o resultado da revisão de cada classe de futuros líderes globais do FEM desde 1993.

O que é mais notável é que os principais actores ligados a Schwab estão envolvidos nas medidas decisivas que tornaram a COVID-19 "pandemia" no processo económica e fisicamente destrutivo que é. Os ex-alunos do WEF estão no meio de tudo o que se refere ao Covid.

Davos, Gates e vacinas mRNA

No centro da agenda COVID-19 está claramente o lançamento em "velocidade vertiginosa" (“warp speed”) de misturas experimentais não testadas de genes mRNA editados, mal chamadas de vacinas, por duas empresas farmacêuticas – a Pfizer (com a BioNTech da Alemanha) e a Moderna dos EUA.

Bill Gates (WEF 1993) e a sua Fundação Gates estão no centro do lançamento das injecções de genes mRNA editados, juntamente com Tony Fauci do NIAID dos EUA. Gates foi seleccionado por Schwab antes mesmo de ele ter criado a Fundação Bill e Melinda Gates, em 1993, para o primeiro grupo de quadros do WEF juntamente com Angela Merkel, Tony Blair, Gordon Brown e outros. Será que Schwab influenciou Gates a criar a fundação?

O dinheiro da Fundação Gates, centenas de milhões, comprou efectivamente o controlo da corrupta Organização Mundial de Saúde da ONU, segundo a denunciante da OMS, a epidemiologista suíça Astrid Stuckelberger, a qual numa entrevista recente declarou: "A OMS mudou desde que lá estive... Houve uma mudança em 2016... Foi especial: Organizações não-governamentais – tais como a GAVI, Global Alliance for Vaccine Immunization, liderada por Bill Gates – juntaram-se à OMS em 2006 com um fundo. Desde então, a OMS evoluiu para um novo tipo de organização internacional. A GAVI ganhou cada vez mais influência, e imunidade total, mais do que os diplomatas na ONU".

A fundação de Gates, juntamente com o WEF de Schwab, criaram a GAVI global –The Vaccine Alliance em 2000. Outro infame ex-aluno da classe dos Líderes Globais do WEF Gates, José Manuel Barroso (WEF 1993), –Presidente da Comissão Europeia de 2004-2014, ex-chefe da Goldman Sachs International, membro do Comité Director da Bilderberg – foi nomeado CEO da aliança de vacinas GAVI financiada por Gates em Janeiro de 2021, quando foram lançadas as injecções mRNA. Barroso agora supervisiona os gastos globais com as vacinas do mRNA para Gates e a OMS.

Albert Bourla, director executivo da Pfizer, é um Contribuinte da Agenda do WEF. O seu vice-presidente da Pfizer, Vasudha Vats (WEF 2021), é um "líder global" recruta do WEF.

O outro principal fabricante de injecções mRNA é a Moderna, cujo CEO, Stéphane Bancel (WEF 2009) é outro ex-aluno de Davos. Logo no ano seguinte, 2010, Bancel foi seleccionado para ser CEO de uma nova empresa, Moderna, em Massachusetts. Em 2016, sem nenhum produto mRNA bem sucedido ainda aprovado, a Moderna da Bancel assinou um acordo-quadro global de projectos de saúde com a Fundação Bill & Melinda Gates para avançar com projectos de desenvolvimento baseados no mRNA para várias doenças infecciosas. No mesmo ano, a Bancel assinou um acordo-quadro de projecto global de saúde com Tony Fauci e o NIAID. Num discurso proferido em Janeiro de 2018 na Conferência do JP Morgan Healthcare, mais de um ano antes de o mundo ter ouvido falar da COVID-19 vinda de Wuhan China, Gates declarou: "Estamos a apoiar empresas como a CureVac e a Moderna nas abordagens mRNA para o desenvolvimento de vacinas e drogas...". Presciência?