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sexta-feira, 28 de agosto de 2026

O Contrato Social sob Sequestro: Como o Imobiliário de Luxo Explica a Captura da Democracia em Portugal

Portugal vive hoje uma profunda contradição socioeconómica, marcada pela estagnação dos salários médios perante um custo de vida em escalada vertiginosa. O ecossistema imobiliário tornou-se o palco principal desta assimetria, onde a habitação acessível escasseia enquanto o mercado de luxo atinge valores desproporcionados. O fenómeno é simbolizado por propriedades emblemáticas como a Quinta da Felicidade, em Sintra - famosa pelo seu anexo em forma de "castelo da Disney" construído nos anos 90 -, que voltou ao mercado por valores a rondar os 28 milhões de euros, desenhada à medida do new money e do capital estrangeiro. No entanto, o problema central não reside na mera existência da opulência privada, mas na impossibilidade prática de grande parte da população manter um teto digno. Dados oficiais da ENIPSSA confirmam esta fratura ao revelar que o fenómeno dos sem-abrigo disparou no país, ultrapassando os 14.400 indivíduos como resultado direto da subida galopante das rendas e da escassez de resposta pública.

Esta disparidade reflete a perda de eficácia da democracia liberal pós-anos 90, um período em que os estados viram a sua margem de manobra esmagada pela globalização financeira. A habitação deixou de ser tratada como um bem social prioritário para se converter num ativo especulativo para alocação de liquidez global, impulsionada por fundos de investimento, empresas de private equity e incentivos fiscais como os Vistos Gold, que desligaram o valor do metro quadrado do poder de compra local, empurrando as populações para a periferia económica. Esta dinâmica cruza-se com a análise da ciência política sobre a captura do poder político. O célebre estudo de Martin Gilens e Benjamin Page, Testing Theories of American Politics (2014), demonstrou empiricamente como as preferências das elites económicas e dos grupos de lóbi têm uma influência desproporcional na aprovação de leis, enquanto a vontade do cidadão comum tem um peso reduzido quando colide com o grande capital. A transição frequente de quadros entre a alta finança e os governos - observável em trajetórias como as de Emmanuel Macron ou Friedrich Merz - ilustra uma proximidade de elite que molda as políticas públicas a favor da desregulamentação.

Contudo, atribuir esta responsabilidade exclusivamente às elites políticas seria ignorar o funcionamento das próprias democracias representativas, nas quais os governos são legitimados pelo voto. A crise resulta de um triângulo complexo onde o eleitorado também desempenha um papel ativo através de um desequilíbrio geracional e patrimonial no próprio voto: cidadãos que já possuem habitação própria tendem a favorecer políticas que valorizem o imobiliário, enquanto inquilinos e jovens acabam penalizados. Por outro lado, os governos eleitos enfrentam a ameaça constante do capital não-eleito que vota "com os pés", recorrendo à fuga de investimento ou à pressão sobre os mercados de dívida soberana sempre que são propostas medidas regulatórias mais agressivas. Adicionalmente, o ecossistema mediático e o financiamento de campanhas condicionam a visibilidade dos candidatos e filtram a ementa eleitoral disponível para o cidadão. Em resposta a este impasse, o poder político recorre frequentemente ao citizenwashing: a criação de fóruns de participação cidadã, consultas públicas ou orçamentos participativos que funcionam como fachada cosmética. Estes mecanismos simulam auscultação democrática, mas raramente têm caráter vinculativo quando enfrentam interesses imobiliários consolidados.

O resultado inevitável desta encenação estende-se muito além da apatia social e do alheamento político tradicionais. Diante da perceção continuada de que o voto não altera as condições materiais nem trava a especulação, a população desenvolve uma sensação de impotência adquirida (learned helplessness). No entanto, esta resignação passiva não é o ponto final, mas sim o terreno fértil onde o populismo de matriz radical deita raízes. A frustração transforma-se em polarização ativa e o voto passa a ser utilizado como uma arma punitiva contra o sistema, simplificando dinâmicas globais complexas através da criação de bodes expiatórios imediatos e fundindo a revolta económica com debates identitários. As consequências desta degradação institucional fraturam os alicerces económicos, institucionais e sociais de um País. No plano económico, a captura regulatória distorce o mercado ao transformar os regulamentos públicos em verdadeiras barreiras à entrada, blindando as empresas dominantes contra novos concorrentes. Sem a pressão da competição real, estas corporações protegidas deixam de inovar, perpetuando serviços de baixa qualidade e impondo preços inflacionados que sufocam o poder de compra das famílias.

Esta subserviência do regulador perante o regulado culmina frequentemente em crises graves de segurança e saúde pública, uma vez que a fiscalização rigorosa é substituída pela negligência corporativa. Normas de segurança e critérios ambientais são enfraquecidos para maximizar as margens de lucro privado, abrindo caminho para desastres ecológicos, falhas catastróficas de infraestruturas ou a distribuição de produtos farmacêuticos e alimentares nocivos, cobrando um preço altíssimo em vidas humanas. Institucionalmente, o fenómeno degrada o próprio Estado de Direito e drena os recursos fiscais do país. O erário público passa a ser utilizado para subsidiar indústrias ineficientes e perdoar coimas pesadas, enquanto o lóbi agressivo e o fenómeno da "porta giratória" - a transição contínua de decisores entre cargos públicos e administrações privadas - normalizam uma forma de corrupção sistémica e legalizada. No fim da linha, esta dinâmica acentua severamente a desigualdade social, operando uma transferência maciça de riqueza dos consumidores comuns para os acionistas das grandes empresas e invertendo o papel fundamental do Estado, que deixa de proteger o cidadão vulnerável para se converter no braço forte do opressor económico.

No setor ambiental, a captura regulatória manifesta-se de forma devastadora, pois os danos causados são muitas vezes irreversíveis e afetam diretamente a sobrevivência das populações. Quando as agências responsáveis por licenciar, monitorizar e penalizar atividades poluentes passam a defender os interesses das indústrias extrativas, energéticas ou agroquímicas, o resultado é a legalização da destruição ecológica. Um dos exemplos globais mais emblemáticos deste fenómeno ocorreu no desastre da plataforma petrolífera Deepwater Horizon, em 2010, no Golfo do México, onde se provou que o Minerals Management Service (MMS) - a agência reguladora norte-americana - mantinha uma relação de excessiva promiscuidade com a BP, aprovando relatórios de segurança deficientes e recebendo incentivos da própria indústria que devia fiscalizar.

Em Portugal, o debate sobre a fragilidade e a captura da regulação ambiental tem ganho contornos visíveis em setores como a mineração a céu aberto, nomeadamente o lítio, o avanço de megaprojetos turísticos em zonas protegidas e a proliferação da agricultura intensiva no Sudoeste Alentejano. A aprovação acelerada de Avaliações de Impacto Ambiental (AIA) e a emissão de Declarações de Impacte Ambiental (DIA) favoráveis - ou condicionadas a medidas de mitigação raramente fiscalizadas - geram frequentemente forte contestação social e judicial por parte de associações de defesa do ambiente e populações locais. A dependência técnica que o Estado tem dos estudos pagos pelas próprias empresas promotoras cria uma assimetria de informação que esvazia a neutralidade de organismos como a Agência Portuguesa do Ambiente (APA) ou o Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF). O resultado prático desta subordinação do regulador ao poder económico é a degradação acelerada da biodiversidade, a contaminação de linhas de água por pesticidas ou efluentes industriais e a destruição de ecossistemas únicos. Sob o pretexto do desenvolvimento económico e da criação de postos de trabalho, as salvaguardas sociais e ecológicas capitulam, provando que a crise de habitação e a erosão democrática convergem para o mesmo sistema de incentivos onde o contrato social foi inteiramente subordinado às regras do capital.

Por fim observamos a aceleração da Inteligência Artificial, que, senão for devidamente regulamentada, entraremos num modelo tecnofascista. A ausência de regras éticas e de limites jurídicos claros permite que algoritmos preditivos e sistemas automatizados de tomada de decisão passem a gerir direitos fundamentais, desde o acesso ao emprego e ao crédito até à justiça e à segurança pública. Sem supervisão independente, estes sistemas perpetuam e amplificam preconceitos históricos ocultos sob uma falsa capa de neutralidade matemática, transferindo o poder soberano do Estado para as mãos de um punhado de corporações tecnológicas globais que operam na total opacidade.

terça-feira, 11 de agosto de 2026

Grande Muralha Verde restaura 1,66 milhão de hectares na África



Cerca de 1,66 milhão de hectares estão em processo de restauração no Sahel, região africana entre o deserto do Saara e a savana do Sudão. O resultado representa a principal conquista da iniciativa Acelerador da Grande Muralha Verde, que completou cinco anos e teve o relatório apresentado esta semana pela Convenção das Nações Unidas para o Combate à Desertificação (UNCCD).

Outros números em destaque do balanço incluem 24 milhões de toneladas de CO₂ equivalente sequestradas ou mitigadas, 4,6 milhões de empregos criados e 46 milhões de pessoas diretamente impactadas.

Segundo a UNCCD, o esforço envolve um conjunto de paisagens restauradas, áreas agrícolas, sistemas de água e comunidades. O objetivo é combinar a recuperação de terras com a segurança alimentar, a geração de oportunidades económicas, o acesso a energia limpa e o aumento da resiliência perante as alterações climáticas e a seca.

A Grande Muralha Verde foi criada em 2007 pela União Africana e pela UNCCD e reúne atualmente 11 países fundadores, numa área de 156 milhões de hectares, do oeste do Senegal ao Corno de África. Já o "Acelerador" foi criado em 2021 para melhorar a coordenação da iniciativa, acompanhar os recursos financeiros e ajudar os países a medir os resultados das ações de restauração.

Resultados parciais
Apesar dos avanços, o próprio relatório alerta que ainda há limitações importantes no acompanhamento dos resultados. O Observatório da Grande Muralha Verde monitoriza mais de 389 projetos, porém menos de 90 apresentam atualmente dados de acordo com os indicadores harmonizados adotados pela iniciativa.

A UNCCD considera os resultados, portanto, iniciais. Além dos 1,66 milhão de hectares em restauração, os dados disponíveis apontam para a criação de 4,6 milhões de empregos, contra uma meta de 10 milhões até 2030, e a produção de 2.315 megawatts-hora de energia limpa. A entidade ressalta que os processos de restauração de terras podem levar anos ou décadas para produzir resultados completos e que o levantamento da totalidade dos projetos ainda está em curso.

Para tentar superar a fragmentação das informações, foi criado em 2024, em Ouagadougou, Burquina Faso, o Observatório da Grande Muralha Verde. A plataforma reúne informações sobre projetos, financiamento, resultados e dados geoespaciais. Segundo a UNCCD, o sistema já foi endossado por dez dos 11 países fundadores.

Também foram criadas coligações nacionais em nove dos 11 países, reunindo ministérios, sociedade civil, universidades, setor privado e meios de comunicação. A intenção é melhorar a coordenação das ações e transformar os compromissos financeiros em resultados verificáveis nos territórios.

Desafio do financiamento
O Acelerador foi lançado após a Cimeira One Planet, em 2021, quando parceiros técnicos e financeiros anunciaram mais de US$ 19 mil milhões em compromissos para a Grande Muralha Verde. A iniciativa passou a funcionar como uma estrutura para coordenar os esforços, acompanhar os recursos e fortalecer a capacidade dos países de demonstrar os resultados obtidos.

O relatório, porém, aponta que a distância entre compromissos e resultados continua a ser um desafio. Além da falta de dados completos, a UNCCD cita dificuldades de coordenação entre diferentes atores e o tempo necessário para que os recursos financeiros se transformem em ações no território.

A próxima etapa deve dar maior peso à comunicação, a mecanismos financeiros inovadores e à gestão transfronteiriça de terras e águas. Entre as possibilidades mencionadas estão obrigações verdes, créditos de carbono e mecanismos de financiamento combinado.

A experiência também procura ampliar a dimensão social da restauração. O relatório destaca iniciativas de geração de rendimento para mulheres, capacitação de jovens e fortalecimento de empreendimentos locais. Num dos exemplos citados pela UNCCD, mulheres do Mali receberam equipamentos e formação e ampliaram uma cooperativa de transformação de produtos agrícolas. No Chade, mulheres foram capacitadas para instalar e reparar painéis solares, transformando o acesso à energia em fonte de rendimento.

COP17
Seca, degradação da terra e restauração dos solos serão temas centrais na 17.ª Conferência das Partes (COP17) sobre Desertificação, que decorre entre os dias 17 e 28 de agosto em Ulan Bator, capital da Mongólia. 

sábado, 30 de maio de 2026

O adeus a Edgar Morin. 104 a resistir, pensador global, herdeiro do iluminismo

Quando em 2001 lhe perguntaram, à beira da celebração dos 100 anos de vida, onde é que ele ia buscar a transbordante vitalidade, Edgar Morin respondeu: ”É porque consigo ser ao mesmo tempo infantil, juvenil e velho. Admito que mais ou menos adulto, mas não muito.” 

Edgar Morin, um dos últimos mestres do pensamento da cultura contemporânea, sociólogo, filósofo, antropólogo e epistemólogo, morreu a pouco mais de um mês de em 8 de julho chegar aos 105 anos de vida (n.1921, em Paris).

Morin, sempre luminoso e generoso (veio muitas vezes a Portugal, arranjava sempre tempo para quem queria conversar com ele), é um dos últimos herdeiros do Iluminismo. Com mais de 100 livros publicados, continuou até ao fim da longa vida a intervir e a a posicionar-se em muitos dos debates dos nosso tempo (sobre ecologia, sempre sobre a educação, também  questões sensíveis como as caricaturas de Maomé ou a política de colonização israelita, de que era muito crítico). Edgar Morin também ousou imaginar o futuro e interrogar as incertezas do tempo pela frente. Ele gostava de repetir que, do ponto de vista da evolução do pensamento, “ainda estamos na pré-história.”

Ao pensarmos em Edgar Morin pensamos sempre em humanismo. Admirado pelo espírito corajoso e livre, fez da dúvida e da autocrítica ferramentas indispensáveis ​​para a reflexão orientada para enfrentar e entender as metamorfoses e a complexidade do mundo contemporâneo.

Em toda a vida foi um e resistente aos esquematismos ideológicos e aos guetos disciplinares, combateu as arrogâncias, aliou o gosto pela reflexão à relevância da observação, com abordagem interdisciplinar orientada para a concretização da ecologia de ideias que, a par da centralidade da ética, considerava indispensável para chegarmos a uma sociedade mais justa. Para Morin, o trabalho intelectual só faz sentido se resultar em propostas políticas realistas e exequíveis. E, nesta perspetiva, embora consciente dos muitos riscos que o planeta enfrenta, acreditava que os períodos de crise como o tempo de agora são, ainda assim, ricos em potencial, desde que “a civilização ocidental renuncie à obstinada busca de uma ideia de progresso baseada exclusivamente na fé cega no poder da tecnologia e da economia".

Nascido em Paris numa família judaica sefardita, Edgar Nahoum participou ativamente na resistência anti-nazi no início da década de 1940, adotando então pela primeira vez o pseudónimo Morin, que manteria durante toda a sua vida. Após a guerra, frequentou regularmente os meios intelectuais, foi próximo de Marguerite Duras.

Logo a seguir ao final da II Grande Guerra, Morin, oficial da Resistência francesa, foi mobilizado para a Alemanha ocupada. Tinha 24 anos, publicou L’an zéro de l’Allemagne (1946), em que corajosamente propõs a superação do rancor, com aposta na reconciliação franco-alemã. Foi o primeiro título de uma notável bibliografia que, no final da sua vida, contaria com mais de 100 livros. La Méthode, monumental e fundamental obra sociológica e filosófica, foi publicada em seis tomos, ao longo de 17 anos, de 1977 a 2004.

Em Autocritique (1959),Morin relata como foi expulso do Partido Comunista Francês (PCF), de que fora figura de relevo, e reconhece a “cegueira inicial em relação ao estalinismo” que viria a criticar veementemente. Tornou-se também um dos fundadores do comité de intelectuais contra a Guerra da Argélia.

No tempo final de vida, Morin lastimou recorrentemente o estado sombrio do mundo. Quis intervir ativamente em censura à invasão russa da Ucrânia. Publicou um último ensaio,  De guerre en guerre: de 1940 à l’Ukraine (De guerra em guerra: de 1940 à Ucrania). Assentou então: “Estamos a assistir à escalada da desumanidade e ao colapso da humanidade, à escalada do pensamento simplista e ao colapso da complexidade. E, acima de tudo, à escalada para uma guerra mundial que representa o mergulho da humanidade no abismo.” 

No livro de memórias, Les souvenirs viennent à ma rencontre (As Lembranças vêm ao meu encontro), publicado em 2019, quando tinha 97 anos, prenunciou o fim que chegou neste final de 2026 “Eu também partirei para a terra onde cresce a flor de laranjeira.”

Morin resistiu sempre. Contra o populismo, contra o totalitarismo, contra o nacionalismo, contra a violência, contra as ofensas ao ambiente,  contra a desigualdade, contra o ódio, contra a estupidez, contra tudo o que divide e separa. Nunca desistiu, nunca se rendeu.

Morin argumentou ferozmente contra o «reducionismo» — o hábito de dividir os problemas em caixas isoladas e unidisciplinares. Em vez disso, acreditava que os maiores desafios do mundo estão fundamentalmente interligados.

Conceitos-chave que deixa como legado
O trabalho de Morin deu-nos lentes totalmente novas para olhar para as crises modernas:
  1. A Policrise: um termo que co-pioneou para descrever como as crises ambientais, económicas, sociais e políticas não acontecem de forma isolada. Pelo contrário, alimentam-se e amplificam-se mutuamente de forma dinâmica.
  2. O Princípio hologramático: a ideia de que, tal como num holograma, a parte está no todo, mas o todo também está embutido na parte (por exemplo, um indivíduo carrega em si toda a cultura da sua sociedade).
  3. Religação (Reliance): a capacidade humana de construir e sustentar laços significativos, que ele defendeu como a nossa ferramenta máxima de solidariedade num mundo profundamente fragmentado.
«Enquanto for possuído pelas forças da vida, o espetro da morte recua.» — Edgar Morin

Era, como em França gostam de classificar, um maître à penser. O presidente Macron foi certeiro no primeiro comentário ao fim da vida de Edgar Morin: “era o Humanismo feito pessoa.”

Saber mais:

sábado, 11 de abril de 2026

A Internacional Reacionária - de olho nas legislativas da Hungria



Como lhe chamou Macron, tem uma agenda clara: destruir o estado de direito, a democracia, a igualdade de direitos entre mulheres e homens, a sociedade baseada no conhecimento e a imprensa livre. A UE é o principal alvo porque é a entidade mais forte que coloca em causa o modelo de poder da Internacional Reacionária e a geopolítica assente no princípio de quem tem a moca maior manda mais. 
Os aspirantes a ditadores, Ventura, Orbán, Le Pen, Salvini, Fico, Abascal que têm servido de caixas de ressonância de Putin e de Trump, conhecem bem o seu papel: à primeira oportunidade é mandar a UE abaixo. Depois será muito mais simples abater nações isoladamente para os confins do autoritarismo, de sociedades em que as mulheres se resumirão a cozinheiro-parideiras, os homossexuais serão considerados doentes, em que a ciência será substituída pelo fanatismo religioso e onde a imprensa será um mero papagaio do querido líder.
Esta semana foram todos apoiar o maior corrupto da Europa, Orbán, que está em maus lençóis para se manter no poder. Mas segundo consta, Orbán já tem um plano para ser presidente depois do mandato de primeiro-ministro expirar. Só espero que a Europol tenha tempo suficiente para lhe meter as mãos em cima assim que acabar a imunidade política. 

A Conexão Budapeste-Lisboa: O Fim do "Manual Orbán" para o Chega?
A sobrevivência política de Viktor Orbán está, pela primeira vez em dezasseis anos, seriamente ameaçada pelo fenómeno ascendente de Péter Magyar e do seu partido Tisza. No entanto, o abalo sísmico desta possível queda não se limita às margens do Danúbio; as réplicas far-se-ão sentir com intensidade na sede do Chega, em Lisboa. Embora André Ventura tenha construído uma narrativa de autonomia nacionalista, o partido é um beneficiário direto do ecossistema iliberal que Orbán exportou para a Europa. A questão central que paira sobre esta aliança é o dinheiro: houve, afinal, fluxos financeiros diretos de Budapeste para Lisboa?

Até ao momento, as investigações do Tribunal de Contas e de consórcios de jornalismo de investigação, como o OCCRP, não encontraram o chamado "fumo da arma" — uma transferência bancária explícita de fundos estatais húngaros para as contas oficiais do Chega. Contudo, a influência financeira manifesta-se de forma muito mais subtil e eficaz através da chamada "Via dos Think Tanks". O Mathias Corvinus Collegium (MCC), uma instituição financiada com milhares de milhões de euros pelo Estado húngaro, tem servido como o braço logístico desta internacional de direita. Através do financiamento de conferências de luxo, viagens internacionais e programas de "formação política" para quadros da direita radical, o dinheiro de Orbán garante uma infraestrutura de apoio que partidos como o Chega dificilmente sustentariam sozinhos. É, na prática, um financiamento indireto de uma guerra cultural coordenada.

A esta rede de influência soma-se o "Mistério do Dubai" e a aquisição da Euronews. A revelação de que fundos ligados ao círculo íntimo de Orbán foram utilizados para comprar órgãos de comunicação internacionais através de estruturas offshore levantou suspeitas legítimas sobre a existência de canais semelhantes para apoiar campanhas digitais e propaganda a favor de aliados europeus. Se o dinheiro não entra diretamente no partido, ele parece circular no ar, financiando o ecossistema mediático que sustenta as suas mensagens.

Pairando sobre tudo isto está a "Sombra de Putin". Orbán tem sido frequentemente descrito como o cavalo de Troia do Kremlin na União Europeia, bloqueando sanções e mantendo uma ambiguidade estratégica que serve os interesses russos. Para André Ventura, esta ligação é um "abraço de urso": embora o Chega tente manter uma fachada pró-Ucrânia para não alienar o eleitorado português, a sua integração no grupo parlamentar Patriotas pela Europa coloca-o sob o mesmo teto financeiro e estratégico que os aliados mais próximos de Moscovo. Se Péter Magyar vencer na Hungria e decidir abrir os arquivos do Fidesz, o que poderá ser descoberto sobre o apoio logístico a partidos "irmãos" no sul da Europa poderá ser politicamente fatal.

O fim do modelo de Orbán significaria, para o Chega, a perda da sua principal validação institucional. Orbán era a prova viva de que era possível ser "anti-sistema", capturar o Estado e governar contra as diretrizes de Bruxelas. Sem o manual de instruções de Budapeste e sem a rede de segurança financeira e política que o grupo de Orbán providencia no Parlamento Europeu, Ventura ficaria isolado. O Chega pode não ser um satélite direto de Budapeste, mas se o regime húngaro cair amanhã, o partido português perderá não apenas um aliado, mas as "vias verdes" de influência e os recursos invisíveis que ligam Lisboa a Budapeste e, por via indireta, a Moscovo.

Conclusão: existe  uma convergência de interesses. Orbán quer aliados que fragilizem a coesão da UE, e partidos como o Chega beneficiam do apoio logístico e da validação internacional que Orbán (enquanto chefe de governo) lhes confere. É um jogo de "soft power" e alinhamento ideológico que, por vezes, é tão eficaz quanto o dinheiro direto.

Saber mais:
1. Hungria cada vez mais próxima da Rússia e dos EUA vai a votos depois de uma campanha marcada por acusações de manipulação
2. Porque é que esta eleição na Hungria interessa e é diferente das outras
3. A conexão evangélica e a Internacional Reacionária


4. A ascensão do autoritarismo reacionário global

terça-feira, 17 de março de 2026

Rede social X, de Elon Musk, é o principal canal de desinformação contra a União Europeia e os políticos são o principal alvo


A rede social X é o principal canal utilizado para atividades de desinformação contra a União Europeia e os políticos são o principal alvo, refere um relatório hoje divulgado pelo serviço diplomático europeu.

Num relatório intitulado “Ameaças de ingerência externa e de manipulação de informação”, o Serviço Europeu de Ação Externa (SEAE) indica que, dos cerca de 43 mil conteúdos relacionados com desinformação que analisou em 2025, 88% passaram pela rede social X, detida pelo magnata norte-americano Elon Musk, muito acima da aplicação de mensagens Telegram (3%) ou do Facebook (2%).

“A presença de redes de comportamento inautêntico coordenado, a facilidade de criação de contas falsas, mas também o acesso mais fácil a dados explica esta concentração. A maioria das grandes plataformas de redes sociais restringe o acesso a dados que permitiriam avaliar a dimensão da manipulação de informação”, explica o SEAE.

Apesar da preponderância do X, o relatório refere que, na maioria das campanhas de desinformação, os protagonistas tendem a procurar operar ao mesmo tempo em várias plataformas, com diferentes contas, combinando publicações nas redes sociais e mensagens em aplicações como o WhatsApp ou Telegram.

“O objetivo é infiltrar-se no espaço de informação para aumentar a visibilidade e credibilidade do conteúdo, ao mesmo tempo que se visam públicos específicos com base em fatores sociodemográficos e geográficos”, refere-se.

De acordo com o relatório, o recurso à inteligência artificial (IA) está a tornar-se cada vez mais premente nas campanhas de desinformação dirigidas contra a UE, verificando-se um aumento de 259% quando comparado com 2024.

“Os atores russos e chineses implementaram totalmente ferramentas de IA para acelerar a produção de conteúdos e aumentar as atividades de ingerência com menos recursos”, lê-se no relatório, em linha com a análise de um responsável europeu que indicou que a IA está a tornar estas operações muito mais baratas.

Na análise que fez a estas campanhas, o SEAE que a maioria dos ataques (66%) é dirigido contra políticos, com destaque particular para os presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, e de França, Emmanuel Macron, o chanceler alemão, Friedrich Merz, ou a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen.

O SEAE aponta que, na maioria dos casos, as campanhas contra estas personalidades são sobretudo “ataques àquilo que um indivíduo representa (como valores democráticos ou princípios)” e uma tentativa de “instrumentalizar a plataforma que têm para alcançar públicos específicos”.

A nível de organizações visadas por estas campanhas, as entidades políticas voltam a estar em primeira linha, com 36% dos ataques, seguidas pelos órgãos de comunicação social (23%) e organizações militares ou de segurança (22%).

“Os setores políticos e de segurança foram especialmente visados, com o objetivo de minar a confiança nas capacidades de Defesa. Da mesma maneira, os protagonistas destas ameaças identificaram o setor dos media como sendo crucial para a democracia e, por isso, dirigiram-lhe narrativas depreciativas, tentativas de personificação e campanhas diretas de difamação”, explica-se no relatório.

Os períodos eleitorais são os contextos mais utilizados para campanhas de desinformação, assim como manifestações populares ou distúrbios, que são explorados para “alimentar perceções de caos, medo e desordem, geralmente contra administrações locais”.

“Momentos de elevada tensão e carga emocional são vistos pelos atores destas ameaças como vulnerabilidades que lhes permitem atingir os seus públicos-alvo, influenciar o seu raciocínio e amplificar preconceitos cognitivos existentes”, refere-se.

O SEAE ressalva que o relatório não deve ser “interpretado como exaustivo” em termos de ameaças de desinformação, uma vez que deriva de uma monitorização que não cobre “todas as regiões e línguas” e “só representa uma porção pequena das atividades destes atores”.

domingo, 1 de março de 2026

Europe: From the myth of denazification to suicidal Russophobia or The Triumph of the Kakistocracy


The European ruling class is in a terminal state. Elizabeth Kübler-Ross, the Swiss psychiatrist who dedicated herself to treating terminal patients, identified five stages of grief that we go through when we lose someone. The first stage of grief described by Kübler-Ross is denial. Faced with the loss of its prestige, influence, and economic power, and above all with the rise of China and the other BRICS countries, the European ruling class reacts exactly as predicted in this first stage of grief: with denial.

Very angry, confused and astonished by the profound transformations of the world, the European ruling class vehemently denies its own inevitable decline, its growing impotence and the definitive end of the colonial period, its glorious past.

This class, which in 2022 reacted euphorically to Russia’s special military operation in Ukraine, certain of a quick victory in which economic sanctions combined with NATO’s military might would lead to Russia’s defeat and the fall of Vladimir Putin, opening the door to the exploitation of Russia’s natural resources and its colonization by the West, now desperately denies that Ukraine and NATO’s entire arsenal have already been defeated, violently punishing those voices in Europe who dare to state the obvious, that this war is already lost. The mainstream European press, spokesperson for this dying class, without realizing its own ridiculousness, persists in spreading the most absurd lies about the Russian “threat,” about the “imminent collapse” of the Russian economy and its inevitable future, always future, defeat in Ukraine. Denying reality so emphatically does not change reality, it only makes the enormous and lamentable effort of denial even more pathetic. In its terminal state, the European ruling class has lost all shame and credibility, but it is still capable of causing a great deal of harm. To better combat it, then, it is important to remember a little of its history and denounce its most dangerous lies.

The European ruling class and the myth of denazification
The myth of denazification at the end of World War II is a fundamental pillar in the construction of the supposed “moral superiority” of the European ruling class, which is so important in legitimizing its control. This class presents itself as a proud defender of democracy and human rights, as a historical enemy of Nazism and all fascist movements.

The truth that this class tenaciously seeks to hide is that the reconstruction of European capitalism that allowed its own rise to power was carried out with the support and participation of Nazis and Nazi collaborators, especially in Germany.

At the end of World War II, Germany was divided into distinct occupation zones by the Allied armies—the US, the UK, France, and the USSR. However, as historian Mary Fulbrook wrote in her book A History of Germany 1918–2014, there was a huge difference in the treatment of Nazis and their collaborators between the Soviet occupation zone and the other zones:

“In the Soviet zone, given the primarily structural and socioeconomic interpretation of Nazism which prevailed, major efforts were devoted to the land reform which served to abolish the Junker class, the resources of certain Nazi industrialists were expropriated and there were reforms of industry and finance which had not merely reparations as their aim, The Soviets were concerned also to oust individual Nazis from important positions. They carried out purges not only in the political and administrative spheres, but also in the teaching profession and the judiciary.”

“Quite apart from their attempts to gain some sort of compensation for the enormous material and human losses imposed on them by German aggression, the Soviets implemented certain economic policies designed so to transform the socioeconomic structure of their zone that could never again, in the Soviet view, be the material basis for a Nazi capitalist militarism. They sought to eradicate the Junker class and the large capitalists in a stroke.”

Regarding the occupation by Western powers, Mary Fulbrook states:
“It is notable that, in contrast to the Soviet zone, there were no radical transformations in economic structure in the Western zones of occupation.”

“Denazification lurched along in curious ways in the Western zones. It was not quite clear whether the aim was to punish or to rehabilitate former Nazis; and whether the intention was to cleanse the political, administrative and economic spheres of their presence, or to cleanse former Nazis of the taint of Nazism in order to reinstate them in their former areas of expertise. In contrast to the Soviet zone, which effected a major restructuring of society, along with a replacement of the old elites by new personnel, as well as permitting individual rehabilitation, the Western zones tended towards rehabilitation rather than transformation.”

Also, according to Mary Fulbrook:

“Nevertheless, it can be argued that in more subtle, less immediately obvious ways, there was in fact a major socioeconomic reorientation taking place in the Western zones of Germany. In the immediate postwar period, many people thought the way was open for a socialist transformation of Germany. The Allies’ decision to suppress indigenous anti-fascist groups and support moderate and conservative political parties was paralleled in the sphere of economic policy. Indigenous demand, for example, for the socialization of mines, were peremptorily dealt with by the Americans. Socialization measures proposed by the Land governments of Hesse and North-Rhine-Westphalia were suppressed by the Americans and – under American pressure – the British respectively. Subtle pressures were exerted by the Americans to split communist and socialist trade unions, to isolate the former and moderate the latter.”

Finally:

“Former Nazis, both the committed and the conformists, were able to fit easily into Adenauer’s Germany. Although in the immediate postwar period about 53,000 civil servants had been dismissed for membership in the NSDAP, only 1,000 were excluded permanently from any future employment. Under the 1951 Reinstatement Act many were reemployed in the civil service and obtained full pension credits for their service in the Third Reich. By the early 1950s between 40 and 80 per cent of officials were former NSDAP members. Similarly, only a very few members of the judiciary were permanently disqualified. Former Nazis were even able to gain prominent positions in public life. Adenauer was quite prepared to include former Nazis in his cabinet, such as former SS-member Oberlaender as Minister for Refugees. Perhaps the most controversial of Adenauer’s appointments was that of Hans Globke, the author of the official commentary of the Nuremberg Race Laws of 1935, as Adenauer’s chief aide in his Chancellery. “

Regarding the courts responsible for prosecuting Nazis, Mary Fulbrook comments:

“The tribunals soon came to be likened to laundries. One entered wearing a brown shirt and left with a clean starched white shirt instead. Denazification had finally become, not the cleansing of German economy, administration and society of Nazis, but rather the cleansing and rehabilitation of individuals.”

David de Jong, a Dutch journalist who has investigated some particular cases of Nazi industrialists and bankers in Germany, published in 2022 the book Nazi Billionaires – The Dark History of Germany’s Wealthiest Dynasties, where he informs:

“By 1970, Friedrich Flick, August von Finck, Herbert Quandt and Rudolf-August Oetker made up West Germany’s top four wealthiest businessmen in descending order of fortune. All four were former members of the Nazi Party; one of them had been a volunteer Waffen-SS officer; they had all become billionaires.”

In his book, David de Jong devotes special attention to the use of forced labor of prisoners of war in factories in Germany and occupied countries. Mentioning Friedrich Flick, for example, the author writes:

“By 1943, those performing forced labor at Flick’s coal mines increasingly consisted of women and children deemed fit for work in the open-pit mines. Many were Russian teenagers from thirteen to fifteen. By the time Flick’s sixty-first birthday came around, his conglomerate had 120,000 to 140,000 workers. About half of them were forced or enslaved.”

And also:

“IG Farben, Siemens, Daimler-Benz, BMW, Krupp, and various companies controlled by Günther Quandt and Friedrich Flick were some of the largest private-industry users of forced and salve labor.”

“Slave labor collaborations between SS-run concentration camps and German companies included Auschwitz with I.G. Farben, Dachau with BMW, Sachsenhausen with Daimler-Benz, Ravensbrück with Siemens, and Neuengamme with Günther’s AFA, Porsche’s Volkswagen, and Dr. Oetker.”

Ferdinand Porsche, the famous designer and owner of the car factory that bears his name and also of Volkswagen, was a dedicated collaborator with the Nazi regime and a producer of weapons for the German army. Porsche used slave labor not only in Germany, but also at the Volkswagen factory in occupied France. According to de Jong, Porsche was acquitted by a court in Dijon, France, in 1948. And, according to de Jong, “not even mentioned in the trial” was the use of “thousands of French civilians and soldiers as forced laborers and slaves in the Volkswagen complex.”

In 1951, at the height of the Adenauer era, the Stille Hilfe (Silent Help) Association was founded in Germany. The German organization Zukunft braucht Erinnerung (The Future Needs Memory) (1) states on its website that Stille Hilfe is “an organization that was primarily dedicated to supporting Nazi murderers, but which, unfortunately, only became known to the public very late and in a rudimentary form. What was frightening about this aid organization, apart from its incomprehensible intentions, was the fact that certain people were involved in it or supported it. At least until 2011, the organization was still very active.”

Its founder, Princess Helene Elisabeth von Isenburg, devoted herself mainly to providing legal assistance to Nazi war criminals sentenced to death who were imprisoned in Landsberg Prison, under Allied control. She became known as the “Mother of the Landsbergers.” This association also provided financial assistance to Nazi criminals and their families.

It is also important to mention the Blue Division, a group formed by Spanish Francoist volunteers who joined the Nazi army in the fight against the Soviet Union. In 2015, several members of the Die Linke party in Germany questioned the German government (2) about the payment of around €100,000 per year in pensions that were still being made to these former Nazi combatants and their families by the German government, which the Die Linke party considered scandalous. (3)

The fact that an association with the objectives of Stille Hilfe could have been created in Germany in 1953 and that pensions to former Nazi combatants from a foreign country were still being paid in 2015 by the German government are two more striking pieces of evidence against the myth of denazification. Similar events occurred throughout Western Europe, where Nazis and their collaborators played an important role not only in the reconstruction of European capitalism but also in the repression of popular movements demanding revolutionary changes in social organization, such as the socialization of mines mentioned by historian Mary Fulbrook. It was this popular pressure that led to the creation of the welfare state in countries such as Germany, France, and England. It is important to remember that capitalism as an economic system emerged from the war completely discredited and had to be reimposed throughout Europe by the United States with the collaboration of the former European elites who had supported fascism in Italy and Nazism in Germany. With the end of World War II, the fascists, Nazis, and their collaborators had another function of the utmost importance: the fight against the USSR.

The many faces of Russophobia
Russophobia in both Europe and the US have a long history, dating back to the Russian Revolution of 1917. The Cold War period accentuated Russophobia, which became firmly established even in popular culture, where Soviets were always portrayed as caricatured villains in a wide variety of films and books. Paradoxically, it was after the dissolution of the USSR in 1991 that Russophobia took on new dimensions. The years of Boris Yeltsin’s presidency in Russia from 1991 to 1999 were a period of great euphoria in the West regarding its former adversary. The USSR had been defeated, and Russia’s immense natural resources were now available for privatization. According to IMF estimates, capital flight from Russia in the 1990s amounted to about $150 billion. The country was plunged into chaos and economic depression, and in the eyes of the West, Russia was very close to becoming a new Western colony. Upon succeeding Yeltsin in 1999, Vladimir Putin managed to reverse this process of political and economic decline, preventing the neo colonization of Russia, which the West has never forgiven. This is the origin of the demonization of Vladimir Putin, an important ingredient fueling current Russophobia. With the special military mission in Ukraine, Putin has once again thwarted the interests of the West. Through a proxy war in Ukraine, Western powers, with their economic blockades and NATO’s military might, hoped to destroy the Russian economy, overthrow Putin’s government, and put someone like Yeltsin in power in Russia.

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2026

Há uma guerra aberta entre Elon Musk e o primeiro-ministro de Espanha, Pedro Sánchez


Guerra aberta entre o homem mais rico do mundo e o primeiro-ministro de Espanha. E tudo através do X, a rede social que é propriedade de Elon Musk, e que certamente será uma das empresas afetadas pela mais recente decisão do governo de Pedro Sánchez.

Tudo começa com o governo espanhol a seguir os passos de países como a Dinamarca e a anunciar um limite mínimo de idade para se aceder às redes sociais. A partir de agora, um cidadão que viva em Espanha só poderá fazê-lo se tiver 16 ou mais anos, uma medida que o PSD até quer que seja discutida em Portugal.

Diretamente afectado pela medida, Elon Musk reagiu ao seu jeito, sem meias palavras e a céu aberto. Na conta pessoal da rede social que comprou há uns anos, o homem mais rico do mundo decidiu apelidar Pedro Sánchez de “tirano e traidor do povo de Espanha”.

Isto em resposta a uma publicação feita nas redes sociais em que se detalhava o pacote de cinco medidas com as quais o governo espanhol promete acabar com aquilo que entende ser a impunidade das redes sociais e as suas diretivas.

“Dirty Sánchez”, ou “Sánchez sujo” foi a forma com que Elon Musk se dirigiu ao primeiro-ministro espanhol, numa publicação que a acompanhar tinha um emoji pouco elogioso.

Para Pedro Sánchez, “as redes sociais converteram-se num Estado falido onde se ignoram as leis e se toleram os delitos”. É mesmo um “faroeste”, na visão do primeiro-ministro espanhol, que decidiu dar voz à muita discussão que se tem tido na Europa sobre o controlo destas plataformas.

O processo legislativo terá início na próxima semana. Outras medidas propostas incluem o desenvolvimento de uma "pegada de ódio e polarização", explicou Sánchez, um sistema para monitorizar e quantificar a forma como as plataformas digitais alimentam a divisão e amplificam o ódio.

De resto, e por publicações relacionadas com nudez, o X é mesmo uma empresa visada pela Comissão Europeia neste momento, nomeadamente por causa da sua ferramenta de Inteligência Artificial, o Grok. Ainda esta terça-feira foi confirmado que os escritórios daquela rede social em França foram alvo de uma operação da unidade de crimes cibernéticos do Ministério Público. Em causa está uma investigação sobre suspeitas de extração ilegal de dados e cumplicidade na posse de pornografia infantil.

Em dezembro, a Austrália tornou-se o primeiro país do mundo a implementar uma proibição das redes sociais para menores de 16 anos, impedindo o acesso a 10 plataformas, entre elas Facebook, TikTok, Instagram, Snapchat e X. O Reino Unido está a considerar uma medida semelhante, enquanto França e Dinamarca anunciaram recentemente planos para impedir o acesso às redes sociais a menores de 15 anos.

O presidente francês, Emmanuel Macron, afirmou no mês passado que pretendia acelerar o processo legal para garantir que a proibição esteja em vigor antes do início do novo ano letivo, em setembro.

Outros países europeus estão também a adotar uma postura mais dura em relação às empresas de redes sociais. Sánchez disse que Espanha se juntou a outros cinco países europeus "empenhados em aplicar uma regulação das redes sociais mais rigorosa, rápida e eficaz". Não identificou os países, mas explicou que o grupo realizará a sua primeira reunião nos próximos dias, com o objetivo de coordenar a aplicação das regras além-fronteiras.

"Esta é uma batalha que ultrapassa largamente as fronteiras de qualquer país", concluiu.

Por esta e outras razões, Espanha decidiu agir. “Vamos mudar a legislação para que os diretores das plataformas sejam legalmente responsáveis das múltiplas violações que têm lugar nas suas plataformas”, afirmou Pedro Sánchez.

De resto, este é apenas mais um episódio que confirma que há mesmo uma contenda entre as duas figuras. Há uns dias, ainda em janeiro, o primeiro-ministro espanhol sugeriu que “Marte pode esperar, a Humanidade não”, numa clara referência às críticas de Elon Musk relativamente à regulação da imigração.

segunda-feira, 26 de janeiro de 2026

Guess how many times world leaders mentioned climate change in Davos?

Zero.
This is not an opinion. It is a fact.
Across the 2026 World Economic Forum, the main special addresses from Trump, Carney, Merz, von der Leyen, Zelenski, and Macron amounted to almost four hours of speaking time.
In those four hours:
Not once was climate change or global warming mentioned.

Let that sink in.
These speeches are revealing. Not because of what was said, but because of what was carefully avoided. They show, in plain sight, what currently ranks as urgent for the political elite and what does not

This is exactly why We Don’t Have Time was present in Davos
While climate disappeared from the main stage, we did the opposite. Together with our partners GreenUp and the Davos Climate Hub, we broadcast more than 40 hours of live climate content, reaching over 15 million people worldwide.

At a time when many leaders and companies are actively avoiding the word climate, our role becomes even more critical. The climate crisis will not disappear just because the political climate has hardened.

Standing up for facts, science, and what is right now takes more courage than ever.
The Alternative WEF speech

From left: Carlos Nobre – Climate scientist, former President of CAPES (Brazil), leading expert on Amazon tipping points | Paul Polman – Former CEO of Unilever | Sandrine Dixson-Declève – Honorary Co-Chair, Club of Rome | Johan Rockström – Director, Potsdam Institute for Climate Impact Research. 

That silence did not go unanswered.
Just before President Trump’s address, an alternative WEF speech was delivered in Davos by some of the world’s leading scientists and systems thinkers. The speech was not on the official agenda of the World Economic Forum. It was not permitted on the public square either.

So we found another place. Quite literally, the only available space was a pile of snow.

From there, climate reality was addressed head-on.

While much of Davos had President Trump’s speech top of mind, this moment may prove to be the one history remembers: scientists standing up for facts, for evidence, and for what is right, even when it was inconvenient, even when there was no official stage.

Broadcast globally on We Don’t Have Time, Sandrine Dixson-Declève, Johan Rockström, Carlos Nobre, and Paul Polman presented a clear alternative to the economic and political model on display in Davos.

Their message was unambiguous: the old system is a dead end.

Every year, trillions are lost to climate and ecological breakdown. This is not the cost of progress, but the cost of delay. Their “giant leap” scenario shows that investing just 1–2 percent of global GDP in climate action and nature restoration can generate tenfold returns in economic, social, and environmental value.

They challenged the idea that prosperity can be measured by GDP alone. A viable economy must ensure that every child has enough to eat, every worker can live without fear, and every society can thrive within planetary boundaries. Continued fossil-fuel expansion offers no path forward.

This was not a protest. It was not theatre. It was a science-based intervention, delivered from the margins at a moment when silence had become the norm.

Everyone at We Don’t Have Time who helped make this possible is proud to have stood up for science when it mattered.

If this speech matters to you too, help it travel.
Download the video and share it on your own social media so more people can see what science actually says about our future.

segunda-feira, 18 de dezembro de 2023

How to minimize Greenlash



A backlash over the EU’s green policies is not inevitable. Policy-makers should focus on designing green policies that make decarbonisation affordable, and highlight its social benefits.

Since the summer, a new word has entered the EU political lexicon: ‘greenlash’. Popularised by Italian political scientist Nathalie Tocci, the term refers to the political and societal backlash against ‘green’ policies. This can materialise at a local level, with citizens pushing back against clean mobility policies such as congestion charges; at national level, exemplified by the yellow vest movement triggered by the French attempt to increase its carbon tax; and at EU level, as shown by the attempts of centre-right parties in the European Parliament to kill Green Deal policies such as the phase-out of internal combustion engine vehicles or the nature restoration law.

The EU has made the Green Deal – a wide set of policies to address climate change and environmental degradation – a political priority. It aims to reach net-zero carbon emissions by 2050. Inevitably, to reach this goal, decarbonisation now needs to accelerate in sectors that have been lagging behind in emissions cuts. Decarbonising sectors such as road transport and buildings directly affects households, while cutting emissions from agriculture and heavy industry touches specific business interests. Governments are requiring households and these businesses to change their behaviour and to make important investments, which is why we see backlash in the first place.

Therefore, we need to understand the breadth of the ‘greenlash’ and what types of policies are at stake. A slowdown of the European environmental and climate agenda is not inevitable. Contrary to what those opposing the Green Deal allege, an ambitious green agenda is essential for Europeans’ welfare and the competitiveness of European firms.

The varying degrees of ‘greenlash’
There is a difference between critical statements by heads of government about the EU Green Deal and large-scale societal push-back against – or scepticism about – certain environmental and climate policies.

Among EU leaders, over the summer both French President Emmanuel Macron and Belgian Prime Minister Alexander De Croo called for a pause in new European green policy initiatives. This came after a ‘wave’ of new EU policies were introduced to meet 2030 climate goals: they argued governments and businesses need time to implement these new rules and adjust to them. Additionally, they argued the EU should further increase regulatory pressures, not to risk losing industries to jurisdictions with laxer green policies. Later, De Croo nuanced his call by saying that while carbon emission reduction is an absolute imperative, adding further constraints related to biodiversity preservation or chemical regulation could be too ambitious and counterproductive. This shows that some political leaders are wary of targeting specific interest groups like farmers, whose economic interests could be adversely affected by certain Green Deal policies.

Right-wing populist leaders, like outgoing Polish Prime Minister Mateusz Morawiecki and Hungarian Prime Minister Viktor Orbán, have long been attacking European policies for the energy transition. Morawiecki demanded that the carbon prices determined by the EU emissions trading system be capped – a crusade he lost. Orbán tried to blame the energy price spike on EU climate policy, as opposed to Vladimir Putin’s gas flow manoeuvres.

Among European citizens, climate action still ranks high as a political priority: 29 per cent of EU citizens surveyed by Eurobarometer in autumn 2023 believed climate action should be one of the main priorities for the European Parliament to address – after poverty, social exclusion and public health but on a par with support for the economy and job creation. While this was 10 percentage points lower than in November 2021, the ranking of these priorities has not changed.

Yet, in climate-focused polling in summer 2022, Eurobarometer found that, while most Europeans were optimistic about the energy transition creating more jobs than it would destroy, only 46 per cent were convinced that sustainable energy, products and services would be affordable for all. The cost of climate action and its fair distribution worries Europeans. This fear also emerges in a more recent survey carried out by Project Tempo in November 2023: voters who already feel economically insecure and alienated from politics have been driving the recent backlash against green policies. These are so-called ‘forgotten voters’, representing 20 to 30 per cent of the EU’s active electorate. These figures suggest that ‘fatigue’ about green policies, broadly speaking, will be an important theme in the run-up to the 2024 European elections.

‘Triggering’ green policies
To understand and deal with the greenlash, we need to be more specific in identifying the policies that trigger it when poorly designed and implemented.

First, policies that directly affect the cost of living, such as carbon taxes or carbon prices arising from emission trading systems such as the one in place in the EU, are particularly likely to lead to backlash. In 2018, Macron’s planned increase in the carbon tax from €44.6 to €86.2 per tonne of CO2 led to protests of the gilets jaunes (yellow vests) all over France, out of concern it would raise fuel prices. The French government decided to freeze the tax increase.

This type of policy, from fuel taxes to carbon taxes, makes the cost of carbon emissions explicit and inevitably increases the cost of using carbon-intensive goods, such as gasoline-fuelled cars. The aim of these types of policies is to incentivise a shift away from polluting technologies. But higher transport or heating fuel costs can be particularly burdensome for lower-income households which tend to rely on less energy-efficient cars or heaters, and may not have the financial capacity to switch to greener ones. Due to this, these policies can be perceived as socially unjust if not accompanied by measures that help poorer households make greener choices.

Second, banning carbon-intensive technologies can also trigger backlash, as they directly limit the choices of consumers and businesses, as opposed to suggesting or incentivising change. Backlash can be particularly strong if these phase-out mandates are implemented without measures that help households and businesses replace banned technologies with cleaner and more affordable options. For example, over the summer, the German coalition government, pressed by the Green Party, had tabled a proposal to ban the installation of oil and gas heating systems by 2024, requiring households to install new ‘green’ systems instead, such as heat pumps. Backlash came from the political opposition, businesses and large swathes of voters. The government eventually revised the law by continuing to allow new installations of gas and oil heating systems under certain conditions (for example if they can be converted to hydrogen), and by shifting the burden from households to municipalities, which will have to put forward plans outlining how they plan to decarbonise heating.

Another example is the phase-out of the sale of vehicles with internal combustion engines (ICEs) by 2035, which the EU approved earlier this year in an effort to encourage sales of electric vehicles (EVs). Last minute opposition by Germany resulted in the introduction of an exemption: ICE cars will still be allowed on the market provided they run exclusively on carbon-neutral synthetic fuels, a niche technology which is not expected to reach the mass market. Italy’s attempt to obtain a similar exemption for biofuels failed to gain traction. These backlashes were clearly driven by lobbying efforts by the car industry, indicating how organised interests can slow efforts for green reform.

Third, the mirror image of bans on ‘brown’ technologies is legislation that forces the greening of existing assets. Like bans, mandates reflect the policy approach that in environmental economics is labelled ‘command and control’: they require individuals to change their behaviour or green their assets within a precise timeline. Mandates to renovate buildings to make them more energy efficient and reduce energy consumption are a good example of this approach. This type of mandate was one of the cornerstones of the EU’s energy performance of buildings directive, but law-makers toned down this requirement following strong backlash from some member-states led by right-wing governments. Italy, for example, vocally criticised the policy’s attempt to require change in people’s homes. In the end, the obligation to renovate residential buildings to improve their energy efficiency by 2035 will only apply to the “worst performing” ones – less than half of the European housing stock.

A fourth type of policy potentially triggering backlash is the sort that directly touches special interest groups – for example, farmers. These groups are powerful enough to have avoided strong decarbonisation targets so far, but now necessarily need to contribute to climate action. The provincial elections in the Netherlands in spring saw the unexpected rise of the FarmerCitizenMovement. The new movement channelled farmers’ outrage at the government’s plan to reduce livestock numbers so as to curb nitrogen pollution. This electoral outcome had repercussions at EU level: to avoid the ire of farmers, the centre-right European People’s Party (EPP) tried but failed to kill the nature restoration law in the European Parliament. This law would set targets to improve and restore biodiverse habitats such as wetlands and forests. Farmers remain a powerful electoral constituency. Commission President Ursula von der Leyen made sure to laud the role of farmers in ensuring food security in her September 2023 State of the Union speech – while at the same time not budging on the need for “agriculture and protection of the natural world [to] go hand in hand”.

But greenlash is not inevitable. Survey results cited above, from Eurobarometer to Project Tempo, indicate that most citizens care about climate change, but are afraid of changing their own habits and are unable or unwilling to sustain cost increases. Climate deniers are not the main reason for greenlash. So what can be done to prevent or at least control the backlash against green policy?

Managing the greenlash
To prevent or at least manage backlashes, it is critical to provide support to those households and businesses who cannot afford the technology changes that decarbonisation calls for. Last winter, Europe experienced an energy price spike which governments tried to mitigate with generous subsidies and energy price caps. Most of these income support measures were unconditional, meaning all households benefited regardless of their income. This made them easy to roll out, but it has taken a toll on public finances.

Income support should in future be focused on those who need it the most, such as poor consumers who struggle to pay energy bills. Investment support measures should be targeted, income-based and conditional on replacing or renovating older assets with the most efficient ones. Think subsidies for poorer households to efficiently insulate their home or to upgrade their heating system. For example, France offers varying levels of renovation subsidies according to households’ incomes and to the energy savings the renovation would warrant. Conversely, Italy used to offer extremely generous subsidies for home renovations – but these were not capped according to income, not limited to primary residences and not conditional on achieving ambitious energy efficiency improvements.

Investment support should particularly focus on facilitating those upgrades that require large upfront costs and have slow payback. For example, purchasing an electric vehicle is a smaller investment compared to a full-scale house renovation, and it has a shorter payback period, as operating costs are already lower for electric vehicles than for traditional cars. In the wake of its budgetary problems, Germany is freezing investment support for housing renovations and heating decarbonisation while continuing with EV subsidies – a poor decision.

When implementing carbon prices, either via taxes or emissions trading, their regressive impact can be more than offset by appropriately using revenues raised. This could be done using those revenues to fund cash transfers for the entire population. Because the transfers are all for the same amount but the full carbon price burden will depend on how much each person pollutes, those polluting less may gain a net benefit in the end, and bigger polluters instead will bear a larger burden.

The EU has opted for a very targeted approach. As of 2027, it will introduce an EU-wide carbon price on transport and heating fuel through a new emissions trading system, the so-called ETS2. But to reduce the policy’s burden on the poorest, revenues from the auctions of pollution permits under the ETS2 will be in part used to support vulnerable households and businesses in shifting away from carbon-intensive transport and heating (for example replacing gasoline cars with electric ones and gas heating with heat pumps). The main vehicle for this effort is the new Social Climate Fund (SCF), but as its budget allocation has been reduced relative to the Commission’s initial proposal, it may not suffice in supporting all consumers who need it so it will necessarily need to be topped up or complemented with national-level efforts.

But cash, in the form of transfers or subsidies, may not stop greenlash on its own. The Project Tempo survey indicates that voters also want to see broader social benefits from the energy transition, to see how it can positively change both their personal situation and their community’s economic prospects. Arguing that Europe has the duty to cut its emissions, and fast, because of its international commitment to do so may speak to some voters, but definitely not to all.

It is therefore important for lawmakers to communicate the benefits of climate action better, both financially and otherwise. For example, for households, investments in energy efficiency improvements come with renovation hassles, but can deliver improved comfort and lower energy bills. Building renovation is also an activity in which local jobs are created, which can be a positive selling point. It is important for governments to showcase the business case for climate investments: decarbonising operations can bring Europe to the forefront of nascent industries such as clean steel, all while reducing the industry’s dependence on imported fossil fuels which have high and volatile prices. Politicians should not hide the costs of climate action, but they should also showcase its multiple direct and indirect benefits, which go beyond emissions reductions.

Finally, it is important politicians are frank about the social costs of climate inaction: Europe has experienced several extreme weather events in the past years, from floods to wildfires, whose likelihood has been increased by climate change. Their frequency will increase in the future, and so will the damage they cause and the costs of fixing them. This means that Europe cannot fully shield itself from climate change, but it can do its best to mitigate its emissions and adapt to unavoidable climate damage.

Slowing down decarbonisation to appease the leaders of the greenlash would do no favours to Europe. It would not offer respite on the cost-of-living front, because relying on fossil fuels is both expensive and risky, as the energy crunch of the past two years has shown. Similarly, slowing or freezing climate action at a time when both the United States and China are pouring important subsidies into green technology industries would not make Europe more competitive. Business as usual, be it walking back on approved energy and climate laws or hitting ‘pause’ on necessary future changes, is not an option.

sexta-feira, 21 de outubro de 2022

França vai sair do Tratado da Carta da Energia

Emmanuel Macron anunciou a retirada da França do Tratado da Carta da Energia, por considerar incompatível com os objectivos do Acordo de Paris. O documento, de 30 anos, é acusado por várias instâncias de ser demasiado protector das energias fósseis.


Em conferência de imprensa, no final do Conselho Europeu, em Bruxelas, o Presidente francês, Emmanuel Macron anunciou a saída de Paris do Tratado da Carta da Energia. Um texto adoptado em 1994, considerado demasiado “amigo” das energias fósseis e incompatível com os objectivos franceses. “Um ponto importante exigido por muitos”, sublinhou o chefe de Estado. 

A Alta Entidade para o Clima já tinha avançado que a União Europeia deveria sair do Tratado da Carta da Energia, na medida em que se incompatibiliza com “os calendários de descarbonização" previstos nos acordos de Paris.

Afirmou Emmanuel Macron que “no momento actual, devemos acima de tudo acelerar e concentrar os investimentos para ir mais rápido nas renováveis, ir mais rápido na eficácia energética e ir mais rápido no nuclear”. O presidente francês acrescentou que “a guerra em solo europeu não pode apagar as exigências climáticas e o nosso imperativo de redução das emissões de CO2”.

O Tratado da Carta da Energia foi assinado em 1994, para dar garantias aos investidores dos países da Europa de leste e da ex-URSS. Permite às empresas, junto de um tribunal de arbitragem privado, pedir indemnizações a um estado por decisões que afectam a rentabilidade dos seus investimentos, mesmo em caso de políticas pró-clima.

Em Junho a União Europeia conseguiu a reforma do tratado, mas o compromisso era insuficiente para as ong’s que exigiam a retirada dos europeus, pois consideram que o tratado trava a transição energética.

A Rússia já se retirou do tratado em 2009, seguida pela Itália em 2015.