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terça-feira, 3 de março de 2026

Petição - Reconhecimento oficial de um Dia Europeu contra o Envenenamento de Vida Selvagem (1 de março)




1 de março poderia ser Dia Europeu contra o Envenenamento de Vida Selvagem. Porque a proteção da vida selvagem não pode depender das fronteiras, estamos a exigir que a União Europeia dê passos concretos e coordenados para travar o envenenamento ilegal de fauna em toda a Europa:
• Reconhecimento oficial de um Dia Europeu contra o Envenenamento de Vida Selvagem (1 de março)
• Criação de uma base de dados europeia para identificar focos e reforçar a monitorização
• Aplicação efetiva do Plano Estratégico de Roma 2020–2030
As ferramentas existem. Os planos existem. Agora é preciso vontade política.
Assine a petição

No Dia Mundial da Vida Selvagem, que se assinala esta terça-feira, 3 de março, a Quercus divulgou o balanço da atividade dos seus três Centros de Recuperação de Animais Selvagens (CRAS) em 2025, revelando a entrada de 1.673 animais ao longo do ano.

Segundo o comunicado, o número representa um aumento de 7% face a 2024.Do total, cerca de 1.577 animais ingressaram com vida e 42,2% recuperaram e regressaram ao habitat natural.

Aves representam mais de 80% dos ingressos
As aves constituíram 83,8% dos animais recebidos, seguindo-se os mamíferos com 14,4% e os répteis e anfíbios com 1,7%.

O mês de julho concentrou o maior número de admissões, com cerca de 440 animais, o equivalente a 26% do total anual, em grande parte crias órfãs.

Entre as principais causas de ingresso destacam-se a queda do ninho ou orfandade, responsável por 35,1% dos casos, e traumatismos de origem desconhecida, com 19,3%. O comunicado refere ainda situações associadas a ações humanas ilegais, como tiro (1,1%), cativeiro ilegal (1,7%) e envenenamento (0,09%).

Espécies ameaçadas entre os animais acolhidos
Em 2025, os centros acolheram 127 indivíduos de espécies classificadas com estatuto de ameaça: 111 na categoria «Vulnerável», 10 «Em Perigo» e seis «Criticamente em Perigo».

Os CRAS integraram ainda 137 estagiários e voluntários e fazem parte da Rede Nacional de Centros de Recuperação para a Fauna, coordenada pelo Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF).

Monitorização e educação ambiental
A Quercus sublinha que o trabalho desenvolvido nestas estruturas permite identificar padrões nas causas de ingresso, fatores de ameaça e áreas com maior incidência, contribuindo para a implementação de medidas corretivas.

Os centros são igualmente referidos como espaços de recolha de informação biológica, permitindo avaliar o estado dos ecossistemas e das populações, apoiar investigação aplicada à conservação da natureza e promover ações de educação e sensibilização ambiental.

Os três centros em funcionamento são o CERAS, em Castelo Branco, o CRASM, no Cadaval, e o CRASSA, no Litoral Alentejano.

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2026

Do mar à terra, passando pelos céus: como as tempestades afetam a vida selvagem


O “comboio de tempestades” que durante semanas atingiu Portugal deixou no seu encalço um rasto de devastação. Casas destruídas, estradas e outras vias arruinadas e já 16 pessoas morreram desde que a 28 de janeiro a tempestade Kristin se abateu sobre o território nacional.

No entanto, as intempéries, mais inclementes e frequentes à medida que o planeta se torna mais quente, afetam não só os mundos humanos, mas também os dos animais selvagens.

Desde 25 de janeiro, e com maior intensidade no mês de fevereiro, centenas de aves marinhas têm dado à costa portuguesa, de norte a sul do país. À Green Savers, Hany Alonso, técnico sénior de Ciência da Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves (SPEA), diz que desde que a tempestade Kristin entrou em Portugal foram já registados mais de 400 papagaios-do-mar arrojados, a maior parte dos quais no litoral norte e na região de Peniche.

Segundo dados de parceiros internacionais, também na Galiza foram registados mais de 500 papagaios-do-mar arrojados e mais de 200 ao longo da costa francesa.

No que toca a Portugal, “os números de aves afetadas poderão ser muitíssimo mais altos, pois estamos a monitorizar uma parte muito pequena da nossa costa”, acautela o ornitólogo, acrescentando que mais arrojamentos são de esperar, pois “as condições continuam difíceis no mar”.

Já no inverno de 2022 para 2023, também fruto de tempestades, em duas semanas registaram-se mais de 1.700 arrojamentos de papagaios-do-mar na costa continental portuguesa, “que já foi um grande impacto nas populações desta espécie”, explica Alonso. Apesar de pequenas, essas aves estão habituadas a lidar com mares revoltosos e são “bastante resistentes”, podendo deslocar-se para áreas mais afastadas da costa até o temporal passar.

“O problema surge quando há muitas tempestades consecutivas, que dificultam a sua alimentação e deterioram a condição física das aves”, explica o ornitólogo da SPEA.

“Muitos dias com um mar difícil pode acabar por levar à mortalidade massiva de muitos indivíduos”, salienta, acrescentando que “começam a ficar mais fracos e vão-se aproximando mais de terra e acabam por arrojar nas praias, alguns vivos, mas uma grande parte já mortos”.

Além dos papagaios-do-mar, foram também registados arrojamentos de aves marinhas de outras espécies, como as tordas-miúdas, as gaivotas-tridáctilas, as gaivotas-de-patas-amarelas, os corvos-marinhos, as gaivotas-de-asa-escura e as galhetas. Ainda que essas aves estejam habituadas a lidar com mares tempestuosos, procurando abrigos mais perto da costa ou mesmo em terra, a sua resistência tem limites e, se as más condições se mantiverem durante muito tempo, acabam por sucumbir por não se conseguirem alimentar devidamente.

Embora a maior parte dos animais tenha dado à costa já sem vida, alguns ainda resistiam, tendo sido encaminhados prontamente para centros de recuperação de fauna selvagem. A esperança é que possam recuperar e regressar ao seu habitat natural.

Os impactos das tempestades, como as que temos tido, nas aves marinhas variam consoante a espécie e a idade dos indivíduos, sendo que os mais jovens e os mais fracos são, regra geral, os mais vulneráveis às intempéries. No entanto, eventos de mortalidade massiva podem abranger muitos outros indivíduos, com impactos severos para as populações da sua espécie.

As aves marinhas são um dos grupos de aves mais ameaçados em todo o mundo e estão cada vez mais pressionadas por uma miríade de fatores, como a captura acidental em redes de pesca, a poluição, a perda de habitat e de presas e as espécies invasoras. Assim, num contexto de crise climática e em linha com o que é dito pela Ciência, as tempestades, como as das últimas semanas, tornar-se-ão mais frequentes e mais intensas, e, por isso, “o impacto nas aves marinhas será grande”.

Como avisa Maria Dias, professora na Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa (FCUL) e investigadora do Centro de Ecologia, Evolução e Alterações Ambientais (CE3C), “períodos longos de tempestades geralmente afetam as aves marinhas por dificultarem a obtenção de alimento, levando, por isso, à emaciação e, por vezes, à morte”.

Como tal, Hany Alonso, da SPEA, realça a importância de monitorizar estes eventos de arrojamento em massa e tentar perceber os seus impactos, especialmente nas espécies mais afetadas, como os papagaios-do-mar, “uma espécie que as pessoas geralmente desconhecem que ocorre nos mares portugueses”.

Quando se encontra uma ave arrojada ainda viva, os especialistas dizem que o mais importante é contactar o serviço ambiental da GNR, o SEPNA, ou o ICNF, para que o animal seja encaminhado para um centro de recuperação.

“Caso seja a própria pessoa a transportar a ave para um centro de recuperação, deve evitar o contacto direto com a ave, usando luvas ou uma peça de roupa, colocar a ave numa caixa de cartão e transportar a ave o mais rapidamente para o centro mais próximo. Não tentem alimentar ou dar água à ave, pois o ideal será que seja avaliada no centro onde lhe poderão prestar os cuidados adequados”, explica o técnico da SPEA.

Sob as ondas
Os impactos das tempestades vão além das aves. Também os animais que vivem sob a superfície das águas marinhas podem sentir os seus efeitos.

Uma vez mais, as consequências das tempestades e da agitação marítima associada dependem da espécie. Como nos explicam Alicia Quirin e Patrícia Nogueira, da Associação para a Investigação do Meio Marinho (AIMM), aquelas que dependem mais de habitats costeiros, em particular de zonas de águas pouco profundas, podem ter mais dificuldades em encontrar alimento por causa da agitação do mar.

“A ação das ondas pode também causar perturbações físicas nos fundos marinhos, causando danos em habitats mais frágeis ou a ressuspensão de sedimentos, que podem afetar algas e invertebrados e, consequentemente, toda a rede alimentar associada”, detalham, em resposta enviada por e-mail.

Devido aos ventos fortes e a mares revoltosos, algumas aves e mamíferos marinhos podem ter de gastar mais energia para se deslocarem de um lado para o outro, o que pode pôr em risco a sua sobrevivência. No caso dos golfinhos, por exemplo, “podem ocorrer dificuldades na navegação, sobretudo em animais mais jovens ou fragilizados”, mas, de forma geral, “estão bem-adaptados para sobreviver num ambiente dinâmico e com condições por vezes adversas”, dizem Alicia Quirin e Patrícia Nogueira.

Como tal, é expectável que os golfinhos e outros mamíferos marinhos sejam capazes de lidar com os efeitos nos mares lançados por tempestades como as que temos enfrentado nos últimos tempos.

Para já não há registo, além das aves marinhas, de mortalidade de animais marinhos associada diretamente às tempestades das últimas semanas. As especialistas da AIMM dizem-nos também que, nestas circunstâncias, é provável que animais já mortos possam acabar por chegar à costa, “mas isso não significa obrigatoriamente que a causa de morte esteja relacionada com as condições meteorológicas”.

“Este tipo de eventos acaba por reforçar a importância de existirem redes de monitorização e de resposta a arrojamentos bem estabelecidas para que se possa perceber melhor os efeitos destes fenómenos na vida marinha. Isto é particularmente importante num contexto de alterações climáticas, em que se prevê que fenómenos extremos se tornem mais frequentes”, salientam.

quinta-feira, 18 de maio de 2023

Árvores de má sorte


Os tubos de proteção estão vazios; as árvores morreram; sobrou lixo plástico a salpicar a paisagem. As plantações de árvores autóctones falham sistematicamente. Porquê?
Há sempre a hipótese das proveniências, mas a principal causa talvez não ande por aqui ...
A vala e cômoro foi a técnica mais usada nos grandes projetos de arborização pública do séc. XX: espreite-se o GoogleEarth: até parece que as montanhas do norte e centro foram cardadas pelo pente de um gigante. Estas arborizações tiveram como ponto de partida (condição inicial) montes cobertos por um mosaico de arbustos e pastagens graminoides perenes e anuais, estabilizado pela combinação de pastoreio e fogo pastoril – herbivoria pírica assim se diz agora. No tempo zero, o stock de carbono orgânico do solo atingira um máximo em equilíbrio com o macroclima. As arborizações de pinheiro-bravo a vala e cômoro prosperaram graças à "formação de solo" (sobretudo nos xistos), à concentração da água na vala, ao controlo da vegetação natural (os diásporos e propágulos foram arrojados para o fundo da cova), e à disponibilização de nutrientes através da mineralização da matéria orgânica do solo. Não fosse o fogo ...
Nas atuais plantações ao covacho com baixas densidades em solos martirizados por fogos severos (que consomem a matéria orgânica do solo), as árvores sofrem, ainda num estado precoce do desenvolvimento, as investidas da vegetação natural e passam sede e fome – falta-lhes, sobretudo, o azoto reduzido e o boro. Nestas condições, inevitável, o sucesso das plantações depende da fertilização química da terra e da contenção da progressão sucessional, através do controlo mecânico da vegetação ou do herbicida. O fogo controlado entra em seguida. A não perturbação do solo e esta insistência de que a floresta não precisa de ser fertilizada podem, afinal, ser contraproducentes.
Para serem eficazes e eficientes nos seus propósitos, a agricultura e a silvicultura enfrentam restrições biofísicas cuja mitigação/solução não está nas micorrizas, nos extratos de algas, nas misturas de aminoácidos, no imprinting epigenético, ou nas laudas desconexas aos benefícios da flora infestante ou de um microbioma que ninguém sabe como é, por exemplo. Os princípios fundamentais há que os procurar nas velhas agronomia e silvicultura. E, acrescento, convém que os ecólogos agrícolas e florestais entendam os mecanismos básicos da produção agrícola e florestal para que os ganhos sociais e ambientais dos atuais projetos de investigação no tema sejam reais. Por outras palavras, aproveita aprender umas coisas das engenharias agronómica e silvícola.

terça-feira, 11 de janeiro de 2022

Lixo: Mega Operação de Limpeza a Costa Portuguesa

O projecto Panthalassa é a maior ação de descontaminação da costa portuguesa realizada até hoje pela associação Brigada do Mar.

                                  


Arrancou esta sexta-feira, 7 de janeiro, uma mega operação de limpeza da costa portuguesa que vai durar 18 meses e que contará com 15 ações ao longo de 350 quilómetros do litoral.

Esta grande operação de descontaminação da orla costeira de Portugal continental será realizada entre janeiro de 2022 e junho de 2023. A iniciativa chama-se Panthalassa e vai incidir, por etapas, em 350 quilómetros de areais (dos 943 quilómetros de toda a costa), entre Viana do Castelo e Monte Gordo.

A recolha de lixo e resíduos de dimensão superior a uma garrafa de plástico de litro e meio - é feita por equipas de voluntários da Brigada do Mar. Simão Acciaioli, responsável pelo projecto e pela Associação Brigada do Mar, explica que a estimativa é recolher 80 toneladas de resíduos, "que representam muitos metros quadrados que destroem a vegetação, ecossistemas e constituem um perigo para todos."

A operação Panthalassa vai ainda recolher dados referentes a animais mortos (golfinhos, tartarugas, aves) e estas informações serão partilhadas com instituições e organizações que trabalham na área ambiental e da sustentabilidade, como por exemplo o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA), Sociedade Portuguesa para o Estudo de Aves (SPEA) e Rede de Arrojamentos.

Os resíduos recolhidos vão ser encaminhados para os circuitos de tratamento, reciclagem, reutilização, aproveitamento de materiais para a indústria, como também para a criação de instalações artísticas e exposições.

Devido à pandemia, nos primeiros meses desta operação de limpeza não será possível integrar voluntários para além dos que já fazem parte destas ações. A Brigada do Mar dedica-se à limpeza de lixo das praias há 13 anos e conta já com um núcleo duro de voluntários que fazem habitualmente parte destas ações. Ainda assim, Simão Acciaioli revela como é que cada um de nós pode fazer parte deste Panthalassa.

domingo, 29 de agosto de 2021

Fundo Verde para o Clima



A criação do Fundo Verde para o Clima em 2010, no âmbito da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (UNFCCC, na sigla em inglês), gerou expectativas de investimentos constantes em projetos de adaptação climática em países em desenvolvimento. Por meio do Fundo, as nações desenvolvidas se comprometeram a viabilizar a disponibilidade de investimentos anuais de US$ 100 bilhões até 2020 para apoiar essas iniciativas.

A COP26, a ser realizada em novembro 2021 na cidade escocesa de Glasgow, permitirá que os países avaliem o progresso em relação aos compromissos firmados tanto em 2010 quanto em 2015, com o Acordo de Paris. O ritmo lento do avanço em relação à meta de US$ 100 bilhões anuais tem sido alvo de críticas, e vem propiciando a busca de novas metas para o financiamento do clima. Neste artigo, fazemos um resumo sobre o que esperar dessa análise.

O que é o Fundo Verde para o Clima?

Criado na COP21, realizada em 2010 no México, o Fundo Verde para o Clima (GCF na sigla em inglês) tem como objetivo alocar recursos em projetos e programas que visem limitar ou reduzir as emissões de gases de efeito estufa, em benefício de sociedades particularmente vulneráveis ao clima. Esses são os casos de países menos desenvolvidos, pequenos estados insulares em desenvolvimento e países africanos.

O principal objetivo do Fundo Verde é promover a mudança de paradigma em direção a caminhos de desenvolvimento de baixa emissão de carbono e aumento da resiliência ao clima.

Para garantir a eficácia dos investimentos, o fundo está desenhado para:
  • Maximizar a apropriação pelo país beneficiário
  • Estabelecer equilíbrio entre mitigação e adaptação
  • Seguir governança balanceada, com número igual de países contribuintes e recipientes em seu Conselho Diretor
  • Manter a diversidade de entidades acreditadas
  • Estabelecer diversidade de instrumentos financeiros
  • Ser o fundo mundial dedicado ao clima de maior escala
Como o Fundo Verde para o Clima Funciona?

Com sede em em Incheon, na Coreia do Sul, o Fundo Verde conta com um conselho independente. O grupo é formado por representantes dos 194 países participantes do UNFCCC, e guiado pela Conferência das Partes (COP). As diretrizes estabelecem uma estrutura de governança corporativa específica. O objetivo é garantir a tomada de decisão consensual entre países desenvolvidos e em desenvolvimento em relação à gestão dos recursos.

A diretoria é responsável pela tomada de decisão de investimentos, embora receba direcionamento da COP em questões relacionadas às normas, prioridades e elegibilidade aos recursos.

Buscando ser um catalizador de investimentos para países em desenvolvimento e financiamentos climáticos, incluindo setores público e privado, o fundo segue uma abordagem focada em países individualmente.

O Fundo funciona por meio de uma rede de parcerias que inclui mais de 200 instituições acreditadas, entre bancos comerciais nacionais e internacionais, organismos multilaterais, bancos de desenvolvimento, fundos de participação societária, agências da ONU e organizações da sociedade civil.

Em seu processo de escolha de projetos para apoiar, o Fundo busca encontrar o equilíbrio entre as prioridades locais dos países onde estão localizados e o potencial impacto gerado, levando em consideração o custo total de cada projeto, sempre tendo a perspectiva de gênero como pano de fundo.

A gestão de recursos tem um perfil mais arrojado, com maior tolerância a risco para garantir suporte a projetos em estágio inicial, que teriam maior dificuldade de conseguir financiamento de fontes tradicionais. Isso norteia as decisões de investimento de forma a incentivar inovação em políticas públicas e em novas fronteiras tecnológicas e financeiras. Para reduzir o risco, o fundo se baseia num sistema de due dilligence secundário.

O Fundo Verde busca impactar oito principais áreas referentes a mitigação e adaptação:
  • Assegurar acesso a saúde, alimentação e água
  • Moradias de pessoas e comunidades
  • Geração e distribuição de energia
  • Transporte
  • Infraestrutura
  • Ecossistemas e serviços
  • Prédios, cidades, indústrias e aparelhos domésticos
  • Florestas e uso da terra
Até o momento, a área com o maior número de projetos é a de moradias populares, com 111 projetos totalizando US$ 1,1 bilhão em financiamentos. No entanto, o setor com o maior volume de recursos é o de geração e distribuição de energia, com 50 projetos totalizando US$ 2,6 bilhões.

Projetos financiados pelo Fundo Verde para o Clima

“Apesar de a meta anual de investimentos do Fundo Verde para o Clima ser de US$ 100 bilhões ao ano, o portfólio atual conta somente com US$ 33,2 bilhões em projetos aprovados, entre financiados e cofinanciados. “Isso faz com que um total de 177 projetos estejam se beneficiando desses recursos, evitando que aproximadamente 1,8 bilhões de toneladas de CO2 equivalente sejam emitidas.

A América Latina e o Caribe têm 41 dos 177 projetos que entraram na lista de favorecidos pelo Fundo. Um exemplo de projeto financiado fica ao norte da Colômbia, em uma região chamada La Mojana, em que se buscava gerir e dar acesso a água potável para populações locais. Esse projeto foi enquadrado como adaptação. Já no setor de mitigação, outro exemplo foi o financiamento da construção de uma planta de energia solar no deserto do Atacama, no Chile.

Em todo o mundo, os projetos de mitigação foram os que mais receberam recursos, totalizando 66%, enquanto projetos de adaptação respondem por 34% dos recursos.

Os projetos são divididos entre micro (12%), pequenos (33%), médios (40%) e grandes (15%). Os recursos são repassados de maneiras distintas. A forma mais comum são empréstimos, totalizando 44%, seguido de concessões, com 42%. Outras modalidades são mais raras, como a participação societária (6% dos casos), pagamentos baseados em resultados (6%) e o oferecimento de garantias (2%).

Em 2020 foi registrado um recorde em termos de valores nominais de projetos aprovados, que totalizaram US$ 4,9 bilhões, divididos entre US$ 2,1 bilhões financiados diretamente pelo Fundo e outros US$ 2,8 bilhões provenientes de cofinanciamentos.

Situação atual e expectativas para a COP26

Ano do aniversário de dez anos da criação do Fundo Verde, 2020 estava previsto para ser o ano do clima, a partir de quando se esperava criar em todo o mundo um piso de investimentos em projetos sustentáveis, principalmente em países em desenvolvimento.

Era também o ano previsto para a realização da COP26, em Glasgow, considerada como o evento multilateral para o clima mais importante desde a realização da COP21, em 2015, que criou o Acordo de Paris.

No entanto, o ano passado acabou sendo marcado pela pandemia da Covid-19, o que desviou a atenção internacional e a mobilização de recursos para a área da saúde, comprometendo alguns esforços em favor do clima.

A meta de se atingir US$ 100 bilhões por ano em ações contra a mudança do clima ainda não foi atingida, e especialistas não acreditam que isso aconteça no curto prazo. Dados da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) mostram que ações voltadas para o clima levantaram em torno de US$ 80 bilhões em 2018. E com a pandemia os anos seguintes não devem ser muito melhores.

Ter o financiamento abaixo da meta gera problemas que vão além da direta falta de dinheiro e da incapacidade de países pobres de atingir suas próprias metas autodeterminadas. Pode gerar também uma crise diplomática que dificulta o avanço em negociações climáticas esperadas para a COP26, colocando em xeque inclusive importantes avanços já obtidos pelo Acordo de Paris.

Apesar das dificuldades, existe um ponto importante de otimismo: a mudança de governo nos Estados Unidos. O presidente norte-americano Joe Biden se apresenta como defensor do combate à mudança climática, e pode ser um importante catalizador de investimentos em sua tentativa de alçar novamente o país à posição de liderança climática, posto enfraquecido desde ao menos a não-ratificação do Acordo de Kyoto.

terça-feira, 4 de junho de 2019

Há que usar estas palavras: emergência ambiental

Foi muito infeliz que o Parlamento português se tivesse recusado a decretar a emergência ambiental, afirma o prémio Pessoa 2018.

Fonte e notícia (ver o video) aqui


Especialista dos efeitos das alterações climáticas na biodiversidade, prémio Pessoa 2018, Miguel Bastos Araújo é o convidado desta semana do “Hora da Verdade”, uma parceria PÚBLICO/Renascença, que pode ouvir na rádio esta quinta-feira, às 13h. Para o cientista, a emergência climática só se combate com uma superestrutura e dá o exemplo da União Europeia. A ONU, diz, está obsoleta, apesar de António Guterres. E está em causa a sobrevivência da humanidade.

Disse que não vamos a tempo de evitar uma crise climática e biológica no planeta e que temos uma escolha entre impactos graves e menos graves. Mas apesar disto diz-se um optimista...

O que eu quero dizer é que a atitude pessimista não é muito produtiva. É como se alguém nos atirasse no meio de um grande lago e tivéssemos que nadar até à margem, e a margem fosse muito longe e o nosso estado de preparação física não fosse suficiente. O que fazemos? Afundamo-nos ali? Ou apesar de tudo tentamos nadar? Uma atitude pessimista no meio do lago não ajudaria de todo a resolver a situação.

A probabilidade de acerto seria maior tendo uma atitude optimista e pró-activa. É isto que eu quero dizer. E a verdade é que nós somos uma espécie inteligente, temos capacidade de engenho, somos animais de sobrevivência e o meu optimismo também reside nessa capacidade que temos - mas não temos estado a aplicar com todo o empenho que deveríamos estar. É possível que em algum momento o façamos. Não vamos a tempo de voltar ao mundo do século XX em termos ambientais.


O que são os efeitos graves e os menos graves? 
Se olharmos para as tendências demográficas a nível mundial, temos um crescimento exponencial no século XX. Estamos agora a chegar aos oito mil milhões de habitantes no planeta e os cenários futuros são muito incertos. Não sabemos de todo o que é que vai acontecer. Mas a continuar com os padrões actuais chegaremos ao final do século com cerca de 14 mil milhões.

Temos outro facto indiscutível: o consumo per capita de recursos naturais e de energia também tem aumentado. Cada humano consome mais do que consumia antigamente, em média. Temos mais pessoas e mais pessoas a consumir mais. O resultado destas duas variáveis é desastroso para o planeta que tem recursos finitos. 

Mas um dos mantras da Europa é o “temos de ter mais filhos”. Mas, pelo que diz, não precisamos de multiplicar a população na Terra? 
Uma população envelhecida na União Europeia é avessa à inovação...

Mas a Europa não devia “importar” pessoas? 
Em termos humanos, não há nenhuma razão objectiva que seja avessa a que essas correcções se possam fazer, importando pessoas de sítios onde haja excesso de população. Ora, isso gera é depois problemas sociais e políticos porque nós somos uma espécie gregária, tribal e temos alguma dificuldade em integrar o que é diferente, especialmente quando temos um nível de vida médio-alto e vemos este influxo de populações como ameaçadoras desse nível de vida.

É uma percepção baseada em factos errados. Veja-se o Brexit que resulta da percepção de que havia um excesso de fluxos migratórios... Uma coisa é a percepção das pessoas lá em casa, outra a realidade económica dos países e nem sempre elas casam. Há um esforço de educação que é necessário fazer. As pessoas têm de viajar mais, conhecer mais outras culturas... A globalização económica só faz sentido havendo também uma globalização cultural. 

Mas o problema é o consumo? 
Podemos abordar a questão da sustentabilidade com estas duas variáveis. Por um lado, temos um aumento de consumidores, por outro temos um padrão de consumo que tem aumentado per capita. É bom termos uma percepção parcimoniosa de quais são os grandes mecanismos de alteração global porque é sobre esse que temos de actuar.

E quais são? 
Temos de pensar a questão da demografia sem dogmas e com pragmatismo. Este é o grande elefante na sala. Em todos os debates sobre ambiente obviamos a questão demográfica. Se vamos dobrar a população mundial até final do século, temos um problema muito sério. Ou as pessoas passam a ser pobres, muito pobres, e deixam de consumir aquilo que a classe média consome ou se querem consumir o que a classe média consome, não temos planeta que chegue. 

Não estamos a abordar a questão demográfica, porque é difícil, é política, é social, porque mexe com muitas outras variáveis e não sabemos como geri-la. Os chineses tiveram aquela política do filho único, mas na Europa com a nossa cultura seria um desastre. Não há qualquer governo que tenha coragem de implementar uma política dessas. 

Mas na China também estava a causar desastres... 
Exacto. Mas se calhar às vezes é preciso fazer um mal para ter um resultado positivo. Mas é verdade que criou problemas muito graves na China. Existe uma esperança, que tem a ver com os cânones da demografia, que são as chamadas transições demográficas. Quando existe um crescimento económico nas populações e a emergência de uma classe média, a tendência é as pessoas começarem a ter menos filhos. Foi o que se verificou na Europa, nos Estados Unidos. 

E que pode vir a acontecer na Ásia... 
Sim. Uma das razões por que este tema não é abordado é porque há essa esperança. 

Então na Europa estamos a discutir tudo ao contrário. Todos os partidos têm projectos para fazer com que as pessoas tenham mais filhos. 
Pois, se calhar não precisamos de ter mais filhos. Precisamos de repensar a economia que temos, ver se ela é sustentável com menos pessoas, com uma estrutura mais envelhecida. Isto resolve-se com uma política de abertura de fronteiras - seria um grande erro fazer uma abertura de fronteiras cega, porque nós somos Homo sapiens, somos emocionais e reagimos de uma maneira nem sempre objectiva perante as pressões externas e perante as mudanças. Isto tem de ser feito de uma maneira gradual, inteligente e participada. As pessoas têm de entender o que se faz e porque é que se faz. 

Foi o primeiro prémio Pessoa na área do ambiente... 
Esperemos que não o último...

Nesta campanha, vários partidos colocaram as alterações climáticas nos seus programas. Acha que está a haver mais consciência dos problemas? 
Acho muito bem que os partidos coloquem não só a questão das alterações climáticas mas a problemática ambiental nos seus programas. A problemática ambiental não é para dividir, não deve servir de arma de arremesso na pequena táctica política. Deve haver um consenso muito grande em torno dessas questões. Em última análise está em causa a sobrevivência da humanidade. Não gosto de ser alarmista, mas em última análise é o que está em causa. Não é uma questão de esquerda/direita, facção A, facção B. Devia haver aqui um consenso muito grande.

Evidentemente, diferentes orientações políticas podem propor diferentes soluções, mas isso faz parte do jogo democrático. É normal haver propostas mais liberais, mais social-democratas. Isso é óptimo. O que não é óptimo é haver pessoas como o Presidente dos Estados Unidos que querem ideologizar uma questão que é de humanidade, uma questão de civilização. Quando Trump vem dizer que os cientistas são de extrema-esquerda, tenta criar uma polarização falsa que apenas serve o propósito de justificar políticas que não são para o benefício comum, como a extracção de petróleo no Alasca e no caso do Brasil a destruição da floresta amazónica. 

Podemos dizer que o Acordo de Paris falhou? 
Não. O Acordo de Paris está vivo. Obviamente quem se preocupa com estas questões gostaria que se fosse mais longe e mais depressa. Mas também é verdade que estamos a lidar com sensibilidades, com um mundo complexo. O Acordo de Paris foi um passo fundamental mas não é o fim da linha. Costumo fazer esta analogia: isto é um comboio em viagem que começou em Quioto, depois teve uma paragem em Paris e que continua o seu caminho, embora haja de vez em quando uns troncos pelo caminho que se têm de tirar, como é o caso de Trump e Bolsonaro. Mas o comboio não vai parar por causa disso. E apesar de tudo o que Trump diz e faz, algumas das políticas mais arrojadas do ponto de vista da adaptação climática que se fazem são nos Estados Unidos. 

Tem-se notado a alteração de comportamentos individuais. Isso chega? 
Não, de modo nenhum. 

Mas o que é que um cidadão pode fazer na sua vida quotidiana para contribuir para a sustentabilidade?
Temos de repensar todos os nossos pequenos actos. Por exemplo, o sabonete líquido com que tomamos banho, toda a gente usa. E tem um dispensador de plástico que vai para o lixo e alguém terá de lidar com isso. Cria-se um problema. Não há nenhuma justificação para que não possamos regressar ao sabonete sólido. Há muitos deles criados com base em matérias renováveis, como o leite de burra, o que implica toda uma economia de criação de burros e os burros são herbívoros, comem a biomassa. Reduzir a biomassa implica a redução de riscos de incêndio. Há toda uma economia associada a esse processo que é virtuosa e que ajudaria a reduzir a pegada ecológica. Mas não chega.

A máxima dos nossos tempos já não é “pensar globalmente, agir localmente”. Temos de pensar globalmente e agir globalmente, que é a solução para a emergência ambiental que temos. Há que usar estas palavras: “emergência ambiental”. Foi muito infeliz que o Parlamento português não tivesse aceitado votar o reconhecimento da emergência ambiental. Precisávamos de deputados que estivessem à altura do momento histórico que vivemos.

Estamos num momento em que precisamos de coordenação de políticas globais. E vamos encalhar naquilo que será a questão mais difícil que temos pela frente. Ainda temos uma ordem mundial determinada pela segunda guerra mundial, uma ONU obsoleta para fazer face a este tipo de problemas, por muito boa vontade que o secretário-geral das Nações Unidas António Guterres tenha. E acredito que tenha, é uma pessoa brilhante e moralmente superior. Tem as pernas cortadas, não pode fazer muito porque a estrutura da ONU não o permite. O que precisamos é de uma ONU mais forte. O modelo da União Europeia é muito interessante porque ensina o que poderá ser no futuro o modelo global. 

Se reconhecermos o papel da ciência nos diagnósticos que estão a ser feitos e os levarmos a sério, a conclusão inevitável é que é necessária mais globalização política. 

Perder soberania?
Sim. E isso colide com pessoas que são contra esse processo. O tribalismo do Homo sapiens que vem do tempo dos cro-magnons ainda existem em nós. Somos cro-magnons que vivem num mundo diferente dos que viviam nas grutas. Mas geneticamente continuamos a ser parecidos com os cro-magnons. Esta atitude de Trump é claramente uma atitude cro-magnon. Isto não é uma crítica. Eu também sou um cro-magnon. Somos todos cro-magnons. 

Como vê os movimentos que estão a ser dinamizados por jovens, as greves climáticas...
Acho muito bem. Eles são os representantes da próxima geração e serão os mais prejudicados por tudo o que nós façamos mal. Acho muito bem que elevem a sua voz e que zelem pelos seus interesses. No caso da geração da Greta Thunberg, está em causa ter o mesmo bem-estar que a nossa geração teve.

Na geração a seguir, o que se prevê em Portugal é um aumento de temperaturas médio a elevado, mas sobretudo a probabilidade de ocorrência de eventos extremos, ondas de calor que serão mais frequentes e durarão mais tempo. E uma onda de calor que seja mais frequente e intensa pode ter consequências extremamente graves na saúde pública e na própria habitabilidade de algumas regiões do país. 

Nos incêndios de 2017 já vivemos essa situação...
Mas se houver um aumento de ondas de calor na região centro do país que seja consistente com o que está previsto, o problema dos incêndios resolve-se porque as árvores desaparecem. Deixam de crescer. Há uma alteração da fisionomia da paisagem.

quinta-feira, 9 de novembro de 2017

Al Gore: Nada Pode Deter a Revolução Verde


Com o seu documentário de 2006, Uma Verdade Inconveniente, Al Gore,  o antigo vice-presidente dos Estados Unidos, garantiu a atenção do público para a ameaça das alterações climáticas. Este julho, estreia nos cinemas An Inconvenient Sequel. Gore, 69 anos, diz que a fasquia está mais elevada, mas as soluções são mais claras.

Quais acha serem os mal-entendidos do público relativamente às alterações climáticas?
Penso que a grande maioria das pessoas entende que as alterações climáticas são um desafio extremamente importante, que os seres humanos são responsáveis por isso e que temos de agir rapidamente e de forma decisiva para conseguir resolver o assunto. Os argumentos mais persuasivos vieram da Mãe Natureza. Os eventos meteorológicos extremos são cada vez mais frequentes e severos, e é cada vez mais difícil ignorar o que está a acontecer. E mesmo aqueles que não querem utilizar as palavras “ aquecimento global” ou “crise climática” estão a encontrar maneiras de dizer, “sim, temos de mudar para energia solar, eólica, baterias, carros elétricos e por aí a diante”. Temos tanto em risco.

Porque surgiram divergências políticas tão acutilantes sobre as alterações climáticas?
Há um antigo ditado popular no Tennessee que diz: “se vires uma tartaruga no cimo do poste de uma vedação, podes ter a certeza de que não chegou ali sozinha”. Uma maioria determinada – com apoio financeiro ativo de alguns dos grandes poluidores de carbono – atrasou o progresso durante uns tempos. Utilizaram o poder dos lobbies e ameaças de financiar opositores, utilizaram as mesmas técnicas que já vimos utilizar no passado pelas grandes tabaqueiras para criar falsas dúvidas. Todos nós somos vulneráveis ao que os psicólogos chamam “negação”: se alguma coisa é desconfortável, é mais fácil afastá-la, é mais fácil não nos envolvermos. Mas a solução é ouvir e aproximarmo-nos das pessoas a partir de onde elas estão.

Disse publicamente que a saída do Acordo de Paris sobre as mudanças climáticas preconizada pela Administração Trump era uma “ação irresponsável e indefensável.” Qual é o caminho agora?
Mesmo que Trump consiga eliminar medidas que ajudem os EUA a reduzir as emissões, os desenvolvimentos no mercado — como a queda continuada do custo da eletricidade renovável — fazem com que os EUA possam atingir os objetivos definidos para os EUA no Acordo de Paris não obstante as ações de Trump. A Califórnia e Nova Iorque estão a progredir mais rapidamente do que o exigido pelo Plano de Energia Limpa. E há um número crescente de cidades que está a progredir ainda mais rapidamente. Além disso, a comunidade empresarial está muito à frente da comunidade política e muitas empresas orientadas para o consumo estão a prometer usar energia 100% renovável.

E o papel da China?
A China está a evoluir de forma bastante impressionante. Este é o quarto ano em que regista uma redução de emissões de dióxido de carbono e o terceiro em que apresenta uma queda no uso de carvão. No final deste ano, vai implementar um teto para as emissões e um plano de comércio. É líder mundial no fabrico de painéis solares e de turbinas eólicas, comboios rápidos e redes elétricas inteligentes. A China mostrou uma liderança forte neste tema.

O documentário Uma Verdade Inconveniente teve uma enorme ressonância em 2006 e ajudou a que se atingisse um momento de viragem no que respeita à sensibilização para as mudanças climáticas. Porque acha que isto aconteceu?
Dou grande parte do mérito a David Guggenheim, realizador do filme. Sinto-me envergonhado ao admitir que não achava que fazer o filme fosse boa ideia. Não acreditava que fosse possível transformar uma apresentação de diapositivos num filme. Mas ele convenceu-me e fez um trabalho fantástico.

O primeiro filme juntava partes de uma série de estudos científicos que mostravam que era preciso tomar medidas para parar o aquecimento global de responsabilidade humana, pelo que se tratou de uma feliz confluência de acontecimentos. Mas, depois, os grandes poluidores de carbono congregaram-se e começaram a aplicar muito mais dinheiro em campanhas de negação das mudanças climáticas e em argumentos pseudocientíficos falsos e, ajudados pelas contribuições e pelo dinheiro de grupos de pressão, conseguiram travar os progressos. Mais recentemente, voltamos a tomar as rédeas da iniciativa.

Qual é o seu objetivo neste novo filme, An Inconvenient Sequel?
O meu principal objetivo é contribuir para a dinâmica atual. Cem por cento dos proveitos do filme, e do livro, que estamos a fazer serão destinados à formação de mais ativistas do clima. Foi também o que aconteceu com o primeiro filme.

No novo filme, uma cena muito forte mostra o Al Gore a visitar a cidade conservadora de Georgetown, no Texas, onde o presidente da câmara republicano, Dale Ross, tem vindo a encetar esforços para que a cidade dependa de energia 100 por cento renovável. Parece que se deu muito bem com Ross. Como é que isso aconteceu?
A ligação foi estabelecida do ponto de vista humano, apesar de pertencermos a partidos diferentes. Ele é contabilista certificado, pelo que consegue perceber claramente o dinheiro que os cidadãos da cidade a que preside poderiam poupar se desse o arrojado passo de usar eletricidade 100% renovável. Esta oportunidade de poupar o dinheiro das pessoas e, ao mesmo tempo, reduzir a poluição está a ficar disponível em todo o mundo.

Qual é o segredo para trabalhar com pessoas que podem não concordar consigo em muitos aspetos?
Bem, é preciso ouvir as pessoas e falar com elas tendo em conta aquilo que pensam naquele momento. Acho que à medida que fui envelhecendo fui aprendendo a fazê-lo um pouco melhor. A Mãe Natureza é uma grande aliada quando tentamos convencer as pessoas sobre a seriedade de tudo isto, mas o mercado também o é.

No novo filme, diz que considera as recentes contrariedades na causa climática um fracasso pessoal. Pode explicar-nos porquê?
Houve momentos em que pensei que poderia ter feito mais. Se nos dedicamos a algo e não vemos o objetivo a concretizar-se, temos a tentação de pensar que talvez tenhamos falhado. Em alguns momentos mais sombrios da última década, não consegui deixar de pensar que estávamos a perder esta batalha. Não é o que penso neste momento. Acredito que vamos vencer esta luta.

Alguns ambientalistas dizem que é o mensageiro errado na causa do clima devido à sua filiação e história partidária, tal como Hillary Clinton pode ter sido a mensageira errada em novembro último. Dizem que o Al Gore afasta muitas pessoas. O que tem a dizer sobre isso?

A ciência social refuta esse argumento. O que fez crescer o negacionismo climático foi a grande recessão de 2008 e as despesas cada vez maiores dos partidários do negacionismo. Recentemente, verificou-se um regresso aos níveis de apoio público à ação sobre a crise climática que se registaram depois do lançamento de Uma Verdade Inconveniente.

O que é que o assusta mais no futuro?
Embora estejamos a vencer esta luta, não o estamos a fazer tão rapidamente quanto necessário. A acumulação continuada de poluição humana causadora de aquecimento global vem aumentar os danos que irão repercutir-se no futuro. Algumas das mudanças não são recuperáveis. Não podemos simplesmente ligar o interruptor e reverter o derretimento dos grandes mantos de gelo.

O que lhe dá esperança para o futuro?
Há muitas pessoas pelo mundo a trabalhar sobre esse assunto e isso deixa-me muito otimista. Seria uma grande ajuda ter políticas e leis que acelerassem a nossa resposta. Mas as forças dos mercados estão a trabalhar a nosso favor. A energia solar, a energia eólica e outras energias estão a ficar cada vez mais baratas e melhores. Mais cidades e empresas se estão a converter às energias 100% renováveis. Acredito que não há nada que possa deter a revolução da sustentabilidade.

quarta-feira, 23 de junho de 2010

Todos os efeitos dos derrames de petróleo







SENSITIVITY OF COASTAL ENVIRONMENTS TO OIL
The U.S. Coastguard have listed shoreline types, from the least (low figures) to the most sensitive ones to oil pollution:
Exposed rocky cliffs and seawalls
Wave cut rocky platforms
Fine to medium-grained sand beaches
Coarse-grained sand beaches
Mixed sand and gravel beaches
Gravel beaches/Riprap
Exposed tidal flats
Sheltered rocky shores/man-made structures
Sheltered tidal flats
Marshes

It should be noted that other shore types and shallow underwater habitats are also very sensitive to oil pollution, including:
Mangroves (And according to ITOPF: "Leaving residual oil to weather and degrade naturally is usually recommended for sensitive shoreline types such as salt marshes and mangroves, because they have been shown to be more easily damaged by the physical disturbance caused by clean-up teams and vehicles than by the oil itself. If any cleaning is attempted, it should be carried out with specialist guidance and advice.")
Coral reefs See also NOAA.

EFFECTS

Spilled oil and certain cleanup operations can threaten different types of marine habitats in different ways.

Coral reefs are important nurseries for shrimp, fish, and other animals as well as recreational attractions for divers. Coral reefs and the marine organisms that live within and around the reefs are at risk from exposure to the toxic substances within oil as well as smothering.

Exposed sandy, gravel or cobbled beaches are usually cleaned by manual techniques. Although oil can soak into sand and gravel, few organisms live full-time in this habitat, so the risk to animal life or the food chain is less than in other habitats, such as tidal flats.

Sheltered beaches have very little wave action to encourage natural dispersion. If timely cleanup efforts are not begun, oil may remain stranded on these beaches for years.

Tidal flats are broad, low-tide zones, usually containing rich plant, animal, and bird communities. Deposited oil may seep into the muddy bottoms of these flats, creating potentially harmful effects on the ecology of the area.

Salt marshes are found in sheltered waters in cold and temperate areas. They host a variety of plant, bird,and mammal life. marsh vegetation, especially root systems, is easily damaged by fresh light oils.

Mangrove forests are located in tropical regions and are home to a diversity of plant and animal life. Mangrove trees have long roots, called prop roots, that stick out well above the water level and help to hold the mangrove tree in place. A coating of oil on these prop roots can be fatal to the mangrove tree, and because they grow so slowly, replacing a mangrove tree can take decades.

Sea-bottoms. Oil contamination of the seabed may cause serious long- and short term effects on bottom-dwelling organisms (animals, algae and microorganisms). Filtering organisms such as oysters and mussels and clams which filters large volumes of water to get their food are especially likely to accumulate oil or oil components. In addition, if tar-like clumps of oil sink to the bottom, they may destroy living conditions for bottom-living organisms, as well as nursing grounds for fish and shellfish.

At low temperatures, oil tends to persist for long periods because of the low rates of evaporation. The frozen ground prevents it from seeping in, and this has the effect of making it travel for long distances. Disturbance of the thin layer of vegetation covering a frozen soil can precipitate catastrophic meeting of the underlying ice and result in extensive thermokarst erosion. Tundra environments are particularly susceptible to disturbance, and effects remain visible for many years. Many of the Arctic plants are very susceptible to pollutants, especially lichens which are the main food of reindeer.

RECOVERY
The negative effects of on oil spill may eventually fade away, but in many cases it will be matter of several years, even decades, before an area or ecosystem has fully recovered from a spill that caused extensive damages. Every situation is unique and depending on the particular conditions and circumstances in that area, and on the characteristics of the spill. Some areas might recover in a matter of weeks, others will need up to 20 years.

The recovery of the affected habitats and species following an oil spill will to a large extent depend on the type of ecosystem , the vulnerability of the species and not least the climate of the region where the oil spill occurs. Generally, recovery will proceed faster in warmer climates and on rocky shores compared to cold climates and, for example, marshes. The long-term effects on deeper bottoms (i.e., if oil sinks and is absorbed in bottom sediments) is also a matter of concern.

The best documented evidence concerning the recovery of ecosystems affected by massive oil pollution are from the Persian Gulf and resulting from the discharges associated with the Gulf War in 1991. Studies (GESAMP) suggest that the chronic and acute releases that took place were rather rapidly accommodated by the system. Already at the end of 1992, researchers reported that many of the worst hit beaches in Saudi Arabia were almost clean of oil. It is believed that this may have been the result of the warm water of the Gulf and the fact that its bacterial populations were able to degrade and weather the oil much more quickly than previously believed to be possible.

The experience gained from the Exxon Valdez spill has been documented, and could serve as one example of what happens in the aftermath of a major spill in a sensitive area. See, for example, the web site of the Exxon Valdez Oil Spill Trustee Council, and NOAA Office of Response and Restoration ("NOAA biologists have been monitoring the long-term effects of the spill and cleanup efforts. Here are some of their reports, along with links to more information elsewhere").

The economic recovery of an area will depend on the possibilities to regain the confidence of the consumers for marine products from the region and convince the tourists that the area is once more clean and as attractive as ever before. Intense marketing campaigns (possibly financed by some of the money paid as compensation) might be important in such endeavours.

The information above has been compiled from several sources, including the following: