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sexta-feira, 24 de julho de 2026

O Atolamento das Vaidades


Ontem, Donald Trump declarou que a guerra com o Irão está a correr “melhor do que qualquer um esperava”. Está a delirar, é claro. E os seus delírios são a razão pela qual o preço do petróleo voltou a cerca de 100 dólares por barril e - como explicarei em breve  - o preço real é muito superior a isso.

A guerra gratuita de Trump contra o Irão transformou-se num atoleiro notável - notável porque a única coisa que mantém a guerra em curso é a vaidade de Trump. Perdeu efectivamente a guerra nos primeiros tempos, quando se tornou evidente que o regime de linha dura do Irão tinha sobrevivido ao ataque inicial e que os militares norte-americanos não conseguiam manter o Estreito de Ormuz aberto. Mas Trump é psicologicamente incapaz de admitir o fracasso. Assim, a guerra continua, enfraquecendo os Estados Unidos a cada dia, enquanto ele procura alguma forma de transformar a sua derrota abjeta numa vitória.

E as declarações de que as consequências económicas da guerra foram contidas parecem agora perigosamente prematuras.

É verdade que, durante o primeiro fecho do Estreito, os preços do petróleo não subiram tanto como muitos analistas - incluindo eu próprio, em certa medida - esperavam. Parte do petróleo do Golfo Pérsico chegou aos mercados contornando o Estreito de Ormuz, principalmente através do oleoduto saudita para o Mar Vermelho. A China reduziu drasticamente as suas importações de petróleo. E o mundo compensou uma parte substancial da escassez de oferta reduzindo os seus stocks.

O segundo encerramento de Ormuz pode ser pior, por vários motivos. Os aliados houthis do Irão estão agora a atacar navios no Mar Vermelho, ameaçando esta válvula de segurança. Além disso, os stocks estão agora muito mais baixos do que quando o conflito começou e não podem servir de reserva daqui para a frente.

Talvez o mais importante a perceber sobre a situação actual, no entanto, é que o petróleo é mais caro do que parece.

Ninguém queima petróleo bruto. O petróleo precisa de ser refinado para se transformar em combustíveis utilizáveis, principalmente gasolina e gasóleo. E há uma escassez global de capacidade de refinação. Isto reflecte em parte a guerra no Irão, mas também a campanha surpreendentemente eficaz da Ucrânia contra a infra-estrutura energética de Vladimir Putin.

Esta escassez de capacidade de refinação ajudou a manter os preços do crude baixos - porquê comprar crude se não se pode refiná-lo? Mais importante, porém, significa que os preços dos produtos petrolíferos para os consumidores finais são muito mais elevados do que seria de esperar, tendo em conta o preço do petróleo bruto. O gráfico no início deste post mostra o preço do gasóleo no mercado grossista, que mesmo durante o cessar-fogo falhado estava muito acima do seu nível pré-guerra e está agora próximo do seu pico anterior.

O spread geral - a diferença de preço entre um barril de crude e o preço dos produtos refinados a partir desse barril - explodiu, de cerca de 25 dólares por barril antes da guerra para mais de 65 dólares agora:

Do ponto de vista dos consumidores finais, isto equivale a um aumento de 40 dólares por barril no preço do crude. Na prática, o mundo está a lidar com o equivalente a 140 dólares pelo petróleo, embora o preço anunciado ronde "apenas" os 100 dólares.

Prenuncia uma catástrofe económica? Não, ainda não. Mas não é um bom sinal.

A desaceleração da inflação no mês passado parece agora temporária. Com os preços da energia a subirem novamente - para não falar do impacto inflacionista da nova ronda tarifária de Trump, imposta sob a desculpa absurda de que as nações não estão a fazer o suficiente para acabar com o trabalho forçado - as taxas de juro vão quase certamente subir, intensificando a pressão sobre as famílias e as empresas. As taxas de longo prazo, refletindo os futuros aumentos esperados da Fed, são já demasiado elevadas:

Ainda assim, as coisas podiam ser piores. E podem estar prestes a piorar. O Wall Street Journal refere que Trump está em "modo de vingança" e que as forças armadas dos EUA estão a enviar tropas para o Médio Oriente.

E se Trump insistir no fracasso, intensificando drasticamente a sua guerra desastrosa, os impactos económicos, para não falar dos humanos, serão muito mais graves.

segunda-feira, 6 de abril de 2026

Há um novo estreito em risco por causa da guerra entre Irão e EUA - trata-se do Estreito de Bab El-Mandeb : custos do comércio global podem disparar



O estreito de Bab El-Mandeb é uma das rotas comerciais mais importantes do mundo e separa os continentes asiático e africano. É a ligação entre o Mar Vermelho e o Oceano Índico, através do Golfo de Áden, e também uma das vias marítimas para o Canal do Suez, que liga ao Mediterrâneo.

A localização do Bab El-Mandeb confere-lhe uma enorme importância estratégica, que o Irão ameaça agora, através dos houthis, os maiores aliados que Teerão tem na região.

Os houthis são uma parte dos chamado Eixo da Resistência, uma coligação militar informal, liderada pelo Irão, que reúne vários grupos rebeldes armados que lutam contra a influência dos Estados Unidos, Israel e aliados no Médio Oriente.

O estreito fica entre o Iémen, o Djibuti e a Eritreia e é usado por cerca de 20 mil navios por ano, que representam um quinto de todo o comércio mundial.

Desde que o Irão bloqueou Ormuz, por exemplo, tem sido usado pela Arábia Saudita como única via para exportar milhões de barris de petróleo.

Nos últimos dois anos, os houthis atacaram e sequestraram alguns navios na passagem por Bab El-Mandeb, mas agora ameaçam com ataques em grande escala, que podem obrigar ao fecho do estreito e que podem, mesmo, chegar aos navios que atravessam o Mar Vermelho.

A ameaça de eventual bloqueio surge poucas horas depois de o Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ter voltado a endurecer o discurso contra Teerão, incluindo referências a possíveis ataques a infraestruturas como centrais elétricas e pontes.

Neste domingo Ali Akbar Velayati, conselheiro do novo líder supremo iraniano, Mojtaba Khamenei, afirmou neste domingo numa publicação em inglês na rede social X que Washington deve encarar esta passagem estratégica “como encara Ormuz”, sugerindo que poderá sofrer perturbações semelhantes às já registadas no Golfo Pérsico.

Um analista do Atlantic Council não tem dúvidas do que pode acontecer se Trump não terminar rapidamente esta guerra: "O regime iraniano demonstrou o imenso poder global que pode exercer ao fechar o Estreito de Ormuz e ao pressionar a economia mundial. Se Trump agravar a situação ao atacar a ilha iraniana de Kharg, de onde é exportado 90% do petróleo do Irão, ou atacar a infraestrutura energética regional, o Estreito de Bab el-Mandeb tornar-se-á uma via crucial para o regime demonstrar o seu poder. Não estamos numa situação em que os iranianos estejam a capitular, já que Trump também está desesperado para negociar", constatou Danny Citrinowicz, citado pelo El País.

Se isso acontecer, será mais um golpe severo para a economia mundial, com os navios obrigados a irem dar a volta pelo Cabo da Boa Esperança, na África do Sul, aumentando exponencialmente os custos de milhares de produtos essenciais.

sexta-feira, 6 de março de 2026

Invasão do Irão - a complexa teia de conflitos no Médio Oriente: um contributo histórico e teológico


Este cartoon que circula na net é pura desinformação e demonstrativo que há muita ignorância sobre o Islamismo,  o papel dos EUA, Palestina, Irão e Israel e Arábia Saudita e o extremismo muçulmano.
Vamos por partes: 

O Irão era um país governado por xiitas. Uma minoria no mundo muçulmano. 

Geografia
O termo "países sunitas" geralmente se refere a nações onde a maioria da população muçulmana segue o Sunismo, que é o maior ramo do Islão (estimado em 85% a 90% de todos os muçulmanos do mundo).

Diferente do Xiismo, que tem uma concentração geográfica muito clara (principalmente Irão e Iraque), o Sunismo está distribuído por quase todo o mundo islâmico.

Principais países de maioria Sunita
Estes países são centros políticos, culturais ou demográficos do mundo sunita:
  1. Arábia Saudita: considerada o "berço do Islão", abriga Meca e Medina. É a principal potência sunita no Médio Oriente
  2. Indonésia: o país com a maior população muçulmana do mundo, predominantemente sunita.
  3. Egito: sede da Universidade de Al-Azhar, a instituição de ensino sunita mais prestigiada do mundo.
  4. Turquia: embora laico é uma potência regional com uma longa tradição histórica sunita (herança do Império Otomano).
  5. Paquistão: possui uma das maiores populações sunitas globais.
  6. Nigéria: tem a maior população muçulmana da África Subsariana, maioritariamente sunita.
  7. Palestinos são maioritariamente sunitas.
Além disso existem países onde os xiitas não são a maioria absoluta, mas controlam o destino da nação:
  1. Líbano: não há um censo oficial recente, mas estima-se que os xiitas sejam o maior grupo religioso individual (cerca de 30-35%). Através do Hezbollah, os xiitas exercem um poder militar e político que muitas vezes supera o do próprio estado libanês.
  2. Iémen: cerca de 35-42% da população é Zaidita (um ramo do xiismo, como discutimos sobre os Houthis). Eles controlam atualmente a capital, Sanaa, e grande parte do norte do país.
  3. Síria: o país é majoritariamente sunita (70%), mas é governado pela família Al-Assad, que pertence aos Alauítas (um ramo minoritário e místico do xiismo). Por serem uma minoria xiita governando uma maioria sunita, o Irão é o seu aliado mais vital para se manterem no poder.
As diferenças teológicas entre sunitas e xiitas
A divisão entre Sunitas e Xiitas é a maior e mais antiga cisão do Islão. Embora ambos partilhem os pilares fundamentais - como a crença em um único Deus (Allah), no Alcorão e no Profeta Muhammad — a divergência começou como uma disputa política de sucessão que, ao longo dos séculos, ganhou camadas teológicas profundas. A separação ocorreu logo após a morte do Profeta Muhammad em 632 d.C.
  1. Sunitas: acreditavam que o líder (Califa) deveria ser escolhido por consenso entre os membros da comunidade e os seus companheiros. Eles apoiaram Abu Bakr, um amigo próximo do Profeta.
  2. Xiitas: acreditavam que a liderança era um direito divino e deveria permanecer na linhagem direta do Profeta. Eles apoiaram Ali, primo e genro de Muhammad, afirmando que ele foi designado pelo próprio Profeta. 
Com o passar dos séculos, essa disputa política evoluiu para divergências teológicas fundamentais. A principal delas reside no conceito de Imã. Para os sunitas, o Imã é um líder religioso e de oração, um homem respeitável, mas sem poderes sobrenaturais ou infalibilidade. Já para os xiitas, o Imã é uma figura divinamente inspirada e infalível, que possui um conhecimento esotérico do Alcorão inacessível aos homens comuns. A vertente majoritária do xiismo acredita em uma linhagem de doze Imãs, sendo que o último teria entrado em ocultação e retornará no fim dos tempos como o Mahdi, o salvador da humanidade.

Essas visões de mundo também alteraram a estrutura de autoridade. O Islã sunita é historicamente menos hierarquizado, focando na interpretação de textos por diversos juristas. O Islão xiita, por sua vez, desenvolveu uma hierarquia clerical muito forte e organizada - como os Aiatolás no Irão - onde os fiéis buscam orientação em líderes vivos que representam a autoridade do Imã oculto. 
Até mesmo nos rituais há nuances: embora ambos rezem voltados para Meca e sigam os cinco pilares do Islão, os xiitas costumam tocar a testa numa pequena pedra de argila (turbah) durante a prece e celebram datas de martírio, como a Ashura, com uma intensidade emocional e ritualística que não existe no mundo sunita.

Os Houthis (oficialmente conhecidos como Ansar Allah) trazem uma camada extra de complexidade a essa conversa. Eles são muçulmanos, mas pertencem a um ramo específico e diferente do que discutimos até agora.

Aqui está o "RX" religioso e político dos Houthis:
1. Eles são Xiitas, mas "Diferentes"
Os Houthis pertencem ao Zaidismo (ou Xiismo de Cinco Imames).O que isso significa? O Zaidismo é um ramo do xiismo que existe quase exclusivamente no Iémen.
Proximidade com os Sunitas: teologicamente, os zaiditas são considerados o ramo do xiismo mais próximo dos sunitas. Eles não acreditam na infalibilidade dos Imames da mesma forma que os xiitas do Irão (Duodecimanos) e não partilham a mesma hierarquia clerical rígida.
2. A Relação com o Irão
Embora os Houthis sejam zaiditas e os iranianos sejam xiitas duodecimanos, eles se tornaram aliados próximos por razões estratégicas- O "Eixo de Resistência": O Irão fornece armas, drones e treino aos Houthis.
Inimigo Comum: Ambos se opõem fortemente à influência dos EUA e da Arábia Saudita (que faz fronteira com o Iémen e interveio militarmente contra os Houthis).

Onde eles se encaixam no mapa que montamos?

Para facilitar a visualização de quem é quem nas alianças atuais:

Grupo radical/País

Ramo Religioso

Principal Aliado

Hamas (Palestinos)

Sunita

Irão (Apoio financeiro/militar)

Hezbollah (Líbano)

Xiita (Duodecimano)

Irão (Alinhamento total)

Houthis (Iémen)

Xiita (Zaidita)

Irão (Apoio militar/logístico)

ISIS e Al-Qaeda (Arábia Saudita)

Sunita 

EUA / Países do Golfo


Curiosidade: o Lema Houthi
Se você vir imagens dos Houthis, verá frequentemente uma bandeira com frases escritas em árabe (o Sarkha). O lema deles é bastante agressivo e reflete sua ideologia política: "Deus é o maior, morte à América, morte a Israel, maldição sobre os judeus, vitória para o Islão".

Política e gestão estratégica petróleo e nuclear
Na política do Médio Oriente, prevalece a regra de que o inimigo do meu inimigo é meu amigo. A Arábia Saudita, de liderança sunita, e o Irão, de maioria xiita, disputam a hegemonia da região há décadas, e o Irão é visto pelos sauditas como uma ameaça muito mais direta e existencial do que Israel. Como Israel também é o maior adversário do Irão, a Arábia Saudita e Israel tornaram-se aliados informais, trocando inteligência e cooperação militar de forma discreta para conter a influência iraniana.

Somado a isso, há a aliança estratégica com os Estados Unidos, já que a Arábia Saudita é um dos maiores parceiros americanos no mundo e o seu exército é quase inteiramente equipado com tecnologia dos EUA. Como Israel é o aliado número um de Washington, uma invasão saudita a Israel seria um suicídio diplomático e militar, pois os Estados Unidos cortariam todo o apoio à monarquia e possivelmente interviriam para proteger o Estado judeu.

O Paquistão consolida-se como uma das nações mais complexas do cenário global, sendo o país com a segunda maior população muçulmana do mundo, atrás apenas da Indonésia. Sua identidade é intrinsecamente ligada ao Islão, tendo sido fundado em 1947 como um refúgio para os muçulmanos do subcontinente indiano — um projeto liderado por Muhammad Ali Jinnah, que, curiosamente, era de origem xiita. Embora o país tenha nascido sob um ideal de união muçulmana contra o domínio britânico e a maioria hindu da Índia, a realidade interna contemporânea é marcada por uma profunda divisão sectária. A vasta maioria da população (cerca de 80-85%) é sunita, predominantemente da escola Hanafi e dividida entre os tradicionais Barelvi e os rigorosos Deobandi. No entanto, o Paquistão também abriga a segunda maior comunidade xiita do planeta (10-15%), o que representa um contingente expressivo de até 30 milhões de pessoas.

Essa composição demográfica coloca o Estado em uma posição diplomática delicada, funcionando como um pêndulo entre as influências da Arábia Saudita e do Irão. Enquanto os sauditas atuam como pilares económicos, fornecendo petróleo e suporte financeiro, o Irã é um vizinho geográfico direto com o qual o Paquistão precisa manter uma estabilidade fronteiriça pragmática. Essa dualidade frequentemente transborda para conflitos internos, onde grupos radicais sunitas realizam ataques sectários alimentados por rivalidades externas. O que eleva drasticamente o peso dessa instabilidade interna é o fato de o Paquistão ser a única nação do mundo islâmico a possuir um arsenal nuclear comprovado, o que torna sua segurança institucional uma prioridade de vigilância global.

Diferente de Estados laicos, a "República Islâmica" integra a Sharia em seu sistema judicial e exige constitucionalmente que seus líderes máximos sejam muçulmanos. Em 2026, o desafio do país permanece o mesmo: equilibrar uma economia fragilizada e as pressões de grupos extremistas internos com a responsabilidade de ser uma potência nuclear em uma das regiões mais voláteis do mapa. A manutenção deste equilíbrio é o que define não apenas a sobrevivência do Estado paquistanês, mas a própria segurança regional no Sul da Ásia.

Neste cenário de equilíbrios delicados, a Turquia desempenha um papel de "irmã estratégica" e modelo político alternativo. Ao contrário do modelo teocrático iraniano ou da monarquia absoluta saudita, a Turquia — historicamente laica, mas sob uma liderança que busca resgatar o prestígio islâmico — oferece ao Paquistão uma parceria baseada na cooperação militar e tecnológica. Ancara é um dos principais fornecedores de hardware militar para Islamabad (incluindo navios de guerra e drones), ajudando o Paquistão a modernizar suas defesas sem depender exclusivamente do Ocidente ou da China. Além disso, a Turquia utiliza o "soft power" cultural, como suas produções televisivas de temática histórica islâmica, para fortalecer laços com a juventude paquistanesa, promovendo uma visão de liderança sunita moderna e resiliente.

Essa aproximação com a Turquia permite ao Paquistão reduzir sua dependência histórica de Riade, embora os sauditas continuem sendo os principais financiadores económicos e fornecedores de petróleo. Enquanto o Irã permanece como um vizinho geográfico que exige uma convivência pragmática para evitar conflitos de fronteira, a Turquia surge como o parceiro ideal para o desenvolvimento industrial e a projeção de voz nos fóruns internacionais. Em 2026, o desafio do governo paquistanês é navegar por esse triângulo de potências (Arábia Saudita, Irão e Turquia) enquanto gere uma economia fragilizada e garante que seu poderio nuclear permaneça sob controle firme, evitando que as tensões sectárias internas alimentadas por rivalidades externas desestabilizem o Estado.

Israel, Arábia Saudita e Estados Unidos
Atualmente, o foco saudita mudou sob a liderança do Príncipe Herdeiro Mohammed bin Salman, que lançou o plano Visão 2030 para modernizar a economia e reduzir a dependência do petróleo. Ele sabe que uma guerra regional destruiria os planos de atrair turistas e empresas de tecnologia, pois a estabilidade é melhor para os negócios do que o conflito ideológico. Esse caminho da diplomacia ficou evidente com os Acordos de Abraão, onde a Arábia Saudita estava muito perto de reconhecer oficialmente Israel antes do conflito em Gaza em 2023. Para os sauditas, a causa palestina funciona hoje mais como uma ferramenta de negociação para obter concessões do que como um motivo real para uma guerra aberta.

sábado, 28 de fevereiro de 2026

"Guerras preventivas são proibidas." Ana Gomes diz que ataques de Israel e EUA ao Irão "são completamente ilegais"


Ana Gomes confessou, este sábado, "olhar com surpresa" para os ataques de Israel e dos Estados Unidos da América contra o Irão. Em declarações à TSF, antiga eurodeputada considerou que a ação militar de ambos os países "completamente ilegal".
"É uma atuação da Administração Trump, de Israel e de quem os apoiar completamente ilegal. Guerras preventivas são guerras proibidas no direito internacional", afirmou à TSF Ana Gomes.
A ex-eurodeputada argumenta também que a "desculpa" de uma "guerra preventiva" é "absolutamente ridícula", uma vez que os EUA "estavam em negociações com o Irão".

Os Estados Unidos e Israel iniciaram esta manhã um ataque conjunto ao Irão, que atingiu a capital, Teerão.
O Presidente norte-americano, Donald Trump, anunciou que os Estados Unidos iniciaram "grandes operações de combate no Irão" e o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, afirmou que o ataque tem como objetivo "eliminar uma ameaça existencial representada" pelo regime iraniano.
Washington exige que o Irão cesse o enriquecimento de urânio e limite o alcance dos seus mísseis, que Teerão recusa, aceitando apenas cortes no seu programa nuclear em troca da suspensão das sanções em vigor.
Segundo as autoridades iranianas, os bombardeamentos já provocaram pelo menos 40 mortos e 48 feridos.
O Irão já respondeu, lançando mísseis sobre bases militares norte-americanas de vários países da região.

Cardinal Pizzaballa slams US-backed ‘Board of Peace’ for Gaza as ‘colonialist operation’


New photos and videos highlight close ties between Epstein and Trump

domingo, 13 de julho de 2025

O Império é um constante insulto à nossa inteligência

Fonte: Caitlin Johnstone

Os EUA impuseram sanções à relatora especial do Conselho dos Direitos do Homem da ONU, Francesca Albanese, por ter usado a sua posição para se opor ao genocídio mais exaustivamente documentado da história. 

Simultaneamente, os EUA retiraram o HTS, o franchising sírio da Al-Qaeda, da sua lista de organizações terroristas, porque o seu líder levou a cabo com êxito a mudança de regime em Damasco que o império ocidental perseguia há anos. 

Ao mesmo tempo, o Reino Unido acrescentou o grupo de ativismo não violento anti-genocídio Palestine Action à sua lista de organizações terroristas proibidas por se opor ao holocausto de Gaza. 

Ao mesmo tempo, o Primeiro-Ministro israelita que está a levar a cabo esse holocausto nomeou para o Prémio Nobel da Paz o Presidente americano que está a ajudar a perpetrar atrocidades genocidas. (…) O império ocidental é um insulto incessante à nossa inteligência. 

Os defensores da paz são terroristas, os arquitetos do genocídio merecem prémios da paz, os jornalistas são perigosos (…) 

Fazem tudo o que podem para nos tornar estúpidos através da propaganda, do controlo da informação de Silicon Valley e de sistemas de ensino doutrinários, e depois tratam-nos como se fôssemos idiotas para o resto das nossas vidas. O império depende da ignorância. Quanto mais estúpidos, racistas, ingénuos e facilmente distraídos nos tornarmos, mais agendas nefastas o império pode implementar. (…)”

The US has imposed sanctions on UN Human Rights Council Special Rapporteur Francesca Albanese for using her position to oppose the most thoroughly documented genocide in history.

At the same time, the US has removed Syria’s Al Qaeda franchise HTS from its list of designated terrorist organizations, because its leader successfully carried out the regime change in Damascus that the western empire had been chasing for years.

At the same time, the UK has added nonviolent anti-genocide activism group Palestine Action to its list of banned terrorist organizations for opposing the Gaza holocaust.

At the same time, the Israeli prime minister who is carrying out that holocaust has nominated the American president who is helping him perpetrate genocidal atrocities for a Nobel Peace Prize.

At the same time, Israel has continued its ban on foreign journalists entering Gaza, while also arresting the Israeli journalist who helped expose the IDF officials who cooked up fake atrocity propaganda about burnt babies on October 7.

At the same time, the Trump administration has enraged its MAGA base by concluding that Jeffrey Epstein had no client list for any kind of sexual blackmail operation and definitely committed suicide.

The western empire is one nonstop insult to our intelligence. The peace advocates are terrorists, the genocide architects deserve peace prizes, the journalists are dangerous, and Epstein was just a wealthy socialite who made a few mistakes.

They do everything they can to make us stupid via propaganda, Silicon Valley information control, and indoctrination schooling systems, and then they treat us like we’re morons for the rest of our lives.

The empire depends on ignorance. The more stupid, racist, gullible, and easily distracted we become, the nastier agendas the empire can roll out. Now here we are watching a live-streamed genocide unfold right in front of our eyes for nearly two years while being tube fed a daily diet of the most ridiculous lies imaginable.

As Aaron Bushnell said, this is what our ruling class has decided will be normal.

segunda-feira, 25 de dezembro de 2023

Empresas de transporte marítimo valorizam 22 mil milhões à boleia do conflito no Mar Vermelho


Desgraça de uns, sorte de outros. As maiores transportadoras marítimas do mundo registaram um salto na capitalização bolsista desde que começaram os ataques das milícias houthis. Agora, os barcos têm de contornar África para chegar à Europa, o que torna tudo mais caro.

Na senda da guerra entre Israel e a organização terrorista islâmica Hamas, as milícias houthi do Iémen começaram a atacar, há semanas, barcos no Mar Vermelho com drones e outras armas. Em meados de novembro, o grupo sequestrou um cargueiro, o "Galaxy Leader", propriedade de uma empresa israelita. Os houthis ameaçam agora atacar qualquer navio a caminho de Israel, se não for autorizado o transporte de mais alimentos e medicamentos para a Faixa de Gaza.

Os ataques dos houthis à navegação internacional são tão ferozes que quatro companhias de navegação internacionais anunciaram que vão passar a contornar uma das mais importantes rotas marítimas do mundo: o estreito de Bab al-Mandab, que liga o Golfo de Aden ao Mar Vermelho.

Os ataques dos Houthi a navios mercantes enquanto navegam através do Mar Vermelho estão a aumentar as acções de empresas que transportam tudo, desde bens manufacturados a petróleo e mercadorias.

A capitalização de mercado combinada das maiores companhias marítimas de capital aberto do mundo aumentou cerca de 22 mil milhões de dólares desde 12 de Dezembro, quando os ataques realmente aumentaram.

O aumento deve-se ao facto de um grande número de navios optar por evitar a área de conflito, onde os custos de seguro estão a aumentar. Isso significa que não podem usar o Canal de Suez do Egipto para fazer a ligação entre a Ásia e a Europa e, em vez disso, têm de navegar milhares de quilómetros ao redor de África para fazerem as suas entregas.

As maiores distâncias ocupam as frotas por mais tempo, reduzindo a oferta de navios. Os atrasos também causarão algumas perturbações, uma vez que os navios chegam aos seus destinos mais tarde do que o esperado e, em seguida, atrasam o regresso às suas próximas cargas, prejudicando ainda mais o abastecimento dos navios.

A Keuhne+Nagel, um gigante da logística global, disse quarta-feira que 103 navios porta-contentores foram desviados em torno de África, um número que espera aumentar. Alguns proprietários de petroleiros também insistiram em opções em seus fretamentos para evitar o sul do Mar Vermelho, enquanto a BP Plc e a Equinor ASA também se esquivaram da área.

A capitalização de mercado combinada das empresas do Solactive Global Shipping Index subiu para quase US$ 190 bilhões na quarta-feira. Em 12 de dezembro, era de US$ 166,2 biliões.

Existem também centenas de companhias marítimas privadas que poderão beneficiar se a perturbação no Mar Vermelho aumentar os custos de frete.

Saber mais:

segunda-feira, 21 de agosto de 2023

"Dispararam como chuva". Arábia Saudita acusada de mortes em massa de migrantes etíopes



Os guardas fronteiriços sauditas estão a ser acusados de matar centenas de migrantes, a maioria etíopes, usando armas explosivas e armas pequenas.No relatório da HRW, intitulado “They fired on us like rain” (“Eles dispararam contra nós como chuva”), conclui-se que "os guardas fronteiriços sauditas utilizaram armas explosivas para matar muitos migrantes e dispararam sobre outros à queima-roupa, incluindo muitas mulheres e crianças, num padrão de ataques generalizado e sistemático".

Em alguns casos, segundo o relatório, “os guardas fronteiriços sauditas perguntaram aos migrantes em que membro deviam disparar e depois dispararam sobre estes à queima-roupa".

No total, a HRW estima que "os guardas fronteiriços sauditas mataram pelo menos centenas de requerentes de asilo e migrantes etíopes que tentaram atravessar a fronteira entre o Iémen e a Arábia Saudita entre março de 2022 e junho de 2023". Os migrantes procuram atravessar o Iémen devastado pela guerra para chegar à Arábia Saudita.

A ONG defende que "os abusos sistemáticos sobre os etíopes (na Arábia Saudita) podem constituir crimes contra a humanidade" e apelou às Nações Unidas que iniciem uma investigação. A organização exigiu ainda à Arábia Saudita que revogue "imediata e urgentemente qualquer política de uso de força letal contra migrantes e requerentes de asilo".

“Vi pessoas mortas de uma maneira que nunca imaginei”

Algumas das pessoas que viajavam em grupos descreveram ter sido atacadas pelos guardas fronteiriços sauditas, munidos de espingardas e de outras armas explosivas, assim que cruzaram a fronteira. Outras afirmaram que foram espancadas por guardas com pedras e barras de metal. Mais de uma dezena de entrevistados testemunharam ou foram alvo de disparos à queima-roupa e seis foram atingidos tanto por armas explosivas como por disparos.

Algumas das testemunhas disseram que os guardas sauditas às vezes os mantinham em centros de detenção, em alguns casos durante meses, e os espancavam.

"Um rapaz de 17 anos afirmou que os guardas fronteiriços o obrigaram, juntamente com outros sobreviventes, a violar duas raparigas, também elas sobreviventes, depois de os guardas terem executado outro migrante que se recusou fazê-lo", refere o documento.

Todas descrevem um cenário de terror: vários corpos de mulheres, homens e crianças no chão, gravemente feridos, já mortos ou desmembrados.

“Vi pessoas mortas de uma maneira que nunca imaginei”, disse Hamdiya, uma menina de 14 anos que cruzou a fronteira com um grupo de 60 pessoas em fevereiro, citada pelo relatório. “Vi 30 pessoas mortas no local”, afirmou.

A principal investigadora do relatório da HRW, Nadia Hardman, descreveu as descobertas como “obscenas”.

“Eu cubro a violência nas fronteiras, mas nunca encontrei algo desta natureza, o uso de armas explosivas, inclusive contra mulheres e crianças”, disse Hardman.

Arábia Saudita rejeita acusações
As autoridades sauditas responderam ao relatório da HRW no passado sábado, rejeitando veementemente as acusações de assassinatos sistemáticos ou em grande escala.

"Com base nas informações limitadas fornecidas, as autoridades do Reino não descobriram nenhuma informação ou prova para confirmar ou sustentar as alegações", respondeu o Governo saudita numa carta enviada à ONG.

Cerca de 750 mil etíopes vivem e trabalham na Arábia Saudita e, "embora muitos migrem por razões económicas, outros fugiram devido a graves violações dos direitos humanos na Etiópia, nomeadamente durante o recente e brutal conflito armado no norte do país", salientou a ONG.

Embora a HRW tenha documentado assassinatos de migrantes na fronteira com o Iémen e a Arábia Saudita desde 2014, a ONG salienta que “os assassinatos parecem resultar de uma escalada deliberada, tanto no número como na forma de assassinatos seletivos”.

A HRW insta o governo saudita a "investigar e disciplinar ou processar adequadamente o pessoal de segurança responsável por assassinatos ilegais, ferimentos e tortura na fronteira com o Iémen" e apela aos "países preocupados" que imponham sanções a "funcionários sauditas e houthis credivelmente implicados em violações contínuas na fronteira".

“Os guardas de fronteira sauditas sabiam ou deveriam saber que estavam a disparar contra civis desarmados”, disse Hardman. “Se não houver justiça para o que parecem ser crimes graves contra migrantes etíopes e requerentes de asilo, isso apenas alimentará mais assassinatos e abusos", salientou